Jandi Fabian Barbosa e Tania M. K. Rosing (A Literatura Infanto-Juvenil: do Acesso ao Livro até a Formação do Leitor)

RESUMO: O presente trabalho – A Literatura Infanto-Juvenil: Do acesso ao livro até a formação do leitor – reúne reflexões acerca de um tema com linha tríplice, ou seja, o estudo de algumas particularidades referentes ao desenvolvimento da literatura infanto-juvenil em sala de aula. Em primeiro plano a abordagem segue a linha que envolve a problematização de acesso a obra literária. Em segundo momento a questão da formação de mediadores de leitura e, a importância desse mediador consolidar-se como um eu – leitor e, assim, construir uma fortuna literária adequada para realizar sua função de formar leitores literários críticos. Assumindo o leitor um papel de pronunciar sua percepção sobre o que encontrou por meio da leitura e e/ou ampliar sua organização intelectual a respeito do contingente social que o cerca.

PALAVRAS – CHAVE: Acesso – mediadores – leitura – leitor.

1- Introdução

O presente trabalho – A Literatura Infanto-Juvenil: Do acesso ao livro até a formação do leitor – reúne reflexões acerca de um tema com linha tríplice, ou seja, o estudo de algumas particularidades referentes ao desenvolvimento da literatura infanto-juvenil em sala de aula. Em primeiro plano a abordagem segue a linha que envolve a problematização de acesso a obra literária, não somente dos livros tradicionais, mas também, a inclusão das novas e mais diversas ferramentas como: Hqs, Dvds, quadrinhos, entre outros que servem como suporte de alto grau de interesse dos jovens estudantes. Em segundo momento a questão da formação de mediadores de leitura e, a importância desse mediador consolidar-se como um eu – leitor e, assim, construir uma fortuna literária adequada para realizar sua função de formar leitores literários críticos.

Por fim o objetivo primordial que alimenta essa proposta cientifica é demonstrar as possibilidades em que o mediador de leitura pode desenvolver o seu trabalho buscando debruçar a ênfase na forma de apresentar a obra literária aos leitores, pois é por meio de seu entusiasmo, de sua paixão e dedicação que essas novas peças do mundo da leitura conseguirão desenvolver a capacidade de conhecer e lidar com as realidades que convivem. Nesse sentido procura-se principalmente em evidenciar os recursos que podem ser retirados da obra escolhida e a forma de aplicação que consiste em uma ferramenta extremamente eficaz no processo de emancipação intelectual e cultural desse individuo.

2- Por onde caminha a literatura infanto-juvenil

É costume de qualquer cidadão manifestar opiniões sobre os mais diversos temas que transitam entre nossa sociedade, informações de um conhecimento empírico que na maioria das vezes não são sistematizados e muito menos críticos. No entanto, quando nos deparamos com professores, responsáveis pela boa formação e informação daqueles que logo formarão os pensamentos da futura sociedade, manifestando opiniões dispersas e sem qualquer embasamento teórico sobre as reais condições da propagação da literatura infanto-juvenil; acabamos por perceber as dificuldades que esse profissional tem de assimilar as realidades e condições que circulam em seu ambiente de trabalho e/ou o próprio descomprometi mento com a função de formar um cidadão capaz, leitor, critico e emancipado das grades da ignorância. O contexto é outro e novas atitudes precisam ser traçadas como mostra o excerto:

A movimentação pela formação de leitores no Brasil identifica uma primeira necessidade: reconhecendo-se, na atualidade, a importância da instituição escola como centro de difusão educacional, cultural e tecnológica, onde deve ocorrer o processo de formação de dados em informações e de informações em conhecimento entre professores e alunos, impõe-se urgentemente a formação de professores leitores no exercício da docência a partir de novos parâmetros. (ROSING, 2009, p.129).

Tânia Rosing afirma no trecho supracitado a necessidade de o professor agregar em sua vida mais uma atividade que na verdade já deveria fazer parte de seu cotidiano, a um bom tempo. Ou seja, a importância do educador ir alem dos limites da sala de aula e configurar-se como um leitor competente, integrado e conhecedor da capacidade de envolver o aluno que recai sobre sua função; assim capacitando-se para dialogar com competência sobre as diversas obras que fazem parte de sua fortuna literária.

Experiências de leitura que provavelmente formarão junto com o entusiasmo do professor e sua vontade de romper barreiras um mecanismo eficiente contra a atual situação em que se encontra a escola e os jovens, esses sem interesse algum pelo conhecimento literário, muito provavelmente originado pelas maneiras arcaicas e pouco interessantes em que à literatura e suas obras são apresentadas em sala de aula.

A criança, o jovem, enfim, o aluno precisa ser cativado, ser conquistado, direcionado para o caminho da leitura, se a pessoa se sente pouco à vontade em

aventurar-se na cultura letrada devido à sua origem social, seu distanciamento dos lugares do saber, a dimensão do encontro com um mediador, das trocas, das palavras “verdadeiras”, é essencial. (PETIT, 2008). Muito provavelmente o ato de despertar para o mundo da leitura, do conhecimento acontece por meio de certo amor, de uma admiração resultante do contato com uma bibliotecária, professor, pai, mãe, amigo que independente do grau de aproximação mostra-se como um cidadão comprometido com o conhecimento letrado e demonstra sua satisfação de tal forma que acaba contagiando muitos daqueles que o cercam. Como evidencia o relado da jovem Bopha em pesquisa realizada por Michele Petit.

Lembro-me muito bem como foi que tomei gosto pela leitura: apresentando um livro a meus colegas de classe (tinha uns onze anos). Escolhi Ratos e homens, de Steinbeck. Era a historia de um retardado mental, a historia da amizade entre dois homens. Esse livro me marcou muito, e a partir dele comecei realmente a ler outras coisas, a ler livros sem figuras, a ler autores. Comecei a freqüentar bibliotecas, acompanhando minha irmã, para ver livros, folhear, olhar. (PETIT, 2008, p. 154).

A criança, o jovem precisa estar em contato com o livro, com as revistas, enfim, com todo acervo de leitura possível e realizar ação desde um simples folhear páginas até as leituras, mas intensas. No entanto, acaba sendo na escola que o leitor deixa de ler ou não desenvolve suas leituras. Nas páginas seguintes essa pesquisadora francesa Michele Petit mostra que a jovem bopha que aos onze anos despertou para leitura quando entrou para o ensino médio devido o acumulo de atividades, de matérias e a obrigatoriedade de leitura de algumas obras que exigiam maior poder de compreensão ela acaba distanciando-se do prazer de ler. Essa informação remonta sobre a necessidade de desenvolver uma urgente reformulação no sistema de ensino nas escolas e também a adesão do professor em agregar com competência a importância de apropriar-se do titulo de professor-leitor; e dessa forma conseguir despertar a criança para leitura e conseguir desenvolver esse gosto e crescimento intelectual por toda sua carreira escolar. Zilberman (2009) já afirmava que a crise da leitura é igualmente uma crise da escola, e vice-versa.

3- O Livro ao alcance do leitor

Mais adiante retomaremos a questão de mediação de leitura, afim de, apresentar maneiras de desenvolver essa prática. Agora outro fator que aparece como grande problema para disseminação da leitura é o acesso que as crianças tem aos materiais, não somente o livro em sua forma tradicional, mas também, as mais novas e modernas tecnologias de acesso à leitura como: Quadrinhos, hqs, dvds, internet, televisão entre outros.

É, contudo, pois, que Regina Zilberman, afirma que o livro didático exclui a interpretação e, com isso, exila o leitor […] Consequentemente, a proposta de que a leitura seja enfatizada na sala de aula significa o resgate de sua função primordial, buscando, sobretudo a recuperação do contato do aluno com a obra de ficção. O estudo de trechos de obras literárias, o uso da literatura para conhecer a sintaxe, como realiza a maioria os livros didáticos, pouco oferecem para o desenvolvimento da leitura. Limitando-se a atividades de cunho estritamente pragmático. O contato com o livro, em sua integridade, deve ser constante, as estimulações por meio das imagens, a criação de histórias, as comparações com a realidade, à leitura da obra pelo professor, juntamente com o ato de folhear e manusear o livro que conseguirão despertar a curiosidade e instigar o estudante a disseminar o gosto pela leitura. É de suma importância o contato com o objeto, com a obra de ficção, essas devem estar a todo o momento ao alcance dos pequenos leitores, para que assim consigam busca-las sempre que desejarem e acabem como afirma o trecho abaixo realizando uma descoberta:

Com efeito, o recurso à literatura pode desencadear com eficiência um novo pacto entre estudantes e o texto, assim como entre aluno e professor. No primeiro caso, trata-se de estimular uma vivência singular com a obra, visando ao enriquecimento pessoal do leitor, sem finalidades precípuas ou cobranças ulteriores. Já que a leitura é necessariamente uma descoberta de mundo. (ZILBERMAN, 2009, p.36).

A constante aproximação dos alunos com a obra literária como antes evidenciado é imprescindível, mas, se faz necessário nesse novo contexto, de constantes descobertas tecnológicas, da televisão, da internet, em que esta envolvida a escola e a educação apresentar para os alunos as outras ferramentas que hoje facilitam o acesso ao mundo da leitura. Ferramentas essas que muitas vezes proporcionam um envolvimento mais rápido e cativante para os pequenos em processo de apropriação da leitura.

Um grande exemplo dentre as novas mídias que cativam de forma gigantesca os jovens, crianças e o público de forma geral é a televisão, que acaba sendo duramente criticada pela pedagogia devido à qualidade de sua programação e seu poder de deformação de caráter, no entanto, assistir televisão é um grande hábito da sociedade contemporânea. E existem programas diversos que o educador pode levar para sala de aula e juntamente com o livro desenvolver um trabalho pedagógico de ensino-aprendizagem altamente produtivo.

Ocupar um espaço na televisão com um programa educativo infantil também despertou, na equipe responsável pelo Mundo da Leitura (*), o cuidado de não reduplicar e reforçar a cultura de massas, tão fortemente enraizada nessa mídia. Em contraposição a isso, elegeu-se como foco do programa a difusão das produções literárias e artísticas provenientes da cultura erudita e da cultura individual criadora e dos conhecimentos gerados pelas ciências modernas; por outro lado, buscou-se resgatar as manifestações da cultura popular, depositária da sabedoria secular do povo iletrado. (BECKER, 2009, p.261).

(*) Mundo da Leitura é um programa de TV produzido pela Universidade de Passo Fundo e exibido nacionalmente no Canal Futura. As aventuras de Gali-Leu e sua turma são elaboradas por uma equipe interdisciplinar que envolve os cursos de Letras, Artes e Comunicação , Educação, Ciências Exatas, e a UPFTV. De forma lúdica e dinâmica, as diversas linguagens apresentadas – manipulação de bonecos, leitura e encenação de textos infantis, artes gráficas, música, entre outros – servem de incentivo para o desenvolvimento da criatividade, do raciocínio lógico e, principalmente, para a criação do hábito da leitura entre as crianças.

A preocupação dos editores da programação do Mundo da Leitura mostra como essa mídia, a televisão, pode ser extremamente relevante no processo de formação e acesso á leitura dos estudantes. Somente se faz necessário à habilidade do professor em escolher as obras, os programas, as atividades que realmente poderão proporcionar o enriquecimento das aulas e do prazer em conhecer a literatura. Da mesma forma pode o educador utilizar-se das inúmeras páginas na internet que fazem referências as obras infantis, ao despertar da curiosidade, trabalhando as imagens em conjunto com o texto escrito. Transitar pelos quadrinhos, pelas hqs, que por suas diversas cores e formatos despertam intensa curiosidade dos alunos. Ou seja, os materiais disponíveis para facilitar a compreensão da literatura e desenvolver o gosto pela leitura são os mais variados, mas, relembramos a necessidade de estarem absolutamente ao alcance dos alunos, devem fazer parte de seu dia-a-dia na escola e principalmente da mediação realizada pelo professor entre esses materiais e os jovens leitores.

4- Transmitir literatura com amor: Formação de Mediadores de leitura

A escritora Michele Petit em seu livro, Os Jovens e a Leitura – Uma nova perspectiva, afirma que o mediador, ou no termo utilizado pela autora, o iniciador aos livros, é aquele que pode legitimar o desejo de ler. Que ajuda a ultrapassar os umbrais em diferentes momentos, que acompanha o leitor no momento difícil de escolher o livro, aquele que possibilita fazer descobertas por meio de seus conselhos sem pender para uma mediação pedagógica. Ë evidente a importância da atuação continua do mediador, entusiástica, mantendo-se de forma persistente ao lado desse jovem que começa a desenvolver o prazer pela leitura.

No entanto, não é esse profissional que encontramos na grande maioria das escolas brasileiras, é comum encontrar educadores voltados às reclamações sobre má remuneração, carga excessiva de aulas, indisciplina dos alunos, e bitolados as mais arcaicas formas de promover o encontro com o conhecimento. Em sua grande maioria, e não falo somente do professor de língua portuguesa, mas também de matemática. Física, geografia, história, química, biologia, entre outras, que não se configuram como leitores assíduos, em que parece terem abandonado o hábito da leitura juntamente com o final de suas graduações. O professor independente da disciplina que leciona precisa posicionar-se como um cidadão literalmente emancipado em termos de leitura, e todos os tipos de leitura como diz Celso Sisto:

Para se chegar a reconhecer um bom livro, é preciso ter lido maus livros! É preciso ter lido livros mais ou menos. É preciso ter descoberto bons livros. É preciso estar atento ao que esta aí no mercado, freqüentar livrarias, mexer nos livros, fuçar nas estantes das bibliotecas. Seja qual for à experiência de escolha dos livros (a táctil não deveria estar descartada, como em algumas bibliotecas!), o histórico das leituras esta lá, latente, guardado (e grudado!) no leitor, e se põe em movimento cada vez que se começa a ler um livro. (SISTO, 2009, p.123).

É, contudo, pois, ainda utilizando-se dos apontamentos de Sisto que se o leitor alcança o estágio de leitor crítico, ele não deixara, ou seja, não é possível voltar atrás, abandonar a leitura e esquecer sua fortuna literária, mas lembra, existe apenas um caminho para atingir esse ideário, lendo! Reflexões dessa magnitude nos levam a imaginar que os educadores que compõe o quadro de trabalho das escolas de hoje, como não desenvolvem o hábito da leitura e apresentam enorme dificuldade em indicar as obras aos alunos; encaminhá-los por um caminho interessante, recheado de descobertas, de reconhecimento de si e do mundo que o cerca, evidencia que esse profissional nunca chegou a se tornar um leitor.

Procuramos demonstrar a necessidade do educador se converter em uma pessoa leitora, em um cidadão leitor e principalmente em professor leitor. E para atingir esse objetivo considera-se prioritário atentar as seguintes questões:

a) Criar o hábito da leitura diária.

b) Desenvolver o letramento necessário para a leitura das diversas fontes existentes na contemporaneidade.

c) Conhecer as novidades em autores e obras da literatura.

d) Participar de encontros de leitura, mesas redonda, congressos, seminários, entre outros.

e) Trocar experiências e apontamentos com os professores das outras áreas do conhecimento.

f) Favorecer a interatividade entre as matérias.

g) Proporcionar o desenvolvimento de uma biblioteca pessoal

h) Ser freqüentador assíduo de bibliotecas, livrarias e revistarias.

Permitindo-se participar dessa grade de recomendações muito provavelmente o professor alcançara um ritimo de trabalho e de leitura capaz de contagiar inúmeras almas que estão lá nas salas de aulas esperando um mediador, um contador de histórias, alguém que desenvolva um caminho perspicaz em direção a construção do cidadão emancipado, dono de suas ideologias, recheado de argumentos, e que chegara a sua vida adulta já consolidado como um leitor crítico e com uma visão próxima ao que vislumbra Teresa Colomer:

Como quem aprende andar pela selva notando as pistas e sinais que lhe permitirão sobreviver, aprender a ler literatura dá oportunidade de se sensibilizar os indícios da linguagem, de converter-se em alguém que não permanece à mercê do discurso alheio, alguém capaz de analisar e julgar, por exemplo, o que se diz na televisão ou perceber as estratégias de persuasão ocultas em um anúncio. […] se alude isso com a aquisição de uma capacidade crítica de “desmascaramento” da mentira, um meio para não cair nas armadilhas discursivas da sociedade.(COLOMER, 2007, p. 71).

Esse é o ideal de mediador de leitura que carece nosso Brasil, capaz de reconhecer as grandes estratégias discursivas nos mais diversos meios de comunicação, por isso a importância do letramento, e dessa forma conseguir encantar os estudantes que à medida que conseguem reconhecer a eles próprios entendem a complexidade do contexto social ao qual estão inseridos.

É evidente que o governo poderia propiciar inúmeros projetos para formação de mediadores de leitura, afim de que, os professores conseguissem alcançar os níveis de conhecimento e habilidades até aqui comentados, no entanto, esse capitulo priorizou demonstrar como o educador pode por uma atitude sua, independente tornar-se um mediador competente e, quem sabe, contaminar com sua energia e entusiasmo aqueles que o cercam, e provavelmente quando o sistema político de nosso país acordar para a necessidade de embalar com mais dedicação à leitura e educação, esse mediador já estará preparado para aplicar com gigante eficiência o trabalho de formar leitores, uma vez que já é um professor-leitor, um mediador de leitura.

5- Como e o que explorar no livro

A necessidade de saber “mais” para entender “melhor” é algo próprio a qualquer processo de compreensão, inclusive, é claro, a leitura. No entanto, para crianças menores, o livro se cria em suas mãos. (COLOMER, 2007). É uma afirmação interessante para começarmos a desenvolver reflexões sobre como apresentar e o que explorar nos livros de literatura infanto-juvenil. Como já mencionado no inicio deste trabalho o contato com livro e as outras formas de leitura, o ato de manusear, folhear é imprescindível, a criança precisa desenvolver gradativamente o gosto por esse conhecimento. Inicialmente o reconhecimento das imagens, daquilo que ela possa relacionar com o seu mundo, para depois integrar imagem e texto e futuramente preocupar-se com o nome do autor, características, estilo, crítica e demais especificidades, ou seja, a criança precisa despertar o interesse em saber essas questões, que no momento certo são apresentadas pelo mediador.

Certamente além do contato imediato do aluno com a obra de ficção a contação de histórias, a leitura em voz alta pelo mediador de poemas que vislumbrem situações possíveis de serem reconhecidas pelos pequenos leitores despertam a vontade de continuar escutando e muitas vezes de compartilhas histórias, vejamos um exemplo:

Este pequeno mundo

Sei que o mundo é mais que a casa,

Mais que a rua, mais que a escola,
Mais que a mãe e mais que o pai.
Vão alem do horizonte,

Que eu desenho no caderno
Como linha reta e preta,
Que separa o azul do verde.
Sei que é muito, sei que é grande,

Sei que é cheio, sei que é vasto.
Me disseram que é uma bola
Que flutua pelo espaço,
Atirada pelo chute

De um gigante poderoso;
Vai direto para um gol
Que ninguém sabe onde é.

Mas para mim o que mais conta

É este mundo que eu conheço
E que cabe direitinho
Bem debaixo do meu pé!

(BANDEIRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris. São Paulo: Moderna, 2002. )

A riqueza da linguagem literária deve aqui ser ressaltada pelo mediador, fazer o aluno perceber as dessemelhanças entre as falas do cotidiano e apreciar o enriquecimento que a linguagem elaborada acarreta ao texto. Sem necessidade de trabalhar com os clássicos da literatura inicialmente, pois existem inúmeras formas de textos modernos que podem suprir essa necessidade inicial. (ROSING, 2009).

Cada verso do poema de Pedro Bandeira pode ser transfigurado e transformado pelas crianças, no entanto, exige do professor um real comprometimento com o conhecimento, que de ser literalmente dominado, estar integrado com as novas formas de leitura e principalmente comas novas tecnologias que permitem uma interação mais rápida e instigante para os alunos. Essa ampliação dos mecanismos que pode o professor estar utilizando em sala de aula proporciona uma efetiva elaboração de encontros realmente produtivos e, voltados ao comprometimento do texto literário não mais de forma aleatória e sim a utilização do texto integral.

Após ler o poema e analisar com os alunos, sob a orientação do professor, pode esse propor a fim de evidenciar o gosto pelo texto, um pequeno questionário de forma oral mesmo, simplesmente envolvendo todos em uma brincadeira de compreensão utilizando-se das seguintes questões:

a) Como é o mundo que vocês imaginam?

b) Ele é maior que a escola e a casa mesmo?

c) Que coisas fazem parte do mudo?

d) O mundo é igual a uma bola?

e) O que tem debaixo de seu pé?

Ao responderem questionamentos como estes, o aluno aciona seus referentes culturais e seu conhecimento de mundo, que passa a ser compartilhado com os demais colegas e o professor, o qual facilita o processo de compreensão realizando pontes entre o mundo cotidiano e o mundo figurado apresentado pelo poema. Gerando uma atmosfera extremamente interessante para aluno, em que ele conseguira desenvolver habilidades para interar-se com os demais texto que possa encontrar, muitos desses que logicamente serão apresentados pelo professor.

6- Considerações finais

Um bom livro é aquele que agrada, não importando se foi escrito para crianças ou adultos, homens ou mulheres, brasileiros ou estrangeiros. E ao livro que agrada se costuma voltar, lendo-o de novo, no todo ou em parte, retornando de preferência àqueles trechos que provocaram prazer particular.” (ZILBERMAN, 2005). Essa definição ressalta a importância da boa formação do mediador de leitura, pois é através de suas indicações que o aluno vai encmainhar-se para o processo de desenvolver o gosto pela leitura. Conseguir reconhecer a riqueza de linguagem que oferece o texto literário.

Enquanto um texto didático procura uma convergência, todos os leitores chegando a uma mesma resposta, apontando para um único ponto, o texto literário procura a divergência. Quanto mais diversificadas as considerações, quanto mais individuais as emoções, mais rico se torna o texto. Digo sempre que o livro é um objeto, e o leitor um sujeito. (QUEIRÓS, 2005, p.171).

Sendo assim o leitor assume o papel de pronunciar sua percepção sobre o que encontrou por meio da leitura, ou seja, não é o que o texto quis dizer e sim aquilo que o leitor, emancipado e crítico, percebeu, conseguiu captar, e dessa forma pode utilizar esse conhecimento apreendido para melhorar e/ou ampliar sua organização intelectual a respeito do contingente social que o cerca.

A formação desse futuro leitor certamente enfrente um contexto de enormes contradições e desafios, em meio a tecnologias e resistências do passado, mas cabe principalmente ao professor conscientizar-se como um cidadão leitor e inserido no mundo literário apresentar as portas do saber e da viagem maravilhosa que representa a leitura na vida de todos.

Referências bibliográficas

BANDEIRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris. São Paulo: Moderna, 2002.
COLOMER, Teresa. Andar entre Livros. A leitura literária na escola. 1. ed. São Paulo: Ed. Global, 2009.
PETIT, Michele. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. São Paulo: Editora 34, 2008.
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Leitura, um diálogo subjetivo. In: O que é qualidade em literatura infantil e juvenil?: com a palavra o escritor. São Paulo: DCL, 2005.
ROSING, Tânia M.K. Do currículo por disciplina à era da educação – cultura-tecnologia sintonizadas: processo de formação de mediadores de leitura. In: Mediação de Leitura – discussões e alternativas para a formação de leitores. São Paulo: Global, 2009.
SISTO, Celso. A pretexto de se escrever, publicar e ler bons textos. In: O que é qualidade em literatura infantil e juvenil? Com a palavra o escritor. São Paulo: DCL, 2005.
ZILBERMAN, Regina. A leitura na escola. In: ROSING, M.K. e ZILBERMAN, Regina (Org.). Escola e Leitura: velha crise, novas alternativas. São Paulo: Global, 2009.
ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
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Sobre as autoras

Jandi Fabian Barbosa, Mestrando em Letras – Concentração em Estudos Literários – Universidade de Passo Fundo – UPF – jandibar@hotmail.com

Tania M. K. Rosing, Graduada em Letras (UPF, 1969) e Pedagogia (UPF, 1977), Mestre em Teoria Literária (PUCRS, 1987), Doutora em Teoria da Literatura (PUCRS, 1994). Professora do PPGL e do Curso de Letras, atua na linha de pesquisa “Leitura e formação do leitor”.

Fonte:
II Seminário Nacional em Estudos da Linguagem: Diversidade, Ensino e Linguagem

06 a 08 de outubro de 2010
UNIOESTE – Cascavel / PR
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Arquivado em Sopa de Letras

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