Arquivo do mês: julho 2011

3º Concurso de Poesia "Poetizar o Mundo” (Inscrições Abertas)

Modalidade: Minimalista.

Curadora: escritora e poeta Isabel F. Furini, autora de “O Livro do Escritor”.

1) O Concurso de Poemas tem como objetivo estimular a produção literária e é destinado a todas as pessoas maiores de 18 anos que apresentem um poema minimalista inédito e escrito em português.

2) O tema é livre, a inscrição é GRATUITA e poderá ser feita até 30 de setembro /2011.

3) Cada concorrente poderá participar com apenas um poema minimalista (até 5 versos ou linhas) inédito (ou seja, ainda não impresso em papel, nem publicado na internet), que não tenha sido premiado em outro concurso.

4) Consideram-se inscritas as obras enviadas pelo e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Em “assunto”: 3º Concurso de Poesia: “Poetizar o Mundo”.

5) Poema no corpo do e-mail, sem anexo, escrito em língua portuguesa, digitado em espaço 2 (dois), com fonte Arial, tamanho 12 (doze).

6) Deverá constar no final: o título do poema, nome completo do autor, seu endereço, e-mail, telefone, RG, e 4 ou 5 linhas de currículo.

7) A comissão julgadora será composta pelo professor, poeta e escritor Alvaro Posselt e pela poeta Maria Edna Holer de Oliveira, autora do livro “Alvorecer da Poesia”, pela editora Protexto de Curitiba.

8) Premiação: o primeiro lugar receberá troféu e diploma. O segundo e terceiro lugares receberão diplomas. Poderão ser escolhidas até três Menções Honrosas, que também receberão diplomas.

9) O resultado do concurso será divulgado em sites literários da Internet e no blog: http://www.isabelfurini.blogspot.com/ – Falando de Literatura, do Bonde News.

10) O resultado será divulgado até 10 de novembro/11. Na ocasião, também serão homenageadas com placa comemorativa duas personalidades do mundo das letras: o bibliotecário José Domingos Brito, organizador das Antologias’ “Como Escrever” e “Por que Escrever”, e o poeta e escritor Cyl Gallindo da Academia Pernambucana de Letras.

11) O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica concordância com as disposições nele consignadas.

Os troféus e placas foram doados pela poeta Maria Edna Hole de Oliveira.

Fonte:
Isabel Furini

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18 de Julho (Dia Nacional do Trovador)


O dia 18 de julho é o dia consagrado aos trovadores do Brasil. A data foi fixada por leis estaduais e municipais, onde que haja um cultor da Trova, em homenagem ao Trovador LUIZ OTÁVIO, o responsável pelo insuperável movimento literário brasileiro, que é o movimento trovadoresco nacional.

No dia do Trovador, todas as Seções da União Brasileira de Trovadores – UBT e Delegacias espalhadas por centenas de municípios brasileiros comemoram a data com almoços festivos, reuniões, com as chamadas chuvas de trovas, (centenas de trovas impressas) jogadas das janelas dos trovadores, para que os transeuntes se deliciem com as trovas que vão caindo ao sabor do vento. São realizadas palestras, enfim, cada seção ou delegacia comemora da melhor forma que pode a passagem do dia legalmente dedicado ao trovador.

A data foi escolhida em homenagem a LUIZ OTÁVIO, o Dr. Gilson de Castro, um dos mais conceituados Cirurgiões – Dentistas da época, formado pela Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil, em 1936. Sua clientela não ficava restrita apenas ao município Rio de Janeiro, se espalhava por São Paulo, Santos, Belo Horizonte e outras cidades mais próximas da sede do seu consultório, que, recordo como se fosse hoje, ficava na Rua do México, 119, no 9º Andar.

LUIZ OTÁVIO nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de julho de 1916. Filho de OCTÁVIO DE CASTRO e Dona ANTONIETA CERQUEIRA DA M. CASTRO.

LUIZ OTÁVIO foi o precursor do movimento trovadoresco brasileiro, tendo publicado em 1956, a primeira Coletânea de Trovas, intitulada “ Meus irmãos, os Trovadores”, contendo mais de duas mil Trovas, mais de seiscentos autores brasileiros, notas elucidativas e bibliográficas.

O “Castanheira – de – Pêra”, Jornal Português de 11 de agosto de 1958 publicou sobre Meus Irmãos, os Trovadores:

“Esta coletânea, a primeira do gênero, veio preencher uma lacuna que se fazia sentir. Apresenta mais de seiscentos autores brasileiros, duas mil trovas, inúmeras notas bibliográficas e elucidativas e minuciosa introdução com um estudo sobre a trova. É um valioso trabalho que se impõe. A Luiz Otávio, em quem há muito reconhecemos idoneidade literária e bom sentido poético, apresentamos os nossos parabéns e os desejos de que o seu trabalho tenha a divulgação que a todos os títulos merece”.

Referindo-se ao mesmo trabalho de LUIZ OTÁVIO, A ILHA, JORNAL DA África- São Miguel dos Açores, de 16 de fevereiro de 1957, registrou:

“ Esta grande coletânea de trovas honra LUIZ OTÁVIO pelo seu trabalho, seriedade, competência e cultura, contribuindo para uma melhor compreensão deste tão ‘ simples e difícil‘ gênero poético. “.

O Correio da Manhã do Rio de Janeiro, na edição de 27 de janeiro de 1957, em coluna assinada por Sílvia Patrícia, assinalou:

“Meus Irmãos, os Trovadores, o volume novo que LUIZ OTÁVIO – Papai Noel da Poesia- ofereceu-nos no Natal que passou, é quase um romance no qual cada pena desta nossa irmandade de sonho narra, em quatro linhas, uma alegria ou uma tristeza, cardos e flores encontrados pelo caminho.”

O Jornal O Positivo, de Santos Dumont, MG., em coluna assinada por Antônio J. Couri, no dia 1º de outubro de 1957, escreveu sobre Meus Irmãos, os Trovadores:

“Raríssimas são as vezes em que o Brasil tem a oportunidade de conhecer coletâneas de poesias, ou , simplesmente quadras. Agora temos uma apresentada por LUIZ OTÁVIO, porém de trovas. De uma organização primorosa , o autor de “Cantigas para Esquecer” soube escolher a matéria que compõe o livro, constituindo assim um verdadeiro monumento de arte da poesia nacional.”

Evidentemente, não seria necessário selecionarmos as opiniões acima para este modesto trabalho a respeito do Dia do Trovador e de LUIZ OTÁVIO, o responsável pelo reconhecido movimento trovadoresco da atualidade, que começo a se firmar a partir da publicação de “ Meus Irmãos, os Trovadores“,obra que reuniu trabalho de trovadores de todos os recantos do território nacional, numa época em que os meios de comunicação ainda eram bastante precários, o que, por certo, valorizou ainda mais o livro, pelo trabalho incessante do Autor, inveterado apaixonado pela trova, como escreveu.

“A trova tomou-me inteiro!
tão amada e repetida,
agora traça o roteiro
das horas de minha vida.”

“Trovador, grande que seja,
tem esta mágoa a esconder:
a trova que mais deseja
jamais consegue escrever … “

Por estar na solidão,
tu de mim não tenhas dó.
Co trovas no coração,
eu nunca me sinto só.”

No ano de 1960, em Congresso de Trovadores realizados em São Paulo, foi eleita a Família Real da Trova, ficando assim constituída : Rainha da Trova : LILINHA FERNANDES (Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva); Rei da Trova : ADELMAR TAVARES e Príncipe dos Trovadores, LUIZ OTÁVIO (Gilson de Castro). Mesmo já sendo falecidos, continuam com o título, pois outros trovadores só poderão adquirir o título se houver uma Eleição Nacional ou um Congresso realizado com esta finalidade, em que participe um número muito grande de trovadores, com a participação de representantes de todo o país, uma vez que não pode ser reconhecido qualquer título literário supostamente alcançado com a votação de sócios de uma academia, associação, centro literário etc, com exceção de sua Diretoria.

Ainda no ano de 1960, LUIZ OTÁVIO, juntamente com J. G. de Araújo Jorge, criaram os Jogos Florais de Nova Friburgo, com o apoio do Prefeito Municipal da Cidade, Dr. Amâncio de Azevedo e do Trovador Rodolpho Abbud, até hoje o mais respeitado trovador da Cidade, Jogos Florais que se realizam, ininterruptamente, desde 1960 e seus festejos fazem parte do calendário oficial da Cidade e são realizados como parte dos festejos do aniversário de Nova Friburgo.

No dia 21 de agosto de 1966, LUIZ OTÁVIO fundou a União Brasileira de trovadores – UBT – no Rio de Janeiro e a UBT Nacional,com sede também no Rio de Janeiro, tendo a mesma se expandido em pouco tempo, contando hoje com uma infinidade de Seções e Delegacias em quase todo o território nacional, onde se realizam cerca de 80 concursos de Trovas por ano, na maioria com mais de um tema o que, no cômputo geral, chega a mais de 120 certames por ano.

LUIZ OTÁVIO foi o primeiro Presidente da UBT, tendo se tornado pouco tempo depois Presidente Nacional e posteriormente, Presidente Perpétuo, o mais alto título concedido pela agremiação.

Recebeu o título máximo da trova, Magnífico Trovador, nos Décimos Quintos Jogos Florais, por ser vencedor três anos consecutivos com as trovas:

XIII Jogos Florais – Tema Silêncio – 1º lugar :
“ Nessas angústias que oprimem,
que trazem o medo e o pranto,
há gritos que nada exprimem,
silêncios que dizem tanto !.. “

XIV Jogos Florais – tema Reticências – 2º lugar:
“Eu …você …as confidências…
o amor que intenso cresceu
e o resto são reticências
que a própria vida escreveu…”

XV Jogos Florais – tema Fibra – 10º lugar:
“ Ele cai … não retrocede ! …
continua até sozinho …
que a fibra também se mede
pelas quedas no caminho … “

LUIZ OTÁVIO publicou os livros:

Saudade… muita saudade! / Poesia / 1946
Um Coração em ternura / Poesia / 1947
Trovas / Trovas (três edições) / 1954 – 1960 – 1961
Meus Irmãos. / Os Trovadores Coletânea de Trovas / 1956
Meu Sonho Encantador / Poesias / 1959
Cantigas para Esquecer / Trovas / 1959 e 1961
Cantigas de Muito Longe / Trovas / 1961
Cantigas dos Sonhos Perdidos / Trovas / 1964
Trovas… Ao Chegar do Outono / Trovas / 1965

Registramos outras trovas de LUIZ OTÁVIO, que demonstram porque, após quinze anos de criar os Jogos Florais de Nova, como outros grandes trovadores, ele sagrou-se Magnífico Trovador.

“ Se a saudade fosse fonte
de lágrimas de cristal,
há muito havia uma ponte
do Brasil a Portugal.”

“Ao partir para a outra vida,
aquilo que mais receio,
é deixar nessa partida,
tanta coisa pelo meio … “

“Pelo tamanho não deves
medir valor de ninguém.
Sendo quatro versos breves
como a trova nos faz bem. “

“Busquei definir a vida,
não encontrei solução,
pois cada vida vivida
tem uma definição… “

“ Não paras quase ao meu lado … !
e em cada tua partida,
eu sinto que sou roubado
num pouco da minha vida …”

“Portugal – jardim de encanto
que mil saudades semeias
nunca te vi … e, no entanto,
tu corres nas minhas veias …”

“Meus sentimentos diversos
prendo em poemas tão pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos …”

“ Contradição singular
que angustia o meu viver :
a ventura de te achar
e o medo de te perder … “

“ estrela do céu que eu fito,
se ela agora te fitar,
fala do amor infinito
que eu lhe mando neste olhar … “

“ Ó mãe querida – perdoa ! ´
o que sonhaste, não sou …
– Tua semente era boa !
a terra é que não prestou ! “

Além de grande Trovador, campeão de centenas de Concursos de Trovas e Jogos Florais, realizados em várias cidades do país, LUIZ OTÁVIO era um exímio compositor, sendo dele a autoria do Hino dos Trovadores, Hino dos Jogos Florais, das Musas dos Jogos Florais e de várias outras obras musicais.

Hino dos Trovadores:

“ Nós, os trovadores,
somos senhores
de sonhos mil !
Somos donos do Universo
através de nosso verso.
E as nossas trovas
são bem a prova
desse poder :
elas têm o dom fecundo
de agradar a todo mundo ! “

Hino dos Jogos Florais

“ Salve os Jogos Florais Brasileiros !
a Cidade se enfeita de flores !
Corações batem forte, fagueiros,
a saudar meus irmãos trovadores !
Unidos por laços fraternais,
nós somos irmãos nos ideais;
– não há vencidos, nem vencedores ;
pois todos nós cantamos , somos trovadores;

e as nossas trovas sentimentais
são sempre mensageiras de amor e paz !.

A Oração do Trovador é o Poema de são Francisco de Assis, Padroeiro dos Trovadores, cujo aniversário, dia 4 de outubro é muito festejados pelos cultores da Trova.

E para encerrar esta homenagem ao Dia do Trovador, focalizando a figura mais importante do mundo trovadoresco, LUIZ OTÁVIO, registramos dois sonetos, dos inúmeros que escreveu, contido em um dos seus livros de poesias, “Meu Sonho Encantador “.

O IDEAL

Esculpe com primor, em pedra rara,
o teu sonho ideal de puro artista !
Escolhe, com cuidado, de carrara
um mármore que aos séculos resista !

Trabalha com fervor, de forma avara !
Que sejas no teu sonho um grande egoísta !
Sofre e luta com fé, pois ela ampara
a tua alma, o teu corpo em tal conquista !

Mas, quando vires, tonto e deslumbrado,
que teu labor esplêndido e risonho
ficará dentro em breve terminado,

pede a deus que destrua esse teu sonho,
pois nada é tão vazio e tão medonho
como um velho ideal já conquistado ! …

ORGULHO

Venho de longe… venho amargurado
pelas noites sem fim, nesse cansaço
de receber tão só, triste e calado,
a incompreensão do mundo passo a passo…

Eu trago a alma sem fé do revoltado
e o gesto do vencido em cada braço…
E tu me surges – Anjo imaculado –
a oferecer repouso em teu regaço…

Porém tua alma feita de inocência
serenidade e Luz, não avalia
a penumbra invulgar dessa existência…

Deixa-me, pois, seguir o meu caminho,
renunciar, viver nessa agonia,
mas tenho o orgulho de sofre sozinho !…

Assim, mostramos um pouco da poética de LUIZ OTÁVIO, Príncipe dos Trovadores Brasileiros, Magnífico Trovador e Presidente Perpétuo da União Brasileira de Trovadores e responsável pelo sucesso alcançado pela Trova e pelos Trovadores.

Fonte:
http://www.movimentodasartes.com.br

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Luiz Otávio, Príncipe dos Trovadores

artigo enviado por Carolina Ramos

O POETA

Gilson de Castro nasceu a 18 de julho de 1916, no Rio de Janeiro. Luiz Otávio foi o pseudônimo que ele adotou para assinar suas trovas, poesias e outras manifestações de seu talento literário. Era cirurgião-dentista, profissão que exerceu no Rio de Janeiro, onde se formou e mais tarde se transferindo para Santos no final de sua vida.

Começou a enviar seus versos para os jornais e revistas lá por 1938, ainda timidamente, oculto sob pseudônimo. Não pretendia misturar a vida literária com a profissional. As principais revistas e jornais da época começaram a divulgar poesias e principalmente trovas de Luiz Otávio, que podiam ser encontradas no “Correio da Manhã”, “Vida Doméstica”, “Fon-Fon”, “O Malho”, “Jornal das Moças”, revistas que, como “O Cruzeiro”, eram as mais lidas dos anos 1939, 40 e 41, etc. A revista “Alterosa” de Belo Horizonte, também o divulgou. Pouco a pouco, a Trova tomou conta do coração do poeta, assumindo Literalmente papel de Liderança na sua vida. E ele confessa:

A Trova tomou-me inteiro,
tão amada e repetida,
que agora traça o roteiro
das horas da minha vida!…

Para a ascensão da Trova na vida de Luiz Otávio, muito contribuiu sua amizade com Adelmar Tavares. Quem os aproximou foi o consagrado poeta A. J Pereira da Silva. Recuperava-se Luiz Otávio na Fazenda Manga Larga em Pati de Alferes, quando teve oportunidade de conhecer esse renomado poeta, da Academia Brasileira de Letras, com quem iniciou amizade edificante, solidificada pela Poesia; amizade que se estendeu até os derradeiros dias de A. J. Pereira da Silva que, naquele tempo, já passava dos sessenta, enquanto Luiz Otávio não galgara ainda o vigésimo segundo degrau de sua sofrida existência. Isto não perturbou as horas deliciosas de conversa amena e espiritualizada, em que a fina sensibilidade de ambos fazia desaparecer a diferença de idade, provando que um coração capaz de vibrar “de amor” e pulsar em ritmo de poesia, simplesmente não tem idade.

A viúva do acadêmico Antônio Joaquim Pereira da Silva, doaria posteriormente, a preciosa Biblioteca do poeta ao seu particular amigo, Luiz Otávio, que, por sua vez, ao transferir residência para Santos, em 1973, doou parte desse valioso acervo, juntamente com livros de sua própria estante – num total de mil exemplares devidamente catalogados – à Academia Santista de Letras, que só então teve formada sua Biblioteca. Na época, a A.S.L. era presidida pelo Dr. Raul Ribeiro Florido que se responsabilizou pelo transporte Rio-Santos. Com esta doação, Luiz Otávio não pretendia nada para si, como deixou bem claro em carta, (era de conhecimento geral sua quase aversão às Academias, em virtude do próprio temperamento). Mas pediu, por uma questão de justiça, que numa das estantes fosse colocada uma placa que levasse o nome de A. J Pereira da Silva. Luiz Otávio recebeu um carinhoso oficio de agradecimento do então Presidente da Academia. O atual Presidente, Dr. Nilo Entholzer. Ferreira, trovador de méritos, comprometeu-se a cumprir essa cláusula.

Como já dito, A. J. Pereira da Silva foi quem levou Luiz Otávio até Adelmar Tavares, também da Academia Brasileira de Letras, em visita à sua casa, em Copacabana. Corria o ano de 1939. Adelmar Tavares sentia a idade pesar-lhe nos ombros, e, mais uma vez, um jovem poeta e um velho e consagrado mestre da Poesia uniam-se por laços afetivos dos mais duradouros. A principal responsável por essa união foi a Trova, que Adelmar Tavares cultivava e da qual Dr. Gilson de Castro já era profundo apaixonado, trazendo-a para o público sob o Pseudônimo, agora definitivamente adotado.

Luiz Otávio. Luiz, por ser bonito, melodioso, e combinar com Octávio, o nome do Pai, a quem, homenageava. Para atualizar o nome, o c foi cortado em acordo às regras ortográficas vigentes. A Poesia de Luiz Otávio ganhava espaço. Jornais de outros estados o acolhiam em suas páginas, tinha ao seu dispor colunas literárias de crítica poética, onde comentava livros, publicava trovas, poesias e arrebanhava fãs e admiradores de todas as idades. Daí ai constituir-se Líder de um Movimento Trovadoresco, era questão de um passo, muito embora isto viesse acontecer sem procura. Idealista, lírico, por excelência, com um profundo senso de organização, Luiz Otávio acumulava ainda outras qualidades indispensáveis ao “verdadeiro Líder”, seja lá do que for. Era simples, honesto, e sabia convencer sem forçar. Embora convicto e determinado, sabia humildemente ceder, se preciso fosse. Se persuadido da necessidade de uma renúncia, cedia, sim, porém, não facilmente, mesmo porque antes de propor algo, o fazia convicto de que aquilo era o certo, respondendo de antemão a todos os possíveis apartes – o que de certo modo desarmava, a priori, o opositor. Era bom, afável e acima de tudo, profundamente carismático. Um verdadeiro Príncipe!

O TROVADOR

Era, portanto, o campo fecundo onde a semente da Trova encontrou chão propício para deitar raízes, expandindo sua opulência por todo território nacional. O ritmo da Trova que embalava seus ouvidos desde os tempos de escoteiro, cresceu com ele, ganhando melodia ao som do violão de Glauco Vianna, mais tarde pertencente ao “Bando dos Tangarás”, seu colega de faculdade e de noitadas de seresta.

Final

Luiz Otávio sempre gostou de cantar e compor embora não conhecesse música. Aloysio de Oliveira, outro companheiro, também possuidor de um bom timbre vocálico, iria pertencer, no futuro, ao Bando da Lua, que tanto sucesso fez na terra de Tio Sam ao lado de Carmen Miranda. A influência destes dois amigos foi grande na iniciação poética de Luiz Otávio. Glauco tocava, Aloysio cantava e Luiz Otávio não apenas cantava como também compunha letras e músicas de canções, sambas, fox-trotes, valsas, etc. e continuou cantando e compondo até o final dos seus dias. Nascia o “Trovador” – assim carinhosamente chamado, já naquele tempo, antes mesmo do seu ingresso definitivo no Mundo da Trova.

Cada quadrinha que faço
em hora calma ou incalma,
é pequenino pedaço
que eu mesmo furto a minha alma.

Ó trovas – simples quadrinhas
que tem sempre um que de novo…
– Como podem quatro linhas
trazer toda a alma de um povo?!

Uma trova pequenina,
tão modesta, tão sem glória,
bem pouca gente imagina,
que também tem sua história.

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Arquivado em Biografia, homenagem, Trovas

Luiz Otávio (Trovas)

A trova tomou-me inteiro,
Tão amada e repetida
Que agora traça o roteiro
Das horas da minha vida!…

Ó trovas — simples quadrinhas
que têm sempre um quê de novo…
— Como podem quatro linhas
trazer toda alma de um povo?!

Trovador, grande que seja,
tem esta mágoa a esconder:
a trova que mais deseja
jamais consegue escrever …

Cada quadrinha que faço
em hora calma ou incalma,
é pequenino pedaço
que eu mesmo furto a minha alma.

Uma trova pequenina,
tão modesta, tão sem glória,
bem pouca gente imagina,
que também tem sua história.

Pelo tamanho não deves
medir valor de ninguém.
Sendo quatro versos breves
como a trova nos faz bem.

Toda noite ao me deitar
(por certo você reprova),
eu me esqueço de rezar
e fico fazendo trova.

Tudo nos une: o amor,
o gênio igual, a constância,
até mesmo a própria dor…
— Só nos separa a Distância…

Se é de amor tua ferida,
não busques remédio, — cala!
— O Tempo, aliado à Vida,
lentamente há de curá-la…

Duas vidas todos temos,
— muitas vezes, sem saber…
— A vida que nós vivemos
e a que sonhamos viver…

Do Passado faço culto!
Nas tenho cá o meu rito:
— Se triste, eu o sepulto!
Se feliz, o ressuscito…

É desigual esta vida
pois, nos engana… nos furta…
— Dá velhice tão comprida!
E mocidade tão curta!…

Que sina, que padecer
foi a Sorte aos cegos dar:
— Não ter olhos para ver
e tê-los para chorar…

“Meu Deus como o Tempo passa!…”
— Nós, às vezes, exclamamos…
Mas por sorte ou por desgraça,
fica o tempo… e nós passamos..

Muitas vezes ao partir,
(oh! tortura singular!)
— os que ficam, querem ir…
os que vão, querem ficar…

Às vezes o mar bravio,
nos dá lição engenhosa:
Afunda um grande navio,
deixa boiar uma rosa

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas tão pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos….

Duas vidas todos temos,
muitas vezes sem saber:
— a vida que nós vivemos,
e a que sonhamos viver…

Nessas angústias que oprimem,
que trazem o medo e o pranto,
há gritos que nada exprimem,
silêncios que dizem tanto !…

Eu …você …as confidências…
o amor que intenso cresceu
e o resto são reticências
que a própria vida escreveu…

Ele cai … não retrocede ! …
continua até sozinho …
que a fibra também se mede
pelas quedas no caminho ..

Se a saudade fosse fonte
de lágrimas de cristal,
há muito havia uma ponte
do Brasil a Portugal.

Ao partir para a outra vida,
aquilo que mais receio,
é deixar nessa partida,
tanta coisa pelo meio …

Busquei definir a vida,
não encontrei solução,
pois cada vida vivida
tem uma definição…

Não paras quase ao meu lado …
e em cada tua partida,
eu sinto que sou roubado
num pouco da minha vida …

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas tão pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos …

Contradição singular
que angustia o meu viver :
a ventura de te achar
e o medo de te perder …

Estrela do céu que eu fito,
se ela agora te fitar,
fala do amor infinito
que eu lhe mando neste olhar …

Ó mãe querida – perdoa !
o que sonhaste, não sou …
– Tua semente era boa !
a terra é que não prestou !
———

Fontes:
OTÁVIO, Luiz. Trovas. Belo Horizonte: Editora Acaiaca,
VERDAN, Iraí. Vida e obra do Príncipe da Trova – Luiz Otávio.
Portal Movimento das Artes.

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Ialmar Pio Schneider (Soneto a Luiz Otávio)

– In Memoriam – Dia do Trovador –
Nascimento do trovador em 18 de julho de 1916 –

Luiz Otávio foi dos trovadores,
o Príncipe que divulgou a trova
e a revestiu de uma roupagem nova,
para que fosse a das mais belas flores…

Pois em cada ano sempre se renova
e vai angariando admiradores
que curtem os seus mágicos amores,
das ardentes paixões, vívida prova !

Em dezoito de julho é celebrado,
Dia do Trovador, sempre lembrado,
pois nasceu Luiz Otávio, nesse dia.

E todos aos que a trova têm paixão,
podem prestar-lhe em forma de oração,
a homenagem de sua nostalgia…

Fonte:
Soneto enviado pelo autor

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Olivaldo Júnior (Poema ao Dia do trovador)

Dezoito de julho é dia de poesia…
Andam moças pela praça inteira,
inteiradas da moda, em fantasia,
que tudo é poesia: a vida é feira.
A feira do poeta é a sua alegoria.

Hoje é dia de quem vive na lua,
mas volta pra cá se tem samba,
puro acalanto em qualquer rua,
que a rua é a casa de quem anda
sobre as brasas de sol e chuva,
de chuva e sol, de quem ciranda.

Não tem mais cavalo, mas vai…
Não tem mais donzela, mas sai…
Não tem mais porquê, mas (ai!)
faz da vida um sábado e recai,
descansa em si mesmo, bye, bye.

Luiz Otávio, príncipe trovador,
troveja um pouco sobre mim,
me ensina a ser doutor em flor!
Plantando trovas num jardim,
me ensina a ser, também, amor…

Fonte:
O Autor

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Eliana Ruiz Jimenez (Dia do Trovador)

O poeta é detentor de uma sensibilidade aguçada e tem a necessidade de compartilhar a sua visão emocional e os seus sentimentos com as outras pessoas, transformando essas impressões em versos, que podem ser livres, ou em formatos predeterminados, como na trova, por exemplo.

Os versos livres costumam surgir de repente e arrebatam o poeta onde ele estiver. É preciso segurar a ideia, transpô-la imediatamente para o papel antes que o sopro inspirador se dilua e as palavras se percam.

Já a trova é a expressão poética trabalhada. De formato rígido, requer métrica e rimas, além da expressão de um pensamento completo em quatro versos, sendo que o último arremata a reflexão com um grande final.

Habilidoso, o trovador precisa adequar o querer dizer na precisão das sete sílabas tônicas e ainda provocar no leitor a empatia com a saudade sentida, com o coração partido e – por que não dizer? – com as reminiscências que cada um traz consigo.

Audacioso, o trovador elabora a trova com sofisticação, procurando justapor as palavras num encaixe cuidadoso, observando tanto a forma como a sonoridade, procurando a rima inédita, notável. Vale pensar, refazer, pois o que importa é o resultado perfeito.

A trova é, portanto, a ideia sintetizada, a comunicação imediata, que pode trazer tanto um pensamento filosófico como a sabedoria da experiência, o humor ou o lirismo.
Quando finalmente pronta, a trova é como o filho criado, independente, que percorre o mundo levando a mensagem de seu criador.

Nesse oceano de trovas brilhantes, os trovadores são amigos fraternos que, embalados pela mesma inspiração poética, vão compartilhando a vida nos versos, falem eles das dores sentidas ou das alegrias da jornada.

No dia 18 de julho, data de nascimento de Luiz Otávio, responsável pela consolidação do movimento trovadoresco no Brasil, é comemorado o dia do trovador, data em que todos os poetas e admiradores dessa bela e requintada expressão poética relembram o saudoso e querido amigo, principalmente com a leitura de suas belas trovas, tão contemporâneas, que nos deixam a certeza de um homem que viveu à frente de seu tempo e que assim escrevia:

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos.

Pelo tamanho não deves
medir valor de ninguém;
sendo quatro versos breves,
como a trova nos faz bem!

Fonte:
A Autora

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