Nilto Maciel (Panorama do Conto Cearense – Parte X)

DEPOIS DE 1990

Diversos foram os contistas surgidos na época de O Saco e do Grupo Siriará, e, mais tarde, em torno do grupo Seara. Nos anos 1990 apareceram pelo menos quatro grupos e seus respectivos periódicos literários: O Pão, em 1992; Espiral: Revista Literária, em 1995; Almanaque de Contos Cearenses, que, embora não tenha sido criado como revista, pode ser considerado a única revista cearense de contos, com apenas uma edição, em 1997; e Literapia – Revista de Literatura da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, em 1999.

Nas páginas desses órgãos se publicaram e publicam contos dos mais variados feitios, sejam de escritores mais conhecidos na comunidade literária, com livros editados e comentados, sejam dos mais jovens.

Como não se pretendia um livro volumoso em que todos os contistas fossem contemplados com algumas páginas, também aqui será dado destaque somente àqueles que publicaram livros de conto ou que são destacados em outros gêneros e mereceram de críticos e comentadores maior atenção ou obtiveram prêmios literários de maior relevância.

Dos contistas aqui retratados, poucos foram os que editaram livro de ficção menor. Roberto Amaral estreou no gênero em 1990, com Viagem e outras histórias. Para Antônio Houaiss, o livro é composto de contos, narrações, narrativas, relatos, relatórios, em qualquer caso, pedaços de vida, costurados, rapsódicos, em que tudo o que não for real é mais real ainda, porque o que foi na sua mente de estupenda fidedignidade mnemônica vale como o fiel de uma existência. E diz mais nas abas do volume: “há aqui, nestes textos de Roberto Amaral, um senhor criador de matéria humana, portada pela plenitude da palavra, que se afirma nativivo, natipervivo, pois que ficará“.

Em 1992 Sérgio Telles apresentou Mergulhador de Acapulco e, em 2002, Peixe de Bicicleta. Vem elaborando histórias curtas de sabor amargo.

A linguagem nos contos de Sérgio Telles não apresenta novidades. A narração, tanto do ponto de vista onisciente, como da primeira pessoa ou do narrador-testemunha, flui em frases bem ordenadas, de fácil leitura. Nada de malabarismos verbais. Aliás, a linguagem é quase sempre coloquial, mesmo quando o ponto de vista é do escritor-narrador. Os transtornos que a sexualidade reprimida opera estão presentes em diversas narrativas dos dois livros de Telles. Assim como perturbações de outra natureza, nem sempre esclarecidas.

Nas abas do primeiro volume, Claudio Willer observou: “Esta coletânea de contos mostra, entre outras coisas, que há um ciclo da narrativa realista que ainda não se esgotou. Essas amostras do inferno burguês e metropolitano, esses fragmentos do cotidiano brasileiro, no que tem de cruel e de lírico – já vimos isso antes, na literatura e ao vivo. Mas as situações e personagens reaparecem, vitalizados, com mais força, graças ao talento, à capacidade de observação e à sensibilidade do autor“. Acrescente-se: graças também à psicanálise, pois, não fosse Sérgio Telles um estudioso da alma, certamente muitas de suas histórias começariam e terminariam sem nenhuma graça, como simples relatos de fatos sem importância.

Carlos d’Alge, com A Mulher de Passagem, de 1993, se apresentou como contista, embora há muito venha publicando livros de outros gêneros. Na lição de Francisco Carvalho, em “Cânticos d’Alge” (O Sal da Escrita, Apêndice, pág. 213), nas 14 ficções do livro, o escritor “celebra, em linguagem epifânica, os ritos do corpo seduzido pelos muitos ardis do amor”. E acrescenta: “Submisso ao rigor da ascese literária, faz do exercício da palavra um ato de celebração e de plenitude estética”. Para Artur Eduardo Benevides, em “O Fio da Navalha do Erotismo” (obra citada, pág. 216), os contos desse livro “funcionam como flashes episódicos do cotidiano”. Teoberto Landim, em “A Purificação das Paixões” (idem, pág. 224), apontou: “A linguagem, às vezes mais literária adquire a expressão sugestiva e lírica; outras vezes, por ser mais transparente, é jornalística. Tudo faz parte da desconstrução das fronteiras, quebrando deste modo a demarcação espacial, fazendo com que as ações ocorram em cenários diversos, desde o mais real ao mais imaginário”.

Também em 1993 se deu a estréia de Dimas Carvalho no gênero conto, com Itinerário do Reino da Barra. Seguiram-se Histórias de Zoologia Humana em 2002 e, no ano seguinte, Fábulas Perversas. O primeiro é composto de uma novela, que deu o título geral, e de 11 histórias curtas e curtíssimas ou parábolas. São verdadeiros contos exemplares, escritos com muita sobriedade, poesia, imaginação. Todos eles foram reunidos a outros na constituição do segundo livro. Alguns deles são compostos de duas linhas ou pouco mais de uma dezena de palavras. As personagens são sempre emblemáticas. O protagonista de “O Profeta” é, ao mesmo tempo, humano e divino, pois os comerciantes o insultam, as crianças lhe jogam merda de cavalo, se deita na piçarra, ou seja, é visível, tem corpo, e, no entanto, “quando caminha pela superfície, torna-se invisível”. Em “O Gato” o narrador fala de todos os gatos, poeticamente, até contar uma historinha ou uma fabulazinha, com direito a “moral da história”: “tende cuidado com os gatos cor-de-rosa. De todos os tipos, é o mais perigoso. Não porque nos minta, ou nos iluda, ou nos roube o queijo. Mas pelo contrário“.

O personagem-escritor Eulálio Modesto Nicanor é, ao mesmo tempo, real e irreal. Real porque tem biografia e deixou vasta obra literária, impressa em jornais, almanaques e revistas. Irreal porque esta mesma obra desapareceu e o poeta (e sua obra) não passa de obra coletiva e anônima.

As personagens de Dimas Carvalho agem em espaços ilimitados ou etéreos, quando elas mesmas nem aparecem. A casa, o curral, o bosque, as igrejas, as torres das igrejas, as torres góticas, as ruas estreitas, todos os espaços são meros nomes. Para o contista não tem nenhuma importância este ou aquele lugar. Tudo é apenas adereço. Como se todos os dramas não passassem de sonhos, alucinações, visões, delírios. Os narradores e os protagonistas são seres delirantes, quase sempre, como o de “Um Sonho”, a vagar por uma cidade coberta de névoa, entre casarões antigos, com figuras de górgonas e dragões esculpidas nas portas. Edgar Allan Poe está muito manifesto na obra de Dimas Carvalho, sem imitação. Porque também presentes estão os narradores bíblicos, Homero, Dante, Kafka, Borges e toda a melhor tradição na arte de narrar.

Alano de Freitas, contemporâneo dos contistas surgidos no final dos anos 1970, apresentou o volume Histórias do Começo do Mundo (7 Contos Minúsculos), em 1995. Sobre ele escreveu Dimas Macedo, em “Ironia e Ficção em Alano de Freitas” (LC, págs. 162/164): “Dono de uma imaginação fabulosa e revolucionária, Alano nos impressiona pela sua particularíssima forma de narrar, isto é, sabe fabricar uma técnica de composição do texto recortada por uma incrível marca pessoal, criando com isso um estilo, que é, como sabemos, característica de todo grande escritor“. Airton Monte, em “Por Conta de uns Quantos Contos”, inserido no livro de Alano, argumenta: “Do ponto de vista de estrutura dramática, seus contos estão mais para os diálogos de Platão do que para as tragédias de Sófocles.”

Paulo de Tarso Pardal publicou Margem Oculta, em 1995, e Difícil Enganar os Deuses, em 1999, de histórias. Nas abas do primeiro, José Alcides Pinto anotou: “O sentido desse volume de ficção (será?) transcende a estrutura básica da narrativa, para afirmar-se, mais propriamente, nos domínios das idéias e da reflexão, sem excluir a poesia.” No parágrafo seguinte está escrito: “Sua aventura literária levanta um problema de natureza ética, até então desconhecido, entre poetas e ficcionistas de nosso tempo – a palavra-símbolo proporcionando o aparecimento (e a abertura) de uma nova linguagem, onde a reflexão é a mola mestra de sua inventiva. O diálogo interior envolve objetos, animais, pessoas e anima as passagens dos textos, em que não há qualquer ligação com os processos literários conhecidos“.

Em “Um Quase Prefácio”, Airton Monte observou: “A grande maioria dos contos do livro são curtos, outros curtíssimos e um ou dois saem da bitola do conjunto. Os textos são densos e de uma complexidade artesanal bastante incomum num contista, vamos dizer assim, “principiante”. Em todos eles, a realidade exterior não tem muita importância no enredo e o que na verdade conta e importa para o desenrolar da ação dramática é a realidade virtual ou interior dos personagens” (…).

Em 1996 Ronaldo Correia de Brito teve editado o primeiro livro As Noites e os Dias, seguido de Faca, de 2003. Dimas Macedo, em “Narrativas de Ronaldo Brito” (Crítica Imperfeita, págs. 16/19), constata: “Em Ronaldo Brito o vento da poesia é um tecido. É uma aragem permanentemente alojada entre as camadas do palimpsesto. O seu texto é todo ele uma poética da inconsciência e da erudição. É todo ele uma poeira da revelação e do mistério, no que ele possui de verdade, no que ele exibe de aproximação com a realidade e a lógica da imprecisão no campo do concreto”. E conclui: “Elaborada com o domínio da forma e a figuração simbólica da metáfora, a escritura de Ronaldo Correia de Brito parece sempre assestada em busca dos valores da honra e da vingança, cultuados na penumbra dos velhos casarões, onde o clamor do sangue e o sentimento de culpa se conjugam na construção da ordem textual, aparentemente caótica na sua dispersão intersubjetiva, porém dialética e estrutural na unidade da sua disciplina semântica e morfológica“.

Em “Memória Inventada” (Suplemento Rascunho, 4/2003), Andrea Ribeiro comenta o segundo livro de Ronaldo: “Foi abrir o livro e sentir o ardido do sol e a secura no chão. Não que todas as histórias que Ronaldo Correia de Brito assentou em Faca fossem exclusividade do agreste. Poderia, pelo contrário, acontecer em qualquer lugar do mundo. São histórias de amores frustrados, vidas frustradas, dor, solidão, perdas, vinganças. Coisas da vida. Comuns. Coisas que não têm terra natal. Não têm exclusividade geográfica. Mas calharam de cair ali pros lados do Ceará, terra natal do escritor“. E mais adiante: “Bem escritos – mas, como em todos os livros de contos, alguns melhores do que outros. Com palavras escolhidas a dedo. Bastante visuais (por isso dá para sentir o ardido do sol e a secura do chão). É possível ver a pele morena das personagens. E sentir suas angústias“.

No posfácio de Faca, Davi Arrigucci Jr. assinala: “A estrutura dramática e cortante dos contos – a faca não é apenas um motivo reiterado no conjunto das histórias, mas o gume a que tende a prosa lacônica com aquela sua alma agreste à maneira de Graciliano ou com o toque de poesia fantasmagórica à semelhança de Juan Rulfo –, se transforma em estrutura episódica e aberta na novela. Nesta, a complexidade é maior sob todos os aspectos; no desenvolvimento do enredo, a tendência à aventura romanesca dá espaço maior ao elemento fantástico, já presente em algumas das narrativas curtas, como, até certo ponto, em “Redemunho”, e certamente em “Faca” e “Inácia Leandro”, mas quase sempre restrito ao poder de um objeto ou ao retorno fantasmal de um ser“.

Rinaldo de Fernandes em 1997 teve editado o volume O Caçador, com apresentação de Amador Ribeiro Neto, que vê em Rinaldo “um escritor apaixonado pelas descrições, pelas vírgulas e pelas adjetivações“. No parágrafo seguinte faz a seguinte análise: “Suas descrições privilegiam os espaços geográficos das ações. Não pensemos, todavia, que são meros exercícios. Pipocando ora aqui, pipocando ora ali, num mesmo conto, elas explodem em flashes cinematográficos – rápidos e certeiros. Nunca são lineares. O leitor é quem monta as seqüências, convidado a ser co-autor dos cenários – e das caracterizações psicológicas das personagens. Já que entre a cena e a caracterização das personagens há um estreito vínculo de significações“. O livro é composto de 50 composições, algumas curtíssimas, com pouco mais de cinco linhas. Há também peças longas. Isto, porém, não quer dizer nada, porque Rinaldo sabe narrar, sabe escrever, pratica o conto com habilidade, sabedoria e talento, devendo ser posto ao lado dos melhores e mais singulares narradores de ficção do Ceará.

Pedro Salgueiro tem editados os livros O Peso do Morto (1997), O Espantalho (1996) e Brincar Com Armas (2000). Apesar de buscar uma fórmula para suas obras, como o emprego de epígrafes no início e no final de cada conto (no primeiro volume) ou, ainda, começar as histórias no meio do caminho, Salgueiro tem mostrado claramente as influências sofridas, como dos hispano-americanos, especialmente quanto ao realismo mágico, de Edgar Allan Poe, Moreira Campos e outros. No entanto, busca sempre ser natural, isto é, não foge de suas origens rurais e nordestinas, descrevendo e narrando os costumes locais. Às vezes se restringe a um momento, um flash, sem se preocupar com enredo. Em alguns casos, de tão apegado à descrição, parece não alcançar o contorno do conto, pelo menos do conto machadiano ou moreiriano. Isto, porém, é exatamente o conto moderno, como esclarece José Alcides Pinto, em “A Leveza Narrativa de Pedro Rodrigues Salgueiro”: “Naturalmente a estrutura mais significativa do conto moderno é exatamente aquela onde se denota a presença não de uma objetividade discursiva, mas sim o ditado de uma sugestionabilidade, revelando uma quase total ausência de enredo, ao menos na sua concepção usual”.

Em “Um Contista de Peso” (LC, págs. 168/170), Dimas Macedo afirma: “Pedro Salgueiro estréia maduro porque, na sala de espera, visitou o discurso e a linguagem dos clássicos e, do texto literário, aprendeu a extrair a ambivalência e a insinuação, optando sempre por rejeitar os encantos e as facilidades da literatura de feição linear“.

Em “Oficina de Pesadelos” (RR, págs. 149/150), Francisco Carvalho assevera que as peças de Pedro Salgueiro “evidenciam manifesta preocupação com o implícito, com o fato apenas sugerido, certo fascínio pelo surreal ou pelo fantástico, a prevalência de uma linguagem despojada de certos vícios retóricos, o compromisso com a palavra essencial, a busca permanente da síntese“.

Na apresentação de O Espantalho, intitulada “Novos Contos de um Autor Vitorioso”, Sânzio de Azevedo afirma: (…) “o contista, coerente com o seu modo de ser artístico, não deixa de freqüentar os temas que refletem morte, perdas, desolação etc., mas com uma presença maior do humor, e com alguns momentos de comovente lirismo“.

Nas abas do terceiro livro, sob o título “O Olhar do Artista”, José Louzeiro informa: “O processo criativo de Salgueiro é simples; complexa é a aura de circunstâncias com que faz o coroamento de suas histórias, presas pelos laços da mitologia a todo o vasto fabulário nordestino, que o escritor aciona com rara inteligência“.

Em 1998 Tércia Montenegro fez sua estréia com O Vendedor de Judas. É uma das melhores promessas da Literatura Cearense.

“O Vendedor de Judas”, conto que dá título ao volume, mostra que pelo menos em dois pilares da cultura a nova contista fincou os pés (ou a cabeça): os textos bíblicos e o folclore. Para intitular o livro, valeu-se do conto inspirado no mito bíblico da traição. O conto, porém, se centra no folclore de Judas, as comemorações profanas do Sábado de Aleluia, em que o “personagem” é um boneco, para ser vendido. Mercadoria, portanto. Não chega, pois, a personagem. Ou seja, os papéis se invertem: Judas, o vendedor de Cristo, se transforma em boneco a ser vendido e queimado. O protagonista do conto é, na verdade, um fabricante e vendedor de “bonecos esculpidos em madeira clara”.

Mas vejamos alguns aspectos da carpintaria da contista. Comecemos pelos personagens, sempre poucos em cada história. Tão poucos que em alguns contos estão em completa solidão. Em “A Espera”, o preso à espera da visita de uma filha que lhe promete levar fotos de outra filha, morta, e “o abraço impedido pelas grades”. Em “Um Poeta”, os três personagens “sentados no jardim, pensando em morrer.” Em “A Longa Espera”, o velho que “ficou só, no casarão alpendrado, com as terras diminuídas e a esposa cada vez mais magra, resmungando sozinha.” A solidão dele e a dela, mesmo vivendo na mesma casa. Em “A Inspetora”, D. Mozarina, vivendo apenas de lembranças: “fecha as janelas, arreia-se numa cadeira, abanando o pescoço com o decote“. E assim por diante.

O Vendedor de Judas é uma demonstração do talento de Tércia Montenegro, assim como de sua dedicação à leitura de obras fundamentais da Literatura e ao exercício do ato de escrever e reescrever. Um exemplo a ser seguido, no que for possível, pelos que se iniciam nas Letras.

Conforme pensa Batista de Lima, em “Os Contos de Tércia Montenegro” (FM, págs. 235/237), “a audição de muitas histórias, ou a leitura dos clássicos da narrativa é que podem explicar o alegórico, o fantástico, o mórbido e a finitude que subjazem do seu texto. Tudo isso casado a uma singeleza no modo de narrar, uma fineza com o trato da língua materna, uma ternura na fala“.

Astolfo Lima Sandy vem publicando ficções em jornais desde 1988. No entanto, somente em 1998 teve impresso o livro Mão de Martelo e Outros Contos. E já prepara outro. Em “Um Exercício Com Ferramentas” (O Povo, 11/7/1998), Manoel Ricardo de Lima vê, no livro de Astolfo, leveza e “humour”. “O contista registra um pressuposto que procura ser contemporâneo: a tentativa de essencialidade desde o número de contos que formam o livro, vinte e três, até o que estabelece como estrutura para suas composições. Destaca, ainda, uma influência grande dos que pensaram a história curta com economia verbal, de Kafka a Calvino“. Na opinião do crítico, Astolfo “eleva as suas curtas e prazerosas narrativas nos tratamentos que impõe ao tempo e aos temas. A leitura que os narradores fazem do tempo não poderia ser mais rigorosamente atual: ele não existe. O espaço determinante é que o delimita, uma construção de inventário em descrições mínimas é que o organiza“.

Em “Mão de Martelo: A Escultura Escrita” (O Povo, 14/11/1998), Tércia Montenegro esmiuça a obra de Astolfo: “A primeira parte é composta por contos em que predomina o descritivismo. Em alguns deles o contista demonstra como se pode fazer crítica social em literatura sem cair na panfletagem. Para tanto, além do tom irônico, pode-se utilizar alguma dose do fantástico. Não basta, porém, a receita. É preciso muita carpintaria com a linguagem“. “Pequena História de Velhos” é uma obra-prima, na opinião de Eduardo Campos. “O desejo primeiro do autor é o de ser um observador atento, que, ao sondar suas personagens, não se limita à superfície, consegue dominá-las pelo espírito, no fundo sempre condenado a mesquinhas emoções“.

Em “A Arte de Narrar” (Tribuna do Ceará, 6/6/1998), Cid Carvalho assegura: “Sua narrativa é breve, abomina as grandes extensões, não se alonga, usa de frases e orações com um brilhantismo maior, baseado no poder de síntese“.

Astolfo Lima Sandy é contista experiente. Demonstra ter lido os melhores contistas e haurido deles lições fundamentais. Sabe criar personagens de abundante essência humana e situá-los em palcos largos, propícios à escavação de suas almas. Em suma, tem talento no manejo das palavras e das ferramentas da arte de narrar, sobretudo da “velha espingarda de caça” dos narradores essenciais.

De outra linhagem são as obras de ficção menor de José Costa Matos, que no mesmo ano editou Na trilha dos Matuiús. Na opinião de Francisco Carvalho, “as dez narrativas de que se compõe este livro de contos estão relacionadas com as rotineiras aflições de ‘bonecos de barro que não se quebram’. Costa Matos explora com singular habilidade, numa linguagem das mais expressivas e rica de valores exponenciais, o inesgotável manancial da sabedoria popular e do seu modo descontraído de olhar de frente a realidade“. Em outro parágrafo acrescenta o poeta-crítico: “O cenário das histórias de Costa Matos são as pequenas cidades do interior, onde os acontecimentos, de natureza doméstica, política e moral, assumem geralmente dimensões inesperadas”.

Nome destacado na literatura brasileira, Ana Miranda editou o primeiro livro de contos, Noturnos, em 1999. Leonardo Martinelli, poeta e mestre em Literatura Brasileira pela Uerj, é autor de um estudo da obra da escritora. Veja-se trecho do ensaio: “Noturnos compõe-se de 65 minicontos cuja moldura sintática nunca extrapola o padrão de um único parágrafo ininterrupto, pontuado apenas por vírgulas, de extensão sempre limitada ao espaço de duas páginas. É como se a autora quisesse criar um equivalente em prosa para as formas fixas da poesia clássica, como o soneto e a sextina (embora não seja o caso de caracterizar tais peças como ‘poemas em prosa’, gênero de contornos indecisos e muito menos rígidos que os utilizados por Ana Miranda). O título geral da coletânea parece reivindicar um parentesco de segundo grau com o formato musical consagrado por Chopin: composições pianísticas de andamento grave e sinuoso, marcadas pela concisão e por intenso lirismo melódico. Já os contos de Ana Miranda vão buscar sua matéria lírica na expressão melancólica da figura feminina que narra ou é narrada em todas as estorietas do livro. Dos medos, desejos, delírios e embaraços dessa persona narrativa, a autora subtrai o segundo princípio da coesão de Noturnos (além da monotonia formal rigorosamente concebida pela série)”.

Também em 1999 Vasco Damasceno Weyne divulgou o volume Glórias e Vanglórias. O crítico Dimas Macedo, em “O Campo Literário de Weyne” (CI, págs. 41/44), o chama de “contista maduro”. Diz, ainda: “E se anuncia, mais do que isso, um escritor dotado de aguda percepção estética e criativa“. Mais adiante remata: “Contos. A arte de dizer o conto. A lição que se pode extrair de sua mutação artesanal. A palavra e o cotidiano da arte literária em forma de magia e de recriação. Eis, em síntese, o que Vasco Damasceno Weyne nos oferece em Glórias e Vanglórias, livro que considero informativo e denso a um só tempo, que vale sobretudo pelas suas qualidades formais e pela variedade de temas que abriga“.

Embora venha publicando romances há algum tempo, Lustosa da Costa estreou no gênero em 1999, com Foi na Seca do 19, composto de uma novela e 13 composições menores. Na apresentação, Pedro Salgueiro atribui às ficções contidas no volume a designação de conto, apesar de na ficha catalográfica estar registrado o gênero romance. O apresentador explica: “São retalhos independentes, apesar da unidade estilística, temporal e geográfica, cada um com sua trama singular: engraçada às vezes, trágica noutras, ou – o que é mais comum – trágicas e cômicas ao mesmo tempo“. E conclui: “Ao lermos estes contos nos transportamos para as conversas de calçadas, as fofocas de botequins e esquinas, tão em moda no período anterior ao surgimento da televisão“.

Desconhecido no Ceará literário, José Peixoto Júnior é um regionalista. O livro Sobre o Mundo se editou em 2001. Em “O Sertão, de Peixoto Júnior”, Soares Feitosa (Literatura n.º 23) assinala: “Lendo agora o Peixoto Júnior, em pleno dialeto “nordestino”, foi que me pude penitenciar perante Guimarães Rosa em quem sempre critiquei a invenção de um outro idioma que não o português. Perdão, seu Rosa! As suas histórias e as de Peixoto não teriam maior graça se não se assumissem de nossa fala ancestral, com expressões seiscentistas, direto de um Portugal primitivo aprisionado nos grotões da pátria, e das corruptelas que nos levam, lá, a chamar neblina de librina…”

Um dos mais jovens contistas cearenses é Luciano Gutembergue Bonfim. Editou o pequeno volume Dançando com Sapatos que Incomodam em 2002. O prefácio é de Pedro Salgueiro, que assegura: “O leitor pulará de um conto torto para outro enviesado, logo mais topará com certa parábola (e achará parecido com algum poema modernista) ou miniconto – curto e contundente; até ser nocauteado com o soco potente deste “De Natureza Cíclica” –; se conseguir levantar antes da contagem nove, levará seguidas pauladas no fígado e terminará o livro (ou a luta) vencido por nocaute técnico, sem piedade beijando a lona“.

Também em 2002 Almir Gomes de Castro divulgou os contos de O Ceará Sempre Escutará. Alana Pinto utilizou as dobras do volume para comentar as narrativas: “O contador de histórias segue gracioso, com contos curtos de desfecho surpreendente, imprimindo um contexto irreverente pelos fatos reais criados por seus personagens. O manancial temático de sua serra é inesgotável, não tem fronteira, expande-se pelo sertão e voa como as andorinhas da igreja matriz. A terra, antes seca, é uma canção lírica que pinta de verde a terra marrom“.

Em 2003 Giselda Medeiros apresentou o volume Sob Eros e Thanatos. No artigo do mesmo título (Jornal Binóculo n.º 26, Fortaleza, março, 2003), o crítico Dias da Silva informa: nas ficções de Giselda “permeia o clima de mistério e de surpresa, na quebra do ritmo das narrativas bem arrumadas”. E mais: “O recurso do mistério, da surpresa e do humano faz dos contos de Giselda Medeiros histórias universais, de lições e de salvação. Trata-se, pois, de contos sem idade que podem ser prolongados ou se podem fazer mais longevos por sua literariedade“. O crítico vê ainda outras qualidades nos contos de Giselda: “fuga da obviedade, dispensa de detalhes desnecessários, dosagem de mistério nas entrelinhas, exigindo do leitor esforço mental como num trabalho de co-autoria (o leitor deve ser um co-autor)”.

Também em 2003 Maria Thereza Leite estreou em livro com Mosaicos. Na apresentação do volume, “A escritura de Maria Thereza Leite”, Carlos Augusto Viana observa: “As narrativas, aqui reunidas, interessam tanto pela trama quanto por sua tessitura. As palavras – verdadeiras lixas – friccionam a alma de seres cujas vidas percorrem as fronteiras entre o devaneio e a tormenta. A autora é, sobretudo, uma construtora de personagens“. Em outro trecho, o poeta-crítico observa: as composições do livro em exame “seguem de perto a consciência dos protagonistas. Assim, o emprego do monólogo interior ou do discurso indireto livro é, por demais, pertinente, em especial quando são invadidas por elementos do mundo exterior“.

Pela linguagem e pelo vocabulário, é fácil perceber onde se ambientam os contos de Genuíno Sales. Vejam-se os títulos: “Na beira da grota”, “Faça lombo, meu padrinho” e “Comida braba”. O vocabulário é arcaico e rico, tal como é falado, ainda, no interior do Nordeste brasileiro. São exemplo desse vocabulário “pontiar”, “vareda”, “babatar”, “loita”, “caquear”, “polme”, “encaretado”, “quartau”, “caculo”, “matracar” e muitos outros. Consciente de sua nordestinidade e atento às regras do bom contar, Genuíno elaborou pequenas histórias a que alguns críticos enquadram como do tipo regionalista. Entretanto, mesmo nos diálogos, que são breves, o contista não se deixa conduzir pela facilidade da narração vulgar, tradicional ou sem criatividade. Assim, aqui e ali se vêem narrações descritivas. Os conflitos e os desenlaces se apresentam como se fossem secundários. Em “Na beira da grota”, por exemplo, o drama pressentido no início da peça parece não se completar, como se não ocorresse o epílogo. Em “Nequinho” o desfecho é o logro do “cego”. O leitor não atina o como findará a história e é também logrado, no último parágrafo, quando o falso cego “suspendia a bengala, aligeirava o passo e estirava caminho…”. Em “Comida braba” o desenlace se dá num tempo bem mais distante ao daquele em que o conto é escrito. O narrador interrompe a narração no exato momento em que o coronel se aproxima de Joana, que, nua, dava machadadas nas palmeiras. A história se completa, meses depois, para reapresentar a protagonista e seu filho de olhos azuis. Enfim, Genuíno faz de cada conto quase que uma pintura, uma paisagem sertaneja, ou uma cena de filme, com dois ou três personagens em ação em espaços reduzidos. O foco narrativo é ora de narrador-testemunha (um menino, quase sempre), ora de narrador onisciente. Em alguns casos os dois se confundem, como em “Mataram o coronel”.

Dimas Macedo saudou o aparecimento de Guilherme Caminha, com o livro O Velho Afobado, no cenário da literatura cearense, escrevendo “Os Contos de Guilherme Caminha” (LC, págs. 133/134). E anotou: “Fugindo ao esquema do desenho intelectualizado e elitista com que a tradição literária brasileira tem insistido em falsamente se auto-retratar, os contos de Guilherme Neto Caminha, em sua proveitosa urdidura, exibem a ousadia da aproximação do real, isto é, são reais enquanto inventário da experiência do concreto e revestem uma tentativa de aproximação da linguagem eminentemente coloquial”.
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No capítulo seguinte, sob o título “Outros Novos Contistas”, virão aqueles ainda inéditos em livro ou, se os têm, não são do conhecimento do autor deste ensaio e que, portanto, não se mostraram em maior escala para a crítica. De muitos deles as poucas informações foram colhidas nas publicações onde se vêem seus contos.

A seguir, síntese biobibliográfica dos principais contistas surgidos após 1990, em ordem alfabética.
– Alano de Freitas nasceu em Fortaleza (1950). Artista plástico e poeta, deu a lume Histórias do Começo do Mundo (7 Contos Minúsculos), em 1995.

– Almir Gomes de Castro (Baturité, 1953) divulgou alguns livros de poemas e um de contos, O Ceará Sempre Escutará, em 2002.

– Ana Miranda nasceu em Fortaleza, em 1951. Ainda criança mudou-se para o Rio de Janeiro, depois para Brasília. Seus primeiros livros são de poesia. Ao romance Boca do Inferno, de 1989, seguiram-se outros. Em 1999 editou o primeiro livro de contos, Noturnos. Desde 1999 mora em São Paulo. Suas obras estão traduzidas para diversos idiomas.

– Angela Gutiérrez ou Angela Maria Rossas Mota Gutierrez (Fortaleza) é doutora em Letras. Imprimiu um romance, Mundo de Flora, em 1990 e o volume Avis Rara. Tem contos em antologias, como O Talento Cearense em Contos. 2.º no III Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, 1992, com “Ressurreição”.

– Astolfo Lima Sandy, natural de Sobral (1948), tem impresso o livro Mão de Martelo e Outros Contos (1998). – Ganhador de prêmios literários, como o da Biblioteca Nacional para escritores brasileiros, em 2002, com o livro inédito A Grande Fábrica de Brinquedos.

– Carlos d’Alge nasceu em Chaves, Portugal, em 1930, tendo viajado para o Brasil aos seis anos de idade. Graduado em Letras, Direito e Educação, é professor de Literatura da Universidade Federal do Ceará. Membro da Academia Cearense de Letras. Doze livros editados. Seus contos apareceram em jornais, revistas e antologias, como O Talento Cearense em Contos, com a narrativa “Breve Ensaio Sobre a Solidão” e no volume A Mulher de Passagem, de 1993.

– Dimas Carvalho (Acaraú, 1964) fez sua estréia no gênero conto em 1993, com Itinerário do Reino da Barra. Em 2000 deu a lume Histórias de Zoologia Humana e em 2003 Fábulas Perversas (VI Prêmio Ideal Clube de Literatura, 2003). Tem também livros de poesia. A obra de Dimas Carvalho tem sido objeto de análise por diversos críticos de todo o Brasil, como Miguel Sanches Neto, Ronaldo Cagiano, Ítalo Gurgel, Vicente Freitas, Batista de Lima, Jorge Pieiro, Inocêncio de Melo Filho.

– Genuíno Sales é de Pedro II, Piauí. Reside em Fortaleza há vários anos. Educador. Está incluído também no volume Prêmio Ceará de Literatura (1994), com cinco contos. Tem inédito o volume Fins d’águas.

– Giselda Medeiros é natural de Prata. Licenciada em Letras. Poeta e contista. Ganhadora de diversos prêmios literários, como o Cidade de Fortaleza II, IV e V. No último destes obteve o primeiro lugar, com “Passado Azul”. Em 2003 imprimiu o volume de contos Sob Eros e Thanatos.

– Guilherme Caminha é autor do volume O Velho Afobado.

– João Soares Neto tem se dedicado à crônica e também ao conto. Autor de Sobre a Vida e o Amor, Sobre todas as Coisas, Micro-contos, cem contos sumaríssimos, e Sobre a Gênese e o Caos, coletânea de crônicas e contos, 2002.

– José Costa Matos (Ipueiras, 1927), poeta, contista e romancista, tem alguns livros de poemas e é autor do volume Na Trilha dos Matuiús (1998). Um dos vencedores do II Prêmio Ceará de Literatura, de que resultou livro com este título, em 1995. Está presente em algumas antologias, como O Talento Cearense em Contos, com “Incêndio na Pedra”. Ganhou alguns prêmios literários fora do Ceará. Membro da Academia Cearense de Letras.

– José Murilo (de Carvalho) Martins, nascido em Caxias, Maranhão (1929), mas radicado no Ceará desde criança, editou o volume Medicina meu amor, de contos e crônicas, em 1991. Médico, tem várias obras na sua área profissional. Preside a Academia Cearense de Letras.

– José Peixoto Júnior nasceu em Jardim. Há alguns em Brasília. É outro regionalista. Em 1988 imprimiu o livro Bom Deveras e Seus Irmãos, por ele chamado crônica. São histórias de cangaceiros, ocorridas no Cariri cearense. O cronista se valeu também do Cariri para narrar outras histórias, que, reunidas, constituem o livro Sobre o Mundo, editado em 2001.

– Luciano Gutembergue Bonfim (Crateús, 1971), autor e diretor de teatro, professor universitário, é também contista premiado. Editou o pequeno volume Dançando com Sapatos que Incomodam em 2002.

– Lustosa da Costa é autor de inúmeros livros de ensaios e romances. Em 1999 editou Foi na Seca do 19, composto de uma novela e 13 contos.

– Maria Thereza Leite nasceu em Fortaleza, publicou seus primeiros contos em jornais e coletâneas originadas de concursos literários. Estreou em livro com Mosaicos, em 2003.

– Paulo de Tarso Pardal é natural de Russas (1952). Músico, artista plástico e crítico literário, publicou Margem Oculta, em 1995, e Difícil Enganar os Deuses, em 1999, ambos de contos.

– Pedro Salgueiro, nascido em Tamboril (1964), é um dos mais conceituados contistas cearenses surgidos no final do século XX. Tem editados os livros O Peso do Morto (1997), O Espantalho (1996) e Brincar Com Armas (2000). Premiado diversas vezes. Tem contos em antologias, como Talento Cearense Em Contos e Geração 90: Manuscritos de Computador.

– Ricardo Kelmer de Oliveira: 4º no II FUC, com “O íncubo”. Autor de O Irresistível Charme da Insanidade (1996) e Guia Prático para Sobrevivência no Final dos Tempos (1997).

– Rinaldo de Fernandes, embora maranhense, morou durante muitos anos em Fortaleza, onde se graduou em Letras (Universidade Federal do Ceará). Tem contos em jornais de Fortaleza e João Pessoa. No Folhetim Literário Acauã mostrou “O Caso do Negro”. Em 1997 teve editado o volume O Caçador (Editora Universitária da Paraíba). Doutor em Letras pela UNICAMP e professor de literatura na Universidade Federal da Paraíba. Começou sua atividade de escritor publicando, ainda jovem, contos e artigos nos suplementos literários dos jornais O Povo e Diário do Nordeste, de Fortaleza/CE,. Tem inédito O perfume de Roberta. O conto “Negro”, do livro “O Caçador”, virou curta-metragem, do cineasta paraibano Renato Alves. Como pesquisador, escreveu os textos da antologia Os cem melhores poetas brasileiros do século, organizada por José Nêumanne Pinto (São Paulo: Geração Editorial, 2001). Organizador dos livros O Clarim e a Oração: cem anos de Os sertões (São Paulo: Geração Editorial, 2002), Chico Buarque do Brasil (Rio de Janeiro: Garamond/Fundação Biblioteca Nacional, 2004) e Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea (no prelo). Colaborou com diversos jornais de ponta do Brasil. Assina a coluna “Rodapé/Ponto de vista crítico” em Rascunho, de Curitiba/PR, e Correio das Artes, de João Pessoa/PB.

– Roberto Amaral, nascido em Fortaleza, passou a morar no Rio de Janeiro em 1965. Autor de mais de duas dezenas de livros na área da ciência-política-comunicação-direito, estreou no gênero em 1990, com Viagem e outras histórias. Escreveu também romances.

– Ronaldo Correia de Brito nasceu em Saboeiro (1950) e muito cedo passou a habitar no Recife. O primeiro livro, As Noites e os Dias, é de 1996, e o segundo, Faca, de 2003.

– Sérgio Telles é natural de Fortaleza, 1946, tendo ido morar em São Paulo em 1970, onde vive. Tem livros na área da psicanálise e dois de contos: Mergulhador de Acapulco (1992), menção honrosa no Concurso de Contos do Paraná, 1988, com o título O Décimo Dia e outros contos, e Peixe de Bicicleta (2002), prêmio APCA, 2002. Integra uma antologia de escritores brasileiros editada na Suécia (1994). Para a antologia O Talento Cearense em Contos teve selecionado “Cicatriz de Bala”.

– Tércia Montenegro (Fortaleza, 1976) fez sua estréia com O Vendedor de Judas, em 1998. Ganhadora de alguns concursos literários importantes, como o da revista Cult (1.º Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, 2000) com o livro Linha Férrea, editado em 2001.

– Vasco Damasceno Weyne é natural de Fortaleza (1931). Cronista, crítico literário e contista. Divulgou, em 1999, o volume Glórias e Vanglórias.

– Zorrillo de Almeida Sobrinho (Fortaleza, 1927) estreou em 1997, com Velhos Contos, Novos Contos, pela Associação dos Novos Escritores do Mato Grosso do Sul, Estado onde vive. É autor de livros em outros gêneros literários.

continua… (Parte XI)

Fonte:
http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=986

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