Miguel Marelenquelem (O Conto de Fadas e o Imaginario Infantil)

RESUMO: Este artigo apresenta uma pesquisa em andamento, que questiona a preocupação do corpo docente em buscar um sentido didático para a utilização da literatura em sala de aula, não levando em consideração a importância dos contos de fadas para a construção do imaginário infantil. O estudo é baseado em autores como Bruno Bettelheim e Nelly Novaes Coelho, que tratam de contos de fadas cada autor, em uma área específica: psicanalítica e literária, e outros autores como, por exemplo, Gianni Rodari e Marcel Postic, que tratam do imaginário. O objetivo desse trabalho é observar a influência dos contos de fadas no imaginário infantil. Acredita-se que o contato com os contos de fadas possibilitará a criança o ensaio de vários papéis sociais, proporcionando a construção de uma personalidade sadia, bem como, promover a socialização, a troca de experiência e uma maior inserção no grupo social.

INTRODUÇÂO

Acredita-se cada vez mais na importância e na influência dos contos de fada, no desenvolvimento do imaginário infantil.

Ouvir e contar histórias é fundamental para o desenvolvimento da identidade da criança, pois através dos contos ela tem a possibilidade de ensaiar seus papéis na sociedade, adaptando-se a situações reais e colocando-se dentro da história, como também desencadeia idéias, opiniões, sentimentos e criatividade, antecipando situações que a criança só iria experimentar na vida adulta.

Objetivamos neste projeto demonstrar que os contos de fadas proporcionam desenvolvimento da imaginação, socialização em grupo, percepção de mundo, e na construção da identidade e autonomia da criança.

O CONTO DE FADAS

Os contos de fadas têm origem Celta, e surgiram como poemas que revelaram amores eternos, ou estranhos e até mesmo fatais. A princípio estes poemas eram independentes, mais tarde foram integrados como um ciclo novelesco, idealista, preocupado com os valores humanos. Historicamente, os contos clássicos nasceram na França no século XVII, na corte do rei Luís XIV e pela mão de Charles Perrault, inicialmente para falar aos adultos. Mas foram encontrados por estudiosos, fontes antes do nascimento de Cristo eram estas orientais e célticas, que a partir da Idade Média foram conhecidas por fontes européias.

Hoje em pleno século XXI os contos maravilhosos ainda têm algo a nos dizer? Com certeza! “o que nelas parece apenas infantil, divertido ou absurdo, na verdade carrega uma significativa herança de sentidos ocultos e essenciais para a nossa vida” NELLY (1987: 09). Em nossa sociedade os contos de fadas ganharam um nova roupagem indo além do prazer da leitura, pois com a “descoberta” de sua importância simbólica, do lúdico, da imaginação e da fantasia proporcionamos a construção de uma personalidade sadia na criança.

Além dos tradicionais contos de fadas, encontramos autores que se apropriam dos personagens ou situações dos contos de fadas, para recriarem novos textos simbólicos, como: “O menino e o Lobo”, “A fada que tinha idéias”, “A fada desencantada”, “A verdadeira história dos três porquinhos”, “Chapeuzinho amarelo”, entre muitas outras.

Segundo Nelly apund Câmara Cascudo, o conto popular maravilhoso é justamente o mais amplo e mais expressivo, pois ele nos traz informações históricas, etnográficas, sociológicas, e jurídicas. É um documento vivo, mostrando costumes, idéias, decisões e julgamentos da Humanidade em um determinado momento histórico. Para todos nós é o primeiro “leite intelectual”, os primeiros heróis, as primeiras cismas, os primeiros sonhos, os movimentos de solidariedade, amor, ódio, e compaixão vêm com as histórias fabulosas, ouvidas na infância.

De acordo com Khéde, os contos de fadas surgiram como forma de produção e organização social pré-capitalista. Eles representam em seus personagens valores burgueses que surgiram e se consolidaram entre os séculos XVII e XIX.

O Gato de Botas é o pícaro, pois tira proveito da corrupção social. O Pequeno Polegar, é o anão astuto que vence gigantes bobos. Perraut, também utiliza em seus contos o confronto dualista entre bons e maus, feios e belos, fracos e fortes, como exercício de crítica a corte, onde personagens pobres superam a nobreza com sua inteligência. “A presença da fada unívoca do narrador nos contos de fadas sugere um modelo fechado de narrativa que, por sua vez, reproduz uma realidade sociocultural também fechada. Mas eles apresentam o confronto entre, geralmente, duas posições: A dos que dominam, e a dos são dominados” (KHÉDE, 1990:19). Os contos de fadas são caracterizados por um único traço, e quando este é muito repetido, faz com que surja um esteriótipo, onde a bruxa será sempre um personagem maravilhoso, a serviço do mal; a fada sempre bondosa; o sapo vai virar príncipe; os gênios ora são bons ora maus (os magos são de origem pagã e exibem sabedoria); reis e rainhas, podem usar seus poderes tanto para o bem, quanto para o mal, reproduzindo sempre valores clássicos, significam a fantasia do poder e os conflitos dos relacionamentos interpessoais; príncipes e princesas, estão ligados a aventuras, e são transgressores. A princesa é caracterizada por sua função social ligado ao cuidar da casa e da família, são bonitas, honestas, e piedosas, e por isso merecem como prêmio seu príncipe encantado.

O Pinóquio, o qual podemos comparar como a volta do filho pródigo sustentado pela Bíblia. A história possui forte cunho moralista e Pinóquio alterna situações de infração, punição e salvação. Como prêmio pelo seu bom coração acaba transformado em um menino de verdade, perdoando-o as estrepolias do passado, e ao mesmo tempo ganha bens materiais como um quarto bem equipado, e também recupera a saúde de seu pai. “Os contos, representam valores que se cruzaram através de ciclos históricos, assim, podem significar ritmos de iniciação, símbolos tatômicos e a luta mítica entre forças da natureza” (KHÉDE, 1990:24).

Os personagens maravilhosos seguem inúmeras funções, tanto dentro da narrativa eminentemente lúdica, quanto à de denúncia social. As soluções maravilhosas são hoje questionadas por sociólogos, lembrando o estímulo à alienação provocada por resoluções mágicas, que são defendidas pela psicanálise mostrando a possibilidade de resoluções de problemas reais, através da representação simbólica. A criança aparece pouco, ou simbolizando o bom sendo e a inteligência, ou aparece como vítima da autoridade familiar.

OS IRMÃOS GRIMM

Na pesquisa prática com as crianças, foi utilizado as Obras dos Irmão Grimm.

A Família GRIMM, de Hanau, na Alemanha, teve o privilégio de dar ao mundo três nomes ilustres no terreno das Letras e das Artes. Contudo, como “Irmãos Grimm”, são mais conhecidos os dois mais velhos, Jakob Ludwig Karl e Wilhelm Karl, ambos filólogos e colecionadores de histórias populares.

Com o Irmão, fez preciosas pesquisas no campo da tradição popular, anotando ambos, diretamente da boca do povo humilde, histórias, lendas, superstições e fábulas da velha germânia. Wilhelm Karl, com estudos acurados nesse setor, fez-se o precursor da moderna ciência do folclore.

As histórias recolhidas pelos Irmãos Grimm, que tem na fantasia e no sobrenatural seus elementos constitutivos, são conhecidas de todo o mundo civilizado, e apoiam-se em recontos da antiguidade ou da Idade Média. Muito se fala numa senhora Katheri Wiehmann, esposa de um alfaiate, que com sua memória extraordinária, transmitiu aos dois curiosos das tradições germânicas um verdadeiro tesouro de sagas.

Tais sagas foram levadas ao livro através da pena de Wilhelm Karl, e vieram dar a coleção de histórias que de gerações a gerações foi se repetindo, e apresentadas sob formas diversas e atribuídas a autores diversos, encontrando traduções e adaptações mais ou menos livres em todos os recantos do mundo.

A LEITURA DOS IRMÂOS GRIMM HOJE

Hoje, discute-se a conveniência de fornecer a crianças essas leitura relacionada com o mundo fabuloso da imaginação, histórias em que se mesclam fatos cruéis, criaturas fantásticas, bem como animais encantados, heróis impossíveis, madrastas perversas. Fala-se, ainda, na incongruência de dar à infância desta época, essencialmente científica e informatizada, histórias que se ajustariam, talvez, à cultura medieval, mas não tem razão de ser na nossa época.

Ora, acreditamos que a necessidade do maravilhoso se conserva latente, é positiva nas criaturas, mesmo naquelas que já se despediram da quadra efêmera em que se vê o mundo do nível dos olhos infantis. O dragão de goela chamejante de ontem, é tão excitante para a imaginação alerta de uma criança quanto a nave espacial de hoje, cuspindo fogo em busca de mundos inexplorados. E, no fundo do coração, todos desejaríamos dispor de um fada madrinha que nos cobrisse de dons, ou de uma vara de condão que nos permitisse atravessar sem medo as florestas sombrias, latejantes de mistérios e avejões, que surgem no caminho de nossas vidas, por muito prosaicas que elas sejam.

O DESENHO DA CRIANÇA

“Se a literatura infantil se destina a crianças e se acredita na qualidade dos desenhos como elemento a mais para reforçar a história e a atração que o livro pode exercer sobre os pequenos leitores, fica patente a importância da obra infantil. É o caso, por exemplo, da ilustração”. (LAJOLO, 1991: 13)

Nessa pesquisa, o desenho é uma fonte fundamental para compreendermos como os contos de fadas influenciam no Imaginário Infantil. Portanto, faz-se necessário, fazermos uma pequena abordagem sobre o tema, a fim de conhecermos de maneira mais apropriada, este foco de estudo.

No livro “O Desenho Infantil”, escrito por MEREDIEU e traduzido por LORENCI, coloca o desenho como sendo uma expressão da personalidade, “As análises infantis demonstram sempre que por detrás do desenho, da pintura e da fotografia, escondeu-se uma atividade inconsciente muito mais profunda: trata-se da procriação e da produção no inconsciente do objeto representado”. Cada traço, cor, forma, pressão do lápis, tem um significado específico na interpretação do desenho. Para analisarmos o desenho temos três principais aspectos:

1. A maneira como a criança utiliza as linhas e formas. As linhas curvas e sinuosas nos indivíduos sensíveis e temerosos; ângulos retos, linhas firmes, nos opositores e nos realistas. (CARDOSO e VALSASSINA, completam sua idéia dizendo que as crianças realistas, por vezes agressivas tendem a desenhar linhas retas, as crianças sensíveis, imaginativas, com pouca confiança, tendem a desenhar linhas curvas, e linhas em zigue – zague, representam sinais de instabilidade).

2. O modo de distribuição do espaço-localização dos personagens. A terça parte superior, representa o ideal; a terça parte média, representa o sentido da realidade; a terça parte, inferior, representa as pulsões inconscientes. Vale lembrar que segundo o autor, a criança tímida desenha-se pequenina no centro da página, enquanto a instável preenche toda a superfície como traços nervosos.

3. Escolha da cor. A ausência de cor pode ser considerada como a marca de “vazio afetivo”, sua integração harmoniosa” ao desenho mostraria, pelo contrário, um bom equilíbrio. O emprego das cores puras: vermelho, amarelo e azul, e das tonalidades firmes seria um bom sinal até seis anos. Além daí, a utilização abusiva do vermelho traria a agressividade, a ausência de qualquer controle emocional. A frequência do tons escuros preto e marrom, e sujos amarelo e castanho, indicam uma má adaptação e denuncia num estado de regressão.

Vale lembrar que CARDOSO e VALSASSINA, afirmam que “a escolha da cor é feita segundo a sua sensibilidade e descobertas de momento”. (1988:86), citando Ebenezer Looke, 1985, complementa “Tão profundamente interessada está a criança pela cor que nenhum ensino de desenho adaptado à natureza Infantil poderá excluí-la” (1988:84).

Segundo CARDOSO, Camilo e VALSASSINA, Manuela M., apud Duquet, “a criança quando desenha reproduz o seu modelo interno e ainda as impressões que vive através dos traços a formas que executa, fase que esse autor denominou de realismo intelectual” (1988:82)

É importante destacar que quando a criança desenha, ela desenha para alguém, com alguma finalidade, esteja essa pessoa presente ou não, o objetivo claro ou não. A criança espera uma troca, uma resposta deste pessoa. A criança pinta para se exprimir, ainda segundo o autor “a criança é criadora duma expressão viva porque, dotada de faculdades que no adulto vão estar mutiladas, ela representa a sua maneira o mundo que vive (…) A criança não transmite recordações visuais, antes traduz plasticamente as sensações e os pensamentos” (1988:69).

O desenho é o “palco” para onde caminham a observação da criança, guiado pela sua memória aliado a sua imaginação. Através do desenho a criança tem a possibilidade de desenvolver toda sua motricidade, como é de conhecimento geral, e também o seu cognitivo, pois traz a luz da imagem que representa no papel, suas recordações já há muito tempo guardadas. Com a mesma facilidade que recorda seu passado a criança também imagina o futuro, criando personagem, e situações, em busca do novo. Afirma DERDYK, Edith “A memória evoca fatos vividos, a imaginação projeta no futuro desejos de conquista. E o presente é a materialização desses instantes, é a ponte de comunicação entre o que já foi e o que será. O desenho vai registrando, em seu processo de trabalho, o mapa da ampliação da consciência” (1989:130).

A capacidade de imaginação, é fundamental para a construção do conhecimento. Ela é o eixo norteador entre o desenho, e a criança. Continua DERDYK, “Imaginar é projetar, é antever, é a mobilização interior orientada para determinada finalidade antes mesmo de existir a situação concreta. A imaginação possui uma natureza visionário, detectando a intencionalidade contida na ação humana” (1989:131).

O IMAGINÁRIO INFANTIL

O imaginário da criança pode ser comparado a um rio, quando jogamos uma pedra no rio, ondas circulares se formam ao redor e vão se movimentando e atingindo correntes de águas cada vez mais longe. A pedra ao mergulhar vai assustando peixes, atraindo curiosos, e mudando a rotina do local, mesmo que por pouco tempo.

Uma criança ao ouvir contos de fadas, transforma a pedra em cada uma das palavras que lhe são contadas, trazendo lembranças, sonhos, desejos, personagens, dúvidas, medos e associações.

Marcel Postic (1993:19) apund Gurvitch, 1996, coloca-nos que imaginar não é só pensar, não significa apenas relacionar fatos, e analisar situações, tirando-lhe significados. “imaginar é penetrar, explorar fatos dos quais se retira uma visão. Esta só poderá ser comunicada ao outro através de símbolos, que provocam harmônicos e estabelecem a comunhão. O símbolo age como mediador para revelar ocultando, ocultar revelando, e ao mesmo tempo incitar à participação que, embora com impedimentos e obstáculos, fica favorecida”.

Gianni Rodari (1982:142), apund Dewey, apresenta nos a função da imaginação: “A função da própria imaginação é a visão de realidades e possibilidades que não se mostram nas condições normais da percepção visível. Seu objetivos é penetrar claramente no remoto, no ausente, no obscuro. Não só a história, a literatura, a geografia, e a aritmética, contém uma quantidade de argumentos sobre os pais a imaginação deve operar, para que possam ser compreendidos” e completa; “A função criativa da imaginação pertence ao homem comum, ao cientista, ao técnico, é essencial para descobertas científicas bem como para o nascimento da obra de arte, é realmente condição necessária da vida cotidiana”.

No conto, o símbolo pode ser um personagem, que irá enriquecer a identidade da criança, porque ela ira experimentar outras formas, de ser e de pensar, possibilitando a ampliação de suas concepções sobre o meio, pois no faz de conta a criança desempenha vários papéis sociais, e aprende com eles, acreditamos que ela os imita para compreendê-los.

Quando a criança entra no “mundo” da fantasia e da imaginação de um conto de fadas, ela elabora hipóteses para a resolução de seus problemas e toma atitudes do adulto indo além daquelas de sua experiência cotidiana, buscando alternativas para transformar a realidade. No faz de conta, seus desejos podem facilmente ser realizados e quantas vezes a criança desejar, criando e recriando situações que ajudam a satisfazer alguma necessidade presente em seu interior. Bettlheim, afirma que a criança precisa compreender seu inconsciente, para poder dominar seus problemas psicológicos de crescimento, superar suas decepções narcisistas, dilemas édipicos, ser capaz de abandonar dependências infantis, obtendo um sentimento de individualidade e valorizando-se.

Segundo POSTIC “ O pensamento progride de forma linear. A imaginação se processa em espiral, por alargamento de seu espaço. Ela não se dirige para níveis mais diferenciados, mais especializados, estende-se por extensão e por conquista de novos territórios” (1993:19).

Vygotsky, contribui com seus estudos do brincar, afirmando que ele irá permitir que a criança aprenda e elaborar e resolver situações conflitantes que vivencia ou vivenciará no seu cotidiano. Para isso a criança usará suas capacidades básicas como a observação, imitação e imaginação.

Segundo Gianni Rodari (1982:139), “Germes da imaginação criativa, reforça Vygotski, manifestam-se nas brincadeiras dos animais: assim manifestam-se ainda mais na vida infantil. A brincadeira, o jogo não é uma simples recordação de impressões vividas, mas uma reelaboração criativa delas, um processo através do qual a criança combina entre si os dados de experiência no sentido de construir uma nova realidade, correspondente às suas curiosidades e necessidades”.

Quando Vygotsky discute o papel do brinquedo refere-se especificamente à brincadeira do faz de conta, como o brincar de casinha, de escolinha, de cavalo com o cabo da vassoura, entre outras. Faço relação com Vygotsky, porque o faz de conta, do conto de fadas é também um jogo lúdico, e faz parte do brincar. As crianças amadurecem por intermédio de suas próprias brincadeiras e das invenções das brincadeiras de outras crianças e adultos. No princípio suas imitações poderão ser simples, de acordo com a idade, e a experiência de vida de cada criança, mas com o passar do tempo, (e com o desenvolvimento das atividades programadas), o faz de conta da criança fica mais elaborado.

Para Vygotsky, ao reproduzir o comportamento social do adulto em seus jogos, a criança esta combinando situações reais com elementos de sua ação fantasiosa. Esta fantasia surge da necessidade da criança de reproduzir o cotidiano da vida do adulto da qual ela ainda não pode participar como gostaria. Contudo, esta elaboração no faz de conta necessita de conhecimentos prévios do mundo que a cerca, portanto, quanto mais rica forem suas experiências, mais informações a criança irá dispor para materializar em seus jogos lúdicos.

A brincadeira e o faz de conta criam a Zona de Desenvolvimento Proximal na criança, que através da mediação de colegas, família, e educadores, a criança irá passar para o desenvolvimento potencial. No faz de conta, a criança passa a dirigir seu comportamento pelo mundo imaginário, isto é, o pensamento está separado dos objetos e a ação surge das idéias.

Assim do ponto de vista do desenvolvimento, o jogo do faz de conta pode ser considerado um meio para desenvolver o pensamento abstrato, em que a imaginação é uma ação, sendo ela concreta ou não, mas acima de tudo é algo em permanente amadurecimento, e não uma coisa, “A imaginação da criança, estimulada a inventar palavras, aplicará seus instrumentos sobre os traços da experiência que provocarão sua intervenção criativa”. Valotto (1997:19), fala nos sobre o contato com as histórias, sendo que elas não somente ampliam o horizonte cultural das crianças, e promovem seu enriquecimento lingüístico e literário, mas também colocam em doação, a disponibilidade do contador, contemplando a equilibrada formação das crianças em sua relação com eles mesmos e com o mundo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo como base os objetivos deste projeto:

Possibilitar as crianças o contato com a Literatura Infantil, através dos contos de fada;
Promover o desenvolvimento da imaginação, da criação, e da percepção de mundo, a partir das possíveis interpretações dos contos de fada.; e
observar através da aplicação do trabalho a importância que é dada aos contos de fadas na escola. É possível definir alguns parâmetros:

Na escola pública, existem trabalhos isolados que valorizam a literatura infantil, mas em sua maioria todos a utilizam para fins didáticos. No centro de Educação Infantil, existe uma preocupação do corpo docente em valorizar o imaginário da criança, bem como suas demais potencialidades.

Percebemos que em ambas as instituições as crianças participam das atividades, e demonstram através de textos, desenhos, dramatizações, gestos, e conversas suas angústias, alegrias, vontades e dúvidas ao colocarem-se no lugar dos personagens, vivenciando momentos do seu cotidiano.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO:

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas.15.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.
CARDOSO, Camilo.VALSASSINA,Manuela. Arte Infantil. Linguagem Plástica. 2ed. Lisboa: Presença, 1988.
CHAUI, Marilena. Convite a Filosofia. 8 ed. São Paulo: Ática, 1997.
LAJOLO, Marisa, ZILBERMAN, Regina. Literatura Infantil Brasileira – Histórias e Histórias. 5 ed. São Paulo: Ática,1.991.
NOVAES, Nelly. Coelho Literatura Infantil. 7.ed.Ed. São Paulo: Moderna, 2.000.
______* O Conto de Fadas. São Paulo: Ática, 1987.
PAULINO, Graça. O Jogo do Livro Infantil. Textos Selecionados para Formação de Professores .Belo Horizonte: Dimensão, 1.997.
POSTIC, Marcel. O imaginário na Relação Pedagógica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993.
RODARI, Gianni. Gramática da Fantasia. 8 ed. São Paulo: Summus, 1982.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A Formação Social da mente. 6 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

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