Branca Tirollo (A Mulher atrás da escritora, a escritora atrás da mulher)

Em prosseguimento à série de entrevistas com os escritores, com o intuito de mostrar que atrás do escritor existe um ser humano, assim como o escritor que existe atrás do ser humano, entrevistamos agora a escritora imortal, Dra. Branca Tirollo, presidente da Academia de Letras do Brasil/ Piracicaba,SP.

Branca Tirollo é Atriz de Teatro, Roteirista, e Escritora. Membro da Academia de Letras do Brasil. Revolucionária desde sua mocidade, sempre praticou trabalho voluntário, lutando pelo bem estar social. Empresária no ramo de confecções há mais de vinte anos, abandonou a carreira profissional para levar adiante a carreira artística, cujo sonho de sua mocidade, estava adormecido. Voltou a fazer teatro, onde desenvolveu alguns projetos de sua autoria. A maioria de suas Peças Teatrais, são temas voltados para as questões do Meio Ambiente.

INFANCIA

• Conte um pouco de sua trajetória de vida, onde nasceu, onde cresceu, o que estudou.

Querido Dr. José Feldman.
Primeiramente devo cumprimentá-lo pela iniciativa e agradecer o convite. Obrigada! Parabéns.

Sou natural de Jaú, interior de São Paulo. Nasci num casarão, que muito me assombrava durante a noite. Era um belo sítio onde meu pai cultivava café e cereais. Pena que eu não tenha lembranças… Mas acho que ao nascer, fui logo cumprimentando a natureza ao meu redor, sorrisos! Cresci naquele lugar até os seis anos de idade e depois mudamos para a fazenda dos meus nonos. Iniciei os estudos aos seis anos. Caminhava muito. Quatro quilômetros todos os dias, ida e volta, e assim concluí a quarta série.

Logo na primeira semana de aula, do primeiro ano escolar, a diretora me confiou um enorme poema. Eu tinha uma semana para decorar. Por certo ela percebera que eu já sabia ler e escrever quando entrei para escola.

O que ela não sabia é que eu brincava de poetizar e de cantora, aos três anos de idade.
Minha nona dizia: Esta menina veio de outro mundo! E o meu pai, ao contrário, já estava cansado de utilizar o rabo de tatu – lembra do rabo de tatu? É! Aquele cinto largo, doído e com cabo de madeira. Conhecendo meu pai, e os meus sentimentos estranhos, jamais aceitei a vir a ser o que ele desejou.

Mais tarde, fui estudar na cidade de Jaú. Tomava o trem de carga todos os dias. Eu e minhas amigas corríamos atrás do trem para pegar rabeira. Nossa! Eu era levada!

Estudei artes industriais dois anos, período integral. Foi a época que eu comecei a guardar o que eu escrevia. Não mostrava a ninguém. Um dia a minha mãe fez limpeza no meu quarto e jogou todos os meus escritos no lixo. O lixão na fazenda era junto com o esterco bovino e suíno. Meu pai preparava para adubar os cereais. Quando cheguei do colégio e não encontrei A caixas de sapato que guardavam os meus escritos, chorei feito uma criança. Acho que foi a primeira vez que me senti criança nesta vida. Mesmo assim, ninguém teve piedade. Adeus! Escritos.

Aos 13 anos mudamos para a cidade de Jaú e fui estudar no colégio Industrial, hoje, Centro Paula Sousa.

Joguei basquete e fui a melhor jogadora da minha época. Fui baliza na fanfarra da escola e dançava com um grupo de teatro. Tudo isso eu fazia escondido dos meus pais.
Como tudo tem início, meio e fim, deixei os estudos e me casei. Só para me ver livre da prisão. Sorrisos.

Os sonhos adormeceram e de menina me tornei mulher, sem sentir o prazer da mocidade. Continuei escrevendo, mas somente para satisfazer-me.

Tive uma filha, me separei e voltei a estudar novamente. Comecei a escrever um romance aos vinte anos de idade. Depois abandonei a escola várias vezes e estudei música por quatro anos. Até hoje, nunca cantei nem toco nenhum instrumento, mas componho. Como dizia minha nona: Coisa de outro mundo.
Casei-me mais duas vezes e tive mais quatro filhos
Vou parar aqui esta parte, senão vai sair outra autobiografia.

• Como era a formação de um jovem naquele tempo? E a disciplina, como era?

Formação? Posso afirmar que era das melhores. Rígida, militar, mas naquele tempo se apreciava a educação. O que se aprendeu na minha época, hoje deixa muito a desejar. Falo do ensino, da educação, da honestidade.

• Recebeu estímulo na casa da sua infância?

Ah! Esse não tinha mesmo! Naquela época, filha mulher era criada para se casar. Tinha que aprender muito cedo: lavar, passar, cozinhar e respeitar o marido. Mas… Nem tudo se saia como os pais desejavam. Meu caso é um exemplo. Aprendi a fazer as tarefas da casa, mas admitir um marido me dando ordens, isso jamais.

Valorizei o meu pensamento, sempre. Não me lembro nesta vida eu ter deixado de acreditar em mim.

PRIMEIROS LIVROS

• Qual o seu primeiro livro e do que falava?

Como citei, meu primeiro livro foi minha autobiografia. Passei 30 anos da minha vida escrevendo, uma loucura.

Eram mais de mil e duzentas folhas de caderno. Quando cheguei a publicar o romance Viajante Imaginário, minha autobiografia, já tinha participado de várias antologias, estava com mais 200 textos registrados na FBN, enfim, muitos projetos eu já havia desenvolvido, incluindo o projeto Mendigos e Vagabundos, aprovado pelo MINC.
Depois, fui criando oportunidades. É… Criando! Esperar por elas é quase impossível.
Até que um dia resolvo montar uma editora e publicar não só os meus livros, mas também dos autores de todo Brasil. Com inclusão e respeito pelos direitos autorais.

Quais livros foram marcantes antes de começar a escrever?

Em verdade o primeiro livro que eu abri para ver e não ler, eu tinha três anos de idade. Se não me falha a memória, havia gravuras que não me agradavam. Eu vivia cem anos a frente de uma geração preconceituosa e figuras coloridas não me faziam sorrir.

A ESCRITORA BRANCA TIROLLO

• Fale um pouco sobre sua trajetória literária. Como começou a vida de escritor?

Comecei a escrever antes de ler um livro, exceto os didáticos. Durante os primeiros quatro anos de estudo, eu tive oportunidade de ler muitos livros de poesias de autores consagrados. A leitura era um dever. Decorar e recitar. Ganhava-se nota naquela época e eu só tirava dez. Que maravilha!

Escritora? Nem sei se posso afirmar que sou escritora. Em verdade acho que sou mais filósofa e atriz. Contudo, gosto de escrever. Sinto necessidade de documentar os momentos e as peripécias que a vida nos apresenta. Contudo, sou escritora, mas luto para escrever melhor a cada dia.

• Como é ser leitor e escritor?

Primeiro escrevo, depois leio. As ficções eu faço tornar realidade e documento o antes e o depois. É uma necessidade do meu Ser. Minha mente é uma fábrica de ficções e também sou teimosa. Quero ver para crer. Então, transformo o impossível. Lembra o dia do nosso evento de Posse? Eu tinha escrito na última página do meu primeiro romance. Foi a última ficção escrita neste romance, que ainda não tinha tornado realidade. Eu jamais poderia imaginar que um dia teria o privilégio de ser presidenta de uma Academia de Letras. Não apenas uma Academia. Quando se fala da ALB, podemos dizer que somos uma nação poderosa. Não capitalista, mas uma nação repleta de Humanistas, uma Instituição de ação e não de caprichos. A ALB chegou para confirmar que o meu pensamento jamais fora em vão. Acredito que o espectro do valente Platão andava ao meu redor quando criança, sorrisos!!

• Teve a influência de alguém para começar a escrever?

Como citei só se foi da Ordem de Platão. Maravilha!

• Tem Home Page própria (não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus)?

Muitas páginas. Porém, a falta de tempo não me deixa postar muita coisa. Tenho três sites, uma hospedagem de revenda
http://www.editorabradodasletras.com/
http://www.albpiracicaba.org/
http://www.limaodoce.com/

Também há outros que são subdomínios. Para cada atividade estou criando um site, principalmente o Jornal Cultural Limão Doce, previsto para final do mês de fevereiro. A publicação impressa e virtual.

• Você encontra muitas dificuldades em viver de literatura em um país que está bem longe de ser um apreciador de livros?

Ah! Esta pergunta merece aplausos.
O difícil não é o fato de se ganhar dinheiro com a literatura. Lamentável é você doar-se, doar seu pensamento e suas criações. Desenvolver projetos para uma sociedade desinteressada. Esta é a parte mais dolorosa. A de saber que o fruto do seu trabalho não produz, não criou raízes, não amadureceu para ser saboreado com satisfação. E quando tentamos reclamar aos nossos governantes a falta de apoio, somos ignorados. O descaso que podemos observar fere a alma e chega desencantar qualquer literato.

Nada mais cruel que jogar pérolas aos porcos! Como diz o velho ditado, ou a Bíblia.
Eis uma história real: Num sarau que realizei numa escola, passei uma redação para 80 alunos do colegial. 76 textos sem explicação. Ao ler, uma a uma, não sabia se chorava ou ria. Foi um quadro pálido, realmente. Quadro Pálido foi o tema. Eu me pergunto: O que podemos esperar dos jovens estudantes? Será que a informatização, que tanto se fala e se é aplicada, não se aplica a literatura?

Um jovem que estuda matemática, física, não carece de conhecimento literário? E o ENEM? Como pode ser banida, a Literatura? Volto a repetir. Antigamente aprendíamos a ser patriota e a nossa geração conhece a história, verdadeiramente.

É surpreendente um pais com princípios, onde as leis que nos favorecem foram criadas por força dos movimentos estudantis, hoje nas mãos de pessoas que ignoram a literatura e não apóiam a educação como deveria ser apoiada.

Não acredito que o povo brasileiro não goste de ler. Nem que sejam ignorantes totalmente. O povo brasileiro não teve incentivo à leitura, nem oportunidade para possuir livros. Há mais de 20 anos que o Brasil deixou de formar patriotas.
Meu pai nunca foi a uma escola, mas ele sabia ler e escrever. Ele sabia responder o nome das maiores capitais do mundo. Conhecia as datas dos acontecimentos históricos e muito mais.

O livro no Brasil é caríssimo. Os meios para se chegar até uma editora é lamentável. E o pior: Vende-se muito mais pornografia. A cultura que leva ao precipício. A cultura que incentiva através da TV, tudo o que é de mais perigoso para nossas crianças e nossos jovens.

A maioria dos jovens da época atual não aprecia um filme histórico. Comente sobre: E o vento Levou, Entre o Céu e a Terra, A Vida é Bela. Muitos mais, que marcaram épocas. Eles nos chamam de velhos corocas.

Respondendo a sua pergunta: Eu amo a literatura e sinto não ser conhecedora o quanto deveria. Mas eu vivo dela, pois sem ela, a vida seria um vazio imenso e a natureza não seria contemplada pelos meus olhos. Eu me alimento dela. Só não consigo pagar as minhas contas… Para tanto, preciso trabalhar muitas horas ao dia.

• Como foi que você chegou à poesia?

Acredito que nasci poeta. Só não conhecia a gramática. (sorrisos)

A poesia nada mais é que o retrato da vida de cada um, dos momentos, de uma situação, uma pintura expressa do consciente, da visão, da natureza em todos os sentidos. A Natureza é um poema infinito, recheado de surpresas e pintado de cores impossíveis de serem manipuladas.

Contudo, a poesia muitas vezes aparece como um quadro pálido, sem nexo, sem moldura, sem sentido algum.

Ser poeta não é saber rimar, nem escrever palavras difíceis. Ser poeta é olhar o mundo de cabeça para baixo e conhecer os pontos que nos atinge e os pontos que somos autorizados a tocar. É dar vida a cada palavra escrita, falada, e dessas palavras, saber à hora de agir.

Ação é poesia viva. É a alma das palavras que salvam vidas. Foi assim que cheguei à poesia. Tentando sobre linhas, compor a minha liberdade, que exige do meu próximo, respeito por tudo que tem vida.

SEUS LIVROS

• Como você começou a tomar gosto pela escrita?

Acho que novamente troquei o dia pela noite. Eu era ainda criança. Fazia tranças e varria em baixo dos pés de cafés. Cansada, dormia. Uma velha figueira gemia, que da minha janela se ouvia. Altas madrugadas, de outros dias. No chão havia muitos cacos coloridos, à espera de uma mão que as tocasse.

• Em que se inspirou em seus livros?

No meu próprio Ser, em minha própria vida. Vivência e convivência. Baseado na visão e no sentimento.

• Como definiria seu estilo literário?

Precisamente, filosófico.

• Quais foram os livros escritos por voce?

Viajantes Imaginários (Romance)
Mil Vidas em Meu Pensar (Documentários da minha trajetória como voluntária)
A Magia da Solidão (Poesias diversas)
Eu Conto o Conto que Você Gosta (Comédia)
Arte é Vida (Projetos sociais)
Liberdade! Quero mostrar as Rendas! (Peças de teatro)

Nada é Nosso (Recital)
Brasil no Verso. (Poesias revolucionárias)
Antologias: Antologia de escritores Brasileiros, primeira e segunda edição
Quatro edições do projeto de minha autoria; Escondidos Sob o Luar
Viajantes Imaginários (Roteiro cinematográfico)

• Dentre os livros escritos por voce, qual te chamou mais atenção? E por quê?

Em verdade gosto de todos. A que mais me chama atenção é o último, o roteiro cinematográfico. Acredito que se vir a ser produzido, talvez possa ser censurado. Quiçá! Não por conter cenas proibidas, mas pela verdade dita numa expressão revolucionária.

• Que acha de sua obra?

Um exemplo de patriotismo, liberdade com respeito ao próximo, transparência sobre os casos verídicos, e eficazes naquilo que me propus a fazer. Revolucionárias, a história, mas acima de tudo, um exemplo de vida àqueles que desistem da luta por um empecilho qualquer. A interpretação é a pintura real da vida e o curso natural da morte.

• Qual a sua opinião a respeito da Internet? A seu ver, ela tem contribuído para a difusão do seu trabalho?

A internet é uma faca de dois gumes nas mãos de milhões de pessoas. Muitos a utilizam com respeito e pela necessidade da tecnologia. Acredito ser uma ponte para as buscas mais difíceis e para as realizações. Porém, muitos se apoderaram da conexão virtual para voar além do que é lícito.

Para a difusão do meu trabalho, ela foi um instrumento fiel e compensador. Com a fácil comunicação aumentam-se as expectativas e criam-se oportunidades quase automáticas. Num simples clique podemos falar no outro lado do mundo e obter informações preciosas.

Relacionado à literatura, podemos buscar conhecimento grandioso, mas tratando-se de poesias, crônicas, nota-se muito mais montagens e cópias, do que originais.
A internet levantou defuntos de suas covas e como pode observar, existem pessoas que escrevem mais de 20 textos ao dia, e ainda se permitem postar no texto infra, (direitos autorais reservados)

Criar não é tão fácil assim. Não quando carece conteúdo, principio, meio e fim.
A verdadeira criação chega testemunhar a Palavra de Deus: Deus criou o homem à Sua semelhança.

Uma obra literária nunca cansa o leitor. A leitura torna-se incansável, o sono desaparece e a Paz resplandece em nossos corações quando temos o privilégio da boa leitura.

Existem textos que logo na primeira linha precisamos deixar os óculos e acariciar os cabelos.

CRIAÇÃO LITERÁRIA

• Você precisa ter uma situação psicologicamente muito definida ou já chegou num ponto em que é só fazer um “clic” e a musa pinta de lá de dentro? Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial?

Feldman, meu grande amigo.
Quando eu não tinha acesso ao computador, muito escrevia em papel de pão. Com o tempo, até eles desapareceram e a máquina surgiu à minha frente.

Porém, as melhores criações foram escritas em diferentes situações. Quando o pensamento joga nossos olhos para uma determinada lâmina, somos obrigados a encontrar uma defesa. Temos que assassinar os lamentos e descarregar a bagagem.
Se não agir rápido, desconectamos.

Não importa o ambiente, e sim, a situação. O tempo é inimigo do escritor. Precisamos vencê-lo, dominá-lo, avante na determinação e coragem, pintamos o nosso quadro, enquanto o tempo urge.

Um verdadeiro escritor consegue ultrapassar o tempo e voltar no ponto de partida.
Costumo dizer que o escritor desafia o tempo, de tempo em tempo.

• Você projeta os seus romances? Ou seja, você projeta a ação, você projeta o esquema narrativo antes? Como é que você concebe os romances?

Acredito ser possível projetar um romance, mas acredito também, que a essência só se extrai com a vivência e convivência. O conhecimento de causa , quando documentado, cada palavra escrita tem alma. Poeticamente, o texto segue seu curso.

Eu gosto de projetar para teatro, mas a interpretação é baseada na criação do texto, na vida do personagem, e não na montagem do script.

Para tanto, gosto de viver a situação na maioria das vezes. Nada melhor sentir na pele a própria criação. Chega ser um desafio ao impossível.

Posso criar na minha imaginação e interpretar na realidade, mas se eu não viver, nada será real. Não existirá alma e o tempo se encarregará do esquecimento.

Por tanto, só escrevo baseado na visão e no sentimento. Não somente dos meus, mas de todos os sentimentos alheios que me tocam.

A visão é individual. Eu posso ver o céu nublado num lindo dia de sol ardente, enquanto outros se deslumbram em seus bronzeados.

A minha fatia pode ser menor, mas se dela eu resolver buscar o impossível, posso alcançá-lo na sua dimensão; na limitação do tempo.

• Você acredita que para ser escritor, basta somente exercitar a escrita ou vocação é essencial?

O Dom é algo que não se compra nem se aprende. Só se é um verdadeiro escritor àquele que faz histórias ou delas se ocupa apreciando-as. Há também quem exercita a escrita. Porém, acredito não conseguir passar emoção.

• Como surge o momento de escrever um livro?

Quando a inspiração é mais forte que o desejo. Desejar é algo comum. Inspiração é Dom. Se tentarmos escrever sem inspiração, não passamos mensagem alguma.

• Quanto tempo você leva escrevendo um livro?

Às vezes escrevo no passar de um relâmpago. Muita mais aguarda o retorno de um cometa.

• Como foi o processo de pesquisa para a escrita de seus livros?

Não pesquiso para escrever. Exceto para correção, quando me preparo para publicar o meu trabalho. Como citei no início, eu só escrevo respeitando os meus próprios pensamentos. Uma espécie de Luz própria. Histórias vividas, ilusoriamente ou não.

• No processo de formação do escritor é preciso que ele leia porcaria?

Não acredito ser necessário. Todavia, é sempre bom conhecer os dois lados da moeda, mas essencialmente, conduzir os pensamentos próprios

A LITERATURA

• Mas existe uma constelação de escritores que nos é desconhecida. Para nós, a quem chega apenas o que a mídia divulga, que autores são importantes descobrir?

A escolha é individual. Eu como exemplo, prefiro ler Balzac, Marcos, História da Filosofia e muitos mais, revolucionários em suas épocas, talvez um pouco autoritários, mas de uma filosofia de vida exemplar comparando os tempos modernos.
Observamos muito na época atual, uma escrita totalmente errada e sem nexo. Há exceção. Às vezes encontramos belos textos, escritores que acompanham a época, mas não deixam a gramática esquecida.

Porém, holisticamente, deveríamos divulgar os novos autores. Não no geral, mas selecionando o joio do trigo, para não passarmos informação errada às nossas crianças.
Seria um bom começo para descobrirmos que existem muitos mais “Romeus e Julietas”, do que sonha nossa vã filosofia.

E todos eles merecem nossos aplausos. Lembrando, é importante ficar atento e protestar a escrita destrutiva.

• Em sua opinião, que livro ou livros da literatura da língua portuguesa deveriam ser leitura obrigatória?

Um pequeno livreto com todos os hinos da Pátria que nos acolheu. Também o livro das leis, no momento certo, para a idade adequada.

O livro de Hinos ensinaria a criança a ser patriota e o livro das leis, a respeitar os deveres e direitos, quando adulta. A informação é a fonte para o sucesso e a evolução.

Línguas também é muito importante.

• Qual o papel do escritor na sociedade?

Levar conhecimento através da escrita, mas essencialmente escrever com responsabilidade social. O escritor é uma peça atrativa para diversos gostos. Apenas vive por trás das cortinas. Desperta sentimentos e encanta, mas vive solitário e desencantado. Escreve a lei, mas é condenado por ela. É responsável pela escrita, mas não é dono do papel. Tem direitos autorais, mas não é pago pelo seu valor. Na realidade, o escritor é um escravo sem chance de alforria

• Há lugar para a poesia em nossos tempos?

O Universo é a casa da poesia é o pensamento e o coração do poeta, é atraído por ele. Muitas vezes temos que deixá-la do lado de fora se desejarmos entrar num lugar qualquer. Mas, o verdadeiro poeta é como um espião. Adentra os lugares e a noite e além, a própria imaginação.

PRÊMIOS

• Tem prêmios literários?

Sim. Vários

Honra ao Mérito pelo Trabalho Humanitário Desenvolvido em Prol da Cultura e da Paz – Revista Zap – SP
Philósofa Universal – ALB –
Honra Ao Mérito
Poeta Honoris Causa – Em Língua Portuguesa – CLP- Mg
Humanista Honoris Causa Em Língua Portuguesa CLP- Mg

A MULHER POR TRÁS DA ESCRITORA

• O que a choca hoje em dia?

Saber que há fome, em um país onde o maior tesouro é a água e terra fértil em abundância. E além, a fome devastadora de vidas, que mata constantemente em vários países.

• O que lê hoje?

Estou lendo A história da filosofia (Histoire de la Philosophie – Título do original francês) De Gonzague Truc – Cujo livro iniciou-se a tradução no ano do meu nascimento, 1955 e publicado no Brasil em 1958 nas oficinas gráficas da Livraria do GLOBO S. A. em Porto Alegre

• Você possui algum projeto que pretende ainda desenvolver?

Tenho muitos projetos incubados. Projetos sociais, artísticos, mas há entre eles um que anseio realizar: Produção de um roteiro cinematográfico.
Muitos dos meus projetos estão sendo desenvolvidos na medida do possível. Um deles é o Jornal Cultural Limão Doce, cujo objetivo é o de divulgar as atividades da ALB – CCB e levar informação correta para o cidadão. Também, divulgar a cultura de todos os estados brasileiros.

Um jornal com distribuição gratuita e com tiragem para mais de 20 mil exemplares – 16 e 20 páginas.

• De que forma você vê a cultura popular nos tempos atuais de globalização?

Não acredito inteiramente na globalização. Bom seria se fosse aplicada não somente por interesses políticos, mas em prol a Humanidade de um modo geral.
Os países pobres sempre serão humilhados pelos mais desenvolvidos e nisso, a história não mente.

A cultura popular atrai um público diversificado, pelo simples fato de envolver empresas que produzem ou comercializam produtos de consumo no meio cultural.
A TV, Rádios e Jornais são empresas que atraem a diversidade, através dos trajes, alimentação e outras coisas mais.

Contudo, muitas culturas ainda são perseguidas pelo preconceito. Se aceita apenas àquilo que agrada ou tudo que tange a moral dos bons costumes (Isso na concepção dos mais ignorantes).

No mundo artístico acredito não haver este tipo de preconceito. Todavia, cresce e aparecem, os artistas que estão na mídia de um modo geral, e os mais humildes acabam desistindo ou sofrendo pela falta de espaço e verba.

A cultura popular jamais deverá ser esquecida. Contudo, muitas delas quase não se mais. As festas juninas é um exemplo. Antigamente fechavam quarteirões e mais quarteirões e todos colaboravam e participavam.

Talvez o crescimento da violência tenha cooperado com as questões, precisamente, a cultura. Lembrando, há um desequilíbrio relacionado à cultura, que é a fábrica da violência nos filmes, desenhos animados, informática e outras coisas mais.

Obrigada pela oportunidade. Espero ter cooperado, considerando a frase:
“O pensamento é o único bem concreto que o homem possui”

Um forte abraço

Fonte:
Entrevista concedida a José Feldman, para o Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes.

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