Arquivo do mês: agosto 2009

Humberto de Campos (Senadores "Barbeiros")

Zacarias de Gois e Vasconcelos era orgulhosíssimo e fazia questão de, quando falava, ser ouvido atentamente por toda a casa. Um dia, achava-se ele na tribuna, quando notou que dois velhos colegas, o Barão do Rio-Grande e o Barão de Pirapama, que eram profundamente surdos, conversavam em voz alta, para se entenderem sobre navalhas afiadas. Zacarias parou.

E como a interrupção causasse estranheza:

– Estou esperando que os Barões de Pirapama e do Rio-Grande acabem de se barbear!

Fontes:
– Taunay – Reminiscências – vol. I. In CAMPOS, Humberto de. Brasil Anedótico.
– Imagem = http://aturminhado6d.blogspot.com

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Roza de Oliveira (Poetas do Paraná)

A PALMEIRA

Na escalada da Montanha
a palmeira ameaçada
por estranho vendaval
entrelaçou-se a um Carvalho
que contente lhe ofertou
segurança paternal

Embora tão diferente
dentro da vegetação…
unida é bem mais feliz
do que todas as demais
que vivem na solidão.

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INSTANTÂNEO

Sempre que me inauguro
em teu sorriso
sinto tocar de leve
o Paraíso

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METAMORFOSE

Dentre as setas
com que me feres
eu forjarei a Agulha
com que bordarei a tela
da minha noite escura.
Nela tecerei
a Estrela que nos guia
com mãos de ternura
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RELÓGIO DE SOL

Relógio de sol
Eu sou.
Nuvens e trevas
Rejeitando vou…
Só registro as horas
Em que o sol brilhou
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MAGIA

Sempre que me inauguro
Em teu sorriso
Sinto tocar de leve o paraíso!
===============

PRIMAVERA

Todo ser tem seu tempo de expressão.
Baila a ave se a vida é movimento,
E canta quando a vida é uma canção,
Seja na alegria ou no tormento.

A primavera é um festival de vida.
Da planta sai poesia colorida:
Poesia-flor que transborda docemente
O prazer de ser fruto e ser semente.

Cada flor tem seu verso e sua rima
Nas florestas, nas praças e nas casas,
Do amor é poesia cristalina!

E na expressão que vitaliza esse planeta
Se, de repente as flores criam asas…
Não é verso-fantasma! – é borboleta!
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CASA ONÍRICA

Bem no pico dos meus sonhos
Construí minha morada
Sem paredes, sem telhados…
Sem limites nos seus lados.

Bem que o telhado varia:
Varia…conforme o dia:
Há telhado de gaivotas…
De estrelas…de andorinhas.

Minha cama – é uma nuvem.
Minha mesa – a lua cheia.
O vento – é o meu cavalo!
Sou turista do infinito!…
––––––––––––

Fontes:
– Andrea Motta. http://simultaneidades.blogspot.com/
– Antologia dos Acadêmicos – Edição comemorativa dos 60 anos da Academia de Letras José de Alencar. SP: Scortecci, 2001.

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Roza de Oliveira (1941)

Roza de Oliveira, nasceu em Monte Alegre, distrito de Santo Antônio de Pádua, no Rio de Janeiro a 26 de agosto de 1941, Filha de Sebastião Bembém de Oliveira (de saudosa memória) e Dona Elazir Azevedo de Oliveira.

Morou em Paranavaí dos 7 aos 38 anos, onde concluiu seus estudos no curso de Letras e lá exerceu o magistério. Professora desde os 15 anos de idade. Já atuou no primeiro, segundo e terceiro graus em Paranavaí, Londrina e Curitiba. Tem mestrado em literatura brasileira. Mora em Curitiba desde 1979. Docente do Departamento de Letras da Universidade Tuiuti do Paraná. Casada com o maestro Júlio Enrique Gomez, participa do projeto poético musical “Lançando a rede na Lua”

Roza de Oliveira é eximia declamadora, fez palestras e conferências em entidades de várias cidades do Estado do Paraná. Recebeu várias homenagens, diplomas, medalhas, troféus e menções honrosas referentes aos serviços prestados e participações de concursos literários.

A escritora desenvolve, ainda, a Oficina Permanente de Poesia, na Biblioteca Pública do Paraná,

Formação Escolar:
Letras Franco-Portuguesas pela faculdade de filosofia de Paranavaí.
Mestrado em Letras-Literatura Brasileira – pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Membro de:
– Academia Paranaense da Poesia, da qual é presidente.
– Centro de Letras do Paraná.
– Academia Feminina de Letras do Paraná. Cadeira 32.
– Centro Paranaense Feminino de Cultura.
– Academia de Letras José de Alencar, Cadeira 17.
– União Brasileira de Trovadores (UBT).
– Círculo de Estudos Bandeirantes (PUC).

Livros Publicados:

POESIAS:
– Escalada, 1979.
– Halley Cruzado & Cia – Poesia do Dia-a-Dia, 1986.
– S.O.S. Vida, Verde, Paz, no Pesadelo da Violência, 1990.
– Poemas de Amor, 1993.
– Minhas Trovas de Humor e Retrucando Minhas Trovas de Humor, 1993.
– Paródias Musicais, Poemas e Trovas para as Celebrações Escolares, 1992
– Caracolando – Poesias, 1997.

PROSA INFANTO-JUVENIL:
– Passeio Cósmico, 1989.
– A Menina que Queria Voar, 1990.
– O Cavalinho de Guilherme, 1993.

ENSAIO CRÍTICO:
– As Imagens do Ar nos Poemas de Tasso da Silveira – Publicação da Secretaria de Estado da Educação – 2001

PARTICIPAÇÕES EM ANTOLOGIAS:
– Seara Nova – Contos e Poesias, 1978.
– Sesquicentenário da Poesia Paranaense,1985

– Caderno Pedagógico da Assintec – Associação Interconfessional de Curitiba, 1994.
– O Lúdico na Trova, 1995.
– Mulheres Escrevem – Centro Paranaense Feminino de Cultura, 1997.
– Antologia dos Acadêmicos – Edição comemorativa dos 60 anos da Academia de Letras José de Alencar, 2001
– Semeadura da Paz – Publicação do Clube Soroptismista Internacional, 2000.

Fontes:
– Agência de Notícias do Estado do Paraná. http://www.aenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=9359
– Andrea Motta. http://simultaneidades.blogspot.com/

– Antologia dos Acadêmicos – Edição comemorativa dos 60 anos da Academia de Letras José de Alencar. SP: Scortecci, 2001.

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Rachid Boudjedra (Topografia Ideal para uma Agressão Caracterizada)

Argel. Marselha. Paris. E depois, os infindáveis corredores do metrô parisiense, que enclausuram o personagem central de Topografia ideal para uma agressão caracterizada. Assim é que a capital francesa é posta em cena nesta narrativa, que faz pensar no mito literário de Paris, este “mito moderno”, como disse Roger Caillois. Um mito de diversas facetas, entre as quais a de “cidade-luz”, expressão imortalizada pela memória coletiva, e segundo a qual a capital francesa aparece como um concentrado de esplendores: cidade da cultura e das artes, da revolução, do amor, das canções, dos prazeres mundanos.

Mas a perspectiva da representação de Paris aparece aqui como que invertida, pois a topografia parisiense segundo Boudjedra reduz a cidade aos corredores e plataformas do metrô: lugar subterrâneo, angustiante, dédalo inextricável levando a direções diversas. Região de obscuridade simbólica por excelência, pela qual se constrói a imagem de uma Paris antípoda do mito da “cidade-luz”. Tal inversão se completa pelo fato de a narrativa por em cena ainda a relação de um homem triplamente despossuído de si mesmo — estrangeiro, imigrante e analfabeto — com a cidade de Paris. E como se não bastasse, uma Paris transformada em palco do ódio racista. O resultado é uma espécie de clichê fotográfico em negativo.

Topografia ideal para uma agressão caracterizada é um texto da errância e do extravio levados ao paroxismo. Ao sentimento de perda no espaço labiríntico, vem juntar-se o de perda em relação ao tempo. E nisso o estilo de Rachid Boudjedra é de uma eficácia impressionante: ele conjuga as constantes mudanças de foco narrativo — quem é de fato o narrador? — com o manejo hábil na construção de frases intermináveis, multivocais, entrecortadas por parênteses. Ao que acrescenta uma expressiva maestria na utilização de diferentes tempos verbais que projetam o leitor do passado para o presente, do antes para o depois, incessantemente. A oscilação deliberada e sistemática entre diferentes vozes (narrador, personagem central e outros) e tempos resulta em mudanças contínuas de planos de consciência.

O mito é aqui visitado às avessas, na pele do personagem extraviado nas tripas urbanas do metropolitano. Daí, aliás, a universalidade e atualidade desta narrativa em que o ódio da alteridade explode na confrontação de dois mundos: de um lado, o excluído, o analfabeto em busca de trabalho e sobrevivência e, de outro, a cruel e opulenta urbe ocidental, “cosmos lingüístico” (Walter Benjamin) repleto de imagens, ruídos, signos, enfim, de tudo o que o estrangeiro abominado não pode decifrar.

Trecho

“… ele está acostumado ao ar livre, acabará perdendo os dedos, as mãos, os braços, as pernas, o crânio, os pulmões, e as tiras de sua carne ficarão dependuradas num cilindro ou numa biela: e caso ele não goste disso, poderá ainda experimentar um canteiro de obras onde terá o prazer de brincar de dançarino equilibrista até o dia em que cairá de um guindaste, as mãos, trincadas pela geada, na frente, mas sem poder evitar que sua coluna vertebral arrebente no cimento armado que ele mesmo preparou um dia antes com seu desejo de fazer o melhor, de agradar ao chefe do canteiro de obras… Isso há de lhe ensinar a querer trabalhar direito, a merecer seu salário construindo as casas dos outros para que depois, passando por eles na rua ou no metrô, eles o ignorem, o desprezem, batam nele, o assassinem: de qualquer forma ele é feito um rato e por mais que conte que saiu vitorioso do labirinto (Cheguei são e salvo) ele não sabe o que o espera…”

“E eles, então, dizendo na língua secreta: como ele nunca acredita na gente, é melhor dizer o contrário do que pensamos, assim ele vai acabar entendendo que ninguém vai para lá impunemente e que sempre se corre o risco de perder alguma coisa lá (Quando um tomate entra no forno ele corre o risco de) sejam quais forem as precauções tomadas (amuleto, rabugice, má fé, passividade, sangue frio, talismã etc.) para escapar da desgraça.”

“Difícil dormir nos lençóis que outros acabam de usar deixando neles seus cheiros, seu hálito, seus escoamentos noturnos e sua raiva e seus pesadelos e seus sonhos e seu horror e seu suor, deixando no marrom do lençol cujos vestígios de vida nunca foram lavados desde que ele foi comprado; amontoando-se a vinte ou trinta naqueles redutos constantemente ocupados, jamais ventilados nos quais eles tossem loucamente a cada despertar traumatizante e desencorajador, esquentando o café amanhecido em panelas amassadas, às escondidas do gerente, um homem que como eles veio do País, perdeu-se em labirintos, enriqueceu por obstinação e esqueceu depressa dos tempos passados quando era parecido com eles como duas gotas de café preto que eles estão esquentando escondido e do qual bebem panelas inteiras”

Fonte:
Resenha de Flávia Nascimento, em http://www.estacaoliberdade.com.br/releases/topografia.htm

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Rachid Boudjedra (1941)

Rachid Boudjedra nasceu em 1941 em Aïn-Beïda, Argélia. Sua obra ocupa importante espaço na literatura produzida após a guerra de libertação de seu país (1954-1962). Escreveu sempre em francês, mas atualmente se dedica também à produção em árabe. Desde seu primeiro romance, La Répudiation (1969), Boudjedra volta seu olhar para as contradições da Argélia independente — nação em que ainda é notável o embate entre a modernidade e o respeito à tradição.

Preocupação constante em seu trabalho são as condições do imigrante magrebino na Europa, especialmente na França, como ocorre no presente Topografia ideal para uma agressão caracterizada. Fortemente influenciado pelo nouveau roman francês, ganhou notoriedade por sua escrita sofisticada.

Além de romancista, Rachid Boudjedra é professor, poeta, ensaísta, autor de teatro e cinema, tendo assinado o roteiro do notável Crônica dos anos de brasa (Palma de Ouro em Cannes, 1975), dirigido por Mohammed Lakhdar Amina. Ministrou aulas em diversas universidades do mundo árabe e europeu. Em 1987, uma fatwa islâmica com sentença de morte foi emitida contra o escritor, por considerarem que sua obra representa uma afronta aos fundamentos do Islã. Entre suas obras mais recentes, constam La Fascination(2000), Les Funérailles (2002) e L’Hôtel Saint Georges (2007).

Fonte:
http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/boudjedra.htm

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Flávia Nascimento, Professora da UFPB Concorre ao Prêmio Jabuti de Literatura

Flávia Nascimento, doutora em Literatura Francesa pela Universidade de Paris, está entre as 10 finalistas do Prêmio de Literatura, na categoria da Tradução.

A professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba (DLEM/PPGL), pesquisadora do CNPq e tradutora literária e de humanidades, Flávia Nascimento, é uma das dez finalistas do Prêmio Jabuti de Literatura, concorrendo na categoria ‘Tradução de Obra Literária Francês-Português’ com o trabalho “Topografia ideal para uma agressão caracterizada”, publicado pela Editora Estação Liberdade Ltda.

Em entrevista à Agência de Notícias da UFPB, a doutora em Literatura Francesa pela Universidade de Paris falou sobre seu trabalho e a importância do prêmio a que está concorrendo.

ENTREVISTA:

Agência de Notícias – Qual a importância no mundo literário do prêmio Jabuti?

Flávia Nascimento – O prêmio Jabuti é o prêmio literário mais relevante do país. Mas sua importância deve ser entendida mais propriamente no âmbito do mundo editorial brasileiro, e não apenas no do mundo literário. Isso porque o Jabuti não contempla somente textos literários (romance, conto, poesia), mas também outras categorias textuais importantes, entre as quais “tradução”, “biografia”, “ciências humanas”, e etc. Ao todo, são vinte categorias, que premiam, inclusive, aspectos artísticos do processo de fabricação do objeto estético a que chamamos livro; assim, por exemplo, as categorias “projeto gráfico” e “ilustração de livro infantil ou juvenil”. O prêmio é anual. Todos os anos, há uma premiação para a melhor tradução de língua estrangeira. Agora, em 2009, foi criada excepcionalmente a categoria “melhor tradução francês-português” (21ª categoria), no âmbito das comemorações do ano da França no Brasil. Meu trabalho está concorrendo como finalista nesta última categoria.
O Jabuti, que está em sua 51ª edição, foi criado por iniciativa da CBL (Câmara Brasileira do Livro). A escolha do pequeno quelônio para simbolizar a premiação ocorreu num contexto de valorização da cultura popular brasileira, na esteira do pensamento de Sílvio Romero, Mário de Andrade, Câmara Cascudo e Monteiro Lobato (um dos personagens de Lobato é precisamente um jabuti).

Agência de Notícias – De que trata o seu trabalho?

Flávia Nascimento – Topografia ideal para uma agressão caracterizada (1ª edição francesa: 1975), que traduzi para a editora paulista Estação Liberdade, é de autoria do escritor argelino de expressão francesa Rachid Boudjedra (nascido em 1941), um dos mais importantes, hoje, de seu país (Boudjedra escreve também em árabe). Essa é a primeira tradução de uma obra sua em língua portuguesa. Nesse texto, ele narra as desventuras de um herói anônimo – um imigrante argelino – pelos corredores do metropolitano parisiense, labirinto urbano subterrâneo em que ele se perde por algumas horas e do qual não sairá vivo. A intriga é minimalista, como se vê, mas seu poder de impacto sobre o leitor é desconcertante, graças à sofisticada arte do narrador de Boudjedra. O tema do imigrante pobre em busca de melhores condições de vida, do imigrante vitimado pelo ódio racista, é universal, e já originou obras em línguas diversas. Creio que ele encontra um eco longínquo, por exemplo, tanto em certos versos de João Cabral de Melo Neto quanto na letra da canção “Construção”, de Chico Buarque. A atualidade desse tema é desesperadoramente real: quer sejam eles nordestinos ou “hermanos” em São Paulo, indianos em Londres, haitianos em Nova Iorque, turcos em Berlim, angolanos em Lisboa ou argelinos em Paris, nosso mundo está repleto de migrantes e imigrantes em busca de trabalho. Escrevi para minha tradução um posfácio que intitulei precisamente “Morte e vida magrebina”, lembrando-me dos terríveis versos de João Cabral em “Morte e vida severina”.

Agência de Notícias – Qual a classificação de sua obra nessa disputa, até agora?

Flávia Nascimento – Meu trabalho ficou entre os dez finalistas, depois de ter concorrido com dezenas de outras traduções de obras literárias originalmente escritas em francês. Ao todo, nas 21 categorias, foram mais de 2.000 inscrições (uma média de quase 100 inscritos para cada uma). A próxima etapa, agora, é a escolha dos três primeiros colocados. Sinto-me profissionalmente muito gratificada por já estar entre as dez melhores traduções do francês para o português selecionadas pelo júri do Jabuti.

Agência de Notícias – Quando sairá o resultado final do concurso?

Flávia Nascimento – Os nomes dos três vencedores serão anunciados em São Paulo, no final de setembro.

Fonte:
Douglas Lara (http://www.sorocaba.com.br/acontece)

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Convite na I Bienal do Livro de Curitiba

Fonte: museu de imagem e som

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