Entrevista com Sônia Belloto (1957)

Sónia Belloto dedicou grande parte da sua vida profissional à Musicoterapia, mas, há cerca de 7 anos, descobriu uma nova paixão: os livros. Em 2001, escreve “Facilitando a Felicidade”, e sente que o domínio da escrita e da indústria de edição poderia ser ensinado. Publica, então, “Você já pensou em escrever um livro?”, em 2003, com essas reflexões e com um método que vem provando sucesso ao longo destes anos. Hoje lidera duas editoras de sucesso, a SAMM e a Alley, além de ministrar o seu método na sua escola de escrita criativa, a Fábrica de Textos.

Entrevista com Sônia Belloto

– Até se formar em psicologia, em que outras áreas você atuou?
SB: Na área de música, desde os quatro anos de idade, quando iniciei em dança até me tornar bailarina clássica. Também, aos oito anos de idade, fui aluna do Conservatório Vila-Lobos. Daí para frente desenvolvi meus estudos em música.

– Por que decidiu estudar psicologia? O que te atraía na profissão e quais especializações você realizou depois?
SB: Descobri que a música tinha influência no humor das pessoas e quis saber mais sobre este processo. Nesta mesma época já estudava também medicina chinesa, e o que mais me atraía era, com o conhecimento adquirido, poder libertar as pessoas de situações constrangedoras em relação à falta de questionamento sobre elas mesmas, porque nunca acreditei em doença e em perdedores, sempre acreditei na capacidade e no potencial do ser humano. Nós somos vítimas de vítimas e há um momento em que as pessoas precisam cortar estes vínculos ameaçadores e, às vezes, aterrorizantes. Por este motivo me especializei em distúrbios de ansiedade.

– Em que momento decidiu largar a psicologia para tornar-se escritora e dona de uma editora?
SB: Eu sempre fui “obsessiva” por livros, desde criança, e em 2001, resolvi escrever meu primeiro livro. Acontece que eu escrevia algumas matérias para jornais sobre meu trabalho na época, e várias pessoas comentavam que eu tinha uma maneira muito interessante de escrever, que as atraía a ponto de não conseguirem parar de ler. Desta maneira, um pouco cansada de responder sobre como eu liberava as pessoas tão rapidamente do trabalho terapêutico, resolvi, então, escrever um livro sobre valores e crenças que chamei de “Facilitando a felicidade”. O livro vendeu bem, até que conheci o Roberto Lopes, médico, e que também tinha o mesmo amor que eu pelos livros. Por coincidência ele também escrevia matérias para uma revista e as pessoas gostavam muito de ler. O Roberto me disse que pretendia escrever um livro, e foi o primeiro que publiquei como editora, “O livro da bruxa”, depois do meu. Bem, o amor pelas letrinhas é tanto que depois de publicar estes dois livros eu não tinha outra opção a não ser me envolver completamente com o mundo dos livros.

– Que conhecimentos da psicologia você aplica atualmente como escritora e editora?
SB: Eu penso que inteligência é o que você faz com o seu conhecimento. E uma vez que eu tenho o conhecimento da psicologia, é impossível não aplicar na minha vida. Mas isso não quer dizer que eu fique todo o tempo analisando as pessoas. Pelo contrário, eu uso este conhecimento para entusiasmar as pessoas. E na verdade é isso que eu faço todo o tempo, onde estiver e com quem estiver. E entusiasmo tem a ver com a alegria da alma e a satisfação criadora.

– A Fábrica de Textos descobre talentos a cada curso. Você acredita que o mercado literário tem capacidade para absorver todos eles?
SB: Claro que sim! Há uma demanda muito grande de leitores a cada dia, como há em qualquer outro segmento. Na minha opinião, não existe concorrência em nenhum segmento. O mundo e as pessoas, a cada dia, descobrem novas possibilidades de crescimento. Eu acredito muito no ser humano, em potencial no povo brasileiro. E este está querendo adquirir mais conhecimento.

– Até hoje quantos alunos se formaram? Quantos se tornaram escritores profissionais?
SB: A Fábrica de Textos já formou mais de 2.000 novos escritores. Quanto à quantidade dos que se tornaram escritores profissionais, ainda é pequena, porque o mercado editorial brasileiro ainda é resistente aos novos escritores, e a nossa escola tem somente três anos. Levando-se em conta que estamos mudando os conceitos deste mercado, e como tudo é um processo, só agora nosso curso está com uma qualidade insuperável. Mas nosso resultado é bastante estimulante e gratificante. Com toda certeza, com as novas propostas de divulgação do nosso trabalho e a aceitação e o apoio dos grandes editores, em breve teremos resultados surpreendentes, como o Kissy Ysati, nosso aluno, que foi publicado pela Novo Século e está na lista dos trinta mais vendidos da editora. Atualmente temos mais cinco alunos publicados pela Yendis, um aluno que está sendo negociado para uma editora americana e mais alguns que estão sendo analisados por editoras comerciais no Brasil e na Espanha.

– Qual a importância do livro na vida das pessoas?
SB: Para mim, é tudo! O livro é o companheiro de todas as horas, que ensina, entretém, emociona, faz pensar. Não consigo imaginar a vida sem livros. O mais fantástico é que por causa de um livro, “Poema sujo”, o nosso poeta tão querido, Ferreira Gullar, voltou ao Brasil, em 1977. Não é maravilhoso saber que o Vinícius de Moraes, através do livro escrito pelo Gullar, um poema de cem páginas, conseguiu trazê-lo de volta? Eu poderia escrever um livro sobre os livros, porque não sou capaz de ler um livro sem humanizá-lo.

– Você cita duas frases bastante significativas: “Os livros não mudam o mundo, os livros mudam as pessoas, as pessoas é que mudam o mundo”. E também cita a frase do Ziraldo: “É mais importante ler do que estudar”. O que essas frases representam para você? Em que grau elas te influenciam?
SB: Estas frases me emocionam, porque o livro é um caminho de descoberta e crescimento e está aberto para quem quiser. Às vezes, estudar, quando é imposto, pode ser muito maçante. Se você deixar os adolescentes escolherem seus livros é bem possível que possam nos surpreender, porque, embora não pareça, eles são muito mais seletivos do que imaginamos quando se sentem responsáveis por eles mesmos. E são as pessoas que se movimentam no mundo, não? Então… Mário Quintana, como sempre, tinha razão.

– No mundo literário, quem são suas fontes de inspiração?
SB: Há tantos!… Como Júlio Lobos, Jorge Luis Borges, Joseph Campbell, Arthur Conan Doyle, Monteiro Lobato, Thomas Mallory, Veríssimo (o pai e o filho), Voltaire, Rosa Montero, Clarissa Pinkola Estés, Cecília Meirelles, Lewis Carroll, Stephen Law, Sue Monk Kidd, Antoine Galland, Caroline Myss, Fernando Pessoa, e tantos outros.

Como você colheu material para a realização do curso de “Escrita Criativa da Fábrica de Textos?”.
SB: Eu não posso deixar de lembrar que no início o Roberto Lopes era meu sócio, e nós dois idealizamos o curso de escrita da Fábrica de textos. Conhecemos a “Gotham Writers Workshop”, em Nova York e nos apaixonamos pelo curso de escrita deles. Então encomendamos todos os livros possíveis sobre escrita que existiam nos Estados Unidos, traduzimos e adaptamos para a nossa cultura. O nosso curso, como todo processo de evolução e amadurecimento, foi sendo modificado à medida que, na prática, encontrávamos alguns obstáculos. Depois, o Roberto, como médico e escritor, não conseguia conciliar seu tempo com o nosso trabalho, e optou pela medicina. Eu já precisei fazer algumas modificações. Hoje o curso está totalmente integrado com a necessidade do mercado editorial brasileiro, mas mesmo assim, com a quantidade de livros sobre escrever livros e cursos de escrita criativa que existe na Europa e Estados Unidos, estou sempre buscando novidades para criar outros cursos de escrita que darão seqüência ao curso inicial. Em breve, ainda este ano, teremos novos cursos de aperfeiçoamento para quem deseja escrever e publicar livros.

– Explique sobre a filial da Belloto Editora na Espanha.
SB: Meu livro, “Você já pensou em escrever um livro?”, foi publicado também em Portugal e África, em outubro de 2005, pela “Texto editores”. Vendeu muito bem e a editora publicou o livro na Espanha, em abril de 2006, e eu fui para Madrid, para o lançamento do livro lá. Para minha surpresa, logo depois da publicação do livro na Espanha eu comecei a receber e-mails de leitores espanhóis, elogiando o livro e pedindo o curso de escrita criativa da Fábrica de textos. Em setembro de 2006, decidi ficar três meses na Espanha, para conhecer de perto meus leitores e o mercado de livros na Europa. Fui a Frankfurt, na Alemanha, para a Feira de Livros, e a Paris, para conversar com editores, escritores e profissionais do mercado. Percebi que na Europa o nosso curso possui um diferencial, que é o aluno concluir seu livro no final do curso. Editores, escritores e agentes literários da Europa, como a Mônica Antunes, que vive na Espanha e é a agente literária do Paulo Coelho, se mostraram surpresos com o desenvolvimento da Fábrica de Textos. Bem, com todo o apoio que recebi, especialmente na Espanha, inclusive do Consulado Brasileiro, não precisei pensar duas vezes, não é? Estou abrindo a Belloto Editora, a Alley Editora e a Fábrica de Textos em Barcelona (que é maravilhosa!), na Espanha, em parceria com o Toni Manrique, que é um administrador e louco por livros. E o principal é que através da Belloto Editora da Espanha publicaremos somente livros de autores brasileiros. E, porque a Espanha também têm autores fascinantes, publicaremos seus livros no Brasil. Tenho certeza que será um intercâmbio cultural magnífico.

– Você acredita que os escritores brasileiros têm um mercado a ser explorado fora do País?
SB: E por que não? Se você olhar nas estantes das livrarias brasileiras vai encontrar uma infinidade de livros de autores internacionais. Você vê alguma diferença em seres humanos que escrevem? Claro que não! Se até agora isto não aconteceu foi pura falta de divulgação. E é isto que eu vou fazer na Europa: publicar e divulgar os nossos talentosos, novos escritores brasileiros. E se nós nos unirmos neste projeto vamos fazer a diferença, porque são as pessoas, unidas, que fazem a diferença. Isso o nosso Brasil é capaz de conquistar.

– Que objetivo você pretende atingir através do seu trabalho?
SB: Fazer com que, através dos escritores brasileiros, o Brasil possa fazer a diferença e vencer. Eu acredito em Deus, incondicionalmente, e estou certa que um trabalho dignificante como este só pode ter o aval Dele, não acha? E se Ele é um vencedor, vencer é a única solução.

Fontes:
http://www.fabricadetextos.com.br/br/noticias/002-noticia.htm
http://www.escritacriativa.com/modules/news2/print.php?storyid=16

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