Arquivo do mês: junho 2008

André Augusto Passari (O mago da ironia)

Lá se vão cem anos, e quanta solidão!
De lá para cá, o ser humano
Esse espectro frágil de qualquer coisa que seja Deus
Tropeçou em suas próprias armadilhas e se perdeu

Por isso, com a mesma ironia
E em memória àquele que um dia iluminou essa escuridão
Dedico estes versos, pobres e insuficientes versos
Mas que dão mote à grandeza do nome sobre o qual verso

Antes do mais, perdoe-me o engano
Não, não é um espectro frágil o ser humano
É antes o próprio ideal trágico de um sonho infeliz e patético
Uma gargalhada profunda de um Deus incrédulo e imagético

Mas vá lá, voltemos ao nosso mote
E à homenagem ao grande Cavaleiro das Letras
Fundador da Academia Brasileira de Letras
E que nos inspira em vida e em morte
Joaquim Maria Machado de Assis
Ou somente Machado de Assis

Não era mesmo para ser o orgulho da pátria
Estava mais para um néscio ou um paria
Mulato pobre, gago, órfão, epilético e sem estudo
Tornou-se logo entre todos o mais culto
E contrariando a ordem lógica do mundo
Inverteu a lógica, o real e o oculto

Enxergou como ninguém a alma humana
E a revelou com a elegância de uma arte grega ou romana
Mas o fez com tal sinceridade
Que até parece crueldade
É que o homem vive numa crise de identidade
Ante o bem e o mal, a dualidade

Homenageado com honras em seu velório
Machado de Assis nunca foi um simplório
Sabia que a vida é um desafio complexo
E que só com maestria e valentia é que faz nexo
Por isso aproveitou a ironia de ter nascido pobre
Para morrer com a insígnia de um espírito nobre
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Notas sobre o autor:
André Augusto Passari, novo escritor nascido em Sorocaba (SP), veio ao mundo em 1979. Médico psiquiatra, reside em Ribeirão Preto (SP). Na literatura, assume sua condição de profundo admirador de Machado de Assis.
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Fonte:
PASSARI, André Augusto. Tempo, Solidão e Fantasia. São Paulo: Scotercci Editora, 2005.

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Edu Mercer (Universo de livros)

A batida da pesada porta de ferro ecoou uma eternidade. Desapressado, o pequeno Nicolau olhou para todos os lados. Certificou-se de que estava sozinho na imensa biblioteca. Como fazia há uns bons noventa anos — ou cem, ou talvez mais —, percorreu as estantes com os olhos à procura de algum volume. Olhou para as prateleiras da margem oposta, com o indicador da mão esquerda batucando a ponta do nariz. Olhou para a parede próxima até em cima, na altura onde surgiam as primeiras nuvens. “Deve estar por aqui”, pensou. Colocou um quepe de alpinista na cabeça, a mochila nas costas, com um martelinho e uma corda presos por fora e começou a subir pela escada móvel metálica que atingia as estantes mais longínquas. Por mais frio que fosse nas alturas, contentava-se com uma jardineira de calças curtas e camisa sem mangas. Depois de horas e horas, voltou ao chão com um espesso alfarrábio. Isolada no centro da biblioteca, havia uma cadeira alta, entalhada de mogno, o assento fofo revestido com veludo carmim. Sentou-se e leu alguns capítulos. De súbito pensativo e triste, Nicolau interrompeu a leitura — a releitura — de “Capitão Áteras”, de Julio Verne, e ficou a meditar. Lembrou que ainda moço estabelecera um rigoroso planejamento de leituras. Desde o verdor da juventude era propenso a estabelecer e cumprir metas. Algumas tolas, como não comer carne vermelha nos verões e raspar o cabelo nos anos bissextos. Outras de maior relevo, como aprender os idiomas latinos e desbravar a literatura clássica.

O planejamento literário funcionava da seguinte maneira: Nicolau lia um grande livro de um grande autor. Tão logo terminasse, começava a leitura de um grande livro de outro grande autor. E assim seguia o Primeiro Ciclo. Cumpria com prazer uma jornada diária de leitura, essencial para dar cabo de uma extensa lista elaborada com minúcia mas permeável a eventuais acréscimos. Por mais que se apaixonasse pelo estilo, pela verve do escritor, jamais lia outra obra do mesmo. “Há muitos autores a se conhecer”, pensava com a ansiedade natural dos jovens.

Influenciado pela xenofobia da Semana de 22 (“tupi or not tupi, that’s the question”), começou pelas obras nacionais. “O Ateneu”, “Espumas Flutuantes”, “Os Sertões”, “Dom Casmurro” e várias outras de tal quilate. Tinha plena convicção de que Capitu traíra Bentinho e ficava exasperado quando a crítica literária cogitava outra hipótese. Depois, numa nova etapa, quando chegava aos trinta anos, começou os autores clássicos universais — Joyce, Shakespeare, Dickens, Dostoievski, Dumas, Poe, Borges, Eça, Aristófanes e companhia. Às vezes se permitia entremear a leitura de clássicos com livros de prosa jornalística, coletâneas de citações, estudos jurídicos, antologias de contos, enciclopédias ilustradas, best sellers digestivos e literatura infanto-juvenil. Sem contar a leitura diária de jornais e revistas variadas.

Essas interrupções, aparentemente inofensivas, representaram uma considerável parcela de tempo. Assim, Nicolau já contava com mais de cinqüenta anos ao iniciar o Segundo Ciclo — a leitura de outras obras dos seus autores prediletos. “O Processo”, de Kafka, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Quincas Borba”, de Machado de Assis, “Sagarana”, de Guimarães Rosa, “Crime e Castigo”, de Dostoievski, “Otelo” e “Rei Lear”, de Shakespeare.

Nicolau já era um resignado octogenário quando finalmente conseguiu iniciar o Terceiro Ciclo — a época das releituras. “A releitura é a verdadeira arte da leitura”, dizia ele citando uma frase não lembrava de quem. Recordou outro escritor, Ernest Hemingway, que daria toda a sua fortuna se pudesse sentir de novo o prazer que sentiu ao ler, pela primeira vez, seus livros preferidos.

Naquela tarde encalorada em que começara a reler “Capitão Áteras” — o primeiro livro de sua vida, o livro culpado por sua paixão fulminante pela leitura — Nicolau pensou nos inúmeros livros que já havia lido e relido. Em quanto conhecimento e diversão aquelas centenas de milhares de volumes já haviam oferecido a ele. Em quantos bilhões de palavras já haviam passado por seus olhos e quantas palavras desconhecidas havia anotado com caneta Bic num bloco de papel jornal para depois descobrir seus significados. Lembrou-se das incontáveis semanas sem comer, dos meses sem se contemplar no espelho, dos anos sem fazer a barba. No meio de tantas reminiscências, lembrou-se com saudade de um dicionário ilustrado muito antigo, impresso em papel bíblia, que tinha bonitas ilustrações coloridas de peixes oceânicos.

Colocou a mochila às costas, pegou o equipamento de alpinista e ajeitou o quepe na cabeça. Começou a cantarolar e a subir os degraus da escada metálica. Se sua memória merecesse alguma confiança, o dicionário estava daquele lado, numa prateleira bem acima das primeiras nuvens.

O nefelibata Nicolau nunca mais voltou.
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Notas sobre o autor:
Edu Mercer nasceu em 1973 e é redator publicitário em Curitiba — Paraná. Já escreveu, segundo suas próprias palavras, “dois pequenos livros (opúsculos): Fundo de Baú e O Quintal de Minha Casa é um Bar”, que reúnem contos, crônicas e letras de música.
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Fonte:
http://www.releituras.com/

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Estante de Livros (Editora Escrituras)

Antônio Campos e Cyl Gallindo (Panorâmica do conto em Pernambuco)
896 páginas

Esta é a segunda grande obra coletiva lançada pelo Instituto Maximiano Campos (IMC) em parceria com a Escrituras Editora. Primeiro surgiu a poesia, a palavra cristalizada na publicação do Pernambuco, terra da poesia: um painel da poesia pernambucana dos séculos XVI ao XXI. Neste volume, destaca-se a prosa, uma forma mais analítica de revelar o ser humano, seus sentimentos, seu tempo e seu espaço.

Panorâmica do conto em Pernambuco reúne um conjunto de obras literárias a fim de desvelar o povo pernambucano no cenário nacional. O gênero conto atende muito bem ao momento atual de muitos afazeres e pouco lazer, já que, em questão de minutos, na ante-sala de um consultório ou gabinete, no percurso de uma pequena viagem, em um piscar de olhos, lemos uma obra literária, conhecemos um autor, abrimos uma janela do espírito para um mundo que sequer imaginávamos que existisse. A partir daí, surge o desejo de conhecermos o autor e o restante de sua obra.

A Panorâmica do conto em Pernambuco traz esse painel, visto, sentido e revelado por 114 autores, nascidos neste Estado ou que, por qualquer circunstância, vivenciaram ou vivenciam a realidade pernambucana, suas experiências históricas, seus momentos de alegria, seus anseios, suas adversidades e suas realizações. Mergulhamos na documentação e trouxemos escritos desde o primeiro contista até autores inéditos, com revelações surpreendentes, certos de que estamos edificando um marco histórico na cultura brasileira.

Quem se debruçar sobre este livro, ao concluir sua leitura, verificará que alcançou uma ampla visão literária de Pernambuco e do Brasil, uma vez que deste torrão também se formou, com muita luta e sacrifício, a identidade brasileira.
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Antônio Campos é advogado, articulista, conferencista, poeta, contista e presidente do Instituto Maximiano Campos (IMC). Nasceu no Recife (PE), em 25 de junho de 1940. Foi um dos fundadores do IMC, depositário do acervo literário e artístico do escritor Maximiano Campos, seu pai, prematuramente falecido. É também promotor e divulgador da cultura pernambucana e nordestina. O IMC apresenta uma lista considerável de lançamentos de livros de outros escritores e produção do IMC, como a coletânea Pernambuco, terra da poesia: um painel da poesia pernambucana dos séculos XVI ao XXI, organizada pelo próprio Antônio Campos e por Cláudia Cordeiro (IMC/Escrituras Editora, 2005). Além disso, o IMC realiza eventos culturais, como participação com a “Casa das Letras” no I Festival de Literatura de Garanhuns (2006) e a realização da III Fliporto – Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, Pernambuco, com o tema “Integração Cultural Latino-Americana”. É autor de diversos livros, nas áreas do Direito, Gestão Empresarial e Literatura (contos, crônicas, ensaios).
Sites: http://www.imcbr.org.br / http://www.antoniocampos.com.br

Cyl Gallindo nasceu em Buíque (PE), em 28 de maio de 1935. Diplomado em Ciências Sociais pela UFPE, é escritor, poeta, jornalista e conferencista. Trabalhou na Assessoria de Comunicação do Senado Federal e de outras repartições públicas. Foi repórter, redator, editor e colunista de jornais de Pernambuco, Brasília, e Mato Grosso, além de correspondente do Jornal de Letras, RJ. Produziu e apresentou o programa Síntese na TV Universitária, Recife, e colaborou com o jornal Gazeta do Povo, Paraná. É membro da Academia de Letras do Brasil, do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, da ANE, Brasília (DF), e da UBE-P. Recém-eleito para a Alane, cadeira nº 18, substituindo o escritor William Ferrer Coelho. Foi membro (fundador) do Conselho Municipal de Cultura do Recife e é membro efetivo da Alane. Atualmente representa no Brasil a Francachela, Revista Internacional de Literatura e Arte, editada na Argentina e é diretor da Cicla, destinada a tradução e publicação de obra de autores brasileiros contemporâneos, na Argentina, e faz parte do Conselho Editorial da revista Encontro, do GPL, PE. Autor de diversos livros premiados, escreveu artigos, reportagens, críticas, crônicas, entrevistas, poesias e contos publicados em antologias, jornais e revistas de diversos Estados do Brasil. No exterior, foi traduzido, respectivamente, para o espanhol, alemão e francês, em: Francachela, Argentina; Xicóatl, Áustria; Rampa, Colômbia; Poésie du Brésil (org. Lourdes Sarmento), França; e Prismal (org. Regina Igel), University of Maryland, Estados Unidos.
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Felipe Machado (Olhos cor de chuva)
160 páginas

Quando você dança com o diabo, você não muda o diabo, o diabo muda você.
Andrew K. Walker

Um texto surpreendente, da primeira à última página. O ritmo inicial é calmo, permitindo que nos acomodemos na poltrona, como em um bom filme. Rapidamente, no entanto, somos capturados em um vórtice de sentimentos e emoções que harmonizam o real e o possível, o atual e o virtual, tornando o gesto mais delirante absolutamente lógico e natural. Após a leitura, não restará quem ache impossível apaixonar-se por um par de olhos cor de chuva, de alguma forma, em algum contexto…

…Aquela noite tinha tudo para ser apenas mais uma na agitada vida do escritor Alexandre Nastari. Freqüentador assíduo do Dixie – casa noturna e palco da big band Great Gatsbies -, viu sua vida mudar repentinamente: Manoela. Após uma noite inesquecível, Alex convida Manoela a se mudar para o seu apartamento. Um dia, da mesma maneira inesperada que surgiu, Manoela se foi. Alex encontra sua mulher morta.

Buscando uma razão para o assassinato da amada, acaba conhecendo Vanessa, ex-garçonete do Dixie e melhor amiga de Manoela. Entre várias revelações, ela conta que aquele não era o nome real da amiga, e que as duas trabalhavam no passado como prostitutas. Vanessa se muda para o seu apartamento. A família Nastari, querendo apresentar a garota à sociedade, oferece um almoço para o casal. Mas tudo dá errado e Vanessa deixa o local abalada Motivo: Enrico era um cliente antigo dela e de Manoela.

Alex tenta matar o pai, mas é impedido por Elizabeth e o velho empregado dos Nastari. As noites ficam cada vez mais pesadas, com cocaína, maconha e vodka, suas companheiras inseparáveis. Uma semana depois, o escritor vai ao Café Mondrian, local onde costumava buscar inspiração. Lá ele conhece Aline, outra paixão à primeira vista, igualmente fulminante, que o faz terminar o relacionamento com Vanessa. Alex conhece os artistas europeus Jorge Galies e Christian Lefuric, amigos de John. Lefuric, que lhe mostram a imagem de uma mulher que transformaria novamente sua vida.

Há, entretanto, um pequeno problema: ela não é real. Criada no computador por designers europeus, a personagem virtual é a última fronteira entre Alex e a loucura. O amor dá lugar a uma obsessão platônica quando, depois de tantos relacionamentos fracassados. Alex acredita ter encontrado a mulher perfeita…
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Felipe Machado passou a adolescência escutando Beatles e Led Zeppelin com a mesma atenção com que ouvia em casa o ruído ininterrupto das máquinas de escrever de seus pais, ambos jornalistas. Seus discos, no entanto, não eram os únicos companheiros: os livros de Monteiro Lobato e Agatha Christie também eram retirados da estante e devorados, um a um. Aos 12 anos, ganhou a primeira guitarra. Aos 16, gravou o primeiro disco com uma banda formada com amigos de infância.

Pouco depois, o VIPER já lançava discos no mundo inteiro e fazia turnês pela Europa, Japão e Estados Unidos. Os livros ficaram na estante, esperando. No final do século XX, influenciado por personagens reais – e completamente irreais – da noite paulistana, Machado partiu para uma nova carreira e um desafio ainda maior: escrever Olhos Cor de Chuva, romance finalizado poucos dias antes de entrar no prelo. Hoje, continua vivendo entre a música e as letras: depois de trabalhar como redator na agência de propaganda DPZ, ele divide seu tempo entre os palcos da banda Metanol e a redação do Jornal da Tarde.
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Myriam Campello (Como Esquecer – anotações quase inglesas)
128 páginas

O livro Como esquecer (anotações quase inglesas), de Myriam Campello, foi roteirizado para o cinema e começou a ser rodado no início de 2008, sob a direção de Malu De Martino (Mulheres do Brasil). A protagonista do filme será a atriz Andréa Beltrão.

Qual é a natureza do amor? E de sua perda?

Numa casa à beira-mar, todos os personagens sofreram algum tipo de perda. Como esquecer (anotações quase inglesas), título que revela a anglofilia da autora, Myriam Campello, é o mapa desse emocionante percurso interior que se acompanha como uma aventura em mar aberto. Duas mulheres formam o par amoroso central que se desfaz e deixa todo um deserto de lembranças e sofrimentos. No texto corre a dramaticidade de desilusões e perdas, misturadas com referências à Inglaterra por toda a narrativa, como o casal Catherine e Heathcliff do clássico de Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes. O que nos faz relacioná-lo à intensidade da personagem, tanto na forma de amar como de sofrer. Da mesma forma como no relacionamento do casal há uma dependência, ao ponto de Catherine afirmar que é Heathcliff, na obra, há também esse sentimento entre Júlia e Antônia.

Através da narrativa da protagonista Júlia, somos envoltos por um emaranhado de lembranças sofridas e nostálgicas que, na maioria das vezes, são carregadas de um humor sarcástico – Quando alguém diz eu te amo para sempre, tenha certeza que você só tem uma opção: acreditar, babaca. Eu acredito em amor eterno, Papai Noel, coelhinho da Páscoa e que todo sofrimento tem fim – Conformada com a dor, passa a ironizá-la e a tratá-la como parte comum de sua vida. Pelas páginas desse romance, Júlia vai divagando sobre seus medos, suas dores e tentativas de esquecer um amor. Tentativas de se sustentar pelas próprias pernas, sem depositar sua vida no outro. Embriagada pelas lembranças, a personagem vive, muitas vezes, ausências da realidade, pega-se flutuando fora do mundo ao seu redor. Ela vive a constante busca de sua liberdade: esquecer e expulsar definitivamente da memória aquela que a abandonou.

Júlia compartilha com seus amigos o seu sofrimento. Personagens tão complexos quanto Júlia, que também perderam pessoas importantes, cada um de uma forma. Suas ações e reações estão muito próximas de nós. São todos convocados a olharem para dentro deles mesmos e a conhecerem-se a si mesmos, numa tentativa de vencer o caos, sejam quais forem as combinações afetivas.

O texto cola a palavra ao complexo ato de viver e transformar-se em pura criação literária. É esta quem reina soberana e que faz a leitura desse romance um sofisticado prazer. A experiência da perda comum a todos, a serviço de um estilo inconfundível, torna o livro impossível de esquecer.
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Myriam Campello nasceu no Rio de Janeiro. Com Cerimônia da noite, seu primeiro livro, recebeu em 1972 o Prêmio Fernando Chinaglia para romance inédito. Publicou ainda Sortilegiu (romance, 1981), São Sebastião blues (romance, 1993), editado na Alemanha em 1998, e ainda este ano será publicado na França, e Sons e outros frutos (contos, 1998), vencedor da Bolsa para Conclusão de Obra da Biblioteca Nacional, em 1996. Recebeu o Prêmio União Latina – Concurso Guimarães Rosa para conto inédito, em 1997. Participou de diversas antologias brasileiras, entre elas Os cem melhores contos brasileiros do século (2000). Tem contos publicados na Polônia, Alemanha, Holanda, França e Estados Unidos.

Fonte:
Editora Escrituras
http://www.escrituras.com.br/

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Maria Antônia Canavezi Scarpa (Será incondicional)

Decidi que seria assim : incondicional,
exausta, venho traçando ao longo do caminho,
vértices que me enraízem sem limites,
no cerne das nossas vidas, este vento brando,
refrescando os nossos sentimentos
Cada detalhe, que não quero esquecer,
vou entrelaçando nas páginas que já foram escritas,
pois tudo somará um livro volumoso,
onde cada linha versará a rebeldia do querer,
dar, dar muito e receber
Será uma viagem longa, sem paradas vãs,
que não sejam para adornar este acalanto,
ao polir o brilho do olhar que vem dos seus
e dos olhos meus, como se cada vez
fosse a primeira vez
Tem que ser assim : incondicional,
você é o que sempre quis, um domador,
vindo de longe, abrir o etéreo,
para estes sonhos plurais, transformando-os,
modificando todos os meus conceitos
Fui deixando, que se rompessem,
todos os limites, quando a dor da saudade,
exigiu que se rasgassem todos os véus
que cobriam as minhas verdades,
expondo-as, que vivo você!

Fontes:
http://cafe-poetico.blogspot.com:80/
http://www.sorocaba.com.br/acontece

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Noticias Em Tempo de Ontem e de Hoje

Lançamento do Livro Sonetos de Guilherme de Almeida
José Renato Nalini, presidente da Academia Paulista de Letras, convida para o lançamento do livro “Sonetos” de Guilherme de Almeida.
Local: Casa das Rosas.
Data: Terça-feira, 1º de julho. A partir das 19h.
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A baleia que aprendeu a voar
O livro A baleia que aprendeu a voar, do escritor Renato de Oliveira Leme, nascido em Itapetininga, (e radicado em Sorocaba desde 1991) está à venda no Gpaci (Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil). A renda será revertida para a entidade. A obra, uma história de ficção para adultos, tem como cenário o ambiente rural e promete fazer o leitor embarcar numa reflexão sobre as possibilidades de planejamento da vida, suas metas e sonhos.
Renato, que também é engenheiro agrônomo, teve o apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Linc) de Sorocaba. Em 2008, foram lançados mil exemplares. Duzentos foram doados às Secretarias de Educação e Cultura de Sorocaba. Os outros oitocentos foram entregues ao Gpaci. O livro custa R$ 20,00 e pode ser adquirido na própria entidade. A renda obtida com as vendas será aplicada na reforma e ampliação do Hospital Sarina Rolim Caracante. Adquira já o seu livro e ajude a entidade a continuar salvando vidas. O Gpaci fica na rua Antônio Miguel Pereira, 45, no Jd. Faculdade. Informações: (15) 2101-6555.
(Notícia publicada na edição de 27/06/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 8 do caderno B)
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Morreu o escritor italiano Mario Rigoni Stern

ROMA (AFP) – Um dos maiores escritores do pós-guerra da Itália, Mario Rigoni Stern, autor de “Il sergente nella neve” (O sargento na neve), faleceu nesta segunda-feira pela noite em Asiago (norte da Itália) aos 86 anos, anunciaram a imprensa local.

Esse veneziano de descendência austríaca misturou sua experiência como militar especialista em alpinismo durante a Segunda Guerra Militar, em que combateu na França, Grécia, Albânia e Rússia, em “Il sargente nella neve”, seu primeiro romance.

A obra, que tornou-se um clássico da literatura italiana, relata a aventura patética de alguns soldados italianos perdidos na fria Rússia enquanto o exército de Roma e de Berlim batiam em retirada.

“O fato de Rigoni Stern existe já é por si só milagroso. Milagroso, primeiro, pela sua sobrevivência: um homem que sempre se posicionou contra a violência e que o destino obrigou a participar de todas as guerras de seu tempo. Milagre pelo fato de Rigoni conseguir conservar sua autenticidade em nossa época de loucos”, disse outro célebre escritor italiano, Primo Levi.

Stern deixou quase vinte obras escritas, entre elas ‘Storia di Tönle’ e ‘Le stagioni di Giacomo’, ambas premiadas.
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Morreu de câncer poeta venezuelano Eugenio Montejo

Caracas, 6 jun (EFE) – O poeta e ensaísta venezuelano Eugenio Montejo morreu em uma clínica da cidade de Valencia em decorrência de um câncer estomacal, informaram hoje diferentes veículos de comunicação locais.

Montejo, nascido em Caracas em 1938 e um dos poetas mais representativos do país, estava desde semana passada internado no Centro Policlínico Valencia, cerca de 120 quilômetros ao oeste de Caracas, e morreu à meia-noite desta quinta-feira.

Escritor e diplomata, ele venceu em 1998 o Prêmio Nacional de Literatura e foi embaixador da Venezuela em Portugal durante vários anos.

O poeta publicou livros como “Elegos” (1967), “Muerte y memoria” (1972), “Algunas palabras” (1977), “Terredad” (1978), “Trópico absoluto” (1982) e “Alfabeto del mundo” (1986).

Também escreveu vários ensaios, entre eles “La ventana oblicua” (1974), “El taller blanco” (1983) e “El cuaderno de Blas Coll” (1981), e desenvolveu uma importante obra no campo da poesia infantil.
Montejo fundou várias revistas sobre cultura e poesia em Valência, e também foi pesquisador no Centro de Estudos Latino-americanos Rómulo Gallegos (Celarg) de Caracas
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Morreu em Paris o escritor egípcio Albert Cossery, o “Voltaire do Nilo”

Paris, 22 jun (EFE).- O escritor egípcio Albert Cossery, conhecido como o “Voltaire do Nilo” por sua ironia, morreu hoje, aos 94 anos, no hotel de Paris onde viveu nas últimas seis décadas, informaram fontes de sua editora.

O corpo de Cossery foi encontrado no quarto que ocupava em um modesto hotel do bairro de Saint-Germain-des-Prés.

Até o momento, não foram dados detalhes da morte do escritor.

Autor de oito obras, todas elas em francês, e ganhador de vários prêmios, Cossery se tornou um personagem conhecido do boêmio bairro de Paris no qual se instalou em 1945.

Lá, conviveu com personalidades como Albert Camus, Juliette Greco e Giacometti.

Em seus textos, repletos de sarcasmo e sabedoria oriental, Cossery apresentou a vida do pequeno povoado egípcio no qual nasceu.

Como seus personagens, nunca possuiu nada, o que fez com que vivesse em um quarto de hotel.
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Escritora canadense Margaret Atwood ganha Prêmio Príncipe de Astúrias

Oviedo (Espanha), 25 jun (EFE).- A escritora canadense Margaret Atwood ganhou hoje o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras 2008 por sua “esplêndida obra literária”, que explora diferentes gêneros “com intensidade e ironia”, sem esquecer a denúncia das injustiças sociais.

Atwood, que nasceu em Ottawa em 1939, se tornou a primeira mulher agraciada este ano pelos Prêmios Príncipe de Astúrias, que oferecem 50 mil euros (US$ 77.600).

A romancista, poeta e ensaísta é autora de mais de 20 obras de ficção, entre elas “O conto da aia” – uma crítica feroz à sociedade totalitária -, “O assassino cego”, “Olho de gato” e “Surfacing”, incluída pelo crítico Harold Bloom em seu livro sobre as melhores obras que formam o cânone ocidental.

Intimista, irônica, defensora dos direitos humanos e da mulher, Atwood colabora com a Anistia Internacional, com quem defende os direitos territoriais dos índios mohawks, e seu nome foi citado para o Prêmio Nobel de Literatura.

O júri destaca em sua decisão sua “esplêndida obra literária” com a abordagem de diferentes gêneros “com intensidade e ironia”, e na qual “assume inteligentemente a tradição clássica, defende a dignidade das mulheres e denuncia situações de injustiça”.

O diretor da Real Academia Espanhola, Víctor García de la Concha, expressou sua satisfação “sem reservas” pela concessão do prêmio à Atwood, a quem definiu como “uma romancista de valor universalmente reconhecido”.

De la Concha, presidente do júri, admitiu, no entanto, que tanto ele quanto os outros membros da banca prefeririam conceder o prêmio a um escritor de língua espanhola já que, após sua internacionalização dez anos atrás, não é dado a nenhum autor deste idioma desde a premiação do guatemalteco Augusto Monterroso, em 2000.

Segundo De la Concha, apesar de a eleição do júri ter sido “muito apertada”, a votação final, na qual Atwood concorria com o espanhol Juan Goytisolo, foi “muito folgada” a favor da autora canadense, após a eliminação das candidaturas do britânico Ian McEwan e do albanês Ismail Kadaré.

A obra de Atwood se destaca por sua ironia, humor e magnetismo para o leitor, em palavras de sua editora na Espanha, Ana María Moix, e da tradutora de sua poesia, Pilar Somacarrera.

Segundo as duas, Atwood é muito conhecida como narradora e ensaísta, “mas é ainda muito melhor poetisa”.

Atwood recebeu o Booker Prize em 2000 e escreveu mais de 20 obras de ficção.

A escritora é fã incondicional de escritores franceses do século XIX como Flaubert, Zola e Maupassant, dos clássicos russos e de Cervantes.

O escritor espanhol foi a fonte de Atwood para dissecar as relações humanas, como diria um entomologista, profissão que seu pai exerceu na Universidade de Toronto, mas sempre aplicando sua ironia, humor e grandes doses de mistério e psicologia.

Aos 19 anos, a autora começou a escrever seus primeiros poemas, já impregnados de citações mitológicas, e que depois se deslocariam para o interesse pelo mistério, as referências culturais, literárias e pictóricas.

A escritora canadense costuma dizer que quando escreve um romance “é como se construísse uma casa” e quando faz poesia se sente “como um pássaro que canta”.

“A poesia é escrita com a mão esquerda e corresponde a uma região do cérebro que é responsável pela música e pelas áreas mais criativas”, acrescenta.

Atwood escreve em inglês e francês, e alguns de seus romances foram adaptados para o cinema e o teatro, como “A mulher comestível”, “O conto da aia” – que também se tornou ópera -, “Vulgo, Grace” e “O assassino cego”.

Traduzida para mais de 30 idiomas, como persa, japonês, turco, finlandês, coreano, islandês e estoniano, Atwood publicou seu último livro de poesia, “The door”, em 2007, e uma coleção de relatos, “The tent”, em 2006.

O Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras já foi concedido a autores como Nélida Piñon, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa, Camilo José Cela, Carlos Fuentes, Günter Grass, Augusto Monterroso, Doris Lessing, Arthur Miller, Paul Auster e Amos Oz, que o recebeu em 2007.
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Começou o Festival Literário da Mantiqueira em SP

A relação da literatura com outras artes é o estimulante ponto de partida do Festival da Mantiqueira, evento cuja primeira edição começou sexta feira, 30 de maio, no pequeno distrito de São Francisco Xavier, próximo a São José dos Campos, em São Paulo. Promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, o festival reuniu um grupo de escritores do primeiro time, como Milton Hatoum, Fernando Morais, Moacyr Scliar, Nelson Motta e Marçal Aquino, que participaram de encontros na praça central da charmosa cidade, sempre com entrada franca.

Além dos encontros com os autores, o Festival da Mantiqueira teve oficinas para crianças, lançamento de livros e shows de Fernanda Takai cantando bossa nova, Kátia B, Orquestra Sinfônica de São José dos Campos, e a poeta Alice Ruiz acompanhada da cantora Alzira Espíndola. Também o movimento BookCrossing.com espalhou mais de 200 livros pela cidade, um presente para os leitores.

No festival, foi anunciada a criação do Prêmio São Paulo de Literatura, que pretende premiar com R$ 200 mil o melhor romance de 2007 e com outros R$ 200 o melhor romance de estréia do ano passado. A escolha será de um conselho a ser formado por um crítico literário, um jornalista, um autor e um livreiro. A entrega ocorre em novembro.

Programação – O Festival da Mantiqueira começou às 20h30, com o espetáculo Poesia em Cena, da Cia. Teatral As Graças, seguido de show de Kátia B. Sábado, a programação começou às 11 horas, com Suzana Amaral, Moacyr Scliar e Marçal Aquino discutindo os diálogos entre literatura e cinema. Depois de duas atividades infantis, a programação adulta recomeçou às 15 horas, quando ocorreu a conversa com Milton Hatoum. Duas horas depois, o debate Diálogos Literatura e Bossa Nova, reunindo Fernanda Takai, Nelson Motta e Zuenir Ventura. O dia terminou com shows de Alice Ruiz e Alzira Espíndola, e de Fernanda Takai. Fernando Morais e Jorge Caldeira abriram o domingo às 11 horas falando sobre a relação entre Literatura e História. Depois, ainda ocorreu um encontro com Marcelo Rubens Paiva até que Mario Prata, Bruna Lombardi e Lauro César Muniz iniciassem o debate sobre Literatura e Televisão.

Os eventos aconteceram em cinco espaços diferentes “a Tenda Mantiqueira Literária, com debates; Tenda da Livraria Saraiva, com lançamento e livros e sessões de autógrafos; Espaço Mantiqueira Infantil, com atividades para as crianças; e Espaço Mantiqueira Musical e Bar e Restaurante Photozofia, onde foram realizados shows de Fernanda Takai, Kátia B, Orquestra Sinfônica de São José dos Campos, e Alice Ruiz e Alzira Espíndola. Os temas dos debates são a relação da literatura com cinema (onde estiveram Suzana Amaral),
(fonte: Jornal O Estado de São Paulo)
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Novo romance de James Bond festeja os 100 anos de seu criador

LONDRES (AFP) – O romance sobre as novas aventuras do agente 007, escrito pelo romancista britânico Sebastian Faulks, chegou às livrarias dia 28 de maio na Grã-Bretanha, dentro das comemorações do centenário de seu criador, Ian Fleming.

A imprensa britânica considerou o lançamento do livro o acontecimento literário do ano. Dezenas de pessoas esperaram durante a madrugada a abertura da livraria Waterstone, em Piccadilly, centro de Londres, para poder comprar o romance lançado no mesmo dia do centenário de nascimento do ‘pai’ de James Bond.

Os herdeiros do escritor, nascido em 28 de maio de 1908, encarregaram o romancista britânico Sebastian Faulks de escrever, à maneira de Fleming, o 15º episódio das aventuras de 007.

A trama permaneceu guardada a sete chaves até seu lançamento, mas a editora já adiantou que se trata de uma volta às origens de James Bond, embora as adaptações cinematográficas tenham se encarregado de evoluir o personagem aos olhos do público.

Até agora, o que havia sido divulgado é que o novo romance, “Devil May Care”, é ambientado em plena Guerra Fria, em 1967, e leva o agente secreto a Paris, Londres e ao Oriente Médio.

“O livro mantém o espírito original e é muito divertido”, disse à imprensa Sebastian Faulks, que confessou ter escrito a história em apenas seis semanas.

Entre 1952 e 1964, ano de sua morte, Ian Fleming escreveu 14 histórias de James Bond. A última, “Octopussy”, foi publicada postumamente em 1966.

Ao longo dos anos, sua família pediu a três escritores britânicos – entre eles Kingsley Amis – que assumissem o posto, mas os resultados não foram satisfatórios.

As últimas obras publicadas são adaptações escritas dos filmes, que alçaram o espião de Sua Majestade ao estrelato mundial.

A mais recente produção para o cinema, “Quantum of Solace”, ainda em processo de montagem, será novamente estrelada pelo ator inglês Daniel Craig e deve estrear na próxima primavera.

O lançamento de “Devil May Care” faz parte da série de atos comemorativos do centenário de nascimento de Fleming em Londres, que inclui ainda uma exposição de objetos pessoais e manuscritos do escritor no Imperial War Museum de Londres.

Filho de um parlamentar conservador britânico, educado em meio à elite do país, Fleming foi jornalista, corretor da bolsa, banqueiro e até playboy.

Durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou para o serviço secreto da Marinha Real inglesa, onde imaginou uma série de operações ambiciosas que o inspiraram depois a criar as histórias vividas por 007.
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Aberto 10º Salão do Livro para Crianças e Jovens no RJ

Os principais nomes da literatura infanto-juvenil brasileira – Ziraldo, Ana Maria Machado, Lygia Bojunga, Adriana Falcão e outros – estão perto de seus leitores de 21 de maio a 1º de junho. Mais do que promover esses encontros, o Salão do Livro para Crianças e Jovens, realizado já há dez anos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), tem o objetivo de reunir os melhores lançamentos e apresentá-los a seu público. Cada criança recebe um exemplar. Sessenta e sete editoras estão representadas nos dois mil metros quadrados que o Museu de Arte Moderna (MAM) destinou à “minibienal”. A chegada à 10ª edição está sendo comemorada com uma homenagem à Itália e aos seus ilustradores. Dois deles, Francesco Tullio Altan e Roberto Innocenti, vieram ao Rio. Na companhia dos brasileiros André Neves e Roger Mello, Altan vai mostrar sua arte ao vivo, diante dos olhos de garotos e garotas.

Hoje, são muitas as presenças ilustres: Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Ana Maria Machado estarão no Espaço de Leitura da FNLIJ. 22 de maio, os ilustradores Victor Tavares e Guto Lins farão uma performance. Para todos os dias, foram programados lançamentos e leituras de livros de Monteiro Lobato, Machado de Assis, Guimarães Rosa e outros autores, brasileiros e estrangeiros. Estes contatos, acredita Elizabeth Serra, secretária-geral da fundação, são muito frutíferos, por estimularem a leitura. E é esta a razão pela qual o salão existe. “Nossa proposta é de promover a leitura mesmo, sem a necessidade de artifícios, como dramatização, música”, ressalta Elizabeth.

“O livro é um objeto inanimado que exige concentração. A gente acredita que qualquer coisa que distraia as crianças não é bem-vinda”, explica Gisela Zinconi, presidente da fundação. A entidade espera mais de 30 mil pessoas durante os 12 dias de salão. O público vem crescendo a cada ano. “É emocionante ver os jovens que vêm sempre e notar que eles estão ficando mais exigentes, e suas perguntas, mais consistentes”, conta Elizabeth. A primeira década da feira não é o único motivo para celebração. A fundação completa 40 anos neste mês de maio. A entidade, filiada à International Board on Books for Young People, organismo internacional de fomento à leitura entre jovens, é privada e não tem fins lucrativos.
(Fonte: jornal O Estado de S. Paulo)
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Fontes:
http://br.noticias.yahoo.com/
http://www.cruzeirodosul.inf.br/
http://www.sorocaba.com.br/acontece

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Valentim Magalhães (1859 – 1903)

Antônio Valentim da Costa Magalhães (Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1859 — 17 de maio de 1903), foi um jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Biografia

Filho homônimo de Antônio Valentim da Costa Magalhães e de D. Maria Custódia Alves Meira. Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde ingressara em 1877. Ali colabora para os periódicos acadêmicos “Revista de Direito e Letras”, “Labarum” e “República”, este último de Lúcio de Mendonça. Ainda nesta cidade publicou três obras: “Idéias de Moço”, “Grito na Terra” e “General Osório”, este último em parceria com Silva Jardim, além de seu primeiro livro, entitulado “Cantos e Lutas”. Ali também casou-se, em 1880. Voltando para o Rio, dedica-se ao jornalismo, dirigindo o periódico “A Semana” (fundado em 1885), que torna-se o veículo dos jovens escritores da época, além da propaganda abolicionista e republicana, sendo um período de marcadas agitações culturais e políticas, estando Valentim Magalhães no proscênio dessas lutas todas. Sobre sua participação, regitrou Euclides da Cunha, que o sucedeu na Academia: “A geração de que ele foi a figura mais representativa, devia ser o que foi: fecunda, inquieta, brilhantemente anárquica, tonteando no desequilíbrio de um progresso mental precipitado a destoar de um estado emocional que não poderia mudar com a mesma rapidez”.

Seu grande envolvimento com as causas que defendia não lhe permitiram uma maior produção literária, sendo comum entre os críticos que seu papel foi o de divulgar os demais escritores nacionais. Ficou célebre pelas inúmeras polêmicas criadas, que redundaram em ataques e desafetos, bem como pelas defesas que dele faziam os amigos. Durante o Encilhamento, falsa prosperidade econômica que se seguiu à Proclamação da República por obra do seu confrade Rui Barbosa, então feito Ministro das Finanças, Valentim dedicou-se ao lucro rápido, fundando uma companhia e, logo mais, como todos, vindo à falência. Sobre seu papel na memória futura, então ainda presenciando os reveses, declarou:

“A princípio fui gênio; mais tarde cousa nenhuma. Hoje César, amanhã João Fernandes…”

Poesia

Registra Manuel Bandeira que o autor participara, ao lado de Teófilo Dias, Artur Azevedo, Fontoura Xavier e outros, da chamada “Batalha do Parnaso”, uma reação ao romantismo, iniciada ainda na década de 1860, e que ganhou força com a agitação promovida por Artur de Oliveira. Este misto de boêmio e intelectual conhecera em Paris os intelectuais parnasianos, e influenciara os autores brasileiros.

Versos

Íntimo
(domínio público)

Esta alegria loura, corajosa,
Que é como um grande escudo, de ouro feito,
E faz que à Vida a escada pedregosa
Eu suba sem pavor, calmo e direito,
Me vem da tua boca perfumosa,
Arqueada, como um céu, sobre o meu peito:
Constelando-o de beijos cor de rosa,
Ungindo-o de um sorriso satisfeito…
A imaculada pomba da Ventura
Espreita-nos, o verde olhar abrindo,
Aninhada em teu cesto de costura;
Trina um canário na gaiola, inquieto;
A cambraia sutil feres, sorrindo,
E eu, sorrindo, desenho este soneto.

Bibliografia

Sua obra, considerada menor no contexto da literatura brasileira, regista, entretanto, uma curiosidade, por conta de uma errata:

1896 – Concluído o romance “Flor de Sangue”, de Valentim Magalhães, que seria publicado pela Laemmert com a mais inusitada das erratas “…à página 285, 4a. linha, em vez de “estourar os miolos”, leia-se “cortar o pescoço”.

Seus livros:

Cantos e Lutas, poesia (1897);
Quadros e Contos (1882);
Vinte Contos e Fantasias (1888);
Inácia do Couto, comédia (1889);
Escritores e Escritos (1894);
Bric-à -brac, contos (1896);
Flor de Sangue, romance (1897);
Alma, crônicas (1899);
Rimário, poesia (1899)

Quando da Fundação da Academia, Valentim Magalhães foi convidado para ocupar a cadeiranúmero 7 da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono Castro Alves, cujo nome foi por ele escolhido para o patronato. A biblioteca do silogeu brasileiro teve início com a doação, feita por Valentim, de seu livro Flor de Sangue, em janeiro de 1897.

Fonte:
Biblioteca Eletronica. In Revista do CD Rom. n.156. julho 2008. Editora Europa. (CD-ROM).

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Valentim Magalhães (Prefácio da Obra "Flor de Sangue")

Il y a une justice à rendre à l’amour — c’est que plus les motifi qui le combattent sont forts, clairs, simples, irrécusables, en un mot, moins il a le sens commun, plus la passion s’irrite et plus on aime. C’est une belie chose sous le ciel que cette déraison du coeur; sans elle nous ne vandrions pas grand’chose.
Alfred de Musset..

Il n’y a jamais rien que de três simple dans les événements les plus extraordinaires, comme il ný jamais rien que de três logique dans les hasards les plus inattendus. Un peu de réflexion nous aurait suffi le plus souvent pour empécher les uns et pour prévoir les autres. Mais le propre de la passion est de s’absorber dans son object tout entière.
Paul Bourget.

PREFÁCIO
Julguei conveniente, a bem da retidão do julgamento desta obra, precedê-la de algumas sinceras e curtas explicações.

Há 20 anos que escrevo para o público e mesmo, a rigor; há mais tempo ainda, pois na idade de 15 anos já eu publicava em jornais de província linhas de prosa e de verso, que só a meninice do autor tornava suportáveis à paciência benévola dos leitores. Nesses quatro lustros de atividade mental tenho feito um pouco de tudo – versos, folhetins, contos, panfletos, critica, biografia, artigos de todo gênero, teatro, que sei eu? E tenho construído com parte desses materiais para mais de uma dúzia de livros.

A critica tem-me reconhecido, com munificência que me há penhorado, um espírito vivaz, variável, curioso; uma atividade indefesa; um certo amor à língua vernácula, e daí pronunciado carinho no escrevê-la e um estilo correto e agradável; porém não tem ocultado o seu pesar por me não ver abalançar-me a isso que chamam os críticos “obra de fôlego” ou “trabalho sério” – um poema, um romance, um livro de crítica profunda. Ora, eu devo confessar que essa censura me calou sempre no espírito por havê-la formulado muitas vezes a mim próprio. Mas a necessidades inadiáveis da vida material, tão pesadas para um pai de família pobre nesta terra em que das letras ainda se não pode viver exclusivamente, impediram-me sempre de levar por diante esse projeto, cem vezes formulado e não poucas começado a executar. O tempo que me deixavam livre as ocupações de que provinha o pão cotidiano e o meu estado de saúde, precário, sempre, chegava apenas para escrever o conto, a notícia critica, a crônica faceta, o artiguinho diário a que me comprometera em um ou vários jornais; não havia possibilidade de realizar o meu sonho, satisfazendo a exigência dos críticos – escrever uma obra de fôlego.

Entretanto, desde as primeiras manifestações da minha vocação para as letras senti-me atraído para o romance, e entre os meus primeiros ensaios, abandonados e perdidos, figuravam alguns capítulos de um romance O Equilibrista, apenas encetado. Mais de uma vez comuniquei aos meus amigos esboços, planos de romance, e de alguns passaram notícias às folhas.

Ora, aconteceu que nos últimos dias do ano de 1895, conversando com um editor, propus-lhe escrever para ele o meu primeiro romance. Aceitou a idéia e ofereceu-me direitos autorais que me pareceram satisfatórios, razoáveis. Como deles tinha alguma urgência, atirei-me ao trabalho: no dia 19 de janeiro do corrente ano escrevi o primeiro capítulo; no dia 2 o segundo, no dia 5 o terceiro, no dia 6 o quarto; enfim, em dois meses, tinha escrito mais de metade do livro, apesar das muitas interrupções que outros misteres impunham. Mas o editor deu parte de fraco; pediu-me que o dispensasse do compromisso, provando-me que o não poderia cumprir. Esfriou-se-me o ardor; parei. Meses depois, tendo feito contrato com os meus editores habituais, os srs. Laemmert & C. (On revient toujours…) reatei o trabalho interrompido, dando imediatamente à composição tipográfica os capítulos escritos. Os originais não foram recopiados por mim, quer dizer, não fiz rascunho ou borrão. Escrevi sempre de uma assentada, capítulo a capítulo, e, acabado, relia-o, corrigia-o, mandava copiá-lo por um secretário, conferia a cópia e remetia-a aos tipógrafos.

Se conto estes pormenores é para explicar as muitas imperfeições de forma que sou o primeiro a reconhecer, tais como a vulgaridade de algumas frases, a fraqueza de certas expressões, o banal de vários títulos de capítulos (e dei-lhes títulos por uma conveniência pessoal; para orientar-me em cada capítulo do estado, do ponto em que ficara o enredo, a composição), um ou outro galicismo, como “golpe de vista”, e outros defeitos mais.

O capítulo que primeiro escrevi, com a intenção de fazê-lo o primeiro do livro, foi o quinto da segunda parte – um dos últimos: eu havia principiado pelo fim. A circunstância de escrever de um jato, sem o polido e o repolido que Boileau tanto aconselhava aos ferreiros da idéia, só é prejudicial às obras mal concebidas e mal nascidas, que não trazem dentro alguma coisa de humano, de luminoso; bem sei, Manon, Le Neveu, Candide, Adolphe, são obras-primas e, no entanto, foram escritas sem rasuras, lembra P. Bourget em um de seus livros. O fato, pois, da correntia espontaneidade, não retificada no cadinho apurador da revisão paciente, com que compus este romance, não é justificativa das imperfeições que o deslustram mas é um fato, e como tal, o denuncio à critica para que o registre, se lhe aprouver.

Resta-me dizer algumas palavras, e justamente as mais importantes, acerca da escola e da moralidade de Flor de Sangue. Não me preocupei com aquela nem com esta, entendida esta no sentido que se lhe dá vulgarmente. Não resolvi fazer um romance naturalista, nem de aventuras, nem de psicologia, nem simbolista, nem idealista; resolvi simplesmente fazer um romance. E ele foi-me saindo dos bicos da pena com um certo feitio, uma certa fisionomia, um certo caráter, que não tentarei definir e ainda menos explicar.

Se todavia me interpelasse alguém sobre tal ponto, diria que para o seu autor é o meu romance filiado à escola da verdade, a única, que como os Goncourt, acredito real e fecunda em arte. Todos os tipos que nele fiz mover-se, e não sei se viver, encontrei-os na vida social, não só fluminense, não só brasileira, mas de todos os países.

Não cogitei tampouco de discutir, provar e impor uma tese. Faço Paulino suicidar-se, não para pregar o suicídio como solução única e necessária em situações morais idênticas; porém pela simples razão de haver dado a Paulino um caráter reto, inteiriço, não contaminado da gangrena moral da época. Isso não importa negar ao meu livro moralidade, porque lhe reconheço pelo menos uma, e não somenos, que é a seguinte – quando um homem de caráter é dotado de um temperamento que o contradiz e estorva, pode a vitória caber ao temperamento, na colisão deste com o caráter; mas o caráter reage com igual vigor e não aceita a situação moral criada pelo resultado do combate.

O Paulino que eu esbocei no segundo capítulo e fui tracejando nos subseqüentes poderia tirar a sua amada ao marido para viver com ela, confessando a sua culpa e arrostando-lhe todas as conseqüências, com uma bela impudência, bela por valorosa, se sentisse amado, porque a felicidade é cruel e injusta na hipertrofia do seu egoísmo; mas não poderia nunca aceitar a posição aviltante de terceiro no lar do seu amigo, protetor, quase pai, partilhando-lhe da mesa às claras e da cama às escondidas. Não vendo nenhum meio de conciliar a sua honra com o seu amor e não podendo vencê-lo, alvitra por sacrificar o amor à honra e mata-se. Esta moral, toda circunstancial e relativa, bem sei, não é a moral que os mercadores dela em livros e discursos expõem ao consumo público; mas é a única que a razão admite e que a ciência explica. E cabe aqui perfeitamente repetir o que escreveu o fino psicólogo da “Fisiologia do amor moderno” no prefácio deste livro.

Diz ele:
“Ser moralista (linhas acima dissera ele que a primeira e última lei para um escritor digno de empunhar uma pena é ser um moralista), ser moralista não é pregar — o hipócrita pode fazê-lo; nem indignar-se — Molière esqueceu esse traço no seu Alceste. Em dez misantropos profissionais contam-se nove farsistas, que fazem honorabilidade da sua indignação a frio. Não é concluir – o sofista conclui. Não é evitar os termos crus e as pinturas livres – nos piores livros libertinos, os do século 18, não se encontra uma frase brutal ou pinturesca. Não é tampouco evitar as situações escabrosas — não há uma nos primeiros romances de Mme Sand, e para mim eles são entre os livros belos os que mais justamente se chamariam imorais – conquanto, neste caso, a beleza da forma seja até certo ponto uma moralidade.

Não, o moralista é o escritor que mostra a vida tal como ela é, com as lições profundas de expiação secreta que nela se encontram por toda parte impressas. Tornar visíveis, como palpáveis, as dores da falta, a infinita amargura do mal, o rancor do vicio é fazer obra de moralista, e é por isso que a melancolia das Flores do Mal e a do Adolfo, a crueza do desenlace de Liaisons e a sinistra atmosfera de Cousine Bette fazem destes livros obras de alta moralidade”.

É impossível dizer melhor.

Marcel Prévost, num artigo do Journal, intitulado Littérature et Morale, observa com grande verdade “que a literatura de uma época é sempre mais moral que seus costumes e que nenhum livro é tão libertino como as conversações correntes, na baixa como na alta sociedade”.

Sou avesso a prefácios e entendo que o livro que se não explica a si próprio e por si próprio é um livro inexplicável. Mas conheço o meio em que vivo e prefiro ir ao encontro das principais objeções que ao meu romance prevejo serão feitas, e sobretudo a relativa à moralidade. Hão de acusar-me de haver feito um livro que não pode ser lido por donzelas e meninos. Não me defendo; ao contrário, confesso que não daria este romance a ler à minha filha, como o não dou à minha irmã nem a meus filhos; mas romances sinceros e verdadeiros, isto é: honestos e morais não se escrevem para serem lidos por donzelas e donzêis. E aqui me socorro ainda do excelente prefácio de Bourget, de que acima fiz alguns extratos:

“Imaginemos para a nossa obra um leitor de 25 anos e sincero: que pensará ele do nosso livro ao terminar a leitura? Se ele, depois de lida a derradeira página, é levado a refletir nas questões da vida moral com seriedade maior, o livro é moral. Aos pais, às mães e aos maridos compete proibir a sua leitura aos rapazes e às raparigas, para quem um livro de medicina também podia ser perigoso. Tal perigo não nos respeita. Só o que nos incumbe é pensar o mais justo que pudermos e dizer o que pensamos”.

E justamente o que dizia há mais de 20 anos Guerra Junqueiro no prefácio da Morte de D. João, e num estilo mais colorido e imprevisto. Lembram-se?

“Não aconselho a ninguém que dê a ler a uma rapariga de nove anos nem a Morte de D. João, nem romances, nem dramas, nem comédias, nem o novo e, sobretudo, nem o Velho Testamento.

E linhas mais longe:
“Não se dá um poema a uma criança pelo mesmo motivo por que se lhe não dá uma garrafa de vinho ao jantar”.

Mas a razão mais poderosa para que o romancista desdenhe preocupações de moralista banal, de convenção, é a que dá Edmundo de Goncourt nas seguintes linhas:

“Hoje que o romance se alarga e cresce, que vai sendo a grande forma séria, apaixonada, viva, do estudo literário e do inquérito social, que se vai tornando, pela análise e pela pesquisa psicológica, a história moral contemporânea, hoje que o romance se impôs aos estudos e aos deveres da ciência, ele pode também reivindicar suas liberdades e privilégios”.

Estou bem apadrinhado, como vêem.

Por último, uma confissão.

Tive tanto gosto em escrever o meu primeiro romance, o gênero agradou-me tanto, deu-me tão belas horas de gozo intelectual, que o meu desejo era e é não escrever de ora avante outra coisa.

O romancista vive com as suas criaturas — ri, chora, goza, sofre com elas. É uma segunda vida, uma outra sociedade que trazemos palpitante dentro de nós — na rua, em casa, por toda parte. Como eu compreendo o velho grande Dumas dizendo ao filho, que o fora encontrar chorando e lhe perguntara qual a causa daquelas lágrimas:

“Um grande desgosto! Portos morreu! Acabo de matá-lo! E não posso deixar de chorar-lhe a morte! Pobre Portos!”

O poema e o romance são as duas formas literárias diferenciais, extremas, positivas. Tudo o mais — contos, odes, sonetos, peças teatrais são matizes, variações, gradações; motivos musicais, apenas, porque as óperas são eles. Ora, o poema não pode respirar e medrar neste nosso meio de hoje, excessivamente despoetizado pela indústria, pela ciência e pelo epicurismo. Resta o romance. O romance é o grande instrumento de reconstrução social. A princípio foi camartelo: destruiu; no século vindouro será escopro e trolha: construirá. O romance era fábula: hoje é história e critica; será filosofia amanhã.

Fonte:
MAGALHÃES, Valentim. Flor de Sangue. In Biblioteca Eletronica. In Revista do CD Rom. n.156. julho 2008. Editora Europa. (CD-ROM).
http://www.academia.org.br/ (imagem)

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