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Paulo Leminski ("Nunca quis ser freguês distinto")

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29 de fevereiro de 2012 · 13:09

Eliana Ruiz Jimenez (Trova-Legenda: Coração Engaiolado)

Corações apaixonados
não aceitam repressão.
Explodem, se condenados
a engaiolar a emoção!
A. A. de Assis – Maringá/PR

Coração enclausurado
por amor sentimental,
devia ser libertado,
nos dias de carnaval!
Alberto Paco – Maringá/PR

Por quê prender um amor
e viver na solidão?
não é curtindo uma dor
que encontramos solução.
Alcyr Rocha – São Fidélis/RJ

Coração apaixonado
te procura com fervor;
só tu abres o cadeado
que aprisionou meu amor.
Alice Brandão – Caxias do Sul/RS

Corazón encarcelado
esperando por tu beso
líberalo bien amado
ven, que anhelo tu regresso
Angela Desiré – Venezuela

Meu coração, na gaiola
do teu amor, ficou preso;
mas, ali, ele estiola,
na tortura do desprezo…
Angelica Villela Santos- Taubaté/SP

Coração encarcerado
Em quatro noites de folia
Pra não vir despedaçado
Encher-me de melancolia.
Anna Servelhere – Bragança Paulista/SP

Um coração sofredor,
tendo a prisão seu destino,
brota momento de dor,
numa figura sem tino.
Agostinho Rodrigues – Campos/RJ

Meu coração desvairado,
por te amar com tanto ardor,
hoje vive aprisionado
na jaula do teu amor.
Antonio Juraci Siqueira – Belém/PA

Não posso me libertar
das grades desta prisão
sem antes poder achar
a chave do coração.
Ari Santos de Campos – Itajaí/SC

Meu coração sofredor
nunca teve a liberdade.
Ontem – escravo do amor…
Hoje – refém da saudade…
Arlindo Tadeu Hagen – Belo Horizonte/MG

Tão perto, mas separados,
o pijama e a camisola…
– Dois corações mal-amados
partilhando uma gaiola…
Bruno P. Torres – Niterói/RJ

Tantas vezes foi flechado;
em algumas, abatido:
coração engaiolado
é bem menos perseguido.
Cida Vilhena – João Pessoa/PB

Coração duro, fechado,
prenhe de angústia e rancor,
constrói cárcere privado
com grades feitas de dor.
Dáguima V. Oliveira – Santa Juliana/MG

Castigo, atroz sobrepeso
em que o teu rancor se escora:
– Meu coração, ao teu, preso,
e a chave…jogada fora…
Darly O. Barros – São Paulo/SP

Prenderam meu coração
com as chaves de um cadeado!
Hoje, chora de emoção:
sozinho, triste, alquebrado!
Delcy Canalles – Porto Alegre/RS

Sendo a solidão um entrave,
é o coração que se enrola,
até que alguém pegue a chave
abrindo aquela gaiola!
Dilva Moraes – Nova Friburgo/RJ

Esta vida me sequestra
numa espera de ilusão…
– Só o amor tem chave-mestra
para abrir meu coração.
Eliana Jimenez – Balneário Camboriú/SC

Só uma prisão eu respeito,
quando rendo-me à paixão…
Qualquer castigo eu aceito,
se a cela é o teu coração!
Francisco Macedo – Natal/RN

Amor não correspondido
não é amor, é ilusão…
e o coração tão sofrido
se isola numa prisão!
Francisco José Pessoa – Fortaleza/CE

Meu coração enjaulado
não pode se libertar,
pois o cupido malvado
não quer mesmo me alforriar!
Gislaine Canales- Balneário Camboriú/SC

Meu coração, entre grades,
prisioneiro, enjaulado,
vive cantando às saudades
de um grande amor do passado!
Héron Patrício – São Paulo/ SP

Liberta meu coração
preso ao teu farto ciúme.
Imita a flor em botão
prestes a exalar perfume!
João Batista Xavier Oliveira – Bauru/SP

Meu coração aprisionado
em sua beleza e encanto,
deixou-me hipnotizado,
que eu não sei se choro ou canto.
José Feldman – Maringá/PR

Eu prendi teu coração
nas grades do meu abraço,
por uma simples razão:
eu já nem sei o que faço…
José Solha – Bragança Paulista/SP

Pulsa tanto neste peito,
coração preso e febril,
ao mirar o vago leito
co’a sombra do teu perfil!!
Lisete Johnson – Porto Alegre/RS

Com quem estará a chave
que solta meu coração?
Venha esse alguém e o destrave
com amor em transfusão.
Lóla Prata – Brangança Paulista/SP

Nesse mundo tão carente
de amor e fraternidade
temos urgência premente
de corações em liberdade!
Maria Lucia Fernandes – São Fidélis/RJ

Para não ser mais traído
nem alvo de falsidades,
trago o coração ferido
protegido atrás de grades.
Marina Valente – Bragança Paulista/SP

Não há grade que consiga
segurar um sentimento…
Sentimento é uma cantiga
que se move como o vento!
Mário A. J. Zamataro – Curitiba/PR

Não se tranca o coração,
nem se joga a chave fora;
prejudicando a união,
deste coração que chora.
Mifori – São José dos Campos/SP

Meu coração prisioneiro,
já sem forças pra chorar,
num suspiro derradeiro,
jurou nunca mais amar.
Myrthes Spina de Moraes – Atibaia/SP

Na jaula da vil paixão
terminou encarcerado
o iludido coração
loucamente apaixonado!
Nemésio Prata – Fortaleza/CE

Numa prisão desolado
escondendo sua dor;
vive triste abandonado
um coração sem amor.
Neiva de Souza Fernandes – Campos/RJ

O Ibama não permite
periquito na gaiola;
mas coração com grafite
em cana quem o consola.
Nilton Manoel – Ribeirão Preto/SP

Meu coração foi detido
e trancado nessa grade,
com o teu beijo aquecido
o meu coração se evade.
Peixoto Jr – Bragança Paulista/SP

Um coração não se algema,
nem se prende um coração.
Seu bater se faz poema
nas horas de solidão!
Prof. Garcia – Caicó/RN

Trago o coração cativo,
Enjaulado nos teus braços,
Por isso mesmo inda vivo,
Sonhando com teus abraços…
Olga Maria Dias Ferreira – Pelotas /RS

Meu coração prisioneiro
sofre por ser infeliz
mas se nunca fui inteiro
é porque ele não quiz.
Olympio Coutinho – Belo Horizonte/MG

Seguindo estrada deserta,
quase perdendo a razão,
hei de achar a chave certa
para abrir seu coração!
Rodolpho Abbud – Nova Friburgo/RJ

Meu coração, condenado
só por te amar do meu jeito,
bate triste, engaiolado
na ingratidão do teu peito.
Thalma Tavares – São Simão/SP

Nas grades da solidão,
em triste monotonia,
suplica o meu coração:
– Vem fazer-me companhia!
Vanda Fagundes Queiroz – Curitiba/PR

Rosa que se refestela
mas não exala perfume:
coração tombado em cela
pelo egoísmo e ciume.
Wagner Marques Lopes – Pedro Leopoldo/MG

Fonte:
http://poesiaemtrovas.blogspot.com

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A. A. de Assis(Revista Virtual Trovia n. 147 – março 2012)


Inesquecíveis

De compromissos te esquivas
mas é fácil de notar,
que o prazer do qual me privas
vive escrito em teu olhar…
Analice Feitoza de Lima

Riquezas tenhas tão grandes,
e tal bondade também,
que ao redor donde tu andes
não fique pobre ninguém.
Augusto Gil

Hoje eu sei que foi loucura…
Mas ao louco que fui eu
devo o pouco de ternura
que o bom senso não me deu.
Cesídio Ambroggi

Ah se eu pudesse saber
qual a mulher que ele quer!
Que não iria eu fazer
para ser essa mulher?
Magdalena Léa

O poeta, em sua lida,
ainda que o mundo o afronte,
tem sempre um sopro de vida
que o leva além do horizonte…
Milton Nunes Loureiro

Saudade!… Foto em pedaços,
que eu colei, com mão tremida,
tentando compor os traços
de quem rasgou minha vida!…
Waldir Neves

A grande páscoa será aquela que marcará a passagem de um mundo
sem alma para um mundo onde haja espaço para o amor e a poesia.

Brincantes

Fogão de lenha limpinho;
chapa a luzir, de areada.
Parecia tão fresquinho…
e teve a popa queimada!
Eliana Palma – PR

Maria, o que foi que eu fiz
para ficares queimada?…
– Ainda pergunta, infeliz?
Há tempo não fazes nada…
Istela Marina – PR

Casamento de verdade
pouca gente ainda procura:
querem ter a propriedade
sem pagar pela escritura!
Jotão Silva – RJ

Depois de um beijo molhado,
sentiu algo diferente…
Perguntou ao namorado:
– Onde foi parar meu dente?
Mª Lúcia Godoy Pereira – MG

Afoita, entra de cabeça,
e ao se dar conta declara:
– Por incrível que pareça,
o que eu quebrei… foi a cara!!!
Mª Madalena Ferreira – RJ

Quando a feia se “embeleza”,
mas o resultado é trágico,
diz o espelho – que se preza:
– Ela pensa que sou mágico!…
Renato Alves – RJ

Da abelha o casal tem tudo:
primeiro o mel da paixão;
segunda fase – abelhudo;
terceira fase: – ferrão!…
Roza de Oliveira – PR

Líricas e filosóficas

Entre o pássaro e o poeta
há perfeita identidade:
seu canto só se completa
se há completa liberdade.
A. A. de Assis – PR

Saudade é tarde chorando
um tempo em que foi aurora,
ao ver a noite levando
o brilho do sol embora.
Adélia Vitória Ferreira – SP

Versos já fiz – não sei quantos –
relembrando a mocidade…
Hoje servem de acalantos
para ninar a saudade.
Ademar Macedo – RN

Costumo dizer que a trova
é diminuta poesia,
mas que sempre põe à prova
a nossa sabedoria.
Agostinho Rodrigues – RJ

Depois de uma certa idade,
entramos na contramão,
transformando em amizade
o que antes era paixão!
Alberto Paco – PR

Ah, se eu pudesse algum dia
ter asas para voar…
Quem sabe talvez iria
em tua boca pousar!
Almir Pinto de Azevedo – RJ

Quero sim, você diz não!
Assim é tudo impossível…
Não quero viver em vão,
nessa dúvida terrível.
Benedita Azevedo – RJ

O mar da vida parece
que às vezes quer me afogar,
mas Deus, que nunca me esquece,
atira a boia no mar!
Carolina Ramos – SP

Eu confesso hoje, sem medo,
que este amor em mim guardado
não é só o meu segredo,
é também o meu pecado!
Clenir Neves Ribeiro – RJ

Sou rainha afortunada,
você meu rei, meu senhor.
Doce ilusão implantada
no reino do nosso amor!
Conceição Abritta – MG

Uma página arrancada,
jogada ao léu, esquecida:
assim sou eu – quase nada –
no livro da sua vida!
Conceição de Assis – MG

Não sou ave nem sou peixe,
nunca aprendi a nadar,
mas peço a Deus que me deixe
num dia desses voar!
Diamantino Ferreira – RJ

Inútil, desagradável,
tornar alguém diferente,
para que seja ajustável
aos interesses da gente.
Djalma da Mota – RN

O nosso amor escondido,
sem promessa de aliança,
tem o sabor proibido
do fruto da vizinhança!…
Domitilla B. Beltrame – SP

“O que é o amor?”, me perguntas,
e, em coro, os anjos entoam:
“São duas pessoas juntas
que se amam e se perdoam!”
Eduardo A.O. Toledo – MG

Sol e mar… calor, beleza…
vêm mostrar à humanidade
que o homem e a natureza
têm a mesma identidade.
Eliana Jimenez – SC

O nosso beijo envolvente,
na rotina que amanhece,
é o apelo mais urgente
para que a noite se apresse!
Elisabeth S. Cruz – RJ

Ao tempo que está passando,
peço: – Vá mais devagar!
E ele segue me esnobando,
fingindo não me escutar.
Francisco Macedo – RN

A velhice que me encurva
desacelera meus passos,
torna a minha visão turva…
Apoio? Só nos teus braços.
Francisco Pessoa – CE

A saudade da saudade
varreu de mim a alegria,
levando a felicidade
que eu pensava que existia!
Gislaine Canales – SC

Quando uma lágrima cresce
e cai dos olhos de um pai,
pesa tanto que parece
ser a própria dor que cai.
Héron Patrício – SP

Olho o céu. A lua, um lume,
se desloca magistral…
Nunca vi um vaga-lume
tão soberbo e pontual.
Humberto Del Maestro – ES

Não dou conselhos na luta
que cada um realiza,
pois o tolo não escuta
e o sábio jamais precisa.
J. B. Xavier – SP

A presença do Senhor
se faz sentir plenamente
desde a beleza da flor
à humildade da semente.
Jeanette De Cnop – PR

Amor, dádiva divina,
semente humilde e perfeita;
a luz que nos ilumina
pela caminhada estreita!
João B. de Oliveira – SP

Dê vida ao seu dia a dia,
dedicando-se as labor.
Trabalho gera alegria,
quando é feito com amor!
Jorge Fregadolli – PR

Amor há no coração
que é feito brasa apagando.
Se vai virando carvão,
surge a saudade soprando…
José Fabiano – MG

Vivo em busca de carinho,
em castelos de ilusão…
Tanto tempo estou sozinho,
quem me aquece é a solidão.
José Feldman – PR

O sonho busca o futuro,
desenha um novo horizonte;
é flecha através do muro,
é visão em nossa fronte.
José Marins – PR

O mar, nas lutas que travo
ao dar combate à procela,
parece um cavalo bravo
e a jangada, a minha sela!
José Messias Braz – MG

De uma forma muito astuta,
a mentira nunca falha:
Hoje atinge a quem a escuta,
amanhã, a quem a espalha…
José Ouverney – SP

Meu corpo colado ao teu…
dois seres: um sentimento!
Sonho que sobreviveu
apenas em pensamento…
Luiz Antonio Cardoso – SP

Não pergunte a um trovador quantas trovas ele
já escreveu. Pergunte-lhe quantas trovas já leu.

Segue o tempo, indiferente,
pela idade, em despedida…
Passa, mas deixa presente
o doce encanto da vida!
Mara Melini Garcia – RN

Sonhar quando a gente dorme
é comum e é natural.
A diferença é enorme
é quando o sonho é real.
Maria Lúcia Fernandes – RJ

Muito pouco foi preciso
para em Deus acreditar.
No encanto do teu sorriso
eu vejo o céu se espelhar.
Mª Luíza Walendowsky – SC

Às vezes, tudo exigimos
que Deus faça a todo custo,
sem pensar que o que pedimos,
tornaria Deus injusto.
Maria Nascimento – RJ

Reticências: uma frase
que alguém pensa mas não diz…
justamente aquele “quase”
que nos faria feliz.
Mª Thereza Cavalheiro – SP

Tenho por certo, em verdade,
bem vivo, embora pungente,
que a mais pungente saudade
é aquela de alguém presente!
Maurício Friedrich – PR

Cortina lembra passado
e nela não vou mexer.
Tenho até muito cuidado:
eu a lavo sem torcer.
Messody Benoliel – RJ

Toda mentira promete
o que não pode lhe dar;
só à verdade compete
fazer justiça e mostrar.
Mifori – SP

Por estar na solidão, / tu de mim não tenhas dó. / Com trovas
no coração, / eu nunca me sinto só. – Luiz Otávio

Neste mundo em que a atitude
poderá causar um mal,
a prudência é uma virtude
de expressão universal.
Nei Garcez – PR

Sonhos são bolas infladas
pelos ares da ilusão,
que os espinhos das estradas
vão fincando pelo chão…
Nilton Manoel – SP

No rosto, um leve sorriso
disfarça a dor da saudade…
– Há vezes em que é preciso
fingir a felicidade.
Olga Agulhon – PR

Da despensa de Deus Pai,
sou mordomo e sou fiel;
só quem pensa que Ele trai
vira as costas para o céu.
Olivaldo Júnior – SP

A tristeza em minha casa
está num quarto vazio.
De dia a saudade abrasa,
à noite mata de frio.
Roberto Acruche – RJ

Contemplo o céu para vê-las
com um respeito profundo,
pois na raiz das estrelas
eu vejo o dono do mundo.
Rodolpho Abudd – RJ

Piedade infeliz tem sido…
Com santa piedade orava
pelo seu amor bandido,
que, sem piedade, matava.
Rose Mari Assumpção – PR

No refúgio desmanchamos,
quando ficamos a sós,
esses nós que carregamos
no fundo de todos nós!
Selma Patti Spinelli – SP

Um abraço grande a todos os divulgadores de trovas.
Sem eles os nossos trabalhos não seriam conhecidos.

Nada mais nos aproxima…
e, nessa ausência de afeto,
nós somos trova sem rima
e sem sentido completo!
Sérgio Ferreira da Silva – SP

Sim, eu sou paranaense,
com orgulho e “pé vermeio”;
e aprendi que a vida vence
quem pra aqui com garra veio.
Sinclair Casemiro – PR

Eu penso em mãos carinhosas,
espero um beijo faceiro;
quero sussurros e rosas
e um romance por inteiro.
Therezinha Tavares – RJ

Na vida vivo tentando
tornar meu mundo risonho,
pois a tristeza vem quando
existe ausência de um sonho.
Vanda Alves – PR

Em tédio avassalador
daqueles que não têm cura,
num minuto o Trovador
transforma tudo em ventura!
Vânia Ennes – PR

Meu diário! Em tuas folhas
morrem desejos sem fim…
Pago o preço das escolhas
que outros fizeram por mim.
Wanda Mourthé – MG

Não sei como Deus sabia,
mas deu-me, quando nasci,
a família que eu queria
e os amigos que escolhi.
Wandira F. Queiroz – PR

Sabiá de peito roxo,
passarinho cantador…
Seus gorjeios sem muxoxo
são melodias de amor!
Vidal Idony Stockler – PR
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http://poesiaemtrovas.blogspot.com/
http//www.falandodetrova.com.br/

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J. G. de Araujo Jorge (Uma Estrela Para Você)


É hora da gente pensar como no poema: “Um dia…”

Um dia… E para nós há sempre um dia
que tudo modifica de repente,
dando outro rumo, inesperadamente,
ao caminho que a gente percorria…

E então, a hora inesperada de alegria
se transforma em tristeza, rudemente,
ou a dor se desfaz, e a alma sente
imprevisto prazer que não sentia.

Ouço falar assim desde menino
e me deixo ficar, sempre esperando,
por esse estranho dia do destino…

E às vezes, esta espera me intimida,
porque não sei o que trará, nem quando
chegará esse dia à minha vida…

Não me lembro. Mas talvez tenha escrito este soneto num fim, ou num começo de ano, quando inexplicavelmente nos deixamos ficar com a alma em suspenso, como se alguma coisa tivesse, ou estivesse para acontecer. Fim de ano é época propícia às velhas superstições. Todos nós, mesmo os mais céticos, os mais materialistas, percebemos que nosso pretensioso racionalismo se turva, que resíduos místicos vêm à tona agitados sabe-se lá por que misteriosos elementos.

Afinal, a Terra completou mais uma volta em torno do Sol, tal qual fazia nos tempos dos faraós egípcios, e dos “patesis” sumérios. O que não impediu que muitos povos, através da história, comemorem o ano solar de formas diversas, como os gregos, os russos, os mulçumanos, os judeus. Mas todos nós, povos cristãos, o festejamos da mesma maneira e na mesma ocasião, desde a reforma gregoriana.

E então, a 31 de dezembro, à meia-noite, atordoados pelo rumor da alegria nos salões e nas ruas, por entre contos fetichistas e marchinhas carnavalescas, ressurgem em nós crenças e temores que julgávamos desaparecidos. Já não discutimos a força dos signos, nem as previsões dos horóscopos.

De súbito, acreditamos no Destino e na Felicidade, que ganham a força de entidades, de uma efêmera religião que nasce e morre ao espocar das garrafas de champanha, ou enquanto se derretem as velas de cera dos rituais pagãos a Iemanjá, à beira do mar.

Há um transe coletivo, em que todos se engolfam, nas festas de passagem de ano.

Vagamente se acredita que alguma coisa está terminando, e que algo de novo se inicia, e com esse algo de novo, novas oportunidades, novas possibilidades diante da vida. Você já experimentou se analisar naquelas horas, naqueles momentos, em que se comemora o Ano Novo?

Subitamente o Destino está presente, como um deus. É o Deus-Destino ao qual festejamos, diante de quem comparecemos, como as almas dos mortos egípcios, no tribunal de Osíris. E se não nos confessamos, e se não estamos em penitência pelos nossos erros e pecados, esperamos que ele nos absolva de tudo, e que nos dê aquela felicidade que ainda não conseguimos conquistar.

Exaltei-o nas quadrinhas:

Deus poderoso, maneja
nosso mundo pequenino…
Quem, por mais forte que seja,
tem mais força que o Destino?

Que somos nós? Indefesos
pobres bonecos, sem pés…
O Destino nos tem presos
aos seus estranhos cordéis…

E isto porque, todos nós, a cada nova manhã

Saímos, pelos caminhos
quais D. Quixotes, bisonhos,
lutando contra os moinhos
de vento, dos nossos sonhos!

A verdade é que, ao fim de cada ano, a cada ano novo, não podemos fugir às sugestões que a oportunidade suscita. Há um fato astronômico ? trezentos e sessenta e cinco dias, cinco horas, quarenta e nove minutos e doze segundos ? o tempo necessário para o nosso velho planeta completar a sua volta em torno do Sol, mas criamos com isso todo um mundo complexo de implicações emotivas e imaginosas, e então, sentimos, como se realmente nós também começássemos uma “volta” nova em nossas vidas. Mas, em torno de quê?

O fato é que realimentamos o coração de desejos. Que poderoso manancial de sonhos e esperanças há nesta simples expressão: Ano Novo! E todos nós nos desejamos, ardentemente, com estranha convicção: um feliz Ano Novo! Levantamos no tempo (o que é o tempo?) uma barreira quase material: o que passou, passou! Sim, há um ano novo, e poderá haver também uma vida nova. Estamos, na realidade, desejando: Feliz Vida Nova para Você!

E nessa hora de festa, é como se todos se sentissem obrigados a ser felizes. Como se temessem a tristeza como uma doença, ou como se receassem aparecer diante dos seus deuses com as máscaras de suas dores e de seus desenganos. As claridades que estão no céu não são apenas as de um novo dia, mas as de uma felicidade entressonhada, nunca tarde demais para chegar.

Estranho. Nessas ocasiões me acovardo. As festas coletivas me intimidam. Receio não ter forças nem condições para sintonizar com as grandes felicidades.

Naquele exato momento, entre o ano que finda e o que nasce, quando uma onda de alegria contagia a todos, quase que indistintamente, fico à margem, numa invisível praia solitária, como um náufrago. À toa, sem saber que fazer da vida. Uma das horas mais pungentes para mim, inexplicavelmente, é sempre aquela em que os ponteiros se casam na meia-noite do dia 31 de dezembro de cada ano. Enquanto sobem foguetes, espocam garrafas de champanha, tinem taças, ouvem-se cantos, bocas se beijam, abraços se estreitam, não consigo evitar meu invencível e súbito estado de levitação interior, entre atordoado a atônito.

Tal como no carnaval, ou no Natal, o último dia do ano me apanha sempre desprevenido. O encontro com essa felicidade barulhenta, exibicionista, que estoura como um petardo, me paralisa. Caio em mim, e sinto-me de repente, fundo, distante de todos, incapaz de segui-los, de entrar em seus “ranchos” e “blocos”. Como já escrevi, certa vez: Me sinto cada vez mais no “bloco do eu sozinho”. Desculpem-me esta cinza com que escrevo. Alguma coisa ainda se queima, e o vento trouxe. Resta o consolo de que alguma coisa ainda há para queimar, para arder. Podia ser pior.

Francamente, sou um homem incapaz de “entrar no Ano Novo”. Não sei que gostaria de fazer, quem gostaria de encontrar. Talvez porque não consiga mesmo distinguir essa “última noite” do ano de todas as outras noites. Não gosto das datas vermelhas dos calendários. Gosto dos feriados que a vida, avaramente, cada vez mais avaramente, decreta para mim. Meu Ano Novo começa qualquer dia e qualquer hora.

Me lembro, por exemplo, de que esse último dia do ano, enquanto a festa atordoante se diluía na noite, e pulsava em todos os segundo, eu me sentia um homem banal, perdido, sem contatos com a Terra. Receio muito que esteja me tornando, cada vez mais, um homem difícil, nesses tempos difíceis.

Mas, de coração, desejo felicidades para todos vocês.

Afinal o Ano Novo é um estado de espírito. Que o tenham, festejando como um Natal – algo novo que nasce, que brilha como uma estrela.

Sim, desejo a todos vocês uma estrela brilhante, neste Ano Novo que se inicia!

Fonte:
JG de Araujo Jorge. “No Mundo da Poesia ” Edição do Autor -1969

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Arquivado em Acre, O Escritor com a Palavra, Poemas

Ademar Macedo (Mensagens Poética n. 496)

Monte do Galo – Carnauba dos Dantas/RN

Uma Trova de Ademar

Sem ter interlocutores,
aos Trovadores, diria:
quem faz trovas, são doutores,
com mestrados em poesia!!!
–ADEMAR MACEDO/RN–

Uma Trova Nacional

“Mãe-Natureza!” – eis o nome
de quem, em nome do amor,
gera o fruto e estanca a fome
do seu próprio predador!
–JOSÉ OUVERNEY/SP–

Uma Trova Potiguar

Certo vaqueiro, tristonho,
já vencido pela idade,
afaga, como num sonho,
seu alazão – a saudade…
–REVOREDO NETTO/RN–

...E Suas Trovas Ficaram

Tão calmo e frio eu te vejo,
que tristemente recordo:
acordava com o teu beijo
e hoje nem vês quando acordo…
–NYDIA IAGGI MARTINS/RJ–

Uma Trova Premiada

2009 – Cantagalo/RJ
Tema: SERTÃO – 6º Lugar

Sou sertanejo e não nego
crestei meus pés neste chão.
Nestas marcas que carrego ,
carrego o próprio sertão!
–PROF. GARCIA/RN–

Simplesmente Poesia

Não Sei
–ROLDÃO AIRES/SP–

Não sei se são os teus olhos,
ou se o teu jeito inocente,
faz com que eu sinta, pelo
meu corpo inteiro, algo que
não sentia, alguma coisa
diferente.
Me pego às vezes, pelos cantos
a falar, palavras que há muito
não dizia.
Sinto que renovo-me,
que procuro uma maneira,
de poder vir a possuir um novo
sonho para ser vivido,
um novo amor, que dentro tenho,
e não pode ser contido.

Estrofe do Dia

Sinto falta da voz de Gonzagão
decantando a canção “TRISTE PARTIDA”
que retrata a família e sua vida
apos retirar-se do Sertão.
Já não ouço Luiz Rei do Baião
cantando “DEPOIS DA DERRADEIRA”
Dominguinhos, sanfona de primeira
Genival e o “ROCK DO JUMENTO”;
Precisamos fazer um movimento
Em defesa da música Brasileira.
–RODRIGUES LIMA/SP–

Soneto do Dia

Tempo de Amar
–JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN–

Se a gente olhar a vida com carinho,
inda que more embaixo de uma ponte,
verá flores à margem do caminho
e sorrisos de estrelas no horizonte.

Quem sabe ouvir o borbulhar da fonte
e o sereno trinar de um passarinho
já não se entrega à dor, mesmo defronte
de ingratidões, de pedras e de espinho.

Nem a velhice pesa, quando a gente
se faz jovem no espírito e na mente,
cultivando a alegria de viver,

e, na existência pecadora e santa,
escuta a voz de um coração que canta
o amor que o tempo não logrou vencer.

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Arquivado em Mensagens Poéticas

Teatro da Terra (O Ciclista, de Karl Valentin) 1 a 11 de Março


Maria João Luís encena e encarna Karl Valentin, autor maior da dramaturgia alemã.

Valentin, artista dos sete ofícios cria, fotografa, representa, filma, escreve, enquanto a sua Alemanha atravessa duas guerras mundiais, sempre atento ás dificuldades que um pais em guerra impõe, sem se conformar com a tendência que a propaganda nazi alinhava com a superioridade da raça ariana, foi por isso censurado e esquecido. Só a partir dos anos 70, com traduções francesas, é redescoberto e reconhecido como um dos maiores autores cômicos de sempre.

O Teatro da Terra leva à cena o seu humor corrosivo e irreverente para que não caia outra vez no esquecimento, este talento gigante, muitas vezes apelidado como o Charles Chaplin dos dadaístas de Munique.

de 1 a 11 de Março

4ª a Sábado às 21h30 | Domingos às 16h00

Teatro Cinema de Ponte de Sor

Info e reservas
967 710 598 | 242 292 073
teatrodaterra@gmail.com

bilhetes preço único: 7€

texto Karl Valentin
tradução Maria Adélia Silva Melo e Jorge Silva Melo
encenação Maria João Luís
com Inês Pereira, Maria João Luís, Pedro Mendes, Joaquim Rocha, João Fernandes
cenografia Maria João Luís
figurinos Maria João Castelo
dir. produção e luz Pedro Domingos

Com os melhores cumprimentos
Pedro Domingos
(Direcção de Produção)

TEATRO DA TERRA
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Arquivado em Notícias Em Tempo, peça teatral, Portugal

J. G. de Araújo Jorge (Uma Casa na Lembrança)


Com a mecanização avassalante da vida moderna, muitas vezes me pergunto qual será a imagem do lar do futuro?

A dona-de-casa trabalha fora, absorvida por mil e uma preocupações estranhas ao seu tradicional mundo doméstico; desaparecem as empregadas; os apartamentos se resumem a cubículos, com peças únicas, escamoteáveis, armários embutidos, sofás e poltronas-camas, quitinetes; aparelhos elétricos capazes de improvisar papas liquidificadas à guisa de refeições. Os filhos amontoam-se em camas-beliches, em espaços exíguos de camarotes de navio.

Amanhã, numa sociedade-síntese, em que se unirão as conquistas do conforto capitalista ao sistema de vida socialista, como sobreviverão o homem, a mulher e os filhos?

Francamente, não sei se serão agradáveis as casas dos nossos tetranetos. E quando digo casa, na me refiro apenas ao espaço onde nos recolhemos depois da luta de cada dia, mais justamente aos elementos humanos que a compõem e que, somados, transforma a casa em lar.

Confesso que não gosto de imaginar essa casa solitária, despojada de tantos valores tradicionais, espécie de robô habitado, onde as coisas acontecem sumariamente, a simples toques mágicos, sem a presença necessária e o calor da convivência humana.

Lembro-me de como me senti, certa vez, num pós-operatório, imobilizado num leito de hospital, ligado por tubos que me alimentavam e satisfaziam necessidades, numa cama que se mexia por mim.

Temo que a casa do futuro desumanize o homem. Tire-lhe uns restos de paisagem que ainda resistem como decoração. A intromissão da máquina em nossa vida particular vai reduzindo ao mínimo as perspectivas desse poético mundo prosaico que é o mundo de nossas casas, tão rico de belezas singelas em seu aconchego e em sua tranqüilidade.

A casa do futuro talvez acabe tornando o homem mais solitário que o faroleiro, montado numa penha perdida, em mar alto.

E como será esse homem que prescinde de seus semelhantes, que vive cercado de instrumentos, alimentando-se de pastilhas, procriando por inseminação artificial, em companhia de seres que estarão mais longe de seu espírito que os planetas de seu universo?

Não acredito que a dona-de-casa feliz seja a dona-de-casa sem casa, sem empregadas, para quem os afazeres naturais que constituem a sua vida e a sua alegria se transformem em gestos mecânicos, em atos frios e automáticos.

Eu, por mim, gosto das casas grandes, antigas, impregnadas de histórias, de tradições. Numa delas deixei minha infância, minha adolescência. E quando falo de casas antigas, lembro-me da casa de meu avô, o casarão dos Tinoco, na Rua da Piedade, em Bota-fogo. Está num poema:

“Me lembro da minha rua
velha rua da Piedade
Mudou pra Clarice Índio
Clarisse Índio do Brasil;
o nome de alguma dama
muito importante, quem sabe?
Muito importante, quem viu?”

(A Outra Face).

Bem que o guardo na memória, abrindo suas janelas altas, com grades de ferro, para a rua; o jardim lateral, a grande amendoeira, as acácias; e ao fundo, como uma vaga reminiscência das senzalas, as casas das empregadas. E me ocorrem visões de nossa velha aristocracia patriarcal.

Os romances de Manuel de Macedo e de Alencar fixaram para sempre os aspectos e a paisagem dessa sociedade de fins do século passado. Casas com telhados coloniais; janelas com gelosias românticas; amplas varandas com cadeiras de balanço, com redes preguiçosas, arrastando franjados no assoalho; quintais com uma infinita variedade de árvores, cada vez mais raras: abieiros, caramboleiras, sapotizeiros; salas-de-visitas com lustres e candelabros como jóias cintilantes, espelhos bisotês, estofados rococós; uma quantidade de quadros, salas, corredores, onde os filhos dos senhores brancos andavam de cambulhada com toda uma gama de mulatinhos vivos, filhos das escravas, das mucamas, às vezes com o senhor branco, cuja elástica moral era a do “faça o que eu digo e não o que eu faço…”

O casarão do meu avô Tinoco era, evidentemente, mais recente, mas recendia a sociedade patriarcal, quase ao tempo dos “sinhôs” e das “sinhás”, quando os maridos tratavam respeitosamente as esposas por Vossa Mercê… Lá estava, junto ao quarto de dormir, o oratório dedicado a Nossa Senhora da Conceição, com a candeia de azeite sempre acesa, as jarras com flores, a palha benta.

E a copa e a cozinha, enormes, fervilhantes de empregadas e tias (nesse tempo eu tinha 16!) nos dias de festas, onde pontificava a Maria Cozinheira e seus quitutes! Minha infância está presa à memória pelo paladar. Falar nela é ficar com água na boca, e lembrar-me da hora do lanche, quando a grande mesa da sala-de-jantar (nosso reino encantado!) ficava rodeada por minha avó, tias, primos, primas e suas amigas. Lá estavam os biscoitos de polvilho, os rocamboles, os pãezinhos de minuto, de bolos, as tortas, por entre bules fumegantes de chocolate, café, chá, leite. E nos aniversários e festas vinham os quindins, canudinhos de coco, baba-de-moça, as ameixas recheadas, bolos de nozes, que sei eu?

Sim, ficou-me no coração a nostalgia das casas-grandes, povoadas pelo bulício e a algazarra de tantos parentes e amigos, numa época em que as próprias empregadas como que faziam parte da família também. Até hoje com a carapinha algodoada, ainda vive a Maria Cozinheira, mãe-preta de nossa infância, que recorda com os olhos marejados de lágrimas aquele tempo. E não me esqueci também da Juventina, da Conceição, da Adriana, e até das babás, moças e roliças, que me ajudaram em algumas primeiras “lições de coisas…” Não sei como serão as casas do futuro, cada vez mais apartamentos, ou “apertamentos”. Mas não trocaria, por nada deste mundo, algumas das casas da minha infância, intactas, de pé, nas ruas da memória e do coração.

As casas são como seres que nos envolvem, com suas paredes, nos abrigam e protegem; nos falam; partilham de tantos dos nossos momentos; nos amam e passam, e às vezes morrem, como entes queridos.

Assim ficou o velho casarão de meu avô Tinoco: não como uma casa comum, mas como a lembrança de um primeiro amor, ideal que nunca se esquece e que não morre nunca!

Fonte:
JG de Araujo Jorge. “No Mundo da Poesia ” Edição do Autor -1969

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Arquivado em Acre, O Escritor com a Palavra, poema.