Arquivo do mês: dezembro 2008

José Feldman diplomado pela ONE em Sorocaba

No dia 19 de dezembro o presidente da Ordem Nacional dos Escritores diplomou e entregou mais sete colares a novos associados.
A cerimônia aconteceu no Gabinete de Leitura Sorocabano às 10h seguido de um almoço junto aos escritores e novos sócios. No encontro, a mesa foi composta pelo presidente do Gabinete, Cel. Res. PM João Oliveira Verlangieri, o diretor do núcleo da região, Douglas Lara, e o presidente da ONE, José Verdasca dos Santos.

Além da presença do ex-presidente da Fundec, Alexandre Latuf, os sete novos associados, entre os quais as mais jovens escritoras associadas, Maria Giulia Jacção Alves e Roberta Rodrigues Giudice, ambas tem nove anos e declamaram suas poesias publicadas na antologia Rodamundinho.

Entre os novos membros estavam o escritor, trovador e criador do blog literário Singrando Horizontes José Feldman, o jornalista e escritor Pedro Viegas, o editor Mylton Ottoni e o empresário Alexandre Latuf.

No momento da entrega também foram declamadas poesias pelos escritores Gonçalves Viana, Oswaldo Biancardi, Nicanor Filadelfo, João Verlangieri e pelo presidente da Ordem.

O presidente da Ordem acrescentou que anteriormente o Estatuto não previa a admissão de menores de idade em sua associação e que hoje esse termo foi reformulado. “A Diretoria Nacional tudo fará para apoiar, estimular e incentivar aos jovens a seguirem este rumo, propiciando bons exemplos a seus colegas de escola, vizinhos e parentes, nós encaramos este trabalho como uma missão, talvez a mais importante da nossa associação”, comenta Verdasca.

Durante a reunião, a TV COM registrou o momento das entregas dos colares, também entrevistou os novos associados e o presidente da Ordem que se emocionou dizendo sobre a importância dos jovens exercitarem a escrita e não somente a leitura. A TV COM (canal 7 da NET Sorocaba) exibiu partes das entrevistas e está preparando uma matéria especial sobre literatura em Sorocaba.

A ONE é uma sociedade civil com fins culturais e científicos, sem objetivos lucrativos e abrange todo o espaço da Lusofonia. Os principais objetivos da Ordem são preservar, promover, estimular, incentivar as atividades literárias de escritores, aconselhar e auxiliar os autores em suas obras e produções, bem como defender a atuação do escritor lusófono na livre manifestação de seu pensamento e em defesa de seus trabalhos e direitos.

Segundo José Feldman «a acolhida recebida em Sorocaba foi de tal maneira surpreendente, que me senti como se fosse uma reunião de família. Foi uma honra enorme receber este colar, mas o trabalho para a divulgação da nossa cultura tão vasta em solo brasileiro é árduo, é uma semente que estamos plantando, que espero um dia dar frutos. Enfatizo que o meu blog assim como tantos outros blogs e sites é uma das sementes que eu regarei todos os dias até se tornar uma árvore frondosa que envolva em seus ramos todos os estados do Brasil, as nações de lingua portuguesa e todas as outras nações do mundo. Agradeço ao escritor Douglas Lara e à jornalista Cintian Moraes, principalmente, entre tantos outros que colaboraram direta e indiretamente para esta conquista. Um agradecimento especial ao Cel. Verlangieri pela recepção em seu Gabinete de Leitura, e à ONE pelo reconhecimento de meus esforços ».

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Fontes:
http://www.cintianmoraes.com.br/ONE/index.htm
Douglas Lara. http://www.sorocaba.com.br/acontece

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17 a 29 de Dezembro (Intervalo)

No período de 17 a 29 de dezembro não haverá postagem.
Dia 30 retorno com novidades e maior quantidade de postagens, e novas valiosissimas colaborações.

Feliz Natal a todos!

José Feldman

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IV Concurso Literário "Cidade de de Maringá" (Resultado Final)

Tema (único) para todas as modalidades: ROÇA

VENCEDORES

TROVA

Arlindo Tadeu Hagen (Belo Horizonte)

Darly O. Barros (São Paulo)

Domingos Freire Cardoso (Portugal)

Edna Valente Ferracini (São Paulo)

Francisco José Pessoa (Fortaleza)

José Messias Braz (Juiz de Fora)

José Ouverney (Pindamonhangaba)

Maria de Fátima Oliveira (Juiz de Fora)

Neide Rocha Portugal (Bandeirantes)

Pedro Ornellas (São Paulo)

SONETO

Edmar Japiassú Maia (Rio de Janeiro)

Jaime Pina da Silveira (São Paulo)

Lucília A. T. Decarli (Bandeirantes)

Maria Helena Oliveira Costa (Ponta Grossa)

Neide Rocha Portugal (Bandeirantes)

CRÔNICA

Élbea Priscila Sousa e Silva (Caçapava )

Maria José Lindgren Alves (Rio de Janeiro)

Renato Benvindo Frata (Paranavaí)

Sebas Sundfeld (Tambaú)

Volpone de Souza (Bragança Paulista)

POEMA LIVRE

Antônio Rosalvo R. Accioly (Nova Friburgo)

Danieli Aparecida dos Santos Benatti (Maringá)

Emerson Mário Destefani (Maringá)

Pindamonhangaba Cavalheiro (Pindamonhangaba)

Vilmar Ferreira Rangel (Campos dos Goytacazes)

DRAMATURGIA

Coracy Teixeira Bessa (Salvador)

Fonte:
Academia de Letras de Maringá

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Artur da Tavola (1936 – 2008)

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15 de dezembro de 2008 · 23:20

José Feldman (A Virada de Ano sem Artur da Tavola)

Meu amigo,

Este ano se encerra, e você não está mais junto de nós, e as saudades de você que nos deixou, não fará com que seja um final de ano feliz, pois a sua ausência será sentida e muito, muito mesma. Esta é uma distância que não permite que possamos te ver, nem te abraçar, e nem ouvir a sua voz.

E quando partiu, você deixou saudades, pois foram marcantes senão em minha vida, mas em tantas outras. Podemos ver seus retratos, escutar sua voz gravada em algum lugar, mas sempre aquele aperto no coração persiste, pois a saudade é muito forte.

Sentimos saudades de amigos que não vimos mais, e mais ainda, nos arrependemos ao saber que a distância nos separou, e nunca mais nos veremos mais.

Daí vem à mente tantos momentos que tivemos e sentimos saudades. Das pessoas que falamos e nunca mais, da infância que vivemos, de nossos pais quando vivos, ou bem mais jovens. Dos namoros, das risadas que sempre demos. Sentimos saudades do passado e dos muitos momentos que não vivemos e também daqueles que vivemos e nunca mais teremos novamente. Saudades dos sonhos que tivemos e que hoje, talvez nem lembremos mais quais são, mas que acreditávamos como algo mágico.

Sinto saudades de você que se foi, e nem mesmo tive oportunidade para lhe dizer adeus. Dos momentos que nos falamos, sejam de dor ou de alegria, foram momentos inesquecíveis.

Queria poder fazer uma trova, um haicai, uma poesia, alguma coisa bonita que perpetuasse para sempre a falta que faz, pois direta ou indiretamente, participou de minha vida.

Mas, mesmo que eu sinta a tristeza que há pela sua ausência, meu coração sorri, pois o seu espírito está mais vivo do que nunca em mim, e fostes um dos construtores de um santuário colossal, denominado Cultura. E, a cada tijolo que colocarmos nele, poderemos sentir sua presença, sua mão nos ajudando a coloca-lo no local exato.

Até mais tarde, meu amigo Artur, que este ano de 2009 seja a consolidação de seu sonho.

José Feldman

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(Artur da Tavola ) Vida Ensina

Se você pensa que sabe; que a vida lhe mostre o quanto não sabe.

Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento; que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, aquele que começa pelo fim.

Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta: se procurar demais, acaba achando. Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo; que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo.

Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco; que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência.Tanto mais lúdica quanto mais complexa.

Tanto mais complexa quanto mais consciente.Tanto mais consciente quanto mais difícil.

Tanto mais difícil quanto mais grandiosa. Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade; que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge.

Que a vida ensine a cada menino a seguir o cristal que leva dentro, sua bússola existencial não revelada, sua percepção não verbalizável das coisas, sua capacidade de prosseguir com o que lhe é peculiar e próprio, por mais que pareçam úteis e eficazes as coisas que a ele, no fundo, não soam como tais, embora façam aparente sentido e se apresentem tão sedutoras quanto enganosas.

Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva.

Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio; mas para dizê-las depois. Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la. Que aquele garoto que não come, coma.

Que aquele que mata, não mate. Que aquela timidez do pobre passe.

Que a moça esforçada se forme. Que o jovem jovie.

Que o velho velhe. Que a moça moce. Que a luz luza. Que a paz paze.

Que o som soe. Que a mãe manhe. Que o pai paie. Que o sol sole. Que o filho filhe. Que a árvore arvore.

Que o ninho aninhe. Que o mar mare. Que a cor core. Que o abraço abrace. Que o perdão perdoe.

Que tudo vire verbo e verbe. Verde. Como a esperança. Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo. A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.

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Nelson Capucho (Hai-Kais)

Baile funk no jardim
Rosa e Margarida armam barraco:
ciúmes do beija-flor.
(para Márcio Américo)

Olhando a terra do avião:
imensa colcha de retalhos.
Sementes ainda dormem.
(para Jotabê Medeiros)

Noite de neblina.
Soprando leve a seda
pelas ruas de Londrina.
(para Ademir Assunção)

Estrada vermelha.
Em alta voz repete as seis virtudes:
maritacas zombam no bambuzal.
(para Karen Debértolis)

Salto do Apucaraninha.
Água branca lembra anáguas:
qual noiva será minha?
(para Douglas Diegues)

Misteriosa natureza.
Deus mulher, masculina deusa:
yin e yang tecendo belezas.
(para Célia Musilli)

Sol e chuva,
perfume de terra úmida.
Nativos dizem: casamento de viúva.
(para Marcos Losnak)

Brilha no céu
novelo de lã: cadê obachan?
Escondida atrás do flamboyant.
(para Rodrigo Garcia Lopes)

Cidade submersa.
Modernos edifícios no lago refletidos:
impressionismo concreto.
(para Augusto Silva)

Leitora insone.
Letra caminha no campo branco:
Ah, uma formiguinha!
(para Christine Vianna)

Aragem de outono.
Folhas em sépia voam no quintal:
velhas fotos de verão.
(para Neuza Pinheiro)

Manhãzinha em Assai.
Idosos ocupam bancos da praça:
borboletas vêm ler jornal.
(para Maurício Arruda Mendonça)

Nhambuxitã
tristonho canta no bambuzal:
nem cogita a manhã azul.
(para Madan)

Saquê no inverno:
adeus pássaro da melancolia.
Estômago furioso.
(para Mário Bortolotto)

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Nelson Capucho (A Vaca do Oitavo Andar)

Trrriiiiimmm.

Turíbio esfrega os olhos, olha o relógio sobre a cômoda: 9 horas. Não pode ser o despertador. Trabalha à noite, só vai para a cama por volta das 3 horas. Assim, teoricamente, alguém está lhe telefonando às 6 horas da madrugada.

Trrriiiimmm.

Vira-se, cobre a cabeça com o travesseiro. “Ninguém me deixa dormir”, pensa. Quando não é o cachorro da vizinha do 803 é o telefone.

Triiiiiimmm.

Não deve ser alguém da família. Todos os parentes sabem que ele dorme até mais tarde, que é diferente da maioria dos mortais.

Trrriiiiimmm.

Arrepende-se por não ter desligado o aparelho da tomada. Depois começa a imaginar que aconteceu alguma desgraça. Tio Luís não anda bem de saúde. O irmão que se casou com uma nissei e está morando no Japão. Lá tem muito terremoto. Movimenta a mão na direção do telefone com a agilidade de um astronauta em solo lunar.

Trrim…

Desligaram. Antes que pudesse dizer alô.

Resmunga um palavrão, ofende o coitado do Graham Bell e decide retomar o sono. Lembra-se que estava sonhando com a Sandrinha. E era bom. Tenta recuperar o roteiro do sonho. O maldito cachorro do 803 começa a latir.

Ah, a Sandrinha…

Trrriiiiimmmm.

Ah, não…

Trrriiiimmm.

Atende.

– Hum?

– Bom dia. É da residência do senhor Turíbio? (Voz feminina. Alguma secretária – logo deduz).

– É.

– O senhor Turíbio está?

– Ele.

– Aqui é da Associação dos Pecuaristas Anônimos e o senhor participou do nosso concurso beneficente, não foi?

– E eu por acaso sou boi para participar do concurso de vocês?

– Muito boa, essa. O senhor comprou uma de nossas rifas, certo?

– Sei lá, compro tanta porcaria…

– O senhor ganhou o primeiro prêmio, seu Turíbio!

– Ganhei alguma coisa? Não é possível, minha filha. Ultimamente ando perdendo até no jogo da velha para o meu sobrinho de quatro anos.

– Pois a sua sorte mudou. O senhor ganhou a novilha.

– Como é que é?

– A vaca. O primeiro prêmio!

Agradece à moça, senta-se na cama e sorri. Enfim, uma boa notícia. Mas logo começa a se preocupar. Mora em um edifício, oitavo andar. O que vai fazer com uma vaca? Precisa ir buscar o prêmio na manhã seguinte. Telefona para alguns conhecidos: ninguém quer comprar uma novilha. Quem sabe os açougues? Não, não teria coragem.

Vai à Associação dos Pecuaristas disposto a contar o seu drama, entregar o animal ao primeiro que se interessar. De graça. Mas quando vê a vaquinha, aquele olhar carente, Turíbio muda de idéia:

– Tudo bem. Vou levar. Agora a vizinha do 803 vai ver o que é bom para tosse!

Fonte:
CAPUCHO, Nelson. O Jardineiro de Flores Estranhas. Curitiba: Imprensa Oficial, 2002. (Série Crônicas de Londrina).

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