Montes Claros (MG) Poético


Alfredo Marques Vianna de Góes

Nasceu em Montes Claros, em 23.11.1908. Terminou seus estudos de segundo grau em Curvelo (MG) , onde viveu toda a sua juventude. Mudou-se para Belo Horizonte em 1935, onde fez o curso de Direito. Cronista e poeta, foi intensa a sua colaboração na imprensa mineira. Durante mais de dez anos foi o presidente da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais.

AD IMORTALITATEM

Sinto a saudade vã de recôndita era…
De um mundo onde, talvez, eu já vivi outrora.
E sei, por intuição que a morte não supera
A vida, que transcende o espaço e o tempo em fora…
A vida é como o tempo: uma emoção de espera…
Se acaso vem, depois da noite vem a aurora.
Se um ser morre, ressurge, alhures, noutra esfera…
E assim como expirou, renasce e revigora.
Então, noutro avatar, em nova natureza
Revive, ama e, no amor, realiza a humanidade.
E a vida continua além da flama acesa
Do milagre vital, da entidade criada,
Por ser eterno o ser, essência e atividade
Do próprio Deus que anima a gênese do Nada.
================================
Cândido Canela

Nasceu em Montes Claros(MG), aos 22 de agosto de 1910. Tabelião do 1º Ofício, Vereador à Câmara Municipal de Montes Claros por vários mandatos. Humorista satírico, inspirado trovador, publicou LÍRICA E HUMOR DO SERTÃO e REBENTA BOI. Membro da Academia Montesclarense de Letras.

SAUDADE
Saudade – recordação,
de tudo quanto ficou
bem fundo, no coração
do velho que muito amou.
Saudade – sorriso e dor,
pranto dos olhos que rola,
saudade – prece de amor
passado que nos consola.
Saudade – nosso presente,
relembrando os nossos fados,
saudade – sabor ardente
de antigos beijos trocados.
Saudade – luar de prata,
festivos saraus de outrora,
saudade – mulher ingrata,
que a gente reclama e chora.
Saudade – infância passada,
juventude que se foi.
terno canto à madrugada
de um velho carro-de-boi.
Saudade – perfume estranho
de uma flor já ressequida
entre as páginas de antanho
dos livro de nossa vida.
Saudade – corpo ainda leve,
sorrisos abertos e francos,
saudade- flocos de neve
dos nossos cabelos brancos.
Saudades, enfim, são das dores
da velhice, atroz , arfante,
ouvindo trovas de amores
da mocidade distante.

===================
Corbiniano R. Aquino


Nasceu em Januária – MG, em 8.8.1915. Metade de sua infância viveu em Avaí (SP). Residiu por alguns anos em Belo Horizonte, de lá retornando à sua cidade natal. Seis anos após transferiu-se com a família para Montes Claros. Graduado em Direito, em 1964, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Industrial e comerciante, professor de contabilidade. Em Januária, presidiu a Associação Comercial e fundou “A Tribuna de Januária” dirigindo-a por seis anos. Em Montes Claros, foi presidente da Associação Comercial e Industrial e o primeiro dirigente do Mobral, com Diploma de Reconhecimento entregue pelo ministro Mário Henrique Simonsen.

Romances publicados:
Aconteceu em Serra Azul e Aconteceu…

MÃE
Sonhei vê-la chegando
bem juntinho de mim!
Quisera não ter acordado
para este sonho não ter fim…
Colhi rosas da minha mãe
para a minha vida inteira,
hoje o que mais desejo
é rever minha roseira.
Esta roseira bem se parece
uma planta, tal e qual,
porém ela, como uma prece,
fez um ato adicional!
Mãe é um sorriso de DEUS
nos sofrimentos do mundo,
é paz nos desatinos
e nos dissabores profundos.
À minha mãe querida,
do fundo d’alma revelo,
se hoje a tivesse comigo
redobrada meu desvelo!
Sim, minha mãezinha,
só depois, reconhecemos
o que, então, nós tínhamos
e o que após nós perdemos!…
============================
Geraldo Freire

Nasceu em Montes Claros (MG), aos 4 de julho de 1910. Professor secundário e jornalista, hábil desenhista e tipógrafo. Durante muitos anos foi Inspetor do Ensino Primário Municipal. Em 1957 publicou “Fontes de Suspiros”(poesias). Foi membro da Academia Montesclarense de Letras.

RETORNO À MINHA ALEGRIA
Meus braços estão vazios do teu corpo…
Minh’alma está ausente da tua alma…
E aqui dentro tão frio,
Tão frio,
Que chego a tremer neste vazio!
Vem!
Há torrentes de lágrimas rolando
Pelos longos caminhos de minha solidão.
E há corvos grasnando
Nos misteriosos escaninhos do meu coração!
Vem ! Caminha!
E, em vindo, então,
Eu sentirei toda a pujança do meu verso…
Afastarei toda a angústia do Universo…
– No momento exato em que tu fores minha !
====================
João Valle Maurício

Nasceu em Montes Claros(MG), em 26 de abril de 1922. Diplomado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte em 1946 com especialização em Cardiologia. Reitor da Fundação Norte Mineira de Ensino Superior. Secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais. Membro da Academia Municipalista de Minas Gerais, da Academia Mineira de Letras e ex-presidente da Academia Montesclarense de Letras. Diversos livros publicados “GROTÃÒ, TAIPOCA, PÁSSARO NA TEMPESTADE, entre muitos outros.

MUNDO VAZIO
Palavras vazias
Num mundo vazio.
Palavras
Clamando justiça,
Rogando perdão,
Chorando sem fé.
Palavras
Pedindo amor,
Esperando
Orando
Compreensão.
Palavras
Voando confusas;
Alucinadas
Em multidão.
Palavras vazias
Num mundo sem formas,
Sem perfume
Sem beleza,
Sem calor…
Mundo que segue
Sempre girando,
Sempre perdido
Eternamente envolvido,
Em nebulosa de dor.,
Palavras sem formas
Em todas as línguas
Em todas as bocas
Em todas as cores.
E os homens falando
Sempre falando.
E ninguém escutando.
O som das palavras
Não tem ressonância
É Babel de mensagens
Ganhando distância
Voando sem eco
Pelo mundo afora.
E os homens perdidos,
Sofridos,
Desesperados, angustiados,
Falando, sempre falando
E o mundo girando,
Sempre girando,
Sempre mais frio.
Palavras sem formas
Num mundo vazio!
BARRO
Eu queria ter mão imensa,
imensa de força e de amor,
mão mais forte ( com licença)
do que a mão do Criador.
Então, com esta mão,
possuída de piedade
e de puro anseio- paz,
apanharia a humanidade,
carinhosamente,
cuidadosamente,
e a tornaria
barro
novamente…
=====================================
Luiz de Paula Ferreira

Nasceu em Várzea da Palma (MG). Cursos de Contabilidade e Direito. Participou de inúmeras empresas em Montes Claros. Diretor da COTEMINAS S/A e da COTENOR S/A. Foi Vice-prefeito de Montes Claros, Deputado Federal , Governador do Distrito 452 do Rotary International.

MEUS VERSOS
Os versos que eu canto,
Essas rimas que falam de alegrias e pranto,
Eu os faço assim como quem, na viagem,
Não encara o destino, só contempla a paisagem,
Esquecido, talvez, de que pisas em espinho.
E assim vou seguindo a olhar os caminhos…
CONFORTAMENTO
Nos caminhos da vida
Há sempre uma flor, que nasce e viceja
Ao alcance da mão, mais humilde que seja,
Para ser colhida.
OLHAI OS CAMINHOS
Volvei o vosso olhar,
Não vos percais nos longes, que longe é o deserto,
O mistério, é a dúvida. Olhai manso e de perto.
A felicidade que buscais na vida
Pode estar junto a vós, nos caminhos perdida,
E esperar.
=============================
Luíza Otany Barbosa

Natural de Montes Claros (MG), onde fez cursos de Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Norte de Minas e de Literatura Francesa pela Aliança Francesa de Montes Claros. Tem também vários cursos de aperfeiçoamento em Literaturas Brasileira e Francesa. Sócia da Academia Montesclarense de Letras.

CANTIGA
Florinha mimosa,
tão linda é a mensagem
que expões !
Florinha de orvalho,
tão grande é o exemplo
que dás!
Florinha de nuvem,
tão puro é o azul
que ofereces!
Florinha de brisa,
tão grande é o perfume
que emanas!
Florinha do campo,
tão rico é o silêncio
que falas !
Florinha de tule,
tão leve é a corola
que ostentas!
Florinha de amor,
tão nada é a guerra
que enfrentas!
Florinha ditosa,
tão curta é a vida
que tens!
===========================
Maria Luíza Silveira Teles

Nasceu em Belo Horizonte (MG) a 4 de maio de 1943. Licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Norte de Minas. Diplomas de Lower Cambridge, Técnicas de Ensino, Diagnose e Prognose em Educação, Psicologia Comportamental do Adolescente. Professora da UNIMONTES. Publicou, entre muitos livros, UMA INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO, O ALFA E ÔMEGA e AS SETE PONTES.

PROMESSA
Quisera poder ficar
e repousar em ti,
pois meus pés sangram
e o cansaço me domina,
mas o mundo me chama ainda.
É preciso que eu ande
por todos os caminhos
e que derrame todo o orvalho
de meu coração.
É preciso que eu navegue
por todos os mares
e conheça todos os portos.
É preciso que eu veja
a Face de Deus
no rosto de todos os homens.
É preciso que eu vá com os ventos
e cante meu hino
por todos os cantos
se volte, dep0ois, com a chuva,
pr’a fertilizar
a terra do teu espírito!
============================
Olyntho da Silveira

Nasceu em Brejo das Almas (MG), em 25.08.1909. Foi fazendeiro, comerciante, funcionário público, delegado de polícia, vice-prefeito. Publicou: CANTOS E DESENCANTOS, MINHA TERRA E A NOSSA HISTóRIA, PORTAIS VERSIFICADOS, FRANCISCO SÁ NAS SUAS ORGIENS: O VELHO BREJO DAS ALMAS, CINQUENTÃO e, juntamente com sua esposa Yvonne de Oliveira Silveira, BREJO DAS ALMAS. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e da Academia Montesclarense de Letras, de que foi presidente.

MARIA LUÍSA
É por você que ainda estou aqui
a padecer dos meus, incompreensões.
Antes, não a queria, e quando a vi,
Joguei por terra as minhas convicções.
Você me trouxe novas ilusões
e, no seu nome, a Mãe eu revivi.
Entre nós dois não há nenhuns senões
E, reforçado, o coração senti.
Você começa a sua Primavera,
enquanto o meu Outono está no fim
e aproveitá-la mais eu bem quisera.
Mas mesmo assim bendigo a sua vinda,
Pois que você é o Universo em mim,
na pouca vida que me resta ainda.
===========================
Patrício Guerra

Nasceu a 17 de março de 1896, no Arraial de Piedade, Licínio de Almeida (BA). Em 1917 começou a faina literária com intensa colaboração em vários jornaisx da Bahia e de Minas Gerais. Escreveu dramas, poemas, comédias, com predileção pela poesia lírica. Publicou FOLHAS DE OUTONO e FLORILÉGIO MARIANO. Foi membro ativo da Academia Montesclarense de Letras.

TRIBUTO
Dentre os muitos sonetos que hei composto
Nem um apenas trata de mulheres,
De rosas bogaris ou mal-me-queres,
De ebúrneo colo ou de moreno rosto.
Hoje, entretanto, com supremo gosto,
Na mais perfeita imitação de Ceres,
Canto as Lucys, as Sílvias, as Esteres
Na emotiva saudade de um sol posto.
Antes que chegue no meu último porto,
Com todo zelo que o amor requer,
As flores orvalhadas do meu horto
Dedicarei ao culto da mulher,
Pois não quero voltar depois de morto
A dar trabalho ao Chico Xavier
=================================
Wanderlino Arruda

Mineiro de São João do Paraíso (MG), residente em Montes Claros. Tem cursos de Contabilidade, Letras e Direito, com pós-graduação em Lingüística, Semântica e Literatura Brasileira. Em Montes Claros, foi presidente de diversas instituições: Câmara Municipal, Sindicato dos Bancários, Centro Espírita Canacy, Conselho Regional Espírita, Departamento de Letras da Unimontes, Elos Clube, Esperanto-Klubo, Academia Montesclarense de Letras e Rotary Club de Montes Claros-Norte. Foi Diretor Internacional do Elos da Comunidade Lusíada, Secretário Municipal de Cultura e governador no Rotary International. Professor de Português, Lingüística e Oratória na Unimontes. Pintor, poeta e cronista. Publicou ” Tempos de Montes Claros”, ” Jornal de Domingo” e ” O dia em Chiquinho sumiu”. É sócio de três academias: Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil (Rio de Janeiro), Municipalista de Letras de Minas Gerais (Belo Horizonte) e Montesclarense de Letras (Montes Claros). Como rotarianos é sócio honorário de diversos Rotary Clubs em Belo Horizonte e Montes Claros. Tem medalhas de “Benfeitor da Fundação Rotária” e “Companheiro Paul Harris”. Em 1995 recebeu os dois troféus do Rotary International destinados ao Brasil.

A BRISA ME TRAZ PERFUME
A brisa que passa
e envolve teu rosto,
a brisa que voa
e sorri em teus cabelos
é brisa de muito amor.
Ajuda a iluminar tua beleza,
Mais do que tudo.
Adoro o encanto da brisa
porque faz parte da vida,
é muito da minha alegria.
A brisa que passa
e que te faz carinhos
me dá lindo sentimento de amor,
me dá contentamento
de participar da Natureza.
Porque a brisa te faz mais linda,
dela não tenho ciúmes.
Porque a brisa me traz perfume,
Dela me aproximo,
Aproximando-me de ti.
Realidade do ser feliz,
ajuda-me a viver
ajuda-me a te sentir, minha querida.
================================-
Yvonne de Oliveira Silveira

Nasceu em Montes Claros em 30.12.1914. Licenciada em Letras pela UNIMONTES. Professora aposentada de Teoria da Literatura, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Norte de Minas. Publicou, em parceria com seu marido , Olyntho Silveira, o livro BREJO DAS ALMAS. E em parceria com Maria José Colares Moreira, o livro MONTES CLAROS DE ONTEM E DE HOJE. Jornalista, cronista, poetisa, pertence à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. É a presidente da Academia Montesclarense de Letras por sucessivos mandatos.

LINDA MENTIRA
Cristalização de sonhos
nas noites insones:
os braços vazios embalam o corpo
translúcidos e belo do meu menino.
Cresce no tempo o sonho inútil.
e cresce o menino.
Imagens passam móveis , voláteis:
um ser perfeito se desenvolvendo
nos dias falsos
da vida mítica,
alma de anjo, carne de santo.-
– Não fora de sonho o meu menino!
Amores de moças,
invejas de moços,
garbosa avança o meu rapaz,
segue o destino que eu mesma fiz,
sempre vencendo,
nunca perdendo,
Alma de anjo, carne de herói.
– Não fora de sonho o meu rapaz !
Ah, imagens que passais
pelos caminhos dos meus sonhos!
imagens do desejado
inutilmente esperado.
O tempo derrubou os meus castelos.
A árvore morre sem frutos,
vendo a fúlgida visão fugir
no quebranto da vida.
===============================
Zoraide Guerra David

Natural de Mortugaba (BA). Graduação em Geografia pela UNIMONTES. Professora por muitos anos. Diretora do Centro de Educação e Cultura Hermes de Paula, é sócia benemérita da Associação dos Repentistas do Norte de Minas. Secretária da Academia Montesclarense de Letras. Publicou 3XPESIAS e MORTUGABA.

A SERRA
Aquela serra,
verde-terra,
presença bela
com flor amarela
de vetusto ipê,,
é arte divina,
rocha cristalina,
presença galante
para o viajante
que de longe a vê.
Forte muralha,
de escarpa e falha,
e plantas teimosas
que caprichosas
insistem VIVER.
Moldura do céu,
grinalda do véu
de leve bruma,
das nuvens-espuma
do amanhecer.

Fonte:
Academia Montesclarense de Letras

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