Arquivo do mês: setembro 2010

Neusa Padovani Martins (Dormi!!!)

Recordo-me de minha deliciosa infância no sítio de minha família. As variadas plantações de tudo um pouco me levavam a andar muito por todo o imenso terreno. Num determinado momento lá estava eu no meio do canavial, depois corria entre os pés de laranjas-lima, outra hora estava entre carreiras sem fim dos pés de feijão. Mas o dia mais lembrado por mim é aquele em que cansada adormeci entre os tantos pés de abóboras.

Foi assim que aconteceu: eu cansada de tanto andar resolvi, sem mais nem menos, que já era hora de relaxar. Deitei-me então e adormeci olhando para o imenso céu azul, protegida pela cerca viva de cipestres que faziam sombra em mim. Passado o tempo, nem sei quanto na verdade, ouvi ao longe a voz de meu irmão, nascido antes de mim alguns anos atrás. Rapazinho peralta, era meu amado companheiro de loucas aventuras. Junto ao chamado dele eu ouvi também a voz do nosso caseiro. Ambos aparentavam certa aflição ao gritarem meu nome. Ainda sonada levantei-me cambaleante e em poucos instantes ambos acercavam-se de mim querendo saber o que havia me acontecido. – Dormi ! – respondi eu.

Naquela noite, meu pai me aconselhou, assustando-me, dizendo-me que por aqueles pés de abóbora moravam algumas cobras venenosas. Não se faz necessário que eu diga que nunca mais andei por lá. Mas em alguns outros lugares sim, sempre calçada com imensas galochas de borracha que minha mãe me obrigou a usar, dizendo-me sempre que se sentisse sono deveria voltar correndo para a casa grande para me deitar. Conselho que segui a risco.

Numa destas vezes de sono intenso, não tive dúvidas do que deveria fazer. Corri de volta para a casa grande e depois de lavar bem as mãozinhas minúsculas, pegar minha amada chupeta e meu querido travesseirinho, entrei num dos vários quartos da casa, fechei muito bem a janela, já que sempre gostei de dormir no escuro, fechei a porta com a chave e me acomodei naquela imensa e deliciosa cama macia. Não avisei a ninguém que estaria ali. Apenas deitei-me e adormeci.

Apesar do pesado janelão estar fechado, a luz do sol da tarde teimava em entrar pelas frestas existentes. Elas me incomodavam um pouco porque sempre gostei do escuro, mas tratei de virar-me de frente para a parede para não ver a luz do sol. Pela pesada e imensa porta nada passava porque não havia nenhum rastro de sol por ali. Adormeci rapidamente sem precisar sequer pensar em carneirinhos, como gostava de fazer por pura diversão.

Não sei precisar que horas seriam. Ouvi gritos pela casa e passos de várias pessoas pelo imenso salão que comportava todas as portas do tantos quartos existentes ali. Minha mãe dizia sem parar que uma cobra poderia tê-“la “ mordido e “ela” estaria caída pelas plantações. Ou então “ela” poderia ter escorregado na encosta do ribeirão e a estas horas já deveria ter descido rio abaixo. Ou então “ela” estaria perdida na parte de trás do sítio que ainda não havia sido explorado. Minha mãe só dizia coisas ruins para a tal “ela” que eu não sabia precisar quem seria tal criatura que corria tão grande risco de vida assim.

Ouvi meu pai discutindo com minha mãe sobre o fato dela ter deixado que “ela” andasse sozinha por ali. Queria saber onde minha mãe estava que nada viu. Minha mãe deveria estar desconcertada com o vozeirão nervoso de meu pai que falava rápido na frente de outras pessoas que ali se encontravam, embora eu não soubesse quem eram afinal. Ouvi-a dizer que estava na casa de D. Maria, nossa caseira, aprendendo a bordar.

Olhei para a imensa janela daquele quarto e não vi mais a luz do sol espreitando o ambiente. Mas das frestas da porta enorme vi uma luz me espiando e pensei de onde será que ela estaria vindo afinal. Naqueles dias eu não tinha mais do que sete anos. Menos, talvez. Tampouco conseguia armar em meu pensamento um raciocínio simples que me informasse que o sol se fora e as luzes do salão haviam sido acesas. Eu simplesmente continuava sonada, ainda com vontade de dormir mais.

Até que de repente entendi que estavam me procurando; era a mim que queriam saber o paradeiro. Meu irmão então, meu amado companheiro de brincadeiras teve a intuição de gritar meu nome pela casa várias vezes: – Neguinha, Neguinha… onde você está? E assim foi que apressada levantei-me da cama e me dirigi à porta tentando abri-la e para minha surpresa a chave estava presa. Assustada gritei para meu pai por socorro. A gritaria que se seguiu me deixou apavorada e ouvi então batidas fortes na porta que insistia em pemanecer fechada.

Meu pai então me disse para tentar virar a chave novamente e o obedeci. Então não se sabe como a porta se abriu e eu finalmente saí para a sala. Olhei então para todos aqueles rostos incrédulos que pareciam querer me devorar para depois então mostrarem imenso alívio. Meu irmão feliz correu antes de todos para me abraçar, perguntando-me alegre o que foi que aconteceu. Ainda sonada, respondi-lhe assustada : – Eu dormi !

Não sei qual era meu problema, nem mesmo se eu tinha algum, a verdade é que eu dormia demais e sempre nas mais adversas situações. Como naquela vez em que estávamos meus dois primos, meu irmão, a filha do caseiro e eu brincando de esconde-esconde pela imensa casa. Corríamos pra lá e pra cá sem parar, escondendo-nos e encontarndo-nos. Até que num determinado momento escondida debaixo de uma das imensas camas de um dos quartos, vi-me cansada e com sono. Enfiei então minha mãozinha no bolso do meu macacão e peguei minha adorada chupeta e a coloquei na boca sugando-a sem parar, como se pudesse ali me enroscar no ventre de minha amada mãe. Nem preciso contar que adormeci de imediato só indo acordar quando os gritos do meu irmão e do meu pai ecoaram pelo casarão me fazendo acordar.

Com a maior cara de pau saí debaixo da cama e dei-me com meu pai com cara de poucos amigos esperando minha explicação. Sem ter o que explicar para aquele pai enfezado respondi simplesmente a verdade :- Dormi!

Fonte:
Portal Vânia Diniz

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Gustavo Dourado (Cordel para Fernando Pessoa)

Pintura de João Beja
Pessoa enigmático:
No dia 13 nasceu…
Lisboa, mês de junho:
Sua mãe o concebeu…
Ano 1888:
O fato assim se deu…

Pessoa heteronímico:
Em Lisboa renasceu…
Ano 1888:
O fato assim sucedeu…
Fernando Antônio Nogueira Pessoa:
Germinou e floresceu…

Fernando Pessoa é:
Poeta-mor de Portugal…
A 13 de julho fluiu:
É poeta magistral…
Poeta que frui magia:
Vate quintessencial…

Na terra dos navegantes:
Registrou-se o surgimento…
De um dos maiores poetas:
Que se tem conhecimento…
O grande Fernando Pessoa:
Vanguarda do pensamento…

Na Igreja dos Mártires:
Foi Fernando, batizado…
No dia 21 de julho:
O vate foi consagrado…
Dentro do Cristianismo:
Logo foi Iniciado…

Joaquim e Maria Magdalena:
Foram os seus genitores…
Fernando ainda menino:
Padeceu algumas dores…
Aos cinco anos de idade:
Conheceu os dissabores…

Joaquim Seabra Pessoa:
Era o nome do seu pai…
Ano 1893:
O genitor se esvai…
Foi visitar outras plagas:
Chega o dia a alma vai…

Fernando Pessoa, infante:
Perde o seu pai Joaquim…
A tristeza o atormenta:
Parece que é o fim…
O Chevalier de Pás:
Heteronímia, enfim…

Foi-se o pai de Pessoa:
E deixou muita saudade…
O poeta bem criança:
Deus asas à liberdade…
O Chevalier de Pás:
A sua alma invade…

A mãe Maria Magdalena:
Contrai novo casamento…
Une-se a João Miguel Rosa:
Renova o sentimento…
Vai residir em Durban:
É a vida em movimento…

Ao sete anos Pessoa:
O Atlântico navegou…
Vai para a África do Sul:
Um novo tempo começou…
Contato com a língua inglesa:
O poeta se transfigurou…

Depois da morte de Joaquim:
A mãe casou novamente…
Durban na África do Sul:
O poeta segue em frente…
Estudos e poesia:
Literatura na mente…

Ano 1895:
Flui o poeta ligeiro…
Para a sua amada mãe:
Faz o seu verso primeiro…
A poesia jorra nalma:
De um poeta verdadeiro…

Era 26 de julho:
Poeta na dianteira…
A poesia de Pessoa:
Tranbordou-se por inteira…
Ofereceu a sua mãe:
Dona Maria Nogueira…

“À minha querida mamã”:
É sua poesia primeira…
Escrita em forma de quadra:
Inspiração verdadeira…
Pessoa tornou-se vate:
Deu início à carreira…

Convento de West Street:
E depois na High School…
A Universidade do Cabo:
Numinoso como um sol…
Prêmio Rainha Vitória:
Uma conquista de escol…

Cursa o Secundário:
Desperta o escritor…
Na Universidade do Cabo:
Desvela novo pendor…
Tem poesia na alma:
Essência de criador…

Por muitos influenciado:
Camões, Shakespeare e Byron…
Baudelaire, Homero, Keats:
Mallarmé, Goethe e Milton…
Dante, Shelley, Poe e Pope:
Cesário Verde e Tennyson…

Poetas de língua inglesa:
Pessoa bastante leu…
Poe, MIlton, Byron, Shelley:
Pesquisou, leu e releu…
Retornou a Portugal:
Um novo homem nasceu…

No Curso Superior de Letras:
Pessoa é matriculado…
Por pouco tempo estuda:
Na carreira de letrado…
Dexou o curso no começo:
Tendo-o abandonado…

Disseca os bons sermões:
Do Padre Antônio Vieira…
Jesuíta erudito:
Sapiência brasileira…
Que viveu na Boa Terra:
Quase a sua vida inteira…

Depois de estudar Vieira:
Cesário Verde buscou…
Adentrou em sua obra:
Muito leu e pesquisou…
Foi grande a influência:
Que Cesário lhe passou…

Tradutor de cartas comerciais:
Dáva-lhe vital sustento…
Em cafés, na boemia:
Extravasava o talento…
No Brasileira do Chiado:
Revelava o pensamento…

Ano 1912:
Mário de Sá-Carneiro…
Conhecimento, amizade:
Criação o dia inteiro…
Elo da Literatura:
Luminoso candeeiro…

Grande amizade com Mário:
Diálogo e poesia…
Revista Orpheu e luzes:
Transcendência e magia…
Mário, Almada e Luís:
Além da Ontologia…

Revista Orpheu, um marco:
Modernismo em Portugal….
Crítica e admiração:
No ambiente cultural…
Antinous and 35 Sonnets:
Em inglês bem literal…

Anos de obscuridade:
Ocultismo e magia…
Revistas, poemas, ensaios:
Estudos de astrologia…
Cabala, esoterismo:
Quintessência dalchemia…

O Guardador de Rebanhos:
Versos de Alberto Caeiro…
Álvaro de Campos criou:
Um universo inteiro…
Ricardo Reis na poesia:
Foi farol e candeeiro…

Cria Bernardo Soares,
O Livro do Desassossego…
Pessoa sempre desperto:
Poesia…o seu emprego
Criou vários heterônimos:
O verso era seu apego…

Caeiro sem misticismo:
Tinha lógica, coerência…
De expressão natural:
Simplicidade na essência…
Um poeta camponês:
Em busca da consciência…

Ricardo Reis erudito:
Era semi-helenista…
Valores tradicionais:
Jesuíta, latinista…
Do Porto para o Brasil:
Médico…Mitologista…

Álvaro de Campos de Tavira:
Foi poeta simbolista…
Estudou engenharia:
Fez poética futurista…
Viviu a desilusão:
Amargura, pessimista…

Pessoa no Cancioneiro:
Auto psico grafia…
Métrica, Rima, Lírica:
Fluente simbologia…
Mensagem do pensamento:
Sentimento da poesia…

A mensagem de Pessoa:
Saudade e Messianismo…
A missão de Portugal:
Poesia e misticismo…
TerraMar e Quinto Império:
Língua…Sebastianismo…

Ano 1934:
Surge o livro Mensagem…
Com dinheiro emprestado:
Sobrevivia à margem…
Prêmio Antero de Quental:
Revelou-se a linguagem…

Mensagem em português:
Flui sebastianismo…
Epopéia portuguesa:
Místico nacionalismo…
Mar português:Brasão
Encoberto messianismo…

Mistérios em sua obra:
In.coerência…Ilusão…
Sonhos e passividade…
Dúvida e hesitação…
Temor do Dês.conhecido:
A busca da trans.mutação…

Ano 1935:
A morte o arrebatou…
Cirrose hepática letal:
O poeta nos deixou…
Foi-se para o além-mundo:
Bela Mensagem ficou…

Fernando Pessoa não teve:
Em vida o reconhecimento….
Nos trouxe a modernidade:
E a luz do pensamento…
Dois livros publicados, vivo:
Pouco, para o seu talento…

O sistema é tirano:
Não gosta de poesia…
Ultraja, mata, oprime:
Reprime a rebeldia:
Só quer saber de dinheiro:
De lucro e de mais valia…

Fernando Pessoa, múltiplo:
Poeta da heteronímia…
Plural personalidade:
Metafórica metonímia…
Muitos nele habitava:
Para além da pantonímia…

Alberto Ricardo Álvaro Bernardo:
Fernando Antônio conhecido…
Pessoa poeta do Ser:
É bom tê-lo sempre lido…
“Saudação a Walt Whitman”:
Naarca do desconhecido…

Ode de Coelho Pacheco
“Para Além Doutro Oceano”,
Antônio Mora, pagão:
Malouco…Um tanto insano…
No manicômio de Cascais:
Um delírio sobrehumano…

Pluralidade em Pessoa:
Mágica diversidade…
Paganismo…Astrologia:
Panacéia…Novidade…
Poiesis…Cosmologia:
Ás da multiplicidade…

Até um Barão de Teive:
Há na obra pessoana…
Mitos e cosmovisão:
Sob a máscara humana…
Signos da natureza:
Imaginação…Persona…

Objeto psicanalítico:
Metafísica…Quintessência…
Antíteses e Alchemia:
Graal da clarividência:
Onipresença do Ser:
Luzes da onisciência…

Fingir…Teatralizar:
Dramatizar a poesia…
Inexistir…Encadear:
A verve da fantasia…
“Bicarbonato de Soda:
Ecos da philosofia…

Atlântico…Tejo…Portugal:
Mar revolto…Calmaria…
Para além do Bojador:
Navega-a-dor da poesia…
Pessoa transborda o verso:
Autopsicografia…

Pessoa eternizou-se:
É patrimônio mundial…
Poesia de infinitude
Luminar de Portugal…
Navegador do Ser:
Poeta universal…

Fonte:
Portal Vânia Diniz

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 6)

Trova do Dia

Promoveu grande arruaça
o marido da vizinha,
ao vê-la abraçada a um “praça”
lá no banco da pracinha.
ALBERTO PACO/PR

Trova Potiguar

Mais do que fadas e mitos,
num cenário encantador,
tenho sonhos tão bonitos,
que viram lendas de amor!
JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN

Uma Trova Premiada

2010 > Curitiba/PR
Tema > PIJAMA > M/H

Celular ao pé do ouvido,
nem ouve se alguém o chama,
de tal modo distraído…
vai trabalhar de pijama!
VANDA FAGUNDES QUEIROZ/PR

Uma Trova de Ademar

Os devaneios sem fim
e felizes que eu vivo a esmo
são produzidos por mim
para enganar a mim mesmo…
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Nós somos tão um do outro,
que fico, às vezes, pensando
que em nossos abraços loucos
sou eu que estou me abraçando!
ADRIANO CARLOS/RJ

Uma Poesia livre

Lúcia Helena Pereira/RN
DÓI

Dói bem dentro de mim
Uma ausência querida
De um calor já distante
Afagos negados
E sussurros.
Dói bem dentro de mim
Essa dor tão pungente
Reabrindo feridas
Machucando pancadas
E magoando esperanças.
Dói bem dentro de mim
Esse grito calado
Despertando angústias
E medos sem fim.
Dói bem dentro de mim
Essa dor excitante
Gestos contidos
Mãos que se omitem
Às carícias completas
De um amor tão complexo!

Estrofe do Dia

Quero o tempo de menino
Eu, fazendeiro afamado,
Tinha o rebanho formado
Pelos bois de Vitalino.
A calça boca de sino
Pelo São João, mamãe fez
Eu parecia um francês
Mesmo todo amatutado.
Quero voltar ao passado
Pra ser criança outra vez.
WELLINGTON VICENTE/PE

Soneto do Dia

Francisco Macedo/RN
MINHA LUA DE MEL.

Soberana no céu, ela flutua,
inspirando o poeta em seu clarão…
– se “Nova”, ele a vê com o coração,
– se “Cheia” o meu amor, se perpetua!

Seja “Quarto Minguante”, minha Lua,
seja “Quarto Crescente”, de paixão!
Minha Lua que vai à imensidão,
conduz este poeta pela rua.

A Lua poetisa, tão mulher!
Se apodera de mim, sempre que quer…
Aceito na maior cumplicidade!

Contemplando teu céu, te vejo calma,
deixo nascer os versos dentro d’alma.
– Nossa Lua de Mel… Felicidade!

Fonte:
O Autor

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José Feldman (Simplesmente Sentindo)

Quando sentir o vento tocar seus ouvidos,
sou eu
sussurrando o meu amor por você.

Quando sentir as gotas da chuva sobre seu rosto,
são as minhas lágrimas
que te encharcam com meu amor.

Quando sentir o calor de um dia de verão,
imagine que é o meu corpo
te abraçando e
te dando o calor de meu coração.

Quando olhar pela janela de seu quarto e vir as estrelas piscando,
são meus olhos
que piscam aos milhares
as palavras
“Eu te amo!”

Quando passear pelo parque e vir uma árvore,
abrace-a e feche os olhos,
estará abraçando a mim,
meu corpo, meu coração
junto a si.

E se olhar para o alto desta árvore
ouça o farfalhar das folhas
É minha voz dizendo:
Eu sou teu para todo o sempre,
Volta para mim!

Fonte da Imagem =

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Ana Paula Maia e Paulo Sandrini (O Futuro do Mercado Editorial)

Ana Paula Maia (1977)

Nasceu em 1977, em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Publicou seu primeiro romance, O habitante das falhas subterrâneas, aos 26 anos (2003) pela 7 Letras, editora que sempre deu espaço para jovens escritores. Depois investiu no universo que já domina, o da internet, e lançou Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (aqui), em 2006, que agora em 2009 saiu impresso pela editora Record.

Com uma prosa que procura escrutinar a violência social, Ana Paula vem conquistando espaço no meio literário. Está em algumas antologias de novos talentos da ficção brasileira, entre elas 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira / organização Luiz Rufatto (editora Record, 2004); Todas as guerras – Volume 1 (Tempos modernos) / Org. Nelson de Oliveira – (editora Bertrand Brasil, 2009); 90-00 – Cuentos brasileños contemporáneos / org. Nelson de Oliveira e Maria Alzira Brum – (Peru) – 2009
Seu blog é: http://www.killing-travis.blogspot.com/

Paulo Sandrini (1971)

Paulo Sandrini nasceu em março de 1971, em Vera Cruz, São Paulo. Vive em Curitiba desde 1994. É Designer gráfico, mestre e doutorando em Estudos Literários [UFPR], autor de O estranho hábito de dormir em pé [2003], Códice d’incríveis objetos & histórias de lebensraum [2005], ambos de contos, e Osculum obscenum [2008], novela. Participou das coletâneas Contos cruéis, as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea [2006], 15 cuentos brasileros/15 contos brasileiros [Argentina, 2007], 90-00 Cuentos brasileños contemporáneos [Peru, 2009] e Futuro Presente [2009]. Ministrante de oficinas de criação literária desde 2007. Editor da Kafka Edições. Mantém o blog http://paulosandrini.blogspot.com/.

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Vicência Jaguaribe (Lançamento de Dois Livros: infantil e adulto)

BRINCANDO NO RITMO DA POESIA

Vicência Jaguaribe publica pela Editora Protexto (Curitiba) livro de poemas infantis, intitulado Brincando no ritmo da poesia. A obra reúne 33 poemas que misturam a realidade atual com as recordações de tempos idos. A autora revisita a fábula A Cigarra e a Formiga; brinca com os sons e o ritmo em A menina na roda; leva as crianças a penetrar Na terra do faz-de-conta; conta a história do galo Faraó, em Cocoricócócócócócó!!! ; solta Os meninos na chuva e liberta o pássaro prisioneiro, em O passarinho foi embora:

O passarinho foi embora

O passarinho acordou
Quando o galo cantou.
Esticou as asas
E também bocejou.
Soltou um trinado
Para a dona da casa.
Mas como haviam deixado
Aberta a gaiola
O passarinho frajola
Disse addio!
Good-bye!
Adiós!
Adieu!
Adeus! Mariolas,
Estou indo embora.

O livro é bem ilustrado, diverte e sensibiliza. Preço: R$30,00.
Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br
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ANCORAGEM EM PORTO ABERTO

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Ancoragem em porto aberto é um livro de contos (adultos), da contista Vicência Jaguaribe, publicado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. São 36 pequenas narrativas que resgatam lembranças e histórias ouvidas, fatos dos tempos passados e dos tempos atuais. Mas a invenção recobre o espectro do real, de modo que os contos, como toda obra de ficção, não podem ser tomados como a representação do real empírico. O título do livro remete à ideia de que a vida não é um porto seguro, e viver implica ficar à mercê das intempéries — dos ventos e das marés. Afinal, a vida é a protagonista subjacente a todas as histórias.

Preço: R$25,00.
Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br

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José Feldman (Descoberta)


Hoje eu descobri que ser uma pessoa boa não é um dom, mas uma maldição.

Hoje eu descobri que não importa o quanto você queira se dar a alguém, este alguém tem medo desse dar, e foge.

Hoje eu descobri que a felicidade só é perfeita quando somos dois, pensando como um só, mas as pessoas tem medo de repartir.

Hoje eu descobri que não importa que existam milhões de momentos felizes, se houver um que provoque mágoa, ele é muito maior que estes milhões.

Hoje eu descobri que contos de fadas, são apenas contos de fadas, e o “foram felizes para sempre” só existe em livros, pura ficção.

Hoje eu senti o que é você obter glórias além de seus sonhos, e não ter com quem dividir.

Hoje eu descobri que estas glórias são apenas grãos de areia que o vento espalha, e se perdem no ar.

Hoje eu descobri que quando um coração se parte, ele sangra sem parar.

Hoje eu descobri que um novo amanhecer tão lindamente cantado não existe, e dias e noites são um só.

Hoje eu descobri que a bondade não leva a nada e nem traz nada, somente dor.

Hoje eu descobri que quando se ama, não importa o sacrifício que se faça, sempre poderá haver uma segunda chance. O amor é se dar.

Hoje eu descobri que a amei e o amor é tão presente hoje como quando eu a amei pela primeira vez.

Hoje eu descobri que a felicidade é ilusão, quando se está sozinho e não se tem com quem dividir.

Hoje eu descobri que as pessoas vêm e vão, e a única coisa que é fiel a vida inteira é a dor, é a saudade, é o sofrimento.

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Gislaine Canales (Livro de Trovas)

A minha vida é uma Trova,
trova de ilusão perdida,
pois a vida é grande prova,
que prova a Trova da vida!

A minha vida é um romance,
pois sonhando sou feliz…
Eu deixo que o vento trance
os sonhos que eu sempre quis!

A mistura de mil cores
e toda a luz do universo,
mais o perfume das flores,
desejo pôr no meu verso!

A noite recebe a tarde
num momento de magia…
No pôr-do-sol, o céu arde
e tudo vira poesia!

A paz mundial é utopia
dizem uns…Não é verdade,
se buscarmos na Poesia
as armas da Humanidade!

A saudade da saudade,
varreu, de mim, a alegria,
levando a felicidade
que eu pensava que existia!

As eternas madrugadas
me encontram sempre a chorar.
A vida, cheia de nadas,
não me deixa mais sonhar!

A vida é renovação,
(é amor, é sonho e alegria),
é feita só de emoção,
recomeça a cada dia!

Cada livro é uma vitória
na memória de um País,
pois nos diz de sua glória
e é, da história, a geratriz!

Canto as estrelas nos versos,
com minha alma apaixonada…
Vou acendendo Universos…
“Criando luzes…do nada!”

É contrastante a ironia,
nesta verdade contida:
lindo o entardecer do dia,
triste o entardecer da vida!

É de ternura o momento
em que o Sol sorri do espaço,
se faz vida e sentimento
e lança ao mar seu abraço!

Em meu coração alterno
as estações…todo o dia,
tornando, assim, meu inverno,
lindo verão de poesia!

“Enganam-se os ditadores”
que pensam poder tirar
do mundo, nós, trovadores
e o nosso jeito de amar!

Era noite e a escuridão
pensou que raiava o dia,
ao sentir com emoção
a luz da tua poesia!

Eu prossigo o meu caminho,
procurando um grande amor,
que me envolva com carinho
e me aqueça com calor!

Eu quero poder cantar
meus versos aos quatro cantos,
talvez possa transformar
em risos, todos os prantos.

Eu tenho um sonho bonito:
Caminhar por sobre as águas
e ao chegar ao infinito,
esquecer todas as mágoas!

Hoje estou triste, alquebrada,
sem amor, sem alegria,
mas prossigo a caminhada…
Amanhã é um novo dia!

Lutemos pela conquista
da paz mundial no universo,
numa guerra pacifista,
usando as armas do verso!

Me envolve com mil abraços,
com mil beijos de afeição,
esse mar, de doces braços
com seus lábios de paixão!

Meu interior é risonho,
e posso a todos dizer
“que trago um mundo de sonho”
no meu modo de viver!

Meus lábios apaixonados
bebem o orvalho dos teus,
desses teus lábios molhados,
que sonham com os lábios meus!

Meu verso é meu companheiro
no cenário da ilusão
e o universo, imenso, inteiro,
se torna pequeno, então!

Não lembro de ti, passado,
pois, consegui te esquecer,
agora, só tenho ao lado
os sonhos que vou viver!

Nosso romance de amor
começou bem diferente…
Foi nosso Computador
que aproximou mais a gente!

Nosso romance virtual
é tão doce e verdadeiro
que se torna o mais real
romance, do mundo inteiro!

Novo tempo, nova história,
nova era, novo amor!
Antiga, só a memória
que, aos poucos, perde o valor!

Numa oração, com carinho,
eu peço a SAN VALENTIN:
Coloque no meu caminho
um amor real pra mim!

Nunca mais fiquei sozinha,
pois na Internet eu namoro,
e essa solidão que eu tinha
não mora mais onde eu moro!

O amor é pura magia
e a ternura da emoção
traduz-se nessa alegria
plantada no coração!

O mar é o mais doce amante
pois não cansa de beijar,
num lirismo alucinante,
toda a praia que encontrar!

O prazo que nós tivemos
para o nosso amor viver,
foi pouco. Nos esquecemos
antes do prazo vencer!

O sol dourado se espraia
tão lindo.com seu calor,
por toda a areia da praia
em doces beijos de amor!

Quando existe amor sincero
é forte a emoção que traz,
e ele mostrará, austero,
a grande força da paz!

Que a paz mundial, que sonhamos,
não seja mera utopia…
Para alcançá-la, vivamos
com muito amor cada dia!

Quero cantar pelo espaço
e, nas estrelas, rever
todas as trovas que eu faço.
Trova é prece em meu viver!

Realizando utopias
meu coração quer amar,
no crepúsculo dos dias
da minha vida a findar!

Sendo a vida embriagante
devemos vivê-la bem.
“Há sempre um mágico instante,”
há sempre um mágico alguém!

Sinto as mãos da solidão
num carinho de verdade,
trazendo ao meu coração,
das tuas mãos, a saudade!

“Somos os dois um só mundo”,
somos um só, na verdade,
e esse nosso amor profundo,
é mais que amor, é amizade!

Sou feliz ao relembrar
que realizei meu desejo…
Como foi bom te beijar!
Como foi bom o teu beijo!

Sou tão triste e tão sozinha,
que o eco do meu lamento,
desta saudade tão minha,
escuto na voz do vento!

Sozinhas nas madrugadas,
donas do mundo e da lua,
nossas mãos entrelaçadas
seguem juntas pela rua!

“Teu beijo pela Internet”
traz amor, traz alegria,
é sempre a melhor manchete
acarinhando o meu dia!

“Tua idade não importa,”
se feliz quiseres ser,
pois ao amor, não comporta
ter idade pra nascer!

Tudo é tão encantador,
nosso amor é tão bonito,
“que, em cada noite de amor”
ultrapasso o infinito!

Um mundo melhor…queria,
para deixar aos meus netos,
onde imperasse a alegria
numa transfusão de afetos!

Vem amor, vamos embora,
de mãos dadas pelo mundo,
“vamos viver vida afora,”
esse nosso amor profundo!

Vivemos juntos, mas sós,
nossa solidão somada,
fez de ti, de mim, de nós,
a soma triste do nada!

Vou vivendo meus agoras,
entre sonhos e utopias,
vou transformando em auroras
“as minhas noites vazias.”

Fonte:
http://gislainecanales.com.br/trovas.html

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 5)

Trova do Dia

Não te peço, Deus amigo,
igual multiplicação:
basta o milagre do trigo,
que a gente o transforma em pão!
ARLINDO TADEU HAGEN/MG

Trova Potiguar

Poeta, não perca o encanto,
que o seu verso, noite e dia,
guarda o riso sobre o manto
da mais singela alegria!
MARA MELINNI/RN

Uma Trova Premiada

Quem quer fugir de um suplício
e, no abismo, não se joga,
diz NÃO à droga do vício
que torna a vida uma droga!
MARIA NASCIMENTO/RJ

Uma Trova de Ademar

A chuva é para o sertão
como se fosse um troféu.
Deus abre com um trovão
a caixa d’água do céu!
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Com o sonho e a fantasia
levar a vida normal,
nem chega a ser utopia,
para o poeta é normal
MIGUEL RUSSOWSKY/SC

Uma Poesia livre

Jania Souza/RN
AMOR PERDIÇÃO.

Minh’alma em fogaréu
é um grito de amor
eco em meus fartos seios
úmidos de pranto clamor.
Só calo meu desvario
no céu que é tua boca
unção à minha perdição.

Estrofe do Dia

No ano de estiagem
O sol é incandescente
Não tem torres no nascente
Chuva parece miragem.
Na época da invernagem
Quando se ouve um trovão
Parece anunciação
Dessas que ninguém aceita,
Um arco íris se deita
Na paisagem do sertão.
DAMIÃO METAMORFOSE/RN

Soneto do Dia

Gilson Faustino Maia/RJ
MADRUGADA.

Naquela inesquecível madrugada,
quando o amor era rima principal
de um poema envolvente, sensual,
escrito a dois na sala envidraçada,

a lua espionava enciumada,
a cena de um fascínio sem igual.
Não era apenas um amor carnal,
também de uma ternura inusitada.

As rendas cor da paz daquela blusa
as minhas mãos tentavam afastar
dos frutos da paixão que a minha musa

queria, a contra gosto, resguardar.
E eu via em seu olhar, não a recusa,
mas um desejo enorme de se dar.

Fonte:
O Autor

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Trova 176 – José Feldman (PR)

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28 de setembro de 2010 · 22:22

Nei Garcez (Livro de Trovas)

Abarcar a transcendência
entre Deus e a Criação,
mesmo com toda ciência,
foge à nossa compreensão.

Amizades que são boas,
e atitudes tão singelas,
é gostarmos das pessoas
bem assim como são elas.

A nossa fisionomia
revelada no facial,
de tristeza ou de alegria,
é um idioma universal!

As pessoas nunca morrem,
simplesmente elas encantam,
vivem sempre, e nos socorrem
com as obras que aqui plantam.

Borboletas não persigo,
eu cuido do meu jardim.
Só assim delas consigo
que venham atrás de mim.

Cantagalo se enaltece
pelo filho que nos deu,
cuja história até enriquece
“Os Sertões” que ele escreveu.
(TEMA: EUCLIDES DA CUNHA)

Com a trova se diz tudo
em fração de oito segundos,
e seus temas, sobretudo,
são precisos e fecundos.

Desta vida eu devo o brilho
por você ter me ensinado.
Hoje, pai, com o meu filho,
sou você no meu passado.

Escrever é um simples conto,
que não é grande epopéia:
maiúscula, mais o ponto,
e no meio, só a idéia!

Luiz Otavio, no infinito,
em sua estrada já traçada,
nos ensina quão bonito
é uma trova declamada!

Na escalada de um edifício,
num mergulho mais profundo,
seu trabalho é um sacrifício
pra salvar vidas no mundo.
(DIA DO BOMBEIRO)

Neste mundo, eu vivo aqui,
é meu pai, meu grande amigo;
das lições que eu aprendi
tua imagem vem comigo!

No calor do ensinamento
você sempre esteve certo.
Hoje, o arrependimento…
Você não está por perto!

Nossas feridas externas
curam-se rapidamente,
mas as da alma, internas,
demoram dentro da gente.

O arquiteto e o engenheiro
vivem guerra contumaz,
pois quem cria é o primeiro,
e o segundo é quem faz.

O direito nos ensina
o equilíbrio que ele deu:
o teu direito termina
bem onde começa o meu.

O melhor amigo, em tudo,
de atitude sempre pronta,
nos quer bem, e não é mudo:
nossos erros nos aponta.

O namoro é uma viagem
que nos leva ao paraíso;
mas quem for comprar passagem…
na bagagem leve juízo.

O trabalho que é um ofício
de uma nobre profissão
já revela o benefício
no progresso da nação.

Parabéns, ó trovador,
deste solo e céu anil,
que com trova e muito amor
abençoa este Brasil!

Quando eu vejo, nesta vida,
tanta briga, com vingança,
a saudade me convida
pra voltar a ser criança.

Quem recorda os trovadores
com suas trovas de então,
oferece aos seus autores
a prova de gratidão!

Quem trabalha com grandeza
gera emprego no país;
põe comida em cada mesa…
Faz um povo mais feliz!

Sempre ao ver que a bola rola
guie o carro em segurança,
porque sempre atrás da bola
vem correndo uma criança.

Todo dia eu digo adeus
para a minha mocidade.
São felizes dias meus
que eu conservo na saudade.

Uma dor que me angustia,
e que eu guardo na lembrança,
é saber que um certo dia
eu deixei de ser criança.

Um país bem planejado,
com trabalho construído,
tem seu povo já educado
e um poder fortalecido.

Vejo sempre uma faceta
no processo que estimulo:
ora sou uma borboleta,
ora volto a ser casulo.

Você sempre foi meu guia
nos abismos desta vida,
e eu jamais o percebia,
ó meu pai… Que linda lida!

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 4)

Trova do Dia

Quanta inspiração me causa,
o entardecer morno e rubro.
Faz na vida doce pausa,
e com sol quente eu me cubro.
CARMEN PIO/RS

Trova Potiguar

Adotando os bons conselhos
das faculdades morais,
os filhos serão espelhos
da retidão de seus Pais.
DJALMA MOTA/RN

Uma Trova Premiada

1999 > Amparo/SP
Tema > VÍCIO

Tantos jovens, sem carinhos,
desprotegidos da sorte,
se perdem pelos caminhos
do vício que leva à morte!…
HERMOCLYDES S. FRANCO/RJ

Uma Trova de Ademar

Nenhuma ciência explica
as satisfações da mente.
O prazer não se fabrica,
ele nasce simplesmente…
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram:

Entre o orgulho e a solidão,
no meu mundo, hoje pequeno,
guardo um “sim” de prontidão,
esperando o teu aceno!
ULYSSES CARVALHO JÚNIOR/RJ

Uma Poesia livre

Daufen Bach/MT
“CRISPARES – POEMA-INÍCIO”

Entre um verso para teus olhos
e uma fantasia para os teus lençóis,
transfiguro-me
para um renascer contínuo.

inauguro o absoluto,
o verbo fluente,
fixado,
nunca acabado.

inauguro em mim
o sentir do amor.

Estrofe do Dia

Hora que o sentenciado
nas grades da detenção,
por todo mundo humilhado
sente mais recordação,
sonha com a liberdade
mas por infelicidade
não sai daquela enxovia;
a Deus eleva uma prece,
baixa a face a lágrima desce,
ao som da Ave Maria.
CANHOTINHO/PB

Soneto do Dia

Francisco Macedo/RN
DESISTIR, JAMAIS!

Escalava a montanha novamente…
E, alpinista de amor enlouquecido,
chegaria a um lugar desconhecido,
jamais imaginado pela mente.

Eu sentia o infinito a um batente,
e, jamais eu teria desistido!
Mas, por forças humanas, impedido…
– E a chegada tão perto, um pouco à frente.

Um grande sonhador, não fica triste,
de alcançar o ideal, jamais desiste,
quer sempre ir mais à frente, e, se cansado…

Ele tenta vencer o seu limite,
buscando o inalcançável, ele admite,
que se jamais chegar… Terá tentado!

Fonte:
O Autor

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Trova de Aniversário por Nei Garcez (Curitiba/PR)

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28 de setembro de 2010 · 00:03

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 3)

Trova do Dia

Fiel aos sonhos vassalos,
qualquer grande sonhador
guarda o medo de guardá-los
escondendo sua dor!
NILTON MANOEL/SP

Trova Potiguar

Meu pai, menino crescido,
brinca mais que meus irmãos…
Meu coração, comovido,
vê os calos em suas mãos…
CLEVANE PESSOA/RN

Uma Trova Premiada

2008 > Caicó/RN
Tema > ESTRADA > 4º Lugar.

Na estrada, outra pedra imensa,
mas, nem assim titubeio:
– não há revés que não vença
quem crê em Deus, como eu creio…
DARLY O. BARROS/SP

Uma Trova de Ademar

Sem pai, sem mãe, nem parente,
sente o mais triste desgosto,
não tem a quem dar presente
nos meses de maio e agosto.
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram:

Romance da mocidade
eu quis, um dia fazer;
tomou-me a mão a saudade
e então se pôs a escrever…
LUIZ RABELO/RN

Uma Poesia livre

Flauzineide Machado/RN
EU SOU APRENDIZ

Entre versos e rimas,
Eu escrevo poesias
Histórias contadas
Para serem sentidas.
Entre versos e rimas,
Eu escrevo emoções
Para serem vividas
Entre corações.
Entre versos e rimas,
Saio a caminhar
Para aprender,
Para ensinar.
Entre versos e rimas,
Canto feliz
A reviver

Estrofe do Dia

Até parece mentira
Certas coisas deste mundo:
Numa fração de segundo
A roda do tempo gira;
Um instante se retira,
Outro pula no tablado;
O tempo é tão apressado
Que passa pisando a gente…
Futuro é quase presente,
Presente é quase passado.
JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN

Soneto do Dia

João Justiniano da Fonseca/BA
O SONETO MODERNO.

O soneto renasce, e a todo pano,
transita pelos mares da poesia.
é clássico ou moderno, em confraria,
navega ao vento norte ou ao minuano.

É discriminação e puro engano,
dizer que a rima é velha e sem valia.
O belo é sempre belo, na poesia,
na pintura, na música… E que dano

causa o antigo teatro, o enceno, a mímica,
que afaga o espírito e ilumina a química,
do riso alegre, da tranqüilidade?

Renascendo o acadêmico soneto,
traz um sentido novo, e, em branco e preto,
tem gosto e aroma de modernidade!
—-

Fonte:
O Autor

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Nilto Manoel (C O R D E L – Jornal do Povo )

1
O cordel tem por ofício
quase a vida de um jornal.
Tem notícia, história, anúncio
e reportagem em geral.
Presente no dia a dia,
quer na prosa ou na poesia,
é cartilha nacional.
2
Na feira ou folheteria
e nas bancas vai em frente
reportando ao povo imenso
as coisas de nossa gente
do bóia fria ao doutor
do mestre ao construtor
no comércio refulgente.

3
O escritor é jornalista
lavra a terra e vê no chão
a semente que germina
o progresso da nação.
Como profeta, feliz
refloresce no que diz
letra por letra a lição.
4
O progresso pouco a pouco
no sertão faz-se infinito
e leva a mão primitiva
todas as cores do infinito
revelando com altivez
que o povo unido tem vez
quando há irmandade no grito.
5
O meu irmão cordelista
da Bahia de Brasília,
de Goiás Mato Grosso,
Rio e São Paulo, em vigília
tem do trabalho alegria,
pois da prosa ou da poesia
ganha o sustento da família.
6
Tenho muito viajado
e nos trechos por onde piso
vejo com satisfação,
que do lápis mais preciso
ou das cordas de um repente,
nasce o encanto auri-fulgente,
de gente que tem juízo.
7
No folheto ou no improviso
o pensamento do autor
tem colorido de paz
quando semeia com amor
que povo unido é mais forte,
e do progresso o suporte
da nação seu esplendor.
8
O Cordel está presente
no acampamento operário
no escritório do doutor,
no metrô pelo itinerário
e no salão de barbeiro…
No teatro brasileiro
ganha chão pelo cenário.
9
Saiba que o poeta reporta
dos tempos toda finura
que até um pesquisador
defende a sua fartura.
Sempre existe um zombeteiro
que para não gastar dinheiro
diz: – Cordel? Não é cultura!
10
No entanto a escola da vida
demonstra o que é patente
que o Cordel é popular
e na cultura da gente
na mais terna galhardia
é folheto e antologia,
e tem magia patente.
11
Muito aprende quem é feliz
e quer da escola da vida
sua turma de trabalho
pois o círculo da lida
tem força quando une a gente
sem discriminar nem na mente
qualquer rota percorrida.
12
O Cordel está presente
na capital, no sertão,
na rede, na palafita,
no barco e no avião.
Anda até de bicicleta,
pois na sina do poeta
tem nobre motivação.
13
Só querendo ser sequência
sem jamais encher linguiça,
com imagem momentânea,
– no cinzento sem preguiça-
busco rima para cacto
e o assunto dá impacto…
O sertão quer mais justiça.
14
O Cordel é céu estrelado
na cultura tem primor,
pelos sertões do nordeste
ou nas cidades em flor
não teme a voz do ranzinza
nem o carregado de cinza
que seu brilho tem valor.
15
O Cordel fala gostoso
para o ouvido do Senhor,
senhora ou senhorita,
porque pinta em sua cor
celestial e bendita
sem precisar fazer fita
no mundo ganha vigor.
16
Sou andarilho, valente,
meu arco-íris é a estrada
por onde o sonho é constante.
Na realidade dourada
de um mensageiro fiel
desempenho o meu papel
com fala mais sublimada.
17
Coloco a lauda na máquina
e dedilho um violão,
produzindo num repente,
o que vai na imaginação,
… e no folheto gravado,
vai do forno ao mercado
porque do espirito é o pão.
18
Quando pinto minha tela
não descuido da tintura
porque sei que meu freguês
não vive só de amargura,
Sonha com amor e com a vida
e com o salário da lida
quer o direito de fartura.
19
Em qualquer rua gostosa
pelas mãos do próprio autor
no comércio sem mistério,
o Cordel é bom cantor,
tem o espaço que merece
conversa com voz de prece
pois sempre é bom orador.
20
Por isto leitor amigo,
Pelo chão preto, Mocinho,
A festa dos papagaios,
são folhetos meus onde alinho
mensagens ao seu alcance,
e espero que não se canse
com a embriaguez do meu vinho.
21
De poeta e louco há quem diga
que um pouco tem todo mundo.
Nesta pátria de poesia
o sonho é belo e profundo
quando há esperança no sonho,
o medo é menos risonho
quem luta não é vagabundo.
22
Todos nós somos irmãos
e de Deus a terra é nossa.
Quem faz boa semeadura
com paz e amor não há fossa,
tem sempre unida a família
se trabalha sem quizília
com a vida não se faz troça.
23
A temática ganha espaço
no mundo constantemente,
porque o poeta inspirado
consegue ver no repente,
até o sexo de micróbio
e se o tempo o faz macróbio,
fica antigo e experiente.
24
O cordelista é eterno
Nunca vive a vida em vão
é simpático tem mestria
com seu folheto na mão
semeia a boa feitura
do cordel que é cultura
na riqueza da nação.

Vila Tibério. 3/1/1979.

Fonte:
O Autor

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Literatura de Cordel no Ponto de Cultura do Maurílio Biagi, em Ribeirão Preto

O “Ponto de Cultura”, nas dependências do Parque Maurílio Biagi, localizado nas proximidades da Câmara Municipal, teve programação especial no domingo, dia 19, quando, além da troca de livros, contadores de histórias, com Adriana Paim e Cassiana Freitas, haverá participação de autores e autoras lendo seus textos e um espaço dedicado à literatura de cordel.

Para isso, segundo Edwaldo Arantes, presidente do Instituto do Livro, o projeto convidou todos os escritores cordelistas para que inaugurem suas participações neste espaço democrático, por sugestão do vereador Cícero Gomes da Silva, que há anos realiza a feira de mangaio, que comercializa diversos produtos nordestinos, e que já acontece na cidade há anos. O trovador Nilton Manoel e seu grupo mostraram essa tendência literária aos frequentadores do Maurílio Biagi.

De acordo com ele, Ribeirão Preto tem na vida cordelista a presença feminina, destacando boas histórias romanceadas. “Cordel é cultura e merece vida longa”, emenda Nilton Manoel, que compõe o Movimento Poético de Ribeirão Preto.

Fonte:
http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/ccs/snoticias/i33principal.php?id=15890

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Renata Paccola (Livro de Trovas e Haicais)

Clique sobre a imagem para ampliar

Teve um chilique tão forte
que logo tomou vacina,
e se mandou para o Norte
temendo a gripe sulina…

Deu chilique no garoto
ao saborear seu prato,
e o tempero “Ajinomoto”
bem depressa “agiu no mato”

Solteira por convicção
só quero um “galho” inconstante:
quem gosta de amarração
é corda, fita e barbante!

Para o furacão filmar,
a TV saiu-se bem:
a matéria foi ao ar
e o repórter foi também!

Ao chegar em Portugal depois
da grande conquista, vendo a
sogra em seu quintal, diz
Cabral: – Encrenca à vista!

Não há bicho que não deixe
suas marcas na Julinha:
no pé, tem olho de peixe;
no olho, tem pé de galinha!

Esqueço o redemoinho
de frases soltas ao vento
quando, em silêncio, sozinho,
falo com meu pensamento…

No meio da escuridão,
um facho de luz me invade,
quando um velho lampião
acende minha saudade…

Quanta beleza irradia
um sorriso verdadeiro,
onde, com luz e magia,
os olhos riem primeiro!

HAICAIS

O clarão da lua
por uma fresta ilumina
a casa sem luz.

Bucha pendurada
no espelho retrovisor —
carro de fazenda

Entre os pratos frios
do restaurante por quilo,
couve-flor reluz.

Cozinheiro espalha
pedaços de couve-flor
sobre o yakissoba
—–

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Renata Paccola (Cristais Poéticos)

TROCADOS

No afã de conquistar algum trocado,
há quem entregue o corpo e venda a alma
pelo seu dinheirinho abençoado
que o faz ganhar o pão perdendo a calma.

Abra as mãos para ver, maravilhado,
que uma fortuna cabe em sua palma,
porque nem sempre o rico é afortunado
e nem sempre a fartura nos acalma.

Há quem ganhe dinheiro por esporte…
Contudo, neste mundo tem mais sorte
quem conquista os amigos verdadeiros,

mas chegando aos momentos derradeiros,
faz um pedido a todos os herdeiros,
que, por favor, esperem sua morte!

LIBERDADE

Liberdade, meu sonho mais distante!
Caminho com as pernas amarradas,
e com a realidade, de mãos dadas.
Liberdade, conceito conflitante!

Meu mundo de ilusões acorrentadas
tem a felicidade num instante
e, no outro, a tristeza mais cortante…
Sou um pássaro de asas arrancadas.

Liberdade, vital contradição:
até um escravo é livre quando alcança
a liberdade do seu coração.

Contudo, chegará aquele dia
pelo qual sobrevive uma esperança
da liberdade, ainda que tardia!

INDIFERENÇA

Passo por ti, e nem sequer me notas,
embora eu vá seguindo tua vida.
Sei de tuas vitórias e derrotas,
acompanho de perto tua lida.

De tuas fãs, eu sou a preterida.
Em teu meio, sou alvo de chacotas,
e me sinto como uma nau perdida
(busco em vão encontrar as próprias rotas).

Passas com jeito de quem não me quer,
usas palavras vãs, idéias turvas,
ao passo que eu te espero sem perder a calma.

Mas se pensas em mim como mulher,
enquanto vais olhando minhas curvas,
eu fico retratando tua alma.

DOM

De todos os meus dons, o que mais prezo
está na minha mente poderosa.
Por ser, antes de tudo, misteriosa,
nunca sei se gargalho ou se me enfezo.

Deixo-me dominar e sou teimosa.
Se tento fazer bem, é quando leso.
Sou profana, descrente, e sempre rezo.
Quando perco, sou mais vitoriosa.

Defendo a tese em que não acredito.
Quando minto, estou sendo verdadeira.
Por tudo o que vivi, eu já sou pura.

O espaço em que viajo é o mais restrito.
E tudo o que ganhei na vida inteira
é meu dom de assumir toda a loucura.

FOGO

Ao entregar meu corpo e minha vida
àquele que tomou conta de mim,
numa ação pelos céus reconhecida
vou revelando meu amor sem fim.

Contudo, para o mundo, estou perdida
por ter no corpo o fogo do carmim.
Vou carregando, embora perseguida,
em minha alma, a pureza do marfim.

Se o amor é belo para quem o vê,
é mais sublime para quem o faz.
Se a experiência pode ser bem vasta,

continuo na busca de um porquê
da existência, que com loucura traz
um corpo impuro numa alma ainda casta.

GIRA-MUNDO

Eu sei que não nasci para este mundo
repleto de tensão e violência,
avesso ao sentimento mais profundo,
em cujo solo impera a delinqüência.

Prossigo com um sonho de decência,
e neste sonho às vezes eu me afundo,
até chegar à beira da demência
e em meu espelho ver um vagabundo.

Mas da revolta o meu maior motivo
é que, apesar de tudo, ainda vivo
tentando ter o mundo a meu favor.

Seguindo o movimento de um pião,
eu giro pelo mundo em contra-mão
se o mundo gira contra nosso amor.

SOBRAS

Sobras
são sombras.

Sobras do passado,
saudades,
sombras que ainda se movem,
embora estendidas no chão.

Sobras,
quebras
dos grilhões de vidro que já não prendem,
mas seus cacos ainda cortam.

Sobras,
retalhos,
tijolos,
que foram e serão
partes de uma construção.

Sobras,
lembranças que podem se deteriorar
se não forem bem conservadas.

Saudosismos,
sobras inúteis
de fatos perfeitos.

Uma lágrima rola,
sobra de tantas derramadas.

Frases que poderiam ser ditas,
páginas ainda não escritas
da história que juntos vivemos
e que deixamos por terminar;
sobras úteis
de pratos malfeitos.

Sobras,
restos imortais
do passado que se confunde com o presente.

As sobras de hoje
serão o prato de amanhã,
quando a sombra partirá
e as lágrimas
não sobrarão.

Sobras de uma paixão,
um resto de sol
e uma poça no chão.

FEITIÇO

Se eu tivesse os poderes de uma fada
Estaria contigo o tempo inteiro
Iluminando tua madrugada
Como se fosse a luz de um candeeiro.
Seria teu bordel e teu mosteiro,
Seria teu refúgio e tua estrada
Do nascer ao momento derradeiro,
Da hora da partida até a chegada.
Eu te seduziria qual sereia,
Então, nos amaríamos na areia;
Depois, te afogaria com meus beijos.
E no final eu me transformaria
Numa estrela repleta de magia
Que pudesse atender aos teus desejos!
—–

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 2)

A pintura na imagem abaixo é de Fábio Pinheiro
(Casinha no Interior de Santana de Matos)
Trova do Dia

Aquele olhar triste e ardente,
que na partida me deste,
foi muito mais eloquente
que as palavras que disseste.
CONCEIÇÃO A. DE ASSIS/MG

Trova Potiguar

A terra inteira secou!…
E, a dor me fez sofrer tanto,
que quando a chuva voltou,
tinha secado o meu pranto!
PROF. GARCIA/RN

Uma Trova Premiada

1999 > Amparo/SP
Tema > VIRTUDE > Venc.

Nos mais difíceis momentos,
tuas virtudes revelas:
quando o barco enfrenta os ventos,
mostra a beleza das velas!
SÉRGIO FERREIRA DA SILVA/SP

Uma Trova de Ademar

Descobri no envelhecer
que a musa que me enaltece
não deixa o verso morrer,
pois musa nunca envelhece!
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram:

Vejo na tarde tristonha,
pelo vento solto ao léu,
o lenço branco das nuvens
limpando o rosto do céu.
CESAR COELHO/CE

Uma Poesia Livre

CECÍLIA MEIRELES/RJ
MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.

Estrofe do Dia

MOTE: “o teu amor de mentira,
Me fez sofrer de verdade.”

Despertou a minha ira
me lançando ao ostracismo,
pois veio em tom de cinismo
o teu amor de mentira.
Meu “eu” de angústia delira
retroajo à puberdade;
meu peito dói de verdade
ao sentir com vil tormento
que teu ego fraudulento
me fez sofrer de verdade.
NIZARDO AMÉRICO/RN

Soneto do Dia

GERSON CESAR SOUZA/PR
EXTREMOS.

Somos assim, estranhamente extremos,
gostos opostos, sonhos discrepantes,
somos canção de acordes dissonantes,
há divergência em tudo o que queremos…

Só defendemos pontos concordantes
até entender que não nos entendemos,
e esclarecendo aquilo que dissemos,
dizemos sempre coisas conflitantes…

Tu, me querendo, dizes que eu não presto,
e ao te querer, sempre de ti reclamo,
mas tu me chamas, disfarçando o gesto,

e entre protestos eu também te chamo,
pois, mesmo amando tudo o que eu detesto,
tu és na vida aquilo que eu mais amo!
——

Fontes:
– O Autor
– Imagem = montagem por José Feldman

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Antônio de Alcântara Machado (Brás, Bexiga e Barra Funda) Parte II

8 · NOTAS BIOGRÁFICAS DO NOVO DEPUTADO

O coronel J. Peixoto de Faria fica desnorteado quando recebe a carta do administrador da fazenda Santa Inácia dizendo, entre outras coisas, que o seu compadre, João Intaliano, morreu. O órfão e afilhado do coronel, Gennarinho, ficou na casa do administrador, que agora pede uma orientação. O coronel Juca e Dona Nequinha, sua esposa, deixam para responder a carta no dia seguinte.

Gennarinho, nove anos, é trazido pelo filho mais velho do administrador. Vem “com o nariz escorrendo. Todo chibante.”

Logo Gennarinho já é tratado com um filho pelo casal.

Um dia, o coronel decide traduzir o nome do menino. “Gennarinho não é nome de gente”.

E passou a chamá-lo de Januário.

Discutindo sobre o futuro do garoto, os pais adotivos resolvem colocá-lo num colégio de padres.

No primeiro dia de aula, o coronel, todo comovido, acompanha Januário e o apresenta ao reitor. D. Estanislau pergunta seu nome. O menino responde dizendo apenas o primeiro nome. O reitor insiste: Januário de quê? O menino responde, com os olhos fixos no coronel: Januário Peixoto de Faria.

Seguindo para São Paulo, o coronel já pensa em fazer testamento.

9 · O MONSTRO DE RODAS

As pessoas da sala discutiam as providências a serem tomadas para o enterro de uma criança. Dona Nunzia, a mãe, chorava desesperada até que foi levada para dentro pelo marido e pelo irmão. Uma negra rezava.

Na sala de jantar, alguns homens discutiam sobre qual seria a repercussão no Fanfulla, jornal da comunidade italiana. Pepino acha que a notícia irá atacar o “almofadinha”. Tibúrcio, porém, sabe que “filho de rico manda nesta terra que nem a Light. Pode matar sem medo.”

Durante o cortejo, outros interesses aparecem: o bate-papo dos rapazes (“A gente vai contando os trouxas que tiram o chapéu até a gente chegar no Araçá. Mais de cinqüenta você ganha. Menos, eu.”), a vaidade das mulheres (“Deixa eu carregar agora, Josefina?” “Puxa, que fiteira! Só porque a gente está chegando na Avenida Angélica. Que mania de se mostrar que você tem!”), politicagens (“Tibúrcio já havia arranjado três votos para as próximas eleições municipais”)…

Na volta para casa, Aída encontra dona Nunzia olhando a foto da menina morta publicada na Gazeta. O pai tinha ido conversar com o advogado.

10 · ARMAZÉM PROGRESSO DE SÃO PAULO

O armazém do Natale era famoso por um anúncio em que dizia ter artigos de todas as qualidades. “Dá-se um conto de réis a quem provar o contrário”. Zezinho, o filho do doutor da esquina, sempre bulia com seu Natale, pedindo, por exemplo, “pneumáticos balão”. Quando o malandro cobrava seu um conto de réis, Natale respondia: “Você não vê, Zezinho, que isso é só para tapear trouxas?”. E anotava na conta do pai os cigarros que o rapaz pedia com nome de outros.

Em frente ao armazém, a confeitaria Paiva Couceiro não agüentaria por muito mais tempo. E seu Natale, que tinha prazer em observar aquele espetáculo de decadência dia após dia, já havia calculado quanto ofereceria ao português no leilão da falência. Por hora, ele fazia a sua parte: pressionava o homem com uma dívida com ele, uma letra que estava para vencer.

Dona Bianca o chama. Ouvira numa conversa do José Espiridão, o mulato da Comissão do Abastecimento, que a crise viria e os preços, inclusive o da cebola, produto encalhado na confeitaria, disparariam. Se não desse um jeito no português agora, nunca mais. Depois de confirmar o assunto com o mulato e pedir sua colaboração ficando quieto, seu Natale consegue “arranjar” o negócio. À noite, dona Bianca vai dormir se vendo no palacete mais caro da Avenida Paulista.

11 · NACIONALIDADE

O barbeiro Tranquillo Zampinetti lia entusiasmado as notícias de guerra no jornal italiano Fanfulla. Chegava até a brandir a navalha como uma espada assustando os fregueses. Mas tinha um desgosto “patriótico e doméstico”: os filhos Lorenzo e Bruno não queriam falar italiano.

Depois do jantar, Tranquillo colocava a cadeira na calçada e ficava com a mulher e alguns amigos como o quitandeiro Carlino Pantaleoni, que só falava da Itália. Tranquillo ficava quieto mais depois sonhava em voltar para a pátria.

Um dia, Ferrúcio, candidato do governo a terceiro juiz de paz, veio pedir votos. Tranquillo, que nem votava, acabou sendo convencido pelo compatriota e gostou tanto que com o tempo andava até pedindo votos.

A guerra européia encontrou Tranquillo bem estabelecido, influente e envolvido na política; Lorenzo, noivo e também participando da política da região; e Bruno estudando, além de ser vice-presidente da Associação Atlética Ping-Pong. Tranquillo ainda se agitou com a guerra. Mas, com o descaso da família, logo foi se desinteressando.

O progresso de Tranquillo continuava e agora ele comentava mais as questões políticas do Brasil que as da Itália.

Quando Bruno se forma advogado pela faculdade de Direito de São Paulo, o pai chora, a mãe é trazida pelo neto, filho de Lorenzo, para vê-lo e todos se abraçam emocionados. E o primeiro serviço de Bruno foi requerer a naturalização de Tranquillo Zampinetti.

FOCO NARRATIVO

Todos os contos são narrados em terceira pessoa. Aliás, o estilo narrativo está de acordo com a proposta feita pelo autor no prefácio da obra, “Artigo de Fundo”:

Este livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos: nasceram notícias.”

Com este ponto de vista, Alcântara Machado assume um estilo jornalístico de narração. A preocupação do narrador é observar o cotidiano desta comunidade que chama sua atenção. E para melhor retratá-la, o narrador ora assume uma postura meramente observadora, mostrando os fatos de uma certa distância, ora assume um caráter onisciente, aproximando-se mais dos personagens.

AMBIENTAÇÃO

A obra de Alcântara Machado é um verdadeiro retrato de uma época. O título já revela a importância do espaço. A região escolhida para ser retratada já é ela própria determinante de uma cultura. No início do século, Brás, Bexiga e Barra Funda foram os principais bairros de São Paulo onde os ítalo-brasileiros se concentraram. As referências exatas dos nomes de ruas, praças e avenidas, além de tornarem a identificação do ambiente muito fácil, garantem também certo ar de veracidade. É o que já foi falado antes sobre o caráter jornalístico da obra. As histórias não se passam em “algum lugar” imaginário, distante. Estão todas em espaços bem definidos. Mas outros lugares que não só os bairros industriais italianos são citados. A avenida Paulista, por exemplo, aparece como símbolo de fortuna e nobreza.

A preocupação com a exatidão espacial cai até a citação do endereço (por vezes contendo até o número da casa: “Era a rua da Liberdade. Pouco antes do número 259-c já sabe: uiiiiia-uiiiiia!”). Mas não há preocupação maior com a descrição de ambientes internos e externos. Poucas vezes podemos “ver” como é a casa das personagens como acontece, por exemplo, em “Carmela”, que lê seu livro de cabeceira antes de “se estender ao lado da irmãzinha na cama de ferro”; ou em “Lisetta”, em que vemos a mulher rica e má entrando em seu “palacete estilo empreiteiro português”. Ou então pinceladas nos sugerem a atmosfera: “Não adiantava nada que o céu estivesse azul porque a alma de Nicolino estava negra”. Toda essa concisão descritiva é própria das narrativas curtas. Nelas, o autor controla as informações passando ao leitor somente aquilo que é extremamente necessário para criar o “clima” do texto.

Quanto ao aspecto temporal, todos os contos retratam a mesma época histórica, isto é, o início do século XX, momento da aculturação italiana em São Paulo. Mesmo assim cada conto trabalha um espaço temporal próprio. Alguns retratam uma época da vida dos personagens, como é o caso de “Nacionalidade” e “Notas Biográficas do Novo Deputador”; outros retratam apenas alguns dias da vida dos ítalo-brasileiros, como em “Gaetaninho”, “Carmela”, “A Sociedade” e “Armazém Progresso de São Paulo”. Já “Amor e Sangue”, “Coríntians (2) vs Palestra (1)” e “O Monstro de Rodas” dão enfoque aos acontecimentos de um dia especial na vida dos personagens.

PERSONAGENS

Os personagens são “planos”, superficiais, não apresentam transformações surpreendentes durante a narrativa.

Na busca pela adaptação cultural e econômica, encontramos as costureirinhas curiosas pelo mundo do qual não fazem parte, mas conscientes de que devem continuar a fazer suas famílias na colônia, as crianças vítimas do preconceito, da pobreza e da injustiça que cerca o imigrante de classe mais baixa, os comerciantes gananciosos e suas famílias buscando uma posição social, os jovens trabalhadores e apaixonados, os quatrocentões paulistas, nobres e falidos, diante dos “carcamanos” endinheirados e “sem berço”.

Assim como acontecia em relação à ambientação, as descrições das personagens só aparecem para nos dar traços marcantes, que permitam entender uma característica a mais delas. Muitas vezes os traços principais ganham destaques refletindo até mesmo na aparência, e o personagem ganha ares de caricatura. Mas tudo mostrado de um modo muito rápido, muito controlado da parte do narrador. A sensualidade de Carmela é notada pelas suas roupas e seus gestos: “O vestido de Carmela coladinho no corpo é de organdi verde. Braços nus, colo nu, joelhos de fora. Sapatinhos verdes. Bago de uva Marenga maduro para os lábios dos amadores”. Bianca, por sua vez, parece ter como função apenas dar ainda mais destaque à beleza da amiga: Bianca por ser estrábica e feia é a sentinela da companheira”. Com isso, consegue nacos de emoção da vida da outra. O namorado, entregador da casa Clarck, com muito orgulho, exibe-se também com um esmero exagerado, revelando a vaidade excessiva, o furor juvenil e o ar apaixonado: “sapatos vermelhos de ponta afilada, meias brancas, gravatinha deste tamaninho, chapéu à Rodolfo Valentino, paletó de um botão só”. Em “Notas Biográficas do Novo Deputado”, vemos Gennarinho se comportando como um menino rude, que entraria em choque com os hábitos da família do coronel se não tivesse caído nas suas graças. E daí para a brasilidade marcada até mesmo no aportuguesamento do nome: Januário. Enfim, um quadro amplo do que foi a vida dos italianos e seus descendentes nas primeiras décadas do século.

TIPOS DE DISCURSO

Uma das marcas de Brás, Bexiga e Barra Funda é a leveza conseguida por meio do discurso direto, predominante na obra. As personagens têm a oportunidade de falar diretamente por meio dos diálogos, exprimindo suas emoções, tristezas e esperanças com toda a carga expressiva e a coloquialidade que lhes é característica. Os diálogos propiciam também maior sensação de realismo e de proximidade entre personagens e leitor. A história ganha em dinamismo e, graças à sutil ironia de Alcântara Machado, em humor:

– Boa tarde, belezinha…
– Quem? Eu?
– Por que não? Você mesma…

Bianca rói as unhas com apetite.
– Diga uma cousa. Onde mora a sua companheira?
– Ao lado de minha casa.
– Onde é sua casa?
– Não é de sua conta.

Em alguns momentos, o discurso direto é guardado para as situações de maior intensidade e a preparação da cena traz o discurso indireto:

No chá de noivado o cav. uff. Salvatore Melli na frente de toda a gente recordou à mãe de sua futura nora os bons tempinhos em que lhe vendia cebolas e batatas, Olio di Luca e bacalhau português quase sempre fiado e até sem caderneta.

O discurso indireto livre também aparece algumas vezes, permitindo que o leitor aproxime-se mais do personagem, conhecendo seu interior.

Este espetáculo diário era um gozo para o Natale. Cebola era artigo que estava por preço que as excelentíssimas mães de família achavam uma beleza de preço. E o mondrongo coitado tinha um colosso de cebolas galegas empatado na confeitaria.

Era mesmo. Gostava do Rocco, pronto. Deu o fora do Biagio (o jovem e esperançoso esportista Biagio Panaiocchi, diligente auxiliar da firma desta praça G. Gasparoni & Filhos e denodado meia-direita do S. C. Coríntians Paulista campeão do Centenário) só por casa dele.

Percorre logo as gravuras. Umas tetéias. A da capa então é linda mesmo.

RECURSOS DE LINGUAGEM

Antônio de Alcântara Machado traz na linguagem uma marca muito própria dos modernistas da primeira geração: a recusa à linguagem empolada, retórica, cheia de volteios. Ao contrário sua linguagem é marcada pelo estilo telegráfico, conciso. As frases são na sua maioria formadas por orações coordenadas e curtas, garantindo sempre um mesmo ritmo ao texto:

Foi-se chegando devagarinho, devagarinho, devagarinho. Fazendo beicinho. Estudando o terreno. Diante da mãe e do Chinelo parou. Balançou o corpo. Recurso de campeão de futebol. Fingiu tomar a direita. Mas deu meia volta e varou pela esquerda porta adentro.

Ia indo na manhã. A professora pública estranhou aquele ar tão triste. As bananas na porta da Quitanda Tripoli Italiana eram de ouro por causa do sol. O Ford derrapou, maxixou, bamboleando. E as chaminés das fábricas apitavam na Rua Brigadeiro Machado.

O tom é sempre coloquial, marcado pela oralidade, pela linguagem do cotidiano das personagens:

Logo na porta um safanão. Depois um tabefe. Outro no corredor. Intervalo de dois minutos. Foi então a vez das chineladas. Para remate. Que não acabava mais.

O resto da gurizada (narizes escorrendo, pernas arranhadas, suspensórios de barbante) reunidos na sala de jantar sapeava de longe.

No discurso direto dos ítalo-brasileiros, a língua mesclada:

– Parlo assim para facilitar. Non é para ofender. Primo o doutor pense bem. E poi me dê a sua resposta. Domani, dopo domani, na outra semana, quando quiser, lo resto à sua disposição. Ma pense bem!

Uma marca ainda muito freqüente em sua linguagem é o uso de onomatopéias. Elas reforçam a sensação de que as cenas estão vivas e se passam na frente do leitor:

E – ráatá! – um cusparada daquelas.

O professor da Faculdade de Direito citava Rui Barbosa para um sujeitinho de óculos. Sob a vaia do saxofone: turururu-turururum!

O medo faz silêncio.
Prrrrii!
Pan!
– Go-o-o-o-ol! Coríntians!

Ambientação e construção de personagens também adquirem um estilo especial na escolha das imagens. Tudo parece ganhar vida por meio das prosopopéias.

A rua Barão de Itapetininga é um depósito sarapintado de automóveis gritadores. As casas de modas Ao Chic Parisienese, São Paulo – Paris, Paris Elegante despejam nas calçadas as costureirinhas que riem, falam alto, balançam os quadris como gangorras.

Lancia Lambda, vermelhinho, resplendente, serpejando na rua. Vestido do Camilo, verde, grudado à pele, serpejando no terraço.

Camisas verdes e calções negros corriam, pulavam, chocavam-se, esfalfavam-se, brigavam. Por causa da bola de couro amarelo que não parava, que não parava um minuto um segundo. Não parava.

O violão e a flauta recolhendo da farra emudeceram respeitosamente na calçada.

Outra figura de linguagem que aparece com constância é a metonímia:

A mão enluvada cumprimentou com o chapéu Borsalino.

Depois que seus olhos cheios de estrabismo e despeito vêem a lanterninha traseira do Buick desaparecer Bianca resolve dar um giro pelo bairro.

Até mesmo o modo de ver as coisas parece, na maioria das vezes, ser feito de modo fragmentado, metonímico:

Abre a bolsa e espreita o espelhinho quebrado que reflete a boca reluzente de carmim primeiro, depois o nariz chumbeava, depois os fiapos de sobrancelha, por último as bolas de metal branco na ponta das orelhas descobertas.

Carmela olha primeiro a ponta do sapato esquerdo, depois a do direito, depois a do esquerdo de novo, depois a do direito outra vez, levantando e descendo a cinta.

A contemporaneidade se faz presente pelas referências a lojas, marcas, endereços, que ganham ainda mais reforço por meio da ênfase gráfica dada: a roupa de marinheiro branca de Gaetaninho traz: “Encouraçado São Paulo”; as lojas do centro são mencionadas com destaque: Ao Chic Parisiense, São Paulo – Paris, Paris Elegante; o canivete usado pelo professor de Aristodemo era brinde do Chalé da Boa Sorte e os cigarros do rapaz eram Bentevi. “A sociedade” e “Armazém Progresso de São Paulo” trazem, respectivamente, o convite de casamento de Adriano e Teresa e o anúncio pelo qual o armazém ficou conhecido.

O recurso gráfico também surge para auxiliar na questão temporal. A linguagem concisa, já discutida acima, provoca a sensação de simultaneidade de acontecimentos. As cenas aparecem justapostas de variadas formas. A mais comum em todos os contos é o espaçamento gráfico entre as partes da narrativa. Ele permite perceber a interrupção entre um momento da história e a mudança de enfoque para outro momento. Outra forma usada para trabalhar a idéia de simultaneidade é o uso de parênteses, que acrescentam um novo dado secundário à cena principal:

No Grupo Escolar da Barra Funda Aristodemo Guggiani aprendeu em três anos a roubar com perfeição no jogo de bolinhas (garantindo o tostão para o sorvete).

Na sala de jantar Pepino bebia cerveja em companhia do Américo Zamponi (Salão Palestra Itália – Engraxa-se na perfeição a 200 réis).

Em “A Sociedade”, a simultaneidade é tanta que várias cenas se interpenetram por meio do espaçamento gráfico, da fragmentação da letra da música, das orações justapostas.

… mas a história se enganou!

As meninas de ancas salientes riam porque os rapazes contavam episódios de farra muito engraçados. O professor da Faculdade de Direito citava Rui Barbosa para um sujeitinho de óculos. Sob a vaia do saxofone: turururu-turururum!

– Meu pai quer fazer um negócio com o seu.
– Ah sim?
Cristo nasceu na Bahia, meu bem…

O sujeitinho de óculos começou a recitar Gustave Le Bom mas a destra espalmada do catedrático o engasgou. Alegria de vozes e sons.
… e o baiano criou!

Fonte:
Estudo copiado do material do Curso Universitário, disponível em http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/barrafunda

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Trova 175 – Ademar Macedo (Santana do Matos/ RN)

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25 de setembro de 2010 · 18:00

Roberto Pinheiro Acruche (Livro de Poesias)

A SAUDADE

Saudade… Qual é a sua cor?
Por que estou sentindo-a
tão junto a mim e não consigo vê-la?
Não me atormente ainda mais
com este silêncio,
além desta dor que me rasga o peito.

Porque você não aparece
e desvenda logo esse mistério?
Você sabe onde me encontrar!

Vou estar nos mesmos lugares,
sentado na areia olhando o mar
ou nos mesmos bares
consumindo a noite.

E se acaso não me encontrares
pergunte pra solidão…
Somente ela saberá dizer
o meu paradeiro.
Mas não demore mais;
faça antes da tristeza
me levar por inteiro!…

ARCA DOS SONHOS

As horas passam
e eu me curvo diante
do tempo
que também passa… Que passa!…
E eu preso na arca dos sonhos,
fantasiando a vida.
Quando acordar
desta aspiração
liberto do devaneio,
quem sabe ainda haverá tempo
para realizar os sonhos?
E se não houver tempo
e se não realizar meus sonhos,
valeu à pena ter sonhado!

ESPERA

Estou a sua espera,
carregado de desejos,
de uma nostalgia que enlouquece,
que explode dentro de mim,
que me faz lembrar do seu cheiro,
da sua boca sufocando-me de beijos,
dos seus gemidos,
da sua entrega louca,
desvairada e sem pudor.

LUZ DA VIDA

Em qualquer lugar que estiver nesta terra, há alguém com um olhar fixo, afetuoso, mágico direcionado para você…
Com um olhar puro, especial, muito especial, de um coração que só pulsa o amor…
Um olhar de alguém que é justo, com a inspiração de amar de modo pleno sem ajuizamentos, sem distinção.
Este olhar brilha mais que a luz do sol, tem a dimensão maior que o das estrelas de primeira grandeza, tem um alcance infinito.
Este olhar rompe os dias, vara as noites é a luz da vida.
Qualquer que seja o momento, em qualquer situação: de amor, paz, união ou perdão… Este olhar está reto, preciso em sua direção.

VIOLEIRO APAIXONADO

Sob a luz de um lampião
colocado sobre uma mesa
de madeira nobre,
porém pequena,
onde também tinha um ramo de flor,
ouvia cantigas de amor
de um violeiro solitário
exaltando sua paixão.
Sentado num banquinho humilde
que ficava no canto da sala,
dedilhava sua viola
sonorizando a noite
escura lá fora
onde os pirilampos
faziam refletir sua luminosidade
num pisca-pisca ritmado
como se acompanhasse a melodia
do violeiro apaixonado
que não tirava da imaginação
a sua cabocla
a mais bonita daquela região.
Morena de olhos negros,
cabelos longos, caídos pelos ombros,
corpo fascinante,
cheiroso como a flor do campo;
lábios sedutores…
O solitário violeiro morria de amores;
sonhava abraçar aquela trigueira
rolar com ela na esteira
esbanjar todo o anseio
tocar em seus seios
fazê-la sentir no peito
todo o efeito
que jorrava de seu coração.
A moreninha linda e faceira,
lá distante,
em seu casebre
não escutava
quando o violeiro cantava
e a viola chorava
com os versos entoados:
“Vem morena, vem agora,
não resisto à solidão!
Eu canto e a viola chora
vem me dar seu coração…”
“Vem morena, não demora,
vem me dar seu coração
eu canto e a viola chora
não resisto a solidão.”

MEU ESPELHO

Meu espelho, revelador!…
Arca de memórias,
juiz implacável do presente,
profeta mudo do futuro,
confessionário e principal consultor.
Sorrindo diante de ti
relembro os meus dias de infância
gesticulando e fazendo caretas…
Na vaidade da adolescência e juventude
extraindo acnes, penteando os cabelos,
raspando os primeiros fios de barba
experimentando roupas…
Quanto desvelo com a aparência!
Tudo sem perceber as transformações naturais
provocadas pela maturidade,
fator imposto pela idade,
pelo tempo, senhor de cada momento,
fosse ele, alegre, feliz, triste ou sofrido.
Agora, diante de ti,
mesmo estando a sorrir
estou subordinado às mutações…
Uma ruga que antes não existia,
hoje habita e marca a minha fisionomia…
Os cabelos longos, fortes, cheios,
que exigiam tantos cuidados,
apenas uns poucos ainda existem,
presentemente esbranquiçados
e jogados um tanto para os lados.
No entanto, o que mais me revela e me assusta,
não é a modificação irreversível, progressiva e bruta,
não são os momentos felizes ou tristes do passado;
nem o que fiz de certo ou errado;
não são os tempos perdidos, desiludidos…
Não são os ideais que não puderam ser alcançados;
ainda que me deixem entristecido.
Muito menos, por tanto haver me empenhado
e me obrigado a compromissos…
Nada disso!
Mesmo que tenham me abalado, também não são
as paixões e os amores fracassados…
Não é o futuro das minhas obras e conquistas;
não é a aparência de um homem cansado
desestabilizado, desalinhado,
vivido, sofrido,
nem sempre barbeado… Definhando!…
O que verdadeiramente me revela e me assusta
é o presente!… Esse presente
sem prorrogação, motivação,
sem meios de recuperação
para a efetivação de tantos sonhos
que ainda vivo sonhando.

Fontes:
– O Autor
http://robertoacruche.blogspot.com
Imagem = montagem por José Feldman

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Débora Novaes de Castro (Haicais ao Sol)

BENEDITA AZEVEDO
(Benedita Silva Azevedo, Itapecuru-Mirim, Maranhão, reside em Magé, RJ)

Manhã de janeiro —
Por cima do muro a flor
do hibisco vermelho.
*
Retalhos de sol
na trilha da caminhada —
Canta o bem-te-vi
*
Na grama do sítio,
o pisca-pisca festivo —
Voam vaga-lume.

CYRO ARMANDO CATTA PRETA
(São Paulo, 1922)

Chuva dourada.
O ipê em floração,
atapeta a calçada…
*
Ondulada cascata
reveste ribanceira.
Cabeleira de prata.
*
O canavial arde.
Fumaça turva o horizonte
incendiando a tarde…
*
Corpo presente.
Ao longo da longevidade,l
mente ausente!

DÉBORA NOVAES DE CASTRO
(Bento de Abreu, Araçatuba, 1935)

noitinha no sítio
pernilongo azucrinando
luz de lamparina
*
de madrugadinha
chuva fina no telhado
chaleira chiando
*
genuflexa a tarde
e triste a juriti insiste
o horizonte arte
*
baú de lembranças
os laços ternos abraços
menina de tranças
*
do nosso galinho
penas apenas
casa do vizinho

JOSÉ NOGUEIRA DA COSTA
(Piranguçu, MG, 1929)

Da estante no abrigo
os poetas de almas inquietas
conversam comigo.
*
A folha caída,
levada pela enxurrada
traduz minha vida.
*
Domingo na praça.
Bonita jovem faz fita
repleta de graça.

TERUKO ODA
(Pereira Barreto, SP, reside em Cotia, SP)

Quietude profunda—
De quando em quando uma brisa
queda de pétalas.
*
Sopra o vento seco —
Responde ao mugir de um boi
um mugir distante.
*
Braços preguiçosos —
Araucária ao pé da serra
em banho de sol.

ARTHUR FRANCISCO BAPTISTA
(Bauru, SP) (em memória)

Poeira da estrada.
O andante leva distante
sua alma cansada.
*
Manhã sonolenta.
O enredo da vida, cedo
o dia reinventa.
*
Sob um sol de estio
desperto… a amada por perto
aquece o meu frio.

BERECIL GARAY
(Passo Fundo, RS) (em memória). Livreiro, residiu em Brasília.

Usa teu minuto.
Plantada, a árvore faz
maturar o fruto.
*
A mão incontida
ligou a chave do amor
e acendeu a vida.

Fonte:
CASTRO, Débora Novaes de (coordenação). Haicais ao Sol. II Antologia Haicais. São Paulo: Vip Editora, 2008

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 1)

Trova do Dia:

É tão fiel o seu cão,
que ás vezes até “apela”:
faz festa pro Ricardão
e morde o marido dela!
JOSÉ OUVERNEY/SP

Trova Potiguar:

Se eu ganhar, minha querida
na mega, muito dinheiro
Vou lhe tirar dessa vida…
(Contratando um pistoleiro.)
HELIODORO MORAIS/RN

Uma Trova Premiada:
2010 > Bragança Paulista/SP
Tema > RIMA > Venc.

Que infortúnio o da Raimunda!…
Numa enchente de verão,
derrapou na rua imunda
… e deu com a “rima” no chão!
RENATO ALVES/RJ

Uma Trova de Ademar:

Por falta de patrimônio,
sem ter no bolso uma prata,
anuncia o matrimônio
por uma “rádio pirata”.
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram:

Chamam de “mulher da vida”,
mulher que mal se comporte.
E a honesta, a gente apelida
de quê? De “mulher da morte”?…
ORLANDO BRITO/MA

Estrofe do Dia:

Atendendo a ligação,
a mulher ouve dizer:
Acabou de acontecer,
Bateram no seu carrão.
Seu amor, na contramão,
chocou-se contra um Peugeot,
no acidente ele ficou,
sem um arranhão em baixo…
– e a parte de cima, macho? _
Essa ainda não chegou.
FRANCISCO MACEDO/RN

Soneto do Dia:

HAROLDO LYRA/CE
DUAS TAÇAS.

O álcool sempre vem abrilhantar
Os banquetes em salas requintadas,
Servido nas baixelas prateadas
Que aos olhos serve mais que ao paladar.

O álcool é um prazer bem popular,
Nos bares, nas barracas empalhadas,
Servido n’umas taças mal lavadas,
Agrada à boca, à venta, a quem tomar.

Um drink, salgadinhos de salmão;
Uma cereja adorna a taça à mão
E o fino aristocrata se enaltece.

Um trago, um tira-gosto de buchada;
A banda de um limão, já machucada,
E o jeca deita e rola e a pinga desce.

Fonte:
Ademar Macedo

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Cláudio Feldman (Poemas Escolhidos)

60 ANOS

Antes o dia continha seu próprio significado
Hoje
Miro coisas que não entendo-leis turvas
E rostos ilegíveis –
A vida
Varre os domingos
Para os jardins pretéritos

O rumo se perdeu
Na desordem das águas
Por isto
Meus ossos rangem
À mutação das coisas e seu desígnio

PAIXÃO

Como alguém que abandona os sapatos
Para andar sobre brasas
Me entreguei à paixão com júbilo feroz
E o alento da amada foi o meu:
Nossas peles gêmeas
Venceram o opaco silêncio do mundo.

Hoje, que as nossas veias se apartaram,
Já não somos os mesmos: mas o eco
De nosso amor alumbrado de carícias
Ainda estremece as ruas solitárias
Com a secreta brisa de bailantes primaveras.

O MUNDO

O mundo ri enraizado no trigo
Águas medem os passos do sol

A ave livre veste o ar de vozes
O coração rima com nuvens

Mas um menino soluça sobre a pedra
E o mundo passa refletido nos punhais.

GATO

1

o gato
-pupilas de ladrão-
imprime no escuro
pegadas de algodão

tangenciando casas
dopadas de sonhar
os bigodes do gato
espetam o luar

2

o felino
procura mais
do que sardinhas
nas rondas animais:

talvez
respirar os segredos
que a noite oculta
atrás de seus dedos

talvez
o sentido da vida
que move seus gestos
à dúctil saída

3

o gato
e seus rastos
espera amanhecer
para conter os astros

UMA POESIA

1

Uma rosa vermelha entre colunas,
Uma corda que se fecha na garganta,
Uma nuvem que bate nas janelas,
Uma harpa que, prisioneira, canta.

2

Uma criança deitada no trigal,
Uma escada que desce para o escuro,
Uma chaga que brilha como adaga,
Uma bomba que nasce atrás do muro.

3

Uma lanterna esquecida na gaveta,
Uma gazela que foge dos soldados,
Uma viúva tocada pela chuva,
Uma terra de espinhos coroados.

4

Uma floresta em chamas no retrato,
Uma esperança que ficou na porta,
Uma formiga que atravessa o cais,
Uma rocha que avança contra a morta.

5

Uma raiz procurando a saída,
Uma estátua roída pelos ventos,
Uma imagem achada na viagem,
Uma poesia vestida de momentos.

POEMA DO VENTO NO CEMITÉRIO

Os ciprestes cantam
Ao sopro do vento.
Embalam quem?

ILHA

Teu ser:
Ilha verde e luminosa
Flutuando entre o céu
E o Mar
Mas
Com raízes fincadas
Na treva abissal

Teu ser:
O sonho
De arrebentar
As ilhadas amarras
E partir
Como um navio
No domingo

VIDA NATURAL

Um galo aceso no telhado.
Girassóis ao vento.
Pessoas entram no mar de luvas.

HAICAIS

SECA

Corvos
Nos galhos curvos:
Únicas folhas.

DIA LENTO

Dia lento:
Um velho cavalo
Subindo a encosta.

JOANA D’ARC

incenso
que perfuma
depois de queimado

Fonte:
Jornal de Poesia

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Cláudio Feldman (1944)

Cláudio Feldman nasceu em Bauru, interior paulista, em 1944 e mora em Santo André desde 1959. Foi ator, roteirista de cinema, artista plástico, diretor de teatro infantil e coproprietário da Editora Taturana. Além disso, já fez pequenas aparições em filmes e comerciais de TV, exposições de artes plásticas e escreve peças para crianças.

Filho do cineasta, fotógrafo e videomaker Aron Feldman, já falecido, conviveu desde a infância com inúmeras modalidades artísticas.

Em l958, atuou no primeiro filme de seu pai, “Pinceladas”; no ano seguinte, sua família mudou-se para Santo André, SP, e Cláudio continuou a atuar em outros filmes até l972.

A partir deste ano, dedicou-se de modo exclusivo ao magistério e à feitura de livros; sua única participação em cinema foi como roteirista. Artista plástico inconstante, participou de mostras coletivas e exposições individuais, sendo dicionarizado diversas vezes.

Também escreveu artigos e outros textos literários para publicações nacionais e estrangeiras, principalmente as de cunho alternativo. Em 2002, com sua aposentadoria no magistério, tentou voltar às suas atividades primeiras, atuando em filmes, comerciais de TV e feitura de peças teatrais, sem muito sucesso. Cláudio Feldman, autor de 42 livros, é mais reconhecido como escritor do que em outras de suas atividades artísticas.
.

Filmes que atuou:
a) dirigidos por Aron Feldman:
“Pinceladas” – l958
“Insônia” – l959
“Vida de Vagabundo” – l961
“A Grande Bolada” – l962
“A Presença da Ausente” -l963
“O Mundo de Anônimo Jr.” – l972

b)pequenas participações em filmes de outros diretores:
“Urubuzão Humano”,de Diomédio Moraes – l995
“O Fantasma da Praça Roosevelt” (em montagem)
“Blindness”,de Fernando Meireles(em montagem)

Livros do autor :
I – Poesia
1- Ciranda de Mitos, Editora Franciscana, 1969 2- Caixões Eldorado, Editora Franciscana, 1972 3- O Esquivo Silêncio, Editora Bentivegna, 1976 4- Beco dos Fantasmas, Editora Taturana, 1980 5- Cais do Caos, Editora Taturana, 1981 6- Navio na Garrafa, João Scortecci Editora, 1986 7- Tempo de Deserto, João Scortecci Editora, 1988 8- Gaveta de Sementes, Editora Taturana, 1993 9- Olhos na Estrada, João Scortecci Editora, 1995 10- 27 Poemas, Editora Jurê , 1996 11- Dr. Panambi, João Scortecci Editora 1997 12- Dossiê Urtiga, João Scortecci Editora, 1997 13- Dia Suspeito, Editora Taturana, 2000 14- Sapatos Orvalhados, Editora Taturana, 2001 15- De Rebus Pluribus, Editora Taturana, 2003 16- Campos de Algodão, Editora Taturana, 2006

II – Ficção
a) Contos:
17- Caim & Cia. Ilimitada, Editora Taturana, 1980 18- Avó, Mãe, Filho e Palhaço, Editora Mariposa, 1984 19- Incêndio no Hospício Freud, João Scortecci Editora,1992 20- Para Ler na Escada-Rolante, Editora Taturana,1994 21- Três Abutres, Editora Taturana, 2000 22- Papéis Achados Na Bolsa De Um Canguru, Editora Taturana,2001 23- Vila Magra, Editora Taturana,2006

b)Romance (Coletivo)
24- Um Dia no Brasil, Editora Klaxon, 1985

c) Topocrônica:
25- Rua Do Gato-Mourisco, Editora Taturana, 1999

III- Humor

26- O Rapto da Mulher Barbada, Editora Taturana, 1978 27- O Encantador de Minhocas, Editora Taturana, 1982(com Moacir Torres) 28- Aforismos de Bolso, Editora Taturana, 1993 29- Sopa de Vespas, Editora Taturana, 1994 30- Ossos de Borboleta, Editora Taturana, 1994 31- Aprendiz de Bufão, Innovation Graphic Service, 1997 32- Pastilhas de Cianureto, Editora Taturana, 1999 33- Armazém de Inânias, Editora Taturana, 2004

IV – Literatura Infantil
34- A Baleia, Editora FTD, 1986 35- Gabi no Zoológico, Editora Jurê, 1988 36- Mário Ganhou um Canário, Editora Lê, 1989 37- Rabelo Ganhou um Camelo, Editora FTD, 1990 38- A Avestruz Futebolista, Editora Loyola, 1992 39- A Pulga Espertalhona, Editora Loyola, 1992 40- O Bolo do Coelho, Editora Lê, 1992 41- Maçã-do-Humor, Editora do Brasil – 1992 42- Sabor de Sonho, Editora Moderna, 1994

Fonte:
Colaboração de Yussef Khalifman

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Malba Tahan (O Gato do Cheique)

Entre as lendas mais características do velho Egito, uma existe que merece ser contada sete vezes.

Vivia na cidade do Cairo um cheique de grande cultura chamado Calil El Modabighi, cujo nome aparecia sublinhado pela simpatia e pelo respeito que os muçulmanos soem emprestar aos sábios que são generosos e modestos. Era um homem verdadeiramente feliz; a vida para ele corria sempre suave, em meio de invejável conforto e ritmada por uma prosperidade que crescia na ordem natural das coisas, dia para dia.

O bom cheique vivia isolado; possuía, porém, um gato preto pelo qual tinha particular predileção.

Uma noite, tendo despertado casualmente, ouviu o sábio um ruído estranho, junto à porta de sua casa, e viu, com infinita surpresa, o gato levantar-se, abrir cautelosamente a larga janela e perguntar:

— Quem bate?

Alguém, que estava fora, no meio da escuridão da rua, respondeu, com voz sucumbida:

— Venho em busca do teu auxílio, ó poderoso djin! Abre a porta.

Retorquiu o gato:

— Proferiram o nome de Deus, junto à fechadura, e eu sou fraco para vencer esse encanto!

— Atira-me, então, um pedaço de pão pela janela — implorou o misterioso pedinte. — Dá-me, ao menos, um pouco d’água.

— Proferiram o nome de Deus junto do jarro, e eu sou fraco para vencer esse encanto! — declarou ainda o gato.

E ajuntou:

— Na casa ao lado moram infiéis que não pronunciam nunca o nome de Deus. Entra por minha ordem na sala do vizinho e tira de lá o que quiseres.

E, isso dizendo, voltou para o leito, meteu-se entre as cobertas e pôs-se a dormir sossegado.

Compreendeu o cheique, com maior assombro, que o gato preto era um djin, isto é, um gênio dotado de poder sobrenatural, capaz de praticar feitos mágicos e prodigiosos, como fazem os espíritos bons que povoam o espaço.

No dia seguinte o honrado ancião, depois de acariciar longamente o seu gato, disse-lhe, carinhoso:

— Meu bom companheiro, ó gatinho do coração! Bem sabes quanto tenho sido teu amigo! Quero possuir um palácio…

Esquivou-se o gato das mãos de seu dono e saltou para o peitoril da janela. E, naquele mesmo tom com que à noite falara ao estranho visitante, disse:

— Cheique! A tua amizade, outrora tão preciosa, de hoje para o futuro perdeu, infelizmente, para mim, todo o valor! Descobriste o segredo de minha existência; já sabes o que sou! Passaste, pois, a ser meu amigo por interesse!

E, tendo proferido tais palavras, pulou para a rua, fugindo de casa e nunca mais voltou.

Desse dia em diante, a vida do velho cheique desandou por completo; e antes, talvez, que as águas lutulentas do Nilo invadissem pela segunda vez as terras era ele apontado como um dos homens mais infelizes do Cairo.

Perdera, por causa de sua louca ambição, o único amigo e protetor.

Na verdade, a mais sólida e perfeita amizade não resiste ao veneno sutil do interesse.

Fonte:
TAHAN, Malba. O Gato do Cheique e outras lendas. RJ: Ediouro.

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Ademar Macedo (Livro de Trovas)

A mais triste Solidão
que os seres humanos têm
é abrir o seu coração…
olhar… e não ver ninguém!

Almoço e janto poesia.
E neste meu universo,
mastigo um pão todo dia
amanteigado de verso.

Após causar desencantos
e nos fazer peregrinos,
a seca fez chover prantos
nos olhos dos nordestinos!

A vida escreve-me enredos
com finais que eu abomino.
Meus sonhos viram brinquedos
nas mãos cruéis do destino…

Com os temas mais dispersos,
eu mesmo me fiz enchente
numa enxurrada de versos
jorrando da minha mente…

Da Bebida fiquei farto,
bebendo perdi quem amo;
hoje bebo no meu quarto
as lágrimas que eu derramo.

Da fonte que jorra o amor,
Deus, na sua imensidão,
faz jorrar com todo ardor
as carícias do perdão.

Debruçado sobre a mata,
o Luar, tal qual pintor,
pinta as folhas cor de prata
e pinta o chão de outra cor.

Depois que chove na mata,
a lua, de luz acesa;
pinta as folhas cor de prata
com tintas da Natureza.

Descobri no envelhecer,
em meus momentos tristonhos,
que eu não tive, em meu viver,
nada mais além de sonhos!…

Descobri no envelhecer
que a musa que me enaltece
não deixa o verso morrer,
pois musa nunca envelhece!

Do fogo no matagal,
na fumaça que irradia,
vejo um câncer terminal
no pulmão da ecologia!…

Entre os atos de bonança
e meus pecados mortais,
quando eu botar na balança,
Deus sabe quais pesam mais!…

Envolto numa utopia,
num devaneio sem fim,
vivo hoje uma fantasia
que eu mesmo inventei pra mim.

Fiz minha casa de barro
ao lado de uma favela.
Lá fora, eu sei, não tem carro,
mas tem amor dentro dela!…

Mesmo em momentos tristonhos,
carregada de lamentos,
navega cheia de sonhos
a Nau dos meus pensamentos!…

Mesmo na dor, pus de pé,
com esperanças sem fim,
a Fortaleza de fé
que existe dentro de mim.

Muda-se a cor preferida;
troca-se a corda do sino;
muda-se tudo na vida;
mas não se muda o destino…

Não se estresse nem me agrida,
ouça a voz do coração.
Deixe que o Tempo decida
quem de nós dois tem razão!…

Na transposição mais nobre,
podemos, sem qualquer risco,
matar a sede do pobre
com as águas do São Francisco!…

Nossa cultura se entende
nas lições que eu mesmo tive:
o saber a gente aprende,
a cultura a gente vive.

Numa caminhada inglória,
com minha alma enternecida;
pude ver a minha história
no retrovisor da vida.

Numa combatividade,
cheia de brilho e de glória,
saber perder, na verdade,
é também uma Vitória!

Num afago em seus cabelos,
num carinho em sua face,
vi que, através de desvelos,
um grande amor também nasce…

Num devaneio qualquer,
feito de sonho e de imagem,
no seu corpo de mulher
fiz a mais linda viagem.

Num triste e cruel enredo
escrito por poderosos,
a Terra treme com medo
das mãos dos gananciosos…

O Deus que fez lago e monte,
que fez céu, mar, noite e dia,
fez do poeta uma fonte
por onde jorra poesia…

O grande desmatamento,
por ganância ou esperteza,
põe rugas de sofrimento
no rosto da natureza…

O meu primo se reveza
entre beber e rezar.
Ás sete ele está na reza
e as oito e meia no bar!!!

O Pantanal se engalana,
mas eu mesmo desconfio;
que até a própria chalana
sente ciúmes do rio.

Para alcançar a pujança,
basta-me ter, sem fadigas,
a força e a perseverança
do Trabalho das formigas!…

Passam sempre em meu portão,
trazendo um fardo de dor,
crianças que não têm pão,
pedindo “um pão por favor”!…

Pela insensatez da idade
e pelo que o amor requer,
choro, às vezes, de saudade
fingindo outra dor qualquer!

Perdido, pois, nas rotinas,
nos labirintos da dor,
encontrei entre as ruínas
pedaços do nosso amor…

Por minha fé ser tamanha,
pude remover enfim,
pedaços de uma montanha
que tinha dentro de mim…

Por ter a lingua de trapo,
disse, ao ser mandado embora:
– É moleza engolir sapo…
o duro é botar pra fora!

Quando a inspiração lhe acena,
o bom Trovador se expande.
Numa Trova tão pequena,
faz um poema tão grande!

Quando de um amor me aparto,
em tristezas me esparramo:
bebo sozinho em meu quarto
as lágrimas que eu derramo!

Quem se entrega a solidão
e dela se faz refém,
anda em meio à multidão
mas não enxerga ninguém!

Queria ao fim da jornada,
na manhã do meu adeus,
ver o brilho da alvorada
na luz dos olhos de Deus!

Que venham chuva e calor,
que os ventos desçam ou subam,
pois ninhos feitos de amor
tempestades não derrubam…

Se a vida é apenas passagem
quero que me façam jus;
na minha última viagem
deixem que eu veja Jesus!

Sem galinha cabidela,
sem ter arroz nem feijão,
hoje eu botei na panela
meu sapo de estimação!…

Sou matuto em alto astral
e um velho muito ranzinza.
Só festejo o Carnaval
na quarta-feira de cinza!

Tem cão que mora no morro,
outro morando em mansão;
porque nem todo cachorro
leva uma vida de cão.

Traz alentos, novas vidas,
muda a cor da plantação;
a chuva sara as feridas
que a seca faz no sertão.

Vejo sentadas no chão,
trajadas de desamor,
crianças comendo pão
amanteigado de dor!

Versos já fiz – não sei quantos –
relembrando a mocidade.
Hoje servem de acalantos
para ninar a saudade.

Vi à luz de lamparina,
em inspirações imerso
que a musa se faz menina
para brincar no meu verso.

Visita pra meter medo,
que nem vassoura adianta,
É aquela que chega cedo
e só sai depois que janta!

Vou vender meus poemetos
na feira, seja onde for,
e comprar alguns espetos
para espetar “julgador”!

––––––––––––––––––––––

Fontes:
Colaboração do Autor

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Malba Tahan (1895 – 1974)

Júlio César de Mello e Souza (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 — Recife, 18 de junho de 1974), mais conhecido pelo heterônimo de Malba Tahan, foi um escritor e matemático brasileiro. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil.

Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática e fábulas e lendas passadas no Oriente, muitas delas publicadas sob o heterônimo/pseudônimo de Malba Tahan. Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de Mil e Uma Noites. Monteiro Lobato classificou-a como: “… obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio ‘ciência-imaginação.’”

Júlio César, como professor de matemática, destacou-se por ser um acerbo crítico das estruturas ultrapassadas de ensino. “O professor de Matemática em geral é um sádico. — Denunciava ele. — Ele sente prazer em complicar tudo.” Com concepções muito à frente de seu tempo, somente nos dias de hoje Júlio César começa a ter o reconhecimento de sua importância como educador. Em 2004 foi fundado em Queluz — terra onde o escritor passou sua infância—o Instituto Malba Tahan, com o objetivo de fomentar, resgatar e preservar a memória e o legado de Júlio César.
––––––––-
Malba Tahan nasceu na cidade do Rio de Janeiro, mas viveu quase toda a infância na cidade paulista de Queluz. Seu pai João de Deus de Melo e Sousa e sua mãe Carolina Carlos de Melo e Sousa tinham uma renda familiar apenas suficiente para criar os oito filhos do casal. Quando criança, já dava mostras de sua personalidade original e imaginativa. Gostava de criar sapos (chegou a ter 50 deles no quintal de sua casa) e já escrevia histórias com personagens de nomes absurdos como Mardukbarian, Protocholóski ou Orônsio. Em 1905, retornou ao Rio de Janeiro para estudar. Cursou o Colégio Militar e o Colégio Pedro II. A partir de 1913, passou a freqüentar o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica.

Em 1918, passou a colaborar no jornal O Imparcial, onde publicou seus primeiros contos com o pseudônimo R. S. Slade. Nos anos seguintes, o jovem escritor estudou a fundo todos os aspectos da cultura árabe e da oriental. Em 1925, propôs a Irineu Marinho, dono do jornal carioca A Noite, uma série de “contos de mil e uma noites”. Surgia aí o escritor fictício Malba Tahan, que assinava os contos que foram publicados com comentários do igualmente fictício Prof. Breno de Alencar Bianco. Seu pseudônimo tornou-se tão famoso que o então Presidente Getúlio Vargas concedeu uma permissão para que o nome aparecesse estampado em sua carteira de identidade. Na década de 1930 aconteceu uma grande polêmica entre autores de livros de matemática: Tahan contra Jacomo Stávale e Algacyr Munhoz Maeder. Até o fim da vida, Júlio César escreveu e publicou livros de ficção, recreação e curiosidades matemáticas, didáticos e sobre educação, com seu nome verdadeiro ou com o ilustre pseudônimo.

Paralelamente à carreira de escritor, dedicou-se ao magistério. Graduou-se como engenheiro civil na Escola Politécnica e como professor na Escola Normal. Deu aulas no Colégio Pedro II e na Escola Normal, lecionando diversas matérias como história, geografia e física, até se fixar no ensino de matemática. Ensinou também no Instituto de Educação e na Escola Nacional de Educação. Além das aulas, proferiu mais de 2000 palestras por todo o Brasil e em algumas localidades do exterior. Ficou célebre por sua técnica como contador de histórias e por sua atuação inovadora como professor. Suas aulas eram agitadas e interessantes, sempre repletas de curiosidades que atraiam a atenção dos estudantes.

Foi um enérgico militante pela causa dos hanseníacos. Por mais de 10 anos editou a revista Damião, que combatia o preconceito e apoiava a humanização do tratamento e a reincorporação dos ex-enfermos à vida social. Deixou, em seu testamento, uma mensagem de apoio aos hanseníacos para ser lida em seu funeral.

Faleceu em 18 de junho de 1974 de ataque cardíaco em seu quarto de hotel, após uma palestra proferida no Recife. Deixou uma série de instruções para seu sepultamento: além da mensagem que devia ser lida, exigiu caixão de terceira classe, flores anônimas, nada de coroas, nada de luto nem discursos.

Malba Tahan

Ao criar seu pseudônimo, Júlio César criou também um personagem: Malba Tahan. Este escritor, cujo nome completo seria Ali Yezid Izz-Eddin Ibn Salim Hank Malba Tahan, teria nascido na aldeia de Muzalit, próximo a Meca, a 6 de maio de 1885. Teria feito seus estudos no Cairo (Egito) e Istambul (Turquia). Após a morte de seu pai, teria recebido vultosa herança e viajado pela China, Japão, Rússia e Índia, onde teria observado e aprendido os costumes e lendas desses povos. Teria estado, por um tempo, vivendo no Brasil. Teria morrido em batalha em 1921 na Arábia Central, lutando pela liberdade de uma minoria local Seus livros teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Professor Breno Alencar Bianco.

Homenagens

Em homenagem a Malba Tahan, o dia de seu nascimento – 6 de maio – foi decretado como o Dia do matemático (ou Dia da matemática) pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Malba Tahan ocupou a cadeira número 8 da Academia Pernambucana de Letras, e é nome de escola no Rio de Janeiro.

Obras

Escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo. Abaixo, uma lista de seus títulos mais relevantes:
Contos de Malba Tahan (contos)
Amor de Beduíno (contos)
Lendas do Deserto (contos)
Lendas do Oásis (contos)
Lendas do Céu e da Terra (contos)
Maktub! (contos)
Minha Vida Querida (contos)
O Homem que Calculava (romance)
Matemática Divertida e Delirante (recreação matemática)
A Arte de Ler e Contar Histórias (educação)
Aventuras do Rei Baribê (romance)
A Sombra do Arco-Íris (romance)
A Caixa do Futuro (romance)
O Céu de Allah (contos)
Lendas do Povo de Deus (contos)
A Estrêla dos Reis Magos (contos)
Mil Histórias Sem Fim (contos)
Matemática Divertida e Curiosa (recreação matemática)
Novas Lendas Orientais (contos)
Salim, o Mágico (romance)
Diabruras da Matemática (recreação matemática)

Fonte:
Wikipedia

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Antônio de Alcântara Machado (Brás, Bexiga e Barra Funda) Parte I

1. O CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL E A ESCOLA LITERÁRIA

O início do século XX ficou marcado, no Brasil e no mundo, por uma série de mudanças em todos os setores da sociedade. Para melhor entendermos o que se estuda sob a denominação de Modernismo, precisamos perceber a relação entre um movimento, uma estética e um período.

O MOVIMENTO

A semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São, em 1922, marca o surgimento do movimento.

Na Europa, movimentos vanguardistas buscam de maneiras variadas e inusitadas novas formas de expressão artística, recusando tudo que significasse tradição. Alguns escritores brasileiros tomavam contato com tais novidades estéticas: Oswald de Andrade conhece o Futurismo em Paris; Manuel Bandeira, o neo-simbolismo suíço; Ronald de Carvalho colabora na fundação de Orpheu, uma revista futurista em Portugal.

Em 1917, Anita Mafatti faz uma exposição de artes plásticas apresentando elementos cubistas e expressionistas assimilados em seus estudos feitos na Alemanha e nos Estados Unidos. A polêmica causada ganhou força na voz de Monteiro Lobato, que escreve um artigo intitulado “Paranóia ou Mistificação” atacando violentamente a artista e suas obras. A defesa foi feita por Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Mário de Andrade.

A partir de então, um grupo de jovens da burguesia culta passa a tomar cada vez mais contato com as novidades da estética européia e a se movimentar de forma cada vez mais atuante no meio literário paulista. Preparam assim a Semana da Arte Moderna, trazendo conferências sobre literatura, pintura, escultura e apresentações de poesia, prosa e música modernistas.. Alguns dos principais participantes da Semana foram Ronald de Carvalho, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Mário de Andrade e outros. Vejamos alguns de seus episódios centrais:

Finalmente, a 29 de janeiro de 1922, o Estado de São Paulo noticiava: “Por iniciativa do festejado escritor, sr. Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, haverá em S. Paulo uma ‘Semana de Arte Moderna’, em que tomarão parte os artistas que, em nosso meio, representam as mais modernas correntes artísticas”. (…)

Realizaram-se três espetáculos durante a Semana, nos dias 13, 15 e 17 (…).

A grande noite da Semana foi a Segunda. A conferência de Graça Aranha, que abriu os festivais, confusa e declamatória, foi ouvida respeitosamente pelo público, que provavelmente não entendeu, e o espetáculo de Vila-Lobos, no dia 17, foi perturbado, principalmente porque se supôs fosse “futurismo” o artista se apresentar de casaca e chinelo, quando o compositor assim se calçava por estar com um calo arruinado… Mas não era conta a música que os passadistas se revoltavam. A irritação dirigia-se especialmente à nova literatura e às novas manifestações da arte plástica.

(…) Mário de Andrade confessa que não sabe como teve coragem para dizer versos diante de uma vaia tão bulhenta que não escutava, no palco e que Paulo Prado lhe gritava da primeira fila das poltronas. (…)

Mas, de qualquer forma, havia sido realizada a Semana de Arte Moderna, que renovava a mentalidade nacional, pugnava pela autonomia artística e literária brasileira e descortinava para nós o século XX, punha o Brasil na atualidade do mundo que já havia produzido T. S. Eliot, Proust, Pound, Freud, Planck, Einstein, a física atômica.

Em meio a muita polêmica a arte modernista conquistava seu espaço.

A ESTÉTICA

A primeira fase modernista foi chama de “fase heróica” ou “fase da revolução estética”. Na realidade, nunca conseguiram delinear claramente sua teoria estética. O que os unificara era uma intensa vontade de expressão livre e a tendência para transmitir a emoção pessoal e a realidade do país de modo não convencional. Quanto ao estilo, os modernistas rejeitaram os padrões portugueses, e deram espaço a uma expressão mais coloquial, próxima do falar brasileiro. Os assuntos também foram renovados, por meio do desejo de serem atuais, de exprimir a vida diária, o cotidiano. Enfim sua maior arma foi a valorização do prosaico e do bom humor.

O PERÍODO

O ano de 1922, marco na busca de liberdade literária, coincide com o Centenário da Independência. O mundo ainda faz descobertas das influências deixadas pela Primeira Guerra Mundial (1914/1918). No Brasil, há um crescimento da indústria. Começa-se a questionar a legitimidade do sistema político, dominado pelas oligarquias rurais. Desde 1890, a chegada de imigrantes como mão-de-obra traz também novos elementos culturais que passam a ter cada vez maior influência, como se vê na cidade de São Paulo.

2. O AUTOR: VIDA E OBRA

Antônio Castilho de Alcântara Machado d’Oliveira nasceu em São Paulo, em 1901, e faleceu no Rio de Janeiro em 1935. Filho de uma família tradicional na qual havia dois professores da faculdade de Direito onde se formou. Ainda estudante, fez jornalismo literário e crônicas teatrais. Sua segunda viagem para a Europa serviu de fonte para seu livro de estréia, Pathé Baby (1926). Em São Paulo esteve sempre vinculado aos responsáveis pela semana de Arte Moderna. Foi redator e colaborador das revistas modernistas Terra Roxa e outras Terras, Revista de Antropofagia e Revista Nova. Destacou-se como cronista e contista, mas também dedicou à pesquisa histórica, da qual resultaram trabalhos sobre Anchieta. Depois de 1932, entregou-se à atividade política, motivo da transferência de sua residência para o Rio de Janeiro.

Segundo a crítica, Alcântara de Machado foi o primeiro escritor do modernismo a se mostrar sensível às mudanças na prosa ficcional, dedicando-se à história curta. Sua atenção voltava-se basicamente para as curiosidade que o encontro entre italianos e paulistas provocava. Seu estilo, perfeitamente de acordo com os ideais modernistas, marca-se pela leveza, bom humor, fundido o registro de ítalos-brasileiras com imagens urbanas e a emoção do cotidiano. É nesse instante que sugere o retrato de uma São Paulo nova, em plena mudança na estrutura social e na economia.

OBRAS DO AUTOR

Pathé Baby, 1926; Brás Bexiga e Barra Funda, 1927; Laranja da China, 1928; Anchieta na Capitania de São Vicente, 1928; Comemoração de Brasílio Machado, 1929; Mana Maria, ed. Póstuma, 1926; Cavaquinho e Saxofone, ed. Póstuma, 1940.

3. ANÁLISE DA OBRA

Brás, Bexiga e Barra Funda é composto por um prefácio e onze histórias curtas, todas focalizando o ítalo-brasileiro nos bairros operários no início do século.

RESUMO DOS ENREDOS

1 · ARTIGO DE FUNDO

Na verdade, é o prefácio do livro. Porém, como, de m modo irreverente, o autor nega que a obra seja livro, o texto deixa de ser prefácio. O livro nasceu jornal, os contos nasceram notícias e o prefácio, portanto, nasceu artigo de fundo.. E como jornal, Brás, Bexiga e Barra Funda é o órgão dos ítalo-brasileiros de São Paulo.

Durante muito tempo, o Brasil teria vivido da mistura de três raças tristes: a primeira, os índios que aqui estavam quando chegou a segunda raça, os portugueses. Da mistura destas duas, nasceram os primeiros mamelucos.

A terceira raça, os negros, veio trazendo “outras moças gentis, mucamas, mucambas, mumbandas, macumbas” e nasceram os segundos mamelucos. Com os dois grupos de mamelucos o Brasil começou a funcionar.

Até que outras raças vieram a Europa, entre elas os alegres italianos. E da mistura da gente imigrante com o ambiente e com a gente indígena nasceram novos mamelucos, os “intalianinhos”.

Houve implicância e preconceito no começo:

Carcamano pé de chumbo
Calcanhar de frigideira
Quem te deu a confiança
De casar com brasileira?

Mas o italiano soube com seu jeito fazer-se respeitas e poderia responder: “A brasileira, per Bacco!”

Assim, o italiano conseguiu seu espaço.

Brás, Bexiga e Barra Funda, como jornal que é, não toma partido. Procura apenas noticiar os fatos do cotidiano.

Muitos ítalos-brasileiros serão homenageados neste jornal por terem impulsionado a vida espiritual e material de São Paulo.

2 · GAETANINHO

Gaetaninho quase foi atropelado por um Ford quando banzava no meio da rua. A mãe o manda entrar. Ele vem chegando e dribla a mãe com o chinelo da mão.

O sonho de Gaetaninho é andar de carro. Mas, ali, na rua do oriente, isso só acontece em dia de enterro. Um amigo de Gaetaninho, o Beppino, já atravessara a cidade de carro mas só porque sua tia Peronetta ia ser enterrada no Cemitério do Araçá.

Gaetaninho sonha que sua tia Filomena morre e vai ser levada para o cemitério. Ele vai na boléia do carro, ao lado do cocheiro, com roupa marinheira, palhetinha – chapeuzinho de palha – e ligas pretas segurando as meias. Muita gente na rua, vendo o enterro, admirava o Gaetaninho. Ele só não estava satisfeito porque o cocheiro não queria deixá-lo carregar o chicote.

Gaetaninho acorda com a tia Filomena cantando o Ahi, Mari! Primeiro fica desapontado. Depois quase chora de ódio.

Quando tia Filomena soube do sonho teve um ataque de nervos. E Gaetaninho tratou de substituí-la pelo seu Rubino, o acendedor da Companhia de Gás, que uma vez lhe deu em cocre danado de doído.

Durante um jogo de bola na calçada Gaetaninho pergunta para Beppino se ele irá ao enterro do pai do Afonso. Outro amigo, o Vicente, reclama da desatenção no jogo.

Gaetaninho volta para seu posto de defesa. Beppino chuta a bola de meia que vai parar no meio da rua. Gaetaninho vai buscar mas é atingido pelo bonde que trazia seu pai.

No dia seguinte, sai um enterro da rua do Oriente levando Gaetaninho no carro da frente dentro de um caixão fechado com flores pobres em cima. Vestia a roupa marinheira, tinha as ligas, mas não levava a palhetinha. Num dos carros do cortejo via-se Beppino vestido num soberbo terno vermelho.

3 · CARMELA

Carmela e Bianca saem da oficina de costura onde trabalham na rua Barão de Itapetininga. Carmela, bonita, sensual é paquerada na rua. Bianca, feia e estrábica, é a sentinela da companheira. Um rapaz – o caixa d’óculos – num automóvel Buick que já a paquerara em outro dia, reaparece. Carmela encontra o namorado Ângelo Cuoco, entregador da casa Clarck e pede para Bianca dar o fora. Na rua do Arouche o Buick passa várias vezes. Ângelo fica enciumado. Bianca, que segue um pouco atrás, é interpelada pelo caixa d’óculos. Com sua lábia consegue o endereço de Carmela e lhe manda um recado marcando um encontro atrás da Igreja da Santa Cecília. Bianca dá o recado para Carmela, incentivando-a.

Da noite Carmela, antes de deitar-se na cama de ferro ao lado da irmãzinha, lê Joana a desgraçada ou Odisséia de uma virgem, fascículo 2º. Olhando a gravura da capa, começa a confundir a imagem da princesa raptada com a sua própria imagem e a do castelo com a Igreja Santa Cecília. Mas logo o trispeiro Giuseppe Santini manda apagar a luz.

Carmela decide aceitar o convite mas apenas até a Alameda Glette. Bianca continua incentivando.

Na hora do encontro, Carmela exige que Bianca entre junto no Buick.

No encontro do domingo seguinte, Carmela avisa que Bianca não irá mais no carro. Bianca, cheia de despeito, começa a recriminar as atitudes da amiga.

Depois de ver o Buick afastar-se, Bianca vai dar um giro no bairro. Encontra a Ernestinha e lhe conta tudo. Quando Ernestinha pergunta sobre o Ângelo, Bianca responde:

– O Ângelo? O Ângelo é outra cousa. É pra casar.

· Tiro de Guerra nº 35

No Grupo Escolar da Barra Funda Aristodemo Guggiani aprendeu malandragens e ideais nacionalistas. Aristodemo era a melhor voz da classe, puxando o coro para cantar o hino nacional e o da bandeira.

Saiu do Grupo e foi trabalhar para o cunhado. Cresceu brincando, jogando bola, amando, brigando…

Quando brigou com o cunhado foi ser cobrador da linha Praça do Patriarca – Lapa na Companhia Auto-Viação Gabrielle d’Annunzio. Na rua das Palmeiras arrumou uma “pequena”.

Logo sumiu a “pequena”, sob o pseudônimo de Mlle. Miosotis, publica uma notinha n’A Cigarra indagando do seu paradeiro.

Aristodemo agora era soldado do Tiro de Guerra nº 35. Influenciado pelo sargento Aristótoles Camarão de Medeiros, Aristodemo ficou extremamente patriótico. Tornou-se ajudante de ordens do sargento e recebeu ordem de levar cópias do hino nacional para o ensaio de sete de setembro.

Durante o ensaio, Aristodemo acaba perdendo a paciência e dá um tabefe num soldado “alemãozinho” que estava “escachando” o hino nacional.

Após ouvir as testemunhas, o sargento Aristóteles escreve a “ordem do dia” expulsando o alemãozinho e citando Aristodemo como exemplo de patriotismo.

Ainda sob a influência do patriótico sargento, Aristodemo pede sua demissão da Companhia Auto-Viação Gabrielle d’Annunzio e vai trabalhar na Sociedade de Transportes Rui Barbosa Ltda., na mesma linha.

4 · AMOR E SANGUE

Nicolino Fior d’Amore estava triste, com a alma negra. Brigou com o verdureiro, não conseguiu encontrar a Grazia, não deu atenção ao amigo, não cumprimentou seu Salvador, dono da barbearia onde trabalhava. Também fingiu não ouvir quando o Temístocles da Prefeitura comentou um crime passional.

Ao encontrar Grazia na saída da fábrica, ameaçou se matar caso ela não falasse com ele. A única resposta que ela lhe dá é: “Pensa que eu sou aquela fedida da Rua Cruz Branca?” E vai embora.

Quando Grazia saía da fábrica conversando e rindo com Rosa, Nicolino aparece e lhe dá uma punhalada.

Na delegacia, ele se defende dizendo que estava louco e todos os jornais registram que essa frase foi dita chorando. E dela surge o estribilho de Assassino por Amor (Canção da atualidade para ser cantada com a música do “fubá”, letra de Spartaco Novais Panini)” que causou furor na zona:

Eu estava louco, Seu delegado! Matei por isso, Sou um desgraçado!

5 · A SOCIEDADE

A esposa do conselheiro José Bonifácio de Matos e Arruda não tolera sequer imaginar que a filha Teresa Rita venha a se casar com um “filho carcamano”

Mesmo assim, o rapaz, Adriano Melli, ronda a sua janela, passa buzinando no seu Lancia e cumprimentando com seu chapéu Borsalino. A mãe, atenta, manda-a entrar.

Os pais não puderam ir ao baile graças a um furúnculo no pescoço do conselheiro e com isso Teresa e Adriano conseguem se ver. Neste encontro, o jovem anuncia seu pai quer fazer negócio com o pai da moça.

A mãe, precavida, já deixa avisado: “Olhe aqui, Bonifácio: se esse carcamano vem pedir a mão de Teresa para o filho você aponde o olho da rua para ele, compreendeu?”

Mas o negócio era outro. O senhor Salvatore Melli vinha propor sociedade em um negócio no qual o conselheiro entrava com uns terrenos e ele com o capital. No meio da conversa, Salvatore avisa que seu filho será o gerente da sociedade.

Consultando a mulher, o conselheiro obteve a seguinte resposta: “Faça como quiser, Bonifácio…”. E ele resolveu aceitar.

Seis meses depois vem a outra proposta: o casamento dos filhos.

No chá de noivado, o senhor Melli recordou na frente de todos o tempo que vendia cebolas, batatas, Olio di Lucca e bacalhau para a mãe de Teresa quase sempre fiado e até sem caderneta.

6 · LISETTA

Assim que entrou no bonde com sua mãe, Lisetta viu logo o urso de pelúcia no colo da menina de pulseira de ouro e meias de seda. Quando a menina rica percebeu o encanto de Lisetta passou a exibir-se com o urso, deixando Lisetta ainda mais deslumbrada. Dora Mariana, a mãe, pedia à menina que ficasse quieta, mas Lisetta agora queria pegar o urso um pouquinho. A mãe da menina rica olhou, com ar de superioridade, fez um carinho no bichinho e se olhou no espelho. E o escândalo continuava.

Quando a família rica desceu, a mãe, já em frente ao seu palacete estilo empreiteiro português, voltou-se e agitou o bichinho no ar, provocando a menina.

Já em casa, Lisetta levou uma surra histórica. A mãe só parou quando Hugo, irmão da menina, chegou da oficina e a defendeu.

Mais tarde, Hugo deu à Lisetta um urso “pequerruncho e de lata”. Pasqualino, outro irmão, logo quis pegá-lo. Mas Lisetta correu para o quarto e “fechou-se por dentro”.

7 · CORÍNTIANS (2) VS. PALESTRA (1)

A partida estava vibrante no estádio do Parque Antártica. Miquelina, ao lado de sua amiga Iolanda não consegue se conformar quando o Coríntians faz o gol.

Sua esperança para garantir o Palestra agora era o Rocco. Gostava dele. Antes namorava o Biagio, jogador do Coríntians. Quando terminou o namoro, ela parou de freqüentar os bailes dominicais da Sociedade Beneficiente e Recreativa do Bexiga, onde todo mundo sabia da história deles. “E passou a torcer para o Palestra. E começou a namorar o Rocco.”

Matias, jogado do Palestra, empata o jogo. Miquelina delira.

No intervalo, Miquelina manda pelo irmão um recado ao Rocco, dizendo para que ele “quebrasse” o Biagio.

Quando Biagio estava parar marcar um gol, Rocco o derruba dentro da área: o juiz marca pênalti.

O próprio Biagio bate e faz mais um gol para o Coríntians. O jogo acaba.

Na saída, Miquelina “murchou dentro de sua tristeza”, “nem sentia os empurrões”, “não sentia nada”, “não vivia”.

No bonde, de volta para casa, corintianos faziam a festa. Um torcedor do Palestra reclama que a culpa foi “daquela besta do Rocco”.

Mais tarde Iolanda se surpreende quando Miquelina resolve acompanhá-la ao baile da Sociedade.
———————-

continua…
———————
Fonte:
Estudo copiado do material do Curso Universitário, disponível em http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/barrafunda

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Therezinha Dieguez Brisolla (Livro de Trovas)

Nosso encontro tem magia
e a nenhum outro se iguala.
A lua, indiscreta, espia…
Que importa? … A lua não fala !

Suas vindas são surpresas!…
Faz juras… se contradiz!…
E é esse amor, sem certezas,
que há muito me faz feliz!

É noite!… A cama arrumada…
O rádio de pilha mudo…
Sua foto… e, nesse “nada”,
a sua presença… em tudo!

Um cumprimento lacônico
e as nossas mãos se entrelaçam.
No amor proibido… platônico…
somente as almas se abraçam.

Ah! coração, tem cautela
e deixa de brincadeira!
Tens sonhos de Cinderela
e eu sou Gata Borralheira!

Deus cria a lua e as estrelas
e uma pergunta o inquieta:
– Quem poderá descrevê-las ?
Então, Deus … cria o poeta!

Que o Brasil sirva de exemplo
e possa ao mundo, mostrar
que a Amazônia é como um templo…
Não se pode profanar!

Sente, a justiça, o desgosto
do injustiçado a chorar
e tira a venda do rosto,
para o pranto enxugar.

Chega tarde, o companheiro
e ao ver tanta grana, exclama:
– Como ganhaste o dinheiro ?!
Passas o dia na cama!!!

Foi o bebum “muito esperto”,
como eremita… e está crente
que, no calor do deserto,
o oásis é de água… ardente!!!
–––––––––––-

Therezinha Dieguez Brisolla natural de São Carlos, SP, nascida em 12 de julho de 1932.
Professora aposentada.
Ingressou no universo trovadoresco em 1984, tendo como mestre o Magnífico Trovador Helvécio Barros.
Membro Fundadora da Academia Bauruense de Letras, Membro correspondente da Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto, SP.
Magnífica Trovadora em Humorismo em Nova Friburgo (única mulher).
Notável Trovadora em Pouso Alegre e Prêmio “Lilinha Fernandes”, em Porto Alegre.
Poetisa, contista, cronista e trovadora, com trabalhos em Antologias e em livros com resultados de concursos, inclusive em Portugal.
Possui mais de 600 prêmios. Pertence à UBT – SP, sendo Vice-Presidente de Cultura

Fonte:
União Brasileira dos Trovadores

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Nilto Maciel (O Campeão)

Terminada a competição, o repórter encontrou o campeão. Queria uma entrevista exclusiva. E pôs-se a fazer os mais levianos elogios ao vencedor. Comparou-o aos deuses da mitologia greco-romana. Chamou-o super-homem.

Para surpresa sua, no entanto, o campeão não só recusou os louvores, como tratou de depreciar o próprio feito. Tudo obra de truques.

O repórter sorriu, certo de estar ouvindo uma brincadeira de mau gosto. Afinal, estava no exercício de sua profissão. Porém o entrevistando fazia questão de estragar a festa, degradar a competição.

O jornalista mal sabia, no entanto, que realizava a mais importante entrevista de sua carreira.

– Minha vida está no fim.

Nada mais podia ser feito. Todos os exames denunciavam a doença mortal. Os mais eficazes remédios só adiariam a morte.

Questão de dias.

– E como você sente tudo isso?

– Eu me sinto como o viajante com hora marcada para partir. Todos nós vamos viajar um dia. A diferença entre uns e outros está em saberem ou não saberem o horário da partida.

Embasbacado, o repórter não fazia mais perguntas, enquanto o outro falava, sem parar.

– Quem compete se arrisca a trair, mentir, fraudar. E quem compete tem consciência disso. Muitas vezes os melhores não participam de competições. Preferem ser os melhores apenas para si mesmos. E para aqueles que não vão às arenas aplaudir os gladiadores. Assim, o melhor poeta não é o ganhador do Prêmio Nobel.

Com certeza o homem delirava ou enlouquecera. Talvez a emoção da vitória tivesse perturbado os mecanismos centrais de seu cérebro. Precisava repousar, dormir.

– Não quero falar da Igualdade, porque ela se confunde com a Utopia. No entanto posso continuar falando da mentira, da traição, da fraude. Posso dizer, por exemplo, que nas competições todos se igualam: competidores, julgadores e espectadores.

– Vá dormir, campeão.

– Há ainda a competição primordial, entre o ser e o não-ser. E esta é sem significado, completamente inútil.

Fonte:
Jornal de Poesia

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José Feldman (Sofrimento)

Sou um pirata moderno, navegando a esmo num mar de solidão. Minúsculo grão de pó soprado pela tempestade de incertezas. Há um vazio dentro de mim, um buraco em minha alma. Persegue-me e me assusta, mas não sei seu nome. Ás vezes se vai, mas depois volta como algo horrível para acontecer e eu, só me sinto só. Eu estou só e o que fizer será só.

Às vezes gostaria de não ter um monte de sensações.

Percorri o arco-íris em busca do pote de ouro…o pote estava vazio. Olhei em volta e…não vi mais o arco-íris, só a noite – minha eterna companheira. Nela está o meu refúgio, pois é a noite que me abraça e me acolhe com amor.

Vivo um grande espetáculo neste imenso cirso e, a atração principal sou eu, o palhaço. Visto a fantasia para fazer os outros rirem e para eu próprio rir, dando a mim uma falsa alegria para esconder o terrível sofrimento e o vazio de minha vida. Essa areia que me engole pouco a pouco.

Perco-me novamente no desespero dos sonhos que vibram de fantasias incontidas, mergulhado em uma nuvem de ilusões que se formam cada vez mais e mais. Triste destino de um ser que erra o limbo, sem esperança. Esperança esta, perdida em algum ponto do deserto – areia e areia, este é o meu destino.

Sou o príncipe da noite, o conde das trevas.

Sigo sonhando, cavalgando meu corcel negro cravejado de diamantes, cortando com minha espada as procelas, capa tremulando ao vento, saltando riachos, sempre em frente, atrás de um futuro incerto.

Cavalgo de um passado negro para um futuro fantasma, por sobre a miragem do presente.

Fonte:
Imagem = http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/

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A. A. de Assis (Título de Cidadão Benemérito de Maringá)

Foi aprovado hoje (23/09), por unanimidade, o Projeto de Lei de autoria do vereador Ton Schiavone, que concede o Título de Cidadão Benemérito de Maringá ao escritor Antonio Augusto de Assis (foto), membro fundador e presidente de honra da Academia de Letras de Maringá. Será marcada, em breve, a data da Sessão Solene da Câmara Municipal para a entrega do título.

A. A. de Assis nasceu em São Fidélis – Estado do Rio de Janeiro, no dia 07 de abril de 1933.

Chegou a Maringá, para iniciar vida nova, no dia 17 de janeiro de 1955.

Hoje aposentado, foi jornalista e professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá – Paraná.

Membro do Rotary, da Academia de Letras de Maringá, da União Brasileira de Trovadores – Seção de Maringá, da Academia de Letras do Brasil / Paraná e de outras instituições, Assis, além de ser um escritor com centenas de premiações literárias, também é editor, há mais de 11 anos, do boletim mensal Trovia.

Obras:
– Robson (poemas);
– Itinerário (poemas);
– Coleção Cadernos de A. A. de Assis – 10 volumes (crônicas, ensaios e poemas): Bate-papo, Trovas de paz e amor, Os quebra-molas do casamento, Lufa-lufa, Chiquinho, Felicidade sem camisa, Da arte de ser pai, Desafio do amor, Carta aos moços, Xangrilá;
– O português nosso de cada dia (didático);
– Poêmica (poemas);
– Caderno de Trovas,
– A missa em trovas;
– Tábua de Trovas;
– Trovas Brincantes;
– Trovas Brincantes II;
– Triversos travessos (haicais);
– Notas de viagens;
– Memorinhas;
– A língua da gente (e-book);
– Novos Triversos (haicais).

No prelo: Vida, Prosa e Verso.

Fonte:
Academia de Letras de Maringá

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Cleto de Assis (O Poder do X)

Ando tão preocupado com as palavras que notei algo interessante: as letras que as formam têm personalidades distintas. A começar pelos dois grupos de vogais e consoantes. As cinco primeiras — A, E, I, O, U — são as cortesãs. A letra A, primeira e única, no eterno papel de candidata ao trono. Em verdade, parece que a letra E disputa a liderança com a A. Pelo menos em quantidade, a E participa mais que todas as suas demais irmãs vogais na formação das palavras. No tempo da composição tipográfica, as caixas de madeira que continham os tipos de metal eram divididas em escaninhos de diversos tamanhos e a casa da letra E minúscula era a maior, bem próxima à vista e à mão do tipógrafo, por ser a mais usada. Reparem no teclado do computador e verão que a primeira vogal a aparecer é a E, já na segunda fila superior, abaixo dos números. E essa disposição foi herdada dos teclados das aposentadas máquinas de escrever. Tudo uma questão de prioridade de utilização.

E o exército de consoantes? Pois toda armada é formada assim: primeiro os generais e depois os soldados. Acima as vogais, que têm som próprio, e depois as consoantes que, como diz o próprio nome, somente soam com a parceria de uma vogal. Se não tiverem uma das cinco irmãs juntinha a si, são letras mudas, a que falta um pedacinho de som. Nossa língua portuguesa ganhou, com a última reforma ortográfica, três outras que se encontravam exiladas há muito – a K, a W e a Y. E deveria ter sido o contrário: com jeitinho e a bem da escrita fonética, teríamos decapitado a letra Q, bem fácil de ser substituída pela C; e a H que também se cuide, pois dá bem para passarmos sem ela. Bastaria adotarmos o simpático eñe espanhol e facilitar a vida de quem já, pela própria natureza, fala errado, dizendo colier e mulier, em vez da verão com H. Vejam como daria certo: “A mulier pegou a colier e acompañou seu marido na sobremesa”. Assim estaríamos criando, formalmente, o portunhol que dominará, dentro de algumas décadas, a América Latina.

Mas as consoantes também têm fortes personalidades. Eu, por exemplo, gosto da letra C, que por acaso inicia meu nome; uma questão de afinidade. Acho que ela é uma letra aberta, sempre pronta a um harmonioso abraço com a vogal que se lhe avizinhe. Há quem prefira a M, estável sobre duas pernas, ao contrário da P que avança seu tórax e se equilibra em apenas uma perninha. A letra R, ao não aguentar a posição circense, desceu rapidamente um esteio e fez com que o Pato se diferenciasse do Rato.

Tenho pena só de uma letra: a Z. A que fica por último, a zelar pela retaguarda do Alfabeto, com ar de zanga permanente, e que de vez em quando se zarelha na vida da S. Como sempre está no meio do azar, também lembra a zebra, a vitória não esperada. Talvez nem seja das mais inteligentes, pois não fala: zurra, à maneira das mulas. Ou, mesmo silenciosa, zumbe incomodamente. Aparentemente quieta, na maioria das vezes, zomba de todas as anteriores letrinhas. E quando se junta a outras suas iguais, onomatopaica, vira sono profundo. Além de azarar os nomes próprios que começam com ela – alguém já ouviu um Zulmar ser o primeiro na chamada escolar?

Examinei a N, uma M com complexo de inferioridade; a S, que conhecemos como cobrinha na escola primária, início de toda serpente e dos sapos. Quando está sozinha, dentro das palavras, em geral é ela que se zarelha, tomando o lugar da Z. A letra V é um pouco despersonalizada, é verdade. Muitas vezes pode ser cobardemente substituída pela B. No Espanhol, então, nem se fala nela. Pode até aparecer graficamente, com aquele ar de A invertido e sem cintura, mas sempre a pronunciam como uma B, coitada.

E a letra F? Uma P de boca aberta, consonante fricativa, lábiodental, surda. Tadinha… Abre a boca, mas apenas sussurra, faz ventinho entre os lábios. Impossível pronunciá-la com a boca cheia de farinha, sem produzir uma nuvem de pó de carboidratos. Já a G, gordinha como ela só, parece estar sempre no engole, engole, mão para dentro da boca. E a J, um cajado invertido, lembra joelhos dobrados a proferir jaculatórias. Ai, Jesus!

A letra Y, a nova irmã, veio para pouco acrescentar, apesar de seu jeitinho de dois dedos levantados em sinal de vitória. O NVOLP (para quem não está acostumado, este sanduíche de letras quer dizer Novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela ABL, ou Academia Brasileira de Letras) regsitra apenas 45 vocábulos do(a) Y, incluído(a) ele(a) próprio(a), até a 5ª edição, que vem com anexos. K e W aparecem mais, mas não chegam a encher uma página de cinco colunas, cada uma delas.

Mas já que estamos a conversar sobre a personalidade das letras, descobri outra coisa interessante. Já repararam que tratamos as letras à vezes como femininas e outras como masculinas? Dizemos o A e a A, o B e a B. Fui ao dicionário e vi que elas todas (ou eles todos?) são designadas por s.m., que não quer dizer sua majestade, mas substantivo masculino: “B. S.m. 1. A segunda letra do alfabeto etc.” Seria um caso de androginia gramatical?

Todas as divagações anteriores, que não têm o menor peso adicional na cultura de quem me lê, foram feitas para registrar a importância de uma letrinha sempre misteriosa, a senhora X. Notaram que essa indicação já nos remete a alguma pessoa desconhecida, que se esconde atrás de óculos escuros, sempre cabisbaixa e a percorrer rotas obscuras? É sempre o X do problema, a atormentar detetives. Cruz dos matemáticos, que sempre a utilizam como variável independente das equações ou a põem lá no fim, como a incógnita a ser descoberta. Ou não. A X – ou o X – é letra quase universal, que corta as demais julgadas desnecessárias, nome de todos os analfabetos que assinam em cruz, embora Descartes a tenha utilizada para designar sua primeira coordenada. Valia 10 para os romanos, mas nós a utilizamos sempre que queremos falar de uma quantidade indeterminada: falta X para completar. Os documentos secretos e importantes ficam sempre no Arquivo X. O dois risquinhos entrecruzados também facilitaram a vida dos desenhistas de anúncios de lanchonete, ao assumir as feições do queijo dos sanduíches (em inglês, é claro, que é para não perder a pose): X-salada, banana X etc.

Não é uma letrinha versátil e digna de admiração, talvez dotada de multipersonalidade? Em um exame vestibular, ela substitui quilômetros de textos formados por centenas de milhares de palavras e milhões de letras. Basta que a coloquemos dentro de um determinado quadradinho e pronto: traduz a resposta que queremos dar.

E tem mais uma coisa: ela é multiplicativa. É só colocá-la entre dois números e a magia se realiza. Ou, então, adversativa, a indicar lados opostos. Futebol não se realiza sem um X entre dois clubes.

E lembremo-nos, além de tudo, de sua elegância fonética: quando a Corte portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro, os nativos trataram de adotar falares europeus, trocando os S finais das palavras por maviosos X, hábito que até hoje os cariocas conservam.

Por tantas razões, quero propor o X, rei das letras, como principal candidato à presidência da República, nas próximas eleições. Ele poderá multiplicar o PIB brasileiro e substituí-lo pelo PIX (produto interno xuave), além de axelerar o creximento xoxial (noxa, como me condixionei rápido a exa teoria ideolóxica!).

Pelo menos ele é uma incógnita que poderá gerar uma solução positiva.

Curitiba, março de 2010

Fonte:
http://cdeassis.wordpress.com/cronicas/

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A. A. de Assis (Novos Triversos)

1
O amor fez a luz,
e as águas e os céus e a terra.
Em obras, o homem.

2
Tão simples, meu santo:
“ame e faça o que quiser”.
O resto é discurso.

3
Poeta no parque.
Enquanto caminha ao sol
vai catando haicais.

4
Com tanto edifício,
é difícil ver estrelas.
Que pena, Bilac…

5
Vaga o vaga-lume.
Vaga luz num vago mundo
procurando vaga.

6
Cigarra dá curso
de canto no formigueiro.
E a fábula acaba.

7
De longe o cheirinho
a que Adão não resistiu.
Festa da maçã.

8
Rodada de mate.
Negrinho do Pastoreio
passa bem no meio.

9
Quero-quero-quero…
que queres tu tanto assim?
– Quero a quera-quera.

10
Mindim, seu-vizim,
pai-de-todos, fura-bolo…
Ao sobrante, o piolho.

11
Tão meninas elas,
as meninas dos teus olhos.
Pedem colo, ainda.

12
Nobre girassol.
Como podem, no mercado,
chamá-lo commodity?

13
Toda prosa a rosa.
Vitória-régia-mirim
numa poça d’água.

14
Mágica é a palavra.
Beija-flor é beija-flor,
colibri nem tanto.

15
Vovó faz a sesta
na cadeira de balanço.
Reprise de sonhos.

16
Repartem-se as nuvens
em finos fios de chuva.
Festança na roça.

17
Era um fino belga.
Fez sucesso ao transformar-se
num canário brega.

18
No ap da canária
pinta o 7 o pintassilgo.
Pinta um pintagol.

19
A abelhinha, não.
Bela e útil, não lhe assenta
ser chamada “inseto”.

20
Na Idade da Pedra
talvez já se comentasse:
– É uma pedra a idade.

21
Cada tique-taque
leva um tiquinho da gente.
Para o céu, espero.

22
Longindo-se vai,
suminte, o barquinho a vela.
Quem será com quem?

23
Ah, espelho meu.
Cada vez que em ti me vejo
vejo menos eu.

24
Receita do sapo:
quem quer um sono tranquilo
antes coma o grilo.

25
Gordo flamboaiã.
Só ele no vasto pasto
dando sombra aos bois.

26
Quantas vezes, ah,
eu vi o pião rodar.
E os anos também.

27
As celebridades?…
Dê-lhes tempo e logo-logo
serão gasparzinhos.

28
Do dente por dente
ao voto por dentadura.
A lei da mordida.

29
Flores na enxurrada.
Vão ter afinal bom háli-
to as bocas de lobo.

30
Santo mesmo é o peixe.
Sequer precisou da arca
para se salvar.

31
Caminhão de flores.
Da roça para a cidade,
perfumando as trilhas.

32
Tanto foi ao brejo,
que a vaca um lírio gerou.
O copo-de-leite.

33
Cubram-se as estrelas.
Tem gente capaz de ao vê-las
lhes roubar as pilhas.

34
O parto da história:
aquele em que Adão, dormindo,
fez-se Adão e Eva.

35
Desce o rio a serra.
Colhe as lágrimas da terra
pra fazer o mar.

36
A prece da tarde.
Em coro cantam as aves
as Ave-Marias.

37
Na praia desfilam
sungas, biquínis. De gala,
um par de pinguins.

38
Trinta e tantos graus.
Passarinho, na torneira,
rouba um pingo d’água.

39
Pazinha… colher…
ou vai ser na lambeção?
Sorvete em casquinha.

40
Nuns de vez em quando
sou porventura menino.
Melhores momentos.

41
Um pingo de luz
no topo do arranha-céu.
Brincando de estrela.

42
As rosas no cio.
Sedutoramente abertas
para o beija-flor.

43
Lua cheia míngua,
de repente volta nova.
Imortalidade.

44
Triste bem-te-vi
pareceu-me estar pedindo:
– Não me roube os hífens.

45
Siri pra sereia:
– Quando eu crescer, te prometo,
serei teu sereio.

46
Garrincha e Pelé.
Depois deles nunca mais
houve igual olé.

47
Ao velhinho, o dia.
Nem passado nem futuro
têm-lhe serventia.

48
Estrelas, milhões.
Ou serão anjos brincando
de bola de gude?

49
Entre o céu e a terra,
quanta vã filosofia…
E o pior: bem paga.

50
Pois é, meu poeta:
até as crateras da Lua
de longe são belas.

51
Corrija-se a tempo.
Mais de mater que magistra
necessita o mundo.

52
Tanto pisou nela,
que a calçada deu-lhe o troco.
Dedão destroncado.

53
Antissolidão.
A cada velhinho a tela
de um computador.

54
A pomba e a rolinha.
Uma é grande, outra é pequena,
mas de paz é a cena.

55
Cala-te, canário.
Se cantas além da conta,
contas teus segredos.

56
Pobre couve-flor.
Não sendo nem flor nem couve,
finge ser as duas.

57
Gambazinhos, hummm…
Para o nariz da mãe deles,
que catinga boa.

58
Doce portuñol.
Para los niños los nidos
… y los abuelos.

59
Pousa o passarinho
na imagem de São Francisco.
Os irmãos se entendem.

60
Branquinhas, branquinhas,
voam as garças em V.
Vitória da paz.

Fonte:
O Autor

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Regina Célia Melo (Poesia Infantil)

GALINHO PEDRÊS

Meu galinho pedrês
Já aprendeu a lição.
Canta de cor e salteado
O madrigal de
Todas as manhãs!

TECELÃ DE SONHOS

Um sorriso aqui, alegria ali
Um ponto aqui, outro acolá

Tecelã de sonhos
Cativando amores
Cultivando flores
Costurando cores

Todas as flores
Num só jardim
Nona sinfonia
Colcha de harmonia

Flor de Maria,
Flor de José e de quem vier…

VALSINHA

Oh, abelhinha
Minha amiga,
Traz mel pro menininho…

Ele quer ficar barrigudinho,
Quer crescer, entender de tudo
Um tanto!

E um dia, num campo
Cheio de flores,
Ficar tonto de tanto dançar
Sua valsa ao som do bZ

CORUJA

Corujinha dos olhos grandes,
Empresta-me teu olhar…
Pra eu descobrir os segredos
Do céu vazio de lua,
Da noite cheia de noite…

CARACOL

Que caracol enrolado!
Fica horas e horas,
Dias e dias,
Meses e meses,
Anos e muitos anos…
Toda a vida se aprontando
Pra sair de casa…
E quando sai de casa
Não sai da casa!

CONVITE

Mal a lua se pôs na noite,
Piscou-me um olho.
Fez um sorriso de estrelas,
Calçou uma sapatilha de nuvens
E, num pas de deux de luar,
Convidou-me para dançar.

NUDEZ

Ipê amarelo
Vento despindo-o
Chão pintado

POÁ

Nas tardes sonolentas
De agosto, os mosquitinhos
Vão à forra…
Fazem piruetas indiscretas
Nos desavisados narizes.
Zoam uma cantilena
Sem fim…
E por onde passam pintam um
Desencontrado poá.

SINFONIA

Atenção, senhores ouvintes:
A orquestra vai começar!

Fimmm, fuim, fuim…
Interminavelmente…

É assim:
Primeiro a sinfonia,
Pra aliviar, com certeza,
O ataque fatal!
PLAFT!!!

ENTRADA PROIBIDA

Barata chata,
Feiosa e entrona,
Ninguém aqui te convidou!

Chinelo, vassoura e detefon!
EXPRESSAMENTE PROIBIDA
ENTRADA DE BARATAS!

Troncha e tonta,
Vá abusar noutra freguesia!!
ARGH!!!
===============

Nascida em Januária e criada em Montes Claros – cidades mineiras- Regina Célia Melo mudou-se para Brasília em 1976, após concluir o magistério. Ingressou na Secretaria de Estado de Educação, em 1977, como professora de crianças. Graduou-se em Letras, Direito (UniCEUB), Artes Plásticas( UnB), especializou-se em Literatura Brasileira e, também, em Educação Especial, sua principal área de atuação, à qual se dedica há mais de vinte anos. Sua grande alegria é ver crianças apaixonadas por livros.

Livros publicados: Uma Joaninha Diferente, Uma Traça sem Graça, Sapato Trocado Sorriso Dobrado, Poemas e Cores.

Fonte:
Antonio MIranda

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Artur de Azevedo (A Polêmica)


O Romualdo tinha perdido, havia já dois ou três meses, o seu lugar de redator numa folha diária; estava sem ganhar vintém, vivendo sabe Deus com que dificuldades, a maldizer o instante em que, levado por uma quimera da juventude, se lembrara de abraçar uma carreira tão incerta e precária como a do jornalismo.

Felizmente era solteiro, e o dono da “pensão” onde ele morava fornecia-lhe casa e comida a crédito, em atenção aos belos tempos em que nele tivera o mais pontual dos locatários.

Cansado de oferecer em pura perda os seus serviços literários a quanto jornal havia então no Rio de Janeiro, o Romualdo lembrou-se, um dia, de procurar ocupação no comércio, abandonando para sempre as suas veleidades de escritor público, os seus desejos de consideração e renome.

Para isso, foi ter com um negociante rico, por nome Caldas, que tinha sido seu condiscípulo no Colégio Vitório, a quem jamais ocupara, embora ele o tratasse com muita amizade e o tuteasse, quando raras vezes se encontravam na rua.

O negociante ouviu-o, e disse-lhe:

– Tratarei mais tarde de arranjar um emprego que te sirva; por enquanto preciso da tua pena. Sim, da tua pena. Apareceste ao pintar! Foste a sopa que me caiu no mel! Quando entraste por aquela porta, estava eu a matutar, sem saber a quem me dirigisse para prestar-me o serviço que te vou pedir. Confesso que não me tinha lembrado de ti… perdoa…

– Estou às tuas ordens.

– Preciso publicar amanhã, impreterivelmente, no Jornal do Comércio, um artigo contra o Saraiva.

– Que Saraiva?

– O da rua Direita.

– O João Fernandes Saraiva?

– Esse mesmo.

– E queres tu que seja eu quem escreva esse artigo?

– Sim. Ganharás uns cobres que não te farão mal algum.

A essa palavra “cobres”, o Romualdo teve um estremeção de alegria; mas caiu em si:

– Desculpa, Caldas; bem sabes que o Saraiva é, como tu, meu amigo… como tu, foi meu companheiro de colégio…

– Quando conheceres a questão que vai ser o assunto desse artigo, não te recusarás a escrevê-lo, porque não admito que sejas mais amigo dele do que meu. Demais, nota uma coisa: não quero insultá-lo, não quero dizer nada que o fira na sua honra, quero tratá-lo com luva de pelica. Sou eu o primeiro a lastimar que uma questão de dinheiro destruísse a nossa velha amizade. Escreves o artigo?

– Mas…

– Não há mas nem meio mas! O Saraiva nunca saberá que foi escrito por ti.

– Tenho escrúpulos…

– Deixa lá os teus escrúpulos, e ouve de que se trata. Presta-me toda a atenção.

E o Caldas expôs longamente ao Romualdo a queixa que tinha do Saraiva. Tratava-se de uma pequena questão comercial, de um capricho tolo que só poderia irritar, um contra o outro, dois amigos que não conhecessem o que a vida tem de áspero e difícil O artigo seria um desabafo menos do brio que da vaidade, e, escrevendo-o, qualquer pena hábil poderia, efetivamente, evitar uma injúria grave.

O Romualdo, que há muito tempo não pegava numa nota de cinco mil-réis, e apanhara, na véspera, uma descompostura de lavadeira, cedeu, afinal, às tentadoras instâncias do amigo, e no próprio escritório deste redigiu o artigo, que satisfez plenamente.

– Muito bem! – exclamou o Caldas, depois de três leituras consecutivas.

– Se eu soubesse escrever, escreveria isto mesmo! Apanhaste perfeitamente a questão!

E, depois de um passeio â burra, meteu um envelope na mão de Romualdo, dizendo-lhe:

– Aparece-me daqui a dias: vou procurar o emprego que desejas. – A época é difícil, mas há de se arranjar.

O Romualdo saiu, e, ao dobrar a primeira esquina, abriu sofregamente o envelope: havia dentro uma nota de cem mil-réis! Exultou! Parecia-lhe ter tirado a sorte grande!

Na manhã seguinte, o ex-jornalista pediu ao dono da “pensão” que lhe emprestasse o Jornal do Comércio, e viu a sua prosa “Eu e o sr. João Fernandes Saraiva” assinada pelo Caldas; sentiu alguma coisa que se assemelhava ao remorso, o mal-estar que acomete o espírito e se reflete no corpo do homem todas as vezes que este pratica um ato inconfessável, e aquilo era uma quase traição. Entretanto almoçou com apetite.

À sobremesa entrou na sala de jantar um menino, que lhe trazia uma carta em cujo sobrescrito se lia a palavra “urgente”.

Ele abriu-a e leu:

“Romualdo. – Preciso falar-lhe com a maior urgência. Peço-lhe que dê um pulo ao nosso escritório hoje mesmo, logo que possa. Recado do – João Fernandes Saraiva.”

Este bilhete inquietou o ex-jornalista.

Com certeza, pensou ele, o Saraiva soube que fui eu o autor do artigo! Naturalmente alguém me viu entrar em casa do Caldas, demorar-me no escritório… desconfiou da coisa e foi dizer-lhe… Mas para que me chamará ele?

O seu desejo era não acudir ao chamado; alegar que estava doente, ou não alegar coisa alguma, e lá não ir; mas o menino de pé, junto à mesa do almoço, esperava a resposta… Era impossível fugir!

– Diga ao seu patrão que daqui a pouco lá estarei.

O menino foi-se.

O Romualdo acabou a sobremesa, tomou o café, saiu, e dirigiu-se ao escritório do Saraiva, receoso de que este o recebesse com duas pedras na mão.

Foi o contrário. O amigo recebeu-o de braços abertos, dizendo-lhe:

– Obrigado por teres vindo! Estava com medo de que o pequeno não te encontrasse! Vem cá!

E levou-o para um compartimento reservado.

– Leste o jornal do Comércio de hoje?

– Não – mentiu prontamente o Romualdo. – Raramente leio o Jornal do Comércio.

– Aqui o tens; vê que descompostura me passou o Caldas!

O Romualdo fingiu que leu.

– Isso que aí está é uma borracheira, mas não é escrito por ele! – bradou o Saraiva. – Aquilo é uma besta que não sabe pegar na pena senão para assinar o nome!

– O artigo não está mau… Tem até estilo…

– Preciso responder!

– Eu, no teu caso, não respondia…

– Assim não penso. Preciso responder amanhã mesmo no próprio Jornal ao Comércio e, se te chamei, foi para pedir-te que escrevas a resposta.

– Eu?…

– Tu, sim! Eu podia escrever mas… que queres?… Estou fora de mim!…

– Bem sabes – gaguejou o Romualdo – que sou amigo do Caldas. Não me fica bem…

– Não te fica bem, por quê? Ele com certeza não é mais teu amigo que eu! Depois, não é intenção minha injuriá-lo; quero apenas dar-lhe o troco!

No íntimo o Romualdo estava satisfeito, por ver naquele segundo artigo um meio de atenuar, ou, se quiserem, de equilibrar o seu remorso.

Ainda mastigou umas escusas, mas o outro insistiu:

– Por amor de Deus não te recuses a este obséquio tão natural num homem que vive da pena! Tu estás desempregado, precisas ganhar alguma coisa…

O Romualdo cedeu a este último argumento, e, depois de convenientemente instruído pelo Saraiva sobre a resposta que devia dar, pegou na pena e escreveu ali mesmo o artigo.

Reproduziu-se então a cena da véspera, com mudança apenas de um personagem. O Saraiva, depois de ler e reler o artigo, exclamou: – Bravo! Não podia sair melhor! – e, tirando da algibeira um maço de dinheiro, escolheu uma nota de duzentos mil-réis e entregou-a ao prosador.

– Oh! Isto é muito, Saraiva!

– Qual muito! Estás a tocar leques por bandurra: é justo que te pague bem!

– Obrigado, mas olha: recomendo-te que mandes copiar o artigo, porque no jornal pode haver alguém que conheça a minha letra.

– Copiá-lo-ei eu mesmo.

– Adeus.

– Adeus. Se o Caldas treplicar, aparece-me!

– Está dito.

No dia seguinte, o Caldas entrou muito cedo no quarto do Romualdo, com o jornal do Comércio na mão.

– O bruto replicou! Vais escrever-me a tréplica!

E batendo com as costas da mão no jornal:

– Isto não é dele… Aquilo é incapaz de traçar duas linhas sem quatro asneiras… mas ainda assim, quem escreveu por ele está longe deter o teu estilo, a tua graça… Anda! Escreve!…

E o Romualdo escreveu…

Durante um mês teve ele a habilidade de alimentar a polêmica, provocando a réplica, para que não estancasse tão cedo a fonte de receita que encontrara. Para isso fazia insinuações vagas, mas pérfidas, e depois, em conversa ora com um ora com outro, era o primeiro a aconselhar a retaliação e o esforço.

Tanto o Caldas como o Saraiva se mostraram cada vez mais generosos, e o Romualdo nunca em dias de sua vida se viu com tanto dinheiro. Ambos os contendores lhe diziam: – Escreve! Escreve! Eu quero ser o último!

Por fim, vendo que a questão se eternizava, e de um momento para o outro a sua duplicidade podia ser descoberta, o Romualdo foi gradualmente adoçando o tom dos artigos, fazendo, por sua própria conta, concessões recíprocas, lembrando a velha amizade, e com tanto engenho se houve, que os dois contendores se reconciliaram, acabando amigos e arrependidos de terem dito um ao outro coisas desagradáveis em letra de forma.

E o público admirou essa polêmica, em que dois homens discutiam com estilos tão semelhantes que o próprio estilo pareceu harmonizá-los.

O Caldas cumpriu a sua promessa: o Romualdo pouco depois entrou para o comércio, onde ainda hoje se acha, completamente esquecido do tempo que perdeu no jornalismo.

Fonte:
www.biblio.com.br

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Alberto de Oliveira (Livro de Poemas)

A VINGANÇA DA PORTA

Era um hábito antigo que ele tinha:
Entrar dando com a porta nos batentes.
— Que te fez essa porta? a mulher vinha
E interrogava. Ele cerrando os dentes:

— Nada! traze o jantar! — Mas à noitinha
Calmava-se; feliz, os inocentes
Olhos revê da filha, a cabecinha
Lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.

Urna vez, ao tornar à casa, quando
Erguia a aldraba, o coração lhe fala:
Entra mais devagar… — Pára, hesitando…

Nisto nos gonzos range a velha porta,
Ri-se, escancara-se. E ele vê na sala,
A mulher como doida e a filha morta.

TAÇA DE CORAL

Lícias, pastor — enquanto o sol recebe,
Mugindo, o manso armento e ao largo espraia.
Em sede abrasa, qual de amor por Febe,
— Sede também, sede maior, desmaia.

Mas aplacar-lhe vem piedosa Naia
A sede d’água: entre vinhedo e sebe
Corre uma linfa, e ele no seu de faia
De ao pé do Alfeu tarro escultado bebe.

Bebe, e a golpe e mais golpe: — “Quer ventura
(Suspira e diz) que eu mate uma ânsia louca,
E outra fique a penar, zagala ingrata!

Outra que mais me aflige e me tortura,
E não em vaso assim, mas de uma boca
Na taça de coral é que se mata”

ULTIMA DEUSA

Foram-se os deuses, foram-se, eu verdade;
Mas das deusas alguma existe, alguma
Que tem teu ar, a tua majestade,
Teu porte e aspecto, que és tu mesma, em suma.

Ao ver-te com esse andar de divindade,
Como cercada de invisível bruma,
A gente à crença antiga se acostuma
E do Olimpo se lembra com saudade.

De lá trouxeste o olhar sereno e garço,
O alvo colo onde, em quedas de ouro tinto,
Rútilo rola o teu cabelo esparto…

Pisas alheia terra… Essa tristeza
Que possuis é de estátua que ora extinto
Sente o culto da forma e da beleza.

LUVA ABANDONADA

Uma só vez calçar-vos me foi dado,
Dedos claros! A escura sorte minha,
O meu destino, como um vento irado,
Levou-vos longe e me deixou sozinha!

Sobre este cofre, desta cama ao lado,
Murcho, como uma flor, triste e mesquinha,
Bebendo ávida o cheiro delicado
Que aquela mão de dedos claros tinha.

Cálix que a alma de um lírio teve um dia
Em si guardada, antes que ao chão pendesse,
Breve me hei de esfazer em poeira, em nada…

Oh! em que chaga viva tocaria
Quem nesta vida compreender pudesse
A saudade da luva abandonada!

CHORO DE VAGAS

Não é de águas apenas e de ventos,
No rude som, formada a voz do Oceano.
Em seu clamor – ouço um clamor humano;
Em seu lamento – todos os lamentos.

São de náufragos mil estes acentos,
Estes gemidos, este aiar insano;
Agarrados a um mastro, ou tábua, ou pano,
Vejo-os varridos de tufões violentos;

Vejo-os na escuridão da noite, aflitos,
Bracejando ou já mortos e de bruços,
Largados das marés, em ermas plagas…

Ah! que são deles estes surdos gritos,
Este rumor de preces e soluços
E o choro de saudades destas vagas!

AFRODITE I

Móvel, festivo, trépido, arrolando,
À clara voz, talvez da turba iriada
De sereias de cauda prateada,
Que vão com o vento os carmes concertando,

O mar, – turquesa enorme, iluminada,
Era, ao clamor das águas, murmurando,
Como um bosque pagão de deuses, quando
Rompeu no Oriente o pálio da alvorada.

As estrelas clarearam repentinas,
E logo as vagas são no verde plano
Tocadas de ouro e irradiações divinas;

O oceano estremece, abrem-se as brumas,
E ela aparece nua, à flor de oceano,
Coroada de um círculo de espumas.

AFRODITE II

Cabelo errante e louro, a pedraria
Do olhar faiscando, o mármore luzindo
Alvirróseo do peito, – nua e fria,
Ela é a filha do mar, que vem sorrindo.

Embalaram-na as vagas, retinindo,
Ressoantes de pérolas, – sorria
Ao vê-la o golfo, se ela adormecia
Das grutas de âmbar no recesso infindo.

Vede-a: veio do abismo! Em roda, em pêlo
Nas águas, cavalgando onda por onda
Todo o mar, surge um povo estranho e belo;

Vêm a saudá-la todos, revoando,
Golfinhos e tritões, em larga ronda,
Pelos retorsos búzios assoprando.
—–

Fonte:
Portal Sao Francisco

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Bienal do Livro do Paraná (1 a 10 outubro 2010)

Um programa cultural e divertido, a Bienal do Livro Paraná apresenta atrações para todos os públicos. Um evento repleto de novidades, que promove o encontro dos visitantes com autores, escritores, poetas, jornalistas e pensadores.

Durante os dez dias de Bienal, os visitantes poderão participar de sessões literárias, debates e bate-papos informais com seus autores preferidos para discutir os mais variados assuntos. E as crianças também têm seu espaço: teatro infantil e contadores de história apresentaram a elas o fantástico mundo do livro, mostrando o quanto a leitura é divertida e prazerosa.

Informações Gerais:

Data
1 a 10 de outubro de 2010

Horário
Dias de semana: das 9h às 22h
Fins de semana: das 10h às 22h

Local do Evento
Estação Convention Center
Avenida Sete de Setembro, 2.775 – Curitiba – Paraná

Ingressos:
Entrada inteira – R$ 8,00
Meia-entrada – R$ 4,00

– Os estudantes devem apresentar documento de identificação estudantil com data de validade. Caso no documento apresentado não conste data de validade, deverá ser apresentado outro que comprove a matrícula ou a freqüência no ano letivo em curso acompanhado de carteira de identidade.
– Todo professor, bibliotecário e profissional do livro têm acesso gratuito à Bienal.
– Os idosos devem apresentar carteira de identidade.

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PROGRAMAÇÃO

CAFÉ LITERÁRIO

01/10/2010 19:30
A construção do leitor: o poder de sedução da leitura
Moacyr Scliar e Ronaldo Correia de Brito.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

02/10/2010 14:00
Pequenos leitores, grandes leitores
Cléo Busatto e Rodrigo Lacerda.
Mediador: Cristiano Freitas

02/10/2010 16:00
Literatura digital, e-books e o leitor do futuro: há uma revolução em curso?
Sérgio Rodrigues e Adriana Lisboa. Mediador:
Christian Schwartz

02/10/2010 19:00
Por que ler os clássicos?
Ignácio de Loyola Brandão e José Roberto Torero. Mediador: Flávio Stein

03/10/2010 14:00
Quando a vida vira ficção
Ana Miranda e Márcio Souza
Mediador: Christian Schwartz

03/10/2010 16:00
A permanência da crônica: caminhos e perspectivas
Arnaldo Bloch e Xico Sá.
Mediador: Luiz Andrioli

03/10/2010 19:30
Poesia, quem é você?
Fabrício Carpinejar e Alberto Martins.
Mediador: Luiz Rebinski Junior

04/10/2010 19:30
Bate-bola: futebol e literatura
Flávio Carneiro e Sidney Garambone.
Mediador: Bob Faria

05/10/2010 19:30
A voz do escritor: como alcançar um estilo narrativo
José Castello e Cristovão Tezza.
Mediador: Christian Schwartz

06/10/2010 19:30
Literatura, cinema, TV e quadrinhos: como se dá este diálogo?
Marçal Aquino e Laerte.
Mediador: Mariana Sanchez

07/10/2010 19:00
Literatura pop de entretenimento: que gênero é este?
Felipe Pena e André Vianco.
Mediador: Carlos Machado
.
07/10/2010 20:30

Uma noite de histórias (Promoção RPC TV)
Sandro Dalpícolo e Jorge Narozniak.
Mediador: Herivelto Oliveira
.
08/10/2010 19:30
Literatura é um ato de resistência?
Elvira Vigna e Luiz Ruffato.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

09/10/2010 14:00
Os desafios da nova prosa brasileira.
Carlos de Brito e Mello e Manoela Sawitzki.
Mediador: Omar Godoy

09/10/2010 16:00
Biografia: em busca de uma grande história.
Ruy Castro e Guilherme Fiuza.
Mediador: Paulo Krauss

09/10/2010 19:00
A sedução do romance: onde está sua força?
Heloisa Seixas e João Paulo Cuenca.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

10/10/2010 14:00
O espaço da literatura e do leitor na imprensa
Daniel Piza e João Gabriel de Lima.
Mediador: Paulo Camargo

CIRCO DAS LETRAS

A Bienal do Livro apresenta uma programação repleta de atividades para os pequenos visitantes, com muitas histórias e diversas brincadeiras lúdicas. Contos daqui e de acolá. Deste tempo e de outro bem distante.

Os visitantes mirins vão fazer uma viagem pela literatura com contação de histórias, música e teatro de bonecos.

01/10/2010 15:00
02/10/2010 11:00 ; 14:00
03/10/2010 11:00
04/10/2010 16:00
05/10/2010 16:00
06/10/2010 14:00
07/10/2010 11:00
08/10/2010 14:00
09/10/2010 11:00 ; 14:00
10/10/2010 14:00
Entrelinhas melódicas
Edith de Camargo

01/10/2010 16:00
02/10/2010 15:00 ; 19:00
03/10/2010 14:00 ; 16:00
04/10/2010 14:00 ; 15:00
05/10/2010 14:00
06/10/2010 11:00
07/10/2010 10:00 ; 15:00
08/10/2010 11:00 ; 15:00
09/10/2010 15:00 ; 18:00
10/10/2010 16:00
Onde Nascem as Histórias
Cia Mínima de Teatro

01/10/2010 18:00
02/10/2010 12:30 ; 02/10/2010 18:00
03/10/2010 12:30 ; 15:00
03/10/2010 18:00
04/10/2010 10:00 ; 11:00
05/10/2010 11:00
06/10/2010 16:00
07/10/2010 14:00
07/10/2010 16:00
08/10/2010 16:00
09/10/2010 12:30
10/10/2010 12:30
Formosos Monstros
Cléo Busatto

02/10/2010 16:00
05/10/2010 10:00 ; 15:00
06/10/2010 10:00
08/10/2010 10:00
09/10/2010 16:00 ; 19:00
10/10/2010 11:00 ; 15:00
Passarinho me Contou
Cia Triângulo de Teatro de Bonecos e Atores

FÓRUM DE DEBATES

O objetivo do Fórum de Debates é contribuir para que os professores participantes tenham acesso ao saber de profissionais qualificados, com os quais nem sempre têm oportunidade de estar em contato, como escritores, ilustradores, cineastas e pesquisadores de educação, os quais, em linguagem clara, lhes fornecerão subsídios, para que possam enriquecer seus conhecimentos e aplicá-los no dia-a-dia profissional.

Participam do fórum as escritoras Heloisa Prieto e Cléo Busatto, a ilustradora Márcia Széliga, o cineasta Paulo Munhoz e os professores doutores Alice Áurea Penteado (UEM) e João Luis Ceccantini (UNESP).

A curadoria e a mediação são da escritora e pesquisadora Ieda de Oliveira.

FÓRUM DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
AUDITÓRIO WILSON MARTINS
TEMA: O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens?
Curadoria e mediação: Ieda de Oliveira

05/10/2010 14:00
O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens? Com a palavra o escritor.
Heloisa Prieto e Cléo Busatto.
Mediador: Ieda de Oliveira

05/10/2010 16:00
O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens? Com a palavra o ilustrador e o cineasta
Márcia Széliga e Paulo Munhoz.
Mediador: Ieda de Oliveira

06/10/2010 16:00
O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens? Com a palavra o educador.
Alice Áurea Penteado Martha e João Luis Ceccantini.
Mediador: Ieda de Oliveira

EVENTOS NOBRES

Encontros onde o público participa de bate-papos com escritores de destaque no cenário cultural.

Dois Eventos Nobres fazem parte da programação da Bienal. O primeiro deles será o Encontro com Rubem Alves, autor de inúmeros livros, colaborador de jornais e revistas. Entre suas obras estão crônicas, livros infantis, filosofia da religião e filosofia da ciência e da educação. Na Bienal ele fala sobre Doze lições para a educação dos sentidos.

O segundo Evento Nobre marca a sessão de encerramento do Café Literário e recorda o trabalho de um dos mais importantes intelectuais brasileiros, o crítico Wilson Martins. Nos últimos 60 anos, Martins dedicou-se à literatura brasileira e seus textos, com intuito de tecer um amplo painel da produção editorial, resultaram na obra História da Inteligência Brasileira, reeditada para a Bienal. Para compor essa mesa, foram convidados dois grandes amigos de Martins: os escritores Miguel Sanches Neto e Affonso Romano de Sant’Anna.

07/10/2010 19:00
ENCONTRO COM RUBEM ALVES: Doze lições para a educação dos sentidos.
Rubem Alves.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

10/10/2010 19:00
Wilson Martins: mestre da crítica
Affonso Romano de Sant’Anna e Miguel Sanches Neto.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

TERRITORIO JOVEM

Voltado especialmente ao público adolescente. Nele, escritores e personalidades de diferentes áreas conversam sobre fenômenos relacionados ao cotidiano dessa faixa etária como: comportamento, educação, beleza, entre outros temas. Na discussão, assuntos como Bullyng, O Mundo da Menina e o sucesso recente de vários best-sellers internacionais, como O senhor dos anéis, Harry Potter e Crepúsculo, que provocaram a proliferação de um tipo de literatura pop, de entretenimento, cultuada especialmente por adolescentes

02/10/2010 13:00
Bullying
Ana Beatriz Barbosa Silva.
Mediador: Omar Godoy

09/10/2010 13:00
Entre Vampiros e Sagas: o livro é uma aventura.
Eduardo Spohr e Orlando Paes Filho.
Mediador: Cristiano Freitas

10/10/2010 13:00
O mundo da menina
Malvine Zalcberg.
Mediador: Omar Godoy

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Arquivado em Bienal do Livro, Curitiba, Paraná

Ialmar Pio Schneider (Baú de Trovas IX)

Anoitece lentamente
quando medito sozinho
e me quedo descontente
distante do teu carinho.

A noite desceu aos poucos
e no céu surgiu a lua
para os boêmios e loucos
que vagam a esmo na rua.

Às vezes me contradigo
sem querer, naturalmente,
pois corro sempre o perigo
de te amar inutilmente.

Como tarda anoitecer
nestes dias de verão,
quanto é difícil viver
mergulhado em solidão.

Eis que chega a primavera,
trazendo-me novo alento,
vivo o “suspense” da espera
de te encontrar num momento…

Escrevo trovas sentidas
num desabafo de dor:
são as ilusões perdidas
de certo frustrado amor.

Eu fui te ver certo dia
e apenas me confundiste;
ia cheio de alegria
e voltei magoado e triste.

Faço de conta que penso
e me concentro demais;
todavia me convenço
que não me encontro jamais…

Faço versos para alguém
que surgiu em minha vida
e agora com seu desdém
me deixou a alma ferida.

Fora bom que tu partisses
para nunca mais voltar;
assim talvez conseguisses
que eu pudesse te olvidar…

Iremos os dois sozinhos
em meio da multidão,
por diferentes caminhos
que jamais se encontrarão.

Já não canto por desgosto
e nem por felicidade,
mas, à tardinha, ao sol-posto,
eu me quedo na saudade…

Meu amor foi o mais louco,
pois nasceu de uma esperança,
que não vingou nem um pouco
e transformou-se em lembrança.

Meu coração se consterna
olhando a noite estrelada;
no mundo quem me governa
são as carícias da amada.

Minhas mágoas já são tantas
que não posso descrevê-las;
é como se pelas tantas
fosse contar as estrelas…

Nada te digo nem quero
que alguma coisa me digas;
se às vezes me desespero
eu me desfaço em cantigas…

Não estás junto comigo
nestes momentos adversos;
no entanto, pra meu castigo,
vives inteira em meus versos !

Não me iludem teus olhares
e nem tampouco teus risos:
são expansões singulares
ou desejos indecisos ?!

Não te desprezo, nem quero
o teu desprezo, igualmente;
se o amor não é sincero
procuro esquecer, somente…

Não vais chorar, certamente,
ao saberes que te quero
e creias, porém, somente
que tudo… tudo é sincero.

O calor convida ao mar
aonde o meu desejo vai,
preciso te procurar
quando a tarde aos poucos cai.

O que me causa tristeza
não é saber que não me amas,
é tão-somente a certeza
que sofres e não reclamas !

O tempo que tudo apaga
só deixa recordação,
que nem uma viva chaga
sangrando no coração.

Por mais que tente esquecê-la,
não consigo meu intento,
sempre será qual estrela,
brilhando no firmamento.

Proclamas que és minha amiga…
ou foges da realidade ?!
Não te importas que eu te diga
desejar mais que amizade ?!

Segue teu rumo que eu sigo
o meu destino também,
se não pude andar contigo
vou procurar outro alguém…

Sempre existe na existência
pra nos fazer infeliz,
um amor sem convivência
que a gente esperou e quis.

Se pudesses compreender
a paixão que me enlouquece,
nunca mais o teu viver
uma só mágoa tivesse…

Do Saber:

Sócrates assim dizia:
“Eu só sei que nada sei.”
E com tal filosofia
eu também responderei.

Tudo não passou de um sonho
tão rápido e fugidio;
um pensamento enfadonho
que de nada me serviu.

Fonte:
O Autor

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Arquivado em A escritora em xeque, Baú de Trovas, Contos, Entrevista, Entrevistas, Trovas

Academia Brasileira de Letras (Concurso Conte o conto sem aumentar um ponto, prorroga prazo de envio)

A Academia Brasileira de Letras informa que, devido ao grande sucesso do concurso cultural “Conte o conto sem aumentar um ponto”, o prazo para envio dos trabalhos foi prorrogado até 14 de outubro, ficando, desta forma, 25 de novembro a nova data para o resultado do concurso.

Os interessados devem encerrar, de forma distinta do original, o conto “A Cartomante”, de Machado de Assis, não ultrapassando os 1778 caracteres, a mesma quantidade usada pelo escritor para finalizar sua obra, desde o trecho indicado pelo concurso.

Vale ressaltar que, para concorrer ao prêmio, o consulente deverá ser seguidor do Twitter da ABL e atentar-se às normas que constam no link abaixo.

REGULAMENTO DO CONCURSO CONTE O CONTO SEM AUMENTAR UM PONTO

1 – TEMA:

A Academia Brasileira de Letras (ABL), com o objetivo de promover sua imagem na rede social
Twitter, através do Abletras, estabelece normas para a participação no Concurso Cultural
Conte o conto sem aumentar um ponto.

Os participantes deverão escrever um conto com até 1778 caracteres, finalizando, de maneira
distinta do original, o conto A Cartomante, de Machado de Assis. O melhor, além da
premiação, terá seu trabalho exposto no Portal da ABL.

1.1 – PONTO DE PARTIDA DO CONCORRENTE:

“Tudo lhe parecia agora melhor, as outras coisas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobriu a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.

— Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.”

1.2 – O concorrente deverá continuar seu conto a partir do vocábulo “cocheiro”, conforme
texto contido no item 1.1.

2 – CATEGORIAS:

Todas as faixas etárias podem participar do Concurso, exceto membros da ABL, funcionários da
Academia Brasileira de Letras e familiares.

3 – PARTICIPAÇÃO:

3.1 O participante precisa ser seguidor do Twitter Abletras para poder participar do Concurso;

3.2 O conto deverá ser enviado via formulário de inscrição encontrado no Portal da ABL;

3.3 Cada participante só poderá enviar um conto;

3.4 Os vencedores do concurso cultural declaram, desde já, serem de suas autorias os contos
encaminhados ao concurso e que os mesmos não constituem plágios de espécie alguma, ao
mesmo tempo em que cedem e transferem à Academia Brasileira de Letras, sem quaisquer
ônus para esta em caráter definitivo, plena e totalmente, todos os direitos autorais sobre os
referidos contos, para qualquer tipo de utilização, publicação ou reprodução na divulgação do
resultado.

3.5 Fica acordado que os participantes estão de acordo em receber correspondências físicas ou
eletrônicas das atividades da ABL.

4 – PRAZOS:

Início do concurso: 20/7

Envio dos contos até: 14/10

Data máxima do julgamento: 18/11

Data do resultado: 25/11

Data da publicação no Portal da ABL: 25/11

5 – AVALIAÇÃO:

A Comissão Julgadora, indicada pela Academia Brasileira de Letras, se encarregará de escolher
3 contos, sendo sua decisão soberana e irrecorrível.

6 – COMISSÃO AVALIADORA:

Adriana Vilaça – Responsável pela Biblioteca Rodolfo Garcia;
Antonio Carlos Athayde – Responsável pela Assessoria de Imprensa da ABL;
Maria Celeste Garcia – Responsável pelo Centro de Memória da ABL;
Paulino Cardoso – Responsável pelo Arquivo da ABL;
Raphael Pinheiro – Responsável pelo Portal da ABL.

7 – PREMIAÇÃO:

1º Lugar: Coleção completa de Machado de Assis;

2º Lugar: Dicionário Machado de Assis, de Ubiratan Machado;

3º Lugar: VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

8 – DISPOSIÇÕES FINAIS

8.1 Serão automaticamente desclassificados os trabalhos encaminhados fora do prazo
estipulado e/ou não estiverem dentro das normas estabelecidas neste Regulamento;

8.2 O conto classificado será exposto no Portal da Academia Brasileira de Letras
(www.academia.org.br );

8.3 O prazo para reclamação do prêmio é de 180 dias, contados a partir da divulgação oficial
dos resultados;

8.4 A participação neste concurso cultural implica na aceitação irrestrita deste regulamento;

8.5 O participante autoriza, desde já, a utilização de seu nome e imagem para fins de divulgação/promoção do concurso cultural.

Formulário de Envio do Conto clique aqui.

Fontes:
http://www.artistasgauchos.com.br/
Academia Brasileira de Letras
Imagem de Normal Rockwell

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Arquivado em Concursos Literários, Inscrições Abertas

Oficinas do 3º Festival de Contadores de Histórias de Porto Alegre (Inscrições Abertas e Atividades Paralelas)

3.º FESTIVAL ESTADUAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS

O Festival Estadual de Contadores de Histórias em sua 3ª edição é um evento não competitivo, voltado exclusivamente para a contação de histórias.

È uma promoção da Secretaria de Estado da Cultura do Departamento do livro e Bibliotecas Públicas realizado pela Biblioteca Lucilia Minssen e Casa de Cultura Mario Quintana.

Objetivos: O Festival tem como objetivo promover, difundir e divulgar as manifestações artísticas de contação de historias, destacando e divulgando talentos, contribuindo para o intercambio entre instituições, empresas e entidades que trabalham em prol do livro e da leitura.

Com o festival, oportunizaremos não apenas o registro, mas também a valorização das ações que se realizam nas diferentes escolas , bibliotecas e instituições, incentivando a pratica de ouvir e contar histórias, resgatando o momento da contação de historias para conscientizar o cidadão (leitor ou não) que a leitura, além de veículo de (in) formação é uma porta para o bem estar pessoal e para o convívio social.

Período:
O Festival acontecerá nos dias 07 e 08 de outubro de 2010, na Casa de Cultura Mario Quintana.

DAS INSCRIÇÕES DOS CONTADORES

As inscrições serão gratuitas, estão abertas a qualquer contador do Brasil e acontecerão de 12 de julho a 04 de setembro.

Os candidatos deverão enviar para a biblioteca a ficha de inscrição com informações sobre o trabalho que desenvolve como contador de historia e 02 (duas) fotos (podem ser scaneadas e enviadas por e-mail). As histórias devem ter sido publicadas em livro no Brasil. Para evitar a possibilidade de dois contadores apresentarem o mesmo texto, solicita-se que as histórias sejam apresentadas por ordem de preferência.

Na inscrição devem constar os nomes dos livros e dos autores.

Cada história deverá ser apresentada em um tempo máximo de 20 minutos.

DA SELEÇÃO

Uma comissão avaliará a proposta dos candidatos e os que forem selecionados irão contar apenas uma história no Festival.

Se a primeira escolha de algum contador for também a primeira escolha de outro, se proporá a apresentação das escolhas seguintes (já mencionadas na inscrição)

A divulgação dos contadores selecionados será feita entre 06 a 09 de setembro e seus nomes e histórias escolhidas constarão no folder com a programação do evento. Os contadores selecionados receberão certificado de participação no Festival e poderão assistir as apresentações dos colegas.

DAS APRESENTAÇÕES

Serão 4 apresentações pela manhã , 4 pela tarde.Cada apresentação deverá ter um tempo máximo de 20 minutos e, ao seu final, serão dados 10 minutos para que a platéia faça perguntas ao contador e este fale sobre seu trabalho e sobre a história que escolheu.

SOBRE O PÚBLICO DO FESTIVAL

O público do Festival será constituído por crianças, estudantes, professores , contadores de historias e outros interessados.

Os ingressos para o evento estarão à venda a partir de setembro na Biblioteca.

DA PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

Dias 07 e 08 de outubro
Manhã e tarde: 8 rodadas de historias
Após apresentação as crianças terão atividades recreativas na Brinquedoteca.

INFORMAÇÕES:

Biblioteca Lucilia Minssen
Rua dos Andradas, 736 / 5º andar Porto Alegre — RS CEP 90020-004
Fone: (51) 32257089
e-mail: bibliotecaluciliaminssen@gmail.com

ATIVIDADES PARALELAS DO EVENTO:

Dia 14 de outubro das 18h30 as 21h –
Encontro/Tertúlia de artistas e Contadores de histórias entre eles Jozé Sabugo.
Local: Café dos Cataventos – Térreo da CCMQ

OFICINAS COM INSCRIÇÕES ABERTAS:

Dia 14 outubro: turma manhã das 9h às 12h ou turma tarde 14h30 as 17h30

Contar história não é jogar conversa fora, é fazer arte!

Ministrante: Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, especialista em literatura infantil e juvenil pela UFRJ , Mestre em Literatura Brasileira pela UFSC, Doutorando em Teoria da Literatura, pela PUC-RS e responsável pela formação de grupos de contadores de histórias espalhados pelo país.

Proposta: A oficina se propõe a explorar a contação coletiva de histórias, associando o uso da palavra ao corpo e à voz, de maneira plástica e dinâmica, para obter o melhor resultado cênico.

Inscrição R$ 30,00

Contando e encantando com diferentes materiais (das 14h30 as 17h30 )

Confecção de HISTÓRIA DE VARAL para contação de histórias.

Ministrante: Fabiana Rocha Racoski, Psicopedagoga e Professora da Rede Municipal de Canoas

Inscrição R$ 20,00. Solicite a Lista de material na inscrição .

Local: Sala C5 – 5ª andar . Já sai com o material pronto

Dia 15 de outubro: manhã 9h às 12h :

Minicurso A Contação de Histórias na Origem do Leitor

Conteúdo: A contação de histórias está, com certeza, no cerne da formação de leitores. Assim, o minicurso visa refletir sobre a necessidade de pais e professores contadores de histórias, assim como a importância do resgate da contação de lendas, parlendas, travalínguas (formas simples) em atividades familiares e escolares.

Ministrante: Caio Riter é professor e escritor. Mestre e Doutor em Literatura Brasileria (UFRGS), coordenador de oficinas literárias e confrade-fundador da Reinações: confraria da leitura de textos infantis e juvenis. Vencedor de vários prêmios literários, tais como Barco a Vapor, Orígenes Lessa, Açorianos e Livro do Ano.

Inscrição R$ 30,00

Oficina: 14h30 as 17h30

Contação de histórias: dinâmicas para gostar de ler

Proposta: Apresentar ás pessoas que contam ou desejam contar histórias, recursos e técnicas que contribuirão para tornar a Hora da história um momento mágico e prazeroso, através do qual descobrirá o prazer de ler.

Vivência da leitura pela família e pela escola. Leitura como opção, não obrigação. Seleção de textos para contação de histórias e dinâmicas para apresentação dos mesmos.

Ministrante: Gládis Maria Ferrão Barcellos, Escritora, Bibliotecária, Contadora de histórias. Bacharel em Biblioteconomia pela UFRGS, Especialista em Literatura Infantil pela FAPA; Pós-Graduação em Folclore pela Faculdade Palestrina. Ministrante de Cursos e Oficinas de Narração de Histórias no interior do RGS e em outros Estados.

14h30 a 17h30

Contando e encantando com diferentes materiais

Confecção de TAPETE MÁGICO para contação de histórias.

Ministrante: Fabiana Rocha Racoski, Psicopedagoga e Professora da Rede Municipal de Canoas.

Inscrição R$ 20,00 – Solicite a Lista de material na inscrição .

Local: Sala C5 – 5ª andar – Já sai com o material pronto

Dia 16 de outubro: 14h30 as 17h30 (3h/aula)

Vitória, vitória, acabou-se a história – Workshop com Jozé Sabugo

Proposta: A oficina é por si, um ato social de congregação de saberes apoiada pela via da narração oral.

Jozé Sabugo preocupado com a educação pela arte, propõem fazer da oficina um ato de ler em voz alta, uma intervenção e uma disciplina artística. Estimular e provocar a sensibilidade para a leitura e levar o prazer de ler e escutar/ouvir aos participantes é um dos seus principais objetivos. O único elo em comum a todas as leituras realizadas na oficina será este final: Vitória, vitória, acabou-se a história.

Ministrante: Jozé Sabugo, artista, contador de historias e criador do projeto Hora do Conto: Animação do Livro e da Leitura que teve inicio em 1995, no Palácio Valenças (antiga Biblioteca M. de Sintra) e a partir daí muitas histórias já foram partilhadas, contadas, muitos autores divulgados, muitas bibliotecas, museus e escolas visitadas , com apoio do Instituto do Livro, inseridas no programa Itinerâncias da Câmara Municipal de Sintra/Portugal. É também Fundador do Grupo Acusa Teatro da Casa das Cenas – Educação pela Arte .

Em 2006, A História do Grilo que queria ser Amarelo, estréia no Museu do Escultor Anjos Teixeira , a convite da Câmara Municipal de Sintra. Em 2007 é produzido e editado o livro com o mesmo nome. É com base no livro que se desenvolve a oficina.

Local: Sala C2 – 2ª andar da CCMQ
——

14h30 a 17h30

Contando e encantando com diferentes materiais

Confecção de DEDOCHES para contação de histórias. Já sai com o material pronto.

Ministrante: Fabiana Rocha Racoski, Psicopedagoga e Professora da Rede Municipal de Canoas.

Inscrição R$ 20,00 – Solicite a Lista de material na inscrição.

Local: Sala C5 – 5ª andar – Já sai com o material pronto

Reservas e inscrições através do fone: 32257089 ou e-mail: bibliotecaluciliaminssen@gmail.com .

O pagamento dos ingressos e das oficinas poderão ser na sede da biblioteca ou via depósito bancário na conta da Associação Amigos da Biblioteca Lucilia Minssen, no Banrisul, agencia 0839 – conta: 41852295.0-0

Fonte:
www.artistasgauchos.com.br

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Cristovão Tezza (Palestra: Tecnologia – Leitura no Cotidiano)

Nesta quinta-feira, dia 23/09 – 20h, teremos o escritor Cristóvão Tezza falando sobre Tecnologia – Leitura no Cotidiano .

O escritor Daniel Pizza por problemas pessoais cancelou participação.

Para se inscrever encaminhar nome e telefone de contato neste endereço de e-mail. LaideSousa@sescpr.com.br

Abraços.

Laíde Cecilia de Sousa
Assistente de Atividades
SESC- Maringá
(44) 3262-3232
Ramal – 2755
http://www.sescpr.com.br

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Sarau Comemorativo do 8º Aniversário da Casa do Poeta de Canoas

A Casa do Poeta de Canoas
convida para a atividade comemorativa ao seu 8º aniversário.

SARAU COMEMORATIVO AO 8º ANIVERSÁRIO
Sexta-feira – 24/9/2010 – 19h

Conjunto Comercial Canoas
Rua 15 de Janeiro, 481 – Centro / Canoas

Maria Santos Rigo
Presidente da Casa do Poeta de Canoas

Cadastre-se no site e receba por email as notícia e novidades da Casa do Poeta de Canoas. Fone: (51) 3476.4431 / 9669.4615

www.casadospoetas.com.br poetas@casadospoetas.com.br

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Olga Agulhon (Feita de Luz)

Expulsa da cidade, acusada de atrapalhar o sono dos justos, roubando-lhes a negritude da noite, onde todos os gatos são pardos, abrigou-se no campo, num pequeno sítio ao pé da serra, longe de vilarejos e longe de gente de todos os tipos.
Deixou, no antigo apartamento, quase toda a mobilia, as roupas de seda, os saltos altos, as lembranças inúteis.

Com o pequeno filho sempre junto ao peito, carregou consigo apenas o necessário, as roupas de algodão, uma botina, algumas recordações agradáveis, não muitas; e seus livros, todos, sem esquecer nenhum título.

No meio do caminho, deu carona a um tipo estranho, grande, negro, mudo, que, por assim ser, não pôde dizer como era chamado.

Chegando àqueles campos, que seriam seu refúgio, respirou o ar puro da natureza que os acolhia sem pudores ou preconceitos. Cumpriria naquele lugar o seu destino. Desceu para abrir a porteira, carregando o filho, junto ao peito, como sempre o mantinha. Mais tarde, ao fecha-la, deixaria definitivamente para trás todo o seu passado de busca e escuridão.

Ao descarregar as malas, dispensou imenso cuidado a uma delas, por conter seu último par de asas.

O negro carregava os livros que não sabia decifrar.

Na casinha branca, de varanda, aguardou o motorista do caminhãozinho que havia transportado a pequena mudança. Antes de ir, após receber seu pagamento, não se conteve e perguntou à mulher sobre os livros, tantos eram.

Ela respondeu que eram o seu alimento; e ele foi-se embora sem entender, mas sem disposição para mais questionamentos.

Há louco pra tudo, mesmo…Livros, para que tantos livros nesse fim de mundo, ficou pensando o motorista, que de leitura nada sabia.

Sem ter para onde ir, ou quem por ele esperasse, o negro ficou por lá, mudo arando o campo, tentando descobrir os segredos da terra e da mulher.

Ela também cultivava o solo, descobria os seus desejos, fecundava suas entranhas.

Cuidava do filho com esmero e amor.

Mantinha a casa limpa e arrumada.

Criava pequenos animais, fazia o pão.

De dia era assim. Parecia uma mulher comum, porém dotada de especial brilhantismo, inteligente, dessas heroínas que existem em todo o mundo e que conseguem assumir tantas funções, porque aprenderam a mágica e se duplicam; ou até mesmo se transformam em muitas, sem que os homens se deem conta da magia realizada.

De noite era outra. Abandonava os trapos de algodão, vestia-se de luz. Bebia o extrato dos imortais e inalava seus perfumes. Nutria-se de poemas.

Espargindo um líquido denso, que brotava ritmado, dava de mamar ao filho e fazia-o dormir ouvindo doces palavras.

O negro, mudo, assistia a tudo como se sonho fosse e, sem acreditar que pudesse existir mulher assim, feita de palavra e luz, em todas as noites era tomado por uma agradável sensação e adormecia, sentindo um cheiro muito bom e sonhando o mesmo sonho.

Depois de adormecidos, o menino e o negro, a mulher ainda permanecia acordada, devorando incontáveis páginas.

Quando se sentia extasiada, vestia seu par de asas e sobrevoava as cidades, como verdadeira heroína alada, exorcizando as dores e a ignorância do mundo, espargindo sobre os homens um pouco de si, noite após noite.

Nada mais tendo a doar e estando leve como uma pluma, não mais batias as asas, flutuava. E, nesses instantes, olhava o mundo por cima dele; e chorava. Chorava porque via o quanto os homens ainda precisavam de poemas, de magia, de sonhos. Ainda havia muito o que salvar…

Então voltava, recolhia as asas e deitava-se para repousar um pouco e recomeçar outro dia, sugando da terra e dos livros novas energias.

Em suaves momentos, observava os primeiros passos do filho. Preparava-o para ser o seu sucessor. Mesmo sabendo que, por ser homem, o filho teria mais dificuldades, desejava passar-lhe toda a sua heróica sensibilidade, toda a sua mágica e toda a sua luz. Tinha esperanças.

Assim se passaram os anos.

Depois de toda uma vida feita de luz, a mulher entregou a asa ao filho e adormeceu para sempre, amparada pelo bom amigo negro e inculto, que se despediu falando com os olhos.

Foi tranquila, conhecendo o futuro que dera ao filho.

De longe, ainda pôde ver quando ele pôs a velha asa na mala, disse até logo ao negro, e saiu para percorrer o mundo: e ser poeta.

Fontes:
AGULHON, Olga. Germens da terra. Maringá, PR: Midiograf, 2004. p.97-104.

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Clarisse Bandeira de Mello (O Colecionador de Tulipas)

Ramo de tulipas, em tinta oleo sobre tela,
de R. O. Peixoto.

1o. Concurso Verso e Prosa da Flórida
1º Lugar – Prosa
Clarisse Bandeira de Mello – Weston – FL – USA
——————-

Naquele dia, como sempre, acordou muito cedo. Arrumou as tulipas em engradados, ajudou a acomodá-las carinhosamente no caminhão, assinou a guia do transportador e andou em direção à casa. Sem olhar para trás. Determinado a não olhar para trás. Abriu a porta da casa pensando que ‘se elas fossem gente, não esconderiam uma ou duas lágrimas’.

Sentou na varanda e começou a fazer planos para mais um dia. Desde que chegara, há doze anos, agarrara-se à rotina, como se ela o ajudasse a sobreviver. Trabalhava muito, até de madrugada – a atividade constante amortecia as lembranças; os poucos conhecidos, brasileiros como ele, também não tinham tempo para nada. O sentido da vida passara a ter a dimensão de um dia… um dia de cada vez.

Com o frio da manhã, o céu azul parecia ainda mais claro. No Brasil, o céu era de tonalidade mais viva, contrastando com a vegetação verde profundo. Acabou fechando os olhos. Na sua solidão habituara-se a sonhar acordado. Imagens do passado surgiam em seqüência, recorrentes, impregnadas de nostalgia. A saudade que dá nó na garganta há muito o abandonara.

Lembrou-se do dia em que resolveu partir. Tomou a decisão sentado na Rua da Praia, sem emprego, sem esperança, olhando o reflexo do sol apontando para o horizonte. Quem sabe para um lugar onde pudesse viver em paz…

Pôs na mala só o que faria falta. Roupas, tirou do armário as mais conservadas, escolheu dois livros que gostava de reler e o retrato da mãe. Tinha certeza de que com o passar do tempo a tristeza chegaria sem pedir licença, intrusa que não percebia sua inconveniência. Olhou em volta, querendo guardar na memória todos os detalhes do quarto. Tinha certeza de que nunca mais dormiria ali.

Ao entrar no avião, o medo do desconhecido o dominou. ‘Todos me olham como se soubessem meu segredo’, pensou. Acomodou-se ao lado de uma americana e sentiu-se um idiota por não saber responder em inglês. Pegou no sono após dois cálices de vinho e ao acordar avistou, lá embaixo, a cidade que mais parecia um tabuleiro de xadrez. As ruas perfeitamente traçadas, as casas construídas com simetria, todos os telhados da mesma cor. ‘Será que conseguirei viver num país desconhecido?’ O medo voltara…

Levantou-se e foi à cozinha fazer café. Ainda usava aquele coador de tecido, velho, marrom de tanto usar, sempre com um pouco de borra no fundo. O aroma bem brasileiro invadiu a casa. Pela janela, observou o empregado podando as folhas secas das tulipas.
Pousou a xícara, as imagens surgiam para além do vidro. As noites em casa de estranhos, seu corpo oferecido como cobaia de laboratório em troca de alguns dólares, as mãos ensangüentadas com o peso dos tijolos, os esconderijos para não ser deportado. Só começou a se sentir mais à vontade quando foi trabalhar como frentista num posto de gasolina. Dia feliz foi aquele em que uma senhora brasileira pediu-lhe para trocar o pneu do carro. Conversa vai, conversa vem, lá estava ele contando um pouco de seu passado. Os olhos dela quase saíram das órbitas quando ele revelou que tinha doutorado na Sorbonne. Em um minuto, já o observava como espécime raro. Sacudiu a cabeça, andou pra lá e pra cá: ‘Amanhã trago minha filha para conhecê-lo!’. Deu-lhe uma gorjeta generosa e foi-se embora com cara de espanto, os olhos ainda arregalados.

Olhando-a partir, pensou: ‘sou dono do meu passado e isso ninguém, mas ninguém mesmo, pode roubar’.

Naquela manhã, gelada, de vento pampeiro, como diziam em sua terra, avistou o carro de longe. Ao aproximar-se, tinha certeza de que sua vida nunca mais seria a mesma. Laura estava ali, ao lado da mãe, para conhecer ‘o rapaz que tinha doutorado na França’. Cumprimentou-a meio tímido, passando a mão na testa procurando evitar a neve que há dias não parava de cair. Laura segurava um vaso no colo. Dentro, uma tulipa vermelha, viçosa, cor de sangue, sedenta de carinho e alimento. Será que se apaixonara primeiro por Laura ou pela tulipa? Naquele momento descobriu que para ele as duas sempre seriam inseparáveis.

Laura invadiu abruptamente, sem cerimônia, sua vida solitária. Lembrava-se do dia em que foi morar com ele. Subiu as escadas com uma mala pequena, ar misterioso, e pediu a ele que tirasse do carro sete vasos pequenos, sua coleção de tulipas. Apossou-se de metade do armário, um cantinho na varanda, uma estante na sala. Entrou na cozinha e se sentiu dona da casa. A música de Caetano se misturava ao cheiro de comida brasileira, que invadia o apartamento depois de tantos anos. Laura despertou-lhe a memória, reprimida pelo sofrimento. Seu corpo respondia ao som da música, ao sabor da moqueca, ao cheiro do coentro, à cor do pudim de coco. Naquela noite amou Laura perdidamente.

O empregado tirou-o do devaneio. Precisavam comprar mais vasos para plantar os bulbos no outono. O seu ‘business’ – era assim que chamava o negócio – começara por idéia de Laura. Foi se envolvendo aos poucos, aprendendo, cultivando as flores e após algum tempo já forneciam para floristas do bairro. Passava noites estudando, experimentando, pesquisando. O negócio crescera; em poucos anos, já estaria exportando tulipas… Com exceção das mais preciosas, brancas com manchas vermelhas, sua paixão. Compartilhava seu entusiasmo com Laura, que o presenteava com um sorriso enigmático. Ela contemplava as flores com ternura e olhar meio distante.

Ainda tinha presente na lembrança o dia em que entrou no quarto e viu-a deitada. Notara que ultimamente ela já não cozinhava como antes, o entusiasmo pela vida ia fenecendo pouco a pouco. ‘Saudade do Brasil’, explicava. Um dia surpreendeu-a arrumando a mala. ‘Quero voltar, sentir o cheiro da mata, olhar as ondas batendo na pedra do Arpoador, o pôr do sol no final do Leblon’.

Laura partiu como as tulipas partiam. Com lágrimas disfarçadas em gotas de orvalho.

Um dia voltaria. E ele, herói anônimo em terra estrangeira, mais uma vez não olharia para trás.

Fonte:

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1º Concurso Verso e Prosa da Flórida

Com o objetivo de estimular talentos brasileiros, principalmente os residentes no exterior no exercício das letras, mantendo viva nossas raízes e o idioma pátrio, foi plantada uma sementinha frágil: a idéia de se criar um concurso literário onde estes valores pudessem ser reconhecidos e, porque não assim dizer, conhecer a face do imigrante brasileiro em países estrangeiros, através da arte literária, pelas mãos dos próprios imigrantes.
A semente foi lançada, ventos favoráveis espalharam esta sementinha e ela desabrochou. Foi regada pela sensibilidade de centenas de brasileiros que enxergaram a oportunidade de ”relatar” suas experiências através do verso e da prosa. Plantada em solo fértil, regada com o talento dos participantes, tendo como adubo um tema ainda não explorado; a semente cresceu e produziu excelentes frutos.
Ao todo recebemos o surpreendente número de 122 textos. A imensa participação de candidatos extrapolou fronteira e sucumbiu a expectativa. Brasileiros residentes no Japão, Holanda, Nova Zelândia, Alemanha, Espanha, França, Portugal, Estados Unidos e Brasil, tomaram conhecimento do concurso através da força da Internet e das divulgações do concurso em artigos publicados em diversos jornais, editados no idioma Português e destinados à colônia brasileira nos EUA. Além de ter sido publicado no idioma inglês, no Miami Herald, um dos periódicos mais importantes de Miami, mostrando a nossa força crescente junto à mídia americana.
Destes 122 frutos literários, tivemos a árdua tarefa de podar os que não se enquadravam no tema, de cortar os que ultrapassaram os limites de palavras e/ou versos impostos pelas regras. Restaram 35 textos magníficos, alguns não puderam ser considerados por serem longos demais, a maioria obras dignas de publicação em livros.
Nosso objetivo principal era conceder, apenas, um primeiro lugar para cada categoria. Mas como esta sementinha gerou uma árvore carregada de bons frutos, não nos contentamos em escolher apenas um verso e uma prosa.
Decidimos conceder 1º, 2º, 3º, 4º e 5º lugar e ainda uma ”menção honrosa” para cada categoria!
O corpo de jurados foi composto por brasileiros que residem fora do Brasil. Escritores, poetas, jornalistas, que vivem no seu cotidiano a experiência de ser imigrante e que puderam assimilar os textos que mais se enquadravam no contexto estipulado pelo nosso idealismo.
Procuramos escolher textos originais, inusitados, criativos, letras que transmitissem este saudosismo pela pátria-mãe e, ao mesmo tempo, descrevessem o fascínio pela pátria-adotiva.
Só nos resta agradecer a participação dos candidatos. Todos mereceriam ser condecorados como guerreiros, recebendo, por isso, um troféu. Viver em terras estrangeiras não é uma tarefa fácil. Os candidatos, a maioria residindo fora do Brasil, mostraram que não se desligaram do Brasil. Escreveram relatando as dificuldades, as saudades, a carência, o fascínio pela nova Pátria mas, demonstraram que possuem orgulho de serem brasileiros, mesmo distantes… e que o elo com o Brasil se faz presente. Pois, ainda mantêm a língua portuguesa ativa provando através dos textos redigidos em Português.
Nosso especial agradecimento a RickMark Publishing de Londres, Inglaterra, pelo apoio e divulgação. A Academia Virtual Brasileira de Letras que nos ofereceu um livro virtual com os textos vencedores. A União Brasileira de Escritores de Nova Iorque. A Rebra – Rede Brasileira de Escritoras. Ao programa televisivo Back Stage Brazil de Miami. Aos jornais Brazilian Paper da Florida, Brazilian Times de Massachussetts, Achei/USA da Florida, Brazilian Press de Nova Iorque e ao Miami Herald pela divulgação do concurso.
Agradecemos também aos diversos grupos de literatura virtual, aos web-sites UnitBrazil.com e Planetanews.com, aos diversos boletins e poetas internautas que divulgaram e apoiaram o concurso.
Nosso especial agradecimento aos jurados que tiveram a árdua tarefa de escolher os que mais se destacaram.
* Livros – aos dois primeiros lugares de cada categoria
* Recortes de jornais e diploma – a todos os vencedores
* Os textos vencedores, em ambas categorias, já estão disponíveis no website http://www.angelabretas.com.br , conforme divulgado.
* Eis trinta textos finalistas, categoria verso, por ordem de recebimento:
– Terra de só um… – Leonardo Kiyoshi Ooka – São Paulo/Brasil
– Jaula – Lúcia Cláudia Leão – Boca Raton./Florida/USA
– Esperança – Alexandru Solomon – São Paulo/Brasil
– Brava Gente – Ines lemos – Maisach/ Alemanha
– Brava Gente Brasileira, Em Terras Estrangeiras – Dora Oliveira -Ipatinga – MG/Brasil
– Perfíl de Amsterdam – Geni de Lima van Veen – Katwijk – Holanda
– Partida – Marina Matte – Porto Alegre/RS – Brasil
– Brava Gente Brasileira em terras estrangeiras – Ydeo Oga – Koopo Haru – Japão
– Constância de Konstanz – André Carneiro – Curitiba – Brasil
– Longe… Muito Longe! – Marina Moreno Bernal – Murcia – Espanha
– Brava Gente – Marly A. M. Muranaka – Centro Americana -SP
– Cidade estrangeira – Leila M Silva – Atlanta – Georgia /USA
– Lembranças da América – Simone A. Viecelli – Brusque/SC -Brasil
– Trago em meu olhar – Sergio Godoy – Amsterdam – Holland
– ( Brava gente Brasileira em terras Estrangeiras) – Celito Medeiros – Brasil
– Fendas em tempo e espaço – Junia Sales Pereira – Minas Gerais- Brasil
– Minha Pequena Grande São Paulo – Yara Maura – Florida/USA
– “Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras” – Nilton Bustamante – São Paulo, Brasil
– Onde Estou? – Marta Almeida – Athens, GA /USA
– Paris em mim – Kátia Drummond – Salvador- Bahia
– Brasileira – Claudia Villela de Andrade – Itatiaia – RJ/ Brasil
– Pequena história – Kika Perez – São Paulo, Brasil
– Gente Brasileira – Maria José Fraqueza – Fuzeta – Portugal
– Aldeia Pitoresca – Átilla de Miranda – Campinas-SP
– Brava Terra, Brava Gente. Há saudade que me dá! – Denilson Bessi – SP – Brasil
– Nossa raça! – Marici Bross – São Paulo/Brasil
– Brava Gente Brasileira em terras Estrangeiras – Adalgiso Domingues Dias- Rio de Janeiro/RJ
– Poemail – Betina Ule – New York – NY – USA
– Adeus Bela – Terezinha Viecelli – Brusque – SC
– Brava Gente Brasileira em terras Estrangeiras – Vera Reis – Newark/New Jersey/USA
* Os vencedores são:
1º Lugar: Poemail – Betina Ule – New York – NY/USA
2º Lugar: Brava Gente Brasileira em terras estrangeiras – Ydeo Oga – Koopo Haru/Japão
3º Lugar: Brava Gente – Ines lemos – Maisach / Alemanha
4º Lugar: Constância de Konstanz – André Carneiro – Curitiba/Brasil
5º Lugar: Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras -Dora Oliveira – Ipatinga- MG/Brasil
Menção Honrosa: “Trago em Meu Olhar” – Sergio Godoy – Amsterdam – Holanda
* Eis 25 textos finalistas, na categoria prosa, por ordem de recebimento:
– “Brava gente brasileira em terras estrangeiras” – Cláudia F. Pacce/Hamilton – New Zeland
– Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras -Christina Hernandes/SP/Brasil
– Pileque a Italiana – Raimundo Nonato A. Silveira – Fortaleza- CE/Brasil
– O colecionador de tulipas – Clarisse Bandeira de Mello – Weston/ Florida – USA
– Caminhos em Colônia -Renato Essenfelder – São Paulo – SP
– Domingo – Sandras Schamas – Miami – Florida/USA
– Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras – Ligia Piola – São Paulo – SP
– Passageira – Lúcia Cláudia Leão – Boca Raton – Florida/USA
– “Brava Gente Brasileira” – Sonia Maia – Everett- MA
– Reciclagem – Geni de Lima van Veen – Katwijk – Holanda
– Cadernos da Bélgica: Soraia e as coisas do coração- Leila M. Silva – Atlanta – Georgia -USA
– Brava gente brasileira – Diva Borges Bastos – São Paulo – SP – Brasil
– “Experiencias de Vida” – Maryse Schouella, – São Paulo, Brasil
– Um dia mais brilhante – Maria White – Orlando – Florida/USA
– Lusitana e Brasileira – Maria de Lourdes Leite – Lisboa – Portugal
– Lições de um mago indiano – Palmira Virgínia Bahia Heine – Salvador/Ba.
– O eterno forasteiro – : Maria José Lindgren Alves/Rio de Janeiro-RJ- Brasil
– Brava Gente Brasileira em terras estrangeiras – Chaja Freida Finkelsztain- RJ – Brasil
– Nas asas da PanAm – Cristina Ferreira-Pinto – Austin/Texas/USA
– “Brava Gente Brasileira em terras estrangeiras” – Francisco Evandro de Oliveira – RJ/Brasil
– A carta – Ismael Fábregas – Aventura – Fl – USA
– O porvir – Tereza Porto – Fortaleza – CE – Brasil
– Um Brasileiro em Paris – Amadeu Thomé – São Lourenço – MG-Brasil
– Minha vida de dekassegui – Sarah de Oliveia Passarella – Campinas/SP/Brasil
– O Natal e o porvir no país dos vitimados – Oswaldo F. Martins – Salvador – Bahia/Brasil
* Os vencedores são:
1º Lugar: O colecionador de tulipas – Clarisse Bandeira de Mello/Weston -FL USA
2º Lugar: Caminhos em Colônia – Renato Essenfelder – São Paulo – SP
3º Lugar: Passageira – Lúcia Cláudia Leão – Boca Raton- Florida/USA
4º Lugar: Lusitana e Brasileira – Maria de Lourdes Leite – Lisboa – Portugal
5º Lugar: Domingo – Sandra Schamas – Miami – FL/USA
Menção Honrosa: A carta – Ismael Fábregas – Aventura – FL – USA
Atenciosamente,
Angela Bretas
Idealizadora/Coordenadora

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Poesia no Onibus II

O projeto visa a divulgação dos poetas de Canoas, possibilitando a visibilidade dos trabalhos junto a população através da exposição de suas obras nos veículos de transporte coletivo da empresa Sogal. Os trabalhos selecionados foram impressos em cartazes no formato A4 que estão colocados no interior dos ônibus da empre sa. Além da Sogal o projeto contou com o apoio da SMTSP – Secretaria Municipal de Transportes e Serviços Públicos.

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Andressa S. Lindermann
MENININHA

Um dia vi
uma menininha
chorando na calçada
em plena madrugada.

Coitadinha
daquela menininha!

Ela me pedia para comer
um pão
antes do amanhecer.
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Andressa S. Lindermann nasceu em 15/4/1995, em Porto Alegre, RS, e reside em Canoas. Estudante na E.M.E.F. João Palma da Silva, onde entrou em contato com a literatura e ensaiou seus primeiros versos nas atividades escolares, aos nove anos, com a professora Nelsi Inês Urnau.
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Áurea Beatriz Martins
RETRATO FALADO

O corpo cansado
já fraqueja.

Os olhos – grandes lentes de aço
agonizam na estrada.

Pés e mãos atados – pela
arrogância humana.
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Áurea Beatriz Martins é natural de Porto Alegre, RS, reside em Canoas. É funcionária pública estadual. Participou da II Coletânea da Casa do Poeta de Canoas (2005).
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Daniela Santos Viana da Cunha
MAURÍCIO

Maurício,
menino moreno,
mansidão de minha alma
mistifica mansamente
o Amor em mim.
Amorosamente murmuro
mensagens de amor por ti.
Minhas manhãs ao teu lado:
macias e mornas.
Amado, mais dias anseio
amar, mostrar-te o mar,
contigo navegar,
o mundo ver, em tuas mãos.
Amém…
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Daniela Santos Viana da Cunha nasceu em 5/6/1971, em Porto Alegre, RS, e reside em Canoas. Professora, bacharel em Direito pela Ulbra e pós-graduada em Direito Público Municipal, pela Pucrs. Participou da I, II e III Coletânea da Casa do Poeta de Canoas, em 2003, 2005 e 2007.
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Elvina Glória B. Resende
COMPULSÃO

A compulsão
amadurou-me a alma
e dispensou os verbos
que geravam poemas
incompletos.

E deflorou a imagem
da mulher latente
que se fez presente.
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Elvina Glória Breda Resende nasceu em Guaporé, RS, e reside em Canoas há 28 anos. Formada em Direito pela Universidade Ritter dos Reis. Professora, cronista, poeta e advogada, foi colaboradora do Correio de Povo publicando poesias, e do jornal de Encruzilhada do Sul, RS, publicando crônicas. Atuou no setor editorial da Livraria do Globo. Autora do livro “Compulsão Poética, 1971. Participou da II Coletânea da Casa do Poeta (2005).
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Geni Velasques Adorne
PEDRAS

Quantas pedras no caminho
encontramos em nosso viver.
Que elas sirvam de degraus
para o nosso crescer.

Quantas pedras no caminho
ainda vamos encontrar.
Que elas sirvam de base
para um recomeçar.

Quantas pedras no caminho
quererão nos impedir.
Com fé e coragem
não podemos desistir.
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Geni Velasques Adorne nasceu em19/5/1948, em Uruguaiana, RS, e reside em Canoas. Graduada em Letras. Professora de ensino Fundamental. Participou da I, II e III Coletânea da Casa do Poeta de Canoas – Poesia, Crônica e Conto, em 2003, 2005 e 2007.
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Ir. Henrique Justo
TU PENSAS

Tu pensas que eu não amo, que em meu peito
Do amor a estrela amiga não fulgura,
Que nele reina eterna noite escura,
De um coração cansado cárcere estreito…

Pensas que as vibrações do amor rejeito,
Que eu padeço de Tântalo a tortura,
Que abafo o coração que, em vão, murmura
E soluça que amar é seu preceito….

Se do meu coração a sinfonia
Maravilhosa ouviras num segundo,
Tua opinião de certo mudaria.

Sim, no meu coração feliz, jucundo,
Que músicas divinas irradia,
Cabes tu, cabem todos, cabe o mundo!
===================
Irmão Henrique Justo (José Arvedo Flach) nasceu em 1922, em Montenegro, RS. Doutor em Pedagogia e Psicologia com cursos de aperfeiçoamento na Europa e EUA. Publicou centenas de artigos e 24 opúsculos em 89 edições. Foi vice-diretor da Faculdade de Educação e diretor da Faculdade de Psicologia da Pucrs. Atua no Unilasalle.
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Isar Maria Silveira
DELÍRIO

Ah! Essa ânsia
de afetos
de olhares
de beijo
Ah! Esse desejo
de toques
de abraços
de pele
Ah! Essa vontade
de tua boca
de teu corpo
….de fazer-me de louca!
====================
Isar Maria da Fontoura Silveira nasceu em 9/10/1956, em Santana do Livramento, RS. Cientista política. Publicou “Confidências” (poemas). Cronista do jornal Correio de Notícias, de Canoas. Em 2007, participou da antologia Contos Canoenses, da Associação Canoense de Escritores, selecionada por professores de Letras do Unilasalle. Participou das 3 Coletâneas da Casa do Poeta de Canoas (2003/2005/2007).
––––––––––––––-
Ivone Baptista
VOU TE AMAR

Se você me quiser bem
eu serei seu bem querer.
Se gostar um pouco mais
vou amar você até morrer.

E se disser que me tem amor…
Meu Deus! Como vai ser?

Onde encontrar, no calor
de meu peito abrasador,
maneira de agradecer
se você me quiser bem?
=====================
Ivone Baptista nasceu 29/1/1936, em Porto Alegre, RS, e reside em Canoas. Técnica de enfermagem especializada em obstetrícia. Atuou como inspetora do corpo discente em escolas públicas estaduais. Participou da II Coletânea da Casa do Poeta de Canoas e da Coletânea Alvale, de Novo Hamburgo, RS.
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Jairo Luiz de Souza
BOM-DIA, QUINTANA

Bom-dia!
Meu nome é Mário
De Andrade?
Não!
Mário Pé-de-Pilão,
Mário vagabundo,
De Lili descobre o mundo!
Sou aquele velhinho
Lembra:
Eles passarão,
Eu passarinho.
Que bacana,
Sobrenome Quintana!
==================
Jairo Luiz de Souza natural de Sapucaia do Sul, reside em Canoas há vários anos. Foi presidente da Associação Canoense de Escritores (ACE). Cursa Letras no Unilasalle, cujo concurso literário/gênero infantil venceu com o livro “O Baú da Vovó Dorvina”. Em 2003, lançou seu primeiro livro, “Eu… um rosto-Poesias e Letras”, na Fundação Cultural de Canoas. Em 2004, publicou “Era uma vez… com rima ensinando português”. Em 2005, lançou a obra “Matemática, quem diria… virou Poesia”. Está ultimando a escrita do livro “Alma nua” que terá capa do artista plástico Giovani Jung.
––––––––––––––-
Joaquim Moncks
MANIFESTO FUTURISTA

Deus se manifesta pela Poesia.
É o Altíssimo que comanda o poético.
O alter ego convida o mundo ao Amor,
chegança tardia para o derradeiro.
O homem é apenas matéria bruta,
o superior diluído na forma, nos atos.
Porque o coletivo é de Deus.
Ele falta, por vezes, mas não tarda.
Nos viventes, nada é permanente:
inexiste o contínuo, a uniformidade.
Vale o vento nas bandeiras, falso brilho.
O que é desejado de coração
também pode vir a ser.
Hosanas, amigos do Belo!

– Do livro, inédito, BULA DE REMÉDIO, 2004 / 2006.
================
Joaquim Moncks nasceu em 29/9/1946, em Pelotas, RS, e reside em Porto Alegre. Advogado, escritor e analista literário. Publicou seis livros. Coordenador Executivo da Poebras Nacional. Integra a Academia Internacional Maçônica de Letras, SP, e o grupo que publica a Revista Caosótica/RS. Possui método próprio de oficinação de poesia para escritores-alunos.
––––––––––––––-
José Ribeiro Fontes
VIOLA DE SONHO

Minha viola de sonho, cada corda é um amor,
cada traço é uma tristeza, cada música é uma dor.

Eu trago a minha viola afinada ao coração.
É por isso que ela sempre canta e chora sem razão.

Num fino fio de esperança pendurei minha viola.
Ele rompeu, foi ao chão, e hoje nada me consola.

Toquei minha viola perto da tua janela.
Ela chorou, tu sorriste. Sem querer, chorei com ela.

Vou parar minha viola, nunca mais torno a tocar
que é pra não te ver sorrindo enquanto eu canto, a chorar

Minha viola de sonho, cada canto é um amor.
Cada traço é uma tristeza, cada música é uma dor.
================
José Ribeiro Fontes nasceu em Canoas, em 1936. Teatrólogo, jornalista e radialista. Tem mais de 500 peças radiofônicas escritas e cerca de 30 peças teatrais. Seus textos, artigos, crônicas e poemas, tem sido publicados em jornais da cidade e da região nos últimos 45 anos. Participo de antologias da Fundação Cultural de Canoas e da II Coletânea da Casa do Poeta (2003).
==========================
Affonso Romano de Sant’Ana; Ana Clades T. da Silva; Ana Lúcia Costa Batista; Ancila Dani Martins; Benoni Couto; Bia Clos; Canabarro Tróis Filho; Carmen Kennis; Diane Josair Straus Paz; Eva de Souza Rodriguez e Fernando Lima.

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Ponto de Leitura e Varal de Poesias são atrações no Parque Maurílio Biagi, em Ribeirão Preto

Foto por Roberto Galhardo
Ponto de leitura para troca e doações de livros e Encontro com Escritores é uma das atrações no domingo; Varal da Poesia e academia ao ar livre é sucesso entre o público

Parque Maurílio Biagi recebe grande público, especialmente nos finais de semana

No lugar de um varal de roupas, um “Varal de Poesias” extremamente sensível e cultural. Essa é uma das opções de quem visita o Parque Maurílio Biagi, aos domingos, logo às 9 horas. O local tem recebido grande público diariamente, desde a sua reabertura, especialmente nos finais de semana.

O Projeto Ponto de Leitura, do Instituto do Livro, que acontece todos os domingos, das 9h às 13h, é uma das referências de quem chega ao local.

Nos estandes, o público pode não apenas ler um livro, como também doar uma obra ou fazer a troca de livros de seu interesse, ou mesmo relembrar aquele livro de um autor famoso lido ainda infância, na adolescência, e que deixou recordações.

São mais de 3 mil títulos de autores como Cervantes, Shakespeare, Machado de Assis, Fernando Sabino, Luís Fernando Veríssimo, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, autores locais como Luiz Puntel, clássicos da Literatura e infantis, entre tantos outros, que valem muito a pena ler ou reler.

O Varal de Poesias e os Contadores de História são outras formas de comunicação literária ao ar livre, embaixo das árvores, depois de uma manhã de exercícios físicos e de cuidados especiais com a saúde.

Varal de Poesia – O Varal de Poesia, para quem ainda não conhece é mais uma das ideias do Instituto do Livro para incentivar na população o hábito de ler e deixar poesias no local, como troca de experiências e sentimentos. Para o superintendente do Instituto do Livro, Edwaldo Arantes, ler uma poesia é encher a alma de esperança e de bons pensamentos e proporcionar ao leitor um momento de paz interior e de reflexão. “O Instituto do Livro está muito feliz com esse trabalho. Poder estar aqui trazendo essa qualidade de lazer a nossa população em meio à natureza nos faz acreditar que o ser humano, cada vez mais, necessita dessa estrutura para superar melhor os obstáculos do dia a dia”, enfatizou. A opinião de Edwaldo soma-se a dos freqüentadores do parque que estão satisfeitos com o Projeto que tem atraído quem passa por ali.

Todo mundo que vem aqui deveria trazer uma poesia no bolso para colocar no varal. Eu mesma estive aqui na semana passada, levei uma poesia do varal embora, e hoje estou retornando para deixar uma poesia de Carlos Drummond de Andrade para que alguém a leve embora com muito carinho”, afirmou a pedagoga e dona de casa Elisete Passos Vieira, que imprimiu o poema “Canção Amiga”, de Drummond, para presentear algum visitante do Parque.

“O mundo precisa de poesia, e um trabalho como esse jamais pode passar despercebido”, afirmou a freqüentadora do parque, Eliana Cristina, que assiduamente está no local “Vamos fazer com que esse varal se torne tradicional a cada dia”, enfatizou ela “ Perseverar por essa forma de comportamento é contribuir por um mundo melhor e mais humano”, completou.

Vale lembrar que este final de semana o público recebeu o carinho do escritor e trovador Nilton Manoel e o talento das contadoras de história Cassiana Freitas e Adriana Paim. “Meus filhos adoram vir aqui. Eles ficam à vontade, ouvem e interpretam as histórias e tiram suas conclusões do que ouviram”, admitiu a administradora de empresas Isis Soares, mãe de Bianca, de 8 anos, e David, de 6.“Todos os Parques em Ribeirão Preto deveriam ter esse projeto, mesmo os mais longe do Centro”, concluiu.

O Projeto do Instituto do Livro conta, todos os domingos, com o trabalho do superintendente Edwaldo Arantes, Rosangela Passeri, diretora administrativa; Ednéia Regina Souza Moraes, Naiara Maria Gomes Leite, Rayne Borges, Patrícia Souza Gomes, Ednéia Coutinho, Luciene Bidio, Victor de Carvalho. “Esse é um Ponto de Leitura e um ponto de encontro de todas as formas de manifestações culturais. Quero convidar a população para que esteja conosco neste projeto a Céu Aberto, que venha fazer exercícios e traga seus filhos para ouvir uma história, escolher um livro e levar um belo poema para a família que ficou em casa”, concluiu Edwaldo.

Fonte:
Nilton Manoel

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