Arquivo do mês: maio 2011

Tânia Tomé (Livro de Poesias)


MOÇAMBIQUE

Quando me sento descalça
sobre o sapato do menino pobre
que me enche o pé
muito mais que outro qualquer
me lembro que existir
não é sozinha
é com toda gente.
E me lembro
que tenho de embebedar-me de ti
Moçambique
Porque tenho saudades de mim

SONS EM UNÍSSONO

A mão que me lê
ganha no espelho
a pupila
de uma luz imensa
no fundo da concha.

É o que se me vê(m) além
da cotilédone da pele:
sons ruidosos
em uníssono.

SERMENTE

E se Paul Celan
me entrasse
aqui, no futuro verso
eu seria a flor
tu serias a morte
e não te escreveria
neste desejo
incerto
de morrer-te
como murcha a flor
para ser semente

SE O MEU PESCADOR PESCASSE

Se o meu pescador me pescasse
pelo arpão me agarrasse os versos
um a um, sem pressa
a melhor palavra do mar…

Mas em que lugar da asa
a palavra poderia ser mais bela?
Com que cheiro? Com que sabor?
Onde seria o lugar do sol
Com que cor? Com que brilho?

E sei que hei de escolher
depressa mas devagar
a palavra mais carnuda para comer
E vou comer intensamente
Com toda forca dos meus (d)entes
na ponta dos dedos
as palavras que não me calo
E um peixe com asas
Há de nascer
E há de pescar-me no alto
o pescador
Espero

ENCANTOEMA

Pois ha urna verdade,
é a verdade do poema.
Urna verdade que não existe
e que não importa.
O que importa és tu
e és tu que existes
no peixe que sonhas.

ENCANTAMENTE

Uma confusão de dedos
procurando as mãos
da menina
— Onde estão, mãe,
as minhas asinhas da loucura?

A PALAVRA

A palavra quer deitar-se
sozinha, reflexa
contemplar devagar
o sol morre ao silêncio
Não há pressa, não há medo
A palavra quer morrer
quantas vezes for preciso

SONHO

Inspirada num poema que de igual forma me caracteriza de poeta amigo CAVALAIRE (Adilson Pinto).
Não tenho medo de assumir quem sou, uma eterna sonhadora que luta por aquilo em que acredita. (Tânia Tomé)

Eu tenho um sonho,
e dentro dele milhares
de sonhos possiveis…
em que acredito,
quase sempre
na plenitude
como na forma
em que respiro.

AMOR

Meu poema infinito
Tu escreves-me tão bem
esse amor todo nos teus dedos
escrevives-me exactamente
como me sonhei

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Tânia Tomé (1981)


Cantora, poeta e compositora moçambicana.

Tânia Teresa Tomé, nasceu a 11 de novembro de 1981, na cidade de Maputo, Moçambique. Ingressa na vida artística aos 7 anos, ao vencer o prêmio de melhor voz no Concurso de Música organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Moçambique..

Aos 13 anos, participa do seu primeiro sarau, onde canta, declama e toca ao piano poemas de José Craveirinha, em espetáculo que inclui a presença do homenageado.

Com 17 anos, entra para a Universidade Católica Portuguesa, no curso de Economia..È Licenciada em Economia e Pos-graduada em Auditoria e Controlo de Gestão pela Universidade Católica Portuguesa (Portugal,Porto).

Em 2002, adere ao Movimento Humanista, e faz algumas atuações em Portugal para angariar fundos para as crianças desfavorecidas de Moçambique.

Um ano mais tarde, ganha o Prêmio de Mérito da Fundação Mario Soares de Portugal pelo bom desempenho acadêmico e por conciliar estudos e atividades artístico-sociais.

Em 2004, é co-autora da antologia Um abraço quente da Lusofonia, com outros jovens poetas representantes de cada país da CPLP. Nesse mesmo ano, faz parte do CD intitulado Encontro (Iniciativa dos Leigos da Boa Nova), cuja totalidade dos lucros se destina a apoiar os projetos em favor das crianças e jovens de Angola e Moçambique. Regressa a Moçambique, e contribui para diversos movimentos artísticos e culturais, a destacar Movimento 100 crítica, Clave de Soul e Amigos do Livro. Faz-se então Membro da Associação dos Escritores Moçambicanos, da Associação dos Músicos Moçambicanos e dos Poetas del Mundo.

Em 2006, produz e apresenla, ao lado do músico Julio Silva, um programa cultural na Televisão de Moçambique (TVM).

Em 2008, realiza e produz o espetáculo “Poesia em Moçambique”, em tributo a José Craveirinha, onde todas as artes interagem para tornar vivo o poema. Introduz o conceito de Showesia (neologismo criado por ela) em Moçambique, com o qual se faz espetáculo de poesia com urna banda de músicos, ao lado da qual Tânia canta e recita poemas, havendo teatro da poesia, dança da poesia, entre outros.

Participou em alguns projectos de poesia e declamação, de referenciar “Dentro de mim outra ilha de Júlio Carrilho” com Jaime Santos (Declamador Moçambicano), e participação na Feira da Voz no Franco-Moçambicano como Júri de Declamação e actuação com Eduardo White (Poeta Moçambicano), ganhou alguns prémios de poesia, e têm “mão” alguns projectos para o futuro presente. Já foi igualmente Júri Residente de Musica em Programas de Descoberta de Novos Talentos na Televisão Nacional de Mocambique.

E em 2009 nasce o seu primeiro bebe germinado no processo de mais de 15 anos intensos de vida artística bebendo a arte e a cultura e fazendo o casamento profundo entre a música e a poesia, o seu DVD SHOWESIA (primeiro e único DVD de Poesia em Moçambique) que é o espectáculo de poesia produzido e realizado pela mesma em 2008 em homenagem ao poeta José Craveirinha.

Showesia é um conceito e movimento criado e divulgado pela Tania que designa Show/ espectáculo de Poesia, um evento cultural que incorpora poesia, declamação de poesia e todas as outras formas de expressão artística, tais como dança tradicional e moderna, e musica nas suas mais diversas variantes desde tradicional com instrumentos tradicionais (tais como as timbilas, tambores, mbiras entre outros), e outros instrumentos como Baixo, Guitarra, Piano, voz, e Skach teatral com cenários diversos para dar vida a poesia.

O objetivo num mundo de constante desenvolvimentos tecnológico e globalizado é resgatar e valorizar o patrimônio cultural mundial, criando uma plataforma e nekwork cultural mundial.
A ideia subjacente é a de que é possível fazer algo pela educação e pela cultura que seja aliciante e interessante, através de um formato entretido chamado Edutainement (Educação e cultura com entretenimento). Contribuir para mudança deste conceito linear de que a poesia, a literatura, a educação e cultura não são atractivas e são apenas elitistas e para um grupo de pessoas.

Existe uma consciência plena da dificuldade, mas nada é impossível, e a mudança mesmo que lenta acontecerá, e mesmo que não aconteça enquanto vivos estaremos a contribuir para as gerações vindouras.

Em seguida, lança oficialmente a página web http://www.showesia.com, e faz parte do Poetry África em Maputo, representando Moçambique, repetindo atuação e representação no Festival Internacional Poetry África na África do Sul.

Faz parte da antologia Worid Poetry Almanac 2009 (Com 190 poetas oriundos de 100 países).

Participa do primeiro ano de comemoração de Celebração da língua e Cultura Portuguesa da CPLP em Moçambique, ao lado de Mia Couto e Calane da Silva.

Lançou em Maio de 2010 em Moçambique seu livro de poesia “Agarra-me o Sol por traz” que é uma das referências bibliográficas da Pós-graduação em Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Finais de 2010 a editora brasileira escrituras lançou o livro “Agarra-me o Sol por traz, outros escritos e melodias” com prefácio do Brasileiro Floriano Martins e pintura de Eduardo Eloy.

Participa do livro The bilingual anthology on african poetry (China).

Atualmente preside a associação Showesia com objetivo de resgatar o patrimônio cultural através de uma plataforma de interação entre o tradicional e o tecnológico/ocidental e de uma network cultural mundial.

Conta já com vários prêmios internacionais entre os quais se destacam premio academico da Fundação Mário Soares (presidente de Portugal), Premio Festival da Canção, Porto, Portugal, Premio soundcity music award (África), Premio de música da Organização Mundial de Saude, Premio de Poesia Millenium Bim.

” Escrevo, para que numa dimensão sem espaço e sem tempo, eu possa interagir comigo e com os outros. Promovendo cultura para todos, conscientizando pessoas, alimentando espíritos e fazendo emergir por momentos constantes e incessantes “PRAXIS” E “GNOSES”. Para que possa eu, ver de mim a crescer e aprender com tudo e todos os que me possam guiar. E com isso contribuir com o que tenho na alma e na mente para fazer crescer outrem, fazer crescer meu MOÇAMBIQUE, fazer crescer MUNDO “
Tânia Tomé

http://www.taniatome.com
http://www.showesia.com

Fontes:
http://www.antoniomiranda.com.br
http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=4351

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Suely Braga (A Mulher Na Literatura Brasileira)


A mulher historicamente teve um papel secundário. Relegada ao espaço doméstico, as mulheres viviam enclausuradas. As meninas, desde cedo, aprendiam as prendas domésticas, preparando-se para o casamento. Saiam do jugo do pai, para entrar debaixo do jugo do marido, seu chefe. Sem direito a aprender a ler, escrever e votar.

Houve desde o século VI alguns nomes femininos com relevante atuação em suas comunidades: heroínas, guerreiras, beneméritas,administradoras como Ana Pimental, que geriu a capitania hereditária em lugar do seu marido.

A imprensa inexistia no Brasil. colônia, só facultada por D. João em 1808. Assim desde a década de1820 a mulher começou a expressar em letra de forma seus sentimentos, anseios e ideais. Interessante que foram as mulheres as primeiras a produzir literatura, porque ao homem cabia atividades expansionistas e econômicas.

De abrangência nacional,as primeiras intelectuai foram: a sul rio-grandense Maria Clemência da Silveira Sanpaio com suas Poesias de exaltação ao imperador, em 1823, Nísia Floresta, do Rio Grande do Norte, com sua Tradução Feminista, em1832, a cega Delfina Benigna da Cunha de São José do Norte, RS com suas poesias sentimentais e sofridas, em1834. Ana Eurídice de Barandas de Porto Alegre, em 1845, trouxe poesias e crônicas de denúncia à Guerra dos Farrapos, Ana Luiza de Azevedo Castro, de Florianópolis e Maria Firmina dos Reis,do Maranhão, foram as primeira romancista, em 1859. Nísia Floresta Brasileira Augusta publicou seu primeiro Livro: ”Direitos das mulheres e injustiça dos homens “, em 1932 e o primeiro a tratar dos direitos das mulheres à instrução e ao trabalho.

Em 1910, Raquel de Queiroz, de Fortaleza, ensaísta, cronista, dramaturga, tradutora, em 1940, integrou a União das Classes Femininas do Brasil. Recebeu o prêmio Machado de Assis, em 1977, da Academia Brasileira de Letras, na qual foi a primeira mulher a ingressar, em 1977. Também romancista.

Escreveu o Quinze (1932), Caminho de pedras, (1937). Muitas de suas obras são traduzidas no estrangeiro.

No regime militar, algumas escritoras se posicionaram contra o governo ditatorial, revelando suas posições politicas como Nélida Pinõn.Eleita para a Academia Brasileira de Letras(1989), foi a primeira mulher a presidir a entidade, em 1996. Nossa gaúcha Lila Ripoll, professora, poetisa.

Foi militante comunista, desde o assassinato de seu irmão.
Ganhou o prêmio Pablo Neruda com Poemas e canções, em 1957.

O rol das grandes escritora do século XX é vasto:
Cecília Meirelles, Lígia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Hilda Hist , Marina Colassanti, Lya Luft, Maria Dinorath do Prado, Patrícia Bins,Marta Medeiros, Letícia Wierzchowski e tantas outras.

As mulheres vêm conquistando seu espaço na literatura.

Atualmente está surgindo uma plêiade de escritoras e poetisas jovens, outras nem tão jovens, que se espalham pelas editoras com suas obras literárias. A Historiadora Hilda Flores buscou as escritoras para seu livro “ Dicionário de mulheres”, que já está no prelo e vai ser lançado em Porto Alegre, em 17 de maio próximo.

Ela escreveu o “Dicionário de Mulheres” , em Porto Alegre, em 1999.. Surgiram também muitas Academias Literárias femininas. Com a internet é infindável o número de escritoras com seus sites, seus blogs e seus twitters.

As mulheres de hoje deixaram de ser Amélias, para navegarem em todos os setores da sociedade e no mundo das letras.
Link
Bibliografia: Flores,Hilda –Dicionário de Mulheres – 1999.

Fonte:
Artistas Gaúchos

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Biblioteca Comunitária de Itu (VERBALIZE – Sarau Literário e Musical) sábado, 4 de junho


ITU-SP | Neste sábado, 4 de junho, o Ponto de Leitura de Itu – Biblioteca Comunitária prof. Waldir de Souza Lima – realizará o VERBALIZE!, um Sarau Literário e Musical. O evento terá início às 19 horas e é gratuito e livre para todas as idades.

Haverá apresentações musicais e recitais livres de poesia, inclusive com a participação do público. A ideia é mostrar que um Sarau não é necessariamente um evento feito pela e para a elite, e sim um local de troca de conhecimentos e experiências de pessoas das mais diversas idades e classes sociais. Através da variedade de poemas e canções apresentadas, pode-se ter uma visão da diversidade da cultura brasileira.

Quem desejar apresentar algum poema ou música é só se dirigir ao local do evento. Não há necessidade de inscrição. O participante pode levar um ou mais textos pré-selecionados ou escolher no acervo literário da biblioteca, que contempla autores clássicos e modernos.

A Biblioteca Comunitária fica na rua Floriano Peixoto, 238, Centro, Itu. Mais informações pelo telefone (11) 8110.3598.


PONTO DE LEITURA
BIBLIOTECA COMUNITÁRIA PROF. WALDIR DE SOUZA LIMA
Rua Floriano Peixoto, 238, Centro, Itu.SP
CEP 13300-005
Contatos: (11) 8110.3598
http://www.bibliotecacomunitaria.wordpress.com

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Feira Literária de Londrina Seleciona Atividades, até 24 de junho


O Festival Literário de Londrina 2011 (Londrix), está recebendo para inscrições de propostas na área de literatura. Os proponentes, poderão realizar debates, lançamentos e exposições de livros, apresentações artísticas, shows e outras atividades ligadas ao mundo literário.

Londrix acontece na cidade norte-paranaense no mês de setembro. As inscrições para o festival permanecerão abertas até o dia 24 de junho.

Em sua sétima edição, o encontro , realizado todos os anos, reúne em Londrina os grandes nomes da literatura nacional para refletir a produção e as experiências desenvolvidas no país. O objetivo final do evento é estimular a formação de leitores e divulgar escritores e obras.

O festival promove debates, palestras, shows, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, oficinas e leituras. Em 2010, Londrix contou com lançamento de livros de autoras como Tríade Beatriz Bajo, Célia Musilli e Edra Moraes, debates com Fausto Fawcet e Alex Lima, entre outros eventos.

As inscrições de atividades literárias no Londrix devem ser feitas pela internet e são gratuitas.

EDITAL DE SELEÇÃO DE TRABALHOS PARA O FESTIVAL LITERÁRIO DE LONDRINA LONDRIX2011

O presente edital institui normas para seleção de trabalhos para o Festival Literário de Londrina – Londrix2011, que acontecerá de 20 a 24 de setembro de 2011.

1. ORGANIZAÇÃO

1.1. A seleção será organizada pela AARPA – Atrito Arte Artistas e Produtores Associados e pela Equipe Organizadora do Festival sob Coordenação do Curador Marcos Losnak.

2. DAS CATEGORIAS

2.1. Cada candidato deverá inscrever apenas uma proposta em cada uma das categorias:

2.1.1 DEBATES/PALESTRAS / NACIONAL: os candidatos devem possuir currículo representativo no cenário literário nacional. Serão selecionados dois trabalhos nesta categoria.

2.1.2 DEBATES/PALESTRAS DE ARTISTAS / LOCAL: os candidatos devem possuir vínculo com a cidade de Londrina, ter nascido em Londrina, e/ou desenvolvido sua carreira em Londrina e/ou residir em Londrina comprovadamente há mais de um ano. Serão selecionados 6 trabalhos nesta categoria.

2.1.3 PERFORMANCES, APRESENTAÇÕES TEATRAIS, SHOWS / NACIONAL: os candidatos devem possuir currículo representativo no cenário literário nacional. Será selecionado um trabalho nesta categoria.

2.1.4 PERFORMANCES, APRESENTAÇÕES TEATRAIS, SHOWS / LOCAL: os candidatos devem ter este trabalho desenvolvido na cidade de Londrina. Serão selecionados 3 trabalhos nesta categoria.

2.1.5 LANÇAMENTO DE LIVROS: os candidatos deverão possuir trabalho publicado em 2011 na área literária. Serão aceitos 10 trabalhos nesta categoria.

3 DAS INSCRIÇÕES

3.1 Período de 30 de abril a 24 de junho de 2011

3.1.1 INSCRIÇÃO PELO CORREIO: cada candidato deverá enviar 01 (uma) cópia da sua proposta, o currículo e a ficha de inscrição preenchida (anexo 1). A postagem deverá ser efetuada até 24 de junho, comprovadas pelo carimbo do Correios até esta data.Endereço: Festival Literário de Londrina – Londrix2011 Rua João Pessoa, 103 A Londrina Pr CEP 86020-220).

3.1.2 INSCRIÇÃO PELA INTERNET: a inscrição será efetuada no site do Festival: http://www.festivalliterariodelondrina.com.br, devendo enviar 01 (uma) cópia da proposta, o currículo e preencher a ficha de inscrição, que estará disponível no site.

4. PARTICIPAÇÃO

4.1 As inscrições são gratuitas.

4.2 É vetada a participação de funcionários públicos municipais de Londrina. Por funcionário público municipal entende-se, além dos funcionários contratados e estatutários da Administração Direta, também os funcionários de autarquias e fundações municipais e os funcionários terceirizados.

4.3 O ato da inscrição implica, automaticamente, na cessão dos direitos de imagem para uso específico na divulgação do Festival Literário de Londrina – Londrix2011.

5. SELEÇÃO

5.1 A equipe organizadora do Festival Literário de Londrina – Londrix2011, sob coordenação do Curador Marcos Losnak é responsável pela seleção dos trabalhos e se baseará nos seguintes critérios: análise de currículo, representatividade na área literária, tema da proposta e perfil do Festival.

5.2 A decisão da Comissão é soberana não cabendo recursos.

6. DIVULGAÇÃO DO RESULTADO

6.1 O resultado será divulgado em 24 julho de 2011 através do site do Festival. A partir desta data a Organização do Festival entra em contato com os autores dos trabalhos selecionados.

7. DOS VALORES

7.1 Os valores a serem pagos são diferenciados para cada categoria:

7.1.1 DEBATES/PALESTRAS / NACIONAL: Serão selecionados dois trabalhos nesta categoria com valor de R$ 1.000,00 (hum mil reais) cada. Para pagamentos de pessoas físicas serão descontados 16% (dezesseis por cento) correspondentes aos tributos legais (INSS e ISS).

7.1.2 DEBATES/PALESTRAS / LOCAL: Serão selecionados 6 trabalhos nesta categoria com valor de R$500,00 (quinhentos reais) cada. Para pagamentos de pessoas físicas serão descontados 16% (dezesseis por cento) correspondentes aos tributos legais (INSS e ISS).

7.1.3 PERFORMANCES, APRESENTAÇÕES TEATRAIS, SHOWS / NACIONAL: Será selecionado um trabalho nesta categoria com valor de R$2.000,00 (dois mil reais). Para pagamentos de pessoas físicas serão descontados 16% (dezesseis por cento) correspondentes aos tributos legais (INSS e ISS).

7.1.4 PERFORMANCES, APRESENTAÇÕES TEATRAIS, SHOWS/ LOCAL: Serão selecionados 3 trabalhos nesta categoria com valor de R$ 1.000,00 (hum mil reais) cada. Para pagamentos de pessoas físicas serão descontados 16% (dezesseis por cento) correspondentes aos tributos legais (INSS e ISS).

7.1.5 LANÇAMENTO DE LIVROS: Serão aceitos 10 trabalhos. Não há pagamento de cachê nesta categoria.

8. OUTRAS DISPOSIÇÕES

8.1. Não serão aceitos trabalhos que não estiverem estritamente de acordo com este REGULAMENTO e não tiverem a ficha de inscrição preenchida corretamente.

8.2. Os trabalhos enviados que não estiverem de acordo com o REGULAMENTO terão automaticamente suas inscrições invalidadas.

8.3. A inscrição dos trabalhos implica conhecimento integral dos termos do presente.

8.4. Pedidos de informações sobre este Edital poderão ser feitos pelo e-mail festivalliterariodelondrina@bol.com.br.

CHRISTINE DO CARMO VIANNA
Diretora do Festival Literário de Londrina – Londrix2011

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José Feldman (Poesia para um Amigo Querido)

Ao meu cãozinho Fluffy, falecido há um ano, que estaria fazendo 11 anos.

O sol nasceu cedinho
E seus raios de calor
Caíram sobre a terra adormecida.
A manhã despontou
E você despertou
E seus olhos brilhavam
E havia um calor intenso
Em cada gesto seu.

O dia começava e
Você estava feliz,
Mais feliz ainda
Ao me ver junto a si.

Seu rabo negro e branco
Agitava de felicidade,
E voce pulou,
E voce me lambeu,
E voce me abraçou.

Corremos pelo quintal,
E senti o seu calor,
O seu amor…incondicional.

Briguei contigo,
Mas sua amizade
Era muito forte.
E sempre fui
Dominado pelo seu amor.

As borboletas voavam pelas flores,
Os passarinhos cantavam alegremente,
O próprio dia era mais radiante.

Mas,
O céu foi ficando escuro,
Os raios estremeceram a terra,
O sol sumiu nas trevas,
Seus olhos perderam o brilho
Seu rabo parou de agitar,
Suas pernas já não se moviam.

O sol se foi para sempre,
E só restou a noite,
Só restou as lágrimas,
Encharcando minhas lembranças.

Nem houve um tempo para um adeus!
Um ano sem voce, meu amigo!
Ainda parece que foi ontem
Que estavamos juntos.

Um dia estaremos juntos,
Novamente,
E o sol voltará a brilhar!
Até mais, meu amigo!

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Adolfo Casais Monteiro (Poesias Avulsas)


FADO

Música triste
desenganado
canto nocturno
a pouco e pouco
vai penetrando
meu coração
Nocturna prece
ou pesadelo
não sei que sombra
aquele canto
em mim deixou.
Febre ou cansaço?
Não sei! Nem quero.
lúgubre pranto
de roucas vozes
não tem beleza
– só emoção.
É como um eco
de noites mortas
de vidas gastas
ao deus dará.
Mas eu o recebo
dentro de mim.
Entendo. Choro.
Eu o recebo
Como um irmão.

EU FALO DAS CASAS E DOS HOMENS

Eu falo das casas e dos homens,
dos vivos e dos mortos:
do que passa e não volta nunca mais.. .
Não me venham dizer que estava materialmente
previsto,
ah, não me venham com teorias!
Eu vejo a desolação e a fome,
as angústias sem nome,
os pavores marcados para sempre nas faces trágicas
das vítimas.
E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima,
uma insignificante parcela da tragédia.
Eu, se visse, não acreditava.
Se visse, dava em louco ou em profeta,
dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada,
– mas não acreditava!
Olho os homens, as casas e os bichos.
Olho num pasmo sem limites,
e fico sem palavras,
na dor de serem homens que fizeram tudo isto:
esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira,
esta lama de sangue e alma,
de coisa a ser,
e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança,
se o ódio sequer servirá para alguma coisa…
Deixai-me chorar – e chorai!
As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos,
de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição,
e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama,
por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio,
por um segundo seremos os mortos e os torturados,
os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados,
seremos a terra podre de tanto cadáver,
seremos o sangue das árvores,
o ventre doloroso das casas saqueadas,
sim, por um momento seremos a dor de tudo isto. . .
Eu não sei porque me caem as lágrimas,
porque tremo e que arrepio corre dentro de mim,
eu que não tenho parentes nem amigos na guerra,
eu que sou estrangeiro diante de tudo isto,
eu que estou na minha casa sossegada,
eu que não tenho guerra à porta,
– eu porque tremo e soluço?
Quem chora em mim, dizei – quem chora em nós?
Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros:
as ruas são ruas com gente e automóveis,
não há sereias a gritar pavores irreprimíveis,
e a miséria é a mesma miséria que já havia…
E se tudo é igual aos dias antigos,
apesar da Europa à nossa volta, exangüe e mártir,
eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente,
sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos,
sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta,
uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada…

VEM, VENTO, VARRE
A José Rodrigues Miguéis

Vem, vento, varre
sonhos e mortos.
Vem, vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.

Que fique apenas
erecto e duro
o tronco estreme
de raiz funda.

Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.

Vem, vento, varre!

ODE AO TEJO E À MEMÓRIA DE ÁLVARO DE CAMPOS

E aqui estou eu,
ausente diante desta mesa –
e ali fora o Tejo.
Entrei sem lhe dar um só olhar.
Passei, e não me lembrei de voltar a cabeça,
e saudá-lo deste canto da praça:
“Olá, Tejo! Aqui estou eu outra vez!”
Não, não olhei.
Só depois que a sombra de Álvaro de Campos se sentou a meu lado
me lembrei que estavas aí, Tejo.
Passei e não te vi.
Passei e vim fechar-me dentro das quatro paredes, Tejo!
Não veio nenhum criado dizer-me se era esta a mesa em que Fernando
Pessoa se sentava,
contigo e os outros invisíveis à sua volta,
inventando vidas que não queria ter.
Eles ignoram-no como eu te ignorei agora, Tejo.
Tudo são desconhecidos, tudo é ausência no mundo,
tudo indiferença e falta de resposta.
Arrastas a tua massa enorme como um cortejo de glória,
e mesmo eu que sou poeta passo a teu lado de olhos fechados,
Tejo que não és da minha infância,
mas que estás dentro de mim como uma presença indispensável,
majestade sem par nos monumentos dos homens,
imagem muito minha do eterno,
porque és real e tens forma, vida, ímpeto,
porque tens vida, sobretudo,
meu Tejo sem corvetas nem memórias do passado…
Eu que me esqueci de te olhar!

O FIM DA NOITE

A nossa história é simples: somos
neste momento todo o amor na terra
e nada mais importa, senão
o que sou, verdade em ti,
o que és, verdade em mim.
Por isso este poema talvez não seja
mais que um silêncio pela noite,
nem verso, nem prosa, só
uma oração ao deus desconhecido.

Não é talvez senão o teu olhar,
e tua esquiva mágoa,
o teu riso e tuas lágrimas.
E o apelo dentro de mim
ao milagre de nos querermos,
com a mágoa e com o riso,
– e teu olhar que vê em mim.

Não sei pedir, sei só esperar.
Mas já houve o milagre. Estava
agora comigo ao longo das ruas, que antes
eram só casas de pálpebras cerradas.
Estava no silêncio, que antes
era mortal.

E tu, sem eu saber, estavas comigo.
E sem eu saber de súbito na treva
buliram asas
e sem eu saber era já dia.

PERMANÊNCIA

Não peçam aos poetas um caminho. O poeta
não sabe nada de geografia celestial.
Anda aos encontrões da realidade
sem acertar o tempo com o espaço.
Os relógios e as fronteiras não tem
tradução na sua língua. Falta-lhe
o amor da convenção em que nas outras
as palavras fingem de certezas.

O poeta lê apenas os sinais
da terra. Seus passos cobrem
apenas distâncias de amor e
de presença. Sabe
apenas inúteis palavras de consolo
e mágoa pelo inútil. Conhece
apenas do tempo o já perdido; do amor
a câmara escura sem revelações; do espaço
o silêncio de um vôo pairando
em toda a parte.

Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe
– morto redivivo.
Tudo é simples para quem
adia sempre o momento
de olhar de frente a ameaça
de quanto não tem resposta.

Tudo é nada para quem
descre de si e do mundo
e de olhos cegos vai dizendo:
Não há o que não entendo.

AURORA

A poesia não é voz – é uma inflexão.
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:

vôo sem pássaro dentro.

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