Arquivo do mês: outubro 2009

Trovas Brincantes


Tique-taque, tique-taque…
é o tempo que vai passando.
Quase tenho um piripaque,
ao ver a idade avançando!
A.M.A. Sardenberg – RJ

Quem hoje não tem e-mail
perde contato e dinheiro…
Sem e-mail a gente é meio,
não consegue ser inteiro.
Antônio da Serra – PR

Do seu posto, à sentinela,
sobre o teto do galpão,
galo duro de panela
abre a goela, canta em vão…
Ari Santos de Campos – SC

Coincidência que me arrasa,
que me assusta e me espezinha:
– Meu marido chega em casa
quando chega o da vizinha!…
Clenir Neves Ribeiro – RJ

Arruaça e bebedeira
preferiu aos seus estudos:
hoje é peso na algibeira
dos amigos de canudos!
Eliana Palma – PR

Serei, se não morrer antes,
uma idosa serelepe;
entre jovens fascinantes,
sem ser de ninguém estepe.
Mifori – SP

– Acaso tu tem morim?
– Tenho sim… ma-qui-cô-qué?
– Uai, uai… assim, assim…
de caqué-cô qui tivé…
Osvaldo Reis – PR

Não foi possível contê-lo…
sai disparado o rojão!
Ele é quem tem pesadelo
quando ela come feijão!
Renata Paccola – SP

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Trovas extraídas da Revista virtual mensal – Coordenador: A. A. de Assis Ano 10 – n. 119 – novembro de 2009

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Paulo Monteiro (A Trova no Espiríto Santo – Parte VI)

Monte H, em Piúma (ES). Tela da
Escola Municipal de Educação Fundamental
Álvaro de Castro Mattos

ÁBNER DE FREITAS COUTINHO

Ábner de Freitas Coutinho, que também usa o pseudônimo de Percy Guido, é advogado e economista. Natural do Santo Antônio, Estado do Mato Grosso, onde nasceu no dia 15 de dezembro de 1926. Reside há mais de duas décadas no Espírito Santo. É professor e integra diversas instituições culturais.

Caravelas portuguesas,
mensageiras da História
foram, levando incertezas,
voltaram cheias de glórias…

Se poupança a gente encara,
logo descobre a verdade:
nossa metade mais cara
é nossa cara metade..

Meu pai, figura esquecida,
eterno semblante mudo,
o que fiz em minha vida
só a ti eu devo tudo…

Se pensar no seu irmão,
um instante, por favor,
sentirá no coração,
renascer fraterno amor!

ALBERTO ISAÍAS RAMIRES

Alberto Isaías Ramires é capixaba de Vila Velha, onde nasceu em 8 de setembro de 1924. Um dos mais representativos trovadores do Espírito Santo. Há vários anos residente no Rio de Janeiro. Militar (Capitão Rh do Exército). Autor de diversas obras e membro de várias instituições culturais do país. Ganhador de vários concursos literários.
Quando eu morrer, por favor
coloquem na minha cova
um epitáfio de amor
escrito em forma de trova!

Da vida, pelos caminhos,
uma coisa aprendi bem:
a roseira dá espinhos,
mas nos dá rosas, também…

Por nascer pobre, o Divino
num gesto compensador,
despertou, em meu destino,
a lira de trovador…

Não entendes meu desgosto,
mas aprende esta lição:
nem sempre pomos no rosto
as mágoas do coração.

Via-a rezando, contrita,
com os olhos fitos no céu.
Quanto pecado escondido
debaixo de um fino véu!…

Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém…

Lá se foi a meninice,
meu barquinho do papel,
minha ingênua peraltice,
meu doce Papai Noel…

ALYDIO C. DA SILVA

Alydio de Carvalho e Silva pertence a diversas entidades culturais do país. É natural de Santa Cruz, Espírito Santo, onde nasceu em 11 de abril de 1917. Industriário aposentado, reside há quase 30 anos, fora de seu estado natal. Além de poeta é romancista. Autor de centenas de trovas e outros poemas. Tem vários livros inéditos e participou de diversas antologias.
Vi num jornal estampado
o perigo que há no beijo.
Antes ser contaminado
do que morrer de desejo.

Quando passei pela estrada
e ouvi teu canto distante,
senti que a mágoa passada
reviveu naquele instante.

Carnaval, fraternidade
transitória e resumida,
onde se esconde a verdade
dos sofrimentos da vida.

Se passas muito apressada,
fugindo à minha atenção,
eu sinto a tua pisada
esmagar meu coração.

É doce morrer no mar…
Cayme receita a dose.
Só Cristo pra transformar
tanta salmoura em glicose.

AMAURY DE AZEVEDO

Também usando o pseudônimo de Yruama, Amaury de Azevedo, capixaba de Alegre, onde veio à luz em 1º de agosto de 1935, é comerciante e reside em Campos, no Rio de Janeiro. Mesmo afastado de sua terra natal, há mais de 27 anos, Amaury continua mantendo intercâmbio com poetas do Espírito Santo.

O capixaba não nega
O que lhe pedem com jeito.
Também não foge do pega,
Estufando logo o peito.

Quando toda a Cristandade
Vê passar mais um Natal,
Surgem novas esperanças
De uma paz universal.

ANDRADE SUCUPIRA

José de Andrade Sucupira é sergipano de Pacatuba. Há mais de 35 anos reside no Espírito Santo, onde militou na imprensa e foi funcionário público. Hoje está aposentado e reside em Vila Velha. Desde os anos 30 faz trovas, divulgando-as pelas páginas dos vários jornais em que trabalhou. É um dos Príncipes da Trova Capixaba, escolhidos pelo CTC. Nasceu em 22 de junho de 1909.
Meu espelho mostra a cara
sem vergonha, encarquilhada,
no corpo setenta anos,
muita canseira, mais nada.

Pela tapera da vida
O homem nasce lutando.
Luta, luta, lida, lida
e morre… sempre esperando.

No Brasil, coisa mais feia,
e coisa que mais consome…
Poucos de barriga cheia
e a maioria com fome.

Esses seus olhos traquinos
e vivos, vivos de mais,
têm nossos céus nordestinos
no verde dos coqueirais.

Sempre amar. Eis a verdade
do berço de qualquer vida.
Se o amor não tem idade…
Venha aos meus braços, querida!

Saudade… doce ternura,
espinho que se bendiz,
flor que fere com doçura
e deixa a gente feliz.

ANSELMO GONÇALVES

Pertencendo a diversas entidades culturais e por sua prática em favor da trova, Anselmo Gonçalves, capixaba de Vitória, onde nasceu em 21 de abril de 1929, é um dos mais atuantes trovadores do Espírito Santo. É funcionário público estadual e colabora na imprensa de sua terra natal.

Meu coração bate, insiste,
vai sacudindo, batendo.
A tudo ele bem resiste,
mas continua doendo.

Vela branca passa ao largo
Lá fora, longe, no mar.
Sua vida, sem embargo,
morre distante do lar.

Uma vida! Nosso amor
degringolou de repente.
Caiu da planta uma flor
resta a lembrança somente!

Toda tua indiferença
não consegue me vencer.
Sou todo amor e sou crença,
sou vida, e sou bem-querer!

ANTONIO TAVARES SUCUPIRA

Nascido em Vitória, no dia 12 de outubro do 1956, Antonio Tavares Sucupira é filho do trovador Andrade Sucupira. É, no campo profissional, engenheiro civil, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.
Saudades dela? Talvez?
Se se pudesse voltar
Eu nasceria outra vez
Com a mesma mãe para amar.

E um certo amigo dizia
À sua cara-metade:
Já fui preso, que ironia!
Por querer a liberdade.

Seria o mundo feliz
E só haveria glória
Se todo o povo da terra
Nascesse aqui em Vitória.

ASSUMPÇÃO BOTTI

Manoel Assumpção Botti nasceu em Vitória no dia 15 de agosto do 1916. É advogado. Autor de muitos poemas e trovas.
Que não me empolgue a subida,
Que a humildade viva em mim,
Que eu suba sempre na vida
Sem me esquecer de onde vim.

Se pintor eu pintaria
A vida com duas cores:
Um pingo azul de alegria
Num fundo roxo de dores.

Quantos contrastes abriga
Minha existência bizarra:
Obrigado a ser formiga,
Eu que nasci pra ser cigarra.

Os meus tristes olhos baços
Do que sou dão a medida:
Um coração em pedaços
Num corpo quase sem vida.
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Andréia Donadon Leal (A Bibliotecária)

Os livros estavam devidamente enfileirados nas estantes. Poucos centímetros de distância um do outro. Nenhum torto, fora de foco. As orelhas desamassadas, passadas com chapa de ferro morno. O cuidado era devidamente dado para cada um, sem discriminação. O cheiro da sala, papel. O lugar pouco iluminado, embora o requeresse. Na mesa, ao fundo, uma figura vergada e escondida na pilha de livros para carimbar. Idade avançada. Cabelos cor de prata. Rugas rasgavam ponta a ponta o rosto descorado. Uma vida inteira de cultura, diversão, viagens, um pouco de tudo mostrado pelas palavras imprensas nas páginas dos livros.

Clarice estava pouco a aposentar. A preocupação acometia seus últimos dias com a idéia. Quem iria cuidar deles? Os sonhos lhe roubavam o sono; os olhos mais fundos. Os livros, sua vida, arremessados no lixão da cidade. Livros velhos? Antigos e restaurados; relíquias. Nas manhãs a cabeça queria explodir e quase Clarice perdera a hora de trabalhar. A biblioteca da escola não funcionava sem ela. Não abriam. Ninguém sabia mexer com carinho nos livros. Não encontravam a essência da pesquisa. Também só ela dera conta até hoje de livro por livro. As capas que fazia para os que estragavam tiravam exclamações de incredulidade. Ficavam perplexos. Era muito especial. Qualquer pesquisa Clarice dava conta. Ia sempre além, explicava com precisão todos os detalhes. Sabia um pouco de tudo. Com a sacola pesada de livros restaurados entrava diariamente na biblioteca cruzando a mão direita no rosto, rezava pai-nosso e ave-maria. Uma vida dedicada somente ao trabalho e nada mais.

Clarice morava três quarteirões da escola. Casa modesta, herdada. A outra única coisa que fizera foi cuidar de sua mãe – morta havia uma década. Cuidado devido de filha exemplar, solteirona e única. Dividia parte de suas horas ora com a mãe, ora com os livros. Dona Gertrudes morrera numa manhã cinzenta de sexta-feira treze. Clarice tinha pavor destes dias, mesmo sabendo que era lenda. O sossego, a paz e o sorriso meigo que sempre faziam parte do seu perfil ficavam tensos. Mas ninguém percebia. A bibliotecária, pessoa muito estimada, querida por todos. Falavam que nem pecado tinha. Nunca arrumara um namoro. Era santa. Diziam que quando a boa dona donzela morresse iria direto para o céu. Em quase trinta anos, Clarice nunca dera uma má resposta, uma palavra feia, nenhum olhar meio torto. Mas o sonho mexia com sua rotina. Seria aviso de morte repentina? Os dias estavam findando para ela? Livros no lixão da cidade! No livro de sonhos consistia informação de algo novo na vida.

Para Clarice, novo seria o fim. Deus dar cabo na vida atribulada e solitária. Ponto final. Tudo investido em quatro paredes infestadas de livros. Histórias, informações, um mundo, o segredo da vida impressos nas páginas. A sensação, a mesma de ter vivido com emoção detalhes, aventuras, desventuras… As paixões atingiam um mundo desconhecido para ela. Não abria estas páginas. As mãos iam vez ou outra em contramão com a cabeça. Rezava vários padre-nossos e pedia logo perdão. Mesmo com os livros não recomendados, tinha obrigação de conservá-los. Não discriminava nenhum. Apenas deixava-os de lado. Um outro gosto que não combinava com uma vida afastada dos desejos e maldades da carne. Mundo desconhecido. Um fim de expediente como outro qualquer. Um dia cinzento. Frio. Clarice limpou o último livro. Fechara com cuidado as janelas pesadas de madeira. Antes de sair, mais uma olhada. Uma olhada demorada, apaixonada, precisa. Os livros estavam cada um no seu lugar. Limpos, conservados. Devidamente enfileirados. Alguns estavam sobre a mesa. Estragados, mal conservados. Daria um jeito.

Clarice dirigiu-se à mesa. Pensou em juntá-los e levá-los para casa. Antes de dormir teria tempo para arrumar uns três. Pela primeira vez o cansaço venceu. Estava ficando mesmo velha. Tinha que aposentar. Uma dor de cabeça, corpo ruim. Com a idade, a gripe costumava visitá-la mais vezes no ano. E este frio piorava tudo. Em casa tomaria um chá quente. O resfriado iria embora.

Ainda com os olhos sobre a mesa de livros, Clarice pensava. Não viu quando um rapaz chegou e ficou olhando para ela. Alheia ao tempo e tudo. Voltou quando escutou um pigarro. Pela primeira vez, corou. Será que o rapaz pensaria que estava esclerosada? Falava sozinha? De vez em quando fazia isto. Costume de vida solitária. Ela, só na sua companhia. Mas, daí? Nunca importava. Não ligava. Ajeitou a postura, prontificou-se. O rapaz, viajante. Hoje iria demorar. O mal estar ficaria para depois. Certamente ele mostraria catálogos e mais catálogos de livros. Compra de livros.

Esquecera por completo.

O rapaz da editora sentou. Com os olhos puxados e enigmáticos abriu os catálogos. Mãos grandes e unhas bem aparadas. As mãos do rapaz. Clarice imaginou como seria o toque delas. Chegou a esbarrar sua mão. Desconfiou estar com febre. O danado do resfriado desestruturou tudo. O rapaz falava. Voz macia. Dentes brancos. Lábios bem desenhados. Clarice não escutava. Olhava para o rosto dele. Enfeitiçada. Como seria beijar aqueles lábios? O viajante perguntou algo, não respondeu. Não o ouvira. As mãos dele falavam. Tudo que queria era sentir o toque macio das mãos no rosto pálido. Aquelas mãos esquentariam a pele até torná-la corada, sadia. Uma vontade quase incontrolável.

Clarice pensou aterrorizada ter pedido ao viajante para acariciar-lhe o rosto. Um toque apenas, por favor. Fechou os olhos. Sentiu o calor das mãos do rapaz. Aquecida. Estava mesmo carente. Esqueceu de oferecer um chá para o viajante. A bibliotecária educada, contida, estava ficando lerda. Velha. O rapaz novamente perguntou. Voz grave, hálito cheiroso. Cheiro de menta. Um sorriso separou seus lábios. Clarice despertou dos pensamentos. Pediu desculpas. A explicação, pouco convincente, o cansaço, a gripe prestes a sair do corpo. O viajante sorriu. Os olhos também sorriram. Separou catálogos. Entregou um a um. Roçou as mãos. Olhou profundamente para ela. Chegou próximo. Mais alto que parecia. Mais bonito. Muito próximo. Clarice chegou a pensar que o viajante iria beijá-la. Fechou os olhos imaginando a cena. Nunca sentira um roçar de lábios e o gosto de uma boca que não fosse a sua.

Delicadamente as mãos do viajante passaram pelo rosto dela. Uma fração de segundos. Uma vida inteira, só. Um dia, um desejo. Toque como imaginara: suave, quente, delicado, gostoso… Uma última olhada apaixonada nos livros e com a chave passou a tranca na porta da biblioteca.
–––––––––––––––––––-
Obs: Este conto foi escrito em um parágrafo. Contudo, para não tornar a leitura cansativa em uma tela do computador, tomei a liberdade de parti-lo em alguns parágrafos. O texto permanece o mesmo, sem ser alterada a sequência.

Fonte:
Jornal Aldrava Cultural. http://www.jornalaldrava.com.br/

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Alunos do Colégio Almeida Junior (Itú/SP) lançam livro Leituras

Os alunos do colégio colaboraram com textos, poesias e desenhos

Para a alegria de alunos, professores, direção e pais, será lançada no dia 4 de novembro a terceira edição do livro “Leituras”, uma coletânea de textos dos alunos do Colégio Almeida Júnior.

Desde a primeira edição, a repercussão deste livro tem sido realmente muito boa. É uma satisfação imensa e uma grande alegria para todos nós do colégio”, disse a diretora do “Almeida”, Rita Pascale. O lançamento do livro ocorrerá através de uma parceria com a Livraria Nobel, a partir das 18 horas, no espaço de eventos do Plaza Shopping Itu.

Além do lançamento do livro, na mesma noite será aberta a exposição “Aprender é um convite”, com diversas obras dos alunos do Colégio Almeida feitas na disciplina de Artes. Esta exposição poderá ser vista também durante toda a quinta-feira no Plaza Shopping.

O livro “Leituras”, na verdade, nasceu como uma consequência de um projeto inédito nas escolas da cidade de Itu, que foi a criação da Academia Júnior de Letras, que chegou a reunir 35 “acadêmicos”, todos alunos do Colégio Almeida Júnior.

Estes alunos tinham produções excelentes, textos realmente muito bons. Resolvemos juntar em um livro esses textos aos de outros alunos que não faziam parte da academia, mas que também escreviam muito bem, e o resultado foi espetacular”, ressalta Rita.

São textos das mais diversas modalidades literárias, desde crônicas, narrativas, dissertações, a poesias e contos, além de desenhos, no caso das crianças do Ensino Infantil. “Elas expressam seus pensamentos por meio dos desenhos que também estão no livro”, salienta. Esta terceira edição do livro possui textos de 2008 e 2009, já que o “Leituras” é lançado a cada dois anos. O livro foi editado pela Ottoni Editora.

Fonte:
Douglas Lara. http://www.sorocaba.com.br/acontece

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Jean-Pierre Bayard (História das Lendas) Parte II

CAPÍTULO II

DIVULGAÇÃO DOS CONTOS

1 — Teoria das Migrações

Gaston Paris estudou, depois de Benfey, a migração do contos orientais na literatura da Idade Média. — Cosquin, o inglês Clouston, o alemão Landeau, estabeleceram paralelos entre as novelas de Bocácio e as fontes orientais.

Buscaram, para cada conto, a estrada percorrida: foi a teoria dos motivos errantes ou a teoria das migrações. Max Müller aponta sempre a Índia como fonte comum e o russo Stassov (1868) diz a mesma coisa e foi por isso criticado pela sua falta de patriotismo.

É preciso analisar com atenção as semelhanças, as condições históricas, a fim de reconhecer o tema pois se o conto toma de empréstimo o seu motivo ele adquire, de formo mais ou menos rápida, um caráter nacional. Os russos Vesselovski e Vsevolod Miller determinaram as trajetórias dos motivos emprestados e reconheceram uma influência turco-mongólica.

Joseph Bedier (Fabliaux), conforme a escola antropológica, manifestou dúvidas sobre o método de Benfey; julgou-se que as aproximações fossem vãs e a busca limitou-se ao que ligava essa obra à poesia nacional. O russo Oldenburg, zombando das dificuldades, provou serem os fabliaux oriundos da antiga Índia. O tcheco Polivka e o alemão Bolte forneceram também uma relação dos possíveis paralelos existentes entre cem contos de Grimm (Remarques sur les contes enfantins et familiaux de Grimm – Observações sobre os contos infantis e familiares de Grimm).

Com efeito, é curioso notar que as aventuras de Ulisses se assemelham às de Sindbad, o marujo e que o prólogo de Mil e uma noites relata a história de uma jovem chinesa, conto budista, traduzido para o chinês no século III (tradução Chavannes, conto n.o 109). Miss R. Coxe, numa monografia, conta quatrocentos variantes de Pele de burro e Gata Borralheira. Além das dos autores já citados, notemos as variantes erguidas por René Basset, Dähnhardt, Adolphe Pictet, Buslaiev e Afanassiev.

2. — A influência da Índia

Quando o conto primitivo, ou assim suposto, se libertou de todos os elementos transitórios e permanentes, sua variante foi discernida na literatura hindu, que penetrou na China antes do budismo. A maioria dos contos são encontrados no Extremo Oriente, dois séculos antes da nossa era. A influência budista, as invasões mongólicas contribuíram para a divulgação dos contos hindus que formam a base das coleções folclóricas.

3. — Migração dos Contos e dos povos

A migração dos contos nos é desconhecida e podemos quanto muito construir teorias mais ou menos plausíveis conforme nossa imaginação.

Além da influência budista e das invasões mongólicas, em conseqüência das conquistas árabes, toda a costa barbaresca e a Pérsia sofreram a influência asiática. Eis porque Mil e uma noites têm influência pérsica cuja cultura provinha da Índia. E preciso pesquisar a marcha do conto em relação à marcha do indivíduo.

A migração dos povos foi estudada por Elliot Smith, Maximo Soto Hall; os antigos egípcios seriam descendentes dos Maias que haviam emigrado para a África. A Atlântida, esse antigo continente, teria formado uma ligação natural entre a Europa e a América. Entretanto, conforme a notável teoria de Wegener sobre a separação dos continentes, a América seria um bloco que se desprendeu da Europa e da África. Realmente essa cisão parece que se produziu antes da aparição do homem. Contudo, se nos referimos ao sábio americano Libbey, que estudou as propriedades radioativas do carbono contido nos vestígios orgânicos (o “C 14”), nossas civilizações datariam de trinta mil anos (época pleistocena). Ora, há trinta mil anos, a Ásia e a América se juntavam: O Alasca e a Sibéria ainda não haviam sido separados pelo estreito de Behring. Canals Frau (Préhistoire de l’Amérique, 1953), é de opinião que grupos de emigrantes asiáticos aventuraram-se nas planícies norte-americanas, numa época imediatamente anterior ao último máximo da glaciação Wisconsiniana. Conforme os geólogos e Antevs, essa última glaciação, denominada Mankato, ter-se-ia produzido aproximadamente em 25.000 a. C.

Canals Frau supõe que nova onda emigratória asiática tenha-se produzido na época mesolítica; essa civilização esquimó teria, há três ou quatro mil anos, dominado a Sibéria e se teria fixado no litoral ártico da América. Esses homens teriam atravessado a América de norte a sul a fim de atingirem a Terra do Fogo.

É indiscutível que nossos antepassados viajavam e só a falta de documentos deu origem ao julgamento de que esses povos se ignoravam uns aos outros, Serviam-se das correntes naturais e a expedição Kon Tiki provou ser possível a travessia do oceano, de jangada, desde a América até os Mares do Sul. As monções favoreciam as viagens entre o Oriente e o Ocidente. Os malaios invadiram as ilhas polinésias com a ajuda de grandes vapores providos de balanceiros.

Os monumentos deixados pelos habitantes da antiga América testemunham uma civilização adiantada injustamente podada em todo o vigor da sua seiva, quando da invasão espanhola, no século XVI. Eis porque, nas margens do Mississipi, os rochedos estão eivados de caracteres que parecem ser fenícios; rochedos trêmulos que evocam monumentos druídicos; no hemisfério austral, imensas ruínas de outeiros assemelham-se às sepulturas do norte da Ásia. A admirável pirâmide de Paplanta, a fortaleza européia de Xochialco, o emprego do cimento no templo situado nas imediações de Santa Fé, fazem supor que a América era conhecida pelas civilizações hindus e européias antes da viagem de Cristóvão Colombo; a tradição deve ter-se apagado um pouco e a mensagem das antigas civilizações nem sempre foi transmitida.

Eis porque, nas imediações de Montevidéu, uma pedra tumular registra, em caracteres gregos, que um capitão heleno aportou nessa terra americana no tempo de Alexandre. Um contemporâneo de Aristóteles também pisou o solo brasileiro. Nas crônicas, Madoc, filho do príncipe de Gales, abriu velas em 1170, dirigindo-se para o oeste e descobriu terras férteis; porém, já em 942, os normandos haviam aportado na Groenlândia passando pela Islândia. Isto justificaria terem tribos do Missouri também falado a língua céltica. Humboldt admite que os tártaros e os mongóis tenham passado do norte da Ásia às regiões setentrionais da América antes do século VI; os chineses comerciaram com os americanos bem como o cartaginês Himilcon. Salomão e Hiram enviaram os fenícios para as regiões americanas conhecidas, sem dúvida, pelo nome de Ofir e Társis.

É um erro julgar que os povos antigos eram selvagens e bárbaros; nossa falta de conhecimentos a esse respeito não prova essa asserção. Cristóvão Colombo deve ter ficado surpreendido quando encontrou entre esses “selvagens” a nossa cruz latina que figurava ainda nas esculturas colossais da cidade de Palenque, no México.

Depois da sensacional descoberta do Vixenu, por René joffroy (1952), compreende-se que o prestígio das artes gregas e italianas estendia-se à Gália céltica. O oppidum do monte Lassois (perto de Châtillon-sur-Seine) seria uma base dessa rota do estanho; e os móveis funerários, as jóias ítalo-gregas do século VI antes da nossa era, a bacia de bronze de fabricação etrusca, encontradas nessa parte setentrional da Borgonha, então somente céltica, colocam um enigma que provoca dúvidas sobre as influências da Etrúria ou das regiões greco-cíticas de passagem pela Grécia.

Os egípcios conheciam os movimentos planetários e as dimensões do nosso globo terrestre quando Galileu quase foi queimado vivo por ter adotado o sistema de Copérnico. Nossas descobertas modernas já haviam sido precedidas pela Escritura, nossas verdades físicas foram por muito tempo desconhecidas e ignoradas, enquanto que os Livros Sagrados ficam no limite da verdade e na harmonia de nossas mais recentes observações, cuja exatidão são apenas confirmadas por nossas pesquisas científicas; em compensação não havia na Antigüidade a mesma concepção do tempo e do seu emprego de hoje; conhecimentos provinham de uma reflexão amadurecida no recolhimento e no silêncio, alheio a qualquer agitação.

Além dos mercadores, as guerras muito contribuíram para a divulgação dos contos. Essa divulgação deve-se às conquistas de Alexandre da Macedônia e ao período helênico (do fim do IV ao II séculos antes da nossa era); depois as conquistas árabes (1.o milênio da era cristã) e finalmente à época das cruzadas (do X ao XII séculos).

A transmissão oral foi muito importante. Foi dessa forma que Pitágoras tomou conhecimento das religiões da Índia, quando já convivia com os magos da Caldéia. Esse sábio grego, contemporâneo de Buda — que talvez tenha encontrado — e de Confúcio, participava das idéias do hindu e do chinês e esses três homens pregavam o mesmo evangelho. As descobertas e os pensamentos existem, pois, no tempo e se transmite de forma desconhecida.

Walter Scott observa que a impressão era inexistente, os vedas e os edas noruegueses, a Bíblia só foram escritos depois de haverem sido transmitidos oralmente. Deve-se à inspiração popular a criação da Odisséia e dos Niebelungen.

Fonte:
BAYARD, Jean-Pierre. História das Lendas. (Tradução: Jeanne Marillier). Ed. Ridendo Castigat Mores

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Maria Eliana Palma (Albatroz)

Albatroz: mensageiro de tormenta.
Dela nunca se afasta; nem mesmo tenta…
Paira sereno sobre os espasmos úmidos do mar.

Altas vagas explodem desconexas
espargindo espumas brancas de água e sal complexas.
O vento desafina tons de ópera funesta
mas o mantém na rota e não contesta
o roteiro alado que teima percorrer.

Como fugir,
se o clarão da tempestade não se esconde?
Para onde ir,
se o rugir dos cbs se ouve ao longe?
Onde ficar,
se a segurança não é vista no horizonte ?
Por que temer,
se males vêm e vão
e depois da fúria fica em paz o coração?

O amassado da superfície
deixa escapar grunhidos de profundezas frias.
O negrume baixo do céu congestionado,
por riscos de luz pulsa, iluminado:
espetáculo de força magistral.
Explosão da natureza temperamental!

Exemplo e alento vêm, ave marinha,
ensina a coragem para o embate.
Reforça-nos o bico, prepara o bom combate.
Dá-nos força para vencer o caos que se avizinha!

Sobre a procela flutua o albatroz!
Na certeza que vencerá este momento;
nunca faz do mau tempo seu algoz.
Firme, contra ou a favor do vento,
paira seguro aproveitando o tempo
enquanto voa livre, feliz, veloz!
———–

Fonte:
Academia de Letras de Maringá
Imagem = http://www.achetudoeregiao.com.br/

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Escritores Canoenses em Porto Alegre

Livros dos Escritores Canoenses na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre (de 30/10/09 a 15/11/09)

Barraca 87 (Editora Alternativa)

ACE (I Coletânea) Contos/Cronicas
ACE (II Coletânea) Contos/Cronicas
Ancila/Mari Rigo (Nas Asas da Poesia) poemas
Canabarro Tróis (À Procura de Deus e do Outro) poemas
Casa do Poeta (I Coletãnea) poesias/contos
Casa do Poeta (II Coletânea) poesias/contos
Casa do Poeta (III Coletânea) poesias/contos
Etevaldo Silveira (Caravelas Sinistras) poemas
Etevaldo Silveira (A Saga da Castorina) História
Etevaldo Silveira (O Choro da Casa Triste) Contos
Gerson Colombro (Solilóquio) Contos
Jairo Souza (Quem Diria…Matemática) infantil
Jairo Souza (Maraiana) infantil
Jairo Souza (Alma Nua) Poemas
Mª Luci Leite (Expressões D’alma) poemas
Marina Lima Leal (20º Núcleo CPERS) Artigos
Marina Lima Leal (Contruindo a Escola Democrática) Artigos
Marina Lima Leal (A Gestão Democrática da EP) Artigos
Neida Rocha (Danilo, sua Mochila e seus Amigos) infantil
Neida Rocha (Minha Não Metade) poemas
Neida Rocha (Efemérides) poemas
Nelsi Urnau (In quietude) poemas
Nelsi Urnau (Cecília e Amigos) infantil
Nelsi Urnau (Zé Toquin) infantil
Nemézio Meirelles (Estrelas cadentes) poemas
Nestor Mayer (Memória Ambiental da Cidade de Canoas) Artigos
Nestor Mayer (A Teia da Vida) crônicas
Roberto Pires (Sociedade Alternativa) crônicas

Fonte:
Neida Rocha

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Gruta da Poesia (Parte I)

Donzília Martins
PELA METADE

Por detrás do tempo
Em vidraças partidas
Olham vazias o entardecer
E pela metade deixam a vida por cumprir.

Olhares apagados
Silhuetas de sombras
Em línguas de fogo afiadas
Perscrutam madrugadas no poente.

Desfeitas pelo pó dos caminhos
Roseiras sem rosas, com espinhos,
Esvaídas no pólen inflorido
Olham o vazio deitado na alma.

Tiveram alma? Ventre? Terão tido vida?
No vácuo do caminho andado
Sentem-se nada de nada, de ninguém.

Nem o ventre lhes pariu
Nem o seu jardim floriu!
São pétalas secas, mirradas,
Vagueando nos silêncios do desdém.

Hoje choram a flor cardida que fechou
O leito frio que ninguém ocupou
A ternura que não deram
Aos braços dos meninos de sua mãe.
=====================

Maria Nascimento Santos Carvalho
CHUVA MIÚDA

A chuva fina molhou o meu mundo …
O mundo que eu ergo, orgulhosamente,
embora deformado agora pelos excessos.

A chuva molhou meus pés;
pés antigamente delicados,
de solas aveludadas.

A chuva molhou minhas pernas
que foram torneadas
e hoje estão visivelmente volumosas,
meio disformes
e marcadas pela vaidade das depilações.

A chuva molhou meu tronco,
que, com o passar do tempo se alargou,
se desenvolveu em todas as dimensões,
sofrendo não ainda a deterioração do tempo,
mas obedecendo as inflações da idade;
tomou o porte das prestações a longo prazo:
expandiu-se, degenerou-se,
multiplicando as carnes, antes em desfalque.

A chuva molhou a minha cabeça,
que, feita para pensar,
pensa que não sabe o que pensar,
o que deseja pensar do mundo,
das coisas, das pessoas,
da vida …

A chuva continuou pingando …
Pingando … pingando … pingando …
R e s p i n g a n d o…
e inocentemente molhando o meu mundo,
o meu eu …
========================

Vânia Maria de Souza Ennes
ALGUMAS TROVAS

Eu não mudo de país,
nem de cidade ou estado,
porque aqui sou bem feliz…
exatamente… ao seu lado!!!

Romântico e apaixonado,
meu pensamento flutua,
vai ao céu… volta zoado:
Vive no mundo da lua!

Acalmar gesto impulsivo
num conflito sem razão:
Medicinal… curativo…
é a humildade e o perdão!

Reconheço que a razão
me exerce extremo fascínio,
mas, se acerta o coração…
perco o rumo e o raciocínio!

Mãos que orientam crianças,
seja na escrita ou leitura,
mostram sinais de alianças
de nobreza e de ventura!

Educação e cultura,
seriedade e competência
é alvo certo de ventura
que aguardamos com urgência!

Quero um planeta perfeito,
sem guerra, sem corrupção.
Povo justo e satisfeito,
respeitando seu irmão!
=============================

Gonçalves Viana
PAPELÃO

Eu cato ilusão
Daquelas perdidas
Que ninguém quer mais não,
Projetos de vidas, abortados ou não;
Pedaços de corações, frustradas orações,
Que anjo algum ouve não.

Eu cato ilusão
Sou um marginal à margem da vida
Sempre na contramão.
Cansado da lida, que nunca dá pé,
Remando contra a maré
Na mais completa solidão.

Eu cato ilusão
Notícias de amores
Que outros viveram… mas eu não!
Fantasias… que penso em vão,
Sonhos… que se ouso tê-los
Tornam-se pesadelos.

Eu cato ilusão
Neste velho carrinho
Que, trôpego arrasto pelo chão;
Cheio de quinquilharias,
Lixo, sucata, velharias…
Pranto, fome, cansaço, decepção,

Eu cato ilusão
Amargura, desengano,
Entra ano, sai ano,
E eu não percebo não
Que tudo isso, apenas são
Cacos do meu próprio coração.
====================

Edson Carlos Contar
PRESENÇA

O mistério de te saber tão longe,
Tão distante… E eu amar-te tão perto,
Induz-me a crer que a felicidade
Vem cá de dentro, de um cantinho certo
Inda que longe, é amor presente,
E tua imagem está aqui, decerto!

E onde estejas, eu sou só saudade
Do teu sorrir, do teu beijar, enfim…
Sonho apertar-te e, no sonho, me abraço
O teu calor eu sinto e me desfaço,
No abrir o peito e te encontrar em mim!
==================

Eron Vidal Freitas
TALVEZ

Talvez eu não seja o alvo, a meta pretendida,
como sua mente desenhou pra ter um grande amor…
Mas, se não sou pleno, que seja a fração que em sua vida
em algum momento a aqueceu com seu calor!

Talvez… é palavra que não tem força de “sim”, de “não”,
tem uma porta estreita chamada “Porta da Esperança”,
diante da qual deposito toda a minha confiança
de ser agraciado com um “sim” meu pobre coração !

O dito popular me diz que “quem espera alcança”,
por isso me planto diante da “Porta da Esperança”,
desafiando no combate as armas dos cansaços!

Aguardo… que chegue a hora deste acontecimento,
Para que ponha fim à espera do feliz momento,
em que possa tê-la finalmente nos meus braços…
==================

Heralda Víctor
DEVANEIOS

Se eu fosse medir em versos
Meus sonhos e fantasias
Daria uma longa distância,
Uma estrada imensa.
Seriam dias…

Pedaços de momentos que vivi
Juras de amor que recebi
Carícias, beijos que dei
Em pensamentos,
Tantos que nem sei…

Ah, Como eu queria
Flertar com teu destino
Agarrar esta alegria
Oferecer meus doces sentimentos
Realizar teus desejos de menino
Aconchegar-me vagarosamente
Descobrir e mostrar tudo…
Silenciosamente.

Na verdade adoraria tão-somente
Acreditar que temos esperança
Para correr, pular, brincar feito criança
Sair livre, sem rumo estrada afora,
Crescer junto contigo sem demora
Viver amando sendo amada

Simplesmente…
=======================

José Luiz Grando
MOMENTO

Em um momento… só para si
A mente descansa na lembrança
mais viva de toda cultura de gueto.
Em cada verso de rebeldia
Em cada movimento…
…de resposta a todo preconceito.
A frente de seus olhos,
Um eclipse entre a fé !
E um rompante de violência…
Em um momento só para si…
…medita em torno de sua vida.
O homem precisa ser realista.
Falar sobre tudo que discorda…
…contra tudo o que o e massacra.
======================

Ermindo Gomes Rocio
NÓS E A NOSTALGIA

De tua boca eu guardo o sabor,
de teu riso guardo só a alegria,
de teus lábios eu guardo a cor,
de nosso amor tenho nostalgia.

Do sabor uma doce lembrança,
da alegria daquela juventude,
na cor do poente só confiança,
que nostalgia era uma ilicitude.

Tempos de tempestade enfim,
nuvens negras povoando o céu,
vi mares empolados e ao alfim,
palavras toscas jogadas ao léu.

Hoje, amor tatuado pela nostalgia,
como um vergão que não se apaga,
de nosso amor acabou aquela magia,
no peito trago cravado tua adaga.
============================

Luciana Tannus
QUE SE ABRAM AS CORTINAS SOFIA!

Botão de rosa
Criança onírica
Menina mulher

Provida de anseios
Desponta para a vida
Repleta de dúvidas e devaneios

Canta, sorri, chora, disfarça…

A natureza indicia
A mudança é iminente
Não cabe recurso

Está virando mulher

O conflito é eterno
A inocência insiste
A biologia impõe

Limiar de um novo caminho, pleno
De descobertas
Curvas
Apelos e
Desejos
===========================

Milton Roza Junior
VIVA!!!

Viver é a primeira maravilha do mundo,
pois tudo advém deste mandado divino
podemos ver o mar em cima de nossas cabeças
e flutuarmos para mergulhar, nossa sina
Quando há Primavera
vejo mais a face de Vera
algo se altera na matéria
sua palavra parece ser mais sincera
Ouvir os seus passos à uma distância anos-luz
não é mais utopia para mim
é apenas mais uma forma de ouvir “I am the walrus”
Beatles e suas músicas enfim
O que mais posso implorar a Deus
talvez as palavras não estejam concatenadas
talvez erradas
ou enfim, caladas.
Sorria!!!
não mutila
não definha
não expira
só enaltece
o que apetece
meu realce
nosso enlace.
======================

Fonte:
Gruta da Poesia. Ano V. Outubro de 2009
in
Portal CEN. http://www.iaramelo.com

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Sônia Cano (O pôr do sol)

Faz mais ou menos dois anos que estou morando num apartamento. A vida nos obriga a tantas reviravoltas, que acabamos nos acostumando a tudo.

A princípio, pensei que não me acostumaria fechada em quatro paredes, ‘engaiolada’, como disse um dia meu marido. Mas, aqui estamos e, para bem da verdade, acabei adorando nosso pequeno cantinho.

Já escrevi sobre minha casa. Grande, corredor largo, sala enorme, quartos imensos… Pra quê?
Só para juntar velharias, acumular ‘coisas’ sem nenhuma importância, talvez para ocupar espaços que estão sobrando.

Quando vejo os cristais, ainda intactos, perfeitos, e que foram presentes de casamento de meus avós, (ainda os conservo com carinho), penso que, na realidade, não deveriam importar para mim. Afinal, meus avós é que importavam. Sua presença amiga, seus conselhos, que na ocasião, via com desdém, seu sorriso, sua sabedoria, seu amor imenso e profundo como o mar. Os cristais, ora os cristais! Na sua fragilidade, permaneceram. As pessoas, não. Que ironia! Foram-se, como nuvens que passam. Deixaram, no entanto, uma mensagem forte, que não se diluiu com a ausência, nem se perdeu com o passar dos anos. E uma doce, suave e enorme saudade.
Mas… voltando ao apartamento, outro dia, descobri uma coisa maravilhosa. Estava eu preocupada com uma reunião importante que aconteceria naquele dia quando, ao olhar pela janela da cozinha (eram umas seis horas da manhã), vi o espetáculo maravilhoso do amanhecer.

Momento inesquecível!

O sol, ainda menino, deixava-se descobrir no horizonte, tímido, róseo, para alguns minutos, após, aparecer redondo, belo, imponente e dourado como um rei, anunciando que o dia chegava, claro e belo, tal qual a esperança e a certeza de que tudo estaria bem e que Deus, em seu imenso AMOR, me respondia a questões e esclarecia as dúvidas.

Lembrei-me, então, que todas as tardes; quando o céu está limpo, se quiser sentar-me em minha cadeira de balanço diante da janela da sala, tenho o espetáculo maravilhoso do entardecer ao meu dispor.

O sol se põe para mim, extasiando-me com a beleza desses momentos que são quase eternos. Saint Éxupery, através de seu Pequeno Príncipe, nos diz: ‘Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno principezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tivesse outra distração que a doçura do pôr-do-sol. Aprendi esse novo detalhe quando me disseste, na manhã do quarto dia:

– Gosto muito de pôr-do-sol. Vamos ver um…
– Mas é preciso esperar…
– Esperar o quê?
– Esperar que o sol se ponha.

Tu fizeste um ar de surpresa e, logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me:

– Eu imagino sempre estar em casa!
… no teu pequeno planeta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas…
– Um dia, eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!

E um pouco mais tarde acrescentasse:

– Quando a gente está triste demais, gosta do pôr de sol…
– Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?’

Pois é. De repente, descubro que posso assistir num mesmo dia à alvorada e ao pôr de sol. Descobri, também, que o apartamento, se eu quiser, pode se transformar em meu pequeno mundo, como o planeta do Pequeno Príncipe.

Afinal, considero-me privilegiada. Deus não me deixa nunca sem respostas. Está sempre a me tratar com carinho de Pai. E suas respostas estão aqui. Ao meu lado para que O sinta bem pertinho de mim.

Mesmo nesta época de tantas controvérsias, de tão avançada tecnologia e tanto progresso, em que a humanidade se vê esmagada por incompreensões, lutas de classes, violências desnecessárias, seqüestros, ganâncias desmedidas, apego ao dinheiro e ao poder, sufocada por suspeitas e ameaças de ‘vazamentos de substâncias químicas’, ainda não se pode parar para assistir a um espetáculo grandioso e gratuito como a aurora e o crepúsculo

Fontes:
Douglas Lara. http://www.sorocaba.com.br/acontece
Imagem = http://www.melhorpapeldeparede.com

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Vânia Moreira Diniz (Cristais Poéticos)

A NOITE

A noite se me afigura uma fada,
De mistério fascinante tecida,
E encontro nela comprovada,
Uma das grandes delícias da vida.

Na noite me refaço e transformo,
Encontro motivo de deleite,
Até com a tristeza me conformo
E não existe embate que a rejeite.

Quando a noite chega me encanto,
Sua escuridão enigmática atrai,
E a fascinação logo em mim recai.

É essa escuridão como um manto,
Que me envolve em deslumbramento
E traz ao prazer seu complemento.
==================

O SOL

Quando o sol desponta eu me levanto,
Sem entender a tristeza do meu coração,
Ouvindo aquele brado, longe, inconstante
Nas minhas ternas lembranças que se vão.

Quando o sol brilha, ofuscante, tão luminoso,
E nele encontro a fonte de minha energia,
Sonho em delírio com aquele vulto garboso
Que todo o dia fascinante me aparecia.

O sol me liberta e eu encontro fortaleza,
Seus raios me ofuscam naquele doce calor,
Que liderou meus dias recentes de amor.

Quando o sol desponta sinto sua beleza,
Absorvo em cada instante o movimento
Das verdes folhas no balanço do vento.
==================

TEU OLHAR

Vejo em teu olhar aquela luz,
Sinto em teu olhar a ternura,
Que espalhas e que reluz,
Transbordante de ventura.

Contemplo teu olhar profundo,
Com negro brilho de esperança,
Como a espalhar pelo mundo,
a generosidade que de ti se alcança.

Admiro teu olhar e me transporto,
Na beleza que inspira com suavidade,
O sentimento expresso em liberdade.

Aprecio teu olhar e curiosa me volto,
Sempre a aprender esplêndida lição,
E a ela me integro com paixão.
==================

SONETO DE NATAL

A doçura do amor simboliza natal,
Criança e salvação prestes a nascerem,
Vida se equilibrando sem o mal,
Bondade e discernimento a crescerem.

Beleza e olhar profundo era Jesus,
A esperança da humanidade com amor,
Nem a descrença por um minuto reduz
O brilhante filósofo também salvador.

No lugar escolhido imperava pobreza,
Maria ali estava encarnando a bondade,
E o filho aguardava com serenidade.

Jesus ao nascer não conheceu a riqueza,
Na simplicidade repousava na manjedoura
E a fé dos que cercavam era acolhedora.
==================

MOMENTO FELIZ

Esse é meu momento de felicidade,
Em que entrevejo o mundo com amor,
Transbordante de imensa ternura e amizade,
Que meus olhos se umedecem no ardor.

Diviso o sol, a lua, as estrelas em seu fulgor,
E me extasio no reflexo dessa potente beleza,
Sinto então que meu coração vibra de calor,
E concluo que é o meu momento, com certeza.

Nesse momento quero sentir essa sensação,
Poderosa, verdadeira, leal e fascinante,
Que toma conta de mim sorrindo atraente.

Quero entoar com carinho a linda canção
Que me embalou nas legítimas alegrias
E já retorna com a recordação desses dias.
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Daniela Jacinto (Lançamento do Livro História da Educação de Votorantim – Do Apito da Fábrica à Sineta da Escola)

“História da Educação de Votorantim – Do Apito da Fábrica à Sineta da Escola” é o título do livro que a professora e mestre em Educação pela Uniso, Isabel Cristina Caetano Dessotti, lançou ontem, às 19h30, na Livraria Espaço Alexandria. Na obra, que aborda a educação operária em Votorantim, a autora analisa como as relações de dominação, no âmbito das fábricas, se reproduzem no campo da educação operária, por meio das escolas mantidas pelos patrões, no período de 1890 a 1925, em Votorantim.

Conforme Isabel, professora do curso de Pedagogia da Unip e supervisora de ensino da rede estadual, o livro é resultado da dissertação de mestrado em Educação defendida em 2007, sob orientação do professor José Luís Sanfelice. “Percebi que não tinha como trabalhar a história da educação sem contar sobre a fábrica de tecidos, que foi onde tudo começou. A fábrica exercia uma dominação ora declarada e ora velada sobre as pessoas. Ela dominava os operários porque oferecia casa, emprego para a família inteira, mas pagava muito pouco. Para se ter uma ideia, a empresa influenciava até mesmo a vida pessoal, não permitindo que as pessoas morassem junto sem casar. Como a região teve um movimento operário bastante forte, com greves, coloco tudo isso em paralelo com a vida escolar”, esclarece a autora.

Nascida em Votorantim, Isabel conta que por ser filha de operário conviveu com muitas histórias. Por isso seu interesse em estudar o assunto. O período que abrange sua pesquisa, de 1890 a 1925, compreende desde a instalação da fábrica até o grupo escolar.

De acordo com ela, tudo dependia da fábrica, inclusive o sistema de ensino. “Algumas escolas eram mantidas pela fábrica. Tinham crianças de 7 a 9 anos de idade que estudavam à noite para poderem trabalhar durante o dia. Percebi, durante meus estudos, que a fábrica passou a premiar os melhores alunos, mas os contemplados eram sempre os filhos dos encarregados, ou seja, aqueles que não trabalhavam. Os que eram operários não tinham muito tempo para se dedicar aos estudos”, afirma.

Com relação ao sistema de ensino, a base era a memorização. “Havia exames e as crianças tinham de responder às perguntas diante de uma banca. Também existiam na época castigos como puxar orelha, dar tapas nas costas…”, relata Isabel.

A professora ainda acrescentou em seu trabalho as primeiras leis que tentavam regulamentar o ensino, que não era obrigatório. Entre as leis, Isabel cita a Sampaio Dória, de 1920, que reduziu o ensino de quatro anos para dois anos. “Então só poderia estudar quem tivesse entre 9 e 10 anos de idade. Isso só mudou bem depois, em 1930, com Getúlio Vargas. Na verdade a educação está atrasada até hoje”, lamenta.

Apesar de se tratar de um trabalho acadêmico, voltado a educadores, o livro é também de interesse dos votorantinenses porque conta sobre a história da cidade. “No livro eu coloco os nomes de todas as crianças que prestaram exames desde 1898 até 1925, quando foi criado o grupo escolar. Acredito que muitas famílias tenham interesse em pesquisar quem morava por aqui na época. Aliás, Votorantim ainda não tinha se emancipado, então é assunto também de interesse dos sorocabanos”.

Isabel ainda aborda em seu livro as condições de trabalho das mulheres, que levavam uma vida muito difícil. “Falo ainda da pobreza, mas o foco é o ensino. Entendo que Votorantim seguiu a mesma linha de outras cidades em relação à educação, que sempre ficou em segundo plano. O Brasil tem uma dívida social muito grande com seu povo nesse sentido, da geração de mais idade, muita gente ficou sem estudar.”

“História da Educação de Votorantim – Do Apito da Fábrica à Sineta da Escola” foi editado pela Crearte.

SERVIÇO:
A Livraria Espaço Alexandria fica na av. Barão de Tatuí, 1.377. Informações: (15) 3342-0583, 3233-4550 ou pelo site www.espacoalexandria.com.br .

Fonte:
Notícia publicada na edição de 30/10/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno B.
Douglas Lara. http://www.sorocaba.com.br/acontece

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Luiz Poeta (O Roceiro)

O caminhão-basculante veio arrastando o mato, a poeira embaçando a grama, o barulho potente do motor importado assustando os camaleões e lagartos, espantando os tizius, coleiras, sabiás e sanhaços.

De repente, o baque!

Dois bezerros foram colhidos em cheio; outros saltaram a cerca de arame farpado, ferindo-se atabalhoadamente

A caminhonete vermelha foi parar no barranco.

O vaqueiro chicoteou a égua baia, chegou perto, gritou para o motorista:

– Eh, cumpadre, ocê matou dois bezerro !
– Matei !? – respondeu o outro perguntando.
– Matou !
– Pois aqui não é lugar de bezerro pastar !
– É, mas ocê podia pelo menos diminuir a marcha, não carecia de correr tanto…
– Meta-se com a sua vida, seu… Eu corro onde quiser !
– Correr ocê inté pode, só num pode é matar os bicho…
– Se matei, tá matado, que se dane !
– Que se dane não, moço… Ocê tem que pagar os bicho morto, no preço justo !
– Pagar uma ova ! Quero ver quem é o macho que vai me cobrar – ameaçou.
– Pois daqui o senhor não sai. Bezerro custa caro.
– Não saio ? Vamos ver se não saio !

O homem foi atrás do banco do carro, pegou uma barra de ferro e desceu disposto a tudo, avançando ameaçadoramente para o outro.

O vaqueiro não se intimidou. Meteu a mão numa garrucha e disparou.

Os dois únicos tiros que a arma suportava, pegaram numa das pernas do motorista.

Cambaleante, ele arrastou-se até o carro, ligou o motor estabanadamente, manobrou o carro e arremessou-o contra o vaqueiro – que se desviou com precisão – e saiu como um relâmpago.

O roceiro apeou, caminhou até os dois animais ensanguentados. Uma difícil lágrima rolava-lhe discreta na face cabocla…

– Desgraçado ! – Choramingou.

Um dos bezerros estertorava, o outro nem se movia.

– Malvado ! Nem pra andar devagar… Por que correr daquele jeito ?
De repente, as sirenes. A viatura policial deslizava ao longe, levantando a poeira amarela da estradinha que circundava o pasto.

O triste homem levantou-se, afagou os animais mortos, montou na égua e sumiu no meio do capinzal.

Véi Mundim consertava a cerca que circundava a casa de madeira. Um prego na boca, outro entre os dedos, o martelo na mão.

De repente, o rumor de cascos no barro,

A sirene acordando o pasto, os tiros pipocando no silêncio vivo do capinzal.
O vaqueiro vinha feito uma bala riscando o tempo, arriado sobre a cela, a égua avançando ligeira.

Quando divisou a porteira, o animal entrou apertado no pequeno vão. O carro da polícia passou direto, estilhaçando a madeira.

O velho estava boquiaberto; o prego semi-enterrado na primeira martelada…
Do que jeito que vinha, o boiadeiro desmontou num salto, a bota afundou no charco, a égua foi parar logo adiante.

– Que foi, homem ? – indagou o velho.

– Depois eu conto, agora é fincar pé no mato!

E sumiu no meio do capim-navalha.

A viatura deu marcha a ré e dela saltaram um tenente, dois soldados e o motorista do caminhão-basculante, capengando.

Os homens foram entrando cocheira-adentro, o pé do oficial arrebentou a taramela.

Véi Mundim olhava-os de soslaio, por trás de uma das lentes dos óculos rachados, o cigarro de palha torto num dos cantos da boca. O martelo firme numa das mãos.

– Onde está o bandido ? – perguntou o tenente.

O velho bateu o segundo prego, sem responder; as pupilas azuis como um céu aberto sobre o vale.

O tenente aborreceu-se.

– Como é que é, meu senhor? Onde está o marginal ?

O velho nada respondia. O soldado tentou segurá-lo. O martelo tornou-se um machado.

– Se chegar mais perto, eu abro sua cabeça, sordado !

E abria mesmo, não fosse a intervenção do tenente.

– Calma, rapaz, deixe o moço. – chegou-se para o velho demonstrando atitude pacífica.
– Amigo… aquele homem que entrou aqui correndo, baleou este moço aqui – apontou para o irritado motorista que massageava a perna atingida.
– Agora já se pode começar uma conversa… – disse o velho. De primeiro, ocê preguntô por um bandido… Que se saiba, aquele moço num é nenhum bandido…
– Bem, meu senhor…ele baleou um motorista….
– Adispois, – continuou o velho – vosmicê quis sabê de um marginá… se se refere àquele moço que sumiu no mato, também num se trata dele…
– Meu senhor, ele fez uma vítima…

O velho não se abalou:

– Adispois ainda, o sordado raso aí tentou botar a mão ni mim… Como é que ocê ainda tem o descaramento de fazer pregunta a uma pessoa que nunca viu mais gorda ? Seja mais educado, homem ! Cadê os estudo ? Cumpra o seu dever, mas num martrata as pessoa di bem.

O tenente coçava a cabeça, os soldados franziam a testa, o baleado enrijecia os músculos faciais e não se conteve:

– Aquele safado me deu dois tiros !
– Eu conheço ocê de algum lugar ? – indagou o velho sem se abalar…
Além do mais, se levou dois tiro, à toa é que num foi… nessas banda, ninguém leva tiro a troco de nada…
– Ora, seu… – o motorista avançou para o velho, que muniu-se de um pedaço de madeira da cerca.
– Eu acho que ocê num tá satisfeito com os dois tiro. Se me provocar, vai ter dois buraco na perna e um taio na cabeça. Vem procê vê !
– Calma, gente, vamos conversar – interrompeu o tenente.
– O que nós queremos é saber onde foi aquele moço que estava montado nesta égua aqui, o senhor poderia nos ajudar ?
– Que eu visse, se embrenhou no mato.
– Onde ?
– Ué ! É só oiá pro mato e procurá.
– Bem, o senhor vai nos mostrar onde ele está!
– Quando ele chegou aqui, eu tava pregando as tábua da minha cerquinha. Tava ainda no primeiro prego, quando ouvi toda a barulheira que ocês fizeru.
– Tudo bem, tudo bem, gritou um dos soldados! E pra onde ele foi? O senhor já está deixando a gente nervoso!
– Vem cá, me diz uma coisa… Quem é o comandante desse pelotâo? É ocê? É aquele cidadão capenga ou é o outro sordado?
– Soldado, cale-se !
– Mas eu…
– Cale-se ! Eu faço as perguntas! O tenente estava irritado.
– Meu senhor, aquele homem é um criminoso e nós vamos pegá-lo!
– Que nós ? Eu e ocês ? Eu num güento nem carregar um molho de agrião, quanto mais correr atrás de alguém. Ocês é que se vire!
– Mas nós temos que alcançá-lo !
– Ué, e por que não arcançaru ainda? Ocês num tão de carro? Ele tá a pé. Qual o pobrema?
– O problema é que… Ora, meu senhor…

De repente, um grito no capinzal:

– Eu tô aqui, seus trouxa ! Pára de conversa-fiada e vem me buscar !

Estupefatos, todos saíram voando na direção do grito. O tenente, os soldados e o capenga.

O velho balançava a cabeça reprovando:

– São uns bando de maluco…

As botas pisavam fundo as barrentas poças de lama amassando capinzal; concomitantemente, frangos-d’água, galinhas-d’angola e gaviões acordaram o vale num estrondoso farfalhar de asas, pios, chiados e gritos…

– Vêm me pegá, seus bunda-suja ! – gargalhava o peão dentro da capoeira – Cês num intendi de genti, vai intendê di mato ?

Dois filas, um doberman, um rotweiller e um pitbull que guardavam a casa grande despertaram do seu sono rural e, curiosos, empinaram ouvidos e narinas na direção do vento que trazia rumores e cheiros urbanos e partiram para cima dos barulhentos forasteiros.

Paralelamente a esse fatídico acontecimento inesperado, as entonações já não mostravam tanta gana em pegar o fugitivo. Os sons eram outros:

– Um cobra ! – berrou um dos soldados, a jararacuçu grudada na sua bota.

O velho continuava a martelar sua cerca, um riso capenga atravessando o vazio entre os dois caninos cariados, enquanto completava: – São uns bunda-suja mermo.

– Socorro ! – era outro gritando, agora o que levara o tiro. No seu encalço, um touro preto enorme – um pedaço de cueca vermelha num dos chifres do boi babão.

Bruscamente, o desfecho da perseguição:

– Cuidado ! Areia movediça !!!!

E todos estavam chafurdados naquele monte de lama misturado com gravetos, animais mortos, frutas podres e folhas secas…

À margem da capoeira, o touro bufando, os cães rosnando e o fugitivo mordendo um galhinho de murubu.

– Ocês sabia que aí tem jacaré do papo amarelo daqueles grandão ?
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Fontes:
Portal CEN.
Imagem = http://temdetudo.spaceblog.com.br

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Luiz Poeta (Biografia)

Luiz Gilberto de Barros, registrado na Sociedade Brasileira de autores, compositores e escritores de música – SBACEM – como Luiz Poeta, é Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Produção de Textos, lecionando atualmente no Município do Rio de Janeiro.

Paralelamente às atividades profissionais, destaca-se também no meio artístico como produtor fonográfico, violonista, guitarrista, compositor, poeta e artista plástico.

Membro atuante do Portal CEN, Acadêmico da AVLBL e um dos mais novos filiados da União Brasileira de Trovadores , mantendo contatos ou estando vinculado a diversos sites importantes (Melzinhas, Locura Poética, Escritores e Poetas, Alma de Poeta, Sala de Poetas, Távola Literária, Cirandas e Cirandeiros, Lunas & Amigos, PortikoLiterário, Fórum dos Mestres Aprendizes, Clube de Letras, Festa Baile, Por Siempre Românticos, Jardim Esperanza, Pluma y Palabra, Paralelo 30, Gr_NG, Flori Jane,Textos e Pretextos, Skorpiona, Ecos da Poesia, escola Tropo, Drica del Nero, SONZ etc.).

Luiz Poeta é também Cônsul dos Poetas del Mundo, Delegado do Portal CEN ( ponte lusófona entre Brasil e Portugal ), Diretor Musical da União Brasileira de Trovadores, Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais e Acadêmico do Inbrasci ( Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais e da Academia Pan Americana de Letras e Artes, fazendo parte de diversos grupos literários.

Luiz Poeta costuma usar a expressão ” irmão ” no lugar da palavra amigo. Para ele todos nós somos uma família que, como tal, não pode permitir que uma amizade termine por um e-mail não enviado (ou não recebido) ou por uma eventual ausência de contato visual, digital ou telefônico…

Segundo Luiz Poeta, a internet possibilitou-lhe um dos tempos mais felizes da sua vida, onde pode conviver livremente com as pessoas que fazem do ato de compor, a maneira mais sublime de celebrar a vida.
No fundo, Luiz Poeta gostaria que todos fossem verdadeiramente uma só família e que cada gesto, por mais simples, significasse o quanto todos nós precisamos de compreensão, amor, admiração, respeito, reciprocidade.

O cd musical Bossa Light, de Luiz Poeta, possui uma trova de sua autoria que diz assim:

Quem quiser cantar meu canto,
Vai chegando de mansinho,
Tenho voz de acalanto
E canto de passarinho.

Fontes:
Portal CEN
http://images.marcobastos.multiply.multiplycontent.com/

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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Anjo da Guarda)

Guarda-me anjo da guarda
como sempre me guardou…
guardando aquela lembrança
dos meus tempos de criança
que já se foi… mas ficou.

Guarda todos os sentimentos,
a candura de menino;
guarda todo o meu destino,
minha fé, ternura e paz,
guarda também a saudade
que por pirraça ou maldade
não vai me deixar jamais.

Guarda meus sonhos perdidos
que nunca foram alcançados;
guarda aqueles meus pecados
tão ingênuos de menino,
pecados tão pequeninos
por certo já perdoados.

Guarda, afinal, a certeza
de ter trilhado o caminho
do bem, razão e pureza;
guarda também a riqueza
do meu pobre coração,
guarda, meu Anjo da Guarda,
minha vida em tuas mãos.
—–

Fonte:
Colaboração do autor.

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Alba Pires Ferreira e Ilda Maria Costa Brasil (Metáforas)

Imagem por Douglas Dickel
Nossa história começa em São José dos Ausentes, RS, na trilha que leva ao Cânion do Pico do Monte Negro (o ponto mais alto do estado – 1403 metros), onde seguiam duas mulheres, aparentando entre setenta a oitenta anos. Uma loira, outra morena; cor distinta na pele, uma vez que, a prata dos cabelos, era igual.

– Querida amiga, sabe que não existe nada mais agradável neste mundo, do que, açoitada pelo vento, subir ao Pico do Monte, em nublada tarde de agosto, curtindo o ar campestre, fatores climáticos que levam qualquer ser humano a um universo poético, arrastando isto aqui – falou a morena apontando para algo que trazia preso às costas. A velhinha loura sorriu e replicou:

– E você percebe que esse prazer aumenta quando, mesmo na falta de Maria Madalena para nos limpar o suor do rosto, encaramos a caminhada, numa boa, em “Papo Família”?

– Qual é, Bárbara, nesta altura do campeonato, família se reduz a filhos, ironizou a morena acrescentando – “Filhos, melhor não tê-los…”

– Mas, “se não tê-los como sabê-los?” perguntou a velhinha marfim, lembrando um número quatro perdido no tempo. Curvando-se um pouco mais, ao peso do fardo que trazia às costas, tropeçou, numa pedra, engoliu um grito de dor, e “fazendo uma careta, cantou:
– “No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho”.

E olhando de soslaio para a companheira:

– Canta comigo Jandira, assim a viagem fica mais alegre.

Morena Jandira, apertando os olhos, face à dor causada pela coroa de espinhos rodeando a cabeça: – prefiro declamar minha alegria gritando ao vento:
– “Poeta é um fingidor.
Finge tão perfeitamente…
Finge até a dor que deveras sente.”

E falando com seus botões, lembrou dia e hora de cada espinho… Viagens, suas roupas jogadas ao léu, as noites passadas em claro, inúteis discussões, que não levavam a nada, seu PC …um safanão bastou para destruí-lo. Quanto dinheiro gasto, para arrumá-lo.

Diferente de pessoas, máquinas a gente sempre arruma, deixa novinha em folha. Entusiasmada , ergueu a cabeça e repetiu:

– “Finge até a dor que deveras sente…”

A custo, aproximando-se de Bárbara:

– Como vai se portando tua coroa?

Arquejante, a velhinha movendo a cabeça com dificuldade, forçou um sorriso, respondeu:

– Muito bem obrigada, cada espinho no seu devido lugar.

E como não havia de ser …espinho desilusão, espinho solidão, espinho abandono, espinho sonho destruído. Bem feito. Afinal, velha metida, se fazendo, querendo sonhar… Tentou sacudir a cabeça. Impossível, curvou um pouco o pescoço, na face esboçou um esgar na máscara.

Trocar de casa, uma novinha, ensolarada, piso novo, móveis novos. Logo ela, uma velha, pra que isso? Gastar dinheiro em bobagem? Já não tinha a espera, outra no João XXIII? Cupins? Aprender a conviver com eles, ora bolas. O melhor, amorcegar àquela casa e fim de papo. Soltando uma sonora gargalhada:

– “Quanta gente que ri talvez existe
cuja única ventura consiste
em parecer aos outros venturosa” .

E assim, perdidas em seus pensamentos, ambas continuaram a subida íngreme, em direção ao topo. Caíram algumas vezes, ergueram-se, em determinado momento; uma troca de olhares marota selou algum acordo, pois, apoiando-se mutuamente, cantaram:

Mal Secreto
“Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!”

E assim, alcançaram o topo do Monte Negro, e assim, para sua surpresa, foram recepcionadas por Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Raimundo Correa. Depressa, jogaram ao chão, a cruz e a coroa de espinhos, que nossas heroínas portavam.

Comovidos e felizes, comentavam que, durante a árdua jornada, Bárbara e Jandira aludiram a seus poemas, o tempo todo. O mais entusiasta, dando um passo à frente, falou:

– Oh, sinto-me envaidecido, pois da tríade parnasiana – Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e eu, Raimundo Correia, foi um poema meu o escolhido para fechar este trabalho.

Caros leitores, curtam a sonoridade de minhas palavras e de meus versos. Seria decepcionante, para o meu ego, se o poema aqui transcrito, integralmente, fosse “Os Sapos”, de Manuel Bandeira.

As duas velhinhas, uma loura outra morena, de São José dos Ausentes? Frio… Vento… muito vento, brincando com as cabeleiras cinza azuladas, subindo, subindo, jogando-as de um lado para o outro entre brancas nuvens cercadas da tão almejada Paz, finalmente alcançada.

Fontes:
Portal CEN
Imagem = http://douglasdickel.blogspot.com

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Alba Pires Ferreira (1933)

Alba Pires Ferreira nasceu em Porto Alegre/RS, em 15 de novembro de 1933.

Graduada em História, Organização Social e Política do Brasil, pela Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras, de Porto Alegre/RS.

Atuou no Magistério Público Estadual, por muitos anos, na sala de aula.

Em 1968, participou do Curso de Orçamento Programa – Para Chefias da Educação e Cultura e, em 1974, do Curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG.

De l973 a 1982, presidiu o Centro Cívico “Presidente Kennedy” em Cachoeirinha/RS.

De 1982 a l985, exerceu a função de Delegada Adjunta da 28ª Delegacia de Educação e Cultura.

De 1985 a 1987, foi Oficial de Gabinete da Secretaria da Educação e Cultura.

De 1986 a l996, atuou como Coordenadora da Biblioteca, da Secretaria e da Merenda Escolar da Escola Estadual Odila Gay da Fonseca.

– É escritora e poetisa;
– Presidente da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves – AACELCA, de Porto Alegre/RS, ocupando a Cadeira 05, de Roque Callage;
– Academia Literária Gaúcha – ALGA, de Porto Alegre/RS, Membro Correspondente da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa, do Rio de Janeiro/RJ;
– Sócia Fundadora e Vice-Presidente da Associação Artística e Literária A Palavra do Século XXI – ALPAS XXI, de Cruz Alta/RS;
– Integrante do Conselho Fiscal da Casa do Poeta Latino Americano – CAPOLAT e da Sociedade Partenon Literário, de Porto Alegre/RS.

Há muitos anos coordena a Equipe de Jurados da ALPAS XXI e foi Jurada dos Açorianos de Literatura, assim como de inúmeros Concursos literários promovidos pela CAPORI.

Participa de várias Antologias e Coletâneas Literárias Nacionais e Internacionais.

Em 1997, participou do livro “Contos Primeiros”, fruto da Oficina Literária de Criação, promovida pelo Centro de Letras da PUC/RS e ministrada pelo Professor e Escritor Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil.

Em 2000, lançou o seu primeiro livro de poesia “Sonata”, pela Editora Alcance, de Porto Alegre/RS e,

Em 2002, “Alba Pires Ferreira e Amigos”, pela Editora Borck, de São Luiz de Gonzaga/RS (Primeira Edição Esgotada). Neste ano, foi a Escritora Homenageada, pela ALPAS XXI, na Coletânea Entrelinhas.

Alba, ao longo de sua trajetória literária, conquistou inúmeros prêmios e participou de mais de cinqüenta Antologias e Coletâneas Nacionais e Internacionais. Dentre eles,
– Medalha “STELLA BRASILIENSE”, pelos relevantes serviços prestados à Cultura do País, outorgada pela revista Brasília, do Rio de Janeiro/RJ;
– Troféu “Quarto Prêmio Missões Nacional”, com a Poesia Visual “ANOTA AS NOTAS”, em 1999, Roque Gonzales/RS.

Também se destacou como ativista cultural singular. Nas suas produções, usa palavras que possuem grande poder de sugestão, incitando o seu leitor a buscar, nas entrelinhas, a sua mensagem, tornando seus poemas, emocionais e ardentes, como se o próprio coração fosse diluído em seus versos; dando ênfase à valorização das sensações, das imagens, do indefinível e à evocação de sentimentos e emoções.

Já na prosa, às vezes, expressa uma atitude reflexiva e melancólica sobre temas de caráter social, revalorizando o dia-a-dia e o mundo interior do ser humano. Alba é a expressão da subjetividade, da harmonia e do amor universal. Tanto na prosa quanto na poesia demonstra interesse pelas coisas simples da vida e revela alteridade, amizade e solidariedade. Engajamento social, mistura de tendências estéticas e experimentalismo formal são alguns dos traços que marcam a sua produção.

Rozelia Scheifler Rasia, no prefácio da Coletânea “Entrelinhas” diz: “- Alba conhece o mundo e o mundo a conhece, pois abre-se para o novo, sem esquecer os valores já consagrados. Suas palavras refletem uma personalidade que ignora a neutralidade e assume a postura de quem defende as concepções em que acredita, de quem defende amigos, mesmo contra tudo e contra todos.”

Fonte:
http://www.artistasgauchos.com.br/

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Ilda Maria Costa Brasil (1949)

Ilda Maria Costa Brasil nasceu em 4 de março de 1949, em Restinga Seca/RS, filha de Adelino Alves da Costa e Maria-Jesus Barrios da Costa. Há muitos anos reside em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

Formada em Letras: Português-Inglês (Licenciatura Curta), na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Imaculada Conceição, agregada à Universidade Federal de Santa Maria/RS; Letras: Português e Literatura Brasileira (Licenciatura Plena), na Universidade do Vale dos Sinos de São Leopoldo/RS; Pós-Graduada em Recursos Humanos para Administração e Supervisão de Escolas, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. É Professora de Redação, Literatura e Língua Portuguesa no Colégio Conhecer.

Ao longo de sua caminhada literária, conquistou vários prêmios.

Colaboradora dos Jornais de sua cidade natal: “Integração Regional” e “Tribuna de Restinga Seca”, “Julinho” – Colégio Estadual Júlio de Castilhos e “Correio da Palavra” – Informativo Literário da ALPAS XXI, Cruz Alta/RS

Nas Revistas: Escola Conhecer, Porto Alegre/RS; na 5ª Revista Nacional da POEBRAS – SALVADOR; Sociedade Partenon Literário, Porto Alegre/RS; Acadêmica da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, do Rio de Janeiro/RJ; “Brasília”, Rio de Janeiro/RJ; “Clube dos Escritores”, de Piracicaba/SP e “Il Convívio”, de Castiglione di Sicilia (CT) – Itália.

– Medalha Honra ao Mérito pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, do Rio de Janeiro/RJ.

Realiza Oficinas Literárias e de Redações Escolares para adolescentes e adultos, assim como Palestras sobre “A importância da Leitura e da Produção Textual”.

Implantou e coordenou o 1º Grupo de Parceiros Voluntários no Colégio Júlio de Castilhos.

Em 1999, organizou os livros: “Meu animalzinho de estimação” – 4ª séries; “Minhas Histórias” – 5ª séries; “Poemas” – 7ª séries, “Prosas Escolares” – 8ª séries; “Contos e Crônicas”, 1ª e 3ª séries do Ensino Médio, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Piratini, de Porto Alegre/RS e,

Em 2000, organizou os Livros de Poesias: “Escrevendo Poemas”, dos alunos da 7ª série; “Poesias”, dos alunos da 8ª série do Ensino Fundamental e “Nossas Produções”, dos alunos da 1ª série do Ensino Médio, do Colégio Conhecer, Porto Alegre/RS.

Participou de três FECIARTE do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em 2000, 2001, 2002 e 2003.

Prefaciou, em 2003, o 2º livro, obra bilíngüe de alunos da 5ª e 6ª séries, do “Projeto Poetas Mirins”, da Escola Municipal de Educação Francisco Giuliani, de Restinga Seca/RS.

Coordenou o Projeto da Nestlé “Viagem pela Literatura” no Colégio Júlio de Castilhos em 2001, 2002 e 2003, assim como o Projeto “Viajando nas Páginas de Ziraldo”, da Editora Melhoramentos, em 2002 e 2003, tal qual coordenou e coordena o Projeto da Nestlé “Viagem pela Literatura” no Colégio Conhecer desde 2002.

Participou do PROJETO AUTOR PRESENTE, em Bento Gonçalves/RS, no XII Congresso Brasileiro de Poesia, Encontro Latino-Americano de Casas de Poetas, e IX Mostra Internacional de Poesia Visual, na Escola Estadual Mestre Santa Bárbara e na Escola Municipal de Ensino Médio Alfredo Aveline.

Integra o Projeto “DESCUBRA UM ESCRITOR”.

Participou de uma CONVERSA ON LINE sobre a Trajetória do Livro, trabalho apresentado para a disciplina de Tecnologias Audiovisuais, publicada na Revista da PUC-RS, de junho de 2006.

Iniciou na Rede Pública em 1980.

Trabalhou nos Colégios Estaduais de 1º Grau Três de Outubro e José Carlos Ferreira; Colégio Estadual de 1º e 2º Graus Piratini e Julinho – Ensino Médio.

Coordenou a Cadeira de Língua Portuguesa, Literatura e Redação nos Colégios: PIRATINI, IPA e CONHECER.

Compôs, por mais de cinco anos, o Grupo de Corretores de Redações da PUC-RS e do Supletivo de Ensino Fundamental e Médio da SEC/RS e do IPA – Universidade Metodista, de Porto Alegre/RS.

Foi Professora Homenageada e Paraninfa de inúmeras turmas nos Colégios em que atuou tanto na rede pública quanto na particular: Vera Cruz, IPA, Leonardo da Vinci, Conhecer, José Carlos Ferreira, Piratini e Julinho.

Foi Vice-diretora no Colégio Estadual de 1º e 2º Graus Piratini por quatro anos, de 1º de janeiro de 1995 a 31 de dezembro de 1998. É autora dos Projetos “Construção a Escrita” e “Produção Textual” para os Ensinos Fundamental e Médio, assim como do Projeto “Vôo Literário”, em parceria com as professoras Lílian Boor, Nilza de July Costa e Silva e Patrícia Rodrigues Barbosa.

Em 2001, foi Expositora e Representante do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de Porto Alegre/RS, no Fórum Mundial de Educação, com o trabalho intitulado “Reflexão Coletiva: Experiência de Mudança no Processo Educacional do Ensino Médio”;

Em 2002, Representante da Rede Pública de Ensino, por indicação da Secretaria de Educação do Estado, como Integrante da Equipe Executora e Debatedora da Atividade de Extensão Universitária “Seminário de Redação de Vestibular”, promovida pelo Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul;

Em 2003, foi Patrona da Feira do Livro de sua cidade natal, Restinga Seca/RS;

Em 2004, foi indicada pela Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre/RS, Sra. Margarete Costa Moraes, ao Prêmio Educação RS – 7ª edição;

Em 2005, foi agraciada pela Presidente da Associação Artística e Literária “A Palavra do Século XXI”, de Cruz Alta/RS, Sra. Rozelia Scheifler Rasia, com o Título de Promotora Cultural e,

Em 2006, participou do Projeto “Ler e Saber”, da 24ª Coordenadoria Regional de Educação, de Cachoeira do Sul/RS, como palestrante sobre o tema Oficina Literária, e atuou como Mediadora do “Talk-show” com Poetas Restinguenses, promovido pela Escola Estadual de Ensino Médio Erico Verissimo, de Restinga Seca, por ocasião de sua 1ª Feira do Livro.

Foi a Revisora Responsável do livro “A Ilha do Escapulário”, de Cristiane Von Saltiél, publicado pela Ed. Alcance, de Porto Alegre/RS e das Coletâneas “Gente da Casa – 40 e 41 anos da Casa do Poeta Rio-Grandense” e BRASIL POETA, assim como da Antologia Poetas do Mercosul – MERCOPOEMA, também publicados pela Ed. Alcance, de Porto Alegre/RS; do livro infantil “A Menina e o Elefante de Pedra”, de Cristiane Von Saltiél, organizado por Tito Von Saltiél (Publicação Póstuma), em parceria com a Profª Belkis Freitas de Oliveira.

É organizadora dos livros:
– “Três Gotas de Poesia” – Haicais, das suas turmas do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de Porto Alegre/RS;
– “A Palavra como Arte e Expressão”, do Colégio Conhecer, de Porto Alegre/RS, em parceria com a Professora Patrícia Rodrigues Barbosa;
– Prefaciou os livros “Sentimentos e Emoções de uma Adolescente”, de Vanessa Menezes Burgueño e “Poesia e Arte”, de Victória Falavigna.
– Compôs a Comissão Julgadora da Prosa – Conto, Crônica, Ensaio e Monografia, do I Concurso Literário-Poético e Artístico “Centenário do Grêmio Football Porto-Alegrense”, promovido pela Casa do Poeta Rio-grandense – CAPORI, Movimento da Poesia Nacional – MPN/RS, Fundação de Educação e Academia Literária Gaúcha – ALGA e
– integra a Equipe de Jurados da ALPAS XXI.

Participa de várias Instituições Culturais:
– ALPAS XXI – Associação Artística e Literária A Palavra do Século XXI/Cruz Alta/RS;
– AACRS – Associação Artístico Cultural de Restinga Seca/RS;
-SPL – Sociedade Partenon Literário/Porto Alegre/RS;
– CAPORI – Casa do Poeta Rio-Grandense/Porto Alegre/RS;
– AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes/Porto Alegre/RS;
– ALGA – Academia Literária Gaúcha, Porto Alegre/RS;
– AACELCA – Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Porto Alegre/RS, Cadeira 23, cujo Patrono é Ercília Avellar de Magalhães;
– ABEPL – Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias/Rio de Janeiro/RJ, Titular da Cadeira 27, cujo Patrono é José Gomes de Abreu;
– Accademia Internazionale Il Convivio/Castiglione di Sicilia/Italia, conforme registro de número 653;
– Membro Correspondente da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa/Rio de Janeiro/RJ e Academia Cachoeirense de Letras, de Cachoeiro de Itapemirim/Espírito Santo; – Colegiado Acadêmico do Clube dos Escritores Piracicaba/SP, Titular da Cadeira 84, cujo Patrono é Plínio Correa Lara, da Área de Letras
– Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, Balneário Camboriú/SC;
– Celeiro de Escritores, Santos/SP e
– Projecto Cultural ABRALI, Curitiba/PR.
– Presidente da Associação Artística e Literária “A Palavra Restinguense”, de Restinga Seca/RS;
– Vice-Diretora Lítero Cultural da CAPORI;
– Secretária do SPL e é Membro do Conselho Deliberativo da CAPORI.

Em dezembro de 2006, o poema “Vozes e Ruídos” foi escolhido como um dos melhores do ano, sendo incluído no livro “Panorama Literário Brasileiro – Edição 2006/2007”, um documento histórico que registra os 100 melhores trabalhos inscritos para as seletivas da CBJE durante os anos de 2005/2006, segundo avaliação do Conselho Editorial da CBJE/RJ.

Em janeiro 2007, foi a responsável pela Leitura Critica do livro “Big Bang: La Luce del Tempo”, do escritor Angelo Manitta. Passou a exercer as funções de secretária da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Porto Alegre/RS; Vice-Presidente Regional da Associação Artística e Literária A Palavra do Século XXI/Cruz Alta/RS.

Em 2007, conquistou o 1º Lugar no XIX CONCURSO CHADAYL de Cuento corto y Poesía “ANTONIO APA LUCAS” (Categoria Adultos – Poesia), em Montevideo/Uruguay;
– 3º Lugar no II Concurso Internacional de Poesia da Biblioteca Adir Gigliotti, do CENAPEC, Projeto Chá 7 Poesia, de Campinas/SP;
– MEDALHA DO MÉRITO ACADÊMICO e respectivo Diploma pela Câmara do Livro da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias/Rio de Janeiro/RJ, a qual selecionou o livro “Lembranças e Vivências” como um dos Livros do Ano e, em dezembro, o seu poema “Olhos rápidos e saltitantes…” foi escolhido como um dos melhores do ano, sendo incluído no livro “Panorama Literário Brasileiro – Edição 2007”, um documento histórico que registra os melhores trabalhos inscritos para as seletivas da CBJE durante o presente ano, segundo avaliação do Conselho Editorial da CBJE/RJ.

Em 2008, integrou a Comissão Julgadora V Concurso Literário virArte, promovido por Edinara Leão, Coordenadora do Movimento virARTE, de Santa Maria/RS e a Comissão Julgadora da Poesia na 30ª EXPOESIA, promovida pela Casa do Poeta Rio-Grandense – CAPORI e FECI (Fundação Educacional e Cultural do Sport Club Internacional), Porto Alegre/RS;

Passou a exercer a função de Vice-Presidente da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores. Prefaciou o livro “Um toque de romantismo”, de Nilda Dias Tavares, Rio de Janeiro/RJ e “Efervescência – Coletânea Literária Comemorativa ao V ano da virARTE”, Santa Maria/RS.

Tem oito livros publicados, sendo que, os dois últimos como organizadora:
– “Uma História Especial: Pragas ou Anjos” – Conto;
– “A Magia do Encontro” – Contos e Crônicas;
– “Emoções e Arte” – Poesia;
– “Lembranças e Vivências” – Poesia;
– “Chave e Fechadura? Uma História de Descobertas!” – Conto;
– “Peças de Um Mesmo Tabuleiro: Uma História Ímpar!” – Conto;
– “Três Gotas de Poesias – Haicais”;
– “Olhares… – Crônicas Escolares”,
todos pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, do Rio de Janeiro/RJ.

Há mais de 15 anos faz voluntariado com Oficina Literária. Participa de mais de 100 Antologias e Coletâneas Literárias Nacionais e Internacionais.

É Delegada do Portal CEN – Cá Estamos Nós, para o Estado do Rio Grande do Sul.

Fonte:
Portal CEN

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Entrega do Rodamundinho 2009 aos Autores na Expo-Literária de Sorocaba

No dia 24 de outubro de 2009, durante as comemorações da Expo-Literária, foram entregues exemplares da Coletânea Infanto-Juvenil ‘Rodamundinho’ para 34 dos 39 participantes. Os inscritos da cidade de Serafina Correa do Rio Grande do Sul receberão seus exemplares pelo Correio. O Rodamundinho é uma coletânea que reúne contos, crônicas e poesias feitas por crianças e adolescentes de até 15 anos de idade.

O sábado estava ensolarado, a alegria era contagiante e era notória a inquietante curiosidade de todos os participantes para ver o livro.

O coordenador do projeto, Matheus Dantas, abriu o evento, descrevendo com propriedade a importância do momento para os presentes, já que Matheus, em 2008, participou com seus textos da coletânea, e este ano, continua atuante, mas como importante auxiliar dos idealizadores do Rodamundinho.

Um a um dos participantes foram chamados ao palco para receber o seu exemplar da coletânea.

Um momento muito feliz foi a execução da música ‘Aquarela’, de Toquinho, por Matheus e Maria Rita (no violão Felipe Pantano) contagiando a platéia.

Mais uma vez devemos ressaltar a grande importância da Expo-Literária e do Jornal Cruzeiro do Sul para essa criançada. Nos rostinhos dos mesmos podiamos notar o orgulho, a felicidade e a glória daquele momento

Sem dúvida alguma foi um momento feliz para todos, crianças, pais, avós; proporcionados pelos idealizadores Alexandre Latuf e Douglas Lara, com a colaboração da Prefeitura Municipal de Sorocaba.
––––––––––––––-

Livro escrito por 39 jovens de até 15 anos, 96 páginas de prosa e verso para leitores de todas as idades.

Este ano os participantes do Rodamundinho são: Amanda Kalil Soares Leite, Ana Paula Rodrigues, Anna Laura Rodrigues Alba, Carla Marli Comin, Carolina Arakaki de Camargo, Elaine de Quadro, Ellen Cristina Garcia de Andrade, Evelyn Dias Jorge, Evelyn Jessica Marques Campanholi, Fabiana do Nascimento Gonçalves Trindade, Felipe Calegare Carranza, Fernanda Freire Reche, Gabriela Olsen Federige, Gabrieli Cristina Conceição Camargo, Gulherme Brancalhome de Andrade, José Estevão Pinto de Oliveira, Júlia Bonventi Nunes, Júlia Cepellos Moreno Romeiro, Júlia de Oliveira Marchetti, Julia Mira dos Santos, Larissa da Silva Vendrami, Larissa Miranda de Oliveira, Laura de Oliveira Marchetti, Maria Eduarda de Moura Paschoal, Maria Giulia Jacção Alves, Maria Luisa Alexandrino Dias, Maria Luiza Levy Lemes, Marília Birochi Saragoça, Matheus Balbino Ghiraldi, Natã Vicente da Silva, Paulo Cesar dos Santos Silva, Pedro de Almeida Pecora, Raul Cabral, Rejane Maieri Pedroso, Stefanie Gomes Gonçalves, Talhia Portella Maia , Vitória Amorim, Yasmin Ampese Maté, Whintina Talita dos Santos Almeida Rocha.

Fonte:
Douglas Lara
.

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Folclore em Trovas 10 (Boto)

Trova sobre imagem de http://medievallegends.blogspot.com/

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Igarapé e Cunhã

Dia no Igarapé, pintura de Jeriel
Igarapé (igara, que significa embarcação escavada no tronco de uma só árvore, e pé, que significa caminho), em termos científicos significa cursos de água amazônicos de primeira ou segunda ordem, braços estreitos de rios ou canais existentes em grande número na bacia amazônica, caracterizados por pouca profundidade, e por correrem quase no interior da mata.

A palavra no Brasil foi adotada do nheengatu, língua originária do tupi-guarani. A maioria dos igarapés tem águas escuras semelhantes às do rio Negro, um dos principais afluentes do rio Amazonas, transportando poucos sedimentos.

São navegáveis por pequenas embarcações e canoas, e desempenham um importante papel como vias de transporte e comunicação.

Cunhã é sinônimo de índia, e é uma palavra tupi que significa literalmente “mulher”.

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Sobre o Boto
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/10/folclore-brasileiro-o-boto.html
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/10/folclore-em-trovas-7-boto.html
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/10/guerreiros-mura-seducao-do-boto-cor-de.html
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Fontes:
http://pt.wikipedia.org
http://profpedromello.spaces.live.com/blog/
Pintura = http://www.famap.edu.br

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Nei Duclós (Poesias Avulsas)

EVOCAÇÃO DO CANTO

Descerra essa violação, afasta essa solidão
Venha me encontrar na última carruagem
Pegue o trem, pilote o avião, pouse em Marte
Retorne com as palavras perdidas no porão
Venha, rouxinol, cante que é tarde

VOLTA, RIO

Na origem, o Rio é uma paisagem-monumento
na essência, um urbanismo clássico
na História, uma soma nacional
na música, uma tarde de sol.

REVANCHE

Sou avô, mas jamais fui neto
Por destino desenhei uma linhagem
Da nação sem lei sou a estiagem
E reponho a bandeira no meu teto

FICO

Nenhuma palavra brota do silêncio
Voltado para o canto escuto o vento

Nenhuma conversa opera no silêncio
Dobrado no quarto enxergo o tempo

FLAGRANTE

Não peço desculpas pelo atraso
Nem pelo caldo, folia de Reis
na serra do Espinhaço, turismo
de sal na areia depois das seis

TRAPÉZIO

Tempo não ocupa espaço
Desanda quando acontece

Rastro de sombra, penhasco
Com os minutos em queda

PÁSSARO

É breve o pássaro
que ofusca a treva

Obscura flor
da ante-manhã

AVESSO

Agora que a face do sol sem
brilho acorda a face oculta
de deus virado pelo avesso

TRÉGUA

Quem fala em amor numa noite dessas
quando o tempo morre no horizonte

Quem fala em amor que te apedreje
porque a pedra afagou antes da mágoa

MARTE

Levantou
porque não havia mais espaço
Suspirou
porque a manhã não abre

VERANICO

maio se despede com o tempo em brasa
último aceno do verão, tardia praia

prenúncio do frio temido pela alma
(exílio juvenil de sombrias memórias)

É TEMPO DE PERDÃO

É tempo de perdão pelo tempo perdido

É a perda de tempo que nos mantém cativos

Não o tempo sem valor ou a chance fria

Mas o tempo do coração em queda livre
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Mais poesias do autor, cronicas, contos, artigos, resenha de seus livros, etc. Podem ser encontrados no site do autor, abaixo

Fonte:
http://consciencia.org/neiduclos

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Nei Duclós (Comboio de Livros)

Livro tem pai e avô, como todo mundo. Nenhum autor importante, desses que deixam marca, escreve a partir do nada. Ninguém que vá morrer consegue inventar, sem base, algo que preste. O truque dos gênios é participar de uma linhagem, sem precisar dar sempre o crédito (isso fica a cargo dos estudiosos, os apaixonados dispersos no tempo). Artistas africanos anônimos e ancestrais foram apropriados por Pablo Picasso. MacBeth e Hamlet já tinham sido escritos, mas Shakespeare fez muito melhor. Os Irmãos Grimm, todos sabem: colheram as histórias do povo e colocaram em papel impresso. Cervantes usou os romances da cavalaria para talhar seu antídoto.

Picasso falava em roubar, mas era seu jeito debochado de abordar coisas sérias. Não acredito nessa definição. Existe o plágio, o clone, mas isso é outra coisa. Está cheio de ladrão por aí, mas os mestres são de outra estirpe. Trabalhar uma história e elaborá-la de tal forma que cruze os séculos é entender que literatura, como toda arte, é matriz, tem antepassados e gera seres vivos. Chamam de livros, mas podem ser páginas virtuais em telas luminosas, espalhadas em inúmeras fontes. Por um tempo foram manuscritos perdidos, obra de copistas, papiros, tábuas, argila. Não importa a forma, mas a elaboração que identifique a obra.

O papel impresso, por existir há muito tempo, parece ter se transformado na natureza do livro, mas esse é um erro de percepção. É imbatível como objeto a ser levado para a varanda, o quarto, o banco da praça, do ônibus. Mas acredito que hoje existe um exagero de livros não reconhecidos como tal espalhados pela rede, assim como temos livros perdidos, mofados, jamais reeditados e que fazem parte de um acervo de maravilhas ocultas, como os tesouros das lendas, essas que eram transmitidas pela voz por gerações e só depois pousaram, modificadas, em volumes que ocuparam estantes.

A essência do livro, da literatura, é habitar o espírito. Vejam bem que não usei missão, função, “papel” no sentido de incorporar um personagem. Porque é dentro de nós que uma história, uma teoria, uma lenda, uma parábola, um texto, um poema, uma obra habita. Não vamos procurar lá na sala encerada, na biblioteca opressiva, nas prateleiras convulsas, nos armários fechados a glória de existir da literatura. Também não vamos procurar apenas nas conversas eruditas, embora estas possam nos levar pela mão até onde nem imaginávamos com nossa precária leitura. Não se trata de fazer pouco do acúmulo ou das análises, pois tudo tem lugar nos livros.

O fato é que os antigos tinham mais sabedoria, pois não era preciso o livro para que a literatura habitasse as gentes. Bastava um narrador em praça pública, um poeta popular, um arauto, um aventureiro e suas memórias ditas em cima de um caixote, uma gávea. Não havia intermediários, a não ser o autor da saga, que assim se transmitia diretamente para o coração do povo. O livro no fim aprisionou o talento a sete chaves e ficou cada vez mais custoso abri-lo para ler, à medida que as atrações da vida se multiplicaram e se tornaram mais acessíveis.

Quantos livros deixei pela metade? Quantos dormiram na minha estante, às vezes por vinte anos, para enfim eu poder ser capturado por eles? Ler tudo é impossível, devemos ler só o necessário e cada um sabe sua cota. Ao mesmo tempo me pergunto: e se eu não os tivesse à mão, o que seria de mim? Brutalizado pelo exílio, eu amargaria a pena de viver tentando imaginar o impossível. Seria uma bruma de possibilidades e talvez eu quisesse, a certa altura, escrever algo para poder ter o que ler. Esse é o segredo dos diários: todos os dias colocamos a vida nele para um dia podermos ler o que passou por nós como um comboio. É nossa obra favorita.

Chegará esse tempo em que verei a paisagem do que escrevi. Mas isso vai se desenrolar lá fora do trem. Dentro, sobre uma poltrona amigável, eu continuarei a abrir os grandes autores, os que jamais devem se distanciar de nós. Porque se algo fica na terra, é a literatura, semente de obras ao infinito.

Fonte:
http://consciencia.org/neiduclos/

Fotomontagem = José Feldman

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Nei Duclós (1948)

Nei Carvalho Duclós (Uruguaiana, 29 de outubro de 1948) é jornalista, poeta e escritor brasileiro.
Aos 17 anos se mudou para Porto Alegre e se matriculou no curso de engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o qual abandonaria logo depois em favor da faculdade de Jornalismo. Envolveu-se no movimento estudantil brasileiro após o golpe militar de 1964. Trabalhou no jornal gaúcho Folha da Manhã e publicou seu primeiro livro, Outubro, em 1975.

Mudou-se para São Paulo, onde desenvolveu longa carreira como jornalista, tendo trabalhado no jornal Folha de S. Paulo, revistas Brasil 21, Senhor, e IstoÉ. Publicou textos também em O Estado de S. Paulo, Veja e Jornal do Brasil.

Publicou Outubro e No Meio da Rua, ambos pela editora LP&M, em 1980, e No Mar, Veremos, pela editora Globo, em 2001, todos de poesia. Em 2004 publicou seu primeiro romance, Universo Baldio, pela W11 Editores.

É bacharel em História pela Universidade de São Paulo

Atualmente reside em Florianópolis, no estado de Santa Catarina, onde trabalha na revista Empreendedor e publica coluna no Diário Catarinense.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org
http://consciencia.org/neiduclos/

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Notícias em Tempo da União Brasileira dos Escritores

Notícias Veiculadas pela União Brasileira dos Escritores (UBE)
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HOMENAGEM A MARCOS REY

Marcos Rey será homenageado pela Biblioteca Pública Marcos Rey, no dia 29 de outubro de 2009, quinta-feira, às 14:30 horas, Av. Anacê, 92, Jardim Umarizal, em São Paulo. O evento é em decorrência do aniversário de 10 anos do seu falecimento.

Marcos Rey (Edmundo Donato), escritor, tradutor e cineasta, nasceu em 17 de fevereiro de 1925, em São Paulo, e faleceu no dia 1 de abril de 1999, na capital paulista.

O autor de Memórias de um gigolô atuou na União Brasileira de Escritores em várias gestões e foi o criador do Prêmio Intelectual do Ano – Troféu Juca Pato. Foi laureado com o Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro, e com o Troféu Juca Pato, em 1996.

Estreou na literatura com a novela Um gato no triângulo, em 1953, e publicou uma vasta obra nos gêneros romance, conto, crônica, novela, infantil, infanto-juvenil e paradidático.
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V FÓRUM DE EDITORAÇÃO / 31 OUTUBRO 2009 / MASP

Acontece neste sábado (31), às 8 horas, o Fórum de Editoração, que chega à sua quinta edição com o tema “Cotidiano e Teoria”. O evento é organizado por alunos do curso de editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP com o apoio do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

O Fórum tem como finalidade discutir alguns aspectos do mercado editorial brasileiro, abordar questões do cotidiano da profissão e a aplicação da teoria no dia a dia.

Entre os convidados estão Plínio Martins Filho, coordenador do curso de Editoração da ECA, Rogério Gastaldo, gerente editorial da Editora Saraiva, Maria José Rosolino, coordenadora do curso de Produção Editorial da Universidade Anhembi Morumbi, João Scortecci, diretor presidente do Grupo Editorial Scortecci e Carlos Carrenho, da PublishNews.

A entrada é gratuita e serão distribuídas senhas com meia hora de antecedência do início de cada mesa.

O evento ocorrerá no Pequeno Auditório do MASP, na Avenida Paulista, 1578, Cerqueira César, São Paulo.

Mais informações: site http://www.eca.usp.br/forum
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BIBLIOTECA NACIONAL COMEMORA 199 ANOS

São 199 anos de acervo, originado da coleção que pertenceu à Família Real, e quase um século de obras preservadas na Cinelândia, no edifício inaugurado em 1910. A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) organiza uma semana especial de eventos, em celebração ao aniversário da Biblioteca e ao Dia do Livro, ambos comemorados no dia 29 de outubro.

Entre os dias 27 e 29, o simpósio “Livre-se – I Simpósio do Livro da UFRJ”, resultado de uma parceria entre a FBN, a Escola de Comunicação da UFRJ e a Faculdade de Comunicação Social da UERJ, discute a história do livro no país, entre temas como a pirataria, edição gráfica, acesso à leitura e novas mídias.

No dia 28, às 16h, o tradicional programa “Quarta às Quatro”, recebe o jornalista Artur Xexéo, em um painel intitulado “A crônica nos tempos da internet”. O presidente da FBN, Muniz Sodré, participa da conversa, mediada pelo jornalista Vitor Iorio. Na quinta-feira, Dia do Livro, Ferreira Gullar participa, a partir das 14h, do “Café do Dia”, debate que integra a programação do Simpósio. Nos dois eventos, o público é convidado aos debates, com entrada franca.

Ainda no dia 29, a Biblioteca lança, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, uma edição de “O Livro de Horas de Dom Fernando”, publicação fac-símile de um manuscrito datado de 1378. No dia 30, a Biblioteca recebe convidados, no lançamento da obra “Impresso no Brasil – 1808 a 1930”, da editora Verso Brasil, organizada pelo historiador da arte, Rafael Cardoso.

Além da programação especial, a agenda da BN abriga três exposições simultâneas, exibindo acervos sobre Euclides da Cunha, Carmen Miranda e Revolta da Chibata. Todos os eventos são gratuitos.

Biblioteca Nacional
Av. Rio Branco, 219 – Rio de Janeiro
Informações no site http://www.bn.br ou no telefone (21) 3095-3879

As inscrições para o “Livre-se – I Simpósio do Livro da UFRJ” são feitas através do site http://www.livrese.com.br

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MIGUEL BARBOSA RECEBE PRÊMIO DA UBE/RJ

Miguel Barbosa, escritor, dramaturgo, pintor, e poeta português, receberá no dia 30 de outubro de 2009 a MEDALHA JORGE AMADO, pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, no Teatro Raimundo de Magalhães Jr. da Academia Brasileira de Letras, Avenida Presidente Wilson, 203, no Rio de Janeiro.

Miguel Barbosa é membro do Instituto de Sintra, da Academia de Lutèce, Paris, e membro de Honra dos Artistas de França (ST. Étienne).

Participou da antologia 23 Escritores Portugueses do Século XX, de Nelly Novaes Coelho, publicada pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda, em 2007.
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II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS E COMUNITÁRIAS E II FÓRUM PRAZERES DA LEITURA

O propósito permanente da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, segundo o secretário João Sayad, é o de “formular e aplicar uma política cultural cujo objetivo é desobstruir, abrir espaço, para que os brasileiros excluídos, de vanguarda, pobres e ou iniciantes ouçam e sejam ouvidos, vejam e sejam vistos pelos consagrados, pelos bem-sucedidos daqui e do mundo inteiro. E que a cultura popular, a periferia, os excluídos ouçam e usufruam os consagrados, os clássicos e os campeões de audiência”.

Dentro desse propósito, vários projetos e programas têm sido desenvolvidos para incentivar e estimular o gosto pela leitura. Entendendo que as bibliotecas públicas têm um papel preponderante na elevação dos índices de leitura no Estado de São Paulo, tem-se dado especial atenção para o desenvolvimento dos profissionais que atuam nesses equipamentos, promovendo oportunidades de capacitação e de integração.

Em agosto de 2008, aconteceu o “I Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias”, realizado conjuntamente com o “II Fórum Nacional do Livro e Leitura”, em parceria com o Ministério da Cultura. Diante da grande receptividade da primeira edição, acontecerá, em novembro próximo, o “II Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias e II Fórum Prazeres da Leitura”, cujas temáticas principais são:

– Políticas públicas de incentivo à leitura e bibliotecas.
– Desenvolvimento de serviços inovadores em bibliotecas públicas e
comunitárias.
– Acessibilidade em bibliotecas públicas e comunitárias.
– Perfil das lideranças na gestão de bibliotecas e espaços de leitura.
– Advocacy.

Estrutura do evento

Palestras, debates, mesas-redondas e painéis. Conversas sobre livros, bibliotecas e leitura com convidados especiais.

Presenças confirmadas

Especialistas nacionais:

Elisabeth Biondo – Diretora do Departamento de Bibliotecas da Secretaria de Cultura, Lazer e Criança de Barueri.
Guilherme Lira – OSCIP Acessibilidade Brasil.
José Castilho Marques Neto – Secretário Executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura.
Moacyr Scliar – Escritor
Profa. dra. Lucia Santaella – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Profa. dra. Linarama Rizzo Battistella – Secretária da Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo.
Lucila Maria Calheiros Silvestre – Diretora da Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba, SP.
Lucila Martinez – Consultora da ILTC – Brasil.
Maraléia Menezes de Lima – Diretora da Biblioteca Pública de Itanhaém, SP.
Profa. dra. Heloísa Helena Buarque de Hollanda – Escritora, crítica literária, editora e pesquisadora.
Profa. dra. Maria Tereza Egler Mantoan – Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.
Maria Zenita Monteiro – Coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo, Capital.
Nêmora Rodrigues – Presidente do CFB.
Sigrid Karin Weiss Dutra – Presidente da FEBAB.

Especialistas internacionais:

Aldo Pirola – Diretor do Sistema Público de Bibliotecas da cidade de Milão, Itália.
Camila A. Alire – Presidente da American Library Association (ALA), Estados Unidos.
Ida A. Joiner – Biblioteca Pública Pittsburg, Estados Unidos.
Profa. dra. Yicel Nayrobis Giraldo – Escola Interamericana de Biblioteconomia, Colômbia.

Realização:

Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo
Programa São Paulo: um Estado de Leitores / POIESIS – Organização Social de Cultura
Parceiros:
Consulado Americano
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Pontifícia Universidade Católica São Paulo
TUCA – Teatro da PUC-São Paulo
Unesco

Evento gratuito

Outras informações no site:

Cristina Nolli
Produtora Cultural
Programa “São Paulo: um Estado de Leitores”
Poiesis Organização Social de Cultura
Fone: 3331-5549 Cel: 9310-6374

RESUMO:

II Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias
e II Fórum Prazeres da Leitura
de 12 a 14 de novembro de 2009
Evento Gratuito – inscrições pelo site: www.bibviva.com.br
Local: Teatro Tuca – Rua Ministro Godói, 969 – Perdizes – São Paulo, SP
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ESCRITORA ALEMÃ HERTA MÜLLER VENCE O NOBEL DE LITERATURA

A escritora Herta Müller, 56, é a vencedora do prêmio Nobel de Literatura em 2009. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (8), na sede da Academia Sueca, em Estocolmo. Müller é a 12ª mulher a vencer o Nobel de Literatura, que premia autores desde 1901.

“Estou muito surpresa e ainda não acredito”, disse a escritora em comunicado divulgado por sua agente na Alemanha. “Não posso dizer mais nada neste momento.”

Herta Müller tem apenas um livro publicado no Brasil, “O Compromisso”, lançado em 2004 pela editora Globo com tradução de Lya Luft.

O livro conta a história de uma ex-operária da indústria têxtil que, com certa regularidade, é chamada para prestar depoimento ao major Aldu, da polícia secreta da Romênia, durante o regime totalitário de Nicolae Ceausescu (1918-1989). O ditador governou o país entre 1974 e 1989.

Durante o anúncio do Nobel, a escritora foi definida como “alguém que, com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos desfavorecidos”.

A escritora nasceu em Nitzkydorf, Romênia, em 1953, dentro de uma família da minoria alemã nesse país. Sua estreia na literatura em 1982, com uma reunião de contos intitulada “Niederungen”, que foi imediatamente censurada pelo governo comunista na época.
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REVISTA “O ESCRITOR” JÁ ESTÁ NO QUINTO ANO

Lançada em substituição ao jornal, que em mais de duas décadas apareceu 100 vezes, começando como tabloide de 4 páginas para chegar a 32 páginas, a revista já faz sua própria história. Seu projeto se mantem intocado: capa de retratos de escritores, pintados por Portinari, dossiê do retratado, com textos e imagens, sejam fotos ou obras do pintor, estas abrindo seções permanentes, uma Separata que já mostrou quase 100 autores em prosa e em poesia, estudos originais ou raras reproduções de textos sobre os temas mais diversos, resenhas de livros novos, tudo num constante estilo de diagramação, de Bê Guedes.

Recente estatística feita pelo editor mostrava que participaram da revista, com distintas matérias,mais de 30 conselheiros e diretores, mais de 50 associados e também uma meia centena de convidados. A mais recente edição foi dedicada a Portinari, que foi também um poeta,teve cores em suas páginas internas, pela primeira vez, graças à generosidade de João Candido Portinari, filho e curador da obra de nosso grande pintor. Passo novo e ousado de nossa comunicação, a revista pretende, apesar das imensas dificuldades, sobretudo de patrocínio, ultrapassar o feito do jornal e ser também centenária. O começo aparece nestas capas de suas 11 edições já produzidas.

Izacyl Guimarães Ferreira, editor.
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FÓRUM NACIONAL DE DIREITO AUTORAL / SÃO PAULO, 09 E 10 DE NOVEMBRO DE 2009

O Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, por intermédio de seu Curso de Pós-Graduação em Direito – CPGD, realiza o III Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, que ocorrerá em São Paulo, nos dias 09 e 10 de novembro de 2009, no Auditório do Centro de Eventos Fecomércio, situado à rua Dr. Plínio Barreto, 285, bairro Bela Vista – São Paulo. O evento deste ano será dedicado à análise das propostas de revisão da Lei de Direitos Autorais, que estão sendo desenvolvidas por iniciativa da Diretoria de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura. Por essa razão, o temário do Congresso foi dividido em painéis correspondentes aos tópicos da Lei Autoral que poderão ser objeto de modificação legislativa.

O III Congresso de Direito de Autor e Interesse Público recebeu novamente o apoio do Ministério da Cultura – MinC e da Escola de Direito de São Paulo da FGV – Direito GVlaw. Foi concebido de forma integrada com o Fórum Nacional de Direito Autoral promovido pelo MinC.

O Congresso vai ao encontro com outras iniciativas já realizadas pelo Curso de Pós-Graduação em Direito – CPGD/UFSC e da Escola de Direito de São Paulo da FGV, objetivando estimular uma abordagem crítica e profunda acerca do Direito da Propriedade Intelectual analisando-se nesta oportunidade, em especial, os interesses públicos e econômicos envoltos na questão do Direito de Autor e o interesse público.

O evento contará com a presença do jurista José de Oliveira Ascensão para a abertura e o encerramento dos debates, bem como de outros renomados especialistas. O evento se realizará de forma integrada com o Fórum Nacional de Direito Autoral lançado pelo Ministério da Cultura – MinC, que representa um importante passo para a retomada da presença do Estado na formulação de políticas públicas para um tema cada vez mais contemporâneo e estratégico num contexto de ambiente digital e convergência tecnológica.

No transcorrer do evento abordar-se-ão temas que têm sido objeto de ampla discussão no Brasil e no exterior na área do Direito de Autor nos tópicos dos diferentes painéis.

Coordenação Científica
Prof. Dr. Marcos Wachowicz – UFSC
Prof. Dr. Manoel J. Pereira dos Santos – GVlaw
Inscrições Gratuitas

As inscrições iniciam dia 01 de outubro e encerram dia 4 de novembro de 2009 e podem ser feitas pelo site.

Mais informações:

Site: www.direitoautoral.ufsc.br
Telefone: (48) 3721 9287
E-mail: direitoautoral@ccj.ufsc.br
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LYGIA FAGUNDES TELLES PROCLAMADA INTELECTUAL DO ANO

Mais de 30 associados da União Brasileira de Escritores, vários deles expressivos nomes de nossas Letras, lançaram o nome da escritora Lygia Fagundes Telles para o Prêmio Juca Pato, sendo proclamada Intelectual do Ano – 2008 pela Diretoria, por ter sido candidata única, livre de disputa.

Na exposição, justificando o referido nome, os assinantes da candidatura expõem que a escritora “vem publicando há anos obras de notoriamente reconhecidas” e que “em 2009 estão sendo reeditadas, em sua totalidade, as suas obras. Em 2008 publicou “Conspiração das Nuvens”.

Lygia Fagundes Telles, membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia Paulista de Letras e sócia fundadora da União Brasileira de Escritores (onde exerceu, em várias gestões, os cargos de vice-presidente e conselheira) e de várias outras entidades, dispensa apresentação. Seu curriculum é vastíssimo: Muitos os prêmios recebidos no Brasil e no Exterior, condecorações e homenagens, traduzida em vários idiomas, estudos e teses sobre sua obra, adaptações para o cinema e televisão e inúmeras outras manifestações de aplausos e honrarias que recebeu e continua recebendo. Seus romances e contos trazem sua marca personalíssima desde que surgiu para as Letras que só cresceu em valor e qualidade ao correr dos anos.

Esta 45ª versão do Prêmio Juca Pato, que lhe será entregue no segundo semestre pelo vencedor do ano anterior, Antonio Cândido de Mello e Souza, comprova que o troféu doado ao Intelectual do Ano continua com o mesmo brilho desde o primeiro que chegou às mãos de Santiago Dantas, em 1962.
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O COPO AZUL / CAIO PORFÍRIO CARNEIRO

O copo azul (Scortecci Editora) – é o mais recente livro de contos de Caio Porfírio Carneiro. Mais uma preciosidade a acrescentar à vasta e premiada obra (quase 30 títulos dos mais variados gêneros) de Caio Porfírio. É no conto que ele encontra o ‘gênero literário do coração’, e O copo azul reúne várias vertentes estéticas da história curta, com a marca pessoal de seu criador: a sutileza, a essencialidade e a extraordinária economia de meios para realizá-los. Como afirmou um de seus críticos: Caio continua navegando no conto como um peixe na água. Mergulhar nessas águas é estar receptivo ao belo, mergulhe e aproveite!

Fonte:
União Brasileira dos Escritores

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Rodolfo Witzig Guttilla (Boa Companhia Haicai)

Existem três hipóteses para o gosto dos escritores brasileiros pelo haicai, poema de origem japonesa Estudioso há 25 anos da aclimatação da forma poética mais importante do Japão, Rodolfo Witzig Guttilla explica os motivos em “Boa Companhia Haicai” (Companhia das Letras), antologia em que ele reuniu a produção de autores de tendências e gerações diversas.

Para ele, a brevidade e o humor são características fundamentais do haicai (segundo o dicionário Houaiss, hai significa gracejo e brincadeira, enquanto kai, harmonia e realização). “De modo breve, um haicaísta mostra a grata aceitação pela vida”, diz. “O autor expressa o aqui e agora sem ser cerebral e com economia de força.” A prática do haicai exige certos estados de espírito. Guttilla menciona como principais a abnegação, a aceitação da solidão, o acolhimento das contradições, a busca por simplicidade e o sentimento de liberdade.

Jornalista e antropólogo, Guttilla explica que a forma poética aportou no País com o aparecimento do modernismo, que implodiu a sintaxe e métrica tradicionais. “O humor se tornou desejável e um traço comum.” Ele cita as blagues cortantes de Oswald de Andrade que, em vez de haicais, eram classificadas como “poemas piada, uma forma de diminuí-lo”.

O terceiro elemento está no aspecto formal. As redondilhas maiores (versos de sete sílabas) e menores (cinco sílabas), as estruturas mais comuns na poesia de língua portuguesa, têm semelhanças com o haicai, fixado no Brasil por Afrânio Peixoto como um poema de três versos – de 5, 7 e 5 sílabas. A diferença é que, no Japão, o haicai se afirmou como caminho para o autoconhecimento e, no Brasil, ele se tornou uma forma poética.

Alice Ruiz é um dos autores da antologia. Convidada para dividir uma mesa com Olga Savary e Carlos Vogt, Alice fala sobre a sua produção na Livraria da Vila, às 19 horas de quarta-feira (28), em evento que lança “Haicai”. Paranaense, ela teve o primeiro contato com o poema minimalista em 1968, levada por Paulo Leminski, que seria seu companheiro por mais de 20 anos. Nos anos 1980, lançou os primeiros livros com os poemetos: “Pelos Pelos” e “Vice-Versos”. Tradutora de poetas japoneses do século 18, ela é hoje uma das principais divulgadoras do haicai.

Há 20 anos, Leminski atualizou o poema japonês, popularizado no Brasil, entre os anos 1950 e 1970, por Millôr Fernandes, que os divulgava na imprensa. Guttilla afirma que o período dos anos 1990 em diante foi de pasmaceira, sacudida por Alice e seu livro “Desorientais”. Poeta da geração de 1960, o paulista Carlos Vogt flertou com o haicai em “Cantografia”, sua estreia, marcada pelo senso de humor e o exercício da brevidade. Nos anos 1980, a paraense Olga Savary recebeu o primeiro reconhecimento por seus haicais, aos quais se dedicava fazia 40 anos. Em “O Livro dos Hai-Kais”, ela traduziu Matsuó Bashô (1644-1694), Yosa Buson (1716-1784) e Kobayashi Issa (1763-1827).

Segundo Guttilla, Bashô elevou o haicai à condição de kadô (caminho da poesia), impregnando-lhe a visão de mundo zen. Essa percepção incorpora a herança do confucionismo e do budismo e, o mais importante, a ideia de totalidade. Aos 25 anos, Bashô renunciou à sua condição de samurai para ser monge andarilho. A sua produção expressa a beleza das coisas simples, imperfeitas e transitórias.

Em seu estudo pioneiro, Guttilla revela que o primeiro a falar sobre haicais foi o paulista Monteiro Lobato. Publicado por “O Minarete” em 1906, o artigo “Poesia Japonesa” trazia seis poemetos traduzidos por Lobato. Essa descoberta desbanca a versão de que Afrânio Peixoto, criador da forma abrasileirada, teria sido o primeiro a tocar no assunto. De qualquer maneira, estava aberto o caminho para autores de diferentes estilos, como Erico Verissimo, Haroldo de Campos, José Paulo Paes, Luís Aranha e Waldomiro Siqueira Jr., alguns dos 24 selecionados para a antologia

Guttilla publica, pela primeira vez em livro, os primeiros haicais de Carlos Drummond de Andrade, divulgados na revista “Para Todos”, em 1925. Ele mostra a importância de Guilherme de Almeida, que teria premiado “Magma” (1936), livro de estreia de João Guimarães Rosa. A especulação faz sentido porque “Magma”, inédito até 1997, traz nove haicais que podem ter comovido Guilherme, o único jurado do prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras.

TRECHOS

DRUMMOND

Num automóvel aberto
riem mascarados.
Só minha tristeza não se diverte.

Não tenho dinheiro no banco,
porém,
meu jardim está cheio de rosas.

AFRÂNIO PEIXOTO

Na poça da alma.
Como no divino céu
Também passa a lua

As coisas humildes,
Têm o seu encanto discreto:
O capim melado…

PAULO LEMINSKI

essa estrada vai longe
mas se for
vai fazer muita falta

nadando num mar de gente
deixei lá atrás
meu passo à frente

MILLÔR FERNANDES

Há colcha mais dura
Que a lousa
Da sepultura?

Quando estamos sós,
Devemos nos tratar
Por vós.
====================

Sobre o autor e seus escritos

Rodolfo Witzig Guttilla nasceu na cidade de São Paulo, em 1962. Formado em Comunicação e em Ciências Sociais, é mestre em Antropologia, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi repórter, editor, pesquisador e professor. Há 15 anos atua no campo dos relacionamentos públicos, do marketing e da comunicação corporativa. Publicou o livro Apenas (1986) e participou de duas coletâneas: 100 haicaístas brasileiros (Fundação Brasil-Japão e Massao Ohno Editores, 1990) e Qu4rta-Feira: antologia de prosa & verso (Escrituras, 2003). Livro de poemas Uns e Outros (Landy Editora).

O livro Uns & Outros, de Rodolfo Guttilla, é resultado de um projeto iniciado faz 20 anos. Segundo o escritor e poeta Carlos Felipe Moisés, autor da apresentação que precede a obra, “ao primeiro contato, o leitor logo perceberá que o timbre dominante de Uns & Outros é o do humor discreto, por vezes velado, em perfeita sintonia com a também discreta dissonância dos seus acordes breves. Só uma segunda leitura revelará que por trás (melhor, nos meandros) de sua descontraída leveza pulsa um forte e denso sentimento da gravidade da vida. A desejada união desses pendores, em princípio dispares, talvez constitua a marca mais característica do poeta estreante, mas nem por isso inseguro em relação a seu ofício”.

Além de investigar “a gravidade da vida” e o próprio ofício poético, Guttilla expõe, em seus poemas, a sua “angústia da influência”, como caracterizada por Harold Bloom. Segundo a poeta Alice Ruiz, que assina a orelha do livro, “essa é uma poesia que brinca de trazer à tona muitas das referências/ influências, fontes de víveres que pintam, bordam e transbordam neste Uns & Outros. Uns como a peripécia de reler a idéia da Odisséia, revendo Homero, via Joyce e a atirando nas vias pops do século XXI. Outros com traços do Modernismo ou com traços da Poesia concreta. Lembrando a Poesia caligrama de Edgar Braga e tocando na musicalidade de Chico e Caetano. E ainda, uns e outros à moda de Pessoa, Drumonnd, Pedro Xisto, Bandeira, Millôr, Leminski”.

Fontes:
Colaboração de Douglas Lara. Cruzeiro on line.
www.antoniomiranda.com.br
http://www.paulomarra.com.br/

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55a. Feira do Livro de Porto-Alegre 2009

A Feira do Livro de Porto Alegre é uma das mais antigas do País. Sua primeira edição ocorreu em 1955 e seu idealizador foi o jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias. Inspirado por uma feira que visitara na Cinelândia no Rio de Janeiro, Marques convenceu livreiros e editores da cidade a participarem do evento.

O objetivo era popularizar o livro, movimentando o mercado e oferecendo descontos atrativos. Na época, as livrarias eram consideradas elitistas. Por esse motivo, o lema dos fundadores da primeira Feira do Livro foi: Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo.

A Praça da Alfândega era um local muito movimentado na Porto Alegre dos anos 50 e de 400 mil habitantes. E, no dia 16 de novembro de 1955, era inaugurada a 1ª Feira do Livro, com 14 barracas de madeira instaladas em torno do monumento ao General Osório.

Na segunda edição do evento, iniciaram as sessões de autógrafos. Na terceira, passaram a ser vendidas coleções pelo sistema de crediário. Nos anos 70, a Feira assumiu o status de evento popular, com o início da programação cultural. A partir de 1980, foi admitida a venda de livros usados. E, na década de 90, conquistou grandes patrocinadores, estimulados pelas leis nacional e estadual de incentivo à cultura.

A infra-estrutura foi ampliada e modernizada, os eventos culturais se consolidaram e a Feira passou a receber grandes nomes do mercado editorial brasileiro e internacional. Confira o calendário de eventos até 2012.

A Feira do Livro de Porto Alegre adotou a tradição de eleger um patrono na 11ª edição, escolhendo o jornalista, político e escritor Alcides Maya. Os patronos eram eleitos entre escritores e livreiros significativos para o mercado editorial gaúcho e já falecidos. Entre os anos de 1965 e 1983, foram homenageados 13 escritores gaúchos, um jornalista, três livreiros e dois escritores estrangeiros.

Em 1984, a 30ª edição inicia uma nova fase. O patrono Maurício Rosenblatt, um dos fundadores e grande incentivador da Feira, é o primeiro homenageado em vida. A partir desse ano, os patronos passaram a ser escritores gaúchos ou radicados no Estado em atividade.

Na 40ª edição, a Câmara do Livro fez uma homenagem a outros fundadores do evento. Foram escolhidos como patronos Nelson Boeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida e Sétimo Luizelli.

A Feira do Livro não nos pertence, ela é do povo gaúcho, do povo brasileiro”. Essas foram as palavras carinhosamente proferidas pelo presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, João Carneiro, na abertura da coletiva de imprensa para apresentação da programação e da campanha publicitária da 55ª Feira do Livro.

O patrono eleito da edição deste ano, o jornalista e escritor Carlos Urbim, também se referiu ao evento com carinho, dizendo que tentaria “inundar a feira com o sorriso, alegria e vontade de viver”. Urbim se referiu ainda à Feira como “um misto de aventura e gincana”.

Luiz Coronel, diretor da agência Matriz, que pelo segundo ano produz a campanha publicitária da Feira, destacou que o foco deste ano são as emoções que os livros proporcionam. “O livro é o veículo que mais contribui e permanece no fator consciência”, afirmou Coronel.

A coordenadora da Programação Infantil e Juvenil, Sônia Zancheta, enfatizou o crescimento do número de autores (escritores e ilustradores), que pulou de 80 em 2008 para 170 este ano, dos quais a maior parte participa também de outras atividades fora da Feira, em escolas públicas.

Por sua vez, Jussara Rodrigues, coordenadora da programação geral, apresentou os nomes dos autores franceses que participam da Feira, item importante importante das atividades ligadas ao Ano da França no Brasil, a serem realizadas durante a Feira. Jussara citou alguns números que atestam a densidade da programação, como as 38 oficinas, as 173 mesas redondas e as 16 sessões de cinema gratuitas e comentadas. Ao total, são 297 eventos envolvendo, majoritariamente, ciências humanas, os quais buscaram promover “uma verdadeira revolução francesa para abrir o nosso pensamento”, explicou Jussara.

Agende-se – A 55ª Feira do Livro do Livro de Porto Alegre acontece de 30 de outubro a 15 de novembro. E já começa com uma distinção especial: o evento recebeu o Prêmio COMPAHC 2009 – Mérito ao Patrimônio. O reconhecimento foi outorgado pela Prefeitura de Porto Alegre e pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (COMPAHC), pelo fato da Feira constituir parte do patrimônio histórico-cultural da cidade.

Para 2009, está confirmada a participação de 169 expositores livreiros, sendo 118 na Área Geral, 34 na Área Infantil e Juvenil e 17 na Internacional. A Área Infantil e Juvenil abre das 9h30min às 20h, e o restante da Feira funciona das 12h30min às 21h. A critério da Comissão Organizadora, os horários de encerramento poderão ser estendidos até às 21h e 22h, nas respectivas áreas.

A Feira terá a França como País Homenageado, integrando a programação do Ano da França no Brasil. Já Santa Catarina é o Estado Convidado, apresentando destaques de sua produção cultural em um estande na Praça e trazendo atividades preparadas especialmente para a feira porto-alegrense.

O acesso à informação sobre localização de barracas e programação estará facilitado este ano. Serão três balcões de informação – um na área Geral, outro na Infantil e Juvenil e o terceiro na área Internacional. Além disso, a Procempa (Companhia de Processamento de Dados da Prefeitura Municipal de Porto Alegre) vai instalar três quiosques na Praça, onde o visitante poderá consultar diretamente as informações que deseja.

A 55ª Feira do Livro de Porto Alegre é uma realização da Câmara Rio-Grandense do Livro e conta com os apoios das leis estadual e federal de incentivo à cultura: LIC-RS (Secretaria de Estado da Cultura) e Lei Rouanet (Ministério da Cultura).

PROGRAMAÇÃO

Todos os eventos da Feira do Livro de Porto Alegre têm entrada franca. No entanto, alguns deles exigem inscrição. Leia com atenção e participe!

Horário de funcionamento: a partir das 9h30min, na Área Infantil e Juvenil; a partir das 12h30min, na Área Adulto. Atividades se encerram às às 21h, podendo ser prorrogadas até 22h.

Agendamento prévio para eventos da Área Infantil e Juvenil e inscrições para o ciclo A Hora do Educador: informações pelo fone (51) 3225.9545 ou email leitura@camaradolivro.com.br.

Inscrições para o Seminário Cultura, Memória e Folclore, promovido pela Smed: informações pelo email cwolffen@terra.com.br.

Para as oficinas da Área Adulto, as inscrições devem ser feitas antecipadamente no Balcão de Informações situado na área central da Praça da Alfândega.

Saraus às 20h no Auditório Barbosa Lessa (CCCEV): distribuição de senhas a partir das 18h no Balcão Central de Informações.
–––––-
A programação do evento pode ser encontrado no link http://www.feiradolivro-poa.com.br/programacao.php

Obs: Por ser muito longa, nos abstivemos de coloca-la no blog .
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HOMENAGEADOS NAS FEIRAS ANTERIORES

1965: Alcides Maya
1966: João Simões Lopes Neto
1967: Alceu Wamosy
1968: Caldas Júnior
1969: Eduardo Guimaraens
1970: Augusto Meyer
1971: Manoelito de Ornellas
1972: Luís Vaz de Camões
1973: Darcy Azambuja
1974: Leopoldo Bernardo Boeck
1975: Athos Damasceno Ferreira
1976: Erico Verissimo
1977: Henrique Bertaso
1978: Walter Spalding
1979: Auguste Saint-Hilaire
1980: Moysés Vellinho
1981: Adão Juvenal de Souza
1982: Reynaldo Moura e Monteiro Lobato
1983: José Bertaso
1984: Maurício Rosenblatt
1985: Mario Quintana
1986: Cyro Martins
1987: Moacyr Scliar
1988: Alberto André
1989: Maria Dinorah
1990: Guilhermino César
1991: Luis Fernando Verissimo
1992: Paulo Fontoura Gastal
1993: Carlos Reverbel
1994: Nelson Boeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida Lima e Sétimo Luizelli
1995: Caio Fernando Abreu
1996: Lya Luft
1997: Luiz Antonio de Assis Brasil
1998: Patrícia Bins
1999: Décio Freitas
2000: Barbosa Lessa
2001: Armindo Trevisan
2002: Ruy Carlos Ostermann
2003: Walter Galvani
2004: Donaldo Schüler
2005: Frei Rovílio Costa
2006: Alcy Cheuiche
2007: Antonio Hohlfeldt
2008: Charles Kiefer

LOCALIZAÇÃO

– Praça da Alfândega
– Cais do Porto (Avenida Mauá, altura da Praça da Alfândega)
– Avenida Sepúlveda
– Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1.223)
– Memorial do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, s/nº)
– Santander Cultural (Praça da Alfândega, s/nº)

Confira a distância entre a feira e principais pontos de referência da capital:

Aeroporto Internacional Salgado Filho – 7,5 Km
Rodoviária (Estação Centro) – 1,4 Km
Ponte do Guaíba – 4,5 Km
Usina do Gasômetro – 0,7 Km

Mapa da feira em http://www.feiradolivro-poa.com.br/mapa.php

Fonte:
– Neida Rocha
http://www.feiradolivro-poa.com.br/

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Eliana Palma (Micro contos)

1- Era inteligente e bela e queria mais: dinheiro e fama! Fundou uma igreja, virou “bispa” e é rigorosa na distribuição de suas franquias…

2- Dois filhos em casa. Duas dúzias fora. Processos de reconhecimento, advogados…
Quando o dinheiro acabou, viu sua real família: os companheiros do asilo público!

3- Os cabelos teimavam em encaracolar. Anti-frizz, chapinha, progressiva, definitiva!

Nada! Rendeu-se ao biotipo. Hoje, única diferente num desfile de longos lisos, é a garota mais cobiçada da balada!

4- Viu o mar de corpos se comprimindo para ver o show. Gelou. O organismo devolvendo a nutrição. Suor! Introdução: um empurrão nas costas e o enfrentamento inevitável. Agarrou o microfone em pânico, abriu a boca…e a voz melodiosa confirmou a vocação. Ocupou o destaque merecido.

5- Tinha pressa… sempre! Cadê tempo para revisões no carro? Colocar cinto? Atrasava! Celular? Não podia largar… eram tantas questões a resolver… Um som! Um peso…a falta dele, a sua falta na empresa, na família …e o mundo continuou girando!

6- Deu na TV. Era, então, verdade! Comprou as ações cotadas! Era boato, como tantos! Lembrou-se do professor de literatura: “…pensar com a própria cabeça! Analisar, verificar fontes, usar o espírito crítico antes de engolir”! Tarde demais para lamentar a reprovação na matéria!

7- Daria uma festa. Queria ser a anfitriã! Contratou um chef francês e decidiu-se por escargots … Pagou uma fortuna para a empresa de lavagem de tapetes. Os estomagos rudes dos amigos simples não suportaram a escolha!

8- Desprezava seus alunos. Jogava duro com eles! No final da vida fez um balanço do sucesso de cada um: nenhum! Todos haviam seguido os seus passos = fracasso!

9- Era linda como uma sinfonia! Criou para ela a mais bela das músicas e ela partiu num carro esporte. O único som que apreciava era o tilintar de moedas!

10- Vendia ovo cozido para pagar os estudos sob o gargalhar dos riquinhos da escola. Hoje, dono da granja e do abatedouro de aves, emprega alguns deles por pura pirraça!

Fonte:
Colaboração da escritora.

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Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores (A Natureza em Versos)


Clique sobre a figura para acessar o índice dos sonetos sobre a natureza, da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores (AVSPE).
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A poesia é a esperança que arquivamos em nós, para poder recuperar no Homem, o que de mais verdadeiro ele possui: os sentimentos.Mesmo diante deste mundo moderno, em meio a tanta impaciência, que por vezes se apossa de todos, este Evento 1000 Sonetos, surge para mostrar que o ser humano consegue ainda deter-se e refletir, dando sentido ao significado da vida dentro da poesia.

Este poder de transformação, inerente ao dom de criar, conscientiza o Poeta de sua arte maior. Não nego que foram 45 dias de muito trabalho, pois nossa AVSPE é um Site feito artesanalmente, página por página, usando métodos ainda antigos, requerendo muito esforço e concentração. Quem conhece, sabe bem o que estou tentando explicar.

Contudo, reconhecendo a força da palavra poética, coloca-se acima de qualquer valor menor, porque mais que do que ninguém, sente-se a grandiosidade e a importância. A emoção, de poder estar aqui com todos vocês, é o traço essencial e inegável destes Eventos editados, conduzindo o Poeta à percepção do mundo que o cerca.

Um mundo que nada mais é senão a exterioridade, mas que, mesmo à distancia tenta interagir com o seu Eu Poético!Minha gratidão para com todos que de uma forma e outra colaboraram para o sucesso pois unidos somos um exercito!

Minha gratidão a todos pela participação nestes eventos de nossa Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores

Efigênia Coutinho
Presidente Funddora
www.avspe.eti.br/

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Academia Sorocabana de Letras (Convocação para Reunião de Outubro)

Nossa reunião de outubro será realizada neste sábado, dia 31, às 10 horas, na Praça Carlos Drummond de Andrade, coincidindo com a solenidade em que a Prefeitura de Sorocaba ali inaugura o marco que assim a denomina.

A presença da Academia traduz o agradecimento da entidade à iniciativa de nosso Sócio Honorário, Vereador Paulo Francisco Mendes que, por solicitação desta entidade, apresentou à Câmara o Projeto de Lei 195/2009, e ao Prefeito Vitor Lippi promulgou a Lei nº 8.808, de 13 de julho do corrente ano, dando àquele logradouro o nome de um dos maiores poetas da Língua Portuguesa.

Será uma honra contar com sua presença e, com antecipados agradecimentos, valho-me do ensejo para apresentar-lhe cordiais

Saudações Acadêmicas!

LEI Nº 8.808, DE 13 DE JULHO DE 2009.

Dispõe sobre denominação de “CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE“ a uma praça pública de nossa cidade e dá outras providências.

Projeto de Lei nº 195/2009 – autoria do Vereador PAULO FRANCISCO MENDES.

A Câmara Municipal de Sorocaba decreta e eu promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º Fica denominada “Carlos Drummond de Andrade“ a praça localizada na rotatória existente na Avenida São Paulo, na altura do cruzamento dessa via pública com o córrego do Jardim Piratininga, nesta cidade.

Art. 2º A placa indicativa conterá, além do nome, a expressão: “Emérito Poeta Brasileiro 1902-1987“.

Art. 3º As despesas com a execução da presente Lei correrão por conta das verbas próprias consignadas no orçamento.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio dos Tropeiros, em 13 de julho de 2009, 354º da Fundação de Sorocaba.

VITOR LIPPI
Prefeito Municipal

LAURO CESAR DE MADUREIRA MESTRE
Secretário de Negócios Jurídicos

MAURÍCIO BIAZOTTO CORTE
Secretário do Governo e Planejamento

RICARDO BARBARÁ DA COSTA LIMA
Secretário da Habitação e Urbanismo

Publicada na Divisão de Controle de Documentos e Atos Oficiais, na data supra.

SOLANGE APARECIDA GEREVINI LLAMAS
Chefe da Divisão de Controle de Documentos e Atos Oficiais

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Fonte:
Colaboração de Douglas Lara

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Folclore em Trovas 9 (Mula sem-cabeça)

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25 de outubro de 2009 · 19:49

Folclore Brasileiro (Mula-sem-cabeça)

A Mula-sem-cabeça é uma antiga lenda dos povos da Península Ibérica, que foi trazida para a América pelos espanhóis e portugueses. Esta história também faz parte do folclore mexicano (conhecida como “Malora”) e argentino (com o nome de Mula Anima). Pressupõem-se que este mito tenha nascido no século doze, época em que as mulas serviam de transporte para os padres.

No Brasil, a lenda disseminou-se por toda a região canavieira do Nordeste e em todo o interior do Sudeste. A Mula-sem-cabeça, representa uma espécie de lobisomem feminino, que assombra povoados onde existam casas rodeando uma igreja.

Segundo esta lenda, toda a mulher que mantivesse estreitas ligações amorosas com um padre, em castigo ao seu pecado (aos costumes e princípios da Igreja Católica), tornar-se-ia uma Mula-sem-cabeça. Esta história tem cunho moral religioso, ou seja, é uma repreensão sutil ao envolvimento amoroso com sacerdotes e também com compadres. Os compadres, eram tidos como pessoas da família, e qualquer tipo de relação mantida entre eles, era considerada incestuosa.

A metamorfose ocorreria na noite de quinta para sexta-feira, quando a mulher, em corpo de mula-sem-cabeça, corre veloz e desenfreadamente até o terceiro cantar do galo, quando, encontrando-se exaurida e, algumas vezes ferida, retorna a sua normalidade. Homens ou animais que ficarem em seu trajeto seriam despedaçados pelas violentas patas. Ao visualizar a Mula-sem-cabeça, deve-se deitar de bruços no chão e esconde-se “unhas e dentes” para não ser atacado.

Uma versão é que, se um padre engravidasse uma mulher e a criança fosse do sexo feminino viraria mula-sem cabeça e se fosse menino seria um lobisomem.

Para que ela não se manifeste, o padre deve amaldiçoá-la antes de celebrar cada missa. Segundo Pereira da Costa, isso deve ser feito antes de tocar a hóstia, no momento da consagração. Em alguns lugares, basta causar-lhe um ferimento, tirando-lhe sangue. Ao encontrar uma mula, é preciso esconder as unhas a fim de não atrair a sua ira.

A Mula-sem-cabeça sai pelos campos soltando fogo pelas ventas e relinchando, apesar de não ter cabeça. Ela é descrita como um animal negro, com pelos brancos na cabeça, olhos cor de fogo, pata na forma de lâminas afiadas, com um relincho apavorante (Que seria um misto de relincho com gemido humano) e solta fogo pelas ventas. Seu encanto, segundo a lenda, somente será quebrado se alguém conseguir tirar o freio de ferro que carrega. Em seu lugar, aparecerá uma mulher arrependida.

Diz a lenda que, se escutares na madrugada o cavalgar da mula-sem-cabeça, confirmado pelo som aterrorizante emitido por ela, jamais deve olha-la, nem ao menos espia-la, pois, aquele que a espiar, será surpreendido com a mesma vindo em sua direção.

Também há uma versão mais antiga ainda, que conta que em um certo reino, a rainha tinha a mania de ir certas noites ao cemitério, sem permitir que ninguém a acompanhasse. O rei, então, decidiu seguir sua mulher, secretamente, durante uma dessas saídas, e encontrou-a debruçada sobre uma cova, que abrira com as próprias mãos cheias de anéis, devorando o cadáver de uma criança, enterrada na véspera. O rei, então, soltou um berro horrível, e quando sua mulher viu que fora pega em flagrante, soltou um berro mais terrível ainda, se transformando assim na Mula-Sem-Cabeça.

Dizem também, que se alguém passar correndo diante de uma cruz à meia-noite, ela aparece.

A mula-sem-cabeça também é conhecida como a burrinha-do-padre, ou simplesmente burrinha.

A Mula-sem-cabeça, possuiria as seguintes características:

1. Apresenta a cor marrom ou preta.
2. Desprovida de cabeça e em seu lugar apenas fogo.
3. Seus cascos ou ferraduras podem ser de aço ou prata.
4. Seu relincho é muito alto que pode ser ouvido por muitos metros, e é comum a ouvir soluçar como um ser humano.
5. Ela costuma aparecer na madrugada de quinta/sexta, principalmente se for noite de Lua Cheia.
6. Segundo relatos, felizmente existem maneiras de acabar com o encantamento que fez a mulher virar Mula-Sem-Cabeça, uma delas consiste em uma pessoa arrancar o cabresto que ela possui, outra forma é furá-la, com algum objeto pontiagudo tirando sangue (como um alfinete virgem). Outra maneira de evitar o encantamento é de que o amante (padre) a amaldiçoe sete vezes antes de celebrar a missa.

Para se descobrir se a mulher é amante do padre, lança-se ao fogo um ovo enrolado em linha com o nome dela e reza-se por três vezes a seguinte oração:

A mulher do padre
Não ouve missa
Nem atrás dela.
Há quem fique …
Como isso é verdade,
assa o ovo
e a linha fica…”

SIMBOLISMO

A Mula-sem-cabeça é oriunda do lado sombrio do inconsciente coletivo, seria talvez, o próprio arquetípico das criaturas que povoam as florestas, representando as camadas profundas do inconsciente e do instinto. Assim como o lobo, a mula-sem-cabeça aqui, nos induz ao desencadeamento dos instintos selvagens. Sob a influência do moralismo judaico-cristão, esta tendência se ampliou e levou ao horror da caça às bruxas e da Inquisição. Os relatórios dos “processos” de feitiçaria contêm obras-primas de animalidade mais crassa.

O animal representado nesta lenda, nos faz alusão então, uma valorização negativa, o conjunto de forças profundas que animam o ser humano e, em primeiro lugar, o libido (tomado em sua significação sexual), que desde a Idade Média se identifica principalmente com o cavalo, ou em nosso caso, com a mula.

O animal já aparece não portando a cabeça, tal fenômeno, pode ser entendido em sentido metafórico como ausência de razão e da própria consciência, predomínio, portanto, das paixões, dos impulsos sexuais de imediato atendidos, do domínio do inconsciente pessoal e coletivo.

A Mula-sem-cabeça é uma mulher amaldiçoada, pecaminosa, que teve o atrevimento de desejar o santo padre, representante de Deus e Cristo na terra. Este relato nos faz repensar no quanto os homens da Igreja, daquela época (Idade Média) tinham medo do poder feminino de sedução. Tais medos, os levaram a atitudes de desespero, que os fizeram a abster-se de qualquer contato com o sexo oposto, além de fantasiarem e criarem assombrações para incutir maior receio.

O que fica de lição desta lenda é que todos nós devemos nos integrar com nossos instintos. “O animal, que no homem é sua psique instintual, pode tornar-se perigoso quando não é conhecido e integrado à vida do indivíduo. A aceitação da alma animal é a condição para a unificação do indivíduo e para a plenitude de seu desabrochar.”

Cada animal, simbolicamente faz eco à natureza profunda do ser humano.

Fontes:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/
http://pt.wikipedia.org/

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Clério José Borges (A Trova Folclórica Capixaba)

Um dos mais importantes pesquisadores do Folclore do Estado do Espírito Santo foi o Professor Guilherme Santos Neves. Nascido a 14 de Setembro de 1906 e já falecido, o Professor Guilherme nasceu no Espírito Santo e foi membro da Academia Espirito-Santense de Letras. Publicou os livros “Cantigas de Roda”, em 1948 e “Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares”, em 1949, entre outros livros.

GUILHERME SANTOS NEVES nasceu no dia 14 de setembro de 1906, na cidade de Baixo Guandu, ES. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, exerceu as funções de Juiz do Trabalho e Professor da Universidade Federal do Espírito Santo. Dedicou-se, de corpo e alma, ao estudo do Folclore, havendo publicado mais de cem livros e folhetos, entre os quais Cancioneiro capixaba de trovas populares (1949), Alto está e alto mora (1954), História popular do convento da Penha (1958), Folclore brasileiro: Espírito Santo (1959), Romanceiro capixaba (1980), Cantigas de Roda I e II (s/d), além de artigos e ensaios publicados em jornais e revistas especializadas. Foi membro do Conselho Nacional de Folclore. Faleceu em Vitória, ES, no dia 21 de novembro de 1989.

Antes de falecer, já bastante idoso, o professor Guilherme Santos Neves, no período de 1980 a 1989, participou de algumas promoções do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, chegando a prefaciar o livro “O Trovismo Capixaba”, de Clério José Borges, publicado em 1990.

Na Revista “Folclore”, órgão da Comissão Espirito-Santense de Folclore, número 92, publicada em agosto de 1979, o Professor Guilherme conta a história de Dalmácia Ferreira Nunes, uma mulher nascida em Caçaroca, pequena vila do interior de Cariacica, Espírito Santo que fôra trabalhar como empregada doméstica em sua casa.

Conta ele que Dalmacinha ou Macinha foi trabalhar em sua casa em março de 1946, ou seja três anos antes do professor Guilherme publicar o seu livro “Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares.”

Dalmácia Ferreira Nunes era dotada de excelente memória. Humilde e de pouca instrução, tinha o privilégio, isto é, a qualidade de gravar com facilidade as cantigas e os versos que ouvia. Ouvira as cantigas e as Trovas de sua mãe e de suas tias, quando de noite se reuniam para conversar. Como naquele tempo as pessoas do interior não possuíam rádio e a televisão ainda não existia, pois só chegou no Brasil em 1950, o maior divertimento eram as reuniões que se faziam com as famílias durante a noite, no quintal das casas do interior do Brasil.

Assim as histórias, as cantigas e as Trovas eram contadas e cantadas pelos mais velhos e Dalmacinha, em Caçaroca, ainda criança, ia gravando-as na memória.

Literatura Oral era a forma praticada pelos antigos que contavam histórias e recitavam Trovas para os mais novos, numa época em que os livros eram raros, ou seja, quase não existiam. Assim Dalmacinha e muitas outras mulheres idosas e os conhecidos “pretos velhos” deste país, portadores de excelente memória, são os que dão excepcional contribuição para os pesquisadores, formando a Literatura Oral Brasileira.

Dalmácia faleceu a 13 de Agosto de 1968, sendo enterrada, junto aos seus parentes, no cemitério de Barra do Jucu, então um povoado, hoje bairro importante e turístico de Vila Velha, Município da Grande Vitória.

Na Revista já citada “Folclore”, de 1979, o artigo do professor Guilherme Santos Neves ocupa oito páginas. Ali estão 76 Trovas. Três estórias. Vinte e nove superstições e crendices, onde constam mais três Trovas e cinco Advinhas. O título é “Folclore de Caçaroca” e traz uma foto de uma senhora com um lenço na cabeça e a legenda: “Informante Dalmácia Ferreira Nunes.”

A primeira Trova refere-se ao fato de que, segundo o Professor Guilherme, Dalmácia: “Para comentar um fato, registrar um instante, para fixar um sentimento, dizia sempre uma Trova. Alguém falava em viajar, e logo, lá vinha a Trova adequada:

Adeus, minha sempre-viva,
até quando nos veremos.
As pedras do mar se encontram,
assim nós também seremos…”

Eis algumas Trovas Populares, resgatada do passado graças a oportuna pesquisa do Professor Guilherme Santos Neves e a memória de Dalmacinha e que constam do artigo publicado na Revista “Folclore”:

De correr venho cansada,
de cansada me assentei,
achei o que procurava,
agora descansarei…

Abacate é fruta boa
enquanto não apodrece.
O amor é muito bom
enquanto não aborrece…

Atirei um limão doce
na menina da janela.
Ela me chamou de doido,
doidinho estava eu por ela.

Eu não quero Santo alheio
dentro do meu oratório.
Eu só quero meu santinho
prá fazer meu peditório…

Eu perguntei à Fortuna
de que é que eu viveria.
Ela foi me respondeu
que o tempo me ensinaria.

Eu plantei um pé de cravo
na janela do meu bem.
Todo mundo passa e cheira,
eu não sei que cheiro tem…

Menino se tu soubesses
o bem com que eu te adoro,
fazia dos braços remo,
remavas prá onde eu moro…

Já fui amada e querida
até das flores do campo.
Hoje me vejo desprezada
de quem eu queria tanto.

Quando eu entrei nesta casa,
logo vi cheia de rosa,
meu coração logo disse
que aqui tem moça formosa…

Uma velha muito velha,
de tão velha se curvou.
Ouviu falar em casamento
a velha se endireitou…

Tanto verso que eu sabia,
veio o vento, carregou.
Só ficou-me na memória
o que meu bem me ensinou…

Vamos dar a despedida
como deu cachorro magro,
que encheu sua barriga
e foi sacudindo o rabo.

Fontes:
– Clério José Borges. Origem Capixaba da Trova. Serra, ES: 2007.
http://www.clerioborges.com.br/

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Pedro Du Bois (Nada)


Nada somos
sem as tragédias
diárias: ínfimas
apequenadas
quase nada diante do despropósito.

Diariamente nos destruímos
em sobrevivências
e afagamos animais
estimados. Choramos
nossas crianças. Cultivamos
crenças destinadas
ao ocaso.
——–

Fontes:
Colaboração do autor.
Imagem – http://semprenalua.blogspot.com

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Primeira Edição do Prêmio Talentos de Poesia (Resultado Final)

A primeira edição do Prêmio TALENTOS de Poesia foi realizada entre o final de abril e o início de agosto de 2009. Reuniu 664 poetas de todo o País, que postaram 1.252 poesias ao longo de todo o período.

Uma coincidência entre os três vencedores: nenhum deles havia participado de um concurso de poesias antes.

TALENTOS contabilizou grandes números ao longo da disputa. O site chegou a manter média superior a 50 mil acessos únicos por mês e teve picos de quase 70 mil acessos em 30 dias corridos. A média de páginas visitadas a cada acesso (13,48) e o tempo médio dedicado por cada visitante no site (6,41 minutos), ficaram muito acima das médias registradas na internet. Ao longo dos quatro meses de concurso, o site recebeu visitantes de 74 países e a inscrição de brasileiros que moram em Portugal e na Suíça. A interatividade proporcionada pela introdução do Júri Popular e dos comentários nas poesias garantiu a alta freqüência. Durante o período de realização, foram postados, nas poesias publicadas, exatos 9.051 comentários.

OS VENCEDORES

——————
1.
As Últimas Horas do Galo José, primeira colocada em TALENTOS, é obra de um jovem sul-mato-grossense de 22 anos: Ivan Marinho de Souza, que usou o nickname Eriol. Escritor, redator e roteirista profissional, Ivan escreveu sua primeira poesia aos dez anos, por uma causa nobre: queria dar um presente aos pais e, como não tinha dinheiro, sentou e escreveu seus primeiros versos. Ivan se inspirou num fato do seu cotidiano para compor As Últimas Horas do Galo José. “Minha vizinha tinha um galo que costumava cantar sempre à 1 hora da madrugada, um horário meio incomum”, contou ele, em entrevista por e-mail para TALENTOS. “Certo dia, ele não cantou mais, e então resolvi eternizá-lo em uma poesia que mostra que devemos valorizar cada hora da nossa vida como se fosse a última”. Ivan mora em Campo Grande e, se fosse um dos jurados, escolheria como vencedora Ipê Verde, de autoria de Estrela, codinome da jornalista Albina Morais Cordella, de Santos (SP).

As Últimas Horas do Galo José

Às cinco horas da matina
O Galo José afinou o gogó
Para entoar um sol sustenido

Às onze horas do almoço
Alongou as afiadas esporas
Para disputar a pipoca de cada dia

Às quatro horas da tarde
Desfilou pelo terreno da Carijó
Para mostrar quem era o “bom de bico”

Às sete horas do jantar
Tomou um rápido banho de lua
Para ir ciscar nos braços de Morfeu

À meia-noite dos lobisomens
Buscou um galho mais seguro
Para não virar despacho de encruzilhada

Às cinco horas da matina
O Galo José não afinou o gogó
Mas as últimas horas valeram à pena

2.
Remorsos, segunda colocada em TALENTOS, foi escrita por Odir Milanez da Cunha (foto), um paraibano de 53 anos que participou pela primeira vez de um concurso de poesias usando o nickname de OKLIMA. Auditor fiscal aposentado, Odir descobriu-se um poeta tardiamente, aos 36 anos, quando compôs Minha Rua, inspirada por uma bela mulher que morava nas vizinhanças. Remorsos foi escrita, segundo contou Odir em entrevista por e-mail a TALENTOS, “em um instante de reflexão sobre o que fiz da minha vida até agora, o que eu sonhava ser quando criança e os meus sonhos atuais sobre o que poderia ter sido e não fui”. Neste sentido, Remorsos, está inserida dentro da própria definição que ele dá a poesia: “É um sussurro da alma que a mente fértil do poeta percebe, congrega letras, concebe palavras e as transmuda em sentimentos por ele inspirados”. Odir mora em João Pessoa, e foi lá que articulou a edição de seu primeiro livro, lançado em julho de 2009, A Odisséia de Xexéu, Xana e Xibina – Uma Saga do Cotidiano, em parceria com o sul-matogrossense Rubenio Macedo e com o paraibano Fernando Cunha Lima. Ele aponta um de seus concorrentes no turno final, DVILLON – codinome do redator publicitário Daniel Retamoso Palma, de Santa Maria (RS) – como o autor da poesia que mais lhe agradou no concurso: Colheita no Silêncio.

REMORSOS

Que fiz da vida que nasceu comigo?
Por que o remorso pesa em meu passado?
Por que não me arrisquei ante o perigo,
para criar o que não foi criado?

Poderia ter sido mais amigo,
amar demais e ser bem mais amado,
poderia ter dito o que não digo
ou, em vez de dizer, ficar calado…

Dos dias me esqueci do entardecer.
Agora só me resta conhecer
que o futuro presente me reclui.

Se nas horas dos dias de crescer
eu sonhava com o que queria ser,
hoje sonho em ter sido o que não fui.

3.
Vampiro, terceira colocada em TALENTOS, é de autoria do psicanalista paulista Paschoal Di Ciero Filho (foto), de 66 anos, que assinou com o pseudônimo SATURNO. Nascido em Itu, no interior de São Paulo, Ciero mora na Capital desde os 18 anos. Em São Paulo escreveu, aos 20 anos, sua primeira poesia. “Foi no dia do meu aniversário. Pela primeira vez eu estava sozinho para comemorar a data, o que me deixou muito triste”, contou ele em entrevista por e -mail para TALENTOS. Segundo ele, “a poesia foi o modo que encontrei para expressar essa tristeza, mesmo sabendo que corria o risco de não ter um leitor”. Em 2003, Ciero, publicou o livro Primavera Fenecida. Vampiro, a poesia que deu a ele a terceira colocação do concurso, foi inspirada pela ideia de “descontruir um fato, uma coisa e reconstruir à sua maneira pessoal”. Ciero, que também escreve contos, teve uma de suas obras agraciadas com menção honrosa em concurso literário da Academia Brasileira de Letras do Rio de Janeiro.

VAMPIRO

Escuras ondas
Labaredas.

Serpentes silvam,
Silenciosas.

Lascas, estacas,
Exangues faces.

Bater de asas
Que se afastam.
===========================
Outras poesias do Concurso mencionadas acima

Albina Moraes Cordella
IPÊ VERDE

Ipê amarelo, roxo, rosa, branco!
Esse era um especial Ipê.
Cobria-se de flores verdes,
onde já se viu???
Na porta da minha casa!

Um dia…
O vento, naqueles dias de mau humor,
num sopro zangado, derrubou a arvorezinha.
E ela ficou deitada, ali na calçada, quietinha!
Esperando, com olhinhos de anjinho de igreja,
que alguém fizesse alguma coisa.

As raízes expostas sangraram todo o verde
usado para tingir as flores.

Veio a chuva, veio o Sol, veio a noite.
Vieram os pássaros, aflitos.
Vieram os insetos, velozes.
Vieram as crianças, ingênuas, curiosas.
E os homens não vieram, insanos, cruéis.

Esperou por dias a fio. Agonizante…
Em vão!

Sua alma verde foi para o céu.
Enfeitar a entrada do paraíso.

Aqui jaz o Ipê Verde.
Ainda tinha muito o que fazer na Terra.

Aqui jaz o Ipê Verde.
Ainda tinha muito o que fazer pela Terra.
==============================

Daniel Retamoso Palma
COLHEITA NO SILÊNCIO

colher
verbenas dos campos
do silêncio
colher
verbenas dos campos
minados pelo silêncio
ofertar seu pólen
aos fantasmas do vento
que erguem poemas
do que não tem verbo
colher
verbenas dos campos
de concentração do silêncio
e ofertá-las ao tempo
que cala no verbo
a flor do poema
colher
verbenas
dos campos de batalha
entre flores de silêncio
e sangue
e aos desertores do ab-surdo
ofertá-las
em vez das medalhas
colher
verbenas
dos campos-santos
consagrados ao silêncio
exumar a voz dos corpos
que é nosso também o grito
estrangulado em nossos mortos
colher
verbenas
dos campos de fantasmas
exilados no silêncio
e ofertá-las ao balé
do vento sem pátria
colher
verbenas
dos campos do silêncio
e ofertá-las, sem esperança
ofertá-las, apenas

Fontes:
Colaboração de Douglas Lara.
http://www.talentos.wiki.br/PremioTalentos/

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Oscar Bertholdo e sua Poesia

Oscar Bertholdo é poeta de húmus fértil, denso. Sua poesia é constituída por flamejante associação lexical, de rara beleza. As metáforas saltam em seus textos com grande força expressiva, com genial inventividade. Nesse aspecto, ressoa nessa poesia um certo toque de surrealismo, bem ao estilo de um Jorge de Lima. Aliás, são muitos os parentescos, apesar das singularidades de cada um, entre Bertholdo e o grande autor de A túnica inconsútil. Ambos têm um senso do sagrado apuradíssimo: a poesia lhes serve como uma força mística capaz de transfigurar o real comezinho, abrindo-nos a constante e sempre renovável possibilidade do mistério, fincado, cravado, no chão banal do cotidiano. Também como Jorge de Lima, Bertholdo incendeia a palavra com uma espécie de sonambulismo eletrizante, de iluminado delírio. É o que podemos verificar nesse notável poema, o canto 7 de Ave, Árvore:

As folhas caídas ao chão pouco a pouco
as mais antigas cantigas desnudam,
as nuvens espantam os barcos de caronte
e tão penosamente chegarás a outra margem
sem as anônimas palavras de tua casa

As árvores aqui persistem acostumadas
ao êxodo cheio de obstácula morte sem fôlego,
serpente de pólen das distâncias, orla
das nossas faces, abóbada quase pingente
As árvores existem aqui tão evanescentes…

Por isso escreves: antes do teu rosto
exposto está o chão de pedra das palavras,
desabrigado é o código que tu lembras
ainda aquém dos portões mecânicos.
Foi feito de mudanças o teu rosto.

Apenas a palavra é o lugarejo lembrado
de perguntas e o ar à beira dos acenos
sem susto sobrevive contigo,
tu que trazes o ciclo inquisidor
e o fragmentado anjo da trombeta.

Os campos, com suas vinhas, seu gado manso, seus vales repletos de sereno e frias madrugadas, são talhados, plasticamente, como em aquarela, na obra desse poeta que, ao lado de Mário Quintana, Carlos Nejar e Heitor Saldanha, constitui-se uma das grandes vozes da poesia gaúcha (e brasileira, antes de tudo) da modernidade. Nesse sentido, a geografia campesina incendeia e irriga essa palavra, revelando-nos poemas de acentuado esplendor cósmico. A natureza, com sua profusão de cores e cheiros, desponta, nessa lírica, com o seu encanto edênico, inaugural, primevo:

SOUVENIR

A aldeia alonga a alameda
sem cansaço e simetria.
Em verdade, que saudades eu tenho
da minha aldeia querida à sombra
das ave-marias. Tenho flores
para as abelhas, tenho gotas de sereno
e umas borboletas azuis, eu te juro.
Eram tão ingênuas as campinas
e as folhas secas do outono
cirandando noite e dia
os cantares que não voltam mais.
Oh! aldeia de minha infância,
Oh! céu que cai de bruços –
não tenho rimas plangentes
encobrindo os braços nus.
Quero pedir aos bois tão mansos
em que tapetes de musgo
os sonhos vão e não vêm?
Mas depois quando souber provar
o sabor de outros frutos
além de minha aldeia querida,
o cansaço não passa, em verdade
o cansaço não passa.

A alameda, as flores, as abelhas, o musgo, são expressões do real, mas de um real sempre recortado, transfigurado em poesia. Às vezes, em alguns poemas, a natureza é desfeita em caos. Não podemos nos esquecer que, em Bertholdo, o existente é modulado pela “rainha das faculdades”, ou seja, por aquela importante fantasia baudelairiana, força capaz de inventar uma terceira dimensão, a pátria do devaneio poético, raiz arquetípica de uma infância que não se finda nunca, pois o poeta acorda sempre o lume vivo da palavra, como a criança que faz do mundo um jogo:

Paciente salgueiro, tua umidade é um poço.
Ao íntimo do teu oco desces para ver
o desconsolo havido depois da infância.
E, rente às fontes, ninguém mais te espera
e lembras a fundura de todas as coisas.

A duração de tanta mágoa inesperada
move-se em ti, em teu sangue todo,
tão nodoso és ao redor do corpo
que anjo nenhum é espantalho da seiva
arável em cada árvore em pleno outono.

Entretanto o exílio existe ao mesmo tempo
em que a palavra faz-se forma
da hora. Desde ontem o silêncio principiou
colhendo a lume e amalgamando
em confidências as tuas lúdicas perguntas.

Junto aos rios das cicatrizes
vêm beber os leões da minha alma.
Quando eu morrer estarei perdoado
de demora. Um poço é tão pouco
mas tua água em mim é sempre gênese.

A força trituradora de toda essa metaforização desvela a importante e singular forma como Bertholdo se expressa . O poeta segue os ritmos instintivos da palavra, fecundando-a através do ritmo dos signos. Ao elaborar o poema, o autor deixa-se, na verdade, escrever pela poesia. As forças genesíacas da palavra explodem na alma do escritor que, como um arauto, um vidente, segue o fluxo rítmico dos vocábulos, deflorando a linguagem numa espécie de cópula, pela qual a subjetividade de poeta é transposta pela concretude da expressão verbal. Nessa entrega irrestrita à poesia, o autor, inclusive, não teme criar metáforas de mau gosto, como, no exemplo acima, “os leões da alma”. A palavra de Bertholdo, portanto, é sonambúlica e intuitiva, reacendendo as forças míticas da escritura poética. Nesse aspecto, é bom lembrar o crítico Antonio Hohlfeldt: “Com uma forte criação metafórica, Bertholdo utiliza as sugestões mais imediatas do mundo que o rodeia – isto é, a paisagem de montanhas e vales – e sobre este tema tece as suas considerações, elevando-as à categoria simbólica da vida e das vicissitudes humanas”. A paisagem, portanto, é desfigurada pela força lírica. Eis um belo exemplo:

As raízes de mim estão tão próximas
que eu passei toda uma vida para esperar
o gosto das maçãs de minha terra.
Rápido o sol conduz ao outono
a placidez de um animal dormindo.

As macieiras te pressentem como este sonho
conclui a noite igual ao rosto,
assim a liberdade aguarda o vestígio
de quem não tem outra hora
senão o início da sombra à beira do caminho.

Os cinamomos ao redor da casa ainda
angulam nossos rostos ao hálito
de parar as serventias de tácitos
desejos. Vemos deixar em paz
os pesadelos anteriores aos objetos caseiros.

Faltam muitos pássaros que podem
voltar contigo. Em cada êxodo arde
uma resina vestal. Verdadeiramente são
vastos os numes procelosos que apascentam
o dia de nossa morte, descanso infindo.

A natureza, portanto, seve como mediadora simbólica entre o poeta e as suas indagações existenciais. Poeta da verve mística, de profundo questionamento perante a condição humana, a palavra de Bertholdo reluz, ainda que esquecida, em nossa literatura, como um achado repleto de grandes belezas. Para encerrar esse breve comentário, deixo ao leitor esse belo poema, jóia preciosa a reluzir todo o fulgor da escrita de Bertholdo:

TEMPO DE VINDIMA

Perdoa-me continuar impossuído como antes,
trago para os vãos da aldeia a nitidez dos frutos.

Estávamos tão próximos que outono tatuou
o fiel silêncio bordando as vinhas do orvalho.

Havia solicitude para a seiva desfeita
sem disfarces na íntima alucinação da colheita.

A vindima trouxe do outono as horas retidas
na quase imperfeita esperança decisiva.

Para enfrentar as lembranças que a vida deixou
a solidão lenta das coisas incompreendidas.

Agora posso inventar em aceno o doce hálito
enquanto as calmas uvas batem palmas pelos vales.

Fontes:
Oscar Bertholdo. Ave, Árvore. Caxias do Sul: Educs, 1981.
Oscar Bertholdo. Molho de chaves. Caxias do Sul: Educs, 2001.
Antonio Hohlfeldt. Antologia da literatura rio-grandense contemporânea. Porto Alegre: L&PM, 1979. Volume 2.

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Oscar Bertholdo (1935 – 1991)

Uma poesia voltada para a colonização italiana, para as dificuldades encontradas por quem vive da terra e para a produção do vinho, além da utilização do vinho como metáfora. Assim é a obra de Oscar Bertholdo, padre, cronista e poeta.

Oscar Bertholdo nasceu no ano de 1935, em Nova Milano, e foi assassinado durante um assalto a sua residência, em fevereiro de 1991.

Vencedor do prêmio do Instituto Estadual do Livro (IEL) de 1973 por Poemimprovisos e do I Concurso Nacional de Literatura da Caixa Econômica de Goiás, em 1974, por Lugar, Bertholdo obteve ainda dois segundos lugares em importantes concursos literários: no “II Concurso Nacional de Poesia Sobre o Vinho” e “Prêmio Master de Literatura/1986”.

Considerado a voz mais expressiva da poesia da Serra Gaúcha e um dos maiores poetas contemporâneos do Rio Grande do Sul, Bertholdo surgiu no cenário literário em 1967, participando da antologia Matrícula. Foi o primeiro livro de poesias editado no interior a ganhar espaço nas páginas dos jornais da Capital. O poeta foi um dos maiores incentivadores do movimento cultural da Serra Gaúcha. A Prefeitura de Farroupilha promove, inclusive, um concurso literário com seu nome, de contos e poesias.

Depois publicou: “As Cordas” (168), “O Guardião das Vinhas” (1970), “A Colheita Comum” (1971), “Poemimprovisos” (vencedor do prêmio do Instituto Estadual do Livro/1973), “Lugar” (vencedor do I Concurso Nacional de Literatura da Caixa Econômica de Goiás/1974), “Vinte e Quatro Poemas” (1977), “Árvore & Tempo de Assoalho” (1980), “Informes de Ofício e Outras Novidades” (1982), “Canto de Amor a Farroupilha” (1985), “C’Antigas” (1986) e “Momentos de Intimidade”. Participou de inúmeras antologias, entre elas: “Histórias de Vinho”, “Vinho dá Poesia”, “Arte & Poesia” e “Poetas Contemporâneos Brasileiros – Volume 1”, esta a primeira antologia publicada pelo Congresso Brasileiro de Poesia.

Após sua morte foram publicados: “Amadas Raízes”, “Poemas Avulsos”, “Boca Chiusa” e “Molho de Chaves”, além de poemas nas seguintes antologias: “Poeta Mostra a Tua Cara – Volume 4”, “Medida Provisória 161”, “Poesía de Brasil – Volumen 1”, “Poesía Brasileña para el Nuevo Milenio”, “Poésie Du Brésil – volume 1” e “Poesia do Brasil – volume 1”, livro que inaugurou a série de antologias oficiais do Congresso Brasileiro de Poesia.

Foi um dos maiores incentivadores do movimento cultural da Serra Gaúcha, exercendo forte influência em todos os movimentos literários surgidos entre os anos 1960 e 1990. Teve decisiva participação na criação do Congresso Brasileiro de Poesia, do qual foi uma das grandes atrações em sua primeira edição, vindo a ser assassinado poucos meses antes da realização do segundo evento.

Fontes:
Ademir A. Bacca. In http://poetasdobrasil.blogspot.com/
Antonio Hohlfeldt. Antologia da literatura rio-grandense contemporânea. Porto Alegre: L&PM, 1979. Volume 2.

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Goulart Gomes (Minimal)

VÔO

Ícaro arde
em meio às chmas
só a Phoenix renasce

POETRIX PARA AQUELES QUE LEVANTAM ÀS 11 DA MANHÃ (OU MAIS)

o sol arde;
antes tarde
que nunca

CULTO AO CORPO

teúdos e manteúdos:
quem só busca a forma
não tem conteúdo

BAILARINA

na ponta dos pés
rodopiam
o mundo e nós, juntos

DITADO IMPOPULAR 21

quem ama o feio
de bonito
não carece

QUATRO ELEMENTOS

tu, no ar; eu, na água
ambos, na terra
em brasa

ANTES QUE O SOL NASÇA

imagine um dia assim
luzes rasgando a aurora
a manhã, embriagada, perdendo a hora

IRONMAN

nova tecnologia:
por falta de peças
morreu de anemia.

AUTOFILIA

toda poesia é minha
minha mania de louco
tudo é muito, muito pouco

BULA

contra a indicação
você é meu remédio
lástima…injeção

CLÃ

somos iguais
menos normais
a cada manhã

CAPÍTULO

onde termina onde
começa onde começa
parágrafo: é a pressa

===================

Sobre poetrix, neste blog:

O Que é Poetrix?
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2008/01/o-que-poetrix.html
Poetrix: uma linguagem para o novo milênio

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José Feldman (Viagem ao Mundo Fantástico da Babilônia)

Onde? Filme? No Brasil? Onde fica? O que tem de fantástico?

Mas, que você, caro leitor, ficou curioso, com certeza ficou e, apesar de livros como o Guia dos Curiosos ou o Mundo Curioso da Natureza, sempre vem à mente aquilo que nossos pais, os pais deles, os pais dos pais, e assim por diante, diziam: “Meu filho! A curiosidade matou o gato!”.

Fique tranquilo! Após esta leitura, ninguém morrerá, nem de raiva – pelo menos, eu acho.

Nossa história de passa em uma cidade do interior de São Paulo.

Não! Ela não se chama Babilônia! O nome dela é Piracicaba.

Todo mundo lembra da música “O Rio Piracicaba…” e assim por diante. Se não lembra, não fique chateado, eu também não lembro.

Mas, vamos diminuir a nossa esfera localizacional (“êta” palavra chique, que deixa qualquer um mais perdido do que cego em tiroteio), e vamos para a Rua Boa Morte.

Gente! Os piracicabanos que me perdoem, mas um nome deste é assustador. Eu é que não vou passar nesta rua, sozinho, à meia-noite. Dá o que pensar um nome assim.

Quando você entra na rua deveria haver uma Agencia de Plano Assistencial Boa Morte, com direito a escolha de terreno e advogado para efetuar o testamento. Percorrendo a rua, no meio dela, uma casa funerária e ao final, um cemitério.
– Ô, cumpadi. Pronde ocê vai?
– Prá Boa Morte.
– Pêsames, finado.

Vamos lá! Pensa um pouco! Um nome destes! Cruz Credo!!!!!

Será que o Bairro se chama Pé na Cova?

Bom! Deixemos estas elocubrações de lado e que sendo boa a morte, resolvi aproveitar a boa vida e fui a um restaurante me fartar no pecado da gula (esta é uma Boa Morte: Comendo bem).

O restaurante chamado Babilônia. Não sei não. Talvez Sodoma e Gomorra casasse mais com o nome da rua. Mas, Babilônia dá um ar de paraíso na Boa Morte.

Entremos neste Éden de delícias, que é comandado pelo César italiano de nome Andrea.

Mas, para não pensarem que eu estou fazendo propaganda do dono que é o Andrea, nascido na Itália (uma duvida fica de repente: Babilônia é colônia italiana?), não vou chama-lo de Andrea, usarei um nome fictício que faz jus aos nomes italianos de seus antepassados. Portanto, Andrea, passa a ser chamado de Toshio Nakama. Portanto, Babilônia é comandada pelo valoroso carcamano Toshio Nakama, que veio da Itália, não recordo bem, mas acho que nas costas de uma tartaruga.

Imagino que seja, pois demorou tantos anos para chegar aqui no Brasil.

Ecco! Tutto bona gente!

Enfim, após a saudação habitual pro-forme: “Ave, Toshio. Os que vão morrer te saúdam”, o banquete estava servido. Uma mesa enorme com iguarias finas dos mais profundos rincões das Itália: feijão, linguiça, palmito, tutu, lazanha. Resumindo, uma salada russa.

Como o leitor pode perceber, nosso amigo Toshio Corleone não discrimina nações.

Mas, o que torna este restaurante fantástico, o que faz viajarmos na Babilônia de nossos sonhos é o molho que é servido por um indivíduo que é uma mistura de Corcunda de Notre Dame com o ator Jean Reno, isto é, é de dar pena, parece uma trombada de dois trem-bala. Este molho, se chama Righetti.

E o bacana de tudo é que quando as pessoas vão lá, vão para comer o Righetti.
– Porque você vai tanto no Babilônia?
– Adoro comer o Righetti.

Vão lá! O Righetti é fantástico!

Concomitantemente (êta palavra linda, e enooooooooooooooorme. Não sei bem o que significa, mas que é bacanona é!), depois que todos comem o Righetti, Toshio Nakama percorre as mesas observando a todos e animando com o seu bom-humor. Afinal por lá tudo é bom. Bom apetite, bom humor, boa morte…ahhhh! A Boa Morte outra vez!

Todos que saem de lá se sentem transportados aos Jardins da Babilônia, um paraíso perdido, ainda mais porque comeram o famoso Righetti.

Finalmente, para não encerrar sem uma boa mensagem a quem suportou esta pretensa crônica até agora, do minicontista Eno Teodoro Wanke:
“O discípulo veio ao mestre Zen, lamentando-se, em plena fossa:
– É curta a vida! É curta a vida!
O mestre Zen, porém aproveitando as mesmas palavras, com variante na pontuação, solucionou:
– É curta a vida, é? Curta a vida!”
————————

Observação: O Restaurante Babilônia onde Toshio Nakama me aguarda todos os dias com um machado na mão (não sei porquê), fica na Rua Boa Morte, 1262, em Piracicaba. Não esqueçam de dizer que querem comer o Righetti.

Dedicado ao meu amigo piracicabano Andrea Righetti, dono do Restaurante Babilônia.

(José Feldman. Paraná, 23 outubro 2009)

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Paulo Monteiro (A Trova no Espiríto Santo – Parte V)

Pintura de Marcus Nati = Mimoso do Sul.
Cidade situada no Estado do Espírito Santo,
possui 14 mil habitantes e é também aonde ocorre
o Festival da sanfona e da viola no distrito de
São Pedro do Itabapoana.

O “Fim” do CTC

Um fato bastante desagradável para o Trovismo ocorreu durante as festividades do primeiro aniversário do Clube dos Trovadores Capixabas, entre os dias 1º e 3 de julho de 1981.

O CTC preparou festividades bastante sérias, com prestação de contas de sua diretoria, no dia 1º; palestras de Rodolfo Coelho Cavalcante e Eno Teodoro Wanke, no dia 3.

Lamentáveis foram os fatos ocorridos após a palestra de Eno Teodoro Wanke. Ali o autor afirmou, após aludir à dificuldade da missão que lhe foi imposta ao ser convidado para pronunciar uma das conferências:

Sobre o que escrever então? Sobre a História e as realizações do CTC? Isso cabe ao Clério, que, melhor do que ninguém, saberá recolher os dados e os expor num relatório que deixará muita gente perplexa com o quanto se pode fazer em tão pouco tempo. “

Pois Clério, com todo o dinamismo que é capaz, conseguiu neste curto ano, colocar a trova em seu verdadeiro caminho, o caminho da rosa. Suas realizações não se limitam ao CTC, mas também à UBT, com o renascimento da seção de Vitória, de Serra e diversas delegacias. Além disso, conquistou para a trova novos espaços, tanto nos jornais, como na televisão, nas escolas, como em boletins especializados, bem escritos e recheados de inovações e notícias sobre o mundo trovista. Realizou e provocou não sei quantos concursos. Foi um ano “de abertura” para a trova, não só em terras capixabas, mas em todo o Brasil. O CTC está ressuscitando aquele impulso que levava a trova milenar, na década de 1960, a ser considerada o centro do um movimento literário de grandes proporções, com o apoio de todos os grandes jornais do Rio de Janeiro, e repercussões no público de lá e outros centros.

Realmente, se pode parecer aos capixabas que o movimento do CTC é apenas regional, local, na verdade não é assim. Na correspondência que recebo, de todas as partes do Brasil, se fala, com escandalosa freqüência, e sempre em termos de admiração e louvor, no “Beija-Flor”, desde os mais recatados jornais provincianos, até os mais descabelados boletins vanguardistas. Acho que isto é o que vale, para a trova. É preciso não cair no nefelibatismo em que se encontra hoje a UBT, que deveria dar o exemplo de abertura e união, como abertamente escrevi em meu livro “O Trovismo”, da página 407 a 418, sem “meias palavras”. A UBT, lamentava eu, em resumo, tomara o caminho (também válido, porém parcial) de só promover festas e jogos florais, quando qualquer movimento artístico ou literário tem que, necessariamente, envolver o púbIico, agitá-lo, principalmente através dos meios de comunicação, divulgando as produções geradas, interessando e abrindo o caminho para os novos, pois de sangue novo é que se faz a renovação, e renovação é que dá continuidade ao movimento”.

Mais adiante, após historiar a forma com que se encontrou com Clério José Borges, escreve:
“Clério (…) com seu jeito objetivo de resolver as coisas, pediu-me orientação de como “ressuscitar” o trovismo em terras capixabas. Matutei. Que dizer a ele? Seria cômodo mandá-lo “engatar-se” na UBT, tornando-se mais uma sucursal do “turismo” ubetista. Não confundir tal “turismo” com o turismo de massa, aquele que é uma indústria, que traz dinheiro à terra onde é exercido. O turismo da UBT é elitista, exercido por uma certa quantidade do trovadores, dentro do círculo fechado onde estão as informações sobre os concursos. É tão fechado esse círculo, que mesmo os trovadores interessados, como eu, na trova, não conseguem facilmente o acesso a tais informações. Cheguei mesmo a assinar, certa vez, um desses boletins de UBT, enviando um cheque em favor do presidente local, conforme as instruções de assinatura do próprio Informativo, e babau! Não recebi nem o dinheiro de volta, nem uma explicação (…).

Por isso, que me perdoem os amigos que, felizmente, possuo em grande quantidade dentro da UBT, mas eu não poderia, naquele momento, honestamente, colocar este jovem e dinâmico líder sob a tutela do um órgão fechado. Ora, existia na ocasião, o Clube dos Trovadores do Vale do Paraíba, do meu amigo Francisco Fortes, que, independente da UBT, e por ela criticado por isso mesmo, estava fazendo algum movimento. Lembrei-me, baseado nesse exemplo salutar, de propor ao Clério, não a filiação à UBT, mas a criação de um Clube independente, local, que com o tempo, poderia se estender por todo o Brasil, (como aliás, sucedeu à UBT, entidade baseada no GBT, criado por Rodolfo Cavalcante em Salvador, em 1958)”.

Essas colocações de Eno Teodoro Wanke, quanto à UBT, revoltaram o trovador Joubert de Araújo Silva, capixaba, que já foi alto dirigente da UBT Nacional.

Eis o que conta José Borges Ribeiro Filho, em artigo publicado no jornal A GAZETA, de 29 de julho de 1981: “Agora, em A Gazeta de 18 do Julho de 1981, leio o artigo intitulado “Desparabéns” de autoria do Sr. Eno Teodoro Wanke, autor dos livros: “A Trova Popular”, “A Trova”, “A Trova Literária” e “Trovismo”, em que é denunciada a ingerência de um determinado trovador ligado à UBT Nacional, e que já se encontrava em Vitória há vários anos e nada fez pela trova nesse período, para extinguir o CTC. Estive no último dia do Seminário Nacional da Trova realizado em Vila Velha, no dia 3 de julho e lá observei a movimentação de determinado trovador, defendendo interesses da UBT Nacional, em tentar acabar com o CTC. Lembro-me bem que, quando procurava argumentar suas idéias o citado trovador foi interrompido bruscamente pelo poeta Andrade Sucupira que de alto e bom som afirmou “enquanto eu viver, o CTC não morrerá. Ninguém vai acabar com o CTC”.

José Borges Ribeiro Filho comete um engano ao afirmar que Joubert de Araújo Silva encontrava-­se em Vitória há vários anos. O trovador de Cachoeiro de Itapemirim reside no Rio de Janeiro e se encontrava em vitória desde inícios de 1980.

Após esses incidentes, CIério José Borges afastou-se definitivamente da União Brasileira de Trovadores, através de uma “CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA UBT NACIONAL NO RIO DE JANEIRO”, publicada no CORREIO POPULAR, de Cariacica, número referente à semana de 11 a 23 de julho de 1981.

Inicialmente, historia as atividades do CTC, sua nomeação para delegado da UBT em Vitória (mesmo com a presença de Joubert no Espírito Santo) e a organização da UBT em solo capixaba. Depois afirma:

O CTC continuou com suas promoções, realizando concursos internos, expedindo o informativo BEIJA-FLOR e promovendo a realização do concurso REI, PRÍNCIPE e MADRINHA dos trovadores capixabas, no qual os sócios do CTC tiveram oportunidade de votar em diversos nomes. O concurso foi lançado por esta coluna, no dia 16 de janeiro de 1981 (Nota: Clério José Borges refere-se à coluna “Trovas e Trovadores”), no CORREIO POPULAR e no dia 21 de janeiro de 1981, no JornaI TRIBUNA DO POVO, da cidade de Guarapari. No dia 30 de janeiro, nova divulgação foi feita no jornal CORREIO POPULAR, onde, inclusive, sugeríamos que Elmo Elton era um candidato nato, assim como Zedânove Tavares, Paulo Freitas e Evandro Moreira. O jornal CORREIO POPULAR, que é enviado a todos os sócios do CTC, pareceu-me o jornal ideal para o lançamento do tal concurso, posteriormente divulgado no Beija-Flor, onde colocamos, inclusive, uma cédula de votação.

O concurso foi realizado com a eleição de Elmo Elton, a minha e a de Andrade Sucupira. À exceção da minha escolha, realizada como uma homenagem ao meu modesto trabalho, considerei a eleição feita, democraticamente, bastante justa. Elmo Elton é membro da Academia Espírito-Santense de Letras e tem vários livros publicados. Paulo Freitas e Evandro Moreira, que também concorreram ao título de rei, são integrantes da Academia Espírito-Santense de Letras e possuem vários livros publicados. Como a promoção foi do CTC, entidade cultural independente, achamos tudo altamente válido.

Agora, surge um elemento estranho ao CTC a criticar o concurso, como se desejasse ter sido escolhido rei, só por ter o título do Magnífico Trovador dos Jogos Florais do Nova Friburgo. Não é bastante conhecido como trovador no Estado e nem pertence à Academia Espírito-Santense de Letras.

Está pregando a discórdia entre os trovadores capixabas e, o que é pior, o aniquilamento e a extinção do CTC. Chegou a propor-me que acabasse com o CTC, que ele incentivaria a criação de novas seções da UBT no Estado e posteriormente seria formado um conselho estadual da UBT, no qual meu nome seria indicado para presidente. Esta atitude revoltou-me e, aqui, dirijo-me a V. Sa., renunciando a quaisquer vínculos que ainda me unam à UBT”.

A seguir, reafirmando suas ligações com Eno Teodoro Wanke, ex-alto dirigente da UBT Nacional, hoje condenado pela entidade, acrescenta:

O CTC realmente foi criado com base numa idéia de Eno Teodoro Wanke. Todavia não obedece e nem está servilmente colocado a serviço do senhor Eno Wanke. Apenas o admiramos corno escritor e, por isto, promovemos sua vinda a Vitória, onde brindou-nos com uma magnífica palestra, tendo, na oportunidade recebido, juntamente com Rodolfo Coelho Cavalcante, o título de MAGNÍFICO TROVADOR, dado pelo CTC e o título de sócio de honra da UBT de Vila Velha, conferido pela trovadora Valsema Rodrigues da Costa, numa demonstração de que nós, os capixabas, estamos acima de fofocas e intrigas (…)”.

Temos, aí, historiado a partir de documentos, o que aconteceu com a proposta de extinção do CTC, feita por Joubert de Araújo Silva.

Cremos que se está passando com o Trovismo um fenômeno que ocorre com as correntes religiosas provenientes da mesma origem ou com os partidos marxistas. Para os integrantes de quaisquer uma das primeiras, apenas os membros da sua confraria irão para o céu (ou sei lá para onde acreditem que irão), pois estão com a verdade; para os integrantes dos partidos marxistas apenas os militantes da sua organização têm capacidade de modificar o mundo, pois estão certos e os outros errados…

Esse fenômeno, na análise das idéias sociais tem um nome: Sectarismo; na análise da Literatura, chama-se Aulicismo.

No caso do movimento dos trovadores contemporâneos apenas os de determinada entidade (seja qual for) estão agindo corretamente e são os melhores.
Parece que os trovadores esqueceram-se de que seu padroeiro (São Francisco de Assis) sempre se guiou pela humildade.

Quanto aos títulos de “sócio de honra”, outorgados pela UBT de Vila Velha parece-nos que eles fogem ao que dispõe item 7, do artigo 55, do “REGIMENTO INTERNO GERAL DA UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES”, publicado no jornal “TROVAS E TROVADORES”, nºs 20-21, set-out de 1967, que foi “Órgão Central da União Brasileira de Trovadores”, onde assegura que “São atribuições dos Presidentes Estaduais: (…) 7 – Propor e assinar títulos de Sócio Benemérito e Honorário, previamente aprovados pelo Conselho Estadual”.

Evidentemente, a trovadora Valsema não tem culpa se a edição daquele Regimento estiver esgotada.

Fonte:
http://www.usinadeletras.com.br

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Folclore em Trovas 8 (Boto)

Trova sobre imagem de http://www.uniblog.com.br

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Guerreiros Mura (a Sedução Do Boto Cor-de-rosa)

Todo o meu pecado
Foi amar uma linda sereia do mar
E como lição herdei a maldição
De viver nas águas contemplando a solidão
Os mistérios e as mágoas dos rios a imensidão

Mas o feitiço das escuridão
Quebrou-se ao luar
O boto cor-de-rosa emergiu
Dele o encanto surgiu
De boto a um lindo rapaz
Astucioso e sagaz
Do fundo do rio Solimões
Uniu-se dois corações

Veio seduzir a cirandeira bela
Dançarina, dançarina
De sua paixão
Com fitas brancas e amarelas
Dança a dança, dança a dança
Da sedução

Está se deslumbrando senhor
Uma linda estória de amor
Com a cirandeira bela fogosa
Amor do boto cor-de-rosa.
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Folclore Brasileiro (O Boto)

Existem dois tipos de botos na Amazonia, o rosado e o preto, sendo cada um de diferente espécie com diferentes hábitos e envolvidos em diferentes tradições. Viajando ao longo dos rios é comum ver um boto mergulhando ou ondulando as águas a distância. Se diz que o boto preto ou tucuxi é amigável e ajuda a salvar as pessoas de afogamentos, mas o rosado é perigoso. Sendo de visão ineficiente, os botos possuem um sofisticado sistema sonar que os ajuda a navegar nas águas barrentas do Rio Amazonas. Depois dos humanos eles são os maiores predatores de peixes.

A Lenda

A lenda do boto é mais uma crença que o povo costumava lembrar ou dizer como piada quando uma moça encontrava um novo namorado nas festas de junho.

É tradição junina do povo da Amazônia festejar o nascimento de Santo Antonio, São João e São Pedro.

Esta lenda tem sua origem no boto-cor-de-rosa, um mamífero muito semelhante ao golfinho, que habita a bacia do rio Amazonas, e também pode ser encontrado em países, tais como: Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela. As diferenças básicas são as seguintes: o golfinho vive no mar, e o boto vive em água doce, o golfinho tem cor acinzentada e o boto pode ser acinzentado, preto ou possuir cor avermelhada.

Durante as festas juninas, quando são comemorados os aniversários de São João, Santo Antonio e São Pedro, a população ribeirinha da região amazônica celebra estas festas dançando quadrilha, soltando fogos de artifício, fazendo fogueiras e degustando alimentos típicos da região. Reza a lenda que é quando o boto-cor-de-rosa sai do rio transformando-se em um jovem elegante e belo, beberrão e bom dançarino, muito bem vestido trajando roupas, chapéu e calçados brancos. O chapéu é utilizado para ocultar (já que a transformação não é completa) um grande orifício no alto da cabeça, feito para o boto respirar. É graças a este fato que, durante as festividades de junho, quando aparece um rapaz usando chapéu, as pessoas lhe pedem para que ele o retire no intuito de se certificarem de que não é o boto que ali está.

A tradição amazônica diz que o boto carrega um espada presa ao seu cinto, mas que, no fim da madrugada, quando é chegada a hora de ele voltar ao leito do rio, é possível observar que todos seus acessórios são, na verdade, outros habitantes do rio. A espada é um poraquê (peixe-elétrico), o chapéu é uma arraia e, finalmente, o cinto e os sapatos são outros dois diferentes tipos de peixes.

Este desconhecido e atraente rapaz conquista com facilidade a mais bela e desacompanhada jovem que cruzar seu caminho e, em seguida, dança com ela a noite toda, a seduz, a guia até o fundo do rio, onde, por vezes, a engravida e a abandona. Por isso, as jovens eram alertadas por mulheres mais velhas para terem cuidado com os galanteios de homens muito bonitos durante as festas, tudo pra evitar ser seduzida pelo infalível boto e a possibilidade de tornar-se, por exemplo, uma mãe solteira e, assim, virar motivo de fofocas ou zombarias. Seduzidas, as mulheres mantém encontros furtivos com esta entidade, que ao amanhecer retorna ao fundo dos rios, onde reside.

Conta-se, que certa ocasião, havia uma tapuia que vivia só em sua palhoça e que de repente começou a emagrecer e entristecer sem aparentar moléstia alguma. Desconfiados que fosse obra do Boto, os homens da tribo fizeram-lhe uma emboscada.

À noite viram chegar ao porto um branco que não era do lugar e dirigiu-se para a choupana. Acompanharam-no e quando ele entrou, de mansinho abriram a palha da parede e viram-no querer deitar-se na mesma rede da tapuia. Então, um tiro o prostrou e arrastando-o para a barranca do rio, confirmaram suas suspeitas, tal homem era realmente o Boto. A autoridade local não fez corpo de delito, pois matar um boto não é crime previsto em lei.

Raul Bopp, um poeta profundamente brasileiro, no “Cobra Norato”, refere-se assim, graciosamente, a um caso do Boto:

“- Joaninha Vintem: Conte um causo…
– Causo que?
-Qualquerum.
Vou contar causo de boto:

Amor chovi-á
Chuveriscou
Tava lavando a roupa Maninha
Quando o boto me pegou.

-Ó Joaninha Vintem
Boto era feio ou não?

– Aí, era um moço novo Maninha,
tocador de violão…
Me pegou pela cintura…

– Depois que aconteceu?…

Xentes!
Olha a tapioca embolando no tacho!

– Mas que boto safado!

Nos conta a poesia, que a pobre cunhã-poranga (moça bonita), por não ter a sorte de possuir um muiraquitã protetor, não conseguiu livrar-se das malhas de sedução do boto.

Nas noites de luar do Amazonas, afirmam alguns, que os lagos se iluminam e pode-se ouvir as cantigas de festas e danças onde o Boto, ou também chamado de Uiara, participa.

Sedutor e fecundador, conta-se que o boto sente o odor feminino a grandes distâncias, virando as canoas em viajam as mulheres. Isso ocorre sempre a noite, e para evitar o boto, deve-se esfregar alho na canoa, nos portos e nos lugares que ele goste de parar.

As primeiras alusões à lenda apareceram em meados do século XIX, inicialmente referentes a sua transformação em uma bela mulher que atraia os moços ao rio, afogando-os, e pouco depois, aparece como o homem-boto nas cercanias do rio.

Sobrexistindo hermafrodita, o mito termina pela fixação morfológica dicotômica em Boto e Mãe D’Água, o cetáceo, restringindo-se às mulheres e a Iara, aos homens.

A inexistência, no Brasil, nos séculos XVI, XVII e XVIII, de entidades com os atributos do boto, faz supor que a lenda seja de origem branca e mestiça, com projeção nas malocas indígenas e ribeirinhas.

Simbolismo

O Boto é portanto, o Dom Juan da planície Amazônica. Seu prestígio, longe de diminuir com as dissipações do tempo, ganha novos florões com os casos que todo dia lhe aumentam o lendário e a fé do ofício. O papel que lhe atribuem não difere muito das proezas que assinalaram a famosa personagem de “Tirso de Molina”. O asqueroso mamífero misciforme, com aqueles seus dois a três metros de comprimento, com aquele focinho pontiagudo e encabelado, passa por ser um herói mais atrevido, em matéria de amor, de que os tipos de Merimée.

O Boto é hoje um animal em extinção e grande culpa disso é por que o homem lhe conferiu poderes mágicos. Muitos pescadores os capturam para corta-lhes o pênis com a finalidade de fazer um amuleto de “conquista varonil” ou para combater a impotência sexual. Suas nadadeiras também são utilizadas na fabricação de remédios. Seus olhos são usados como atrair as mulheres. Os pajés costumavam realizar rituais para preparar os olhos do animal a ser entregues e usados pelos necessitados.

A crença neste mito está disseminada pela população ribeirinha do Rio Amazonas. O Boto representa o “animus”das mulheres, que faz inter-relação entre o consciente e o inconsciente. O inconsciente masculino é feminino e regido pelo “anima”. O “animus” é a figura masculina arquetípica que reflete o princípio masculino nas mulheres. O Boto é este “animus arquetípico” representando tanto o inconsciente individual quanto o coletivo. Sua grande beleza e poder de sedução são explicados, quando entendemos que ele não é um homem e sim a imagem que as mulheres fazem do homem.

O Boto é símbolo de sedução e energia vital.

Todos os animais aquáticos simbolizam o psiquismo, esse mundo interior e tenebroso através do qual se faz conexão com Deus ou com o Diabo.

De natureza ambígua estes seres se ligam aos rios e oceanos, lugar de todas as fascinações e de todos os terrores, imagem da mãe e da deusa-mãe primitiva em seu aspecto generoso e criador e, ao mesmo tempo, terrível. Mares, rios, são lugares selvagens e inumanos, onde a lógica nunca prevalece. É por isso que todos os mitos e divindades marinhas conservarão sempre um caráter arcaico. Saindo dessa água enigmática, os peixes tornam-se eco deste terror antepassado, que roça o desconhecido.

O Boto é a figura popular das águas e do folclore da região amazônica e sua aparência é de
um golfinho. Os órgãos sexuais quer do Boto, quer da sua fêmea, são muito utilizados em feitiçaria, visando a conquista ou domínio do ente amado. Porém o mais utilizado do mesmo é o olho do Boto, que é considerado amuleto do mais forte na arte do amor e sorte. Dizem mesmo que, segurando na mão um amuleto feito de olho de Boto tem que ter cuidado para quem olhar, pois o efeito é fulminante: pode atrair até mesmo pessoas do mesmo sexo, que ficam apaixonadas pelo possuidor do olho de Boto, sendo difícil de desfazer o efeito…Conta-se algumas histórias em que maridos desconfiados de que alguém estava tentando conquistar suas mulheres armaram uma cilada para pegar o conquistador. A cilada geralmente acontece à noite, aonde o marido vai a luta com o seu rival, mesmo ferido, consegue fugir e atirar-se n’água. No dia seguinte, para a surpresa do marido e demais pessoas que acompanharam a luta, o cadáver aparece na beira d’água com o ferimento da faca, ou de tiros, ou ainda com o arpão cravado no corpo, conforme a arma utilizada, não de um homem, mas pura e simplesmente um Boto.

O boto ou Uauiara, também é conhecido por ser uma espécie de protetor das mulheres, cujas embarcações naufragam. Muitas pessoas dizem que, em tais situações, o boto aparece empurrando as mulheres para as margens do rio, a fim de evitar que elas se afoguem, as intenções disso até hoje não são muito conhecidas…

Assim sendo, na região norte do Brasil, quando as pessoas desejam justificar a geração de um filho fora do casamento, ou um filho do qual não se conhece o pai, é comum ouvir que a criança é filha do boto.
––––––––––––––––––––––––-
Sobre a Iara
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/10/folclore-brasileiro-iara.html
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/10/folclore-em-trovas-5-iara.html

Fontes:
http://www.sumauma.net/amazonian/lendas/lendas-boto.html
http://www.infoescola.com/folclore/a-lenda-do-boto/
http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendabotorosa1.htm
http://www.istoeamazonia.com.br/
Imagem = http://www.mundoeducacao.com.br

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Apollo Taborda França (O Trovador e a Trova)

Com garra de trovador,
Vou seguindo meus caminhos…
Venturoso e com amor,
Num roseiral sem espinhos!

Cai a tarde, fico triste,
Pressuroso como o quê…
O coração não resiste
A saudade de você!

Poeta diz sempre o que quer,
Na verdade ou de impulsão…
Tenho certeza e assim penso,
Com você e sem vaidade!

Disse adeus à virgindade,
Optou, em seus dilemas…
Quis amar com pouca idade:
– Está cheia de problemas!

Pelas ruas da cidade,
Encontrei com Jesus Cristo…
– Faze e prega a caridade,
Para o Céu bem chega isto!

Curitiba é chão de amores,
Toda feita de candura…
O seu perfume é de flores,
Deus namora lá na Altura!

A Trova não morre nunca,
Retempera a humanidade
E vence a tristeza adunca,
Alegrando a mocidade!

Sete sílabas por cima
Com idéia sempre nova,
E cadência, boa rima,
Numa quadra…a bela Trova!

Sou trovador, tenho senso
Da importância da poesia:
Encerra tudo o que penso,
Realidade e fantasia.

Uma Trova pra ser boa,
Expressiva, universal,
Na mensagem apregoa
A cultura e a moral!

Quem tem estro e tem cultura
E se inclina à poesia,
Vai na Trova com lisura,
Cheio de graça e estesia!

Uma Trova…um belo tema,
Pra dizer o que se quer;
Quando o poeta é bom, da gema,
Inspira-se…na mulher!

======================

Sobre o Autor:

Apollo Taborda França, nasceu em Curitiba, capital do estado do Paraná, onde reside. Filho de Heitor Stockler de França e Brasília Taborda Ribas de França. Fez cursos primário e ginasial no Instituto Santa Maria, dos Irmãos Maristas. Posteriormente em Direito pela Universidade Federal do Paraná, em Jornalismo pela Universidade Católica (hoje PUCPR), ainda em Curso Técnico de Construção de Máquinas e Motores, pela Escola Técnica Federal do Paraná que agora está transformada em Universidade; e se formou em Ciências Econômicas.

Possui 17 livros publicados, em prosa e em verso. Inclusive cinco de Trovas. Passou a fazer versos naturalmente, talvez por influência sangüínea, uma vez que seu pai Heitor Stockler de França era escritor, poeta, jornalista e advogado e seus irmão também fazem poesias e trovas. Suas composições literárias foram publicadas em jornais, especialmente em livros e coletâneas impressas em São Paulo e Rio de Janeiro, etc.

– Cadeira n.36 da Academia Paranaense de Letras
– Cadeira n.38 da Academia de Letras José de Alencar
– membro do Centro de Letras do Paraná
– membro do Círculode Estudos Bandeirantes
– Presidente da UBT/Curitiba 1984/86 e 1990/92.
– membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense

Publicações:
– Poesia (em colaboração)
– Sinfonia da Rua 15
– A lua escorregou pela parede
– Festa de amores– O nosso alfabeto
– Praças de Curitiba
– Constelação dos bairros de Curitiba
– Os nossos pés de todos os dias
– MPPr – Movimento Poético Paranaense
– Poesia do Paraná

Fontes:
– Antologia dos Acadêmicos: edição comemorativa dos 60 anosda Academia de Letras José de Alencar. São Paulo: Scortecci, 2001.
– Carlos Leite Ribeiro. Portal CEN.
– Vasco José Taborda e Orlando Woczikosky (organizadores). Antologia de Trovadores do Paraná. Curitiba: O Formigueiro – Instituto Assistencial de Autores do Paraná, 1984.

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Luis Renato Pedroso (Soberana Ordem do Sapo)

Inspirado por um grupo de intelectuais que, nos idos de 6 de março de 1898, criara um periódico sob a intrigante denominação O Sapo, Vasco Taborda Ribas fundou uma confraria, em 15 de agosto de 1977, a que chamou de Soberana Ordem do Sapo, cujos integrantes, em número expressivo, recebem o título de “barão” e “baronesa”.

Mas, certamente, os que lêem estas linhas perguntarão: por que tão esdrúxula denominação?

Responde, com raro descortino, o acadêmico e pois imortal Apollo Taborda França, que a fez ressurgir, poucos dias passados: “o sapo é uma criatura universal: está em todas as partes, em todos os países. Trata-se de um ser enigmático, místico e mítico, a um só tempo. Não chega a ser venerado, mas é admirado e decantado, de modo mal ou benquerente, em contos, fábulas e lendas”, lembrando, ainda, que “o sapo é romântico com seu cantar após as chuvas, tempestades, em especial para noites de luar. A despeito da malquerência com que sofre, é considerado o símbolo do amor, da ventura e da alacridade. Chega a ser considerado lindo conforme o entendimento e o olhar de quem intimamente não o subestima”.

Por sua vez, Ivo Arzua Pereira recorda que, “além de tudo, o sapo, cujo habitat são os charcos, os terrenos alagadiços e os banhados, é bem o símbolo da humildade, pois jamais intentou viver nas alturas montanhosas para brilhar à luz do sol e ser notado, admirado e aplaudido, bastando-lhe ser alvo da simpatia dos seres humanos e, principalmente, dos bravos ecologistas”.

Tais considerações, por si só, explicam plenamente a opção de Leôncio Corrêa, Leite Júnior, Gabriel Ribeiro e Thales Saldanha pelo título O Sapo para o hebdomadário lançando e, depois, Vasco Taborda Ribas para a confraria, agora ressurgida por Apolo Taborda França.

Muitos “barões” e “baronesas” já passaram pela Soberana Ordem do Sapo, outros tantos a integram, constituindo um pugilo valoroso de amantes da cultura.

Saudando-os, a exemplo do ocorrido na reunião-almoço do dia 5 de março de 2005, quando da reinstalação da confraria, lembro o poema do inspirado e sensível vate Harley Clóvis Stocchero, Barão de Tamandaré:

1. Quando o dia amanhece
e o sol para o alto arriba,
para o céu se evola a prece
do povo de Curitiba;

2. enquanto o dia floresce
com o azul brilhando guapo,
toda lagoa estremece
com a cantiga do Sapo.

3. Os barões assinalados,
dessa Ordem Soberana,
todos juntos, irmanados,
saudam a luz que emana

4. da hóstia de intensa luz;
e Curitiba conclama
a seguir o Bom Jesus
que todo cristão irmana.

5. nessa ordem de Grandeza
do Sapo, Rei da Sapiência,
que, com toda a realeza,
simboliza a boa vivência

6. que o Sapo, na humildade,
dádiva do Criador
para toda a Humanidade,
é atributo de Amor.

7. Rendamos ao
humilde Sapo
seu verdadeiro valor,
pois ele, que é nobre e guapo,
simboliza Paz e Amor!

8. Por Deus feito inteligente
e das searas protetor,
deve merecer da gente
veneração com ardor

9. para lhe dar proteção,
pois ele é nossa esperança
ao limpar a plantação
da praga, que
sempre avança!

10. Rendamos nosso tributo
ao Reino da Saparia,
ao Sapo, esse amigo astuto,
que nos inspira Poesia!

11. Assim, Barões, Baronesas,
vamos os Sapos saudar,
reunidos em nossas mesas
para a Ordem prestigiar.

12. Num momento de alegria
desta encantada Reunião,
brindemos a Saparia
no abraço de cada irmão;

13. também é grata a ocasião,
que esta data recorda,
vamos fazer a saudação

ao Mestre Vasco Taborda

14. que, se estivesse vivo,
aqui festaria contente,
comemorando o motivo
de relembrá-lo contente.

15. Mas, embora falecido,
tem a alma ainda presente,
o que nos dá o motivo
de relembrá-lo contente.

16. Festejemos, meus confrades,
esta nossa Confraria,
que hoje uma nova idade
feliz aniversaria!

17. Agradecendo a presença
de todos que, neste dia,
nos trazem a recompensa
da ilustre simpatia.

18. Sejam todos abençoados
com as preces que conduz
esse olhar iluminado
de Nossa Virgem da Luz!?.
—–

Fonte:
Luís Renato Pedroso, presidente do Centro de Letras do Paraná, vice-presidente do Movimento Pró Paraná e Barão de Santa Terezinha. In Paraná On-Line. 22/03/2005

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Livros e Autores Infantis Conquistam o Mercado

A escritora Gloria Kirinus diz que a literatura infanto-juvenil brasileira hoje é muito respeitada no mundo. E um ótimo presente para o Dia das Crianças.

Boas histórias permeadas de fantasia, ilustrações que despertam a imaginação da criança e principalmente humor, característica muito presente nos livros de literatura infantil de hoje.

Elementos que atraem as crianças e fazem dos escritores e ilustradores de livros infanto-juvenis do Brasil serem reconhecidos internacionalmente pela sua qualidade, que vem atrelada ao aumento do consumo interno por esse segmento.

As estatísticas mostram que esse mercado tem crescido exponencialmente ao longo dos últimos anos. Último balanço divulgado pela Câmara Brasileira do Livro sobre o mercado editorial do País mostra que o número de títulos de livros infantis editados no ano passado cresceu mais de 14% em comparação com 2007, num total de 3.981 títulos.

O número de exemplares produzidos também aumentou, passando para mais de 15,4 milhões de livros, numa variação de 4,95% comparado com o ano anterior. Junto com histórias atraentes, a qualidade dos livros infantis destaca-se hoje pelo tratamento apurado e pelo cuidado com as ilustrações, que passou a ocupar um lugar de destaque que não tinha até então.

A literatura infanto-juvenil brasileira é muito respeitada no mundo. Nos encontros internacionais, o stand do Brasil é muito visitado e admirado, com autores do porte de Ziraldo, as duas ganhadoras do prêmio Hans Christian Andersen, Ligia Bojunga Nunes e Ana Maria Machado, além da poesia em verso e prosa de Bartolomeu Campos Queirós, as fadas reencantadas de Marina Colasanti e o eterno Monteiro Lobato“, avalia a autora Gloria Kirinus, representante no Paraná da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infanto-juvenil.

Esse boom da literatura infantil teve início na década de 1970 quando começaram a surgir excelentes autores, como Eva Furnari, Ruth Rocha, Ziraldo e Tatiana Belinsky, precursores da nova fase da literatura infantil.

Depois da “era Monteiro Lobato” passou-se um tempo sem grandes autores nacionais. Esse período sem expressão tem relação com a escola, quando o predomínio das obras de literatura infantil era por um estilo com cara de livro didático, como pretexto para alfabetização, para ensinar conteúdos escolares“, analisa a professora de literatura infantil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Elisa Dalla Bona.

Conforme a crítica vem sendo feita, isso tem mudado. “A literatura contribui para instigar a fantasia, a imaginação. A alfabetização é uma consequência“, defende a professora, que culpa a formação dos professores que, muitas vezes, ainda optam por selecionar livros fáceis para os alunos, de bons hábitos alimentares ou de higiene, de ensino de letras, formas geométricas ou números.

O que é uma pena, porque a escola é a principal difusora da literatura infantil. Poucos são os pais que levam o filho na biblioteca ou que vão presenteá-los com um livro neste Dia das Crianças“, lamenta Dalla Bona.

A literatura infantil é considerada um dos primeiros passos para a formação crítica das crianças, preocupação presente na obra de muitos autores. “Um bom livro tem que contar uma boa história. A literatura com a qual mais me identifico é a que instiga o mundo interior, a dimensão do simbólico, que amplia meu olhar para o leitor“, conta a autora Cléo Busatto.

Tratar temas sérios por meio da história contada é a escolha do escritor e jornalista Luiz Andrioli. “Acredito ser possível abordar questões morais para as crianças, uma forma de se aprender a lidar com temas como a separação, a ilusão, a perda“, afirma.

Em seu primeiro livro, A menina do circo, Andrioli aborda as diferenças no circo, em um ambiente em que vale tudo para se divertir. “O circo abre esse espaço para os excluídos, como o anão, o gordo. O que na sociedade choca, no circo é alegria“, acredita.

Fonte:
Artigo de Luciana Cristo. In Paraná On Line de 11/10/2009

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Eno Theodoro Wanke (Verso)

Conheci um poeta que me disse certa vez, com entusiasmo na voz, ter inventado um verso definitivo e imortal.
– Sim? E como é?
– “O amor é um fogo que arde sem queimar.”
– Mas isto é de Camões!
Levou um susto.
– Não é possível. Eu mesmo fiz a bolação, a montagem deste verso, palavra por palavra, pensamento por pensamento, letra por letra!
– Mas é de Camões. Pelo menos meio milênio tem este verso. Você deve ter lido em algum lugar, fixado no subconsciente e, quando foi escrever, produziu o verso como se fosse seu…
Sai dali desconsolado.
Uns dias depois, encontrei-o de novo:
– Pronto, agora sim. Tenho um verso imortal, que não é de ninguém mais.
– Então, solte.
– “O amor é uma água que afoga sem molhar.”
Desisti.
Fonte:
WANKE, Eno Teodoro. Caminhos: minicontos. RJ: Edições Plaquette, 1992.
Imagem criada por Iraima Bagni.

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Fábulas de Iauaretê na Expo-Literária de Sorocaba, hoje, sexta-feira.

Projeto realizado pelo Instituto Arapoty e Cia Duberrô integra programação da Expo-Literária em Sorocaba

“Fábulas de Iauaretê” apresenta contação de histórias, oficinas e palestra com o escritor Kaká Werá. Apoiado pelo Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura – Programa de Ação Cultural e patrocinado pela Sorocaba Refrescos, projeto oferece atividades gratuitas.

Hoje, sexta-feira, dia 23 de outubro, a cidade de Sorocaba recebe a primeira atividade do projeto “Fábulas de Iauaretê”, uma adaptação do livro de Kaká Werá, realizada pelo Instituto Arapoty e Cia Duberrô. O projeto integra a programação da Feira Literária de Sorocaba, e seguirá ainda por outras cidades, como Tatuí, Itu, Laranjal Paulista, São Roque, Votorantim, Itapetininga, Itapeva, Limeira e Itapecerica da Serra.

– Dia: 23 de outubro de 2009,
– Horário: 10h, 14h e 15h30
.– Local: Tenda Villa Lobos – Biblioteca Municipal de Sorocaba [Av. Eng. Carlos Reinaldo Mendes, 3.041]
– Gratuito.
– Duração: 90 minutos.
– Capacidade: 100 lugares.
– Classificação indicativa: a partir de 10 anos.
– Agendamento para educadores, alunos e público espontâneo pelos telefones: (15) 3211-2911 / 3211-2902, com Paulo ou Elisa.

Palestra
– Dia 23 de outubro de 2009, às 19h.
– Local: Auditório da Biblioteca Municipal de Sorocaba [Av. Eng. Carlos Reinaldo Mendes, 3.041]
– Gratuito.
– Duração: 50 minutos.
– Capacidade: 100 pessoas.
– Classificação indicativa: a partir de 15 anos
– Agendamento para educadores, alunos e público espontâneo pelos telefones: (15) 3211-2911 / 3211-2902, com Paulo ou Elisa.

Fontes:
Douglas Lara. http://www.sorocaba.com.br/acontece
Márcio Abegão. http://pedagogiadoteatro.blogspot.com

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Folclore em Trovas 7 (Caipora)

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Cacique e Pajé (A Lenda do Caipora)

Meu velho avô contava
Uma história interessante
Diz que depois do dilúvio
Que acabou com os habitantes
A geração de Noé
Da Terra foi ocupante
Aquele povo selvagem
Numa intriga constante
Se dividiram em tribos
Seguindo rumos distantes
Foi numa daquelas tribos
Que seu destino seguia
Uma mulher teve um filho
No meio da mataria
A pobre mãe faleceu
Quando o menino nascia
Aquela gente criada
Dentro da selvageria
Abandonaram a criança
Naquela selva bravia
Uma grande chimpanzé
Que perdeu seu filhotinho
No meio da selva bruta
Encontrou o garotinho
Por instinto maternal
Ou por lembrar do filhinho
Pegou aquela criança
Com muito amor e carinho
Com o leite do seu peito
Criou o inocentinho
Criado na selva bruta
Cresceu valente e veloz
As unhas cresceram tanto
Que pareciam anzóis
A fera que ele atacava
Tinha um destino atroz
Ele dominava a fera
Amarrava com cipós
Depois de surrar bastante
Soltava o bicho feroz
Daquele tempo pra cá
Conforme diz a história
Aquele homem selvagem
Tornou-se o rei das floras
Montado num porco-espinho
Percorre o sertão afora
Protegendo todos os bichos
Que dentro da selva moram
É o terror dos caçadores
Conhecido por Caipora
——

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Folclore Brasileiro (Caipora)

Caipora é uma entidade da mitologia tupi-guarani. É representada como um pequeno índio de pele escura, ágil, nu, que fuma um cachimbo e gosta de cachaça.

Habitante das florestas, reina sobre todos os animais e destrói os caçadores que não cumprem o acordo de caça feito com ele. Seu corpo é todo coberto por pelos. Ele vive montado numa espécie de porco-do-mato e carrega uma vara. Aparentado do Curupira, protege os animais da floresta. Os índios acreditavam que o Caipora temesse a claridade, por isso protegiam-se dele andando com tições acesos durante a noite.

No imaginário popular em diferentes regiões do País, a figura do Caipora está intimamente associada à vida da floresta. Ele é o guardião da vida animal. Apronta toda sorte de ciladas para o caçador, sobretudo aquele que abate animais além de suas necessidades. Afugenta as presas, espanca os cães farejadores, e desorienta o caçador simulando os ruídos dos animais da mata. Assobia, estala os galhos e assim dá falsas pistas fazendo com que ele se perca no meio do mato. Mas, de acordo com a crença popular. é sobretudo nas sextas-feiras, nos domingos e dias santos, quando não se deve sair para a caça, que a sua atividade se intensifica. Mas há um meio de driblá-lo. O Caipora aprecia o fumo. Assim, reza o costume que, antes de sair numa noite de quinta-feira para caçar no mato, deve-se deixar fumo de corda no tronco de uma árvore e dizer: “Toma, Caipora, deixa eu ir embora“. A boa sorte de um caçador é atribuída também aos presentes que ele oferece. Assim, por sua vez, os homens encontram um meio de conseguir seduzir esse ente fantástico. Mas fracasso na empreitada é atribuído aos ardis da entidade. No sertão do Nordeste, também é comum dizer que alguém está com o Caipora quando atravessa uma fase de empreendimentos mal sucedidos, e de infelicidade.

Há muitas maneiras de descrever afigura que amedronta os homens e que, parece, coloca freios em seus apetites descontrolados pelos animais. Pode ser um pequeno caboclo, com um olho no meio da testa, cocho e que atravessa a mata montado num porco selvagem; um índio de baixa estatura, ágil; um homem. peludo, com vasta cabeleira.

Seus pés voltados para trás serve para despistar os caçadores, deixando-os sempre a seguir rastros falsos. Quem o vê, perde totalmente o rumo, e não sabe mais achar o caminho de volta. É impossível capturá-lo. Para atrair suas vítimas, ele, às vezes chama as pessoas com gritos que imitam a voz humana. É também chamado de Pai ou Mãe-do-Mato, Curupira e Caapora. Para os Índios Guaranis ele é o Demômio da Floresta. Às vezes é visto montando um Porco do Mato.

Os índios, para lhe agradar, deixavam nas clareiras, penas, esteiras e cobertores. De acordo com a crença, ao entrar na mata, a pessoa deve levar um Rolo de Fumo para agradá-lo, caso o encontre.

As histórias acima fazem parte de um vastissimo conjunto de nossas tradições populares, que desde o século XIX são alvo de intenso interesse e controvérsias entre antropólogos e estudiosos em geral. Uma das primeiras questões que aguçam a curiosidade é a de saber sobre a origem, embora muitas vezes os elementos estejam tão mesclados e se transformaram de tal forma que fica impossível localizar a fonte original. Indicar hipotética fonte, o que se faz sacrificando o conjunto da narrativa, pouco esclarece sobre as adaptações que sofre no tempo e no espaço, quando migra de uma região para outra e recebe novas influências. De fato, no caso, tanto o termo Mboitatá como Caapora denunciam a tradição indígena.

Mas as escavações para buscar a origem não dão conta de alguns aspectos bastante interessantes. Um deles é perceber que essas, como tantas outras histórias, são narradas cru determinadas situações: que situações são essas; quem conta para quem? Será que mesmo na região onde, em princípio, estariam mais arraigadas elas seriam compartilhadas da mesma maneira por todos os habitantes? Não se deve esquecer também que essas narrativas impõem, para os que nela acreditam, certas atitudes e revelam certos sentimentos em relação aos perigos da floresta; elas também costumam servir de justificativas, como é ocaso de um caçador mal sucedido, que pode atribuir a má sorte ao fato de ter deparado com o Caipora.

Em regiões onde prevalece a transmissão oral essas histórias desempenham um papel bastante importante na socialização. Contar e ouvir “causos” é uma atividade lúdica, para passar o tempo livre. Na recreação, os indivíduos vão incorporando os valores do grupo em que vivem, e assim aprendem como proceder quando saem, por exemplo, para caçar. Na história do Caipora é inculcada a idéia de que se deve estabelecer limites no abate as presas, e que em dias santos ou sextas-feiras deve-se evitar a floresta. Outras histórias como a da Cuca, nosso papão do universo infantil, ensina que as crianças devem ir cedo para a cama sem fazer traquinagens antes de dormir. Mas o papel da história contada num grupo de seringueiros ou num grupo de pescadores, sobretudo quando não tem muito contato com a vida na cidade, é distinto do papel dessas mesmas histórias na vida de crianças de classe média que ouviam as histórias de sua babá ou de adultos letrados que as ouvem das fontes nativas, dos pais, das instituições de ensino e da indústria cultural e participariam assim simultaneamente da cultura do povo e da cultura erudita. Mas, mesmo numa mesma região, épossível encontrar ausência de consenso quanto à crença em seres fabulosos. Foi o que ocorreu com o antropólogo Eduardo Galvão, quando esteve, em 1948, numa região do baixo Amazonas. Ao recolher relatos sobre seres sobrenaturais, encontrou tanto depoimentos crédulos, sobretudo de seringueiros e de pescadores, que faziam descrições detalhadas de seus encontros com seres sobrenaturais, quanto opiniões céticas de moradores que se referiam à crença no Curupira como “abusão de gente mais velha“. Ou comentavam: “são apenas lendas“. Obteve um relato de um habitante que dizia acreditar no Curupira, embora jamais tivesse tido uma experiência de ordem pessoal com o ente, pois narrava as histórias que lhe foram contadas pelo avô.

Fatos como o descrito acima por Galvão, em Santos e Visagens, indicam que as mesmas histórias são partilhadas pelo povo brasileiro de maneira diferente, numa mesma época ou em épocas e gerações diferentes. Entretanto, pode-se lembrar que essas tradições populares são muitas vezes reivindicadas como um meio de revelar todos os brasileiros ou de identificar o modo de ser, pensar e agir de uma região do país. Seguindo uma tradição que, de acordo com Peter Burke, tem início no final do século XVIII na Europa. Afonso Arinos. em Lendas e Tradições Brasileiras, vê na descoberta da cultura popular a existência de “um opulento tesouro esquecido“. E acrescenta: “Explorai-o, colhei a mancheias, que tocareis na fonte verdadeira da vida de nossa raça e ela repetirá convosco o milagre de Fausto“. Embora se possa relativizar o tom ufanístico excessivo do escritor mineiro, não resta dúvida de que vários escritores brasileiros da modernidade, como é o caso de Mário de Andrade (Macunaíma), Raul Bopp (Cobra Norato) e Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas), para mencionar alguns dos mais importantes, estiveram sempre muito atentos às tradições populares brasileiras, o que revela que essas tradições migram e são incorporadas pela cultura erudita.

Origem Provável

É oriundo da Mitologia Tupi, e os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando da época do descobrimento, depois tornou-se comum em todo País, sendo junto com o Saci, os campeões de popularidade. Entre o Tupis-Guaranis, existia uma outra variedade de Caipora, chamada Anhanga, um ser maligno que causava doenças ou matava os índios. Existem entidades semelhantes entre quase todos os indígenas das américas Latina e Central. Em El Salvador, El Cipitío, é um espiríto tanto da floresta quanto urbano, que também tem as mesmos atibutos do Caipora. Ou seja pés invertidos, capacidade de desorientar as pessoas, etc. Mas, este El Cipitío, gosta mesmo é de seduzir as mulheres.

Conforme a região, ele pode ser uma mulher de uma perna só que anda pulando, ou uma criança de um pé só, redondo, ou um homem gigante montado num porco do mato, e seguido por um cachorro chamado Papa-mel.

Também, dizem que ele tem o poder de ressuscitar animais mortos e que ele é o pai do moleque Saci Pererê. Há uma versão que diz que o Caipora, como castigo, transforma os filhos e mulher do caçador mau, em caça, para que este os mate sem saber.

É representado ora como mulher unípede, o Caipora-Fêmea, ora como um tapuio encantado,nu, que fuma no cachimbo, este último na área do Maranhão a Minas.

Manoel Ambrósio dá a notícia, no Nordeste, de um caboclinho com um olho só no meio da testa, descrição que nos faz lembrar dos ciclopes gregos. Também aparece no Paraná como um homem peludo que percorre as matas montado num porco-espinho.

No Vale do Paraíba, estado de São Paulo, ele é descrito como um caçador façanhudo, bastante feio, de pêlos verdes e pés virados para trás.

Outro nome do Caipora, ou Caapora, é Curupira, protetor das árvores, chamado assim quando apresenta os pés normais.

Em algumas regiões, há fusão dos dois duendes, em outras elas coexistem. O mito emigrou do Sul para o Norte, conforme conclusão dos estudiosos.

Existe na Argentina o mesmo duende, como um gigante peludo e cabeçudo. Couto de Magalhães aceita a influência platina no nosso Caipora.

Segundo Gonçalves Dias, Curupira é o espírito mau que habita as florestas. Descreve-o assim: ‘Veste as feições de um índio anão de estatura, com armas proporcionais ao seu tamanho’. Governa os porcos-do-mato e anda com varas deles, barulhando pela floresta. O mesmo mito é encontrado em toda a América Espanhola: no Paraguai, na Bolívia, na Venezuela.

Entre os Chipaias, tribo guarani moderna, há a crença no Curupira, como sendo um monstro antropófago, gigantesco, muito simplório, conforme relato de Artur Ramos, em Introdução à Antropologia Brasileira.

Apesar de serem conhecidos o nome e o mito Curupira, no Vale do Paraíba é mais encontradiço o nome Caipora, usado até para designar gente de cabeleira alvoroçada.

Lá, é um caboclinho feio pra danar, anão de pés virados para trás, cabeludo. Viaja montado em um porco-espinho, com a cara virada do lado do rabo da montaria.

Tão variadas são as suas metamorfoses, que não é difícil vê-lo tomar a forma feminina e mesmo, a dos dois sexos, que lhe dá uma aparência andrógina. O Curupira, entretanto, sob qualquer aspecto que se apresente, sempre tem os pés voltados para trás, que são indícios para filiá-lo ao berço semítico, o qual nos refere a uma crença corrente na Ásia em “Homens com pés voltados para trás”, bem como os que tinham “orelhas grandes” eram comuns.

Transplantada para solo americano, esta crença foi se modificando ao sabor das circunstâncias. Assim é que vemos surgir o Curupira sob diferentes nomes: o “Maguare”, na Venezuela; o “Selvaje”, na Colômbia; o “Chudiachaque”, no Peru; o “Kaná”, na Bolívia. Como se vê, inúmeras são suas metamorfoses e designações, conforme testemunhos e fatos colhidos na história.

Quando Curupira entra no Maranhão, não muda de nome, mas mora no galho dos Tucunzeiros e procura as margens do rio para pedir fumo aos canoeiros e vira-lhes as canoas quando não lhe dão, fazendo as mesmas correrias pelos matos onde tem as mesmas formas com que se apresenta na Amazônia. Atravessando pelo Rio Grande do Norte e pela Paraíba, toma então o nome de Caapora. Conta-se que tornou-se inimigos dos cães de caça. Obriga-os a correr atrás dele, para fazer com que os caçadores o sigam, mas desaparece de repente, deixando os cães tontos e os caçadores perdidos. Nestes locais anda sempre à cavalo, ou montando um veado ou um coelho.

Em algumas ocasiões, foi descrito como um índio de pele escura, nu, ágil, fumando cachimbo e que adora fumo e cachaça, dominando com seus assobios os animais da mata. Indo o caçador munido de fumo e encontrando o Caapora, se este pedir-lhe e for satisfeito, pode contar que será daí em diante feliz na caça. Por outro lado, o que mais detesta é o alho e a pimenta, capaz de provocar-lhe cólera.

No Ceará conserva o nome de Caapora, porém muda novamente seu aspecto, perde todo o pelos do corpo, que se transforma numa enorme cabeleira vermelha, apresentando também dentes afiados.

Em Pernambuco lá está ele com suas características. Montado em uma queixada, tem nas mãos um galho de iapekanga ou arco e flecha, trazendo consigo sempre um cão a que dão o nome de “Papa-mel”. Em uma carta de 1560, o padre José de Anchieta inclui esse duende entre as aparições noturnas que costumam assustar os índios.

Para o sacerdote, que entre nós esteve quando o Brasil amanhecia, o Curupira, muitas vezes, atacava os índios nos bosques, açoitando-os, atormentando-os e matando-os. Os índios costumavam deixar penas de aves, flechas e outras coisas semelhantes, em algum ponto da estrada do sertão, quando passavam por lá, como se fosse uma oferenda e, humildemente imploravam a esse personagem, que não lhes fizesse mal.

Em Sergipe, mostra-se sempre gaiato e, brincando faz o viajante rir até cair morto. Por isso talvez, que ele é venerado como “espírito cômico”. Passando pela Bahia, sofre aí uma transformações completa e não só muda de nome como de sexo, aparecendo sob a forma de “caiçara”, cabocla pequena, quase anã, que anda montada num porco.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/
http://www.vivabrazil.com/
http://sitededicas.uol.com.br/
http://www.grupoescolar.com/
http://www.rosanevolpatto.trd.br/

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