Roberto Pinheiro Acruche (Meus Poemas n.7)

PAIXÃO OCULTA

Durante anos nos olhávamos,
trocávamos amabilidades
e falávamos sobre muitos acontecimentos…
Coisas do dia a dia, episódios da vida,
ocorrências antigas…
E a nossa amizade,
já amadurada pelo tempo,
não deixava que abríssemos
os nossos corações, para revelar
um sentimento que germinava
no peito e que a cada dia ficava mais
evidente, flagrante e manifesto.
Beijando-lhe a face,
gesto comum em nossas saudações,
ao sentir o seu perfume,
não resistindo o impulso,
exclamei:
– Quisera sentir esse seu perfume
beijando seus lábios!
Um olhar direto, súbito, ela me dirigiu;
silenciosa, espichou os braços
afastando-nos de um tenro abraço
e caminhamos.
Nada mais, apesar de conversarmos,
ponderamos sobre o ocorrido.

Mas ficou visível, claro, indubitável,
que algo mais intenso nos unia; e nossas
reações demonstraram confessadamente,
que ocultávamos o que verdadeiramente sentíamos.
Dias decorreram, sem que atrevessemos
insinuar, qualquer manifestação,
a propósito do meu repentino gesto.
Razões provocadas pelas nossas existências,
talvez, em decorrência de nossos destinos,
nos afastaram por certo período.
Até que, num inesperado encontro,
sem que nada disséssemos,
nos entregamos num beijo prolongado,
voluptuoso, fazendo revelar todo o
desejo que fluía de nossos instintos…
Antecedendo a um novo momento,
onde deleitamos toda a sensação
de uma conjunção amorosa,
com a voracidade que nossa avidez ansiava.

ILUSÃO

As pessoas me perguntam:
– Afinal, onde está aquele grande amor,
aquela paixão tão intensa, tão bonita,
que te deixava risonho, radiante,
um legítimo modelo de felicidade?
Daí, esboçando um sorriso, respondo:
– Tudo, como na vida,
um dia acaba
e o tempo germina o esquecimento…
Não existe mais nada,
Terminou.
Ah… Quem me dera fosse verdade!…
Que nada mais existisse…
Que livre desse amor me visse…
Eu não esboçaria esse sorriso triste,
não sentiria essa saudade
que me lanha o peito,
que me transforma,
que me faz desse jeito…
Autêntico modelo de infelicidade!

MEU SEGREDO

Por mais que eu queira
Não posso dizer que te amo
Mesmo te amando intensamente.
Por mais que te queira
Não posso revelar o tamanho da minha paixão.

Por mais que eu queira
Não posso estar ao teu lado
Sentindo as tuas carícias
O toque sutil de tuas mãos sedosas
O sabor dos teus beijos.

Por mais que eu queira
Também não posso te esquecer…
Tu estas em meus sonhos
Nas minhas fantasias
Nas minhas ilusões
Nas minhas orações
Nas minhas horas de nostalgia
Nas horas que canto, grito o teu nome,
que este amor me consome
e me faz sofrer…
Não posso te esquecer.

Se algum dia
Tu olhares para mim
Saberás enfim
Que não vivo apenas por viver…
Vivo, porque te amo.

Fonte:
O Autor
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