Carolina Ramos (Liberdade em Trovas)

No Livro da Eternidade,
o herói a expirar, exangue,
a História da Liberdade
escreve com o próprio sangue!
*

Na vida, quanta maldade
não punida, se repete!
E, em nome da liberdade,
quantos crimes se comete!
*

Dessa cruel liberdade
de ofender, há quem abuse
a esquecer de que a verdade
um dia talvez o acuse!
*

Liberdade de calar
todos têm, mas, cuida, pois,
ser livre é poder falar
e seguir livre depois!
*

Liberdade é o grande anelo!
Na mansão, casebre ou ninho,
é o cobiçado castelo
quer do rico ou pobrezinho!
*

Na vida, a luta não cessa
em prol do sonho e do pão
e a liberdade começa
onde acaba a servidão!
*

Ser livre é também saber
que a liberdade alcançada
faz parte do próprio ser
e não se troca por nada!
*

Liberdade, em termos sãos,
vale mais se, humildemente,
podendo retê-la em mãos,
nós a damos de presente!
*

Não se queixa de ser pobre,
quem, no seu modesto lar,
trabalha e feliz descobre
que é livre para sonhar!
*

Pobre pássaro!… é de crer
que a prisão não mais suporta
– e vale a pena viver
se a liberdade está morta?!
*

A liberdade germina
quando um povo pulsa e anseia,
qual semente pequenina
que rasga o solo e se alteia!

Fonte:
Carolina Ramos. Destino: poesias. SP: EditorAção, 2011.

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Arquivado em Santos, Trovas

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