Eno Teodoro Wanke (Poesia)

Não gostava de poesia. Pelo menos dizia não gostar. E dizia que não gostava porque – por fantástico que possa parecer – jamais tinha lido um poema. Na verdade, não tinha o hábito da leitura.

Um dia, porém, deparou com um livro aberto sobre a mesa de jantar da pensão. Outro hóspede o deixara ali, esquecido.

Leu a primeira frase. Achou esquisita, mas agradável. Leu a segunda. Não era má. Leu a terceira – e viu que a última palavra rimava com a palavra de fecho da primeira.

Levou um pequeno susto. Era um poema, o que estava lendo!

Hesitou. Prosseguiria na leitura?

Decidiu continuar para ver no que dava. Leu o quarto verso.

é. Era interessante.

Continuou a ler. Deliciou-se. Passou para o poema seguinte. Não é que era bom?

Foi assim que o cidadão Diogo Albuquerque Mendonça perdeu para sempre o direito de dizer que não gostava de ler poesia.

Fonte:
WANKE, Eno Teodoro. Caminhos: minicontos. 1.ed. RJ: Plaquette, 1992, p.35.

Imagem = CD Rom Digeratti.
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