Semana Literária Sesc – 13 a 17 de setembro de 2010 (Programação de Maringá)

Programação Maringá

13 a 17 de setembro de 2010

Leitura e cotidiano

Pais, professores e especialistas se perguntam: por que os jovens não leem? Uma contradição os atormenta. No século da internet, meninos e meninas passam grande parte de seus dias debruçados sobre as páginas da web. Na tela do computador, eles leem e escrevem sem parar. Por que, então, parecem se afastar, cada vez mais, dos livros?

A resposta não envolve um, mas vários impasses. O problema começa, muitas vezes, na maneira como a literatura é ensinada nas escolas. Quando se identificam com os livros, quando deles se aproximam com leveza e paixão, os jovens leem sim. As aventuras de Harry Porter e os romances de Paulo Coelho são, hoje, alguns dos exemplos mais eloquentes disso.

Contudo, se os apresentamos a um senhor barbudo e solene chamado Machado de Assis, ou a um poeta antigo de nome Castro Alves, imediatamente recuam. O problema, é claro, não está nos magníficos romances de Machado, ou na poesia apaixonante de Castro Alves. Está, sim, no modo como nós os apresentamos aos jovens.

Para a maioria deles, Machado de Assis é apenas uma figura solene, que passou uma vida reclusa e monótona. Quanto a Castro Alves: quantas praças, espalhadas pelo Brasil, levam seu nome? E em quantas delas sua figura é reduzida a um medíocre busto de bronze, sobre o qual os pombos, indiferentes, se recolhem? No entanto, Machado foi um gênio, que escreveu com humor e ironia, e que nos deixou um retrato inquieto e desafiador da realidade. Castro Alves, um jovem cabeludo e apaixonado, que queimou suas noites na boemia e sua alma nos versos. Por que não dizer isso aos garotos de hoje? Por que esconder deles que a literatura não é uma experiência solene e morta, mas, sim, arrebatadora e viva?

Um segundo problema surge no hábito nefasto das apostilas, que mutilam livros e entregam aos alunos pedaços aleatórios de narrativas, ou de poemas que, por si, não fazem sentido algum. Mais grave ainda é o hábito de oferecer aos meninos interpretações prontas dos textos literários, que eles devem decorar e responder, como se repetissem fórmulas matemáticas. Que outra coisa fazemos, senão afastá-los da literatura? O que mais estamos fazendo senão lhes dizer que a literatura é um mundo mofado e imóvel, restrito à rotina lenta dos gabinetes e às mentes grisalhas dos sábios, enquanto a vida, a vida fervente que a juventude abraça e celebra, se passa muito distante disso, no universo aberto das ruas?

A literatura está, ao contrário, ligada à vida e ao cotidiano. Grandes escritores, como Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Hilda Hilst, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, não se cansaram de nos mostrar isso. Grandes escritores que não se limitaram a escrever, mas, para usar a expressão feliz de Drummond, que ousaram viver como poetas. Por isso escolhemos como tema da Semana Literária Sesc Paraná em 2010 a relação da literatura com o cotidiano e com a vida.

Reaproximar a literatura da existência. Pensar os elos que ligam literatura e vida e, no mesmo ato, desafiar as barreiras e vícios intelectuais que as afastam. Trazer ao evento grandes escritores que nos ajudem a pensar a literatura, enfim, como uma experiência subjetiva, íntima e radical, em que escritores se jogam por inteiro e na qual decidem grande parte de suas vidas.

Trocar idéias, em resumo, a respeito das relações profundas entre a leitura e a existência. Não lemos só para “conhecer”, ou para “passar em exames”, ou para “cumprir tarefas”. Lemos grandes livros para aprender a ler o mundo e, também, para afinar a leitura que fazemos de nossas próprias vidas. A leitura é uma experiência vital, que nos afeta, emociona e nos transforma. Ela nos oferece instrumentos tão preciosos para interpretar o mundo e a vida quanto a ciência, a filosofia e a religião.

O convite que fazemos ao público é um só: celebrar o prazer de ler. Falar desse prazer, rememorar seu nascimento e sua história, celebrar sua potência. Para que, todos, voltemos a ler cada vez com mais paixão.

José Castello, curador

De 13 a 17/09

8h às 17h

Exposição Cores e Formas que Contam Histórias

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) – congrega profissionais que se dedicam à produção de livros para crianças e jovens em todo o Brasil e, em comemoração aos seus 10 anos de existência celebrados em 2009, organizou a quarta edição da exposição – Cores e Formas que contam Histórias

A amostra exibe o trabalho de vinte e cinco ilustradores associados e encanta o público leitor com as imagens, cores e formas que integram livros infantis e juvenis publicados entre 2007 e 2009 no mercado brasileiro e no exterior. Seu objetivo é mostrar a beleza e a importância das ilustrações nos livros de literatura para crianças e jovens.

Local: Tenda da Letras
*Agendamento de turmas para visitação

8h às 17h
Instalação Não Me Deixes – Raquel de Queiroz

Em comemoração ao centenário de Rachel de Queiroz que em 2010 completaria cem anos, será realizada uma mostra com biografia, trechos de obras, exposição dos livros da autora e espaços que retratam a vida da autora: Um Alpendre, Uma rede.

Local: Sesc Maringá.

8h às 11h e 13h30 às 17h

Oficinas Literárias. Acontecem todos os dias como atividade permanente, de hora em hora, necessitando de agendamento prévio.

Oficina de Reconto: O Livro Ilustrado

Reler e recontar histórias que fazem parte da mostra, com o objetivo de trabalhar o imaginário e a capacidade criativa e imaginativa; despertar o interesse nas crianças e também nos adultos pela leitura. Recontar tais histórias/estórias remontando cenários, novas realidades, elaborando novas versões para os finais.

Público: infantil
Local: Tenda das letras

Oficina Dobrando as Páginas da História

“Fazer dobradura? Pra não desanimar, e os primeiros vincos marcar, rimas vamos falando, cantigas vamos cantando. Nas dobras do meu papel, também faço meus roteiros, navego mares corto rios, desço colinas subo outeiros” Lena das Dobraduras.

Cada história, cantiga é acompanhada por atividades de origami, transformando este momento em um trabalho dinâmico e artístico, onde todos participam ativamente da construção e desenvolvimento da história.

Público: infantil
Local: Tenda das letras

Oficina de Deboche

Os personagens Cafute e Pena de Prata serão confeccionados pelas as crianças, através de colagens de papel e acessórios.

Público: infantil
Local: Tenda das letras

8h às 17h

Contação de Histórias: Cafute e Pena de Prata – Autora Raquel de Queiroz
Apresentação: Sibele Milani da Silva Gibim
Local: Biblioteca do Sesc

Dia 13/09

Às 8h30

Oficina de Microcontos e Bate-papo sobre a biografia da escritora Raquel de Queiroz – com Eliana Palma

A oficina será um exercício coletivo de produção de microcontos. O que é? Como criar? Uma tentativa de compreender este recurso literário e sua recorrência na literatura contemporânea.

Eliana Palma é integrante da Academia de Letras de Maringá e ocupa a cadeira de Raquel de Queiroz.

Local: Tenda dos Autores

Às 9h, 10h, 14h e 15h

Espetáculo de Contação de Histórias – Era Uma Vez
Apresentação – Cia. Sou Arte – Campo Mourão

Sinopse: O Espetáculo Era Uma Vez… foi inspirado na principal obra de Monteiro Lobato: Sitio do Pica-pau Amarelo e traz para o teatro toda a magia e o encanto dos personagens desta obra. A História é contada através da irreverência de dois palhaços atrapalhados, Kaká e Quequé, que saem para entregar uma importante encomenda. Em uma confusão generalizada o espetáculo desenrola-se através do conteúdo desta entrega.

Local: Salão de Eventos

Às 14h30
Bate-papo – com a escritora Jeanette Monteiro de Cnopp.

Uma conversa sobre a obra Tecelã de Textos – Vivências de uma professora de língua portuguesa.

Local: Tenda dos Autores

*Necessária leitura prévia do livro

Dia 14/09

Às 8h
Oficina – Os Textos de Circulação Social na Prática de Leitura e Escrita

Ricardo A. Pastoreli

Discutir e Refletir sobre a Educomunicação. Trabalhar conceitos sobre leitura e escrita e propiciar momentos de reflexão sobre a prática atual dessas habilidades nas escolas e de que forma o jornal pode contribuir com o trabalho, tendo como suporte os livros estratégias de leitura, de Isabel Sole e Aula de Português de Irandé Antunes, bem como abordagens de outros autores como Bakhtin. Elaborar fanzines com o grupo e propor a continuidade do trabalho com os alunos.

Ricardo A. Pastoreli é formado em Letras Portotuguês/Inglês pela -UEM (2000) e pós-graduado em Pedagogia Empresarial pela UNOPAR de Londrina. Atualmente é coordenador do programa – “O Diário na Escola”; ex-articulador dos programas de “Jornal e Educação” da Associação Nacional de Jornais, ANJ (Região)

Carga horária: 3 horas
Vagas: 30
Público: Professores de Língua Portuguesa, Acadêmicos de Letras e Jornalismo, professores de ensino fundamental e médio e comunidade geral.
Local: Sesc Sala 01

Às 9h

Oficina de Poesias e Bate – papo
Escritora – Florisbela Margonar Durant – Maringá
Local: Tenda dos Autores

Às 9h, 10h, 14h e 15h

Espetáculo de Contação de Histórias – Fuxico Enquanto a História Não Vem
Apresentação – Cia. Sou Arte – Campo Mourão.

Sinopse: Quatro palhaços narram a história de Dona Marocas, uma velhinha que tem por costume fazer colchas de fuxico. A cada fuxico confeccionado por seus dedos habilidosos, Dona Marocas conhecia pessoas e degustava de uma boa leitura, fazendo-a assim uma senhora cheia de contos e causos e experiência de vida. Numa certa ocasião, por arte de um personagem da história infantil, a velhinha perde sua colcha, ficando sem ânimo para contar suas belas histórias, mas contam com a ajuda dos palhaços que vão a busca da colcha para que junto volte a inspiração de Dona Marocas….

Local: Salão de Eventos

Dia 15/09

Às 9h, 10h e 14h

Espetáculo de Contação de Histórias – O Menino que ganhou uma boneca
Apresentação – Cia. Tipos e Caras – Maringá.

Sinopse: Paulinho ganha de presente na sua festa de cinco anos, uma boneca. Ninguém sabe quem deu, pois o pacote estava misturado entre os outros presentes e ninguém assume a autoria. O garoto gosta da boneca, mas se vê numa situação constrangedora diante dos amiguinhos.
No decorrer do espetáculo, que é uma mistura de atores e fantoches, Paulinho passa a observar as situações do cotidiano e começa a levantar alguns questionamentos como: porque menino não pode brincar de boneca? E vai descobrindo que os brinquedos são um treinamento para a vida adulta e que a boneca é uma ferramenta para se exercitar a paternidade.

Local: Salão de Eventos

Às 10h

Palestra – Gênero, Sexualidade e Educação: Mediações Necessárias

com Eliane Rose Maio Braga.

Eliane Rose Maio Braga é professora doutora da Universidade Estadual de Maringá, é psicóloga clínica especialista em Psicodrama, Psicopedagogia, Psicologia Escolar, Metodologia das Séries Iniciais e Sexóloga.

Público: professores de educação infantil, educação fundamental e ensino médio e comunidade geral.
Local: Tenda dos Autores

Às 15h

Bate-papo com a escritora Majô Baptistoni – Maringá
Uma conversa sobre o livro O Menino que ganhou uma boneca
Necessário leitura prévia do livro
Local: Sesc

Às 20h

Mesa- redonda – Diálogos com a leitura – Permanência e Transformações
Com Moacyr Scliar e Cristovão Tezza – mediação João Bacellar de Siqueira – UEM

Os autores debaterão sobre a criação literária e a importância da leitura, sua permanência e transformações.

Moacyr Scliar é autor de cerca de oitenta livros em vários gêneros: romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil. Suas obras foram publicadas em mais de vinte países, com grande repercussão crítica. Recebeu numerosos prêmios, como Jabuti (1988, 1993 e 2000). É membro da Academia Brasileira de Letras.

Cristovão Tezza é escritor, autor dos romances O filho eterno, O fotógrafo, Breve espaço entre cor e sombra, Uma noite em Curitiba, A suavidade do vento e Trapo, entre outros. É cronista da Gazeta do Povo. Seu romance O filho eterno recebeu os mais importantes prêmios literários do Brasil e já foi publicado em sete países. Em setembro, está lançando o romance “Um erro emocional” (editora Record).

Local: Salão de Eventos

Dia 16/09

Às 9h, 10h, 14h e 15h

Espetáculo de Contação de Histórias – Terra, Asfalto e Poesia
Apresentação – Grupo Malunda – Campo Mourão

Sinopse: A peça trata das experiências e observações de cinco personagens, dentro do universo do cotidiano urbano. Passando por uma construção literária poética da urbanidade – onde, dentro desse processo de transformação sócio-ambiental eles questionam todos os conflitos e realidades presentes nesses espaços.

Durante o desenvolvimento do espetáculo, constroem-se várias imagens e conceitos a respeito da temática (cidade, consumo, lixo, água, terra…) através das representações dos personagens. Essas passagens resultam no conflito que são materializados no cotidiano das cidades, que vai desde os problemas que envolvem o meio-ambiente, desigualdades sociais, aspectos éticos, morais. Que resultam no alinhamento de uma discussão que amplia o olhar do sujeito para uma concepção mais crítica do espaço geográfico e das questões ambientais por via cênica e poética, que ele está inserido.

Local: Salão de Eventos

Às 10h

Lançamento de Livro e Sessão de Autógrafo
Livro: O Peixinho Dengoso – literatura infantil

Escritora: Agenir Leonardo Victor
Ilustradoras: Ermelinda Coelho Rossi e Camilla Rossi Toniatto
Local: Tenda dos Autores

Às 14h
Oficina – Os Textos de Circulação Social na Prática de Leitura e Escrita

Ricardo A. Pastoreli

Discutir e Refletir sobre a Educomunicação. Trabalhar conceitos sobre leitura e escrita e propiciar momentos de reflexão sobre a prática atual dessas habilidades nas escolas e de que forma o jornal pode contribuir com o trabalho, tendo como suporte os livros estratégias de leitura, de Isabel Sole e Aula de Português de Irandé Antunes, bem como abordagens de outros autores como Bakhtin. Elaborar fanzines com o grupo e propor a continuidade do trabalho com os alunos.

Ricardo A. Pastoreli é formado em Letras Portotuguês/Inglês pela -UEM (2000) e pós-graduado em Pedagogia Empresarial pela UNOPAR de Londrina. Atualmente é coordenador do programa – “O Diário na Escola”; ex-articulador dos programas de “Jornal e Educação” da Associação Nacional de Jornais, ANJ (Região)
•.
Carga horária: 3 horas
Vagas: 30
Público: Professores de Língua Portuguesa, Acadêmicos de Letras e Jornalismo, professores de ensino fundamental e médio e comunidade geral.
Local: Sesc

Às 14h30
Bate-papo com a Escritora e Presidente da Academia de Letras de Maringá – Olga Agulhon
Uma conversa sobre a obra Germens da Terra
Local: Tenda dos Autores

Dia 17/09

8h às 12h

Oficina – Lendo e Contando Histórias do Cotidiano

Lúcia Fidalgo, Rio de Janeiro.

A oficina irá discutir a leitura e a formação do leitor através do diálogo entre leitor e leitura, tendo como instrumento os livros infanto-juvenis e textos teóricos na área de leitura e as histórias do cotidiano. Além disso, será também discutido e apresentado atividades de leitura para contribuir para a melhoria da qualidade do cidadão- leitor, e da formação de acervos.

Lúcia Fidalgo é escritora, contadora de histórias, bibliotecária, mestre em educação pela Universidade Federal Fluminense, já foi pesquisadora do ALEPH-UFF. Autora de 22 dois livros publicados.

Vagas: 25

Público: Professores, bibliotecários, Educadores e público interessado.

Local: Sesc Maringá

Às 9h, 10h, 14h e 15h

Espetáculo de Contação de Histórias – Odu Ifá – Histórias Faladas da África
Apresentação – Cia. Manipulando Teatro de Animação – Maringá.

Sinopse: A História é contada com as máscaras que representam os personagens e as forças mágicas, e o Udu que é um instrumento de percussão, fabricado com argila, que dará o tom da performance de contação de histórias, sendo que os espectadores poderão interagir com este trabalho.

Local: Salão de Eventos

Às 15h

Bate-papo e Contação de Histórias com Lúcia Fidalgo
Local: Tenda dos Autores

Espaço de Leitura

Caça-palavras

Palavra Cruzada – a maior palavra cruzada direta do mundo – Guiness Book 2008

Estandes Livrarias com Espaço do Livro, Livrarias Paulinas e Livraria do Chaim

Participação – Academia de Letras de Maringá

*Participação nas atividades mediante agendamento.

Informações pelo telefone (44)3262-3232-RAMAL2755
SESC MARINGÁ – AVENIDA LAURO EDUARDO WERNECK -531

Fonte:
Laíde Cecilia de Sousa
Assistente de Atividades
SESC- Maringá

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