Arquivo do mês: março 2011

II Concurso de Trovas Antônio Roberto Fernandes – Academia Pedralva

VENCEDORAS
Em ordem alfabética

Noel Rosa, agora empresta
ao céu, mais encanto e brilho!…
Que Deus em noite de festa
aplaude as canções do seu filho!
Adilson Maia – Niterói-RJ

Sem Noel Rosa, a verdade,
é uma dor que não tem jeito,
do tamanho da saudade
que nem cabe em nosso peito.
Almerinda F. Liporage – Rio de Janeiro-RJ

As estrelas “Pastorinhas”
na piscadela amorosa
vão soprando as cem velinhas,
que festejam Noel Rosa!
Dirce Montechiari – Nova Friburgo-RJ

Um novo mestre no céu…
De Noel Rosa, a lição:
Harpas deixadas ao léu,
Anjos tocando violão!
Dodora Galinari – Belo Horizonte-MG

Ausente o rei da seresta
chora a Vila pesarosa…
Mas Deus recebe com festa
o seu filho, Noel Rosa!
Elen de Novaes Felix – Niterói-RJ

De Noel Rosa a lembrança
sempre traz grande emoção:
-Saudade que vive mansa,
com “Feitio de Oração”!…
Hermoclydes S. Franco – Rio de Janeiro-RJ

Na Vila Izabel famosa
onde há cem anos nasceu,
o poeta Noel Rosa
foi rei num mundo plebeu!
Licínio Antônio de Andrade – Juiz de Fora-MG

Cem anos de Noel Rosa…
O povo se rejubila
e em seresta harmoniosa
louva o Poeta da Vila!
Marina Bruna – São Paulo-SP

Noel Rosa bem sabia
o que mata uma paixão:
a noite triste e sombria,
sem luar e sem violão.
Olympio da Cruz Simões Coutinho – Belo Horizonte-MG

Inspiração fabulosa,
veia irônica sutil;
os teus sambas, Noel Rosa,
têm a cara do Brasil!
Wanda de Paula Mourthé – Belo Horizonte-MG

MENÇÃO HONROSA
Em ordem alfabética

Tecendo versos e rimas
com bossa e facilidade,
Noel Rosa, em obras primas,
pôs samba até na saudade.
Almira Guaracy Rebelo – Blo Horizonte-MG

Que versos, que repertório!
Noel Rosa foi um “bamba”.
Foi um marco divisório,
na história de nosso samba!
Ederson Cardoso de Lima – Niterói-RJ

A mercê das emoções
Noel Rosa impressionou
com suas lindas canções
que o tempo nunca apagou.
Jupyra Vasconcelos – Belo Horizonte-MG

Noel de Medeiros Rosa,
que hoje canta lá no céu,
é a voz do samba, saudosa,
que encanta Vila Izabel.
Nei Garcez – Curitiba-PR

Noel Rosa com seu tino
e talento musical,
fez do samba seu destino
e tornou-se imortal.
Nei Garcez – Curitiba-PR

Noel Rosa, a tua essência
que ao centenário desdobra,
não mede a breve existência…
mas a grandeza da obra!!!
Neide Rocha Portugal – Bandeirantes-PR

Noel Rosa eternamente
ouvirá nossos louvores,
pois sempre estará presente
nas vozes de seus cantores!
Renata Paccola – São Paulo-SP

Atingindo o apogeu,
é verdade bem sabida:
Noel Rosa não morreu
-mudou o estilo de vida…
Ruth Farah Nacif Lutterback – Cantagalo-RJ

“Eu sou da Vila” proclama,
com orgulho, Noel Rosa!
O poeta ganhou fama
e a Vila ficou famosa!
Therezinha Dieguez Brisolla – São Paulo-SP

Ante o samba, que o fascina,
Noel Rosa nem vacila,
trocou logo a medicina
pelo “feitiço” da Vila.
Wandira Fagundes Queiroz – Curitiba-PR

MENÇÃO ESPECIAL
Em ordem alfabética

Noel Rosa, na viagem
além de um rico troféu,
levou sambas , bagagem
para Deus ouvir, no céu.
Adilson Maia – Niterói-RJ

Enaltecer Noel Rosa
simplesmente numa trova,
é missão muito espinhosa
que o trovador pôs à prova…
Amael Tavares da Silva – Juiz de Fora-MG

Noel Rosa, sem desgaste,
jamais teu brilho descamba…
em Vila Isabel fundaste
o Estado Maior do Samba!
Carolina Ramos – Santos -SP

Noel de Medeiros Rosa,
nascido em Vila Isabel,
mestre no verso e na prosa,
no samba – foi bacharel!
Djalda Winter Santos – Rio de Janeiro-RJ

Noel Rosa, quem diria,
sem cigarro e sem chapéu,
chegou só, sem parceria,
pra fazer samba no céu.
Francisco José Pessoa – Fortaleza-CE

Noel Rosa, esse talento,
partiu da Vila tão cedo…
Mas, por Noel, canta o vento
e dança até o arvoredo.
Hegel Pontes Juiz de Fora-MG

Noel Rosa, o menestrel…
que pôs feitiço no samba,
provou que a Vila Izabel
é terra de gente bamba!…
Jorge Roberto Vieira – Niterói-RJ

Calçadas em partituras,
Noel Rosa ali deixou,
sua Vila em escrituras
grande herança que ficou!
Lucia Helena de Lemos Sertã – Nova Friburgo-RJ

Noel Rosa, qual canário,
em nossa memória estrila
cantando, no centenário,
o seu Feitiço da Vilia!…
Marcos Antônio de Andrade Medeiros – Lagoa Nova, Natal-RN

Noel Rosa tem feitiço
nos sambas de qualidade
e louvá-lo é compromisso
dos sambistas de verdade!
Rodolpho Abbud –Nova Friburgo-RJ

Fonte:
Roberto Pinheiro Acruche

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.166)

Uma Trova Nacional
Quando a vida se distrai
ou dá tudo… Ou tudo nega.
Rico… Pega o carro e sai.
Pobre sai… E o carro pega!
– Terezinha Brisolla/SP –

Uma Trova Potiguar
Três invenções sem futuro:
Carro, mulher e baralho.
As três me deixaram “duro”,
não sei quem deu mais trabalho!
– Francisco Macedo/RN –

Uma Trova Premiada

2008 > Bandeirantes/SP
Tema > TRABALHO > M/E

No trabalho a vida é dura,

minha grana é tão ausente,

que vendi a dentadura

pra comprar pasta de dente!

CLENIR NEVES RIBEIRO – RJ


…E Suas Trovas Ficaram
Quando a mulher do Gastão
troca de carro ou vestido,
a gente tem a impressão
que ela trocou de marido!…
– Aloísio Alves da Costa/CE –

Simplesmente Poesia

– Louro Branco/CE –
O QUE EU FAÇO SEM GOSTAR…

Promover um forró sem tocador
e pregar com pastor embriagado,
galopar com jumento encangalhado
e viajar no meu carro sem motor;
trabalhar com patrão enganador
e contratar um ladrão pra me roubar,
pegar filho dos outros pra criar,
mascar fumo e montar em égua tonta,
me juntar com mulher que bota ponta
são as coisas que eu faço sem gostar!

Estrofe do Dia
Sem bloco e sem bateria,
no carnaval do poeta
o folião não domina
nem samba-enredo interpreta,
a gente busca as metáforas
e a natureza completa.
– Jonas Bezerra/CE –

Soneto do Dia

– Renata Paccola/SP –
AZAR.

Certo dia, acordei de mau humor –
resquício de uma noite mal dormida.
Peguei o carro, e então fundiu o motor,
Segui para o metrô, enfurecida.

Tentei continuar com minha lida,
mas fiquei presa num elevador.
Neste compartimento sem saída,
passei horas de angústia e terror,

e saí sob o som de bate-estaca.
Depois, no meio de um supermercado,
senti a dor de um burro quando empaca.

Foi aí que vi, quase ao meu lado,
irônicos dizeres numa placa:
“Sorria. Você está sendo filmado!”

Fonte:
Ademar Macedo

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Antonio Brás Constante (Na Dúvida, Dê Bom Dia ao Caos)

Alguns adeptos da teoria do Caos dizem que se uma borboleta bater suas belas asas em algum lugar do oriente, ela poderia desencadear uma onda de fatos e fatores que destruiriam alguma coisa importante no ocidente, talvez sua casa, talvez a minha, ou talvez a casa de outra borboleta que estaria de férias na praia, também batendo suas asas só de sacanagem (a praia é um lugar onde até as borboletas ficam propensas a sacanagens) para destruir alguma coisa no outro lado do mundo.

Não é muito difícil de acreditar que insignificantes acontecimentos acabem gerando novos acontecimentos que nos façam parecer insignificantes. Para ocorrer um deslizamento de terra, por exemplo, tudo começa com uma única gotinha de água, que cai inofensiva em alguma encosta de morro. Mas quando percebemos que outras milhares de gotinhas parecem ter a mesma idéia de cair naquela mesma encosta o resultado é devastador.

Percebo isso também no trânsito (no meu caso na BR 116 por onde passo quase todos os dias), me parece que um simples bater de asas de uma borboleta, morcego, mosquito ou pernilongo, podem tirar a atenção do motorista que está a doze quilômetros de distância na minha frente, fazendo-o diminuir a velocidade de seu veículo por uma fração de segundo, está fração vai se estendendo para os carros atrás dele e o resultado é um nada belo engarrafamento matinal.

Com base nesta afirmação de que uma ação gera uma cadeia de reações, podemos imaginar que um simples e sincero “bom dia” muitas vezes tem o poder de poder mudar o curso de toda uma vida. Basta acreditarmos nisso. Mas se isso não der certo viaje até algum lugar do oriente e solte uma borboleta por lá, para que ela voe livre batendo suas asas na esperança que isso possa transformar o mundo em que vivemos (de preferência em algo melhor).

Enfim, na dúvida dê bom-dia ao caos, pois se os seres humanos sofrem com suas crises de humor, quem dirá a essência do caos, que com sua forma alucinada pode variar entre todos os estados de humor (passando pelos municípios, cidades e países do humor também), e receber bem este pequeno gesto. Tratar o mundo caótico que nos rodeia com a mesma gentileza com que gostaríamos de ser tratados, é uma forma de se demonstrar que você também sabe lidar com a loucura… Ou que já está completamente contaminado por ela.

Fontes:
O Autor
Imagem = http://tododiaumtextonovo.blogspot.com/2011/03/progresso-ou-caos.html

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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Projeto Quatro em Um) n.5

TRAVESSIA
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis/RJ

Peguei o rumo da estrada
Marcando firme o compasso
E fui buscar meu espaço
No romper da madrugada.

Atravessei as cancelas,
Saltei valas e valões,
Abri portas e janelas,
Penetrei pelas favelas,
Andei muitos quarteirões.

Busquei fé e esperança,
Dividi o pão que tinha,
Rezei muitas ladainhas,
Pedi a DEUS proteção…
Dei o abraço apertado
No meu tão sofrido irmão!

Passei fome, senti sede,
Pisei em pedras e espinhos,
Nunca fugi dos caminhos
Que pela vida encontrei
Pois quem foge é covarde
E eu nunca me acovardei.

Fui em busca de um amor,
Movido pela paixão.
Machuquei meu coração,
Que tanto tinha pra dar,
Mas fingi não sentir dor
Conjugando o verbo amar.

VOZ QUE SE CALA
Florbela Espanca
Portugal, 1894/1930

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera, que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!…

SENTIMENTOS
Prof.Garcia/RN

Quando o dia se apressa e vai embora,
num silêncio que fere e que angustia,
a tristeza me invade e me devora,
nas horas sepulcrais, do fim do dia.

Como quem diz adeus e triste chora,
vai-se o sol delirando de agonia,
e a cortina da noite, Deus decora,
com luz tênue, de vã melancolia.

Distante, bem distante, muito além,
a tristeza me acena, como quem
se despede de alguém, que já morreu,

foi apenas a luz de um dia lindo,
que cansada, acenou quase dormindo
e nos braços da noite adormeceu!

TROVAS
Extraída de Mensagens Poéticas, editado diariamente pelo grande poeta
e trovador Ademar Macedo/RN, a quem agradecemos, aqui neste projeto,
o carinho do envio.

Minha mulher, minha amada,
Tanto me envolve e seduz…
-Se ela for crucificada
Eu quero ser sua cruz!
(Héron Patrício/SP)

Muitos, dizem, pertencer,
as castas da cristandade;
mas mantém, no proceder,
presunção e má vontade…
(Pedro Grilo/RN )

Teu poder de sedução.
e a magia dos teus braços,
levam minha solidão
a percorrer os teus passos …
(Mílton Nunes Loureiro/RJ )

Desde os meus tempos mais idos,
que eu sonho de toda cor;
e meus sonhos coloridos,
são sempre os sonhos de amor!…
(Ademar Macedo/RN)

Somente o Grande Arquiteto
escritor sábio e fecundo,
consegue escrever correto
nas linhas tortas do mundo!
(Aloisio Alves da Costa/CE )

—–

Fonte:

A.M.A. Sardenberg

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.164 e 165)

Uma Trova Nacional
Se temos paz, temos tudo,
pois ela nos satisfaz!
Conheço gente, contudo,
que tem “tudo”, menos paz!
– Antônio Sardenberg/RJ –

Uma Trova Potiguar
Se o aquecimento global
não for combatido agora,
o amanhã será fatal,
o fim virá sem demora.
– Ieda Lima/RN –

Uma Trova Premiada

2006 > Fortaleza/CE
Tema > ESQUINA > 3º Lugar.

Parece que a minha sina
na caminhada da vida,
é deixar em cada esquina
uma esperança perdida.
– Nazareno Tourinho/PA –

Uma Trova de Ademar
Temo por nossa criança
que tem nas mãos um fuzil,
matando toda esperança
no futuro do Brasil…
– Ademar Macedo/RN –

…E Suas Trovas Ficaram
Não foste a minha metade,
pois jamais me deste um “sim”.
Mas fizeste que a saudade
fosse metade de mim!
– José M. Machado Araújo/RJ –

Simplesmente Poesia

Agnelo Campos/SP –
C H U V A.

Disseram que ela caiu …
Mentira !
A chuva não caiu.
Ela dançou a noite toda,
e, de madrugada,
cansada,
deitou-se ao chão
e escorregando tonta
foi dormir no lago …

Estrofe do Dia
Só um cego não vê essa verdade,
totalmente lógica para um crítico.
Não é prioridade do político,
o dinheiro polui a humanidade.
No direito e na religiosidade
tudo é feito “por debaixo do pano”
o honesto sofre grande desengano
o mundo está pior do que se pensa:
Dinheiro compra o juiz e a sentença
e degrada de vez o ser humano…
– Francisco Macedo/RN –

Soneto do Dia

– Batista Soares/CE –
CACO DE VIDRO.

A reluzir – joia esplendente e rara,
no escrínio escuro de veludo opaco
da noite, que de luz se iluminara,
vi-o. Era, de um vidro, um simples caco…

Ante o seu brilho intenso eu exclamara:
– Bela jóia! Mas logo o ardor aplaco
ao ver que toda refulgência clara
provinha só de vítreo e mero caco…

Quanta gente anda a blasonar grandezas,
mostrando as chamas da virtude acesas,
a quem, no verso, com malícia exalço,

cujo valor reside na aparência!…
– Não tem, sequer, do vidro a transparência
E todos sabem que este brilho é falso…

Mensagens Poéticas n. 164

Uma Trova Nacional
Agonia é ver teus passos
numa pressa que alucina
e saber que noutros braços
a tua pressa termina.
– Ana Maria Motta/RJ –

Uma Trova Potiguar
Dos meus poemas diversos
inspirados no amor,
são esses os últimos versos
de um poeta trovador.
– Djalma Mota/RN –

Uma Trova Premiada

2006 > CTS/Caicó/RN
Tema > PONTE > 7º Lugar.

Deus construiu no horizonte,
onde ninguém pode ver,
uma belíssima ponte
que a gente cruza ao morrer!
Josafá F. da Silva/RJ –

Uma Trova de Ademar
O meu cérebro é um motor
que não se gasta energia…
Trabalha a todo vapor,
pois é movido a poesia.
– Ademar Macedo/RN –

…E Suas Trovas Ficaram
Saudade!… Raio de lua,
suprindo o Sol que brilhou…
Tábua solta, que flutua,
depois que o amor naufragou!
– Waldir Neves/RJ –

Simplesmente Poesia

Gilson Faustino Maia/RJ –
OBRIGADO, SENHOR!

Obrigado, Senhor, por nascido,
por ter sido gerado na esperança.
Por ter vivido os tempos de criança
por um amor de mãe bem acolhido.

Obrigado pelos mestres, sempre atentos,
e os amigos que tive e os que terei.
Pelas rainhas para quem fui rei,
pela saudade, pelos sofrimentos.

Pelas pedras, também, da longa estrada,
pelas diversas formas de carinho.
Por lindas flores, pelos passarinhos
e pela linda lua prateada.

Por este céu azul de sol bem quente
e por ter aprendido o verbo amar.
Pelo perdão que vivo a suplicar
aos erros meus, dos quais sou consciente.

Dai-me, Senhor, a paz ao coração
e uma rima feliz na poesia.
Dai-me saúde, Pai, muita alegria
E a cada dia mais inspiração.

Estrofe do Dia
Até nos brutos se vê
Que a mãe ao filho quer bem,
Morre o bezerro, e a vaca
Com o desgosto que tem,
Se intriga até com o dono
Não dá mais leite a ninguém.
– Pinto do Monteiro/PB –

Soneto do Dia

– Dedé Monteiro/PB –
AS QUATRO VELAS.

Quatro velas falavam sobre a mesa.
E falavam da vida e tudo mais…
A primeira falou: – Eu sou a paz,
mas o mundo não quer me ver acesa.

A segunda, com suspiros desiguais,
disse triste: – É a fé a minha empresa;
nem de Deus se respeita a realeza.
Sou supérflua; meu fogo se desfaz.

A terceira murmura, já sem cor:
-Estou triste também, sou o amor;
mas perdi o fulgor, como vocês.

Foi a vez da esperança, a quarta vela:
-Não desista ninguém: a vida é bela!
E acendeu, novamente, as outras três.

Fonte:
Ademar Macedo

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Marcelo Spalding (História da Leitura) I – As Tábuas da Le e o Rolo/ II – O Códice Medieval

I – As Tábuas da Le e o Rolo

Poucas gerações testemunharam tantas mudanças tecnológicas como a nossa, esta que agora ocupa os bancos universitários, as redações de jornais e revistas, as diretorias das grandes empresas, esta geração que cresceu lendo livros impressos e agora resiste à ideia de novos suportes para a leitura.

Tal aceleração por vezes nos faz esquecer que inovações técnicas, ainda que num ritmo mais lento, ocorrem desde que o homem é homem e foram fundamentais para que um ser frágil como o nosso pudesse sobreviver num ambiente hostil e perigoso como a Terra. Leroi-Gourhan chega a afirmar que, pela liberação da mão e pela exteriorização do corpo humano, “a aparição do homem é a aparição da técnica; é a ferramenta, isto é, a tekhnè, que inventa o homem, e não o homem que inventa a técnica”.

Transpondo essa afirmação para a história da leitura, poderíamos dizer que são as técnicas de reprodução da escrita que inventam o leitor, e não o leitor que inventa tais técnicas, o que significa que os suportes digitais de leitura não são feitos para a geração acostumada com os códices impressos, e sim irá engendrar um novo leitor familiarizado com as novas tecnologias. Tal transformação, ainda que violenta, não é exatamente inédita na longa história da leitura.

Robert Darnton, em A questão dos livros, identifica quatro mudanças fundamentais na tecnologia da informação desde que os humanos aprenderam a falar: a invenção da escrita, a substituição dos rolos de pergaminho pelo códice, a invenção da imprensa com tipos móveis e, finalmente, a comunicação eletrônica.

A invenção da escrita, vale lembrar, é tida pelos historiadores como marco de transição entre a Pré-História e a Idade Antiga, ou Antiguidade, o que revela a absoluta importância da escrita para o desenvolvimento da nossa civilização. Não há consenso entre os historiadores sobre a data ou o local do surgimento da escrita, o mais provável é que sua invenção tenha se dado em vários lugares do mundo de forma independente a partir do momento em que as transações e a administração dos povos se torna mais complexa, além das possibilidades da memória.

Um mito narrado por Platão mostra o quão difícil foi essa substituição da memória pela escrita: Thoth, um deus egípcio criador da escrita, dos números, do cálculo, da geometria, da astronomia e dos jogos de damas e dados, leva seus inventos a Tamuz, rei de Tebas, esperando que eles possam ser ensinados aos egípcios; a escrita, segundo seu inventor, tornaria os homens mais sábios, fortalecendo-lhes a memória. Comenta Thoth: “com a escrita inventei a grande auxiliar para a memória e a sabedoria”, a que responde Tamuz:

Tu, como pai da escrita, esperas dela com o teu entusiasmo precisamente o contrário do que ela pode fazer. Tal cousa tornará os homens esquecidos, pois deixarão de cultivar a memória; confiando apenas nos escritos, só se lembrarão de um assunto exteriormente e por meio de sinais, e não em si mesmos. Logo, tu não inventaste um auxiliar para a memória, mas apenas para a recordação. Transmites aos teus alunos uma aparência de sabedoria, e não a verdade, pois eles recebem muitas informações sem instrução e se consideram homens de grande saber embora sejam ignorantes na maior parte dos assuntos. Em consequência serão desagradáveis companheitos, tornar-se-ao sábios imaginários ao invés de verdadeiros sábios.

A escrita, naturalmente, com o tempo mostrou-se fundamental não apenas como auxiliar para a memória, mas também para materializar um conteúdo que não pode dispersar-se, como o conhecido Código de Hamurábi, datado do século XVIII a.C.. O Código de Hamurábi é um monumento monolítico talhado em rocha de diorito sobre o qual se dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme acádica. Seu texto expõe as leis e punições caso não sejam respeitadas, legislando sobre matérias muito variadas. Embora houvesse outros códigos entre os sumérios, que viveram entre 4000 a.C. a 1900 a.C. na Mesopotâmia, o Código de Hamurábi foi o que chegou até os dias atuais de forma mais completa e simboliza bem, num tempo de bits efêmeros, a importância da palavra talhada na solidez de uma rocha milenar.

Da mesma época são os Dez Mandamentos entregues a Moisés no Monte Sinai, uma das mais contundentes passagens bíblicas: “Então disse o SENHOR a Moisés: Sobe a mim ao monte, e fica lá; e dar-te-ei as tábuas de pedra e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinar”.

Apesar da importância desses códigos escritos em rochas sólidas, a escrita não teria se tornado marco zero da história da humanidade não houvesse um suporte capaz de facilitar seu manuseio e transporte, o que tornou a escrita um código com fins muito mais amplos do que, por exemplo, as pinturas ruprestes feitas nas cavernas pelos homens ditos pré-históricos.

O papiro, desenvolvido no Egito por volta de 2500 a.C., é hoje considerado o primeiro suporte para a escrita. Para confeccionar o papiro, era cortado o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas eram mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar. Novamente secas, as lâminas eram dispostas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A seguir as lâminas eram colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, sendo então mantidas prensadas por mais seis dias. Com o peso da prensa, as finas lâminas se misturavam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado. O papiro pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita.

Embora a palavra grega biblos (ß?ß????) signifique hoje tanto rolo quanto livro, a leitura nesse rolo é muito diferente da leitura de um livro como hoje o conhecemos. O rolo é uma longa faixa de papiro – ou, mais tarde, de pergaminho – que o leitor deve segurar com as duas mãos para poder desenrolá-la, fazendo aparecer trechos distribuídos em colunas. Não é possível, por exemplo, que um autor escreva ao mesmo tempo que lê.

Os rolos, criados posteriormente à invenção da escrita e, naturalmente, por causa dela, foram fundamentais para o que hoje chamamos de literatura, pois os textos gregos da época de Sócrates, Platão e Aristóteles, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes se tornaram a base da cultura Ocidental e puderam sem preservados em locais específicos para este fim, como a lendária Biblioteca de Alexandria.

A Biblioteca de Alexandria, uma das maiores bibliotecas do mundo antigo, foi fundada no início do século III a.C. por Alexandre, o Grande, que teve como tutor ninguém menos que Aristóteles, e existiu até a Idade Média, quando foi totalmente (ou quase) destruída por um incêndio casual. Calcula-se que havia mais de quinhentos mil rolos na Biblioteca de Alexandria, mas como uma obra podia ocupar, sozinha, dez, vinte, até trinta rolos, havia um número de obras muito menos significativo. Segundo Chartier, só o catálogo da biblioteca era constituído de cento e vinte rolos.

À medida que a escrita foi ganhando em importância e valor, outro suporte, que embora mais caro era menos quebradiço e resistia melhor ao tempo, passou a ser muito utilizado nas confecções dos rolos: o pergaminho. O pergaminho é um material feito da pele de um animal (geralmente cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha) e especialmente fabricado para se escrever sobre ele. A origem do seu nome é a cidade de Pérgamo, onde havia uma produção vasta e de grande qualidade deste material, e há controvérsia se sua origem remonta mesmo a esta cidade. De qualquer forma, na Biblioteca de Pérgamo, contemporânea a de Alexandria, os rolos em papiro eram copiados em pergaminho, e este material foi fundamental para a preservação dos textos da Antiguidade.

Carrière e Eco, em Não contem com o fim do livro, contam que Régis Debray, filósofo francês, perguntou-se o que teria acontecido se os romanos e gregos tivessem sido vegetarianos: “não teríamos nenhum dos livros que a Antiguidade nos legou em pergaminho, isto é, numa pele de animal curtida e resistente” (2010, p. 104).
——-
II – O Códice Medieval

A segunda grande mudança tecnológica, a passagem do rolo para o códice, deu-se logo após o início da era cristã, durante o Império Romano.

A segunda grande mudança tecnológica, a passagem do rolo para o códice, deu-se logo após o início da era cristã, durante o Império Romano. Nessa época, juristas decidiram manusear o pergaminho de forma diferente, dobrando-o em quatro ou em oito. Esse caderno era chamado de volumem, uma denominação usada ainda hoje. Costurando esses cadernos uns aos outros, eram construídos o que se chamava de códex (códice).
Tal inovação, afora ser crucial para a difusão do cristianismo, foi fundamental para a história da leitura, pois, como afirma Chartier, enquanto que os formatos de rolo encorajavam leituras sequenciais a expensas do movimento descontínuo para adiante e para trás em um dado texto, a estrutura paginada do códex promovia o desenvolvimento de novas práticas de leitura propriamente “livrescas”, uma ruptura muito maior do que seria a invenção da imprensa por Gutenberg.

É nesse período que se difunde a prática da leitura silenciosa, tendência que se consolida exatamente por causa da mudança técnica do rolo para o códice. Umberto Eco simboliza essa passagem da leitura em voz alta para a leitura silenciosa no espanto de Agostinho: “a leitura, até santo Ambrósio, era feita em voz alta. Foi ele o primeiro a começar a ler sem pronunciar as palavras, o que mergulhara santo Agostinho em abismos de perplexidade”.

A propósito da leitura silenciosa, os primeiros textos que impunham silêncio nas bibliotecas são apenas dos séculos XIII e XIV, é apenas nesse momento que, entre os leitores, começam a ser numerosos aqueles que podem ler sem murmurar, sem ‘ruminar’, sem ler em voz alta para eles mesmos a fim de compreender o texto.

Além dessa importante mudança na forma de ler, o códice seria também responsável por grandes mudanças na forma de escrever, como nos conta Darnton:

“A página surgiu como unidade de percepção e os leitores se tornaram capazes de folhear um texto claramente articulado, que logo passou a incluir palavras diferenciadas (isto é, palavras separadas por espaços), parágrafos e capítulos, além de sumários, índices e outros auxílios à leitura.”

Se voltarmos às imagens do Código de Hamurábi, do rolo e do códice medievais, realmente não encontraremos espaço entre as palavras, tampouco a divisão em parágrafos, uma organização para o texto que hoje nos parece tão natural mas que está ligada ao novo suporte da escrita e à superação de suas limitações. Não que um suporte mais antigo seja mais limitado que o outro, mais moderno, em geral o que ocorre é um ganho em alguns aspectos e uma perda em outros.

O códice medieval, nesse sentido, era uma página elaborada manualmente por um copista num processo muito mais demorado porém artesanal, com ilustrações, cores, arabescos e, por vezes, até comentários às margens que faziam de cada exemplar algo único. Esta talvez seja a grande diferença do códice medieval para o livro impresso que viria a seguir.

Umberto Eco resgata o já lendário ambiente de um scriptorium de copistas em O Nome da Rosa, representando monges de preferências e ideologias variadas criando seus códices com cuidado, dedicação e paixão:

“Aproximamo-nos daquela que fora o local de trabalho de Adelmo, onde estavam ainda as folhas de um saltério com ricas iluminuras. eram folia de vellum finíssimo ? rei dos pergaminhos ? e o último ainda estava preso à mesa. Apenas esfregado com pedra-pome e amaciado com gesso, fora lixado com a plaina e, dos minúsculos furos produzidos nas laterais com um estilete fino, tinham sido traçadas todas as linhas que deviam guiar a mão do artista. A primeira metade já estava coberta pela escritura e o monge tinha começado a esboçar as figuras nas margens. (…) As margens inteiras do livro estavam invadidas por minúsculas figuras que eram geradas,como por expansão natural, pelas volutas finais das letra espledidamente traçadas: sereias marinhas, cervos em fuga, quimeras, torsos humanos sem braços que se espalhavam como lombrigas pelo próprio corpo dos versículos. (…) Eu seguia aquelas páginas dividido entre a admiração muda e o riso, porque as figuras conduziam necessariamente à hilariedade, embora comentassem páginas santas.”

É importante ressaltar que este cenário descrito por Eco já é do segundo milênio cristão (o romance se passa em 1327 d.C.), época em que outros importantes acontecimentos contribuiriam para o surgimento da prensa de Gutenberg e para a proliferação dos livros além dos muros eclesíasticos. Um deles é o surgimento das Universidades na Europa, uma instituição que de certa forma retomava o ideal das Academias gregas, em que atividades artísticas, literárias, científicas e físicas eram organizadas num único espaço, promovendo a universalidade do saber e a integração das áreas.

Na concepção moderna, a Universidad de Bolonia (Itália), de 1089, é considerada a primeira do mundo ocidental: “L’Istituzione che noi oggi chiamiamo Università inizia a configurarsi a Bologna alla fine del secolo XI quando maestri di grammatica, di retorica e di logica iniziano ad applicarsi al diritto”. Logo a seguir surgiram a Universidade de Oxford (Inglaterra), em 1096, a Universidad de París (França), em 1150, a Universidade de Palência (Espanha), em 1208, precursora de la Universidad de Valladolid, a Universidade de Coimbra (Portugal), em 1290, entre outras.

Este aumento pela demanda de suportes para a escrita fez com que se buscasse alternativas ao pergaminho, popularizando o uso do papel. O papel foi inventado pelo chinês Cai Lun em 105 a.C., que sugeriu a utilização de casca de amora, bambu e grama chinesa como matérias-primas. No século VII, esse conhecimento foi levado à Arábia por um monge budista e de lá para à Europa através dos mouros.

Na Itália, o papel era considerado um produto medíocre em comparação ao pergaminho, tanto que Frederico II, em 1221, teria proibido o uso em documentos públicos. O consumo, entretanto, só aumentava, e em 1268 foi criada a primeira fábrica de papel da Europa em Fabriano, uma pequena cidade entre Ancona e Perugia. O monopólio comercial da fabricação italiana durou até o século XIV, quando a França, que o produzia utilizando linha desde o século XII, a partir da popularização do uso de camisas e das consequentes sobras de tecido e camisas velhas pôde passar à fabricação de papel a preços econômicos, o que seria fundamental para a invenção da impressão por tipos móveis de Gutenberg, na década de 1450.
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continua…
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Fonte:
Digestivo Cultural. http://www.digestivocultural.com/

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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Entre Amigos II)

ESTAÇÕES
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Chuva fina e persistente,
O céu cinzento de inverno,
Faz frio dentro da gente,
E essa saudade latente
Faz o tempo quase eterno.

Chuva forte e passageira,
Céu brilhante de verão…
No meu ninho, a companheira
Quer amor a noite inteira
Num frenesi de paixão!

Chuva miúda de outono,
A natureza despida…
Depois do amor vem o sono
Para dar vigor à vida
Que desperta soluçando
No momento da partida.

Chuva branda e colorida,
Arco – íris, aquarela.
Nos campos flores sortidas
São pincéis tingindo a vida
Com as cores da primavera.

QUEM SOU
Eliane Couto Triska

Sou a pobre… a pequena cantareja
De desejos e amor sobrepujantes
Sou começo do que há, a que flameja
Dos acenos que saúdam visitantes.

Pergunto-me: sou encontro ou partida?
Se poema, se um conto ou uma prosa
Quando escrevo o meu nome com a rosa
Do perfume que te trago à minha vida.

Compreender-me é fugir do igual conceito
Das métricas do soneto quando eleito
Que proíbem o verso à compaixão.

E tu que me lês.. sou como escrevo
Um sonho que liberto no relevo
Das letras como bolhas de sabão.

CONCEPÇÃO
Marise Ribeiro

Acordei com desejos,
desejos insaciáveis de copular.
Copular com o sol,
transgredir com o tempo,
deitar-me com o vento
e me sentir rodopiar num frenesi
até o firmamento.
Quero me deixar penetrar pela chuva
e num gozo intenso perceber
que não me protegi com o preservativo da ignorância.
Vestida com o lingerie transparente da saudade,
me excitarei com os contornos eróticos das montanhas.
Quero disputar com as flores
a atenção do orvalho.
Depois, em um ninho de pétalas,
acasalar-me com os pássaros.
Dormir agarrada com a terra
até o pôr-do-sol sair envergonhado
e voltar a me saciar com as cores do infinito.
Rolar na areia voluptuosamente
e cavalgar no mar morno do entardecer.
Quando a noite chegar,
quero namorar com a lua
e traí-la com as estrelas.
Quero perambular pelos becos desertos
descobrindo todos os prazeres da escuridão.
Como uma mariposa,
voar em círculos lascivos
e me entregar à chama do lampião.
Cair então saciada, plena;
plena no ventre, com a semente do Universo.
… E parir, tempos depois,
com gemidos de intensa alegria,
a bela e tão sonhada poesia!

DISTÂNCIA
José Ernesto Ferraresso

Se essa distância for constante
A tristeza provocará a dor,
e junto a dor chegará a lágrima…
Outono é frio,
folhas caem, e a brisa,
molha as folhas
e o vento as levam…
Esse frio cala na pele ,
que a resseca,
como folhas que se desfazem…
Eu ainda me lembro de você.
Éramos felizes…

DONO DA MINHA PAIXÃO
Sônia Salete

Amanhece…
A claridade penetra pelas transparentes cortinas…
Os sons de vida se espalham pelo ar…
A brisa matinal refresca meu corpo
Você está aqui,
Comigo…
O dia se transforma então ,
Num momento mágico
Onde estrelas explodem no meu coração!
Dia de luz…
Dia de sol…
Vou te prender sempre bem dentro da minha ilusão…
Até você dizer:
“Tu és a dona da minha paixão

MILAGRE DO AMOR
Graça Ribeiro

Na memória de um tempo azul
dentro de um templo de anjos
construíamos fios de sonhos

Apenas a presença do amor
esculpia beijos de eternidade
dentro dos sussurros do silêncio

A vida fluía como água de rio
na claridade do cotidiano
onde não havia espaço vazio

Havia “sementes de estrelas”
entrelace de dedos e agulhas
tecendo vida em meus cabelos

Havia o gozo, o desejo de plenitude
naquela hora em que o céu fomos nós
na ternura de um amor sem ponteiros

RETRATO
Hilda Persiani

Hoje, revendo o seu retrato,
Que o tempo impiedoso desbotou,
Constatei, com tristeza, que de fato,
Da mocidade só a saudade me restou.

Por um momento tive a ilusão
Que o seu retrato criou vida,
Sorriu, chamou-me de querida
E fez acelerar meu coração…

De repente o sonho se desfez…
Ele novamente foi descorando
Voltando a ser só um retrato outra vez.

Mas nesse breve sonho de momento,
Eu me senti feliz e então chorando
O seu retrato beijei com sentimento!…

Extraído do Livro Só Poesias de Hilda Persiani
Editora Celeiro de Escritores

FUGA
Zena Maciel

Eu queria dormir e não pensar em nada,
Apagar os pensamentos,
Descansar nas asas do vento,
Fechar as portas do coração,
Não saber quando acordar.

Estou cansada de mim!
Quero entender as dores,
Aceitar suas imposições,
Sorrir da falta do meu sorriso,
Driblar a infelicidade…

Viajar à toa pelo infinito,
Descansar nos travesseiros
macios dos querubins,
Brincar com meus fantasmas,
Conviver com o silêncio dos mortos…

Não pensar no ontem, nem no hoje
e tampouco no amanhã…
Navegar pelo paraíso perdido,
onde o desejo estivesse
ao meu alcance, sem precisar
ficar à procura de nada…

Vagar por entre as nuvens,
Sem nada querer e sem nada perder…
Diluir-me nas asas do tempo,
Encontrar-me com fadas e duendes…

Não me preocupar em saber o que sou,
o que fui ou o que poderei vir a ser…
Queria voar, voar, voar,
até fugir de mim…
Perder -me no infinito de um
sonho e ficar lá para sempre!

Fonte:
Antonio Manoel Abreu Sardenberg

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