Arquivo do mês: abril 2012

Academia de Letras do Brasil (Falecimento do Escritor Paranaense Valter Martins de Toledo)


A Academia de Letras do Brasil (ALB), através de seu Presidente Nacional, Prof. Dr. Mário Carabajal e ALB para o Estado do Paraná, na pessoa do Presidente Pró-tempore, escritor Imortal, Dr. José Feldman, somam-se aos familiares, amigos e leitores do Confrade, escritor Imortal VALTER MARTINS DE TOLEDO, ocupante da Cadeira n. 4 da Academia de Letras do Brasil/Paraná, Patrono: Ildefonso Pereira Correia, Barão do Serro Azul. Seu falecimento ocorreu às 6 horas da manhã do dia de hoje, 29 de abril de 2012, em Curitiba. O velório realiza-se no Tribunal de Justiça do Paraná, Av. Cândido de Abreu, ao lado da Assembléia Legislativa do Paraná, a partir das 18 horas

Valter Martins de Toledo
Formado em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), autor do projeto “Exercício da Cidadania”.

Era Magistrado aposentado do Tribunal de Justiça do Paraná. Conciliador voluntário do Núcleo de Conciliação do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

Membro:
Academia de Cultura de Curitiba,
Academia de Cultura do Paraná, com sede em Londrina
Centro de Letras do Paraná,
Academia de Artes,
Academia Sul Brasileira de Letras,
fundador e presidente da Academia Paranaense de Letras Maçônicas, no período de 1996 a 2006.
Academia de Letras do Brasil pelo Paraná
entre outros.

Condecorações:
Membro Honorário da Força Aérea Brasileira
Medalha do “Mérito Santos Dumont” da FAB.

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Arquivado em Curitiba, Nota de Falecimento, Paraná

A. A. de Assis (Estados do Brasil em Trovas) Mato Grosso do Sul

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30 de abril de 2012 · 00:41

José Feldman (Devaneios Poéticos n. 11)

Uma Trova Do Assis

Prometi-lhe, amada minha,
mil estrelas, as mais belas.
Bobagem…Você sozinha
brilha mais que todas elas!
A. A. de ASSIS (PR)

Uma Trova de Nova Friburgo

Foi um erro, reconheço,
o nosso medo de amar…
E hoje pagamos o preço
por nosso medo de errar!…
RODOPLHO ABBUD (RJ)

Uma Trova Paranaense

Poeta não faz escolha,
desafia qualquer tema,
desdobra folha por folha
e compõe o seu poema.
DARI PEREIRA (PR)

Trova Premiada

1988 – Certame de Trovas Adelmar Tavares – UBT/SP
Tema Nacional: Castelo – Vencedor

Neste alaúde singelo,
dedilhando sons tristonhos,
vou, de castelo em castelo,
cantando em trovas meus sonhos.
VASQUES FILHO (CE)

Um Poetrix

nu divã
ROONALDO RIBEIRO JACOBINA (BA)

Id ao divã divagar
Vã tentativa
de voar

Uma Trova do Prof. Garcia

Em cada verso que eu faço,
brota uma trova, uma flor,
e em cada flor, o regaço
de quatro versos de amor.
PROF. GARCIA (RN)

Trovadores que Deixaram Saudade

Não há quem se esforce à toa,
é rotina o desafio,
sendo a vida uma canoa
que atravessa o grande rio.”
FERNANDO VASCONCELOS (PR)

2 de setembro de 1937 (Diamantina/MG) – 17 de abril de 2010 (Ponta Grossa/PR)

Fernando Vasconcelos (Fernando Silvio Roque de Vasconcelos), jornalista e publicitário, mineiro de Diamantina e paranaense de Ponta Grossa.

Filho de Sandoval Roque dos Santos e Maria de Lurdes de Vasconcelos Roque (poética Tia Velha), casado com Jelena Ruta e sete filhos e três netos.

Recebeu várias honrarias do poder público e da iniciativa privada, entre os quais
Título Cultural
Placa do Mérito Regional
Prêmio Rotary 98/área de Artes
Placa Homenagem por Incansável Jornada Literária (Sesc)

Título de Cidadão Ponta-Grossense (Lei 3.207 de 11/12/1979),
Mérito Leonístico Putanqui – Cultural,
Honra ao Mérito do Rotary Club 2009.

Pertence a dezenas de entidades culturais, inclusive em Portugal, sendo o vice-presidente da Academia de Letras dos Campos Gerais.
Conta com 170 premiações literárias nacionais e internacionais.

São seus livros publicados:
– Pequena Consciência (1974) ;- As Narrativas de Nhô Fela (1983) ; – Nos Espaços D’Alma (1985) ; – Êta Vida Besta, Sô! – (1990) ; – Estou Nascendo Para a Trova (1994) ; – Pô, Meu! (1995) ; – A Danadinha da Crase ( 1997) ; – Da Cacimba do Coração (1998) ; – Fiapico (1998) ; – Abaretama – a sedução do guerreiro (1999) ; – Os Pombinhos do Deus Tupã (2003) ; – Eu Conto (2004) ; – Gotinhas de Orvalho (2005) ; – Branduras (2007).

Um Haikai

Primavera
CLICIE PONTES (SP)

Calmo entardecer —
Revoada de beija-flôres
alegra o jardim…

Uma Trova da Sara Josefina

O imortal trovador
Luiz Otávio nos ensina
somente onde existe amor
a poesia não termina
Sara Josefina de Souza [14 anos] (PR)

Uma Fábula em Versos

O Lobo Pleiteando Contra o Raposo Perante o Macaco
JEAN LA FONTAINE (FRANÇA)

Queixou-se uma vez o lobo
De que se via roubado,
E um mau vizinho raposo
Foi deste roubo acusado.

Perante o mono foi logo
O réu pelo autor levado,
E ali se expôs a querela
Sem escrivão, nem letrado.

“À porta da minha fuma.
Dizia o lobo enraivado.
Pegadas deste gatuno
Tenho na terra observado.”

Dizia o réu em defesa:
“Tu, que és ladrão refinado!
O que, se vives de roubos.
Podia eu ter-te furtado?

— Furtaste! — Mentes! — Não minto!
Questões, gritos, muito enfado.
Já do severo juiz
Tinham a testa azoado.

Nunca Têmis vira um pleito
Tão dúbio, tão intrincado!
Nem que pelos litigantes
Fosse tão bem manejado.

Mas da malícia dos dois
Instruído o magistrado,
Lhes disse: “Há tempo que estou
De quem vós sois informado:

Portanto, em custas em dobro
Seja um e outro multado,
E tanto o réu como o autor,
Por três anos degredado”.

Dando por paus e por pedras
O mono tinha assentado,
Que sempre acerta o juiz,
Quando condena um malvado.

Uma Estória da Trova

Jogos Florais de Niterói…Reunião para a seleção das trovas recebidas. As trovas vão sendo lidas e os trovadores dizem que “sim” ou que “não”. De repente aparece:
A chuva qual se escutasse
o que em pensamento eu disse,
passou, pra que ela chegasse,
firmou, pra que não partisse…
O Izo, dando um pulo, grita:
“Sim! Sim! Sim! É linda !!!”
A Manita esbraveja:
– “DE jeito nenhum! Não!!! Tem dois “pras”!
O Izo retruca:
– “Podia ter até dez “pras”! É linda!!!”
Depois de muita discussão a Trova fica.
No dia da apuração ela recebe Menção Honrosa, e a Manita continua protestando:
– “Tá vendo! Agora ela vai para o livro de premiadas dos Jogos Florais de Niterói!”
O Izo vibra e faz questão de abrir o envelope e identificar o autor… O nome é de: J. G. Pires de Mello, nada mais, nada menos que… o irmão de Manita!!!
Nem por isto ela se deu por achada, continuou protestando contra a premiação…
Alguma Poesia

Vai ao Encontro
AGENIR LEONARDO VICTOR (PR)

Essa pressa é sua.
Vai ao encontro sem espera
Parece que tudo é tão calmo, mas não é!
O mundo é um agito só.
Um corre-corre interminável
Chega noite e volta manhã
Quantos problemas que não se acabam
É bom parar para pensar!
E no outro mundo, como será?
Espero ser bem melhor que esse!
Aqui as pessoas vivem no mesmo teto,
Num céu criado por Deus
Mas, ainda não chegaram à conclusão
Que esse teto lindo azul, nublado
Ensolarado, enluarado ou estrelado
Também não é seu!

Uma Trova do Manicardi

Maringá do sertanejo,
da viola e do violão,
cidade linda que vejo
nascida de uma canção.
ANTONIO MARIO MANICARDI (PR)

Um Soneto

De Bem com a Vida
ARMANDO BETTINARDI (PR)

Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola. . .

Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente. . .
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente.

Fontes:
seleção por José Feldman

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Arquivado em devaneios poéticos

Wagner Marques Lopes /MG (A FAMÍLIA em trovas), parte 5

A Família (pintura de Tarsila do Amaral)
Família cristianizada

Família cristianizada –
que adota e vive as virtudes –
é o bem ganhando a empreitada
pelos caminhos mais rudes.

Notícia para o grupo familiar

Um viver abençoado
no qual de fato confio:
se o grupo põe mão no arado,
vence o passado sombrio.

A família na ação social

A vida ganha sentido,
expressão, muita beleza,
quando o pão é repartido
muito além de nossas mesas.

Parentela e paciência

Paciência! – eis a senha!
Renovação das mais ricas:
tem domínio quem se empenha –
largando o ódio e futricas…

Fonte:
trovas enviadas pelo autor

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Arquivado em Minas Gerais, Trovas

Errata

Nos Devaneios Poéticos n.6, no Soneto do dia, houve um pequeno erro de digitação no nome do autor, que está sendo corrigido no blog.
Onde constava Cecil Calixto,
o correto é Cecim Calixto.

Perdoe a falha.

J.Feldman

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A. A. de Assis (Estados do Brasil em Trovas) Mato Grosso

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28 de abril de 2012 · 22:45

José Feldman (Devaneios Poéticos n. 10)

Uma Trova da Delcy

Em vez do vício, a virtude
e….da revolta, a harmonia!
Quisera que a juventude
se drogasse de poesia!
DELCY CANALLES (RS)

Uma Trova de Fortaleza

Este amor que me consome,
e esta saudade – entonteia! …
traço nas dunas teu nome
e beijo as letras na areia!…
FERNANDO CÂNCIO ARAUJO (CE)

Uma Trova Paranaense

Cresceu estranho tumor
no pé descalço do Zé.
– “Será que eu tenho, Doutor,
apendicite no pé?”
HELENA KOLODY (PR)

Trova Premiada

2004 – XXXIV Jogos Florais de Niterói
Tema Nacional: Cansaço – Vencedor

Sou, no final da existência,
em meu cansaço, grisalho,
folha seca na iminência
de desprender-se do galho!
ARLINDO TADEU HAGEN (MG)

Um Poetrix

borboleta
ROSA CLEMENT (AM)

centro da cidade
a mariposa entra no ônibus
e passa pela borboleta

Uma Trova do Hildemar

Todo conto do vigário
encerra duplo sentido:
há sempre um sabido, otário,
e um otário mais sabido.
HILDEMAR DE ARAÚJO COSTA (BA)

Trovadores que Deixaram Saudade

Do bairro a mulher mais bela
mora na esquina, a Gioconda.
— Rondam tanto a casa dela
que a esquina ficou redonda…”
CESÍDIO AMBROGI (SP)

Cesídio Ambrogi (Natividade da Serra, 22 de maio de 1893 — Taubaté, 27 de julho de 1974). Considerado um dos maiores nomes da intelectualidade valeparaibana do século XX.

Foi professor, escritor e jornalista. Poeta eclético, sonetista emérito, além de notável trovador. Fundador de diversos periódicos, foi também um dos fundadores da “Sociedade Taubateana de Ensino” e considerado presidente perpétuo da União Brasileira de Trovadores (UBT-Taubaté).

Como trovador fez jus a vários troféus e menções honrosas. Colaborou assiduamente nos diversos órgãos da imprensa do Vale do Paraíba e de São Paulo.

Filho dos comerciantes Bernardo Ambrogi e de Marianna Nardi, imigrantes italianos vindo para o Brasil, estabelecidos em Natividade da Serra no final do século XIX. Nasceu e passou sua infância em Natividade da Serra onde amava pássaros. Em 1905 sua família se transferiu pra Taubaté onde fez seus preparatórios e ingressou no tradicional ginásio “Nogueira da Gama” de Jacareí, no qual concluiu o curso secundário. Tentou estudar engenharia na Escola Politécnica de São Paulo, mas sem êxito. Foi pra Itália, onde se matriculou na Universidade de Pisa, como aluno do curso de Engenharia e Letras Clássicas que se graduou. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial interrompeu os estudos e regressou ao Brasil em companhia do primo Dante Cicchi.

Algum tempo depois tentou colocação no alto comércio do Rio de Janeiro onde o pai desfrutava de boas relações comerciais. Sua mãe não vendo vocação do filho para trabalhar com comércio, trouxe-o de volta para Taubaté e através da influência dos amigos da família Puccini, foi nomeado para o cargo de coletor federal, que lhe fora oferecido.

Mais tarde aceitou o convite para exercer as funções de fiscal federal, junto à antiga escola de comércio de Taubaté. Em meados da Década de 20, Cesídio Ambrogi já dispunha de uma apreciável bagagem literária (Prosa e Verso) o que lhe valeu o convite para figurar no primeiro corpo docente do recém criado ginásio do estado, em Taubaté.

Casou-se duas vezes com mulheres de descendência italiana. Seu primeiro casamento em 22 de maio de 1920 com Petronilha Chiaradia, falecida em 26 de julho de 1933, teve um casal de filhos nascidos em Taubaté. Depois de ter ficado viúvo, Cesídio em 21 de fevereiro de 1938 casou-se com sua segunda esposa, a professora, advogada e trovadora Lygia Teresinha Fumagalli, com quem teve os seguintes 5 filhos nascidos em Taubaté.

Por várias décadas, como mestre e poeta, Cesídio honrou o seu mister, dedicando-se ao magistério com amor e dignidade, tendo lecionado lingua portuguesa e literatura brasileira, exercendo notável influência na formação de professores, muitos dos quais, pontificam hoje na Universidade de Taubaté.

Cesídio Ambrogi foi amigo íntimo do escritor Monteiro Lobato de quem recebeu o apelido de “jacaré”. E entre as inúmeras correspondências trocadas, a famosa frase escrita por Monteiro Lobato ao amigo Cesídio Ambrogi: ” As coisas mais belas que um leitor encontra num livro não são o que pomos nele – são as que estão dentro do leitor e nós apenas sugerimos”.

Durante o período que Monteiro Lobato esteve no comando literário das editoras Monteiro Lobato & Cia e Companhia Editora Nacional, ele apresentou e publicou algumas obras do amigo Cesídio Ambrogi.

Faleceu no dia 27 de julho de 1974, em Taubaté, vítima de insuficiência respiratória aguda e de carcinoma broncogênico. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Taubaté.

Obras Literárias

Livros
O Caboclo do Vale do Paraitinga, São Paulo, 1943.
O opúsculo satírico “Janíadas”, publicado com o pseudônimo de K. Mões de Araque, 1945.

Livros de Poesia
As Moreninhas 1943.
Os Poemas vermelhos 1947.

Um Haikai

Verão
JOSÉ MARINS (PR)

Calor de verão
A trabalheira que dá
ter essa preguiça

Uma Trova do Aldo

Sempre que ponho em versos
as coisas do coração,
os pensamentos dispersos
tomam forma de oração.
ALDO SILVA JÚNIOR (PR)

Uma Fábula em Versos

O Conselho dos Ratos
JEAN LA FONTAINE (FRANÇA)

Havia um gato maltês,
Honra e flor dos outros gatos;
Rodilardo era o seu nome.
Sua alcunha — Esgana-ratos.

As ratazanas mais feras
Apenas o percebiam,
Mesmo lá dentro das tocas
Com susto dele tremiam;

Que amortalhava nas unhas
Inda o rato mais muchucho,
Tendo para o sepultar
Um cemitério no bucho.

Passava entre aqueles pobres,
De quem ia dando cabo,
Não por um gato maltês.
Sim por um vivo diabo.

Mas janeiro ao nosso herói
Já dor de dentes causava,
E ele de telhas acima
O remédio lhe buscava.

Dona Gata Tartaruga,
De amor versada nas lides,
Era só por quem na roca
Fiava este novo Alcides.

Em tanto o deão dos ratos,
Achando léu ajuntou
Num canto do estrago o resto,
E ansioso assim lhe falou:

“Enquanto o permite a noite.
Cumpre, irmãos meus, que vejamos
Se à nossa comum desgraça
Algum remédio encontramos.

Rodilardo é um verdugo
Em urdir nossa desgraça;
Se não se lhe obstar, veremos
Finda em breve a nossa raça.

Creio que evitar-se pode
Este fatal prejuízo:
Mas cumpre que do agressor
Se prenda ao pescoço um guizo.

Bem que ande com pés de lã.
Quando o cascavel tinir,
Lá onde quer que estivermos
Teremos léu de fugir'”.

Foi geralmente aprovado
Voto de tanta prudência;
Mas era a dúvida achar
Quem Fizesse a diligência.

“Vamos saber qual de vós,
Disse outra vez o deão.
Se atreve a dar ao proposto
A devida execução.”

— Eu não vou lá, disse aquele;
— Menos eu, outro dizia;
— Nem que me cobrissem de ouro,
Respondeu outro, eu lá ia!

— Pois então quem há de ser?
Disse o severo deão;
Mas todos à boca cheia
Disseram: “Eu não, eu não!”

Tornou-se em nada o congresso;
Que o aperto às vezes é tal,
Que o remédio que se encontra
Inda é pior do que o mal.

Assim mil coisas que assentam
Numa assembléia, ou conselho;
Mas vê-se na execução
Que tem dente de coelho.

Uma Estória da Trova

Jogos Florais de Niterói… Missa em trova com a Igreja repleta.
Durval Mendonça que, em sendo cego, tinha dificuldade em se movimentar em lugares com muita gente, pede à Magdalena Léa:
“ Quando acabar a missa, deixa eu colocar a mão no seu ombro para sair da Igreja?”
Madalena concorda e, ao fim da missa, se levanta. Durval estende as mãos e toca os seios de Magdalena que, brinca com ele:
“– Olha essa mão boba, Durval!!!”
De repente, Magdalena dá uma gargalhada.
Durval dissera, baixinho, ao seu ouvido:
Como é bom ser um ceguinho,
se a nossa mão vai, de leve,
procurando o seu caminho,
por caminhos que não deve…

Alguma Poesia

Final dos Tempos (As almas dos poetas vão chorar)
HERMOCLYDES S. FRANCO (RJ)

Quando as flores perecerem nas Campinas,
Quando o sonho olvidar os namorados,
Na perda das belezas femininas,
Entre as sendas dos vícios e pecados;

Quando o verde do mundo for neblina,
Que os homens provocarem, desvairados,
Ao domínio do fel da adrenalina
E no fremir dos campos calcinados;

Quando os pólos perderem os seus mantos,
Derretidos e inflando o velho mar,
Aos povos restarão gritos e prantos,
Nem resquícios de vida irão sobrar;

Quando a Terra não mais passar no teste
De manter a natura em seu lugar,
Na certeza do fim ser inconteste.
As almas dos poetas vão chorar!…

Uma Trova da Maria Nascimento

Sempre a saudade se gaba
de não haver o que impeça.
Começa se tudo acaba;
não acaba, se começa…
MARIA NASCIMENTO S. CARVALHO (RJ)

Um Soneto

Rua dos Cataventos IV
MARIO QUINTANA (RS)

Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola. . .

Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente. . .
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente.

Fonte:
seleção por José Feldman

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