Arquivo do mês: março 2011

II Concurso de Trovas Antônio Roberto Fernandes – Academia Pedralva

VENCEDORAS
Em ordem alfabética

Noel Rosa, agora empresta
ao céu, mais encanto e brilho!…
Que Deus em noite de festa
aplaude as canções do seu filho!
Adilson Maia – Niterói-RJ

Sem Noel Rosa, a verdade,
é uma dor que não tem jeito,
do tamanho da saudade
que nem cabe em nosso peito.
Almerinda F. Liporage – Rio de Janeiro-RJ

As estrelas “Pastorinhas”
na piscadela amorosa
vão soprando as cem velinhas,
que festejam Noel Rosa!
Dirce Montechiari – Nova Friburgo-RJ

Um novo mestre no céu…
De Noel Rosa, a lição:
Harpas deixadas ao léu,
Anjos tocando violão!
Dodora Galinari – Belo Horizonte-MG

Ausente o rei da seresta
chora a Vila pesarosa…
Mas Deus recebe com festa
o seu filho, Noel Rosa!
Elen de Novaes Felix – Niterói-RJ

De Noel Rosa a lembrança
sempre traz grande emoção:
-Saudade que vive mansa,
com “Feitio de Oração”!…
Hermoclydes S. Franco – Rio de Janeiro-RJ

Na Vila Izabel famosa
onde há cem anos nasceu,
o poeta Noel Rosa
foi rei num mundo plebeu!
Licínio Antônio de Andrade – Juiz de Fora-MG

Cem anos de Noel Rosa…
O povo se rejubila
e em seresta harmoniosa
louva o Poeta da Vila!
Marina Bruna – São Paulo-SP

Noel Rosa bem sabia
o que mata uma paixão:
a noite triste e sombria,
sem luar e sem violão.
Olympio da Cruz Simões Coutinho – Belo Horizonte-MG

Inspiração fabulosa,
veia irônica sutil;
os teus sambas, Noel Rosa,
têm a cara do Brasil!
Wanda de Paula Mourthé – Belo Horizonte-MG

MENÇÃO HONROSA
Em ordem alfabética

Tecendo versos e rimas
com bossa e facilidade,
Noel Rosa, em obras primas,
pôs samba até na saudade.
Almira Guaracy Rebelo – Blo Horizonte-MG

Que versos, que repertório!
Noel Rosa foi um “bamba”.
Foi um marco divisório,
na história de nosso samba!
Ederson Cardoso de Lima – Niterói-RJ

A mercê das emoções
Noel Rosa impressionou
com suas lindas canções
que o tempo nunca apagou.
Jupyra Vasconcelos – Belo Horizonte-MG

Noel de Medeiros Rosa,
que hoje canta lá no céu,
é a voz do samba, saudosa,
que encanta Vila Izabel.
Nei Garcez – Curitiba-PR

Noel Rosa com seu tino
e talento musical,
fez do samba seu destino
e tornou-se imortal.
Nei Garcez – Curitiba-PR

Noel Rosa, a tua essência
que ao centenário desdobra,
não mede a breve existência…
mas a grandeza da obra!!!
Neide Rocha Portugal – Bandeirantes-PR

Noel Rosa eternamente
ouvirá nossos louvores,
pois sempre estará presente
nas vozes de seus cantores!
Renata Paccola – São Paulo-SP

Atingindo o apogeu,
é verdade bem sabida:
Noel Rosa não morreu
-mudou o estilo de vida…
Ruth Farah Nacif Lutterback – Cantagalo-RJ

“Eu sou da Vila” proclama,
com orgulho, Noel Rosa!
O poeta ganhou fama
e a Vila ficou famosa!
Therezinha Dieguez Brisolla – São Paulo-SP

Ante o samba, que o fascina,
Noel Rosa nem vacila,
trocou logo a medicina
pelo “feitiço” da Vila.
Wandira Fagundes Queiroz – Curitiba-PR

MENÇÃO ESPECIAL
Em ordem alfabética

Noel Rosa, na viagem
além de um rico troféu,
levou sambas , bagagem
para Deus ouvir, no céu.
Adilson Maia – Niterói-RJ

Enaltecer Noel Rosa
simplesmente numa trova,
é missão muito espinhosa
que o trovador pôs à prova…
Amael Tavares da Silva – Juiz de Fora-MG

Noel Rosa, sem desgaste,
jamais teu brilho descamba…
em Vila Isabel fundaste
o Estado Maior do Samba!
Carolina Ramos – Santos -SP

Noel de Medeiros Rosa,
nascido em Vila Isabel,
mestre no verso e na prosa,
no samba – foi bacharel!
Djalda Winter Santos – Rio de Janeiro-RJ

Noel Rosa, quem diria,
sem cigarro e sem chapéu,
chegou só, sem parceria,
pra fazer samba no céu.
Francisco José Pessoa – Fortaleza-CE

Noel Rosa, esse talento,
partiu da Vila tão cedo…
Mas, por Noel, canta o vento
e dança até o arvoredo.
Hegel Pontes Juiz de Fora-MG

Noel Rosa, o menestrel…
que pôs feitiço no samba,
provou que a Vila Izabel
é terra de gente bamba!…
Jorge Roberto Vieira – Niterói-RJ

Calçadas em partituras,
Noel Rosa ali deixou,
sua Vila em escrituras
grande herança que ficou!
Lucia Helena de Lemos Sertã – Nova Friburgo-RJ

Noel Rosa, qual canário,
em nossa memória estrila
cantando, no centenário,
o seu Feitiço da Vilia!…
Marcos Antônio de Andrade Medeiros – Lagoa Nova, Natal-RN

Noel Rosa tem feitiço
nos sambas de qualidade
e louvá-lo é compromisso
dos sambistas de verdade!
Rodolpho Abbud –Nova Friburgo-RJ

Fonte:
Roberto Pinheiro Acruche

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.166)

Uma Trova Nacional
Quando a vida se distrai
ou dá tudo… Ou tudo nega.
Rico… Pega o carro e sai.
Pobre sai… E o carro pega!
– Terezinha Brisolla/SP –

Uma Trova Potiguar
Três invenções sem futuro:
Carro, mulher e baralho.
As três me deixaram “duro”,
não sei quem deu mais trabalho!
– Francisco Macedo/RN –

Uma Trova Premiada

2008 > Bandeirantes/SP
Tema > TRABALHO > M/E

No trabalho a vida é dura,

minha grana é tão ausente,

que vendi a dentadura

pra comprar pasta de dente!

CLENIR NEVES RIBEIRO – RJ


…E Suas Trovas Ficaram
Quando a mulher do Gastão
troca de carro ou vestido,
a gente tem a impressão
que ela trocou de marido!…
– Aloísio Alves da Costa/CE –

Simplesmente Poesia

– Louro Branco/CE –
O QUE EU FAÇO SEM GOSTAR…

Promover um forró sem tocador
e pregar com pastor embriagado,
galopar com jumento encangalhado
e viajar no meu carro sem motor;
trabalhar com patrão enganador
e contratar um ladrão pra me roubar,
pegar filho dos outros pra criar,
mascar fumo e montar em égua tonta,
me juntar com mulher que bota ponta
são as coisas que eu faço sem gostar!

Estrofe do Dia
Sem bloco e sem bateria,
no carnaval do poeta
o folião não domina
nem samba-enredo interpreta,
a gente busca as metáforas
e a natureza completa.
– Jonas Bezerra/CE –

Soneto do Dia

– Renata Paccola/SP –
AZAR.

Certo dia, acordei de mau humor –
resquício de uma noite mal dormida.
Peguei o carro, e então fundiu o motor,
Segui para o metrô, enfurecida.

Tentei continuar com minha lida,
mas fiquei presa num elevador.
Neste compartimento sem saída,
passei horas de angústia e terror,

e saí sob o som de bate-estaca.
Depois, no meio de um supermercado,
senti a dor de um burro quando empaca.

Foi aí que vi, quase ao meu lado,
irônicos dizeres numa placa:
“Sorria. Você está sendo filmado!”

Fonte:
Ademar Macedo

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Antonio Brás Constante (Na Dúvida, Dê Bom Dia ao Caos)

Alguns adeptos da teoria do Caos dizem que se uma borboleta bater suas belas asas em algum lugar do oriente, ela poderia desencadear uma onda de fatos e fatores que destruiriam alguma coisa importante no ocidente, talvez sua casa, talvez a minha, ou talvez a casa de outra borboleta que estaria de férias na praia, também batendo suas asas só de sacanagem (a praia é um lugar onde até as borboletas ficam propensas a sacanagens) para destruir alguma coisa no outro lado do mundo.

Não é muito difícil de acreditar que insignificantes acontecimentos acabem gerando novos acontecimentos que nos façam parecer insignificantes. Para ocorrer um deslizamento de terra, por exemplo, tudo começa com uma única gotinha de água, que cai inofensiva em alguma encosta de morro. Mas quando percebemos que outras milhares de gotinhas parecem ter a mesma idéia de cair naquela mesma encosta o resultado é devastador.

Percebo isso também no trânsito (no meu caso na BR 116 por onde passo quase todos os dias), me parece que um simples bater de asas de uma borboleta, morcego, mosquito ou pernilongo, podem tirar a atenção do motorista que está a doze quilômetros de distância na minha frente, fazendo-o diminuir a velocidade de seu veículo por uma fração de segundo, está fração vai se estendendo para os carros atrás dele e o resultado é um nada belo engarrafamento matinal.

Com base nesta afirmação de que uma ação gera uma cadeia de reações, podemos imaginar que um simples e sincero “bom dia” muitas vezes tem o poder de poder mudar o curso de toda uma vida. Basta acreditarmos nisso. Mas se isso não der certo viaje até algum lugar do oriente e solte uma borboleta por lá, para que ela voe livre batendo suas asas na esperança que isso possa transformar o mundo em que vivemos (de preferência em algo melhor).

Enfim, na dúvida dê bom-dia ao caos, pois se os seres humanos sofrem com suas crises de humor, quem dirá a essência do caos, que com sua forma alucinada pode variar entre todos os estados de humor (passando pelos municípios, cidades e países do humor também), e receber bem este pequeno gesto. Tratar o mundo caótico que nos rodeia com a mesma gentileza com que gostaríamos de ser tratados, é uma forma de se demonstrar que você também sabe lidar com a loucura… Ou que já está completamente contaminado por ela.

Fontes:
O Autor
Imagem = http://tododiaumtextonovo.blogspot.com/2011/03/progresso-ou-caos.html

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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Projeto Quatro em Um) n.5

TRAVESSIA
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis/RJ

Peguei o rumo da estrada
Marcando firme o compasso
E fui buscar meu espaço
No romper da madrugada.

Atravessei as cancelas,
Saltei valas e valões,
Abri portas e janelas,
Penetrei pelas favelas,
Andei muitos quarteirões.

Busquei fé e esperança,
Dividi o pão que tinha,
Rezei muitas ladainhas,
Pedi a DEUS proteção…
Dei o abraço apertado
No meu tão sofrido irmão!

Passei fome, senti sede,
Pisei em pedras e espinhos,
Nunca fugi dos caminhos
Que pela vida encontrei
Pois quem foge é covarde
E eu nunca me acovardei.

Fui em busca de um amor,
Movido pela paixão.
Machuquei meu coração,
Que tanto tinha pra dar,
Mas fingi não sentir dor
Conjugando o verbo amar.

VOZ QUE SE CALA
Florbela Espanca
Portugal, 1894/1930

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera, que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!…

SENTIMENTOS
Prof.Garcia/RN

Quando o dia se apressa e vai embora,
num silêncio que fere e que angustia,
a tristeza me invade e me devora,
nas horas sepulcrais, do fim do dia.

Como quem diz adeus e triste chora,
vai-se o sol delirando de agonia,
e a cortina da noite, Deus decora,
com luz tênue, de vã melancolia.

Distante, bem distante, muito além,
a tristeza me acena, como quem
se despede de alguém, que já morreu,

foi apenas a luz de um dia lindo,
que cansada, acenou quase dormindo
e nos braços da noite adormeceu!

TROVAS
Extraída de Mensagens Poéticas, editado diariamente pelo grande poeta
e trovador Ademar Macedo/RN, a quem agradecemos, aqui neste projeto,
o carinho do envio.

Minha mulher, minha amada,
Tanto me envolve e seduz…
-Se ela for crucificada
Eu quero ser sua cruz!
(Héron Patrício/SP)

Muitos, dizem, pertencer,
as castas da cristandade;
mas mantém, no proceder,
presunção e má vontade…
(Pedro Grilo/RN )

Teu poder de sedução.
e a magia dos teus braços,
levam minha solidão
a percorrer os teus passos …
(Mílton Nunes Loureiro/RJ )

Desde os meus tempos mais idos,
que eu sonho de toda cor;
e meus sonhos coloridos,
são sempre os sonhos de amor!…
(Ademar Macedo/RN)

Somente o Grande Arquiteto
escritor sábio e fecundo,
consegue escrever correto
nas linhas tortas do mundo!
(Aloisio Alves da Costa/CE )

—–

Fonte:

A.M.A. Sardenberg

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.164 e 165)

Uma Trova Nacional
Se temos paz, temos tudo,
pois ela nos satisfaz!
Conheço gente, contudo,
que tem “tudo”, menos paz!
– Antônio Sardenberg/RJ –

Uma Trova Potiguar
Se o aquecimento global
não for combatido agora,
o amanhã será fatal,
o fim virá sem demora.
– Ieda Lima/RN –

Uma Trova Premiada

2006 > Fortaleza/CE
Tema > ESQUINA > 3º Lugar.

Parece que a minha sina
na caminhada da vida,
é deixar em cada esquina
uma esperança perdida.
– Nazareno Tourinho/PA –

Uma Trova de Ademar
Temo por nossa criança
que tem nas mãos um fuzil,
matando toda esperança
no futuro do Brasil…
– Ademar Macedo/RN –

…E Suas Trovas Ficaram
Não foste a minha metade,
pois jamais me deste um “sim”.
Mas fizeste que a saudade
fosse metade de mim!
– José M. Machado Araújo/RJ –

Simplesmente Poesia

Agnelo Campos/SP –
C H U V A.

Disseram que ela caiu …
Mentira !
A chuva não caiu.
Ela dançou a noite toda,
e, de madrugada,
cansada,
deitou-se ao chão
e escorregando tonta
foi dormir no lago …

Estrofe do Dia
Só um cego não vê essa verdade,
totalmente lógica para um crítico.
Não é prioridade do político,
o dinheiro polui a humanidade.
No direito e na religiosidade
tudo é feito “por debaixo do pano”
o honesto sofre grande desengano
o mundo está pior do que se pensa:
Dinheiro compra o juiz e a sentença
e degrada de vez o ser humano…
– Francisco Macedo/RN –

Soneto do Dia

– Batista Soares/CE –
CACO DE VIDRO.

A reluzir – joia esplendente e rara,
no escrínio escuro de veludo opaco
da noite, que de luz se iluminara,
vi-o. Era, de um vidro, um simples caco…

Ante o seu brilho intenso eu exclamara:
– Bela jóia! Mas logo o ardor aplaco
ao ver que toda refulgência clara
provinha só de vítreo e mero caco…

Quanta gente anda a blasonar grandezas,
mostrando as chamas da virtude acesas,
a quem, no verso, com malícia exalço,

cujo valor reside na aparência!…
– Não tem, sequer, do vidro a transparência
E todos sabem que este brilho é falso…

Mensagens Poéticas n. 164

Uma Trova Nacional
Agonia é ver teus passos
numa pressa que alucina
e saber que noutros braços
a tua pressa termina.
– Ana Maria Motta/RJ –

Uma Trova Potiguar
Dos meus poemas diversos
inspirados no amor,
são esses os últimos versos
de um poeta trovador.
– Djalma Mota/RN –

Uma Trova Premiada

2006 > CTS/Caicó/RN
Tema > PONTE > 7º Lugar.

Deus construiu no horizonte,
onde ninguém pode ver,
uma belíssima ponte
que a gente cruza ao morrer!
Josafá F. da Silva/RJ –

Uma Trova de Ademar
O meu cérebro é um motor
que não se gasta energia…
Trabalha a todo vapor,
pois é movido a poesia.
– Ademar Macedo/RN –

…E Suas Trovas Ficaram
Saudade!… Raio de lua,
suprindo o Sol que brilhou…
Tábua solta, que flutua,
depois que o amor naufragou!
– Waldir Neves/RJ –

Simplesmente Poesia

Gilson Faustino Maia/RJ –
OBRIGADO, SENHOR!

Obrigado, Senhor, por nascido,
por ter sido gerado na esperança.
Por ter vivido os tempos de criança
por um amor de mãe bem acolhido.

Obrigado pelos mestres, sempre atentos,
e os amigos que tive e os que terei.
Pelas rainhas para quem fui rei,
pela saudade, pelos sofrimentos.

Pelas pedras, também, da longa estrada,
pelas diversas formas de carinho.
Por lindas flores, pelos passarinhos
e pela linda lua prateada.

Por este céu azul de sol bem quente
e por ter aprendido o verbo amar.
Pelo perdão que vivo a suplicar
aos erros meus, dos quais sou consciente.

Dai-me, Senhor, a paz ao coração
e uma rima feliz na poesia.
Dai-me saúde, Pai, muita alegria
E a cada dia mais inspiração.

Estrofe do Dia
Até nos brutos se vê
Que a mãe ao filho quer bem,
Morre o bezerro, e a vaca
Com o desgosto que tem,
Se intriga até com o dono
Não dá mais leite a ninguém.
– Pinto do Monteiro/PB –

Soneto do Dia

– Dedé Monteiro/PB –
AS QUATRO VELAS.

Quatro velas falavam sobre a mesa.
E falavam da vida e tudo mais…
A primeira falou: – Eu sou a paz,
mas o mundo não quer me ver acesa.

A segunda, com suspiros desiguais,
disse triste: – É a fé a minha empresa;
nem de Deus se respeita a realeza.
Sou supérflua; meu fogo se desfaz.

A terceira murmura, já sem cor:
-Estou triste também, sou o amor;
mas perdi o fulgor, como vocês.

Foi a vez da esperança, a quarta vela:
-Não desista ninguém: a vida é bela!
E acendeu, novamente, as outras três.

Fonte:
Ademar Macedo

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Marcelo Spalding (História da Leitura) I – As Tábuas da Le e o Rolo/ II – O Códice Medieval

I – As Tábuas da Le e o Rolo

Poucas gerações testemunharam tantas mudanças tecnológicas como a nossa, esta que agora ocupa os bancos universitários, as redações de jornais e revistas, as diretorias das grandes empresas, esta geração que cresceu lendo livros impressos e agora resiste à ideia de novos suportes para a leitura.

Tal aceleração por vezes nos faz esquecer que inovações técnicas, ainda que num ritmo mais lento, ocorrem desde que o homem é homem e foram fundamentais para que um ser frágil como o nosso pudesse sobreviver num ambiente hostil e perigoso como a Terra. Leroi-Gourhan chega a afirmar que, pela liberação da mão e pela exteriorização do corpo humano, “a aparição do homem é a aparição da técnica; é a ferramenta, isto é, a tekhnè, que inventa o homem, e não o homem que inventa a técnica”.

Transpondo essa afirmação para a história da leitura, poderíamos dizer que são as técnicas de reprodução da escrita que inventam o leitor, e não o leitor que inventa tais técnicas, o que significa que os suportes digitais de leitura não são feitos para a geração acostumada com os códices impressos, e sim irá engendrar um novo leitor familiarizado com as novas tecnologias. Tal transformação, ainda que violenta, não é exatamente inédita na longa história da leitura.

Robert Darnton, em A questão dos livros, identifica quatro mudanças fundamentais na tecnologia da informação desde que os humanos aprenderam a falar: a invenção da escrita, a substituição dos rolos de pergaminho pelo códice, a invenção da imprensa com tipos móveis e, finalmente, a comunicação eletrônica.

A invenção da escrita, vale lembrar, é tida pelos historiadores como marco de transição entre a Pré-História e a Idade Antiga, ou Antiguidade, o que revela a absoluta importância da escrita para o desenvolvimento da nossa civilização. Não há consenso entre os historiadores sobre a data ou o local do surgimento da escrita, o mais provável é que sua invenção tenha se dado em vários lugares do mundo de forma independente a partir do momento em que as transações e a administração dos povos se torna mais complexa, além das possibilidades da memória.

Um mito narrado por Platão mostra o quão difícil foi essa substituição da memória pela escrita: Thoth, um deus egípcio criador da escrita, dos números, do cálculo, da geometria, da astronomia e dos jogos de damas e dados, leva seus inventos a Tamuz, rei de Tebas, esperando que eles possam ser ensinados aos egípcios; a escrita, segundo seu inventor, tornaria os homens mais sábios, fortalecendo-lhes a memória. Comenta Thoth: “com a escrita inventei a grande auxiliar para a memória e a sabedoria”, a que responde Tamuz:

Tu, como pai da escrita, esperas dela com o teu entusiasmo precisamente o contrário do que ela pode fazer. Tal cousa tornará os homens esquecidos, pois deixarão de cultivar a memória; confiando apenas nos escritos, só se lembrarão de um assunto exteriormente e por meio de sinais, e não em si mesmos. Logo, tu não inventaste um auxiliar para a memória, mas apenas para a recordação. Transmites aos teus alunos uma aparência de sabedoria, e não a verdade, pois eles recebem muitas informações sem instrução e se consideram homens de grande saber embora sejam ignorantes na maior parte dos assuntos. Em consequência serão desagradáveis companheitos, tornar-se-ao sábios imaginários ao invés de verdadeiros sábios.

A escrita, naturalmente, com o tempo mostrou-se fundamental não apenas como auxiliar para a memória, mas também para materializar um conteúdo que não pode dispersar-se, como o conhecido Código de Hamurábi, datado do século XVIII a.C.. O Código de Hamurábi é um monumento monolítico talhado em rocha de diorito sobre o qual se dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme acádica. Seu texto expõe as leis e punições caso não sejam respeitadas, legislando sobre matérias muito variadas. Embora houvesse outros códigos entre os sumérios, que viveram entre 4000 a.C. a 1900 a.C. na Mesopotâmia, o Código de Hamurábi foi o que chegou até os dias atuais de forma mais completa e simboliza bem, num tempo de bits efêmeros, a importância da palavra talhada na solidez de uma rocha milenar.

Da mesma época são os Dez Mandamentos entregues a Moisés no Monte Sinai, uma das mais contundentes passagens bíblicas: “Então disse o SENHOR a Moisés: Sobe a mim ao monte, e fica lá; e dar-te-ei as tábuas de pedra e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinar”.

Apesar da importância desses códigos escritos em rochas sólidas, a escrita não teria se tornado marco zero da história da humanidade não houvesse um suporte capaz de facilitar seu manuseio e transporte, o que tornou a escrita um código com fins muito mais amplos do que, por exemplo, as pinturas ruprestes feitas nas cavernas pelos homens ditos pré-históricos.

O papiro, desenvolvido no Egito por volta de 2500 a.C., é hoje considerado o primeiro suporte para a escrita. Para confeccionar o papiro, era cortado o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas eram mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar. Novamente secas, as lâminas eram dispostas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A seguir as lâminas eram colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, sendo então mantidas prensadas por mais seis dias. Com o peso da prensa, as finas lâminas se misturavam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado. O papiro pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita.

Embora a palavra grega biblos (ß?ß????) signifique hoje tanto rolo quanto livro, a leitura nesse rolo é muito diferente da leitura de um livro como hoje o conhecemos. O rolo é uma longa faixa de papiro – ou, mais tarde, de pergaminho – que o leitor deve segurar com as duas mãos para poder desenrolá-la, fazendo aparecer trechos distribuídos em colunas. Não é possível, por exemplo, que um autor escreva ao mesmo tempo que lê.

Os rolos, criados posteriormente à invenção da escrita e, naturalmente, por causa dela, foram fundamentais para o que hoje chamamos de literatura, pois os textos gregos da época de Sócrates, Platão e Aristóteles, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes se tornaram a base da cultura Ocidental e puderam sem preservados em locais específicos para este fim, como a lendária Biblioteca de Alexandria.

A Biblioteca de Alexandria, uma das maiores bibliotecas do mundo antigo, foi fundada no início do século III a.C. por Alexandre, o Grande, que teve como tutor ninguém menos que Aristóteles, e existiu até a Idade Média, quando foi totalmente (ou quase) destruída por um incêndio casual. Calcula-se que havia mais de quinhentos mil rolos na Biblioteca de Alexandria, mas como uma obra podia ocupar, sozinha, dez, vinte, até trinta rolos, havia um número de obras muito menos significativo. Segundo Chartier, só o catálogo da biblioteca era constituído de cento e vinte rolos.

À medida que a escrita foi ganhando em importância e valor, outro suporte, que embora mais caro era menos quebradiço e resistia melhor ao tempo, passou a ser muito utilizado nas confecções dos rolos: o pergaminho. O pergaminho é um material feito da pele de um animal (geralmente cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha) e especialmente fabricado para se escrever sobre ele. A origem do seu nome é a cidade de Pérgamo, onde havia uma produção vasta e de grande qualidade deste material, e há controvérsia se sua origem remonta mesmo a esta cidade. De qualquer forma, na Biblioteca de Pérgamo, contemporânea a de Alexandria, os rolos em papiro eram copiados em pergaminho, e este material foi fundamental para a preservação dos textos da Antiguidade.

Carrière e Eco, em Não contem com o fim do livro, contam que Régis Debray, filósofo francês, perguntou-se o que teria acontecido se os romanos e gregos tivessem sido vegetarianos: “não teríamos nenhum dos livros que a Antiguidade nos legou em pergaminho, isto é, numa pele de animal curtida e resistente” (2010, p. 104).
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II – O Códice Medieval

A segunda grande mudança tecnológica, a passagem do rolo para o códice, deu-se logo após o início da era cristã, durante o Império Romano.

A segunda grande mudança tecnológica, a passagem do rolo para o códice, deu-se logo após o início da era cristã, durante o Império Romano. Nessa época, juristas decidiram manusear o pergaminho de forma diferente, dobrando-o em quatro ou em oito. Esse caderno era chamado de volumem, uma denominação usada ainda hoje. Costurando esses cadernos uns aos outros, eram construídos o que se chamava de códex (códice).
Tal inovação, afora ser crucial para a difusão do cristianismo, foi fundamental para a história da leitura, pois, como afirma Chartier, enquanto que os formatos de rolo encorajavam leituras sequenciais a expensas do movimento descontínuo para adiante e para trás em um dado texto, a estrutura paginada do códex promovia o desenvolvimento de novas práticas de leitura propriamente “livrescas”, uma ruptura muito maior do que seria a invenção da imprensa por Gutenberg.

É nesse período que se difunde a prática da leitura silenciosa, tendência que se consolida exatamente por causa da mudança técnica do rolo para o códice. Umberto Eco simboliza essa passagem da leitura em voz alta para a leitura silenciosa no espanto de Agostinho: “a leitura, até santo Ambrósio, era feita em voz alta. Foi ele o primeiro a começar a ler sem pronunciar as palavras, o que mergulhara santo Agostinho em abismos de perplexidade”.

A propósito da leitura silenciosa, os primeiros textos que impunham silêncio nas bibliotecas são apenas dos séculos XIII e XIV, é apenas nesse momento que, entre os leitores, começam a ser numerosos aqueles que podem ler sem murmurar, sem ‘ruminar’, sem ler em voz alta para eles mesmos a fim de compreender o texto.

Além dessa importante mudança na forma de ler, o códice seria também responsável por grandes mudanças na forma de escrever, como nos conta Darnton:

“A página surgiu como unidade de percepção e os leitores se tornaram capazes de folhear um texto claramente articulado, que logo passou a incluir palavras diferenciadas (isto é, palavras separadas por espaços), parágrafos e capítulos, além de sumários, índices e outros auxílios à leitura.”

Se voltarmos às imagens do Código de Hamurábi, do rolo e do códice medievais, realmente não encontraremos espaço entre as palavras, tampouco a divisão em parágrafos, uma organização para o texto que hoje nos parece tão natural mas que está ligada ao novo suporte da escrita e à superação de suas limitações. Não que um suporte mais antigo seja mais limitado que o outro, mais moderno, em geral o que ocorre é um ganho em alguns aspectos e uma perda em outros.

O códice medieval, nesse sentido, era uma página elaborada manualmente por um copista num processo muito mais demorado porém artesanal, com ilustrações, cores, arabescos e, por vezes, até comentários às margens que faziam de cada exemplar algo único. Esta talvez seja a grande diferença do códice medieval para o livro impresso que viria a seguir.

Umberto Eco resgata o já lendário ambiente de um scriptorium de copistas em O Nome da Rosa, representando monges de preferências e ideologias variadas criando seus códices com cuidado, dedicação e paixão:

“Aproximamo-nos daquela que fora o local de trabalho de Adelmo, onde estavam ainda as folhas de um saltério com ricas iluminuras. eram folia de vellum finíssimo ? rei dos pergaminhos ? e o último ainda estava preso à mesa. Apenas esfregado com pedra-pome e amaciado com gesso, fora lixado com a plaina e, dos minúsculos furos produzidos nas laterais com um estilete fino, tinham sido traçadas todas as linhas que deviam guiar a mão do artista. A primeira metade já estava coberta pela escritura e o monge tinha começado a esboçar as figuras nas margens. (…) As margens inteiras do livro estavam invadidas por minúsculas figuras que eram geradas,como por expansão natural, pelas volutas finais das letra espledidamente traçadas: sereias marinhas, cervos em fuga, quimeras, torsos humanos sem braços que se espalhavam como lombrigas pelo próprio corpo dos versículos. (…) Eu seguia aquelas páginas dividido entre a admiração muda e o riso, porque as figuras conduziam necessariamente à hilariedade, embora comentassem páginas santas.”

É importante ressaltar que este cenário descrito por Eco já é do segundo milênio cristão (o romance se passa em 1327 d.C.), época em que outros importantes acontecimentos contribuiriam para o surgimento da prensa de Gutenberg e para a proliferação dos livros além dos muros eclesíasticos. Um deles é o surgimento das Universidades na Europa, uma instituição que de certa forma retomava o ideal das Academias gregas, em que atividades artísticas, literárias, científicas e físicas eram organizadas num único espaço, promovendo a universalidade do saber e a integração das áreas.

Na concepção moderna, a Universidad de Bolonia (Itália), de 1089, é considerada a primeira do mundo ocidental: “L’Istituzione che noi oggi chiamiamo Università inizia a configurarsi a Bologna alla fine del secolo XI quando maestri di grammatica, di retorica e di logica iniziano ad applicarsi al diritto”. Logo a seguir surgiram a Universidade de Oxford (Inglaterra), em 1096, a Universidad de París (França), em 1150, a Universidade de Palência (Espanha), em 1208, precursora de la Universidad de Valladolid, a Universidade de Coimbra (Portugal), em 1290, entre outras.

Este aumento pela demanda de suportes para a escrita fez com que se buscasse alternativas ao pergaminho, popularizando o uso do papel. O papel foi inventado pelo chinês Cai Lun em 105 a.C., que sugeriu a utilização de casca de amora, bambu e grama chinesa como matérias-primas. No século VII, esse conhecimento foi levado à Arábia por um monge budista e de lá para à Europa através dos mouros.

Na Itália, o papel era considerado um produto medíocre em comparação ao pergaminho, tanto que Frederico II, em 1221, teria proibido o uso em documentos públicos. O consumo, entretanto, só aumentava, e em 1268 foi criada a primeira fábrica de papel da Europa em Fabriano, uma pequena cidade entre Ancona e Perugia. O monopólio comercial da fabricação italiana durou até o século XIV, quando a França, que o produzia utilizando linha desde o século XII, a partir da popularização do uso de camisas e das consequentes sobras de tecido e camisas velhas pôde passar à fabricação de papel a preços econômicos, o que seria fundamental para a invenção da impressão por tipos móveis de Gutenberg, na década de 1450.
———
continua…
——–
Fonte:
Digestivo Cultural. http://www.digestivocultural.com/

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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Entre Amigos II)

ESTAÇÕES
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Chuva fina e persistente,
O céu cinzento de inverno,
Faz frio dentro da gente,
E essa saudade latente
Faz o tempo quase eterno.

Chuva forte e passageira,
Céu brilhante de verão…
No meu ninho, a companheira
Quer amor a noite inteira
Num frenesi de paixão!

Chuva miúda de outono,
A natureza despida…
Depois do amor vem o sono
Para dar vigor à vida
Que desperta soluçando
No momento da partida.

Chuva branda e colorida,
Arco – íris, aquarela.
Nos campos flores sortidas
São pincéis tingindo a vida
Com as cores da primavera.

QUEM SOU
Eliane Couto Triska

Sou a pobre… a pequena cantareja
De desejos e amor sobrepujantes
Sou começo do que há, a que flameja
Dos acenos que saúdam visitantes.

Pergunto-me: sou encontro ou partida?
Se poema, se um conto ou uma prosa
Quando escrevo o meu nome com a rosa
Do perfume que te trago à minha vida.

Compreender-me é fugir do igual conceito
Das métricas do soneto quando eleito
Que proíbem o verso à compaixão.

E tu que me lês.. sou como escrevo
Um sonho que liberto no relevo
Das letras como bolhas de sabão.

CONCEPÇÃO
Marise Ribeiro

Acordei com desejos,
desejos insaciáveis de copular.
Copular com o sol,
transgredir com o tempo,
deitar-me com o vento
e me sentir rodopiar num frenesi
até o firmamento.
Quero me deixar penetrar pela chuva
e num gozo intenso perceber
que não me protegi com o preservativo da ignorância.
Vestida com o lingerie transparente da saudade,
me excitarei com os contornos eróticos das montanhas.
Quero disputar com as flores
a atenção do orvalho.
Depois, em um ninho de pétalas,
acasalar-me com os pássaros.
Dormir agarrada com a terra
até o pôr-do-sol sair envergonhado
e voltar a me saciar com as cores do infinito.
Rolar na areia voluptuosamente
e cavalgar no mar morno do entardecer.
Quando a noite chegar,
quero namorar com a lua
e traí-la com as estrelas.
Quero perambular pelos becos desertos
descobrindo todos os prazeres da escuridão.
Como uma mariposa,
voar em círculos lascivos
e me entregar à chama do lampião.
Cair então saciada, plena;
plena no ventre, com a semente do Universo.
… E parir, tempos depois,
com gemidos de intensa alegria,
a bela e tão sonhada poesia!

DISTÂNCIA
José Ernesto Ferraresso

Se essa distância for constante
A tristeza provocará a dor,
e junto a dor chegará a lágrima…
Outono é frio,
folhas caem, e a brisa,
molha as folhas
e o vento as levam…
Esse frio cala na pele ,
que a resseca,
como folhas que se desfazem…
Eu ainda me lembro de você.
Éramos felizes…

DONO DA MINHA PAIXÃO
Sônia Salete

Amanhece…
A claridade penetra pelas transparentes cortinas…
Os sons de vida se espalham pelo ar…
A brisa matinal refresca meu corpo
Você está aqui,
Comigo…
O dia se transforma então ,
Num momento mágico
Onde estrelas explodem no meu coração!
Dia de luz…
Dia de sol…
Vou te prender sempre bem dentro da minha ilusão…
Até você dizer:
“Tu és a dona da minha paixão

MILAGRE DO AMOR
Graça Ribeiro

Na memória de um tempo azul
dentro de um templo de anjos
construíamos fios de sonhos

Apenas a presença do amor
esculpia beijos de eternidade
dentro dos sussurros do silêncio

A vida fluía como água de rio
na claridade do cotidiano
onde não havia espaço vazio

Havia “sementes de estrelas”
entrelace de dedos e agulhas
tecendo vida em meus cabelos

Havia o gozo, o desejo de plenitude
naquela hora em que o céu fomos nós
na ternura de um amor sem ponteiros

RETRATO
Hilda Persiani

Hoje, revendo o seu retrato,
Que o tempo impiedoso desbotou,
Constatei, com tristeza, que de fato,
Da mocidade só a saudade me restou.

Por um momento tive a ilusão
Que o seu retrato criou vida,
Sorriu, chamou-me de querida
E fez acelerar meu coração…

De repente o sonho se desfez…
Ele novamente foi descorando
Voltando a ser só um retrato outra vez.

Mas nesse breve sonho de momento,
Eu me senti feliz e então chorando
O seu retrato beijei com sentimento!…

Extraído do Livro Só Poesias de Hilda Persiani
Editora Celeiro de Escritores

FUGA
Zena Maciel

Eu queria dormir e não pensar em nada,
Apagar os pensamentos,
Descansar nas asas do vento,
Fechar as portas do coração,
Não saber quando acordar.

Estou cansada de mim!
Quero entender as dores,
Aceitar suas imposições,
Sorrir da falta do meu sorriso,
Driblar a infelicidade…

Viajar à toa pelo infinito,
Descansar nos travesseiros
macios dos querubins,
Brincar com meus fantasmas,
Conviver com o silêncio dos mortos…

Não pensar no ontem, nem no hoje
e tampouco no amanhã…
Navegar pelo paraíso perdido,
onde o desejo estivesse
ao meu alcance, sem precisar
ficar à procura de nada…

Vagar por entre as nuvens,
Sem nada querer e sem nada perder…
Diluir-me nas asas do tempo,
Encontrar-me com fadas e duendes…

Não me preocupar em saber o que sou,
o que fui ou o que poderei vir a ser…
Queria voar, voar, voar,
até fugir de mim…
Perder -me no infinito de um
sonho e ficar lá para sempre!

Fonte:
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

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I Prêmio Mac de Poesia (Resultado Final)

Promoção:
MAC: Instituto Cultural Manoel Antonio de Carvalho
Rua Eduardo Porto,612,Cidade Jardim-Belo Horizonte-Cep-30380-060-BH
Anfitriã-Coordenadora-Geral: Norma Sueli de Souza
Realização:
MAC/BH/MG/Brasil, Clube Brasileiro da Língua Portuguesa, Academia de Letras do Brasil-Minas Gerais.
Curadora: Sílvia Araújo Motta

POEMAS:

VENCEDORES:

1º Lugar: NOVAS DIMENSÕES _ Luiz Gondim de Araújo Lins (RJ)

2º Lugar: CELEBRAÇÃO _ João Bosco de Castro (MG)

3º Lugar: ERUPÇÕES DO SILÊNCIO III _ Victor Manuel da Clara Dias (Seixal/Portugal)

MENÇÃO HONROSA:

1º Lugar: FÚRIAS DE UMA SAUDADE _ Paulo César Coelho (RJ)

2º Lugar: VAZIOS _ Hildebrando Souza Menezes Filho (SC)

3º Lugar: ÉS A ENERGIA _ Belkiss Diniz Ribeiro da Glória (MG)

4º Lugar: FLOR CADENTE _ Paulo Silas Rodrigues Sena (CE)

MENÇÃO ESPECIAL:

1º Lugar: SONETO DA AMIZADE _ Ana Maria da Silva (PE)

2º Lugar: 6 TROVAS _ Maria Beatriz Silva (RJ)

3º Lugar: ROÇA VAZIA _ Eduardo Rennó Gomes (MG)


TROVAS:

VENCEDORES:

1º Lugar: Wanda de Paula Mourthé (MG)

2º Lugar: Arlindo Tadeu Hagen (MG)

3º Lugar: Almira Guaracy Rebelo (MG)

MENÇÃO HONROSA:

1º Lugar: Thereza Costa Val (MG)

2º Lugar: Relva do Egypto Rezende Silveira (MG)

3º Lugar: Auxiliadora de Carvalho e Lago (MG)

4º Lugar: Lygia Gomes de Pádua (MG)

MENÇÃO ESPECIAL

1º Lugar: Gabriel Bicalho (MG)

2º Lugar: Maria Carmem de O. A. Ximenes (MG)

3º Lugar: Alair de Almeida (MG)

ESCOLA ESTADUAL PROFESSOR PEDRO ALEIXO:

POEMAS DOS ALUNOS VENCEDORES

1º Lugar: DESTINO _ João Marcos Araújo de Souza

2º Lugar: SONHOS _ Marquison Queiroz Santos

3º Lugar: A PAZ _ Atilon dos Santos Chaves

MENÇÃO HONROSA

1º Lugar: AMOR _ Carmem Freitas de Jesus

2º Lugar: INSPIRAÇÃO _ Gilliard Ramos dos Santos

3º Lugar: ALEGRIA _ Lucas Teixeira Santos

4º Lugar: VIDA _ Tuany Luíza Rodrigues Soares

MENÇÃO ESPECIAL

1º Lugar: DESEJO_ Ezequiel Marques da Silva

2º Lugar: SONHOS_ Pedro Henrique Andrade Silva Santos

3º Lugar: PAZ _ Bárbara Silva de Oliveira

Fonte:
Clube Brasileiro da Lingua Portuguesa BH MG Brasil

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III Concurso "Claudionor Ribeiro" de Contos

Academia Cachoeirense de Letras

Reconhecida de Utilidade Pública
Rua Cel. Francisco Braga, 71 – Sala 1101- Ed. Itapuã
Centro – 29300-220 – Cachoeiro de Itapemirim – ES

III CONCURSO CLAUDIONOR RIBEIRO DE CONTOS

A Academia Cachoeirense de Letras (ACL) promove o III CONCURSO CLAUDIONOR RIBEIRO DE CONTOS, em nível nacional, com o objetivo de incentivar e divulgar a produção literária, e, principalmente, despertar o gosto pela linguagem escrita, em prosa, de acordo com o seguinte

REGULAMENTO:

1. O tema é de livre escolha, podendo cada concorrente inscrever até 2 (dois) trabalhos inéditos, datilografados ou digitados, em 3 (três) vias, em espaço 2 (dois), numa só face de papel tamanho ofício, vedada a participação dos membros efetivos da ACL.

2. Com os trabalhos deverá seguir um envelope menor lacrado, constando, em sua parte externa, o título da obra e o pseudônimo, e, na parte interna, uma ficha de inscrição do autor, contendo: nome completo, pseudônimo, título da obra, endereço (com CEP), número de documento de identidade, data do nascimento, telefone para contato (com DDD) e e-mail (se houver).

3. A remessa dos trabalhos, sem qualquer identificação, deverá ser feita para: Academia Cachoeirense de Letras – III CONCURSO CLAUDIONOR RIBEIRO DE CONTOS – Rua Cel. Francisco Braga, 71 – Sala 1101 – Ed. Itapuã – Centro – CEP 29300-220 – Cachoeiro de Itapemirim (ES), valendo o carimbo postal como data de inscrição.

4. O prazo de entrega terminará no dia 18 de maio próximo, correspondendo à inscrição a simples remessa ou entrega dos trabalhos, ficando implícita a concordância dos candidatos às disposições deste Regulamento, sendo os casos omissos resolvidos pela Diretoria da ACL, cujas decisões serão irrecorríveis.

5. Os contos serão julgados por uma Comissão constituída por membros Efetivos da Academia ou intelectuais por ela indicados, desde que não tenham participado do Concurso, não havendo, em nenhuma hipótese, devolução dos trabalhos remetidos, reservando-se a Academia o direito de não conceder as premiações anunciadas, caso não sejam os contos examinados merecedores de tais distinções.

6. Os 3 (três) melhores concorrentes receberão, em sessão solene da Academia, em dia, horário e local a serem definidos, além de medalhas e diplomas, prêmios em dinheiro, que são os seguintes: 1º lugar – R$ 800,00 (oitocentos reais); 2º lugar – R$ 600,00 (seiscentos reais); 3º lugar – R$ 400,00 (quatrocentos reais), sendo os vencedores avisados com antecedência, podendo a Academia publicar os melhores trabalhos, com a citação do nome do autor.

Cachoeiro de Itapemirim, 18 de março de 2011.
SOLIMAR SOARES DA SILVA
Presidente da Academia Cachoeirense de Letras

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.163)

Uma Trova Nacional
Sofro, não nego! O destino
Levou-te dos braços meus.
Por pouco não perco o tino,
pois, nem me disseste adeus!
– ZENAIDE MARÇAL/CE –

Uma Trova Potiguar
Na madrugada sem fim,
a saudade, desvairada,
acende um confronto em mim
entre um ninguém e um nada!…
– MANOEL CAVALCANTE/RN –

Uma Trova Premiada

2005 > Niterói/RJ
Tema > ENCONTRO > Venc.

Há muita gente perdida,
que vive sem ruma, a esmo,
adiando sempre, na vida,
o encontro consigo mesmo!…
– LOURDES REGINA GUTBROD/RJ –

Uma Trova de Ademar
Em quase todos momentos,
os fazedores de versos
transportam seus pensamentos
para quaisquer universos…
– ADEMAR MACEDO/RN –

…E Suas Trovas Ficaram
Teu olhar sereno e terno
sobre os meus olhos pousou,
qual chuva de fim de inverno
num campo que já secou.
– ADAUTO GONDIN/CE –

Simplesmente Poesia

– José Lucas de Barros/RN –
EU E O TEMPO.

O crescimento da idade
só nos leva para frente,
por isso, em doze de março,
me sinto muito contente
por mais um ano de vida
que Deus me dá de presente.

Essa glória de ser gente,
capaz de fazer o bem,
já mostra toda a beleza
que nossa existência tem,
graças aos fluidos eternos
Que lá das alturas vêm.

O tempo até me faz bem,
não me dói nem causa estresse,
vai medindo minha estrada,
pouco importa se envelhece,
pois toda fruta só fica
doce quando amadurece.

Aprendi a fazer prece
e a ter amor sem medida,
a ver o irmão como irmão
nesta “terra prometida”,
buscando a paz e a concórdia
no campo aberto da vida.

Estrofe do Dia
Vamos quebrar as pistolas
fuzis e metralhadoras,
contratar mais professoras
por mais livros nas sacolas,
somos carentes de escolas
com merenda e pó de giz,
para educar os guris
dando fim ao marginal,
não tendo amor fraternal
não há quem seja feliz.
– JOMACI DANTAS/PB –

Soneto do Dia

– Darly O. Barros/SP –
ARIDEZ.

Sacia a sede infinda, fonte augusta,
desta minha alma que, ao buscar teu veio,
tateia no vazio – e, quanto custa
te ver jorrar somente em peito alheio!

Calou-se a minha pena e, o que me assusta,
é, nunca mais ouvi-la em seu gorjeio,
amordaçada à pena atroz, injusta,
que tu me impões, mercê do teu bloqueio!

Sacia, fonte, a sede de minha alma,
lhe dando de beber , e , o medo, acalma
deste poeta que hoje se angustia,

à idéia de não mais lhe ser possível,
fruir desse prazer indescritível
que é derramar-se em nova poesia…

Fonte:
Ademar Macedo

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Ialmar Pio Schneider (Livro de Sonetos III)

TERZA RIMA

Tarde fria… O vento passa
Fino e leve pelas ruas,
Uma brandura sem graça…

Lembro-me das faces tuas
Descoradas levemente
E também das coxas nuas

Desenvoltas, num repente,
À beira d´água azulada,
De teu olhar inocente.

Não tive a glória nem nada
De curar a minha mágoa,
Sorvendo em tua boca amada
Longo beijo à beira d´água…

CANÇÃO AMARGURADA

A realidade cruel
Me conduz ao esquecimento,
Antes não provasse o fel
De saber teu fingimento.

Davas-me certa esperança
Em que até acreditava;
Vejo, agora, sem confiança,
Que és uma simples escrava.

Também não sei o que pensas
De manhã quando despertas,
As mágoas são mais intensas
Nas aventuras incertas.

E tarde, quem sabe, um dia
Ficares só… renegada;
Em tua vida vazia
Terás desprezo… mais nada.

Então, aflita e sozinha,
Nem mesmo serás escrava;
E puderas ser rainha
De um poeta que te amava.

POEMA DE AMOR EM FORMA DE SONETO

Quero inventar palavras que nunca disse a outra mulher,
para falar do amor que despontou, enfim,
em nossa vida num momento qualquer
e veio transformar nossos destinos assim…

Quero inventar palavras que te agradem e sintas por mim
tudo o que teu desejo de sensação romântica puder,
enquanto eternamente tua paixão me quiser…
E que nosso bem-querer continue até o fim…

Quero inventar palavras de esperança e ternura
que nos permitam uma convivência tranquila
embora sabendo que nem tudo são apenas flores.

Mas, se mais tarde nos visitar um pouco de amargura
saibamos com discernimento e paciência distingui-la
e saber que também faz parte de todos os amores…

SONETO

Não tenho o que fazer por esses dias,
A não ser assistir ao que aparece
Em meu televisor. Noites sombrias
Em que vou meditando a longa prece…

Você já foi o tema das poesias
Que eu compunha, a sós, quando a tarde desce,
Hoje vejo que foram fantasias,
Os versos que minh´alma não esquece…

Outro motivo leva-me por diante
E vou seguindo assim o meu caminho
Com minhas horas mortas nebulosas…

Ainda a vejo em sonhos, linda amante,
E recordando seu gentil carinho,
Também relembro o olor daquelas rosas…

MUSA CONSOLADORA

Foge-me a inspiração levada pelo vento
e junto vais, oh musa ardente e sedutora,
deixando-me sozinho envolto em meu tormento
e a se desesperar minh’alma sofredora !

Foste minha ilusão e meu contentamento,
a luz que prende a alma e a torna sonhadora,
e se hoje tua ausência em vão choro e lamento,
é porque te perdi, fada consoladora !

Aguardo teu retorno, encantada revinda,
pra que volte a cantar e a bendizer o amor…
Na noite mais atroz te concebo mais linda

e necessito, enfim, de teu magno esplendor
que me faça entender, talvez um pouco ainda,
o sonho genial de ser poeta e cantor…

ERA MEU DESEJO…

Talvez soubesses
Talvez não
Eu sonhava contigo
E muitos versos fiz em teu louvor

Hoje confesso
Sou teu ainda
Digo mais sou teu agora

Que bom seria se não houvesse a
Distância
Nos separando nem a timidez
Que é minha

Porém não sou culpado
Muitos versos fiz em teu louvor
Era meu desejo
Haver-te confessado
Há muito tempo o meu amor

Fontes:
http://ialmar.pio.schneider.zip.net/
http://ialmarpioschneider.blogspot.com/

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Ialmar Pio Schneider (Outra Época e um Poeta Inesquecível)

Pedra do Segredo
Esses dias estava percorrendo os livros de minha biblioteca nas prateleiras e encontrei um volume de saudosa memória, autografado pelo autor, intitulado Bom Dia, Juventude ! Trata-se da obra do inspirado poeta de Caçapava do Sul – RS, hoje falecido, Francisco Guarany De Bem. O autógrafo é de 17 de maio de 1982, quando ele já andava beirando os 80 anos, pois sua data natalícia é 16 de abril de 1903.

Lembro-me que o conheci na sede da Casa do Poeta-Riograndense, que naquela época funcionava nos Altos do Mercado Público, Sala nº 119, que bem poderia continuar até hoje naquele local, s.m.j., pois ele já escreveu naquela ocasião: “Em agradecimento aos relevantes serviços prestados pelo nosso incansável Fachinelli, inclusive a sua incessante batalha para que tenhamos um salão próprio, e que este salão nos seja doado pela Prefeitura de Porto Alegre. Espero que muito em breve vejamos a nossa bandeira tremulando sob o caloroso aplauso dos Srs. Vereadores e hasteada pelas mãos do nosso digno Prefeito.”

Todavia, como escreveu no prefácio o literato Hugo Ramírez, ilustre membro da Academia Rio-Grandense de Letras, a respeito, num texto lapidar, o seguinte: “São versos tocados de simplicidade e pureza de alma. Inspirados por distintos momentos e motivos, inebriam-se de romantismo e saturam a atmosfera de todo o volume com seu aroma amoroso. Os versos de amor são os mais significativos do caráter e da experiência do autor. Atingir a seu estágio com esta exuberância de bem querer é privilégio que Deus a poucos concede, tão sáfaros são freqüentemente os corações que muito viveram, eivados de amargura.”

O ponto máximo de sua criação literária, está nas páginas 34 e 35, que aqui transcrevo como uma homenagem ao saudoso poeta amigo:

“Pedra do Segredo – Prólogo –
“Lá na escarpada da serra, ao lado da altaneira cidade de Caçapava do Sul, meu querido torrão natal, há uma pedra lendária em seus assombros. Lembro-me, quando pequenino ainda, passava as noites sem poder dormir pelo medo que eu sentia, horrorizado das assombrações que no galpão um pardo velho me contava dela. Hoje, para me redimir do mal que ela me fez sem ter nenhuma culpa, aqui estou eu convidando a todos para oportunamente se dignarem conhecê-la. E, tenho a certeza absoluta que, ao defrontarem-se com aquela grandiosidade que lá está encravada, assim como eu o fiz quando a conheci, também todos vós ao conhecê-la primeiro se curvarão, respeitosamente, para depois beijá-la.””

E para complementar, transcrevo abaixo também, o soneto que ele dedicou ao saudoso amigo poeta e declamador Hugo Britto, e com o qual ficou conhecido como o poeta da Pedra do Segredo:

“Muito longe daqui, lá em Caçapava,
Há uma pedra lendária em seus assombros.
Ouviam nela um arrulhar de pombos,
Ou os gemidos de uma antiga escrava.

Na medida que a serra se desbrava,
A lenda morre num montão de escombros.
Sonhando, um peso me saiu dos ombros:
A história dela mal contada estava.

E lá está a pedra majestosa e bela !
Ninguém sabe dizer que pedra é aquela,
Todos a chamam Pedra do Segredo.

É um diamante engastado lá na serra,
Que Deus, olhando para minha terra,
Deixou por gosto lhe cair do dedo.”

Hoje, decorridos tantos anos, ainda me assaltam aqueles dias em atropelo na lembrança do que não volta mais. Mas este viver me ensinou que a convivência poética permanece, como naquele autógrafo:
“Para o prezado amigo…, com um caloroso abraço, subscrevo-me. Ass. … Porto Alegre, 17-5-82”, em sua letra tremida e miúda prestes a octogenário. Que Deus vele por ele, enquanto eu recito minha quadra:

Os versos que a gente escreve,
mesmo que sejam banais,
é um pouco da vida breve
que não volta nunca mais !

Até outra oportunidade.

Fonte:
http://ialmarpioschneider.blogspot.com/

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 162)

Uma Trova Nacional
Minha mulher, minha amada,
Tanto me envolve e seduz…
-Se ela for crucificada
Eu quero ser sua cruz!
-HÉRON PATRÍCIO/SP-

Uma Trova Potiguar
Muitos, dizem, pertencer,
as castas da cristandade;
mas mantém, no proceder,
presunção e má vontade…
– PEDRO GRILO/RN –

Uma Trova Premiada

1998 > Bandeirantes/PR
Tema > PODER > Venc.

Teu poder de sedução.
e a magia dos teus braços,
levam minha solidão
a percorrer os teus passos …
– MÍLTON NUNES LOUREIRO/RJ –

…E Suas Trovas Ficaram
Somente o Grande Arquiteto
escritor sábio e fecundo,
consegue escrever correto
nas linhas tortas do mundo!
– ALOISIO ALVES DA COSTA/CE –

Simplesmente Poesia

– Henrique Marques Samyn/RJ –
CLEMENTINA.

Clementina entrou no bar esbaforida
procurando por Antônio, que saíra
há bem pouco, junto a uma mulher da vida.

Atirou-se pelo chão, desesperada,
Clementina. Uma garrafa de bebida
fez de sua companheira; e a madrugada

a mulher assim varou. Nascendo o dia,
despertou em casa alheia, de ressaca,
nua, na cama do Pedro (o da Maria,
que é amante do Carlinhos – o “Cachaça”).

Estrofe do Dia
Eu nasci no interior,
Lá vivi com muito gosto.
Correndo pela campina
Sentindo vento no rosto
Hoje morro de saudade
Pois vivendo na cidade
É bem grande meu desgosto.
– DALINHA CATUNDA/CE –

Soneto do Dia

– Áurea Miranda/BA –
SOU ASSIM.

Sou um pouco de escravo e um tanto de mendigo;
algo de menestrel e muito de palhaço;
doses de bom humor, vestígios de fracasso;
sonhos que me perseguem, sonhos que persigo.

Quanto um rastro de dor fica por onde eu passo,
levo adiante a intenção de carregar comigo
as lições que aprendi nesse caminho antigo
– e, buscando mais luz, sinto que me refaço.

Deixei há muito o mapa, a bússola, o sextante
– desde que percebi que o simples ir adiante
define e satisfaz a minha identidade.

Sou pária que persiste na emoção de, um dia,
ver escrito no espaço de uma laje fria:
“Aqui jaz quem morreu de amor e de saudade.”

Fonte:
Ademar Macedo

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XV Jogos Florais de Santos (Classificados)

Tema : Destino

Vencedores

Antônio Augusto de Assis
Edmar Japiassú Maia (2)
Eduardo A.O. Toledo
Francisco Neves de Macedo (2)
João Freire Filho
José Tavares de Lima
Jota de Jesus
Wanda de Paula Mourthé

Menções Honrosas

Antonio Augusto de Assis
Arlindo Tadeu Hagen
Clenir Neves Ribeiro
Flávio Roberto Stefani
Gilvan Carneiro da Silva
Hegel Pontes
José Lucas de Barros
Newton Vieira
Rodolpho Abbud
Thereza da Costa Val

Menções Especiais

Aílto Rodrigues
Antônio Carlos Teixeira Pinto
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti
Dulcídio de B. Moreira Sobrinho
Éderson Cardoso de Lima
Eduardo A.O. Toledo
Gilvan Carneiro das Silva
Yvone Taglialegna Prado
Maria Helena O. Costa
Thereza Costa Val
Wandira Fagundes Queiroz

Conc. Estadual SP

Tema: Onda

Vencedores

Alba Christina Campos Netto (2)
Campos Sales (2)
Domitilla Borges Beltrame
Izo Goldman
Renata Paccola
Selma Patti Spinelli (2)
Terezinha Dieguez Brisolla

Menções Honrosas

Argemira Fernandes Marcondes
Campos Sales
Ercy Maria de Faria
Héron Patrício
Lygia T. Fumagalli Ambrogi
Maria Ignez Pereira
Marilúcia Rezende
Marina Bruna
Roberto Tchepelentyki
Terezinha Brisolla

Menções Especiais

Alba Christina Campos Netto
Ercy Maria Marques de Faria (2)
Edna Valente Ferracini
Maurício Cavalheiro
Luiz Carlos Júnior
Renata Paccola
Roberto Nini
Selma Patti Spinelli
Marilúcia Rezende

Conc. Local – Santos e Baixada
Tema: Jardim

Vencedores (ordem alfabética)

Ana Maria Guerrize Gouveia (2)
Antônio Colavit Filho
Edna Gallo
Maria Nelsi Sales Dias

Menções Honrosas

Ana Maria Guerrize Gouveia
Antônio Colavite Filho (2)
Edna Gallo
Nair Lopes Rodrigues

Menções Especiais

Cynira Antunes de Moura
Edna Gallo
Ilze de Arruda Camargo
Maria Nelsi Sales Dias
Zaíra Almeida Gomes

XV Juegos Florales de Santos
Concurso Paralelo (idioma español)
Tema: Paz

Vencedores

Ângela Desirée Palacios Bravo
Carlos Eduardo Rodrigues Sanches
Christina Oliveira Chaves (2)
Liz Castro Rivera
Susana Stefania Ceruti

Menciones Honrosas

Alicia Borgogno
Líbia Beatriz Carciofetti
Hector José Corredor Cuervo
Manuel Salvador Leyva Martinez
Ramón Rojas Morel

Menciones Especiales

Ângela Desirée Palacios Bravo
Elizabeth Leyva Rivera
Glória Rivera Andreu
Maria Cristina Fervier
René B. Arriaga del Castillo

Fonte:
Carolina Ramos

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Estação das Letras convida para o Evento Livros na Mesa

Fonte:
Eunice Arruda

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Epopéias da Índia Antiga (O Mahabharata) – III – História de Savitri

Havia outrora um rei chamado Asvapati, que tinha uma filha tão formosa e meiga que lhe deram o nome de Savitri, o de uma sagrada oração dos hindus.

Quando a moça chegou à idade núbil, seu pai mandou que escolhesse marido, de acordo com sua vontade, pois na antiga Índia não se conhecia nem por sombra o que hoje se chama razão de Estado nas monarquias, sendo as princesas reais donas absolutas dos seus sentimentos amorosos.

Savitri aceitou o conselho de seu pai. A carruagem real, acompanhada de brilhante escolta e antigos potentados que dela cuidaram, visitou varias cortes vizinhas e outros reinos distantes, sem que nenhum príncipe conseguisse sensibilizar seu coração.

Aconteceu que a comitiva passou por uma ermida localizada em um daqueles bosques da índia antiga, em que a caça era proibida, de sorte que os animais que ali habitavam haviam perdido todo temor ao homem e até os peixes dos lagos apanhavam com a boca as migalhas de pão que se lhes davam com as mãos.

Havia milhares de anos que não se matava nenhum ser naquele bosque; os sábios e os anciãos desgostados do mundo retiravam-se para lá a fim de viverem em companhia dos cervos, das aves, entregando-se à meditação e a exercícios espirituais pelo resto da vida.

Sucedeu que uni rei, chamado Dyumatsena, já velho e cego, vencido e destronado por seus inimigos, refugiou-se no bosque fechado com sua esposa, a rainha, os seus filhos dos quais o mais velho se chamava Satvavân, e ali passava asceticamente a vida, em rigorosa penitência.

Na antiga índia, era costume que todo rei ou príncipe, por mais poderoso que fosse, ao passar pela ermida de um varão sábio e santo, retirado do mundo, se detivesse para tributar-lhe homenagem; tal era o respeito e a veneração que os reis prestavam aos yogis e aos rishis.

O mais poderoso monarca da índia sentia-se honrado quando podia demonstrar sua descendência de algum yogi ou rishi que tivesse vivido no bosque, alimentando-se de frutas, raízes e coberto de andrajos.

Assim é que quando se aproximavam a cavalo de alguma ermida, apeavam-se muito antes de chegar a ela e andavam a pé até o local onde estava o eremita. Se iam de carro e armados, também desciam, despojavam-se de seus arreios militares e depois entravam na ermida, pois era costume que ninguém entrasse naqueles sagrados retiros ou ashram, como eram chamados, com armamentos militares, mas sim com atitude serena, pacifica, humilde.

Fiel ao costume, Savitri penetrou na ermida do bosque sagrado e, ao ver Satyavân, filho do destronado rei eremita, ficou profundamente apaixonada por ele. Ela já havia desprezado os príncipes de todas as cortes e unicamente o filho do destronado Dytimatsena lhe havia roubado o coração.

Quando a comitiva regressou à corte, o rei Asvapati perguntou à filha:

– Diz-me, Savitri, querida filha, vistes alguém digno de ser teu esposo?
– Sim, pai querido, – respondeu Savitri ruborizada.
– Qual o nome do príncipe?
– Já não é príncipe, meu pai, por que é filho do rei Dyumatsena, que perdeu o reino. Não tem patrimônio e vive como um sannyasi no bosque, colhendo ervas e raízes para alimentar-se e manter seus velhos pais, corri quem mora em uma cabana.

Ao ouvir isto dos lábios de sua filha, o rei Asvapati consultou o sábio Nârada, que se achava presente. Este declarou que aquela escolha era o mais funesto presságio que a princesa havia feito.

O rei pediu então a Nârada que explicasse os motivos de sua declaração e ele respondeu:
– Daqui a um ano esse jovem morrerá.

Aterrorizado por esse vatícinio, disse o pai à filha:
– Pensa, Savitri, quê o jovem que escolheste morrerá dentro de um ano e ficarás viúva. Desiste da escolha”, filha minha, e não te cases com um jovem de tão curta Vida.

Savitri, porém, respondeu:

-Não importa, meu pai. Não me peças que me case com outro e sacrifique a castidade de minha mente, porque em meu pensamento e em meu coração amo ao valente e virtuoso Satyavân e o escolhi para esposo. Uma donzela escolhe uma só vez e jamais quebra sua fidelidade.

Ao vê-Ia tão decidida, resignou-se o pai à vontade de Savitri, que, em conseqüência, casou-se com o príncipe Satyavân e tranqüilamente deixou o palácio de seu pai para viver na cabana do bosque, com o eleito de seu coração, ajudando-o a sustentar seus velhos pais.

Embora Savitri soubesse quando seu marido ia morrer, guardou a respeito rigoroso segredo.

Diariamente Satyavân se Internava no bosque para colher frutas, flores e reunir feixes de lenha, volvendo com a carga para a cabana, onde sua esposa preparava a refeição.

Assim passou o tempo, até que três dias antes da data fatal, resolveu a moça passar três dias e três noites em completo jejum e fervorosas orações, sem deixar transparecer sua angustia e ocultando suas lágrimas.

Finalmente amanheceu o dia marcado no presságio e não querendo Savitri perder de vista, nem por um momento, a seu marido, solicitou e .obteve dos pais do mesmo permissão para acompanhá-lo, quando fosse à colheita diária de ervas, raízes e frutas silvestres no interior do bosque. Assim foi feito.

Estavam em pleno bosque, quando com voz enfraquecida Satyavân queixou-se à esposa, dizendo:

– Querida Savitri, sinto-me aturdido, meus sentidos se esvaem e o sono me invade. Deixa-me repousar um pouco ao teu lado.

Trêmula e assustada, Savitri replicou:

– Vem, meu amado e reclina a cabeça em meu colo.

Satyavân reclinou a cabeça ardente no colo de sua esposa e instantes depois exalou o último suspiro.

Abraçada ao cadáver de seu marido, desfeita em lágrimas, permaneceu a infeliz naquela solidão, sentida no chão, até que chegaram os emissários da Morte para levar a alma de Satyavân.

Nenhum deles, porém, pôde acercar-se do local em que estava Savitri com o cadáver de Satyavân, porque ardia num círculo de fogo que rodeava a união formada pela vivente e o morto.

Por isso os emissários voltaram ao rei Yama, o deus da Morte e explicaram-lhe porque não puderain levar a alma de Satyavân.

Yama, o deus da Morte, o juiz dos mortos, ocupava posição tão divina por ser o primeiro homem que havia morrido na terra e decidia se um mortal, ao morrer, merecia prêmio ou castigo.

Assim, pois, Yama foi pessoalmente ao bosque e, como era um deus, pôde atravessar sem perigo o círculo de fogo e aproximar-se do local em que estava Savitri. Chegando, disse a ela:

– Minha filha, entrega-me este cadáver, pois já sabes que a morte é o destino de todo mortal e eu sou o primeiro mortal que morreu. Desde então tudo que vive há de morrer. A morte é o irrevogável destino do homem.

Savitri deixou o cadáver de seu marido e Yama, tirando-lhe a alma, com ela se afastou; porém não havia andado muito, quando ouviu atras de si passos sobre as folhas secas. Ao volver-se a Savitri, a quem disse com paternal ternura:

– Savitri, minha filha, por que me segues? Este é o destino de todos os mortais.

Savitri respondeu:
-Não sigo a ti, senhor meu, porque o destino da mulher é ir onde seu amor a leva; a lei eterna não separa o amoroso esposo da fiel esposa.

Então disse o deus da Morte:
– Pede-me a graça que quiseres, menos a vida de teu marido.

Ao que ela respondeu:
– Se desejas outorgar-me uma graça, ó deus da Morte, peço-te que devolvas a vista a meu sogro e que ele seja feliz.

Yama replicou:

– Cumpra-se teu piedoso desejo, respeitosa filha.

E o rei da Morte seguiu seu caminho com a a alma de Satyavân. Novamente ouvindo passos, voltou-se e viu que Savitri o acompanhava.

– Savitri, minha filha, ainda me segues9

– Sim, meu senhor; nada posso fazer, pois embora me esforce em retroceder, a mente corre em pós de meu marido e o corpo a obedece. Tens a alma de Satyavân e como sua alma é também a minha, meu corpo a acompanha.

Yama disse, então:

– Agradam-me tuas palavras, formosa Savitri. Pede-me outra graça, menos a vida de teu marido.

– Se te dignares conceder-me outra graça, fazei com que meu sogro recupere seu reino e suas riquezas.

– Concedo-te, filha amorosa, mas volta para teu lugar, porque nenhum ser vivente pode andar em companhia de Yama.

E o rei da Morte seguiu seu caminho.
Savitri, porém, persistiu em acompanhá-lo e Yama volvendo-se dialogou com a mesma.

– Nobre Savitri, não me sigas com tua dor sem esperança.
– Não tenho remédio – senão ir para onde levas meu marido.
– Supõe, Savitri, que teu marido foi um perverso e que eu o levo para o inferno. Irias acompanhar teu marido?
– Iria alegre para onde ele fosse, quer na vida, quer na morte, seja no céu, seja no inferno.
– Benditas sejam tuas palavras, minha filha! Deixaste-me comovido. Pede-me outra graça que não seja a vida de teu marido.
– Pois já que me permites pedir-te, fazei com que não se quebre a régia estirpe de meu sogro e que seu reino seja herdado pelos filhos de Satvavân.

O rei da Morte sorriu e disse:

– Filha minha, teu desejo será cumprido. Aqui tens a alma de teu marido. Ele voltará a viver e será pai de teus filhos que, com o tempo, serão reis. Volta para tua casa. O amor triunfou da morte. Jamais mulher alguma amou como tu e és a prova de que até eu, o deus da Morte, nada posso contra a força de um verdadeiro e perseverante amor!
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Continua…. IV – No Desterro
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Fonte:
Vivekananda, Swami. Epopéias da Índia Antiga.

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Projetos de Leitura abre mais Estandes no Metrô de São Paulo e Disponibiliza Livros a Preço de Custo

Estimular o hábito da leitura no Brasil, ainda é uma missão delicada e um tanto complicada, especificamente quando se avalia o preço de capa dos livros. Percebe-se que ele é um dos fatores de empecilho à leitura.

A fim de reduzir o déficit de leitura no país, o Grupo Projetos de Leitura, que atua em várias frentes para incentivar o hábito da leitura, inaugurou neste mês novos quiosques de vendas no metrô, e disponibiliza para público, de todas as idades, diversas obras literárias pelo valor simbólico de R$5,00. Os usuários ou transeuntes do Metrô de São Paulo poderão encontrar obras do escritor Laé de Souza, e informativos dos projetos desenvolvidos pelo grupo, nos quiosques instalados nas estações Artur Alvim, Ana Rosa, Santa Cruz, Santana e Tatuapé. Os estandes funcionam das 6h às 22h, de segunda-feira ao sábado.

Para os interessados, essa é uma excelente oportunidade de “rechear” a estante com muitas obras, com a possibilidade de conseguir um autógrafo e ainda bater um papo com o escritor e coordenador do projeto, Laé de Souza, que, eventualmente, passa por algum dos quiosques ao longo do mês.

O trabalho do Grupo Projetos de Leitura não tem fins lucrativos e oferece ao público muitos livros, entre eles: “Coisas de Homem & Coisas de Mulher”, “Acredite se Quiser”, “Espiando o Mundo pela Fechadura”, “Acontece”, “Nos Bastidores do Cotidiano”, “Quinho e seu Cãozinho – um cãozinho especial”, “Radar, o cãozinho”, versão Português/Inglês, entre outras obras de autoria de Laé de Souza, que abrangem o público infantil, juvenil e adulto.

Para o coordenador do projeto, essa é uma ótima oportunidade de colocar a leitura em dia e ainda presentear parentes e amigos com livros, a fim de disseminar o hábito da leitura. “O livro é sempre uma excelente opção para presentear a si mesmo ou a quem se gosta. Acredito que uma das boas formas de incentivar a leitura é oferecendo livros. Em geral, quando alguém ganha um livro, se torna mais propenso a se interessar por aquela leitura e a partir daí quem sabe abrir seus horizontes para o universo das letras”, opina.

Sobre o Grupo Projetos de Leitura
O Grupo Projetos de Leitura iniciou seu trabalho em 1998 e tem seus projetos aprovados pelo Ministério da Cultura, além de contar com o apoio de patrocinadores, parceiros e envolvimento dos professores. Com Sede em São Paulo, o grupo atua em todo território nacional desenvolvendo projetos sem fins lucrativos, com objetivo de vencer um dos maiores desafios encontrados pelos professores e amantes da literatura: o hábito da leitura.

Mais informações podem ser obtidas no site:
http://www.projetosdeleitura.com.br/
e-mail contato@projetosdeleitura.com.br , ou telefone (11) 2743-9491.

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Fonte:
Laé de Souza

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 161)

Uma Trova Nacional
A tua imagem refletida,
no espelho de nosso quarto,
mostra a saudade sentida,
que só contigo eu reparto…
– OLGA DIAS FERREIRA/RS –

Uma Trova Potiguar
Talvez contraste não seja,
mas, para vaguear à toa,
a lagarta que rasteja
vira borboleta e voa!…
– CLARINDO BATISTA/RN –

Uma Trova Premiada

2008 > ATRN-Natal/RN
Tema > RAZÃO > 15ºLugar

Nossa vida é mesmo assim,
qual um rolo de papel…
quanto mais perto do fim,
mais dispara o carretel!
– AMILTON MACIEL MONTEIRO/SP –

…E Suas Trovas Ficaram
Barqueiro em meio à neblina,
faço da crença um farol.
Não maldigo a minha sina,
neblina, é sinal de sol!
– CARMEN OTTAIANO/SP –

Simplesmente Poesia

– Elischa Dewes/RS –
O ANDARILHO…

Carrego a vida nas costas
Das colinas de onde eu vim
E vos digo, vou assim
Cumprindo minhas apostas,
Já nem ligo se alguém gosta.
Criando poemas, brilho
E o caminho busco e trilho
Em momentos, em cometas,
No amor, chuva, planetas…
Sou, do tempo, um andarilho.

Estrofe do Dia
Relembro do meu passado
sempre com muita alegria,
tudo de novo eu faria
para poder ser lembrado;
eu hoje vivo estressado
carente de segurança,
nem sequer tenho esperança
no dia que há de vir,
vou ficando por aqui
vivendo só de lembrança.
– MÁRCIO BARRETO/RN –

Soneto do Dia

– Alonso Rocha/PA –
BREVE TEMPO.

Se me queres amar, ama-me nesta hora
enquanto fruto dando-te a semente.
Se te apraz me louvar, louva-me agora
quando do teu louvor vivo carente.

Aprende a te doar antes que a aurora
mude nas cores cinza do poente.
Se precisas chorar, debruça e chora
hoje, que o meu regaço é doce e quente.

A vida é breve dança sobre arame.
Sorve teu cálice antes que derrame,
ninho vazio que o vento derrubou.

Porque quando eu cair num dia incerto
parado o coração, o olhar deserto,
nem mesmo eu saberei que já não sou.

Fonte:
Ademar Macedo

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Aluísio de Azevedo (Filomena Borges)

É o quinto romance de Aluísio Azevedo, que escreveu também O Mulato, O Cortiço e Casa de Pensão considerados os romances mais importantes do autor. Por ser visto como o ‘pai’ do naturalismo no Brasil, influenciado pelos escritores Eça de Queirós e Émile Zola, fundadores do naturalismo na Europa, Aluísio Azevedo busca em seus romances uma representação mais ou menos fiel do observado, fugindo assim da tendência romântica de idealização da realidade. Em seus livros, o cotidiano da vida na cidade, com alguns de seus personagens mais típicos, é elemento constante.
Neste romance encontramos o casal Borges e Filomena: esta, ambiciosa, busca através do casamento uma forma de ascender socialmente. Borges, no entanto, embora possua bens, é pacato, dócil cidadão sem muitas ambições. Assim, não corresponde ao ideal de marido que Filomena tem em mente. Esta buscará, então, modificá-lo a todo custo. Um incidente na primeira noite mostra para Borges como será difícil seu casamento: Filomena o expulsa do leito nupcial, obrigando-o a dormir fora do quarto.

Durante muito tempo a situação permanece sem alteração, apesar dos agrados constantes de Borges à esposa do cumprimento de todas as exigências dela, as quais, finalmente, acabarão por modificar profundamente o pacato marido, além de levá-lo à ruína econômica. Borges faz tudo pelo sentimento que dedica à esposa, mas nunca chegará a desfrutar do que deseja acima de tudo: paz e tranqüilidade ao lado de sua Filomena. Segundo o crítico Antônio Cândido, deve-se ler Filomena Borges “pelo viés do divertimento”. De fato, o autor cria situações hilariantes com o casal Borges e Filomena. Ainda, diz Cândido, “este romance é importante para a compreensão da personalidade literária de Aluísio Azevedo, que se caracteriza por uma mistura de bom humor e melancolia”. O grande número de palavras francesas de que se utiliza o autor, decorre da tendência vigente na época, quando a nossa literatura não só fazia uso abundante de termos franceses como tinha nela seu principal modelo.

Fonte:
http://www.coladaweb.com/resumos/filomena-borges-aluisio-azevedo

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Epopéias da Índia Antiga (O Mahabharata) – II – O Argumento

O rei de Hastinapura teve dois filhos: o maior chamado Dhritarâshtra, que era cego de nascimento e o outro chamado Pându.

Segundo as leis da índia, ficava excluído da sucessão à coroa, em benefício de seu irmão menor, todo príncipe cego, aleijado, mudo, gago, surdo ou de complexão franzina e enfermiça, que o impedisse de exercer a régia autoridade, embora ficasse com direito a um amparo vitalício.

Em virtude da morte do pai, ocupou o trono o irmão menor Pându.

A cegueira não constituiu obstáculo ao casamento de Dhritarâshtra, o qual teve cem filhos, ao passo que Pându só teve cinco.

Pându morreu em plena maturidade, e como não avia outro herdeiro direto seno Dhritarâshtra , este ocupou o trono dos Kurus, apesar de sua cegueira, e educou os cinco filhos de Pându juntamente com seus cem filhos.

Quando os príncipes atingiram certa idade,, o rei colocou-os sob os cuidados de um sacerdote guerreiro, chamado Drona, que os educou na arte militar e em todas as ciências necessárias aos príncipes.

Terminada a educação, Dhritarâshtra colocou no trono de seu pai Yudhishthira filho maior de Pându; porém as austeras virtudes de Yudhishthira, o valor e a devoção de seus outros quatro irmãos, despertaram a inveja no coração dos filhos do rei cego. Instigados por Duryodhana, o mais velho de todos, persuadiram aos cinco irmãos Pândavas que fossem a Vâranâvata, sob pretexto de um festival religioso que ali se celebrava.

Duryodhana havia mandado construir um palácio feito de cânhamo, resina, laca e outras matérias inflamáveis, onde os acomodou o astuto príncipe com intento de atear fogo ao mesmo.

Aconteceu, porém, que o bondoso Vidura, cunhado de Duryodhana e seu bando, avisou os Pandavas, que puderam escapar sem que ninguém notasse.

Quando os Kurus viram o palácio reduzido a cinzas, lançam um suspiro de satisfação, certos de que já não encontravam obstáculos em seu caminho e se apoderaram do reino.

Ora, os cinco irmãos Pândavas refugiaram-se no bosque, com sua mãe Kunti e disfarçados depois em estudantes brâmanes, viviam de esmolas pelos arredores; embora sofressem muitos dissabores, sua energia mental e ânimo valoroso venceram totalmente todos os perigos. Assim prosseguiam as coisas, quando um dia, tiveram notícia do próximo noivado da princesa de um país vizinho.

Como era de costume em tais casos, grande número de príncipes e nobres se havia reunido, para que a princesa escolhesse aquele que mais fosse de seu agrado.

A princesa que ia casar-se, chamava-se Draupadi e era filha de Drupada, o poderoso rei dos Panchalas. A moça era de peregrina beleza e de relevantes dotes. Sempre que se celebrava um svayamvara, ou escolha de noivo, os pretendentes disputavam algum exercício de habilidade e destreza.

Naquela ocasião, haviam colocado um alvo em fôrma de peixe, a grande altura, debaixo do qual girava continuamente uma roda com um furo no centro. Para maior dificuldade dos contendores, colocaram debaixo da roda uma tina cheia de água, na qual se refletia todo o artefato.

A prova consistia em mirar a imagem do peixe refletida na tina e disparar a flecha, de modo que essa atravessasse o furo da roda e atingisse o olho do peixe, que servia de alvo. Quem acertasse casaria com a princesa.

Ao local acorreram reis e príncipes de diferentes regiões da Índia, ansiosos por conquistar a mão de Draupadi. Entretanto, todos eles puseram em prática sua habilidade, sem que nenhum acertasse no alvo.

Então, o filho do rei Drupada levantou-se no meio do concurso e exclamou:

– A casta dos kshatriyas fracassou na prova, portanto, ficam admitidos a ela os pretendentes das demais castas e embora seja um sudra, se acertar, casai-se-á com Draupadi”.

Entre os brâmanes estavam os cinco irmãos Pândavas e Arjuna o terceiro deles era habilíssimo no manejo do arco. Por isso levantou-se para tomar parte na prova.

Convém advertir que os brâmanes são pessoas pacificas e tímidas. Segundo a lei, não devem tocar em nenhuma arma de guerra, nem brandir a espada e jamais cometer qualquer empresa perigosa, pois sua vida deve ser de contemplação, estudo e domínio de sua natureza interna.

Por essa razão, quando os brâmanes que presenciaram o torneio viram que Arjuna se levantou para empunhar o arco, temeram que contra eles despertasse a ira dos kshatriyas e os matassem, sem discernir os culpados e os inocentes.

Dominados por esse temor, pediram a Arjuna que desistisse do concurso: porém, como o valoroso pândava, segundo vimos, era um kshatriya disfarçado em brâmane, não ligou-lhes importância e empunhando o arco disparou a flecha com tal acerto que atingiu o alvo. A assistência prorrompeu em frenéticos aplausos e a princesa Draupadi cingiu a fronte de Arjuna com a grinalda tradicional.

No mesmo instante, ergueu-se grande clamor entre os príncipes, pois não podiam tolerar que um pobre brâmane se cassasse com uma princesa kshatriya e prevalecesse contra a assembléia de reis e príncipes. Então, resolveram lutar com Arjuna para arrebatar-lhe à força a sua noiva. Iniciou-se o combate, mas o cinco irmãos mantiveram a distância os guerreiros e depois de vence-los em combates singulares, levaram triunfal mente a princesa.

Como os cincos irmãos, disfarçados em brâmanes, viviam de esmolas que recolhiam na comarca, esmolas essas que eram distribuídas por Kunti, quando chegaram naquele dia à cabana em que moravam, exclamaram alegremente antes de entrar:

– Mãe! Hoje trazemos uma esmola verdadeiramente valiosa. Kunti, sem reparar no que podia ser, respondeu lá de dentro:

– Como bons irmãos que sois, deveis reparti-Ia entre vós igualmente. Porém, ao sair e ao ver Draupadi exclamou assombrada:

– Oh! Que disse eu? É uma mulher! Porém já não havia remédio, porque uma mãe não tem duas palavras e aquilo que diz uma vez há de ser cumprido.

Por isso, Draupadi foi a esposa comum dos cinco Pândavas.

É sabido que todo povo passa em seu desenvolvimento por sucessivos graus de civilização. Na passagem da epopéia que acabamos de citar, apresenta-nos o autor cinco irmãos que possuem uma mesma esposa e embora dê por desculpa a ordem sagrada de sua mãe, seu intento foi sem dúvida oferecer um vislumbre do antiquíssimo estado social em que a poliandria era legítima, embora contraída entre os irmãos de uma só família.

O irmão de Draupadi ficou algum tanto pensativo depois da partida de sua irmã e cogitava: “Que gente é essa? Quem é esse homem com quem casou-se minha irmã? Não tem cavalos, arreios, nada! Caminham a pé …

Por isso, acompanhando-os de longe, chegou junto à cabana e protegido pela escuridão, ouviu o que conversavam, deduzindo que eram realmente kshatriyas. Comunicou a nova a seu pai, o rei Drupada, que ficou satisfeitíssimo. Entretanto, para sua maior tranqüilidade consultou Vyasa sobre se era lícito ou não o matrimônio de uma mulher com cinco irmãos. O sábio respondeu que não havia inconveniente por tratar-se daqueles príncipes. Por isso, Draupadi foi a esposa legítima dos cincos Pândavas, que viveram em paz e prosperidade, tornando-se cada dia mais poderosos.

Embora Duryodhana e seu bando tramassem novas maquinações contra seus parentes todas fracassaram, tendo os anciãos do reino aconselhado ao rei Dhritarashtra que firmasse a paz com os Pândavas.

O rei aceitou o conselho, tendo convidado os Pândavas para voltarem à corte, dando-lhes a metade do reino. O povo alegrou-se muito pelo restabelecimento da paz. Então os cinco irmãos edificaram para sua residência uma formosa cidade a que deram o nome de Indraprastha, estendendo o seu domínio por toda a comarca.

Ao ver-se tão poderoso, Yudhishthira, pândava maior, quis erigir-se imperador de todos os reis da antiga índia. Para tal fim decidiu celebrar um Yajna Rayasuya, ou Sacrifício Imperial, com a assistência de todos os régulos que havia vencido, para prestarem juramento de fidelidade, pagarem tributo e ajudarem pessoalmente as cerimônias do Sacrifício.

Sri Krishna, parente e amigo dos Pândavas, aprovou a idéia mas encontrava certa dificuldade porque um rei vizinho, chamado Jarasandha, projetava também celebrar um sacrifício com cem régulos e já tinha oitenta e seis cativos em seu poder.

Krishna aconselhou uni ataque contra Jarasandha a quem ofereceram combate singular. Aceito o repto, Jarasandha foi vencido por Bhina, depois de catorze dias de luta contínua, tendo os régulos cativos recuperado a liberdade. Depois disso, os quatro irmãos menores saíram à frente de seus respectivos exércitos, em diversas direções e subjugaram todos os régulos das redondezas.

Ao regressar da expedição conquistadora, depuseram os troféus de guerra aos pés do irmão mais velho, para sufragar os gastos do sacrifício, celebrado com invejável pompa, onde prestaram homenagem a Yudhisthira os régulos libertados e os vencidos pelos quatro irmãos. Também estiveram presentes, na qualidade de convidados, o rei Dhritarâshtra com seus filhos, os quais participaram das cerimônias.

Terminado o sacrifício, efetuou-se a coroação de Yudhisthira como imperador e senhor supremo.

Duryodhana encheu-se de inveja e tornou-se inimigo de Yudhisthira, cujo esplendoroso poderio não podia suportar. Como sabia que pela força era impossível derrotá-lo, urdiu uma traição com o propósito de levá-lo à perdição.

O rei Yudhisthira era apaixonado pelos jogos de azar. Duryodhana, aproveitando-se dessa fraqueza de seu primo, combinou com um jogador profissional chamado Sakuni, que retivesse por longo tempo Yudhisthira numa partida de dados.

Na antiga Índia, se um Kshatriya ou guerreiro era desafiado ao combate, devia aceitar o repto a todo custo, sob pena de ver menoscabada sua honra; o mesmo sucedia se fosse desafiado a jogar dados.

Embora Yudhisthira fosse a encarnação de todas as virtudes, como rei, não podia deixar de, aceitar o repto de Sakuni. Este havia trazido, de propósito, uns dados falsos, de modo que o rei foi perdendo partidas e mais partidas, até que aguilhoada pela ânsia da desforra apostou sucessivamente tudo que possuía inclusive ser reino, seus irmãos e até a formosa Draupadi.

Os cinco Pândavas caíram em poder dos Kuravas, que os humilharam sem piedade, infligindo a Draupadi os tratos mais desumanos.

Finalmente, pela intervenção do rei cego Dhritarâshtra, recobraram a liberdade sendo-lhes concedido permissão para apossar-se de seu reino; antes, porém, de cumprido o decreto, Duryodhana, ao ver o perigo, forçou seu pai a que confiasse a decisão final em uma partida de dados, entre os Pândavas e os Kuravas, de sorte que o grupo que perdesse ficaria desterrado durante doze anos, no fim dos quais viveria incógnito em uma cidade, no ano seguinte. Porém, se quebrassem o desterro, sofreriam por mais doze anos, no fim dos quais poderiam recuperar o reino.

Como era previsto, pois os dados de Sakuni eram falsos e ele era muito hábil em prestidigitação, Yudhisthira perdeu também a partida final. Os cincos Pândavas saíram do reino e se retiraram para os bosques e montanhas, onde estiveram durante doze anos, durante os quais realizaram muitas ações de virtude e valor, fazendo às vezes longas peregrinações a sítios sagrados.

Muitos yogis foram visitá-los em seu desterro, contando-lhes interessantes episódios da antiga história da Índia, entre os quais a que transcrevemos a seguir.
–––––––
Continua… História de Savitri
––––––––
Fonte:
Vivekananda, Swami. Epopéias da Índia Antiga.

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3ª Etapa do Projeto de Trovas Para Uma Vida Melhor (Resultado do Tema Fé)

RESULTADO DAS AVALIAÇÕES DO PRIMEIRO CONCURSO –
TEMA: FÉ

NACIONAL

GRUPO 1

1º LUGAR
O que ao mais simples conforta
– e o torna feliz, até –
é saber que o céu tem porta
…e uma das portas é a FÉ!
HÉRON PATRÍCIO – UBT/SP
POUSO ALEGRE- MG

2º LUGAR
Que sozinho ninguém é
eu garanto a todos vós,
pois se em Deus nós temos fé,
temos Deus dentro de nós!
HUMBERTO RODRIGUES NETO
SÃO PAULO – SP

3º LUGAR
Se a batalha é dura, enfrenta!
E a fé perdida renova;
é quando ruge a tormenta
que o bom marujo se prova!
PEDRO ORNELLAS
SÃO PAULO – SP

MENÇÃO HONROSA

1. Meu Deus! Perdoe a franqueza
Deste humilde São Tomé
Que crê, sem muita firmeza,
Mas pede um pouco de fé.
CYRO MASCARENHAS RODRIGUES
BRASÍLIA – DF

2. Quem com fé vive seus dias
e semeia paz e amor
colherá sempre alegrias
na seara do senhor.
LEONILDA YVONNETI SPINA
LONDRINA – PR

3. Quando a minha fé se esmera,
penso que tudo se alcança.
Por longa que seja a espera,
não perco nunca a esperança!
PROF. GARCIA
CAICÓ – RN

4. Fé, bela joia que enfeita
o escrínio de nossa crença!
Que, sendo forte e perfeita,
não há vendaval que a vença!
ANGELICA VILLELA SANTOS
TAUBATÉ – SP

5. Quem caminha destemido
com fé na vida que tem,
não faz, nem teme alarido
vive apenas para o Bem!
NILTON MANOEL
RIBEIRÃO PRETO – SP

MENÇÃO ESPECIAL

1. Porque a “Fé move a montanha”,
não posso deixar de crer
que esta saudade (tamanha!)
vai um dia perecer.
MARINA GOMES DE SOUZA VALENTE
BRAGANÇA PAULISTA – SP

2. Fé, palavra pequenina,
que possui forças tamanhas.
Quem a tem, se determina
até a mover montanhas!
ADEMAR MACEDO
NATAL – RN

3. A Fé que eu trago comigo
me tornou agradecida,
pois, com ela, hoje, eu consigo,
aceitar a própria vida!
DELCY CANALLES
PORTO ALEGRE – RS

4. Bendito é aquele que crê
e com fé, sempre maior,
dobra os joelhos e vê
adiante um mundo melhor!!!
ERCY MARIA MARQUES DE FARIA
BAURU – SP

5. Nesta casa bem singela,
da fé não abrimos mão!
Só será bem-vindo nela
quem tem Deus no coração!
GENILTON VAILLANT DE SÁ
VITÓRIA – ES

NACIONAL
GRUPO 2

1º LUGAR
Junto ao mar a murmurar,
renovei a fé em Deus
e a canção surgiu do olhar
que brilhou nos olhos teus.
MIFORI
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP

2º LUGAR
Nunca me sinto sozinho,
estribado em minha fé,
se eu fraquejo no caminho,
meu Deus me mantém de pé.
RAYMUNDO DE SALLES BRASIL
SALVADOR – BAHIA

3º LUGAR
Se fé remove montanha,
a esperança é garantida.
E se Cristo te acompanha,
sempre há luz em tua vida
AYDA BOCHI BRUM
SANTIAGO – RS

MENÇÃO HONROSA

1. A fé que vive em nossa alma
é nosso perene abrigo,
é força que nos acalma
quando nem resta um amigo.
ANGELA TOGEIRO
BELO HORIZONTE – MG

2. A fé renova a esperança,
traz alento ao coração
daquele que não se cansa
de implorar a Deus:”Perdão!…”
ANGELA GUERRA
RIO DE JANEIRO – RJ

3. Eu sou como um peregrino
que vive em função da FÉ
na força do Pai (divino)
do Cristo de Nazaré.
TARCÍSIO JOSÉ FERNANDES LOPES
BRASILIA – DF

4. Meu norte, meu horizonte,
o guia que me orienta,
é o sinal da fé na fronte,
feito em cruz, com água benta..
DARLY O. BARROS
SÃO PAULO -SP

5. Olhei nos olhos da Santa,
depositei minha fé,
a minha crença era tanta
que chorei na Santa Sé.
LUIZ MORAES SANTOS.
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP

MENÇÃO ESPECIAL

1. É bom deitar e dormir
podendo crer no amanhã
quando se enfrenta o porvir
fazendo a fé de guardiã.
MARIA CECILIA GRANER FESSEL
PIRACICABA – SP

2. A fé é sublime estrela
que brilha na escuridão.
Os olhos não podem vê-la
quem pode é o coração.
JOSÉ REINALDO DE MELO PAES
MACEIÓ – ALAGOAS

3. Implorei para Jesus
com olhar cheio de fé
que me desse uma luz,
encontrar um tal José.
SONIA NOGUEIRA
FORTALEZA – CEARÁ

4. Quero ser sábio, Senhor,
pra ser humilde, e com fé,
crer na Encarnação do Amor
na Virgem de Nazaré.
ADAMO PARQUARELLI
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP

5. De Deus promessa é segura,
se tiveres fé e esperança;
toda crença te assegura:
– depois da chuva a bonança.
BARÃO DE JAMBEIRO
JAMBEIRO – SP

NACIONAL
GRUPO 3 – DE ALUNOS

1º LUGAR
Tenho muita fé em Deus,
que ilumina os meus caminhos,
que cuida dos filhos seus
e também dos passarinhos.
JOÃO VICTOR C. BATISTA
Profª Teresa Benedita
E.E. “Cel. Eduardo José De Camargo”
PARAIBUNA – SP

2º LUGAR
Com fé, amor e esperança,
oramos e agradecemos;
sem nenhuma desconfiança,
com Jesus nós venceremos.
DANIELA BARRETO FIGUEIREDO – 8ª A
Profª Helô
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

3º LUGAR
A fé que anima e ajuda
a se ter vida melhor.
Pois, sem fé, Deus nos acuda!
Tudo o mais será pior!
VITOR DE OLIVEIRA BELISÁRIO – 12 ANOS – 7ª B
Profª Edna Maria
E.E. “Dr. Cerqueira César”
PARAIBUNA – SP

MENÇÃO HONROSA

1. Nada nos é impossível,
se temos fé em Jesus,
que nos tornará posssível
enxergar de novo a luz.
BRUNA DE SOUZA GOMES – 1º B
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

2. Na vida há que se ter fé
e ter Deus no coração,
com Jesus de Nazaré,
tendo amor e compaixão.
GRAZIELA ANTUNES SANT’ANA ALVARENGA
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

3. A palavra fé é vida!
Fé que nos pede atenção,
para ser muito querida,
amada de coração.
CLAUDIA SANTANA SOARES LOPES – 15 ANOS – 1ª A
Profª Edna Maria
E.E. “Dr. Cerqueira César”
PARAIBUNA – SP

4. Em meu Deus eu tenho fé.
Abençoa meu Senhor!
Com fé me mantenho em pé
para aumentar meu valor.
TIAGO FELIPE VITAL
Profª Edna Maria
E.E. “Dr. Cerqueira César”
PARAIBUNA – SP

5. Nossa alma é tão divina
e nos traz muita alegria.
Nossa fé tão pequenina
que a reforço todo dia.
ANA GRAZIELE SANTOS SOUSA
Profª Helô
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

MENÇÃO ESPECIAL

1. O meu Pai é o Senhor!
Restaura a fé e a alegria,
com paz e com louvor,
venceremos a nostalgia.
ROSÁRIA APARECIDA ALVES DA SILVA – 16 ANOS – 1ª B
Profª Edna Maria
E.E. “Dr. Cerqueira César”
PARAIBUNA – SP

2. Com a fé que todos temos,
sempre em Deus acreditando;
com amor,agir devemos,
a bondade praticando.
LARISSAH DE PAULA DIOGO
Profª Helô
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

3. Eu tenho fé em meu Deus.
Ele é o meu Salvador;
Ele ama os filhos seus
e alivia qualquer dor.
SAMUEL DE. O. SANTOS
Profª Teresa Benedita
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

4. Fé em Deus pode aumentar,
estudando a religião,
aprendendo sempre orar,
fazendo meditação.
RÚBIA MIRELA C. SILVA
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

5. Veja ao olhar para o céu
como ele está a brilhar!
Na prisão sem escarcéu,
presos têm fé de escapar.
LEDA F. DA SILVA
Prof. Vicente
E.E. “Cel. Eduardo José de Camargo”
PARAIBUNA – SP

GRUPO INTERNACIONAL

A) LINGUA PORTUGUESA

1º LUGAR
Eu quero viver a vida,
tendo a Fé por companheira.
Dia a dia renascida…
Percorrendo a vida inteira!
MARIA JOSÉ VIEGAS DA CONCEIÇÃO FRAQUEZA
ALGARVE – PORTUGAL

2º LUGAR
Ter fé em Deus nesta vida
é ter consolo na morte,
é ter asas na partida,
é ter na Terra o seu norte!
GISELA ALVES SINFRÓNIO
OLHÃO – PORTUGAL

3º LUGAR
Se for vivida sem FÉ
Jamais faz sentido a vida
Nosso antes e depois é
Cinza nas trevas perdida.
EUCLIDESCAVACO
CANADÁ

MENÇÃO HONROSA

1. Crer em Deus, sem duvidar,
seguir sempre a sua voz,
só a fé pode escutar
porque está dentro de nós.
ANTÓNIO JOSÉ BARRADAS BARROSO
PAREDE – PORTUGAL

2. Esta Fé que me alimenta
enche minh’alma de cor!
É bálsamo que fermenta
e se transforma em amor…
FERNANDO MÁXIMO
AVIS – PORTUGAL

3. Se a Fé a sentimos bem,
cá dentro do coração,
já não somos “Zé-ninguém”:
temos Deus por Salvação!
JUDITE RAQUEL NEVES FERNANDES
GÓIS – PORTUGAL

4. Se com fé fores rezar
a Deus Pai Nosso Senhor,
para tua alma salvar
reza pois com mui fervor…
ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO
LISBOA – PORTUGAL

MENÇÃO ESPECIAL

1. De joelhos, com fervor,
com a fé duma oração,
crente no seu grande amor,
ao meu Deus peço perdão.
OLÍVIA ALVAREZ MIGUEZ BARROSO
PAREDE – PORTUGAL

2. A Fé é bendita jóia
que Deus tem para salvar;
como no mar uma bóia
que não deixa naufragar!
CLARISSE BARATA SANHCES
GÓIS – PORTUGAL

3. Sim…, é a fé que nos salva,
diz o povo e tem razão,
para salvar a minha alma
a Deus eu peço perdão…
ACIOLIMDA SPRANGER
LAGOS – PORTUGAL

4. Fé foi sempre companheira
em todos os maus momentos.
Não crer em Deus, é asneira,
Em fase de sofrimento.
JORGE A. G. VICENTE
F.R. SUISSE

5. Que tenho fé: eis a prova
do meu saber, sem ter arte;
para mandar minha trova
levar Paz a toda a parte!
ISAURA MARTINS
LAMEIRAS -TÁBUA – PORTUGAL

COMISSÃO JULGADORA
FRANCISCO GARCIA – RN
MYRTHES MAZZA MASIERO – SP
GISLAINE CANALES – SC
ALFREDO BARBIERI – SP
DELCY RODRIGUES CANALES – RS
JOEL H. BASRBIERI – SP
ANTONIO AUGUSTO DE ASSIS – PR
CLÁUDIO DE MORAIS – SP
LUCIA HELENA DE LEMOS SERTÃ – RJ
MARIA DA GRAÇA STINGLIN DE ARAÚJO – PR
ADAMO PASQUARELLI – S P
ARLINDO TADEU – MG
=======================
GRUPO INTERNACIONAL
B) LÍNGUA ESPANHOLA

1° LUGAR
Fe, es creer en lo increíble,
¡y con todo el corazón!
¡Haciendo ver lo imposible
fácil, hasta sin razón!
CARLOS IMAZ ALCAIDE –
FRANCIA

2° LUGAR
Cuando es grande nuestra fe,
tiene senda despejada
para avanzar con buen pié,
hacia la meta soñada.
HILDEBRANDO RODRÍGUEZ –
VENEZUELA

3° LUGAR
Porque eres mi compañera,
te adoro sin condición.
De suave rostro sincera,
¡dulce FE del corazón¡
MIGUEL ÁNGEL MUÑOZ CORTÉS –
ESPAÑA

MENCIÓN HONROSA

1. Si existe amor en la tierra
siempre habrá felicidad,
se acabará toda guerra
y habrá FE en la humanidad.
ALICIA MEDINA GALLEGOS –
MÉXICO

2. La fe es saber que posees
lo que a Dios ya le pediste
y si en verdad te lo crees
en tu vida está y existe…
ÁNGELA DESIRÉE PALACIOS –
VENEZUELA

3. Es la fe verde esperanza,
fiel y dulce compañía,
nos devuelve la confianza
y nos llena de armonía.
GISELA CUETO LACOMBA –
CUBA

4. Si tenemos fe y certeza
de alcanzar un ideal,
lograremos la destreza
para llegar al final.
HÉCTOR JOSÉ CORREDOR CUERVO –
COLOMBIA

5. La Fe mueve montañas
y me hacen un hombre nuevo,
la llevo aquí en mis entrañas
porque a Dios con Fe me aferro!
RICARDO DUCOING –
MÉXICO

MENCIÓN ESPECIAL

1. La Fe libera al cristiano
de la angustia del mañana,
así no camina en vano
desde hora más temprana…
DIOSELINA IVALDY DE SEDAS –
PANAMÁ

2. La fe de poder amarte
es la fe que por ti siento.
Sin fe jamas podre darte
la fe de mi pensamiento.
MANUEL SALVADOR LEYVA MARTINEZ –
MÉXICO

3. La FE escala las montañas.
Exlamando ¡Llegaré!
Pues dentro de las entrañas
sabe ella que me esforcé.
LIBIA BEATRIZ CARCIOFETTI –
ARGENTINA

4. El Libro que Dios nos diera …
Esto dice :… ” Es pues la Fe
substancia de lo que espera ,
¡demostración que no vé !
MIGUEL ANGEL ALMADA –
BRASIL

5. La fe que tengo en tu amor
logrará salvar en mí
el necesario valor
de seguir la lucha aquí.
RAMÓN ROJAS MOREL –
ARGENTINA

COMISIÓN JUZGADORA
Dolores Roche – Francia
Eunate Goikoetxea – España
Constanza Calderón – USA
Julio Sarre Iguíniz – México
==========================

Para Participar:

TEMAS –
VIRTUDES – Bons hábitos práticos que devem ser vividas em todas as circunstâncias, favoráveis ou adversas:
– FÉ – de 15/01 a 28/02/11 – resultado até 20/03/2011 (encerrado)
– ESPERANÇA – de 01/04 a 30/05/2011– resultado: 20/06/2011
– CARIDADE – de 01/07 a 30/08/2011 – resultado até 20/09/2011
– PRUDENCIA – de 01/10 a 30/11/2011 – resultado até 20/12/2011
– JUSTIÇA – de 01/07 a 30/08/2011 – resultado até 15/09/2011
– TEMPERANÇA – de 02/01 a 01/03/2012 – resultado até 30/04/2012

Apenas uma trova inédita por trovador (a), via Internet:

As trovas em língua portuguesa serão enviada a mifori14@yahoo.com.br

e as trovas em Língua espanhola serão enviadas a CoLibriRoseBeLLe@aol.com (a partir desta 3ª Etapa)

O tema deverá constar da trova: 4 versos setessílabos, rimando o 1º com o 3º e o 2º verso com o 4º tendo sentido completo.

Fonte:
Colaboração de Mifori

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II Concurso de Trovas Antônio Roberto Fernandes – Academia Pedralva (Resultado Final)

Tema: Noel Rosa

TROVAS VENCEDORAS:

Elen de Novais Felix – Niterói-RJ
Wanda de Paula Mourthé – Belo Horizonte-MG
Licínio Antônio de Andrade – Juiz de Fora-MG
Dodora Galinari – Belo Horizonte-MG
Adilson Maia – Niterói-RJ
Dirce Montechiari – Nova Friburgo-RJ
Almerinda F. Liporage – Rio de Janeiro –RJ
Marina Bruna – São Paulo-SP
Hermoclydes S. Franco – Rio de Janeiro –RJ
Olimpio da Cruz Simões Coutinho – Belo Horizonte -MG

MENÇÃO HONROSA:
Wandira Fagundes Queiroz – Curitiba –PR
Almira Guaracy Rebelo – Belo Horizonte –MG
Therezinha Dieguez Brisola – São Paulo –SP
Ederson Cardoso de Lima – Niterói – RJ
Nei Garcez – Curitiba –PR
Ruth Farah Nacif Lutterback – Cantagalo –RJ
Renata Paccola – São Paulo –SP
Jupyra Vasconcelos – Belo Horizonte – MG
Nei Garcez – Curitiba –PR
Neide Rocha Portugal – Bandeirantes –PR

MENÇÃO ESPECIAL:

Lucia Helena de Lemos Sertã – Nova Friburgo –RJ
Jorge Roberto Vieira – Niterói –RJ
Francisco José Pessoa – Fortaleza –CE
Djalda Winter Santos – Rio de Janeiro –RJ
Adilson Maia – Niteró-RJ
Marcos Antônio de Andrade Medeiros – Natal-RN
Rodolpho Abbud – Nova Friburgo –RJ
Carolina Ramos – Santos –SP
Hegel Pontes – Juiz de Fora –MG
Amael Tavares da Silva – Juiz de Fora -MG

Comissão Julgadora
José Gurgel
Roberto Acruche
Vilmar Rangel
Herbson Freitas

Fonte:
Roberto Acruche

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1º Premio Literário Professor Mário Carabajal de Poesias ALB/SC (Resultado Final)

ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL/SANTA CATARINA
Presidente: Prof. Dr. Miguel Simão Simão – Ph.I.

A Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina em reunião no dia 26 de fevereiro de 2011 com os seguintes Membros:
Professor Escritor Miguel João Simão Presidente da ALB/SC,
Escritor José Honório Marques Presidente da ALB Seccional de Palhoça,
Escritor Célio Silva representante da ALB Secional de São José,
Escritor Tiago Nilson da Silva Presidente da ALB/Seccional de Governador Celso Ramos,
Escritora Janice Marés Volpato Representante da ALB Seccional de São José,
Escritora Neusita Luz de Azevedo Churkin Representante da ALB Seccional de Governador Celso Ramos,
Escritora Ilse Maria Paulino Gomes Representante da ALB Seccional de Canelinha, e
Escritora Maria do Carmo Tridapalli Facchinni Presidente da ALB Seccional de Nova Trento fizeram a seleção das Poesias enviadas para participação do Concurso, ficando assim classificados os 10 primeiros lugares:

1º LUGAR
POESIA – ABANDONO
AUTORA: MARIA APARECIDA S. COQUEMALA
CIDADE: ITARARÉ/ SP.

2º LUGAR
POESIA: GALO
AUTOR: YVIS EDUARDO RISSI TOMAZINI
CIDADE: SÃO VICENTE/SP

3º LUGAR
POESIA: PLENITUDE
AUTORA: ÉRIKA CONCEIÇÃO DE AZEVEDO
CIDADE: DIVINÓPOLIS/MG

4º LUGAR
POESIA: MEU ETERNO MENINO DE ASAS
AUTORA: DORA DUARTE
CIDADE; FLORIANÓPOLAIS/SC

5º LUGAR
POESIA: O VIAJEIRO
AUTOR: PEDRO EDUARDO FERREIRA
CIDADE: PETRÓPOLIS/RJ

6º LUGAR
POESIA: ÁGUAS
AUTOR: NELSON MAIA SCHOCAIR
CIDADE: RIO DE JANEIRO/RJ

7º LUGAR
POESIA: RIO DAS VELHAS, MENINO MOÇO
AUTOR: ERNANI HENRIQUE DE OLIVEIRA
CIDADE: BELO HORIZONTE/MG

8º LUGAR
POESIA: FRAGMENTOS
AUTORA: AMELIA MARCIONILA RAPOSO DA LUZ
CIDADE: PIRAPETINGA/MG

9º LUGAR
POESIA: IGUAIS NA DIFERENÇA
AUTOR: WESLEY GABRIEL GOMES COUTO
CIDADE: CONGONHAS/MG

10 º LUGAR
POESIA: O VOO DA GARÇA
AUTOR: EUCLIDES CELITO RIQUETTI
CIDADE: OURO/SC

Após a classificação ficou decidido que a entrega dos Prêmios será no dia 23 de julho em Sessão Solene da ALB/SC na cidade de Governador Celso Ramos /SC no IIº ENCONTRO ESTADUAL DE ESCRITORES DA ALB/SC, onde estarão presentes representantes de diversos Municípios que representam a Instituição . Além da entrega dos Prêmios do Concurso de Poesias, serão empossados novos Membros da ALB/SC e homenageados outros Escritores com o Título “AMIGO DA CULTURA LITERÁRIA”

Governador Celso Ramos/SC, 26 de fevereiro de 2011.
Professor Miguel João Simão
Presidente da ALB/SC

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Cidade de Santos (SP) em Trovas – Livro II

Sempre que sinto saudade
de minha mãe tão querida,
logo me vem a vontade
de em seu colo ter guarida.
ÁLVARO HILINSKI

Para ser um trovador,
Tens que ter alma bem pura,
Falar de amor ou de dor,
Só fala quem tem ternura.
ANA MARIA GUERRIZE GOUVEIA

Se a tua zanga é mordaz,
com razão ou sem nenhuma,
imita o mar que desfaz
sua ira em branca espuma!
CYNIRA ANTUNES DE MOURA

Ao despertar, uma prece
eu rezo a Deus com louvor
pelo que nos aquece
na sua chama de amor!
EDNA GALLO

Extasiada, a lua cheia,
ante a beleza do mar,
transformou os grãos de areia
em pedaços de luar.
ILZE DE ARRUDA CAMARGO

Quanto mais oo tempo passa,
Agradeço ao Criador
Tudo o que me dá de graça,
fé, discernimento e amor.
LALITA

Veleiro, que ao vento avanças,
a demandar outras plagas,
tu vais cheio de esperanças
sobre a esperança das vagas!
LAVÍNIO GOMES DE ALMEIDA

O sol surge no horizonte
despertando a natureza
e a luz que vem dessa fonte,
cobre a manhã de beleza!
LEONOR SILVEIRA CARVALHO

A trova quando trovada
bem profunda e com amor,
sabemos que foi tirada
de um coração trovador.
LÍLIA STEIN GOULART DE SOUZA

No doce encanto do amor
reside a felicidade
fica o mundo multicor,
quando se ama a verdade.
LOURDES LAGO FELÍCIO

Meus louros ao trovador,
que na emoção do seu estro,
rima os versos com primor,
qual talentoso maestro!
MARIA LUCY FIGUEIREDO

É um velho amante do mar
meu coração sonhador,
tentando se resgatar
dos seus naufrágios de amor.
MARIA NELSI SALES DIAS

Se as abelhas caprichosas
vivessem os sonhos meus,
Desprezariam as rosas
pelo mel dos lábios teus!
MOACYR FIGUEIREDO

Que esperança tenho ainda
de um dia te reencontrar,
pois há uma saudade infinda
que ficou no teu lugar!
NAIR LOPES RODRIGUES

Neste belo e claro dia
de sol forte e céu azul,
vem chegando frente fria
no vento que vem do sul.
NEIVA PAVESI

Sonho sereno, tão puro,
dorme a criança feliz.
Seu lindo sorriso, eu juro,
acorda e tudo bendiz!
NELQUIS MÜLLER

Os pontos de luz que dançam
no azul do céu tão bonito,
são anjos de Deus que alcançam
as estrelas do infinito!
ODETE CHEIDA HILINSKI

Ilusão, muito contente,
tu deixas meu coração
e eu quero pedir, somente,
que não me abandones, não!
SEBASTIÃO PEREIRA

Brilha tanto a Estrela e doura
o presépio de Jesus,
que as palhas da manjedoura
parecem feixes de luz!
SILVINA ANTUNES LEAL

Segue em frente, sem temer
de uma injustiça o fragor,
luta por um renascer
pede ajuda ao Criador.
SOPHIA LEITE CRUZ
————-

Cidade de Santos (SP) em Trovas – Livro I
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/12/cidade-de-santos-sp-em-trovas.html

Fontes:
Boletim A Rosa – UBT Santos – Deze 2010 – n.268 – enviado por Carolina Ramos.
XIV Jogos Florais de Santos – 2005

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Paulo Roberto do Carmo (Poesias Avulsas) – Livro I

ANTES DO TEMPO

.

Expulsa a palavra
que não venha da boca
que te cobre de afagos.

O que é contra mim
e me arrasta para ti
será que é só este desejo
a borbulhar de culpas
e que clama em vão
por amar e perder-se,
com a aflição dos condenados
que caem e se levantam
porque ainda há um desejo
que treme, não se cala
e nos mata antes do tempo…
cansado o espírito
de tantas dores
cravadas no coração?

A vida não dá mais…
e tão breve é a paixão.
Tempo, tempo, não há mais tempo!

COISAS POUCAS

Só hás de começar
por coisas poucas:
buscar primeiro dentro de ti
o medo que te faz fugir
e desafiá-lo.
Depois matar a soberba
com os frutos envenenados
de uma árvore morta –
e que tuas palavras se calem
diante da arte de viver.

Só hás de começar
por coisas poucas:
de como não se dobrar
entre o silêncio de Deus
e o sofrimento dos outros.
Compreender depois
que ser ignorado
dói como um golpe
que nos jogasse
no fosso dos humilhados
e que o mundo que nos devora
é feito por nós, apesar de tudo.

SEM PALAVRA

Um homem sem palavra
em qualquer lugar se esconde,
não tem sol próprio nem sombra
ou casa onde cair morto.

Um homem sem palavra
não sabe onde vai chegar
nem tem como voltar atrás
sem braços, joga pedra no futuro.

Um homem sem palavra
caminha longe para encontrar
o que sempre esteve ao seu lado
e quando acha, expulsa e não desfruta.

Um homem sem palavra
começa a morrer quando se resigna
e é feliz – não se deixa surpreender
pelos acasos da manhã, nem pela dúvida.

Um homem sem palavra
culpa sempre o outro e se aliena de si,
do irrevelado, o outro escondido por não vir,
do sem um olho, o sem braços, do alegre por não cantar.

Um homem sem palavra
deixa impressões digitais
no silêncio emudecido dos falsos desejos
só para não despertar a libido que vem do sonhos.

NO DESESPERO, NA DOR

No desespero, na dor,
não me venham com palavras,
verdades, teorias –
o que eu preciso é de ajuda,
este animal de quatro braços
e um coração reto e simples
que dá asas a quem abraça
para voar abraçado a quem ajuda.

No desespero, na dor,
não me venham com hermenêuticas,
o que preciso é de água
para respirar como o peixe
que achou onde nadar.
O que eu preciso é de ajuda e de água.

INFIDELIDADE

Porque o amor acaba,
não serás fiel a uma promessa.

Porque a paixão morre,
não serás fiel a um impulso.

Porque a esperança ilude,
não serás fiel a uma espera.

Porque o sonho engana,
não serás fiel a um fantasma.

Porque o nome nomeia,
não serás fiel ao que te chama.

Porque o rio corre,
não serás fiel às nascentes.

Porque o inesperado não chega,
não serás fiel ao esperado.

Porque uma luta se perde,
não serás fiel às derrotas.

Porque o desejo se frustra,
não será fiel à razão.

Porque o amor acaba,
não serás fiel a uma promessa.
—-

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Paulo Roberto do Carmo (1941)

Paulo Roberto do Carmo nasceu em Porto Alegre, em 1941. É poeta, professor e tradutor. Tem participado de diversas antologias coletivas no Brasil e em Portugal.

Recebeu o Prêmio Nacional de Poesia Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional, em 2000. Finalista do Prêmio Açorianos, cidade de Porto Alegre.

Diz o poeta: “Escrevo porque não posso esconder o sol dentro da alma, nem a palavra calada. Escrevo porque entre o homem que colhe e o que semeia, há um homem que sonha o peixe, o pão, o vinho, os alimentos coletivos da alegria, da liberdade, da justiça, a arte de tornar-se humano mudando não apenas a aldeia, mas a mim mesmo. Essa obsessão de libertar a alegria que se aprisiona dentro das palavras, é para aprender a exumar-me de minhas cotidianas mortes.”

Livros publicados

> Crisbal, o Guerreiro (IEL/RS, 1966);
> Estação de Força (IEL/RS/ Movimento, 1987);
> Breviário da Insolência (Massao Ohno/SP, 1990);
> Livro de Preceitos (Nejarin/ES, 1993);
> Trajetória Poética (IEL/Movimento, 1994);
> Livro das Manhãs (Parlenda/RS, 1997);
> A Revolição das Aprendências, com Vilmar Figueiredo de Souza (Unisinos RS, 2000);
> Arte de Revidar (Unidade Editorial/PMPA/, 2000);
> Crisbal, o Guerreiro (versão 2002, IEL/Corag/RS);
> 50 POEMAS Escolhidos pelo Autor (Edições Galo Branco,RJ, 2006).

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Fonte:

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Epopéias da Índia Antiga (O Mahabharata) I – Origens

A epopéia intitulada Mahâbhârata contém a história de uma raça descendente do rei Bharata, filho de Dushyanta e Sakuntala.

A palavra sânscrita maha significa “grande” e bharata eqüivale a “descendentes de Bharata”. Daí tomou a Índia o nome de Bharata, donde Mahabharata significar literalmente: Grande Índia ou História dos Grandes Descendentes de Bharata.

O cenário dessa epopéia é o antigo reino dos Kurus, de curta extensão e o tema é a luta de duas famílias parentes e rivais: a dos Kuranas e a dos Pândavás, que disputavam o domínio da índia.

O Mahâbhârata é a epopéia mais popular na Índia e goza de análoga autoridade como a que envolveu os poemas homéricos na antiga Grécia.

Com o tempo, acrescentaram-se muitos versos à primitiva composição, até formar um volumoso livro de uns cem mil dísticos, com narrações, lendas, mitos, trechos históricos e ensinamentos filosóficos que envol\l,em acessoriamente o tema principal.

Para melhor compreender-se o argumento que mais adiante esboçaremos, convém frisar que os árias não foram os primeiros povoadores do território hoje conhecido como pelo nome geográfico de índia, mas sim invasores, cujas tribos numerosas, chegando periodicamente a pouco e pouco, estenderam seu domínio até governar a população aborígene com incontestável poder.

Dois ramos de uma só família, os já citados Kuravas e Pândavas se desavieram por ambicionar e hegemonia da índia e a sucessão ao trono de Hastinapura. .

A guerra entre as duas famílias é o tema principal da epopéia que se desenvolve, de acordo com o que sucintamente vimos expor.

Fonte:
Vivekananda, Swami. Epopéias da Índia Antiga.

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 158 a 160)

A partir de 21 de março, a trova do dia de Ademar estará na imagem
Mensagens Poéticas n. 160 (20 de março)

Uma Trova Nacional
Aquela rede que um dia
foi nosso ninho perfeito,
hoje balança vazia
na varanda do meu peito.
– FRANCISCO JOSÉ PESSOA/CE –

Uma Trova Potiguar
Nosso casebre, é de palha
de pau-a-pique a parede.
O amor que aqui se agasalha,
dorme comigo na rede!
– PROF. GARCIA/RN –

Uma Trova Premiada

2000 > Barra do Piraí/RJ
Tema > VARANDA > Menção Honrosa

Nossa casa avarandada,
de sonhos e luzes cheia,
hoje é varanda fechada
onde a saudade passeia!
– EDUARDO A. TOLEDO/MG –

Uma Trova de Ademar
Quer saber por onde anda
a saudade adormecida?
Procure lá na varanda,
naquela rede estendida…
– ADEMAR MACEDO/RN –

…E Suas Trovas Ficaram
A saudade às vezes fala,
e até grita – quem diria? –
quando a rede, a sós, se embala
numa varanda vazia.
– MIGUEL RUSSOWSKY/SC –

Simplesmente Poesia

– Diniz Vitorino/PB –
POETA-PINTOR.

Como músico compus hinos singelos
sobre o palco das belas alvoradas,
pintei príncipes dourados e fiz fadas
passeando em varandas de castelos,
terminei, fui olhar os quadros belos,
fitei todos os perfis esculturais,
as imagens ficaram tão reais
que eu mandei uma andar e ela andou,
sou o músico e poeta que pintou
o mais belo dos quadros naturais.

Estrofe do Dia

Sem direito a coberta cama ou rede,
lava o rosto com gotas de neblina,
quando não ta dormindo numa esquina
ta deitado num canto de parede;
passa a noite de sono, fome e sede,
muitas vezes na rua anda despido
pela falta de um resto de tecido
que o lojista negou, mas tem guardado;
ajudar o menor abandonado
é dever que precisa ser cumprido.
– JOÃO PARAIBANO/PB –

Soneto do Dia

– Francisco Macedo/RN –
UM BULE, UMA SAUDADE!

Ontem eu retornei ao meu passado,
e fui, pela saudade que sentia.
Pude rever com certa nostalgia,
um bule de café mal adoçado.

Esperava o meu pai do seu roçado,
mas, meu pai, com certeza, não viria,
pela janela aberta inda se via
os seus rastros, no chão, por ele amado.

Eu mesmo o vi partir no amanhecer,
naquela rede velha de um sofrer,
por homens que sorriam, sem maldade.

Na rede, no seu último caminho,
velho bule encardido, ali sozinho,
amargando o café desta saudade.

Mensagens Poéticas n. 159 (19 de março)

Uma Trova Nacional
– O senhor é sedentário?
E a resposta não demora:
– Não doutor, pelo contrário,
bebo água toda hora!”
– PEDRO ORNELLAS/SP –

Uma Trova Potiguar
Uma miserável mosca,
teve trágico destino…
Morreu prensada na rosca
do parafuso suíno.
– DJALMA MOTA/RN –

Uma Trova Premiada

2009 > Bandeirantes/PR
Tema > CHILIQUE > Venc.

Teve um chilique tão forte
que logo tomou vacina
e se mandou para o norte
temendo a gripe sulina…
– RENATA PACCOLA/SP –

Uma Trova de Ademar
Na “Quinta”, eu andei de banda,
nas “Mensagens”, me dei mal:
matei nossa amiga “Vanda”,
mas hoje a torno imortal!…
– ADEMAR MACEDO/RN –
ESSA BRINCADEIRA É QUE EU COLOQUEI UMA TROVA DE VANDA FAGUNDES NO LOCAL DOS QUE “JÁ PARTIRAM”…E ELA ESTÁ CADA VEZ MAIS VIVA E LINDA!!! (Ademar Macedo)

…E Suas Trovas Ficaram
Com um corpo de violino,
com escrúpulos precários,
Dadá, a mulher do Lino,
se tornou extra de vários!
– LAURO SILVA /SP –

Simplesmente Poesia

GLOSA:
Você querendo ser cão,
no inferno é bom demais!

MOTE:
Todo mundo tem função,
mulher? É só o que tem.
Lá se vive muito bem
você querendo ser cão.
“Transar”, lá é devoção,
cada um que transa mais,
os direitos são iguais,
todo cão tem seu emprego,
toda noite tem chamego…
No inferno é bom demais!
– AUGUSTO MACEDO/RN –

Estrofe do Dia

Eu tenho dito e insisto
que casar não é negócio,
pois o desquite e divórcio
é o que mais eu tenho visto,
eu acho que Jesus Cristo
achou melhor o madeiro
do que ser prisioneiro
dos braços de outra cruz;
vou viver como Jesus,
vida boa é de solteiro!
– ZÉ FERREIRA/CE –

Soneto do Dia

Sérgio Augusto Severo/RN –
SONETO EM TOM DE DESCULPAS.
(Para: Landa)

Eu venho aqui pedir o teu Perdão
e te rogar que tenhas paciência,
Amor, eu culpo a minha sonolência,
aos tais efeitos da medicação.

Ao acordar, remédio já na mão,
“Captopryl” eu tenho que engolir,
mal o entorno, vem logo a seguir,
um elemento a mais dessa “poção”.

… E tomo então as “Neo-Nefedipinas”
que me servem (Tu bem imaginas),
como reguladoras da pressão…

Peço perdão, oh Flor do meu Serrado,
quando estiver, em breve, ao teu lado,
controlarei meu sono, Coração!

Mensagens Poéticas n. 158 (18 de março)

Uma Trova Nacional
Que importa ao dono da cova
laje limpa, vela e flor!
É na vida que se prova
em atenções, o amor!
– ELIANA PALMA/PR-

Uma Trova Potiguar
Realiza meu ideal,
aceita minha inclusão,
não no campo social,
mas, neste teu coração!
– FRANCISCO MACEDO/RN –

Uma Trova Premiada

2004 > ATRN-Natal/RN
Tema > TEATRO > 8º Lugar.

Divino é aquele momento
em que a um artista idolatro,
pela expressão e o talento
na ribalta de um teatro!
– EDMAR JAPIASSÚ MAIA/RJ-

Uma Trova de Ademar
Eu tenho a doce impressão
que Deus usando o poder,
pôs luzes de compaixão
na aurora do meu viver.
– ADEMAR MACEDO/RN –

…E Suas Trovas Ficaram
Flerte, romance de olhares
dizendo, em forma elegante,
mil anseios de luares
traduzidos num instante.
– MIGUEL RUSSOWSKY/SC –

Simplesmente Poesia

CHUVA.

MOTE: (Ademar Macedo/RN)
Desde os tempos de Noé
O mundo pôs-se a saber
Que a manga só cai do pé
Porque não sabe descer.

GLOSA: (Gilson Faustino Maia/RJ)

Desde os tempos de Noé
que, de medo, morre o mundo.
Talvez por falta de fé,
esse pavor é profundo.

Hoje existe a previsão,
o mundo pôs-se a saber,
com grande antecipação,
o dia em que vai chover.

Como filhos de Javé,
devemos acreditar
que a manga só cai do pé
quando Ele determinar.

Veja: o vapor ao subir
faz a chuva acontecer,
liquefaz-se pra cair,
porque não sabe descer.

Estrofe do Dia
Dê uma volta no carro da amizade
puxe oitenta quilômetros de amor,
se desvie da estrada do rancor
dê banguela descendo a humildade
e acenda os faróis da caridade,
ilumine a estrada de um irmão,
baixe o vidro da porta e dê com a mão;
esse gesto é tão simples mais conforta:
amizade é a chave que abre a porta
do castelo onde mora o coração.
– ANTONIO FRANCISCO/RN –

Soneto do Dia

– J. G. de Araújo Jorge/AC –
ADORMECER…

Muitas vezes, no silêncio, enquanto a noite desce
e pousa sobre a terra o seu manto dourado
de estrelas, no meu quarto, a sós, abandonado,
não tenho pelo mundo o mínimo interesse…

Mas, não sei bem dizer… dentro em meu peito cresce
um sonho, e, de repente, eu sinto, consolado
que alguém vem para mim, que alguém vem ao meu lado,
e me diz bem baixinho alguma estranha prece…

Então, tomo da pena, e espero calmamente…
Uma noite, porém, me lembro, adormeci
sentindo esse esplendor de um céu que está contente,

e não pus no papel mais que um nome sequer…
E só quando acordei, na folha branca, eu vi
que apenas tinha escrito um nome me mulher…

Fonte:
Ademar Macedo

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José Geraldo Martinez (No Imaginário… )

Pai e mãe, o algodão floriu,
abriram-se as flores do cafezal…
Em meu imaginário, meus queridos,
vejo a ponte sobre o rio,
a névoa fresca do madrigal…

Nem parece que partiram e tanto tempo já passou…
Enxergo na parede ainda o seu chapéu,
quando chegando da lavoura, o pendurou…

Será que aí na eternidade o milharal emboneca?
Em meu imaginário mostra as espigas em cacho…
Será que aí corre do mesmo jeitinho,
serpenteando em meu pensamento, o riacho?

Perdê-los, foi perder um pedaço de mim!
E, essa parte rebelde, ainda caminha por lá…
Ah! Meu Deus, já gritei tantas vezes para
que volte o menino à sombra do jacarandá…

Não me escuta, nem me olha …
Ainda que eu chore de solidão!
Ah, mãe…cuide dele por aí,
nos campos da minha imaginação…

Se não encontrá-lo,
deve estar correndo pelo cafezal!
Já espiou no pomar?
Não estaria brincando com Feroz, no quintal?

Ele gostava do cãozinho…
Do cavalo velho, bretão!
Sei, lá, mãe…
Não estaria procurando
vagalumes pela escuridão?

Talvez em sua cama?
Gostava do seu travesseiro…
Era mal acostumado, não se lembra?
Dormia fácil sentindo o seu cheiro…

Desde que partiram, rebelou-se!
Tornou-se triste e sem graça…
Mostra no azul dos olhos um rio profundo,
de água que nunca passa…

Não está com papai no curral?
Gostava de andar por lá…
Não dava sossego ao velho,
enquanto não lhe desse uma vaquinha para ordenhar!

Sei lá, mãe,
cansei de procurar, cansei de gritar!
No meu imaginário está sentado
nos ombros de papai que o leva
numa estrada de areia branca…
Não dá para saber se ele é o menino
ou se papai é a criança…

Será que aí na eternidade o vento é fresco?
Igual àquele que fazia dançar os alecrins…
Levantando os rodamoninhos
que seriam fantasmas
pelas estradas de terra sem fim…

Dizia o papai,
nas suas longas histórias contadas…
Imagino hoje, uma forma de evitar
que o menino se aventure por qualquer estrada!

O que acontece, pai e mãe?
Dá um nó na garganta, uma dor aqui no peito!
As suas receitas caseiras eu não encontro,
os remédios de hoje não dão jeito!

Então, o jeito é chorar!
O pior, depois de crescido!
Aquele que ficou lá, achava que pai e mãe
não morriam…
Não voltam os dias, idos!

Deixa ele quieto!
Amanhã estará tudo bem e talvez retorne, quem sabe?
São pensamentos que não se aquietam,
no imaginário de um homem que sente saudade!

” Saudade, é a lágrima escorrida de um tempo velhinho, no alpendre de uma época”
( Martinez)

Fonte:
Colaboração de Ialmar Pio Schneider

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José Geraldo Martinez (Lendas da Infância)

Ilustração de
Antonio Elielson Souza da Rocha (PA)
Um dia me contaram uma lenda .

Existem nas matas, a Caipora, meio gente e meio bicho, com os pés ao contrário. Adora fumar. Só permite que alguém entre mata à dentro se, antes, colocar fumo ou cigarro no pé de qualquer árvore .

Aquilo de certa forma me causou expectativa, mesmo porque, papai havia me convidado para pescar e justamente num córrego margeado por pequena mata.

Chegado o dia , preparei toda tralha de pesca: anzóis, iscas , varinhas, picuá , lanches e guloseimas…

Não podia me esquecer do cigarro da Caipora .

Fui correndo comprar .

Para me garantir, comprei logo cinco maços de cigarros e um pedaço de fumo .

Seguimos pela manhã que se abria quente , ensolarada e de poucas nuvens .

Conosco levamos um amigo , “Girico”, este apelido lhe foi dado por seu tamanho . Era franzino , miúdo , a ponto de mostrar as costelas todas . “Girico” é o nome dado ao jegue tão usado e querido pelos nortistas !

Ele era pequeno porém, forte .Garoto astuto e destemido, criado a vida toda no mato, nas fazendas da região, até que seu pai acometido de séria doença teve que abandonar a vida no campo e voltar para cidade.

Chegamos finalmente . Logo de cara, Girico fisgou um piau, peixe típico da região e com ele fazia festa, como se desafiando a mim e meu pai. Engraçado que seguidamente , Girico fisgava algum peixe , enquanto a gente já desanimava de molhar as minhocas . E a cada fisgada, a mesma festa. Lembrei-me finalmente da Caipora , depois de escutar um assobio vindo da mata .

Nem perguntei ao meu pai o que seria. Fui logo correndo ao pé de uma velha figueira e lá colocando todos os maços de cigarro, inclusive o pedaço de fumo .Vai se a tal Caipora era do tempo do meu avô ?

Passamos o dia alí pescando, brincando e nos banhando nas águas do rio Baguaçu , no oeste paulista .

A noite chegava e já nos preparávamos para dormir, depois de um farto lanche servido pelo meu pai.

Girico comia feito louco ! O que tinha de magrinho, tinha de guloso. Comeu quatro pães com presunto e queijo tomou uma guaraná de dois litros inteiras, três bananas nanicas ! Arrumamos as camas improvisadas com velhos cobertores, dormimos .

A noite foi de certa forma longa, não parava de pensar na tal Caipora. Tremia de medo à qualquer barulho na mata. Girico, aparentemente, dormia que chegava a roncar. O dia amanheceu, voltamos à pescaria. Curiosamente fui olhar os cigarros colocados para Caipora . Para minha surpresa, estava só o pedaço de fumo! Os cigarros em maço desapareceram. Voltei correndo contar para meu pai me que deu pouca atenção, ironicamente brincou dizendo que aquela Caipora deveria ser urbana, acostumada à cidade .

Criança, ainda, perguntei :

– E na cidade pai, onde a Caipora moraria ?
– Nos jardins das casas, em meio às folhagens .

Fiquei pensando, preocupado. Será que no jardim da minha casa existe alguma Caipora ?

Quis continuar o assunto, mas papai logo me interrompeu com os dedos nos lábios .
– Psiuu ! Tem peixe mordendo a isca !

O dia passou, voltamos para casa felizes. Com alguns pequenos peixes, menos Girico que estava com um farto bornal de piaus grandes. Não dormi pensando no jardim da minha casa. Lembrei-me de algumas vezes que escutara assobiar e achava que podia ser alguma pessoa passando pela rua.

No dia seguinte, fui correndo comprar cigarros. Claro! dos mais baratos, afinal minha mesada era pequena e não podia consumí-la em cigarros para Caipora. Gostava de sorvetes , cinemas , enfim… guloseimas muitas. Aprendi a lição e coloquei apenas um maço de cigarros no meio dos antúrios da mamãe .

Nosso jardim era farto de plantas e arbustos e muito verde, com samambaias, pinheiros e uma enorme laranjeira. Era do tipo lima, que papai não deixou cortar dado a doçura da fruta e os anos que estava ali. No outro dia bem cedo, mal tomei o café, fui olhar se o cigarro estava entre os antúrios . Viva ! Não estava ! Havia mesmo no jardim ,uma Caipora . Sai correndo contar aos amigos , feliz da vida.

Os dias se passaram . A cada amanhecer era um maço de cigarros, depois doces , frutas , assim por diante …

Até que um dia, contando para mamãe, ela indignada, resolveu comigo ficar escondida para vermos a tal Caipora .

Ficamos no quarto, com a janela levemente aberta, que mal cabiam meus olhos, metade da minha face. Pouco respirava e o coração acelerado à medida que as horas iam passando. De repente ,um barulho… Parei de respirar, mas a minha curiosidade era maior. Permaneci de olhos na fresta da janela. Qual foi minha surpresa ! Girico comia tranquilamente as frutas e doces todos , guardava os cigarros e saia.

Assim deve ter sido à beira do rio . Ele seria a Caipora urbana que meu pai falava .

Muita decepção! O engraçado era que quando chegava em nosso jardim, pressentindo alguma coisa, assobiava como a Caipora colocando-me rapidamente embaixo das cobertas .

Passados os dias, na casa de uma tia, ela me contava sobre a lenda de um tal “boto cor de rosa”, que encantava as mulheres com seu canto!

Dias depois, minha prima desapareceu e voltou grávida .

Saí correndo pela rua esparramando a notícia, gritando :

-Tem um boto no jardim da minha tia, minha prima está grávida !
Quem será ? quem será ?

Esta foi a última surra que tomei naquele ano. Afinal, chegavam as festas natalinas e me preparava para receber papai-noel.

Fonte:
http://www.josegeraldomartinez.hpg.ig.com.br/

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Arquivado em Folclore Brasileiro, O Escritor com a Palavra

José Geraldo Martinez (1958)

Músico, arranjador, produtor fonográfico, escritor, poeta, cronista, compositor com mais de cento e cinquenta obras gravadas e editadas

Ninguém melhor que a nossa mãe para fazer a nossa biografia !

Então lá vai :

Chegava a primavera . Os flamboyans floridos enfeitavam as praças de nossa cidade . Araçatuba: “Terra dos Araçás , “Capital do Boi Gordo “. 14/09/58. Nascia ele , José Geraldo, das mãos habilidosas de Dr. Creso Machado Pinto.
Alegria só no lar, pais professores : José Martins Rodrigues e Mercilia Rodrigues .
Louro , olhos azuis, a alegria de ser gente manifestava-se no choro forte da criança nascida.
Cresceu conhecendo cada pedacinho da terra.
Cada pedacinho de chão .
Trocava gatos por pombos .
Pescava no “Machadinho”.
Nadava no ribeirão .
Ouvia as histórias contadas , cantadas ,
Se deixassem as madrugadas.
Artes ? quantas !
Mas cresceu …
Homem feito .
Faculdade fez .
Filhos dele e de outros,
porque também adotou.
Casado e descasado .
Amar, isto ele amou !
Teve muito a receber .
Mas também muito doou .
Se canta a melodia
De seu grande coração
É porque lá , algum dia
Alguém lhe estendeu a mão
Bem feito ,
Sem jeito ,
Alegre ,
Bonachão
Traça riscos ,
Arabescos
Com toda ternura .
É filho da terra .
É cheiro do chão .
Amor e candura
Tamanha leveza
Do seu coração
Mercilia Rodrigues

Fonte:

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 155 a 157)

Mensagens Poeticas n. 155

Uma Trova Nacional
Velho – carrego esperanças,
adubando a vida em flor:
quem não cultiva as lembranças
mata as raízes do amor.
(GABRIEL BICALHO/MG)

Uma Trova Potiguar
Não é só da meninice
que belos sonhos nos vêm;
a paisagem da velhice
tem seus encantos também.
(JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN)

Uma Trova Premiada

2008 > Niterói/RJ
Tema > VARANDA > Menção Especial

A lua pede licença,
mas é disfarce: ela manda;
e estendendo a esteira imensa.
prateia a minha varanda.
(DOROTHY JANSSON MORETTI/SP)

Uma Trova de Ademar
Destinos são soberanos.
Homens, mulheres, meninos…
quem somos nós, os humanos,
para fabricar destinos?…
(ADEMAR MACEDO)

…E Suas Trovas Ficaram
Saudade!… Raio de lua,
suprindo o Sol que brilhou…
Tábua solta, que flutua,
depois que o amor naufragou!
(WALDIR NEVES/RJ)

Simplesmente Poesia

– Suely Nobre Felipe/RN –
FORA DE TOM.

Por vezes,
Encontro minha vida espalhada
Entre dunas de papéis rabiscados.
Ao avesso de outros momentos
Vejo velhos e novos amigos
Embaralhados entre traços e lamentos.
Novos amores engavetados
Sutilmente despercebidos
Esperando o tempo de serem vividos.
Vejo o mesmo amor exposto à mesa
Enfeitando a sala
Levemente adormecido
Ligeiramente arrefecido
Esmagado pela hora
Que por vezes tarda
Por vezes falha.
Essa hora que impede os sonhos
Que atormenta o descanso
Afugenta os desejos
Confundindo dias e noites.

Estrofe do Dia
O homem mata e desmata,
com armas e moto serras.
Vai enfraquecendo as terras,
com o fogo que mata a mata.
Riacho, rio e cascata,
poluído até a foz.
Meu Deus! Que será de nós?
Com toda essa malvadeza.
É assim que a natureza
dá o troco ao seu algoz!
(DAMIÃO METAMORFOSE/RN)

Soneto do Dia

– Rachel Rabelo/PE –
FLOR DO VIVER.
(à minha Tia Socorro Rabelo)

No sorriso a beleza de uma flor,
é pureza exalando bem querer
fonte doce minando paz, amor,
e a verdade que brota do teu ser!

Tem perfume da vida, sedutor!
lindas pétalas com cor do saber,
no olhar, brilho profundo afasta a dor,
é jardim reflorindo luz, viver!

Cada dia nos dá mais alegrias,
é um conjunto repleto de poesias
que ritima momentos,é emoção!

Tem nos atos leveza, caridade;
nas palavras conselhos, humildade,
e a justiça consola o coração!

Mensagens Poeticas n. 156

Uma Trova Nacional
Amigo é aquele artesão
que, sem receios, lapida
com o cinzel do perdão
as pedras brutas… da vida!
(SÉRGIO FERREIRA DA SILVA/SP)

Uma Trova Potiguar
Infância, planta florida,
juventude, flor da idade,
velhice, folha caída
da árvore da mocidade.
(ORILO DANTAS/RN)

Uma Trova Premiada

1987 > Porto Alegre/RS
Tema > REGRESSO > Venc.

Meus dias, antes tristonhos,
mudaram, hoje, confesso,
pois com pedaços de sonhos,
arquitetei teu regresso!
(DELCY CANALLES/RS)

Uma Trova de Ademar
Perdido, pois, nas rotinas
dos ecos do meu clamor,
eu ouvi entre as ruínas
os gritos da minha dor…
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram
Em nossas quatro paredes
conflitos não tem valia:
nós compramos duas redes
e uma está sempre vazia.
(MARISOL/RJ)

Simplesmente Poesia

– José Alberto Costa/AL –
POEMA.

Um elefante branquinho,
feito das armas de outro,
vive indefeso, quieto,
sobre a mesa do meu quarto
onde costumo escrever.

Em sua sólida mudez
conhece todo meu drama:
– chora comigo nas noites
de vigílias forçadas
quando rostos ressuscitam
pelas campas da memória
trazendo horror ao vazio
que há no quarto e em mim…

Estrofe do Dia
Meus versos não são profundos,
são bem rasos… Na medida
de cada gota que emana
da minha alma escondida…
Mas te conto o meu segredo:
falo de mim, sem ter medo…
Assim, sou feliz na vida!
(MARA MELINNI/RN)

Soneto do Dia

– Rosa Maria Silva/PORTUGAL –
INSPIRAÇÃO

Quadras soltas, sementes de grafismo,
canção do mar, maré de sensações,
porta da fé, regaço de orações
que voam num infinito lirismo.

Quadras em par, viveiro de heroísmo,
doce fulgor, cantinho de ilusões,
vozes da alma, glória de Camões,
hinos solenes de patriotismo.

Os versos são um fado de carinho
somente a dor é tão traiçoeira
nas horas medonhas do pergaminho.

Há quem ame, por gosto, a poesia
e quem seu fado canta a vida inteira
guarda no coração doce magia.

Mensagens Poeticas n. 157

Uma Trova Nacional
ELE que tudo conduz
na sábia e eterna medida
à estrela do céu dá luz
e à estrela-do-mar dá vida!
(JOÃO B. XAVIER OLIVEIRA/SP)

Uma Trova Potiguar
Não há maior bem no mundo
que o homem possa almejar:
– manter-se ativo e fecundo,
ter saúde e trabalhar.
(GONZAGA DA SILVA/RN)

Uma Trova Premiada
O meu reino é uma casinha
do jeito que eu sempre quis:
dentro dela sou rainha,
e muito mais: – sou feliz!
(ERCY Mª MARQUES DE FARIA/SP)

Uma Trova de Ademar
Pondo minha mente à prova
quando a inspiração me furta,
encontro alento na trova
que é a poesia mais curta.
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

2009 > ATRN-Natal/RN
Tema > VIOLÊNCIA > 7º Lugar

Deus! Na sua onipotência,
faça o homem ser capaz
de abominar a violência
e plantar o amor e a paz!
(VANDA FAGUNDES QUEIROZ/PR)

Simplesmente Poesia

– Maria Emilia Xavier/RJ –
RESGATE…

Inquilina que sou
desse mundo cruel,
não tenho o que desejo
e o que tenho nem sempre
é aquilo que almejo.
Sempre arrebanhada
pelos apelos do corpo,
sem sentimento algum,
sacio vontades,
nunca meus desejos.
Sonho com a liberdade,
que pague o meu resgate
e acabe de vez com isso…
de após saciada, só viver solidão.

Estrofe do Dia
Patativa quando bota
a caneta no papel,
pinta as cores do vergel
pinta os peixinhos na grota,
pinta as pernas da gaivota,
pinta as asas do condor,
e o ninho do beija-flor
nas três juntas da maniva;
os versos de patativa
são obras do criador.
(MANOEL XUDU/PB)

Soneto do Dia

– Carmo Vasconcelos/PORTUGAL –
HOJE.

Por hoje decidi ficar comigo,
a mente nua, isenta de sensores,
tal um amplo celeiro, ausente o trigo,
ou coração liberto, sem temores.

Por hoje só pretendo a liberdade,
dispersa a luz total do pensamento,
ao ponto de expulsar qualquer saudade
e sombra de paixão ou desalento.

Por hoje vou dar rédea solta à estúrdia,
unir-me à multidão alucinada,
misturar minha voz co’as da balbúrdia!

Beber, amar, cegando a culpa e o juiz.
da fascinante noite, irmã, e aluada,
ser astro sem memória… Ser feliz!

Fonte:
Ademar Macedo
15, 16 e 17 de Março

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Caldeirão de Poesias

Daladier Carlos
SUPER LUA-CHEIA

Ó iluminada e atrevida Lua,
Quando nos arrepia os pelos e
Balança terna ou ferozmente
Corações sofridos ou valentes!
És o corifeu do amor, eterno amor,
Força que corre entre apogeu e perigeu.

Tens, decerto, o brilho feminino,
O olhar sereno da amada que espera,
À semelhança dos amantes nas sacadas,
Quando os sonhos se perpetram sem amarras
E o enlevo tépido de corações encantados
São a valsa na pista em louco rodopio.

Jamais terias relação com a morte,
Se te invocam, corações e mentes,
À desejada e necessária sorte.
És um astro em torno da terra,
Satélite bendito, beleza e recato
Do muito que juraram aos teus pés.

Em algum lugar do passado,
Damas e cavalheiros suspiraram,
Nas madrugadas vadias de beijos e abraços,
Antes que a manhã, sorrateira, despontasse
Para despertar os deveres dos ofícios,
Até que novamente ela surgisse!

Neusa Maria Travi Madsen
POESIA I

Desenho as palavras,
na intimidade de meu canto.
Que encanto !
Bordo as letras em telas coloridas,
confecciono flores com meus sonhos,
enfeito com minha saudade,
arremato tudo com minha esperança.
Ornamento cada verso
com minha ternura,
e com enorme carinho.
Igual a folhas caídas,
solto-as ao vento,
no infinito…
Algumas maiores,
outras menores,
algumas coloridas,
outras desbotadas…
As verdes, cheias de esperança;
as amarelas, repletas de saudade;
as cor de rosa, cheias de sonhos;
as azuis, repletas de amor;
as vermelhas, com muita paixão;
as incolores, com dor, revolta,
silêncio e desilusão…
Todas contém um pouco de mim…
Todas ficarão como marcas.
Marcas do que fui,
marcas do que sou.E do que serei ?
O amanhã será quando a primavera chegar…
É na beleza do colorido das letras
e no perfume das flores,
que acalento meus sonhos,
para continuar a desenhar palavras,
e compor versos,
que se transformam em poesia…

Neusa Maria Travi Madsen
POESIA II

P alavra que sai da alma,
O rnamentada com encanto e ternura.
E xpressa amor, saudade, paixão e amargura,
S ilêncios, emoções, calma e sonhos especais…
I nspira beleza em forma de versos.
A rte de tornar os sentimentos imortais !

Adozinda Aguiar
A ALMA DO POETA

Livre pássaro é a alma do poeta
que viaja incansável pelo tempo
e nos templos da vida se completa.
Pelas várzeas,prados,montes
e enseadas
regenera seu traço
vai à solta
pelas manhãs de sol,
rubro porvir
cálidas tardes
frias madrugadas.
Nada a contém:
a vida . a morte
a mão que fere
a que é ferida,
tem importância igual
em seus tratados.
Alma indomável
em sacrossanta fúria
Tormento doce,com que escraviza
o sonho de quem trouxe a esta vida
o dom apaixonante da POESIA !

Adilson Cordeiro
P O E T A

Você Poeta,
Renova a nova
Nos versos e prosa
Cantando dor e amor!
Poeta é um carinhoso
Vigia, é guia dadivoso
Para o solo dos amantes
Com seus gritos incessantes!
Mas Poeta também não tem paz
É coisa de outro mundo, capaz
Noite vira dia, claro, penumbra
Muda o rio, o mar, o cais, refaz!
Poeta ainda é gozador:
Folha seca vira flor
Profissional, amador
Dólar fica sem valor!
Poeta, um infeliz
É inquieto na raiz
Quer mudar o matiz
´Inda pergunta o que eu fiz?
Poetinha, seu safado
Fale sério, pegue o arado
Vá trabalhar ligeiro, oriundo
Deixa de ser vagabundo!
Este poeta está só caçoando
Eu vivo sorrindo e cantando
Na chuva, no vento e no céu
Faço banquete de pastel!
Mas, Poeta, cachorrinho
De mansinho, se você um dia morrer
O mundo vai desacontecer
Porque ele não é mundo sem você!!!

Lustato Tenterrara
“COMO FAZER UM POEMA DE AMOR VERDADEIRO”

Para fazer um poema de amor
é necessário que o cristão, ateu ou judeu
mostre o que tem dentro do seu coração.

É necessário que dentro desse peito, dilacerado
haja uma dor de amor.

Uma dor que de lá, nunca sairá. Nunca!

Mas para fazer um Poema de Amor Verdadeiro
há que esta dor, no peito dilacerado,
a cada dia, dilacere o peito um pouco mais.

Não assim um pouco, como um ou dois anos, não!
Um Poema de Amor Verdadeiro nasce quando
do peito dilacerado, sangre, e nunca estanque.

Há de ser uma dor vivida a cada hora, de cada dia,
por um tempo sem fim.

É necessário que o Eu-Lírico do poeta
arranque poemas de cada flor, beija-flor,
de um taturana ou de uma pedra ou marca no chão.

Que faça poemas para canetas perdidas;
um cachorro que alguém — de perto — pra longe o levou;
Até algum poema para um alguém — de perto — que
pra longe levou um Note-Book repleto de poemas,
apenas para quebrá-lo ao chão, ou jogá-lo no rio.

É necessário que uma criança chorando
desperte no poeta uma dor de amor;

É necessário que do peito do poeta,
a cada minuto, sinta a falta daquele amor jurado verdadeiro;

É necessário que o tempo do poeta pare
no versejar de um canário, ou no borbulhar
da água de uma cachoeira, onde, um dia, fez amor;

E para que o poema seja – de fato – um
Poema de Amor Verdadeiro
é primordial que o poeta sofra a maior das dores de amor
que é aquela dor que apenas ele percebe.
A dor de saber estar perdendo a outra sua metade;
e perdendo-a para sempre; para o nunca mais;
e que essa perda seja sentida por todos os minutos e segundos;
por todas as horas do dia;
e por todos os dias do ano;
e por todos os anos, daquele dia em diante.

Depois, para que saia o poema do verdadeiro amor
há que esses anos sejam muitos,
quem sabe uma ou duas décadas,
que muitos poemas tenha feito para flores, fadas, musas,
até que um dia, sem que perceba,
encontre — numa nuvem por sobre o luar, e no nascer do dia, —
aquele poema de amor que se encontrava perdido:
aquele Poema de Amor Verdadeiro.

Depois de o ter escrito, o seu Poema de Amor Verdadeiro,
para o poeta não haverá mais dúvidas:
A cada segundo do dia
descobre — para qualquer lugar que olhe, — uma poesia.

Rozelia Scheifler Rasia
PALAVRAS DE POETA PARA POETA

Para o poeta, todos os sons são rimas de amor,
todas as palavras são pontes que interligam emoções!
A poesia é o universo do poeta.
A palavra do poeta nasce do sentimento, da emoção,
da ânsia de viver, de amar e de ser amado!
O amor do poeta é ilimitado, incondicional.
O poeta não se prende à convenções,
à expectativas, ao tempo ou ao espaço!
O poeta ama a espera, o encontro, o reencontro, a despedida,
ama a estrela, a lua, o sol, o mar, o céu.
ama a lembrança da infância, o presente, o futuro!
O poeta ama o amor!
Para o poeta, cada olhar, cada beijo,
cada toque são sinfonias da vida!
O poeta leva o infinito no olhar.
O coração, a alma, o corpo, o ser do poeta
O poeta inventa e traduz símbolos e códigos da sensibilidade e da paixão.
O dizer do poeta nasce da palavra do outro,
do olhar do outro, do desejo do outro.
O poeta é um mundo de “eus’ e “tus”.
A palavra do poeta é o espelho da sentimentalidade.
O poeta sabe ir e voltar de labirintos que outros jamais sonham existir.
Para o poeta, o simples e o complexo são peças do mesmo quebra-cabeça.
O dicionário do poeta tem mais palavras,
A palavra do poeta tem mais significado.
A saudade do poeta é mais intensa.
A noite do poeta é mais escura ou mais estrelada.
A solidão do poeta é maior.
A paixão do poeta é mais vibrante.
Para o poeta, inferno e paraíso são olhos-amantes.
O poeta vê além do horizonte.
O poeta sente o pulso do mundo,
beija a boca da ilusão.
O poeta escreve no invisível e
lê a mão do destino.
O poeta desenha a silhueta do amor nas linhas do tempo.
Para o poeta, o efêmero e o eterno, a vida e a morte,
são mais que antíteses.
O poeta diz, desdiz, contradiz.
Análise e síntese são fragmentos da alma do poeta.
Poeta e poesia são faces da mesma paixão.
Sou poeta, vejo o mundo com os olhos da poesia!
Deus fez a natureza em poesia.

Carlos Lúcio GontiJo
ALDEIA CAPITAL

Meço infinitos entre concreto
Num secreto desejo de abolição
Como rio que sonha cachoeira
Meus olhos voam na poeira das ruas
Senzalas nuas da injustiça social
Crucificando braços, erguendo escuridão
Paisagens e laços da construção capital

Roldão Aires
CABELOS LOIROS

Olhos azuis, claros.
Cabelos de um loiro,
brilhante.
Eras a luz que brilhava
pelos salões, radiante.
Beleza de raro encanto
a todos a atenção prendes.
Tens um jeito tão doce,
és um sonho constante
de todos que a ti,
se rendem.
Lembra que existe alguém,
que sei, não pensares muito,
alguém, que só a ti quer,
e nunca nada te disse, porém,
jamais te esqueceu.
Quando por acaso puderes,
procura poder lembrar
desse alguém, que sou eu.

Daladier da Silva Carlos
FALA, POESIA!

Poesia! Traga para fora
A voz que me sufoca
Ou antes, me impele
A correr o mundo,
Ampliando os sonhos,
Recortando as letras,
Esmiuçando o espírito,
O subterrâneo da palavra,
Pensando, talvez, encontrá-la
No fim do túnel, se não for
Algures, a estrada conhecida,
Aquela onde pisei as dores,
Finquei rancores atrevidos
Nas tormentosas horas de escárnio,
Quando os desejos travaram, juntos,
A encarniçada luta para fazer a mim
Viver o que pudesse, quem sabe aquilo
Que, enfim, sobrasse da batalha,
A louca campanha de conhecer além,
Rasgar, se possível, o teto do mundo,
Na desesperada tentativa de ver adiante
O que se esconde, ou se guarda para sempre
Como um cruel segredo da frágil existência!

Rogério Miranda
O AMOR DO POETA PELA PAZ

Poeta sua realidade é uma fantasia
e sua imaginação é real e vive
no mundo encantado dos versos,
suas lagrimas brilham
quando sua poesia encanta
o reino do amor…

Poetas têm os pensamentos
alem de onde ele pode chegar
e quando a presença do poeta
se encontra perdido
nascem poemas de paz…

O poeta escuta a canção das vozes dos anjos
e dança com a lenda das flores
que foi eleita a musa do poeta apaixonado
por sonetos perdidos no horizonte
da inspiração…

O poeta é discípulo da liberdade
de expressão, seu compromisso
é com a verdade da igualdade,
sua crença á fé, suas orações
são universal de onde nasce
o amor pela paz…

Fonte:
Poetas del Mundo

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Epopéias da Índia Antiga (O Râmâyana) Parte II – O Argumento

II
O Argumento

Na província de Oudh, hoje unida administrativamente à de Agra, subsiste ainda, embora ruínas, a antiquíssima cidade de Ayodhya, outrora um dos mais poderosos centros religiosos da índia e lugar de peregrinação.

Há muitos séculos, reinava em Ayodhya um rei chamado Dasaratha que, de nenhuma de suas três esposas, havia obtido sucessão; por isso, como bons hinduistas, foram em peregrinação a vários santuários e jejuaram em fervorosa súplica para que Deus lhes concedesse sucessão.

Finalmente seus rogos foram ouvidos e obtiveram resposta em quatro filhos, dos quais o maior foi Rama.

Como convinha à sua estirpe, os quatro irmãos receberam completa educação em todos os ramos do saber. Para evitar futuras contendas, era costume na antiga índia associar o rei o seu filho maior ao governo do país, sob o título de Yuvaraja, que significa: “o rei jovem”

Em outra cidade havia um rei chamado Janaka, o qual tinha unia afilhada maravilhosamente formosa, cujo nome era Sita e que fora encontrada recém-nascida em um campo, como se tivesse surgido do seio da terra.

Em sânscrito antigo, a palavra “Sita” significa “sulco feito pelo arado”, e na mitologia Índiana vemos personagens que só têm pai ou mãe ou nascem sem pai nem mãe, do fogo do sacrifício, de um campo, como se caíssem das nuvens etc.

Todas essas classes de nascimentos são freqüentes na mitologia Índiana.

Sita, como filha da Terra, era pura e imaculada. O rei Janaka criou-a e desejou encontrar-lhe digno esposo, quando a mesma atingiu a idade núbil. Na antiga índia costumavam as princesas reais escolherem marido. A esse costume deva-se o nome de Swayamvara; segundo esse costume, o pai da princesa convidava a todos os príncipes das redondezas para se apresentarem à corte, onde a princesa, ricamente vestida, grinalda nas mãos e precedida por um arauto que ia enumerando as prendas, passava diante deles e colocava a grinalda no pescoço daquele que a donzela havia escolhido para esposo.

Muitos eram os príncipes que suspiravam pela mão de Sita, a qual havia exigido, como prova de merecimento, que o candidato quebrasse com suas mãos um enorme arco chamado Haradhana.

Todos os príncipes fracassaram na tentativa, apesar dos seus esforços, menos Rama, que com elegância e facilidade apanhou o forte arco e com suas mãos quebrou-o pelo meio.

Por isso Sita elegeu a Rama por marido e as bodas foram celebradas com grande esplendor.

Rama levou sua esposa à corte de seu pai Dasaratha, o qual julgou oportuno o momento para nomear juvaraja o seu filho maior e confiar-lhe o governo do país.

Para esse fim Dasaratha preparou as cerimonias da proclamação e o povo acolheu entusiasticamente a notícia, quando uma donzela de Kalkeyi, a mais jovem das três esposas de Dasaratha, lembrou à sua senhora que, havia muito tempo, o rei seu esposo havia prometido duas coisas, em reconhecimento ao muito que a ele Ihe fizera, dizendo-lhe:

– Pede duas coisas que eu possa dar-te e eu lhas darei.

A rainha Kaikeyi, na ocasião, nada pediu a seu marido e até já havia esquecido a promessa; porém a maliciosa donzela começou a aguilhoar a alma da rainha, fazendo-lhe ver a injustiça de colocar a Rama no trono, quando fazendo ao rei cumprir sua promessa, seu próprio filho poderia ocupar o trono; foi assim que a rainha Kaikeyi ficou louca de ciúmes.

A astuta donzela incitou então sua ama para que exigisse logo do rei a concessão das duas coisas prometidas, sendo uma delas a ocupação do trono pelo seu filho Bharata e a outra que fosse a condenação de Rama a catorze anos de desterro nos bosques.

Embora Rama fosse a alma e a vida para o rei Dasaratha, este, como rei, viu-se obrigado a não faltar à sua palavra, quando a rainha Kaikeyi exigiu dele o cumprimento de sua promessa; por isso não sabia o que fazer.

Rama, porém, dissipou a dúvida, oferecendo-se voluntariamente a renunciar ao trono e sair desterrado, a fim de que ninguém pudesse acusar sua mãe de falsidade.

Por isso, seguiu para o desterro, acompanhado de sua amorosa esposa Sita e de seu irmão predileto Lakshmana, que, de modo algum, quis separar-se dele. Os árias não sabiam quem eram os habitantes dos bosques e, por isso, naquele tempo os chamavam “monos” e aos mais robustos e corpulentos chamavam “demônios”.

Rama, Sita e Lakshmana foram cumprir seu desterro em um daqueles bosques, habitados por monos e demônios, como talvez denominavam os árias as tribos selvagens.

Quando Sita manifestou o desejo de acompanhar seu marido no desterro, Rama lhe disse:

-Como podes tu, unia princesa, enfrentar as torturas que me aguardam em um bosque cheio de perigos traiçoeiros?

Sita, porém, respondeu:

– Onde Rama for, Sita irá também. Como podes falar-me de origens reais ou de altas linhagens? Irei contigo!

Rama foi acompanhado de Sita e do jovem Lakshmana, irmão menor de Rama. Internaram-se no bosque, até que alcançaram as margens do rio Godavari, onde construíram uma choças e passaram a sustentar-se de frutos silvestres.

Havia já passado algum tempo que ali estavam, quando, um belo dia, surgiu uma gigantesca demonia, irmã do gigante rei Lanka (Ceilão).

Vagando pelos bosques, encontrou-se com Rama e, ao vê-lo tão varonilmente formoso, apaixonou-se loucamente por ele. Rama, porém, além de casado, era um varão castíssimo e não quis corresponder ao amor da intrusa. Esta, para vingar-se, procurou seu irmão, a quem descreveu com ênfase a dominadora beleza de Sita, esposa de Rama, dizendo-lhe que dela se apoderasse.

Rama superava em poder todos os mortais e não havia gigante nem demônio, nem mortal algum que fosse capaz de vencê-lo. Por isso o rei gigante de Lanka buscou na astucia aquilo que considerou impossível conseguir pela força.

Dês-se modo, às artes de outro gigante, que era mago, o qual transformou-o em formoso cervo de Pêlo dourado. Assim metamorfoseado, este foi ao bosque onde Rama vivia e começou a saltar ao redor da cabana, até que, fascinada pela extraordinária beleza do animal, Sita pediu a Rama que o capturasse para ela. Indo à caça do animal, Rama deixou Sita sob os cuidados do seu irmão – Lakhsmana; este, porém, acendeu um círculo de fogo ao redor da cabana e disse à irmã:

– Pressinto que te vai acontecer algo de mau; Portanto, peço-te que não transponhas o círculo mágico, do contrário, cairás no infortúnio.

Entretanto, Rama havia ferido o cervo com uma flecha, tendo o animal morrido e se transformado em figura de homem. No mesmo instante, ouviu-se na cabana a voz de Rama que gritava:

– Ó Lakhsmana, vem socorrer-me.

Sita exclamou:

– Corre a ajudá-lo, ó Lakhsmana.

Lakhsmana replicou.

– Esta voz não é de Rama!

Entretanto, Sita de tal modo insistiu que Lakhsmana saiu a procurar Rama. Assim que ele se distanciou, apresentou-se junto ao círculo mágico, em frente à porta da cabana o rei gigante, disfarçado em monge mendicante, pedindo esmola.

Sita respondeu-lhe:

– Aguarda um pouco, pois logo meu marido voltará e te dará muita esmola.

O falso mendigo replicou:

– Não posso esperar, bondosa senhora, pois estou esfomeado. Dá-me o que tiveres.

Sita lançou mão de algumas frutas para atirá-las ao mendigo, mas este persuadiu-a a entregá-las pessoalmente, pois nada havia a temer de um santo varão.

Logo que Sita transpôs o círculo mágico para dar as frutas ao mendigo, este assumiu imediatamente sua fôrma gigantesca e arrebatou-a, colocando-a num carro encantado, que partiu velozmente com sua cobiçada presa.

A infeliz, desfeita em pranto, não teve quem a protegesse naquela solidão; lembrou-se porém, de assinalar o caminho percorrido com os adornos que trazia nos braços.

O rei gigante, raptor de Sita, chamava-se Râvana e levou-a a Lanka, seu reino, hoje denominado Ilha de Ceilão.

Chegado à corte, Râvana propôs a Sita que consentisse em ser sua esposa e rainha do país, ela, porém, que era a castidade personificada, não quis nem sequer ouvir as palavras de Râvana, que, para castigá-la, obrigou-a a permanecer dia e noite sob uma árvore, até que mudasse de atitude.

Quando Rama e Lakhsmana voltaram à cabana, não teve limites o desconsolo de ambos, quando notaram o desaparecimento de Sita, pois não podiam imaginar o que havia acontecido a ela. Saíram, pois, em busca da moça e explorando o bosque inteiro dela não acharam vestígios.

Já estavam cansados, quando encontraram um grupo de monos, chefiados por Hanumân, o “mono divino”, o melhor dos monos o qual, solicitamente, pôs-se a serviço de Rama. Inteirado do caso, disse-lhe que haviam visto atravessar os ares um carro em que ia sentado um demônio, ao lado de uma formosíssima mulher, toda em prantos, a qual ao voar o carro sobre eles, havia atirado um bracelete para chamar-lhes a atenção.

Quando lhe apresentaram o bracelete, Lakshmana não o reconheceu, porque na antiga Índia, a esposa do irmão mais velho era tão reverenciada pelos seus cunhados, que Lakhsmana nunca se havia atrevido a pousar o olhar nos braços de Sita, Rama, porém, reconheceu imediatamente o bracelete de sua esposa. Os monos então, disseram a Rama quem era e onde vivia aquele rei gigante. Isto feito, todos partiram para persegui-Io.

O rei dos monos chamava-se Bâli, porém, o trono lhe havia sido usurpado por seu irmão menor Sugriva. Houve luta, e Rama ajudou Bâli a recobrar a coroa. Este, agradecido, prometeu auxiliar Rama a libertar Sita. Entretanto, percorreram todo país sem encontrá-la.

Finalmente, o mono divino saltou das costas da Índia às do Ceilão, procurando Sita pela ilha inteira, sem lograr encontrá-la. Râvana havia vencido os deuses, os homens, o mundo inteiro e raptara todas as mulheres formosas. Por isso Hanumân refletiu e disse:

– Sita não pode estar com as concubinas no palácio. Teria preferido a morte à desonra.
Por essa razão, prosseguiu em suas pesquisas, encontrando, finalmente, Sita sob a árvore onde Râvana a aprisionara.

Estava pálida e delgada como a lua nova ao horizonte. Hanumân assumiu então a transpor o figura de um pequeno mono e, escondido na ramagem da árvore viu como a irmã gigante de Ravana vinha atemorizar Sita para forçá-la a submeter-se; a casta esposa, porém, nem queria ouvir falar do rei gigante.

Quando a irmão de Râvana partiu, Hanumân aproximou-se de Sita mostrando-lhe o bracelete que Rama lhe havia dado para atestar sua identidade, relatando-lhe como seu marido o havia incumbido de procurá-la; que seu marido, logo que soubesse onde ela estava, viria com um poderoso exército para vencer o gigante e libertá-la. Acrescentou, entretanto, que, se ela quisesse, poderia tomá-la nos braços e com um salto atravessar o oceano e devolvê-la a Rama; porém, como Sita era a castidade em pessoa, recusou aquela insinuação, porque deliberadamente não admitia ao seu lado outro homem senão seu marido. Assim, permaneceu onde estava e deu a Hanumân uma jóia desprendida de seus cabelos, para que a entregasse a Rama. O mono divino despediu-se dela e voltou para seu país.

Inteirado do que havia sucedido a Sita, segundo o relato de Hanumân, Rama reuniu um exército de monos, chegando ao ponto mais meridional da ilha, onde construíram uma ponte chamada Setu-Bandha, entre a índia e o Ceilão. Atualmente, com a maré baixa é possível passar a pé enxuto de um ponto a outro. Para construir a ponte, os monos arrancaram radicalmente várias colinas, assentaram-nas no mar e cobriram-nas com pedras e troncos de árvores. Um esquilo revolvia-se na areia para encher com ela o corpo e depois, ao passar no trecho da ponte em construção, sacudia-se todo para espalhar a areia, contribuindo assim com muitos grãos para o levantamento da obra colossal, dirigida e projetada por Rama.

Os monos riam e zombavam do esquilo ao vê-lo espadanar-se na areia e sacudi-la depois na ponte, pois seu trabalho era insignificante, comparado ao deles que carregavam colinas inteiras, enormes bosques e grandes cargas de areia.

Rama, porém, disse-lhes:

– Bem-aventurado é este esquilo, porque faz seu trabalho com toda a habilidade de que é capaz e, portanto, é tão grande como o maior de vós.

Em seguida, acariciou suavemente as costas do esquilo e é por isso que se vê até hoje nas costas desse animal a marca longitudinal dos dedos de Rama.

Terminada a ponte, o exército de monos, sob o comando de Rama e Lakshmana, invadiu a ilha do Ceilão. Durante alguns meses guerrearam encarniçadamente contra as hostes de Râvana que, finalmente, foi vencido e morto. Os vencedores se apoderam de todos os seus palácios, que eram de ouro maciço. Rama cedeu-os a Vibhishana, irmão menor de Râvana e levou-o ao trono, como recompensa dos valiosos serviços que havia prestado durante a guerra.

Rama e Sita resolveram sair de Ceilão com seu séquito e regressar à índia; o povo porém, quis que Sita demonstrasse haver permanecido pura, enquanto esteve em poder de Râvana.

Rama, respondeu-lhes:

– Que prova ou testemunho quereis, se minha esposa é a castidade personificada?
– Não importa! Queremos a prova.

Assim, acenderam uma fogueira sacrificial, cujas chamas não queimariam a Sita, se houvesse permanecido pura e ali a arrojaram.

Rama ficou angustiado, temendo pela vida de Sita, porém, no mesmo instante, surgiu o deus do fogo, trazendo em sua cabeça um trono, no qual a jovem estava assentada.

Todos ficaram satisfeitos pelo feliz resultado da prova.

Regressando ao bosque, Rama recebeu a visita de seu irmão Bharata, que o notificou da morte do velho rei Dasaratha, dizendo-lhe que não se atrevera a ocupar um trono ao qual não tinha direito e, portanto, como sinal de respeito, nele havia colocado os sapatos de Rama.

Este, então, voltou à capital e com o beneplácito do povo foi aclamado rei de Ayodhya, tendo prestado os juramentos de estilo que, nos tempos antigos faziam os reis em benefício do seu povo, pois o rei era escravo do povo e devia inclinar-se ante a opinião pública.

Depois que Rama passou alguns anos na feliz companhia de Sita, alguns começaram a espalhar a notícia de que a rainha havia sido outrora raptada por um demônio, que a levou além do oceano. O povo não se conformou com a prova do fogo e exigiu outra mais convincente, sob pena de ser a rainha desterrada.

Para satisfazer os pedidos do povo, Rama desterrou sua esposa, que foi viver no mesmo bosque em que estava a ermida do sábio e poeta Valmiki. Este encontrando a infeliz Sita chorosa e abatida, ficou sabendo o que havia ocorrido e abrigou-a em sua ermida, onde a rainha, pouco tempo depois, deu à luz dois gêmeos.

Com o passar do tempo, o rei Rama teve de celebrar um solene sacrifício, segundo os costumes reais; porém, como na Índia não permitem os Shastras que um homem casado celebre uma cerimonia religiosa, sem a companhia da esposa, de sua sahadharmini ou correligionária e Sita estava no desterro, o povo pediu a Rama que se casasse novamente. Ele, porém, pela primeira vez em sua vida, opôs-se à vontade do povo e disse: Isto não pode ser. Sita é minha vida!

Em vista disso, para que a cerimonia fosse realizada, o rei mandou construir uma áurea estátua de Sita e ordenou que se ornamentasse um palco no lugar do sacrifício, para intensificar o sentimento religioso, por meio de uma representação dramática.

Por esse tempo, os gêmeos de Sita, chamados Lava e Kusha, eram dois garbosos mancebos que Valmiki havia educado na vida de bramacharin (Noviço que faz voto de castidade, pobreza e obediência nos mosteiros hindus), sem revelar-lhes sua origem.

Durante aquele longo período, Valmiki havia composto a epopéia da vida de Rama, acompanhada de música apropriada para ser cantada em rapsódias. Sabedor do festival que ia realizar-se em Ayodhya, dirigiu-se à cidade com os desconhecidos filhos de Rama e Sita, os quais, sob a discrição de seu mestre, cantaram no palco a vida de Rama, com tão surpreendente habilidade que fascinaram os espectadores, presididos pelo rei, seus irmãos e os magnatas da corte.

Quando os cantores chegaram à passagem em que o poema descreveu o desterro de Sita, Rama ficou profundamente comovido. Valmiki, porém, disse-lhe:

Não te aflijas porque verás tua esposa.

Sita, então, surgiu no cenário, enchendo de alegria o coração de seu fiel e amoroso Rama.

O povo, porém, exigiu em altas vozes:

A prova! A prova!

Tão profundamente abalada ficou Sita por aquele reiterado receio do povo, a respeito de sua reputação, que implorou aos deuses um incontestável testemunho de sua inocência.

Naquele momento, a terra abriu-se e Sita desapareceu em sem seio, exclamando:

Eis a prova!

Ante tão trágico desfecho, o povo arrependeu-se. Rama estava inconsolável, curtindo imensa dor, quando, poucos dias depois, chegou um mensageiro dos deuses para dizer-lhes que estava terminada sua missão na terra e deveria voltar ao céu.

Aquela mensagem levou Rama ao reconhecimento do seu verdadeiro ser. Então, atirando-se às águas do rio Savayu (atualmente Gogra) que banhava a Capital, reuniu-se com sua amada Sita no outro mundo.

Fonte:
Vivekananda, Swami. Epopéias da Índia Antiga.

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11º Concurso Nacional de Poesias CNEC – Unidade de Capivari/SP

INSCRIÇÕES GRATUITAS ATÉ 20 DE ABRIL DE 2011
(INSCREVA-SE COM ATÉ 2 TRABALHOS)

R E G U L A M E N T O

1. O 11º Concurso Nacional de Poesias é uma realização da CNEC – Unidade de Capivari/SP, instituição mantida pela Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, com sede à Rua Barão do Rio Branco, nº 374, Centro – Capivari/SP, CEP 13360-000, inscrita no CNPJ sob nº 33.621.384/0587-02, válido para pessoas físicas no período de 11/03/2011 a 10/06/2011.

2. DAS CATEGORIAS CONCORRENTES: O Concurso Literário Cenecista é composto de 5 (cinco) categorias, sendo:

INFANTIL JOÃO BATISTA PRATA, para concorrentes com até 10 anos de idade.

INFANTO-JUVENIL HOMERO DANTAS, para concorrentes com idade de 11 a 14 anos.

JUVENIL RODRIGUES DE ABREU, para concorrentes com idade de 15 a 17 anos.

ADULTO AMADEU AMARAL, para concorrentes com idade de 18 a 59 anos.

SÊNIOR TARSILA DO AMARAL, para concorrentes com idade a partir dos 60 anos.

3. DAS INSCRIÇÕES E ENVIO DAS POESIAS:

a) CADA PARTICIPANTE PODERÁ INSCREVER-SE COM ATÉ 2 (DUAS) POESIAS.

b) PESSOALMENTE: de 11.03.2011 a 20.04.2011, junto à Biblioteca Cenecista PROFESSOR RUBENS CASADO, na Rua Barão do Rio Branco, nº 374, Centro, Capivari/SP – CEP 13360-000, de segunda à sexta-feira, das 09h00 às 12h00 e das 13h30 às 22h00.

c) VIA CORREIO: enviadas à referida Biblioteca, no endereço acima especificado, com postagem até o dia 18 de abril de 2011. As poesias recebidas com postagem após esta data serão automaticamente classificadas

O concorrente deve entregar o original e 1 (uma) cópia da poesia, identificada/assinada apenas com o pseudônimo (nome fictício). A poesia deverá ser inédita (entende-se por inédito os textos não publicados em livros, revistas, jornais, Internet ou classificados em quaisquer concursos de cunho literário), de no máximo duas páginas, datilografada ou digitada em um só lado de folha, impressa em sulfite A4, com fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12 ou 14 e espaçamento duplo. A entrega da poesia deve seguir os seguintes procedimentos:

1º – As poesias deverão ser colocadas em um único envelope identificado do lado de fora com o nome, pseudônimo, endereço completos do participante e o nome da instituição educacional de origem (se estudante).

2º – O concorrente também deverá colocar no interior deste mesmo envelope uma folha contendo os seus dados pessoais: nome e endereço completos (não esquecer o CEP), idade, telefone (fixos ou celulares) para contato, nome/endereço/telefone da escola (se for estudante), e-mail (se tiver), o pseudônimo (se tiver) e os títulos das poesias inscritas.

IMPORTANTE – Para a entrega pessoalmente, as poesias e os dados pessoais dos candidatos NÃO deverão vir em envelopes.

Conforme exposto acima, cada participante poderá se inscrever com até 02 (duas) poesias, sendo contemplado apenas uma única vez com prêmio em dinheiro na sua categoria. Cada vencedor poderá, ainda, ter o segundo trabalho selecionado entre as poesias classificadas para publicação no livro. A promotora não fará confirmação das poesias recebidas via correio.

O concorrente é único e inteiramente responsável por garantir que suas poesias sejam inéditas, sendo responsável, civil e criminalmente, em caso de cópia. Todas as poesias recebidas que não estiverem de acordo com o disposto neste regulamento serão automaticamente desclassificadas.

4. DAS POESIAS CLASSIFICADAS:

Serão classificadas 75 poesias para publicação em livro específico do concurso e também no portal de Internet da CNEC – Unidade de Capivari/SP: http://www.cneccapivari.br. Os originais das poesias inscritas no Concurso não serão devolvidos aos seus remetentes.

5. DOS RESULTADOS:

A comunicação dos autores classificados se fará PRIORITARIAMENTE através do site http://www.cneccapivari.br ou por telegrama pessoal e/ou telefonema a partir do dia 16/05/2011. A CNEC – Unidade de Capivari não se responsabiliza pelos dados incompletos que possam inviabilizar o contato com os autores classificados.

6. DA PREMIAÇÃO:

A solenidade de premiação acontecerá às 20 horas do dia 10/06/2011, no município de Capivari, Estado de São Paulo. Na oportunidade, os classificados de cada categoria receberão como prêmio 01 (um) volume do livro publicado, além de:

1º LUGAR: troféu e R$ 500,00
2º LUGAR: troféu e R$ 300,00
3º LUGAR: troféu e R$ 200,00

O 11º Concurso Nacional de Poesias distribuirá o total de R$ 5.000,00 (CINCO MIL REAIS) em prêmios nas 05 (quatro) categorias.

Os prêmios em dinheiro serão pagos em cheque nominal aos vencedores, não havendo, em qualquer hipótese, o pagamento em espécie. No caso de menor de idade, o cheque será emitido em nome do seu responsável legal, desde que comprove tal condição. Se por algum motivo o vencedor ou o classificado não puder comparecer à cerimônia de premiação, o troféu e o livro serão enviados via correio para o endereço indicado no ato da inscrição e o prêmio em dinheiro depositado em conta bancária indicada pelo participante ou responsável legal, num prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da data da solenidade de premiação.

Em caso de informações incorretas declaradas no ato da inscrição que impossibilitem o contato pela Promotora, os selecionados terão, impreterivelmente, até o dia 31 de agosto de 2011 para reivindicar o prêmio a que tenham direito. Para tanto, poderão entrar em contato pelo telefone: (19) 3492-8888 ou e-mail: mazinho@cneccapivari.br ou, ainda, pessoalmente, na Rua Barão do Rio Branco, nº 374, Centro, Capivari/SP, no horário comercial.

O participante contemplado deverá apresentar, no ato da premiação, original ou cópia autenticada do RG ou CPF, bem como assinar o recibo que, de posse da Promotora, constituirá prova da entrega do prêmio, o qual será mantido sob guarda, pelo prazo máximo de 05 (cinco) anos, após o término do Concurso.

7. As despesas com viagem, estadia, alimentação e outras decorrentes do comparecimento à solenidade de premiação correrão única e exclusivamente por conta dos autores selecionados.

8. O simples ato de inscrever-se no presente concurso implica na aceitação tácita dos termos deste Regulamento, bem como autoriza a publicação da poesia sem nenhum ônus relativo a Direitos Autorais e de uso, por tempo indeterminado, do nome e imagem do autor para fins de promoção do Concurso de Poesias da CNEC – Unidade de Capivari/SP.

9. Não poderão participar com trabalhos inscritos no 11º Concurso de Poesias da CNEC – Unidade de Capivari/SP os membros das comissões Organizadora e Julgadora e seus parentes de primeiro grau, os funcionários da Mantenedora Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, bem como os funcionários da Mantida CNEC – Unidade de Capivari/SP.

10. As datas para conclusão das várias etapas do presente concurso poderão ser prorrogadas pela Comissão Organizadora, se necessário para que o evento alcance os seus objetivos.

11. Eventuais dúvidas, reclamações e controvérsias resultantes da má interpretação deste Regulamento, bem como sobre itens não previstos no mesmo, serão submetidas para análise, apreciação e solução pela Comissão Organizadora. Para sugestões e mais informações ficam à disposição dos interessados o e-mail mazinho@cneccapivari.br e o telefone: (19) 3492-8888.

12. FORO

Fica eleito o Foro da Comarca de Capivari/SP como o único competente, com exclusão de qualquer outro, por mais privilegiado que seja, para dirimir eventuais questões judiciais relativas ao 11º Concurso Nacional de Poesias da CNEC – Unidade de Capivari/SP.

OSMAIR MOREIRA DE SOUZA
Presidente da Comissão Organizadora
11º Concurso de Poesias CNEC – Unidade de Capivari

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Silviah Carvalho (O Poeta)

É aquele que ama um pouco mais,
E nunca ama por amar
E sonha um pouco mais, voa um pouco mais alto
E um pouco mais longe…
Chega onde poucos conseguem chegar

Entra nos labirintos da mente
Conhece o passado e presente
Deduz o futuro com tanta exatidão
Que parece viver um passo a frente

Nele existe um pouco mais de emoção
Um pouco mais de atenção
Um pouco mais de alegria
E um pouco mais de solidão

Um pouco mais de sinceridade
Coisa pouca dentro de muita gente
Um pouco mais da louca igualdade
Que o faz assim, tão diferente

Ele tem um pouco mais de quase tudo
Guardado dentro da mente
De tudo faz um poema, revela tudo que sente

Assim é o poeta
Ama sem ser amado; espera sem ser esperado
E muitas vezes, morre abandonado

Por vezes, só depois da morte
Tem seus poemas lembrados…

Fonte:
http://umcoracaoqueama.blogspot.com/

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Machado de Assis (A Vida Eterna)

É opinião unânime que não há estado comparável àquele que nem é sono nem vigília, quando, desafogado o espírito de aflições, procura algum repouso às lides da existência. Eu de mim digo que ainda não achei hora de mais prazer, sobretudo quando tenho o estômago satisfeito e aspiro a fumaça de um bom charuto de Havana.

Depois de uma ceia copiosa e delicada, em companhia de meu excelente amigo o dr. Vaz, que me apareceu em casa depois de dois anos de ausência, fomos eu e ele para a minha alcova, e aí entramos a falar de coisas passadas, como dois velhos para quem já não tem futuro a gramática da vida.

Vaz estava assentado numa cadeira de espaldar, toda forrada de couro, igual às que ainda hoje se encontram nas sacristias; e eu estendi-me em um sofá também de couro. Ambos fumávamos dois excelentes charutos que me haviam mandado de presente alguns dias antes.

A conversa, pouco animada ao princípio, foi esmorecendo cada vez mais, até que eu e ele, sem deixarmos o charuto da boca, cerramos os olhos e entramos no estado a que aludi acima, ouvindo os ratos que passeavam no forro da casa, mas inteiramente esquecidos um do outro.

Era natural passarmos dali ao sono completo, e eu lá chegaria, se não ouvisse bater à porta três fortíssimas pancadas. Levantei-me sobressaltado; Vaz continuava na mesma posição, o que me fez supor que estivesse dormindo, porque as pancadas deviam ter-lhe produzido a mesma impressão se ele se achasse meio acordado como eu.

Fui ver quem me batia à porta. Era um sujeito alto e magro embuçado em um capote. Apenas lhe abri a porta, o homem entrou sem me pedir licença, e nem dizer coisa nenhuma. Esperei que me expusesse o motivo da sua visita, e esperei debalde, porque o desconhecido sentou-se comodamente em uma cadeira, cruzou as pernas, tirou o chapéu e começou a tocar com os dedos na copa do dito chapéu uma coisa que eu não pude saber o que era, mas que devia ser alguma sinfonia de doidos, porque o homem parecia vir direitinho da Praia Vermelha.

Relanceei os olhos para o meu amigo, que dormia a sono solto na cadeira de espaldar. Os ratos continuavam a sua saturnal no forro.

Conservei-me de pé durante poucos instantes a ver se o desconhecido se resolvia a dizer alguma coisa, e durante esse tempo, apesar da impressão desagradável que o homem produzia em mim, examinei-lhe as feições e o vestuário.

Já disse que vinha embrulhado em um capote; ao sentar-se, abriu-se-lhe o capote, e vi que o homem calçava umas botas de couro branco, vestia calça de pano amarelo e um colete verde, cores estas que, se estão bem numa bandeira, não se pode com justiça dizer que adornem e aformoseiem o corpo humano.

As feições eram mais estranhas que o vestuário; tinha os olhos vesgos, um grande bigode, um nariz à moda de César, boca rasgada, queixo saliente e beiços roxos. As sobrancelhas eram fartas, as pestanas longas, a testa estreita, coroando tudo uns cabelos grisalhos e em desordem.

O desconhecido, depois de tocar a sua música na copa do chapéu, levantou os olhos para mim, e disse-me:

— Sente-se, meu rico senhor!

Era atrevimento receber eu ordens em minha própria casa. O meu primeiro dever era mandar o sujeito embora; contudo, o tom em que ele falou era tão intimativo que eu insensivelmente obedeci e fui sentar-me no sofá. Daí pude ver melhor a cara do homem, à luz do lampião que pendia do teto, e achei-a pior do que antes.

— Chamo-me Tobias e sou formado em matemáticas. Inclinei-me levemente.

O desconhecido continuou:

— Desconfio que hei de morrer amanhã; não se espante; tenho certeza de que amanhã vou para o outro mundo. Isso é o menos; morrer é dormir, to die, to sleep; entretanto, não quero ir deste mundo sem cumprir um dever imperioso e indispensável. Veja isto.

O desconhecido tirou do bolso um quadrinho e entregou-me. Era uma miniatura; representava uma moça formosíssima de feições. Restituí o quadro ao meu interlocutor esperando a explicação.

— Esse retrato, continuou ele olhando para a miniatura, é de minha filha Eusébia, moça de vinte e dois anos, senhora de uma riqueza igual à de um Creso, porque é a minha única herdeira.

Eu me espantaria do contraste que havia entre a riqueza e a aparência do desconhecido se não tivesse já a convicção de que tratava com um doido. O que eu estava a ver era o meio de pôr o homem pela porta fora; mas confesso que receava algum conflito, e por isso esperei o resultado daquilo tudo.

Entretanto perguntava a mim mesmo como é que os meus escravos deixaram entrar um desconhecido até a porta do meu quarto, apesar das ordens especiais que eu havia dado em contrário. Já eu calculava mentalmente a natureza do castigo que lhes daria por causa de tamanha incúria ou cumplicidade, quando o desconhecido atirou-me estas palavras à cara:

— Antes de morrer quero que o senhor se case com Eusébia; é esta a proposta que venho fazer-lhe; sendo que, no caso de aceitar o casamento, já aqui lhe deixo este maço de notas do banco para alfinetes, e no caso de recusar mando-lhe simplesmente uma bala a cabeça com este revólver que aqui trago.

E pôs à mesa o maço de bilhetes do banco e o revólver engatilhado.

A cena tomava um aspecto dramático. O meu primeiro ímpeto foi acordar o dr. Vaz, a ver se ajudado por ele punha o homem pela porta fora; mas receei, e com razão, que vendo um gesto meu nesse sentido, o desconhecido executasse a segunda parte do seu discurso.

Só havia um meio: ladear.

— Meu rico sr. Tobias, e inútil dizer-lhe que eu sinto imensa satisfação com a proposta que me faz, e está longe de mim a idéia de recusar a mão de tão formosa criatura, e mais os seus contos de réis. Entretanto, peço-lhe que repare na minha idade; tenho setenta anos; a sra. D. Eusébia apenas conta vinte e dois. Não lhe parece um sacrifício isto que vamos impor à sua filha?

Tobias sorriu, olhou para o revólver, e entrou a tocar com os dedos na copa do chapéu.

— Longe de mim, continuei eu, a idéia de ofendê-lo; pelo contrário, se eu consultasse unicamente a minha ambição não diria palavra; mas é no interesse mesmo dessa gentilíssima dama, que eu já vou amando apesar dos meus setenta, e no interesse dela que eu lhe observo a disparidade que entre nós existe.

Estas palavras disse-as eu em voz alta a ver se o dr. Vaz acordava; mas o meu amigo continuava mergulhado na cadeira e no sono.

— Não quero saber de sua idade, disse Tobias pondo o chapéu na cabeça e segurando no revólver; o que eu quero é que se case com Eusébia, e hoje mesmo. Se recusa, mato-o.

Tobias apontou-me o revólver. Que faria eu naquela alternativa, senão aceitar a moça e a riqueza, apesar de todos os meus escrúpulos?

— Caso! exclamei.

Tobias guardou o revólver na algibeira, e disse:

— Pois bem, vista-se.
— Já?
— Sem demora. Vista-se enquanto eu leio. Levantou-se, foi à minha estante, tirou um volume do D. Quixote, e foi sentar-se outra vez; e enquanto eu, mais morto que vivo, ia buscar ao guarda-roupa a minha casaca, o desconhecido tomou uns óculos e preparou-se para ler.
— Quem é este sujeito que está dormindo tão tranqüilo? perguntou ele enquanto limpava os óculos.
— É o dr. Vaz, meu amigo; quer que lhe apresente?
— Não, senhor, não é preciso, respondeu Tobias sorrindo maliciosamente.

Vesti -me com vagar para dar tempo a que algum incidente viesse interromper aquela cena desagradável para mim. Além disso estava trêmulo, não atinava com a roupa, nem com a maneira de vestir.

De quando em quando deitava um olhar para o desconhecido, que lia tranqüilamente a obra do imortal Cervantes.

O meu relógio bateu onze horas.

Subitamente lembrou-me que, uma vez na rua, podia eu ter o recurso de encontrar um policial a quem comunicaria a minha situação, conseguindo ver-me livre do meu importuno sogro.

Outro recurso havia, e melhor que esse; vinha a ser acordar o dr. Vaz na ocasião da partida (coisa natural) e ajudado por ele desfazer-me do incógnito.

Efetivamente, vesti-me o mais depressa que pude, e declarei-me às ordens do sr. Tobias, que fechou o livro, foi pô-lo na estante, rebuçou-se no capote, e disse:

— Vamos!
— Peço-lhe entretanto para acordar o dr. Vaz, que não pode ficar aqui, visto que tem de voltar para casa, disse-lhe eu dando um passo para a cadeira onde dormia o Vaz.
— Não é preciso, atalhou Tobias; voltamos dentro de pouco tempo.

Não insisti; restava-me o recurso do policial, ou de algum escravo se pudesse falar-lhe a tempo; o escravo era impossível. Quando saímos do quarto o desconhecido deu-me o braço e desceu comigo rapidamente as escadas até a rua.

À porta de casa havia um carro.

Tobias convidou-me a entrar nele.

Não tendo previsto este incidente, senti fraquear-me as pernas e perdi de todo a esperança de escapar do meu algoz. Resistir era impossível e arriscado; o homem estava armado com um argumento poderoso; e além disso, pensava eu, não se discute com um doido.

Entramos no carro.

Não sei quanto tempo andamos, nem por que caminho fomos; calculo que não ficou no Rio de Janeiro canto por onde não passássemos. No fim de longos e aflitivos séculos de angústia, parou o carro diante de uma casa toda iluminada por dentro.

— É aqui, disse o meu companheiro, desçamos.

A casa era um verdadeiro palácio; a entrada era ornada de colunas de ordem dórica, o vestíbulo calçado de mármore branco e preto, e iluminado por um magnífico candelabro de bronze de forma antiga.

Subimos, eu e ele, por uma magnífica escada de mármore, até o topo, onde se achavam duas pequenas estátuas representando Mercúrio e Minerva. Quando chegamos ali o meu companheiro disse-me apontando para as estátuas:

— São emblemas, meu caro genro: Minerva quer dizer Eusébia, porque é a sabedoria; Mercúrio, sou eu, porque representa o comércio.
— Então o senhor é comerciante? perguntei eu ingenuamente ao desconhecido.
— Fui negociante na Índia.

Atravessamos duas salas, e ao chegarmos à terceira encontramos um sujeito velho, a quem Tobias me apresentou dizendo:

Aqui está o dr. Camilo da Anunciação; leve-o para a sala dos convidados, enquanto eu vou mudar de roupa. Até já, meu caro genro.

E deu-me as costas.

O sujeito velho, que eu soube depois ser o mordomo da casa, tomou-me pela mão e levou-me a uma grande sala, que era onde se achavam os convidados.

Apesar da profunda impressão que me causava aquela aventura, confesso que a riqueza da casa me assombrava cada vez mais, e não só a riqueza, senão também o gosto e a arte com que estava preparada.

A sala dos convidados estava fechada quando lá chegamos; o mordomo bateu três pancadas, e veio abrir a porta um lacaio, também velho, que me segurou pela mão, ficando o mordomo do lado de fora.

Nunca me há de esquecer a vista da sala apenas se me abriram as portas. Tudo ali era estranho e magnífico. No fundo, em frente da porta de entrada, havia uma grande águia de madeira fingindo bronze, encostada à parede, com as asas abertas, e preparando-se como para voar. Do bico da águia pendia um espelho, cuja parte inferior estava presa às garras, conservando assim a posição inclinada que costuma ter um espelho de parede.

A sala não era forrada de papel, mas de seda branca, o teto artisticamente trabalhado; grandes candelabros, magnífica mobília, flores em profusão, tapetes, tudo enfim quanto o luxo e o gosto sugerem ao espírito de um homem rico.

Os convidados eram poucos e, não sei por que coincidência, eram todos velhos, como o mordomo e o lacaio, e o meu próprio sogro; finalmente velhos como eu também. Introduzido pelo criado, fui logo cumprimentado pelas pessoas presentes com uma atenção que me dispôs logo o ânimo a querer-lhes bem.

Sentei-me numa cadeira, e vieram reunir-se em roda de mim, todos risonhos e satisfeitos por ver o genro do incomparável Tobias. Era assim que chamavam ao homem do revólver.

Acudi como pude às perguntas que me faziam, e parece que todas as minhas respostas contentavam aos convidados, porquanto de minuto a minuto choviam sobre mim louvores e cumprimentos.

Um dos convidados, homem de setenta anos, condecorado e calvo, disse com aplausos gerais:

— O Tobias não podia encontrar melhor genro, nem que andasse com uma lanterna por toda a cidade, que digo? por todo o império; vê-se que o dr. Camilo da Anunciação é um perfeito cavalheiro, notável por seus talentos, pela gravidade da sua pessoa, e enfim pelos admiráveis cabelos brancos que lhe adornam a cabeça, mais feliz do que eu que os perdi há muito.

Suspirou o homem com tamanha força que parecia estar nos arrancos da morte. A assembléia cobriu de aplausos as últimas palavras do orador.

Articulei um agradecimento, e preparei imediatamente os ouvidos para responder a outro discurso que me foi dirigido por um coronel reformado, e outro finalmente por uma senhora que, desde a minha entrada, não tirava os olhos de mim.

— Sra. condessa, disse o coronel quando a senhora acabou de falar, confesse V. Excia. que os rapazes de hoje não valem este respeitável ancião, futuro genro do incomparável Tobias.

— Valem nada, coronel! Em matéria de noivos só o século passado os fornece capazes e bons. Casamentos de hoje! Abrenúncio! Uns peraltas todos pregadinhos e esticados, sem gravidade, sem dignidade, sem honestidade!

A conversa assentou toda neste assunto. O século dezenove sofreu ali um vasto processo; e (talvez preconceito de velho) falavam tão bem naquele assunto, com tanta discrição e acerto, que eu acabei por admirá-los.

No meio de tudo, estava ansioso por conhecer a minha noiva. Era a última curiosidade; e se ela fosse, como eu imaginava, uma beleza, e além do mais riquíssima, que poderia exigir da sorte?

Aventurei uma pergunta nesse sentido a uma senhora que se achava ao pé de mim e em frente à condessa. Disse-me ela que a noiva estava no toucador, e não tardava muito que eu a visse. Acrescentou que era linda como o sol.

Entretanto decorrera uma hora, e nem a noiva, nem o pai, o incomparável Tobias, aparecia na sala. Qual seria a causa da demora do meu futuro sogro? Para vestir-se não era preciso tanto tempo. Eu confesso que, apesar da cena do quarto e das disposições em que vi o homem, estaria mais tranqüilo se ele estivesse presente. É que ao velho já eu tinha visto em minha casa; habituara-me aos seus gestos e discursos.

No fim de hora e meia abriu-se a porta para dar entrada a uma nova visita. Imaginem o meu pasmo quando dei com os olhos no meu amigo dr. Vaz! Não pude abafar um grito de surpresa, e corri para ele.

— Tu aqui!
— Ingrato! respondeu sorrindo o Vaz, casas e não convidas ao teu primeiro amigo. Se não fosse esta carta ainda eu lá estaria no teu quarto à espera.
— Que carta? perguntei eu.

O Vaz abriu a carta que trazia na mão e deu-me para ler, enquanto os convidados de longe contemplavam a cena inesperada, tanto por eles, como por mim.

A carta era de Tobias, e participava ao Vaz que, tendo eu de casar-me naquela noite, tomava ele a liberdade de convidá-lo, na qualidade de sogro, para assistir a cerimônia.

— Como vieste?
— Teu sogro mandou-me um carro.

Aqui fui obrigado a confessar mentalmente que o Tobias merecia o título de incomparável, como Enéas o de pio. Compreendi a razão por que não quis que eu o acordasse; era para causar-lhe a surpresa de vê-lo depois.

Como era natural, quis o meu amigo que eu lhe explicasse a história do casamento, tão súbito, e eu já me dispunha a isso, quando a porta se abriu e entrou o dono da casa. Era outro.

Já não tinha as roupas esquisitas e o ar singular com que o vira no meu quarto; agora trajava com aquela elegância grave que cabe a um velho, e pairava-lhe nos lábios o mais amável sorriso.

— Então, meu caro genro, disse-me ele depois dos cumprimentos gerais, que me diz à vinda do seu amigo?
— Digo, meu caro sogro, que o senhor é uma pérola. Não imaginará talvez o prazer que me deu com esta surpresa, porque o Vaz foi e é o meu primeiro amigo.

Aproveitei a ocasião para o apresentar a todas os convidados, que foram de geral acordo em que o dr. Vaz era um digno amigo do dr. Camilo da Anunciação. O incomparável Tobias manifestou o desejo e a esperança de que dentro de pouco tempo ficaria a sua pessoa ligada à de nós ambos, por modo que fôssemos todos designados: os três amigos do peito.

Bateu meia-noite não sei em que igreja da vizinhança. Ergueu-se o incomparável Tobias, e disse-me:

— Meu caro genro, vamos cumprimentar a sua noiva; aproxima-se a hora do casamento. Levantaram-se todos e dirigiram-se para a porta da entrada, indo na frente eu, o Tobias e o Vaz. Confesso que, de todos os incidentes daquela noite, este foi o que mais me impressionou. A idéia de ir ver uma formosa donzela, na flor da idade, que devia ser minha esposa — esposa de um velho filósofo já desenganado das ilusões da vida —, essa idéia, confesso que me aterrou.

Atravessamos uma sala e chegamos diante de uma porta, meia aberta, dando para outra sala ricamente iluminada. Abriram a porta dois lacaios, e todos nós entramos.

Ao fundo, sentada num riquíssimo divã azul, estava já pronta e deslumbrante de beleza a sra. D. Eusébia. Tinha eu até então visto muitas mulheres de fascinar; nenhuma chegava aos pés daquela. Era uma criação de poeta oriental. Comparando a minha velhice à mocidade de Eusébia, senti-me envergonhado, e tive ímpetos de renunciar ao casamento. Fui apresentado à noiva pelo pai, e recebido por ela com uma afabilidade, uma ternura, que acabaram por vencer-me completamente. No fim de dois minutos estava eu cegamente apaixonado.

— Meu pai não podia escolher melhor marido para mim, disse-me ela fitando-me uns olhos claros e transparentes; espero que tenha a felicidade de corresponder aos seus méritos.

Balbuciei uma resposta; não sei o que disse; tinha os olhos embebidos nos dela. Eusébia levantou-se e disse ao pai:

— Estou pronta.

Pedi que Vaz fosse uma das testemunhas do casamento, o que foi aceito; a outra testemunha foi o coronel. A condessa serviu de madrinha.

Saímos dali para a capela, que era na mesma casa, e pouco retirada; já lá se achavam o padre e o sacristão. Eram ambos velhos como toda a gente que havia em casa, exceto Eusébia.

Minha noiva deu o sim com uma voz forte, e eu com voz fraquíssima; pareciam invertidos os papéis.

Concluído o casamento, ouvimos um pequeno discurso do padre acerca dos deveres que o casamento impõe e da santidade daquela cerimônia. O padre era um poço de ciência e um milagre de concisão; disse muito em pouquíssimas palavras. Soube depois que nunca tinha ido ao parlamento.

À cerimônia do casamento seguiu-se um ligeiro chá e alguma música. A condessa dançou nm minueto com o velho condecorado, e assim terminou a festa.

Conduzido aos meus aposentos por todos os convidados, soube em caminho que o Vaz dormiria lá, por convite expresso do incomparável Tobias, que fez a mesma fineza aos circunstantes.

Quando me achei só com a minha noiva, caí de joelhos e disse-lhe com a maior ternura:

— Tanto vivi para encontrar agora, já quase no túmulo, a maior ventura que pode caber ao homem, porque o amor de uma mulher como tu é um verdadeiro presente do céu! Falo em amor e não sei se tenho direito de o fazer… porque eu sou velho, e tu…
— Cale-se! cale-se! disse-me Eusébia assustada.

E foi cair num sofá com as mãos no rosto.

Espantou-me aquele movimento, e durante alguns minutos fiquei na posição em que estava, sem saber o que havia de dizer.

Eusébia parecia estar chorando.

Levantei-me afinal, e acercando-me do sofá, perguntei-lhe que motivo tinha para aquelas lágrimas.

Não me respondeu.

Tive uma suspeita; imaginei que Eusébia amava alguém, e que, para castigá-la do crime desse amor, obrigavam-na a casar com um velho desconhecido a quem ela não podia amar.

Despertou-se-me uma fibra de D. Quixote. Era uma vítima; cumpria salvá-la. Aproximei-me de Eusébia, confiei-lhe a minha suspeita, e declarei-lhe a minha resolução.

Quando eu esperava vê-la agradecer-me de joelhos o nobre impulso das minhas palavras, vi com surpresa que a moça olhava para mim com ar de compaixão, e dizia-me abanando a cabeça:

— Desgraçado! é o senhor quem está perdido!
— Perdido! exclamei eu dando um salto.
— Sim, perdido!

Cobriu-se-me a testa de um suor frio; as pernas entraram a tremer-me, e eu para não cair assentei-me ao pé dela no sofá. Pedi-lhe que me explicasse as suas palavras.

Por que não? disse ela; se lhe ocultasse seria cúmplice perante Deus, e Deus sabe que eu sou apenas um instrumento passivo nas mãos de todos esses homens. Escute. O senhor é o meu quinto marido; todos os anos, no mesmo dia e à mesma hora, dá-se nesta casa a cerimônia que o senhor presenciou. Depois, todos me trazem para aqui com o meu noivo, o qual…

— O qual? perguntei eu suando.
— Leia, disse Eusébia indo tirar de uma cômoda um rolo de pergaminho; há um mês que eu pude descobrir isto, e só ha um mês tive a explicação dos meus casamentos todos os anos.

Abri trêmulo o rolo que ela me apresentava, e li fulminado as seguintes linhas:

Elixir da eternidade, encontrado numa ruína do Egito, no ano de 402. Em nome da águia preta e dos sete meninos do Setentrião, salve. Quando se juntarem vinte pessoas e quiserem gozar do inapreciável privilégio de uma vida eterna, devem organizar uma associação secreta, e cear todos os anos no dia de S. Bartolomeu, um velho maior de sessenta anos de idade, assado no forno, e beber vinho puro por cima.

Compreende alguém a minha situação? Era a morte que eu tinha diante de mim, a morte infalível, a morte dolorosa. Ao mesmo tempo era tão singular tudo quanto eu acabava de saber, parecia -me tão absurdo o meio de comprar a eternidade com um festim de antropófagos, que o meu espírito pairava entre a dúvida e o receio, acreditava e não acreditava, tinha medo e perguntava por quê?

— Essa é a sorte que o espera, senhor!
— Mas isto é uma loucura! exclamei; comprar a eternidade com a morte de um homem! Demais, como sabe que este pergaminho tem relação?…
— Sei, senhor, respondeu Eusébia; não lhe disse eu que este casamento era o quinto? Onde estão os outros quatro maridos? Todos eles penetraram neste aposento para saírem meia hora depois. Alguém os vinha chamar, sob qualquer pretexto, e eu nunca mais os via. Desconfiei de alguma grande catástrofe; só agora sei o que é.

Entrei a passear agitado; era verdade que eu ia morrer? era aquela a minha última hora de vida? Eusébia, assentada no sofá, olhava para mim e para a porta.

— Mas aquele padre, senhora, perguntei eu parando em frente dela, aquele padre também é cúmplice?
— É o chefe da associação.
— E a senhora! também é cúmplice, pois que as suas palavras foram um verdadeiro laço; se não fossem elas eu não aceitaria o casamento…
— Ai! senhor! respondeu Eusébia lavada em lágrimas; sou fraca, isso sim; mas cúmplice, jamais. Aquilo que lhe disse foi-me ensinado.

Nisto ouvi um passo compassado no corredor; eram eles naturalmente.

Eusébia levantou-se assustada e ajoelhou-se-me aos pés, dizendo com voz surda:

— Não tenho culpa de nada do que vai acontecer, mas perdoe-me a causa involuntária! Olhei para ela e disse-lhe que a perdoava.

Os passos aproximavam-se.

Dispus-me a vender caro a minha vida; mas não me lembrava que, além de não ter armas, faltavam-me completamente as forças.

Quem quer que vinha andando chegou à porta e bateu. Não respondi logo; mas insistindo de fora nas pancadas, perguntei:

— Quem está aí?
— Sou eu, respondeu-me Tobias com voz doce; queira abrir-me a porta. —
– Para quê?
— Tenho de comunicar-lhe um segredo.
— A esta hora!
— É urgente.

Consultei Eusébia com os olhos; ela abanou tristemente a cabeça.

— Meu sogro, adiemos o segredo para amanhã.
— É urgentíssimo, respondeu Tobias, e para não lhe dar trabalho eu mesmo abro com outra chave que possuo.

Corri à porta, mas era tarde; Tobias estava na soleira, risonho como se fosse entrar num baile.

— Meu caro genro, disse ele, peço-lhe que venha comigo à sala da biblioteca; tenho de comunicar-lhe um importante segredo relativo à nossa família.
— Amanhã, não acha melhor? disse eu.
— Não, há de ser já! respondeu Tobias franzindo a testa.
— Não quero!
— Não quer! pois há de ir.

— Bem sei que sou o seu quinto genro, meu caro sr. Tobias.
— Ah! sabe! Eusébia contou-lhe os outros casamentos; tanto melhor! E, voltando-se para a filha, disse com frieza de matar:
— Indiscreta! vou dar-te o prêmio.
— Sr. Tobias, ela não tem culpa.
— Não foi ela quem lhe deu esse pergaminho? perguntou o Tobias apontando para o pergaminho que eu ainda tinha na mão.

Ficamos aterrados!

Tobias tirou do bolso um pequeno apito e deu um assobio, ao qual responderam outros; e daí a alguns minutos estava a alcova invadida por todos os velhos da casa.

— Vamos à festa! disse o Tobias.

Lancei mão de uma cadeira e ia atirar contra o sogro, quando Eusébia segurou-me no braço, dizendo:
— É meu pai!
— Não ganhas nada com isso, disse Tobias sorrindo diabolicamente; hás de morrer, Eusébia.

E segurando-a pelo pescoço entregou-a a dois lacaios dizendo:

— Matem-na.

A pobre moça gritava, mas em vão; os dois lacaios levaram-na para fora, enquanto os outros velhos seguraram-me pelos braços e pernas, e levaram-me em procissão para uma sala toda forrada de preto. Cheguei ali mais morto que vivo. Já lá achei o padre vestido de batina.

Quis ver antes de morrer o meu pobre amigo Vaz, mas soube pelo coronel que ele estava dormindo, e não sairia mais daquela casa; era o prato destinado ao ano futuro.

O padre declarou-me que era o meu confessor; mas eu recusei receber a absolvição do próprio que me ia matar. Queria morrer impenitente.

Deitaram-me em cima de uma mesa atado de pés e mãos, e puseram-se todos à roda de mim, ficando à minha cabeceira um lacaio armado com um punhal.

Depois entrou toda a companhia a entoar um coro em que eu só distinguia as palavras: Em nome da águia preta e dos sete meninos do Setentrião.

Corria -me o suor em bagas; eu quase nada via; a idéia de morrer era horrível, apesar dos meus setenta anos, em que já o mundo não deixa saudades.

Parou o coro e o padre disse com voz forte e pausada:

— Atenção! Faça o punhal a sua obra!

Luziu-me pelos olhos a lâmina do punhal, que se cravou todo no coração; o sangue jorrou-me do peito e inundou a mesa; eu entre convulsões mortais dei o último suspiro. Estava morto, completamente morto, e entretanto ouvia tudo à roda de mim; restava-me uma certa consciência deste mundo a que já não pertencia.

— Morreu? perguntou o coronel.
— Completamente, respondeu Tobias; vão chamar agora as senhoras. As senhoras chegaram dali a pouco, curiosas e alegres.
— Então? perguntou a condessa; temos homem?
— Ei-lo.

As mulheres aproximaram-se de mim, e ouvi então um elogio unânime dos canibais; todos concordaram em que eu estava gordo e havia de ser excelente prato.

— Não podemos assá-lo inteiro; é muito alto e gordo; não cabe no forno; vamos esquartejá-lo; venham facas.

Estas palavras foram ditas pelo Tobias, que imediatamente distribuiu os papéis: o coronel cortar-me-ia a perna esquerda, o condecorado a direita, o padre um braço, ele outro e a condessa, amiga de nariz de gente, cortaria o meu para comer de cabidela.
Vieram as facas, e começou a operação; confesso que eu não sentia nada; só sabia que me haviam cortado uma perna quando ela era atirada ao chão com estrépito.

— Bem, agora ao forno, disse Tobias.

De repente ouvi a voz do Vaz.

— Que é isso, ó Camilo, que é isso? dizia ele.

Abri os olhos e achei-me deitado no sofá em minha casa; Vaz estava ao pé de mim.

— Que diabo tens tu?

Olhei espantado para ele, e perguntei:

— Onde estão eles?
— Eles quem?
— Os canibais!
— Estás doido, homem!

Examinei-me: tinha as pernas, os braços e o nariz. O quarto era o meu. Vaz era o mesmo Vaz.

— Que pesadelo tiveste! disse ele. Estava eu a dormir guando acordei com os teus gritos.
— Ainda bem, disse eu.

Levantei-me, bebi água, e contei o sonho ao meu amigo, que riu muito, e resolveu passar a noite comigo. No dia seguinte, acordamos tarde e almoçamos alegremente. Ao sair, disse-me o Vaz:

— Por que não escreves o teu sonho para o Jornal das Famílias?
— Homem, talvez.
— Pois escreve, que eu o mando ao Garnier.

Fontes:
Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Lingüística

http://www2.uol.com.br/machadodeassis Publicado originalmente em Jornal das Famílias 1870
Imagem = http://www.contosdeterror.com.br (Elixir da Juventude)

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Epopéias da Índia Antiga (O Râmâyana) Parte I

I
O Poeta

Entre os inúmeros poemas épicos ou epopéias que enriquecem a literatura sânscrita, sobressaem por seus méritos o Râmâyana e o Mahâbhârata, anteriores e superiores, em originalidade e beleza, à Ilíada e à Odisséia.

A língua sânscrita, com sua literatura, continua interessando aos orientalistas do Ocidente e aos eruditos do Oriente, embora há mais de dois mil anos não seja o sânscrito língua viva e não tenha perdido o seu caráter de sagrada.

O Râmâyana e o Mahâbhârata descrevem subalternamente os usos, costumes, crenças e cultura dos antigos monumentos da poesia sânscrita, embora anteriormente tenham sido escritos os Vedas, cuja maior parte está em forma métrica; todavia, na Índia o Râmâyana é considerado como a primeira e mais antiga produção poética.

O autor do Râmâyana foi Valmiki, sobre cuja vida teceram-se muitas conjeturas, do mesmo modo que a respeito de Homero e Shaskespeare no Ocidente, conquanto não caiba dúvida referente à autenticidade de sua existência. Se bem que muitos versos do poema não sejam seus, “mas interpolações, realçam entretanto a poética magnificência dessa obra sem par na literatura mundial.

Havia na Índia um jovem casado que, apesar de possuir compleição robusta, não encontrava trabalho para manter sua família, e que se tomara salteador de estradas, levado por aquele extremo desespero.

Atacava os viajantes, roubando-lhes tudo que levavam e com o fruto dos roubos mantinha seus velhos pais, sua mulher e filhos, sem que nenhum deles suspeitasse a sinistra procedência do dinheiro.

Assim levava a vida, quando certo dia passou pelo caminho em que estava um grande santo chamado Nârada, a quem o salteador deteve para roubar.

Porém Nârada perguntou-lhe:

– Por que queres roubar-me? Gravíssimo pecado é roubar e assassinar o próximo. Por que cometes tão grande pecado?

O salteador respondeu:

– Peco porque preciso manter minha família com o dinheiro que roubo.

O santo replicou:
– Crês que tua família participa do teu pecado?
– Sim certamente.
– Pois bem; prenda-me, ata-me os pés e as mãos e deixa-me aqui, enquanto vais à tua casa e perguntas a todos se querem participar do teu pecado, como participam do teu dinheiro.

O salteador concordou com a proposta, atou o santo foi à casa e perguntou a seu pai:
– Sabes como te sustento?
– Não sei.
– Sou um salteador de estradas, que roubo os viandantes e os mato se não se deixam roubar.
– Como fazes isto, meu filho? Afasta-te de mim! És um pária!

O salteador perguntou depois à sua mãe:
– Sabes como te sustento?
– Não sei.
– É com o produto dos meus roubos e assassinatos.
– Que coisa triste!
– Queres compartilhar de meu pecado?
– Por que haveria de fazê-lo? Nunca roubei a ninguém.

O salteador perguntou depois à sua esposa:
– Sabes como te mantenho?
– Não sei.
– Pois sou um salteador, de estradas e quero saber se estás disposta a compartilhar do meu pecado.
– Absolutamente. És meu marido e tens o dever de manter-me honradamente.

Então o salteador percebeu a maldade de sua conduta, ao ver que seus mais íntimos parentes negavam-se resolutamente a compartilhar a responsabilidade de suas más ações e volvendo ao sitio em que havia deixado o santo Nârada, desamarrou-o, relatou-lhe tudo quanto até então havia feito e caindo de joelhos a seus pés, exclamou compungido:

– Salva-me! Que devo fazer?

O santo respondeu-lhe:

– Abandona para sempre este gênero de vida, pois já viste que nenhum dos teus aprova o que fazes e te desprezam ao saber quem és. Participam de tua prosperidade, porém, quando nada tiveres para dar-lhes, hão de abandonar-te. Não querem compartilhar do teu mal, mas aproveitar-se dos teus bens. Portanto, adora Aquele que sempre está ao nosso lado, no mal e no bem; que nunca nos abandona porque o amor não conhece nem o engano, nem o egoísmo.

Depois Nârada ensinou-lhe a adorar a Deus; e aquele homem, renunciando por completo ao mundo, retirou-se para as selvas e entregou-se à meditação, esquecendo-se inteiramente de sua personalidade, de sorte que nem percebeu os formigueiros que surgiam em torno dele.

No fim de alguns anos ouviu uma voz que lhe dizia:

– Levanta-te, ó sábio!

Ele, porém, respondeu:
Sábio? Sou um ladrão …

A voz replicou:
– Já não és salteador de estradas. És um sábio purificado. Esquece teu antigo nome. Agora, já que tua meditação foi tão profunda que nem notaste os formigueiros que se formavam ao teu redor, chamar-te-ás Valmiki, que significa: “O que nasceu entre os formigueiros.”

Aquele que outrora era salteador de estradas converteu-se em um sábio. Um dia, quando foi banhar-se no sagrado rio Ganges, viu um casal de pombos que cirandavam, beijando-se com carinho; Valmiki contemplava enternecido tão formoso espetáculo, quando de súbito silvou uma flecha ao seu ouvido, indo matar o pombo.

A pomba, ao ver seu companheiro caído sem vida, deu voltas ao redor do cadáver, com mostra de profundo pesar.

Valmiki revoltou-se e ao alongar a vista descobriu o caçador, a quem, possuído de nobre indignação apostrofou:

– És um miserável sem noção de piedade. Nem o amor pôde deter tua mão assassina?

Porém, Valmiki refletiu:

– Que é isto? Que estou dizendo? Nunca falei assim até agora!

Então ouviu uma voz que disse:

– Não temas, porque de teus lábios brota a poesia. Escreve a vida de Rama em linguagem poética, para benefício do mundo.

Assim começou a epopéia. O primeiro verso é uma torrente de piedade brotando do coração de Valmiki.

Fonte:
Vivekananda, Swami. Epopéias da Índia Antiga.

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 152 a 154)

Mensagens Poéticas n. 152

Uma Trova Nacional

Um velho muito assanhado,
mas já de carne bem magra,
quis recordar o passado,
e se entupiu de Viagra …
(AGNELO CAMPOS/SP)

Uma Trova Potiguar

Pijama de seda lisa
neste teu corpo delgado
em si, já caracteriza
o quanto és “delicado”.
(ROSA REGIS/RN)

Uma Trova Premiada

2009 > Bandeirantes/PR
Tema > ARRUAÇA > Menção Honrosa

De arruaça em arruaça,
de pinga a cabeça cheia,
surrou a mulher na praça
e foi mulher na cadeia.
(OLGA AGULHON/PR)

Uma Trova de Ademar

Um matuto, por sandice,
ao ver a Praia fez festa…
Olhou para o Mar e disse:
– ô açudão da molesta!!!
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

Fantasiei-me de rato
e vejam só no que deu:
meu marido foi de gato,
por pouco não me comeu…
(VERA MARIA DE LIMA BRAZ/MG)

Simplesmente Poesia

MOTE.
Cabra safado não morre;
Só se matar de cacete.

GLOSA:
Não há veneno nem porre
pra levar o traste ruim.
Quem é bom logo tem fim,
cabra safado não morre;
o diabo sempre o socorre
por debaixo do colete;
toma coice de ginete,
de cobra leva mordida,
mas não desgruda da vida,
só se matar de cacete.
(JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN)

Estrofe do Dia

Eu vivo assim nesse frevo,
as minhas dívidas pagando,
todo mundo me cobrando,
quanto mais pago mais devo;
já estou que não me atrevo
pagar o que não comprei,
só se chegou essa lei
depois da democracia!
Paguei mais do que devia,
devo mais do que paguei.
(ZEZO PATRIOTA/PB)

Soneto do Dia

– Marcos Satoru Kawanami/SP –
MINHA NORA VIDENTE.

Achei, de minha parte, coisa boa
os zelos e cuidados que agora
ao meu filho dispensa minha nora,
a qual varre, cozinha, e ensaboa.

Pois, antes, nem sequer mesquinha broa
degustava meu filho ao vir da aurora,
moído a sustentar a tal senhora
que ao banho não se dava, tão à toa…

Hoje em dia, meu filho passa bem:
a mulher tomou viço e se perfuma
cuida do lar com ânimo também!

Mas a transformação se deu, em suma,
depois que um anjo lá chegou, de trem,
por benzer as mulheres, uma a uma!

Mensagens Poéticas n. 153

Uma Trova Nacional

Pense bem nas atitudes
antes de emitir conceitos;
quem não conhece as virtudes
não deve apontar defeitos!
(ARLINDO TADEU HAGEN/MG)

Uma Trova Potiguar

Quando a família é rompida
por atos cegos, tiranos;
deixa destroços de vida,
restos de seres humanos.
(MANOEL CAVALCANTE/RN)

Uma Trova Premiada

1999 > Acad. Mineira de Trovas/MG
Tema > “LIVRE” > Venc.

Ao homem Deus deu a Terra
e veja o que o homem faz:
– Cria as hienas da guerra
e mata as pombas da paz.
(OLYMPIO COUTINHO/MG)

Uma Trova de Ademar

Envolta em seu lindo manto,
com seus raios derradeiros,
a lua clareia o pranto
nos olhos dos seresteiros.
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

Magia… Posso entendê-la
na inspiração que me embala:
é desejar uma estrela
e conseguir alcançá-la!
(MARIA DOLORES PAIXÃO/MG)

Simplesmente Poesia

– Henrique Marques Samyn/RJ –
NA FINAL DE 50.

Barbosa, cabisbaixo, se levanta
e segue, a passos lentos, rumo à meta.

Caminha. Numa solidão de asceta,
não vê o mundo em volta. Só a bola

que, morta, jaz na rede, entorpecida.
Barbosa se levanta. Não vê nada,

mas ouve a multidão emudecida.

Estrofe do Dia

Os carinhos de mãe estremecida,
os brinquedos dos tempos de criança,
o sorriso fugaz de uma esperança
e a primeira ilusão da nossa vida,
o adeus que se dá por despedida,
o desprezo que a gente não merece,
o delírio da lágrima quando desce
nos momentos de angustia e de desgraça;
passa tudo na vida, tudo passa
mas nem tudo que passa a gente esquece.
(DIMAS BATISTA/PE)

Soneto do Dia

– Carmen Ottaiano/SP –
ANDORINHAS.

Um dia ele chegou, tal primavera,
fazendo um ninho doce em minha mão,
juntando as folhas de uma longa espera
de andorinha que sonha com verão.

Um dia ele gerou tanta quimera,
tantos frutos já fora da estação,
que me despi das penas que eu tivera,
vendo explodir no peito uma canção!

Um dia ele partiu gerando infernos,
e os meus olhos em lágrimas serenas
cristalizaram temporais eternos…

Juntando versos de um verão apenas,
nua ao sabor de todos os invernos,
eu fiquei só, coberta de outras penas!

Mensagens Poéticas n. 154

Uma Trova Nacional

Vivo a vida, sem rancores;
e as mágoas que tive, um dia,
hoje, são mares de Amores
onde navega a Poesia!
(MARISA VIEIRA OLIVAES/RS)

Uma Trova Potiguar

Busquei no universo um dia,
uma resposta eficaz;
que transformasse a poesia
num hino de amor e paz!!!
(PROF. GARCIA/RN)

Uma Trova Premiada

1994 > Belém/PA
Tema > JANELA > Venc.

Ao sentir que foge a calma
e até viver me angustia,
eu abro as janelas da alma
e deixo entrar a Poesia!
(CAROLINA RAMOS/SP)

Uma Trova de Ademar

O Deus que fez lago e monte,
que fez céu, mar, noite e dia,
fez do poeta uma fonte
por onde jorra poesia…
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

Faço versos se estou triste,
faço versos de alegria,
a minha alma não resiste
aos apelos da poesia.
(CORA LAYDNER/RS)

Simplesmente Poesia

GLOSA:
Por qualquer outra riqueza,
não troca a minha poesia.

MOTE:
É da minha natureza,
achar que tudo está bom
e eu não troco esse meu dom
Por qualquer outra riqueza.
Sei navegar na beleza
de qualquer filosofia,
se o sofrer me deprecia
o amor vem me soerguer;
nem por dinheiro e poder
não troca a minha poesia
(FRANCISCO MACEDO/RN)

Estrofe do Dia

Eu encontro poesia,
quando vem a madrugada
e quando surge a alvorada
trazendo a barra do dia;
a passarada em folia
da dormida despertando,
de dois em dois debandando
a procura de comer,
em tudo isto se vê
a poesia jorrando.
(ZÉ DE CAZUZA/PB)

Soneto do Dia

– Pedro Ornellas/SP –
REFÚGIO.

Todo poeta tem, por ser poeta,
um mundo à parte, pleno de magia!
Só ele sabe a porta, que é secreta,
fronteira entre o real e a fantasia.

Ali depõe a mágoa que o alfineta,
se o mundo o fere, ali se refugia…
É ali que encontra a paz e se completa
quando conversa, a sós, com a poesia.

Nesse lugar que a mente humana cria
o Amor é a lei, o bem a ordem-do-dia,
o idioma é a Paz e quem governa é a Arte!

Não é um lugar nas dimensões terrenas,
mas um estágio ao qual se eleva apenas
quem da Poesia faz seu mundo à parte!

Fonte:
Ademar Macedo
12, 13 e 14 de março

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Carnaval em Versos (Organização de Heloísa Crespo) Parte Final

Organização: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ.
heloisacrespo@gmail.com
=====

Heloisa Crespo

Os poetas foliões
vestiram as fantasias,
desfilaram nos cordões
declamando poesias.
================

Pessoa
CARNAVAL DÉCIMA

Neste carnaval, espero,
Que brinque com sensatez
E abraçar todos vocês
Na quarta, é o que mais quero
Eis meu pedido sincero
Que faço e não volto atrás
Gosto de você demais
Se for dirigir, não beba
De Deus a graça receba
Tenha um carnaval de paz.

Fonte:
Heloísa Crespo

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Adolfo Wilde e Flávio Almeida (Assessoria Editorial)

Adolfo Wilde trabalha em conjunto com Flávio Almeida, são Agentes Literários. Entre outros elementos realizam a Leitura Crítica. O trabalho consiste em primeiramente analisar os originais e discriminar suas características boas e ruins. A leitura crítica é uma atividade feita em qualquer livro que você já possa ter lido. É um trabalho obrigatório e indispensável em uma obra. Trabalho do qual até escritores consagrados se submetem a cada livro novo. A leitura consiste em apontar as fraquezas do livro, dar orientação de transformações que se adéquem a um “formato” mais profissional. O trabalho de leitura crítica é uma visão do mundo editorial, é verdadeiramente o mundo editorial falando com seu livro. Ou seja, todo livro editado se submete a uma leitura crítica. Através dela se poderá entender mesmo o destino e público alvo no qual o livro fará parte.

A leitura crítica será cobrada no valor de R$ 50 Reais (valor de 15 de março de 2011).

Autores consagrados como Paulo Coelho, Sidney Sheldon, Rubem Fonseca só passaram a vender com a intervenção de agentes literários. Paulo Coelho enviou seu livro a doze editoras que o rejeitaram. Até que passou por uma leitura crítica e arrumou as fraquezas de seu livro e foi aceito, e contando com a habilidade de seu agente vendeu milhões. Outro caso de sucesso é Clarice Lispector, que andou abandonada, mas com a retomada através dos esforços de um agente figura entre os livros mais vendidos da editora Rocco.

Se caso a obra causar interesse, eles mesmos, munidos de suas experiências vão até as editoras negociar um contrato de publicação.

Professor de Língua Portuguesa e Literatura e revisor de textos por 10 anos. Adolfo Wilde formou-se em Letras-Português é bacharel licenciado e mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, ambos cursos realizados na Universidade de São Paulo. Depois entrou para o meio editorial onde atuou como tradutor e revisor. Em 2002 passou a fazer Leitura Crítica para grandes editoras. E já agenciou cerca de 35 autores. Também trabalha como ghostwriter “limpo” não acha certo escrever monografias. No entanto, já desenvolveu muitos trabalhos na construção de textos, que abrangem artigos, discursos e biografias. Com sua capacidade analítica e técnica apurada em redação, oferece resultados amplos e promissores. Habilidoso em apoiar o contratante na estrutura de sua obra, almejando um aconselhamento editorial necessário abrangendo o delicado processo de manipular o texto, frase a frase, eliminando eventuais erros de concordância, ortografia, pontuação e visando a adequação linguística, morfológica, sintática e semântica.

Sobretudo realiza a leitura crítica com olhar analítico, conhecedor da visão peculiar do editor. No final o autor recebe um relatório com diversos comentários sobre sua obra. Esses apontamentos abrangem a totalidade dos elementos necessário para que uma obra seja aceita e bem-sucedida no mercado. São esses detalhes de sintaxe, oralidade, construção de frases, uso de palavras, coesão textual, enredo e discursos. Ainda a construção de personagens e aprimoramento da trama.

Flávio Almeida é formado em Marketing e atuou em Portugal por dois anos lendo originais com tendências para grandes tiragens. Sobretudo sua visão se junta a de Adolfo Wilde para apontamentos do ponto de vista mercadológico.

http://www.agentecritico.blogspot.com/
agentecritico@gmail.com

Fonte:
Adolfo Wilde

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1o. Encontro do Selo Brasileiro

Escritores de várias regiões do Brasil se reúnem no primeiro evento oficial do grupo Selo Brasileiro, este que apresenta à literatura um novo mosaico de talentos e singularidades.

Ana Paula Bergamasco, Carolina Estrella, Darlan Hayek, Georgette Silen, Liana Cupini e Marcos Bulzara discutirão, num bate papo informal com os autores e leitores presentes, suas obras, sua arte, suas visões e opiniões sobre os assuntos importantes para a literatura de hoje.

A conversa com os autores será mediada por Hiago Rodrigues, que relacionará as perguntas entre os convidados e a plateia, participando ativamente com perguntas e sugestões.

Ao fim do evento serão sorteados vários brindes pelos autores, que estarão à disposição para consultas, troca de experiências e autógrafos.

Um ótimo programa cultural para quem gosta não só de livros, mas da nova literatura que se faz presente em todos os públicos, por muitas linguagens e de várias formas, com autores para todos os gostos.

Dados do evento:
Data: Sábado – 02/04/2011
Horário: 15h às 17h
Local: Livraria Saraiva- Shopping Center Norte
A entrada é gratuita

Mais informações 11 3449 4366 selobrasileiro@gmail.com selobrasileiro.blogspot.com

Fonte:
Agência Literária AGL
Blog do Agente Literário

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Instituto do Livro abre inscrições para o “Prêmio Literário da 11ª Feira do Livro”

Foto Roberto Galhardo
Ribeirão Preto, 18 de Março de 2011

Instituto do Livro abre inscrições para o “Prêmio Literário da 11ª Feira do Livro”

O prêmio contemplará as categorias adulto e infantil.
Mais informações pelo site http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/

Visando o desenvolvimento e incentivo à leitura, a Fundação Instituto do Livro abre inscrições para o Prêmio Literário da 11ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, que será realizado nas categorias estudantil municipal (desenho, poema e conto), com o tema “O sonho é o avesso das coisas” e adulto, que será realizado em âmbito nacional, (crônica, conto e poema), com o tema “A Cegueira da Mente”.

As inscrições podem ser realizadas gratuitamente na Fundação Instituto do Livro de Ribeirão Preto, localizada na Casa da Cultura, no Alto do São Bento, s/nº.

A seleção será realizada por profissionais escolhidos pela comissão julgadora. O Prêmio Literário é uma realização da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, por meio das secretarias municipais da Educação e Cultura, Instituto do Livro, Fundação Feira do Livro e Academia Ribeirãopretana de Letras, com o apoio da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto, Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, União dos Escritores Independentes, Casa do Poeta e do Escritor, União Brasileira dos Trovadores, Ordem dos Velhos Jornalistas e Proyecto Cultural SUR/Brasil.

A 11ª edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto será realizada no período de 26 de maio e 5 de junho, e tem como atrações confirmadas os cantores Lobão e Ney Matogrosso e a escritora Lya Luft. A 11ª edição do evento tem como homenageados: Patrono: Maurílio Biagi Filho; País: Grécia; Estado: Santa Catarina; Autor: José Saramago; Autora Infantil: Luciana Savaget; Autor da terra: Saulo Gomes.

Mais informações pelo telefone (16) 3931-6004.

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Fonte:
Nilton Manoel.

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Lygia Fagundes Telles (Tigrela)

Encontrei Romana por acaso, num café. Estava meio bêbada mas lá no fundo da sua transparente bebedeira senti um depósito espesso subindo rápido quando ficava séria. Então a boca descia, pesada, fugidio o olhar que se transformava de caçador em caça. Duas vezes apertou minha mão, eu preciso de você, disse. Mas logo em seguida já não precisava mais, e esse medo virava indiferença, quase desprezo, com um certo traço torpe engrossando o lábio. Voltava a ser adolescente quando ria, a melhor da nossa classe, sem mistérios. Sem perigo. Fora belíssima e ainda continuava mas sua beleza corrompida agora era triste até na alegria. Contou-me que se separou do quinto marido e vivia com um pequeno tigre num apartamento de cobertura.

Com um tigre, Romana? Ela riu. Tivera um namorado que andara pela Ásia e na bagagem trouxera Tigrela dentro de um cestinho, era pequenina assim, precisou criá-la com mamadeira. Crescera pouco mais do que um gato, desses de pêlo fulvo e com listras tostadas, o olhar de ouro. Dois terços de tigre e um terço de mulher, foi se humanizando e agora. No começo me imitava tanto, era divertido, comecei também a imitá-la e acabamos nos embrulhando de tal jeito que já não sei se foi com ela que aprendi a me olhar no espelho com esse olho de fenda. Ou se foi comigo que aprendeu a se estirar no chão e deitar a cabeça no braço para ouvir música, é tão harmoniosa. Tão limpa, disse Romana, deixando cair o cubo de gelo no copo. O pêlo é desta cor, acrescentou mexendo o uísque. Colheu com a ponta dos dedos uma lâmina de gelo que derretia no fundo do copo. Trincou-a nos dentes e o som me fez lembrar que antigamente costumava morder o sorvete. Gostava de uísque, essa Tigrela, mas sabia beber, era contida, só uma vez chegou a ficar realmente de fogo. E Romana sorriu quando se lembrou do bicho dando cambalhotas, rolando pelos móveis até pular no lustre e ficar lá se balançando de um lado para outro, fez Romana imitando frouxamente o movimento de um pêndulo. Despencou com metade do lustre no almofadão e aí dançamos um tango juntas, foi atroz. Depois ficou deprimida e na depressão se exalta, quase arrasou com o jardim, rasgou meu chambre, quebrou coisas. No fim, quis se atirar do parapeito do terraço, que nem gente, igual. Igual, repetiu Romana procurando o relógio no meu pulso. Recorreu a um homem que passou ao lado da nossa mesa, As horas, as horas! Quando soube que faltava pouco para a meia-noite baixou o olhar num cálculo sombrio. Ficou em silêncio. Esperei. Quando recomeçou a falar, me pareceu uma jogadora excitada, escondendo o jogo na voz artificial: Mandei fazer uma grade de aço em toda a volta da mureta, se quiser, ela trepa fácil nessa grade, é claro. Mas já sei que só tenta o suicídio na bebedeira e então basta fechar a porta que dá para o terraço. Está sempre tão lúcida, prosseguiu baixando a voz, e seu rosto escureceu. O que foi, Romana?, perguntei tocando-lhe a mão. Estava gelada. Fixou em mim o olhar astuto. Pensava em outra coisa quando me disse que no crepúsculo, quando o sol batia de lado no topo do edifício, a sombra da grade se projetava até o meio do tapete da sala e se Tigrela estivesse dormindo no almofadão, era linda a rede de sombra se abatendo sobre seu pêlo como uma armadilha.

Mergulhou o dedo indicador no copo, fazendo girar o gelo do uísque. Usava nesse dedo uma esmeralda quadrada, como as rainhas. Mas não é mesmo extraordinário? O pouco espaço do apartamento condicionou o crescimento de um tigre asiático na sábia mágica da adaptação, não passava de um gatarrão que exorbitou, como se intuísse que precisava mesmo se restringir: não mais do que um gato aumentado. Só eu sei que cresceu, só eu notei que está ocupando mais lugar embora continue do mesmo tamanho, ultimamente mal cabemos as duas, uma de nós teria mesmo que… Interrompeu para acender a cigarrilha, a chama vacilante na mão trêmula. Dorme comigo, mas quando está de mal vai dormir no almofadão.

Deve ter dado tanto problema, E os vizinhos?, perguntei. Romana endureceu o dedo que mexia o gelo. Não tinha vizinhos, um apartamento por andar num edifício altíssimo, todo branco, estilo mediterrâneo, Você precisa ver como Tigrela combina com o apartamento. Andei pela Pérsia, você sabe, não? E de lá trouxe os panos, os tapetes, ela adora esse conforto veludoso, é tão sensível ao tato, aos cheiros. Quando amanhece inquieta, acendo um incenso, o perfume a amolece. Ligo o toca-discos. Então dorme em meio de espreguiçamentos, desconfio que vê melhor de olhos fechados, como os dragões. Tivera algum trabalho em convencer Aninha de que era apenas um gato desenvolvido, Aninha era a empregada. Mas agora, tudo bem, as duas guardavam uma certa distância e se respeitavam, o importante era isso, o respeito. Aceitara Aninha, que era velha e feia, mas quase agredira a empregada anterior, uma jovem. Enquanto essa jovem esteve comigo, Tigrela praticamente não saiu do jardim, enfurnada na folhagem, o olho apertado, as unhas cravadas na terra.

As unhas, eu comecei e fiquei sem saber o que ia dizer em seguida. A esmera(da tombou de lado como uma cabeça desamparada e foi bater no copo, o dedo era fino demais para o aro. O som da pedra no vidro despertou Romana que me pareceu, por um momento, apática. Levantou a cabeça e vagou o olhar pelas mesas repletas, Que barulho, não? Sugeri que saíssemos, mas ao invés da conta pediu outro uísque, Fique tranqüila, estou acostumada, disse e respirou profundamente. Endireitou o corpo. Tigrela gostava de jóias e de Bach, sim, Bach, insistia sempre nas mesmas músicas, particularmente na Paixão Segundo São Mateus. Uma noite, enquanto eu me vestia para o jantar, ela veio me ver, detesta que eu saia mas nessa noite estava contente, aprovou meu vestido, prefere vestidos mais clássicos e esse era um longo de seda cor de palha, as mangas compridas, a cintura baixa. Gosta, Tigrela? perguntei, e ela veio, pousou as patas no meu colo, lambeu de leve meu queixo, para não estragar a maquilagem, e começou a puxar com os dentes meu colar de âmbar. Quer para você?, perguntei, e ela grunhiu, delicada mas firme. Tirei o colar e o enfiei no pescoço dela. Viu-se no espelho, o olhar úmido de prazer. Depois lambeu minha mão e lá se foi com o colar dependurado no pescoço, as contas maiores roçando o chão. Quando está calma, o olho fica amarelo bem clarinho, da mesma cor do âmbar.

Aninha dorme no apartamento?, perguntei e Romana teve um sobressalto, como se apenas naquele instante tivesse tomado consciência de que Aninha chegava cedo e ia embora ao anoitecer, as duas ficavam sós. Encarei-a mais demoradamente e ela riu, Já sei, você está me achando louca, mas assim de fora ninguém entende mesmo, é complicado. E tão simples, você teria que entrar no jogo para entender. Vesti o casaco, mas tinha esfriado? Lembra, Romana?, eu perguntei. Da nossa festa de formatura, ainda tenho o retrato, você comprou para o baile um sapato apertado, acabou dançando descalça, na hora da valsa te vi rodopiando de longe, o cabelo solto, o vestido leve, achei uma beleza aquilo de dançar descalça. Ela me olhava com atenção mas não ouviu uma só palavra. Somos vegetarianas, sempre fui vegetariana, você sabe. Eu não sabia. Tigrela só come legumes; ervas frescas e leite com mel, não entra carne em casa, que carne dá mau hálito. E certas idéias, disse e apertou minha mão. Eu preciso de você. Inclinei-me para ouvir, mas o garçom estendeu o braço para apanhar o cinzeiro e Romana ficou de novo frívola, interessada na limpeza do cinzeiro, Por acaso eu já tinha provado leite batido com agrião e melado? A receita é facílima, a gente bate tudo no liquidificador e depois passa na peneira, acrescentou e estendeu a mão. O senhor sabe as horas? Você tem algum compromisso, perguntei, e ela respondeu que não, não tinha nada pela frente. Nada mesmo, repetiu, e tive a impressão de que empalideceu, enquanto a boca se entreabria para voltar ao seu cálculo obscuro. Colheu na ponta da língua o cubo diminuído de gelo, trincou-o nos dentes. Ainda não aconteceu mas vai acontecer, disse com certa dificuldade porque o gelo lhe queimava a língua. Fiquei esperando. O largo gole de uísque pareceu devolver-lhe algum calor. Uma noite dessas, quando eu voltar para casa o porteiro pode vir correndo me dizer, A senhora sabe? De algum desses terraços… Mas pode também não dizer nada e terei que subir e continuar bem natural para que ela não perceba, ganhar mais um dia. Às vezes nos medimos e não sei o resultado, ensinei-lhe tanta coisa, aprendi outro tanto, disse Romana esboçando um gesto que não completou. Já contei que é Aninha quem lhe apara as unhas? Entrega-lhe a pata sem a menor resistência, mas não permite que lhe escove os dentes, tem as gengivas muito sensíveis. Comprei uma escova de cerda natural, o movimento da escova tem que ser de cima para baixo, bem suavemente, a pasta com sabor de hortelã. Não usa o fio dental porque não come nada de fibroso, mas se um dia me comer sabe onde encontrar o fio.

Pedi um sanduíche, Romana pediu cenouras cruas, bem lavadas. E sal, avisou apontando o copo vazio. Enquanto 0 garçom serviu o uísque, não falamos. Quando se afastou, comecei a rir, É verdade, Romana? Tudo isso! Não respondeu, somava de novo suas lembranças e, entre todas, aquela que lhe tirava o ar: respirou com esforço, afrouxando o laço da echarpe. A nódoa roxa apareceu em seu pescoço. Desviei o olhar para a parede. Através do espelho vi quando refez o nó e cheirou o uísque. Riu. Tigrela sabia quando o uísque era falsificado, Até hoje não distingo, mas uma noite ela deu uma patada na garrafa que voou longe. Por que fez isso, Tigrela? Não me respondeu. Fui ver os cacos e então reconheci, era a mesma marca que me deu uma alucinante ressaca. Você acredita que ela conhece minha vida mais do que Yasbeck? E Yasbeck foi quem mais teve ciúme de mim, até detetive punha me vigiando. Finge que não liga mas a pupila se dilata e transborda como tinta preta derramando no olho inteiro, eu já falei nesse olho? É nele que vejo a emoção. O ciúme. Fica intratável. Recusa a manta, a almofada e vai para o jardim, o apartamento fica no meio de um jardim que mandei plantar especialmente, uma selva em miniatura. Fica lá o dia inteiro, a noite inteira, amoitada na folhagem, posso morrer de chamar que não vem, o focinho molhado de orvalho ou de lágrimas.

Fiquei olhando para o pequeno círculo de água que seu copo deixou na mesa. Mas Romana, não seria mais humano se a mandasse para o zoológico? Deixe que ela volte a ser bicho, acho cruel isso de lhe impor sua jaula, e se for mais feliz na outra? Você a escravizou. E acabou se escravizando, tinha que ser. Não vai lhe dar ao menos a liberdade de escolha? Com impaciência, Romana afundou a cenoura no sal. Lambeu-a. Liberdade é conforto, minha querida, Tigrela também sabe disso. Teve todo 0 conforto, como Yasbeck fez comigo até me descartar.

E agora você quer se descartar dela, eu disse. Em alguma mesa um homem começou a cantar ao gritos um trecho de ópera, mas depressa a voz submergiu nas risadas. Romana falava tão rapidamente que tive de interrompê-la, Mais devagar, não estou entendendo nada! Freou as palavras, mas logo recomeçou o galope desatinado, como se não lhe restasse muito tempo. Nossa briga mais violenta foi por causa dele, Yasbeck, você entende, aquela confusão de amor antigo que de repente reaparece, às vezes ele me telefona e então dormimos juntos, ela sabe perfeitamente o que está acontecendo. Ouviu a conversa.

Quando voltei estava acordada, me esperando feito uma estátua diante da porta, está claro que disfarcei como pude, mas é esperta, farejou até sentir cheiro de homem em mim. Ficou uma fera. Acho que eu gostaria de ter um unicórnio, você sabe, aquele lindo cavalo alourado com um chifre cor-de-rosa na testa, vi na tapeçaria medieval, estava apaixonado pela princesa que lhe oferecia um espelho para que se olhasse. Mas onde está esse garçom? Garçom, por favor, pode me dizer as horas? E traga mais gelo!

Imagine que ela passou dois dias sem comer, entigrada, prosseguiu Romana. Agora falava devagar, a voz pesada, uma palavra depois da outra com os pequenos cálculos se ajustando nos espaços vazios. Dois dias sem comer, arrastando pela casa o colar e a soberba. Estranhei, Yasbeck tinha ficado de telefonar e não telefonou, mandou um bilhete, O que aconteceu com seu telefone que está mudo? Fui ver e então encontrei o fio completamente moído, as marcas dos dentes em toda a extensão do plástico. Não disse nada mas senti que ela me observava por aquelas suas fendas que atravessam vidro, parede. Acho que naquele dia mesmo descobriu o que eu estava pensando, ficamos desconfiadas mas ainda assim, está me entendendo? Tinha tanto fervor…

Tinha?, perguntei. Ela abriu as mãos na mesa e me enfrentou: Por que está me olhando assim? O que mais eu poderia fazer? Deve ter acordado às onze horas, é a hora que costuma acordar, gosta da noite. Ao invés de leite, enchi sua tigela de uísque e apaguei as luzes, no desespero enxerga melhor no escuro e hoje estava desesperada porque ouviu minha conversa, pensa que estou com ele agora. A porta do terraço está aberta, essa porta também ficou aberta outras noites e não aconteceu, mas nunca se sabe, é tão imprevisível, acrescentou com voz sumida. Limpou o sal dos dedos no guardanapo de papel. Já vou indo. Volto tremendo para o apartamento porque nunca sei se o porteiro vem ou não me avisar que de algum terraço se atirou uma jovem nua, com um colar de âmbar enrolado no pescoço.

Fonte:
TELLES, Lygia Fagundes. Seminário dos ratos.

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II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria

Programação

17/03/2011

14h30 – Oficina “O cordel, suas manhas e mumunhas”
Com Sepalo Campelo

16h – “Literatura de cordel: o tempo é hoje! “
Como a literatura de cordel evoluiu e permanece viva como gênero literário e fragmento da cultura popular transitando entre o simbólico e a resignificação dos códigos.
Com Gonçalo Ferreira da Silva, Manoel Monteiro e Maria do Rosário de Fátima Pinto

18h30 – “Roda de cantoria” com Mestre Azulão

18/03/2011

14h30 – Oficina “A literatura de cordel, evolução e firmamento”
Com Mestre Campinense

16h – “Literatura de cordel, desafio e pelejas: o cordel na contemporaneidade”
Como a literatura de cordel se apropriou das novas formas de comunicação e fez material
para a divulgação de seu conteúdo e instrumento para o processo identitário nacional.
Com Dalinha Catunda, João Batista Mello e Ivamberto Albuquerque

18h30 – “Roda de cantoria” com Sergival e Chico Salles

19/03/2011

16h – Sessão plenária na sede da ABLC – Rua Leopoldo Froes, 37 – Santa Teresa
Homenagem ao poeta Manoel Monteiro, eleito o “cordelista do ano de 2010”

Serviço
“II Encontro com poetas populares e rodas de cantoria”
17 e 18 de março de 2011, a partir das 14h30
Auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro/CNFCP
Rua do Catete, 179 (metrô Catete), Rio de Janeiro, RJ

Realização
Academia Brasileira de Literatura de Cordel

Parceria
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular

Patrocínio
Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro

Informações
Setor de Difusão Cultural/CNFCP
21-2285-0441 / 0891, ramais 204 e 206
difusão.folclore@iphan.gov.br
www.cnfcp.gov.br

Academia Brasileira de Literatura de Cordel
Rua Leopoldo Fróes, 37 – Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ
21-2232-4801
encontro@ablc.com.br
www.ablc.com.br

Produção executiva: Fernando Assumpção
fernandosilvaassumpcao@yahoo.com.br

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Carnaval em Versos (Organização de Heloísa Crespo) Parte III

Organização: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ.
heloisacrespo@gmail.com
======

Sonia Vasconcelos

A vida, palco ilusório,
cada qual se faz artista…
E Momo em seu repertório,
agrada a perder de vista.

Carnaval: corso, confete,
serpentinas no ar, no chão…
Colombinas bem coquetes,
Arlequins em profusão!
==============
José Lucas de Barros

No desfile da avenida
já perdi a fantasia,
mas no carnaval da vida
sou folião da poesia.

Maria Virgínia Claudino

Nesses dias de folia
Todos podem se alegrar:
Quem brinca, quem fantasia,
Quem fica pra descansar…

Cidinha Frigeri.

Sim, abraços coloridos
de serpentinas envoltos,
nos salões bem construídos
com confetes bons e soltos…

Olympio Coutinho

No Carnaval, meus amores,
eu busco outros carinhos:
o remelexo das flores,
o canto dos passarinhos.

Carlos Augusto Souto de Alencar

Carnaval, festa bonita,
mas não custa sugerir:
não abuse da “birita”
se você vai dirigir.

José Fabiano

Em nossa vida normal,
não há muita hipocrisia?
É durante o carnaval
que se tira a fantasia…

Laérson Quaresma

Dos folclores da Nação,
este aqui não tem rival,
causando espanto, emoção:
“festança do Carnaval!”
===============

Amilton Maciel Monteiro
MINHA FANTASIA

Eu brinco o Carnaval só com você,
Vestida de cigana ou colombina;
Seu eu for com outro alguém, não sei por que,
O meu entusiasmo desafina!

A minha fantasia “démodé”,
De traje de capiau e até botina,
Espero não causar nenhum auê
Em meio dessa gente tão grã-fina!

Não consegui comprar meu abadá,
O uniforme caro dos baianos,
Se eu não for de caipira então não dá…

Com essa vestimenta já faz anos
Que eu brinco em quase todo Carnaval.
Tomara que você não leve a mal!
===================

Armonia Gimenes de Salvo Domingues
“QUANTO RISO, OH, QUANTA ALEGRIA”

Carnaval no interior. Quanta saudade!
Ainda menininha ganhava meu lança-perfume.
Só os amigos seriam batizados por ele,
Para os demais um lança água de cheiro
Desempenhava a função e era
Inofensivo para o bolso dos pais.

Hoje o instinto maléfico se soltou e desandou
A receita da inocência carnavalesca.
Agora lança-perfume adulterado
Faz ver o sol nascer quadrado.
Os palhaços pintavam o rosto e seu lado lúdico fazia rir.
Hoje são lobos travestidos de palhaços para tumultuar.

O tempo era mais honesto e paciente até com o pierrô
Entre “riso e alegria” ele relembra à sua colombina
“Foi bom te ver outra vez, está fazendo um ano,
Foi no carnaval que passou, eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou, meu amor…
Vou beijar- te agora, não me leve a mal, pois é carnaval”.

A delicadeza entre seres tão diferenciados
Só faz aumentar o respeito mútuo, o que se via
Até nos dias de Rei Momo de outrora,
Hoje os carnavais se prostituíram em bacanais.
Se fosse só saudosismo seria uma dor só do poeta,
Pena é que se tornou fatalidade.
======================

Nilton Manoel

O coroa num salão
faz o carnaval da vida;
e o jovem com emoção
quer a farra da avenida..

Meio-dia…quarta feira,
com os meus passos ranzinzas,
no trabalho, que canseira…
estou coberto de cinzas…
================

Paulo Walbach Prestes

Meu cordão da poesia
vai unido com o seu,
pelas trilhas da magia…
e no sonho de Orfeu.

Que saudade dos confetes,
serpentinas e pierrôs,
colombinas, marionetes,
das vovós e dos vovôs.

Fonte:
Heloisa Crespo

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 149 a 151)

Mensagens Poéticas n. 149

Uma Trova Nacional

As “cinzas” da quarta-feira
são prantos de Carnaval…
Quanta menina faceira
trocou o Bem pelo Mal!…
(HERMOCLYDES S. FRANCO/RJ)

Uma Trova Potiguar

Na passarela dos sonhos,
num desfile de magia,
passam pierrôs tristonhos,
num carnaval sem folia…
(MARIA CARRIÇO/RN)

Uma Trova “NÃO” Premiada

Fiz da vida um Carnaval,
mas terminei num impasse:
– A máscara do irreal
grudou-se na minha face!
(RENATO ALVES/RJ)

Uma Trova de Ademar

Quando o carnaval termina,
o que se vê pelas ruas
são jovens em cada esquina,
travestidas… Quase nuas!
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

O carnaval bem merece
o prêmio Nobel da paz,
pois nele a gente se esquece
das crises que o mundo traz.
(JORGE MURAD/RJ)

Simplesmente Poesia

– Henrique Marques/RJ –
QUARTA-FEIRA DE CINZAS.

E quando a Quarta-Feira enfim chegou
e em cinzas transformou toda a folia,
rasgou, despudorada, a fantasia
que tantos mascarados deslumbrou;

e quando a Quarta-Feira enfim chegou,
fingiu não ver o mais cinzento dia;
e, em meio à rua clara e tão vazia,
cantou marchinhas e canções de amor.

No corpo nu calou toda a tristeza:
deitou-se, doida de melancolia,
na cama de confetes da calçada.

Tigresa, fez da quarta-feira presa:
lançou-se, incontrolável, sobre o dia –
bebeu, sedenta e só, a madrugada.

Estrofe do Dia

Na quarta-feira de cinzas
como qualquer outro dia,
faço de rimas e versos
toda minha fantasia;
me visto de inspiração
pra ser mais um folião
no bloco da poesia!
(ADEMAR MACEDO/RN)

Soneto do Dia

– Elisabeth Souza Cruz/RJ –
POEMA DA APOTEOSE.

Tem gente que se diz carnavalesca
pensando no vestir da fantasia…
Há gente com ideia gigantesca
de mascarar a dor numa folia…

Outras existem, de ilusão dantesca,
às margens de uma suposta euforia,
não indo além da gula romanesca
de saciar o sonho por um dia…

O Carnaval, não mais de antigamente,
anda mesclado de prazer urgente,
com gente que não tira os pés do chão!

Mas Carnaval não tem dia nem mês…
é aquele em que se perde a sensatez
na apoteose de uma inspiração!

Mensagens Poéticas n. 150

Uma Trova Nacional

O tamanho dos abismos
que puseste em nossas vidas,
não se mede em algarismos,
mas em lágrimas vertidas.
(ADAMO PASQUARELLI/SP)

Uma Trova Potiguar

Necessária é a cultura
no enriquecer da nação;
irmã gêmea da ventura
bandeira do cidadão!
(ADELANTHA S. DANTAS/RN)

Uma Trova Premiada

2010 > Vaxias do Sul/RS
Tema > TRILHO > Venc.

Penso que assim como os trilhos
levam e trazem o trem,
o pai conduz os seus filhos
pelo caminho do bem.
(CLÊNIO BORGES/RS)

Uma Trova de Ademar

Para você sepultar
as mágoas do dia-a-dia,
não precisa se drogar,
use a Trovaterapia!…
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

Quem se julga eterno herdeiro
de um mundo farto e bizarro,
esquece que Deus – o Oleiro –
cobra o retorno do barro.
(ALONSO ROCHA/PA)

Simplesmente Poesia

– Efigênia Coutinho/SC –
CAFÉ DA MANHÃ.

Quem será este poeta
que perpassa pelo caminho,
fazendo minha alma dileta
e me afaga com tanto carinho?

Quem será este poeta
que na manhã meus lábios beija,
e em sua calma me oferta
a doçura de sua alma adeja?

Será só o desejo que alimenta
esta sua alma lisonjeira,
que faz do amor vestimenta
deixando-me a sonhar faceira?

E a sonhar pela madrugada
ponho da brandura o fino véu,
e sob a bela manhã ensolarada
elevo o teu nome ao céu!…

Estrofe do Dia

Essa palavra saudade
conheço desde criança,
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança,
saudade só é saudade
quando morre a esperança.
(PINTO DO MONTEIRO/PB)

Soneto do Dia

– Gilmar Leite/PE –
ALMA DISSONANTE.

Cada verso só torna-se nobreza
quando as cores sagradas da poesia,
mostram a alma do vate na grandeza
das ações do caráter todo dia.

Nada vale as palavras de beleza
se os atos não têm a fidalguia,
pois se perdem na vala da pobreza
onde a luz da virtude é bem vazia.

O sentido poético perfeito
tem que ser da verdade e do respeito,
através da bondade e coerência.

Sem os frutos da ética constante
cada verso se mostra dissonante,
que não diz do poeta a existência.

Mensagens Poéticas n. 151

Uma Trova Nacional

Em minha varanda, a sós,
vendo os ganchos na parede,
eu choro a falta dos nós
que amarravam nossa rede!
(DOMITILLA BORGES BELTRAME/SP)

Uma Trova Potiguar

Muitos, dizem, pertencer,
as castas da cristandade;
mas mantém, no proceder,
presunção e má vontade…
(PEDRO GRILO/RN)

Uma Trova Premiada

2010 > São Paulo-Assinantes/SP
Tema > DESEJO > Venc.

Quando o desejo desponta
e a razão tenta se opor,
eu brinco de faz de conta
e levo em frente esse amor!
(RITA MOURÃO/SP)

Uma Trova de Ademar

Sou qual folha de papel
usada como rascunho
nos versos de um menestrel
escritos de próprio punho.
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

Minha vida é penitência
na balança de dois braços:
farturas da tua ausência
e ausência dos teus abraços!
(CARMEN OTTAIANO/SP)

Simplesmente Poesia

– Sergio Augusto Severo/RN –
EM-CANTO POTYGUAR.

Fui para longe do Mar,
me afastei da minha Terra
e do Encanto que se encerra
numa Mulher Potiguar.
Fui conhecer nos confins
das plagas interioranas,
belas Mineiras… Goianas,
e as Moças do Tocantins.
Mas, “sem levantar querelas”,
afirmo, nenhuma delas,
me encantou de um modo tal…
Pela graça irrequieta,
pela proporção correta:
-As “Meninas” de NATAL!

Estrofe do Dia

Eu nasci no interior,
Lá vivi com muito gosto.
Correndo pela campina
Sentindo vento no rosto
Hoje morro de saudade
Pois vivendo na cidade
É bem grande meu desgosto.
(DALINHA CATUNDA/CE)

Soneto do Dia

– Thama Tavares/SP –
SONETO DA AMIZADE.
(Para Lisete, Delcy e Divenei)

Eis que a vida me deu grandes riquezas!…
Não me refiro à prata nem ao ouro,
mas a amigos que tive nas tristezas,
que são ainda o meu maior tesouro.

São amigos no incerto e nas certezas,
no efêmero e também no duradouro,
que sabem perdoar minhas fraquezas,
e rir e ser na dor ancoradouro.

Assim, quando eu partir para o outro lado
após pagar, talvez, algum pecado
recobrarei a paz na consciência…

Mas lá, no Céu, serei quem nunca dorme,
só por velar, numa saudade enorme,
os amigos que fiz nesta existência.

Fonte:
Ademar Macedo
9, 10 e 11 de Março

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 145 a 148)

Mensagens Poéticas n. 145

Uma Trova Nacional

Se entre guizos, eu componho
meu disfarce de Arlequim,
há sempre um Pierrô tristonho,
que chora dentro de mim!
(CAROLINA RAMOS/SP)

Uma Trova Potiguar

Surdo, cuíca e pandeiro,
usando esse arsenal,
mostra para o mundo inteiro,
o Brasil, seu carnaval.
(HÉLIO PEDRO/RN)

Uma Trova “NÃO” Premiada

A máscara colorida,
de uma forma original,
transformou a minha vida
num eterno carnaval.
(MARIA NASCIMENTO/RJ)

Uma Trova de Ademar

Aquele amor sem fronteira
no carnaval de nós dois,
durou até quarta-feira
e virou cinzas… Depois.
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

A fantasia acabou…
Joguei a máscara a esmo,
e, da farsa, o que restou:
– eu, palhaço de mim mesmo!
(NÁDIA HUGUENIN/RJ)

Simplesmente Poesia

– Mena Moreira/MG –
SONHO DE CARNAVAL.

No carnaval ,
quero tirar a máscara
me despir da fantasia de palhaço
que exibo o ano inteiro!
Quero, de cara limpa,
cair na folia
viver a alegria
dos três dias !
Quero esquecer que sou palhaço
de uma sociedade massificada
de valores deturpados
verdades mascaradas
sentimentos massacrados
pessoas manuseadas …
No carnaval ! ? …
Quero esquecer tudo isso…
Me abrir em sorriso
afinal , pelo menos três dias,
ser feliz é preciso !…

Estrofe do Dia

Nos Carnavais sempre eu sofro
do princípio até o fim,
pois sou aquele palhaço
travestido de arlequim
e envolto na multidão
sinto um mundo de ilusão
sambando dentro de mim…
(ADEMAR MACEDO/RN)

Soneto do Dia

– Milton Souza/RS –
CARNAVAL TRISTE.

No Carnaval, como em meus tantos carnavais,
brinco, em silêncio, com as minhas fantasias…
Relembro sonhos, que já não existem mais,
pinto, com eles, as minhas horas vazias…

Noites tão longas, bem mais longas do que os dias,
horas que passam, sempre, devagar demais.
E estas lembranças, tão tristonhas e tão frias,
sempre gritando, em meus ouvidos, “nunca mais”…

E o “nunca mais” carrega em tudo o teu jeitinho,
beijos e abraços, recheados de carinho,
dos carnavais onde brilhava o nosso amor.

Deus te levou para morar na eternidade,
fiquei perdido, no meio desta saudade,
meu Carnaval agora é só tristeza e dor…

Mensagens Poéticas n. 146

Uma Trova Nacional

É carnaval… e em meu peito
qual um sagaz folião,
brinca o meu sonho desfeito
nas alas da solidão…
(GISELDA MEDEIROS/CE)

Uma Trova Potiguar

Carnaval, festa profana,
para qualquer mulheraço!
Quem pega forte na cana
finda perdendo o bagaço…
(FRANCISCO MACEDO/RN)

Uma Trova de Ademar

O Carnaval irradia
prazeres aos foliões,
mas o melhor da folia
é nos nossos corações!
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

No carnaval desta vida,
ou por graça ou por maldade,
a Mentira anda vestida
com a nudez da Verdade!
(ARCHIMINO LAPAGESSE/SC)

Simplesmente Poesia

– Pinhal Dias/PORTUGAL
O CARNAVAL.

O seu viver
é de reflexão…

O Carnaval
vem sempre bem vestido,
d’uma farsa
«Tradicional».
Admite estar rodeado
por esse Carnaval,
que lhe é assistido
por 365 dias…
Diariamente é confrontado
com todo o tipo de máscaras,
do político, económico, social
e com desgaste na saúde.
Basta!!!
Chegou o tempo de serem
todos desmascarados…

Estrofe do Dia

Neste carnaval, espero,
que brinque com sensatez
e abraçar todos vocês
na quarta, é o que mais eu quero;
eis meu pedido sincero
que faço e não volto atrás,
gosto de você demais,
se for dirigir, não beba,
de Deus a graça receba,
tenha um carnaval de paz.
(FRANCISCO JOSÉ PESSOA/CE)

Soneto do Dia

– Sergio Augusto Severo/RN –
MEUS NOVOS CARNAVAIS.

Ontem chegou um Novo Carnaval,
Mais um Tríduo Momesco que inicia.
eu que sempre vesti a Fantasia,
fui revelar-me Nu, ao natural.

E sendo eu, saudoso Folião,
dos Carnavais de Corso, na Avenida,
(A “Rio Branco” a minha preferida),
me preparei, de bengala na mão.

E não “banquei” o “Bat Masterson”.
O “toc” da bengala deu o tom
da minha claudicante alegria.

Ao repuxar da perna (Um “AVC”),
sem imitar o “Saci-Pererê”,
eu, num pé só, pulei…sem Fantasia!

Mensagens Poéticas n. 147

Uma Trova Nacional

O morro grita o seu nome
num frenesi sem igual
e vai sambando com fome
a deusa do carnaval!
(FERNANDO CÂNCIO/CE)

Uma Trova Potiguar

Carnaval – Festa do povo,
dos prazeres, da folia…
Foliões buscam de novo
reviver sua alforria!…
(JOAMIR MEDEIROS/RN)

Uma Trova “NÃO” Premiada

De sábado a terça-feira
cai na folia o país…
Diverte-se a pátria inteira,
sem medo de ser feliz!
(A. DE ASSIS/PR)

Uma Trova de Ademar

Carnaval é uma alforria
para quem tem depressão;
quatro dias de alegria
de frevo e de diversão.
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

No carnaval de verdade,
da vida não tive nada…
– Quem dera a felicidade,
nem que fosse mascarada!
(J. G. DE ARAÚJO JORGE/AC)

Simplesmente Poesia

– Roberto P. Acruche/RJ –
MEU CARNAVAL.

Você foi meu carnaval
meu folguedo
minha folia
minha festa
minha alegria
nunca houve nada igual.
Oh… Saudade!…
Daquele tempo que não volta mais.
Coração de morena,
onde está você?
Que vontade de te ver!…
Você foi meu carnaval!
Meu sonho
meu samba
minha fantasia
a mais brilhante e colorida
a mais bela da minha vida
nunca houve outra igual.

Estrofe do Dia

Dancei forró na latada,
Vi vale, vi serrania,
na lida da apartação
esbanjei muita alegria.
Mas, a minha fantasia
era de couro, o gibão,
e o meu cavalo alazão
entrando no matagal,
fazia o meu carnaval
nas quebradas do sertão.
(MARCOS MEDEIROS/RN)

Soneto do Dia

– Darly O. Barros/SP –
UMA VEZ SAMBISTA…SEMPRE SAMBISTA.

Se o sangue ferve e a pele se arrepia,
ao som da Escola, em novo samba-enredo,
sem mais rodeios, veste a fantasia
e a máscara, que é bom guardar segredo!

Esquece os males, entra na folia,
que é tempo de alegria e de folguedo,
só não te atrases, nossa bateria
vai esquentar seus tamborins mais cedo!

Quero te ver de novo na Avenida,
suada, sorridente, enrouquecida,
rememorando antigos carnavais,

e então, findo o desfile, em plena rua,
te ver sambando, ainda, à luz da lua,
com a alma leve e um ar de quero mais!

Mensagens Poéticas n. 148
TROVAS PARA O DIA DA MULHER

Uma Trova Nacional

Vêm as rugas…e, no entanto,
a mulher não se intimida.
A perda externa do encanto
não desencanta uma vida!
(EDMAR JAPIASSU MAIA/RJ)

Uma Trova Potiguar

Minha mulher reza tanto
aos pés de nosso senhor;
que eu vou precisar ser santo
pra merecer seu amor.
(JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN)

Uma Trova Premiada

1965 > Nova Friburgo/RJ
Tema > MULHER > 1º Lugar.

No dia em que tu quiseres
ser meu senhor e meu rei,
serei todas as mulheres
na mulher que te darei.
(NYDIA IAGGI MARTINS/RJ)

Uma Trova de Ademar

Deus demonstrando poder,
quando a mulher engravida,
transforma a dor em prazer
na celebração da vida.
(ADEMAR MACEDO/RN)

…E Suas Trovas Ficaram

Não há poeta ou pintor,
nem outro artista qualquer,
que enalteça com rigor
a perfeição da Mulher.
(ALYDIO C. SILVA /MG)

Simplesmente Poesia

– Vinícius de Moraes/RJ –
A MULHER QUE PASSA.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Estrofe do Dia

Sou Poeta e Trovador,
penso igual a todo vate:
em mulher nunca se bate
nem mesmo com uma flor!
Pra mulher eu dou amor
ponho rosa em seu caminho
escrevo num pergaminho
que é pra poder lhe avisar:
– no dia que eu me zangar
Mato você… de carinho.
(ADEMAR MACEDO/RN)

Soneto do Dia

– Divenei Boseli/SP –
A MULHER QUE EU CONHEÇO.

Conheço uma mulher e as mágoas que a consomem,
dos tempos celestiais, dourada fantasia
que a fez vivenciar efêmera alegria
nos braços infernais do seu primeiro homem.

Excêntrica mulher (que por leviana a tomem),
foi virgem que cedeu à primeira ousadia,
se fez esposa e mãe, mulher com galhardia,
uma leoa, enfim! (Se bem que alguns a domem…)

Excelso querubim, foi quase meretriz,
sem nunca rejeitar o pão que Deus lhe deu,
sem nunca se curvar àquilo que não quis!

E agora, rumo ao fim, pôs fel no que escreveu,
mesclando o casto mel de quem quer ser feliz…
Conheço essa mulher… Essa mulher sou eu!

Fonte:
Ademar Macedo
5,6,7 e 8 de Março

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Cecília Meirelles (Romanceiro da Inconfidência)

Romanceiro da Inconfidência é uma coletânea de poemas da escritora brasileira Cecília Meireles, publicada em 1953, que conta a História de Minas dos inícios da colonização no século XVII até a Inconfidência Mineira, revolta ocorrida em fins do século XVIII na então Capitania de Minas Gerais.

Em 85 “romances”, mais quatro “cenários” e outros de prólogo e êxodo, Cecília evoca primeiro a escravidão dos africanos na região central do planalto em episódios da exploração do ouro e dos diamantes no século 18; logo o centro da coletânea é dedicado ao destino dos heróis da chamada “Inconfidência Mineira” – Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga, sua noiva e amada Marília de Dirceu bem como de outras figuras históricas implicadas no acontecimento, como D. Maria I a louca, na altura Rainha de Portugal.

Mais lírica do que narrativa, a obra assume o lado dos derrotados (transformados depois em heróis da Independência do Brasil) denunciando o sistema colonial que favorece a exploração dos desvalidos:
A terra tão rica
e – ó almas inertes! –
o povo tão pobre…
Ninguém que proteste!
(…) (in: Do animoso Alferes, Romance XXVII)

Estes branquinhos do Reino
nos querem tomar a terra:
porém, mais tarde ou mais cedo,
os deitamos fora dela
. (in: ‘Do sapateiro Romance XLII)

A reinterpretação da história serve no entanto de ponto de partida para uma reflexão filósofica e metafísica sobre a condição humana. Surgindo Tiradentes como um avatar de Cristo e sofrendo o sacrifício do bode expiatório, ele se torna num redentor do Brasil, que abriria a nova era da liberdade. “Construindo com o Romanceiro da inconfidência um mosaico em que cristalizariam vibrações captadas na terceira margem da memória coletiva, Cecília consolidava uma teia de mitos suscetíveis de fortalecer o sentimento da identidade brasileira“(Uteza, 2006 : p. 294).

Podemos dividir os fatos que compõem o Romanceiro em três partes ou ciclos:

a) ciclo do ouro;

b) ciclo do diamante;

c) ciclo da liberdade ou inconfidência com sua ascensão e queda.

Aí parece haver uma gradação proposital: ouro/diamante/liberdade.

Como o ouro e o diamante, a liberdade brilhou intensamente nas Minas Gerais, mas como o ouro e o diamante, a liberdade só trouxe desgraças, masmorras e mortes….

a) Ciclo do ouro

O cenário colocado para o ciclo do ouro prenuncia também o ciclo da liberdade, no qual “a mão do Alferes de longe acena” como a querer dizer:

Adeus! que trabalhar vou para todos!…

Mas essa mão que acena à liberdade e ao homem livre será enforcada mais tarde. Por enquanto, vejamos o alvorecer do ouro que vai brilhar intensamente nas Minas Gerais, despertando a cobiça e ganância dos homens e, quem sabe, o sonho de liberdade dos inconfidentes que nasceria também do ouro da terra.

Descobre-se o ouro e, por causa dele, o homem vai matando animais, pessoas, florestas e tudo que lhe atravessa o caminho. Desbrava-se a mata. Surgem montanhas douradas de ouro e de cobiça que despertam uma verdadeira alucinação:

Selvas, montanhas e rios
estão transidos de pasmo.
É que avançam, terra adentro,
os homens alucinados.

(Romance I)

E gerações e mais gerações de netos afundariam nesse abismo:

Que a sede de ouro é sem cura,
e, por ela subjugados,
os homens matam-se e morrem,
ficam mortos, mas não fartos. (ib .ib)

Como o ouro que brota da terra, brotam também “as sinistras rivalidades”, ladrões e contrabandistas, – um clima de intranqüilidade:

todos pedem ouro e prata,
e estendem punhos severos,
mas vão sendo fabricadas
muitas algemas de ferro.

(Romance II)

E por amor, pelo ouro, uma donzela é assassinada pela mão de seu pai. O ouro não permitia que a donzela acenasse a enasse a um amor “de condição desigual” o seu lencinho” de sonho e sal”

Surge Felipe dos Santos, que assanha a fúria do Conde de Assumar. É morto e esquartejado, mas o herói que tomba no Arraial do Ouro Podre ficará como exemplo perene de força e de coragem para os que virão.

O tirano conde haveria de chorar porque quem ri, chora também. O Brasil ainda era criança – um “menino” apenas. Nasceriam outros como Felipe dos Santos:

Dorme, meu menino, dorme,
– que Deus te ensine a lição
dos que sofrerem neste mundo
violência e perseguição
Morreu Felipe dos Santos;
outros, porém, nascerão.

(Romance V)

Cria-se o quinto do ouro, cobrado a ferro e fogo: a Coroa precisava de ouro. Há logros: D. Rodrigo César e Sebastião Fernandes enviam para a coroa caixotes selados com “grãos de chumbo” em vez de grãos de ouro.

Ai, que o Monarca procura
os que vão ser castigados.

E o “quinto falsificado” se tornaria o décuplo de forcas e degredos para a dourada colônia! Pela madrugada fria, rompe o canto do negro no serviço de catar o ouro, enquanto o patrão dorme e sonha. O negro pena e chora, canta e ri na saudade da serra, na imensidão da terra. E na sua vida escrava, ele erra sem terra, sem serra, sem nada:

(Deus do céu, como é possível!
penar tanto e não ter nada!)

(Romance VII)

O ouro lhe tiraria o “t” da terra e o “s” da serra e ele erra cativo, sem liberdade, com os elos de ferro da escravidão…

Mas o ouro que brotava da terra não cativara apenas o preto, como Chico, que também já fora rei “lá na banda em que corre o Congo”: também os brancos foram atirados naquela lama que alimentava a ganância de reis e rainhas:

Hoje, os brancos também, meu povo,
são tristes cativos.

(Romance VIII)

Santa Ifigênia, princesa núbia, protetora dos negros, desce às minas “vira-e-sai”, depois de amenizar o sofrimento deles.

As pessoas, por causa do ouro, iam-se embrutecendo: movido pelo ódio, um contratador, quase assassinou um ouvidor, dentro de uma igreja, porque este, enamorado, arremessara uma flor a uma donzela.
Os filhos do almotacé (inspetor de pesos e medidas), sete crianças, rezam diante de Nossa Senhora da Ajuda. Joaquim José é uma delas.

As crianças pedem à Virgem que o salve “do triste destino que vai padecer”. Será em vão. A virgem não poderá atendê-los, mesmo sendo crianças. Mais forte do que um pedido de criança é o destino traçado para um homem! Mesmo sendo seis e irmãos do sentenciado!

(Lá vai um menino
entre seis irmãos.
Senhora da Ajuda,
pelo vosso nome,
estendei-lhe as mãos!)

(Romance XII)

O pedido agora (entre parênteses) é da poetisa à Virgem. Não será atendida: mais forte do que o pedido de um poeta é o destino traçado para um homem!

Mas, por enquanto, reina a bonança: “os tempos são de ouro”. A tempestade virá depois, em 1792, com a execução.

Antes de chegar a forca, porém, outro metal brilhará intensamente nas Minas Gerais: os diamantes do Tejuco, depois Diamantina.

b) Ciclo do diamante

Continua a corrida alucinante. Agora é a vez do diamante nas regiões do Serro Frio e do Tejuco, onde vive o contratador João Fernandes, “dono da terra opulenta”.

Chega às suas terras, com o fim de persegui-lo, o Conde de Valadares, homem enganoso e fingido. Hospeda na casa de João, que lhe abre a casa e o coração das mulatas, menos o de Chica da Silva. Sua riqueza é imensa e o fingido conde suspira de cobiça:

Deste tejuco não volto
sem ter metade das lavras,
metade das lavras de ouro,
mais outro tanto das catas;
sem meu cofre de diamantes,
todos estrelas sem jaça,
– que para os nobres do Reino
é que este povo trabalha!

(Romance XIII)

O romance XIV apresenta Chica da Silva no seu império de luxo, resplandecente de ouro e diamante. Comparada à rainha de Sabá, ela tinha mais brilho que Santa Ifigênia, a princesa núbia, em dias de festa:

(Coisa igual nunca se viu.
Dom João Quinto, rei famoso,
não teve mulher assim!)

Vendo o conde tão interessado pelo João, Chica cisma nessa falsa amizade e previne a João Fernandes:

Hoje, todo o mundo corre,
Senhor, atrás de riqueza.
(Romance XV)

Dito e feito: o conde, traindo a hospedagem de João Fernandes, leva-o preso, como Chica da Silva pressentira.

É a ambição do ouro (ou do diamante, que é sempre a mesma coisa) que a todos embriaga e corrói:

Maldito o conde, e maldito
esse ouro que faz escravos,
esse ouro que faz algemas,
que levanta densos muros
para as grades das cadeias,
que arma nas praças as forças,
lavra as injustas sentenças,
arrasta pelos caminhos
vítimas que se esquartejam!

(Romance XVII)

Os velhos do Tejuco, na sua experiência, pensam com a amargura na “febre que corta o Serro Frio”. João Fernandes, que até então era senhor opulento, fora levado num navio “igual a um negro fugido”, o que dá margem a esta reflexão da autora:

(Que tudo acaba!
Quem diz que montanha de
ouro não desaba?)

(Romance XVIII)

Acabara-se o tempo de João Fernandes e de Chica da Silva, cravejada de brilhantes. Mas:

Sobre o tempo vem mais tempo.
mandam sempre os que são grandes:
e é grandeza de ministros
roubar hoje como dantes
vão-se as minas nos navios…
Pela terra despojada,
ficam lágrimas e sangue.

(Romance XIX)

Mas o ouro e o diamante, que brilharam tão intensamente nas Minas Gerais, eram apenas prenúncio de um brilho maior. Um sonho milenar, um ideal de um sol que despertaria – o sol da liberdade que a todos iluminaria e que nem rei nem rainha, por mais despóticos que sejam, podem tirar do homem!

Não importa que haja eclipses de vez em quando: o sol sempre volta a brilhar depois de um eclipse…

c) Ciclo da liberdade

A poesia apresenta o cenário onde vão se desenrolar os fatos: enumeração, sobretudo, dos lugares e fixação na névoa que chega às ruas, move a ilusão de tempo e figuras e que trará, fatalmente, o pranto e a saudade:

A névoa que se adensa e vai formando
nublados reinos de saudade e pranto.

O “país da Arcádia”, sediado na Vila Rica de outrora (Ouro Preto), com seus pastores e rebanhos, Nises, Marílias e Glauceste não passou de um ideal na literatura.

Pelos céus, nuvens negras de ódio e ambições ameaçam a doutorada terra de Ouro Preto: uma “nuvem de lágrimas” está prestes a desabar sobre “o país da Arcádia” – a “pastoral dourada”:

O país da Arcádia,
súbito, escurece,
em nuvem de lágrimas.
Acabou-se a alegre
pastoral dourada:
pelas nuvens baixas,
a tormenta cresce.

(Romance XX)

E a Arcádia serena ficava cada vez mais carregada: agitação, correrias, ódio, ambições, países que se libertam, “a Europa a ferver em guerras”. Portugal com uma rainha louca:

– um imenso tumulto humano.

As idéias fervilhavam as mentes de padres e poetas. Mas, por trás das janelas, ouvidos que escutam…

O país da Arcádia estava carregado de “idéias”.

Um príncipe que morre, filho de D. MariaI, a rainha louca, em 1788, é também uma esperança que morre. Nas exéquias do príncipe, muita agitação. Alguma coisa está sendo tramada – “já ninguém quer ser vassalo” e:

A palavra Liberdade
vive na boca de todos:
quem não a proclama aos gritos,
murmura-a em tímido sopro.

(Romance XXIII)

Com pouco mais surgirá a bandeira da liberdade…

“Atrás de portas fechadas”, os líderes de “fardas e casacas (= militares, poetas), junto com batinas pretas” discutem e planejam a inconfidência. A bandeira com seu lema é escolhida e há um sobressalto, quando se fala em liberdade:

E os seus tristes inventores
já são réus – pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja),
Liberdade – essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)

(Romance XXIV)

Por causa dessa palavra – espinha dorsal do homem de todos os tempos – um rio de sangue está iminente: uma carta anônima que se recebeu “fala de rios propínquos / rios de lágrimas e sangue / que vão correr por aqui”.

E na “semana santa de 1789”, enquanto na França a liberdade rompia os grilhões da Bastilha, nas terras douradas de Minas, a mesma idéia se fermentava para ser depois enforcada, na pessoa de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes:

Deus, no céu revolto,
seu destino escreve.
Em baixo, na terra,
ninguém o protege;
é o talpídeo , o louco,
– o animoso Alferes.

(Romance XXVII)

Mas “no grande espelho do tempo”, a poetisa vê também “o impostor caloteiro” Joaquim Silvério :

(quem em tremendos labirintos
prende os homens indefesos
e beija os pés dos ministros!)

(Romance XXVIII)

No “riso dos tropeiros” está colocado um aspecto de Tiradentes que a tradição confirma (inclusive um lira de Gonzaga), a loucura, pois:

falava contra o governo,
contra as leis de Portugal.

(Romance XXX)

Sem dúvida, essa loucura deve ser entendida de outra forma: a audácia de um homem que se levanta, sem força e sem armas, contra um governo despótico e tirânico. É o que parece querer dizer a poetisa, no Romance XXXI:

(Pobre daquele que sonha
fazer bem – grande ousadia –
quando não passa de Alferes
de cavalaria!)

É certamente por isso que “o povo todo seria”, porque o povo nunca ri sem razão…
Aliás, neste sentido, é preciso também o depoimento do “cigano que viu chegar o Alferes”, quando diz no Romance XXXIII:

(Fala e pensa como um vivo,
mas deve estar condenado.
Tem qualquer coisa no juízo,
mas em ser um desvairado.)

o Romance XXXIV, confrontando o delator Joaquim Silvério com Judas, a escritora conclui que aquele levou a melhor, pois ele (Judas) encontra remorso / coisa que não te (= a Silvério) acontece.

Fechando o romance, entre parênteses, há uma reflexão poética profunda, quando fala da “força de vermes”, ou seja, dos delatores, dos maus, enquanto os bons apenas “sonham”.

(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens
e a surda força dos vermes.)

Aliás, é o que ocorre também no romance “do suspiroso Alferes”, onde há, igualmente, um lamento profundo sobre o comodismo do homem face à situação que o envolve:

(Todos querem liberdade,
mas quem por ela trabalha?)
(O humano resgate custa
pesadas carnificinas!
Quem more, para dar vida?
Quem quer arriscar seu sangue?)

E é exatamente esse comodismo, dos bons que é a força dos maus, dos traidores, dos déspotas da liberdade:

Mas os traidores labutam
nas funestas oficinas:
vão e vêm as sentinelas
passam cartas de denúncia…

Na “noite escura” de 10 de maio de 1789, prenderam o Tiradentes com seus pensamentos de liberdade. Há um lamento profundo de desespero e dor por estar sozinho na luta pela liberdade:

Minas da minha esperança,
Minas do meu desespero!
Agarram-me os soldados,
como qualquer bandoleiro.
Vim trabalhar para todos,
e abandonado me vejo.
Todos tremem. Todos fogem.
A quem dediquei meu zelo?

(Romance XXXXVII)

E o medo e a ansiedade se espalham por toda Minas Gerais. No fim do mesmo maio, prendem os outros suspeitos:

Andam as quatro comarcas
em grande desassossego:
vão soldados, vêm soldados;
tremem os brancos e os negros.
Se já levaram Gonzaga
e Alvarenga, mas Toledo!
Se a Cláudio mandam recados
para que se esconda a tempo!

Outros implicados menores vão sendo presos. Há “conversas indignadas” – há também “testemunha falsa”. Há até mesmo um “embuçado” envolto em panos e mistério que pretende salvar o poeta Cláudio Manuel da Costa.

Mas todos terão seu fim.
O padre Rolim, famoso por suas safadezas, estava na iminência de ser preso. O problema era determinar o seu crime, já que, além da suspeita de inconfidente, era culpado também, segundo o falatório:

por ter arrombado a mesa
de um juiz, em certa devassa;
por extravio de pedras;
por causa de uma mulata;
por causa de uma donzela;
por uma mulher casada.

(Romance XLV)

Mas o padre, que não era nada bobo, enquanto as autoridades discutiam a sua prisão, “pulando cercas e muros”, fugiu, levando consigo os seus sete pecados ou setenta -e sete…

Nos “seqüestros” das casas e bens, “tudo é visto e resolvido” pelos executores da lei, havia de tudo, até mesmo:

as sugestões perigosas
de França e Estados Unidos
Mably, Voltaire e outros tantos,
que são todos libertinos…

(Romance XLVII)

Antes de prosseguir no trabalho de dar fim aos inconfidentes, a autora interrompe a narrativa para fazer uma belíssima reflexão na Fala aos Pusilânimes, na qual condena os que não tiveram a coragem, a audácia de acender o pavio da chama da liberdade; os que sonharam e deixaram que seus sonhos fossem pelos espaços infindos, como bolhas etéreas…

Mas o fenômeno é eterno e universal – a estirpe dos pusilânimes sempre existiu e existirá na face da terra:

– só por serdes os pusilânimes,
os da pusilânime estirpe,
que atravessa a história do mundo
em todas as datas e raças,
como veia de sangue impuro
queimando as puras primaveras,
enfraquecendo o sonho humano
quando as auroras desabrocham!

E a liberdade que foi traída pela pusilanimidade dos que sonhavam com ela ficará gravada nos “céus eternos” como um eco sombrio que chama ao ajuste de contas e à condenação eterna:

O vós, que não sabeis do Inferno,
olhai, vinde vê-lo, o seu nome
é só – PULSILANIMIDADE.

mistério paira sobre o fim do poeta Cláudio, que é também a versão da história. Suicídio? Fuga? Rapto? – As dúvidas parecem justificáveis: Cláudio era secretário do governo e afilhado de João Fernandes. Daí o interesse por livrá-lo da masmorra e do desterro.

De qualquer modo paira o mistério:

Entre esta porta e esta ponte,
fica o mistério parado.
Aqui, Glauceste Satúrnio ,
morto, ou vivo disfarçado,
deixou de existir no mundo
em fábula arrebatado.

(Romance XLIX)

Tomás Antônio Gonzaga, o Dirceu da Marília, também tem fim sombrio na masmorra da Ilha das Cobras, interrompendo, assim, o enxoval de Maria Dorotéia (Marília) de quem era noivo.

Depois foi desterrado para as terras da África negra (Moçambique), onde se casa com Juliana Mascarenhas , deixando do outro lado do mar e da vida a pobre e inconsolável Marília a quem celebrara em inúmeras e ardentes liras de amor, em Marília de Dirceu.

Enfim, em questões amorosas, o homem é sempre um pombo enigmático…

Há dúvidas quanto à sua real participação na Inconfidência como procura demostrar Rodrigues Lapa em estudo a seu respeito. Aliás, o próprio Gonzaga em uma das liras de Marília de Dirceu procura se inocentar junto ao Visconde de Barbacena.

Cecília Meireles também deixa transparecer a mesma dúvida, ao indagar:

Inocente, culpado?
Enganoso? Sincero?

(Romance LV)

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi enforcado a 21 de abril de 1792, três anos depois de ser preso. Como atestam diversas passagens do Romantismo, era considerado louco por causa das idéias que tinha. Depois de morto, virou herói:

Que os heróis chegam à gloria
só depois de degolados.
Antes, recebem apenas
ou compaixão ou desdém.

(Romance XLIV)

A passos lentos, ele caminha sereno para o cadafalso onde o espera, um tanto aflito, o negro Capitania, que o executará. E diz o mártir:

Ò, permita que te beije
os pés e as mãos…Nem te importe
arrancar-me este vestido…
Pois também na cruz, despido
morreu quem salva da morte!

E o negro Capitania lamenta a sua sorte de carrasco oficial do grande sonho humano – a liberdade:

Vede o carrasco ajoelhado,
todo em lágrimas lavado,
lamentar a sua sorte!

(Romance LVIII)

Só um carrasco lavou-se em lágrimas! Os outros seriam lavados com o sangue daquele mártir que tombava…

O cenário agora era desolador e triste: nada mais restava dos sonhos e ideais pretéritos. Tudo fora destruído pelas mãos dos delatores da vida, porque a vida está na liberdade.

Tudo agora estava reduzido a “um chão sem ouro nem diamante”. Nada mais brilhava nas terras douradas de Minas Gerais!

Também os tiranos tiveram o seu fim.

A rainha D. Maria I, que mandara executar os inconfidentes da sua coroa, acaba se tornando prisioneira do seu próprio destino: ela que executava tantos, com masmorras , desterros, forcas, torna-se prisioneira da loucura que é pior que qualquer masmorra, desterro ou morte de forca.

O destino agora se voltava contra a grande déspota da liberdade!

Ai, que a filha da Marianinha
jaz em cárcere verdadeiro,
sem grade por onde se aviste
esperança, tempo, luzeiro…
prisão perpétua, exílio estranho,
sem juiz, sentença ou carcereiro…
Terras de Angola e Moçambique,
mais doce é vosso cativeiro!

(Romance LXXIV)

Pela “comarca do Rio das Mortes (= S.João Del-Rei), Dona Bárbara Eliodora, “a estrela do norte” do poeta Alvarenga Peixoto, naufragava em lágrimas e mágoas: seu doce Alceu também fora desterrado para as longínquas terras d´África, em Angola (Ambaca).

Agora as amenas colinas de outrora, onde o gado pastava, onde as flores sorriam, onde os regatos corriam, onde os pássaros cantavam, eram um montão de ruínas e desolação ante o olhar magoado e amargurado da rica e poética Eliodora.

Pela “comarca do Rio das Mortes” também dormia o padre Toledo, “paulista de grande raça / mação, conforme o seu tempo”.

Pela “comarca do Rio das Mortes” também passara e se fora Maria Ifigênia, fruto primaveril do casal Bárbara – Alvarenga:

Vai ver sua mãe demente
Vai ver seu pai degredado…

(Romance LXXVII)

Também Marília se desfigurou pelo tempo e pela Inconfidência. O seu retrato agora é o de uma mulher macerada pela dor:

já não pertence mais à terra:
é só na morte que está viva

Agora, tudo jaz em silêncio: amor, inveja, ódio, inocência, no imenso tempo se estão lavando, declara a poetisa na Fala aos inconfidentes mortos.

No horizonte eterno há de ficar sempre o anseio de liberdade, e só o purgatório do tempo está apto às ações vis e nobres dos homens da terra:

Quais os que tombam,
em crimes exaustos,
quais os que sobem

Fontes:
http://www.resumosdelivros.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Romanceiro_da_Inconfid%C3%AAncia

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Carnaval em Versos (Organização de Heloísa Crespo) Parte II

Organização: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ.
heloisacrespo@gmail.com
—–

Neoly Vargas

Nos carnavais do passado,
dos arlequins, dos palhaços,
fui pierrô apaixonado,
que terminava em teus braços.

Nos carnavais de Veneza,
pelos salões encerados,
na festa dos mascarados.
dançam criado e duquesa
Marina Valente

=========================
Hermoclydes S. Franco

“Não sou aquele Pierrot
nem você é a colombina…
Carnaval de camelô
é beijar a “concubina”!…

As cinzas da quarta-feira
são prantos de Carnaval…
Quanta menina faceira
trocou o “bem” pelo “mal”…
===============================
Anna Servelhere

De Pierrot ou Colombina,
no salão ou junto ao povo,
com confete e serpentina
ou me acabo ou saio novo!

Arlequim e a Colombina
desfilando na Marquês
enrolada em serpentina,
far-te-á chorar de vez.

Nesses dias de folia
sem plumas ou paetês
sem ao menos fantasia
sei que vou ganhar você.

Carnaval, mais que folia,
nem precisa do exagero
é o extravazo de alegria
de quem sonha o ano inteiro.
=======================

Sérgio Luís da Silva Vargas
É CARNAVAL

Hoje eu vou sair
Beber até cair
Me misturar na multidão
A noite está linda
E a lua convida
Meu bem abra seu coração.

Esqueça as mágoas
Enxugue estas lágrimas
E caia na folia.
Menina esta festa
Está boa à beça
Dê um viva à alegria

Se por acaso
Me encontrares na sarjeta
Não faça careta
Nem brigues, por favor,
Te deite comigo
E à luz das estrelas
Vamos fazer amor.
==========================

Vânia Maria Souza Ennes

Desfilou lá na Avenida
Marquês de Sapucaí,
bebeu tanto, sem medida,
que acordou na UTI !!!

Carnaval e o “bicho pega”!
Batuque e samba no pé,
e a galera não se entrega,
sapateia e dá olé…!!!

Brasil, samba e carnaval
e os foliões tomam conta,
da festa descomunal,
quando a “escola”, enfim, desponta!!!
================================

Leda Montanari

Já cantando e requebrando
as cabrochas lá estão,
enquanto os homens babando
ficam cheios de tesão

Abram a roda, moçada
que a morena quer sambar;
os pés pisando a calçada,
olha a galera a vibrar!
===================

Francisco Neves Macedo
CARNAVAL DE ILUSÕES

Carnaval, explosão maior de uma alegria,
fantasia, pierrô no olhar da colombina,
“carne vale” e se vale, então a adrenalina,
tem a força total da carta de alforria.

O pandeiro dá o tom e o ritmo da harmonia,
parceria se faz com samba e dançarina,
uma porta-bandeira de alma feminina
a bailar sobre o asfalto, na coreografia.

O reinado de momo que nos fez sonhar,
sermos príncipes, reis para a escola ganhar,
bateria, no enredo e grande evolução.

Quarta-feira de cinzas, não tarda a chegar
na avenida deserta como a flutuar,
despertamos de um sonho: Foi tudo ilusão!
===================================

Larissa Loretti
POEMA DE CARNAVAL

Parodiando Raul Seixas,
eu sou-
aqui escrevendo um poema
dentro das minhas emoções
abismo e céu.
O verão lá fora
oh! Verão lá fora
nas utopias
o sol ardendo,
um escarcéu
nas alegrias
do carnaval.
Eu sou
marionete
que se perdeu
pelas esquinas
da Beijaflor
detrás da máscara
do edital
do dissabor,
eu sou
==========================

Dalinha Catunda
MULATA NO SAMBA


Não sou celebridade,
Nasci em comunidade,
O samba é minha paixão.
Com o samba tenho trato
Eu danço de salto alto
Ou mesmo de pé no chão.

Sou cabrocha faceira,
Passista de primeira
Acompanho a evolução,
E seguindo a bateria,
Mostro minha alegria
Sambando com emoção.

Não sou estranha no ninho
O samba é meu caminho
Tá no sangue, tá na raça.
Sou do Rio de Janeiro
No batuque do pandeiro
Sei mostrar a minha graça.

Pois foi descendo ladeira
E remexendo as cadeiras
Que aprendi a sambar.
Aprendi naturalmente
O jeito malemoente
De sambar e encantar.

Fontes:
Heloísa Crespo

Imagem = Neli Neto

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