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J. G. de Araújo Jorge (Quatro Damas) 15a. Parte, final


” TRAGO AMARGO ”

Dispenso as palavras
de conforto…

Tomarei como um trago amargo
o meu desgosto…

– Amor morto:
amor posto.

” TROVADOR ”

E vou iludindo, assim,
aos outros
e a mim…

Sigo
a espalhar cantiga,
trovador de alma triste
e alegre bandolim…

“TUDO?… NADA?…”

Que hei de dizer-te se nada te posso dizer?
Se tudo sabes sem uma palavra em meus lábios.
Se meus olhos toda vez que te encontram
se confessam como um pecador,
e eu não posso evitar que eles falem por mim
e revelem aos teus olhos meu segredo de amor?…

Que hei de dizer-te? Se nada te posso dizer…
Se devo parecer um incoerente, um tolo…
Se só me resta afinal esse consolo
de me confessar toda vez que meu olhar
encontra o teu olhar. . .

Há tanta coisa ao redor. . . tanto cenário inútil
ao nosso encontro,
– encontro só meu,
pois que afinal nem sei se ao me veres, me vês,
ao cruzar meu passo com o teu…

Tão complicada esta vida… E como seria simples
amar-te
tomar-te como uma criança em meus braços, beijar-te…
(Perdoa, amor, estas coisas que penso
e a estas horas tardes, componho… )
– tomar-te só para mim, e dividir contigo
pedaço por pedaço, inteirinho, este amor,
este sonho…

Chamo sonho a este amor com que me embriago,
amargo pensamento onde apenas é doce
a tua presença,
perdoa, amor: pensar em- ti, era, a principio, vago,
no começo, nem supus que importante isto fosse,
hoje, pensar em ti já é quase uma doença…

Que hei de dizer-te, afinal, se nada posso esperar…
Se temo que tudo se desmanche…
Receio pronunciar qualquer palavra, a palavra
que seria essa pequena pedra deslocada,
capaz de provocar uma avalanche!
… e sepultar
este sonho, e fazer de tudo…
… nada!

” UM NOVO AMOR ”

E de repente… (parece incrível)
– o tudo de antes, não existe mais
não interessa…

Um novo amor, amor,
é sempre um mundo novo
que começa!

Não importa a experiência que tiveste
ou que julgas Ter,
nem essa íntima e inútil convicção
de que nada mais poderia em tua vida
surpreender o coração…

Não importa o percorrido
o conquistado,
ou o que antes foi desejado
por teu marinheiro coração,
– um novo amor
começa tudo do chão…

é como se abrisses os olhos para a vida
naquele instante,
como se para trás nada tivesse havido…
Nasces com um novo amor! E viverás de novo
o mistério deslumbrante
do que há de acontecer, como se nunca tivesse
acontecido…

De repente
nada mais resta,
o ontem, foi uma noite que passou,
– o hoje é o que importa, é o que se vai viver…

Um novo amor, é uma festa,
é uma nova alegria…
Um novo amor, amor, é um novo dia
que vai nascer!

” VAGA ”

E um dia,
levaste com um gesto de vaga sobre a areia
tudo o que havia em minha vida…

Com um vai-vem de vaga, apagaste
tudo,
e restou a praia limpa, a areia branca,
e uma manhã de sol, sem brumas…

E a tua presença de vaga
vaga ternura , em vagas
de carícias a envolver-me todo
de espumas…

” VARIAÇÕES SOBRE O AMOR ”

I
Agora que te amo
concluo e proclamo:
nunca haverá um amor igual ao outro,
podes crer…

Como não há o mesmo beijo, o mesmo olhar,
a mesma ternura,
o mesmo prazer…

II
O amor é como o perfume…
Uma vez que se sente
nunca mais se mistura ou se pode esquecer
completamente…

III
Tu pensas que amas muitas vezes…

Engano, puro engano,
esse é um estranho milagre do coração
humano
que custei a entender,
e que ainda não compreendes talvez:

– toda vez que se ama
é a primeira vez…

IV
Nunca se ama duas vezes
porque apesar de um só, o amor não se repete
no coração da gente…

O amor é como o mar…
– único, múltiplo,
diferente…

V
Os amores são como as ondas
no mar…
Parecem todas iguais quando espumam, distante,
e se põem a avançar…

Entretanto, nunca haverá uma onda
igual àquela que se elevou, cresceu
e se desfez…
Toda onda é onda somente
uma vez…

VI
Um amor é sempre assim
novo, diferente,
e surpreendente,
nada tem com o amor que passou
que floriu, que murchou,
como uma onda, ou uma flor…

Um novo amor, ( que importa o coração
viajado
e sofrido?)
é sempre um novo amor!

Que importa se é velho o barco?
Importa é o novo roteiro
a nova paisagem…

Um novo amor é sempre o primeiro…
É sempre uma nova viagem…

Fonte:
J. G. de Araujo Jorge. Quatro Damas. 1. ed. 1964.

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O Índio na Literatura Brasileira (Estante de Livros) 6


MOTT, Odete de Barros. Marco e os índios do Araguaia.

Conta a aventura de Marco, um menino paulistano, viajando de férias às margens do Rio Araguaia. Ele visita os índios Karajá, Tapirapé e Gorotire e descobre como vivem. Descobre, ainda, que os índios são pessoas sensíveis e inteligentes e que possuem sua própria cultura. O livro traz descrições da região do Araguaia, da natureza, fauna, flora e população.

MOTT, Odete de Barros. Nas margens do Araguaia.

Apresenta três lendas dos índios Karajá, que são transmitidas aos mais jovens como um fator importante de preservação da sua cultura. A primeira história: De onde veio o povo Carajá, refere-se à origem desse povo; a segunda, Como Kananchiué levou o sol para a terra Carajá; e a terceira, Como Kati-Bené – o jabuti – maliciou Budoé – o veado, são algumas das histórias contadas pelos Karajá, à noite, ao pé do fogo.

MUNDURUKU, Daniel. Histórias de índio.

Conta a história de Kaxi, um garoto Munduruku que tem uma infância feliz. Brinca, nada, pesca, faz artesanato e ouve histórias. Mas Kaxi é especial, pois o pajé o escolheu para ser seu sucessor. Fala da iniciação à vida adulta, apresentando a cultura indígena a partir do ponto de vista de um narrador pertencente a ela. Na segunda parte, o autor relata suas experiências no mundo dos brancos e, na terceira, descreve a atual situação dos povos indígenas no Brasil, assim como alguns dos seus hábitos, ritos, música, lendas e diversidade cultural e lingüística.

MURAT, Heitor Luiz. Morandubetá (fábulas indígenas).

Reúne várias lendas indígenas, com um tratamento mais próximo da fala do próprio índio. Traz também lições riquíssimas da moral praticada por eles, quando ainda eram donos e senhores da Terra Brasilis.

NEAIME, Lica. De como o dia virou noite e a noite virou dia e noite.

Narra um contos de fadas, em que o herói e a heroína partem em missão sagrada: trazer de volta o sol que deixou de brilhar, fazendo descer uma noite imensa sobre a floresta, bichos e homens. Nessa busca, cruzam com leões, cobras, aranhas, a lua e também seres mágicos que, apoiando ou afrontando, participam da empreitada. Cheio de sustos, algum humor e muito movimento, o enredo acaba colocando os heróis no cume de uma montanha, onde devem convencer o sol a voltar a brilhar.

NICOLELIS, Giselda Paporta. Macapacarana.

Aborda a questão do choque cultural. É o que vive Gerson, um garoto que sai de São Paulo para morar com o pai no Amapá. Ali ele descobre outro Brasil: o dos rios, das matas, dos garimpos e dos animais em extinção. É com o índio José que Gerson aprende a amar e a entender esse outro país.

NISKIER, Arnaldo. Aventura do Curupira.

Narra uma história cujo herói é o Curupira, uma lendária figura das matas amazônicas, uma mistura de diabinho e índio Tapuia, protetor dos animais e da natureza e inimigo feroz dos caçadores clandestinos.

NOSSOS índios. Porto Alegre: Editora Kuarup

Apresenta ilustrações sobre a cultura dos índios do Xingu, para as crianças colorirem.

NUNES, Marconde Rangel; BARRETO, Felicitas.Oku-Cúri: arco-íris,indiozinho brasileiro.

Aborda a diversidade no âmbito das culturas, hábitos, costumes e brincadeiras dos povos indígenas, numa linguagem acessível às crianças.

OLIVEIRA, Alan Roberto de. Amazônia.

Conta a aventura de Caco e Mister David, seu padrinho, que se perdem na Amazônia e acabam conhecendo de perto os conflitos entre índios e garimpeiros. Nasce uma grande amizade, transformando a relação entre os dois em amor de pai e filho.

OLIVEIRA, Jô. Kuarup: a festa dos mortos – lenda dos povos indígenas do Xingu.

Aborda o tema Kuarup, festa em homenagem aos mortos realizada pelos índios do Xingu, por meio da arte seqüencial, ou seja, a arte de contar história com imagens.

OLIVEIRA, Rui de. A lenda do dia e da noite.

Apresenta a adaptação de uma lenda dos índios Karajá sobre a criação do dia e da noite. A referência visual adotada nas ilustrações foi a arte plumária, a cestaria e pintura corporal.

OLIVIERI, Antônio Carlos. Uiramirim contra os demônios da floresta.

Narra a aventura de Uiramirim, índio Tupi de 15 anos que, após se embrenhar na mata com um pirata – capitão Lafitte, vê-se em apuros, tendo de enfrentar três demônios da floresta: a Mula-sem-cabeça, a Boiúna e o Capelobo. E tudo isso para salvar sua pele e libertar seu amigo, aprisionado por indígenas.

OLIVIERI, Antônio Carlos. Uiramirim contraos piratas.

Narra uma aventura do tempo em que o Brasil se dividia em capitanias hereditárias e o açúcar era sua principal riqueza. Prisioneiro em um navio pirata, Uiramirim, um índio Tupi de 15 anos, envolve-se numa incrível aventura, em que aparecem piratas, um padre traidor, uma mocinha prisioneira e o jovem Dom Manoel Gorducho, um português de 12 anos, vaidoso e mimado, do qual o indiozinho era escravo. Uiramirim é o grande herói dessa história de piratas.

PATRIOTA, Margarida. Olhando a terra,arregalado:contos do índio brasileiro.

Apresenta dez mitos dos povos indígenas brasileiros, entre os quais os Bororo, Pareci e Apinajé. Compõem o livro as seguintes histórias: Olhando a terra, arregalado; O papagaio que faz Kra; Ahã, venceremos; O mundo subterrâneo; Canção do derradeiro Kupe – dyeb; O maguari e o sono; Coisa de anta; Artimanhas de Bahira; O roubo do fogo e História de índio ninguém entende.

PEREIRA, André; VILAÇA, Aparecida. Nós e os índios.

Apresenta os costumes de algumas sociedades indígenas brasileiras. Os autores estimulam uma comparação destes com os hábitos dos moradores das grandes cidades. As diferenças e semelhanças entre a vida do leitor e a dos indígenas, a existência de características particulares em diferentes aldeias e o reconhecimento e respeito às culturas
diferenciadas são temas tratados nesta obra.

PONTES NETO, Hildebrando. Mikai Kaká.

Narra uma história adaptada de uma lenda do povo Maxakali, que vive em Bertópolis, no estado de Minas Gerais.

PRADO, Lucília Junqueira de Almeida. Vá pentear macacos.

Narra a estória de um menino cheio de esperteza e muito curioso, chamado Japi, cujo pai já não sabe mais como responder a tantas perguntas que o menino lhe faz. Até que, um dia, manda que ele vá pentear macacos. Ao procurá-lo, arrependido, e encontrá-lo rodeado por macacos, compreende: “para filho obediente, não se pode dar ordem sem tino”.

RIBEIRO, José Hamilton. A vingança do índio cavaleiro.

Narra a história de uma nação indígena muito especial: os Kadiwéu, da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul. Sua ar te, principalmente o desenho e a pintura, aproxima-os dos Incas. O uso do cavalo fez deles os “índios cavaleiros” do Brasil, pastores e guerreiros. Depois de quase dizimados pela “peste branca”, os Kadiwéu estão agora se organizando em torno de um plano de vingança contra o “civilizado”.

RIOS, Rosana. O passado nas mãos de Sandra.

Narra a aventura de Sandra, seu primo e sua avó, no litoral, nas férias de julho. Sandra tem um estranho poder psíquico: ao tocar nos objetos, consegue visualizar cenas do passado, em que aqueles objetos estiveram presentes. Sandra revive momentos da história do Brasil
do século XVI, até que, aos poucos, uma importante missão lhe é apresentada: descobrir a localização das terras pertencentes aos índios Guarani, evitando assim que um homem chamado seu Abílio avance sobre elas com seu empreendimento imobiliário. O grupo enfrenta diversos perigos, muitas coisas ruins acontecem, mas, para cumprir sua missão, Sandra conta com a ajuda do último descendente dos Guarani, o velho índio Iruma.

Fonte:
Moreira, Cleide de Albuquerque; Fajardo, Hilda Carla Barbosa. O índio na literatura infanto-juvenil no Brasil. – Brasília: FUNAI/DEDOC, 2003.

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Lendas e Contos Populares do Paraná (Antonio Olinto – Arapoti – Balsa Nova – Campina do Simão)


ANTONIO OLINTO
Padre João

O Padre João Michalczuch, da Igreja ucraniana, tinha grandes atividades no município como médico, professor, lavrador, entre outras coisas. Ele obrigava os fiéis a colaborarem com três dias de serviço no plantio e na colheita, gratuitamente. Era muito famoso pelo seu atendimento como médico de crianças e idosos.

Relata-se que ele coletou entre os fiéis diamantes, pedras preciosas e ouro para a confecção do quadro, existente até hoje, da Nossa Senhora dos Corais. Contam que possuía muitas coisas valiosas, como objetos em ouro. Quando morreu, seus pertences de valor foram enterrados junto no caixão, guardado por uma cobra, que muitas pessoas dizem ter visto.

O achado

Certa noite de lua cheia, um homem chamado Sebastião Chaves saiu de sua residência para pegar água, era mais ou menos meia-noite. Aí começou a sair fumaça de um tronco. Ele começou a se apavorar, mas ficou por ali; de repente saiu uma mulher fumando cachimbo e falou:

– Tenho um Guardado para você.

Ele respondeu:

– O que você quer em troca?

Ela falou:

– Quero que mande rezar cem missas para mim, aí poderá pegar o seu Guardado.

Ele mandou rezar as missas. Numa outra noite de lua cheia, ele foi ver o seu Guardado. No local, começou a cavar onde a mulher aparecera. De repente, ouviu um barulho e olhou para trás, era um cavalo. Continuou a cavar e novamente ouviu o barulho, olhou era o cavalo que, em seguida, se transformou em mulher. Ela então perguntou ao Sebastião:

– Mandou rezar as missas para mim?

Ele respondeu:

– Sim, mandei como você me pediu.

A mulher disse:

– Pode pegar o seu Guardado.

Ele olhou no buraco que havia cavado e viu uma caveira, que era de seu tio.

O pote de ouro

Aconteceu no dia 22 de dezembro de 1991. Essa história tem como personagens o senhor Casimiro e Joacir. Esses dois homens acreditavam que nas redondezas de um rio, que divide as localidades de Lagoa da Cruz e Arroio da Cruz, existiam coisas de valor, como moedas de ouro ou pedras preciosas.

No dia 22 de dezembro, os dois homens beberam um pouquinho a mais da conta e resolveram partir em busca do tesouro que acreditavam que existia. Levaram de casa algumas
sacolas, ferramentas para cavar, um rosário e água benta. Chegando à beira do rio, começaram a cavar e, como estavam embriagados, encontraram coisas que afirmavam existir.

Contavam que tinham encontrado várias correntes e pedras de valor. Tudo o que eles tiravam, lavaram com água benta, antes de guardar na sacola. Em casa começaram a alardear, falando que eram ricos e não precisariam mais trabalhar. O povo, já atormentado com o discurso dos dois, abriu as sacolas para ver o que havia de tão valioso. Ao abrirem, encontraram pedras de cascalho e maços de capim. Os dois, sem saber o que falar e passando uma enorme vergonha em frente das pessoas, disseram que tudo aquilo era obra do demônio e que ao colocaram água benta nas pedras e correntes, esta as transformou em cascalho e capim.

ARAPOTI
O pote de ouro

Segundo antigos moradores da Fábrica de Papel, há muito tempo atrás alguém enterrou um pote de ouro próximo ao rio do Chico. Dizem que algumas pessoas recebiam as visões do local através de sonhos. Segundo as revelações que lhes eram feitas, deveriam ir à noite para desenterrar a fortuna.

Porém, cada vez que alguém se aventurava a arriscar a sorte dirigindo-se ao local, aparecia um esqueleto falante ordenando que o levasse a determinado lugar, e, sem a permissão da pessoa, montava em suas costas afirmando que, se fizesse isso, dar-lhe-ia em troca o pote de ouro. Muitas pessoas que por ali passam, à meia-noite, afirmam ouvir gemidos e barulho de ossos estalando.

Os mais antigos dizem que são os ossos do esqueleto que fazem barulho e que os ruídos são os gemidos das pessoas, que querem se libertar do fardo macabro que têm às costas. Ouvem-se, também, os gemidos desesperados pedindo socorro e os gritos de dor causados pelos ossos pontiagudos do esqueleto.

BALSA NOVA
Tesouro dos Carros

Na fazenda dos Carros, município de Balsa Nova, na parte que fica em baixo da serra havia uns pés de canela bem altos e diziam que lá havia dinheiro enterrado. Dizem que um tal de Avelino Louco foi lá procurar e apareceu um negrinho, que disse que se ele matasse o filho mais velho e levasse o corpo ele mostrava o enterro. Alguns dizem que ele chegou a levar o filho até a beira do capão, mas o piá desconfiou e fugiu; o homem ficou meio variado depois disso, e esta é a razão do seu apelido.

Com relação ao guardião do dinheiro dos Carros, contam que, quando o dono foi enterrar a panela, perguntou a um escravo se ele tomava conta do dinheiro e como o negro disse que sim, ele matou o homem e enterrou junto; o escravo é a visagem que cuida do tesouro enterrado

CAMPINA DO SIMÃO
Lenda do caixão branco

Conta-se que antigamente havia na região um senhor muito sovina. Ele economizava até na alimentação. Quando chegavam visitas em sua casa, recebia-as somente na varanda, não recolhendo-as ao interior da casa.

Não desejava correr o risco de ter que alimentá-las, não oferecia nem mesmo o costumeiro chimarrão.

Quando chegava o horário das principais refeições chamava sua esposa para conversar com as visitas, ia até a cozinha para comer e voltava rapidamente para continuar a conversa. As pessoas mais idosas contam que o sovina enterrava todo o dinheiro que recebia dos pinheiros que comercializava.

Ocorre que após o seu falecimento passaram a acontecer coisas estranhas. Conta-se que se alguém passar depois da meia-noite em frente à casa onde ele morava, aparece um caixão branco, que voa em direção onde ele enterrou o dinheiro. Atualmente, as terras que lhe pertenciam foram compradas. O novo dono não faz outra coisa, a não ser procurar o dinheiro enterrado.

Fonte:
Renato Augusto Carneiro Jr. (coordenador). Lendas e Contos Populares do Paraná. 21. ed. Curitiba : Secretaria de Estado da Cultura , 2005. (Cadernos Paraná da Gente 3).

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Ademar Macedo (Mensagens Poética n. 462)

Por-do-sol em Ouro Preto/MG
Uma Trova de Ademar

A lua, sem trocadilho,
na insensatez de um açoite,
de dia esconde o seu brilho
para ser a luz da noite.
–ADEMAR MACEDO/RN–

Uma Trova Nacional

Cansei de crer tolamente
nos meus sonhos de menino.
Nem sempre o que agrada a gente
também agrada ao destino!
–ARLINDO TADEU HAGEM/MG–

Uma Trova Potiguar

Abrindo a linda cortina,
por onde o tempo esvoaça,
a vida é benção divina
em cada dia que passa.
–IEDA LIMA/RN–

…E Suas Trovas Ficaram

Contigo um dia em meus braços,
perdi a calma, querida,
e agora sigo os teus passos,
buscando a calma perdida!
–ALOÍSIO ALVES DA COSTA/CE–

Uma Trova Premiada

2009 – Taubaté/SP
Tema: ALVORADA – M/H

Este poeta deduz
que Deus, vendo a obra acabada,
disse então: “Faça-se a luz”!
E eis a primeira alvorada!
–FRANCISCO MACEDO/RN–

Simplesmente Poesia

Os Velhos Tempos.
–OLGA AGULHON/PR–

Os velhos tempos,
há muito sepultados,
estão longe da memória de uns
e assombram a memória de outros.

O tempo, hoje, passa tão rápido…
mas os velhos tempos
escorriam lentamente
como as águas quase imóveis
do Lago Negro
do sul de minhas lembranças.

Estrofe do Dia

Poetas não são doutores
nem são peças de museus,
ricos sim por possuírem
a força dos dotes seus,
gênios das suas virtudes
exemplo e magnitudes
seguindo as ordens de Deus.
–MONTEIRO FIRMINO/PB–

Soneto do Dia

Lendo “Apelo”.
“A Eno Teodoro Wanke”
–CAROLINA AZEVEDO DE CASTRO/PE–

Penso que estes apelos sucessivos,
todos cheios das mesmas intenções,
vão trazer resultados positivos,
eliminando o ódio entre as Nações.

Confiamos, refertos de emoções,
que cessem estes planos destrutivos;
não deviam pulsar os corações
que alimentam desejos negativos.

Que teu apelo traga paz à Terra,
atenuando os ímpetos de guerra,
que o homem bom, transforma num perverso!

Que Deus lhes mostre o luminoso trilho,
o mesmo que apontou para o seu Filho,
em prol da perfeição deste Universo!

Fonte:
Textos enviados pelo Autor

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Guerra Junqueiro (João e os seus Camaradas)


Era uma vez uma viúva com um filho único.

Ao cabo de um Inverno rigoroso, possuía apenas um gaio e meio alqueire de farinha) João resolveu-se a correr mundo, à busca de fortuna. A mãe coseu o resto da farinha, matou o galo, e disse-lhe:

– Que é que preferes: metade desta merenda com a minha bênção, ou toda com a minha maldição?

– Que pergunta! respondeu o pequeno. Nem por quantos tesouros há no mundo eu queria a tua maldição.

– Bem, meu filho, replicou a mãe carinhosamente. Leva tudo, e que Deus te abençoe.

E partiu. Foi andando, andando, até que encontrou um jumento, que tinha caído num atoleiro, de onde não podia sair.

– Oh! João, exclamou o burro, tira-me daqui, que estou quase a afogar-me.

– Espera, respondeu o João.

E, formando uma ponte com pedras e ramos de árvores, conseguiu tirar o quadrúpede do atoleiro.

– Obrigado, disse-lhe ele, aproximando-se do João. Se te posso ser útil, aqui me tens ao teu dispor. Aonde vais tu?

– Vou por esse mundo fora, a ver se ganho a minha vida.

– Queres tu que eu te acompanhe?

– Anda daí.

E puseram-se a caminho.

Ao passarem por uma aldeia, viram um cão perseguido pelos rapazes da escola, que lhe tinham atado ao rabo uma chocolateira velha. O pobre animal correu para o João, que o acariciou, e o jumento pôs-se a ornear de tal maneira, que os rapazes com o medo deitaram todos a fugir.

– Obrigado, disse o rafeiro a João. Se para alguma coisa te for prestável, aqui me tens às tuas ordens. Aonde vais tu?

– Vou por esse mundo de Cristo, a ver se ganho a minha vida.

– Queres que te acompanhe?

– Anda daí.

Quando saíram da aldeia pararam junto de uma fonte. O pequeno tirou a merenda do alforje e repartiu-a com o cão. O burro pastou alguma erva que por ali havia. Enquanto jantavam, apareceu um gato esfaimado a miar lastimosamente.

– Coitado! exclamou o João. E deu-lhe uma asa de frango.

– Obrigado, disse o gato. Oxalá que um dia eu te possa ser útil. Aonde vais tu?

– Procuro trabalho. Se queres, anda conosco.

– De boa vontade.

Os quatro viajantes puseram-se a caminho. Ao cair da tarde, ouviram um grito dilacerante e viram uma raposa correndo a toda a brida com um galo na boca.

– Agarra! agarra! bradou o pequeno ao cão.

E no mesmo instante o cão atirou-se atrás da raposa, que, vendo-se em perigo, largou o galo para correr melhor. O galo pulando de contente, disse ao João:

– Obrigado. Salvaste-me a vida. Nunca me esquecerei. Aonde vais tu?

– Arranjar trabalho. Queres vir conosco?

– De boa vontade.

– Então anda. Se te cansares, empoleira-te no jumento.

Os viajantes continuaram a jornada com o seu novo companheiro. Sentiram-se todos fatigados e não avistaram à roda nem uma quinta, nem uma cabana.

– Paciência, disse o João, outra vez seremos mais felizes. Resignemo-nos hoje a dormir ao ar livre; além disso a noite está sossegada e a relva é macia.

Dito isto, estendeu-se no chão; o jumento deitou-se ao lado dele, o cão e o gato aninharam-se entre as pernas do burro complacente e o gaio empoleirou-se numa árvore.

Dormiam todos um sono profundíssimo, quando de repente o galo começou a cantar.

– Que demônio! disse o jumento acordando todo zangado. Porque estás a gritar?

– Porque já é dia, respondeu o galo. Não vês ao longe a luz da madrugada, que vem rompendo?

– Vejo uma luz, disse o João, mas não é do Sol, é de uma lanterna. Provavelmente há ali alguma casa, onde nos poderíamos recolher o resto da noite.

Foi aceite a proposta. Partiu a caravana, foi andando, andando, através dos campos até que parou junto da casa do guarda de um grande castelo, donde saiam gargalhadas, gritos confusos, cantos grosseiros e blasfêmias horríveis.

– Escutem, disse o João; vamos devagarinho, muito devagarinho, a ver quem é que está lá dentro.

Eram seis ladrões armados de pistolas e de punhais, que se banqueteavam alegremente, sentados a unta mesa principesca.

– Que rico assalto acabámos de dar, disse um deles, ao castelo do conde, graças ao auxílio do seu porteiro. Que bom homem este porteiro! À sua saúde!

– À saúde do nosso amigo! repetiram em coro todos os ladrões.

E de um trago despejaram os copos.

João voltou-se para os companheiros, e disse-lhes em voz baixa:

– Uni-vos uns aos outros o melhor que puderdes, e, assim que vos der sinal, rompei todos ao mesmo tempo numa gritaria diabólica.

O burro, levantando-se nas patas traseiras, lançou as mãos ao peitoril de uma janela, o cão trepou-lhe à cabeça, o gato à cabeça do cão e o galo à cabeça do gato. João deu o sinal, e estourou à uma o ornear do jumento, os latidos do cão, o miar do gato e os gritos estridentes do galo.

– Agora, bradou o João, fingindo que comandava um destacamento, carregar armas! Dai-me cabo dos ladrões: fogo!

No mesmo instante o jumento quebrou a janela com as patas, zurrando cada vez mais; os ladrões atemorizados refugiaram-se no bosque, saindo precipitadamente por urna porta falsa.

João e os seus companheiros penetraram na sala abandonada, comeram um excelente jantar, e deitaram-se em seguida. – João numa cama, o burro na cavalariça, o cão numa esteira ao pé da porta, o gato junto do fogão e o galo no poleiro.

Ao princípio os ladrões ficaram muito contentes, por se verem sãos e salvos na floresta. Mas depois começaram a refletir.

– Era bem melhor a minha cama, do que esta erva tão úmida, disse um deles.

– Tenho pena do frango que eu começava a saborear, disse o outro.

– E que rico vinho aquele! acrescentou o terceiro.

– E o que é mais lamentável, exclamou um quarto, é ficar-nos lá todo o dinheiro, que, com a ajuda do criado do conde, tínhamos tirado das gavetas.

– Vou ver se torno lá a entrar! disse o capitão.

– Bravo! exclamaram os ladrões.

E pôs-se a caminho.

Já não havia luz na casa; o capitão entrou às apalpadelas, e dirigiu-se para o fogão; o gato saltou-lhe à cara e esfarrapou-lha com as garras. Soltou um grito doloroso, correu para a porta, mas infelizmente pisou o rabo do cão, que lhe deu uma grande dentada. Gritou de novo, e conseguiu por fim transpor o limiar da porta. Mas quando ia a sair, o galo atirou-se a ele, rasgando-o com o bico e com as unhas.

– Anda o diabo nesta casa! exclamou o capitão, como poderei eu sair?

Julgou encontrar refúgio na estrebaria; mas o burro atirou-lhe uma parelha de coices, que o deixou quase morto no meio do chão.

Passado algum tempo veio a si; apalpou o corpo, viu que não tinha nem pernas nem braços partidos, ergueu-se e tornou para a floresta.

– Então? então? perguntaram-lhe os camaradas assim que o viram.

– Nada feito, exclamou ele. Mas antes de tudo arranjem-me uma cama para me deitar e cataplasmas de linhaça para pôr neste corpo, que o trago num feixe. Não podeis imaginar o que sofri. Na cozinha fui assaltado por uma velha que estava a cardar lã, e arrumou-me na cara com o sedeiro, deixando-me neste miserável estado. Quando ia a sair a porta, um demônio de um remendão atravessou-me as pernas com a sovela. Logo depois, Satanás em pessoa atirou-se a mim, despedaçando-me com as garras. Na estrebaria deram-me uma paulada que me ia matando. Se vocês me não acreditam, vão lá e experimentem.

– Acreditamos, disseram os companheiros, vendo-lhe a cara e o corpo todo ensanguentado. Não seremos nós que lá tornaremos.

Pela manhã, João e os seus camaradas almoçaram ainda excelentemente, e partiram em seguida para restituir ao conde o dinheiro que os ladrões lhe tinham roubado. Meteram-no cuidadosamente dentro de dois sacos, com que carregaram o jumento. Foram andando, andando, até que chegaram à porta do castelo. Diante dessa porta estava o malvado do porteiro com uma libré esplêndida, meias de seda, calções escarlates, o cabelo empoado.

Olhou com ar de desprezo para a pequenina caravana, e disse a João:

– Que vindes aqui buscar? Não há lugar para os recolher, vão-se embora.

– Não queremos nada de ti, respondeu João. O dono do castelo far-nos-á um bom acolhimento.

– Fora daqui, vagabundos, exclamou o porteiro enfurecido. Ponham-se a andar imediatamente, quando não atiro-lhes já às pernas os meus cães de fila.

– Perdão, só um instante, replicou o gaio empoleirado na cabeça do jumento; não me poderias dizer quem é que abriu aos ladrões na noite passada a porta do castelo?

O porteiro corou. O conde que estava à janela, disse-lhe:

– Ó Barnabé, responde ao que este galo te acaba de perguntar.

– Senhor, replicou Barnabé, este galo é um miserável. Não fui eu que abri a porta aos seis ladrões.

– Gomo é então, meu velhaco, tornou o conde, que tu sabes que eram seis?

– Seja como for, disse João, aqui lhe trazemos o dinheiro roubado, pedindo-lhe unicamente que nos dê de jantar e nos recolha esta noite, porque vimos cansados do caminho.

– Ficai certos que sereis bem tratados.

O burro, o cão e o galo, levaram-nos para a quinta. O gato ficou na cozinha. E enquanto a João, o conde reconhecido, vestiu-o dos pés à cabeça com um vestuário magnífico, deu-lhe um relógio de ouro e disse-lhe:

– Queres ficar comigo? És esperto e honrado, serás o meu intendente.

João aceitou a proposta e mandou vir a sua velha mãe para ao pé de si. Casou depois com uma linda rapariga, e viveu sempre felicíssimo.

Fonte:
Guerra Junqueiro. Contos para a infância.

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Monteiro Lobato (Reinações de Narizinho) – Pena de Papagaio – V – Emília e La Fontaine


Narizinho sabia duas palavras em francês — bon jour e au revoir. Os outros não sabiam nenhuma. Em vista disso os outros a empurraram para falar com o fabulista. A menina atrapalhou-se já no começo, porque em vez de bon jour disse:

— Au revoir, senhor de La Fontaine! Acabamos de chegar do sítio de vovó e vimos a bengalada que o senhor pregou no focinho daquele lobo antipático. Muito bem feito. Queria aceitar os nossos parabéns. Bon jour.

O fabulista achou muita graça em tanta inocência e, erguendo-a do chão, deu-lhe um beijo na testa. Depois disse:

— Não precisa falar francês comigo, menina. Entendo todas as línguas, tanto a dos animais como a das gentes.

Os outros já o haviam rodeado — inclusive Emília, que deixou para brincar com o carneirinho depois. Estava ela muito admirada das roupas do fabulista. Homem de gola e punhos de renda, onde já se viu isso? E aquela cabeleira de cachos, feito mulher! Quem sabe se o coitado não tinha tesoura? — pensou a boneca.

O senhor de La Fontaine conversou com todos amavelmente, dizendo que era aquele o lugar do mundo de que mais gostava. Ouvia os animais falarem, aprendia muita coisa e depois punha em verso as histórias.

— Eu já li algumas das suas fábulas — disse Pedrinho. – O senhor escreve muito bem.

— Acha? — disse o modesto sábio, sorrindo. — Fico bastante contente com a sua opinião, Pedrinho, porque muitos inimigos em França me atacam, dizendo justamente o contrário.

— Não faça caso! — gritou Emília. — Eles não sabem o que dizem. Pedrinho quando diz uma coisa é porque é. Pode acreditar nele.

— Obrigado pelo consolo, bonequinha. Tua opinião e a de Pedrinho valem muito para mim, porque em ambas vejo grande sinceridade.

Emília não tirava os olhos da cabeleira do fabulista. O coitado morava sozinho naquelas paragens e com certeza nem tesoura tinha, pensava ela. De repente teve uma lembrança. Abriu a canastrinha e, tirando de dentro a perna de tesoura, ofereceu-a ao sábio, dizendo:

— Queira aceitar este presente, senhor de La Fontaine.

O fabulista arregalou os olhos, sem alcançar as intenções da boneca.

— Para que quero isso, bonequinha?

— Para cortar o cabelo…

— Oh! — exclamou o fabulista, compreendendo-lhe afinal a idéia e sorrindo. — Mas não vês que a tua tesoura tem uma perna só?

Emília, que não se atrapalhava nunca — respondeu prontamente:

— Pois corte o cabelo dum lado só.

Narizinho interveio. Puxou-a dali e disse ao fabulista que não fizesse caso visto como a boneca sofria da bola.

Nesse momento o menino invisível, que tinha estado longe, aproximou-se. Ao ver aquela pena flutuante no ar, o senhor de La Fontaine ficou intrigado. Pôs-se a olhar, com rugas na testa, sem poder descobrir o mistério.

Emília deu uma risada caçoísta.

— O senhor, que é um sábio da Grécia, adivinhe, se for capaz, que pena de papagaio é aquela, sem papagaio atrás…

O fabulista olhava, olhava e cada vez compreendia menos.

— Não posso — disse afinal. — É um perfeito mistério para mim.

— Pois eu sei — berrou Emília. — É a marca do menino invisível, o Peninha.

O fabulista ficou na mesma. Foi preciso que Pedrinho contasse tudo desde o começo para que o enigma se aclarasse. Mesmo assim o senhor de La Fontaine ficou de boca aberta e olhos arregalados porque nunca em sua vida tinha encontrado uma criatura invisível.

Pedrinho chamou-o de parte e disse-lhe ao ouvido:

— Ando desconfiado que esse menino é o mesmo Peter Pan.

Tem igual modo de falar e igual mania de cantar de galo. Que é que o senhor pensa disto?

O pobre fabulista, que não tinha a menor idéia de quem fosse Peter Pan, menino descoberto na Inglaterra muito recentemente, não pôde dar opinião a respeito.

— Não sei, Pedrinho. Vocês estão a falar de coisas muito novas para um homem tão antigo como eu.

Depois, vendo o sol já alto, propôs:

— Aproveitemos o tempo para mais uma fábula.

Disse e dirigiu os passos para o ponto onde havia uma árvore com cigarra cantando. Todos o acompanharam. Pedrinho ia rente.

Prestava a maior atenção aos menores movimentos do fabulista porque desejava aprender a escrever fábulas lindas como as dele. Até da marca e número do lápis que o senhor de La Fontaine usava Pedrinho tomou nota, para comprar um igual. Em certo momento Emília criou coragem e, colocando-se longe de Narizinho para evitar algum beliscão, disse para o sábio:

— Em troca da tesoura eu quero uma coisa, senhor de La Fontaine.

— Dize lá o que é, bonequinha.

— Quero uma fábula.

— Uma fábula duma perna só? — caçoou ele.

— Uma fábula onde apareça um carneirinho, uma boneca de pano e um tatu-canastra.

Narizinho agarrou-a e enfiou-a no bolso, dizendo:

— É demais. Parece que os ares deste campo lhe desarranjaram a cabeça duma vez.
––––––––––––––
Continua… Pena de Papagaio – VI – A formiga coroca

Fonte:
LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. Col. O Sítio do Picapau Amarelo vol. I. Digitalização e Revisão: Arlindo_Sa

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Trova Ecológica 70 – Antonio Juracy Siqueira (PA)

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31 de janeiro de 2012 · 00:19