José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XVIII


SINAIS.

Faça o til e o cedilha com nitidez, e não simples rabiscos ou traços confusos e inexpressivos.

SINESTESIA.

É uma espécie de metáfora que consiste na união de impressões sensoriais diferentes.

Use-a, se puder, para, através de duas sensações, indicar mais vivamente um objeto ou ser.

Um grito áspero, palavras douradas, cheiro quente.

O cheiro doce e verde do capim trazia recordações da fazenda…

A presença inesperada do sumo pontífice no encontro comoveu a todos. O toque de mão suave, o semblante sereno, o leve odor de rosas que emanava de sua presença provocou em todos uma sensação de paz.

SOLECISMOS.

Ocorre quando há desvios de sintaxe quanto à concordância, regência ou colocação.

Obedeça o chefe.

Quem fez isso foi eu.

Faltou muitos alunos no dia do jogo da Seleção do Brasil.

Que fique bem claro uma coisa: as frases acima estão gramaticalmente incorretas.

SUBSTANTIVO, VERBO.

Abuse do uso de substantivos e verbos. Seja sovina com adjetivos e advérbios. Eles são os inimigos do estilo enxuto.

Matar ou matar. De quebra, morrer. No campo de batalha o soldado pouca chances tem de escolhas diferentes dessas.

A tarde cai. O céu escurece rapidamente, como convém à estação outonal. O silêncio vai se instalando na pequena vila onde, a partir de agora, só o luar iluminará as ruas.

SUJEITO.

A menos que queira enfatizar muito o sujeito, ou precise evitar confusão na interpretação sobre quem está falando, omita o pronome sujeito, ou não abuse de seu emprego.

Ao longe, avistaram um velho abatido vindo ao encontro deles. Decidiram parar. “Credo! Isso é coisa do demo!”, falou o terceiro se benzendo. É… e eles tinham razão.

Pedro resolveu omitir seu nome. Na verdade, ninguém precisaria saber que era filho de empresário famoso; nada lhe acrescentaria de bom e, ao contrário, poderia tornar-se alvo de bandidos naquela região perigosa do Rio.

SUPERLATIVOS.

Cuidado com “superlativos criativos” do tipo “mesmamente”, “apenasmente”, etc.

SUSPENSE.

Quando quiser criar suspense, acumule dados, ação inesperada, apresente conseqüências, deixando a causa para o final.

Todos estavam apreensivos, esperando o anúncio do vencedor do concurso. O mestre-de-cerimômias abre a solenidade com uma longa lista de agradecimentos. A cada nome, a ovação da platéia interrompe o correr da solenidade. Começa agora a leitura dos nomes dos vencedores. Juliano está com o coração na mão. O envelope vai ser aberto. Mas tudo escurece subitamente. Não é que falta luz no exato momento em que os nomes seriam anunciados! Juliano não agüenta a ansiedade.

TAMANHO DAS LETRAS.

Escreva com letras médias (nem muito grandes, nem muito pequenas). Letras muito pequenas vão dificultar a correção do texto e letras muito grandes vão proporcionar poucas palavras em cada linha e, conseqüentemente, uma abordagem superficial do assunto.

TELEGRAMA.

É utilizado para comunicação urgente. Deve-se suprimir do pequeno texto qualquer palavra dispensável, como artigos, preposições, conjunções e sinais de pontuação. Ponto será grafado com PT e vírgula com VG.

TEMA.

Leia o tema que vai desenvolver com atenção, analisando com profundidade as idéias nele contidas.

Fácil ou difícil, agradável ou não, o tema terá que ser enfrentado. A melhor atitude será recebê-lo com simpatia, disposição e otimismo.

Redija usando argumentos fortes e consistentes. O floreio e o enche lingüiça nada acrescentam à qualidade do texto de uma redação.

O tema é o assunto sobre o qual se escreve, ou seja, a idéia que será defendida ao longo da dissertação. Deve tê-lo como um elemento abstrato. Nunca se refira a ele como parte do texto.

Não fuja do tema proposto, nem invente títulos, escolhendo outro argumento com o qual tenha maior afinidade. O distanciamento do assunto pode custar pontos importantes na avaliação da redação.

Não fugir do tema significa abordá-lo da maneira como foi proposto, isto é, nem restringindo demais a abordagem nem extrapolando para assuntos que não tenham relação direta com ele.

Se o seu objetivo é ser favorável à privatização das estradas, use argumentos sólidos que justifiquem o porquê de sua posição. Tente convencer o leitor e mantenha clara a sua opção.

Se o tema for “O clima do Brasil”, não adiantará fazer uma obra-prima versando sobre “O clima de Minas Gerais”, porquanto o seu trabalho resultará inútil. Os corretores vão considerar que houve fuga ao tema proposto. Sabe qual a nota que terá nesse caso? ZERO!

Quais os temas que podem cair nas provas de Redação? A tendência das bancas examinadoras tem sido solicitar dois tipos de temas: objetivos, os relacionados aos problemas atuais, presentes na mídia (sociais, tecnológicos, econômicos, etc.); subjetivos, os que envolvem o comportamento e o sentimento das pessoas.

TEMPO.

Não acelere o ritmo para acabar logo a redação nem demore demais para não perder tempo.

TEMPOS VERBAIS.

Procure tirar proveito da mudança dos tempos verbais, usando-os, por exemplo, para fazer generalizações.

O larápio não deixou de roubar após ter passado um bom tempo na prisão. Ora, por esse caso podemos ver que nem sempre a prisão recupera os criminosos.

TEORIA.

Se precisar provar a alguém, ou a você mesmo, uma teoria, use o raciocínio lógico e, se for o caso, hipotético.

Democracia verdadeira não existe sem educação. O indivíduo sem estudo é presa fácil do engodo, da retórica vazia, das promessas irrealizáveis. Imagine alguém que mal sabe escrever o nome ouvindo o discurso embolado de um de nossos políticos. Poderá julgar com clareza o que estão lhe dizendo, avaliando a proposta que melhor satisfaz aos seus interesses?

TERCEIROS.

Não utilize exemplos contando fatos ocorridos com terceiros, que não sejam de domínio público.

TEXTO.

O fato que contou, em seu texto, é interessante?
Gostaria de ouvi-lo de outra pessoa?
Tenha sempre senso crítico.

Não utilize os termos “eu acho”, “penso”, “para mim”, etc. O texto já é sua opinião pessoal, não precisa enfatizar, ser repetitivo. Em vez de escrever “Eu acho a internet legal”, escreva: “A internet é legal”.

Não use expressões como “vou ir” e “de leve”, mas, sim, “irei” e “levemente”.

TÍTULO.

Evite o uso das aspas no título.

Pule uma ou duas linhas entre o título e o início do texto.

Evite iniciar a redação com as mesmas palavras do título.

Os títulos devem ser escritos de forma abreviada (resumida).

Não há pontuação após o título, a não ser que seja frase ou citação.

Coloque o título centralizado (no centro da folha), antes do início da redação.

É uma expressão, geralmente curta e sem verbo, colocada antes da dissertação.

Em títulos de redação, por questão de ênfase, usam-se iniciais maiúsculas:

Minhas Férias de Julho, Nossa Visita ao Frisuba.

Não coloque a palavra título antes do TÍTULO nem o termo FIM ao terminar a redação. O óbvio não precisa ser explicado.

“TRANSPIRAÇÃO”.

É a hora da montagem do texto, a escolha do que deve ficar e do que deve sair.

Após a seleção das idéias que serão usadas, ordene as frases, percebendo a diferença entre o principal e o secundário, hierarquizando a seqüência de parágrafos de modo a tornar claro o seu texto.

TRAVESSÃO.

Na redação, o travessão tem a função dos parênteses ou das vírgulas usadas em dupla, sendo empregado para separar expressões intercaladas.

Pelé — o maior jogador de futebol de todos os tempos — hoje é um empresário bem-sucedido.

A sociedade precisa lutar por conquistas sociais – tão prometidas pelos governos, mas nunca concretizadas – a fim de ver reduzidas as diferenças entre pobres e ricos.

U, V.

Faça-os com clareza e nitidez porque, caso contrário, o U ficará parecendo o V.

ÚLTIMO.

Evite escrever “último”, no sentido de “mais recente”.

UNIDADE

A redação deve ter unidade, por mais longa que seja. Trace uma linha coerente do começo ao final do texto. Não pode perder de vista essa trajetória. Muita atenção no que escreve para não fugir do assunto.

VERBO.

Evite o emprego de verbos auxiliares.

Faça a concordância correta dos tempos verbais.

Evite o uso de verbos genéricos, como “dar”, “fazer”, “ser” e “ter”.

Flexione corretamente os verbos quando for usar o gerúndio ou o particípio.

O verbo “fazer”, no sentido de tempo, não é usado no plural. É errado escrever: “Fazem alguns anos que não leio um livro”. O certo é: “Faz alguns anos que não leio um livro”.

Os verbos defectivos não possuem todas as pessoas conjugadas. O presente indicativo do verbo “adequar” só apresenta as formas de primeira e segunda pessoas do plural (adequamos, adequais). As outras simplesmente não existem, não adianta inventar. Logo, nada de sair por aí dizendo (ou escrevendo) coisas como: “Eles não se adequam ao meu sistema de trabalho” ou: “Eu não me adequo ao seu modo de pensar”. No caso, use o verbo equivalente: “adaptar”.

VÍRGULA.

Vêm, geralmente, entre vírgulas: isto é, ou seja, a saber, etc.

Coloque-a bem próxima da última letra da palavra (e não distante).

Leia os bons autores e faça como eles: trate a vírgula com bons modos e carinho.

Nunca coloque vírgula entre o sujeito e o verbo, nem entre o verbo e o seu complemento.

Só com a leitura intensiva se aprende a usar vírgulas corretamente. As regras sobre o assunto são insuficientes.

É o sinal de pontuação mais importante e que tem maior variedade de uso. Por essa razão, é o que também oferece mais oportunidade de erro.

Coloque a vírgula com clareza, a saber, um pontinho com uma perninha levemente voltada para a esquerda, e não um tracinho ou um risquinho qualquer.

As vírgulas, quando bem empregadas, contribuem para dar clareza, precisão e elegância às frases. Em excesso, provocam confusão e cansaço. Frase cheia de vírgulas está pedindo um ponto.

VOCABULÁRIO SIMPLES.

Algo fantástico para enriquecer o seu vocabulário? Palavras cruzadas.

A limitação do vocabulário não impede um raciocínio inteligente e incisivo.

Use uma linguagem simples, empregando, somente, as palavras cujo sentido você conhece bem. Não fique inventando, querendo usar vocábulos difíceis, cujos significados nada têm a ver com o que está escrevendo.

VOZ ALTA.

Após fazer uma redação, leia o texto em voz alta, várias vezes. É uma boa técnica para descobrir seus erros.

VOZ ATIVA.

Opte pela voz ativa. Ela deixa o texto esperto, vigoroso e conciso. A passiva, ao contrário, deixa-o desmaiado, flácido, sem graça.

Em vez de: A redação foi feita pelos alunos da 4ª série, prefira: Os alunos da 4ª série fizeram a redação.

VOZ PASSIVA.

Use a voz passiva quando quiser realçar o paciente da ação, transformando-o em sujeito (embora não aja).

A porta foi aberta com violência.

VULGAR.

Não seja vulgar nem use termos considerados chulos e obscenos (palavrões). Gírias e expressões populares, só entre aspas. Os assuntos devem ser trabalhados com certa distinção e delicadeza.

ZEUGMA.

É a omissão de um termo anteriormente expresso, ainda que em flexão diferente.

Eu jogo futebol; ela, basquete.

Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários de Sadan.

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Técnicas de Redação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s