Ógui Lourenço Mauri (Caderno de Poesias)

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AH!… O CARNAVAL DE OUTRORA!
 
Tenho saudade do antigo Carnaval…
Quem dera poder viver tudo de novo
Sem o engodo da intervenção oficial,
Tudo sob a espontaneidade do povo!
 
Como era gostoso ver a multidão
Botando pra fora os males do ano inteiro,
Alheia aos esquemas da televisão,
Farta alegria, sem pensar em dinheiro.
 
“Passarela do Samba” não existia…
Não era importante sambar pra turistas.
Que pena!… Tudo está mudado hoje em dia, 
Carnaval virou um desfile de artistas!…
 
Qual a graça de cantar o samba-enredo
Lendo os versos distribuídos na hora?
O “folião” é tratado qual brinquedo…
Ah!… Que saudade das marchinhas de outrora!
 
Queria tanto brincar com minha amada 
Sem me ajustar a essa tal metamorfose…
Abraçados, na avenida iluminada;
De todos, pois, a “Praça da Apoteose”.
 
AMOR AO SOM DA CACHOEIRA
Numa suíte ao lado das cataratas…
Do janelão, linda vista panorâmica.
Céu estrelado, lua cheia entre as matas,
Cama convidativa, artes de cerâmica.
 
Só mesmo o local inovou na rotina…
“Dia dos Namorados” em nada altera.
Nós o temos com a proteção divina,
Ocorre todos os dias, sem espera.
 
Foi Eros quem fez cruzar nossos destinos,
Milagre de um amor mantido a poesias.
Vivemos a trocar versos repentinos,
Somos namorados de todos os dias.
 
Junto às cataratas, porém, foi incrível…
Nossas vestes aos poucos abandonadas,
Mútuos desejos ultrapassando o nível
E explosões de prazer enfim alcançadas.
 
Após o amor, muitos beijos e carícias,
Revelações de sonhos de vida a dois.
Envolvimento total nessas delícias,
Sono reconfortante vindo depois.
 
INESQUECÍVEL
 
Um momento a dois que não me sai da mente!
De um amor eterno, o ponto de partida.
De duas almas, recomeço de vida.
De dois sonhos, desembarque no presente.
 
Inesquecível… te ver à minha espera!
Explica-me de que estrela tu vieste,
De quem herdaste esta magia inconteste,
Eis que na arte de amar ninguém te supera.
 
Inesquecível… tocar tua nudez!
Aos ouvidos, sussurros de rouxinóis.
Momentos a dois, dividindo os lençóis,
As delícias do amor na primeira vez.
 
Inesquecível… quando à hora melhor,
Senti os traços de tua anatomia.
Fui às nuvens, face à nossa sinergia,
De dois corpos bem molhados de suor.
 
Olvidar-me disso tudo é impossível,
Um encontro sublime que só Deus viu.
Foi assim que nossa paixão explodiu…
Foi uma noite de amor… Inesquecível!
 
SIMPLES MIRAGEM
 
Agora sei que os traços em minha face
Marcam aonde meus sorrisos chegavam.
Atestam os estragos de um desenlace
De dois sonhadores que tanto se amavam.
 
Provocado por seus versos atraentes,
Via-me no céu quando estava com ela.
Seus gestos tão dela eram tão diferentes,
Talvez só por isso deixaram sequela.
 
Que pena! Somente agora me dei conta
De que meu estro foi além do plausível.
Quem ama é cego e não raro se defronta
Com as amarras de um amor impossível.
 
Julgava-me feliz pro resto da vida,
Com as delícias de nossa convivência.
Tal expectativa se fez esvaída,
Dando lugar à mais rude consequência.
 
Por que o tão concreto virou abstrato?
Por que a felicidade só de passagem?
Que drama mais triste no último ato!…
O sonho não passou de simples miragem!
 
A MÚSICA DE MINHA VIDA
 
Eros, o deus do amor, plasmou minha vida
Quando, ao acaso, eu escutava contigo
Linda música que lembra uma bebida…
Fez de mim teu homem, no lugar de amigo!
 
Como enleva aquela noite relembrar!
Reviver a música de minha vida…
Voltar àquela amizade singular,
Então repleta de paixão recolhida.
 
A tal música nos pôs em sintonia!…
E os corações batendo à mesma frequência.
Paixão intensa a partir daquele dia
E palavras de amor com mais eloquência.
 
Foi tudo tão natural e de relance.
Brindamos com champanhe, a nosso critério.
A simples amizade virou romance
E o nada se transformou em caso sério.
 
Sei que foi algo que só Eros decreta,
Dádiva que rompeu minha solidão;
Chegou-me, assim, a alma gêmea completa,
Que se alojou de vez em meu coração.
 
SOLITÁRIOS PASSOS
 
Para mim, és agasalho das Alturas,
Que me chegou à metade do caminho.
Contigo, sei que não estarei sozinho,
Face à cumplicidade nas horas duras.
 
Com teus olhos, reergueste minha autoestima,
A mando dEle, na raia tu entraste.
De minha vida, foste tu o guindaste
Que, por Deus, fez eu dar a volta por cima.
 
Estar só, hoje não passa de lembrança.
Meus solitários passos foram de vez.
No mar bravio, em que o tempo se refez.
Depois da tempestade, veio a bonança.
 
Foste o bálsamo para minha ferida,
Que surgira de meus passos solitários.
Tu trouxeste os ingredientes necessários
Ao nosso amor, em retomada de vida.
 
Sinto mais um anjo do que uma mulher,
Em teu aconchego, que igual nunca vi.
Dos solitários passos antes de ti,
Não tenho saudade, um tiquinho sequer…
 
GESTOS E PALAVRAS
 
Gesto é um termo de duas definições:
Dá, a primeira, ideia de movimento,
Enquanto a segunda tem por fundamento
O brilho e enlevo de certas ações.
 
Temos na palavra a exteriorização
Do que nosso íntimo deixa vazar.
A palavra é instrumento singular,
Algo refratário ou de aproximação.
 
Teus gestos e palavras lembram poesias
Exclusivas das aptidões femininas.
Parecem versos de rimas repentinas,
Que atiçam meus desejos e fantasias.
 
Sabes usar esses dons com maestria,
És mulher inteligente e resoluta.
Em todas as batalhas, ganhas a luta;
No amor e nas lides de todos os dias.
 
Sou vidrado em tua poesia e lucidez…
No visco de teus traquejos, me prendi;
Teus gestos humanos, eu sempre aplaudi
E às tuas palavras, entreguei-me de vez.
 
DOCE SAUDADE
 

Quando leio teus versos tão sensuais,
Com pitadas de uma fêmea provocante,
Sou tomado do impulso de querer mais,
Ganas de eu estar contigo a todo instante.


Uma doce saudade me vem à mente,
Recordações fazem meu sangue ferver.
Frustrado, vejo que não estás presente
E que tudo que eu quero não pode ser.


Vem-me à lembrança nossa alcova de amor,
De quando nos encontramos, afinal.
Paixões incontidas no seu esplendor,
Enlevos a dois, numa entrega total.


Doce saudade de teu lindo sorriso,
De teus cabelos sedosos, cor de mel;
Detalhes que afetam meu frágil juízo,
Que não suporta esta distância cruel.


Hoje, sou dependente de tua poesia.
Ela é a fonte desta doce saudade.
Sentimento que se aflora a cada dia,
Num sonho só, preso na felicidade.

Fonte:
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Arquivado em caderno de poesias, São Paulo

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