Arquivo do mês: setembro 2010

Neusa Padovani Martins (Dormi!!!)

Recordo-me de minha deliciosa infância no sítio de minha família. As variadas plantações de tudo um pouco me levavam a andar muito por todo o imenso terreno. Num determinado momento lá estava eu no meio do canavial, depois corria entre os pés de laranjas-lima, outra hora estava entre carreiras sem fim dos pés de feijão. Mas o dia mais lembrado por mim é aquele em que cansada adormeci entre os tantos pés de abóboras.

Foi assim que aconteceu: eu cansada de tanto andar resolvi, sem mais nem menos, que já era hora de relaxar. Deitei-me então e adormeci olhando para o imenso céu azul, protegida pela cerca viva de cipestres que faziam sombra em mim. Passado o tempo, nem sei quanto na verdade, ouvi ao longe a voz de meu irmão, nascido antes de mim alguns anos atrás. Rapazinho peralta, era meu amado companheiro de loucas aventuras. Junto ao chamado dele eu ouvi também a voz do nosso caseiro. Ambos aparentavam certa aflição ao gritarem meu nome. Ainda sonada levantei-me cambaleante e em poucos instantes ambos acercavam-se de mim querendo saber o que havia me acontecido. – Dormi ! – respondi eu.

Naquela noite, meu pai me aconselhou, assustando-me, dizendo-me que por aqueles pés de abóbora moravam algumas cobras venenosas. Não se faz necessário que eu diga que nunca mais andei por lá. Mas em alguns outros lugares sim, sempre calçada com imensas galochas de borracha que minha mãe me obrigou a usar, dizendo-me sempre que se sentisse sono deveria voltar correndo para a casa grande para me deitar. Conselho que segui a risco.

Numa destas vezes de sono intenso, não tive dúvidas do que deveria fazer. Corri de volta para a casa grande e depois de lavar bem as mãozinhas minúsculas, pegar minha amada chupeta e meu querido travesseirinho, entrei num dos vários quartos da casa, fechei muito bem a janela, já que sempre gostei de dormir no escuro, fechei a porta com a chave e me acomodei naquela imensa e deliciosa cama macia. Não avisei a ninguém que estaria ali. Apenas deitei-me e adormeci.

Apesar do pesado janelão estar fechado, a luz do sol da tarde teimava em entrar pelas frestas existentes. Elas me incomodavam um pouco porque sempre gostei do escuro, mas tratei de virar-me de frente para a parede para não ver a luz do sol. Pela pesada e imensa porta nada passava porque não havia nenhum rastro de sol por ali. Adormeci rapidamente sem precisar sequer pensar em carneirinhos, como gostava de fazer por pura diversão.

Não sei precisar que horas seriam. Ouvi gritos pela casa e passos de várias pessoas pelo imenso salão que comportava todas as portas do tantos quartos existentes ali. Minha mãe dizia sem parar que uma cobra poderia tê-“la “ mordido e “ela” estaria caída pelas plantações. Ou então “ela” poderia ter escorregado na encosta do ribeirão e a estas horas já deveria ter descido rio abaixo. Ou então “ela” estaria perdida na parte de trás do sítio que ainda não havia sido explorado. Minha mãe só dizia coisas ruins para a tal “ela” que eu não sabia precisar quem seria tal criatura que corria tão grande risco de vida assim.

Ouvi meu pai discutindo com minha mãe sobre o fato dela ter deixado que “ela” andasse sozinha por ali. Queria saber onde minha mãe estava que nada viu. Minha mãe deveria estar desconcertada com o vozeirão nervoso de meu pai que falava rápido na frente de outras pessoas que ali se encontravam, embora eu não soubesse quem eram afinal. Ouvi-a dizer que estava na casa de D. Maria, nossa caseira, aprendendo a bordar.

Olhei para a imensa janela daquele quarto e não vi mais a luz do sol espreitando o ambiente. Mas das frestas da porta enorme vi uma luz me espiando e pensei de onde será que ela estaria vindo afinal. Naqueles dias eu não tinha mais do que sete anos. Menos, talvez. Tampouco conseguia armar em meu pensamento um raciocínio simples que me informasse que o sol se fora e as luzes do salão haviam sido acesas. Eu simplesmente continuava sonada, ainda com vontade de dormir mais.

Até que de repente entendi que estavam me procurando; era a mim que queriam saber o paradeiro. Meu irmão então, meu amado companheiro de brincadeiras teve a intuição de gritar meu nome pela casa várias vezes: – Neguinha, Neguinha… onde você está? E assim foi que apressada levantei-me da cama e me dirigi à porta tentando abri-la e para minha surpresa a chave estava presa. Assustada gritei para meu pai por socorro. A gritaria que se seguiu me deixou apavorada e ouvi então batidas fortes na porta que insistia em pemanecer fechada.

Meu pai então me disse para tentar virar a chave novamente e o obedeci. Então não se sabe como a porta se abriu e eu finalmente saí para a sala. Olhei então para todos aqueles rostos incrédulos que pareciam querer me devorar para depois então mostrarem imenso alívio. Meu irmão feliz correu antes de todos para me abraçar, perguntando-me alegre o que foi que aconteceu. Ainda sonada, respondi-lhe assustada : – Eu dormi !

Não sei qual era meu problema, nem mesmo se eu tinha algum, a verdade é que eu dormia demais e sempre nas mais adversas situações. Como naquela vez em que estávamos meus dois primos, meu irmão, a filha do caseiro e eu brincando de esconde-esconde pela imensa casa. Corríamos pra lá e pra cá sem parar, escondendo-nos e encontarndo-nos. Até que num determinado momento escondida debaixo de uma das imensas camas de um dos quartos, vi-me cansada e com sono. Enfiei então minha mãozinha no bolso do meu macacão e peguei minha adorada chupeta e a coloquei na boca sugando-a sem parar, como se pudesse ali me enroscar no ventre de minha amada mãe. Nem preciso contar que adormeci de imediato só indo acordar quando os gritos do meu irmão e do meu pai ecoaram pelo casarão me fazendo acordar.

Com a maior cara de pau saí debaixo da cama e dei-me com meu pai com cara de poucos amigos esperando minha explicação. Sem ter o que explicar para aquele pai enfezado respondi simplesmente a verdade :- Dormi!

Fonte:
Portal Vânia Diniz

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Gustavo Dourado (Cordel para Fernando Pessoa)

Pintura de João Beja
Pessoa enigmático:
No dia 13 nasceu…
Lisboa, mês de junho:
Sua mãe o concebeu…
Ano 1888:
O fato assim se deu…

Pessoa heteronímico:
Em Lisboa renasceu…
Ano 1888:
O fato assim sucedeu…
Fernando Antônio Nogueira Pessoa:
Germinou e floresceu…

Fernando Pessoa é:
Poeta-mor de Portugal…
A 13 de julho fluiu:
É poeta magistral…
Poeta que frui magia:
Vate quintessencial…

Na terra dos navegantes:
Registrou-se o surgimento…
De um dos maiores poetas:
Que se tem conhecimento…
O grande Fernando Pessoa:
Vanguarda do pensamento…

Na Igreja dos Mártires:
Foi Fernando, batizado…
No dia 21 de julho:
O vate foi consagrado…
Dentro do Cristianismo:
Logo foi Iniciado…

Joaquim e Maria Magdalena:
Foram os seus genitores…
Fernando ainda menino:
Padeceu algumas dores…
Aos cinco anos de idade:
Conheceu os dissabores…

Joaquim Seabra Pessoa:
Era o nome do seu pai…
Ano 1893:
O genitor se esvai…
Foi visitar outras plagas:
Chega o dia a alma vai…

Fernando Pessoa, infante:
Perde o seu pai Joaquim…
A tristeza o atormenta:
Parece que é o fim…
O Chevalier de Pás:
Heteronímia, enfim…

Foi-se o pai de Pessoa:
E deixou muita saudade…
O poeta bem criança:
Deus asas à liberdade…
O Chevalier de Pás:
A sua alma invade…

A mãe Maria Magdalena:
Contrai novo casamento…
Une-se a João Miguel Rosa:
Renova o sentimento…
Vai residir em Durban:
É a vida em movimento…

Ao sete anos Pessoa:
O Atlântico navegou…
Vai para a África do Sul:
Um novo tempo começou…
Contato com a língua inglesa:
O poeta se transfigurou…

Depois da morte de Joaquim:
A mãe casou novamente…
Durban na África do Sul:
O poeta segue em frente…
Estudos e poesia:
Literatura na mente…

Ano 1895:
Flui o poeta ligeiro…
Para a sua amada mãe:
Faz o seu verso primeiro…
A poesia jorra nalma:
De um poeta verdadeiro…

Era 26 de julho:
Poeta na dianteira…
A poesia de Pessoa:
Tranbordou-se por inteira…
Ofereceu a sua mãe:
Dona Maria Nogueira…

“À minha querida mamã”:
É sua poesia primeira…
Escrita em forma de quadra:
Inspiração verdadeira…
Pessoa tornou-se vate:
Deu início à carreira…

Convento de West Street:
E depois na High School…
A Universidade do Cabo:
Numinoso como um sol…
Prêmio Rainha Vitória:
Uma conquista de escol…

Cursa o Secundário:
Desperta o escritor…
Na Universidade do Cabo:
Desvela novo pendor…
Tem poesia na alma:
Essência de criador…

Por muitos influenciado:
Camões, Shakespeare e Byron…
Baudelaire, Homero, Keats:
Mallarmé, Goethe e Milton…
Dante, Shelley, Poe e Pope:
Cesário Verde e Tennyson…

Poetas de língua inglesa:
Pessoa bastante leu…
Poe, MIlton, Byron, Shelley:
Pesquisou, leu e releu…
Retornou a Portugal:
Um novo homem nasceu…

No Curso Superior de Letras:
Pessoa é matriculado…
Por pouco tempo estuda:
Na carreira de letrado…
Dexou o curso no começo:
Tendo-o abandonado…

Disseca os bons sermões:
Do Padre Antônio Vieira…
Jesuíta erudito:
Sapiência brasileira…
Que viveu na Boa Terra:
Quase a sua vida inteira…

Depois de estudar Vieira:
Cesário Verde buscou…
Adentrou em sua obra:
Muito leu e pesquisou…
Foi grande a influência:
Que Cesário lhe passou…

Tradutor de cartas comerciais:
Dáva-lhe vital sustento…
Em cafés, na boemia:
Extravasava o talento…
No Brasileira do Chiado:
Revelava o pensamento…

Ano 1912:
Mário de Sá-Carneiro…
Conhecimento, amizade:
Criação o dia inteiro…
Elo da Literatura:
Luminoso candeeiro…

Grande amizade com Mário:
Diálogo e poesia…
Revista Orpheu e luzes:
Transcendência e magia…
Mário, Almada e Luís:
Além da Ontologia…

Revista Orpheu, um marco:
Modernismo em Portugal….
Crítica e admiração:
No ambiente cultural…
Antinous and 35 Sonnets:
Em inglês bem literal…

Anos de obscuridade:
Ocultismo e magia…
Revistas, poemas, ensaios:
Estudos de astrologia…
Cabala, esoterismo:
Quintessência dalchemia…

O Guardador de Rebanhos:
Versos de Alberto Caeiro…
Álvaro de Campos criou:
Um universo inteiro…
Ricardo Reis na poesia:
Foi farol e candeeiro…

Cria Bernardo Soares,
O Livro do Desassossego…
Pessoa sempre desperto:
Poesia…o seu emprego
Criou vários heterônimos:
O verso era seu apego…

Caeiro sem misticismo:
Tinha lógica, coerência…
De expressão natural:
Simplicidade na essência…
Um poeta camponês:
Em busca da consciência…

Ricardo Reis erudito:
Era semi-helenista…
Valores tradicionais:
Jesuíta, latinista…
Do Porto para o Brasil:
Médico…Mitologista…

Álvaro de Campos de Tavira:
Foi poeta simbolista…
Estudou engenharia:
Fez poética futurista…
Viviu a desilusão:
Amargura, pessimista…

Pessoa no Cancioneiro:
Auto psico grafia…
Métrica, Rima, Lírica:
Fluente simbologia…
Mensagem do pensamento:
Sentimento da poesia…

A mensagem de Pessoa:
Saudade e Messianismo…
A missão de Portugal:
Poesia e misticismo…
TerraMar e Quinto Império:
Língua…Sebastianismo…

Ano 1934:
Surge o livro Mensagem…
Com dinheiro emprestado:
Sobrevivia à margem…
Prêmio Antero de Quental:
Revelou-se a linguagem…

Mensagem em português:
Flui sebastianismo…
Epopéia portuguesa:
Místico nacionalismo…
Mar português:Brasão
Encoberto messianismo…

Mistérios em sua obra:
In.coerência…Ilusão…
Sonhos e passividade…
Dúvida e hesitação…
Temor do Dês.conhecido:
A busca da trans.mutação…

Ano 1935:
A morte o arrebatou…
Cirrose hepática letal:
O poeta nos deixou…
Foi-se para o além-mundo:
Bela Mensagem ficou…

Fernando Pessoa não teve:
Em vida o reconhecimento….
Nos trouxe a modernidade:
E a luz do pensamento…
Dois livros publicados, vivo:
Pouco, para o seu talento…

O sistema é tirano:
Não gosta de poesia…
Ultraja, mata, oprime:
Reprime a rebeldia:
Só quer saber de dinheiro:
De lucro e de mais valia…

Fernando Pessoa, múltiplo:
Poeta da heteronímia…
Plural personalidade:
Metafórica metonímia…
Muitos nele habitava:
Para além da pantonímia…

Alberto Ricardo Álvaro Bernardo:
Fernando Antônio conhecido…
Pessoa poeta do Ser:
É bom tê-lo sempre lido…
“Saudação a Walt Whitman”:
Naarca do desconhecido…

Ode de Coelho Pacheco
“Para Além Doutro Oceano”,
Antônio Mora, pagão:
Malouco…Um tanto insano…
No manicômio de Cascais:
Um delírio sobrehumano…

Pluralidade em Pessoa:
Mágica diversidade…
Paganismo…Astrologia:
Panacéia…Novidade…
Poiesis…Cosmologia:
Ás da multiplicidade…

Até um Barão de Teive:
Há na obra pessoana…
Mitos e cosmovisão:
Sob a máscara humana…
Signos da natureza:
Imaginação…Persona…

Objeto psicanalítico:
Metafísica…Quintessência…
Antíteses e Alchemia:
Graal da clarividência:
Onipresença do Ser:
Luzes da onisciência…

Fingir…Teatralizar:
Dramatizar a poesia…
Inexistir…Encadear:
A verve da fantasia…
“Bicarbonato de Soda:
Ecos da philosofia…

Atlântico…Tejo…Portugal:
Mar revolto…Calmaria…
Para além do Bojador:
Navega-a-dor da poesia…
Pessoa transborda o verso:
Autopsicografia…

Pessoa eternizou-se:
É patrimônio mundial…
Poesia de infinitude
Luminar de Portugal…
Navegador do Ser:
Poeta universal…

Fonte:
Portal Vânia Diniz

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 6)

Trova do Dia

Promoveu grande arruaça
o marido da vizinha,
ao vê-la abraçada a um “praça”
lá no banco da pracinha.
ALBERTO PACO/PR

Trova Potiguar

Mais do que fadas e mitos,
num cenário encantador,
tenho sonhos tão bonitos,
que viram lendas de amor!
JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN

Uma Trova Premiada

2010 > Curitiba/PR
Tema > PIJAMA > M/H

Celular ao pé do ouvido,
nem ouve se alguém o chama,
de tal modo distraído…
vai trabalhar de pijama!
VANDA FAGUNDES QUEIROZ/PR

Uma Trova de Ademar

Os devaneios sem fim
e felizes que eu vivo a esmo
são produzidos por mim
para enganar a mim mesmo…
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Nós somos tão um do outro,
que fico, às vezes, pensando
que em nossos abraços loucos
sou eu que estou me abraçando!
ADRIANO CARLOS/RJ

Uma Poesia livre

Lúcia Helena Pereira/RN
DÓI

Dói bem dentro de mim
Uma ausência querida
De um calor já distante
Afagos negados
E sussurros.
Dói bem dentro de mim
Essa dor tão pungente
Reabrindo feridas
Machucando pancadas
E magoando esperanças.
Dói bem dentro de mim
Esse grito calado
Despertando angústias
E medos sem fim.
Dói bem dentro de mim
Essa dor excitante
Gestos contidos
Mãos que se omitem
Às carícias completas
De um amor tão complexo!

Estrofe do Dia

Quero o tempo de menino
Eu, fazendeiro afamado,
Tinha o rebanho formado
Pelos bois de Vitalino.
A calça boca de sino
Pelo São João, mamãe fez
Eu parecia um francês
Mesmo todo amatutado.
Quero voltar ao passado
Pra ser criança outra vez.
WELLINGTON VICENTE/PE

Soneto do Dia

Francisco Macedo/RN
MINHA LUA DE MEL.

Soberana no céu, ela flutua,
inspirando o poeta em seu clarão…
– se “Nova”, ele a vê com o coração,
– se “Cheia” o meu amor, se perpetua!

Seja “Quarto Minguante”, minha Lua,
seja “Quarto Crescente”, de paixão!
Minha Lua que vai à imensidão,
conduz este poeta pela rua.

A Lua poetisa, tão mulher!
Se apodera de mim, sempre que quer…
Aceito na maior cumplicidade!

Contemplando teu céu, te vejo calma,
deixo nascer os versos dentro d’alma.
– Nossa Lua de Mel… Felicidade!

Fonte:
O Autor

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José Feldman (Simplesmente Sentindo)

Quando sentir o vento tocar seus ouvidos,
sou eu
sussurrando o meu amor por você.

Quando sentir as gotas da chuva sobre seu rosto,
são as minhas lágrimas
que te encharcam com meu amor.

Quando sentir o calor de um dia de verão,
imagine que é o meu corpo
te abraçando e
te dando o calor de meu coração.

Quando olhar pela janela de seu quarto e vir as estrelas piscando,
são meus olhos
que piscam aos milhares
as palavras
“Eu te amo!”

Quando passear pelo parque e vir uma árvore,
abrace-a e feche os olhos,
estará abraçando a mim,
meu corpo, meu coração
junto a si.

E se olhar para o alto desta árvore
ouça o farfalhar das folhas
É minha voz dizendo:
Eu sou teu para todo o sempre,
Volta para mim!

Fonte da Imagem =

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Ana Paula Maia e Paulo Sandrini (O Futuro do Mercado Editorial)

Ana Paula Maia (1977)

Nasceu em 1977, em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Publicou seu primeiro romance, O habitante das falhas subterrâneas, aos 26 anos (2003) pela 7 Letras, editora que sempre deu espaço para jovens escritores. Depois investiu no universo que já domina, o da internet, e lançou Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (aqui), em 2006, que agora em 2009 saiu impresso pela editora Record.

Com uma prosa que procura escrutinar a violência social, Ana Paula vem conquistando espaço no meio literário. Está em algumas antologias de novos talentos da ficção brasileira, entre elas 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira / organização Luiz Rufatto (editora Record, 2004); Todas as guerras – Volume 1 (Tempos modernos) / Org. Nelson de Oliveira – (editora Bertrand Brasil, 2009); 90-00 – Cuentos brasileños contemporáneos / org. Nelson de Oliveira e Maria Alzira Brum – (Peru) – 2009
Seu blog é: http://www.killing-travis.blogspot.com/

Paulo Sandrini (1971)

Paulo Sandrini nasceu em março de 1971, em Vera Cruz, São Paulo. Vive em Curitiba desde 1994. É Designer gráfico, mestre e doutorando em Estudos Literários [UFPR], autor de O estranho hábito de dormir em pé [2003], Códice d’incríveis objetos & histórias de lebensraum [2005], ambos de contos, e Osculum obscenum [2008], novela. Participou das coletâneas Contos cruéis, as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea [2006], 15 cuentos brasileros/15 contos brasileiros [Argentina, 2007], 90-00 Cuentos brasileños contemporáneos [Peru, 2009] e Futuro Presente [2009]. Ministrante de oficinas de criação literária desde 2007. Editor da Kafka Edições. Mantém o blog http://paulosandrini.blogspot.com/.

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Vicência Jaguaribe (Lançamento de Dois Livros: infantil e adulto)

BRINCANDO NO RITMO DA POESIA

Vicência Jaguaribe publica pela Editora Protexto (Curitiba) livro de poemas infantis, intitulado Brincando no ritmo da poesia. A obra reúne 33 poemas que misturam a realidade atual com as recordações de tempos idos. A autora revisita a fábula A Cigarra e a Formiga; brinca com os sons e o ritmo em A menina na roda; leva as crianças a penetrar Na terra do faz-de-conta; conta a história do galo Faraó, em Cocoricócócócócócó!!! ; solta Os meninos na chuva e liberta o pássaro prisioneiro, em O passarinho foi embora:

O passarinho foi embora

O passarinho acordou
Quando o galo cantou.
Esticou as asas
E também bocejou.
Soltou um trinado
Para a dona da casa.
Mas como haviam deixado
Aberta a gaiola
O passarinho frajola
Disse addio!
Good-bye!
Adiós!
Adieu!
Adeus! Mariolas,
Estou indo embora.

O livro é bem ilustrado, diverte e sensibiliza. Preço: R$30,00.
Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br
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ANCORAGEM EM PORTO ABERTO

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Ancoragem em porto aberto é um livro de contos (adultos), da contista Vicência Jaguaribe, publicado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. São 36 pequenas narrativas que resgatam lembranças e histórias ouvidas, fatos dos tempos passados e dos tempos atuais. Mas a invenção recobre o espectro do real, de modo que os contos, como toda obra de ficção, não podem ser tomados como a representação do real empírico. O título do livro remete à ideia de que a vida não é um porto seguro, e viver implica ficar à mercê das intempéries — dos ventos e das marés. Afinal, a vida é a protagonista subjacente a todas as histórias.

Preço: R$25,00.
Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br

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José Feldman (Descoberta)


Hoje eu descobri que ser uma pessoa boa não é um dom, mas uma maldição.

Hoje eu descobri que não importa o quanto você queira se dar a alguém, este alguém tem medo desse dar, e foge.

Hoje eu descobri que a felicidade só é perfeita quando somos dois, pensando como um só, mas as pessoas tem medo de repartir.

Hoje eu descobri que não importa que existam milhões de momentos felizes, se houver um que provoque mágoa, ele é muito maior que estes milhões.

Hoje eu descobri que contos de fadas, são apenas contos de fadas, e o “foram felizes para sempre” só existe em livros, pura ficção.

Hoje eu senti o que é você obter glórias além de seus sonhos, e não ter com quem dividir.

Hoje eu descobri que estas glórias são apenas grãos de areia que o vento espalha, e se perdem no ar.

Hoje eu descobri que quando um coração se parte, ele sangra sem parar.

Hoje eu descobri que um novo amanhecer tão lindamente cantado não existe, e dias e noites são um só.

Hoje eu descobri que a bondade não leva a nada e nem traz nada, somente dor.

Hoje eu descobri que quando se ama, não importa o sacrifício que se faça, sempre poderá haver uma segunda chance. O amor é se dar.

Hoje eu descobri que a amei e o amor é tão presente hoje como quando eu a amei pela primeira vez.

Hoje eu descobri que a felicidade é ilusão, quando se está sozinho e não se tem com quem dividir.

Hoje eu descobri que as pessoas vêm e vão, e a única coisa que é fiel a vida inteira é a dor, é a saudade, é o sofrimento.

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