Arquivo do mês: novembro 2010

Fernando Pessoa e seus Heterônimos (Antologia Poética)

FERNANDO PESSOA
VENDAVAL

Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!

Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!

Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.

Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles — teu pulso divida
Minh’alma do mundo!

Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar –
Fosse pr’onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!

Abismo da noite, da chuva, do vento,
Mar turvo do caos que parece volver –
Porque é que não entras no meu pensamento
Para ele morrer?

Horror de ser sempre com vida a consciência!
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, é vento; do chão da existência,
De ser um lugar!

E, pela alta noite que fazes mais’scura,
Pelo caos furioso que crias no mundo,
Dissolve em areia esta minha amargura,
Meu tédio profundo.

E contra as vidraças dos que há que têm lares,
Telhados daqueles que têm razão,
Atira, já pária desfeito dos ares,
O meu coração!

Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada!

FERNANDO PESSOA
ÁRVORE VERDE

Árvore verde,
Meu pensamento
Em ti se perde.
Ver é dormir
Neste momento.

Que bom não ser
‘Stando acordado !
Também em mim enverdecer
Em folhas dado !

Tremulamente
Sentir no corpo
Brisa na alma !
Não ser quem sente,
Mas tem a calma.

Eu tinha um sonho
Que me encantava.
Se a manhã vinha,
Como eu a odiava !

Volvia a noite,
E o sonho a mim.
Era o meu lar,
Minha alma afim.

Depois perdi-o.
Lembro ? Quem dera !
Se eu nunca soube
O que ele era.

FERNANDO PESSOA
“DEIXA-ME OUVIR O QUE NÃO OUÇO… “

Deixa-me ouvir o que não ouço…
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada…

É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada…

Deixa-me ouvir… Não fales alto !
Um momento !… Depois o amor,
Se quiseres… Agora cala !

Tênue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor,
Que inquieta e embala…

O quê? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez… Só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois…
Sim, torna a mim, e a paisagem
E a verdadeira brisa, ruído…
Vejo-me, somos dois…

FERNANDO PESSOA
O SOM DO RELÓGIO

O som do relógio
Tem a alma por fora,
Só ele é a noite
E a noite se ignora.

Não sei que distância
Vai de som a som
Pegando, no tique,
Do taque do tom.

Mas oiço de noite
A sua presença
Sem ter onde açoite
Meu ser sem ser.

Parece dizer
Sempre a mesma coisa
Como o que se senta
E se não repousa.

FERNANDO PESSOA
SOU O ESPÍRITO DA TREVA

Sou o Espírito da treva,
A Noite me traz e leva;

Moro à beira irreal da Vida,
Sua onda indefinida

Refresca-me a alma de espuma…
Pra além do mar há a bruma…

E pra aquém? há Cousa ou Fim?
Nunca olhei para trás de mim…

ALBERTO CAEIRO
NOVAS POESIAS INÉDITAS

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : “Fui eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu.

ALBERTO CAEIRO
“MEU OLHAR É NÍTIDO COMO UM GIRASSOL”

meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

ALBERTO CAEIRO
O GUARDADOR DE REBANHOS (IX)

Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

ALBERTO CAEIRO
“ASSIM COMO FALHAM AS PALAVRAS QUANDO QUEREM EXPRIMIR QUALQUER PENSAMENTO”

Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.

Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

RICARDO REIS
ACIMA DA VERDADE

Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.

Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,

Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
São outra Natureza.

RICARDO REIS
ANJOS OU DEUSES

Anjos ou deuses, sempre nós tivemos,
A visão perturbada de que acima
De nos e compelindo-nos
Agem outras presenças.

Como acima dos gados que há nos campos
O nosso esforço, que eles não compreendem,
Os coage e obriga
E eles não nos percebem,

Nossa vontade e o nosso pensamento
São as mãos pelas quais outros nos guiam
Para onde eles querem
E nós não desejamos.

RICARDO REIS
DO QUE QUERO

Do que quero renego, se o querê-lo
Me pesa na vontade. Nada que haja
Vale que lhe concedamos
Uma atenção que doa.
Meu balde exponho à chuva, por ter água.
Minha vontade, assim, ao mundo exponho,
Recebo o que me é dado,
E o que falta não quero.

O que me é dado quero
Depois de dado, grato.

Nem quero mais que o dado
Ou que o tido desejo.

RICARDO REIS
QUANTA TRISTEZA

Quanta tristeza e amargura afoga
Em confusão a ‘streita vida!
Quanto Infortúnio mesquinho
Nos oprime supremo!
Feliz ou o bruto que nos verdes campos
Pasce, para si mesmo anônimo, e entra
Na morte como em casa;
Ou o sábio que, perdido
Na ciência, a fútil vida austera eleva
Além da nossa, como o fumo que ergue
Braços que se desfazem
A um céu inexistente.

ALVARO DE CAMPOS
ACASO

No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.

Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos…
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser… A rapariga loira?
É a mesma afinal…
Tudo é o mesmo afinal …

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

ALVARO DE CAMPOS
ESTOU CANSADO

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

ALVARO DE CAMPOS
NO LUGAR DOS PALÁCIOS DESERTOS

No lugar dos palácios desertos e em ruínas
À beira do mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos das sinais
De quem sabe amar.

Qualquer que ele seja, o destino daqueles
Que o amor levou
Para a sombra, ou na luz se fez a sombra deles,
Qualquer fosse o vôo.

Por certo eles foram mais reais e felizes.

ALVARO DE CAMPOS
QUE NOITE SERENA!

Que noite serena!
Que lindo luar!
Que linda barquinha
Bailando no mar!

Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge…
O terceiro andar das tias, o sossego de outrora,
Sossego de várias espécies,
A infância sem futuro pensado,
O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas,
E tudo bom e a horas,
De um bem e de um a horas próprio, hoje morto.

Meu Deus, que fiz eu da vida?

Que noite serena!
Que lindo luar!
Que linda barquinha
Bailando no mar!

Quem é que cantava isso?
Isso estava lá.
Lembro-me mas esqueço.
E dói, dói, dói…

Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.
——

Fonte:
Jornal de Poesia. Obra completa de Fernando Pessoa. Disponível em http://www.revista.agulha.nom.br/fpesso.html

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Arquivado em Antologia, Portugal

Fernando Pessoa (13 junho 1888 – 30 novembro 1935)

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
——–

Escritor português, nasceu a 13 de Junho de 1888, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários.

Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes.

De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falha de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade.

Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe.

Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool.

Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paulismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterônimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes.

Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dileto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos.

Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prêmio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-diretor e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-diretor e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença.

A sua obra, que permaneceu majoritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterônimos e de Pessoa ortônimo.

Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política.

Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos.

A questão humana dos heterônimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterônimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polêmicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterônimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irônica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a gênese dos seus heterônimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortônimo.

Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao caráter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar.

Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflete-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, refletia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o não comprometessem na sua liberdade interior, e que é a resposta possível do homem à dureza ou ao desprezo dos deuses e à efemeridade da vida.

Álvaro de Campos, nascido em Tavira em 1890, era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente, de que resultou o poema Opiário. Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polêmicas literárias e políticas. É da sua autoria o Ultimatum, publicado no Portugal Futurista, manifesto contra os literatos instalados da época. Apesar dos pontos de contacto entre ambos, travou com Pessoa ortônimo uma polêmica aberta. Protótipo do vanguardismo modernista, é o cantor da energia bruta e da velocidade, da vertigem agressiva do progresso, de que a Ode Triunfal é um dos melhores exemplos, evoluindo depois no sentido de um tédio, de um desencanto e de um cansaço da vida, progressivos e auto-ironicos.

De entre outros, de menor expressão, destaca-se ainda o semi-heterônimo Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros que sempre viveu sozinho em Lisboa e revela, no seu Livro do Desassossego, uma lucidez extrema na análise e na capacidade de exploração da alma humana.

Quanto a Fernando Pessoa ortônimo, segue, formalmente, os modelos da poesia tradicional portuguesa, em textos de grande suavidade rítmica e musical. Poeta introvertido e meditativo, anti-sentimental, reflete inquietações e estranhezas que questionam os limites da realidade da sua existência e do mundo. O poema Mensagem, exaltação sebastiânica que se cruza com um certo desalento, numa expectativa ansiosa de ressurgimento nacional, revela uma faceta esotérica e mística do poeta, manifestada também nas suas incursões pelas ciências ocultas e pelo rosa-crucianismo.

Figura cimeira da literatura portuguesa e da poesia europeia do século XX, se o seu virtuosismo é, sobretudo inicialmente, uma forma de abalar a sociedade e a literatura burguesas decrépitas (nomeadamente através dos seus «ismos»: paulismo, interseccionismo, sensacionalismo), ele fundamenta a resposta revolucionária à concepção romântica, sentimentalmente metafísica, da literatura. O apagamento da sua vida pessoal não obviou ao exercício ativo da crítica e da polêmica em vida, e sobretudo a uma grande influência na literatura portuguesa do século XX.

Segundo o Professor Linhares Filho, as duas principais características da sua modernidade seriam: a consciência do fazer artístico e a prevalência do apolíneo sobre o dionisíaco, no elaborar-se poético.

Sensacionalista, o ortônimo nos mostra como sentir a paisagem, pois, para ele, todo objetivo é uma sensação nossa, toda arte é conversão da sensação em objeto, toda arte é conversão da sensação em sensação.

O próprio Pessoa apresenta cinco condições ou qualidades para entender os símbolos do ortônimo: a simpatia, a intuição, a inteligência, a compreensão e a graça. Depois conclui que:

“Todo estado de alma é uma paisagem.
Uma tristeza é um lago morto dentro de nós.
Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior
e do nosso espírito, e sendo nosso espírito uma paisagem,
temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens.”

Como se vê, um espírito tão rico e até paradoxal como o de Pessoa não podia se resumir numa só personalidade. Daí o surgimento de muitos heterônimos, principalmente o de Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.

Existe presentemente, em Lisboa, a Casa Fernando Pessoa, instalada na última morada do autor.

Fonte:
Colaboração de Carlos Leite Ribeiro (Portal CEN), com pesquisa extraída de http://www.astormentas.com e http://nescritas.nletras.com

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Alcenor Candeira Filho (Antologia Poética)

SOS

sempre
sós
como ondas:
ontem hoje após.

sempre
sós
somos:
eu e tu e vós…

quanto
sobra
são
sombras
em torno de nós.

sombras,
só,
quando
e onde:
SÓS! SÓS! SÓS! SÓS!

somos

nós
sonhos
enquanto não pós.

SOMBRAS ENTRE RUÍNAS

Sombras e mais sombras
de sombrios olhares
num mundo de ruínas
andam lentamente.

Estão sempre mudas
tristes e cansadas.
E nem sonham mais
com um mundo que seja
menos miserável.

A voz que, aqui,
ali ou acolá,
de quando em vez
se levanta e quebra
a monotonia
grave do silêncio,
logo se esmaece
no deserto imenso.

E só ardentes preces,
ditas em segredo,
dia e noite sobem,
sobem para um céu
mais longe que perto.

DIANTE DA PORTA DA VIDA MORTA

Diante da porta
da vida morta,
devo sorrir
ou devo chorar?

Há deste lado
belas estrelas
que um dia talvez
possa alcançar.
Belas estrelas,
mas que me assombram
e fazem mal
ao meu olhar.
Por trás da porta
da vida morta,
em meio a um branco
transcendental,
o que haverá?
o que haverá?

Belas estrelas
dos meus assombros,
por gentileza
dizei-me vós:
diante da porta
da vida morta
devo sorrir
ou devo chorar?

PRÓXIMO
Para Ana Lúcia

estou bem próximo
de onde me encontro.
o espaço é belo
e brando o tempo.

aqui agora
olho e escuto
e cheiro e toco
e degluto
porque tudo
está perto
e posso fazê-lo
suavemente
sem ânsia
infinita
do impossível
a distância.

estou bem perto
do que me cerca.
é belo o espaço
e afável o tempo.

mas além do sonho
mais à luz da razão
o pensamento
vai para bem distante
daqui neste momento
– incompreensivelmente.
——

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Alcenor Candeira Filho (1947)

Alcenor Rodrigues Candeira Filho

Nasceu em Parnaíba (PI), em 10 de fevereiro de 1947.

Poeta, cronista, ensaísta e professor. Bacharel em Direito, procurador do INSS. Atual Secretario de Educação de Parnaiba.

Esteve à frente de movimentos culturais de sua terra natal, através do jornal Inovação, juntamente com outros jovens intelectuais. Poeta, cronista, ensaísta, conferencista, crítico, historiador literário, diplomado em direito, professor, advogado, membro de diversas entidades culturais.

Embora tenha nascido e vivido em cidades ensolaradas (Parnaíba e Rio de Janeiro), Alcenor Candeira Filho faz uma poesia muitas vezes marcada por toques soturnos, indagações existenciais, deixando a alma vagar “em grandes trevas”. É nesses temas sombrios que o poeta mais se manifesta como cantor de si mesmo. Quando se afasta desse eu poético é para entregar-se ao prazer do exercício de uma poesia asséptica que ele próprio designa como “exercícios de metalinguagem”. Então, como em outras ares em que mergulhe, há sempre o fluxo do ritmo, da musicalidade, do domínio da arte poética como construção técnica. Seu livros mais recente, Seleta em verso e prosa, como diz o título, reúne uma coleção de artigos e poemas que bem o apresentam como prosador amante de sua cidade, mestre de história e técnica literária além de poeta de plena intimidade com a poesia de língua portuguesa, daquela dos primeiros romanceiros até à síntese da práxis.” BENJAMIM SANTOS (Extraído do jornal Bembém, 32, agosto 2010)

Pertence à:
Academia Parnaibana de Letras
União dos Escritores do Brasil (UBE-PI).
Academia Piauiense de Letras, cadeira n. 19.

Bibliografia:
Sombra Entre Ruínas, 1975;
Rosas e Pedras, 1976;
Das Formas de Influência na Criação Poética, 1980;
Aspectos da Literatura Piauiense, 1993;
A Insônia da Cidade, 1991;
Literatura Piauiense no Vestibular, 1995;
Redação no Vestibular, 1996,
Memorial da Cidade Amiga, 1998.
O Crime da Praça da Graça ( 2008).

Fonte:
http://proparnaiba.com/artes/escritores-do-1-salipa-alcenor-candeira-filho.html?quicktabs_1=0

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Ialmar Pio Schneider (Livro de Sonetos I)

MÁGOAS E QUEIXAS

Fazer versos é fácil – dir-me-eis –
se lerdes minhas páginas singelas
e simplesmente reparardes nelas
mágoas que nem de longe conheceis….

Se assim pensardes, nunca entendereis
da própria alma as fatídicas procelas
surgindo à noite, não em tardes belas,
e sois felizes porque não sofreis…

Se, no entanto, sentirdes a tristeza
transparecendo aqui nas entrelinhas
destes versos, que os leva a correnteza

a transbordar em zonas ribeirinhas,
é possível que tendes, com certeza,
queixas amargas iguais às minhas !

AMOR PROIBIDO

Pobre Rubião que quis o amor proibido,
o louco afeto que não era seu,
e sem desabafar num só gemido
nos mares da loucura pereceu.

Sofia há de lembrar o seu pedido,
que sem saber por que não atendeu,
e o distante cruzeiro enaltecido
continuará brilhando lá no céu,

como chamando a cativante bela,
que calma se aproxime da janela
e que venha fazer-lhe companhia.

E o vento, desfolhando as lindas flores,
há de chorar incompreensões de amores
por uma voz pungente de elegia!

SONETO A UMA MUSA

Tento ainda escrever mas, tristemente,
meu coração soluça e não esquece
a musa que enfatiza a minha prece
e sinto que estou mal, estou doente.

Por que será que foste a grande ausente
na vida do poeta que padece,
(oh! fada que percorres minha messe)
e me fazes sofrer inutilmente?!…

No entanto, minha velha companheira,
eu te levo comigo na desdita,
e há de ser a esperança derradeira

de seguir versejando amargas penas,
porque em sonhos te vejo tão bonita,
e pra mim tal conforto basta, apenas…

SONETO A CANOAS

Altaneira cidade do progresso
rumo ao destino imenso te projetas;
das indústrias, fenomenal complexo,
exemplo de trabalho em tuas metas !

E irás rompendo curvas pelas retas
do amanhã promissor e do sucesso,
a fim de proclamarem os poetas
que em teu avanço não terás regresso…

Jovem ainda, contas com o vigor
de teus filhos natos e adotivos,
cada qual dedicado ao seu labor

para te verem mais engrandecida
em teus empreendimentos e atrativos;
e onde transcorra normalmente a vida.

SONETO MÍSTICO

Estou sentindo um sopro realmente…
É a hora em que refrescas minha fronte
e sou Tua flor, erguida em alto monte,
a quem deste um aroma permanente.

O dia em que eu tombar murcho no chão
recolhe para Ti todo o perfume
para que eterno queime no Teu lume
incensando Tua plácida mansão.

Não o deixes perder-se em treva densa,
mas faze que ele sempre a Ti pertença
co’a glória de servir-Te e que somente

um dia – não sei quando – em Teu louvor,
retorne finalmente à mesma flor
p’ra que unidos os guardes eternamente.

CONSOLAÇÃO

Os meus versos não servem mais pra nada;
quero jogá-los fora, pobres versos,
foram meus companheiros de jornada
nos momentos felizes ou adversos !

Muitos escritos pela madrugada,
tristes soluços na paixão imersos
parecem uma história inacabada
com fragmentos avulsos e dispersos…

Entretanto, por que jogá-los fora ?
se nasceram do fundo de minh’alma
e já não servem pra mais nada, agora ?!

São versos pobres, versos, enfim, tristes,
mas fazem que eu mantenha a minha calma
e me dizem que tu neles existes…

SAUDOSISTA

Tu me acusas de eu ser um saudosista
a viver relembrando amores idos…
como queres que assim deles desista
se foram, afinal, apetecidos ?

E viverão comigo enquanto exista
saudade dos momentos bem vividos,
representando sonhos de conquista
oh! como poderão ser esquecidos ?!

É meu dever querer-te sempre mais,
mas os direitos devem ser iguais
para que nunca Amor haja conflito.

A acusação que sai da tua boca
só te transtorna, tu pareces louca !
Aquilo que houve outrora está prescrito…

SONETO AO SOL

Nesta tarde sem chuva até parece
que a claridade abraça nossa Terra,
o sol risonho aos poucos se descerra
e alegremente brilha e resplandece…

Oh! Rei dos Astros, quanta luz encerra
tua mensagem pura como a prece,
minh alma consternada te agradece
a paz que trazes afastando a guerra !

Fugindo ao teu calor, buscando as águas,
a Humanidade olvida suas mágoas
e vai achar sossego à beira-mar…

Fazes crescer a planta com carinho
que produz folha, flor e até o espinho;
e as folhagens enfeitando o Lar.
————————————-

Sobre o poeta:
——————————

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Arquivado em livro de sonetos, Rio Grande do Sul

Arnoldo Pimentel Filho (Antologia Poética)

ALÉM DO MAR

Vou além do mar
Além do céu azul
Além do infinito
Além do meu sul

Vou saborear uma fruta fresca
Uma água limpa
Uma música viva
Além da minha cerca

Vou caminhar pro meu dia feliz
Sem lembrar o que fiz
No meu passado sem graça
Sem sombra na praça

Vou esquecer
Meu sol na praia
Vou zarpar
Antes que a noite caia

Vou pescar
Vou viver
Conquistar meu castelo
Antes do amanhecer

CAMINHO TRAÇADO

Vou traçar meu caminho
Num destino incerto
Partir num caminhão
Num vão
De espaço aberto

Fugir como uma pipa
Sem ter onde chegar
Buscar o sentimento puro
A paisagem esquecida
Um sorriso de brisa

Lançar-me ao frescor da montanha
Praticar rapel
Ilhar-me no meu céu
Sem fundo
Sem mundo

Vislumbrar meu corpo
Sereno e sem graça
No banco da praça
Silêncio vívido
No horizonte do meu mar

GAIVOTAS

Não adianta aprisionar
Deixar de sorrir
Deixar de sentir
Deixar de amar
Não adianta
Olhar as gaivotas
Pelo quadrado da janela
Se não puder zarpar
Escutar o badalar dos sinos
Se não souber ouvir
Se não souber rezar
Não adianta se afligir
Se seus braços não vão partir

FONTE ENCANTADA

Eu te amo
Você é o cristal
Que enfeita
Minha sala
O sonho que nasceu
Na fonte encantada
Onde saboriei
Sua seiva adocicada
Você é o seio
Que alimenta minha placidez
Noite estrelada
Que inspira minha madrugada
Você é doce
Meiga como uma flor
Lira suavemente dedilhada
Princesa singelamente amada

CORPO MORTO

Sente sombras no quarto
Sente vultos do passado
Paredes balanço
Tempo se esgotando
Sente um aperto no peito
Alucinações abrindo a janela
Sente todo arrependimento
Todo sofrimento
Sente gotas de suor descendo pelo rosto
Rosto pálido
Quadro feito por estar só
Garganta apertada pelo nó
Sente asas no seu corpo
Sente felicidade
Liberdade
E sai voando pela janela
Livre e solto
Cai no passeio já morto

TEMPO SEM VENTO

Já não sei dizer se sou
Bálsamo
Flor
Ou fruto
Se meu perfume
Cabe dentro da minha solidão
Se meu violão entristecido
Ainda sabe os acordes
Da sua canção
Já não sei dizer
Em que tempo estou
Não sei dizer se sou estrela
Ou lua
Ou uma janela sem vidros
Por onde
O vento da saudade entrou

PESCADOR DE SONHOS

Tudo passou na hora que desbotou
Na hora que deixou de ser
Quando a maresia trouxe o outro lado da cor
O outro lado da dor

Tudo passou na hora que tinha que partir
Partir para o nevoeiro
Partir pra solidão do mar
Partir sem saber se iria voltar

Iria apenas partir
Não importava se iria ou não pescar
Importava sim
Poder se descobrir

Não importava se a dor que sentia era feita de flor
Ou se amargas lembranças iriam voltar
Só queria mesmo era partir para o mar

Só queria olhar para o horizonte e se entregar
Viver uma aventura para se esquecer de amar
Não importava se iria encontrar um marlim
Ou apenas sorrir para as estrelas ao invés de chorar
Ao invés de querer desistir de sonhar

Talves fosse mesmo outro velho em busca do mar
Ou apenas um jovem velho que não soube amar
Que naõ soube pescar na beira da praia
Que nem mesmo saboreou uma raia

A lua secou
Secou sem lágrimas para desabrochar
Secou sem poder olhar os olhos que queria abraçar
Secou sem seus encantos poder mostrar
Sem ver o sol que queria amar

Tudo acabou
Acabou no momento que a flor sem orvalho suspirou
Na noite que seu mar secou
Nos olhos que ao olhar serenou
Na única noite que amou

Talvez fosse mesmo um velho jovem que estava partindo
Ou um velho que viveu sua breve vida sorrindo
Mas que se esqueceu de tentar naufragar
De se agarrar a tênue vida que a solidão nos dá
Que se esqueceu de lembrar que para viver
Era preciso brincar
De sonhar
De viver para amar

DECLARAÇÃO DE AMOR

Eu te amo
Muito mais que possa imaginar
Muito mais que as estrelas do mar
Em todas as formas que há de amar

Preciso fazer você feliz
Então não tenha medo, me entregue seu coração
Assim serei o cobertor colorido
Que aquecerá seu corpo e sua vida nas noites de tristeza

Somos carentes de amor
Precisamos tanto nos sentir amados
Vamos juntos buscar os caminhos da felicidade
E vivermos nossos sonhos na terra distante do amor

Você é a luz da minha vida
Farol da minha embarcação
Todos os meus sonhos serão possíveis com você ao meu lado
Pois você é o sangue que pulsa minhas veias

Quero sentir nossos abraços entrelaçados
Acariciar seus cabelos soltos e travessos
Beijar seus lábios que adoçam minha alma
Sorver o pólen do seu coração

Eu te amo mais que tudo
Por você daria minha vida
Apenas para te ver feliz
Mesmo que fosse longe dos seus braços

LUA DESOLADA

Nuvem que passa
Lua que ficou apagada
Só e desolada
—–
Sobre o poeta:
mais poemas de Arnoldo:

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.55)

Trova do Dia

Causador da minha insônia,
motivo do meu sorriso,
sem nenhuma cerimônia…
me transporta ao paraíso!
VÂNIA MARIA SOUZA ENNES/PR

Trova Potiguar

Uma pessoa egoísta
quer para si todo o bem.
O que chama de conquista
é o que roubou de alguém.
HELIODORO MORAIS/RN

Uma Trova Premiada

1998 > Sete Lagoas/MG
Tema > UNIVERSO > 1º Lugar.

Ao ver tanta mesquinhez
e tão nobres ideais,
tenho a impressão que Deus fez
universos desiguais!
CÉLIA GUIMARÃES SANTANA/MG

Uma Poesia

– Efigênia Coutinho/SC –
PALAVRAS NUAS

Quem sonha acorda, discorda
Vem frase de língua a falar…
Soltas ao vento, em horda.

Neuma dentro do sonho,
O balancim com andor a vagar…
Imagens dum tempo bisonho.

Ritmo limiar com intenção,
Que as portas de palavras a olvidar.
Sejam abertas com precisão.

Breve pausa sem fachada,
Somente vai o tempo enganar.
Pois ele não tem retomada.

Há ventos ruidosos nos ares,
Revirando tempos a passar…
Não faz vincos similares.

É o tempo duma palavra nua,
Entre dois corpos a sina lavrar…
A vida que em mil cores continua.

Uma Trova de Ademar

A minha fé não se abala
e eu sinto uma força estranha,
toda vez que alguém me fala
sobre o sermão da montanha!…
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Meu Deus como o Tempo passa!…
– Nós, às vezes, exclamamos…
Mas por sorte ou por desgraça,
fica o tempo… e nós passamos…
LUIZ OTÁVIO/RJ

Estrofe do Dia

A esperança não morre,
simplesmente ela descansa…
Quem precisa, ela socorre
é questão de confiança!
Incluí na minha agenda
visitar toda fazenda
onde se planta esperança.
JUCA DE MAGNÓLIA/RN

Soneto do Dia

– Gilmar Leite/PE –
O JARDIM DE UMA POETISA
(À poetisa Rachel Rabelo)

Os teus versos têm cores madrigais,
o perfume que exala nas campinas,
o frescor das gotículas cristalinas
dando os beijos nas flores aromais.

As palavras têm tons angelicais
na candura de estrofes bem divinas,
onde o riso mais puro das meninas
são teus versos com luzes matinais.

Os sonetos que brotam do teu peito
são os lírios do sonho mais perfeito,
exalando das pétalas teu perfume.

Ao andar no jardim dos teus poemas,
encontramos essências de alfazemas
com fulgores dum lindo vaga-lume.

Fonte:
Ademar Macedo

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Monteiro Lobato (Emília no País da Gramática) Capítulo XI: As Preposições


— Gosto dos Advérbios — foi dizendo Emília, enquanto Ser a levava para a casa das PREPOSIÇÕES. — Eles prestam enormes serviços a quem fala. Impossível a gente dizer uma coisa do modo exatinho como é preciso sem usar qualquer Advérbio.

— Sim — concordou Ser. — Ninguém pode arrumar-se na vida sem eles. Até nós, Verbos, ganhamos imensamente com as modificações que eles nos fazem. Mas, bem consideradas as coisas, não existe palavra que não seja indispensável. Sem os Nomes, de que valeríamos nós, Verbos? E sem Verbos, de que valeriam os Nomes? Todas as palavras ajudam-se umas às outras, e desse modo os homens conseguem exprimir todas as idéias que lhes passam pela cabeça.

A Casa das Preposições não era grande, porque há poucas palavras nessa família.

_ Estas senhoritas — disse Ser — servem para ligar outras palavras entre si, ou para ligar uma coisa que está atrás a uma que está adiante. O Advérbio modifica; a Preposição liga.

— Quer dizer que são os barbantes, as cordinhas da língua — observou Emília.

— Isso mesmo. Constituem os amarrilhos da língua. Sem elas a frase ficaria telegráfica, ou desamarrada. Aqui estão todas neste armário, olhe.

Emília examinou-as uma por uma, para as decorar bem, bem. Viu lá as Preposições A, Ante, Após, Até, Com, Contra, Conforme, Consoante, De, Desde, Durante, Em, Entre, Fará, Por, Sem, Sobre, Sob e outras.

— Bravos! —- gritou Emília. — São umas cordinhas preciosas estas. A gente não pode dizer nada sem usá-las, sobretudo as menorzinhas, como A, Até, Com, De, Sem, Por. . .

— Creio que a Preposição De é a mais importante — disse Ser. — Num concurso de utilidade, De venceria. É como ali adiante a conjunção E, que é a menor de todas. Tão econômica que até se escreve com uma letra só — e no entanto é uma danadinha de útil.

— Vamos visitar as Conjunções! — gritou Emília.
______________________
Continua … Capítulo XII: Entre as Conjunções
____________________________
Fonte:
LOBATO, Monteiro. Emília no País da Gramática. SP: Círculo do Livro. Digitalizado por http://groups.google.com/group/digitalsource

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Alerta sobre Atualizações das Postagens

Visando facilitar o acesso as postagens atualizadas diariamente no blog, aos que fizeram a inscrição disponível na barra lateral esquerda no ítem “Coloque seu email para receber as atualizações do blog:“, em virtude de que alguns apresentam alguns problemas de acesso da internet, seja discada, ou de lentidão no acesso do micro, etc. a partir de hoje estas postagens diárias passam a ser com os textos completos, tais quais estão no blog, permitindo um acesso descompromissado com o acesso direto ao blog.

Contudo devo alertar que as postagens antigas (cerca de 5 mil) não há como colocar nos e-mails, por isso recomendo navegar pelo blog para acessa-las.

Estou em fase de finalização do índice das postagens (cerca de 150 páginas em word), caso se faça necessário, mediante solicitação poderei enviar. O e-mail para tal é o mesmo pavilhaoliterario@gmail.com.

Apesar da grande quantidade de postagens aqui colocadas, sugiro a que acessem outros blogs e/ou sites, sendo alguns que recomendo na barra lateral esquerda. Como o Singrando Horizontes tem uma abrangência muito grande, existem alguns direcionados, como por exemplo http://umcoracaoqueama.blogspot.com/ com poesias. O Jornal de Poesia possui centenas de poetas conhecidos ou desconhecidos, http://www.jornaldepoesia.jor.br/. Se procura somente a cultura paranaense, http://simultaneidades.blogspot.com. Enfim, uma quantidade grande de fontes de pesquisa.

Obrigado,
José Feldman

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Arquivado em Alerta, Jose Ouverney

Almanaque Paraná (Lançamento Virtual)

Faça o download do Almanaque Paraná numero 1 clicando aqui
——–
Lançamento do Almanaque Virtual Paraná, composto de literatos oriundos ou radicados no Paraná.

Um Almanaque raiz que tem por pretensão a divulgação dos valores do Estado do Paraná, para o Estado e além de suas fronteiras.

Trovas
Haicais
Poemas
Folclore
Artigos
Cronicas
Contos
Notícias
Teatro
Livros
Congressos,
Saraus
etc.

Neste número: Emílio de Menezes, Dalton Trevisan, Tasso da Silveira, Apollo Taborda França, Heitor Stockler, Vânia Maria Souza Ennes, Átila José Borges, A. A. de Assis, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Helena Kolody, entre outros.
———————
Você que nasceu ou se radicou no Paraná , conto com sua colaboração para enriquecer este Almanaque. Envie seus textos
Contato: voodagralhaazul@gmail.com

José Feldman – editor

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Efigênia Coutinho (Antologia Poética)

ÁGUA MENINA

Tenho procurado mais água que
a terra, e onde está, se não
espelha na onda, afigura-se-me
que está morta a natureza!

Procurei água ao pé das geleiras,
onde gota a gota, estilando, entre
os granitos, beijavam os macios
musgos e delicados miosótis azuis.

Murmuram, balbuciam aquela água
palreira, como uma criança que
aprende a falar, provei, achei doce!
Onde a vida germina e cresce esperançosa.

Desci da geleira, pela encosta dos montes,
e arroios, regatos, e torrentes me cantavam
as alegrias da água criança tornada menina!
Não perturbando o sono da vida nascente!

BARCO DO AMOR

Qual o tamanho desse barco?
Barco que tudo suporta,
Que tanta carga comporta,
E por vezes é tão fraco?
Que tamanho ele terá?
Estes mares a singrar,
Saindo pra não voltar,
Seu destino, qual será?

Altivo na tempestade,
Fortaleza sem igual.
Seu porão sem nenhum mal,
Carregado de saudade!
Singra as águas da bonança,
Inocente qual criança,
Fora da realidade!
Paciente nas calmarias,
Firme leva o timão,
No governo o coração,
Orvalhado de euforias!
Na borrasca com bravura,
Ecoam ondas no casco,

Qual o porte desse barco,
Abarrotado de ternura?
Que buscas minha escuna,
Por esses mares perdida?
Já sei, rastreando a vida,
Que se perdeu na bruma!

Lanço âncora no fundo.
Esqueço tempos de antanho,
Sei que o teu tamanho,
É do maior amor do mundo!
Meu convés ensolarado.
À noite o luar vem beijar,
Meu barco e o amor no mar!
Eu e ele entrelaçados!

ENCONTRO DO MAR

Amanhã quando o sol raiar tenho um encontro
no mar, onde te calas e te fazes cinéreo, e,
escondes até a extrema orla do teu horizonte
numa neblina finíssima de opala!

Vou de carona no vento, cantando
com as gaivotas numa prece
sem fim, e a terra me olha lá de
longe já cheia de saudades…

Na viagem o vento vai me contando
como o sol adormecem as nuvens
as ondas brincam com as algas
e o mar beija a praia.

Quando chego, pérolas iluminam
um túnel de um azul aveludado
mesclado em tons dourados do sol.
No final uma galeria de corais
onde moram as sereias encantadas.

E eu esqueço que existe esse tal
de tempo danço com os golfinhos
troco sonetos com as ostras.

Mas lá vem a lua cabreira me
avisar sem querer me incomodar
que já é hora de partir…
Que o mar está irado.

Então me despeço e prometo
aos corais uma nova visita.
Os cavalos marinhos me escoltam
como cavaleiros medievais
sobre o manto azulado.

A praia já me esperava aflita pois o mar
atormenta a terra e a flagela com suas ondas
gigantes e eu sinto um terror sagrado, e
digo-lhe compungida e medrosa:

Mar, tu não flagelas só a terra, mas submerges
homens, e, o teu maior tesouro encontrado na terra,
nos teus abismos profundos,
talvez porque achas os homens pequenos e maus,
e quiseras tê-los feitos maiores e melhores!

Mas eu admiro-te sempre, ainda quando és
mau, porque a tua grandeza está sempre
acima de toda miséria Humana!

Tu falas à terra e aos homens com tanta
delícia de murmúrios e de sussurros, como
nunca teve música alguma de rouxinol!

Tu, porém não és mau, senão raras vezes, lá
somente onde a terra é feia e indigna de ti;
e tu, belíssimo entre os belos, não podes ser feio!

Porque tu choras algumas vezes, e,
quando te abismas nas cavernas,
soluça como uma criança gigante!

Perdoas a terra a sua ingratidão, e aos
homens a sua sordidez, e delicias a terra
com tuas carícias, e lavas os homens da sua
Sujidade!

Depois dessa jornada, mergulho em um
sono profundo, pro beijo teu acordar!

SORRISO DA AURORA

Que sentimento te envolve
por quem te ama suntuosamente
por mais próximo que estejas, o qual,
quando te afastas, dói a saudade?!
É morrer de sede dentro d’água….

Dá-me, pois, refrigério, não
demore para à sublime sagração!
O amor é belo e cheio de doçuras,
e tu bebes o cálice do néctar feito
com o sorriso de todas ás auroras!

Avançarei milhas para poder amá-lo…
Os sonhos não se vergam aos receios.
Porque minha alma foi beijada como
se um regato de mel se houvesse
derramado em minha boca, e tivesse
descido, cheio de doçura e de perfume,
até o âmago do meu coração…
E, senti, tuas mãos e braços, fiquei
inteiramente devorada por uma
sede que nenhuma água pode saciar.

Senti naquele momento que me
havia tornada uma deusa,
abençoei o sol e a terra, e apertei,
com todas as minhas forças ,tuas mãos
adoradas, que me haviam abraçado
e que haviam estreitado o meu coração
noutro coração… de modo que senti
bater na minha alma dois corações
ao mesmo tempo, como se eu tivera
duas almas dentro dum só corpo…

ANTIGO SONHO

Em meus olhos tatuaste todo Amor
Pelos astros tu lhes dás, tons e cor
Arrebatando , onde passam, imagem
Tendo do sonho antigo da miragem…

Quero viver alegre ao foi prescrito,
Os sonhos tenho-os pelo mundo a voltear
E quando não tiver sonhos, escrito
Minha cegueira triunfa ao te Amar…

Sendo um sonho sina do indelével
Mais azulado ainda faz meu olhar,
Vencendo todo o tempo não declina.

Nesse tempo em vigília, sonho verga,
Clamando aos deuses para serem justos,
Nem se abala no olhar desses injustos.

TEATRO DA VIDA

A minha vida é derradeira peça
Que vai sendo vivida em vários atos
Com diferentes vidas e retratos,
Sempre sorrindo com sua esperança.

Com porte, não há mal venha vencer,
Cuido para não criar-lhe desavença.
Vou encenando todos estes atos
Desta nova etapa, reviver fatos.

Outras vidas deixarei na história,
Só desejo conter nesta memória
Os bons momentos aqui tão vividos.

Se neste novo ato, nova infância,
Se sendo de alva significância,
É a soma dos tempos já vividos..

Fontes:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/saciedigpv/11/efigenia04.php
http://www.avspe.eti.br/coutinho/formatados/TeatroDaVida.htm

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Arquivado em Antologia, Santa Catarina

Efigênia Coutinho

Nasceu em Petrópolis/RJ.

Formou-se em Artes, especializou-se em Tapeçaria de TEAR, buscando os seguimentos Indígenas e sua História Natural, tendo participado de várias exposições.

Em 1977 foi residir em Florianópolis SC, sendo que em 1999 mudou-se para Balneário Camboriú/SC.

A poesia surgiu em minha vida ainda nos sonhos de adolescente, quando menos esperava, lá estava eu com o papel e a caneta na mão, extravasando a minha emoção. Com o passar dos anos, acho que fui me perdendo, esquecendo de como era gostoso embarcar nesta viagem. Não segui carreira ligada ao mundo das letras, e pouco conhecimento tenho de Literatura. Escolhi Artes como profissão, mesmo sem haver retorno financeiro, pois nada se compara aos tesouros da alma. A vida tem sido muito generosa comigo, me deu uma família linda, amigos maravilhosos, reais e virtuais!! Vou seguindo os caminhos que o meu coração ditar.”

– Pertence a Academia de Letras do Brasil, como Membro Correspondente da ALB-Mariana, representando o Município de Balneário de Camboriú
– Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA) como Membro Acadêmico Correspondente.
– Embaixadora Universal da Paz pelo Cercle Universel Des Ambassadeurs De La Paix – Genèbre/Suisse – France.

A poesia será sempre um meio de comunicação de sentimentos na escrita. Eu tenho um ritmo pessoal, operando desvios de ângulos, mas sem perder de vista a tradição, procurando atingir o núcleo da idéia essencial, a imagem mais direta possível, abolindo as passagens intermediárias. Certa da extraordinária riqueza da metáfora – tratei de instala-lá nos meus poemas, com toda a sua carga e força emocional!

Atraída pelos sentimentos, entendi que a linguagem poderia manifestar essa tendência, sob a forma de um encontro de palavras extraídas da Alma. Ao inicio, as palavras vinham num conjunto, informes, desarticuladas e, pouco a pouco, as fui compondo, sentindo silaba por silaba, e aplicando-as dentro dos versos. Há tantos momentos misteriosos dentro da alma poeta, que vivemos uma alquimia , a bem dizer, a essência mesma da vida em vida.

Procurei sempre mais a musicalidade que a sonoridade; evitei o mais possível a ordem inversa, procurei muitas vezes obter o ritmo sincopado, a quebra violenta do metro, porque isso se acha de acordo com a nossa atual predisposição emocional; certos versos meus são os de alguém que leu muito Baudelaire, Shakespeare, Paulo Mantegazza, e muita musica clássica.

Empreguei freqüentemente a forma elíptica, visto ser uma tendência acentuada da poesia moderna que ajuda a terminologia final; de resto não crio uma ruptura entre o poeta e o leitor, antes impõe este a uma disciplina mental, ensinando-lhe a imaginar nos intervalos, encobrindo analogias e paralelismos. Sendo de natureza impulsiva e romântica, julgo ter feito um trabalho verdadeiro , pois se os relacionar à minha contínua necessidade de expulsão de sentimentos, meus textos são até construídos e ordenados.
É a expressão da subjetividade, da harmonia e do amor universal. Em minha poesia, ora demonstro um tom bastante emotivo, ora amplo interesse pelas coisas simples da vida, revelando alteridade, amizade e solidariedade
.”

Fonte:

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José Laurentino Gomes (Livro: 1822)

Quem observasse o Brasil em 1822 teria razões de sobra para duvidar de sua viabilidade como país. Na véspera de sua independência, o Brasil tinha tudo para dar errado. De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros forros, mulatos, índios ou mestiços. O medo de uma rebelião dos cativos assombrava a minoria branca como um pesadelo. Os analfabetos somavam 99% da população. Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O isolamento e as rivalidades entre as diversas províncias prenunciavam uma guerra civil, que poderia resultar na fragmentação territorial, a exemplo do que já ocorria nas colônias espanholas vizinhas. Para piorar a situação, ao voltar a Portugal, no ano anterior, o rei D João VI, havia raspado os cofres nacionais. O novo país nascia falido. Faltavam dinheiro, soldados, navios, armas ou munições para sustentar uma guerra contra os portugueses, que se prenunciava longa e sangrenta. Nesta nova obra, o escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, sobre a fuga da familia real portuguesa para o Rio de Janeiro, relata como o Brasil de 1822 acabou dando certo por uma notável combinação de sorte, improvisão, acasos e também de sabedoria dos homens responsáveis pelas condução dos destinos do novo país naquele momento de grandes sonhos e muitos perigos.

O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis em 1822. E isso, por si só, é uma enorme vitória, mas de modo algum significa que os problemas foram resolvidos. Ao contrário. A Independência foi apenas o primeiro passo de um caminho que se revelaria difícil, longo e turbulento nos dois séculos seguintes. As dúvidas a respeito da viabilidade do Brasil como nação coesa e soberana, capaz de somar os esforços e o talento de todos os seus habitantes, aproveitar suas riquezas naturais e pavimentar seu futuro persistiram ainda muito tempo depois da Independência.

Convicções e projetos grandiosos, que ainda hoje fariam sentido na construção do país, deixaram de se realizar em 1822 por força das circunstâncias. José Bonifácio de Andrada e Silva, um homem sábio e experiente, defendia o fim do tráfico negreiro e a abolição da escravatura, reforma agrária pela distribuição de terras improdutivas e o estímulo à agricultura familiar, tolerância política e religiosa, educação para todos, proteção das florestas e tratamento respeitoso aos índios. Já naquele tempo achava ser necessária a transferência da capital do Rio de Janeiro para algum ponto da região Centro-Oeste, como forma de estimular a integração nacional. O próprio imperador Pedro I tinha ideias avançadas a respeito da forma de organizar e governar a sociedade brasileira. A constituição que outorgou em 1824 era uma das mais inovadoras da época, embora tivesse nascido de um gesto autoritário – a dissolução da assembleia constituinte no ano anterior. O imperador também era um abolicionista convicto, como mostra um documento de sua autoria hoje preservado no Museu Imperial de Petrópolis.

Nem todas essas dessas ideias saíram do papel, em especial aquelas que diziam respeito à melhor distribuição de renda e oportunidades em uma sociedade absolutamente desigual. O Brasil conseguiu se separar de Portugal sem romper a ordem social vigente. Viciada no tráfico negreiro durante os mais de três séculos da colonização, a economia brasileira dependia por completoda mão de obra cativa, de tal modo que a abolição da escravatura na Independência revelou-se impraticável. Defendida por homens poderosos como Bonifácio e o próprio D. Pedro I, só viria 66 anos mais tarde, já no finalzinho do Segundo Reinado. Em 1884, faltando cinco anos para a Proclamação da República, ainda havia no Brasil 1.240.806 escravos.

É curioso observar como todo o cenário da Independência brasileira foi construído pelos portugueses, justamente aqueles que mais tinham a perder com a autonomia da colônia. O Grito do Ipiranga foi consequência direta da fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. Ao transformar o Brasil de forma profunda e acelerada nos treze anos seguintes, D. João tornou a separação inevitável. Ao contrário do que se imagina, porém, a ruptura resultou menos vontade dos brasileiros do que divergências entre os próprios portugueses. Segundo uma tese do historiador Sérgio Buarque de Holanda, já mencionada de passagem nos capítulos finais do livro 1808, a Independência foi produto de “uma guerra civil entre portugueses”, desencadeada na Revolução Liberal do Porto de 1820 e cuja motivação teriam sido os ressentimentos acumulados na antiga metrópole pelas decisões favoráveis ao Brasil adotadas por D. João.

Até as vésperas do Grito do Ipiranga, eram raras as vozes entre os brasileiros que apoiavam a separação completa entre os dois países. A maioria defendia ainda a manutenção do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, na forma criada por D. João em 1815. Foram o radicalismo e a falta de sensibilidade política das cortes constituintes portuguesas, pomposamente intituladas de “Congresso Soberano”, que precipitaram a ruptura. Portanto, os brasileiros apenas se aproveitaram das fissuras abertas na antiga metrópole para executar um projeto que, a rigor, ainda não estava maduro. De forma irônica e imprevista, Portugal completou o ciclo de sua criação nos trópicos: descoberto em 1500 graças ao espírito de aventura do povo lusitano, o Brasil foi transformado em 1808 em razão das fragilidades da coroa portuguesa, obrigada a abandonar sua metrópole para não cair refém de Napoleão Bonaparte; e, finalmente, tornado independente em 1822 pelas divergências entre os próprios portugueses.

Uma segunda tese de Sérgio Buarque de Holanda, aprofundada pela professora Maria Odila Leite da Silva Dias em A interiorização da metrópole e outros estudos, afirma que o sentimento de medo, fomentado pela constante ameaça de uma rebelião escrava, fez com que a elite colonial brasileira nas diversas províncias se mantivesse unida em torno da coroa. No Brasil de 1822 havia muitos grupos com opiniões diferentes a respeito da forma de organizar o jovem país independente, mas todos entravam em acordo diante do perigo de uma insurreição dos cativos – esta, sim, a grande preocupação que pairava no horizonte.

Dessa forma, o Brasil de 1822 triunfou mais pelas suas fragilidades do que pelas suas virtudes. Os riscos do processo de ruptura com Portugal eram tantos que a pequena elite brasileira, constituída por traficantes de escravos, fazendeiros, senhores de engenho, pecuaristas, charqueadores, comerciantes, padres e advogados, se congregou em torno do imperador Pedro I como forma de evitar o caos de uma guerra civil ou étnica que, em alguns momentos, parecia inevitável. Conseguiu, dessa forma, preservar os seus interesses e viabilizar um projeto único de país no continente americano. Cercado de repúblicas por todos os lados, o Brasil se manteve como monarquia por mais de meio século.

Como resultado, o país foi edificado de cima para baixo. Coube à pequena elite imperial, bem preparada em Coimbra e outros centros europeus de formação, conduzir o processo de construção nacional, de modo a evitar que a ampliação da participação para o restante da sociedade resultasse em caos e rupturas traumáticas. Alternativas democráticas, republicanas e federalistas, defendidas em 1822 por homens como Joaquim Gonçalves Ledo, Cipriano Barata e Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, este líder e mártir da Confederação do Equador, foram reprimidas e adiadas de forma sistemática.

A Independência do Brasil é um acontecimento repleto de personagens fascinantes em que os papéis de heróis e vilões se confundem ou se sobrepõem o tempo todo – dependendo de quem os avalia. É o caso do escocês Alexander Thomas Cochrane. Fundador e primeiro almirante da marinha de guerra do Brasil, Lord Cochrane teve participação decisiva na Guerra da Independência ao expulsar as tropas portuguesas no Norte e Nordeste. De forma inescrupulosa, no entanto, saqueou os habitantes de São Luis do Maranhão e, por fim, roubou um navio do Império. Tudo isso o transformou em herói maldito da história brasileira. Outro exemplo é José Bonifácio, celebrado no sul como o Patriarca da Independência, mas às vezes apontado no Norte e no Nordeste como um homem autoritário e manipulador, que prejudicou essas regiões em favor das oligarquias paulista, fluminense e mineira, além de ter sufocado os sonhos democráticos e republicanos do período. De todos eles, no entanto, o mais controvertido é mesmo D. Pedro I. O príncipe romântico e aventureiro, que fez a independência do Brasil com apenas 23 anos, aparece em algumas obras como um herói marcial, sem vacilações ou defeitos. Em outras, como um homem inculto, mulherengo, boêmio e arbitrário. Seria possível traçar um perfil mais equilibrado do primeiro imperador brasileiro? Tentar decifrar o ser humano por trás do mito é uma tarefa encantadora no trabalho jornalístico apresentado neste livro-reportagem.

Fonte:
Colaboração da Academia de Letras de Maringá

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Leinecy Pereira Dorneles (Antologia Poética)

POESIA

A poesia é a beleza,
que floresce e reflorece nas pessoas.
A poesia é uma fonte,
inesgotável de luz, paz,amor,
harmonia e bem querer.

A poesia está na alma,
como os pássaros estão nas árvores,
os beija flores estão nas flores,
o amor está no coração.

A poesia é o encanto,
que eleva a alma,
desperta sentimentos,
e faz viver a vida com mais
amor, paz, bem querer.

A poesia é o canto dos pássaros,
é o encanto de sentir paixão.
A poesia é a rosa que desabrocha.
É a saudade, a solidão, a dor e alegria.

A Poesia é a manhã que nasce,
acariciada pela mão delicada do sol.
A poesia é a vida e a utopia,
do homem de sentir paixão.

EU PODERIA SONHAR !

Ás vezes, penso que,
poderia sair por aí,
tentando descobrir,
um gosto novo de vida.
O gosto real talvez,
que não tive condições de conhecer.

Eu acomodo-me dentro
do que sou,
sem poder imaginar,
que poderia ser diferente.
Mas sei que isto é impossível.

Eu poderia sonhar, e te encontrar.
Assim, eu poderia,
inventar a vida e sonhar,
sonhar contigo, te encontrar.
Então eu deixaria de saber,
todas as coisas, que me aprisionam,
e me faria tua companheira, tua amiga,
tua namorada …
Faria um brinquedo de nós dois,
e andaríamos sem tempo, e sem destino,
buscando o nada e indo,
ao encontro de tudo,
e, EU … PODERIA SONHAR!

COMO POSSO QUERER DAR LIVROS ?

Como pode aprender,
aquele pobre menino,
que só conseguiu ganhar
a cola de sapateiro.
Nunca viu um livro antes,
nunca ganhou um de presente.
Jamais vai ler ou escrever.

Como posso eu querer,
que este pobre menino
alcance a cultura e a arte?
Se nunca leu um jornal,
nunca ganhou um livro antes.
Não sabe que a leitura,
pode levar a países distantes.

Mas como pode ele ler,
se o barulho da fome
de sua pobre barriga,
perturbam a concentração.
De quem tem fome, frio e medo.

Somos todos responsáveis,
por esta triste situação.
Mas como posso querer dar livros?
Se a mão me pede pão.
Como posso ensinar a ler,
aquele que não é amado,
nem por mãe, pai ou irmão?
Como posso querer dar livros,
para quem não tem casa, cama nem pão?!

DECEPÇÕES!

ANTES…
Vindas,
Conquistas,
Doações,
Amores,
Amizades,
Conhecimentos,
Integrações,
Convivências,
Felicidades…

DEPOIS…

Idas,
Esquecimentos,
Abandonos,
Desamores,
Distanciamentos,
Desilusões,
Descrenças,
Separações,
Tristezas,
Esperas,
Decepções…

EIS A VIDA!

O TEMPO INFINITO

E sempre foram de mistérios
Os seus dias.
Veio de longe, lugares distantes.
Deixou tudo e a todos,
E aqui chegou.
Chegou e se quedou ao nosso lado,
Tentando descobrir, conquistar.
Ele era diferente.

Chegou e se encantou…
E nada fez de diferente,
Foi apenas ele mesmo.
Ficou o tempo infinito,
Para que aprendêssemos, à amá-lo,
E o tempo mínimo,
Para que todos ficassem,
Morrendo de saudades,
Quando partiu…

PRIMAVERA

A luz chegou com intensidade
O sol brilhou com seu esplendor
O mundo encheu-se de alegria e cor,
espalhando nas pessoas poesia e muito amor.

Esta primavera florida
que enche o mundo de esperança,
tal como a poesia, refloresce
nas pessoas, o amor e a lembrança.

Com todo este contentamento,
saúdo Senhora Primavera .
Estação por excelência apreciada
pelo viço, pela cor e fragrância.
Onde todos sentem alegria.
Bendita sejas tu, PRIMAVERA
A de todas as estações, a mais bela

BRAVA MENINA GUERREIRA

Brava guerreira menina,
mais um degrau, galgaste agora,
com coragem, fé, perseverança,
sofrimento, medo e determinação.
Fizeste a tua história,
de menina, á guerreira mulher.
Segue adiante minha menina,
o mundo é teu e te espera, mulher.

Vai, vê e vence…
Deixa a tua marca no mundo.
Já te vejo vencedora,
no caminho das vitórias.
Eu escudeira-mor,
agora fico sentada,
nesta curva do caminho.
Torço por ti minha querida,
segue, luta, vai e vence.

Se precisares de ajuda, volta!
Aqui estarei a te acolher.
Mas o meu desejo é que sigas adiante,
pois o mundo é teu…
Vai, desbrava e vence.
Sê constante, com DEUS
no coração.

Esta primeira batalha é ganha.
Sabes que a guerra é tua.
Vai luta, busca e ganha.
Já hoje são teus,
todos os louros da vitória.
Esta já vencestes menina,
minha pequena, e
brava guerreira menina
mulher!

Para minha filha segunda
MICHELE VIVIANE DORNELES
no dia de sua formatura
de Psicologia em Pelotas-RS.

Fonte:
http://www.paralerepensar.com.br/leinecy.htm

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Leinecy Pereira Dorneles (1948)

Nasceu na cidade de Bagé no dia 20 de julho de 1948. Filha de Eugênio Lobo Pereira e de Hortência Moura Pereira.

Formada em Pedagogia – Habilitação em Orientação Profissional. Cursou a Universidade Federal do Rio Grande.

Pós-Graduada em tecnologia da educação, pela Universidade Federal do Rio Grande.

Professora de sociologia, psicologia e didática. Orientadora educacional e técnica.

Em 1967, começa a trabalhar como Professora na Escola Maria Montessori (Escola de Alunos com necessidades especiais.

Em 1979 foi convidada a trabalhar no SOE da SMEC (Secretaria Municipal de Educação e Cultura) onde fundou o Serviço de Orientação Educacional do Município.

Fundou e foi Secretária do Núcleo De Orientadores Educacionais Do Rio Grande.

Convidada a trabalhar no SENAC como Orientadora Técnica, onde trabalhou pelo período de 16 anos.

Poetisa, Escritora e Ativista Cultural da cidade do Rio Grande.

Escreveu seu primeiro livro de poesia em 1993, intitulado
“Simplesmente Amores”, Poesia, Editora Scortecci, São Paulo/SP; (ao qual recebeu por ele vários prêmios.)

Em 1994, escreveu seu segundo livro, de contos e crônicas, intitulado” Um Conto de Saudade e Sete Crônicas do Dia a Dia”. Contos e Crônicas, Editora Scortecci, São Paulo/SP.

Em 1992, recebeu uma Bolsa de Estudos para participar de Cursos de Língua e Cultura Portuguesa nos Açores-Portugal, (onde estudou a Cultura Açoriana).

Voltou aos Açores em 1994, 1996, 2000 e 2002, a convite do Gabinete de Imigração e Apoio as Comunidades Açorianas.

Em 1997, recebeu uma Bolsa de Estudo para a Inglaterra, para realizar o Curso de Língua e Cultura Inglesa, em Cantebarry e Oxford. (Inglaterra), S.Peters School.

Em 1999, foi Patrona da Feira do Livro do Cassino, pela Universidade Federal do Rio Grande.

Neste mesmo ano foi escolhida ESCRITORA DO ANO em Trento na Itália;

Membro Efetivo aa Academia Rio Grandina De Letras-Rio Grande; Cadeira número: 15.

Fundadora e 1ª. Presidente aa “Casa do Poeta Brasileiro-Cassino-Rio Grande”;
Membro da Casa do Poeta Rio-Grandense-Porto Alegre;

Membro Correspondente:
 Academia do Rio de Janeiro;
 Academia Irajaense de Letras e Artes de Irajá (Rio de Janeiro);
 Academia de Letras e Artes de São Paulo;
 Academia de Letras e Artes do Amazonas;
 Academia de Letras, Artes, Ciências e Cultura de Uruguaiana-RS;
 Academia Virtual Brasileira de Letras – AVBL – Cadeira No 539;
 Associaçâo dos Escritores do Amazonas – ASSEAM;
 Arcádia Brasílica de Artes e Ciências (Rio de Janeiro).

 – Membro da International Writeres and Association Fraternity (USA);
 – Membro da Ordem Internacional das Ciências, Artes e Cultura de Brasília;
 – Coordenadora do Projecto Sur, na cidade do Rio Grande;
 – Consulesa dos Poetas del Mundo no Rio Grande-RS;
 – Coordenadora Regional da “Poemas à Flor da Pele” no RS;
 – Recebeu por cinco anos consecutivos a Medalha Juscelino Kubitschek, por Ativismo Cultural, através da OICCB em Brasília;
 – Em 2008 lançou “Café Filosófico das Quatro”, na Feira do Livro de Havana – Cuba.
 – Recebeu em São Lourenço de Minas Gerais, no ano de 1999, três prêmios de primeiros lugares, assim distribuídos:
1o. Lugar em Livros Editados de Poesia com o seu livro: “SIMPLESMENTE AMORES.”
1o. lugar em Livros Editados de Conto e Crônicas; “UM CONTO DE SAUDADE E SETE CRÔNICAS DO DIA-A-DIA”;
1o. lugar em Crônicas, com a crônica “O SER HUMANO”,

Em 1998 cria e edita o Informativo Cultural – “Gaivota Cultural”- da Casa do Poeta Brasileiro do Cassino – Rio Grande, onde divulga poetas, escritores e artistas de sua cidade, Brasil e Exterior.

Em 2002 foi premiada em Pelotas, com a Medalha Mérito Enrique Salazar, do Rotary Norte de Pelotas; (Por Ativismo Cultural)

Ainda neste ano tomou posse como Conselheira Literária no “Clube de Escritores de Piracicaba- São Paulo.

 “Medalha de Ouro” em Contos no Concurso Papiro de Contos e Trovas em 2003, com o conto” As Ilhas dos Mil Encantos” em Santos/SP.

 Em 2003 a Medalha Mérito do Clube Pan-Americano, da Secretaria Estadual de Educação e do Rotary Pelotas Norte – Distrito 4680, por ativismo cultural;

 Recebeu no VIII Concurso Internacional De Poesias – 2003 o 2o Lugar em Poesia Moderna, com a sua poesia “Mensagem de Paz”;

Trabalhou por quatro anos, no Jornal Cassino onde possuía duas páginas, escrevia e divulgava a “Literatura do Rio Grande, do RS, Brasil e Exterior;

Em outra página onde escrevia sobre” A Cultura Açoriana no RS”.

Tem participação em Antologia e /ou Coletâneas por todo o Brasil, em número de 72 Obras. Tem suas poesias divulgadas em jornais e revista de todo o Brasil e exterior.

Organizou as Coletâneas:

 Academia Rio Grandina De Letras;
 Casa do Poeta Brasileiro, Antologia intitulada “O Revoar das Gaivotas”- São Paulo, João Scortecci Editora. 1999;
 “Antologia dos Vencedores”- Antologia artesanal lançada na Feira do Livro da Universidade Federal do Rio Grande em 2007.

Convidada para Palestras em Escolas e Universidade, Asilos, Creches, na Cidade do Rio Grande.

Trabalha num Projeto que se chama “A Poesia vai a EScola”,” Na Escola nasce um Poeta” onde já implantou nas escolas do Rio Grande e Canela e também o Projeto “A Terceira Idade leva a Poesia as Escolas”

Cadeira Vitalícia na Academia de Letras do Brasil/RS.

Fonte:
Academia de Letras do Brasil

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Eno Teodoro Wanke (Miniconto: Fome)

Estava aquele senhor no restaurante ainda com tanta fome depois de jantar, que, quando o garçom trouxe a conta no pires, ele a comeu julgando ser mais um prato.

Fonte:
WANKE, Eno Teodoro. Caminhos: minicontos. RJ: Ed. Plaquette, 1992.
Imagem = http://just-dream-forever.blogspot.com/

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J. Castro (Antologia Poética)

DORES DE PARTO

Entre a colcha acetinada
e os alvos lençóis,
geme com dores de parto a madre donzela.
Lágrimas silentes,
sussurros contidos,
face enternecida:
— Salve, agraciada!
— Bendito o fruto do teu ventre!
Ao sorriso cúmplice do pai,
uma criança de olhos fugazes
canta ao mundo a sua liberdade.
— Amém! — louva o poeta com fervor.

MÁGOA DE UM POETA

Procuro nas mais belas canções um som que me embale
E na natureza, uma imagem que me inspire.
Devasso as águas, as profundezas dos oceanos
Com seus mistérios, os pássaros, os animais, o céu.
Vejo uma estrela: de estrela, de mulher.
Os olhos turmalíneos são talhados num rosto de traços angelicais.
Um demônio. Bela.
Os lábios sensuais de morango emolduram com graça
A boca maliforme – a medida exata do pecado.
Ela desfila seu encanto na relva granítica
Os passantes esquecem o queixo ao vê-la passar.
Sigo sem rumo. Sozinho.
Com a mente despida,
Os olhos sem viço,
Amaldiçôo a minha existência.
O relógio biológico me censura:
Dezesseis horas. Em jejum.
Na esquina um quiosque.
Procuro uma moeda, a última.
Paro na porta, indeciso.
Ao lado um verme.
Sim, maltrapilho, sobre um vaso de detritos debruçado.
Em volta de seu corpo,
Centenas de moscas zumbem furiosamente,
Disputando a mesma porção.
Então os lábios se me abrem
Numa prece arrependida:
– Oh, Deus, por que me fizeste Poeta?!

Fonte:
– O Autor
– Poetas del Mundo

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J. Castro (1962)

Jonan de Castro Reis, conhecido também como ‘J. Castro’ nasceu a 14 de setembro de 1962, em Jandaia-GO, onde viveu a sua infância. Filho de Manoel Libório dos Reis* e de Maria Benedita de Castro, é graduado em Letras pela UEG – Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Quirinópolis, em 2003.

Sendo o oitavo filho de uma numerosa família de quinze irmãos, é o primeiro a concluir o curso de nível superior. Professor de Língua Portuguesa [Redação], é um dos imortais, membro-fundador da ALESG – Academia de Letras e Artes do Extremo Sudoeste de Goiás, tendo como patrono o grande escritor Guimarães Rosa.

Tendo participado de alguns concursos, obteve:

 Menção honrosa no VI Concurso Nacional de Contos e Poesias ‘Poeta Nuno Álvaro Pereira’ com os poemas ‘Infância’ e ‘Confissões de Omar’, na cidade de Valença – RJ.

 Premiado no II Concurso Nacional de Literatura Revelação do Terceiro Milênio, na cidade de Caçu – GO, obtendo o Prêmio Ana Luiza de Lima, com o poema ‘Castelo de Roma’, classificado em 1º lugar na categoria Regional;

 Prêmio Adelice da Silveira Barros, com o conto ‘A primeira calça comprida’, classificado em 3º lugar na categoria Regional;

 Prêmio Adelice da Silveira Barros, com o conto ‘Por um triz’, classificado em 1º lugar na categoria Local, cujas obras integram o II Volume da ‘Antologia Revelações do Terceiro Milênio’ em 2004.

Participa também das antologias ‘O que os homens estão escrevendo’, da Litteris Editora – RJ., e ‘Pegadas’, esta, organizada pela ALESG – Academia de Letras e Artes do Extremo Sudoeste de Goiás.

Autor de vários textos, entre crônicas, contos e poemas. Tem contos e poemas publicados em jornais, mas o sua maior alegria foi a publicação do romance ‘Marcas do infortúnio.

Imortal da Academia de Letras do Brasil/GO, representante da cidade de Quirinópolis

Fonte:
Academia de Letras do Brasil

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.54)

Trova do Dia

Quantas pedras removidas
e quantas por remover.
Provações em nossas vidas
que só nos fazem crescer!
JOÃO BATISTA XAVIER/SP

Trova Potiguar

Na sutil aritmética
com conta pra todo lado,
eu contei com toda ética
o que era pra ser contado.
MARCOS MEDEIROS/RN

Uma Trova Premiada

2010 > Caxias do Sul/RS
Tema > TRILHO > M/H

Doces lembranças guardadas,
no peito, quem não as tem?…
De caminhar de mãos dadas,
por sobre os trilhos do trem.
NEOLY VARGAS/RS

Uma Poesia livre

– Maria Emília Xavier/RJ –
RASGUEI VOCÊ.

Rasguei você…
em pequenos pedaços.
Espalhei-os por cada lugar
onde nosso amor aconteceu…
E lá deixei você,
pelo chão,
espalhado ao sabor do vento,
em micro pedacinhos,
exatamente, como você
se mostrou para mim…
Não me bastava,
não te querer mais…
Precisava me limpar de você…
Precisava te tirar inteiro
do meu dia..
das minhas noites…
da minha cama…
de dentro de mim…

Uma Trova de Ademar

Eu tendo por companhia,
verso, rima e inspiração,
eu deito a minha poesia
nos ninhos do meu sertão!
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Na linha desta saudade,
que é tua e também é minha,
nós somos nós de verdade
nas duas pontas da linha!
ALOÍSIO ALVES DA COSTA/CE

Estrofe do Dia

Quando meu corpo se encosta
em seu corpo desnudado,
minhas entranhas despertam
e me deixam excitado;
e, se o momento é propício,
há, então, um forte indício
de “cairmos em pecado”.
TARCÍSIO FERNANDES/RN

Soneto do Dia

– Ialmar Pio Schneider/RS –
EM SOLIDÃO.

Fumaça que nasceu do meu cigarro
e morre pelo espaço na investida
de ser alguém, de ter u’a longa vida:
assim é o homem que nasceu do barro.

Oh! quantas vezes na saudade esbarro
e a solidão a descansar convida;
talvez não sinta que a fatal descida
seja o fruto do sonho mais bizarro!

E procuro seguir o meu caminho,
sem refletir, no entanto, que sozinho
é mais árdua a jornada do infeliz;

e que se a morte o surpreender um dia,
há de encontrá-lo na manhã vazia,
sem nada ter de tudo quanto quis!

Ademar Macedo Recomenda os Blogs:
http://marimilaxavier.blogspot.com/
http://nlusofonia.blogspot.com/
http://outraseoutras.blogspot.com/
http://poesiaemtodaparte.blogspot.com/
http://singrandohorizontes.blogspot.com/

Fonte:
Ademar Macedo

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Haicai 2 – Paulo Leminski (Curitiba/PR)

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28 de novembro de 2010 · 14:01

Átila José Borges (O Dia em que os Ases da Esquadrilha da Fumaça Aterrisaram sem seus Aviões!)

Eu e meu irmão Ayrton possuíamos dois minúsculos carrinhos da marca Fiat, batizados na Itália de Topolino 500 (ratinho).

O do Ayrton, pintado de branco, era alcunhado pelo nome feminino de Susy.

O meu era conversível pintado de vermelho e era chamado carinhosamente de “Bolinha”.

Eram carros frágeis, com motorzinhos também fracos. Foram praticamente produzidos para acomodarem o motorista e um carona… Com muita boa vontade poderiam levar um passageiro na parte traseira. Embora limitadíssimos, eram para nós, como se fossem Mercedes Benz nanicas.

Certa feita recebemos em nosso programa, seis ases da Esquadrilha da Fumaça para uma entrevista. Foi um sucesso! Após o programa e almejando sermos gentis com, os nosso entrevistados, educadamente oferecemos nossos “carrões” para leva-los até o hotel onde estavam hospedados. Não esperávamos uma pronta e sonora afirmativa em alto bom tom…Toparam de imediato!

Curitiba havia assistido ao espetacular show promovido pelos nossos brilhantes ases. O público presente ao espetáculo e os telespectadores que acompanharam “ao vivo”, não cansaram de aplaudir os “heróis” da FAB.

Passamos então a acomodar os nossos ilustres caronas. A “Susy” aceitou milagrosamente três deles, naturalmente os de estatura mais baixa. Einstein explica…

Sobrou para o “Bolinha” levar os outros três, altões. Justifica-se: como o meu carro era conversível e os grandões foram acomodados (?) nele, naturalmente com muito esforço. Espreme daqui, espreme dali e na falta de uma calçadeira gigante, usamos o critério e a técnica de acomodação usada em lata de sardinha… Depois de muito aperto estavam prontos para a “missão”…

É importante ressaltar que todos os componentes da Esquadrilha da Fumaça usavam seus vistosos macacões de voo.

O estúdio do Canal 12 era na Rua José Loureiro e o pátio de estacionamento ficava a sua frente. O pátio tinha um declive que auxiliou sobremaneira a nossa “decolagem”.

A saída para a rua exigia uma “curva direita” em virtude do sentido do trânsito. E lá fomos nós. Inegavelmente o comboio era de chamar a atenção. Era um espetáculo inusitado, fora das câmaras.

O Ayrton conseguiu fazer a curva de saída, mas o meu “Bolinha” não agüentou o esforço e literalmente derreou… A suspensão chocou-se com o chão e os passageiros foram catapultados (expressão em homenagem aos irmãos Wright), para fora do carro.

Três ases da Esquadrilha aterraram na calçada da José Loureiro, em uma acrobacia que eu peço que não me perguntem qual o nome.

Um dos pilotos caiu com a cabeça no chão produzindo um corte em seu rosto.

Refeito do susto e sacudindo o pó do macacão, o “ferido” no pouso, não se conteve, soltou um palavrão e exclamou:

– Já fiz centenas de demonstrações por todo o Brasil… Igual a essa, nunca!

Os “pousos” acabaram em gostosas gargalhadas ouvidas pelos circunstantes que se aglomeraram ao redor dos ases, acredite: até para pedir autógrafo!
=================
Obs: o programa chamava-se Entre Nuvens e Estrelas, produzido pela TV Paranaense, Canal 12, esteve no ar por 20 anos.

Fonte:
BORGES, Átila José. Emoções eu vivi… Curitiba: Ed. do Autor, 2008.

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Aparecido Raimundo de Souza (A Viagem)

– Nossa, cara, que bom que você chegou! Eu estava morrendo de saudades. Olha só, quinze dias fora. Aliás, quinze dias hoje. O pessoal aqui do bairro todo dia me alugando os ouvidos: “você que é amigo do homem, diz ai, quando é que o Aparicio volta?”. Agora me conta, quero detalhes, detalhes, entendeu? Como foi sair do país? Gostou?

– Não.

– Não? Como não? Você ganhou uma passagem de ida e volta pra Dubai, nos Emirados Árabes, com tudo pago, e, ainda, de lambuja com direito a levar uma acompanhante… Soube que “discolou” uma loirinha de fechar o comercio. E me diz, agora, que não gostou?

– É isso ai. Não gostei!

– Cara, você é maluco? Ah, se fosse comigo. E por que não gostou? Dubai é uma loucura, meu chapa. Tem coisas lindas para serem vistas. Olha, se eu estou no seu lugar, até agora, não teria parado de dar pulos de alegria…

– Mas eu dei pulos de alegria. Pelo menos até a hora em que soube do resultado. Fui às nuvens, quando confirmei meu nome na lista dos ganhadores. E depois dos pulos eu pirei de vez. Você não soube? Joguei tudo pro alto.

– A rapaziada comentou lá no bar do Jericó, mas, como sempre, pela metade. Sabe como é, né? O que mais me entristeceu foi saber que você largou da comadre. Coitada, não merecia!…

– Sim, de certa forma não merecia. Mas tudo bem, agora já era. Não adianta chorar sobre o leite derramado. Larguei da Celinha , mudei de casa, de ares, de rua, daí estar fora daqui e da galera há mais de quinze dias. Gastei uma baba com roupas e calçados no shopping. E quer saber mais? Até o meu patrão eu mandei pras cucuias.

– Então, meu amigo e vem com esse papo de cerca Lourenço me dizer que não gostou da viagem?

– Não, já disse. Não gostei. Odiei. Fiquei fula. Aliás, estou tiririca da vida até agora. Se pudesse me rasgava todinho… Abria o gás e pulava pela janela…

– Ta legal. Seu problema é a Celinha. Ficou arrependido, quer voltar pra ela e ela não quer lhe ver nem pintado de ouro…

– Antes fosse amigo. Antes fosse…

– Pois bem. Vamos mudar de assunto e deixar a comadre de lado. Fale da viagem. Por que não gostou?

– A vagabunda que eu arranjei pra ir comigo…

– A loirinha? O que tem ela?

– Marcamos no aeroporto.

– Sim e dai?

– Havia deixado as passagens com ela, para o tal do check-in…

– Poupe os detalhes. Desembucha…

– Liguei para a sem vergonha umas trocentas vezes. No último telefonema ela disse: meu lindo, sua princesa está chegando.

– Inferno. Fala logo. Não embroma…

– Deu o horário do vôo, e a filha da mãe… A desgraçada não apareceu…

– E você, seu imbecil, o que foi que fez?

– Perdi o avião.

Fonte:
O Autor
Imagem = http://inoutyou.blogs.sapo.pt/2010/01/

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Roberto Prado (Antologia Poética)

MUSAS

anos a fio dando ouvidos
a deuses muito discretos

amigas, amigos, amiguinhos
se sou mero objeto de meus afetos
quem é aquilo sozinho que vai
tropeçando em meus versinhos?

Ó, CÉUS

nenhum pio
nada de nuvens
não há azul

ó, céus!, que são tantos,
que cada um tem o seu
e ainda tem quem não veja
quando a gente cai do céu

BURACO NEGRO

de tudo
que mais amo
eu tiro o som

falo o que cala fundo
para que o poema,
buraco negro,
diga o que eu sou

por mais absurdo
só sobra cinema mudo
daquilo que eu acho bom

O ÚLTIMO PASTELÃO

você perdeu meu antigo prazer simples
a diversão tola dos troços aéreos que falava
de ver a graça pura das velhas boas trapalhadas
de sentar pra rir daqueles meus bobos tropeços
agora falando sério
pensando bem/ ninguém perdeu nada

ORAÇÃO A SÃO NUNCA

dei duro e eros me abriu seu coração
não preciso nem de boca pra baço me estender o garrafão
marte me deu uma mão
mamom perguntou quanto era e puxou o talão
um belo dia tive de dizer não
mas ainda amo essa humanidade marrom
fiel a eros, baco, marte e mamom

RADICAL LIVRE

morri de vivo
porque menos mal assim

mas antes de tudo
meu estúpido estudo
sobre o valor nutritivo
da raiz do capim
—–

Fonte:
DEMARCHI, Ademir (seleção). Passagens: Antologia de poetas contemporâneos do Paraná. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2002. (Col. Brasil Diferente)

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Roberto Prado (1959)

Nasceu em Curltiba-PR em 31 de agosto de 1959.

Publicitário e jornalista. Foi ator, autor e diretor teatral de 1975 a 1981. Para o cinema escreveu os roteiros de Barbabel, média-metragem, 1997, com Rodrigo Barros Homem Del Rei; Em Nome da Honra, longa- metragem sobre obra de Domingos Pellegrini Jr., 1999, com Aníbal Marques; Você é Bom, média metragem, 2000, com Antonio Augusto Freitas.

Publicou pela Lagarto Editores os livros com poemas escritos em parceria com Antonio Thadeu Wojciechowscki, Marcos Prado, Sérgio Viralobos, Edilson Del Grossi: OSS – Poemas a 2, 4, 6 ou 8 mãos; Dois mais dois são três em um; Pérolas aos poukos; Erdeiros do azar; Eu, aliás, nós.

Traduziu, com Marcos Prado, Thadeu Wojciechowski, Sérgio Viralobos e Edilson Del Grossi: O Corvo, de Edgar Allan Põe (Curitiba, 1.° edição em póster, 1985 e 2.° edição trilingue, São Paulo, editora Expressão, 1987); Os Catalépticos (Lagarto Editores, 1991), com traduções de Dante Alighieri, Yeats, Rimbaud, Baudelaire, Camões, Edgar Allan Põe, Adam Mickiewicz e Shakespeare; em 2001, em colaboração com Alberto Centuriâo de Carvalho e António Thadeu Wojciechowski publicou uma livre adaptação em forma de poemas de Tao – O Livro, de Lao Tse. Individualmente, publicou Sim Senhor às suas ordens isto é um Motim (Lagarto Editores, 1994).

Como compositor teve várias canções gravadas pelo grupo Beip AA Força nos discos Que me quer o Brasil que me persegue (1990); Música ligeira nos países baixos (1993); Sem suingue (1996) e Barbabel (1998); Lábia Pop (Carta ao ídolo, 1991); Missionários (Wo is WxO, 1992); com Talara (Jogo de espelhos, 1979) e na coletânea Cemitério de Elefantes (diversos, 1990), “1”, diversos (1994); Network, Vol. 1 (Sheffield, Inglaterra, 1993); Grupo Fato (Fogo Mordida, 1996), Sidail César (Chega de Choro, 1998), Adriano Sátiro (A caminho do céu, 1998).

Blog do poeta: http://www.robertoprado.blogspot.com/

Fonte:
Antonio Miranda. Poesia dos Brasis.

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.53)

Trova do Dia

“O que é o amor” me perguntas,
e, em coro, os anjos entoam:
“São duas pessoas juntas
que se amam e se perdoam!”
EDUARDO A. O. TOLEDO/MG

Trova Potiguar

No cérebro ainda martela
a despedida, o adeus:
o “já vou” (nos lábios dela)
e o “não vá (nos lábios meus).
BOB MOTTA/RN

Uma Trova Premiada

1965 > Bandeirantes/PR
Tema > SOLIDÃO > 3º Lugar

A mais cruel solidão
é a do cego (sina triste),
vivendo na escuridão,
sabendo que a luz existe.
GILVAN CARNEIRO DA SILVA/RJ

Uma Poesia livre

– Maria Luiza Bomfim/CE –
ENCONTRO.

Procurei-te tanto!
Nas ruas apinhadas,
nas praias desertas,
nos becos,
nas calçadas!
Procurei-te tanto!
Na multidão sem rumo
sem destino,
sem noção.
Encontrei-te perdido,
procurando também, alguém.
Ficamos juntos!

Uma Trova de Ademar

Se a inspiração me emitir,
todo dia, idéias novas,
brevemente irei abrir
um Shopping Center de Trovas!
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Tu és linda, na verdade.
Porém, para meu desgosto,
na alma não tens a metade
da beleza do teu rosto…
LUIZ OTÁVIO/RJ

Estrofe do Dia

Faço da minha esperança
Arma pra sobreviver,
Até desengano eu planto
Pensando que vai nascer;
E rego com as próprias lágrimas
Para ilusão não morrer.
JOÃO PARAIBANO/PB

Soneto do Dia

– Miguel Russowsky/SC –
A NAU DA VIDA.

Me sinto a nau a navegar no mundo,
parte insignificante numa frota,
que de esperanças faceeis se aborrota
e… inexoravelmente vai ao fundo.

E onde o céu nem faz conta da gaivota
e o sonho azul já nasce moribundo,
cheios de anseios e de amor fecundo,
vos sois também levados nesta rota.

As ilusões se vão com remos largos
ao mar dos anos céleres e amargos,
obedientes à voz dos evangelhos.

Um dia… eis senão quando… de repente
os sonhos são cadáveres somente
e a nau da vida emborca… estamos velhos!

Ademar Macedo Recomenda os Blogs:

http://singrandohorizontes.blogspot.com/
http://nlusofonia.blogspot.com/
http://marimilaxavier.blogspot.com/
http://poesiaemtodaparte.blogspot.com/
http://www.outraseoutras.blogspot.com/

Fonte:
Ademar Macedo

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Monteiro Lobato (Emília no País da Gramática) Capítulo X : A Tribo dos Advérbios

— O caminho é por aqui, senhorita -— disse o Verbo Ser. — Os Senhores ADVÉRBIOS moram no bairro das PALAVRAS INFLEXIVAS, onde também moram as PREPOSIÇÕES, as CONJUNÇÕES e as INTERJEIÇÕES.

— Que quer dizer Palavra Inflexiva?

— Quer dizer palavra de queixo duro, que não muda nunca de forma, como o fazemos nós, os Verbos. As Palavras Inflexivas são rígidas como se fossem feitas de ferro.

— Mas que é Advérbio? — indagou Emília.

— Advérbio é uma palavra que nos modifica a nós, Verbos; e que modifica os Adjetivos; e que, às vezes, também modifica os próprios Advérbios.

— Que danadinhos, hein? — exclamou Emília. — Mas de que jeito modificam?

— De muitos jeitos. Modificam de Lugar, tirando daqui e pondo ali. Modificam de Tempo, fazendo que seja agora ou depois. Modificam de Modo, ou fazendo que seja desse jeito ou daquele, ou que seja assim ou assado. Modificam de Intensidade, fazendo que seja mais ou menos. Modificam de Ordem, fazendo que seja em primeiro lugar ou não. Pelos rótulos das prateleiras você poderá ver de que jeito eles modificam a gente.

— A gente verbática — frisou Emília —, porque eu também sou gente e nada me modifica. Só Tia Nastácia, às vezes. . .

— Quem é essa senhora?

— Uma Advérbia preta como carvão, que mora no sítio de Dona Benta. Isto é, Advérbia só para mim, porque só a mim é que ela modifica. Para os outros é uma Substantiva que faz bolinhos muito gostosos.

Na Casa dos Advérbios, Emília encontrou-os em caixinhas, com rótulos na tampa. Primeiro abriu a caixinha dos Advérbios de LUGAR, onde encontrou os seguintes: Aqui, Ali, Lá, Além, Longe, Atrás, Fora, Abaixo, Acima, e outros conhecidos seus.

Na segunda caixinha viu os Advérbios de TEMPO — Hoje, Agora, Cedo, Amanhã, Ontem, Tarde, Nunca, Depois, Ainda, Entrementes.

— Oh — exclamou Emília, agarrando o Entrementes pelo cangote. — Não sabia que era aqui que morava este freguês. Conheço um moço que tem tanta birra deste coitado que risca todos que encontra nas páginas dos livros. Mas não é tão feio assim, o pobre. Que acha, Serência?

O Verbo Ser moveu os ombros, como quem não acha nem desacha coisa nenhuma, e Emília jogou o pobre Entrementes para debaixo da mesa.

Na terceira caixinha estavam os Advérbios de MODO — Bem, Mal, Assim, Apenas, Rente, Ainda, Também e outros.

Na quarta estavam os Advérbios de INTENSIDADE — Muito, Pouco, Bastante, Mais, Menos, Tão, Tanto, Quanto, Que, Quase, Metade, Todo e outros.

Na quinta caixinha Emília viu os Advérbios de AFIRMAÇÃO— Sim, Deveras, Certamente.

Na sexta viu os Advérbios de DÚVIDA — Talvez, Caso, Acaso, Porventura, Quiçá.

Na sétima viu os Advérbios de NEGAÇÃO — Não, Nunca, Jamais, Nada.

Na oitava viu os Advérbios INTERROGATIVOS — Onde? Aonde? Donde? Quanto? Quando? Como? Por quê?

Emília notou que em quase todas as caixinhas havia Advérbios terminados em Mente, e depois viu que a um canto estava uma grande caixa cheia dessas palavrinhas.

— Que mentirada é esta aqui — perguntou. — Que tanto Mente, Mente? . . .

— Isto é um caso curioso — explicou Ser. — Esta palavra Mente é um velho Substantivo, com o significado de maneira ou intenção que os homens começaram a empregar no fabrico de Advérbios. Hoje não é mais substantivo e sim rabo de Advérbio, ou Terminação Adverbial, como dizem os gramáticos. Grudando-se um rabinho destes a um Adjetivo, sai um Advérbio. Constante, por exemplo, é Adjetivo; põe o rabinho e vira o Advérbio Constantemente.

— Que engraçado! — exclamou Emília, arregalando os olhos. — De maneira que, se cortarmos o rabinho de Constantemente, aparece o Adjetivo outra vez, não é?

— Está claro.

Para tirar a prova Emília agarrou o Constantemente e arrancou-lhe a caudinha — e, de fato, o Adjetivo Constante saiu a pular de satisfação, indo numa corrida para a casa dos Adjetivos, enquanto a caudinha saltava para dentro do caixão de Mente.

— Os Adjetivos — disse Ser — gostam às vezes de figurar de Advérbio, mesmo sem uso do rabinho. Você, por exemplo, pode dizer: Eu grito alto, em vez de dizer: Eu grito altamente. O Adjetivo Alto faz aí o papel de Advérbio.

Emília viu ainda outra caixa de Advérbios de ares estrangeirados.

— E estes gringos? — perguntou.

— São Advérbios latinos que ainda têm uso no Brasil. Moram nessa caixa o Máxime, o Infra, o Supra, o Grátis, o Bis, o Primo, o Segundo e outros. E aqui, nesta última caixa, moram uns adverbiozinhos que não são Inflexivos como os demais, porque mudam de forma quando querem exagerar. Isto significa que eles têm Grau, como os Adjetivos. Este Perto, por exemplo, sabe virar-se em Pertinho e Pertíssimo.

— Chega de Advérbios — berrou Emília. — Vamos ver as Senhoras Preposições.
______________________
Continua … Capítulo XI: As Preposições
____________________________
Fonte:
LOBATO, Monteiro. Emília no País da Gramática. SP: Círculo do Livro. Digitalizado por http://groups.google.com/group/digitalsource

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Silveira Neto (Antologia Poética)

ANTÍFONA

Noite de inverno e o céu ardente de astros,
Com a alma transfigurada na Tortura,
Olhava estrelas, eu, crendo-as, em nastros,
Almas cristalizadas pela Altura.

Frio da noite é o pólo em que o uivo escuto
Do urso branco do Tédio, em brumas densas;
É bar glaciário que nos vem do luto
Da avalanche de todas as descrenças.

A noite é como um coração enfermo;
Rito de almas de maldições cobertas.
Alma que perde a fé muda-se em ermo,
Ermo de tumbas pela vida abertas.

Esse “réquiem” da Cor pelo ar disperso
Como que encerra, num delírio infindo,
Todo o soluço extremo do Universo,
Num concerto de lágrimas subindo.
É cenário do Fim que atroz se eleva
Desde que ao Nada o coração se acoite;
Pois, como o dia cede o espaço à treva,
Fecha-se a Vida nos portais da noite.

Se vem a noite num luar acesa,
Lembra uma cruz coberta de boninas;
A luz da lua é triste, — que a tristeza
É o sagrado perfume das ruínas.

É uma prece o luar, prece perdida
Por noite afora, em lívida cadência,
Como cada sorriso em nossa vida
Planta a cruz da saudade na existência.

Era de estrelas um enorme alvearco
A cúpula celeste escura e goiva;
E a Via-Láctea se estendia em arco,
Branca e rendada como um véu de noiva.

Depois gelada abrira-se, e na extrema
Nevrose eu vi formarem-se, de tantos
Astros, as duas páginas de um poema
Em que eram cor de lágrimas os cantos.

Cantavam as estrelas. Coros almos
O espaço enchiam de um rumor contrito
E histérico, a fundir astros em salmos,
Parecia rezar todo o Infinito.

No êxtase que os páramos outorgam
Aos visionários, eu surpreso via
Que, céus afora, como a voz de um órgão,
A salmodia d’astros prosseguia.

Erma de risos e de majestades.
Porque as estrelas são os magnos portos
Onde ancorou com todas as saudades
A dor de tantos séculos já mortos.

Desde Valmiki e Homero — esses profetas —
As intangíveis amplidões cerúleas
Ouvem, sangrando, a queixa dos Poetas,
Como um cibório de canções e dúlias.

Ermas de tudo que não fosse a mágoa,
As estrelas formavam o Saltério
Num brilho aflito de olhos rasos de água …
E pelo espanto entrei nesse mistério:

Eis que um Visionário do Supremo Ideal,
ansioso de Azul e de infinito,
(Da ânsia de Azul que teve o Anjo Maldito
Após o castigo extremo)

E fatigado do torvo mundo espalto,
Onde a alma se nos vai muito de rastros,
Pôs-se a evocar a Paz Eterna do Alto;
Falou-lhe então a música dos astros:

LITANIAS

O mesmo céu-que nós olhamos, olho:
Mundos gelados de saudade; admire-os
A alma que tenha, abrolho por abrolho,
Toda a loucura e todos os martírios.

Jorro de pranto com que os versos molho,
A Via-Láctea é um desfilar de círios.
Quanta tristeza para os céus desfolho
Na doida orquestração dos meus delírios! …

E vou seguindo a ver, pela amargura,
Que as estrelas são lágrimas da Altura,
Ardendo como os círios dum altar.

Nada mais resta: e a vida, fatigada,
De no meu corpo ser tão desgraçada,
Foge-me toda para o teu olhar.

A LUA NOVA

A Nestor Victor

No silêncio da cor, — treva silente —
Abriu-se a noite mádida e sombria,
Logo que o Sol, rezando: Ave, Maria …
Fechou no Ocaso as portas de oiro ardente.

A terra, a mata, o rio, a penedia.
Tudo se fora pela treva e, rente
Ao céu, ficou a lua nova algente,
Como um sonho esquecido pelo dia.

Ela assim foi: morreu; desde esse instante
Pálido e frio, como a lua nova,
Ficou-me entre as saudades seu semblante.

Mas, ouve: quanto mais doida cresce
A noite que me vem da sua cova, :
Mais branca e inda mais fria ela aparece.

CANÇÃO DAS LARANJEIRAS

Laranjas maduras, seios pendentes
pela ramada, apojados de luz,

Que é das orinhas-nevadas e débeis,
caçoulas de incenso que o aroma produz?

Se elas recendem o ar todo se infla
num esto de gozo, nas frondes do vai,

Como se andasse o Cântico dos cânticos
abrindo-se em beijos no laranjal.

São elas o sonho da árvore em festa
pensando no fruto, que é todo sabor;

Assim a grinalda que enfiaram, das noivas,
é a aurora do dia mais claro do amor.

Infância, candura da estréia longínqua,
luz tênue que flui das auras do céu.

Depois do primeiro amor, o remígio
do sonho mais puro a que a alma ascendeu.

De sonho, bebido em taças que lembram
aquela de lavas, que um dia o vulcão

moldara em Pompéia, num seio de virgem,
talvez em memória de algum coração.

Fonte:
NETO, Silveira. Luar de hinverno e outros poemas (1901), in SIMBOLISMO / seleção e prefácio Lauro Junkes. São Paulo: Global, 2006. (Coleção roteiro da poesia brasileira)

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Silveira Neto (1872-1942)

Manuel Azevedo da Silveira Neto nasceu em Morretes, Paraná, em 4 de novembro de 1872 e, após 1879, morou em Curitiba.

Iniciou e interrompeu o curso de humanidades, para estudar gravura e desenho. Cursou a Escola de Belas-Artes de Curitiba, sem realizar o sonho de chegar à Academia de Belas-Artes, do Rio.

Ingressou, por concurso, na Fazenda Federal, em 1891, iniciando carreira de dignidade e zelo.

Casou-­se em 1893 e viveu passagens dolorosas com a morte de cinco filhos.

Integrou o grupo Cenáculo. Em 1901 publicou Luar de hinverno. Falecido E. Perneta, foi proclamado “príncipe dos poetas paranaenses”.

Transfere-se, em 1896, para a capital federal e passa a frequentar os mesmo lugares que o poeta Nestor Vítor, conhecendo-o e também o poeta Cruz e Sousa. É a partir destas amizades e deste período que escreve e publica suas poesias com a forte influência no simbolismo.

Silveira Neto escreveu Pela Consciência (opúsculo, 1898) e Antonio Nobre (elegia, 1900). Com a publicação de Luar de Hinverno (1900), passa a desfrutar de prestígio na arte literária. Brasílio Itiberê (elegia com música de 1913), Do Guairá aos Saltos do Iguaçu (1914), Ronda Crepuscular (1923), Cruz e Sousa (ensaio de 1924), O Bandeirante (1927), entre outros.

No sábado, dia 19 de dezembro de 1942, Manuel Azevedo da Silveira Neto faleceu aos 70 anos e 01 mês de idade.

Ao poeta simbolista foram dadas inúmeras homenagens Brasil afora, porém, na capital paranaense, cidade que o poeta morou e estudou, faz-se a veneração e respeito ao denominar uma das vias do bairro Água Verde como Rua Silveira Neto.

Para Tasso da Silveira (1967, p. 27/33), o poeta foi “uma espécie de exegeta das ruínas, da morte, do silêncio, como foi em toda a sua vida o homem domi­nado pela dor de viver.” E sintetiza: ”A feição primavera! deu-nos Emiliano Perneta, com a sua poesia coruscante de sol e ébria do sentimento pagão da vida. O desérti­co recolhimento do inverno foi que sobretudo se con­densou no canto de Silveira Neto, embora também nele a primavera por vezes irrompa triunfante”.

Fontes:
Enciclopédia Ilustrada Para o Ensino Fundamental (secundário). Curitiba: Editora Educacional Brasileira S.A., 1977. v.I
MASSAUD, Moises. História da Literatura Brasileira – vol. II – Realismo e Simbolismo. São Paulo: Cultrix, 2001.

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.52)

Trova do Dia

Usar pente todo dia
é mania do Rabelo.
Seria normal? Seria…
Se ele tivesse cabelo!
JOSÉ OUVERNEY/SP

Trova Potiguar

Em um pijama listrado
com as cores da zebrinha
da sorte, foste enjaulado.
Pra teu azar. Sorte minha!
ROSA REGIS/RN

Uma Trova Premiada

2006 > Pitangui/MG
Tema > REZA > M/H.

Quando ela vem eu me enfezo!
Minha sogra não me esquece!
Acho que quanto mais rezo
mais “coisa ruim” me aparece…
HÉRON PATRÍCIO/MG

Uma Trova de Ademar

Teve um chilique o Oscar
ao ver seu filho, um nissei,
ser o primeiro lugar
numa passeata gay.
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Certas frígidas “titias”,
sob os babados e toucas,
têm o fogo e as calorias
que um fogão de doze bocas.
WALDIR NEVES/RJ

Estrofe do Dia

– Viajei num trem de feira
com minha noiva Raimunda,
Quando eu ia de segunda
ela vinha de primeira,
Eu pulava pra terceira,
pra segunda ela corria,
Quando eu pra primeira ia,
pra segunda ela pulava.
Quando eu ia ela voltava,
quando eu voltava ela ia.
JOSÉ MELQUÍADES/PB

Soneto do Dia

– Itamar Siqueira/PE –
VISITA À CASA DA SOGRA.

Como urubu que regressasse ao ninho,
A ver se ainda um bom caminho logra,
Eu quis também rever a minha sogra,
O meu primeiro e virginal carinho.

Entrei. Pé ante pé, devagarzinho,
O fantasma, talvez, daquela cobra…
Tomou-me as mãos, olhou-me bem, de sobra…
E levou-me para dentro, de mansinho.

Era este quarto, oh! se me lembro, e quanto…
Em que, à luz da lua que brilhava,
O pau roncava forte, tanto e tanto,

No costado da gente, sem piedade,
Um cacete bem grosso lá no canto…
Minhas costas choraram de saudade…

Fonte:
Ademar Macedo

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Monteiro Lobato (Emília no País da Gramática) Capítulo IX: Emília na Casa do Verbo Ser

Emília teve uma grande idéia: visitar o Verbo Ser, que era o mais velho e graduado de todos os Verbos. Para isso imaginou um estratagema: apresentar-se no palácio em que ele vivia, na qualidade de repórter dum jornal imaginário. — O Grito do Pica-Pau Amarelo.

— Meu caro senhor — disse ela ao porteiro do palácio —, eu sou redatora do Grito do Pica-Pau Amarelo, o mais importante jornal do sítio de Dona Benta, e vim cá especialmente para obter uma entrevista do grande e ilustre Verbo Ser. Será possível?

O porteiro mostrou-se atrapalhado, porque era a primeira vez que aparecia por ali uma repórter daquela marca. A cidade da língua costumava ser visitada apenas por uns velhos carrancas, chamados filólogos, ou então por gramáticos e dicionaristas, gente que ganha a vida mexericando com as palavras, levantando o inventário delas, etc. Mas uma jornalista, e jornalista daquele tamanho, isso era novidade absoluta.

— Vou ver se ele recebe a senhorita — respondeu o guarda.

-— Pois vá, e interesse-se pelo meu caso, que não perderá o tempo — disse Emília. — Mando-lhe lá do sítio uns bolinhos de Tia Nastácia, que são excelentes.

O venerando Verbo Ser ouviu o guarda e estranhou o pedido de entrevista; mas como tivesse muito medo da imprensa, não pôde recusar-se a receber aquela repórter.

Emília foi levada à presença dele e entrou muito tesa, com um bloquinho de papel debaixo do braço e um lápis sem ponta atrás da orelha. O venerando ancião estava sentado num trono, tendo em redor de si os seus sessenta e oito filhos — ou Pessoas dos seus Modos e Tempos. Parecia um velho de mil anos, com aquela cabeleira branca de Papai Noel.

— Salve, Serência! — exclamou Emília, curvando-se diante dele, com os braços espichados, à moda do Oriente. — O que me traz à vossa augusta presença é o desejo de bem servir aos milhares de leitores do Grito do Pica-Pau Amarelo, o jornal de maior tiragem do sítio de Dona Benta. Os coitados estão ansiosos por conhecer as idéias de Vossa Serência sobre mil coisas.

— Suba, menina! — respondeu o Verbo Ser com voz trêmula.

Emília subiu os degraus do trono, abrindo caminho a cotoveladas por entre a soldadesca atônita, e foi postar-se bem defronte do venerável ancião.

— Fale, Serência, enquanto eu tomo notas — disse ela, e começou a fazer ponta no lápis com os dentes.

O Verbo Ser tossiu o pigarro dos séculos e começou:

— Eu sou o Verbo dos Verbos, porque sou o que faz tudo quanto existe ser. Se você existe, bonequinha, é por minha causa. Se eu não existisse, como poderia você existir ou ser?

— Está claro — disse Emília escrevendo uns garranchos. — Vá falando.

Ser tossiu outro pigarro e continuou:

— Muitos gramáticos me chamam VERBO SUBSTANTIVO, como quem diz que eu sou a substância de todos os demais Verbos. E isso é verdade. Sou a Substância! Sou o Pai dos Verbos! Sou o Pai de Tudo! Sou o Pai do Mundo! Como poderia o mundo existir, ou ser, se não fosse eu? Responda!

— Não tem resposta, Serência. É isso mesmo — disse Emília, escrevendo. — Os leitores do Grito vão ficar tontos com a minha reportagem. O diabo é este lápis sem ponta. Não haverá por aí algum canivete ou faca que não seja de mesa, Serência?

Não havia canivete, nem faca, nem nenhum instrumento cortante naquela cidade de palavras, de modo que Emília só podia contar com os seus dentes. Mas tanto roeu o lápis, sem conseguir boa ponta, que ele foi diminuindo, diminuindo, até virar um toquinho inútil. Acabou-se o lápis — e foi essa a verdadeira causa de o Grito do Pica-Pau Amarelo (jornal que aliás nunca existiu) não haver publicado a mais sensacional reportagem que ainda foi feita no mundo.

O Verbo Ser falou muita coisa de si, contando toda a sua vida desde o começo dos começos. Disse que já havia morado na cidade das palavras latinas, hoje morta.

— Naquele tempo eu me chamava Esse. Depois que a cidade latina começou a decair, mudei-me para as cidades novas que se foram formando por perto, e em cada uma assumi forma especial. Aqui nesta tomei esta forma que você está vendo e que se escreve apenas com três letras. Na cidade de Galópolis virei Ètre. Em Italópolis virei Essere. Em Castelópolis sou como aqui mesmo.

— Então foi em Roma que Vossa Serência nasceu?

— Não, menina. Sou muito mais velho que Roma. Antes de mudar-me para lá eu já existia na cidade das palavras sânscritas; e antes de ir para a cidade das palavras sânscritas, eu já vinha não sei de onde. Perdi a memória do lugar e do tempo em que nasci, embora esteja convencido de que nasci junto com o mundo.

— Pois olhe — disse Emília —, está bem rijinho para a idade. . . Dona Benta, com sessenta e oito anos apenas, não chega aos pés de Vossa Serência.

— Nós, palavras, vivemos muito mais do que as criaturas humanas.

— Mas também morrem — observou Emília, apontando para o cemitério que se avistava através da janela.

— Sim. Morrem certas palavras que não são de boa raça. Um Verbo como eu não morre nunca. Muda de aspecto apenas, e emigra duma cidade para outra. Eu nunca hei de morrer.

— Assim seja, Serência! — disse Emília. — Porque se Vossa Serência cai na asneira de morrer, como iremos nós nos arranjar lá tiú mundo? Ninguém mais poderá ser coisa nenhuma. . .

Pela janela aberta via-se um trecho de rua, onde o Visconde estava a passear de braço dado a uma palavra esquisita.

— Quem é aquele figurão? — perguntou Ser, franzindo os sobrolhos.

— Pois é o nosso grande Visconde de Sabugosa, um verdadeiro sábio da Grécia. Gosta muito de Arcaísmos e outras velharias. Juro que a palavra que está com ele é coroca.

— Não é, não. Já foi coroca; hoje está remoçada. Aquela palavra é a tal Paredro, que em Roma conheci sob a forma latina Paredrus. Emigrou para cá comigo, mais ninguém quis saber dela. Os homens não a chamavam nunca para coisa alguma, e por fim a coitada teve de desocupar o beco e ir viver no bairro dos Arcaísmos. Pois sabe o que aconteceu? Um belo dia um deputado brasileiro, que era o grande romancista Coelho Neto, teve a idéia de requisitá-la para a meter num discurso. Já lhe mandamos a palavra requisitada, ainda cheia de pó e teias de aranha como se achava. Paredro entrou no discurso do deputado, fez sucesso e voltou rejuvenescida. Desde então passou a receber freqüentes chamados e acabou vindo morar de novo aqui no centro, em companhia das palavras vivas. Casos como esse, porém, são raríssimos. Em geral, quando uma palavra morre, morre duma vez.

A conversa de Emília com o Verbo Ser durou bastante tempo. Um velho velhíssimo como aquele tem muito que contar. Por fim acabaram amigos, e Emília pediu-lhe que a acompanhasse numa visitinha aos Advérbios, espécie de palavras que ela ainda não conhecia.

— Pois não. Com muito prazer — disse o venerável velho, e tomando-lhe a mãozinha saiu com ela do palácio.
______________________
Continua … Capítulo X: A Tribo dos Advérbios
____________________________
Fonte:
LOBATO, Monteiro. Emília no País da Gramática. SP: Círculo do Livro. Digitalizado por http://groups.google.com/group/digitalsource

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Marita França (Roseira Branca…!)

Roseira Branca, Roseira Branca,
Tão antiga no jardim
Do meu solar.

Quando olho para você,
Entrelaçada
No gradil de ferro do terraço,
Cheia de cachos de rosas,
Ponho-me a sonhar…

Há meio século quase,
As mãos santas e puras
Do vovô João Taborda
E de vovó Cota,
Com carinho e amor,
Plantaram a Roseira Branca –
Espuma do Mar…
A rosa remédio,
Para curar, enfeitar
E dar alegria ao seu lar.

Passou-se o tempo e mais tempo…
Você ali está.
Conte-me o que viu e ouviu,
Na poética mansão
De meus avós,
Roseira Branca – Espuma do Mar!

Fale-me baixinho…
Lembra das serenatas,
Nas lindas noites de luar?
Das canções maravilhosas,
Dos cantores, dos violinos,
Violões e bandolins?…

Peço-lhe: Não enfraqueça,
Roseira Branca.
Você tem tanto para contar
E muito, ainda, para dar.
Roseira Branca, Roseira Branca
Venha comigo sonhar!…

Fonte:
Colaboração de Carlos Leite Ribeiro

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Silviah Carvalho (Adeus!)

Agora que a noite já se foi e o dia certamente não chegará
Depois de haver depositado tanto sacrificio no altar da liberdade
vejo que, o amor só descansa morto, vivo é um ‘ser” em conflito
venho me despedir de tudo isso aqui, entregar meu espírito

Aurora, amiga que, precede o sol, não permita que eu o veja
a luz traz a tona aquilo que divide meu querer, deixa-me aqui
que, o vento espalhe meu sentimento. E minhas lágrimas
sejam misturadas ao orvalho e assim aniquile este sofrimento

Cada ramo molhado que tocar seus pés lembrara-se de mim
verás eles molhados de minhas lágrimas, enquanto prostrada
lutava e, dava minha vida por ti, não tenho braços que
me acolham ao pé desta montanha, ficarei aqui…

Até que seja dissipada esta luz que insiste em me manter viva
chamando-me de volta, dizendo que vale a pena sair do esconderijo
que este vento leve esta ilusão e, me ofereça um eterno abrigo

Minha voz calou-se, sou uma ave caída num canto qualquer
venho hoje, outra vez, absorver nestes últimos instantes
o cheiro do vento… Perdi a motivação e agora a fé

Não pergunte por mim, não me procures, deixe-me seguir,
Não sei para onde vou, não tenho você, nada mais importa
Quando leres saiba, esta é da sua despedida a minha resposta
Adeus!

Fonte:
http://umcoracaoqueama.blogspot.com/

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II Prêmio Araucária de Literatura – Medalha Sophia Leite Cruz

Categorias:
Poesia e Conto

REGULAMENTO

Apresentação:

Objetivando estimular a produção literária, auxiliar a divulgação do trabalho de poetas e escritores e promover a Cidade de Campos do Jordão no cenário literário brasileiro, o Centro de Ação Literária de Campos do Jordão torna pública a realização do II PRÊMIO ARAUCÁRIA DE LITERATURA, nas categorias Poesia e Conto, cujo Regulamento apresentamos a seguir:

Período de Inscrições:

de 23 de novembro de 2010 a 28 de fevereiro de 2011 (valendo a data da postagem);

Forma de participação:

Os autores poderão participar de ambas as categorias, com no máximo 03 (três) textos por categoria. O tema é livre e não há limites de páginas, versos, linhas ou toques. Devem, no entanto, estar digitados ou datilografados.

Taxa de Inscrição:

R$ 5,00 (cinco reais), por texto inscrito (poesia ou conto), valor este que se destina a cobrir despesas gerais do Concurso (divulgação, despesas de correio, aquisição de prêmios, publicação dos textos dos primeiros colocados de cada categoria, etc).

Como participar:

Os textos, de temática livre, devem ser enviados em 02 (duas) vias cada um, devendo constar em cada uma delas o título do texto e o pseudônimo do autor, além de cópia do comprovante de depósito. Anexo, deve ser enviado um outro envelope menor, lacrado, devendo constar na parte externa apenas o pseudônimo, títulos das obras e a categoria concorrente. Na parte interna deste segundo envelope, as seguintes informações: Pseudônimo, título das obras inscritas, nome do Autor, endereço com CEP, telefone e e-mail, se tiver.

Importante:

o pseudônimo pode ser o mesmo para ambas as categorias. Observação: inscrições incompletas, isto é, que não apresentem os dados solicitados, serão impugnadas e resultarão na imediata desclassificação do candidato, sem prévio aviso.

Forma de inscrição:

somente via postal (Correios), devendo o material ser enviado (valendo a data do carimbo até 28/02/2011) para o seguinte endereço:
Centro de Ação Literária de Campos do Jordão
Rua Oscar da Matta, 685 – Jd. Floriano Pinheiro
CEP 12460-000, Campos do Jordão, SP.

Não serão aceitas inscrições que não forem feitas através dos Correios. Os participantes da I edição do Prêmio devem estar atentos, pois nesta segunda edição houve mudança de endereço e dados bancários.

Premiação:

os primeiros colocados de cada categoria receberão troféu e certificado, além de figurarem na Antologia Literária Cidade 2011, editada pelo Escritor e Professor Universitário Abilio Pacheco (http://www.abiliopacheco.com.br/ ), atraves da Editora Literacidade; o segundo e terceiro colocados receberão, cada um, medalha e certificado. Serão escolhidos outros sete textos que receberão certificados de Menção Honrosa.

Medalha Sophia Leite Cruz:

Como foi feito na edição 2009, quando foi homenageado o poeta Miguel Russowski, nesta edição os participantes de fora do Brasil concorrerão à Medalha Sophia Leite Cruz, uma homenagem à brilhante escritora, poetisa, trovadora e professora santista, já falecida.

Comissão Julgadora:

A banca será formada por 02 (dois) profissionais de literatura, docentes ou escritores, que entregarão individualmente as avaliações à Comissão Julgadora. A decisão dos jurados é soberana e, sua decisão, inquestionável.

Divulgação do Resultado:

Os três vencedores e os sete classificados como Menção Honrosa serão comunicados previamente do resultado, que será tornado de conhecimento público através de envio de release para a Imprensa (jornais e sites de literatura). A relação dos vencedores estará disponibilizada no blog que será criado: http://iipremioaraucaria.blogspot.com/ . Não haverá cerimônia de premiação, e as despesas de envio dos prêmios será de responsabilidade da organização do Concurso.

Dados bancários para depósito da taxa de inscrição:
Banco Santander, agência 087-6, conta corrente 3705787-1,
favorecido Simone Andréia dos Santos Silva.

Observações:

Após o Concurso, os textos não serão devolvidos. Atenção: O Centro de Ação Literária de Campos do Jordão não é uma empresa, e sim uma entidade sem fins lucrativos formada por pessoas que, antes de mais nada, amam a literatura.

Premiados em 2009:

Poesia:
Lúcia Cardoso (Recife), Maria Apparecida Coquemala (Itararé, SP) e Ney Eichler Cardoso (Niterói, RJ);

Conto:
Tatiana Alves Soares Caldas (Rio de Janeiro), Laura Cohen Rabelo (Belo Horizonte) e Daniele Barizon (Rio de Janeiro).

Medalha Miguel Russowski:
Maria Cristina Drese (Buenos Aires, Argentina).

Maiores informações: premioaraucariadeliteratura@bol.com.br
Campos do Jordão, 23 de novembro de 2010
Benilson Toniolo
Centro de Ação Literária de Campos do Jordão
(12) 3662-3763 / 9117-6739

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Carolina Ramos (O Tombo)

Se melancia tivesse pernas, certamente seriam as de João Sereno – curtas, gordinhas, atarrancadas – um parênteses, aberto na esquerda e fechado na direita. Pernas bastante fortes para sustentar um corpo rotundo.

Quando apontava na esquina, todo o mundo sabia: – Lá bem João Sereno. Inconfundível!

E o dia em que João Sereno caiu, foi memorável! Um tombinho à-toa como outro qualquer. Desses de cair e levantar num segundo. Mas, não foi isso o que aconteceu. A queda de João Sereno foi algo de sensacional, para não ser esquecido por ninguém, que viu ou ouviu contar!

Naquela tarde histórica, vinha ele da fábrica. Passo lento, cansado, pura imagem da exaustão.

Desde que apontara no alto da rua, cumprimentava, um a um, os amigos da vizinhança com a cordialidade costumeira e o sorriso que, mesmo debaixo de chuva, prenunciava sol.

João Sereno não esperava pela escorregadela. E quem a espera? Não fosse assim, os tombos, as topadas, as imprecações e os dedões esfolados deixariam de existir.

Aquela casca de manga, esquecida traiçoeiramente no meio da calçada, foi o bastante para que a melancia humana voasse, pernas acima da cabeça, estatelando-se, em seguida, espetacularmente no solo. Tudo terminaria nessa desastrosa aterrisagem, se o declive acentuado, não desse continuidade à tragédia. A própria rotundidade do acidentado favoreceu-a. João Sereno rolou, como rolaria a melancia, que largada ao topo da ladeira! Por mais que as pernas curtas e os braços mais curtos ainda, tentassem simular tentáculos para agarrar-se a alguma coisa, só conseguiram impulsionar, com maior ímpeto, o bólido humano. Mais abaixo, foi chocar-se contra a lata de lixo reciclável, à espera da coleta, e que rolou com ele, a esparramar, na trajetória, tudo o quanto engolira.

João Sereno deixou, temporariamente, de ser sereno. Sacudindo as roupas e compondo a dignidade, não pode deixar de considerar, maldita, a casca da manga e a não menos abominável displicência do dono dela. Mestres no ensino de vôo e no resguardo dos segredos para uma boa aterrisagem.

Ganhou algumas escoriações inevitáveis. Não graves. E ganhou, também, nova alcunha.

Os velhos amigos continuaram a chamá-lo, com simpatia, de João Sereno. Os mais novos, maliciosos e irreverentes, não deixaram por menos: – mal vislumbrada, ao longe, a figura redonda, já risos abafados e cochichos maldosos, alertavam:

– Sai da frente… lá vem o João Boliche!

Pilhéria ou precaução? – A questão é que o caminho ficava, num instante, completamente livre!.

Fonte:
RAMOS, Carolina. Interlúdio: contos. São Paulo: Editor: Cláudio de Cápua. Abril/93.

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Cidade da Lapa será a Capital Brasileira da Cultura 2011

O anuncio oficial da escolha da Lapa como Capital Brasileira da Cultura 2011 foi feito na manhã de 20 de novembro pelo Bureau Internacional de Capitais Culturais em Barcelona (Espanha) e pela ONG CBC – Capital Brasileira da Cultura (http://www.capitalbrasileiradacultura.org/), entidade responsável pela promoção e gestão deste título aqui no Brasil.

O Bureau Internacional de Capitais Culturais (http://www.ibocc.org/) é um organismo internacional com sede em Barcelona (Espanha) que criou e mantêm os projetos da Capital Brasileira da Cultura, da Capital Americana da Cultura, da Capital da Cultura Catalã, da Capital da Cultura Espanhola e da US Capital of Culture nos Estados Unidos, além de apoiar e incentivar projetos semelhantes em outras partes do globo.

Aqui no Brasil a gestão desta certificação é mantida e supervisionada pela CBC – Capital Brasileira da Cultura, entidade sediada em São Paulo, contando com o apoio dos Ministérios da Cultura e do Turismo e com a participação e parceria de varias entidades.

Com a escolha da Lapa no Paraná está será a sexta cidade brasileira a conquistar o posto de Capital Brasileira da Cultura, título que já foi concedido em 2006 para a cidade de Olinda (PE), em 2007 para São João Del Rey (MG), em 2008 para Caxias do Sul (RS), em 2009 para São Luis (MA) e que tem Ribeirão Preto no interior de São Paulo como atual detentora do diploma de Capital Brasileira da Cultura de 2010.

A solenidade oficial de diplomação da Lapa deverá ocorrer no início do próximo ano em data ainda a ser definida, quando representantes do município receberão das mãos de representantes da atual Capital, a cidade de Ribeirão Preto, a outorga oficial.

A escolha da cidade da Lapa se deu em reconhecimento ao seu rico patrimônio histórico e cultural, um dos mais importantes e conservados da região sul do Brasil.

Com aproximadamente 42 mil habitantes e situada a 62 km de Curitiba, a cidade possui em seu Centro Histórico 235 edifícios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), onde se destacam o conjunto arquitetônico da antiga Rua do Cotovelo, o Theatro São João, um dos mais antigos do Brasil, o Museu de Armas, a Casa Lacerda, a Casa Vermelha e o Museu Histórico, entre outros pontos de atração e interesse. Além do teatro e de um conjunto de Museus, a Lapa possui também um Cinema sendo uma das poucas cidades do interior a ter este tipo de equipamento cultural, mantendo uma vocação para o setor audiovisual, pois regularmente muitos filmes e produções de época são rodadas e encenadas na cidade Lapa, que é o cenário perfeito para estas reconstituições históricas.

Por isso, eventos como o Festival de Cinema, que reúne milhares de pessoas nas ruas da cidade em exibições feitas ao ar livre e gratuitamente para toda a população, também contribuiram para que a Lapa conquistasse este merecido título.

No patrimônio cultural imaterial destacam-se as Congadas, a Noite Lapeana e as diversas festas religiosas e populares, além da gastronomia influenciada pelo movimento tropeirista e a famosa receita da farofa de frango.

Por ocasião da comemoração do centenário da proclamação da República em 1989, a cidade da Lapa já recebeu o título de “Capital Cívica do Brasil” em razão de ter sido cenário de importante episódio histórico durante a Revolução Federalista, em 1894.

Uma legião de 639 homens formada por forças regulares e de patriotas lapeanos, chefiada pelo Coronel Antônio Ernesto Gomes Carneiro, enfrentou bravamente e caiu diante das forças revolucionárias riograndenses formadas por cerca de 3.000 combatentes e comandadas por Gumercindo Saraiva, no famoso episódio conhecido como “Cerco da Lapa”, que durou 26 dias. A resistência desta pequena cidade e de seus heróis proporcionou ao governo de Floriano Peixoto, o tempo suficiente para reagrupar as forças necessárias para deter o exército federalista, mantendo assim a república no Brasil num momento crucial e decisivo para determinar os rumos da história.

Após a definição da cidade como futura Capital Brasileira da Cultura um comitê gestor já começa a ser formado na cidade, com representantes do poder público local e membros da sociedade civil.

Este comitê deverá organizar as primeiras ações como a escolha de um símbolo oficial que será adotada pela cidade da Lapa durante o ano de 2011, bem como outras providencias que já começam a ser estudadas como a construção de um portal permanente ou de um marco que lembre a todos em 2011 e no futuro que a Lapa foi a Capital Brasileira da Cultura. O comitê deverá se reunir já nos próximos dias e deverá receber um caderno de encargos da CBC com as diretrizes e exigências para a certificação.

Até hoje mais de 40 cidades já concorreram ao título de Capital Brasileira da Cultura. Este é um momento impar para o município e que a escolha da Lapa é um reconhecimento da importância que a Lapa tem no cenário cultural.

Fontes:
ONG CBC
Secretária de Cultura e Turismo da Lapa

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I Prêmio de Contos Fantásticos, Terror e Medo da Editora Litteris

Tema:

Neste prêmio os escritores poderão escrever em tema livre nos gêneros fantástico, terror, horror, medo, suspense e insólito.

Definições:

Conto Fantástico – relato que se baseia no irreal, mas causa um efeito de realidade. As personagens não distinguem o que é real do que é irreal, o impossível do possível, o ambiente narrativo é ilógico e segue normas irracionais.

Conto de Terror – também conhecido como conto de horror ou de medo ou de suspense. É uma composição literária breve, geralmente de corte fantástico, cujo principal objetivo é provocar o medo, a inquietude ou o desasossego no leitor.

Conto Insólito – conto cujo enredo narra um acontecimento que não acontece habitualmente, sendo incomum, contrário às regras, extraordinário e incrível.

Quantidade de Obras:

Cada participante poderá concorrer com até 2 (duas) obras, com até 60 linhas cada uma. As obras deverão ser enviadas em língua portuguesa.

Inscrições:

As inscrições estarão abertas até o dia 30 de DEZEMBRO de 2010 (vale como comprovante de envio o carimbo postal ou e-mail).

Envio das Obras:

As obras deverão ser enviadas digitadas em papel ofício em espaço 2, por uma das quatro formas:

– pelo formulário eletrônico: http://www.litteris.com.br/formulario_concurso.htm

– pelo e-mail concursos@litteris.com.br (caso você não consiga enviar pelo formulário)

– para a sede da Editora, na Av. Presidente Vargas, 962/1411 – Centro – 20071-002- Rio de Janeiro – RJ (válido carimbo postal)

– para a Caixa Postal 150 – 20001-970 – Rio de Janeiro – RJ (válido carimbo postal). Ao enviar suas obras por correio, envie junto o seu nome completo, pseudônimo, endereço de correspondência e telefone de contato.

Premiações:

1º Lugar – A edição da obra premiada no livro Contos Fantásticos, Terror e Medo, 20 exemplares do livro, um exemplar do livro “Terrores Noturnos”, troféu e certificado;

2º Lugar – A edição da obra premiada no livro Contos Fantásticos, Terror e Medo, 15 exemplares do livro, um exemplar do livro “Terrores Noturnos”, medalha e certificado; e

3º Lugar – A edição da obra premiada no livro Contos Fantásticos, Terror e Medo, 10 exemplares do livro, um exemplar do livro “Terrores Noturnos”, medalha e certificado.

Edição de Participação – Os autores classificados com Edição de Participação, poderão optar pela aquisição de exemplares através do sistema de cooperativismo, tendo suas obras editadas no livro Contos Fantásticos, Terror e Medo, além de um certificado.

Compromisso:

Os vencedores, desde já, declaram ser de sua autoria as obras concorrentes e classificadas, não constituindo plágio de nenhuma espécie, podendo responder juridicamente por este ato se tal concordância for falsa.

Resultado:

Todos os participantes serão comunicados através de cartas até o dia 30 de JANEIRO de 2011, acerca da classificação ou reprovação no concurso. O júri escolhido pela Editora para fazer a seleção das obras é soberano em seu resultado final.

Outras informações:

A Editora não se responsabiliza por obras extraviadas ou perdidas quando do seu envio. As obras que não estiverem de acordo com o regulamento serão desclassificadas. Os participantes inscritos concordam com todas as cláusulas deste regulamento.

Fonte:
GRUPO EDITORIAL LITTERIS
Av. Presidente Vargas, 962 – sala 1411 – Centro – 20071-002 – Rio de Janeiro – RJ
Caixa Postal 150 – Cep 20001-970 – Rio de Janeiro – RJ
Telefax: (21) 2223-0030 / 2263-3141

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Ademar Macedo (O Homem atrás do Escritor, o Escritor atrás do Homem)

Dando sequência as entrevistas virtuais realizadas com escritores do Brasil, revelando o homem que há por trás do escritor e o escritor que há por trás do homem, o convidado de hoje é um colaborador do blog e um grande divulgador da literatura brasileira, trovador, poeta, cordelista, o potiguar (pessoas nascidas no RN), Ademar Macedo.
José Feldman

INFANCIA E PRIMEIROS LIVROS

JF: Conte um pouco de sua trajetória de vida, onde nasceu, onde cresceu, o que estudou.
AM: Nasci em Santana do Matos/RN, no dia 10 de setembro de 1951, aos oito anos fui morar em Zabelê, município de Touros também no Rio Grande do Norte, onde fiquei até 1963, quando mudamos para Natal, onde terminei o primário e através de uma seleção (concurso), em 1965 fui para o Ginásio Agrícola de Ceará-Mirim/RN; terminando o ginásio voltei para Natal onde fiz o Científico (naquela época) que era o 2º Grau. Em 1971 entrei Para o Corpo de Fuzileiros Navais, passei no 1º concurso para Cabo, fui cursar no Rio de Janeiro e nunca mais estudei. Voltei para Natal em 1980 e em 81 perdi uma perna num acidente.

JF: Como era a formação de um jovem naquele tempo? E a disciplina, como era?
AM: No Ginásio agrícola (que era um Internato) Sob o duro comando de Paulo Mesquita, o Diretor, um Oficial Reformado da Aeronáutica, eu tive a melhor aprendizagem da minha vida, lá era um verdadeiro quartel, mas até hoje eu agradeço pelos seus ensinamentos, principalmente no que tange a moral, dignidade, honestidade que me acompanham até Hoje!

JF: Recebeu estímulo na casa da sua infância?
AM: Perdi meu Pai muito cedo, aos 7 anos, minha infância foi um tanto difícil, mas minha Mãe e meu irmão mais velho nunca deixaram faltar nada, Inclusive o estímulo.

JF: Quais livros foram marcantes antes de começar a escrever?
AM: Confesso que nunca fui muito de ler…Lembro bem de “O Pequeno Príncipe” e alguns pouco mais.

JF: Como foi que você chegou à poesia e às trovas?
AM: Tudo começou após o meu acidente. Numa maneira de passar melhor o tempo, comecei a frequentar cantorias de viola, festivais de Violeiros, tudo o que dizia respeito a Poesia Popular, e por meu Pai ter sido Poeta, eu sentia correr nas minhas veias o sangue da Poesia e comecei a fazer algumas estrofes; e meus irmãos Francisco Macedo e Augusto Macedo (falecido) que já eram poetas, me disseram que eu levava jeito pra coisa! Eu, já poeta popular, conhecido em todo estado devido as minhas declamações nas rádios: (Rural de Natal, Rádio Poti e 98FM), fui convidado por José Lucas de Barros, que assistia as minhas declamações nas cantorias e nos festivais e por Joamir Medeiros, que me ouvia nas Rádios, para ingressar na ATRN (Academia de Trovas do R.G.do Norte), fui sabatinado e após uma comissão analisar as trovas feitas por mim, fui aprovado e lá estou desde 2004.

SEUS TEXTOS E PREMIOS:

JF: Você possui livros? Se sim, em que você se inspirou em seus livros?
AM: Lancei o meu primeiro Livro em 1993: “…E DA DOR SE FEZ POESIA.” E tenho ainda os seguintes Livros (Em Parceria): “POESIAS EM QUATRO VERSOS”, “DOIS POETAS EM SETILHAS”, “UM DEBATE EM SETILHA AGALOPADA”, “NOS ARPEJOS DAS SETILHAS” e “UM ROJÃO EM SEXTILHA AGALOPADA”. Já prontos tenho: “SEXTETO EM SEXTILHAS”, “SEXTETO POTIGUAR”, “SEXTILHAS A QUATRO VOZES”, “TRÊS À MESA DA POESIA”, E em andamento: “NO COMPASSO DAS SETILHAS”.

Editei um Cordel que intitulei: “DIVAGAÇÕES POÉTICAS”
E tenho dois CDs declamando Poesias: “NA CADÊNCIA DA POESIA” e “O POETA E A RAPOSA”(Com minhas declamações ao vivo, na 98 FM)
E tenho um Livro pronto esperando ajuda para publicação, que se chama: “…E DA POESIA SE FEZ O ABSURSO”, é um livro inspirado em ZÉ LIMEIRA, o Poeta do Absurdo.
A inspiração para tudo isso veio, com certeza, da Natureza e do Sertão!

JF: Como definiria seu estilo literário?
AM: Como escrevo poesia popular nordestina, o estilo predominante é o Cordel.

JF: Dentre os livros escritos por você, qual te chamou mais atenção? E por quê?
AM: É muito difícil um Pai amar os seus Filhos de maneira diferente, assim é com os Livros; no entanto, para mim, o Livro onde mais eu me inspirei, onde estão as melhores poesias É: “UM DEBATE EM SETILHA AGALOPADA”.

JF: Qual a sua opinião a respeito da Internet? A seu ver, ela tem contribuído para a difusão do seu trabalho?
AM: Basta dizer que os livros em parceria (DEZ) foram todos feitos pela Internet, Por exemplo: “TRÊS À MESA DA POESIA”, Zé Lucas me mandou a sua estrofe, eu respondi e enviei as duas para o Professor Garcia, que por sua vez, me respondeu e as enviou para Zé Lucas e assim sucessivamente até chegar 150 estrofes. VEJAM AS TRÊS PRIMEIRAS:
.

01 – Zé Lucas
Com Ademar e Garcia
vou pelejar desta vez,
enchendo a taça dos versos
com carinho e lucidez,
para que o vinho sagrado
das musas dê para os três.

02 – Ademar
Vou beber com honradez
uma taça todo dia,
e eu peço a Deus neste verso
talento e sabedoria,
e que este vinho sagrado
me embriague de poesia.

03 – Prof. Garcia
Eu vou beber todo dia
para afastar o meu pranto,
deste vinho que embriaga
e nunca me causa espanto,
porque o vinho do verso
tanto é puro quanto é santo.

JF: Tem prêmios literários?
AM: Eu já fui premiado em 21 Cidades de diferentes estados da nossa federação; mas estas premiações foram todas em Concursos Nacionais de Trovas. Tive também alguns Prêmios em “Poesia” apenas aqui no meu Estado.

CRIAÇÃO LITERÁRIA :

JF: Você precisa ter uma situação psicologicamente muito definida ou já chegou num ponto em que é só fazer um “clic” e a musa pinta de lá de dentro? Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ?
AM: Esta eu vou responder com uma Trova e uma estrofe apenas:

Vi à luz de lamparina,
em inspirações imerso
que a musa se faz menina
para brincar no meu verso.”

“Na inspiração do poeta
sinto um pouco de magia,
porque toda estrofe minha
me fascina e me extasia;
e em cada verso que faço
vou mastigando um pedaço
do pão da minha poesia.”

JF: Você projeta os seus textos? Ou seja, você projeta a ação, você projeta o esquema narrativo antes? Como é que você concebe os textos?
AM: Não projeto nada, os versos nascem assim…de repente.

JF: Você acredita que para ser poeta ou trovador basta somente exercitar a escrita ou vocação é essencial?
AM: A poesia é um dom divino, nenhuma escola ensina você se tornar Poeta…O Poeta já nasce feito!

A PESSOA POR TRÁS DO ESCRITOR :

JF: O que o choca hoje em dia?
AM: A violência. (que é a falta de Deus no coração das pessoa…)

JF: O que lê hoje?
AM: Livros de Poesias…

JF: Você possui algum projeto que pretende ainda desenvolver?
AM: Divulgar a poesia nas escolas…

JF: De que forma você vê a cultura popular nos tempos atuais de globalização?
AM: Com a mesma visão de sempre…Falta de apoio para a edição de Livros e Etc…

CONSELHOS PARA OS ESCRITORES :

JF: Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ?
AM: Que tenha muito amor pelo que faz e muita Fé. Quem sabe, um dia você encontre uma porta aberta!

JF: O que é preciso para ser um bom poeta ou/e trovador?
AM: …Apenas Inspiração.

JF: Gostaria de acrescentar mais alguma coisa? Outros trabalhos culturais, opiniões, crítica, etc.
AM: Queria apenas agradecer esta oportunidade que me foi dada, para que eu pudesse aqui, da forma mais sincera, me desnudar poeticamente perante todos vocês…

JF: Se Deus parasse na tua frente e lhe concedesse três desejos, quais seriam?
AM: Seriam apenas de agradecimentos por tudo o que Ele tem feito na minha vida… Resumindo:

Nunca quis ganhar fama nem cartaz,
sou feliz no papel que desempenho,
sou um homem de fé, temente a Deus,
não reclamo do peso do meu lenho
nem de tudo na vida que padeço…
Eu já tenho até mais do que mereço
e me sinto feliz com o que tenho!

JF: Para finalizar, um poema e trovas de sua autoria que possui um carinho especial.

POESIA

Há sorriso que fere e que magoa
e há pranto que comove e traz alento,
e os que trazem a dor e o sofrimento
deixam marcas no rosto da pessoa;
e por mais que este pranto não lhe doa
deixará para sempre uma seqüela,
que se faz cicatriz no rosto dela
maculando esta dor que não termina;
se tiver que chorar feche a cortina,
quando for pra sorrir, abra a janela.

TROVAS:
Fiz minha casa de barro
ao lado de uma favela.
Lá fora, eu sei, não tem carro,
mas tem amor dentro dela!…

Após causar desencantos
e nos fazer peregrinos,
a seca faz chover prantos
nos olhos dos nordestinos!

O grande desmatamento,
por ganância ou esperteza,
põe rugas de sofrimento
no rosto da natureza…

Quando a inspiração lhe acena,
o bom Trovador se expande.
Numa Trova tão pequena,
faz um poema tão grande!

Quem se entrega a solidão
e dela se faz refém,
anda em meio à multidão
mas não enxerga ninguém!

Numa combatividade,
cheia de brilho e de glória,
saber perder, na verdade,
é também uma Vitória!

Na Floresta, a “derrubada”
deixa em minha alma seqüela,
pois a dor da machadada
dói mais em mim do que nela.

Ademar Macedo ainda complementa mais sobre ele:

UM POUCO MAIS DE MIM:
Como eu relatei no início, Eu Sou um Fuzileiro Naval (Reformado) perdi uma perna num acidente no ano de 1981, desde então me entreguei de corpo e alma a Poesia. Em 2006 tive um câncer no intestino, me operei no dia 09/05/2006, no Rio de Janeiro; fiz 52 Quimioterapias e 25 Radioterapias, terminei o tratamento no dia 20 de Outubro do mesmo ano, e como DEUS é Maravilhoso acredito que eu já esteja Curado, pois eu Estou sendo acompanhado aqui em Natal pela Liga contra o Câncer através de exames feitos de 6 em 6 meses, e agora em Setembro último fiz uma Colonoscopia e havia um pólipo que foi retirado para fazer a biópsia e deu o seguinte resultado: “ausência de malignidade no material Examinado” E Deus, na sua misericórdia, além do dom da Poesia deu-me também a Cura. E hoje a minha vida é regida pelo AMOR, pela ALEGRIA e pela FÉ, e são baseados nesses temas que nascem a inspiração para as minhas poesias e Graças ao nosso bom DEUS e a minha FÉ, é que estou hoje aqui contando a minha história…

Em Versos:

Guardei todos momentos que passei
de ternura, de carinho e de amor,
momentos que na vida mais gozei
e os momentos que mais eu senti dor.
O momento feliz da minha vida,
quando Deus curou em mim uma ferida,
que os médicos diziam não ter jeito,
e apesar de hoje eu ser um mutilado,
guardo sempre as lembranças do passado
pra curar as feridas do meu peito!…

A minha poesia é Santa
porque é Deus quem a projeta,
pois ele mesmo é quem planta
no coração do poeta;
pois todos os versos meus
vêm lá da mansão de Deus
como se fosse uma luz;
são escritos com emoção
pela minha própria mão,
mas seu autor, é Jesus!…

Quero então quando eu morrer,
feito em letras garrafais,
aquela minha poesia
que me deu nome e cartaz;
e escrito, seja onde for:
– Eis aqui um trovador
que morreu feliz demais!

Abraços Fraternos:
Ademar Macedo.
(poetaademar@yahoo.com.br)

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Cesar Cardoso (O Sol)

No quarto andar do Mercadão de Madureira tem um loja, uma portinha, que só vende peneiras. Uma vez por mês eu vou até lá ver as novidades. Às vezes passo a tarde inteira ouvindo as explicações do dono, o Elias. Ele mesmo fabrica – ou faz, diz ele que peneiras de verdade não são fabricadas, são feitas – todas as peneiras que vende. Aprendeu o ofício com seu pai, que aprendeu com seu avô, em Portugal. Ele me conta quais as melhores madeiras, como envergá-las, que lixa usar. E os vários arames, suas flexibilidades, qual o melhor para cada tipo de peneira.

Hoje mesmo estive lá e comprei uma peneira nova. Não estava à mostra na loja, já no final da tarde o Elias foi ao depósito e voltou com ela. É feita com galho de goiabeira, que é maleável e resistente como nenhuma outra madeira. E seu arame é de uma flexibilidade que nunca vi. Além disso, a trama parece um tricô. Foi cara, mas valeu a pena.

Em casa fui fazer as tarefas de todo dia, tomar banho, preparar meu jantar, mas sempre levando a peneira comigo. Agora, coloquei-a na mesinha de cabeceira e vim me deitar, mas não consigo pegar no sono, com a mesma frase me martelando a cabeça, o tempo todo:

Será que amanhã vai fazer sol?

Fontes:
http://www.o-bule.blogspot.com/

Imagem – Habeas Data

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Efigênia Coutinho (Presságio)

Vou me despindo de corpo e alma
numa entrega plena, cheia…
sem sequer dar conta que
respirava, pois o corpo tomou
proporções transcendentais
duma natureza superior
indo ao mais alto do universo
e, deitou ao manto celeste, em
meio de estrelas e o garboso luar
num bailado cadenciado entre esferas
duma transcrição de tudo que existe
acima e abaixo dos meus olhos
o ar que respiro, me cinge,
abraça, me mantém entusiástica…

Acima, profecias, oráculos, respostas
e alimento para corpo e alma,
forças ocultas que regem o destino,
sem tino ou desatino, eu atino!…

Balneário Camboriú
Março 2009

Fontes:
A Poetisa

Imagem = Magia de Luz

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Isaac Asimov (Os Bons Tempos de Outrora)

Sou muito dado ao otimismo com relação à ciência e tecnologia, e, nas minhas conferências, costumo pintar uma imagem rósea do futuro, contanto, naturalmente, que os novos conhecimentos sejam usados com sabedoria (o que, devo admitir, não tem sido a norma). Nem sempre a plateia concorda comigo. Lembro-me de uma sessão de perguntas e respostas em que um jovem se levantou e contestou minha afirmação de que a tecnologia havia melhorado a qualidade de vida humana.

– Você teria sido mais feliz na Grécia Antiga? – perguntei.

– Teria – afirmou o rapaz, com a segurança que só os jovens parecem ter.

– Como escravo? – perguntei.

O rapaz se sentou sem dizer mais nada.

O problema é que as pessoas recordam os “bons tempos de outrora” – uma expressão que me causa profundo desagrado – de forma extremamente parcial. Para muitos, a Grécia Antiga significa sentar-se na ágora e bater papo com Sócrates. Roma Antiga é freqüentar o Senado e discutir política com Cícero. Eles não se lembram de que nas duas civilizações apenas uma pequena elite aristocrática se dedicava a essas atividades e a imensa maioria da população era composta de trabalhadores braçais, camponeses e escravos. É muito bonito romancear a Idade Média e sonhar em ir para a guerra usando uma armadura reluzente, mas para cada “cavaleiro andante” havia noventa e nove servos e aldeões que eram tratados pior que animais. Fico irritado com os admiradores incondicionais da América rural do século dezenove, quando tudo o que se fazia, aparentemente, era ficar sentado no quintal bebericando sidra. Além disso nos períodos de recessão não havia nenhum senso de responsabilidade social para com os desempregados; e a total inexistência de remédios eficazes, incluindo os antibióticos, fazia com que a mortalidade infantil fosse elevadíssima e a expectativa de vida muito menor que hoje em dia. Também não me deixo impressionar pelos que olham para uma mansão construída em 1907 e exclamam, com um suspiro: “Puxa, não fazem mais casas assim! Veja quantos detalhes! Veja quanto capricho!”. Perco a paciência com as pessoas que estão sempre falando dos velhos tempos, quando os artesãos tinham orgulho de sua profissão e faziam de cada objeto uma obra de arte única, enquanto que hoje em dia máquinas sem alma produzem cópias e mais cópias de artigos baratos.

Vamos colocar as coisas na sua verdadeira perspectiva. Você sabe por que era possível construir lindas mansões em 1907? Porque a mão de obra era barata, de modo que você podia se dar ao luxo de contratar dezenas de empregados para construir a mansão e dezenas de criados para mantê-la funcionando. E por que a mão de obra era barata? Porque a maioria das pessoas vivia em um estado permanente de fome e miséria. O fato de que alguns podiam ter mansões estava ligado de perto ao fato de que quase todos viviam em casebres. Da mesma forma, quando os artesãos produziam laboriosamente obras de arte, essas obras eram em número muito reduzido e constituíam o privilégio de uma reduzida casta de patrícios (ou nobres, ou banqueiros); o povo tinha que se virar mesmo era com casas de pau a pique. Se as mansões são raras hoje em dia porque a população em geral vive muito melhor, fico satisfeito com isso. Se os objetos utilitários são menos artísticos para que mais pessoas possam desfrutá-los, acho que a mudança foi para melhor. Isso me torna aquele personagem terrível, um “liberal” que se preocupa com o bem estar dos pobres, e não com os yuppies? Acho que sim, mas há mais. Meu ponto de vista também é bastante prático e egoísta.

Minha primeira mulher uma vez se queixou de que não conseguia encontrar alguém para ir à nossa casa uma vez por semana para fazer alguns serviços domésticos. Ela disse:

– Gostaria de ter vivido há um século, quando era fácil arranjar criados.

– Pois eu, não – repliquei – Porque nós seríamos os criados.

Acontece que não descendo de uma longa linhagem de aristocratas, de modo que certamente não seria um dos poucos privilegiados destinados a gozar das boas coisas da vida. O mesmo é verdade para a maioria dos que recordam com saudade os “bons tempos” de outrora, mas tenho consciência disso, e eles, aparentemente, não.

Fonte:
Isaac Asimov Magazine. Numero 1. Rio de Janeiro: Record, 1990.

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Arlene Lima (Gosto de você)

Gosto de você que tem a cabeça no lugar, muito conteúdo interno, idealismo e os dois pés no chão da realidade. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais que inteligência, precisamos de afeição e doçura.

Gosto de você que ri, chora, se emociona com pequenas coisas, com um carinho, um abraço, um afago. Sem essas virtudes, a vida é de violência e tudo estará perdido.

Gosto de você que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, admira as paisagens e escuta. Que assume a individualidade, não reprimindo seus talentos.

Gosto de você que tem tempo para fazer atos de bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar convivência, brincar, cantar, e nem pára para pensar que idade tem.

Gosto de você que faz as coisas de que gosta, mas sem fugir dos compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam. Pode ouvir o seu coração e viver apaixonadamente. Com paciência e trabalho consegue realizar as mudanças necessárias na sua vida e no mundo à sua volta.

Gosto de você que colhe, orienta, aconselha, busca a verdade e sempre quer aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto, sem deixar que o medo de perder paralise os seus planos. Sempre com ação avança em seus ideais, pois é você que decide o tipo de vida que quer levar. E caminha firme, com marchas e contramarchas, avanços e retrocessos, para um futuro promissor, melhorando a si próprio e, por consequência, melhorando tudo que está à sua volta.

Gosto de você que vai passear para esquecer as mágoas, ficando feliz porque ainda está vivo, ainda sabe sorrir, levantando a cabeça e prestando atenção nos pássaros que voam no céu, nos mostrando o amor de Deus.

Gosto de você que torna essa vida livre e bela, numa aventura maravilhosa, lutando para assegurar o futuro da mocidade e a segurança da velhice. Lutando para dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência.

Gosto de você que não se importa de fazer coisas maiores e sim melhores. Que não gasta mais do que tem, comprando muito e desfrutando pouco. Que ri mais do que irrita. Que acha mais tempo para ler um livro, orar, ao invés de ficar na frente da TV. Que conquista mais espaço interior do que exterior. Que tem mais avanços em qualidade do que em quantidade. Que em nossa época dos descartáveis mantém sua moralidade inabalável.

Gosto de você que mais ama do que é amado, que serve mais do que é servido, que toma iniciativas ao invés de achar culpados, que distribui mesmo sem ter dinheiro aos montes e que sabe dizer a todos o “EU TE AMO”.

Gosto de você que nasceu entres as estrelas e as flores, marcado para a Amor e a Beleza. E se há na nossa vida algumas dores, há também a certeza – para quem sabe olhar, para quem sabe amar – de que serão mais numerosas as estrelas e as rosas.

Gosto de você

Fontes:
A Autora
Imagem = Rainwords

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.51)

Trova do Dia

Deus é Pai e Onipresente
enlaça os filhos na terra,
unindo a força da mente;
sem devaneios da guerra.
JOSIAS ALCÂNTARA/PR

Trova Potiguar

Divagando, sem guarida…
Sem destino, seminua…
A menina desvalida
vende o seu corpo na rua.
DJALMA MOTA/RN

Uma Trova Premiada

1999 > Pouso Alegre/MG
Tema > LUAR > 5º Lugar.

Nosso amor tem tal magia
que mesmo em noite sem lua,
o luar, por cortesia,
brilha só na nossa rua.
ALMERINDA LIPORAGE/RJ

Uma Poesia livre

– Manoel Rodrigues de Lima/SP –
DESEJO.

Queria muito,
saber tudo sobre as flores.
Saber
sentir seu perfume.
Saber
ver suas cores.
Assim,
saberia qual lhe ofertar.

Uma Trova de Ademar

Comprei um par de “Sapato”
por quatrocentos mil réis,
confesso que achei barato
mesmo eu só tendo um dos pés!
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

Fiz na vida o meu escudo
desta verdade sagrada:
– o nada com Deus é tudo,
e tudo sem Deus é nada.
BELMIRO BRAGA/MG

Estrofe do Dia

Vendi doistões de aguardente,
gás, arroz e mariola,
fumo, sabão, sal e sola,
pensando um dia ser gente;
de seguro fui agente,
vendi terra e avenida,
remédio e vaca parida,
tive sucesso e reverso;
se algum dia vender verso
já fiz tudo nessa vida.
MAJÓ/RN

Soneto do Dia

– Antonio Manoel A. Sardenberg/RJ
SOL POENTE.

Quando contemplo ao longe o sol poente
atrás do monte lá no infinito
sonho acordado o sonho mais bonito,
e tenho a fé de um homem forte e crente.

A luz suave, quase se apagando,
acende em mim um fogo tão ardente,
e ao pensar eu fico imaginando
o amor se pondo assim tão de repente.

O tempo passa e vem a madrugada
como um açoite castigando a gente
na aurora fria, escura e tão calada!

Oh… breve tempo tenha dó de mim
por que flagela um coração carente,
me machucando tanto, tanto, assim!

Fonte:
Ademar Macedo

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Monteiro Lobato (Emília no País da Gramática) Capítulo VIII: No acampamento dos Verbos

— Agora iremos visitar o Campo de Marte onde vivem acampados os VERBOS, uma espécie muito curiosa de palavras. Depois dos Substantivos são os Verbos as palavras mais importantes da língua. Só com um Nome e um Verbo já podem os homens exprimir uma idéia. Eles formam a classe militar da cidade.

— Mas que é um Verbo, afinal de contas? — perguntou Pedrinho.

— Verbo é uma palavra que muda muito de forma e serve para indicar o que os Substantivos fazem. A maior parte dos Verbos assumem sessenta e oito formas diferentes.

— Nesse caso são os camaleões da língua — observou Emília. — Dona Benta diz que o camaleão está sempre mudando de cor. Sessenta e oito formas diferentes! Isso até chega a ser desaforo. Os Nomes e Adjetivos só mudam seis vezes — para fazer o Gênero, o Número e o Grau.

— Pois os senhores Verbos até cansam a gente de tanto mudar — disse o rinoceronte. — São palavras políticas, que se ajeitam a todas as situações da vida. Moram aqui em quatro grandes acampamentos, ou campos de CONJUGAÇÃO.

Os quatro acampamentos ocupavam todo o Campo de Marte. Cada um trazia letreiro na entrada. Emília leu o letreiro mais próximo — Acampamento dos Verbos da PRIMEIRA CONJUGAÇÃO. Em letras menores vinha um aviso: “Só é permitida a entrada aos Verbos de Infinito terminado em Ar”.

— Que quer dizer Infinito? — indagou Narizinho.

— É uma das sessenta e oito formas diferentes dos Verbos, e a que dá nome a toda a tribo.

O acampamento imediato era o da SEGUNDA CONJUGAÇÃO, para os Verbos terminados em Er. O acampamento seguinte era o da TERCEIRA CONJUGAÇÃO, para os Verbos terminados em Ir. Os meninos viram um acampamento mais novo, anexo ao acampamento dos Verbos da Segunda Conjugação.

— Vamos começar nossa visita por aquele — disse Emília —, só porque ele é mais novinho e menor do que os outros.

Dirigiram-se todos para lá, mas o desapontamento foi grande. Encontraram apenas o Verbo Pôr e sua família.

— Ora essa — disse Emília. — Explique, Quindim, o que faz aí esse coruja? Por que não está no acampamento grande junto com os outros?

Quindim suspirou e começou:

— Antigamente Pôr pertencia à Segunda Conjugação e chamava-se Poer. Mas o tempo, que tanto estraga e muda os Verbos, como tudo mais, fez que apodrecesse e caísse o E de Poer. Ficou Pôr, como está hoje. Os gramáticos então criaram uma nova conjugação para ele e seus parentes Compor, Depor, Propor, Dispor, Antepor, Supor e outros. Depois outros gramáticos acharam que não estava bem criarem uma conjugação inteira para um Verbo só, e trouxeram o pobre Pôr e sua família para este anexo da Segunda Conjugação e lhe deram o nome de Verbo ANÔMALO, que quer dizer Verbo Anormal da Segunda Conjugação.

— Que complicação! Seria muito mais simples fabricarem um E novo de pau para substituir o que apodreceu — lembrou Emília.

— Parece simples mas não é. Os gramáticos mexem e remexem com as palavras da língua e estudam o comportamento delas, xingam-nas de nomes rebarbativos, mas não podem alterá-las. Quem altera as palavras, e as faz e desfaz, e esquece umas e inventa novas, é o dono da língua — o Povo. Os gramáticos, apesar de toda a sua importância, não passam dos “grilos” da língua.

— Nesse caso — insistiu Emília —, em vez de xingá-lo de Anômalo, podiam ter posto um letreirinho no pescoço do Verbo: “Ele é Poer; se está Pôr é porque o E apodreceu e caiu”. Mas vamos sair do anexo e ver o acampamento da Segunda Conjugação.

Lá estava coalhado de Verbos, a ponto dos meninos nem poderem andar. O momento era bom. O batalhão do Verbo Ter, que é dos mais importantes, ia desfilar. Uma cometa soou e o desfile teve começo.

Esse batalhão compunha-se de sessenta e oito praças, ou PESSOAS, distribuídas em companhias, ou MODOS, e em pelotões, ou TEMPOS. Abria a marcha o MODO INDICATIVO, com trinta e seis soldados repartidos em seis Tempos. Na frente de todos vinha o TEMPO PRESENTE, composto de seis soldadinhos, cada qual com um Pronome no bolso. Os Verbos não sabem andar sós; vivem ligados a alguém ou alguma coisa, que é o SUJEITO; e quando o Sujeito não está presente, botam em lugar dele um Pronome.

Os nomes dos seis soldadinhos do Tempo Presente eram Tenho, Tens, Tem, Temos, Tendes e Têm, e os Pronomes que traziam no bolso eram Eu, Tu, Ele, Nós, Vós e Eles. Seis soldadinhos vivos e enérgicos, que marchavam muito seguros de si.

— Bravos! — gritou Emília. — Pelo jeito de marchar a gente vê que eles têm mesmo. . .

Em seguida veio o Segundo Tempo, cujo nome era PRETÉRITO IMPERFEITO; tinha igual número de soldadinhos, ou Pessoas, embora menos jovens e com caras menos vivas.

Chamavam-se Tinha, Tinhas, Tinha, Tínhamos, Tinheis e Tinham.

— Esses não têm: tinham!. . . — observou Pedrinho. — Por isso estão meio jururus.

Depois veio o Terceiro Tempo, chamado PRETÉRITO PERFEITO, composto igualmente de seis soldados de olhos no fundo, amarelos, magros, com expressão de medo na cara. Eram eles Tive, Tiveste, Teve, Tivemos, Tivestes e Tiveram.

— Estou vendo! — comentou Emília. — Tiveram, já não têm mais nada, os bobos. Bem feito! Quem manda. . .

— Quem manda o quê, Emília? — indagou Narizinho.

— Quem manda perderem o que tinham? Agora agüentem.

Depois desfilou o Quarto Tempo, chamado PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO. Eram também seis soldados — Tivera, Tiver as, Tivera, Tivéramos, Tiver eis e Tiveram.

Depois passou o Quinto Tempo, chamado FUTURO DO PRESENTE, e foram recebidos com palmas por serem soldadinhos dos mais alegres e esperançosos — Terei, Terás, Terá, Teremos, Ter eis, Terão.

— Estes são espertos — disse Pedrinho. — Sabem contentar a todo mundo. Viva o Futuro!. . .

Estava terminado o desfile do Modo Indicativo, que exprime o que é, ou a realidade do momento.

Houve um pequeno descanso antes de começar o desfile do MODO IMPERATIVO, que era orgulhosíssimo. Compunha-se apenas de cinco soldados carrancudos, com ar mais autoritário que o do próprio Napoleão. Eram eles o Tem, Tenha, Tenhamos, Tende, Tenham.

— Só fazem isso — explicou Quindim. — Mandam que o pessoal tenha.

— Tenha que coisa? — indagou Emília.

— Tudo quanto há. Quando o Imperativo diz para você, com voz de ditador: Tenha juízo, Emília!, ele não está pedindo nada — está mandando como quem pode, ouviu?

— Fedorento!… — exclamou a boneca com um muxoxo de pouco-caso.

Depois desfilou o MODO SUBJUNTIVO, com três Tempos, de seis Pessoas cada um. O Primeiro Tempo, de nome PRESENTE, trazia os soldados Tenha, Tenhas, Tenha, Tenhamos, Tenhais e Tenham.

Em seguida desfilou o Segundo Tempo, de nome PRETÉRITO IMPERFEITO, com os seus seis soldados — Tivesse, Tivesse s, Tivesse, Tivéssemos, Tivésseis e Tivessem. E por fim desfilou o Terceiro Tempo, o FUTURO, com os seus seis soldados — Tiver, Tiveres, Tiver, Tivermos, Tiverdes e Tiverem. E pronto! Acabou-se o Modo Subjuntivo, que é o Modo que indica alguma coisa possível.

— Qual o que vem agora? — perguntou o menino.

— Vai desfilar agora o MODO INFINITIVO — respondeu Quindim. — Esse Modo só tem dois Tempos — o PRESENTE IMPESSOAL, com um soldado único — Ter; e o PRESENTE PESSOAL, com seis soldados — Ter,

Teres, Ter, Termos, Terdes e Terem.

— Hum!… — exclamou Emília quando viu passar, muito teso e cheio de si, o soldadinho Ter, do Presente Impessoal. — Este é o tal Infinito, pai de todos e o que dá nome ao Verbo. Um verdadeiro general. Merece parabéns pela disciplina da sua tropa.

Fechava a marcha do Modo Infinito o GERÚNDIO, composto do soldado Tendo, seguido logo depois do PARTICÍPIO, composto também dum só soldado, um veterano muito velho, com o peito cheio de medalhas — Tido.

— Parece o Garibaldi — asneirou a boneca. — Escangalhado, mas glorioso.

Estava finda a revista do Verbo Ter. O rinoceronte perguntou aos meninos se queriam assistir a outras.

— Não — respondeu Narizinho. — Quem vê um Verbo, vê todos. Só quero saber que história é essa de Verbos REGULARES e IRREGULARES. Estou notando ali uma cerca que separa uns de outros.

— Verbos Regulares são os bem-comportados — explicou Quindim —, os que seguem as regras muito direitinhos. Verbos Irregulares são os rebeldes, os que não se conformam com a disciplina. Este Senhor Ter, por exemplo, é Irregular, visto como não segue o PARADIGMA da Segunda Conjugação.

— Que Paradigma é esse agora? — indagou Pedrinho.

— Cada Conjugação possui o seu Regulamento, ou Paradigma, a fim de que todos os Verbos Regulares formem as suas PESSOAS sempre do mesmo modo.

— Que Pessoas, Quindim?

— Os soldadinhos são as Pessoas dos Verbos, creio que já expliquei. Tenho, Tens, Tem, Temos, Tendes e Têm, por exemplo, são as seis Pessoas do Tempo Presente do Modo Indicativo.

— Com que então o tal Ter é irregular, hein? Não parecia.

— E além de Irregular é AUXILIAR. Os Verbos Ter, Ser, Estar e Haver são chamados Verbos Auxiliares porque além de fazerem o seu serviço ainda ajudam outros Verbos. Quando alguém diz: Tenho brincado muito, está botando o Verbo Ter como auxiliar do Verbo Brincar.

— E que outras qualidades do Verbo há?

— Muitas. Verbo é coisa que não acaba mais. Há Verbos DEFECTIVOS, uns coitados, com falta de Modos, Tempos ou Pessoas.

Há os Verbos PRONOMINAIS, que não sabem viver sem um Pronome Oblíquo adiante ou atrás, como Queixar-se. Sem esse Se, ou outro Pronome, ele não se arruma na vida.

Há os Verbos ATIVOS, que dizem o que o Sujeito faz; e há os Verbos PASSIVOS, que dizem o que fizeram para o Sujeito. A frase: Eu comi o doce está com um Verbo Ativo. A frase: O doce foi comido por mim está com um Verbo Passivo (Foi Comido).

Se formos falar tudo, tudo, a respeito de Verbos, ficaremos aqui o dia inteiro. Gentinha que muda de forma como eles fazem, dá pano para mangas! E são exigentíssimos. Uns não sabem viver sem um COMPLEMENTO adiante, e por isso se chamam Verbos TRANSITIVOS. Outros dispensam o Complemento, e por isso se chamam INTRANSITIVOS. Queimar, por exemplo, é Transitivo, porque exige Complemento. Se alguém diz: O fogo queimou, a frase fica incompleta; e quem ouve pergunta logo o que é que o fogo queimou. Essa coisa que o fogo queimou, seja mato, lenha ou carvão, constitui o Objeto Direto de Queimou.

— E os Intransitivos?

— Esses não pedem Complemento, como eu já disse. O Verbo Morrer, por exemplo, é Intransitivo. Quando a gente diz: O gato morreu, a frase está perfeita e ninguém pergunta mais nada. — Eu pergunto! — gritou Emília. — Pergunto de que morreu, e quem o matou e onde jogaram o cadáver.

Quindim coçou a cabeça.
—————————-
Continua … Capítulo IX: Emília na casa do Verbo Ser
____________________________
Fonte:
LOBATO, Monteiro. Emília no País da Gramática. SP: Círculo do Livro. Digitalizado por http://groups.google.com/group/digitalsource

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AVISO DE FÉRIAS

Prezados Internautas

Comunico que não haverão postagens contínuas do blog, em virtude de eu estar viajando por uma semana para São Paulo.

Retornarei no dia 25, quinta-feira da semana vindoura.

Conto com vossa compreensão.
José Feldman

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Torquato Neto (Poesias Escolhidas)

A RUA

toda rua tem seu curso
tem seu leito de água clara
por onde passa a memória
lembrando histórias de um tempo
que não acaba

de uma rua de uma rua
eu lembro agora
que o tempo ninguém mais
ninguém mais canta
muito embora de cirandas
(oi de cirandas)
e de meninos correndo
atrás de bandas

atrás de bandas que passavam
como o rio parnaíba
rio manso
passava no fim da rua
e molhava seu lajedos
onde a noite refletia
o brilho manso
o tempo claro da lua

ê são joão ê pacatuba
ê rua do barrocão
ê parnaíba passando
separando a minha rua
das outras, do maranhão

de longe pensando nela
meu coração de menino
bate forte como um sino
que anuncia procissão

ê minha rua meu povo
ê gente que mal nasceu
das dores que morreu cedo
luzia que se perdeu
macapreto zé velhinho
esse menino crescido
que tem o peito ferido
anda vivo, não morreu

ê pacatuba
meu tempo de brincar
já foi-se embora
ê parnaíba
passando pela rua
até agora
agora por aqui estou
com vontade
e eu vou volto pra matar
essa saudade

ê são joão ê pacatuba
ê rua do barrocão.

COGITO

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos segredos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou

presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim..

LET’S PLAY THAT

quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando a minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let´s play that

(musicada por Jards Macalé)

UM CIDADÃO COMUM

Sempre subindo a ladeira do nada,
Topar em pedras que nada revelam.
Levar às costas o fardo do ser
E ter certeza que não vai ser pago.

Sentir prazeres, dores, sentir medo,
Nada entender, querer saber tudo.
Cantar com voz bonita prá cachorro,
Não ver “PERIGO” e afundar no caos.

Fumar, beber, amar, dormir sem sono,
Observar as horas impiedosas
Que passam carregando um bom pedaço
da vida, sem dar satisfações.

Amar o amargo e sonhar com doçuras
Saber que retornar não é possível
Sentir que um dia vai sentir saudades
Da ladeira, do fardo, das pedradas.

Por fim, de um só salto,
Transpor de vez o paredão.

PANORAMA VISTO DA PONTE

Azulejos retorcidos pelo tempo
Fazem paisagem agora no abandono
A que eu mesmo releguei um mal distante.

Faz muito tempo e a paisagem é a mesma
Não muda nunca – sempre indiferente
A céus que rolem eu infernos que se ergam.

Alguns vitrais. E em cinerama elástico
O mesmo campo, o mesmo amontoado
Das lembranças que não querem virar cinzas.

Três lampiões. As côres verde e rosa
A brisa dos amores esquecidos
E a pantera, muito negra, das paixões.

Não passa um rio enlameado e doce
Nem relva fresca encobre a terra dura.
É só calor e ferro e fogo e brasa

Que insistem como cobras enroladas
Nos grossos troncos, medievais, das árvores.
Uma eterna camada de silêncio

E o sol cuspindo chumbo derretido.
O céu é azul – e como não seria?
mas tão distante, tão longínquo e azul…

BILHETINHO SEM MAIORES CONSEQUÊNCIAS

Uma retificação, meu bom Vinícius:
Você falou em “bares repletos de homens vazios”
e no entanto se esqueceu
de que há bares
lares
teatros, oficinas
aviões, chiqueiros
e sentinas,
cheinhos(ao contrário)
de homens cheios
Homens cheios.
(e você bem sabe)
entulhados da primeira à última geração
da imoralidade desta vida
das cotidianas encruzilhadas e decepções
da patente inconsequência disso tudo.
Você se esqueceu
Vinícius, meu bom,
dos bares que estão repletos de homens cheios
da maldade das coisas e dos fatos,
dos bares que estão cheios de homens cheios
da maldade insaciável
dos que fazem as coisas
e organizam os fatos
E você
que os conhece tão de perto
Vinícius “Felicidade” de Moraes
não tinha o direito de esquecer
essa parcela imensa de homens tristes,
condenados candidatos naturais
a títulos de tão alta racionalidade
a deboches de tão falsa humanidade.

Com uma admiração “deste tamanho”.
—–

Fontes:
TORQUATO NETO. Os últimos dias de paupéria: do lado de dentro. Org. Ana Maria S. de Araújo Duarte e Waly Salomão. 2.ed. rev. e aum. São Paulo: M. Limonad, 1982
http://www.naoser.hpg.ig.com.br/torquato.htm
http://www.torquatoneto.com.br

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Torquato Neto (1944 – 1972)

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina PI, 1944 – Rio de Janeiro RJ, 1972). Cursou Jornalismo no Rio de Janeiro, por volta de 1966, mas não chegou a concluir a faculdade.

Nos anos seguintes compôs letras musicadas por Gilberto Gil (“Geléia Geral”, “Louvação”), Caetano Veloso (“Deus Vos Salve a Casa Santa”, “Ai de Mim”, “Copacabana”, “Mamãe, Coragem”) e Edu Lobo (“Lua Nova”, “Pra Dizer Adeus”).

Entre 1970 e 1972 atuou nos filmes Nosferatu no Brasil e A Múmia Volta a Atacar, de Ivan Cardoso, e Helô e Dirce, de Luiz Otávio Pimentel. No período também criou e redigiu a coluna Geléia Geral no jornal carioca Última Hora.

Em 1973 ocorreu a publicação póstuma de seu livro de poesia Os Últimos Dias de Paupéria, organizado por Ana Maria S. de Coraújo Duarte e Waly Salomão.

Três anos depois, foram incluídos alguns de seus poemas na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda em 1976.

Em 1997 foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe Nothing the Sun Could Not Explain, organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher.

Torquato Neto foi um dos compositores mais inovadores da canção popular dos anos de 1970.

Fonte:
http://www.torquatoneto.com.br/

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XV Jogos Florais de Santos (Inscrições Abertas)

Promoção da União Brasileira de Trovadores, Seção de Santos com o apoio da Prefeitura Municipal (Secult e Sectur)

Jogos Florais são composições poéticas nascidas na Idade Média , em Toulouse, na França e, atravessando fronteiras, estenderam-se pela Espanha, Portugal e vários outros países da Europa. O primeiros Jogos Florais do Brasil foram realizados em Santos SP em 1914, 15 e 16, sob os auspícios do Liceu Feminino Santista. O Berço dos Jogos Florais ligados à Trova, no entanto, é Nova Friburgo RJ, que em maio deste ano, comemorou 51 anos de Jogos Florais ininterruptos.
Trova é um gênero poético dos mais populares, largamente difundido no Brasil, composto de 4 versos de sete sílabas cada, rimando o 1º verso com o 3º verso; o 2º com o 4º verso e tendo sentido completo.

Os XV Jogos Florais de Santos constarão de 3 Concurso de Trovas:

1 – Concurso Nacional/Internacional – Tema : DESTINO
2 – Concurso Estadual (SP) – Tema: ONDA
3 – Concurso Local (Santos) – Tema: JARDIM

Haverá ainda um Concurso de âmbito Internacional, para trovas em idioma espanhol – Tema: PAZ

REGULAMENTO
XV JOGOS FLORAIS DE SANTOS / 2010
CONCURSO NACIONAL/INTERNACIONAL

Tema: DESTINO – Trovas líricas e/ou filosóficas.
Limite de 3 trovas por tema

Endereço para remessa:
XV Jogos Florais de Santos
a/c Carolina Ramos –
Cx. Postal, 52
CEP 11001-970 SANTOS SP

Prazo para remessa: de 01/10/2010 até 31 janeiro de 2011. Sistema de envelopes, ou seja: -As trovas, deverão ser digitadas ou datilografadas no anverso de pequenos envelopes (5×11). Uma em cada envelope, em cujo interior constarão: nome, endereço completo do remetente, tel. assinatura e e-mail, caso haja. Esse envelope deverá ser fechado e colocado num outro maior, com o endereço do Concurso. No verso, usar, como Remetente, o nome de Luiz Otávio, repetindo o endereço do Concurso (para evitar a identificação do Concorrente).

CONCURSO ESTADUAL (só para trovadores do Estado de SP)
Tema: ONDA – Trovas líricas e/ou filosóficas. Este Concurso obedece às mesmas normas do anterior.

CONCURSO LOCAL – (só para trovadores de Santos e Baixada)

Tema: JARDIM – Trovas líricas e/ou filosóficas. Este Concurso obedece às mesmas normas dos Concursos anteriores, divergindo apenas no endereço para remessa das trovas, que deve ser o seguinte:

XV Jogos Florais de Santos ( Concurso Local)
a/c Eduardo Toledo Pres. Nac. UBT
Cx. Postal 181 Cep 37550-000 Pouso Alegre MG

Carolina Ramos-UBT/Santos
Carlos Pinto
Sec. da Cultura/Santos

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XV JUEGOS FLORALES DE SANTOS SP (BRAZIL)
CONCURSO PARALELO
REGLAMENTO

1 – Para el Concurso Paralelo de Trovas es: Composición poética de cuatro versos siete silábicos rimando el 1º verso con el 3º; y el 2º con el 4º verso y

Con sentido completo.

2 – Las trovas deben ser inéditas, de autoría del Concursante y escritas en idioma espanhol.

3 – Pueden concurrir a este Concurso solamente trovadores de origen hispánica residentes nel Brasil o en el Exterior, que no podrán participar de los demás temas.

4 – El tema para los trovadores de lengua hispánica es: PAZ

5 – Las trovas deben ser enviadas, em idioma español, por e-mail, para:
gislainecanales@gmail.com

6 – Máximo de 3 trovas (tres) , Líricas o Filosóficas por Concursante.

7 – Serán consideradas las Trovas que lleguen hasta 31 de enero de 2011.

8 – Serán seleccionadas por la Comisión Juzgadora 5 Trovas Vencedoras, 5 Menciones Honoríficas y 5 Menciones Especiales.

9 – Las Trovas premiadas serán publicadas en libro, junto a las demás clasificadas en lengua portuguesa.

10 – Las Trovas Vencedoras recibirán Trofeos y Diplomas mientras que a las Menciones Honoríficas y Especiales se les serán concedidas

Medallas y Diplomas.

11 – La simple remesa de las Trovas significa el total conocimiento y aceptación del presente Reglamento por parte del Concursante.

12 – Las Trovas remitidas en desacuerdo con cualquier de los artículos del Reglamento, serán descalificadas automáticamente y lo mismo sucede en caso de excederse el número de Trovas establecido.

13 – Los Vencedores tendrán derecho a estada en la ciudad de Santos, por ocasión de las fiestas de confraternización, en la data 10, 11,12 de junio de 2011.

Carolina Ramos-UBT/Santos
Carlos Pinto
Sec. da Cultura/Santos.

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Ialmar Pio Schneider (O Homem Atrás do Escritor, o Escritor Atrás do Homem)

Dando continuidade à série O Homem atrás do escritor, o escritor atrás do homem, o entrevistado é o poeta e trovador gaúcho, o Menestrel dos Pampas, Ialmar Pio Schneider, grande colaborador deste blog.

O HOMEM IALMAR PIO SCHNEIDER: AUTOBIOGRAFIA

JF: Conte um pouco de sua trajetória de vida, onde nasceu, onde cresceu, o que estudou, sua trajetória literária.
Nasci no município de Sertão/RS em 26-08-1942. Filho de Henrique Schneider Filho e dona Amábile Tressino Schneider, ambos falecidos.

Cursei o primário em minha terra natal na Escola Pio XII das Irmãs Franciscanas onde diplomei-me inclusive em datilografia com 13 anos de idade. Ingressei no Ginásio Cristo Rei dos Irmãos Maristas em Getúlio Vargas/RS que conclui após 4 anos, em 1959, período em que iniciei a compor poesias.
Daí transferi-me para Passo Fundo/RS onde ingressei no Colégio N. Sra. da Conceição dos Irmãos Maristas cursando então simultaneamente o Curso Científico e a Escola Técnica de Contabilidade por um ano e meio, continuando a escrever poesias inclusive gauchescas, algumas das quais foram publicadas no Jornal do Dia, de Porto Alegre, até que um concurso público para o Banco do Brasil S.A. me levou a Cruz Alta/RS, onde assumi em 1961, poucos dias antes de completar 19 anos de idade.
Posteriormente integrei o corpo de funcionários da agência de Soledade/RS, que estava em Instalação, o que ocorreu em 1962. Completei o curso em Técnico de Contabilidade em 1962, permanecendo por 5 anos na cidade, onde exerci o cargo de Fiscal da Carteira Agrícola do Banco até ser transferido para a Metr. Tiradentes do Rio onde não cheguei a tomar posse, tendo feito uma permuta tríplice com outros dois colegas, vindo a assumir em Canoas/RS, em 1967, para logo após um ano se transferir para São Leopoldo/RS em nova permuta com outro colega, onde tencionava tirar o Curso de Direito da Unissinos, o que não se concretizou.
Casei-me em 1968 com Helena Dias Hilário, de Soledade/RS e transferi-me para a Agência Centro do Banco do Brasil S.A de Porto Alegre, em 1969. Residindo em Canoas, nasceu minha filha Ana Cristina Hilário Schneider. Permaneceu por 3 ou 4 anos compondo poesias diversas inclusive a maior parte de seus poemas gauchescos ainda inéditos bem como muitos sonetos então com 30 anos de idade. Resolvi novamente transferir-me de cidade a fim de ficar mais próximo dos meus parentes e os de minha esposa e pleiteei uma permuta, que consegui para a cidade de Passo Fundo, tendo lá permanecido por cerca de 3 anos, ocasião na qual requeri e fui transferido para a agência do Banco em Palmas/ PR, onde residiam minha mãe e irmãos, de cuja remoção desisti pelo motivo de minha esposa ser professora estadual e não ter conseguido aproveitamento naquela cidade. Com dificuldade em adquirir casa de moradia retornei a Canoas voltando a residir e a trabalhar no Banco até que em uma concorrência nacional para fiscal da Carteira Agrícola do Banco fui nomeado para a cidade de Antônio Prado/RS, onde permaneci por 2 anos e meio aproximadamente.
Em 1980, regressei a Canoas onde adquiri um apartamento em que resido até hoje, na rua que leva o nome do grande pintor Pedro Weingartner tendo feito vestibular para a Faculdade de Direito do Instituto Ritter dos Reis, classificado em segundo lugar de que também participou o ilustre jogador de futebol do Internacional Paulo Roberto Falcão, que logo depois transferiu-se para a Itália.
Trabalhando no Banco do Brasil- agência de Canoas e estudando, só consegui formar-me em Direito nas Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis em 1990, após 10 anos de curso superior. Enfim, antes tarde do que nunca.
Transferi-me para o CESEC do Banco do Brasil Sete de Setembro em Porto Alegre, onde trabalhei até 1991, tendo completado 30 anos e alguns dias de serviço no Banco quando me aposentei por tempo de serviço.
Por enquanto, resido na cidade de Porto Alegre/RS, no Bairro Tristeza, com uma vista maravilhosa para o Rio Guaíba, em uma janela do qual até um joão-de-barro já fez um ninho há uns dois anos. Como diz o inigualável poeta gauchescoo saudoso Jayme Caetano Braun: “Eu até fiquei contente/ Dizem que dás muita sorte !”em seu poema “João Barreiro”.
Atualmente minha filha é casada, ambos advogados, com escritório.
Durante os meses de verão, dezembro até fevereiro, permaneço em Capão da Canoa/ RS, cidade praiana, onde produzo diversas poesias: poemas, sonetos e trovas. Nos últimos dois anos desloquei-me com a família por uns dez dias em final de temporada para a praia de Canasvieiras, precisamente Cachoeira do Bom Jesus, em Florianópolis/SC.
Eis em rápidas pinceladas a sucinta biografia rotineira de um poeta menor.

JF: Ialmar, se é poeta menor, então eu nem existo, precisaria um ultra microscópio para me encontrar (risos). Recebeu estímulo na casa da sua infância?
Total estímulo e incentivo inclusive éramos 6 filhos, 4 irmãos e 2 irmãs e nossos pais só tinham como meta o nosso estudo.

JF: Quais livros foram marcantes antes de começar a escrever.
Muitos livros de poesias: Fagundes Varela, Casemiro de Abreu, romances de Paulo Setúbal, os grandes romances do Cristianismo, trovas de Adelmar Tavares e diversos outros. Mas o romancista que mais me agradou foi Lima Barreto, antes Dostoiewski, Érico Veríssimo, Dyonélio Machado, Cronin, uma infinidade de autores, enfim. Desculpe se não cito todos, nem um por cento talvez.

JF: Teve a influência de alguém para começar a escrever?
Foi naturalmente através das leituras escolares.

JF: Tem Home Page própria (não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus)?
Tenho diversos blogs que podem ser encontrados procurando por IALMAR PIO SCHNEIDER no Google, como http://ialmar.pio.schneider.zip.net/ ; http://ialmarpioschneider.blogspot.com/ ; http://ial123.blog.terra.com.br/

JF: Você encontra muitas dificuldades em viver de literatura em um país que está bem longe de ser um apreciador de livros?
Nunca pensei nisto. No Brasil acho que só meia dúzia o consegue.

SEUS TEXTOS E PREMIOS

JF: Como começou a tomar gosto pela escrita?
Para conhecer e aprender, pois acho que todo o livro é de auto-ajuda.

JF: Você possui livros? Se sim em que você se inspirou em seus livros?
Fiz a estréia editorial na obra TROVADORES DO RIO GRANDE DO SUL, org. por Nelson Fachinelli, em 1982. Publiquei a obra poética SONETOS E CÂNTICOS DISPERSOS, em 1987. Figuro em outras coletâneas. A última obra, POESIAS ESPARSAS DIVERSAS, de 2000.

JF: Como definiria seu estilo literário?
Eclético para poesia e crônicas também.

JF: Que acha de seus textos: O que representam para si? E para os leitores?
Acho que são a expressão do meu pensamento. A maioria dos leitores dizem gostar.

JF: Qual a sua opinião a respeito da Internet? Tem contribuído para a difusão do seu trabalho?
Tem contribuído muito e eu considero o mais valioso meio de publicação atual, ainda mais para quem não tem a grande mídia ao seu dispor.

JF: Tem prêmios literários?
Alguns.

JF: Participa de Concursos Literários? Qual sua visão sobre eles? Acha que eles tem “marmelada”?
Participo às vezes. Tenho visto trovas sem nenhum fundamento serem premiadas.

CRIAÇÃO LITERÁRIA

JF: Você precisa ter uma situação psicologicamente muito definida ou já chegou num ponto em que é só fazer um “clic” e a musa pinta de lá de dentro? Para se inspirar literariamenteprecisa de algum ambiente especial ?
Surge de repente, não sei de onde nem quando.

JF: Você acredita que para ser poeta ou trovador basta somente exercitar a escrita ou vocação é essencial?
Tudo é essencial, principalmente muita leitura.

JF: No processo de formação do escritor é preciso que ele leia porcaria?
É preciso distinguir.

O ESCRITOR E A LITERATURA

JF: Mas existe uma constelação de escritores que nos é desconhecida. Para nós chega apenas o que a mídia divulga. Na sua opinião que livro ou livros da literatura da língua portuguesa deveriam ser leitura obrigatória?
Os clássicos: Machado de Assis, Lima Barreto, Euclides da Cunha, Rui Barbosa. Paulo Setúbal, Érico Veríssimo, Dyonélio Machado, Lya Luft e outros. Os bons escritores. A lista é infindável. Poesias de Vinicius de Moraes, Guilherme de Almeida e os clássicos também Castro Alves, Fagundes Varela, Alvares de Azevedo, Olavo Bilac, tantos e tantos.

JF: Qual o papel do escritor na sociedade?
Ensinar e divertir também.

JF: Há lugar para a poesia em nossos tempos?
Há sim. Aqui no sul principalmente a poesia gauchesca, os sonetos românticos. Basta declamar uma poesia atraente todos gostam.

A PESSOA POR TRÁS DO ESCRITOR
Um bancário aposentado, um advogado não militante e um diletante em literatura.

JF: O que o choca hoje em dia?
A violência e a falta de saúde pública.

JF: O que lê hoje?
Romances e poesias. Estou curtindo um ócio criativo. Nada de muito profundo.

JF: Você possui algum projeto que pretende ainda desenvolver?
Continuar escrevendo nos blogs e talvez preparar um livro de poemas e poesias gauchescas.

JF: De que forma você vê a cultura popular nos tempos atuais de globalização?
Vai andando aos trancos e barrancos, mas com o andar da carroça as abóboras se ajeitam na caixa.

CONSELHOS PARA OS ESCRITORES

JF: Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ?
Ler bastante e escrever mesmo errando.

JF: O que é preciso para ser um bom poeta ou/e trovador?
Muita leitura e perspicácia.

JF: Finalmente, se Deus parasse na tua frente e lhe concedesse três desejos quais seriam?
Boa saúde, meios para continuar vivendo e a felicidade da Humanidade inteira.

TROVAS DE IALMAR

Cada paixão que me invade
surge do amor que não tive;
e representa a saudade
de quem neste mundo vive.

Eu não sou navegador,
mas enfrento o mar da vida,
por causa do nosso amor
que não teve despedida.

Foste a morena brejeira
que surgiu em meu amor
como o botão da roseira
que agora não dá mais flor.

Não foram horas perdidas
as que passei junto a ti;
são lembranças bem vividas
que nunca mais esqueci…

Perambulando sozinho
pelas ruas da cidade,
procuro achar o caminho
que leva à felicidade.

Fonte:
Entrevista realizada virtualmente (por e-mail) por José Feldman (PR) com o poeta e trovador Ialmar Pio Schneider (RS).

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.50)

Trova do Dia

Belo mar que amamos tanto,
com rendas brancas vestido.
Brindamos o teu encanto,
maravilhoso, incontido!
ARLENE LIMA/PR

Trova Potiguar

Na montanha a fala boa;
sermão com tanta verdade,
que até hoje ainda ecoa,
no ouvido da humanidade.
LUIZ DUTRA BORGES/RN

Uma Trova Premiada

2009 > Cantagalo/RJ
Tema > EUCLIDES DA CUNHA > 13º Lugar.

Prosando, Euclides da Cunha,
em “Os Sertões”, pinta o porte
do sertanejo… que alcunha:
“é, antes de tudo um forte”.
MARIA DA CONCEIÇÃO FAGUNDES/PR

Uma Poesia livre

– Shannya Lacerda/RN –
MARVADA

Leve daqui meus males;
a verdura de meus sonhos
acabou em morte! Leve, leve
daqui tudo o que lembrar.
Fadigas, cheiros, sonhos, roupas,
músicas, paisagens, roupas,
cheiros, brigas, recordações…
enfim, leve tudo consigo.
Pois não conseguirei levar comigo
junto às flores de meu caixão.
Vá.
Vá logo,
ou vá-se daqui também comigo!
Leve as agonias, passamentos, roupas;
para onde vou?, não as preciso. Ou preciso?
Se precisar leve-me junto.
Leve junto às roupas que trago
condensadas na pele e as que já nem sinto.

Uma Trova de Ademar

Uma promessa de amor
pode até ser esquecida,
mas, se feita ao Criador,
terá sim, que ser cumprida!
ADEMAR MACEDO/RN

…E Suas Trovas Ficaram

A amizade verdadeira
é infinita como o espaço
mas se estreita e cabe, inteira,
nos limites de um abraço.
WALDIR NEVES/RJ

Estrofe do Dia

Você reza o Pai Nosso e não entende
que pediu a Jesus na oração,
que ele só lhe dê o seu perdão
se você perdoar a quem lhe ofende.
Mas agora que você compreende,
toda vez que estiver ajoelhado
pra rezar um Pai Nosso compassado,
você lembre durante a oração,
que é preciso que exista o seu perdão
para que você seja perdoado.
JOSÉ ACACI/RN

Soneto do Dia

– Florbela Espanca/Portugal–
EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
eu sou a que na vida não tem norte,
sou a irmã do sonho, e desta sorte
sou a crucificada … a dolorida …

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
e que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver,
e que nunca na vida me encontrou!

Fonte:
Ademar Macedo

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Trova 185 – Fernando Pessoa (Portugal)

Imagem criada por João Beja. Disponível em http://jobeja.blogspot.com

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