Arquivo do mês: julho 2009

Trova L

Deixe um comentário

23 de julho de 2009 · 23:37

Dario Vellozo (Poesias Avulsas)

Estação de Diligência de Curitiba (do pintor
paranaense Hugo Calgan) – 1881
CRUZ E SOUZA

a Leôncio Correia

Passa o Azul, cantando, uma trirreme de ouro…
Velas pandas… No Azul… Que levita inspirado
Reza o ebúrneo Missal, de um requinte ignorado,
Entre astros monacais e iatagãs de mouro?!…

Rutilam brocatéis de púrpua e de prata…
Fulgem Broquéis, à popa… A trirreme estremece…
Ísis! — quem te acompanha a estranha serenata
E para o Além da Morte entre os eus braços desce?!…

Morte é a eternidade;é um poente de Outono…
Mago! — tu vais dormir o glorioso sono
Entre Borquéis de ônix, e iagatãs de mouro…

Vais dormir!… Vais sonhar!… (Nobre e celeste oblata!)
Segue no Azul, cantando, uma trirreme de ouro…
Rutila brocatéis de púrpura e de prata.

ALÉM

Alfim! Vais repousar, corpo meu tão franzino,
Escudo, roto já, pelos gládios da Sorte;
A decomposição completa o teu destino,
As atrações do Além levam-me além da morte.

Para o Azul, para o Azul!… Vou perlustrar espaços,
Alma, – de sol em sol, – filtro que o corpo encerra…
Melhor fora, talvez, a noite de teus braços,
Meu amor; bem melhor! nos presídios da Terra.

Exílios! De tua alma a minha alma se ausenta,
Soluças! Nosso adeus é agonia lenta,
A Quimera a morrer nos braços de um titã…

Ficas em teu solar, sigo para o Mistério…
Quando seremos – LÁ! – no infinito sidéreo,
Almas nupciais na radiosa manhâ?

FLOR DE CACTO

Vens do Azul, da Quimera, alma de olhos sidéreos,
Que a minha alma de asceta aos paramos eleva
E à minha viuvez de mágoas e mistérios
Abre as aras do Além para o ofício da treva.

E$ eu bendigo, e sigo o teu corpo de Sombra,
Peito de névoa e luz; névoa das louras tranças,
Luz do olhar, desse olhar, deliciosa alfombra,
Calvário e serial de minhas esperanças.

Ilusões são punhais. Cada ilusão que aflora
A penumbra de um sonho, alma de olhos sidéreos,
Leva o espectro da cruz às flâmulas da Aurora
Cruz do Além, cruz feral, de mágoas e mistérios.

A carícia cruel de teu seio fremente
Abre as asas do Além pra o ofício da Treva,
E eu te digo. E a minha alma, ajoelhada, sente
Que a tua alma de morta ao passado nos leva…

SOLAU

A Nestor de Castro

Eu sou o pajem de Dona Morte,
Loura de olhos monacais;
Eu rezo salmos a Dona Morte,
Sou o coral das Catedrais;
Nos meus idílios flavesce a morte,
A morte, — vinho das bacanais.

Volvei os olhos de esperança
A um cavaleiro Rosa-Cruz;
Os vossos olhos de esperança
São liras de ouro, alvas de luz;
São pulvinários de esperança,
Valquíria astral da Rosa-Cruz.

Nos cinerários de meus sonhos
Arderam Silfos e Quimeras;
Em que sepulcro andam meus sonhos,
Ó Peregrina de outras eras?!…
Noiva, — sepulcro de meu sonhos,
Crisoberil das primaveras!

Eu sou o pajem de Dona Morte,
Entre castelos e solares;
Seguindo os passos de Dona Morte,
Subi a torres de sete andares,
Os belvederes de Dona Morte
Andam suspensos de meus olhares.

Andam suspensos de minha boca
Os nove arcanos da Alquimia;
Nos setiais de minha boca
Rezaram monjas noite e dia;
Jamais oscules a minha boca,
Estrela d´alva da Nostalgia!…

Deixa que mortos enterrem mortos,
Loura, de olhos monacais,
A Morte embala meus sonhos mortos
Nas absides das Catedrais.
A Morte é a noiva dos sonhos mortos,
A Morte é círio das bacanais.

Deixa que mortos enterrem mortos,
Loura, de olhos monacais!
—-

Fonte:
– Poesias extraídas do site do escritor
Antonio Miranda

Deixe um comentário

Arquivado em O poeta no papel, Poesias

Dario Vellozo (1869 – 1937)

Dario Persiano de Castro Vellozo, escritor nascido no estado do Rio de Janeiro, em seu entitulado Retiro Saudoso, no bairro de São Cristóvão, em 26 de Novembro de 1869 , estudou no Liceu de São Cristóvão (de 1880 a 1883), tendo se tornado aprendiz de encadernador (1883) e, posteriormente, compositor tipográfico no primeiro jornal paranaense: O Dezenove de Dezembro (fundado em 1853), que tinha como editor Cândido Lopes.

Sua vida até a mudança para Curitiba é registrada em seu livro Retiro Saudoso, de 1915 , narrando sua infância no Rio de Janeiro.

De 1886 a 1889 estudou no Pathernon Paranaense (onde conheceu Eusébio Mota – apesar de não ter sido seu aluno -, um professor que estimulou muitos dos seus à Arte Literária) e, depois, no Instituto Paranaense. Neste último, fora companheiro de turma dos novíssimos de sua geração: Silveira Netto, Nestor Victor, Emílio de Menezes, Emiliano Pernetta, etc, etc.

Em 1889 lança seu primeiro livro intitulado Primeiros Ensaios, editorado nas oficinas do Dezenove de Dezembro. Este livro teve como principais influências ao jovem Dario Vellozo os neo-românticos Lord Byron, Lamartine e Musset.

De 1889 a 1893 trabalhou em cargos burocráticos da repartição de polícia e na secretaria de Fazenda do estado do Paraná.

Em 1890 , com a fundação da Revista do Club Curitybano, que tinha como Diretor seu pai Cyro Vellozo, temos o desabrochar de uma tendência literária de Dario Vellozo, tendo seus poemas e crônicas publicados desde o segundo número deste periódico (de 01 de Fevereiro de 1890), com Êxtase Divino.

Em 1892 , com seu espírito de liderança e sociabilidade, funda nas oficinas do Club Curitybano (juntamente com Augusto Stresser e Brasílio Costa) o Grêmio Ensaios Literários. Neste ano, as influências do recém chegado da Europa poeta Jean (João) Itiberê da Cunha sobre sua leitura ficam evidenciadas.

Descobre neste ano Poe, Flaubert e Huysmanns e, no ano seguinte: Verlaine, Rimbaud, Mellarmé, L’Islle Adam, além de Péladan, Stanislas de Guaita, Maurice Maeterlinck, Eliphas Levi e Papus (sendo esses cinco últimos pela influência direta de João Itiberê).

Em 1893 também vê-se envolvido na fundação de uma nova revista, Azul, que fora uma primeira tentativa do grupo do Cenáculo (periódico simbolista inaugurado em 1895). A Revista Azul tem interrompida sua sequência em razão da Revolução Federalista, na qual Dario Vellozo, juntamente com os outros participantes da Revista, lutam ao lado dos legalistas.

De 1894 a 1898 era o redator dos debates ocorridos no congresso legislativo do estado paranaense.

Em 1894 torna-se o Diretor Literário da Revista do Club Curitybano, mudando a grafia deste último para Coritibano. Irá permanecer na Direção desta revista até 1900

Em 1895 funda a Revista O Cenáculo, na qual temos caracterizada toda a veia simbolista não só dos autores curitibanos, como de todo o Brasil. Essa revista terá uma curta duração de dois anos, mas o suficiente para deixar suas marcas.

Em 1896 lança a obra em prosa Esquifes. Neste mesmo ano intensifica seus estudos de Ciência Oculta, com traduções de autores ocultistas europeus publicados na página do Club Curitybano. Também envolve-se em polêmica neste ano ao publicar nas folhas d’O Cenáculo o texto Pelos Índios! que é apoiado pela Maçonaria de seu estado.

Em 1897 publica dois fabulosos livros (parte de uma trilogia junto com Atlântida, de 1938): Alma Penitente e Althäir, além de colaborar no periódico A Pena.

Em 02 de Março de 1898 é nomeado professor interino e, depois, efetivado (após concurso) como professor de História Universal e do Brasil (19 de Abril de 1899 ) no Ginásio Paranaense antigo Instituto paranaense, no qual estudou. Neste ano também funda o Jornal Jeruzalém, que irá intensificar seus polêmicos (para a época) discursos anti-clericais, também colaborando em Pallium.

Em 1899 funda A Esphynge Jornal, e mantém contatos com os grupos de Papus e de Jollivet-Castelot (Groupe Independente de Études Esoteriques e Association Alchimique de France, respectivamente), promovendo a idéia da constituição de suas escolas em terras brasileiras. Não a toa, fora contemporâneo do efervescente final de século ocultista europeu, fazendo-o também presente no Brasil.

Seus discursos anti-clericais e republicano-socialistas, além das questões pedagógicas (visto que era professor de História no Ginásio Paranaense) irão margear suas teses lançadas de 1902 a 1908 como: Lições de História (1902 ), Escola Moderna (1903 ), Da Instrução Pública (1904 ), No Sólio do Amanhã (1905 ), Derrocada Ultramontana (1905 ), Voltaire (1905 ), Pátria Republicana (1905 ), Compêndio de Pedagogia (1907 ), Moral dos Jesuítas (1908 ).

Em 1908 publica o livro de poesias Hélicon e inicia a publicação do periódico Myrto e Acácia.

Era extremamente bem querido por seus alunos, onde sua oratória, desprovida de retóricas, era apaixonante.

Funda o Instituto Neo-Pitagórico em 1909 , onde constrói um fabuloso e helenístico “Templo das Musas” (1918 ), procurando reviver a magna Grécia, tendo publicado no ano anterior os estatutos da Sociedade Neo-Pitagórica. Suas Celebrações Místicas se deram entre as Colunas do mesmo, atraindo inúmeros Iniciados e admiradores.

Ali funda sua Tipografia (em 1911 , de nome Tipografia Crótona Vellozo & Filhos), na qual edita seus livros e anais de estudos dos alunos de seu Instituto. Este ano é fundamental como divisor de águas para Dario Vellozo. Além da coroação de Emiliano Pernetta como o mais célebre poeta de Curitiba, inicia-se a Celebração do Equinócio (juntamente com seus alunos do Ginásio Paranaense) com a festa de Clóris e a festa de Ceres: Delfos e Elêusis erguendo cânticos à Fraternidade.

Inicia numerosos intelectuais (não só brasileiros) em sua Sociedade. João Itiberê da Cunha (autor Simbolista, que iniciou inúmeros autores de Curitiba nesta veia literária, tendo feito parte do movimento original francês, amigo de Maurice Maeterlinck – Simbolista belga – e que lança seu début em francês, o ótimo Préludes), que o inicia verdadeiramente nos estudos simbólicos no último decênio do século XIX, deu origem à um apaixonado discípulo.

Em 1919 funda um ramo da Sociedade Teosófica em Curitiba, de Blavatsky, chamado Loja Teosófica Nova Crótona.

Em 1920 publica os livros O Habitat e a Integridade Nacional e, em homenagem à morte de seu filho menor, O Livro de Alir.

Em 1921 , Tasso da Silveira (seu ex-aluno no Ginásio Paranaense e filho de Silveira Netto, um dos fundadores do grupo do Cenáculo) irá publicar um livro em sua homenagem intitulado: Dario Vellozo: Perfil Espiritual.

Em 1922, com o centenário da Independência, temos a publicação (por Dario Vellozo) das obras: Horto de Lisis, Símbolos e Miragens, Missão Social do Brasil, O Brasil e o Ideal Pitagórico.

Em 1923 ele e seus alunos passam a editar uma coluna no Jornal Gazeta do Povo, de nome Coluna Dórica. Neste mesmo ano tem publicado seu livro No Limiar da Paz.

Em 1929 reúne poesias suas publicadas entre 1892 e 1929 (fase Simbolista) e publica o ótimo Cinerário.

Em 1931 é inaugurado o periódico A Lâmpada, de seu Instituto.

Em 1932 afasta-se do magistério. Daí trata de escrever Atlântida, finalizada em 1933 mas somente publicada (post -mortem) em 1938

Sua última obra publicada em vida chamava-se Jesus Pitagórico e fora publicada em 1936 , quando já se encontrava enfermo.

Postumamente, foram publicadas as obras inéditas (além de Atlântida): Fogo Sagrado (1941 ), Psiquê e Flauta Rústica e, numa reunião do Instituto Neo Pitagórico (em três volumes): Obra Completa (1979 ), com um quarto volume lançado em 1975

Cabe salientar aqui que, até sua morte em 28 de Setembro de 1937 , Dario Vellozo permaneceu um eterno e admirável Simbolista, tornou-se um pagão de primeira linha ao tentar reviver entre seus convíveres a inigualável Grécia e seus cultos.

Tão admirável persona teve seu enterro seguido de grandioso cortejo que, passando pelos bairros pobres da cidade de Curitiba, teve uma multidão a seguir e a celebrar a morte do mais formidável poeta, professor e visionário aparecido por terras curitibanas…

Fontes:
– MURICY, Andrade. Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro, vol. 01. SP: Perspectiva, 1987.
O Caminho da Serpente (Rubens Malcher Pinho)

1 comentário

Arquivado em Biografia, Paraná

Benjamin Silva (Caldeirão Literário do Espírito Santo)

ESCADA DA VIDA

Julguei da vida haver galgado a escada,
essa escada de mármore polido,
que nos conduz à estância desejada
de um grande bem, raríssimo atingido.

Hoje vejo, porém, que quase nada
consegui, afinal, haver subido:
—ficou-me longe o termo da jornada
em que eu exausto me quedei vencido.

Pelos desvãos da escada mal me erguendo,
já sem noção e sem fé que anima,
nem sei se vou subindo ou vou descendo…

Por isso os seus extremos jamais acho:
—vejo degraus, olhando para cima,
vejo degraus — olhando para baixo!

(Escada da Vida, 1938)

CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM

Prisioneira feliz mas condenada
por leis irredutíveis e absolutas
a viveres assim encarceirada
nesta cadeia de montanhas brutas.

Mas que importa se é esplêndida a morada!
Pois daqui tudo vês e tudo escutas;

E o Itabira te guarda e te vigia,
como se fosse eterna sentinela
—carcereiro que vela noite e dia.

Tudo, afinal, te rende um justo preito,
Enquanto um claro rio tagarela
Rola, cantando, dentro de teu peito.

(Escada da Vida, 1938)
–––––––––––––-

Benjamin Silva (1886-1954)

Nasceu na Fazenda de São Quirino, distrito de Castelo, no então município de Cachoeiro de Itapemirim, a 20 de julho de 1886. Faleceu no Rio de janeiro, a 10 de junho de 1954. Poeta e comerciário. Foi diretor dos Armazéns Gerais da Empresa Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde cedo dedicou-se à poesia. Colaborou em vários periódicos e desfrutou de prestígio nos meios literários de Cachoeiro de Itapemirim. Figura em várias antologias de poetas nacionais, com o soneto “O Frade e a Freira”, que se tornou um dos mais conhecidos da poesia espírito-santense.

OBRAS: “Escada da Vida”, 1938 (poesia), prefácio de Atílio Vivacqua e ilustrações de Santa Rosa.

Fonte:
BRASIL, Assis (organizador). A Poesia Espírito-Santense no Século XX. RJ: Imago; Vitória, ES: Secretaria de Estado de Cultura e Esportes, 1998.

Deixe um comentário

Arquivado em Caldeirão Literário, Espírito Santo, notas biográficas, Poesias

X Seminário de Estudos Literários (UNESP – São José do Rio Preto/SP)

Poéticas do Contemporâneo: diálogos e escrituras

Edição Comemorativa dos 30 Anos do Programa

13,14 e 15 de outubro de 2009.

O X SEMINÁRIO DE ESTUDOS LITERÁRIOS é uma realização já tradicional do Programa de Pós-Graduação em Letras do IBILCE/UNESP e tem como objetivo fomentar a discussão dos aspectos críticos e metodológicos dos projetos em desenvolvimento em nível de Mestrado e Doutorado, colaborando para a reflexão, por parte dos pós-graduandos, dos caminhos de pesquisa e dos diálogos pertinentes entre seus projetos e dos demais colegas.

O evento dirige-se a docentes, mestres, doutores, pós-graduandos e demais interessados que desenvolvem pesquisa em literatura, independente das linhas em que atuam em seus programas de origem.

A décima edição do evento, que ocorrerá nas dependências do IBILCE/UNESP, prevê em sua programação cinco conferências, sete mesas debatedoras, oito sessões de comunicação e uma sessão de painéis.

As conferências serão ministradas por pesquisadores e poetas com significativa produção artística e intelectual, que privilegiarão, como objeto de suas conferências, as várias manifestações da literatura contemporânea.

As sessões de comunicação, divididas nas Linhas de Pesquisa do Programa destinam-se aos trabalhos de Pós-Graduação – mestrado e doutorado – em estágio avançado de pesquisa, com conclusões parciais ou definitivas.

As mesas debatedoras formadas por docentes convidados compreendem a análise e o debate dos projetos de pesquisa de alunos de Pós-Graduação em Letras, níveis de mestrado e doutorado, em estágio inicial de desenvolvimento.

A sessão de painéis configura-se em espaço reservado a alunos de Graduação, para apresentação de trabalhos provenientes de Iniciação Científica.

PROGRAMAÇÃO

Dia 13 de outubro de 2009

08h00 Entrega de material e últimas inscrições

09h00 Abertura Oficial

09h30 Café

10h00 CONFERÊNCIA 1: Possibilidades e impasses da ficção brasileira contemporânea – Profa. Dra. Beatriz Resende (UFRJ)

14h00 MESAS DEBATEDORAS 1 e 2

16h00 Café

16h30 CONFERÊNCIA 2: Literatura e ética: o foco na alteridade – Profa. Dra. Lilian Jacoto (USP)

18h30 PAINÉIS

Dia 14 de outubro de 2009

8h00 SESSÕES DE COMUNICAÇÃO

9h30 Café

10h00 CONFERÊNCIA 3: Da teoria como vanguarda tardia Prof. Dr. Fábio Akcelrud Durão (UNICAMP)

14h00 MESAS DEBATEDORAS 3 e 4

16h00 CAFÉ

16h30 CONFERÊNCIA 4: A multiplicidade da poesia brasileira no contexto pós-utópico Poeta e Prof. Marcelo Tápia Fernandes (Diretor da Casa Guilherme de Almeida – SP)

18h30 Coquetel e Lançamento de livros

Dia 15 de outubro de 2009

8h00 SESSÕES DE COMUNICAÇÃO

9h30 Café

10h CONFERÊNCIA 5: Corpo e memória na lírica contemporânea: a poesia de Fabrício Corsaletti – Profa. Dra. Elaine Cintra (UFU)

14h00 MESAS DEBATEDORAS 5 e 6

16h Café

16h30 Assembléia geral

DATAS IMPORTANTES

De 07/07/09 a 14/08/09
Submissão de projetos para mesas debatedoras e resumos para comunicações e painéis.

Em 01/09/09
Divulgação de aceite das propostas.

De 01/09 a 19/09/09
Período de inscrições (com apresentação de trabalho).

Modalidades de participação:
Para qualquer modalidade de participação a taxa de inscrição é de R$20,00.

apresentação de projeto em mesa debatedora
(exclusiva para ingressantes do Programa de Pós-Graduação em Letras)

apresentação em sessão de comunicação
(exclusiva para alunos de pós-graduação, com pesquisa em andamento)

apresentação de painel
(exclusiva para alunos de graduação)

De 01/09 a 13/10/09

Período inscrições para ouvintes.

Para qualquer modalidade de participação a taxa de inscrição é de R$20,00.

Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE/UNESP
Rua Cristóvão Colombo, 2265
São José do Rio Preto – SP
15054-000

Informações: www.eventos.ibilce.unesp.br/sel

REALIZAÇÃO:
Programa de Pós-Graduação em Letras

IBILCE/UNESP
Fonte:
Comissão Organizadora

Deixe um comentário

Arquivado em Apresentação, Debates, Eventos, Painéis, Palestras, Seminários

Expressões Redundantes

Ocorre redundância quando, numa frase, repete-se uma idéia já contida num termo anteriormente expresso. Assim, as construções redundantes são aquelas que trazem informações desnecessárias, que nada acrescentam à compreensão das mensagens. No dia-a-dia, muitas pessoas utilizam tais expressões sem perceber que, na verdade, são inadequadas. Veja a seguir frases com expressões redundantes freqüentemente utilizadas:

“Eu e minha irmã repartimos o chocolate em METADES IGUAIS.”
Ao dividir algo pela metade, as duas partes só podem ser “iguais”!

“O casal ENCAROU DE FRENTE todas as acusações.”
Seria possível que eles encarassem “de trás”?

“A modelo ESTREOU seu vestido NOVO.”
Seria possível que ela estreasse um vestido “velho”?

“Adoro tomar CANJA DE GALINHA.”
Se é canja que você toma, só pode ser “de galinha”!

“O estado EXPORTOU PARA FORA menos calçados este ano.”
E como ele poderia fazer para exportar para “dentro”?

“Quando AMANHECEU O DIA, o sol brilhava forte.”
Você já viu amanhecer a “noite”?

“Tiradentes teve sua CABEÇA DECAPITADA.”
Alguém já viu um “pé” ser decapitado? Decapitação só existe da cabeça mesmo!

“A criança sofreu uma HEMORRAGIA DE SANGUE e foi parar no hospital.”
Todas as hemorragias são “de sangue”!

“HÁ muito tempo ATRÁS fui à Portugal.”
A forma verbal há já indica que o tempo é no passado.

“Ela é LOUCA DA CABEÇA!”
Você já viu algum louco do “pé”?

“O rapaz se INFILTROU DENTRO da festa sem ser convidado.”
O verbo infiltrar já indica “para dentro”.

“Pessoal, não vamos ADIAR PARA DEPOIS esta reunião!”
O verbo adiar já indica que é “para depois”.

“Será que tenho OUTRA ALTERNATIVA?”
A palavra alternativa significa “outra opção”. A forma correta seria: “Será que tenho alternativa?”

“Eu e meu marido CONVIVEMOS JUNTOS durante dois anos.”
O verbo conviver já expressa a idéia de “viver com”, “junto”. “A professora ACRESCENTOU

MAIS UMA idéia ao projeto.”
Será que ela poderia acrescentar “menos” uma idéia?

Fonte:So Portugues

Deixe um comentário

Arquivado em O nosso português de cada dia

Reforma Ortográfica III (Guia Prático)

2 – ACENTO DIFERENCIAL

O acento diferencial é utilizado para auxiliar na identificação de palavras homófonas (que possuem a mesma pronúncia). Com o acordo ortográfico, ele deixará de existir nos seguintes casos: pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.

Observe os exemplos:
Ela não pára de dançar.
Ela não para de dançar.

A mãe péla o bebê para dar-lhe banho.
A mãe pela o bebê para dar-lhe banho.

Este é o pólo norte.
Este é o polo norte.

Os garotos gostam de jogar pólo.
Os garotos gostam de jogar polo.

Meu gato tem pêlos brancos.
Meu gato tem pelos brancos.

A menina trouxe pêra de lanche.
A menina trouxe pera de lanche.

Atenção: existem duas palavras que continuarão recebendo acento diferencial:

pôr (verbo) -> para não ser confundido com a preposição por.

pôde (verbo poder conjugado no passado) -> para que não seja confundido com pode (forma conjugada no presente).

3 – ACENTO CIRCUNFLEXO

O acento circunflexo deixará de ser utilizado nos seguintes casos:
a) Em palavras com terminação ôo. Veja:
enjôo -> enjoo
vôo -> voo
magôo -> magoo

Mais exemplos: abençoo (abençoar) , coo (coar), coroo (coroar), doo (doar), moo (moer), perdoo (perdoar), povoo (povoar), voos (plural de voo), zoo (zoar).

b) Nas terminações êem, que ocorrem nas formas conjugadas da terceira pessoa do plural dos verbos ler, dar, ver, crer e seus derivados. Veja o exemplo abaixo:

Eles lêem. -> Eles leem.

Mais exemplos:
creem, deem, veem, descreem, releem, reveem.

Atenção: os verbos ter e vir (e seus derivados) continuam sendo acentuados na terceira pessoa do plural.

Eles têm três filhos.
Eles detêm o poder.
Eles vêm para a festa de sábado.
Eles intervêm na economia.
——————–
continua… na próxima, Trema, Alfabeto e Hífen
——————–
Fonte:
So Portugues

Deixe um comentário

Arquivado em Curiosidades de Nossa Língua, Reforma Ortográfica

Trova XLIX

Deixe um comentário

22 de julho de 2009 · 23:19

Ramsés Ramos (Caldeirão Poético do Piauí)

HAY KAI DA ESPERA
(ao mário quintana)

enquanto você
guarda e aguarda
eu aguardente
(Teresina,02.09.87)

HAI-KAI DO AMANHECER

a ponta do dia
feria o horizonte:
amanhecia …
(1987)

SAUDADE ME BOTOU NA PAREDE

— há de chorar

mas eu sei que a rede
em que me reparto
é um banquete raro
tanto fino quanto farto

saudade triscou no gatilho
— impossível não prantear

mas eu sinto que o ato
entre o partir e o ficar
é o fico, não o parto

SAUDADE REMOÇO MEUS DESERTOS

— hei de carpir

mas eu vejo que a lei
de que é feito meu império
pertence à fina grei
do eterno mistério
(Brasília, 17.7.94)

SETE PECADOS DO AMOR

o melhor amor é o que não faz alarde
(mar como arde)
ao melhor amor nunca se esquece
(mas quem merece?)
melhor amor sempre tem dinheiro
(onde, o banqueiro?)
o melhor amor é desinteressado
(todo mundo é culpado!)
melhor amor jamais atraiçoa
(desse se caçoa)
o melhor amor te amará eternamente
(quanto se mente!)
o melhor amor, enfim, de tudo abdica
(esse, com quem fica?)
––––––––––––––––

Ramsés Ramos (1962-1998)
Nasceu em Teresina, Piauí, descendente de família de músicos. Viveu em Brasília e trabalhou nas Nações Unidas, como chefe do Cerimonial e de Relações Internacionais. Viveu também na Tchecoeslováquia e na Espanha. Faleceu na Rússia.

Lançou seis livros de poesia: Dois Gumes (1981), com Rosário Miranda; Envelope de Poesia (coletivo); Dança do Caos (1981), com Kenard Kruel, Eduardo Lopes, William Melo Soares e Zé Magão; Percurso do Verbo (1987); Baião de Todos (coletivo, 1996); e Poemas da Paixão (Praga, 1992).
––––––––––––––
Fonte:
Antonio Miranda
– TAVARES, Zózimo. Sociedade dos Poetas Trágicos. Vida e obra de 10 poetas piauienses que morreram jovens. 2 ed. Teresina, Piauí: Gráfica do Povo, 2004.

Deixe um comentário

Arquivado em haicais, notas biográficas, Piauí, Poesias

Reforma Ortográfica II (Guia Prático)

1 – ACENTO AGUDO

O acento agudo desaparecerá em três casos:

a) Nos ditongos (encontros de duas vogais proferidas em uma só sílaba) abertos ei e oi das palavras paroxítonas (aquelas cuja sílaba pronunciada com mais intensidade é a penúltima).

Exemplos:
idéia -> ideia geléia -> geleia bóia -> boia jibóia -> jiboia

Mais exemplos:
alcateia, assembleia, asteroide, celuloide, colmeia, Coreia, epopeia, estreia, heroico, joia, odisseia, paranoia, plateia, etc.

Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam sendo acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis.
Exemplos:
papéis, herói, heróis, troféu, troféus, chapéu, chapéus, anéis, dói, céu, ilhéu.

Exemplos:
Papéis chapéus troféu

b) Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos formando hiato (sequência de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes), quando vierem após um ditongo. Veja:
baiúca -> baiuca
bocaiúva -> bocaiuva
feiúra -> feiura

Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou
seguidos de s), o acento permanece.
Exemplos: tuiuiú, Piauí.

c) Nas formas verbais que possuem o u tônico precedido das letras g ou q e seguido de e ou i. Esses casos ocorrem apenas nas formas verbais de arguir e redarguir. Observe:

argúis -> arguis
argúem -> arguem
redargúis -> redarguis
redargúem -> redarguem
—————-
continua…Acento diferencial e acento circunflexo
—————-
Fonte:
So Portugues

Deixe um comentário

Arquivado em Curiosidades de Nossa Língua, Reforma Ortográfica

I Bienal do Livro de Curitiba

“Cultura, educação e meio ambiente”. Este será o tema da 1º Bienal Internacional do Livro de Curitiba que acontecerá entre os dias 27 de agosto e 4 de setembro na capital paranaense. A informação foi confirmada na manhã desta quinta-feira (4 de junho) pelo dramaturgo e curador do evento Alcione Araújo. A expectativa da organização é fazer com que Curitiba se consolide no mundo literário e conquiste público com o mote natureza.

A Bienal de Curitiba quer evitar erros que marcaram o passado de eventos literários curitibanos. “Soube de tentativas que não deram certo, mas desta vez teremos características da cidade para conquistar o público”, comentou Araújo sobre a falta de continuidade em eventos deste tipo, como a feira de livros a céu aberto da Praça Osório, interrompida em 2007. “O meio ambiente é um tema atual e aproxima o evento da realidade que vivemos.”

Porém, na prática, pouco pode ser confirmado sobre o evento. O que se sabe até agora é a ideia de aliar literatura, teatro e música com assuntos relacionados a natureza. Já entre os escritores confirmados estão Cristóvão Tezza, Miguel Sanches Neto e Domingos Pellegrini, entre outros. “Não quero me comprometer com nomes”. A cautela é para evitar futuros anúncios de cancelamento e constrangimento entre o público.

Claro que um evento deste tipo em Curitiba terá escritores paranaenses. Mesmo sabendo que o mais conhecido de todos não fala nem com o vizinho”, brincou Araújo sobre o escritor Dalton Trevisan.

Programação

A agenda do evento prevê a realização de palestras, oficinas de criação de texto, sessão de autógrafos, lançamentos editoriais, cafés literários e atividades paralelas que englobem o tema meio ambiente. A organização quer aliar dança hip hop e apresentações teatrais com atividades literárias durante os nove dias de Bienal. Além disso, atrações ao público infantil terão espaço na programação, assim como mesas-redondas para discutir a escrita literária na internet.

Para Araújo, a 1º Bienal Internacional do Livro de Curitiba vai trazer questões já utilizadas em outros eventos nacionais deste porte, como a questão comercial de livros, porém não será um grande balcão de negócios. “Queremos qualidade literária, assim como de público”, afirmou o curador.

A organização do evento está investindo R$ 1 milhão no projeto. Estima-se que 400 mil pessoas, entre visitantes, escritores e expositores, passem pelo espaço da ExpoUnimed Curitiba, dentro do campus da Universidade Positivo. O número total de estandes de produtos e serviços pode alcançar a marca de 260. A dois meses de ser realizado, o evento conta com o apoio da secretaria de cultura do estado e da prefeitura de Curitiba.

OBJETIVOS

O gosto pela leitura é algo que deve ser plantado em todas as crianças. Isso pode fazer o mundo ficar muito melhor por consequência de cultura e de conhecimentos que é possível obter apenas lendo. Muitas viagens e também muitas estórias podem ser vividas em palavras, mexendo com a criatividade de cada um, sendo que este é o principal objetivo da Bienal do livro em Curitiba 2009.

– Estimular a leitura entre o público, principalmente os jovens;
– Incentivar a formação de um público mais crítico e com maior interesse cultural;
– Despertar a participação do público nas discussões;
– Encorajar a criação literária;
– Ser palco de intercâmbio cultural entre os visitantes e participantes;
– Estimular o turismo cultural na capital paranaense.

ESTRUTURA

Será realizada no Expo Unimed Curitiba, a 15 minutos do centro da cidade. Contará com uma estrutura de 8365 m2, sendo 2241 m2 reservados para a exposição. O local conta com recursos audiovisuais, internet, wi-fi de alta velocidade, central telefonica digital e gerador próprio.

SERVIÇO

I BIENAL DO LIVRO DE CURITIBA

27 DE AGOSTO A 04 DE SETYEMRO DE 2009

LOCAL : EXPO UNIMED CURITIBA

Informações: (41) 3340-4300
Curador do evento: Alcione Araújo, escritor, dramaturgo e filósofo.

Escritores confirmados: Cristóvão Tezza, Moacyr Scliar, Domingos Pelegrini, Miguel Sanches Neto, Pedro Bandeira, Fabrício Carpinejar, Isabel Parolin, Ernani Buckmann, Julio Emilio Braz, Fernando Meligeni, André Kfuri, Ilana Casoy, Rodrigo Rodrigues, Carla Góes Sallet, Marilia Pêra, Gabriel Chalita, Leo Lins, Renato Domingos, João Carlos Martins, Sergio Klain, entre outros, além dos escritores paranaenses.

Programação: Mesas de debates, cursos, atividades infanto-juvenis, seminário, lançamento de livros, sessão de autógrafos, visitação escolar, entre outras.

Mesas de Debates :

O ROMANCE MORREU, VIVA O ROMANCE.
Carlos Heitor Cony (RJ) / Moacyr Scliar (RS) / Nelson Vieira (USA)

VERSO, REVERSO, TRANSVERSO: AINDA SE OUVE O ECOPOÉTICO QUE HOUVE?
Ivan Junqueira / Antônio Cícero / Antonio Carlos Secchin

FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS: O REAL E A INVENÇÃO DO ROMANCE
Cristovão Tezza (PR) / Raimundo Carrero (PE) / João Gilberto Noll (RS).

NOVO MILÊNIO, NOVO LEITOR, INOVA A LITERATURA?
Domingos Pellegrini / Clarah Averbuck / Carlos Herculano Lopes.

BIOGRAFIAS: VIDA PRIVADA PÚBLICA, BISBILHOTICE, MARKETING, EXEMPLO OU HISTÓRIA?
Fernando Morais / Marília Pera / Ruy Castro

LITERATURA EM PERIGO: OBRAS OU CRÍTICOS? OU: TODOROV UMA OVA!
Regina Zilberman – (RS) / Miguel Sanches Neto – (PR) / Wander Melo Miranda – (MG)

O TEMPO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS TEM FUTURO? ( ainda confirmando mais um nome)
Marina Silva / Leonardo Boff

EXPOSITORES CONFIRMADOS:

Barsa Planeta Internac. Ltda.
Base Editora e Gerenciamento Pedagógico Ltda.
Ediçoes Rosari Ltda
Editora Escala Ltda
Editorial Bonsai
Editorial Duetto
Embrapa Livraria
Federação Espirita do Parana
Fundação Alexandre de Gusmão
Livraria Francesa – Soc. Inter. Franco Brasil.
Livrarias Paulinas
Pilbra
Sbs Special Book Services Livraria Ltda
Proinfanti Editora
Editora Casa Amarela Ltda /Ver. Caros Amigos
Direcional Educadora
W Lima e Crespo Comercio Repres. de Livros Ltda( Abril)
Fnac
Editora Saraiva – Curitiba
Editora Universidade Estadual de Ponta Grossa
Editora Minuano
Editora Ftd S/A
Casa Publicadora das Assembléias de Deus
Editora Fundamento
Editora Positivo Ltda.
Editora Nossa Cultura
As 3 Comércio E Distribuidora Ltda(Editora Três)
Edelbra Editora Ltda
Associação dos Divulgadores do Espiritismo No Paraná
Top Livros
Secretaria de Estado da Cultura
Secretaria de Estado da Educação
Secretaria de Estado do Meio Ambiente
Itaipu Binacional
Editora Mediação
Seicho No Ie
Biblioteca Pública do Paraná
Top Livros
Editora Emergir
Universo de Livros
Editora Digerati
Brasil Comercial de Livros e Revistas
Galerias de Livros
Livros Canetas e Cia
Editora Inspiração
Editora Centauro
Jc Livros
Editora Senado

Fontes:
– Panfleto informativo sobre a Bienal
– Aldrin Cordeiro. Curitiba terá Bienal do Livro em agosto; meio ambiente é o tema. Gazeta do Povo. Caderno G. 4 de junho de 2009.
Portal Literal

Deixe um comentário

Arquivado em Bienal do Livro, Curitiba, Eventos, Palestras

Trova XLVIII

Desenho do Submundo Mamão

Deixe um comentário

Arquivado em Balaio de Trovas, Rio de Janeiro em Trovas

Basílio da Gama (trecho de O Uraguai)

(Trecho do Canto IV, onde é narrada a morte de Lindóia. A índia, angustiada com a morte de Cacambo, “entrar no jardim triste e chorosa”, “cansada de viver”, é encontrada por seu irmão, Caitutu, adormecida, tendo enrolada em seu corpo uma verde serpente venenosa.)

“…….. Mais de perto
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.
Fogem de a ver assim, sobressaltados,
E param cheios de temor ao longe;
E nem se atrevem a chamá-la, e temem
Que desperte assustada, e irrite o monstro,
E fuja, e quem apresse no fugir a mortes
Porém o destro Caitutu, que treme
Do perigo da irmã, sem mais demora
Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes
Soltar o tiro, e vacilou três vezes
Entre a ira e o temor. Enfim sacode
O arco faz voar a aguda seta,
Que toca o peito da Lindóia, e fere
A serpente na testa, e a boca e os dentes
Deixou cravados no vizinho tronco.
Açouta o campo côa ligeira cauda
O irado monstro, e em tortuosos giros
Se enrosca no cipreste, e verte envolto
Em negro sangue o lívido veneno.
Leva nos braços a infeliz Lindóia
O desgraçado irmão, que ao despertá-la
Conhece, com que dor! No frio rosto
Os sinais do veneno, e vê ferido
Pelo dente sutil o brando peito.
Os olhos, em que amor reinava, um dia,
Cheios de morte, e muda aquela língua
Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes
Contou a larga história dos seus males.
Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,
E rompe em profundíssimos suspiros,
Lendo na testa da fronteira gruta
De sua mão já trêmula gravado
O alheio crime e a voluntária morte.
E por todas as partes repetido
O suspirado nome de Cacambo.
Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado e triste,
Que aos corações mais duros enternece.
Tanto era bela, no seu rosto a morte!”
—–

Fonte:
Gama, Basílio da. O Uraguai. 2ª ed. Rio de janeiro, Agir, 1972.

Deixe um comentário

Arquivado em O poeta no papel, Poesia

Basílio da Gama (1741 – 1795)

José Basílio da Gama nasceu em São José do Rio das Mortes (hoje Tiradentes), em 1741, e morreu em Lisboa, em 1795. Foi um bom poeta, admirado, principalmente, pelos autores românticos que viriam depois dele. Sua vida ilustra bem as relações que podem existir entre poesia e o poder. Basílio da Gama estudou no Brasil com os jesuítas até 1759, quando os jesuítas foram expulsos. Em 1768, em Lisboa, foi preso e condenado ao degredo em Angola por jesuitismo. Na prisão, mudou de idéia e passou para o lado do Marquês de Pombal. Livra-se da prisão e do degredo, dedicando seu poema O Uraguai ao Marquês de Pombal. Em O Uraguai, Basílio da Gama critica os jesuítas e defende a política de Pombal – tornando-se seu secretário. Apesar de ser considerado um bom poeta, é difícil escrever uma obra-prima quando se tem, como grande preocupação, propagandear idéias e levando bandeiras. As obras-primas podem até ser construídas em cima de uma ideologia, mas isto se limita a ser apenas um pano de fundo, não a preocupação primeira, como é o caso d’O Uraguai, de Basílio da Gama.

O Uraguai é um poema épico em que se percebeu algumas inovações, quebrando, assim, a estrutura camoniana. Essa, aliás, pode ser considerada, também, uma qualidade do poeta, que, exercendo sua liberdade criadora, conseguiu escrever uma obra de fôlego e com elegância poética.

As inovações praticadas por Basílio da Gama foram:

1. Escolha de um tema não adequado ao gênero épico por ser pouco grandioso e contemporâneo do autor. O tema histórico narra parte das guerras entre portugueses e espanhóis contra os índios guaranis dos Sete Povos das Missões, instigados pelos jesuítas. A responsabilidade da guerra coube toda aos jesuítas.

O motivo da guerra foi a determinação do Tratado de Madre (1750) para que os Sete Povos das Missões, liderados por jesuítas espanhóis, deixassem as terras do Rio Grande do Sul (pertencentes aos portugueses) e fossem para o Uruguai (terras pertencentes aos espanhóis), onde estavam instalados índios liderados por jesuítas portugueses. Em outras palavras: o tratado ordenava que fizessem uma troca, ficando os jesuítas espanhóis em terras dos espanhóis e os portugueses em terras dos portugueses. Como é natural, a ordem não agradou nem aos jesuítas nem aos índios, que, assim, iniciaram uma guerra em que as tropas dos portugueses e espanhóis liquidaram os povos indígenas no primeiro banho de sangue da América Latina.

2. A construção do poema em versos decassílabos brancos, isto é, sem rimas.

3. A substituição das estrofes por cantos. O poema apresenta cinco cantos, os mesmos da divisão tradicional: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo. O poeta, no entanto, inicia o poema pela narração:

“Fumam ainda nas desertas praias
lagos de sangue tépidos, e impuros,
Em que ondeiam cadáveres despidos,
Pasto de corvos.”

“O Uraguai” é árcade apenas na forma escolhida (poesia épica) e na defesa dos ideais iluministas do Marquês de Pombal. São personagens do poema: Gomes Freire Andrada, herói português; Balda, o vilão, jesuíta caricaturizado; e os indígenas: Lindóia; Sepé; Tatu-Guaçu; Caitutu e Tanajura, a vidente.

Fonte:
MOURA, Josana e SANTOS, Eberth. Filosofia & Literatura. 2. ed. Uberlândia, MG: Claranto, 2004.(série Palavra em Ação)

Deixe um comentário

Arquivado em Biografia, Literatos

Washington Irving (Rip Van Winkle)

Pintura de John Howe
Quem quer que tenha subido pelo rio Hudson deve lembrar-se das montanhas Kaatskill, que se avistam ao longe. Cada mudança de estação e de tempo e cada hora do dia provocam alguma mudança nas cores e nos contornos mágicos dessas montanhas. Todas as boas esposas da região as tomam como barômetros, pois, de acordo com sua aparência, conseguem prever o tempo.

Ao pé dessas belas montanhas, o viajante pode avistar fumaça se erguendo lentamente de uma aldeia cujos telhados brilham por entre as árvores. É uma aldeia muito antiga, que foi fundada por algum colonizador holandês.

Nessa aldeia e em uma dessas casas (que, a bem da verdade, eram muito antigas e castigadas pelo mau tempo), vivia, há muitos anos, quando os Estados Unidos ainda eram uma província da Grã– Bretanha, um homem simples e bom chamado Rip Van Winkle. Era um vizinho exemplar e um marido obediente, completamente dominado pela mulher. Certamente devia a essa última circunstância a brandura de alma que lhe conquistava uma popularidade geral, pois são mais aptos a serem dóceis e conciliadores fora, esses homens que estão sob a disciplina de uma víbora dentro de casa.

Rip Van Winkle era o grande favorito entre todas as boas esposas da aldeia; as crianças também gritavam de alegria sempre que ele se aproximava. Assistia a seus jogos, fabricava seus brinquedos, ensinava-lhes a soltar pipa e atirar bolinhas de gude e lhes contava longas histórias de fantasmas, bruxas e índios. Aonde quer que ele fosse, era cercado por um bando deles, pendurando-se nas suas roupas, subindo às suas costas e lhe pregando mil peças impunemente. Nem um cachorro sequer, em toda a redondeza, latia para ele.

O grande defeito de caráter de Rip era uma insuperável aversão a qualquer tipo de trabalho útil. Não era falta de assiduidade ou perseverança, pois ele seria capaz de sentar numa rocha úmida, com uma vara, e ficar pescando o dia todo, sem uma queixa, mesmo que sua isca não fosse mordida nem uma só vez. Carregaria ao ombro sua espingarda por horas seguidas, caminhando por bosques e pântanos, subindo e descendo morros, para atirar em alguns poucos esquilos ou pombas selvagens. Jamais se recusaria a ajudar um vizinho, mesmo nas tarefas mais duras. As mulheres da aldeia, também, tinham o costume de recorrer a ele para pequenos serviços que seus maridos menos prestativos não fariam por elas. Numa palavra, Rip estava sempre pronto para cuidar dos negócios de quem quer que fosse, exceto dos dele próprio. Mas cumprir os deveres para com a família e manter sua fazenda em ordem, ele achava impossível.

De fato, dizia que não adiantava nada trabalhar em sua fazenda: era o pior pedaço de terra de toda a região. Tudo ali dava errado e daria errado apesar dele. Suas cercas estavam sempre caindo aos pedaços; sua vaca sempre se perdia ou ia parar na plantação de couve. A erva-daninha certamente crescia mais rápido em suas terras do que em nenhum outro lugar. A chuva fazia questão de cair exatamente quando ele tinha algum trabalho para fazer ao ar livre. Assim, a propriedade que herdara do pai, diminuindo até ficar reduzida a pouco mais que um simples terreno com milho e batatas, era a fazenda em piores condições de toda a redondeza. Seus filhos também andavam maltrapilhos e selvagens como se não tivessem pais. Seu filho Rip, um moleque igualzinho a ele, fazia prever que ia herdar-lhe os hábitos, junto com as suas roupas velhas. Viam-no geralmente correndo como um potro atrás da mãe, vestido com um velho par de calças do pai, que ele tinha muita dificuldade em segurar com uma mão.

Rip Van Winkle, porém, era um desses felizes mortais bemhumorados, sempre de bem com a vida, comendo pão branco ou preto: o que se pudesse conseguir com menor esforço ou dificuldade. Preferia definhar com um centavo a trabalhar por uma libra. Se deixado a si mesmo, ele teria passado a vida a assobiar, com perfeita satisfação; mas sua mulher vivia resmungando nos seus ouvidos sobre sua preguiça, sua negligência e a ruína a que ele estava levando sua família. De manhã, à tarde e à noite, sua língua estava em ação sem trégua, reclamando de tudo o que ele dizia ou fazia. Rip só tinha um modo de responder: encolhia os ombros, balançava a cabeça, erguia os olhos, mas não dizia nada. Isso, porém, provocava uma nova enxurrada de queixas e só lhe restava, então, ir para fora de casa — o único lugar que realmente pertence a um marido dominado pela esposa.

O único a tomar partido de Rip em seu lar era seu cachorro Wolf, tão tiranizado pela Senhora Van Winkle quanto seu dono, pois aquela os via como companheiros de preguiça e olhava torto
para Wolf como se ele fosse a causa das perambulagens freqüentes do marido. A verdade é que Wolf era, sob todos os aspectos, um cachorro digno; era corajoso — mas que coragem podia enfrentar os constantes e esmagadores ataques de uma língua de mulher? Assim que Wolf entrava na casa, baixava a crista, com o rabo entre as pernas, olhando atentamente para a senhora Van Winkle. Ao primeiro sacudir de um cabo de vassoura ou de uma concha, saía correndo para a porta, latindo.

Foi ficando pior para Rip Van Winkle com o passar dos anos de casamento. Um temperamento azedo jamais se abranda com o tempo, e uma língua afiada é o único instrumento cortante que se torna mais agudo com o uso constante. Por muito tempo, ele costumava consolar-se, ao ser expulso de casa, freqüentando uma espécie de clube dos sábios, filósofos e outros personagens preguiçosos da aldeia. Suas sessões ocorriam num banco na frente de uma pequena pousada. Ali costumavam se sentar à sombra, durante um longo e preguiçoso dia de verão, conversando distraidamente sobre mexericos da aldeia ou contando histórias intermináveis e tediosas sobre coisa nenhuma. Se lhes caía nas mãos algum jornal deixado por um viajante de passagem, era lido arrastadamente por Derrick Van Bummel, o mestre-escola, um homenzinho vivo e instruído, que não se deixava assustar pela palavra mais gigantesca do dicionário. Como deliberavam sabiamente sobre acontecimentos públicos alguns meses depois
que eles tinham ocorrido!

As opiniões dessa liga eram totalmente controladas por Nicholas Vedder, um patriarca da aldeia e dono da pousada, a cuja porta ele permanecia sentado de manhã até a noite, só se movendo para evitar o sol e continuar sob a sombra de uma grande árvore. Assim, os vizinhos podiam saber que horas eram a partir de seus movimentos, de uma forma tão precisa quanto consultando um relógio de sol. É verdade que raramente escutavam-no a falar, mas fumava seu cachimbo sem parar. Seus partidários, porém, compreendiam-no perfeitamente o que ia pela sua cabeça, de acordo com o modo como ele fumava.

Mas até mesmo desse refúgio o desafortunado Rip foi por fim expulso pela megera da sua esposa, que irrompeu de repente na tranqüilidade da assembléia e chamou todos os seus membros de inúteis. Nem aquela venerável personagem, o próprio Nicholas Vedder, foi poupado da língua atrevida dessa terrível víbora, que o acusava de encorajar os hábitos preguiçosos do marido.

O pobre Rip se viu por fim quase reduzido ao desespero; e sua única alternativa para escapar do trabalho da fazenda e da gritaria da mulher era pegar sua espingarda e perambular pelas florestas. Aqui ele algumas vezes se sentava ao pé de uma árvore e dividia o conteúdo de sua bolsa com Wolf, com quem simpatizava como um companheiro de sofrimento. “Pobre Wolf”, dizia, “sua dona dá a você uma vida de cão, mas não se preocupe, meu amigo: enquanto eu viver, você nunca sentirá falta de um companheiro para ficar a seu lado!” Wolf abanava o rabo, olhava atentamente para o rosto do seu dono e, se cães podem sentir piedade, eu acredito realmente que ele demonstrava os mesmos sentimentos do dono com todo seu coração.

Numa dessas longas andanças, num belo dia de outono, tinha escalado, sem dar por isso, uma das partes mais altas das montanhas Kaatskill. Estava entretido em seu esporte favorito — caçar esquilos, e a solidão silenciosa das rochas tinha ecoado repetidamente os estampidos de sua espingarda. Ofegante e cansado, lançou-se sobre uma colina verde, à beira de um precipício. De uma abertura entre as árvores ele podia avistar toda a região mais abaixo, a grande distância. Viu o altivo Hudson, longe, longe, movendo-se em seu curso silencioso mas majestoso.

Do outro lado, avistou um vale profundo, selvagem, solitário e eriçado; o fundo estava repleto de pedaços de rochas e escassamente iluminado pelos reflexos do sol poente. Por algum tempo Rip permaneceu ali, deitado, meditando sobre aquela cena. A noite estava avançando pouco a pouco. As montanhas começavam a lançar suas sombras azuis sobre os vales. Ele viu que escureceria muito antes de poder chegar à aldeia e suspirou profundamente ao pensar nas ameaças da Senhora Van Winkle que ele teria de enfrentar.

A ponto de descer, ouviu uma voz chamando-o: “Rip Van Winkle! Rip Van Winkle!” Olhou ao redor, mas não conseguiu ver nada além de um corvo num vôo solitário através da montanha. Pensou que sua imaginação o enganara e se preparou de novo para descer, quando ouviu o mesmo grito soar através do calmo ar da noite: “Rip Van Winkle! Rip Van Winkle!” No mesmo momento, Wolf eriçou os pêlos das costas e, dando um fraco rosnado, refugiou-se bem junto do dono, olhando assustado para o vale. Rip agora sentia uma vaga apreensão. Olhou ansiosamente na mesma direção e percebeu uma figura estranha escalando vagarosamente as rochas e curvada sob o peso de algo que carregava às costas. Ele ficou surpreso ao ver um ser humano naquele lugar solitário e deserto, mas julgando que era algum dos vizinhos precisando de sua ajuda, correu a oferecê-la.

Ao chegar mais perto, ficou ainda mais espantado com a singularidade da aparência do estranho. Era um velho baixo, de fartos cabelos eriçados e barba grisalha. Vestia-se à antiga moda holandesa, com uma jaqueta e vários calções. Carregava aos ombros um barril, que parecia cheio de licor, e fazia sinais a Rip para que ele se aproximasse e ajudasse com o fardo. Embora ressabiado e desconfiado dessa nova amizade, Rip o fez com sua presteza habitual. Ajudando-se um ao outro, subiram um barranco, que parecia o leito seco de uma corrente da montanha. Quando escalavam, Rip ouviu um barulho como que de um trovão distante. Parou por um momento, mas supondo que era um desses trovões que anunciam uma pancada de água, prosseguiu. Chegaram a uma cavidade que parecia um pequeno anfiteatro, cercado por precipícios e árvores. Durante todo o tempo, Rip e seu companheiro tinham subido a montanha em silêncio. Embora o primeiro se perguntasse admirado qual a razão de se carregar um barril de licor montanha acima, havia algo estranho e incompreensível no desconhecido que inspirava medo e impedia a intimidade da conversa.

Ao entrarem no anfiteatro, apareceram outros motivos de espanto. No centro havia um grupo de homens esquisitos jogando um antigo jogo de bola holandês. Vestiam, todos, roupas estranhas. Seus rostos, também, eram especiais. Um tinha uma grande barba, rosto cheio e olhinhos de porco. A face de um outro parecia consistir inteiramente num nariz, encimado por um chapéu branco com uma pena vermelha de galo. Todos tinham barba, de vários formatos e cores. Havia um que parecia ser o líder. Era um velho forte; tinha um chapéu com penas, meias vermelhas e sapatos de salto alto, com rosas. O grupo em seu conjunto lembrava a Rip as figuras de uma velha pintura flamenga, que ele vira na sala de Dominic Van Shaick, o vigário da aldeia, trazida da Holanda no tempo da colonização.

O que parecia particularmente estranho a Rip era que, embora aquelas pessoas estivessem se divertindo, mantinham no rosto uma expressão das mais sérias, o mais misterioso silêncio: era a diversão mais melancólica que ele já tinha testemunhado. Nada interrompia o silêncio da cena, exceto o ruído das bolas, que, ao rolar, ecoavam através das montanhas como barulho de trovão. Quando Rip e seu companheiro se aproximaram, eles de repente desistiram do seu jogo e o encararam com um olhar tão fixo de estátua e com rostos tão estranhos e sem vida, que seu coração disparou e seus joelhos se chocaram entre si. Seu companheiro esvaziava agora o conteúdo do barril em garrafões e fazia sinais para que ele servisse o grupo. Obedeceu com medo e tremendo; eles beberam o licor em profundo silêncio e retornaram ao jogo.

Pouco a pouco o medo e a apreensão de Rip diminuíram. Até se aventurou, quando nenhum olhar estava fixado nele, a saborear o licor, que tinha o gosto das melhores bebidas holandesas. Era, por natureza, uma alma sedenta e logo se viu tentado a repetir a dose. Um gole leva a outro, e ele repetiu suas visitas ao garrafão tantas vezes que, por fim, seus sentidos se enfraqueceram, seus olhos se turvaram, sua cabeça foi gradualmente tombando e ele caiu num sono profundo. Ao acordar, descobriu-se na colina verde de onde tinha visto pela primeira vez o velho que vinha subindo a montanha. Esfregou os olhos — era uma esplêndida manhã ensolarada. Pássaros saltitavam e cantavam por entre a mata. “Com certeza”, pensou Rip, “não devo ter dormido aqui a noite toda”. Recordou o que acontecera antes de adormecer. O homem estranho com um barril de licor, o barranco, o retiro selvagem entre as rochas, o triste jogo de bola, o garrafão. “Oh!, aquele garrafão! Maldito garrafão!”, pensou Rip, “quantas desculpas eu devo pedir à Senhora Van Winkle!”

Procurou por sua arma, mas em seu lugar encontrou apenas uma espingarda toda corroída de ferrugem. Suspeitava agora de que os homens da montanha tinham lhe pregado uma peça: depois de o embebedar com o licor, tinham roubado sua espingarda. Também Wolf tinha desaparecido, mas bem podia ter corrido atrás de um esquilo ou de uma perdiz. Assobiou chamando-o e gritou seu nome, mas tudo em vão; os ecos repetiam seu assobio e grito, mas não se viu nenhum cachorro.

Decidiu revisitar a cena do dia anterior e, se encontrasse alguém do jogo, pedir seu cachorro e sua espingarda. Ao se erguer, notou que suas juntas estavam rígidas e mais fracas do que o normal. “Essas camas de montanha não são comigo”, pensou Rip, “e se eu ficar com reumatismo, terei de agüentar a Senhora Van Winkle por um bom tempo”. Com alguma dificuldade, desceu ao barranco onde tinha estado com o companheiro na véspera. Mas, para seu espanto, havia agora ali uma corrente de água da montanha, saltando de rocha a rocha.

Por fim, chegou ao que era o anfiteatro, mas não encontrou nenhum sinal da escavação que havia antes. As rochas apresentavam uma parede alta, intransponível, sobre a qual corriam as águas, rodeadas pelas sombras de uma floresta. Aqui, então, o pobre Rip foi obrigado a parar. De novo assobiou e chamou pelo cão, inutilmente. Que deveria fazer? A manhã já ia alta, e Rip, sentindo falta do café da manhã, sentia-se faminto. Lamentava deixar seu cachorro e sua espingarda, temia encontrar a esposa, mas não podia morrer de fome nas montanhas. Sacudiu a cabeça, pôs no ombro a espingarda enferrujada e, com o coração cheio de preocupação e ansiedade, dirigiu seus passos para casa. Ao se aproximar da aldeia, encontrou algumas pessoas, mas nenhuma conhecida, o que o surpreendeu um bocado, pois achava que conhecia todos na região. Também suas roupas eram de um tipo diferente daquele com o qual ele estava acostumado. Todos olhavam fixamente para ele, com os mesmos sinais de espanto, e coçavam o queixo. A repetição constante desse gesto levou Rip a fazer involuntariamente o mesmo e foi quando, para sua surpresa, descobriu que sua barba tinha crescido um pé! (equivalente a 33 cm)

Agora, tinha chegado aos limites da aldeia. Um grupo de crianças desconhecidas correu atrás dele, gritando e apontando sua barba grisalha. Também os cães, que ele não reconheceu, latiam para ele à sua passagem. Toda a aldeia tinha mudado. Estava maior e mais povoada. Havia fileiras de casas que ele jamais tinha visto antes e as que lhe eram familiares tinham desaparecido. Havia nomes desconhecidos sobre as portas, rostos desconhecidos às janelas; tudo era desconhecido. Duvidava do seu próprio juízo; começou a achar que talvez ele e o mundo a sua volta estivessem enfeitiçados. Certamente esta era sua aldeia natal, que ele deixara na véspera. Ali se erguiam as montanhas Kaatskill, ali corria o prateado Hudson. Rip estava dolorosamente perplexo. “Aquele garrafão de ontem à noite”, pensou, “perturbou a minha pobre cabecinha!”

Foi com alguma dificuldade que encontrou o caminho para sua casa, da qual ele se aproximou com medo silencioso, esperando a cada momento ouvir a voz estridente da Senhora Van Winkle. Encontrou a casa em ruínas: o teto caído, as janelas arrebentadas e as portas fora das dobradiças. Um cão meio morto de fome, que se parecia com Wolf, vagava por ali. Rip chamou-lhe pelo nome, mas o vira-lata rosnou, mostrou os dentes e foi embora. “Até o meu próprio cachorro”, suspirou o pobre Rip, “esqueceu-se de mim!”

Entrou na casa. Estava vazia e, segundo parecia, abandonada. Chamou em voz alta pela esposa e filhos — os aposentos desertos ressoaram com sua voz por um momento e, então, tudo voltou ao silêncio de antes.

Correu para o seu velho refúgio, a pousada da aldeia — mas ela também tinha desaparecido. Estava em seu lugar uma construção de janelas largas, sobre cuja porta estava pintado: “Hotel União, de Jonathan Doolittle”. Ao invés da grande árvore que costumava proteger a calma pousada holandesa, havia um mastro com uma bandeira; nela, uma estranha mistura de estrelas e listras — tudo isso era incompreensível e estranho. Havia, como sempre, uma multidão de pessoas perto da porta, mas nenhuma que Rip reconhecesse. Até o caráter do povo parecia mudado. Ao invés da calma habitual, as pessoas eram apressadas e agitadas. Procurou em vão pelo sábio Nicholas Vedder ou por Van Bummel, o mestre-escola.

Rip, com sua longa barba grisalha, sua espingarda enferrujada, sua roupa grosseira logo atraiu a atenção dos homens do hotel. Cercaram-no, olhando-o dos pés à cabeça com grande curiosidade. Perguntaram em quem ele tinha votado. Rip arregalou os olhos, sem entender nada. Um homem puxou-o pelo braço e perguntou se ele era federalista ou democrata. Rip não conseguia entender a pergunta. Por fim um velho lhe perguntou, em tom grave, o que ele fazia numa eleição com uma arma ao ombro e uma multidão a segui-lo e se ele queria liderar uma revolta na aldeia.

“Ai!, senhores”, exclamou Rip, “eu sou um pobre coitado, pacífico, natural deste lugar”. E o pobre homem assegurou, humildemente, que não pretendia armar confusão mas que viera ali apenas para procurar alguns dos seus vizinhos, que costumavam reunir-se naquele lugar.

“Bem, quem são eles?”, ouviu-se perguntar, “Diga seus nomes”.

Rip pensou por um momento e indagou: “Onde está Nicholas Vedder?”

Houve silêncio por um instante, até que um velho respondeu:

“Nicholas Vedder? Está morto e enterrado há dezoito anos! Havia uma lápide de madeira, no cemitério, que contava tudo sobre ele, mas apodreceu e sumiu”.

“Onde está Brom Dutcher?”

“Oh, alistou-se no exército, logo no começo da guerra; uns dizem que ele morreu em combate, outros que se afogou. Não sei, ele nunca mais voltou”.

“Onde está Van Bummel, o mestre-escola?”

“Alistou-se também, foi um grande general e agora está no Congresso”.

O coração de Rip se partiu ao ouvir essas tristes mudanças e ao ver-se assim, sozinho no mundo. Cada resposta o confundia, em se tratando de tão grandes lapsos de tempo e de assuntos que ele não conseguia entender. Não tinha coragem de perguntar por outros amigos, mas gritou desesperado: “Ninguém aqui conhece Rip Van Winkle?”

“Oh, Rip Van Winkle!”, exclamaram dois ou três, “Oh, claro!

Aquele ali, encostado na árvore, é Rip Van Winkle”.

Rip olhou e avistou uma réplica exata de si mesmo no tempo em que ele subiu a montanha. O pobre coitado estava agora completamente confuso. Duvidava de sua própria identidade, sem saber se era ele mesmo ou um outro qualquer. Em meio a esse embaraço, perguntaram-lhe quem ele era e qual era seu nome.

“Só Deus sabe”, exclamou.” Não sou eu mesmo… sou uma outra pessoa…aquele ali é que sou eu…não… alguém tomou o meu lugar… Eu era eu mesmo a noite passada, mas adormeci na montanha e mudaram minha espingarda e tudo mudou, e eu mudei, e não sei dizer qual o meu nome ou quem sou eu!”

Os que estavam presentes começaram então a olhar um para o outro, balançavam a cabeça, piscavam os olhos e passavam o dedo pela testa para dar a entender que o homem estava doido. Nesse momento, uma bela mulher abriu caminho na multidão para dar uma olhada no velho de barba grisalha. Trazia nos braços uma criança gorducha, que, assustada com o olhar de Rip, começou a chorar. “Quieto, Rip”, gritou ela, “quieto, seu bobinho; o velho não vai machucar você”. O nome da criança, a aparência da mãe, o tom de sua voz, tudo despertava um monte de recordações na mente de Rip.

“Qual é o seu nome, minha boa mulher?”, perguntou.

“Judith Gardiner”.

“E o nome do seu pai?”

“Ah, pobre homem, Rip Van Winkle era seu nome, mas faz vinte anos que ele saiu de casa com sua espingarda e nunca mais se ouviu falar dele… Seu cachorro voltou para casa sozinho, mas se ele se matou ou se os índios o raptaram, ninguém pode dizer. Na época, eu era uma garotinha”.

Rip só tinha mais uma pergunta a fazer, mas a fez com a voz tremendo:

“Onde está sua mãe?”

“Oh, ela também morreu, mas há pouco tempo; rebentou um vaso sangüíneo num acesso de cólera contra um vendedor ambulante”.

Havia naquilo uma ponta de consolo. Não pôde se conter mais. Abraçou sua filha e o filho dela. “Sou seu pai!’, gritou.

“Jovem Rip Van Winkle, em outros tempos…velho Rip Van Winkle, agora!…Ninguém reconhece o pobre Rip Van Winkle?”

Todos ficaram admirados, até que uma velha, destacando-se da multidão, colocou sua mão na sobrancelha e, olhando atentamente para o rosto de Rip por um momento, exclamou: “Não resta dúvida! É Rip Van Winkle… é ele mesmo! Bem-vindo em sua volta para casa, velho vizinho. Mas onde você esteve nesses vinte longos anos?”

A história de Rip foi narrada brevemente, pois os vinte anos tinham sido para ele apenas uma única noite. Os vizinhos ficaram espantados ao ouvi-la. Viram-se alguns piscarem o olho e fazer sinal de que achavam o homem louco.

Decidiu-se, porém, ouvir a opinião do velho Peter Vanderdonk. Era o mais antigo morador da aldeia e conhecedor de todos os acontecimentos extraordinários da redondeza. Reconheceu Rip imediatamente e confirmou sua história da maneira mais satisfatória. Assegurou ao grupo que era fato estabelecido que as montanhas Kaatskill eram freqüentadas por seres estranhos. Seu pai os tinha visto uma vez, em seus antigos trajes holandeses, jogando bola numa cavidade da montanha. Ele próprio havia ouvido, numa tarde de verão, o som de suas bolas, como barulho remoto de trovão.

Para encurtar a história, o grupo se desfez e voltou a cuidar de algo mais importante, a eleição. A filha de Rip o levou para morar em sua casa confortável e bem mobiliada junto com ela e o marido.

Rip lembrou que ele era um dos meninos que costumavam trepar às suas costas. Quanto ao filho e herdeiro de Rip, que era a sua imagem, trabalhava na fazenda, mas revelava uma tendência hereditária a só fazer o que lhe interessava. Rip agora retomava seus velhos hábitos. Encontrou muitos de seus antigos companheiros, mas todos tinham sofrido os estragos da passagem do tempo. Preferia fazer amigos entre a nova geração, entre a qual se tornou logo muito popular.

Sem nada para fazer em casa e tendo chegado àquela idade feliz em que um homem pode ser preguiçoso impunemente, tomou lugar mais uma vez no banco junto à porta da pousada e era reverenciado como um dos patriarcas da aldeia. Levou tempo para conseguir conversar normalmente ou compreender os estranhos acontecimentos que tinham ocorrido durante seu sono. Tinha havido uma guerra revolucionária, o país se libertara da Inglaterra e agora ele era um cidadão livre dos Estados Unidos. Na verdade, Rip não se interessava por política; as mudanças de estados e impérios pouco o impressionavam; mas havia uma espécie de tirania sob a qual ele sofrera muito tempo, a feminina. Felizmente chegara ao fim; livrara o pescoço do jugo do matrimônio e podia entrar e sair quando lhe desse na telha, sem temer a tirania da Senhora Van Rinkle. Sempre que seu nome era mencionado, porém, ele sacudia a cabeça, encolhia os ombros e erguia os olhos, o que podia passar por uma expressão de resignação para com seu destino ou alegria por sua liberdade.

Rip costumava contar sua história a todo estrangeiro que chegava ao hotel do Senhor Doolittle. Viam-no, de início, alterar certos detalhes cada vez que a contava, o que se devia, sem dúvida,
ao fato de ter despertado há tão pouco tempo. Mas, finalmente, a narrativa fixou-se exatamente nos moldes em que a narrei, e nenhum homem, mulher ou criança da redondeza deixava de a saber de cor. Alguns sempre duvidavam de sua veracidade e insistiam em que Rip tinha perdido o juízo. Os velhos habitantes holandeses, porém, acreditavam, quase todos, nela.

Ainda nos dias de hoje, jamais ouvem uma trovoada numa tarde de verão sobre o Kaatskill sem dizer que aquele grupo de homens estranhos estão jogando bola. E é um desejo comum a todos os maridos tiranizados pela esposa, na redondeza, quando a vida se torna um fardo, poderem beber um gole repousante do garrafão de Rip Van Winkle.

Fonte:
IRVING, Washington. Ripp Van Winkle. In 4 contos. Adaptação de Paulo Sérgio de Vasconcellos e Rogério Hafez. 2a. Ed. SP: Ed. Sol, 2006.

Deixe um comentário

Arquivado em Contos, O Escritor com a Palavra

Erros Comuns do Português

Veja a seguir uma lista com os principais erros cometidos na linguagem do dia a dia, seja na fala ou na escrita.
Você não come mortandela. O que você come é mortadela.

Aquele sujeito deitado na rua não é um mendingo, mas sim um mendigo.

Ninguém toma iorgute. Todos tomam iogurte.

A janela do seu banheiro não é uma vasculhante, mas sim uma basculante.

Seu sapato não possui cardaço, mas sim cadarço

Você não chega em casa meia cansada. Você chega meio cansada. Deixe a meia para colocar no pé.

Você não chega do futebol soando, a não ser que seja um sino. O correto é suando.

Não use a expressão “a nível de”, que é um modismo criado nos últimos anos. Use “em nível de”.
Por exemplo: “O problema será resolvido em nível de diretoria”.
A exceção ocorre quando nos referimos a um nivelamento.
Por exemplo: “Esta cidade não fica ao nível do mar”. Elimine as palavras seje e esteje do seu vocabulário, pois elas não existem.

Nunca escreva para um amigo dizendo “seje feliz” ou “espero que esteje bem”.

Ninguém tem poblema ou pobrema. As pessoas têm problemas.

Não havia “menas pessoas” na aula ontem. Havia “menos pessoas”.

Você não apoia a cabeça em um trabisseiro, mas sim em um travesseiro.

Não peça trezentas gramas de queijo. É O grama e não A grama.

Ele não é di menor, nem di maior. É simplesmente maior ou menor de idade.

Ninguém desenha um asterístico. O correto é asterisco.

Não existe evento beneficiente. Existe evento beneficente.

Você não vai gospir. Vai cuspir.

O peixe não tem espinho, mas sim espinha (dorsal).

Se você é homem, diga obrigado. Se for mulher, diga obrigada.

Não diga “fazem dois anos”. O verbo fazer, quando designa tempo, é impessoal. O correto é “faz dois anos”.

Nunca diga “haviam muitas pessoas no local”. Neste caso, o verbo haver não tem um sujeito com quem concordar, pois ele tem o sentido de existir. Logo, o correto é “havia muitas pessoas no local”.

Minha mãe pediu para eu fazer, para eu comprar e não para mim fazer ou para mim comprar. É bastante comum, principalmente no telemarketing, o uso excessivo do gerúndio.

Não diga “vou estar mandando”, “vou estar verificando” e sim “vou mandar”, “vou verificar”.
Por exemplo, se você disser: “esta semana estarei lhe enviando um e-mail”, pode parecer que passará a semana toda enviando um e-mail para a pessoa. Portanto, prefira dizer “esta semana irei lhe enviar um e-mail”.

Fonte:SoPortugues

Deixe um comentário

Arquivado em O nosso português de cada dia

A Reforma Ortográfica (Parte I)

Não é de hoje que os integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pensam em unificar as ortografias do nosso idioma. Desde o início do século XX, busca-se estabelecer um modelo de ortografia que possa ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino. No quadro a seguir tem-se, resumidamente, as principais tentativas de unificação ortográfica já ocorridas entre os países lusófonos. No Brasil, note que já houve duas reformas ortográficas: em 1943 e 1971. Assim, um brasileiro com mais de 65 anos está prestes a passar pela terceira reforma. Em Portugal, a última reforma aconteceu em 1945.

Cronologia das Reformas Ortográficas na Língua Portuguesa

Séc XVI até ao séc. XX – Em Portugal e no Brasil a escrita praticada era de caráter etimológico (procurava-se a raiz latina ou grega para escrever as palavras).

1907 – A Academia Brasileira de Letras começa a simplificar a escrita nas suas publicações.

1910 – Implantação da República em Portugal – foi nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme, para ser usada nas publicações oficiais e no ensino.

1911 – Primeira Reforma Ortográfica – tentativa de uniformizar e simplificar a escrita de algumas formas gráficas, mas que não foi extensiva ao Brasil.

1915 – A Academia Brasileira de Letras resolve harmonizar a ortografia com a portuguesa.

1919 – A Academia Brasileira de Letras revoga a sua resolução de 1915.

1924 – A Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras começam a procurar uma grafia comum.

1929 – A Academia Brasileira de Letras lança um novo sistema gráfico.

1931 – Foi aprovado o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a língua portuguesa, contudo não foi posto em prática.

1938 – Foram sanadas as dúvidas quanto à acentuação de palavras.

1943 – Foi redigido, na primeira Convenção ortográfica entre Brasil e Portugal, o Formulário Ortográfico de 1943.

1945 – O acordo ortográfico tornou-se lei em Portugal, mas no Brasil não foi ratificado pelo Governo. Os brasileiros continuaram a regular-se pela ortografia anterior, do Vocabulário de 1943.

1971 – Foram promulgadas alterações no Brasil, reduzindo as divergências ortográficas com Portugal.

1973 – Foram promulgadas alterações em Portugal, reduzindo as divergências ortográficas com o Brasil.

1975 – A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboram novo projeto de acordo, que não foi aprovado oficialmente.

1986 – O presidente brasileiro José Sarney promoveu um encontro dos sete países de língua portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe – no Rio de Janeiro. Foi apresentado o Memorando Sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

1990 – A Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – as duas academias elaboram a base do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O documento entraria em vigor (de acordo com o 3º artigo do mesmo) no dia 1º de Janeiro de 1994, após depositados todos os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo português.

1996 – O último acordo foi apenas ratificado por Portugal, Brasil e Cabo Verde.

2004 – Os ministros da Educação da CPLP reuniram-se em Fortaleza (Brasil), para propor a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, mesmo sem a ratificação de todos os membros.

Nova Reforma Ortográfica – Aspectos Positivos

O Novo Acordo Ortográfico, em vigor desde janeiro de 2009, gera polêmica entre gramáticos, escritores e professores de Língua Portuguesa. Segundo o Ministério de Educação, a medida deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países que falam Português e ampliar a divulgação do idioma e da literatura portuguesa. Dentre os aspectos positivos apontados pela nova reforma ortográfica, destacam-se ainda:

– redução dos custos de produção e adaptação de livros;
– facilitação na aprendizagem da língua pelos estrangeiros;
– simplificação de algumas regras ortográficas.

Nova Reforma Ortográfica – Aspectos Negativos

– Todos que já possuem interiorizadas as normas gramaticais, terão de aprender as novas regras;
– Surgimento de dúvidas;
– Adaptação de documentos e publicações.

Período de Adaptação

Mesmo entrando em vigor em janeiro de 2009, os falantes do idioma terão até dezembro de 2012 para se adaptarem à nova escrita. Nesse período, as duas normas ortográficas poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos. Em Portugal, cerca de 1,6% das palavras serão alteradas. No Brasil, apenas 0,5%.

Atualização dos Livros Didáticos

De acordo com o MEC, a partir de 2010 os alunos de 1º a 5º ano do Ensino Fundamental receberão os livros dentro da nova norma – o que deve ocorrer com as turmas de 6º a 9º ano e de Ensino Médio, respectivamente, em 2011 e 2012.

Reforma na Escrita

Por fim, é importante destacar que a proposta do acordo é meramente ortográfica. Assim, restringe-se à língua escrita, não afetando aspectos da língua falada. Além disso, a reforma não eliminará todas as diferenças ortográficas existentes entre o português brasileiro e o europeu.

Fontes:
SoPortugues

Deixe um comentário

Arquivado em Curiosidades de Nossa Língua, Reforma Ortográfica, Sopa de Letras

Maria Nascimento Santos Carvalho (18 de julho – Dia do Trovador)

O dia 18 de julho é o dia consagrado aos trovadores do Brasil. A data foi fixada por leis estaduais e municipais, onde quer que haja um cultor da Trova, em homenagem ao Trovador LUIZ OTÁVIO, o responsável pelo insuperável movimento literário brasileiro, que é o movimento trovadoresco nacional.

No dia do Trovador, todas as Seções da União Brasileira de Trovadores – UBT e Delegacias espalhadas por centenas de municípios brasileiros comemoram a data com almoços festivos, reuniões, com as chamadas chuvas de trovas, (centenas de trovas impressas) jogadas das janelas dos trovadores, para que os transeuntes se deliciem com as trovas que vão caindo ao sabor do vento. São realizadas palestras, enfim, cada seção ou delegacia comemora da melhor forma que pode a passagem do dia legalmente dedicado ao trovador.

A data foi escolhida em homenagem a LUIZ OTÁVIO, o Dr. Gilson de Castro, um dos mais conceituados Cirurgiões – Dentistas da época, formado pela Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil, em 1936. Sua clientela não ficava restrita apenas ao município Rio de Janeiro, se espalhava por São Paulo, Santos, Belo Horizonte e outras cidades mais próximas da sede do seu consultório, que, recordo como se fosse hoje, ficava na Rua do México, 119, no 9º Andar, no Castelo, do Rio de Janeiro.

LUIZ OTÁVIO nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de julho de 1916. Filho de OCTÁVIO DE CASTRO e Dona ANTONIETA CERQUEIRA DA M. CASTRO.

LUIZ OTÁVIO foi o precursor do movimento trovadoresco brasileiro, tendo publicado em 1956, a primeira Coletânea de Trovas, intitulada “Meus irmãos, os Trovadores”, contendo mais de duas mil Trovas, mais de seiscentos autores brasileiros, notas elucidativas e bibliográficas.

O Castanheira – de – Pêra, Jornal Português de 11 de agosto de 1958 publicou sobre Meus Irmãos, os Trovadores: “Esta coletânea, a primeira do gênero, veio preencher uma lacuna que se fazia sentir. Apresenta mais de seiscentos autores brasileiros, duas mil trovas, inúmeras notas bibliográficas e elucidativas e minuciosa introdução com um estudo sobre a trova. É um valioso trabalho que se impõe. A Luiz Otávio, em quem há muito reconhecemos idoneidade iteraria e bom sentido poético, apresentamos os nossos parabéns e os desejos de que o seu trabalho tenha a divulgação que a todos os títulos merece.”

Referindo-se ao mesmo trabalho de LUIZ OTÁVIO, A ILHA, Jornal da África – São Miguel dos Açores, de 16 de fevereiro de 1957, registrou: “Esta grande coletânea de trovas honra LUIZ OTÁVIO pelo seu trabalho, seriedade, competência e cultura, contribuindo para uma melhor compreensão deste tão ‘simples e difícil’ gênero poético.”

O Correio da Manhã do Rio de Janeiro, na edição de 27 de janeiro de 1957, em coluna assinada por Sílvia Patrícia, assinalou: “Meus Irmãos, os Trovadores, o volume novo que LUIZ OTÁVIO – Papai Noel da Poesia – ofereceu-nos no Natal que passou, é quase um romance no qual cada pena desta nossa irmandade de sonho narra, em quatro linhas, uma alegria ou uma tristeza, cardos e flores encontrados pelo caminho.

O Jornal O Positivo, de Santos Dumont, MG., em coluna assinada por Antônio J. Couri, no dia 1º de outubro de 1957, escreveu sobre Meus Irmãos, os Trovadores : “Raríssimas são as vezes em que o Brasil tem a oportunidade de conhecer coletâneas de poesias, ou, simplesmente quadras. Agora temos uma apresentada por LUIZ OTÁVIO, porém de trovas. De uma organização primorosa , o autor de ‘Cantigas para Esquecer’ soube escolher a matéria que compõe o livro, constituindo assim um verdadeiro monumento de arte da poesia nacional.”

Evidentemente, não seria necessário selecionarmos as opiniões acima para este modesto trabalho a respeito do Dia do Trovador e de LUIZ OTÁVIO, o responsável pelo reconhecido movimento trovadoresco da atualidade, que começo a se firmar a partir da publicação de “Meus Irmãos, os Trovadores”, obra que reuniu trabalho de trovadores de todos os recantos do território nacional, numa época em que os meios de comunicação ainda eram bastante precários, o que, por certo, valorizou ainda mais o livro, pelo trabalho incessante do Autor, inveterado apaixonado pela trova, como escreveu:

A trova tomou-me inteiro!
tão amada e repetida,
que agora traça o roteiro
das horas de minha vida.

Trovador, grande que seja
tem esta mágoa a esconder:
a trova que mais deseja
jamais consegue escrever…

Por estar na solidão
tu de mim não tenhas dó.
Com trovas no coração,
eu nunca me sinto só.

O mar nos deu a receita
de um viver sábio. Fecundo…
sendo salgado, ele aceita
as águas doces do mundo!

No ano de 1960, em Congresso de Trovadores realizados em São Paulo, foi eleita a Família Real da Trova, ficando assim constituída : Rainha da Trova : LILINHA FERNANDES (Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva); Rei da Trova: ADELMAR TAVARES e Príncipe dos Trovadores, LUIZ OTÁVIO (Gilson de Castro). Mesmo já sendo falecidos, continuam com o título, pois outros trovadores só poderão adquirir o título se houver uma Eleição Nacional ou um Congresso realizado com esta finalidade, em que participe um número muito grande de trovadores, com a participação de representantes de todo o país, uma vez que não pode ser reconhecido qualquer título literário supostamente alcançado com a votação de sócios de uma academia, associação, centro literário etc. com exceção de sua Diretoria.

Ainda no ano de 1960, LUIZ OTÁVIO, juntamente com J. G. de Araújo Jorge, criaram os Jogos Florais de Nova Friburgo, com o apoio do Prefeito Municipal da Cidade, Dr. Amâncio de Azevedo e do Trovador Rodolpho Abbud, até hoje o mais respeitado trovador da Cidade, Jogos Florais que se realizam, ininterruptamente, desde 1960 e seus festejos fazem parte do calendário oficial da Cidade e são realizados como parte dos festejos do aniversário de Nova Friburgo.

No dia 21 de agosto de 1966, LUIZ OTÁVIO fundou a União Brasileira de trovadores – UBT – no Rio de Janeiro e a UBT Nacional, com sede também no Rio de Janeiro, tendo a mesma se expandido em pouco tempo, contando hoje com uma infinidade de Seções e Delegacias em quase todo o território nacional, onde se realizam cerca de 80 concursos de Trovas por ano, na maioria com mais de um tema o que, no cômputo geral, chega a mais de 120 certames por ano.

LUIZ OTÁVIO foi o primeiro Presidente da UBT, tendo se tornado pouco tempo depois Presidente Nacional e posteriormente, Presidente Perpétuo, o mais alto título concedido pela agremiação. Recebeu o título máximo da trova, Magnífico Trovador, nos Décimos Quintos Jogos Florais, por ser vencedor três anos consecutivos com as trovas :

XIII Jogos Florais – Tema Silêncio – 1º lugar
Nessas angústias que oprimem,
que trazem o medo e o pranto,
há gritos que nada exprimem,
silêncios que dizem tanto
!..

XIV Jogos Florais – tema Reticências – 2º lugar
Eu… você… as confidências…
o amor que intenso cresceu
e o resto são reticências
que a própria vida escreveu…

XV Jogos Florais – tema Fibra – 10º lugar
Ele cai… não retrocede!…
continua até sozinho…
que a fibra também se mede
pelas quedas no caminho…

LUIZ OTÁVIO publicou os livros: Saudade… muita saudade (Poesias, 1946); Um Coração em ternura (Poesias, 1947); Trovas (Trovas,3 edições: 1954, 1960 e 1961); Meus Irmãos, Os Trovadores (Coletânea de Trovas, 1956); Meu Sonho Encantador (Poesias, 1959); Cantigas para esquecer (Trovas, 1959 e 1961); Cantigas de Muito Longe (Trovas, 1961); Cantigas dos Sonhos Perdidos (Trovas, 1964); Trovas… Ao Chegar do Outono (Trovas, 1965).

Registramos outras trovas de LUIZ OTÁVIO, que demonstram porque, após quinze anos de criar os Jogos Florais de Nova Friburgo, como outros grandes trovadores, ele sagrou-se Magnífico Trovador.

Se a saudade fosse fonte
de lágrimas de cristal,
há muito havia uma ponte
do Brasil a Portugal.

Ao partir para a outra vida,
aquilo que mais receio,
é deixar nessa partida,
tanta coisa pelo meio …

Pelo tamanho não deves
medir valor de ninguém.
Sendo quatro versos breves
como a trova nos faz bem.

Busquei definir a vida,
não encontrei solução,
pois cada vida vivida
tem uma definição…

Não paras quase ao meu lado …
e em cada tua partida,
eu sinto que sou roubado
num pouco da minha vida …

Portugal – jardim de encanto
que mil saudades semeias
nunca te vi … e, no entanto,
tu corres nas minhas veias …

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas tão pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos …

Contradição singular
que angustia o meu viver:
– a ventura de te achar
e o medo de te perder …

Estrela do céu que eu fito,
se ela agora te fitar,
fala do amor infinito
que eu lhe mando neste olhar…

Ó mãe querida – perdoa!
o que sonhaste, não sou…
– Tua semente era boa!
A terra é que não prestou!

Além de grande Trovador, campeão de centenas de Concursos de Trovas e Jogos Florais, realizados em várias cidades do país, LUIZ OTÁVIO era um exímio compositor, sendo dele a autoria do Hino dos Trovadores, Hino dos Jogos Florais, das Musas dos Jogos Florais e de várias outras obras musicais.

Hino dos Trovadores

Nós, os trovadores,
somos senhores de sonhos mil!
Somos donos do Universo
através de nosso verso.
E as nossas trovas,
são bem as provas desse poder:
elas têm o dom fecundo
de agradar a todo mundo!

Hino dos Jogos Florais

Salve os Jogos Florais Brasileiros!
a Cidade se enfeita de flores!
Corações batem forte, fagueiros,
a saudar meus irmãos trovadores!

Unidos por laços fraternais,
nós somos irmãos nos ideais;
– não há vencidos, nem vencedores;
pois todos nós cantamos, somos trovadores;
e as nossas trovas sentimentais
são sempre mensageiras de amor e paz!.

A Oração do Trovador é o Poema de são Francisco de Assis, Padroeiro dos Trovadores, cujo aniversário, dia 4 de outubro é muito festejado pelos cultores da Trova.

E para encerrar esta homenagem ao Dia do Trovador, focalizando a figura mais importante do mundo trovadoresco, LUIZ OTÁVIO, registramos dois sonetos, dos inúmeros que escreveu, contido em um dos seus livros de poesias, “Meu Sonho Encantador”.

O ideal

Esculpe com primor, em pedra rara,
o teu sonho ideal de puro artista!
Escolhe, com cuidado, de carrara
um mármore que aos séculos resista!

Trabalha com fervor, de forma avara!
Que sejas no teu sonho um grande egoísta!
Sofre e luta com fé, pois ela ampara
a tua alma, o teu corpo em tal conquista!

Mas, quando vires, tonto e deslumbrado,
que teu labor esplêndido e risonho
ficará dentro em breve terminado,

pede a deus que destrua esse teu sonho,
pois nada é tão vazio e tão medonho
como um velho ideal já conquistado ! …

Orgulho

Venho de longe … venho amargurado
pelas noites sem fim, nesse cansaço
de receber tão só, triste e calado,
A incompreensão do mundo, passo a passo…

Eu trago a alma sem fé do revoltado
e o gesto do vencido em cada braço…
E tu me surges – Anjo imaculado–
a oferecer repouso em teu regaço…

Porém tua alma feita de inocência,
serenidade e Luz, não avalia
a penumbra invulgar dessa existência…

Deixa – me, pois, seguir o meu caminho,
renunciar, viver nessa agonia,
mas tendo o orgulho de sofrer sozinho!…

Assim, apresentamos um pouquinho da poética de LUIZ OTÁVIO, Príncipe dos Trovadores Brasileiros, Magnífico Trovador e Presidente Perpétuo da União Brasileira de Trovadores e responsável pelo sucesso alcançado pela Trova e pelos Trovadores.

Fonte:
Academia de Letras de Maringá

Deixe um comentário

Arquivado em Biografia, datas comemorativas, Poesias, Trovas

Trova XLVII

Deixe um comentário

20 de julho de 2009 · 23:05

Nelson Mandela (Nossos Medos)

Nosso medo mais profundo
não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo
é que somos poderosos
além de qualquer medida.

É a nossa luz, não as nossas trevas,
O que mais nos apavora.

Nós nos perguntamos:
Quem sou eu para ser Brilhante,
Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?

Na realidade,
Quem é você para não ser?

Você é filho do Universo.
Você se fazer de pequeno
não ajuda o mundo.

Não há iluminação em se encolher,
Para que os outros
não se sintam inseguros
Quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar
a glória do Universo
Que está dentro de nós.

Não está apenas em um de nós:
está em todos nós.

E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,
Inconscientemente
Damos às outras pessoas,
permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos
Do nosso medo,
Nossa presença, automaticamente,
Liberta os outros.
—–

Deixe um comentário

Arquivado em O poeta no papel, Poesia

Artur da Távola (Isso de Amizade…)

Ah, esse fenômeno instigante, o das amizades que se mantêm independentes da convivência.

Será amizade? Será saudade comum dos anos vividos em amizade? Será saudade dos anos felizes ou uma afinidade que se espraia no tempo? Não sei responder. Sei que com algumas pessoas (poucas), há uma insistência teimosa em desejar ver, trocar idéias e experiências, creio, pela certeza da reciprocidade e do “ser aceito”.

Sim, talvez seja a certeza de ser aceito, uma das maiores necessidades humanas neste mundo de incompreensões. Talvez seja a necessidade da existência de certeza prévia de acolhimento ao que somos, como somos e ao que pensamos, o fermento da amizade.

O mistério da amizade talvez resida no alívio que traz a existência de alguém que nos acolha. Digo acolha e, não, recolha – aí já seria dependência de um lado e paternalismo do outro.
Acolher significa receber de bom grado, previamente, sem julgamentos ou resistências. É molesto o fato de que os seres humanos vivam a julgar e que suas opiniões prévias interponham barreiras na comunicação, dificultando-a.

O mistério da afinidade consiste na inexistência das resistências ao outro, mesmo quando haja discordância. Isso não deriva apenas de afeto. Quantas vezes há afeto entre as pessoas sem, porém, a aceitação natural, espontânea e prévia?

Verifique nas amizades tidas e vividas ao logo da vida, o que delas restou. Haverá muita vivência, boa e má. Raramente, porém, restará a amizade…

Com os anos, vão se tornando escassas as amizades que atravessaram o terreno íntimo que lhes é próprio sem arranhões e sem mágoas, restando, como fruto, após ingentes experiências humanas e existenciais, apenas (e já é tanto…) a amizade.

Amizade é o que resta da amizade. Se o que resta de uma amizade é amizade, então amizade é. Da verdadeira!

Fonte:
http://intervox.ufrj.br/~jobis/a-iss.html

Deixe um comentário

Arquivado em O Escritor com a Palavra, O nosso português de cada dia, Teoria Literária

José Usan Torres Brandão (Caldeirão Literário do Paraná)

MEU ANIVERSÁRIO

De hoje a cinco anos, serei sexagenário
Estou tranqüilo, cônscio daquilo que me espera
Pois afinal festejo o meu aniversário
Mesmo sendo natural, ele agride e fere.

Debalde compensar com sonhos, dor que me invade
É o ser que desce a serra na sua calmaria
É o silêncio da noite na pequena cidade
A peraltice hipócrita da própria nostalgia.

É a ave que já tem o seu vôo mais curto
É o vôo que tem uma breve, curta duração
É o buquê em vaso de água que está murcho
Pouca vontade ademais de cantar uma canção.

QUE MUNDO!

Se nasce, já sai lutando
Se vive, já está sofrendo
Que estranho é o ser humano
Que aprende, mesmo morrendo

Na luta do dia-a-dia
No ouro para conquistar
Para contar, pouca alegria
Muita cousa para chorar

Na caminhada para o fundo
Quase nada para dizer
Voz uníssona do mundo
É melhor ter do que ser

Se essa voz a mim não veio
E o ouro não conquistei
Então nada tenho, eu sou
No meu reinado, sou rei!

O MÉDICO

Entre quatro paredes, seu mundo restrito
De grandes emoções, suas horas, dia-a-dia
Aliviar a dor, salvar vidas, está escrito
Sua missão, um sacerdócio sem hipocrisia.

Marcas do tempo, cedo batem à sua porta
Esclerose, enfarte, cansaço, depressão
Seu lar, que não é seu ninho, teme sua sorte
Médico, imagem tão mudada neste mundo cão.

Já não se fala dele como ser superior
Hoje, nome desgastado, luta pra viver
Como qualquer ser, anônimo, sem valor
Num mundo de mercado em que mais vale ter.

Médico, operário de Deus, salvando vidas
Também chora, também ama e também sonha
Na sua labuta com alma e corpo, suas feridas
Leva uma existência bem tristonha.

Não é sem luta que ele ganha fama
Nem é na flor que ele vê espinho
Num pedestal também joga-se lama
Médico, não ligues, segue o teu caminho.

MEU VELHO CHICÃO

Caminhas lento com a mesma altivez
Já não sou o mesmo, os anos se passaram
Minha infância está ligada a ti, velho Chicão
Fonte dos primeiros sonhos que voaram.

Brinquei em tuas águas
De dono do mundo
Que ironia
Com meus amigos de infância
Que nunca mais eu vi
Pois tudo se passou.

As imagens vivas
Que hoje guardo
Pura fantasia
No meu mundo de sonhos
Que o tempo desabou.

És perene
Mas de ti sinto saudades
Pois sei, nada temos em comum
Vives passeando alegre entre cidades
E eu, entre os tristes da vida
Sou mais um.
–––––––––––––––––––

O médico José Usan Torres Brandão nasceu em Senhor do Bonfim – BA, no dia 30 de novembro de 1929. Formou-se em medicina em 1953, pela Escola de Medicina da Bahia, em Salvador. Exerceu a medicina no Recôncavo Baiano e em Maringá. Autor de Descendo a serra. Membro da Academia de Letras de Maringá, Cadeira nº. 03, cujo patrono é Alphonsus de Guimarães.

Deixe um comentário

Arquivado em Caldeirão Literário, notas biográficas, Paraná, Poesias

Trova XLVI

Trova sobre caricatura do CEI Municipal de São Carlos

Deixe um comentário

Arquivado em Balaio de Trovas, Humorismo, Nova Friburgo em Trovas, Rio de Janeiro

Clara Góes (Oratório)

Não
não tem traço reto aqui

no fundo
curvas
cravam
auroras em cantos
improváveis.

Um macaco joga
dardos no
Sagrado Coração

e a lua num cristal claro
embalsama
a solidão.

————

Sobre a autora

Psicanalista e professora de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Clara Góes nasceu no Rio Grande do Norte e escreve poesia desde 1986. Sua grande estréia no mundo da poesia, no entanto, aconteceu em 1989, quando lançou o livro As aranhas. Um ano mais tarde, em 1990, publicou os poemas reunidos em Cinema Catástrofe. A partir daí, não parou mais. Lançou Pedra do Morcego, em 1991, Poeira, em 1992, e Caravelas em 1995.

Ao longo desses mais de 20 anos, a poeta também se revelou como dramaturga e escreveu três textos para teatro. O último deles, Abelardo, Heloisa, lançado em 1995, deu origem a uma peça encenada por Moacyr Góes e protagonizada por Herson Capri e Letícia Spiller.

Seu livro mais recente, Pão e Chocolate, que será lançado no próximo Terças Poéticas, tem as orelhas assinadas por Heloisa Buarque de Hollanda, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que comenta que “a leitura dos poemas de Clara de Góes, curiosamente, sempre me provocou não apenas prazer, mas, sobretudo, um conforto muito grande. Uma sensação de proximidade, ou mesmo intimidade, com sua experiência, sua história, suas entrelinhas”. Para ela, essa proximidade está relacionada ao universo poético onde Clara se move. “São tramas e temporalidades históricas complexas. Um espaço no qual me sinto inexplicavelmente inserida”, completa.
–––––––––––––––––––––––––––––––––––-
Fonte:
Antonio Miranda

Deixe um comentário

Arquivado em Caldeirão Literário, notas biográficas, Poesia, Rio Grande do Norte

5ª Semana do Escritor de Sorocaba (Programação)

Semana do Escritor começa na próxima semana com grande festa

O encontro literário terá 14 lançamentos em cinco dias de evento

O principal objetivo da semana, segundo Hélio Rubens é a confraternização e interação entre editoras, escritores e leitores.

As inscrições para os lançamentos literários foram até este domingo. Porém, ainda estão abertas as vagas para os escritores que quiserem expor os seus trabalhos. “Até o final de semana ainda estaremos cadastrando os interessados”, garante Sônia Orsiolli.

O grande atrativo comercial do evento voltado à cultura é de possibilitar aos autores a divulgação de seus projetos. “Cobramos apenas uma taxa de R$ 50. O escritor, no entanto, poderá expor e comercializar a sua obra durante toda a semana de evento”, diz.

Lançamentos, palestras, mesas-redondas, saraus, atrações artísticas e exposições de livros vão compor esse grande evento literário que começa a partir das 14h da próxima terça-feira, 21 de julho, no Salão principal da FUNDEC.

A Semana do Escritor deste ano conta com 14 lançamentos e 14 palestras que serão realizadas junto a uma semana de exposição e comercialização de livros de autores de toda a região e também de outros estados.

A abertura oficial está marcada para às 19h do dia 21, com várias atrações, como a apresentação artística do cantor e compositor Carlos Madia e a declamação do Hino Nacional Brasileiro que será feita pela jornalista Ângela Fiorenzo.

Além de oferecer literatura e cultura, o ambiente servirá de encontro entre escritores, autores e editores. O objetivo da Semana do Escritor é revelar e dar visibilidade aos autores, oferecer um espaço para a interação e para o conhecimento da literatura regional.

Esse evento, que já é um tradicional ponto de encontro para a troca de conhecimento, e absolutamente gratuito ao público em geral estará oferecendo livros a preços especiais e ainda a possibilidade dos leitores adquirirem exemplares autografados nas tardes e noites de autógrafos junto aos seus autores preferidos.

Serviço:
5ª Semana do Escritor de Sorocaba e Região
Data: 21 a 25 de Julho de 2009
Horário: das 14h às 22h com entrada gratuita
Cerimônia de Abertura Oficial:
Data: 21 de Julho de 2009
Horário: às 19h com entrada gratuita
Local: FUNDEC – Rua Brigadeiro Tobias, 73 Sorocaba/SP.
Assessoria de Comunicação – Cintian Moraes
Fone: (15) 8119.2476

Comissão Organizadora
Cintian Moraes
Helio Rubens
Sonia Orsiolli
(15) 3228.6209
www.semanadoescritor.com.br

De terça-feira a sábado das 14h às 22h exposição e comercialização de livros

Programação

21/07/2009 – terça-feira

14h
Abertura
1º Seminário de Iniciação à Pesquisa em Letras, Artes e Ciências Aplicadas à Criação Literária – Coordenação da Academia Sorocabana de Letras
Introdução ao Seminário: ‘O diálogo entre a pesquisa e a criação’
Palestrante: Geraldo Bonadio – Presidente da Academia Sorocabana de Letras

14h10
Palestra: ‘Drummond: O poeta do tempo presente’
Palestrante: Acadêmica Myrna Ely Atalla Senise da Silva

15h10
Palestra: ‘História de Família. Como iniciar e desenvolver uma pesquisa genealógica’
Palestrante: Escritora Maria Aparecida Almeida Dias de Souza – Associação Brasileira de Pesquisadores em História e Genealogia

19h
Cerimônia de Abertura
Declamação do Hino Nacional Brasileiro: Ângela Fiorenzo
Apresentação Musical:

Carlos Madia

20h
Lançamento do livro: Coletânea ‘Êta Trem Bão, Sô!’ volume II –

Autor: Diversos autores – Organização: Lurdinha Blagitz

21h
Lançamento do livro: ‘Arroubos Poéticos’ –

Autor: Edival de Moraes Blagitz

22/07/2009 – quarta-feira

15h
Palestra: ‘Leitura e contação de causos. Atividades antagônicas ou complementares?’
Palestrante: Escritora Débora Brenga e Acadêmica Myrna Ely Atalla Senise da Silva

16h
Palestra: ‘Iconografia Sorocabana. Imagens de Sorocaba através do tempo’
Palestrante: Acadêmico Gilberto Fernando Tenor

17h
Participação artística:

Poetas e escritores da Unidade de semiliberdade – Refúgio

18h
Lançamento do livro: ‘Direito Internacional do Turismo’

Autor: Rui Aurélio de Lacerda Badaró

19h
Lançamento do livro: ‘Walt Disney´s Celebration City’ (reflexões sobre comunicação e cidade)

Autor: Paulo Celso da Silva

20h
Lançamento do livro: ‘Arthur Bispo do Rosário: Arte e Loucura’ –

Autor: Jorge Anthonio e Silva
Lançamento do livro: ‘Wega Nery, a Balada Ianbterior’ –
Autor: Jorge Anthonio e Silva
Lançamento do livro: ‘O Fragmento e a Síntese’
Autor: Jorge Anthonio e Silva

21h
Atração Artística: Orquestra de Viola Caipira de Votorantim

23/07/2009 – quinta-feira

14h
Palestra: ‘História e Sociologia do Negro em Sorocaba’
Palestrante: Acadêmica Ana Maria de Souza Mendes

15h
Palestra: ‘Histórias e Estórias da Matemática’
Palestrante: Acadêmico Adalberto Nascimento

16h
Lançamento do livro: ‘Nos Idos de 68’ –

Autor: Luiz Paulo Lírio de Araújo

18h
Palestra: ‘Livro Multimídia’
Palestrante: Jorge Proença – Presidente da ONG – Projeto Pérola

19h
Lançamento do livro: Antologia ‘Roda Mundo 2009’ –

Autor: Diversos autores – Organização: Douglas Lara

20h
Mesa Redonda: ‘Médicos em Mesa Redonda sobre Literatura’ –

Dr. Edgard Steffen / Dr. João Rozas Barrios / Dra. Maria do Patrocínio Santos Maia Lopes (Neta) / Dr. Mario Cândido de Oliveira Gomes / Dr. Sérgio Borges Bálsamo / Dr. Willy Marcus França / Dra. Yara Ferreira Caetano – Coordenação Mylton Ottoni

24/07/2009 – sexta-feira

14h
Palestra: ‘Iconografia da Igreja de Santana, do Mosteiro de São Bento. O que nos dizem suas imagens, telas e peças utilizadas nas celebrações religiosas’
Palestrante: Acadêmica Nancy Ridel Kaplan

15h
Palestra: ‘Marcas da pré História na região de Sorocaba’
Palestrante: Acadêmico Adolfo Frioli

16h
Palestra: ‘Alfabetização: O Alicerce do Saber – Metodologia da Mediação Dialética’
Palestrante: Zuleika Aum Attab – Dra. em Filosofia e Pedagoga

18h
Palestra: ‘A origem e a trajetória histórica confirmam a importância e o valor dos Negros para o Brasil’
Palestrante: Carlos dos Santos Penha – Advogado

19h
Lançamento do livro: ‘Apologia à Terra – “O Planeta Terra pede Socorro!”’ –

Autor: Antônio Dias Lopes
Palestra: ‘Como Editar um livro’
Palestrante: Mylton Ottoni – Editor

20h
Sarau Literário:

Grupo Mesma Frequencia
Lançamento do livro: Segunda Coletânea ‘Teia dos Amigos’ –
Autor: Diversos autores – Organização: Sonia Orsiolli
Sarau Literário:
Grupo Coesão Poética

21h
Apresentação Musical:

Lucas Fernando Dias e Ana Paula da Motta

25/07/2009 – sábado

14h
Palestra: ‘A cidade ferroviária. As múltiplas funções sociais e econômicas da Estrada de Ferro Sorocabana, de Maylasky à Ferroban’
Palestrante: Acadêmico Geraldo Bonadio

15h
Mesa Redonda: ‘Problemas do escritor sorocabano. Produção, financiamento e distribuição do livro independente’-

Coordenação da Academia Sorocabana de Letras

18h
Lançamento do livro: ‘Acampamento: A prática de um jogo possível – Um exercício de convivência’ –

Autor: Renata Cristina Rogich Mereghi – Professora de Educação Física

19h
Lançamento do livro: ‘Enfrentar o medo cara a cara’ –

Autor: Luiz de Carvalho Pádua

19h30
Palestra: ‘Qualidade de Vida e Comportamento Mental’
Palestrante: George Daniel Fekete – Escritor e Empresário

20h
Lançamento do livro: ‘O que somos no amor e na paixão’ –

Autor: José Aluciano da Silva Maia

21h
Apresentação Musical:

Banda Bate Latas

Fonte:
Assessoria de Comunicação – Cintian Moraes

Deixe um comentário

Arquivado em Eventos, Programações, Semana do Escritor, Sorocaba

Joanne Kathleen Rowling (Harry Potter)

Os livros de Harry Potter são uma série de romances fantásticos criados pela escritora britânica J. K. Rowling. Desde o lançamento do primeiro volume, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997, os livros ganharam grande popularidade e sucesso comercial no mundo todo, e deram origem a filmes, videojogos e muitos outros itens.

Os sete livros publicados até agora venderam aproximadamente 400 milhões de exemplares em todo o mundo e foram traduzidos em mais de 63 idiomas. Graças ao grande sucesso dos livros, Rowling tornou-se a mulher mais rica na história da literatura.

Grande parte da narrativa se passa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e foca os conflitos entre Harry Potter e o bruxo maligno das trevas Lord Voldemort. Ao mesmo tempo, os livros exploram temas como amizade, ambição, escolha, preconceito, coragem, crescimento, responsabilidade moral e as complexidades da vida e da morte, e acontecem num mundo mágico com suas próprias histórias, habitantes, cultura e sociedades.

História

A história começa com o mundo dos bruxos, que tenta manter-se secreto dos Muggles – termo traduzido para o Brasil como “Trouxas” (aqueles que não são bruxos). Por muitos anos este mundo foi aterrorizado por Lord Voldemort. Na noite anterior a sua queda, Voldemort encontrou o esconderijo da família Potter, e matou Líly e James Potter (Lílian e Tiago Potter, no Brasil). Entretanto, quando voltou sua varinha contra o bebê dos Potter, Harry (Harry James/Tiago Potter), o seu feitiço voltou-se contra ele. Com o corpo destruído, Voldemort tornou-se um espírito sem poder, procurando refúgio em lugares escondidos do mundo; Harry, enquanto isso, foi deixado com uma cicatriz em forma de raio em sua testa, o único sinal físico da maldição de Voldemort. Harry tornou-se conhecido como “O Menino que Sobreviveu” no mundo dos feiticeiros, por ter sobrevivido a maldição da morte e por ter derrotado Lord Voldemort.

Em seguida, o órfão Harry Potter é criado pelos seus tios cruéis e insensíveis, os Trouxas Dursley, sem saber de seu poder mágico. Porém, quando o seu aniversário de onze anos se aproxima, Harry tem seu primeiro contato com o mundo mágico quando recebe cartas da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, que são roubadas pelos tios antes que ele possa lê-las. No seu décimo primeiro aniversário, Harry é informado por Hagrid, o guarda-caças de Hogwarts, que ele é um bruxo e por isso tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Cada livro registra uma ano da vida de Harry em Hogwarts, onde ele aprende a usar magia e a fazer poções. Harry também aprende a ultrapassar muitos obstáculos mágicos, sociais e emocionais que enfrenta em sua adolescência e na segunda tentativa de ascensão de Voldemort ao poder.

Temática e conteúdo

Por ser uma série na qual cada livro equivale a cerca de um ano de vida do protagonista, seu conteúdo amadurece conforme Harry cresce. Os leitores que começaram a ler a saga ainda muito jovens também vão amadurecendo enquanto lêem. A estrutura da história, inclusive, torna-se mais complexa e sofisticada a cada volume.

Os livros de Rowling se passam nos anos 1990, na Inglaterra “trouxa” moderna, com carros, telefones e PlayStations. Os problemas no mundo mágico são sólidos e reais como os do nosso mundo – preconceito, depressão, ódio, sacrifício, pobreza, morte. “Harry vai para seu mundo mágico, e este é melhor que o mundo que ele deixou? Só porque ele encontra pessoas melhores“, explica Rowling.

Um dos temas mais recorrentes ao longo da série é o amor, retratado como uma poderosa forma de magia. Dumbledore acredita que a capacidade de amar permitiu que Harry resistisse às tentações de poder de Voldemort em seu segundo encontro, não permitiu que o vilão se apossasse do corpo de Harry em seu quinto ano, e será responsável pela derrota final de Voldemort.

Em contraste, outro tema importante é a morte. “Os meus livros abordam bastante a morte. Começam com a morte dos pais de Harry. Há a obsessão de Voldemort em derrotar a morte e conquistar a imortalidade a qualquer preço […]. Eu percebo porque é que Voldemort quer conquistar a morte. Todos nós temos medo dela“, disse Rowling. De fato, o nome de Voldemort significa “vôo da morte” em Latim e Francês, e “roubar a morte” em Francês e Catalão. Os livros colocam o bem contra o mal e o amor contra a morte. A perseguição de Voldemort para evitar a morte, que inclui episódios como beber sangue de unicórnio e separar a sua alma através do uso de horcruxes, contrasta com o sacrifício de Lilian Potter, o amor por Harry e a magia extraordinária que o seu gesto deixou nele, um sacrifício que Voldemort nunca poderá entender ou apreciar.

O preconceito e a discriminação são também amplamente abordados ao longo dos livros. Harry aprende que existem feiticeiros Sangue-Puro (oriundos de famílias onde só há bruxos) que abominam os sangue-ruim (bruxos de ascendência bruxa e trouxa ou ainda bruxos que vieram de uma família só de muggles) e os consideram inferiores. O meio termo são os bruxos Mestiços, ou seja, que tem um dos pais muggle (ou de família muggle), e o outro pertencente a comunidade bruxa. Os mais preconceituosos dentro da comunidade mágica levam estas designações mais longe, utilizando-as como um sistema de graduação para ilustrar o valor de um feiticeiro, considerando os de Sangue-Puro como sendo superiores e os sangue-ruim como desprezáveis. Fora os preconceitos em relação aos humanos, existe um afastamento dos não-humanos e até parcialmente-humanos.

Outro importante tema decorre sobre as escolhas. Em Harry Potter e a Câmara dos Segredos, Dumbledore faz, talvez, sua mais importante declaração sobre o assunto: “São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades“.

Dumbledore aborda esse tema novamente em Harry Potter e o Cálice de Fogo, quando diz a Cornelius Fudge que mais importante do que como se nasce, é o que a pessoa se torna ao crescer.

Assim como para muitas personagens ao longo dos livros, o que Dumbledore considera “uma escolha entre o que está certo e o que é fácil”, tem sido um marco na carreira de Harry Potter em Hogwarts e as suas escolhas estão entre as características que melhor o diferenciam de Voldemort. Tanto Harry como Voldemort foram órfãos criados em ambientes difíceis, fora o fato de partilharem características que incluem, como Dumbledore afirmou, “um raríssimo dom ofidioglota — sabedoria, determinação” e “um certo desapreço por regras“. Contudo, Harry, ao contrário de Voldemort, decidiu conscientemente adotar a amizade, a bondade e o amor, enquanto que Voldemort escolheu propositalmente rejeitá-los.

Enquanto que tais idéias sobre amor, preconceito e escolha estão, como afirma J.K. Rowling, “profundamente cravadas em todo o enredo“, a autora prefere deixar que os temas “cresçam organicamente”, em vez de conscientemente tentar transmitir essas idéias ao leitor. A amizade e a lealdade são talvez os temas mais “orgânicos” de todos, aparecendo principalmente na relação entre Harry, Ron e Hermione, relação essa que permite que estes assuntos se desenvolvam naturalmente à medida que os três personagens crescem, que a sua relação amadurece e que as suas experiências acumuladas em Hogwarts testem a fidelidade dos três amigos. Essas provas tornam-se progressivamente mais difíceis, acompanhando o tom cada vez mais escuro e misterioso dos livros e a natureza geral da adolescência.

Estrutura

A série Harry Potter é traçada sob uma longa tradição na literatura infantil inglesa – o ambiente dos internatos, um gênero da era Victoriana, no qual se destaca Tom Brown’s Schooldays, de Thomas Hughes. Mais adiante, trabalhos similarmente influentes da era Victoriana incluem os livros de Edith Nesbit, da qual Rowling tem frequentemente dito ser fã, glorificando Nesbit pelos seus personagens muito realistas e inovadores.

Há uma clara influência de elementos menos específicos a um autor, como a mitologia e as lendas. Muitas dessas influências são mais notadas nas criaturas que habitam o universo de Rowling, como por exemplo, os dragões, fênix e hipogrifos. Além disso também nota-se a influência da astronomia, história, geografia, e idiomas (principalmente Latim), freqüentemente vistos nos cuidadosos nomes de personagens, lugares e feitiços no mundo bruxo. Do complexo ‘”Voldemort” ao onomatopéico “Grawp” (ou “Grope”, o meio irmão gigante de Hagrid), Rowling cria nomes que geralmente contém muitos significados.

Os livros também são, nas palavras de Stephen King, uma “perspicaz história de mistério”. Cada livro é construído num estilo de aventura misteriosa como as de Sherlock Holmes; os livros deixam um número de pistas escondidas na narrativa, enquanto os personagens perseguem suspeitos por locais exóticos, conduzindo a uma mudança repentina que muitas vezes reverte o que os personagens acreditavam. As histórias são contadas por um narrador em terceira pessoa com consciência limitada, com pouquíssimas exceções (o capítulo inicial de Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e o Cálice de Fogo, os dois primeiros de Harry Potter e o Enigma do Príncipe e o primeiro de Harry Potter e as Relíquias da Morte); o leitor descobre os segredos da história quando Harry o faz. Os pensamentos e planos de outros personagens, mesmo os centrais como Ron e Hermione, são mantidos escondidos até serem revelados à Harry.

Os livros tendem a seguir uma fórmula bastante estrita. A ação que decorre durante uma série de anos pode ser claramente dividida em 6 seções gerais:
• Verão na casa dos Dursley: Harry passa a maior parte das férias de Verão da escola com os Dursley, no mundo dos Trouxas, suportando o mau tratamento que aí recebe. Esta parte termina com Harry indo a um local diferente.
• Fim do Verão: pouco antes do começo das aulas no Outono: Harry vai ao Beco Diagonal, à A Toca ou ao Largo Grimmauld, Número Doze,. Termina com a entrada no comboio de Hogwarts na plataforma 9¾.
• Novo ano letivo na escola: personagens novas ou redefinidas tomam vida, e Harry ultrapassa novos desafios diários, tais como testes difíceis, amores estranhos e professores mal-humorados; tudo isto termina normalmente perto do Halloween, que coincidentemente é o dia que Voldemort matou Lílian e Tiago Potter.
• Conflitos surgem: Harry, seus amigos e colegas de escola começam a perceber que algo se passa e começam a reagir.
• Clímax: Harry e os seus amigos fazem uma descoberta importante, e Harry corre desesperadamente para um determinado local para um conflito maior, normalmente envolvendo uma batalha contra os vilões. Isto normalmente acontece perto ou logo após os exames finais.
• Conclusão: Harry começa a recuperar da batalha e aprende lições importantes através de relatos e discussões com Alvo Dumbledore. Termina com o Harry apanhando o Expresso de Hogwarts e regressando à casa com os Dursley.

Universo

A série Harry Potter, passa-se no mundo em que vivemos, habitados por Muggles (Trouxas), pessoas sem poderes mágicos. Mas num local reservado apenas aos feiticeiros, protegido da curiosidade Muggle, protegido por poderosos encantamentos e feitiços. A série conta a história de Harry Potter, um rapaz que teve os pais mortos por um bruxo das trevas, conhecido como Lord Voldemort, e passa a viver com os Dursley, seus tios Muggles. Aos 11 anos recebe uma carta a falar que tinha sido aceite na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, a escola que é o principal cenário da série, onde Harry faz amizades verdadeiras, como Ronald Weasley, Hermione Granger, Neville Longbottom, Simas Finnigan, Dino Thomas, entre outros. Ainda passa por perigos, que visam restaurar a paz no colégio depois de eventos vertiginosos, como no livro “Harry Potter e a Câmara Secreta”. Enfim, o principal cenário, tirando Gringotes, o banco dos feiticeiros, o Beco Diagonal, o beco destinado á venda de livros, caldeirões, animais e produtos mágicos. Hogsmeade, uma vila apenas de feiticeiros próximo a Hogwarts, em que os estudantes geralmente vão nos feriados. É em Hogwarts que acontece a guerra final entre Comensais da Morte e Voldemort contra os estudantes e professores de Hogwarts, sem falar em Harry Potter é claro.

Origem e histórico de publicação

Em 1990, J.K. Rowling estava num trem indo de Manchester para Londres quando a idéia para Harry simplesmente “apareceu” em sua cabeça. Rowling conta sobre a experiência em seu website: “Tenho escrito continuamente desde os seis anos de idade mas nunca estive tão excitada com uma idéia antes. […] Eu simplesmente sentei e pensei, por quatro horas (trem atrasado), e todos os detalhes borbulharam em meu cérebro, e este garoto de óculos e cabelos pretos que não sabia que era um bruxo tornou-se mais e mais real para mim.” Naquela noite, a autora começou a escrever seu primeiro romance, Harry Potter e a Pedra Filosofal, e um plano que incluía os enredos de cada uma dos sete livros, além de muita informação biográfica e histórica sobre seus personagens e universo.

Nos seis anos seguintes, que incluíram o nascimento de sua primeira filha, o divórcio de seu primeiro marido e uma mudança para Portugal, Rowling continuou a escrever Pedra Filosofal.

Quando finalmente terminou o volume, em 1996, ela enviou-o a um agente literário e, depois oito editoras terem rejeitado o manuscrito, a Bloomsbury ofereceu a Rowling £ 3.000 adiantadas, e Pedra Filosofal foi publicado no ano seguinte.

Apesar de Rowling declarar que não tinha nenhuma faixa etária em particular quando começou a escrever os livros de Harry Potter, suas editoras inicialmente direcionaram-nos a crianças com idade entre nove e onze anos. Às vésperas da publicação, as editoras pediram a Joanne Rowling que adotasse uma pseudônimo mais neutro em relação ao gênero, temendo que os meninos não se interessassem por um livro escrito por uma mulher. Ela escolheu usar J. K. Rowling (Joanne Kathleen Rowling), omitindo seu primeiro nome e usando o de sua avó com segundo nome.

Após quase uma década da publicação do primeiro livro, Harry Potter alcançou muito sucesso em parte por causa de críticas positivas, estratégias de marketing de suas editoras, mas também pela propaganda boca-a-boca entre muitos leitores. As editoras de Rowling estiveram aptas a aumentar este fervor pelo lançamento rápido e sucessivo dos três primeiros livros, o que fez com que nem a excitação nem o interesse da audiência de Rowling caíssem. A série também conquistou fãs adultos, fazendo com que, em muitos países, cada livro tivesse duas edições, com texto idêntico mas com capas diferentes, uma delas direcionada a crianças e a outra, a adultos. Começou então o sucesso.

Desde a publicação de Harry Potter e a Pedra Filosofal, um número de tendências sociais vem sendo atribuídas à série. Em 2005, médicos do Hospital John Radcliffe, em Oxford, relataram que uma pesquisa realizada nos finais de semana de 21 de Junho de 2003 e de 16 de Julho de 2005, as datas de lançamento dos dois livros mais recentes, descobriu que apenas 36 crianças necessitaram de assistência médica por acidentes, ao contrário de outros finais de semana pesquisados.

Evidências anedóticas como essa sugerem um aumento do hábito de ler entre crianças por causa de Harry Potter, que foram confirmadas em 2006 quando uma pesquisa do Kids and Family Reading Report (Relatório da leitura infantil e familiar) e da editora americana da série, Scholastic, revelou que 51% dos leitores de Harry Potter com idade entre 5 e 17 anos disseram que não liam livros por diversão antes de começarem a ler Harry Potter, e que agora o fazem. O estudo relatou ainda que de acordo com 65% dos filhos e 76% dos pais, o desempenho escolar das as crianças melhorou desde que começaram a ler a série.

Harry Potter também acarretou mudanças no mundo editorial; uma das mais notadas foi a reforma da lista dos livros mais vendidos do jornal americano The New York Times. A mudança veio logo antes do lançamento de Harry Potter e o Cálice de Fogo, em 2000, quando editores reclamaram do número de posições ocupadas pelos livros de Harry Potter, obrigando o jornal a criar uma lista separada para os livros da série e outras obras infantis, para liberar as primeiras posições da lista.

Também notável é o desenvolvimento de uma grande massa de seguidores. A ansiedade desse fãs pelo último lançamento da série fez com que livrarias em todo o mundo fizessem festas para coincidir com o lançamento à meia-noite dos livros, começando em 2000 com a publicação de Harry Potter e o Cálice de Fogo. Esses eventos, geralmente incluindo jogos, pintura facial, concurso de fantasias, etc., alcaçaram grande popularidade entre os fãs de Potter e foram muito bem sucedidos ao atrair fãs e vender quase 9 milhões das 10,8 milhões de livros da tiragem inicial de Harry Potter e o Enigma do Príncipe nas primeiras 24 horas após o lançamento.

Outro impacto mais penetrante é a introdução da palavra “muggle” (trouxa) na língua inglesa. A palavra expandiu seu significado fora do contexto original, e foi aceita no Dicionário de Inglês Oxford como “uma pessoa que carece de um conhecimento ou conhecimentos em particular, ou que é considerada inferior de alguma forma”.

Críticas literárias

Cedo em sua história, Harry Potter recebeu muitas críticas positivas, que ajudaram a aumentar rapidamente o número de leitores da série. Seguindo o lançamento de Ordem da Fênix em 2003, entretanto, os livros receberam fortes críticas de autores e acadêmicos reconhecidos. A crítica A. S. Byatt escreveu um editorial no jornal The New York Times onde dizia que a série era “Uma colcha de retalhos inteligente de idéias recolhidas de todo o tipos de literatura infantil […], escrita para pessoas cuja imaginação está confinada aos desenhos animados da TV, e aos exagerados […] mundos-espelho das novelas, reality shows e fofoca de celebridades“. Byatt afirma que a aceitação pelos leitores desta “manipulação derivativa de ideias anteriores” nos adultos provem do desejo de regressar aos seus “próprios desejos e esperanças infantis” e nos jovens, “o poderoso apelo da fantasia de escape e engrandecimento, combinados com o fato das histórias serem agradáveis, engraçadas, e assustadoras o bastante“. O resultado final seriam “estudos culturais, que se interessam tanto com o exito e popularidade como com o mérito literário.

O crítico literário Harold Bloom também atacou o valor literário de Potter, dizendo que a “Mente de Rowling é tão governada por clichês e metáforas mortas que ela não tem estilo de escrita” Além disso, Bloom discorda com a noção comum de que Harry Potter foi algo bom para a literatura por encorajar as crianças a ler.

Charles Taylor, da revista eletrônica Salon.com, rebate críticas como a de Byatt. Mesmo admitindo que Byatt pode ter “Uma opinião cultural válida — uma pequena opinião — sobre os impulsos que nos levam a reafirmar o lixo pop e nos afastam das incômodas complexidades da arte“, ele rejeita sua afirmação que a série não apresenta méritos literários sérios, alcançando seu sucesso devido somente ao retorno à segurança da infância que ela oferece. Taylor enfatizou o progressivo tom negro dos livros, mostrado pelo assassinato de um colega e amigo próximo e resultando em feridas psicológicas e isolação social. Taylor também apontou que Harry Potter e a Pedra Filosofal, que muitos dizem ser o livro mais leve dos seis publicados, perturba a segurança da infância que, segundo Byatt, impulsiona o sucesso da série: o livro começa com um duplo assassinato, por exemplo. Taylor cita a “Cena devastadora na qual Harry encontra um espelho que revela o mais verdadeiro desejo do coração e, olhando para ele, vê a si próprio feliz e sorrindo com os pais que ele nunca conheceu, uma visão que dura somente enquanto ele olha para o espelho, e uma metáfora de o quão passageiros são os nossos momentos de verdadeira felicidade“, então pergunta se “essa é a ideia de segurança de Byatt?”. Taylor conclui que o sucesso de Rowling entre crianças e adultos é “porque J.K. Rowling é uma mestra da narrativa.”

Stephen King concordou com Taylor chamando a série de “Um feito do qual somente uma imaginação superior é capaz“, e declarando que o humor de Rowling é “memorável”. Porém, ele escreveu que, apesar de a história ser boa, ele está “Um pouco cansado em descobrir que Harry vive na casa com seus horríveis tios“, o formulaico início de cada um dos seis livros publicados até agora. Ele prediz, ainda, que Harry Potter “Passará pelo teste de tempo e irá para uma prateleira onde somente os melhores são mantidos […]. Essa é uma série não só para uma década, mas para eras“.

Prêmios e honras

J.K. Rowling e a série de livros Harry Potter têm recebido inúmeros prêmios desde a publicação de Pedra Filosofal, incluindo quatro prêmios Whitaker Platinum Book Awards (todos em 2001), três prêmios Nestlé Smarties Book Prize (1997-1999), dois Scottish Arts Council Book Awards (1999 e 2001) e o WHSmith book of the year (2006), dentre outros. Em 2000, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban foi indicado como Melhor Romance no Hugo Awards enquanto Cálice de Fogo ganhou esse prêmio no ano seguinte. As honras recebidas incluem uma indicação ao prêmio Carnegie Medal (1997), uma pré-indicação no Guardian Children’s Award (1998) e inclusão em numerosas listagens de livros notáveis, Escolha dos editores, e listas de melhores livros, da American Library Association, The New York Times, Chicago Public Library e Publishers Weekly. Recebeu três indicações ao Oscar, mas não ganhou nenhuma.

Fonte:
wikipedia

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Livros Ingleses, Resumos

Vitor Ramil (Lançamento do livro Satolep)

Cantor e compositor com vários sucessos na música popular brasileira, Vitor Ramil chega a seu segundo romance, repetindo o mesmo sucesso alcançando como compositor ao lado da dupla de irmãos Kleiton & Kledir. Gaúcho de Pelotas, Vitor Ramil começou sua carreira artística ainda adolescente, no começo dos anos 80. Aos 18 anos de idade gravou seu primeiro disco: “Estrela, Estrela”, com a presença de músicos e arranjadores que voltaria a encontrar em trabalhos futuros, como Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luis Avellar, além de participações das cantoras Zizi Possi e Tetê Espíndola. Neste período, Zizi gravou algumas canções de Vitor e Gal Costa deu sua versão para “Estrela, Estrela” no disco Fantasia.

O livro

Satolep é um livro ao qual Vitor dedicou oito anos de laboriosa manufatura para contar a história onírica de um fotógrafo que, em um tempo indefinido nas primeiras décadas do século 20, volta a Satolep, essa cidade recorrente nas ficções e nas canções do autor, seu terreno particular de invenção e memória. Sua Pelotas (ao avesso)inventada.

Ramil faz uso de uma prosa vagarosa, que infiltra o que está narrando em seu leitor aos poucos, quase como a névoa úmida que ele descreve como símbolo dessa identidade difusa de Satolep, a cidade.

São duas instâncias narrativas que convivem na prosa do romance: uma série de curtos textos poéticos (quase contos, inspirados nas imagens de um álbum de fotos da Pelotas de 1922, um livro real, da Pelotas real, organizado por Clodomiro Carriconde) e a história propriamente dita, um homem em princípio desconhecido e sem nome que decide, de inopino, ao se ver sozinho e inadaptado às vésperas de completar 30 anos no desconfortável sol do Norte do país, voltar para o frio de sua Satolep natal.

No caminho para o Sul, a paisagem ganha o peso dos sonhos. A cerração, a planície, o vento frio. Tudo isso se intensifica quando nos aproximamos de Satolep, cidade que o gaúcho Vitor Ramil construiu a partir de sua Pelotas natal. A história do romance Satolep, de Ramil, começa com um retorno. No dia do seu aniversário de trinta anos, o fotógrafo Selbor volta à cidade onde nasceu, a úmida e fantasmática Satolep.

No início da década de 90, depois de cinco anos morando no Rio de Janeiro, Ramil fez movimento similar e voltou a viver no Sul. Foi o momento em que começou a refletir de maneira mais vigorosa sobre sua identidade gaúcha, e lançou as bases do que viria a chamar de “estética do frio”. As palavras de Selbor (“voltar… Saiba que, seja o que for, significa muito“) encontram eco no famoso conto de Borges, “O sul”, em que o personagem retorna à estância de seus avós maternos e, durante a jornada austral, suspeita que viajava também ao passado.

É este encontro, do narrador e seu passado, que está em jogo em Satolep; uma espécie de encruzilhada onde a herança dos tempos idos e as tensões do presente convergem sem encontrar um equilíbrio (“às vezes, o lugar onde queremos chegar fica exatamente onde estamos“, reflete Selbor). Além de uma paisagem de vento, noites brancas e telhas enegrecidas, uma cidade “amiga dos silêncios e dos vazios”, o protagonista do romance se depara com personagens reais da história pelotense, caso do escritor João Simões Lopes Neto, autor dos livros Contos gauchescos e Lendas do sul; do poeta, jornalista e boêmio Lobo da Costa; e do cineasta Francisco Santos, autor de um dos primeiros filmes de ficção realizados no Brasil.

O próprio narrador, Selbor, tem uma origem real. Foi inspirado em um fotógrafo que documentou amplamente a cidade de Pelotas no início do século XX. Essas fotografias, publicadas originalmente em um livro chamado Álbum de Pelotas, organizado por Clodomiro Carriconde, em 1922, foram recolhidas por Ramil e serviram como ponto de partida para o romance. Em Satolep, elas ocupam um lugar central. Selbor é o autor das fotos, “uma espécie de diário de viagem, um relato indireto dessa minha volta a Satolep“. Essas imagens surgem intercaladas à narrativa, sempre acompanhadas de textos breves, instantâneos de neblina, lirismo e alucinação. Estes excertos são encontrados por Selbor dentro de uma pasta, esquecida por um rapaz na estação de trens. De maneira fantástica e misteriosa, eles parecem complementar os cliques de Selbor. “Os textos da pasta haviam sido tirados pelo rapaz a partir de imagens futuras de minha autoria”, espanta-se o personagem. Esses curtos relatos seguem os passos do narrador-fotógrafo pela cidade, reservando a ele uma espécie de narrativa poética de sua trajetória.

Explorar esses escritos, sua relação com as fotos, revela-se para Selbor como uma espiral vertiginosa de busca por si mesmo. “Nascer leva tempo“, sentencia Ramil. Entender o passado faz parte deste processo. A identificação entre o narrador e a cidade, que é transferida da “fotografia”, do espaço, para a memória, é o motor do romance (“o homem faz a cidade, a cidade faz o homem“, diz o escritor João Simões). Satolep se interpõe no caminho do narrador; está enraizada, é irremovível e condiciona os atos e sentimentos deste protagonista. O narrador e a cidade parecem feitos da mesma substância, uma certa neblina e vento frio, a “umidade que sai de noite e dorme de dia”.

Além de livro, Satolep é também nome de uma música, de um disco (“Satolep Sambatown”, de 2007) e de um personagem de Ramil, o Barão de Satolep, um nobre pelotense pálido e corcunda, alter-ego do músico e escritor. Pedaço de um Brasil muito particular, Satolep é presença fixa na obra de Vitor Ramil, um lugar a qual ele recorre, percorre e busca recriar para constituir a si próprio e “tornar nítido até o que não existe“.

Na Flip de 2008, a influência dos cenários do cone sul em diferentes abordagens literárias foi o tema que reuniu os escritores Vitor Ramil, o argentino Martín Kohan (Ciências morais, Cia das Letras) e o norte-americano Nathan Englander (O ministério de casos especiais, Rocco) ao redor da mesa “A estética do frio” (com mediação de Samuel Titan Jr.), na programação da 6a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP 2008).

O título da seção é referência direta ao ensaio escrito por Ramil em 2004 sobre as especificidades do povo gaúcho, “os mais diferentes em um país feito de diferenças“. Kohan e Englander ambientaram seus romances no período ditatorial argentino e este detalhe os aproxima também de Ramil, uma vez que Argentina e Uruguai guardam enorme semelhança em seus modos de vida com o sul do Brasil.

A relação que Vitor Ramil faz entre a escrita e fotografia – para criar Satolep, ele baseou-se em fotos antigas de Pelotas. O gaúcho fala de sua “imaginação visual” e da influência do repertório de imagens em seu projeto literário.

Fonte:
Academia de Letras do Brasil

Deixe um comentário

Arquivado em Lançamento, notas biográficas, Resumos

Ivani Ribeiro (10 Fevereiro 1916 – 17 julho 1995)

Ivani Ribeiro, nome artístico de Cleide Freitas Alves Ferreira, (São Vicente, 20 de fevereiro de 1916 — 17 de julho de 1995) foi uma autora de telenovelas brasileira.
––––––––––––

Durante a sua carreira, usou como pseudônimos Valéria Montenegro em A Moça que Veio de longe (1964) e Arthur Amorim com O Leopardo (1972), exibida pela TV Record, já que era contratada da TV Tupi; esta novela não obteve grande repercussão.

A carreira teve início aos dezesseis anos, paralelamente aos trabalhos como compositora de sambas, radioatriz, cantora e criadora de programas de variedades. Ivani foi a grande recordista entre todos os autores da telenovela brasileira, com mais de quarenta títulos de sucesso.

Formada na Escola Normal de Santos, Ivani mudou-se para São Paulo a fim de cursar a faculdade de Filosofia além da constante incursão pelo rádio, uma das principais metas de trabalho. Na Rádio Educadora, passou a fazer apresentações onde trouxe a público canções folclóricas e sambas, alcançando grande popularidade logo no rádio através dos programas criados, como Teatrinho da Dona Chiquinha e As mais belas cartas de amor; neste último, Ivani mostrou o lado de radioatriz e interpretou uma personagem feminina. Protagonizou também o programa Hora infantil, com músicas e poemas, que obteve grande sucesso e radiofonizou filmes e novelas famosas, onde também atuava como autora. Nesta mesma rádio, fez o programa Infantil, com músicas e poemas.

Posteriormente transferiu-se para a Rádio Difusora onde atuou como cantora interpretando canções folclóricas e sambas sempre acompanhada por uma orquestra. Integrou também o elenco da PRG-2 – Rádio Tupi de São Paulo. Em 1940, já pertencia ao elenco da Rádio Bandeirantes, para a qual transferiu-se juntamente com o marido, Dárcio Alves Ferreira, um locutor muito premiado e respeitado pela crítica especializada, com o qual teve dois filhos, Luís Carlos e Eduardo. Ele também veio a assumir a direção da broadcasting da PRH-9, pela qual lançou novos programas de alto dinamismo, como o programa de calouros A Hora dos Neófitos, voltado para o público jovem.

Nesta rádio, além de atuar como atriz, adaptou peças para o teatro homônimo onde apresentou diversos programas, dentre os quais Teatro romântico, baseado em poemas clássicos da literatura brasileira; Os grandes amores da história, dramatização da vida amorosa de personalidades históricas, A canção que viveu, dramatização de canções brasileiras, e outros. Ivani também foi a primeira mulher brasileira a ter um programa de radioteatro exclusivamente seu, escrevendo e adaptando inúmeras peças, levadas ao ar pela Rádio Bandeirantes, onde havia um programa que levava o nome Teatro Ivani Ribeiro.

Obras no Rádio
1938 – A Hora Infantil – Rádio Educadora
1938 – Teatro da Dona Chiquinha – Rádio Educadora
1939 – As Mais Belas Cartas de Amor (Como atriz e escritora) – Rádio Tupi (SP)
1940 – Os Grandes Amores da História – Rádio Bandeirantes
194? – Teatro Romântico – Rádio Bandeirantes
194? – A Canção que Viveu – Rádio Bandeirantes
194? – Teatro Ivani Ribeiro – Rádio Bandeirantes
1946 – As Minas de Prata – Rádio Bandeirantes
1947 – Mulheres de Bronze – Rádio Bandeirantes
195? – Anjo ou Demônio
195? – A Muralha – Rádio Bandeirantes
1958 – As Noivas Morrem no Mar – Rádio Farroupilha
1959 – A Menina do Veleiro Azul – Rádio Clube do Paraná
196? – Corações em Conflito – Rádio
196? – Ambição – Rádio
1965 – A Mulher Que Morreu no Mar – Rádio
1981 – A Mulher de Pedra – Rádio Atlântica de Santos

Primeiras telenovelas

Na pioneira televisiva e da América do Sul TV Tupi, escreveu em 1952 a série Os Eternos Apaixonados, o primeiro trabalho nesse meio. Dois anos depois, transfere-se para a TV Record, onde escreveu a adaptação do livro A Muralha (1954) e ainda a novela Desce o Pano em 1957. Em 1958, retornou à antiga emissora onde escreveu A Muralha em uma nova versão. Nesta época a autora realizava alguns teleteatros para várias emissoras, mas a atenção principal eram as radionovelas, que ela escrevia para a Rádio Bandeirantes.

No início dos anos 1960, foi contratada pela recém-inaugurada TV Excelsior, onde era uma das redatoras do Teatro Nove. A primeira telenovela diária de Ivani foi Corações em conflito (1963), com direção de Dionísio de Azevedo, que transpunha para o vídeo uma das histórias que o rádio havia consagrado e discutia os problemas que um viúvo tem ao realizar um segundo casamento, interpretado por Carlos Zara. Aliás esta foi a primeira novela diária nacional, já que as duas que a antecederam tiveram seus textos extraídos de originais argentinos.

A partir da adaptação do texto argentino de A moça que veio de longe (1964), o gênero se torna uma constante na grade de programação de todas as emissoras brasileiras. Ivani foi projetada nacionalmente com o horário das 19h30 na TV Excelsior – inaugurada em 9 de julho de 1960, onde liderou uma espécie de laboratório teledramatúrgico, intercalando romance com melodrama – na segunda metade dos anos 60, quando escreveu treze novelas consecutivas com aproximadamente 1600 capítulos – todas com grande sucesso: Onde nasce a ilusão que abordou a temática circense e contou com produção milionária, A indomável ambientada na década de 1920 e sua primeira incursão em um texto cômico em detrimento dos dramalhões daquela época, Vidas cruzadas um sucesso da época que contou a história dos conflitos entre gêmeos e sósias num tema que seria freqüentemente retomado na história da teledramaturgia brasileira, a bem-sucedida A deusa vencida, A grande viagem que era um suspense policial – temática esta retomada com Anjo marcado, Almas de pedra e As minas de prata – esta última baseada no romance homônimo do escritor José de Alencar serviria para uma segunda adaptação na novela A Padroeira (2001) de Walcyr Carrasco – Os fantoches baseada no livro O caso dos dez negrinhos de Agatha Christie, a novela de época O terceiro pecado, A muralha protagonizada por Mauro Mendonça, Os estranhos que contou com a participação de seres extraterrestres , A menina do veleiro azul que teve problemas na seleção de elenco devido à grave crise da emissora e Dez vidas, baseada no livro Caminho da Liberdade de Wanderley Torres, contando a vida de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier – inconfidente mineiro.

O primeiro grande êxito foi a novela de época A Deusa Vencida (1965), ambientada no final do século XIX, mais precisamente em 1895. Entre os méritos, esta contava ser a novela que foi a primeira a ter uma trilha sonora própria.

Com a falência da TV Excelsior (15 de outubro de 1970), Ivani se transferiu para a TV Tupi, onde emplacou grandes sucessos no horário das vinte horas tradicional da concorrente Rede Globo, como Mulheres de Areia (1973), que foi baseada em uma antiga radionovela de sua autoria, As noivas morrem no ar (1965) e Os Inocentes (1974), inspirada na peça A visita da velha senhora de Durrenmatt e na radionovela de sua autoria A mulher de pedra. Ao longo da novela, ela deixou o roteiro nas mãos do marido para trabalhar na novela A Barba Azul. O tema central também rendeu outras novelas, como Cavalo de aço, Fera radical (ambas de Válter Negrão) e a trama inicial de Chocolate com Pimenta.

Prosseguiu com a espírita A Viagem (1975), inspirada nos livros E a vida continua… e Nosso lar, ambos ditados pelo espírito de André Luiz ao médium Chico Xavier contou com a colaboração do professor José Herculano Pires na última novela da qual Lúcia Lambertini participou pois viria a falecer pouco tempo depois, e O profeta (1977), que também abordou temas espíritas e místicos (como em Os estranhos, A viagem e O terceiro pecado); para escrevê-la, Ivani foi assessorada por um mentor espírita, um psiquiatra, um sacerdote católico e um orientador de candomblé, contando também com a participação especial da apresentadora Hebe Camargo, o médium Chico Xavier e do Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns; a novela ganhou uma adaptação em 2006 exibida pela Rede Globo.

Em entrevista ao Jornal do Brasil (28 de janeiro de 1978), declarou: Focalizando a paranormalidade, que considero um assunto fascinante, armo um debate com a doutrina espírita, a Igreja Católica e a parapsicologia. Mas como sou leiga no assunto, sou assessorada por padres, médicos, médiuns e pais-de-santo. Com essa novela, pretendo despertar a consciência de que precisamos tentar uma maior aproximação do homem com Deus, ao mesmo tempo em que apresento, seriamente, uma ilustração do fenômeno.

Em Aritana (1978) recebeu o auxílio do sertanista Orlando Villas Bôas para abordar a cultura indígena, as diferenças entre os índios e a sociedade dita civilizada; contou também com a colaboração do professor e então administrador do Parque Xingu, Olympio Serra. As gravações só foram possíveis graças ao apoio da Funai e foram feitas no Posto Leonardo em plena selva, e nos estúdios da TV Tupi. A princípio, ela foi mal-interpretada por aqueles que se sentiam ameaçados com os direitos de reivindicação dos índios, como no tema central, em que deseja a posse total das terras para abrigar sua tribo; a intenção da autora foi defendida no especial O Caso Aritana – Uma Novela à Parte, que contou com a participação do diretor artístico da emissora, Carlos Zara, os irmãos Vilas-Boas e grande parte do elenco.

Escreveu também a ecológica O Espantalho (1977), para os Estúdios Sílvio Santos, que abordou o tema da poluição das praias e para redigir o texto de As Bruxas (1970), que abordou assuntos polêmicos à época, tais como o tema da psicanálise de Sigmund Freud, bem como separação de casais e adultério – temas vetados pela censura, que acarretou a mudança de horário -, freqüentou sessões de terapia para que tivesse uma maior compreensão da popularização de análise grupal.

Em 1976, assinou um contrato com os Estúdios Sílvio Santos, com duração de quatro anos. Nesse período escreveu a novela O Espantalho, para a TVS, mas devido ao fracasso dessa novela, a emissora desistiu de investir em teledramaturgia. Sílvio Santos então colocou a escritora à disposição da TV Tupi, em compensação a emisora devia pagar o salário para a escritora; assim Ivani volta à TV Tupi e escreve O Profeta, em 1977 e Aritana, em 1978. Em 1980, com o final de seu contrato com Sílvio Santos e com a falência da TV Tupi, a escritora foi contratada pela TV Bandeirantes.

Ivani foi a principal autora de novelas da TV Tupi na década de 70; por isso, nos últimos dois anos de existência da emissora, os três tradicionais horários de novela foram cancelados e substituídos por reprises de novelas de sua autoria: Gaivotas, de Jorge Andrade, foi substituída pela reprise de O Profeta, Aritana foi substituída por uma reprise compacta de sessenta capítulos de O Espantalho – entre maio e junho de 1979 (que ganharia uma segunda reprise pelo SBT em 1983) e Como salvar meu casamento, a última produção da emissora, que não teve um final exibido, foi substituída pela reprise compacta de A viagem, que não foi terminada devido à grave crise da emissora e da saída definitiva da mesma do ar em 18 de julho de 1980; na reprise, a novela ganhou um novo logotipo e abertura, contando também com outro tema musical.

Depois da falência da TV Tupi, transferiu-se com praticamente todos os colegas autores e de elenco da antiga emissora, para a Rede Bandeirantes, onde escreveu quatro sucessos: Cavalo amarelo (1980). A novela ganhou uma continuação depois do término, Dulcinéa vai à guerra, que não obteve o mesmo êxito e foi escrita por Sérgio Jockyman pois Ivani se recusou a escrevê-la. No mesmo ano foram levados ao ar os remakes de A deusa vencida, e O meu pé de laranja lima; este último é baseado no romance homônimo de José Mauro de Vasconcelos e ganharia uma terceira versão em 1998 adaptada por Ana Maria Moretzsohn, além de uma adaptação para o cinema por Aurélio Teixeira.

Para escrever Os Adolescentes (1981), foi auxiliada pelo psiquiatra Paulo Gaudêncio. Intencionando mostrar os conflitos dos jovens naquele momento, foi substituída por Jorge Andrade, que terminou a obra amenizando os problemas dos jovens centrais e criando personagens novos, inexistentes nos capítulos criados por Ivani anteriormente. Quando Benedito Ruy Barbosa abandonou a escrita da novela Os imigrantes para retornar à Rede Globo, a direção da Bandeirantes resolveu que Ivani deveria abandonar a escrita de Os Adolescentes e assumir Os Imigrantes. Apesar do profissionalismo de Ivani em aceitar esta incumbência, o fato acabou causando uma série de desencontros e o desgaste de sua relação com a emissora, da qual sairia em seguida.

Em 1982 estreou na Rede Globo, onde permaneceu até sua morte. A telenovela que marcou a estréia nessa emissora é Final feliz, foi o último trabalho da atriz Elza Gomes que veio a falecer em 1984, onde a interpretação de Estênio Garcia ganhou os prêmios de Destaque do Ano e Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), fazendo com que o autor fosse contratado pelo governo cearense para promover o turismo naquele estado durante um ano, obteve audiência expressiva, promoveu o merchandising sobre tabagismo, cuja trama focalizava o amor vivido em diferentes idades, bem como uma trama policial e deficiência mental, contando com a colaboração do psiquiatra Stanislau Krinsky e inclusive, retratou características do Nordeste brasileiro e foi a única produção inédita na casa – e última novela inédita de sua autoria, pois todas as outras foram remakes ou baseados em antigos sucessos seus.

Prosseguiu com Amor com amor se paga (1984), ambientada na fictícia cidade de Monte Santo no interior mineiro, inspirada na peça O Avarento de Molière, foi baseada em Camomila e bem-me-quer (1972).

Outro trabalho neste caminho foi Hipertensão (1986), baseada em Nossa filha Gabriela (1971) entretanto sem alterar a estrutura da história onde houve mudanças na espinha dorsal, nos nomes dos personagens, criação de novas tramas formando assim uma nova novela, as cenas externas da fazenda Santa Lúcia foram gravadas em Vassouras (RJ), e ambientada na fictícia cidade de Rio Belo, construída em Guaratiba; O sexo dos anjos (1989) que contou com seqüências gravadas na Amazônia e estação de esqui, efeitos visuais, foi baseada em O terceiro pecado (1968), esta última a primeira incursão no sobrenatural.

O sexo dos anjos não obteve êxito, transpondo para os dias contemporâneos uma história que originalmente se passou na década de 1920; A Muralha, baseada no romance homônimo de Dinah Silveira de Queiroz foi convertida em minissérie em 2000 de 49 capítulos, como parte da comemoração dos 35 anos da TV Globo e também aos 500 anos do Brasil, comemorados em 22 de abril daquele ano – adaptada pela dramaturga portuguesa Maria Adelaide Amaral, afora as quatro apresentações de 1954, 1958, 1963 (estas, de maneira mais simplista, numa época em que as telenovelas brasileiras ainda não eram diárias) e 1968. Maria Adelaide leu os originais que Ivani escreveu para rádio nos anos 1950, para realizar a versão de minissérie da obra, conforme consta em uma entrevista da autora na revista Istoé Gente, de 2000.

Escreveu também os remakes de A gata comeu (1985), comédia romântica ambientada no Rio de Janeiro , o tema de abertura também ficou marcado na memória do público: a música Comeu, de Caetano Veloso, gravada pelo compositor acompanhado pelo grupo Magazine;

Mulheres de areia (1993), a novela deveria substituir Felicidade de Manuel Carlos em junho de 1992, mas como Glória Pires engravidou, sua estréia foi adiada em um ano; em seu lugar, entrou Despedida de Solteiro, de Válter Negrão.

A última novela escrita antes de morrer foi o remake de A Viagem (1994), inspirando-se na filosofia de Allan Kardec. A exibição desta, segundo dados de livrarias especializadas na época, aumentou em 50% a vendagem de livros espíritas; por outro lado, a novela teve protesto de diversos movimentos negros, que enviaram cartas à emissora repudiando a discriminação dos autores por não apresentarem negros no céu, baseando-se na filosofia de Allan Kardec e levantando todas as dimensões da Doutrina Espírita, desde o preconceito dos leigos até estudos científicos: o enredo central, que fala sobre a vida após a morte, comunicação entre vivos e mortos através da mediunidade, reencarnação, intercâmbio entre o mundo material e espiritual, a existência dos espíritos encarnados e desencarnados, a imortalidade do espírito, a vida eterna, crendices populares, possessões, sessões de regressão em vidas passadas, a pluralidade de mundos habitados, a moral cristã rediviva e a caridade; Ivani usou dessa história para apresentar sua crença, contando também com cenas gravadas em um campo de golfe de Nogueira, distrito de Petrópolis (RJ), e também em uma pedreira desativada em Niterói. Inclusive esta novela de tanto sucesso superou os índices de audiência da então novela das oito, Pátria minha, de Gilberto Braga.

Mulheres de areia fez tanto sucesso que nunca obteve uma audiência inferior a cinqüenta pontos – um fenômeno para o horário das seis; na Rússia o sucesso foi tanto que, por decisão do governo, o último capítulo foi exibido no dia em que haveria eleições, para evitar que os eleitores viajassem no feriado e conseqüentemente aumentou a freqüência das zonas eleitorais.

A mais recente adaptação das antigas obras de Ivani foi O profeta (2006), que não era exatamente um remake da primeira versão, foi somente baseada na obra, como a história – a primeira versão da novela era contemporânea e este remake é ambientado nos anos 50 – e a mudança dos nomes de muitos personagens. A novela era ambientada em um supermercado que atualmente foi modificado com uma fábrica de cristais (Áurea) – o cristal é o símbolo da clarividência. A regravação de O profeta já havia sido cogitada anteriormente – mais precisamente em 2004 para substituir Chocolate com pimenta de Walcyr Carrasco, novela aliás que foi inspirada em Amor Com Amor se Paga, mas a emissora acabou optando por Cabocla, de Benedito Ruy Barbosa adaptado por suas filhas Edmara e Edilene Barbosa.

Falecimento e trabalhos póstumos

Ela morreu de insuficiência renal provocada pela diabete, no dia 17 de julho de 1995, aos 79 anos, mas deixou prontos dois trabalhos: a última telenovela, a póstuma Quem é você? (1996), um fracasso de audiência, onde abordou a vida da terceira idade e a farsa dos sexos, protagonizada por Cássia Kiss e Elizabeth Savalla, da qual ela escreveu o argumento e foi redigida pela fiel colaboradora Solange Castro Neves (que escreveu apenas os vinte e quatro primeiros capítulos, transferindo-se posteriormente para a TV Record) e terminada por Lauro César Muniz. O título original da novela era Caminho dos ventos (outro título provisório era Os bonecos). Escreveu também uma minissérie, O Sarau, de doze capítulos baseada em obras do escritor Machado de Assis, projeto este que acabou por ser abortado.

Além desta, Ivani também escreveu o argumento de A Selvagem (remake de Alma cigana, 1964) e O machão, exibidas pela TV Tupi em 1971 e 1974, respectivamente. Esta última foi adaptada de A Indomável (1965), pela TV Excelsior e ganharia uma terceira adaptação em 2000 exibida pela TV Globo, cujo título agora era O Cravo e a Rosa, uma livre adaptação do clássico A megera domada, de Shakespeare. Escreveu também um roteiro para um filme com direção de Roberto Santos – Pantomina. Até a década de 80, Ivani havia adaptado exatos 2922 contos, média de um por dia; além de 1300 peças para rádio. Sem colaboradores ela escrevia dois capítulos de novela, o dobro do que uma equipe de quatro novelistas escreve hoje.

Ivani Ribeiro também foi a única autora a ter suas novelas reprisadas duas vezes na sessão Vale a Pena Ver de Novo: A viagem, em 1997 e 2006 e A gata comeu, em 1989 e 2001, levada ao ar em substituição ao fracasso da reprise dos antigos episódios do extinto programa Você Decide, e foi a novela mais velha a ser reprisada, com dezesseis anos em 2001. Durante a segunda reprise de A viagem, a gravadora Som Livre relançou no mercado a trilha sonora internacional da novela.

Em 1998 a autora e colaboradora de Ivani, Solange Castro Neves, apresentou uma sinopse de A Viagem 2, que seria uma continuação da novela exibida em 1994, mas desavenças entre diretores de emissora, fez com que o projeto fosse abortado.

Fonte:
wikipedia

Deixe um comentário

Arquivado em Biografia, Literatos

Contos de Terror é tema de concurso

Imagem de autoria de Bruno Resende Ramos
A fim de incentivar a imaginação e a escrita de jovens e adultos, a Prefeitura de Sorocaba recebe até o dia 31 de julho as inscrições dos interessados em participar do 1º Concurso de Contos de Terror. A atividade fará parte do evento Se Liga Sorocaba 24 Horas de Cultura, que comemorará os 355 anos de fundação da cidade, nos dias 14 e 15 de agosto. Os três melhores contos ganharão kits culturais com livros e filme de terror e um certificado de participação, além de terem suas obras lidas durante o Se Liga Sorocaba – 24 Horas de Cultura.

O interessado em participar deve ter acima de 14 anos e entregar suas histórias assustadoras na Biblioteca Infantil, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. A inscrição é gratuita. Informações pelos telefones 3238.2499/2496 com Larissa ou Mariana ou 3231.5723, com José Rubens. – http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=31&id=203282

Fontes:
Douglas Lara
Imagem = http://ebooksfantasticos.blogspot.com/

Deixe um comentário

Arquivado em Concursos Literários, Inscrições Abertas

Festerê Literário prepara clima para 13ª Jornada Nacional de Literatura

Foto: Fabiano Hoffmann
Atividades iniciaram com a pintura do labirinto
do mundo da leitura
A Capital Nacional da Literatura entrou em clima de Jornada de Literatura nesta quarta-feira, dia 15 de julho, com o início do Festerê Literário. A primeira ação foi realizada no labirinto de entrada ao Centro de Referência em Literatura e Multimeios, o Mundo da Leitura, da Universidade de Passo Fundo (UPF), que recebeu a pintura de imagens baseadas no cartaz da décima terceira edição da movimentação literária. As releituras foram desenvolvidas por alunos do curso de Artes Visuais da UPF, por meio da disciplina de Gravuras, ministrada pela professora Mariane Sbeghen.

O principal objetivo do Festerê Literário é divulgar as atividades paralelas e gratuitas da Jornada, integrando ainda música e artes visuais. “Teremos um mês de festividades e ações de literatura”, enfatiza Mariane, destacando as apresentações musicais, teatrais e de dança. Além de divulgar a Jornada, que acontece de 24 a 28 de agosto, no Circo da Cultura, o Festerê Literário constitui-se em espaço de divulgação do trabalho artístico de grupos da cidade.

Para a primeira ação, no labirinto do Mundo da Leitura, foram escolhidas seis pinturas, que serão desenvolvidas ao longo dos próximos dias. De acordo com o estudante do sexto nível do curso de Artes Visuais, Giancarlo Rizzi, as releituras foram focadas basicamente no personagem criado para a 13ª Jornada, o “Livro Robô”. “Meu trabalho já começou quando desenvolvemos a capa do jornal do Mundo da Leitura, onde buscamos dar uma identidade diferente para o personagem com maiores detalhes” explicou Rizzi. O acadêmico, que é estagiário no Mundo da Leitura, foi um dos selecionados para realizar as pinturas.

A Jornada deste ano tem como tema “Arte e tecnologia: novas interfaces”. Mais informações sobre a movimentação podem ser obtidas pelo site http://www.jornadadeliteratura.upf.br/ ou em http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/06/13-jornada-nacional-de-literatura-de.html.

Confira a programação do Festerê Literário

12 de agosto
Bourbon Shopping – Passo Fundo
17h – Grupo Música Brasileira da UPF
18h – Método Suzuky – Fac
18h15min – Petipá Espaço de dança

14 de agosto
Apresentação musical e teatral nos ônibus de Passo Fundo, nos horários de maior circulação de pessoas

15 de agosto
Bella Città Shopping
10h – Coral UPF
11h30min – Menino Jesus Coral

15 de agosto
Na Gare
8h30min – Coral da UPF

15 de agosto
Bourbon Shopping
14h – Coral – Colégio Bom Conselho
14h15min – Dança Ensino Médio – Bom Conselho
14h30min – Dança Moderna – Notre Dame
14h45min – Grupo de dança – Notre Dame
15h – Grupos artísticos – Coral
15h30min – Salada brasileira – Marau
15h45min – Dança de rua
16h – Grupo de dança – Colégio Bom Conselho
16h15min – Menino Deus
16h45min – Coral – Notre Dame
17h – Coral UPF
17h15min – Escola Menino Jesus / Notre Dame
17h45min – Coral Infanto juvenil – Notre Dame
18h – Dança Chinesa – CREATI
18h15min – Grupo de dança – DATI
18h30min – Grupo Bem Viver – CREATI
18h45min – Grupo Pupilas da Aldeia
TANZ – Grupo de dança
Grupo Étnico de Danças Folclóricas – UPF

Fonte:
Assessoria de Imprensa da UPF

Deixe um comentário

Arquivado em Congressos - Eventos

Documentário sobre o poeta Patativa do Assaré, em Itu

Exatamente no momento em que se comemora o centenário do poeta, compositor e ícone da cultura popular brasileira Patativa do Assaré (nascido em 5 de março de 1909), a Cariri Filmes e a Iluminura Filmes lançam o premiado documentário “Patativa do Assaré: Ave Poesia”, de Rosemberg Cariri. Resultado de mais de 100 horas de gravações e filmagens realizadas num período de 27 anos, o filme é um importante e necessário documento da nossa cultura.

Em Itu será possível assistir ao filme graças ao Projeto Circuito Cineclubista realizado pelo Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, tendo ainda o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas, Congresso Brasileiro de Cinema e Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural. O projeto tem como objetivo democratizar o acesso da população à produção audiovisual nacional e fortalecer o movimento cineclubista brasileiro através da articulação de um circuito nacional de exibições.

Patativa do Assaré participou de importantes momentos políticos brasileiros: Ligas Camponesas, resistência à ditadura militar, campanha pela Anistia e pelas Diretas Já. Na area cultural, foi homenageado pela Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC) em 1979 e participou ainda dos principais movimentos culturais do seu tempo: Movimento de Cultura Popular (MCP) do Recife, Festivais de Música Popular Brasileira, Grupo de Arte Por Exemplo, Movimento Nação Cariri e Encontro das Culturas Populares do Nordeste, entre tantos outros.

A partir de 1970, Patativa do Assaré passou a simbolizar para os jovens nordestinos uma voz da resistência e das lutas democráticas. A cultura popular nordestina é uma cultura diversificada, rica e universal ao mesmo tempo e é inesgotável fonte de renovação para os mais importantes movimentos culturais e artísticos do País. Escritores, poetas, artistas e pensadores de todo o país tem obras fertilizadas com os signos da cultura nordestina. Como exemplo maior da força comunicativa e social da nossa poesia popular, temos Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares brasileiros de todos os tempos.

Na cidade a exibição do filme acontecerá no dia 19 de julho, domingo, às 18 horas, no Ponto de Leitura – Biblioteca Comunitária Prof. Waldir de Souza Lima. Além do longa metragem “Patativa do Assaré: Ave Poesia”, serão também exibidos os curtas metragens “Chama Verequete”, documentário poético sobre Mestre Verequete, personagem fundamental da história do Carimbó – ritmo raiz do Pará, dirigido por Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira; e “Conversando com Patativa”, dirigido por Valdecy Alves e Flávio Alves. No Ponto de Leitura existe um espaço de dedicado à literatura popular nordestina, que leva o nome de Espaço Cultural Valdecy Alves, em homenagem a este poeta do cordel.

SERVIÇO
EXIBIÇÃO DO FILME “PATATIVA DO ASSARÉ: AVE POESIA”
QUANDO
: 19 de Julho de 2009, domingo, às 18 horas.
ONDE: PONTO DE LEITURA – BIBLIOTECA COMUNITÁRIA PROF. WALDIR DE SOUZA LIMA.
ENDEREÇO: Rua Floriano Peixoto, 238, Centro, Itu (SP)
QUANTO: Entrada gratuita.
CONTATOS: (11) 8445.6122 / (11) 4813.3556

Fonte:
PONTO DE LEITURA – Biblioteca Comunitária Prof. Waldir de Souza Lima

Deixe um comentário

Arquivado em Eventos, Filmes, homenagem

Trova XLV

Deixe um comentário

15 de julho de 2009 · 22:24

Clauder Arcanjo (O Retorno do Burguês)

Lutara avidamente para superar as inexorabilidades do destino. Fizera-se homem, edificara posses, construíra uma carreira digna e bendita pelos cânones capitalistas. Carro, casa, esposa e filhos, patrimônio para o futuro, profissão e algumas passagens pelas colunas sociais. Batismo de pequeno burguês. Enfim, aquele estágio que satisfaz o ego dos parentes, que identificam ter com ser, e atrai um ligeiro sentimento de inveja dos não-aquinhoados.

Voltemos no tempo e vejamos como tudo começou. Fora uma criança que não tivera olhos para as brincadeiras da época. Só lhe estimulava os jogos de poder e ganância. Era maluco por ter um níquel entre os dedos. Com o tostão de hoje se preparava para o milhão de amanhã. Avidamente. Sentia-se sempre incomum. Seus conterrâneos, presos e amantes daquela pequena vida, ele com asas sedentas para novos mundos… Um Ícaro em busca do céu da riqueza.

O tempo corria e só aumentava esta ânsia pela posse, compra da vida. Resolvera abandonar a pequena cidade natal. “Aquela gente era muito parada!”, vociferava. “Tal local não reúne as oportunidades para satisfazer minhas ambições!”. Assistira boquiaberto aos programas de televisão na casa de Zé Gerardo, seu colega de colégio, e babara com a visão da metrópole: cheia de cifras e de prédios arranhando os céus. “Gente! Era isso!”, pensara. E não dormira aquela noite, olhos abertos para este novo mundo. Já se via lá, entre os eleitos. Dois meses depois, pé na estrada. Viajara no misto até a cidade próxima e de lá, trem até a cidade grande.

Sofrera e ralara muito. Tudo demandara muito esforço e superação. Foram lutas em matas escuras e densas, parcas de estímulo e cheias de ossadas de desistentes. Só o farol do sonho do ter, lá no fundo, a iludir os músculos e cérebro de que o alvo estava próximo. Anos e anos de estudo, trabalho, luta, poupança, privações e de não se entregar. Hoje aquela rala sensação de que chegara lá. Meio cisma de dever cumprido. Procurava externá-lo com o carro da moda, a mansão moderna apesar de incômoda, a casa de praia opulenta, mas nunca visitada, roupas de grifes, corte de cabelo moderno com creme… Enfim, um exímio cartão-postal ambulante. Um modernoso.

Formara-se, casara-se, montara patrimônio, tivera seus filhos e…

Vários anos escoaram pelo ralo do tempo quando nosso burguês João Batista de Alencar se deparou com alguma melancolia. Certo peito preso, meio indefinível para alguém que se achava detentor de tudo. Passou a sonhar com a sua província e com os seus. Como andavam seus pais Zé e Maria? E os colegas de escola: Pádua, Gazumba, Totonho, Expedito?… Um silêncio cortava o ar.

Os filhos cresceram e, educados em sua cartilha, largaram a família e foram vencer no mundo. E nem mandavam notícias… Certo dia, encontrou-se com os versos de Drummond: “… hoje Itabira é apenas um quadro na parede e como dói…”. Danado desse verso se transformara em uma pedra no meio do seu caminho. Caminhava para morrer gordo, burocrata e feliz, sem grandes atribulações. E um poema no meio do caminho colocara uma pedra na sua consciência. O relógio trabalhava e aquela sensação só lhe cutucava a mente. Como já se percebera supérfluo em sua casa (mulher nos chás e nas fofocas, filhos no mundo brigando por dinheiro), resolveu visitar sua pequena cidade. Precisaria consultar o mapa para não errar o caminho.

Tinham se passados cinqüenta anos.

Ao chegar, não foi reconhecido por ninguém. Rodou a esmo pela cidade, caminhando sem pressa. Aquilo fez uma limpeza em suas memórias, locupletadas de cédulas e vazias de emoção… E as lembranças da infância foram se apresentando. Eram poucas e isso lhe incomodava. Fugira do lúdico na busca frenética e cega pelo vil metal. Rodou pelas ruas da sua província, reconheceu sua antiga casa, hoje ocupada por outra família, visitou a antiga escola, velha e com as paredes prestes a desabar… Tudo foi lhe invadindo o corpo num crescendo, foi tomado por uma enxaqueca forte e súbita, parou. Sentou-se no banco da praça da matriz e chorou. Chorou copiosamente.

As lágrimas escorriam pela face aos borbotões: fora o primeiro choro da sua vida. Aquele líquido, ao sair de seu corpo, limpou-lhe a visão, adubou seus sentimentos e baniu a terrível dor de cabeça. Respirou profundamente aquele cheiro de vida, levantou a face alegre e… Viu debaixo do grande tamarineiro no meio da praça três crianças rindo e jogando bila (na grande cidade eram bolas de gude)…

Aproximou-se, dobrou a camisa de mangas longas, tirou o sapato da moda, pôs os pés no chão de terra batida e propôs comprar uma bila dos meninos, a fim de participar da brincadeira. “Comprar?”, gritou alto o menor deles. “Tome uma para você e entre no nosso jogo. Sempre cabe mais um quando se usa Rexona!”, fechou ele resoluto.

O velho burguês entrou no jogo, fez-se criança e se sentiu, pela primeira vez na vida, conhecedor de algo simples que sua cidade sempre tivera: felicidade.

Fontes:
Jornal de Poesia
Imagem recortada de Fashion Bubbles

Deixe um comentário

Arquivado em Contos, O Escritor com a Palavra, Rio Grande do Norte

Clauder Arcanjo (Caldeirão Poético do Rio Grande do Norte)

ATÉ ONTEM…
(POR ENTRE RESTOS DE ROSAS)

Até ontem, a tarde trazia
um pouco de cheiro de rosa,
apesar de serem poucas
as floradas do meu jardim.
Havia, na cumeeira das casas,
o medo aos morcegos,
aos fantasmas desdentados,
e aos bruxos de antanho.
Mas, nesta tarde fria e longa,
me encontro sem halo
de camélias, e com o vaso
aposentado das rosas.
E com um espinho lancinante
na fala, recendendo a abandono.
Sem jardins, vejo a noite
cair pesada, e tenho saudade
dos meus fantasmas,
dos morcegos de Santana, e
dos bruxedos do faz-de-conta…
A vida lá fora me garroteia,
e agarro-me a estes humildes
restos poéticos, único barco
deste pouco que ficou de mim.

DESPOJOS

O palhaço partiu,
os balões ficaram flácidos,
o bolo carcomido, e
as crianças despedem-se sem graça.

Na rua em frente, um balão a quicar,
com o vento trigueiro a levá-lo…
Preguiçoso, a rolar pelas pedras,
cabreiro, a acenar para a noite da favela.

De repente, uma luz dúbia na janela,
um olho na fresta, e um coração,
infante, a rezar pelo atraso do lixeiro,
para reinar cedo nos despojos da alegria.

MEANDROS

A noite não vem,
o sol não quer se despedir,
e a felicidade pende como promessa.
Enquanto isso, lá fora, nos meandros
dessa tarde infinda, o bicho-homem
insiste em festejos, apesar do peito,
necrotério, repleto da nefasta abulia.

A REGALIA DE UM DESVARIO

Na beira da estrada solteira,
cabelos lisos, sem riso.
Em meio às pedras toscas,
a regalia de um desvario.
À leira do cântico, em estilo,
os versos a escorrerem da boca.
Dentes a mastigar o uivo
da aurora, amistosa, a lhe fazer
em lobo. No canto, contido.

DAS ESCOLHAS

De todas as dores, a mais do meio;
Dos loucos amores, quero o mais doído.
Das flores, a da rosa do centeio;
Desta fria noite, o mal, calmo e banido.
De tudo, o resto do resto do pouco;
Do pouco, pouco, o que foi mais moído;
Mas que, desta funda noite, escoa o soro
De uma vida por demais ultra-sentida.

CABRA DE PEDRA
A João Cabral de Melo Neto

Ser racional, rocha, pedra.
Fitar o consciente, faca afiada.
Correr com o rio do riso, banir o tolo sorriso.
Exorcizar a volúpia, o transbordamento.
Arquitetar, raspar os excessos.
Ouvir o canto primal, verão solar.
Procurar, catar a palavra exata, sonata-miolo.
Nada que falte ou exceda.
Mastigar, ulcerar, triturar o excedente…
Tecer o cerne da pedra, miolo inconsútil da pedra…
………………………………………………………………………
Arquiteto da pureza que choca,
Fostes o maior dos estetas – anti-supérfluo:
Cabra, e cobra, do pensar, e criar, com pedras.
A pedra das pedras. Sem plumas, com unhas.
Poesia severina. Tradução de todas as sinas.
====================================

Fontes:
Antonio Miranda
Jornal de Poesia
Imagem = montagem José Feldman

Deixe um comentário

Arquivado em Caldeirão Literário, Poesias, Rio Grande do Norte

Clauder Arcanjo (3 Março 1963)

Antonio Clauder Alves Arcanjo (Clauder Arcanjo), nascido em Santana do Acaraú-CE aos 3 de março de 1963, é cronista semanal, resenhista literário — através do heterônimo Carlos Meireles — e colaborador de sites, revistas e jornais de várias partes do País.

Ensina na UERN – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e da UnP – Universidade Potiguar. Segundo ele, é nesse exercício que se realiza plenamente. Um dos idealizadores do Projeto Pedagogia da Gestão, com várias realizações voltadas para gestão, educação e cultura.

Um cearense que tem Mossoró como sua terra por adoção. Engenheiro, escritor, poeta, cronista. Mas, gosta mesmo de ser apresentado, e saudado, como professor

Cronista semanal do Jornal Gazeta do Oeste (Mossoró-RN), resenhista literário do Jornal Literário Mensal O Clandestino, Menção honrosa do Prêmio de Poesia Luiz Carlos Guimarães 2003, promovido pela Fundação José Augusto – Natal/RN.

No ano seguinte, foi distinguido com nova menção honrosa, desta feita na categoria contos dos Prêmios Literários Cidade do Recife.

A reunião de contos, intitulada Licânia, marca a sua estréia em livro em 2007. Entre seus trabalhos inéditos, o autor tem obras nos gêneros poesia, crônica, minicontos, romance e resenhas literárias.

Fontes:
Antonio Miranda
Jornal de Poesia

Deixe um comentário

Arquivado em Biografia, Rio Grande do Norte

Clovis Andrade (Clamor do Mundo)

OS QUE NÃO VIRAM E CRERAM

“Bem-aventurados os que não viram e creram”
(S. João, 21-29)

Felizes são aqueles que passaram
a vida toda crendo e não mentiram,
muito embora sem ver não desdenharam
de coisas que seus olhos nunca viram.

Felizes são os que testemunharam
com viva fé coisas que sentiram
e disseram ao mundo, e acreditaram
em fatos tais que os parvos repeliram.

Bem hajam os profetas que tocados
pela graça de Deus compreenderam
os mistérios da vida irrevelados…

Com os olhos do Espírito buscaram
a Verdade dos que não viram
que, à luz da Eterna Lei, edificaram.

TUDO É DEUS

Mercê de Deus, segundo o panteísmo
a natureza é Deus, assim disperso
no todo e parte pelo sincronismo
das leis do Amor, regentes do Universo.

E Deus é Amor. Está no idealismo
de Spinosa e Platão, no mundo imerso
do espaço-tempo, em meio ao dinamismo
das Esferas, sistema incontroverso.

Deus é o mundo pensando, a sinfonia
da vida, épico poema que exaltamos,
ante o poder da cósmica Energia!

Deus é tudo que existe. Tudo é Deus.
Vibra na idéia, no ar que respiramos,
Desafiando a tese dos ateus!

NÃO HÁ MORTE

“Ora, Deus não é de mortos, e sim, de
Vivos. Laborais em grande erro.
(Marcos, 1: 27)

Somos mortais na carne perecível
por um determinismo universal,
como somos na lei do incogniscível,
algo de Deus, espírito imortal.

Dí-lo bem a Ciência do Invisível;
— a morte é vida à luz potencial
dessa Verdade eterna, imperecível,
culminando sublime no “Eu” real.

Sem os olhos carnais, vislumbro a vida,
além dessa aparência fementida,
em conceitos profundos, positivos…

Nesse reino de Amor e de Verdade,
não há morte, mas imortalidade,
pois “Deus não é dos mortos, sim, de vivos”.

NEGATIVISMO

“O homem é senhor e soberano de tudo que sabe,
Mas é escravo de tudo que ignora”

Por que negar o que se desconhece
no mau vezo de tudo confundir,
o que parece ser e não parece
pelo simples negar, sem perquirir?

Por que negar mofando o que acontece,
em vez de analisar para convir,
onde o poder da Mente permanece
pela razão de ser e de sentir?

Porque o Espírito está na realidade
de tudo acontecer em Luz e Vida
para o conhecimento da Verdade!

Contra os que negam por inconseqüência,
na sua concepção indefinida,
negando por negar sem consciência!

REENCARNAÇÃO

“Segundo o critério espiritualista, o conceito da
evolução implica a necessidade da palingenesica
”.

Dentro da Filosofia
dessa Lei de Causa e Efeito,
só a Verdade faria
de Deus o justo conceito.

Como até compreenderia
a razão do preconceito
de seitas de fancaria
que não merecem respeito…

Ao Carma não há fugir,
pagando em múltiplas vidas
tanto crime a redimir…

Só é crível a redenção
com as almas redimidas,
segundo a REENCARNAÇÃO.
===============================

Sobre o Autor
Clóvis Jordão de Andrade (Pseudônimo: Clóvis Andrade ) nasceu em Macaíba, RN, em 1903.
Obra poética: Imortalidade Poesia ; Musa Amiga do Sonho Poesia ; Versos Diversos Poesia; Clamor do Mundo (Recife, 1959). Livro de inspiração religiosa, cristã, em toda a sua extensão, deste poeta pouco conhecido. Um espiritualista, que acreditava na Reencarnação.

Fonte:
Antonio Miranda

Deixe um comentário

Arquivado em Caldeirão Literário, notas biográficas, Poesias, Rio Grande do Norte

Trova XLIV

Trova sobre cartoon do Nani

Deixe um comentário

Arquivado em Balaio de Trovas, Juiz de Fora, Minas Gerais

Prefeitura de Belo Horizonte abre inscrições para o Concurso Nacional de Literatura

Revelar novos talentos e promover a literatura são propósitos do Concurso. Este ano os vencedores, além do prêmio em dinheiro, terão a obra publicada

A Literatura contemporânea brasileira tem seu destaque na cidade de Belo Horizonte. Mais uma vez, a Prefeitura da capital mineira lança o Concurso Nacional de Literatura com o prêmio “Cidade de Belo Horizonte”, que este ano contempla três categorias Ensaio, Poesia – Autor Estreante, Dramaturgia e o prêmio “João-de-Barro”, destinado à literatura infantil. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 07 de agosto. Os regulamentos e fichas de inscrição dos prêmios, que estão entre os mais importantes e tradicionais do país, podem ser encontrados no site www.pbh.gov.br/cultura . A realização do Concurso Nacional de Literatura é da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio de sua Fundação Municipal de Cultura.

O “Cidade de Belo Horizonte”, que completa 62 anos neste ano, manteve a busca por novos talentos com a categoria Poesia – Autor Estreante, criada há três anos, só recebe obras de autores que jamais publicaram, de forma impressa, livro ou parte dele, qualquer gênero literário. As obras vencedores das categorias Ensaio e Dramaturgia recebem um prêmio de 10 mil reais e Poesia – Autor Estreante, 8 mil reais. As comissões julgadoras indicarão outras duas obras de cada uma das categorias para receber menção honrosa.

O “João-de-Barro” deste ano contempla duas obras com o prêmio de 8 mil reais, sendo uma escolhida por uma Comissão Adulta com júri técnico, composta por três especialistas em literatura infantil, e outra por um júri infantil formada por onze alunos da Rede Municipal de Educação de BH, escolhidos pela Secretaria Municipal de Educação e pela Fundação Municipal de Cultura / Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte. Caso a mesma obra seja selecionada pelos dois júris, receberá o prêmio de 16 mil reais. Assim como no “Cidade de Belo Horizonte”, serão selecionadas duas obras para receberem menção honrosa.

As inscrições gratuitas para os dois prêmios podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, em dias úteis. Os trabalhos também podem ser encaminhados pelos Correios, por Sedex ou registradas com AR, para o endereço da Fundação Municipal de Cultura (Rua Sapucaí, nº 571, Floresta, CEP 30150-050, BH-MG). Para os dois, não serão aceitas inscrições por fax ou e-mail.

A novidade na premiação dos Prêmios “Cidade de Belo Horizonte” e “João-de-Barro” neste ano, é que as obras vencedoras, em cada uma das categorias, além do valor em dinheiro, serão publicadas. O concurso só recebe obras inéditas em língua portuguesa, de autores brasileiros natos ou naturalizados. Cada autor, que deve se identificar, obrigatoriamente, por pseudônimo, pode inscrever um trabalho, sempre encadernado em espiral e com capa plástica, em três cópias, separadamente. O resultado dos concursos será publicado no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte/DOM e no site www.pbh.gov.br/cultura . Os esclarecimentos de dúvidas poderão ser obtidos pelo e-mail: concursos.fmc2009@pbh.gov.br , com assunto Concurso Literário.

Cidade de Belo Horizonte

Completando 62 anos de realização ininterrupta, o “Concurso Nacional de Literatura – Prêmio Cidade de Belo Horizonte” distingue-se por premiar apenas obras inéditas. Criado em 1947, na comemoração do Cinqüentenário da capital, o concurso é o mais antigo do país, contemplando, alternadamente, obras nas categorias poesia, ensaio, dramaturgia, conto e romance. Só em 1984, contudo, ele passou a ser de âmbito nacional, aumentando, inclusive, o valor das premiações, que estão entre as maiores do Brasil. Este ano os vencedores, além do valor em dinheiro serão contemplados com a publicação da obra. A cada edição, o “Cidade de Belo Horizonte” contribui para o surgimento de novos escritores, além de novas obras de autores consagrados. Nomes como Carlos Herculano Lopes, Antônio Barreto, Luis Giffoni, Roseana Murray, Maxs Portes, entre outros, integram a galeria de vencedores do concurso.

No ano passado os vencedores foram Ana Martins Marques e Guilherme Trielli Ribeiro, ambos de Belo Horizonte/MG, na categoria Poesia e Poesia – Autor Estreante respectivamente. Na categoria Romance o ganhador foi Ronaldo Costa Fernandes (Brasília/DF). Além de Jádson Barros Neves (Guaraí/TO) contemplado com a premiação na Categoria Conto.

João-de-Barro

O “Prêmio João-de-Barro”, dedicado a obras inéditas da literatura infantil e juvenil, é promovido desde 1974 pela Prefeitura de Belo Horizonte. Uma de suas peculiaridades é a formação de dois júris distintos, sendo um adulto, composto por três especialistas em literatura infantil ou juvenil, e outro integrado por 11 estudantes da Rede Pública de Belo Horizonte. Alternando, anualmente, literatura infantil e juvenil, o “João-de-Barro” já premiou diversos autores de destaque da literatura infantil e juvenil, como Ângela Lago, Léo Cunha, Fernando Jorge Uchôa, Antônio Barreto, Rita Espechit, Atílio José Bari, Marcos Araújo Bagno, Rosa Amanda Strausz, Ângela Leite, entre outros. Em 2008, que contemplou a literatura juvenil, Stella Maris Rezende (Rio de Janeiro/RJ) e Warley Matias de Souza (Sete Lagoas/MG) foram os vencedores.

Mais informações: (31) 3277-9833 / www.pbh.gov.br/cultura
O Edital e inscrição para o concurso você encontra nas postagens abaixo.

Fonte:

Deixe um comentário

Arquivado em Concursos em Andamento, Concursos Literários, Inscrições Abertas

Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte 2009

REGULAMENTO DO CONCURSO NACIONAL DE LITERATURA PRÊMIO CIDADE DE BELO HORIZONTE – 2009

O Município de Belo Horizonte, por intermédio da Fundação Municipal de Cultura, torna pública, para conhecimento dos interessados, a abertura das inscrições para o Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte, nos seguintes termos:

1 – DO OBJETIVO

O Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte, instituído pelo Decreto nº 204/47, promovido pelo Município de Belo Horizonte e coordenado pela Fundação Municipal de Cultura, tem como finalidade distinguir obras inéditas, em Língua Portuguesa, de autores brasileiros natos ou naturalizados, nas 3 (três) categorias, Ensaio, Poesia – Autor Estreante e Dramaturgia.

2 – DAS CATEGORIAS

2.1 – São as seguintes categorias contempladas nesta edição:

– Ensaio;
– Poesia – Autor Estreante;
– Dramaturgia.

2.2 – Dos gêneros literários abordados pelas categorias:

– Poesia: textos sintéticos com alto grau de poeticidade. Caracteriza-se fundamentalmente pelo ritmo, sonoridade e outros recursos intrínsecos à criação literária;
– Ensaio: obra literária em prosa, caracterizada pela subjetividade com que o autor expõe suas idéias sobre o tema determinado;
– Dramaturgia: texto literário destinado à composição de peças teatrais.

2.3 – Para a categoria Ensaio, a obra inscrita deverá abordar o tema Literatura para Crianças, dentro de um dos seguintes eixos:

a) Criação e produção literária para crianças, observados os aspectos de linguagem, fruição estética e importância na formação de leitores.
b) Mediação da leitura entre crianças, considerando o papel do mediador e sua relevância nas práticas de leitura.

2.4 – Para as categorias Dramaturgia e Poesia – Autor Estreante, a temática é livre.

2.5 – Para categoria Poesia – Autor Estreante, o autor deverá ser estreante em qualquer gênero literário.

3 – DOS CONCORRENTES

3.1 – Poderão participar autores brasileiros natos ou naturalizados;

3.2 – É vedada a participação de funcionários vinculados à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, bem como de cônjuges, companheiros e parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até 3º grau.

3.3 – Poderão participar autores menores de 18 (dezoito) anos, desde que emancipados na forma da lei, ou que obtenham uma declaração dos pais ou responsável legal autorizando a sua participação, conforme modelo deste edital constante do Anexo III deste Decreto.

3.4 – É vedada a participação de autores que tenham sido premiados em uma das duas últimas edições deste Concurso na mesma categoria.

4 – DAS INSCRIÇÕES

4.1 – As inscrições são gratuitas e estarão abertas no período de 24 de junho a 7 de agosto de 2009, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, no horário das 9hs às 17hs. Poderão ser protocolizadas diretamente na sede da Fundação Municipal de Cultura – Rua Sapucaí, n° 571, Bairro Floresta, CEP 30.150-050, Belo Horizonte, Minas Gerais, ou enviadas via sedex, ou similar, ou com aviso de recebimento/AR, ao endereço acima especificado.

4.2 – Só serão aceitas as obras postadas até o último dia do prazo previsto no item 4.1 deste Regulamento, valendo como comprovante o carimbo da agência postal expedidora.

4.3 – A Comissão Organizadora do Concurso não retirará original em agências dos correios, transportadoras ou similares.

4.4 – O ato de inscrição no Concurso implica a plena autorização, por parte do autor, para publicação das obras pela Fundação Municipal de Cultura, caso ela seja a vencedora de sua categoria, sendo indevido qualquer pagamento ao autor, salvo a premiação prevista no item 12 deste Regulamento.

4.5 – O ato de inscrição no Concurso implica a plena autorização dos autores das obras vencedoras e das Menções Honrosas, em todas as categorias, para leitura das obras nas unidades da Fundação Municipal de Cultura, sendo indevido qualquer pagamento ao autor, salvo a premiação prevista no item 12 deste Regulamento.

5 – DAS OBRAS

5.1 – As obras devem ser inéditas e escritas em Língua Portuguesa, ficando automaticamente eliminadas, em qualquer etapa do Concurso, aquelas já publicadas de forma impressa ou virtual, no todo ou em parte, ou divulgadas por qualquer meio de comunicação.

5.2 – As obras deverão ser enviadas em 3 (três) vias, de igual teor e forma, encadernadas em espiral e com capa plástica, separadamente. Não serão aceitos originais grampeados, com folhas soltas ou outras formas de encadernação.

5.3 – As obras deverão conter, na folha de rosto, o nome do Concurso, a categoria, o título da obra e o pseudônimo do autor.

5.4 – As obras deverão ser encaminhadas sob pseudônimos, não podendo conter nos originais nada que identifique o autor.

5.5 – Ficam vedados os agradecimentos, dedicatórias e ilustrações na folha de rosto, no corpo da obra e na capa.

5.6 – As páginas referentes ao corpo da obra deverão ser sequencialmente numeradas.

5.7 – Não serão considerados, para efeito de numeração, a folha de rosto, índices, citações e títulos.

5.8 – As obras deverão ser datilografadas ou digitadas em corpo 12, fonte arial, espaço simples, em papel tamanho A-4 e em apenas uma das faces da folha.

5.9 – Para as categorias Dramaturgia e Poesia – Autor Estreante, as obras deverão ter um mínimo de 30 (trinta) páginas. Para a categoria Ensaio, as obras deverão ter um mínimo de 50 (cinquenta) páginas.

5.10 – Os autores poderão inscrever mais de uma obra em cada categoria, desde que utilizem pseudônimos diferentes, sob pena de desclassificação.

5.11 – Serão consideradas inabilitadas as obras produzidas por mais de um autor.

6 – DOS ENVELOPES

6.1 – Para efeito de inscrição, os interessados deverão encaminhar, em um único envelope fechado, as 3 (três) vias dos originais da obra, e anexar um envelope lacrado, menor, de identificação do autor.

6.2 – O envelope menor, lacrado, deverá conter internamente a ficha de identificação do autor, conforme modelo constante do Anexo II deste Decreto. No caso de autor menor de 18 anos, deverá conter a autorização dos pais ou responsável legal, conforme Anexo III deste Decreto.

6.2.1 – A ficha de identificação do autor e a autorização dos pais ou responsável legal deverão estar devidamente preenchidas e assinadas.

6.3 – Recomenda-se que o envelope lacrado, contendo a ficha de identificação do autor e a autorização dos pais ou responsável legal, esteja grampeado na capa plástica de uma das vias das obras.

6.4 – No envelope mencionado no item 6.1 deste Regulamento deverá constar:

Destinatário: Comissão Organizadora dos Concursos Literários
Fundação Municipal de Cultura
Rua Sapucaí nº 571, Bairro Floresta
CEP: 30.150-050, Belo Horizonte – MG
Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte – 2009
Categoria:____________________________
Título da Obra: ________________________
Pseudônimo do Autor: _________________
O concorrente deverá utilizar como remetente o pseudônimo do autor da obra.

6.5 – No envelope mencionado no item 6.2 deste Regulamento deverá constar:

Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte – 2009
Categoria: __________________________
Título da Obra: ______________________
Pseudônimo do Autor: ________________

6.6 – No lado externo dos envelopes, não deverá conter nada que identifique o autor.

7 – DA SELEÇÃO

7.1 – O processo de seleção será realizado em 3 (três) etapas:

7.2 – A primeira etapa consiste na conferência da documentação recebida e no atendimento às exigências deste Regulamento.

7.2.1 – As obras que estiverem em conformidade com os itens deste Regulamento serão habilitadas. As demais serão inabilitadas.

7.3 – A segunda etapa consiste na avaliação, pelos jurados, de cada uma das Comissões Julgadoras, do conteúdo das obras habilitadas na primeira etapa.

7.4 – A terceira etapa consiste na decisão das Comissões Julgadoras sobre a obra vencedora e sobre a indicação das duas Menções Honrosas de cada categoria.

7.4.1 – Na terceira etapa, serão observadas, pela Comissão Organizadora dos Concursos Literários, todas as exigências deste Regulamento para aclamação das obras vencedoras e das Menções Honrosas.

8 – DAS COMISSÕES JULGADORAS

8.1 – Será indicada uma Comissão Julgadora para cada categoria, composta por 3 (três) especialistas na área e notoriamente reconhecidos.

8.2 – As decisões das Comissões Julgadoras são soberanas e irrecorríveis.

8.3 – Cada Comissão Julgadora poderá deixar de premiar ou indicar Menções Honrosas da sua categoria, desde que justifique tal decisão.

8.4 – Caso uma Comissão Julgadora decida não conceder o prêmio, este não ficará acumulado.

8.5 – Os nomes dos integrantes das comissões julgadoras serão divulgados somente após a publicação dos resultados.

9 – DOS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DAS OBRAS

9.1 – As obras serão julgadas de acordo com os critérios: linguagem, estilo, consonância com a temática, imagens literárias, criatividade, mérito literário e serão avaliadas numa escala de pontuação de 0 a 100.

9.1.1 – Para a categoria Ensaio, será observado se o texto da obra atende ao tema e a um dos eixos solicitados pelo Concurso, conforme o disposto no item 2.3 deste Regulamento.

10 – DOS RESULTADOS

10.1 – A lista com a relação das obras habilitadas e das inabilitadas, na primeira etapa da seleção, será publicada no Diário Oficial do Município, divulgada no site http://www.pbh.gov.br /cultura e afixada na sede da Fundação Municipal de Cultura.

10.2 – A lista com o resultado do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte será publicada no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte e no site www.pbh.gov.br/cultura

11 – DOS RECURSOS

11.1 – O interessado poderá apresentar recurso à Presidente da Fundação Municipal de Cultura, conforme o modelo constante do Anexo IV deste Decreto, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, contados a partir da publicação da lista das obras inabilitadas.

11.2 – Só serão aceitos os recursos postados em até 5 (cinco) dias úteis contados a partir da publicação da lista das obras inabilitadas, valendo como comprovante o carimbo da agência postal expedidora.

11.3 – No envelope contendo o recurso, deverão constar as mesmas informações do destinatário do item 6.4 deste Regulamento.

11.4 – O recurso deverá ser enviado, via sedex, ou similar, ou com aviso de recebimento/AR, ou protocolizado na sede da Fundação Municipal de Cultura, situada na Rua Sapucaí n° 571, Bairro Floresta, CEP: 30.150-050, Belo Horizonte, Minas Gerais.

11.5 – Os recursos enviados por fax ou correio eletrônico serão desconsiderados.

11.6 – A decisão dos recursos será publicada no Diário Oficial do Município e no site www.pbh.gov.br/cultura

12 – DA PREMIAÇÃO

12.1 – Para cada obra vencedora, em cada uma das categorias, será concedido como prêmio a publicação da obra acrescida de valor em dinheiro.

12.2 – As Comissões Julgadoras indicarão também outras duas obras de cada uma das categorias para receber Menção Honrosa.

12.2.1 – As obras contempladas com Menção Honrosa não farão jus à publicação e ao prêmio em dinheiro.

12.3 – Para cada obra vencedora nas categorias Ensaio e Dramaturgia será concedido o prêmio em dinheiro de R$10.000,00 (dez mil reais).

12.4 – Para a obra vencedora da categoria Poesia – Autor Estreante será concedido o prêmio em dinheiro de R$ 8.000,00 (oito mil reais).

12.5 – O valor do prêmio em dinheiro está sujeito à tributação prevista em lei.

12.6 – A cerimônia de entrega das premiações será divulgada, em data oportuna, pela Fundação Municipal de Cultura.

13 – DA PUBLICAÇÃO

13.1 – A Fundação Municipal de Cultura publicará as obras vencedoras para a distribuição entre suas unidades e outras instituições públicas.

13.2. – Para a publicação, os autores das obras vencedoras deverão enviar para a sede da Fundação Municipal de Cultura a versão digital dos textos no prazo de até 15 (quinze) dias contados da solicitação efetivada pela Fundação Municipal de Cultura.

13.3 – As publicações obedecerão aos padrões estabelecidos pela Assessoria de Comunicação da Fundação Municipal de Cultura

14 – DA DISPONIBILIZAÇÃO DAS OBRAS PARA LEITURA

14.1 – Os textos vencedores e os indicados para receber Menção Honrosa ficarão à disposição dos interessados, para leitura, em unidades da Fundação Municipal de Cultura.

15 – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

15.1 – Caberá à Comissão Organizadora solucionar quaisquer controvérsias, casos omissos ou pendências advindas da realização do Concurso.

15.2 – Este Regulamento encontra-se à disposição dos interessados na Fundação Municipal de Cultura e no site www.pbh.gov.br/cultura

15.3 – Os originais e os documentos encaminhados à Fundação Municipal de Cultura não serão devolvidos.

15.4 – É de responsabilidade exclusiva do autor a regularização de toda e qualquer questão relativa a direitos autorais e à observância das disposições deste Regulamento.

15.5 – O ato de inscrição implica a plena aceitação por parte do concorrente do disposto neste Regulamento.

15.6 – Efetivado o recebimento dos originais pela Fundação Municipal de Cultura, não serão aceitas solicitações de alterações nas obras e documentos.

15.7 – Na categoria Poesia – Autor Estreante, o candidato não poderá ter nenhuma publicação, em qualquer gênero literário, de forma impressa ou virtual.

15.8 – Caso seja constatado qualquer tipo de publicação, de forma impressa ou virtual, no todo ou em parte, ou divulgadas por qualquer meio de comunicação, das obras indicadas para receber a premiação e as Menções Honrosas, em data anterior à publicação do resultado deste Concurso no Diário Oficial do Município, haverá desclassificação da obra e outra será indicada pela Comissão Julgadora.

15.9 – Caso seja constatado qualquer tipo de publicação, de forma impressa ou virtual, no todo ou em parte, ou divulgadas por qualquer meio de comunicação, das obras vencedoras e Menções Honrosas, em data anterior ao resultado deste Concurso publicado no Diário Oficial do Município, haverá, a qualquer tempo, a anulação deste resultado.

15.9.1 – A anulação do resultado do Concurso, referente ao item 15.9 deste Regulamento, em qualquer das categorias, implicará no ressarcimento do valor do prêmio e na responsabilização do autor por perdas e danos, perante a Fundação Municipal de Cultura.

15.10 – Não serão aceitas obras escritas em coautoria.

15.11 – Os esclarecimentos de dúvidas poderão ser obtidos, pelo e-mail: concursos.fmc2009@pbh.gov.br , com assunto Concurso Literário.

15.12- Fica eleito o Foro da Comarca de Belo Horizonte, Minas Gerais, para dirimir quaisquer dúvidas ou controvérsias oriundas do presente Regulamento.

Belo Horizonte, 19 de junho de 2009

Marcio Araujo de Lacerda
Prefeito de Belo Horizonte
Thaís Velloso Cougo Pimentel
Presidente da Fundação Municipal de Cultura

Deixe um comentário

Arquivado em Concursos, Concursos em Andamento, Edital de Concursos Literários, Inscrições Abertas

Prêmio João-de-Barro – Categoria Infantil – 2009

REGULAMENTO DO CONCURSO NACIONAL DE LITERATURA
PRÊMIO JOÃO-DE-BARRO – CATEGORIA INFANTIL – 2009

O Município de Belo Horizonte, por intermédio da Fundação Municipal de Cultura, torna pública, para conhecimento dos interessados, a abertura das inscrições para o Concurso Nacional de Literatura Prêmio João-de-Barro, Categoria Infantil – 2009, nos seguintes termos:

1 – DO OBJETIVO

O Concurso Nacional de Literatura Prêmio João-de-Barro- 2009, instituído pelo Decreto n° 2.613/74, promovido pelo Município de Belo Horizonte e coordenado pela Fundação Municipal de Cultura, tem como finalidade distinguir obras inéditas, em Língua Portuguesa, de autores brasileiros natos ou naturalizados, na categoria Literatura Infantil.

2 – DA CATEGORIA

2.1 – Categoria Infantil: destinadas ao público infantil (crianças até 12 anos).

2.2 – O gênero literário e a temática são livres.

3 – DOS CONCORRENTES

3.1 – Poderão participar autores brasileiros, natos ou naturalizados;

3.2 – É vedada a participação de funcionários vinculados à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, bem como de cônjuges, companheiros e parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até 3º grau.

3.3 – Poderão participar autores menores de 18 (dezoito) anos, desde que emancipados na forma da lei, ou que obtenham uma declaração dos pais ou responsável legal autorizando a sua participação, conforme modelo deste Regulamento constante do Anexo III deste Decreto.

3.4 – É vedada a participação de autores que tenham sido premiados em uma das duas últimas edições deste Concurso na mesma categoria.

4 – DAS INSCRIÇÕES

4.1 – As inscrições são gratuitas e estarão abertas no período de 24 de junho a 07 de agosto de 2009, de segunda à sexta-feira, exceto feriados, no horário das 9hs às 17hs. Poderão ser protocolizadas diretamente na sede da Fundação Municipal de Cultura – Rua Sapucaí, n° 571, Bairro Floresta, CEP 30.150-050, Belo Horizonte, Minas Gerais, ou enviadas via sedex, ou similar, ou com aviso de recebimento/AR, ao endereço acima especificado.

4.2 – Só serão aceitas as obras postadas até o último dia do prazo previsto no item 4.1 deste Regulamento, valendo como comprovante o carimbo da agência postal expedidora.

4.3 – A Comissão Organizadora do Concurso não retirará originais em agências dos correios, transportadoras ou similares.

4.4 – O ato de inscrição no Concurso implica a plena autorização, por parte do autor, para publicação das obras pela Fundação Municipal de Cultura, caso ela seja a vencedora de sua categoria, sendo indevido qualquer pagamento ao autor, salvo a premiação prevista no item 12 deste Regulamento.

4.5 – O ato de inscrição no Concurso implica a plena autorização dos autores das obras vencedoras e das Menções Honrosas para leitura das obras nas unidades da Fundação Municipal de Cultura, sendo indevido qualquer pagamento ao autor, salvo a premiação prevista no item 12 deste Regulamento.

5 – DAS OBRAS

5.1 – As obras devem ser inéditas e escritas em Língua Portuguesa, ficando automaticamente eliminadas, em qualquer etapa do Concurso, aquelas já publicadas de forma impressa ou virtual, no todo ou em parte, ou divulgadas por qualquer meio de comunicação.

5.2 – As obras deverão ser enviadas em 3 (três) vias, de igual teor e forma, encadernadas em espiral e com capa plástica, separadamente. Não serão aceitos originais grampeados, com folhas soltas ou outras formas de encadernação.

5.3 – As obras deverão conter, na folha de rosto, o nome do Concurso, a categoria, o título da obra e o pseudônimo do autor.

5.4 – As obras deverão ser encaminhadas sob pseudônimo, não podendo conter nos originais nada que identifique o autor.

5.5 – Ficam vedados os agradecimentos, dedicatórias e ilustrações na folha de rosto, no corpo da obra e na capa.

5.6 – As páginas referentes ao corpo da obra deverão ser sequencialmente numeradas.

5.7 – Não serão considerados, para efeito de numeração, a folha de rosto, índices, citações e títulos.

5.8 – As obras deverão ser datilografadas ou digitadas em corpo 12, fonte arial, espaço simples, em papel tamanho A4 e em apenas uma das faces da folha.

5.9 – Não há limite mínimo ou máximo quanto ao número de páginas da obra.

5.10 – Os autores poderão inscrever mais de uma obra, desde que utilizem pseudônimos diferentes, sob pena de desclassificação.

5.11 – Serão consideradas inabilitadas obras produzidas por mais de um autor.

6 – DOS ENVELOPES

6.1 – Para efeito de inscrição, os interessados deverão encaminhar, em um único envelope fechado, as 3 (três) vias dos originais da obra e anexar um envelope lacrado, menor, de identificação do autor.

6.2 – O envelope menor, lacrado, deverá conter internamente a ficha de identificação do autor, conforme modelo constante no Anexo II deste Decreto. No caso de autor menor de 18 anos, deverá conter a autorização dos pais ou responsável legal, conforme Anexo III deste Decreto.

6.2.1 – A ficha de identificação do autor e a autorização dos pais ou responsável legal deverão estar devidamente preenchidas e assinadas.

6.3 – Recomenda-se que o envelope lacrado, contendo a ficha de identificação do autor e a autorização dos pais ou responsável legal, esteja grampeado na capa plástica de uma das vias das obras.

6.4 – No envelope mencionado no item 6.1 deste Regulamento deverá constar:

Destinatário:
Comissão Organizadora dos Concursos Literários
Fundação Municipal de Cultura
Rua Sapucaí nº 571, Bairro Floresta
CEP: 30.150-050 – Belo Horizonte/MG
Concurso Nacional de Literatura Prêmio João-de-Barro- 2009

Categoria:____________________________
Título da Obra: ________________________
Pseudônimo do Autor: _________________
O concorrente deverá utilizar como remetente o pseudônimo do autor da obra.

6.5 – No envelope mencionado no item 6.2 deste Regulamento deverá constar:
Concurso Nacional de Literatura Prêmio João-de-Barro – 2009
Categoria: __________________________
Título da Obra: ______________________
Pseudônimo do Autor: ________________

6.6 – No lado externo dos envelopes, não deverá conter nada que identifique o autor.

7 – DA SELEÇÃO

7.1 – O processo de seleção será realizado em 4 (quatro) etapas:

7.2 – A primeira etapa consiste na conferência da documentação recebida e do atendimento às exigências deste Regulamento.

7.2.1 – As obras que estiverem em conformidade com os itens deste Regulamento serão habilitadas. As demais serão inabilitadas.

7.3 – A segunda etapa consiste na avaliação, pelos jurados da Comissão Adulta – (júri técnico), do conteúdo de todas as obras habilitadas na primeira etapa.

7.4 – Na terceira etapa, a Comissão Adulta (júri técnico) selecionará 10 (dez) obras e, entre estas, indicará a vencedora e duas Menções Honrosas, conforme seu julgamento, mantendo esta informação sob sigilo até o término da fase de julgamento pela Comissão Infantil.

7.4.1 – As 10 (dez) obras selecionadas pela Comissão Adulta serão encaminhadas para a Comissão Infantil para avaliação.

7.5 – Na quarta etapa, caberá à Comissão Infantil indicar a obra vencedora e duas Menções Honrosas, conforme seu julgamento.

7.5.1 – Na quarta etapa, serão observadas, pela Comissão Organizadora dos Concursos Literários, todas as exigências deste Regulamento para aclamação das obras vencedoras e das Menções Honrosas.

8 – DAS COMISSÕES JULGADORAS

8.1 – O julgamento será realizado por 2 (duas) Comissões Julgadoras, sendo:

a) uma Comissão Adulta (júri técnico), composta por 3 (três) especialistas em Literatura Infantil, indicados pela Fundação Municipal de Cultura;

b) uma Comissão Infantil (júri infantil) composta por 11 (onze) alunos da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, escolhidos pela Secretaria Municipal de Educação e pela Fundação Municipal de Cultura / Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte.

8.2 – As decisões das Comissões Julgadoras são soberanas e irrecorríveis.

8.3 – Cada Comissão Julgadora poderá deixar de premiar ou indicar Menções Honrosas da sua categoria, desde que justifique tal decisão.

8.4 – Caso uma Comissão Julgadora decida não conceder o prêmio, este não ficará acumulado.

8.5 – Os nomes dos integrantes das comissões julgadoras serão divulgados somente após a publicação dos resultados.

9 – DOS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DAS OBRAS

9.1 – As obras serão julgadas, pela Comissão Adulta, de acordo com os seguintes critérios: literariedade, criatividade e fantasia, ludicidade, imaginação e dinamismo da história, respeitando a faixa etária condizente com o tamanho do texto, e serão avaliadas numa escala de pontuação de 0 a 100.

10 – DOS RESULTADOS

10.1 – A lista com a relação das obras habilitadas e das inabilitadas, na primeira etapa da seleção, será publicada no Diário Oficial do Município, divulgada no site http://www.pbh.gov.br/cultura e afixada na sede da Fundação Municipal de Cultura.

10.2 – A lista com o resultado do Concurso Nacional de Literatura Prêmio João-de-Barro- Categoria Infantil – 2009 será publicada no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte e no site http://www.pbh.gov.br/cultura.

11 – DOS RECURSOS

11.1 – O interessado poderá apresentar recurso à Presidente da Fundação Municipal de Cultura, conforme o modelo constante no Anexo IV deste Decreto, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, contados a partir da publicação da lista das obras inabilitadas.

11.2 – Só serão aceitos os recursos postados em até 5 (cinco) dias úteis contados a partir da publicação da lista das obras inabilitadas, valendo como comprovante o carimbo da agência postal expedidora.

11.3 – No envelope contendo o recurso, deverão constar as mesmas informações do destinatário do item 6.4.

11.4 – O recurso deverá ser enviado, via sedex, ou similar, ou com aviso de recebimento/AR, ou protocolizado na sede da Fundação Municipal de Cultura, situada na Rua Sapucaí n° 571, Bairro Floresta, CEP: 30.150-050, Belo Horizonte, Minas Gerais.

11.5 – Os recursos enviados por fax ou correio eletrônico serão desconsiderados.

11.6 – A decisão dos recursos será publicada no Diário Oficial do Município e no site www.pbh.gov.br/cultura

12 – DA PREMIAÇÃO

12.1 – Para cada obra vencedora, será concedida como prêmio a publicação da obra acrescida de valor em dinheiro, a ser distribuído da seguinte forma:

a) R$8.000,00 (oito mil reais) para a obra vencedora indicada pela Comissão Adulta;
b) R$8.000,00 (oito mil reais) para a obra vencedora indicada pela Comissão Infantil.

12.2 – Uma mesma obra poderá ser premiada por ambas as Comissões, recebendo o valor total, em dinheiro, de R$16.000,00 (dezesseis mil reais).

12.3 – O valor do prêmio, em dinheiro, está sujeito à tributação prevista em lei.

12.4 – As comissões julgadoras indicarão também outras duas obras para receberem Menção Honrosa.

12.4.1 – As obras contempladas com Menção Honrosa não farão jus à publicação e ao prêmio em dinheiro.

12.5 – A cerimônia de entrega das premiações será divulgada, em data oportuna, pela Fundação Municipal de Cultura.

13 – DA PUBLICAÇÃO

13.1 – A Fundação Municipal de Cultura publicará as obras vencedoras para a distribuição entre suas unidades e outras instituições públicas.

13.2 – Para a publicação, os autores das obras vencedoras deverão enviar para a sede da Fundação Municipal de Cultura a versão digital dos textos no prazo de até 15 (quinze) dias, contados da solicitação efetuada pela Fundação Municipal de Cultura.

13.3 – As publicações obedecerão aos padrões estabelecidos pela Assessoria de Comunicação da Fundação Municipal de Cultura.

14 – DA DISPONIBILIZAÇÃO DAS OBRAS PARA LEITURA

14.1 – Os textos vencedores e os indicados para receber Menção Honrosa ficarão à disposição dos interessados, para leitura, em unidades da Fundação Municipal de Cultura.

15 – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

15.1 – Caberá à Comissão Organizadora solucionar quaisquer controvérsias, casos omissos ou pendências advindas da realização do presente Concurso.

15.2 – Este Regulamento encontra-se à disposição dos interessados na Fundação Municipal de Cultura e no site http://www.pbh.gov.br/cultura.

15.3 – Os originais e os documentos encaminhados à Fundação Municipal de Cultura não serão devolvidos.

15.4 – É de responsabilidade exclusiva do autor a regularização de toda e qualquer questão relativa a direitos autorais e à observância das disposições deste Regulamento.

15.5 – O ato de inscrição implica a plena aceitação por parte do concorrente do disposto neste Regulamento.

15.6 – Efetivado o recebimento dos originais pela Fundação Municipal de Cultura, não serão aceitas solicitações de alterações nas obras e documentos.

15.7 – Caso seja constatado qualquer tipo de publicação, de forma impressa ou virtual, no todo ou em parte, ou divulgadas por qualquer meio de comunicação, das obras indicadas para receber a premiação e as Menções Honrosas, em data anterior à publicação do resultado deste Concurso no Diário Oficial do Município, haverá desclassificação da obra e outra será indicada pela Comissão Julgadora.

15.8 – Caso seja constatado qualquer tipo de publicação, de forma impressa ou virtual, no todo ou em parte, ou divulgadas por qualquer meio de comunicação, das obras vencedoras e Menções Honrosas, em data anterior ao resultado deste Concurso, publicado no Diário Oficial do Município, haverá, a qualquer tempo, a anulação deste resultado.

15.8.1 – A anulação do resultado do Concurso, referente ao item 15.8 deste Regulamento, em qualquer das categorias, implicará no ressarcimento do valor do prêmio e na responsabilização do autor por perdas e danos, perante a Fundação Municipal de Cultura.

15.9 – Não serão aceitas obras escritas em coautoria.

15.10 – Os esclarecimentos de dúvidas poderão ser obtidos, pelo e-mail: concursos.fmc2009@pbh.gov.br , com assunto Concurso Literário.

15.11 – Fica eleito o Foro da Comarca de Belo Horizonte, Minas Gerais, para dirimir quaisquer dúvidas ou controvérsias oriundas do presente Regulamento.

Belo Horizonte, 19 de junho de 2009

Marcio Araujo de Lacerda
Prefeito de Belo Horizonte
Thaís Velloso Cougo Pimentel
Presidente da Fundação Municipal de Cultura

Deixe um comentário

Arquivado em Concursos, Concursos em Andamento, Inscrições Abertas

1º Concurso de Poemas de Natal

1. Estão abertas as inscrições para o 1º Concurso de Poemas de Natal, no período de 11 de julho a 11 de setembro de 2009, valendo a data de postagem dos correios para aceitação da inscrição.

2. Tema: Natal. Serão aceitos unicamente poemas de versos livres, objetivando incentivar o gosto pela poesia, aprimorando e revelando novos poetas para trazer a lume o sentido do Natal em nossas vidas.

3. Poderão participar quaisquer pessoas que tenham mais de 18 anos e que escrevam em Língua Portuguesa.

4. Os poemas devem ser inéditos, isto é, não publicados no todo ou em parte em quaisquer veículos de comunicação.

5. Cada participante poderá inscrever até 3 poemas de versos livres, usando um único pseudônimo. Os poemas devem ter no máximo 20 versos/linhas, digitados/datilografados em papel A4 branco e enviados em 3 vias. Em envelope menor, deverá ser escrito o pseudônimo e o título das obras inscritas. Dentro deverão ser enviados os dados do autor: nome, pseudônimo, endereço, telefone, e-mail, pequena biografia e autorização de publicação cooperativada, através de site e livros. Conforme ficha de inscrição no final.

6. Os trabalhos deverão ser enviados para: Angela Togeiro 1º Concurso de Poemas de Natal, Rua Chicago, 587. CEP 30315-520 – Belo Horizonte/MG-Brasil.

7. Os trabalhos não serão devolvidos. Serão incinerados após aclamação dos premiados.

8. Haverá apenas um primeiro colocado que receberá o prêmio de R$150,00 (cento e cinqüenta reais) e diploma. As menções especiais e honrosas receberão diplomas.

9. O resultado será divulgado 30 dias após o encerramento das inscrições aos premiados e na mídia.

10. Os casos omissos a este serão resolvidos pela Comissão do Concurso.

11. Outras informações pelo e-mail poesiasemfronteira@gmail.com
Belo Horizonte, 11 de julho de 2009.

Clique sobre a imagem para ampliar(se voce utiliza o Google Chrome, este recurso de ampliação não funcionará)

——-
Fonte:
Angela Togeiro

Deixe um comentário

Arquivado em Concursos em Andamento

Trova XLIII


Imagem:
Montagem de trova e chifres sobre caricatura de Nilmar Piacentini, in Bau do Luizinho

Deixe um comentário

Arquivado em Balaio de Trovas, São Paulo em Trovas

Cruz e Souza (Sonetos)

PIEDADE

O coração de todo o ser humano
Foi concebido para ter piedade,
Para olhar e sentir com caridade
Ficar mais doce o eterno desengano.

Para da vida em cada rude oceano
Arrojar, através da imensidade,
Tábuas de salvação, de suavidade,
De consolo e de afeto soberano.

Sim! Que não ter um coração profundo
É os olhos fechar à dor do mundo,
ficar inútil nos amargos trilhos.

É como se o meu ser compadecido
Não tivesse um soluço comovido
Para sentir e para amar meus filhos!

CAMINHO DA GLÓRIA

Este caminho é cor de rosa e é de ouro,
Estranhos roseirais nele florescem,
Folhas augustas, nobres reverdecem
De acanto, mirto e sempiterno louro.

Neste caminho encontra-se o tesouro
Pelo qual tantas almas estremecem;
É por aqui que tantas almas descem
Ao divino e fremente sorvedouro.

É por aqui que passam meditando,
Que cruzam, descem, trêmulos, sonhando,
Neste celeste, límpido caminho.

Os seres virginais que vêm da Terra,
Ensangüentados da tremenda guerra,
Embebedados do sinistro vinho.

PRESA DO ÓDIO

Da tu’alma na funda galeria
Descendo às vezes, eu às vezes sinto
Que como o mais feroz lobo faminto
Teu ódio baixo de alcatéia espia.

Do Desespero a noite cava e fria,
De boêmias vis o pérfido absinto
Pôs no teu ser um negro labirinto,
Desencadeou sinistra ventania.

Desencadeou a ventania rouca,
surda, tremenda, desvairada, louca,
Que a tu’alma abalou de lado a lado.

Que te infalamou de cóleras supremas
e deixou-te nas trágicas algemas
Do teu ódio sangrento acorrentado!

ALUCINAÇÃO

Ó solidão do Mar, ó amargor das vagas,
Ondas em convulsões, ondas em rebeldia,
Desespero do Mar, furiosa ventania,
Boca em fel dos tritões engasgada de pragas.

Velhas chagas do sol, ensangüentadas chagas
De ocasos purpurais de atroz melancolia,
Luas tristes, fatais, da atra mudez sombria
Da trágica ruína em vastidões pressagas.

Para onde tudo vai, para onde tudo voa,
Sumido, confundido, esboroado, à-toa,
No caos tremendo e nu dos tempo a rolar?

Que Nirvana genial há de engolir tudo isto –
– Mundos de Inferno e Céu, de Judas e de cristo,
Luas, chagas do sol e turbilhões do Mar?!

VIDA OBSCURA

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém Te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!

CONCILIAÇÃO

Se essa angústia de amar te crucifica,
Não és da dor um simples fugitivo:
Ela marcou-te com o sinete vivo
Da sua estranha majestade rica.

És sempre o Assinalado ideal que fica
Sorrindo e contemplando o céu altivo;
Dos Compassivos és o compassivo,
Na Transfiguração que glorifica.

Nunca mais de tremer terás direito…
Da Natureza todo o Amor perfeito
Adorarás, venerarás contrito.

Ah! Basta encher, eternamente basta
Encher, encher toda esta Esfera vasta
Da convulsão do teu soluço aflito!

GLÓRIA

Florescimentos e florescimentos!
Glória às estrelas, glória às aves, glória
À natureza! Que a minh’alma flórea
Em mais flores flori de sentimentos.

Glória ao Deus invisível dos nevoentos
Espaços! glória à lua merencória,
Glória à esfera dos sonhos, à ilusória
Esfera dos profundos pensamentos.

Glória ao céu, glória à terra, glória ao mundo!
Todo o meu ser é roseiral fecundo
De grandes rosas de divino brilho.

Almas que floresceis no Amor eterno!
Vinde gozar comigo este falerno,
Esta emoção de ver nascer um filho!

A PERFEIÇÃO

A Perfeição é a celeste ciência
Da cristalização de almos encantos,
De abandonar os mórbidos quebrantos
E viver de uma oculta florescência.

Noss’alma fica da clarividência
Dos astros e dos anjos e dos santos,
Fica lavada na lustral dos prantos,
É dos prantos divina e pura essência.

Noss’alma fica como o ser que às lutas
As mãos conserva limpas, impolutas,
Sem as manchas do sangue mau da guerra.

A Perfeição é a alma estar sonhando
Em soluços, soluços, soluçando
As agonias que encontrou na Terra.!
———–

Fonte:
Obras Completas de Cruz e Souza: Poesia I (Broqueis, Pharoes, Últimos Sonetos). Rio de Janeiro: Editora Annuario do Brasil, 1923.

Deixe um comentário

Arquivado em O poeta no papel, Poesias

Uelington Farias Alves (Cruz e Souza: O Dante Negro)

Uelington Farias Alves é um dos mais famosos críticos literários do mundo afro-brasileiro e importante resenhista do “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro. Autor de autor quatro livros sobre Cruz e Souza, o mais importante representante da simbolismo no poesia brasileira, Uelington, ao que tudo indica, resolveu imprimir mais força ao seu ciclo Cruz e Souza. Ele lançou, em dezembro passado, pela Pallas Editora, seu quinto livro sobre o poeta: ” Cruz e Souza: Dante negro do Brasil”, de 410 páginas, editora Pallas, do Rio de Janeiro, em comemoração aos 110 anos da morte do poeta catarinense, trazendo como sempre documentos e poemas inéditos sobre o festejado poeta, cuja obra é comparada ao trabalho dos representantes da poesia simbólica francesa como Mallarmé. Com este novo trabalho, Uelington se consagra como o maior estudioso da obra do maior poeta do simbolismo brasileiro.

No novo trabalho, o crítico literário negro mexe em alguns mitos. Por exemplo: quem pensa que Cruz e Souza foi um poeta negro que sabia seu lugar entre os literatos da época, está enganado. Segundo o estudioso, Cruz e Souza, filho de escravos, educado por uma família branca catarinense em fins do século XIX, militou a favor da universalização da educação para os brasileiros. Como o jornalista José do Patrocínio, ele foi um abolicionista de mão cheia.

Segundo o autor de ” Cruz e Souza: Dante negro do Brasil”, Cruz e Souza é um poeta mal compreendido e pouco aceito pelas elites literárias brasileiras. Existe até uma má vontade pelo fato de um negro ser o maior poeta simbolista de todos os tempos e não os literatos brancos.

Cruz e Souza nasceu em Desterro, atual Santa Catarina, em 1861, filho de escravos. Estudou graças ao empenho dos seus pais, que, embora analfabetos, não desejavam o mesmo destino para os filhos. Poeta e tuberculoso, Cruz e Souza faleceu aos 36 anos, em 1898, no Rio de Janeiro, deixando uma grande obra poética.

Seu grande biógrafo, Uelington Farias Alves, é carioca, jornalista, escritor e crítico literário. Publicou cinco livros, entre os quais se destacam ” Poemas inéditos com Cruz e Souza” (Prêmio da Academia Brasileira de Letras, de 1991) e “Poemas inéditos de Cruz e Souza”(Destaque da Bienal do Livro de São Paulo, de 1996, segundo a revista “Veja”).

No cinema, Uelington foi consultor do longa-metragem “Cruz e Souza: poeta do Desterro”, de Sylvio Back. O crítico tem ainda a Medalha de Honra ao Mérito concedida pelo Governo de Santa Catarina pelos seus estudos sobre Cruz e Souza.
——————————

Acompanhe, agora, a entrevista que Uelington concedeu ao site Questões Negras

QN – Você pode nos dar um perfil de sua atuação profissional como crítico literário?

UELINGTON – Sou jornalista profissional e professor de literatura brasileira. Faz algum tempo que me dedico à pesquisa histórico-literária e à crítica de livros, trabalho que venho desenvolvendo desde o final dos anos de 1980, mas que se firmou quando passei a escrever para o “Diário Catarinense”, no ano de 1990. Ganhei alguns prêmios importantes em minha carreira de escritor: o Silvio Romero de pesquisa história literária da Academia Brasileira de Letras, em 1991, e duas medalhas de Honra ao Mérito, pelo Governo do Estado de Santa Catarina e pela Câmara Catarinense do Livro.

QN – Você tinha quatro livros sobre Cruz e Souza . Porque resolveu fazer o quinto?

UELINGTON – Os meus livros anteriores, hoje esgotados e encontrados apenas em alguns sebos, sobretudo pelo internet, foram livros construídos com base nos meus primeiros anos de pesquisa histórica. Não me furto a dizer que, no geral, são livros incompletos. Ao escrever este novo livro procurei completar o meu trabalho de pesquisa, dando uma dimensão maior ao trabalho que venho realizando durante tantos anos, buscando sempre fontes ignoradas por estudiosos e biógrafos do poeta negro. Ora, isto me levou a percorrer caminhos novos, trazendo surpresas agradáveis, como revelações sobre sua descendência, o encontro de inéditos, tanto em prosa, quanto em versos, bem como a aproximação do poeta com seu mundo familiar e as questões do seu tempo, como o abolicionismo e a república.

QN – Que novidade traz neste novo livro?

UELINGTON – Algumas importantes do ponto de vista racial e histórico-literário. Primeiro: o relacionamento do poeta com seus pais. Numa determinada passagem, vamos descobrir que Cruz e Sousa foi educado em função da dedicação dos pais, não dos seus senhores, como a história gosta de contar. Um documento da época demonstra perfeitamente o esforço de Mestre Guilherme pela educação dos filhos (Cruz e Sousa tinha um irmão), buscando na brecha da lei meios para dar educação aos seus, embora “pobre jornaleiro, que tudo sacrifica” pela educação dos meninos (como está textualmente num documento datado da década de 1870). Outra descoberta importante é referente à comunidade negra do Desterro, que ele freqüentava e junto a ela fazia ouvir ao piano. Músico e poeta, Cruz e Sousa também foi autor teatral, algo ignorado pelos biógrafos, igualmente o fato de ter deixado um romance inicialmente publicado na imprensa, do qual se conhece apenas, e infelizmente, três capítulos. Tudo isso está detalhado no meu trabalho.

QN – Você acha que a obra de Cruz e Souza é mal divulgada no Brasil?

UELINGTON – Não só de Cruz e Sousa, mas especialmente as obras dos poetas. Cruz e Sousa é, como os demais, mais uma vítima do preconceito com os poetas e os sonhadores. Eu diria que, apesar de tudo, Cruz e Sousa foi alvo de quatro biografias ou perfis biográficos: a de Nestor Vítor, escrita em 1896, ainda em vida do homenageado, a de Aberlado F. Montenegro, “Cruz e Sousa e o movimento simbolista brasileira”, (de 1954, cuja terceira edição é de 1998), a de Raimundo Magalhães Júnior, “Poesia e Vida de Cruz e Sousa”, (de 1961, cuja terceira edição é de 1975), e a minha, “Cruz e Sousa: Dante Negro do Brasil”, (Pallas Editora, 2008). Existem ainda centenas de artigos, ensaios, teses e dissertações de mestrados a respeito do poeta, além do que se produziu sobre ele no exterior. Portanto, eu não diria que ele é tão mal divulgado; é talvez, por ser negro, é mal compreendido e pessimamente aceito pela elite branca, que é a que domina os estudos acadêmicos, que são, de longa data, os mais divulgados no Brasil.

QN – Como ocorreu seu interesse pela obra de Cruz e Souza?

UELINGTON – Vem, talvez, da infância, quando vi uma poesia e uma foto ou imagem dele numa dessas enciclopédias que meu pai, Enes de Oliveira Alves, comprava na porta de casa. Numa visita às páginas de uma dessas enciclopédias (eram muitas, ele comprava todas as que apareciam, o vendedor era esperto), li sobre a história daquele poeta, filho de escravos, com uma vida triste e um poema melancólico, que era o soneto “Alma ferida”. Perguntei a minha mãe se tinha um poeta negro, e ela, com aquela simplicidade exemplar, que só a Dona Flora tem até hoje, me disse: Meu filho, se tá aí no livro é porque tem. E ponto final. Mas tarde, na escola secundária, aprofundei meus contatos sobre literatura, e o Cruz e Sousa foi uma chave que me ligou indelevelmente ao mundo.

QN – Cite poemas dele que você mais gosta.

UELINGTON – São vários os poemas e textos em prosa que admiro em Cruz e Sousa, publicados em livros como “Tropos e fantasias”, “Broqueis”, “Faróis”, “Últimos sonetos”, “Missal” e “Evocações”. Têm os poemas “Crianças negras”, “25 de Março”, “Vida interior”, “Ser livre”, “Violões que choram…,” “Assim seja”, “Caminho da glória”, “Sorriso interior”, “Assinalado”, “Cavador do infinito”, “Ironia das lágrimas”, “Ressureição”, “Esquecimento”, “Foederis Arca”, “Consciência tranqüila”, “Emparedado”, entre muitos outros.

QN – Cruz e Souza teve algum desempenho social-militante em sua vida?

UELINGTON – Cruz e Sousa, como mostro no meu novo livro, foi um homem de avançadas idéias socialistas, preocupadas, sobretudo, com a educação do povo. Descobri um artigo seu inédito em livro onde ele prega a universalização da educação. Outra bandeira importante foi sobre o abolicionismo. Textos inéditos demonstram que ele combateu com todas as suas forças o regime escravista, o que resultou no início do processo de forte discriminação contra ele e sua família, como há relatos de sua mãe, Carolina de Sousa.

QN – Você poderia fazer uma comparação entre as trajetórias de José do Patrocínio, Cruz e Souza e Machado de Assis?

UELINGTON – São trajetórias de negros bastante diferentes. José do Patrocínio foi um negro que ascendeu na sociedade dos brancos, chegou a casar com uma mulher branca, sua ex-aluna, cuja família tinha posições na sociedade da época. Foi, sobretudo, dono de jornal, chegou a ser remedianamente rico, mas, no fundo, foi um jornalista e intelectual. Sua obra de ficção está por ser estudada. Machado de Assis foi essencialmente um romancista e poeta. Seu propalado distanciamento da questão racial é uma estratégia de sobrevivência num meio hostil a homens mulatos que professavam tais pensamentos. Mesmo assim não foi indiferente, e o professor Eduardo de Assis já provou isso em obra importante que foi o seu ” Machado de Assis afrodescendente” (Pallas Editora). Cruz e Sousa sofreu por estar no lugar errado na hora errada. Sem meios e com um orgulho bastante elevado, se distanciou de todos, assim que passou a sofrer os primeiros reveses dos literatos da época. Os enfrentou a seu modo e perdeu: a pobreza e a doença os fez ver isso.

QN – Você vai fazer o lançamento do livro em Santa Catarina?

UELINGTON – Provavelmente a Pallas Editora, através da Cristina Warth, deve organizar um lançamento na terra natal do poeta biografado. Já há solicitações das academias de letras locais, de professores ligados as universidades, nesse sentido. Penso que não seria justo não haver lançamento lá, mas fica a critério da editora resolver e decidir sobre esta questão, indo não só a Santa Catarina, mas em outros estados, como em Pernambuco, Rio Grande do Sul, Bahia, São Paulo e Minas Gerais, que têm um histórico de aceitação sobre o que o poeta produziu.

QN – Existe ainda parentes de Cruz e Souza vivos ? Como eles vêm seu trabalho?

UELINGTON – Parte da descendência de Cruz e Sousa mora no Realengo, outra parte em outros bairros da Zona Oeste. Já tive muito contato com a família, ao tempo que a matriarca Erci Cruz e Sousa era viva. Depois, este contato se perdeu um pouco. Não sei como eles hoje vêem o meu trabalho, mas espero que vejam.

QN – Além de você, existem mais críticos literários negros no Brasil? Se existem, quais? São ligados à causa negra?

UELINGTON – Não tenho conhecimento se existem outros críticos literários negros no Brasil. É bom que se diga que a crítica literária é um atividade regular, que requer dedicação e necessita de seriedade e desprendimento. Penso mesmo que a crítica não é um trabalho de aventura, de quem escreve algo sobre um livro e se acha crítico da noite para o dia. A crítica carrega em si uma metodologia de concepção, que vai muito mais além da leitura de um livro; chega a ser a abordagem de uma obra num aspecto que, muitas vezes, nem o seu autor chegou a perceber.

QN – Como você analisa seu papel de crítico literário do “Jornal do Brasil”?

UELINGTON – Penso que não chego a ter um papel de crítico literário no “Jornal do Brasil”, quando escrevo para o caderno ” Idéias”. O “JB” me permite um espaço onde tenho liberdade de expressar o que quero, sem o comprometimento com livrarias, editoras e autores tais. Certa vez, fiz a crítica tão dura de um livro de um determinado autor e pensei comigo: esse cara vai me matar. O caso é que o autor, que era baiano e estava de passagem pelo Rio quando leu o meu texto, teve uma atitude completamente diferente. Ele achou que fui sincero; e gostou da crítica.

Fonte:
Questões Negras

1 comentário

Arquivado em Entrevista, notas biográficas, O Escritor em Xeque

Adonias Filho (História de Emílio)

Pintura de Van Gogh
Paulino Duarte sabia, desde que Miguel Duarte morrera, ele sabia que, bem no abismo da sua alma, havia um grande medo inexplicável. Uma coisa inexprimível, irreversível, estagnante, que o fazia ouvir vozes, particularmente aquela voz vazia que pronunciava o nome de Lica. Era como alguém que endoidecia, vagando pela casa fechada, trêmulo, escutando alarido do vento nas palmeiras do quintal. Os ratos corriam na despensa, calafetava os buracos das paredes com canhamaço. As vozes, porém, continuavam, fracas como um bocejo. Pálido, da sala, só encontrava sossego quando abria a porta e chamava os cães aos berros. Entre eles, as pulgas mordendo, sentia-se calmo e adormecia. No entanto, na noite seguinte o mesmo martírio, a mesma tortura. Algumas vezes, no reflexo da luz, distinguia o rosto do pai bêbado, a barba falhada de Juca Pinheiro. Foi em uma dessas noites, pouco tempo após a morte de Miguel Duarte, que ouviu, dentre o ruído da chuva, fortes pancadas na porta da cozinha. Acorreu, empunhando o facão, e abriu a porta com um grito: “Quem está batendo aí?” E, encontrando um homem, quase despido, inteiramente molhado, perguntou: “A quem você procura?” O homem respondeu: “Miguel Duarte.” Deteve-se, o coração aos saltos, e respondeu: “Miguel Duarte! Miguel Duarte morreu!” O homem apertou as mãos, uma na outra, como se estivesse com frio, e disse: “Eu preciso falar com Miguel Duarte, a minha conversa é sobre Ubaldo, que está morto e bem morto.” Paulino Duarte recuou, exaltado: “E foi você quem matou Ubaldo? Ubaldo… Mas, quem é você? Que tem a ver meu pai com esse Ubaldo?” O homem fitou-o de relance, respondendo: “Lica, sabe. Faze anos, muitos anos… Ah! O meu nome? Emílio, sim senhor, Emílio.” Entrou na cozinha, os olhos nas panelas, dando a entender que estava faminto.

Comera fartamente, a corcunda deformando o dorso. Depois, sentando-se, acendeu o cachimbo. Disse, a voz pairando no ar como uma lástima: “Eu não posso sair, ficarei aqui durante muitos anos.” Calou-se, sacudindo a cabeça como um tonteado, embuçado no solilóquio que se revelava pelo cochicho dos lábios. Paulino Duarte, alegre por encontrar alguém que lhe fizesse companhia, ouvindo o latejar das próprias têmporas, julgou fosse ele um pouco doido. Perguntou-lhe: “Mas, como foi isso? De onde vem seu conhecimento com meu pai? Por que Juca Pinheiro nunca me falou nisso?” Ele interrompeu: “Espere, espere, eu conto.” E, já na sala, trajando uma roupa enxuta que Paulino Duarte lhe emprestara, a luz empalidecendo o seu rosto como se fosse de cera e um escultor o houvesse feito naquela hora , começou a narrar a sua história. Paulino Duarte não o interrompeu uma única vez.

– Coisas existem, na nossa vida, infalíveis como a própria morte. Tarde ou cedo, acabam por chegar um dia. Precisamos aguardá-las com insensibilidade, quase com desprezo, para vencê-las ou por elas sermos vencidos. A desgraça que me esperava era uma coisa assim. Eu sabia que ela chegaria. Juro, pela minha honra, que sabia. Aguardei-a, prevenido, dizendo a mim mesmo, aconselhando-me naqueles ermos de Duas Barras: “O difícil, Emílio velho, não é vencer, o difícil é saber fracassar.” E esperava, hora a hora, que viesse, e me agarrasse impiedosamente, transformando-me nisso, neste homem acuado que agora sou. Antes – faz tantos anos , apesar de doente, sempre fora uma criatura mais ou menos feliz. Meu pai, que Deus o tenha no céu, morrendo, deixou-me a sua pequena fazenda. Vivia deslumbrado, sem nenhum amargor, amigo de todo mundo. Ali, esquecido naqueles ermos, aprendi a esmiuçar as coisas, decifrar os mistérios, o campo me ensinava, ajudava-me a compreender a vida. Tudo possuía um aspecto de alegria eterna, o sol ou o vento, a noite ou a água. Gostava de ficar deitado sobre a “barcaça” aberta, sonhando, contando indefinidamente as estrelas do céu. Idealizava, naquelas noites de solidão, o céu nos meus olhos como um desenho mágico, idealizava grandes aventuras, exóticas histórias de amor e guerra. Sentia-me inocente como a ave de ninho feito na cumeeira da casa. Assim – como é triste lembrar! – decorreram anos, muitos anos da minha vida. Uma tarde, porém, voltando do rio, encontrei um homem, uma pessoa estranha. Chamava-se Manuel Pedro.
Quer saber quem era Manuel Pedro? Como era Manuel Pedro? Olhos vivos de gato em uma fisionomia parada de estátua. Dir-se-ia não haver sangue, sangue e nervos, no rosto chato. Apenas um bloco de carne, sem pêlos, nariz acurvado como bico, testa ampla, boca pequena, sempre fechada, escondendo os dentes de animal carnívoro.

Fonte:
Academia Brasileira de Letras

Deixe um comentário

Arquivado em Contos, O Escritor com a Palavra

Adonias Filho (1915 – 1990)

Adonias Aguiar Filho (Itajuípe, 27 de novembro de 1915 — Ilhéus, 2 de agosto de 1990) foi um integralista, jornalista, crítico literário, ensaísta e romancista brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras.
===============

Era filho de Adonias Aguiar e de Raquel Bastos de Aguiar.

Em 1936, dois anos após ter concluído seu curso secundário em Salvador, mudou-se para o Rio de Janeiro, na época capital do Brasil, onde retomou a carreira jornalística, iniciada em Salvador. Colaborou com o jornal Correio da Manhã e atuou como crítico literário nos Cadernos da “Hora Presente”, de São Paulo em 1937, no “A Manhã”, nos anos de 1944 e 1945 além do “Jornal de Letras” (1955 a 1960) e do “Diário de Notícias” (1958 a 1960). Em São Paulo, colaborou também com o O Estado de S. Paulo e “Folha da Manhã”.

Entre os anos de 1946 e 1950, dirigiu a Editora “A Noite”. Foi diretor do Serviço Nacional de Teatro, em 1954 e diretor da Biblioteca Nacional nos anos de 1961 a 1971. Ainda como diretor, trabalhou na Agência Nacional do Ministério da Justiça.

Adonias Filho foi consagrado com o título de imortal pela Academia Brasileira de Letras em 14 de janeiro de 1965. Recebeu em 23 de maio de 1969 a posse da cadeira número 21 da Academia Brasileira de Letras pelas mãos do acadêmico Jorge Amado.

No ano de 1966 foi eleito vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa e no ano seguinte, membro do Conselho Federal de Cultura sendo reconduzido em 1969, 1971 e 1973. Foi presidente da Associação Brasileira de Imprensa em 1972 e presidente do Conselho Federal de Cultura de 1977 até 1990, ano de sua morte.

Adonias Filho, como escritor, buscou inspiração para as suas obras de ficção na zona cacaueira próxima a Ilhéus, interior da Bahia, local onde nasceu e passou sua infância. Esse ambiente é notado logo no seu romance de estréia, “Os servos da morte”, publicado em 1946. No romance, aquela realidade serviu-lhe apenas para recriar um mundo carregado de simbolismo, nos episódios e nos personagens, encarnando um sentido trágico da vida e do mundo. Foi ligado ao grupo Festa.

A utilização de recursos altamente originais e requintados, adaptados à violência interior de seus personagens, faz de Adonias Filho um integrante do grupo de escritores que, a partir de 1945, a terceira fase do Modernismo, se inclinaram para um retorno a certas disciplinas formais, preocupados em realizar a sua obra, por um lado, mediante uma redução à pesquisa formal e de linguagem e, por outro, em ampliar sua significação do regional para o universal. Seus romances e novelas serão sempre destaque na literatura de ficção brasileira contemporânea.

Suas obras foram traduzidas para o inglês, o alemão, o espanhol, o francês e o eslovaco.

Faleceu sua fazenda Aliança, em Inema (sul da Bahia), logo depois de perder sua amada esposa.

Prêmios
Prêmio Paula Brito de crítica literária (Guanabara, 1968), com o livro “Léguas da promissão”,
Golfinho de Ouro de Literatura (1968),
Prêmio PEN Clube do Brasil,
Prêmio da Fundação Educacional do Paraná (FUNDEPAR)
Prêmio do Instituto Nacional do Livro (1968-1969)
Prêmio Brasília de Literatura (1973), da Fundação Cultural do Distrito Federal.
Prêmio Nacional de Literatura (1975), do Instituto Nacional do Livro, na categoria de obra publicada (1974-1975), com o romance As velhas, e Prêmio Jabuti na categoria romance.
Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia, em 1983.

Obras

Renascimento do homem – ensaio (1937)
Tasso da Silveira e o tema da poesia eterna – ensaio (1940)
Memórias de Lázaro – romance (1952)
Jornal de um escritor (1954)
Modernos ficcionistas brasileiros – ensaio (1958)
Cornélio Pena – crítica (1960)
Corpo vivo – romance (1962)
História da Bahia – ensaio (1963)
O bloqueio cultural – ensaio (1964)
O forte, romance (1965)
Léguas da promissão – novela (1968)
O romance brasileiro de crítica – crítica (1969)
Luanda Beira Bahia – romance (1971)
O romance brasileiro de 30 – crítica (1973)
Uma nota de cem – literatura infantil (1973)
As velhas – romance (1975)
Fora da pista – literatura infantil (1978)
O Largo da Palma – novela (1981)
Auto de Ilhéus – teatro (1981)
Noites sem madrugada – romance (1983).

Fonte:
Wikipedia

Deixe um comentário

Arquivado em Biografia

Aluísio de Azevedo (Hamleto)

Todo o homem inteligente, que tenha lido durante a vida mais de dez livros de literatura, sente um delicado abalo e um ligeiro frêmito nervoso agitarem-lhe o coração, todas as vezes que vê anunciado, por um ator de nome, o inabalável Hamleto de Shakespeare.

E só com o Hamleto acontece isto. Donde lhe virá tão transcendente privilégio? Qual o segredo da magia dessa misteriosa obra de arte, que assim acorda ao mesmo tempo mil impressões, sem que destas nenhuma entretanto se definisse até hoje claramente?

Todos conhecem Hamleto; muitos o discutem; ninguém e nega; todos o aceitam; todos o desejam; todos o amam doidamente; mas ninguém o explica; ninguém o define, porque o próprio Hamleto não se explica, nem se define a si mesmo. Não se define, porque ele próprio é a mesma dúvida; é a mesma contradição; ele é o indefinido afeiçoado por um poeta de gênio.

Anunciado o Hamleto, correm todos a vê-lo inda uma vez; mas, por melhor que seja a interpretação que lhe dê o artista ninguém até hoje saiu do teatro amplamente satisfeito por ter visto mover-se em cena o Hamleto sonhado pelo seu coração e pela sua inteligência.

Nenhum trágico deu jamais ou será capaz de dar ao vivo esse tipo-enigma, esse idolatrado mito, que vive na imaginação de todos, porque fia Hamleto, posto que muito humano, não é homem.

Não é um personagem em arte, é um símbolo. É a dúvida, intangível e incorporável como o indefinido. E nisso está o seu valor. Todos o compreendem, mas ninguém o define em crítica, nem o traduz em cena satisfatoriamente.

Todos o sentem; todos o compreendem; todos o conhecem, como a um íntimo e querido companheiro da sua própria alma e da sua própria incerteza. Pelo espírito de todo o homem inteligente, por mais curta, mais longa, mais tranqüila ou agitada que seja a sua vida, já pelo menos uma vez, atravessou essa misteriosa sombra, com O seu olhar estranho, embaciado pela indefinida tristeza da dúvida. E essa sombra nunca mais se apagou desse espírito.

Por todo o cérebro, iluminado pelo menos por uma idéia, já algum dia se arrastou gemendo a desvairada melancolia de Hamleto, perguntando à dor da sua própria dúvida, o irrespondível “ser ou não ser”? E o eco desse gemido sem resposta aí ficou gravado para sempre, como a saudade de um amor, ou como o remorso de um crime.

Shakespeare, que formou genialmente os seus tipos com a intensidade das próprias paixões que eles sintetizam; ele que criou o Ciúme com o próprio ciúme; a Loucura com a própria loucura; a Avidez com a própria avidez e o Amor com o próprio amor – fez o Indefinido com o próprio indefinido.

Se Hamleto não fosse contraditório; se fosse explicável e coerente, seria incoerente e contraditório, e nunca seria Dúvida.

Ele é todo feito de contradições; é enérgico e vacilante; indiferente e apaixonado; vingativo e carinhoso; louco e sensato; hipócrita e sincero; paciente e desensofrido; prudente e arrebatado; generoso e pérfido; é bom e é cruel; é bom filho, e é mau filho. As suas lágrimas são escarninhas e o seu sorriso dói. O seu amor é uma queixa contra o seu próprio amor, e o seu ódio é a seiva e é a vida do seu coração. Ele é a Dúvida, que só se define pela dúvida. Ele é a Contradição, que só se afirma pela contradição. Ele é enfim o indefinido.

Ele é o Indefinido quando diz a Ofélia que nunca a amou, mas que a ama agora, contanto que ela nada espere desse amor e se recolha a um convento. Ele é Contradição quando diz que todos os homens, sem excetuar nenhum, nem ele próprio, suo miseráveis, tendo afirmado que seu pai, o rei da Dinamarca, era tão belo modelo de valor e virtudes que só aos deuses podia ser comparado. Ele é contradição no seu extremoso amor filial, porque ele é o carrasco de sua própria mãe. Ele é Contradição quando, tendo já se encontrado e entendido com o espetro de seu pai, que lhe faz revelações imprevistas, vem depois, no célebre monólogo do terceiro ato, falar-nos dessa outra margem oposta à da vida, a morte, donde, afirma ele, nunca ninguém voltou ao mundo que habitamos. Ele é Contradição quando, tendo friamente assassinado Ofélia com a sua cruel indiferença, lança-se diante do cadáver dela, desafiando a quem na terra a possa amar mais do que ele.

Toda essa contradição é a Dúvida.

E porque Hamleto é a Contradição, Hamleto é inexplicável, é vago, é sombra que escapa à grosseira vista dos sentidos, e só pode ser bem julgada e compreendida pelo espírito e pelo coração. Ele, só dentro de nós mesmos, existe real e perfeito; desde que qualquer arte plástica pretenda dar-lhe forma, as suas fantásticas proporções logo se amesquinham, e Hamleto deixa de ser Hamleto como todos o conhecem.

Hamleto fora da nossa imaginação é um polvo fora d’água.

Ele pertence a todos e pertence a cada um em particular. O abalo que se experimenta ao ouvir o seu nome mágico parece a cada indivíduo um caso privado de simpatia. É que Hamleto é a misteriosa expressão da dúvida de cada um de nós. Todos nos embriagamos com esse doloroso e eternal idílio entre o conhecido e o desconhecido.

Pensar em Hamleto é pensar em Ofélia. Menos ideal do que ele, mais terrena, mais sensual, ela é também ainda assim uma visão intangível. Ofélia, toda branca, toda loura, toda amorosa, esbate-se como sombra abraçada à sombra de Hamleto; mas a loucura que nele é sonho e embriaga, nela é realidade e dói.

Só um instante ela é mulher. A sua carne de virgem desaparece desde que ela inclina a dourada fronte, vencida n’alma pela irresistível dúvida do seu príncipe incompreensível, e a pensativa sombra de Hamleto arrasta-a para o indefinido.

Ofélia é triste e contraditória estrela, que se acende à luz do dia e desmaia à sombra da noite. E’ uma estrela afogada na noite da Dúvida.

O seu diálogo com Hamleto é o melancólico idílio de uma luz que morre e suspira com a treva que geme e arqueja.

Há por entre as suas frases doloridas todos os soluços da miséria humana, como entre as de Hamleto há toda a velha agonia da dúvida em que nos arrastamos na vida.

– Eu te amei… Outrora…

– Assim o supus…

– Não devias acreditar… Eu nunca te amei…

– Ai!…

– Entra para um convento… não queiras ser mãe de pecadores. Nós somos todos miseráveis… Fecha-te num claustro…

– Os mimos de amor que me destes aqui os tendes, levai-os… já não têm perfume… o coração que mos deu já me não ama…

– Ah! Ah! és virtuosa?…

– Senhor…

– És… bela?

– Meu senhor…

– Bela e virtuosa. Separa a tua formosura da tua virtude, porque a beleza tem garras fortes e a virtude fraca defesa…

– Meu senhor…

– Entra para um convento… Eu supunha que te amava dantes… Só agora é que te… Faze-te freira…

E a estrela apaga-se de todo e a treva fecha-se na treva, deixando para sempre no espírito de quem escutou o seu idílio a saudade de unia música indefinida, feita de suspiros e de soluços.

* * *

E, pois, quinta-feira passada corri ao teatro Lírico. E o Sr. Novelli disse-me do palco, não sei em nome de quem, que Hamleto era “Histrião por vingança”.

E, com efeito, um calculado doido começou com a sua calculada loucura a intrigar, nem só todos os outros personagens da peça que se representava, como a mim próprio e aos outros espectadores que o ouviam.

Desconheci a tragédia. No fim de algum tempo perguntava a mim mesmo quem seria aquele violento intrigante, aquele sensual dinamarquês que vociferava contra os seus companheiros de cena.

E, â proporção que o Sr. Novelli refundia Shakespeare, Hamleto, a misteriosa sombra que persiste dentro de todo o homem que já leu dez livros literários, ia-se a pouco e pouco afastando de mim, até que, ao terminar o espetáculo, quando o falso doido estica-se e morre, já o meu querido e misterioso Príncipe da Dúvida, que nunca me abandonara o espírito desde que o conheci, tinha de todo me fugido; e eu comecei a sentir-me só, frio, abandonado moralmente, viúvo de um velho companheiro espiritual.

Tive vontade de chorar.

E então apoderou-se de mim um desejo forte, desensofrido de ver Hamleto, de ouvi-lo para matar saudades, de senti-lo vivo, para me convencer de que o Sr Novelli não o tinha assassinado para sempre.

Corri a casa e reli avidamente o divino poema da Dúvida.

Ah! felizmente, antes de adormecer, já de olhos fechados, achei de novo a querida sombra pensativa; estava defronte de mim, imóvel, a fitar-me com um triste olhar de tédio e de desdém, como se eu tivesse culpa do que. sucedeu quinta–feira no teatro Lírico.

Ela voltou, felizmente, mas do susto de a ter perdido é que já ninguém me livra.

E, agora, juro que o Sr. Novelli não ma roubará outra vez, ainda que por cinco minutos.

Nada, com cousas sérias não se brinca!

(Publicado Originalmente em O Pais, 23 de junho de 1895.)

Fonte:
Biblio

Deixe um comentário

Arquivado em Cronicas - Contos, Magia das Palavras, O Escritor com a Palavra

Trova XLII

Deixe um comentário

12 de julho de 2009 · 21:53

João do Rio (A Menina Amarela)

Havia oito dias, Pedro de Alencar, aquele rapaz tão distinto e com uma posição invejável, ia seguidamente à casa de Flora Berta. Toda a roda estava admirada. Pedro – criatura feita de aristocracias inatas, cultor de elegâncias, encafuado num conventilho da Cidade Nova, entre mulheres de má vida, apaixonado pela Flora Berta, gordinha e vulgar nos seus vinte anos! Parecia impossível! Era decerto um novo vício, mais uma esquisitice moral.

Depois, Flora, curioso ser de instinto, tinha um amante, sujeito forte e carnudo, em casa a noite e o dia; e mais uma tropa de amigos íntimos que se aproveitavam dos esquecimentos da proprietária; para almoçar, jantar, dormir e, sempre que havia ocasião, amar. Não! Era impossível. Entretanto, Pedro de Alencar estava cada vez mais preso, e ao encontrar um dos seus mais acirrados amigos, deu a solução do enigma daquela atração.

– É esplêndido, filho, de inconsciência moral! Não imaginas a atmosfera permanente de animalidade vestida. Há meia dúzia de mulheres que só pensam nos homens, uma caterva de homens a galopar pelos corredores. E tudo, até os móveis, parecem gritar a falta de vergonha. Com um mês de estadia naquela casa, fica-se a perguntar onde está o pudor. Realmente, existe o pudor? Existiu mesmo? Estou de observação, meio alegre e meio triste.

A casa em que Pedro de Alencar estava de observação tinha no quarto da frente Flora Berta, com uma cama quebrada, um sofá servindo de toilete e as fotografias e os cartões postais dos seus apaixonados, pregados a tacha pelas paredes. As paredes estavam cobertas dessa ilustração amorosa e edificante. No quarto pegado, morava a Rosinha da Gruma, uma pobre mulher de boca mole e dentadura postiça, que se fizera especialista em amar meninos. Tinha talvez trinta permanentes, dos treze aos dezoito anos, que lhe levavam os magros vinténs, ardendo de devotamento e choravam quando se viam preteridos pelo mais velho, bela envergadura de atleta, cujo primeiro e único carinho fora a aplicação de uma sova tremenda. Na alcova pegada, morava um tipozinho franzino e pintado, a Formiga, apaixonada por um adolescente belo como o Perseu de Benevenuto, e no quarto da sala de jantar, rebaixada por falta de pagamento, Nina Banez, ex-cantora de café-concerto, subitamente empolada pelas caretas de um cômico jovem chamado Andrade. Ainda para os fundos moravam a velha mãe de Flora, com um tipo valentaço, que lhe batia diariamente, o irmão de Flora, ser ambíguo e serpentino, e a criada – uma criada baiana, sempre envolta num chalé e fumando certo cachimbo tão comprido, que parecia mais um narguilé.

Esse pessoal fazia ponto de reunião na estreita casa de jantar, onde, além da mesa, de um guarda-comida e da bilha de barro, havia uma lousa negra, em que se expunham os nomes das pessoas devedoras. Para passar aos quartos, passava-se por ali. Quartos havia que exigiam mesmo a passagem por outro. De modo que de repente, na conversa animada, havia um silêncio. Era alguém que entrava.

– D. Rosinha está?

Se era conhecido, o silêncio transformava-se em alarido.

– Ora, entra, deixa de partes!

Se era coisa nova, ou havia complicações, uma companheira dizia sempre:

– Vou ver.

Ia apenas prevenir. O que estava, saía por outra porta a vir tomar cerveja, e a Rosinha aparecia calma e sorridente:

– Só agora, seu mau! Estou à espera há tanto tempo!…

As damas estavam sempre em roupão, ou em camisa, os homens à frescata. A noite, assim por volta de uma hora da manhã, quando voltavam do teatro e dos cafés, organizavam-se ceias súbitas. Cada rapaz ia comprar uma coisa. Alguns, quando não tinham dinheiro nem para isso, vestiam as camisas das damas e ordenavam os outros com ares dominadores.

Pedro de Alencar assistia às cenas desenfreadas com um excelente bom humor. A princípio Flora Berta fazia sair o rapaz vigoroso por um dos quartos, para não se encontrarem. Pedro deu com o rapaz um dia à porta…

– O Sr. Francisco?

– As suas ordens.

– Subamos juntos.

– Parece-me…

– Nada mais interessante.

O Sr. Francisco subiu. Foi um acontecimento. Entre Francisco e Pedro, Flora Berta irradiava de orgulho e de prazer. Francisco era a sua satisfação física. Pedro o seu apetite de efeito. O segundo era mostrado como se mostra um colar de preço; o outro era invejado como um jantar sempre quente. E, verdadeiramente repartida, pendida para Pedro, com as mãos para Francisco, parecia felicíssima. De resto, embaixo, o automóvel de Pedro carbunculava na treva, e ela não resistia em ir correr a imensa Avenida do Mangue, um manto apenas sobre as espáduas nuas como Frinéia, só com o seu homem de luxo…

As conversas gerais nunca eram de uma inteira cordialidade. De suscetibilidade grande, essas damas zangavam-se por qualquer coisa, umas com as outras. Um vocabulário assustador surgia, portas batiam, gritos, ameaças de conflito. De vez em quando o ardente sustentador da mãe da dona da casa aparecia alcoolizado, com um punhal formidável, querendo matar toda a gente. As mulheres atiravam-se às janelas, pedindo socorro, e como a delegacia era próxima, minutos depois, soldados de espadagão trepavam escada acima, prestes aprender todos os presentes. Como, porém, o delegado tinha uma especial amizade a Flora Berta, tudo continuava na mesma. E ela vociferava indignada:

– Canalhas! Se não fosse eu, estava tudo preso!

Mas o agradável eram as tardes e as noites passadas na sua alcova paupérrima. Berta fechava-se por dentro, farta daquela vida, querendo uma casinha com palmeiras e canários. De um lado Francisco, sempre enleado, sorria; de outro, Pedro, muito alegre, fazia-lhe perguntas, e ela deitada, ria a morrer e contava coisas, como desde criança imaginara ser raptada, a fuga aos quatorze anos com o marido, um barbeiro, aliás, meio tolo, o abandono da casa por causa dos ciúmes da mamã, a quem sustentava.

– Afinal, sempre é mãe, não achas?

Depois tinha ternuras de voz:

– Na minha vida, até agora não tinha gostado de ninguém.

– E agora?

– Agora gosto de vocês dois.

E piscava os olhos para o Francisco, se Pedro estava voltado, tendo o cuidado de significar por um sinal qualquer a Pedro a sua preferência. O Sr. Francisco talvez acreditasse. Pedro divertia-se, amando, afinal, como devia amar essa criaturinha, ingênua, apesar de perdidíssima naquele ambiente de crápula. Era dos que se contentam com o que as mulheres dão, achando-as sempre generosas, por piores que elas sejam. E isso dava-lhe em pouco tempo uma enorme vantagem sobre todos os outros.

– Duvido! bradava ele.

– Juro!

– E estes retratos todos?

Ela então contava a história e as particularidades de cada um daqueles cavalheiros, ia buscar as cartas para lerem alto, rindo. Um dia, Pedro propôs o degolamento geral do exército de fotografias.

– Apoiado! fez com uma alegria terrível o Sr. Francisco.

– Não! não! clamava Flora Berta, louca de riso com a idéia do julgamento e da morte dos retratos.

Horas depois as paredes estavam nuas e Pedro sentia aquele misto de contentamento e de tristeza que tem todo o homem moderno, quando irreparavelmente o mundo lhe mostra o vácuo dos sentimentos. Era inacreditável! Não sentiam aqueles seres, não pensavam, não tinham um toque que os díferençasse dos animais, e pareciam felizes e viviam. Talvez fosse melhor não sentir, porque o pudor é a diferenciação do homem, e aqueles sem pudor viviam radiantes. Nenhum deles teria ao menos um laivo de decoro d’alma?

Talvez tivesse, mas tão apagado, tão liquefeito, e com certeza tão extemporâneo! Os homens pareciam ir ali despir a vergonha para estar à vontade; as mulheres nascidas naquele meio desde crianças, ainda impúberes e já com o conhecimento completo das mais tremendas luxúrias, prestando-se a todas as ignomínias, ignoravam mesmo o que fosse o pudor. E a sua dignidade, – porque elas tinham dignidade – era ter muitos amantes e não se zangar quando as outras lhes tomavam alguns.

– Meus restos, criatura…

O ceticismo romântico de Pedro tornava-se de uma análise penetrante, fazia-o um avaliador de algumas frases inconscientes daquela gente que ele tivera a ilusão de julgar um pouco melhor que a roda da diversão e prazer caro. Pois era pior. Pior porque não era imoral. Nem isso. Pior porque era a alma nua espojando-se e mostrando as mazelas. Aquelas mulheres tinham sido virgens, talvez tivessem ignorado a vida. Nenhuma delas, porém, mostrava, na abundante tagarelice, um sentimento perfumado, uma vaga emoção dignificadora, – tropa meio bamba de bacantes permanentes, com instintos selvagens. E, entretanto, Pedro não desanimava. Fazer-se amar pela Flora Berta? Pobrezita! Não. Ver uma daquelas mulheres mostrar subitamente qualquer coisa de nobre? Não. Pedro esperava o terrível, o imprevisto, lugubremente horrível que há sempre a pairar nos transbordamentos banais da luxúria. E naquela casa aberta a toda a gente, onde se praticava a vida animal sem mistério, sem recato, na sarabanda das ceias, nas mais desenfreadas orgias, em diálogos com a velha mãe de Flora, diariamente espancada, forçando a intimidade com o amoroso Francisco, a cada instante parecia-lhe sentir que impalpavelmente a revelação imprevista ia surgir.

Uma vez, Pedro estava só com a Flora, quando bateram à porta:

– É o Francisco.

– Não, ele bate de outro modo. Decerto alguém que vai passar para o quarto da Rosinha.

Deu a volta à chave, abriu. Diante deles estava, com a sua saia suja, o casaco em tiras, o cabelo de estopa por pentear, uma pobre menina.

Era horrível.

Pequena, miúda, magra, o pescoço fino, tremia como se viesse da neve. E parecia que lhe tinham dado por dentro da pele um violento banho de enxofre. Tinha jalde a face, a pele das mãos era amarela, os lábios, sem sangue, laivavam-se de amarelo, e nas olheiras cor-de-perpétua a esclerótica era cor-de-ovo. Lembrava um espectro de pesadelo, um ser irreal, onde só os seios duros e eretos davam uma impressão de vida impetuosa.

Quando viu Pedro, agarrou-se à porta, a face contraída, tremendo.

– Que queres? indagou colérica Flora.

– Foi a senhora sua mãe que mandou. Pensava estar só, balbuciou a petiz.

– Não disse já que não aparecesse aqui?

– Foi sem vontade. Desculpe. Eu não gosto, não, de aparecer.

E foi recuando, pávida. Berta fechou a porta.

– Que bicho é esse?

– Uma rapariguita, que está aí de favor. Ajuda lá na cozinha.

– Não a tinha visto ainda.

– Tem medo, é uma tola. Imagina tu que tem medo aos homens! Por isso não aparece.

– Mau lugar escolheu ela.

Mas de novo arranhavam à porta. E de fora uma voz lívida, voz de medo, de angústia, de pavor, de choro, quase soluçante, dizia:

– Sou eu ainda, minha senhora. Sua mãe manda buscar a bacia…

Prevendo uma violência da encantadora Flora e mais do que tudo cheio de curiosidade, Pedro ergueu-se rápido e tomou abrir a porta.

– Vá, entre.

A pequena hesitou como se fosse atirar-se a um abismo, fechou os olhos, arregalou-os muito, esticou as mãos amarelas, andou um pouco. Tinha os pés nus e sujos e andando arfava como um duende aterrado. Agarrou a bacia, sobraçou-a. Era atroz, assustadoramente atroz.

– Vem cá. Como se chama você?

– Fala, menina, não tremas. Este senhor não te faz mal. É isso. Vê homem, começa a tremer! Ó Maria, como te chamas? Conta como foi, rapariga, vem cá…

A pequena amarela olhou-os um instante mais, convulsionou-se num soluço que lhe esbugalhava o olhar e deitou a correr pelo corredor. Houve um silêncio, logo interrompido pelo riso de Flora Berta.

– Está há muito tempo contigo?

– Três meses. Foi o pai que a colocou aqui. Tem doze anos e já com aqueles seios…

– Mas está doente, filha. Nunca vi na minha vida uma criatura tão amarela.

Flora voltou-se no leito. Estava linda com a sua carne de leite e rosa.

– Não. Aquilo foi de repente. Há quatro meses um carroceiro, amigo do pai, agarrou-a de noite, à força. No outro dia foram encontrá-la assim, a soluçar, não podendo olhar os homens sem tremer, sem fugir. Nem mesmo o pai. E amarela, toda amarela, filho. O médico disse que foi de horror…

No dia seguinte os hóspedes alegres da casa de Flora Berta verificaram com mágoa que Pedro de Alencar, aquele rapaz tão distinto e com uma posição invejável, deixava de aparecer.

Fontes:
RIO, João. A mulher e os espelhos. Rio de Janeiro, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, 1990.
– Imagem = http://tresequinze.blogspot.com

Deixe um comentário

Arquivado em Contos, O Escritor com a Palavra

Dicionário do Folclore (Letra R)

. A rã, como acontece também com o sapo, é tida como a protetora das nascentes d’água. As rãs, quando coaxam, estão chamando chuva, razão pela qual os índios chamam-na de mãe da chuva.

RABADA. É um prato da culinária nordestina, bastante apreciado. A carne da rabada do boi ou da vaca, cozida com temperos convencionais, é servida com o pirão feito do próprio caldo, com molho de pimenta.

RABECA. É um tipo de violino de timbre mais baixo, com quatro cordas de tripa, afinadas por quintas, sol-ré-lá-mi, que são friccionadas por um arco de crina untado com breu. A rebeca é uma espécie de violino popular. Seu som é fanhoso e triste. A rebeca é um instrumento universal e tocada nos bailes matutos do sertão.

RABICHO-DA-GERALDA. É o mais antigo modelo da gesta do gado que se conhece, poesia contando as proezas de um boi do Ceará que, durante nove anos, resistiu aos vaqueiros da região que saíam em sua perseguição sem êxito. A poesia é em quadras ABCB. O rabicho da geralda foi abatido a tiros de bacamarte.

RABO-DE-GALO. É a tradução do cock-tail. Mistura de bebidas alcoólicas. Rabo-de-galo, em São Paulo, é a mistura de vermute e cachaça; já no Recife é a mistura de conhaque, vermute e gim ou conhaque e vermute.

RAFAEL. No Rio Grande do Sul Rafael é sinônimo de apetite, de fome, na linguagem popular. Lá, a expressão chegou-o-rafael, significa que está na hora do almoço ou do jantar.

RAINHA-DO-MAR. Veja IEMANJÁ.

RAIO. A maioria das crendices referentes ao raios foi trazida pelos colonizadores portugueses. Para evitar a morte pela fulminação dos raios é bom queimar as palhas secas de coqueiro guardadas do Domingo de Ramos, fazendo-se, também, cruzes com a mesmas palha, cruzes que devem ser pregadas na porta de entrada da casa. Os santos que protegem as casas contra os raios são Santa Bárbara e São Jerônimo. Algumas famílias, nos dias de tempestade, costumam cobrir os espelhos.

RAIVA. É um bolinho feito com farinha de trigo, ovos e açúcar, em Portugal. No Brasil, a farinha de trigo é substituída pela goma de mandioca; assim, a raiva fica mais gostosa.

RAIZEIRO. Nome que se dá às pessoas que lidam com plantas medicinais, sabendo prepará-las e usá-las para curar doenças diversas. Também conhecido como Doutor-Raiz, tipo encontradiço nas feiras do Nordeste.

RALA-BUCHO. É a dança popular, o forró.

RAMALHÃO. É o nome que se dá a uma dança popular paulista, com a finalidade de serem pagas as promessas feitas a São Gonçalo. Consiste a dança em uma fileira de homens e outra de mulheres, frente a frente, fazendo evoluções, permutando os lugares ao som da viola. Os versos que cantam às vezes são improvisados.

RAMO. É doença, enfermidade veiculada pelo ar, de natureza infecciosa. Várias são as modalidades de Ramo: Ramo do Ar, Ramo Ruim, congestão cerebral, estupor, paralisia, gota serena.

RANCHO. 1. No Nordeste é uma casinha rústica, pousada, hospedaria, onde os vaqueiros, que conduzem boiadas, param para dormir, descansar. 2. Na Bahia e no Sul, é um grupo festeiro das solenidades populares do Natal, cantando e dançando. Também é conhecido como reisado.

RAPADURA ou RASPADURA. É um tijolo de açúcar mascavado e constitui uma gulodice no Norte do Brasil. Várias são as espécies de rapadura: as de açúcar branco, rapadura de laranja, confeitadas com cravo e castanha de caju. As conhecidas são as rapaduras do Cariri que não têm forma de tijolo e são envolvidas por palha seca de bananeira e são conhecidas como rapadura batida, mais moles, macias e de gosto um pouco diferente por conta do cravo.

RASGA-MORTALHA. É uma pequena coruja alvacenta, de vôo pesado e baixo. O atrito de suas asas produz o som de um pano que está sendo rasgado. Quando ela passa sobre uma casa onde alguma pessoa está doente, o povo acredita que ela esteja rasgando mortalha do doente, prestes, assim, a morrer. Veja CORUJA.

RASOURA. É o nome dado às procissões de curto percurso, geralmente em torno da igreja.

RASPA-RASPA. É uma mistura de gelo raspado com xarope de fruta muito vendido nas feiras, nas praias, na entrada dos campos de futebol e nas ruas das cidades do Nordeste.

RASPADOR. É o nome dado ao reco-reco na Folia de São Benedito do Amazonas. É feito com um pedaço de taquara grossa, fechada nas suas extremidades pelos próprios nódulos da madeira, com parte de sua superfície dentada. Sobre a superfície dentada, raspa-se com uma vareta. O raspador é o instrumento do mestre-sala através do qual dá todos os comandos.

RASPADURA. Veja RAPADURA.

RASTEJADOR. É a pessoa que descobre onde a caça ou seres humanos se encontram seguindo o rastro que vão deixando pelo chão onde passam ou através dos galhos quebrados dos pequenos arbustos. Onde existe floresta, mata, caatinga, existe sempre o rastejador.

RATOEIRA. É uma dança regional de Santa Catarina. Dança-se a ratoeira, formando-se um círculo de moças e rapazes de mãos dadas. No meio da roda fica um rapaz ou uma moça que canta uma quadrinha enquanto os da roda avançam, repetindo a quadrinha. É a ocasião própria para as declarações de amor ou para os desafios entre os rivais.

REALEJO. Veja FOLE ou GAITA.

REBAÇÃ. Veja RIBAÇÃ.

RECADO-PELO-MORTO. Em alguns países da Europa e da África o recado-pelo-morto era uma prática antiga. Até mesmo aqui, no Nordeste, pode-se encarregar um defunto, que vai ser enterrado, de dar um recado a outra pessoa falecida anteriormente.

RECO-RECO. É um instrumento de percussão feito com um gomo de bambu, com talhos transversais e que, friccionado com uma vareta de ferro ou mesmo de madeira, produz um som de rapa. Na Bahia o reco-reco é conhecido como ganzá.

REDE. 1. Feita de tecido resistente e suspenso pelas extremidades em armadores ou ganchos, a rede é uma espécie de leito – para dormir ou descansar – muito usada no Nordeste. Os meninos sertanejos não dormem em berços; depois que nascem, são acostumados a dormir em rede, que as mães balançam até o sono chegar; 2. Rede também é o nome que se dá a uma peça feita de cordões/fios entrelaçados para pescar; 3. Rede-de-arrasto é, também, a moça que tem muitos namorados, na linguagem do povo.

REDEMOINHO. É o vento, em espiral, também conhecido como remoinho e rodamoinho. O povo acredita que o redemoinho seja o encontro, a briga, a vadiação dos ventos. No Sul, o Saci-Pererê é o responsável pelos redemoinhos. Ela salta no meio dos ventos, roda, gira, corcoveia, arrebatando folhas, garranchos e poeira. Para fazer cessar o redemoinho, atira-se nele um rosário de contas brancas ou uma palha benta.

REIS. Festas populares em alguns países da Europa dedicadas aos Reis Magos em sua visita ao Menino Deus. Na Espanha e em Portugal os reis continuam comemorados, sendo a época de se dar e receber presentes. O Dia de Reis marca o fim do ciclo natalino, com a queima-da-lapinha e a exibição do bumba-meu-boi, da chegança, do fandango, dos congos.

REIS-DO-BOI. Veja BUMBA-MEU-BOI.

REISADO. É o nome que os eruditos dão aos grupos que cantam e dançam na véspera e Dia de Reis.

REMATE. É um prato nordestino feito com carne picada, farinha bem peneirada ou farinha de milho, temperado a gosto de quem faz.

RENDA. Renda feita a mão, também conhecida como renda de almofada, é um artesanato muito comum no Nordeste, em Santa Catarina e outros estados brasileiros. Trazido pelo colonizador português, a renda é o entrelaçamento de fios formando desenhos. Para se fazer renda são necessários: a almofada, os bilros, os espinhos de carda ou alfinetes, tesoura e pique. A almofada (um acolchoado de forma cilíndrica) serve de base para a confecção da renda. Os bilros são uma espécie de bobina onde a linha é enrolada, servem para tramar a renda, o que se consegue trocando-os em diferentes posições. O pique, que mede 20 cm, é o padrão da renda que se vai fazer. Cada tipo de renda tem o seu pique, seu padrão, que passa de geração a geração e que é preso na almofada por alfinetes. As rendeiras, sentadas no chão, com a almofada nas coxas, trabalham o dia todo, ora conversando, ora cantando. A linha pode ser colorida, dependendo da vontade do freguês. São diversos os tipos de renda.

RENDEIRA. 1 É a mulher que faz rendas e está no cancioneiro popular: “Olê, mulher rendeira/ Olê, mulher rendá/ Tu me ensina a fazer renda/ Qu’eu te ensino a namorar”; 2. Rendeira também é a mulher que trabalha na terra dos outros, pagando uma renda anual, um foro.

REPÚBLICA. É a casa, onde moram os estudantes que não têm família nas cidades onde estudam.

RESTILHO. Dá-se o nome de restilho à cachaça quando é duas vezes destilada nos alambiques.

RETIRANTE. É como são conhecidos os sertanejos que, acossados pelas estiagens prolongadas, abandonam tudo à procura de trabalho noutros lugares. Quando chove, muitos retirantes voltam para suas casas e tornam a cuidar de suas plantações, de seus animais. O único remédio capaz de combater as secas é a irrigação das terras sertanejas, o que já está acontecendo com as plantações situadas às margens do Rio São Francisco. Abrir frentes de trabalho é medida paliativa que não combate a seca.

RETORCIDA. É uma dança sapateada pertencente ao fandango, no Rio Grande do Sul. Ver FANDANGO.

RETUMBÃO. Retumbão é uma das danças da Marujada na festa de São Benedito, na cidade de Bragança-PA. É a mesma coisa que carimbó, corimbó, curimbó, como a dança é conhecida em outras regiões paraenses. A orquestra da dança do retumbão é composta de tambores grandes e pequenos pandeiros, cuíca (onça), rabeca, viola, cavaquinho e violino. Não se canta no retumbão.

REVIRADO. O revirado, também conhecido como roupa-velha ou mexido, é um prato feito com o que sobrou da refeição anterior. Feijão, arroz, carne e legumes são colocados em uma frigideira e levados ao forno brando para esquentar, acrescentados de farinha de mandioca a gosto. É um prato da culinária fluminense.

REZA. São orações populares rezadas pelos rezadores ou benzedores para curar doenças, pedir proteção e saúde para as pessoas que os procuram. É uma prática existente no país todo.

REZA-DE-DEFUNTO. São orações que os parentes e os amigos do morto rezam em voz alta ou cantadas, costume tradicional nordestino. As orações podem ser: a) Terço rezado pelos presentes ao velório; b) Ofício de Nossa Senhora ou dos defuntos; c) Excelências diversas: 1. Excelência da hora; 2. Excelência da hora do dia, isto é, quando o dia vai clareando, amanhecendo; 3. Excelência Maria, em que se cantam as partes do corpo do falecido e as partes de sua roupa; 4. Excelência da roupa ou da mortalha, quando vestem o defunto; 5. Excelência do cordão da mortalha; 6. Excelência da despedida, por ocasião da saída do caixão para o cemitério, cantada até o cortejo desaparecer. E a ladainha de Todos os Santos.

REZADOR ou BENZEDOR. É a pessoa que cura as doenças proferindo rezas, acompanhadas por gestos, sinais, cruzes, aspersões quando na presença do doente. Mas o rezador pode rezar um doente a distância, sem vê-lo. No Nordeste é um tipo muito comum. Geralmente são mulheres que, quando vão ficando velhas, só ensinam sua rezas à filha mais velha. Caso não tenha filha, pode ensinar à sobrinha mais velha. Geralmente o rezador ou benzedor usa um galho de arruda quando faz seu trabalho.

RIAMBA. Outro nome de MACONHA.

RIBAÇÃ. No Nordeste a ribaçã também é conhecida como rebaçã, arribaçã, avoante, avoente. Elas costumam aparecer, todos os anos, nas caatingas do sertão nordestino, em grandes bandos, pousando sempre nos lugares onde tem o capim-milhão, e são abatidas pelos caçadores e vendidas nas feiras.

RITA. Padroeira de muitas paróquias brasileiras, Santa Rita de Cássia nasceu em 1381 e faleceu em 1480. É uma santa muito popular no Nordeste, onde também é conhecida como Santa Rita dos Impossíveis. Seu Rosário de Santa Rita é muito rezado pelo povo.

ROBERTO CÂMARA BENJAMIN nasceu em 1943, na cidade do Recife, PE. Filho do professor Coronel José Émerson Benjamin e da professora e Inspetora Federal do Ensino Laudelina Câmara Benjamin. Fez o primário no Grupo Escolar João Barbalho, o secundário no Colégio Marista, ambos do Recife. Bacharel em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, especializou-se em Ciências da Informação no Centro Internacional de Estudos Superiores de Periodismo para América Latina, em Quito, Equador. Promotor Público, professor-adjunto da Universidade Federal Rural de Pernambuco, professor titular da Universidade Católica de Pernambuco, membro das Comissão Pernambucana de Folclore, foi diretor do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação de Pernambuco, Roberto Câmara Benjamin tem participado de muitos congressos, seminários realizados em todo o país e tem diversos trabalhos publicados em revistas científicas e jornais sobre Comunicação Rural, Folclore: Os Folhetos Populares e os Meios de Comunicação Social (1969), Literatura de Cordel, Expressão Literária Popular (1970), Religião nos Folhetos Populares (1970), A Festa do Rosário do Pombal (1976), Maracatus Rurais (1976), Os Congos da Paraíba (1977), Cambindas da Paraíba (1978), Maracutus Rurais de Pernambuco (1982), São Gonçalo – Uma Devoção reprimida (1984), Rabecas (1997) e outros.

ROÇA. 1. É o nome que se dá a uma plantação de mandioca. 2. O mesmo que roçado.

ROER-A-CORDA. Não cumprir com a palavra dada, empenhada. Voltar atrás no que disse, no que prometeu fazer.

ROER-TAMPA-DE-PENICO. Diz-se de quem passa privações, sem dinheiro, sem ter o que comer.

ROGER BASTIDE nasceu em 1898, na cidade de Lyon (França). Diplomado pela Faculdade de Letras de Bordéus (França), professor e Sociologia da Universidade de São Paulo, ensaísta, crítico, folclorista, veio para o Brasil em 1937 e, depois de haver publicado vários livros sobre o folclore brasileiro, entre os quais Psicanálise do cafuné (1941), A poesia afro-brasileira (1943), Imagens do Nordeste místico em preto e branco (1945), Estudos afro-brasileiros – 3v (1946/53), A cozinha dos deuses (1952), Sociologia do Folclore brasileiro (1959), Candomblés da Bahia (1961) e outros, além de ensaios e artigos em revistas especializadas e jornais – voltou à França em 1954. Faleceu no dia 11 de abril de 1974, na cidade de Paris (França).

ROLETE. Pedaços de cana-da-açúcar vendidos nas cidades da zona canavieira. Descascada a cana, de preferência caiana por ser mole e doce, cortada em rodelas e enfiadas nas hastes de um pedaço de bambu ou taquara em forma de guarda-chuva, as unidades são arrumadas em tabuleiros que os meninos vendem nas ruas das cidades que estão à sombra da cana-de-açúcar.

ROMARIA. Dá-se o nome de romaria ao grupo de pessoas que, a pé ou em caminhões, viaja muitos quilômetros, com a finalidade de chegar aos locais onde a Igreja Católica, em suas capelas ou basílicas, igrejas ou matrizes, venera um santo religioso ou popular, como no caso do Padre Cícero Romão Batista (CE), São Severino do Ramo (PE), Nossa Senhora aparecida (SP) e outros. Depois de pagar sua promessa por uma graça alcançada, o romeiro deposita no altar do santo, sua velas, seus ex-votos, suas espórtulas. Outros centros de romaria são: Nossa Senhora de Nazaré (Belém-PA), São Francisco do Canindé (Canindé-CE), Bom Jesus de Pirapora (Pirapora-SP) e Bom Jesus do Bonfim (Salvador-BA).

ROQUEIRA ou RONQUEIRA. É uma peça feita de um pedaço de cano de ferro preso num toro de madeira e que, depois de carregado (por uma das bocas do cano que fica aberta) dispara-se com um tição junto ao ouvido (um buraco feito na extremidade fechada do cano) provocando uma violenta explosão. A roqueira ou ronqueira faz parte dos festejos juninos.

ROSSINI TAVARES DE LIMA nasceu no dia 25 de abril de 1915, na cidade de Itapetininga (SP). Fez primário no Ginásio Osvaldo Cruz e o secundário no Ginásio do Estado. Freqüentou a Faculdade de Direito de São Paulo até o 3° ano, quando se transferiu para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Foi professor do Ginásio Osvaldo Cruz, da Escola Técnica do Comércio, do Liceu Acadêmico de São Paulo, do Liceu Piratininga e professor de História da Música e Folclore Nacional do Conservatório. Fundou e dirigiu a revista Folclore e publicou, na área do Folclore, Nótulas sobre pesquisas de folclore musical (1945), Aí ,eu entrei na roda (sd), Poesias e adivinhas (1947), O Folclore na obra de Mário de Andrade (1950), Achegas ao estudo do romanceiro no Brasil (1951), Abecê do Folclore (1968), Geografia do folguedo popular (1968). Rossini Tavares de Lima faleceu no dia 5 de agosto de 1987.

ROUPA-DE-VER-A-DEUS. É o termo feito de boa fazenda, de cor escura ou preta, que os homens costumam ter para ser usada em ocasiões solenes, missas, batizados, casamentos, enterros e que, muitas vezes, são sepultados com ela. Daí, o nome.

ROUPA-VELHA. 1. É um prato preparado com o que sobra da refeição anterior; 2. Prato feito de carne seca de boi ou de porco, com cebola e manteiga.

ROXO. É uma mistura de café com cachaça, no interior de São Paulo.

RUDÁ. Rudá ou Perudá, um guerreiro que reside nas nuvens, é o deus do amor indígena, encarregado da reprodução dos seres criados. Sua missão é criar o amor no coração dos homens, despertando-lhes a saudade e fazendo com que voltem para a tribo de onde saíram em suas guerras e peregrinações.

RUM. É o atabaque maior dos candomblés da Bahia.

RUMPI. É o atabaque médio nos candomblés da Bahia.

=====================
O Dicionário completo pode ser obtido em http://sites.google.com/site/pavilhaoliterario/dicionario-de-folclore
============================
Fontes:
LÓSSIO, Rúbia. Dicionário de Folclore para Estudantes. Ed. Fundação Joaquim Nabuco
Imagem = http://www.terracapixaba.com.br/

Deixe um comentário

Arquivado em Folclore Brasileiro