Arquivo do mês: outubro 2012

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 711)

Uma Trova de Ademar  
O papel que eu desempenho
na poesia, não tem preço;
pelos amigos que eu tenho…
Ganho mais do que mereço!
–Ademar Macedo/RN–

Uma Trova Nacional  
É no momento da prece
que o seu coração perdoa…
Quem assim age, merece
viver feliz, pois se doa.
–Cidinha Frigeri/PR–
Uma Trova Potiguar  
São José, mão carpinteira,
pai terreno de Jesus;
fez tanta obra em madeira,
mas nunca fez uma cruz!
–Zé de Sousa/RN–
Uma Trova Premiada  
2005   –   C.E João B.de Mattos/RJ
Tema   –   ECOLOGIA   –   3º Lugar
Defender a Ecologia
de forma séria e decente,
é preservar a harmonia
da própria casa da gente.
–Wandira Fagundes Queiroz/PR–
…E Suas Trovas Ficaram  
A estrada em que me confino
pelo destino é traçada…
Sei que não mudo o destino,
mas posso mudar de estrada!
–José Maria M. Araújo/RJ–
U m a P o e s i a  
Mãe tirana e vaidosa
e o pai que não auxilia,
na hora da gestação
se gera com alegria;
é pai na hora que gera
depois esquece e não cria.
–Waldir Teles/PE–
Soneto do Dia  
UMA HISTÓRIA DE AMOR.
–Gilson Faustino Maia/RJ–
Dois corações singelos, com ternura,
são visitados pela luz do amor.
Da pureza do olhar encantador,
nasce um sonho de paz e de ventura.
Dois anjos de inocente formosura,
tentando neste mundo enganador
construir um jardim, plantar a flor
de uma vida feliz e de candura.
O tempo passa, o vento da maldade
tenta encobrir com pó aquela história,
impedir, do namoro, a liberdade.
Pode, a renúncia, ser obrigatória,
vitoriosa ser a crueldade…
Será eterna a história na memória.

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 710)

Uma Trova de Ademar 
Como quem faz sua escolha, 
disfarçando o desatino, 
alterei folha por folha 
do livro do meu destino! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional 
Ao passar por mim, nem para…
sou a sombra de ninguém!
Que espaço enorme separa
meu amor de seu desdém! 
–Wanda de Paula Mourthé/MG– 

Uma Trova Potiguar 
Caminha em rota invertida,
sem um sonho promissor,
quem, nos outonos da vida,
não colhe um fruto de amor!
–José Lucas De Barros/RN– 

Uma Trova Premiada 
2012   –  Cantagalo/RJ 
Tema   –  ESPAÇO   –  2º Lugar 
Neste planeta avarento,
onde o “ter” é o ditador,
que triste é ver o cimento
roubar o espaço da flor! 
–A. A. de Assis/PR– 

…E Suas Trovas Ficaram 
Um dedo contra os pilares… 
murmúrios…silêncio! Tédio…
É a fome subindo andares 
pelo interfone do prédio! 
–Paulo Cesar Ouverney/RJ– 

U m a P o e s i a 
Quando eu partir desta vida, 
irei coberto de paz; 
e chegando lá em cima 
nas mansões celestiais; 
eu vou logo organizando 
e num cartaz anunciando: 
“Primeiro Jogos Florais”! 
–Ademar Macedo/RN– 

Soneto do Dia 

ROGATIVA. 
–Thalma Tavares/SP– 
Senhor, que olhas os antros, as vielas, 
os homens sem trabalho, o lar sem pão, 
que a minha fé não morra como as velas 
que ao mais leve soprar se apagarão. 
Ante a ganância atroz, cujas mazelas 
nos põem em sobressalto o coração, 
eu venho Te pedir pelas favelas 
que ora clamam por paz e proteção. 
O pobre, da miséria anda cansado 
e pensa, em sofrimentos mergulhado, 
que Tu, ó meu Senhor, lhe deste as costas. 
E é tanta, neste mundo, a violência 
que não querendo crer na Tua ausência 
eu ando pela vida de mãos postas.

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Olivaldo Junior (Trovas sobre Desprezo)

Desprezado por você, 
fui prezar as madrugadas.
Cada rua que me vê
só me pega nas calçadas.
Ao findar-se a primavera,
entre as pedras, no capim,
tu desprezas quem eu era
quando eu era seu jardim. 
Violão, “viola à-toa”,
não despreze o seu amigo!
Tudo fica numa boa
quando fica a sós comigo.
Fonte:
O Autor

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Cléo Busatto (Dona Cotinha, Tom e Gato Joca)

Em frente à minha casa tem outra casa, pequena, de madeira, azul com janelas brancas. Está no fim de um terreno enorme com muitas árvores. Para mim aquilo é o que chamam de floresta. Tom diz que é um quintal. Ali mora dona Cotinha, uma velhinha que tem cabelos lilás e dirige um Fusquinha vermelho. Esse passou a ser meu esconderijo. Dona Cotinha sempre aparece com um prato de comida. Diz: 
 – Vem, gatinho. Olha só o que eu trouxe para você. 
 Sou premiado com sardinha fresca, atum, macarrão. Tenho engordado além da conta. Dia desses estava tomando sol e ouvi o Tom me chamar. O danado sentiu meu cheiro e descobriu meu segredo. Ele estava no portão quando chegou dona Cotinha, no seu Fusquinha. 
 – Bom dia, menino – disse ela. Já que está em frente à minha casa, faça uma gentileza e abra o portão. 
 Tom obedeceu. Dona Cotinha afagou minha cabeça e perguntou: 
 – Este gatinho é seu? 
 – Sim, senhora. 
 – Ele é muito educado. 
 – Obrigado – disse eu, na minha voz de gato. 
 – No primeiro dia que o vi por aqui, ele entrou na casa e cheirou tudo. Agora, sempre deixo uma comidinha para ele! 
 – Ah! Mas o Joca não come comida de gente, não, senhora. Só come ração – disse o Tom. 
 – Come, sim, meu filho. E come de tudo. 
 Dona Cotinha acabava de denunciar minha gula e o aumento de peso. Continuou: 
 – Passe aqui no fim da tarde. Faço um bolo de fubá com cobertura de chocolate que é de dar água na boca. 
 Com água na boca fiquei eu. Naquela tarde voltamos à casa de dona Cotinha. Ela foi logo mostrando pro Tom uma coleção de carrinhos antigos. Era do filho dela, que morreu bem pequeno. Depois nos levou para uma sala repleta de livros. Tom ficou de boca aberta e perguntou: 
 – A senhora já leu todos esses livros? 
 – Praticamente todos. Ler foi minha diversão, meu bom vício. Infelizmente meus olhos não ajudam mais. Essa pilha que você está vendo aqui ainda nem foi tocada. 
 Tom começou a ler em voz alta, e sua voz encheu a sala de seres fantásticos. O tempo parou. 
 Desse dia em diante, à tardinha, eu e Tom tínhamos uma missão. Abrir os livros de dona Cotinha e deixar os personagens passearem pela casa mágica, no meio da floresta da cidade de pedra.
Fonte:

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 709)

Uma Trova de Ademar  
Caiu meu muro de arrimo; 
sinto fraqueza… E, aos oitenta, 
nem com Viagra eu me animo, 
só se der cobra em noventa! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  
É minha a dívida, assumo,
e hei de saldá-la… porém,
enquanto a grana eu arrumo,
que tal me emprestar mais cem???
–José Ouverney/SP– 

Uma Trova Potiguar  
É por demais assanhada 
a galinha do vizinho: 
já tem a costa pelada 
por excesso de carinho… 
–Fabiano Wanderley/RN– 

Uma Trova Premiada  
1999   –   Cachoeiras de Macacu/RJ 
Tema   –   LADINO   –   M/E 
“Cara-de-pau!” E o grã-fino 
não se abala, não se afoba;
e no rosto, enfim, ladino,
passa um óleo de peroba…
–Antonio Colavite Filho/SP– 

…E Suas Trovas Ficaram  
Sendo traída, de graça, 
pelo esposo, capitão, 
a Maria, por pirraça, 
o traiu com o “batalhão”. 
–Célio Grunewald/MG– 

U m a P o e s i a  
O rádio é para se ouvir 
e todo mundo entender, 
0 telefone é melhor 
para a gente ouvir sem ver, 
sou matuto e não ignoro: 
no telefone eu namoro 
sem minha mulher saber! 
–Fenelon Dantas/PB– 

Soneto do Dia  

O POBRE. 
–Francisco Macedo/RN– 
Vida de pobre é um mutirão de dor, 
uma loucura e grande confusão, 
quando tem carne nunca tem feijão, 
se tem feijão, de carne nem a cor. 
Compra uma “muda” de roupa todo ano 
e no sapato, tome meia-sola! 
No celular faz pose de gabola, 
mas pra ligar, está sem vez no plano… 
No “lotação” precisa paciência, 
arroto choco e tome flatulência, 
e, mesmo assim, com jeito vai levando… 
Sendo enxerido, segura a aparência, 
pose de rico, mas rei da inadimplência 
e vai em frente, as dores disfarçando. 

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José de Alencar (Ao Correr da Pena) 3 de novembro: Máquinas de coser

(Crônicas publicadas no “Correio Mercantil”, de 3 de setembro de 1854 a 8 de julho de 1855, e no “Diário do Rio”, de 7 de outubro de 1855 a 25 de novembro do mesmo ano, ambos os jornais do Rio de Janeiro).
Meu caro colega. – Acho-me seriamente embaraçado da maneira por que descreverei a visita que fiz ontem à fábrica de coser de M.me Besse, sobre a qual já os nossos leitores tiveram uma ligeira notícia neste mesmo jornal.
O que sobretudo me incomoda é o título que leva o meu artigo. Os literatos, apenas ao lerem, entenderão que o negócio respeita aos alfaiates e modistas. Os poetas acharão o assunto prosaico, e talvez indigno de preocupar os vôos do pensamento. Os comerciantes, como não se trata de uma sociedade em comandita, é de crer bem pouca atenção dêem a esse melhoramento da indústria.
Por outro lado, tenho contra mim o belo sexo, que não pode deixar de declarar-se contra esse maldito invento, que priva os seus dedinhos mimosos de uma prenda tão linda, e acaba para sempre com todas as graciosas tradições da galanteria antiga.
Aqueles lencinhos embainhados, penhor de um amante fiel, e aquelas camisinhas de cambraia destinadas a um primeiro filho, primores de arte e de paciência, primeiras delícias da maternidade, tudo isto vai desaparecer.
As mãozinhas delicadas da amante, ou da mãe extremosa, trêmulas de felicidade e emoção, não se ocuparão mais com aquele doce trabalho, fruto de longas vigílias, povoadas de sonhos e de imagens risonhas. Que coração sensível pode suportar friamente semelhante profanação do sentimento?…
Declarando-se as senhoras contra nós, quase que podemos contar com uma conspiração geral, porque é coisa sabida que desde o princípio do mundo os homens gastam a metade de seu tempo a dizer mal das mulheres, e a outra metade a imitar o mal que elas fazem.
Por conseguinte, refletindo bem, só nos restam para leitores alguns homens graves e sisudos, e que não se deixam dominar pela influência dos belos olhos e dos sorrisos provocadores. Mas como é possível distrair estes espíritos preocupados com altas questões do Estado de faze-los descer das sumidades da ciência e da política a uma simples questão de costura?
Parece-lhe isto talvez uma coisa muito difícil; entretanto tenho para mim que não há nada mais natural. A história, essa grande  mestra de verdades, nos apresenta inúmeros exemplos do grande apreço que sempre mereceu dos povos da antiguidade, não só a arte de coser, como as outras que lhe são acessórias.
Eu podia comemorar o fato de Hércules fiando aos pés de Onfale, e mostrar o importante papel que representou na antiguidade, a teia de Penépole, que mereceu ser cantada por Homero. Quanto à agulha de Cleópatra, esse lindo obelisco de mármore, é a prova mais formal de que os Egípcios votavam tanta admiração à arte da costura, que elevaram aquele monumento à sua rainha, naturalmente porque ela excedeu-se nos trabalhos desse gênero.
As tradições de todos os povos conservam ainda hoje o nome dos inventores da arte de vestir os homens. Entre os gregos foi Minerva, entre os lídios Aracne, no Egito Isis, e no Peru Manacela, mulher de Manco Capa.
Os chineses atribuem essa invenção ao Imperador Ias; e na Alemanha, conta a legenda que a fada Ave, tendo um amante muito friorento, compadeceu-se dele, e inventou o tecido para muito friorento, compadeceu-se dele, e inventou o tecido para vesti-lo. Naquele tempo feliz ainda eram as amantes que pagavam os gastos da moda; hoje, porém, este artigo tem sofrido uma modificação bem sensível. As fadas desapareceram, e por isso os homens vão cuidando em multiplicar as máquinas.
Só estes fatos bastariam para mostrar que importância tiveram em todos os tempos e entre todos os povos as artes que servem para preparar o traje do homem. Além disto, porém a tradição religiosa conta que já no Paraíso, Eva criara, com as folhas da figueira, diversas modas, que infelizmente caíram em desuso.
Já não falo de muitas rainhas, como Berta, que foram mestras e professoras na arte de coser e fiar; e nem das sábias pragmáticas dos Reis de Portugal a respeito do vestuário, as quais mostram o cuidado que sempre mereceu daqueles monarcas, e especialmente do grande Ministro Marquês de Pombal, a importante questão dos trajes.
Hoje mesmo, apesar do rifão antigo, todo o mundo entende que o hábito faz o monge; e se não vista alguém uma calça velha e uma casaca de cotovelos roídos, embora seja o homem mais relacionado do Rio de Janeiro, passará por toda a cidade incógnito e invisível, como se tivesse no dedo o anel de Giges.
Assim, pois, é justamente para os espíritos graves, dados aos estudos profundos e às questões de interesse público, que resolvi descrever a visita à fábrica de coser de M.me Besse, certo de que não perderei o meu tempo, e concorrerei quanto em mim estiver para que se favoreça este melhoramento da indústria, que pode prestar grandes benefícios, fornecendo não só à população desta côrte, mas também a alguns estabelecimentos nacionais. 
A fábrica está situada à Rua do Rosário, n.º 74. Não é uma posição tão aristocrática como a das modistas da Rua do Ouvidor; porém tem a vantagem de ser no centro da cidade; e, portanto, as senhoras do tom podem facilmente e sem derrogar aos estilos da alta fashion fazer a sua visita a M.me Besse, que as receberá com graça e a amabilidade que a distingue.
Era na ocasião de uma dessas visitas que eu desejaria achar-me lá para observar o desapontamento das minhas amáveis leitoras (se é que as tenho, visto que estou escrevendo para os homens pensadores). Dizem que o espírito da indústria tem despoetizado todas as artes, e que as máquinas vão reduzindo o mais belo trabalho a um movimento monótono e regular, que destrói todas as emoções, e transforma o homem num autômato escravo de outro autômato.
Podem dizer o que quiserem; eu também pensava o mesmo antes de ver aquelas lindas maquinazinhas que trabalham com tanta rapidez, e até com tanta graça. Figurai-vos umas banquinhas de costura fingindo charão, ligeiras e cômodas, podendo colocar-se na posição que mais agradar, e sobre esta mesa uma pequena armação de aço, e podeis fazer uma idéia aproximada da vista da máquina. Um pezinho o mais mimoso do mundo, um pezinho de Cendrillon, como conheço alguns, basta para fazer mover sem esforço todo este delicado maquinismo.
E digam-me ainda que as máquinas despoetizam a arte! Até agora, se tínhamos a ventura de ser admitidos no santuário de algum gabinete de moça, e de passarmos algumas horas e  conversar e a vê-la coser, só podíamos gozar dos graciosos movimentos das mãos; porém não se nos concedia o supremo prazer de entrever sob a orla do vestido um pezinho encantador, calçado por alguma botinazinha azul; um pezinho de mulher bonita, que é tudo quanto há de mais poético neste mundo.
Enquanto este pezinho travesso, que imaginareis, como eu, pertencer a quem melhor vos aprouver, faz mover rapidamente a máquina, as duas mãozinhas, não menos ligeiras, fazem passar pela agulha uma ourela de seda ou de cambraia, ao longo da qual vai-se estendendo com incrível velocidade uma linha de pontos que acaba necessariamente por um ponto de admiração (!).
Está entendendo que o ponto de admiração é feito pelos vossos olhos, e não pela máquina, que infelizmente não entende nada de gramática, senão podia-nos bem servir para  elucidar as famosas questões do gênero do cólera e da ortografia da palavra asseio. Questões estas muito importantes, como todos sabem, porque, sem que elas se decidam, nem os médicos podem acertar no curativo da moléstia, nem o Sr. Ministro do Império pode publicar o seu regulamento da limpeza da cidade.
Voltando, porém, à nossa máquina, posso assegurar-lhes que a rapidez é tal, que nem o mais cabula dos estudantes de São Paulo ou de medicina, nem um poeta e romancista a fazer reticências, são capazes de ganha-la a dar pontos. Se a deixarem ir à sua vontade, faz uma ninharia de trezentos por minuto; mas, se a zangarem, vai aos seiscentos; e então, ao contrário do que desejava um nosso espirituoso folhetinista contemporâneo, o Sr. Zaluar, pode-se dizer que quando começa a fazer ponto, nunca faz ponto.
Mau! Já me andam os calemburs  às voltas! É preciso continuar; mas, antes de passar adiante, sempre aconselharei a certos credores infatigáveis, a certos escritores cuja verve é inesgotável, que vão examinar aquelas máquinas a ver se aprendem delas a arte de fazer ponto. É uma coisa muito conveniente ao nosso bem estar, e será mais um melhoramento que deveremos a M.me Besse.
Aos Estados Unidos cabe a invenção das máquinas de coser, que hoje se têm multiplicado naquele país de uma maneira prodigiosa, principalmente depois dos últimos aperfeiçoamentos que se lhe têm feito. M.me Besse possui atualmente na sua fábrica seis destas máquinas, e tem ainda na alfândega doze, que pretende  despachar logo que o seu estabelecimento tomar o incremento que é de esperar.
M.me Besse corta perfeitamente qualquer obra de homem ou de senhora; e, logo que for honrada com a confiança das moças elegantes, é de crer que se torne a modista do tom, embora não tenha para isto a patente de francesa, e não more na Rua do Ouvidor.
Além disto, como ela possui máquinas de diversas qualidades, umas que fazem a costura a mais fina, outras próprias para coser fazenda grossa e ordinária, podem também muitos estabelecimentos desta corte lucrar com a sua fábrica um trabalho, não só mais rápido e mais bem acabado como mais módico no preço.
Presentemente a fábrica já tem muito que fazer; mas, quando se possui seis máquinas, e por conseguinte se dá três mil e seiscentos pontos por minuto, é preciso que se tenha muito pano para mangas.
Sou, meu caro colega, etc.
Fonte:
José de Alencar. Ao Correr da Pena. SP: Martins Fontes, 2004.

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58a. Feira do Livro de Porto Alegre (Programação: 28 de outubro, domingo)

09h 
Campanha de prevenção ao Diabetes.
Pórtico central do Cais do Porto
11h 
A Arte Levada a Sério.
Sessão de Autógrafos com Escola São Marcos, de Alvorada.
Teatro Sancho Pança – Armazém B do Cais do Porto 
14h 
Sombras da alma: tramas e tempos da depressão.
Reflexão sobre a depressão e capacitação de pessoas e instituições para tratar esse crescente “mal da alma”, com Karin Hellen Kepler Wondracek, Lothar Carlos Hoch e Thomas Heimann.
Sala Leste – Santander Cultural
Contação de histórias para o público infantil.
Contação de histórias para o público infantil, com Danilo Furlan.
QG dos Pitocos 
Cidade das Crianças.
Território das Escolas 
14h30 
 Pai, mãe e educadores: por uma conduta equilibrada.
Discussão das obras com os autores Içami Tiba e Natércia Tiba.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS
Primeira sessão – curtas e documentários: Casa Afogada.
Homem luta para manter sua memória enquanto as águas se tornam violentas.
Sessão comentada com o diretor.
Direção: Gilson Vargas. Duração: 14 min.
Tenda de Pasárgada
15h 
O povo Yorùbá – Costumes e tradições.
Costumes e tradições do povo Yorùbá (Nigéria) – África Ocidental,  com Julio Cezar Ferro
Sala Oeste – Santander Cultural
Fábulas de Bolso.
Teatro Sancho Pança – Armazém B do Cais do Porto 
15h30 
O alvorecer de uma nova era.
A mãe-terra está “parindo” uma nova maneira de ser, uma nova frequência vibracional, e seus habitantes terão que repensar suas formas de existir, com Diógenes Pastre Camargo.
Sala Leste – Santander Cultural
Acessibilidade e inclusão social.
Sala de Vídeo
16h 
Quântica: espiritualidade e saúde.
Organização é apenas um engano de nossa percepção? Com Moacir da Costa de Araújo Lima.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS
Oficina o processo criativo: da narrativa breve ao romance de fôlego.
Como desenvolver a ideia do primeiro parágrafo ao ponto final. Módulo 2/2, com Marcel Citro.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala A2B2 – Casa de Cultura Mario Quintana
 Roda de histórias.
Roda de histórias. Uma história é  contada revelando o tema a ser compartilhado com o grupo, e os participantes são convidados a partilhar suas histórias. Com Clarice Nejar e Luana Fernandes.
Tenda de Pasárgada
Poesia Inclusiva.
Recital das poesias produzidas em oficina de criação poética, em formato acessível, destinada a pessoas que tenham deficiência visual ou baixa visão. Com Roselaine Funari e participação do harpista Daniel Uchoa.
Ateliê da Imagem 
16h30 
Professor Hermógenes – Vida, Yoga, Fé e Amor.
Palestra de lançamento da biografia do meste de Yoga,  com  Vítor Caruso Júnior e Enio Burgos.
Sala Oeste – Santander Cultural
Academia Literária Feminina do RS.
Encontro da Academia Literária Feminina do RS, convidada especial Susana Cordero de Espinosa.
Inscrições: visitacaoescolar@camaradolivro.com.br
Casa do Pensamento 
17h 
Terapia de regressão – perguntas e respostas.
Bate-papo com autor, Mauro Kwitko, que fala sobre a terapia de regressão e esclarece dúvidas do público presente.
Sala Leste – Santander Cultural
Aprenda a desenhar com a família Falcote.
Sala de Vídeo
Na Magia dos Sonhos…Tudo Pode Acontecer.
Teatro Sancho Pança – Armazém B do Cais do Porto 
17h30 
 Sustentabilidade mental.
A memória como base da potência cerebral, com Tomio Kikuchi, José Tachenco, Flávio Tavares e Rosvita Bauer.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS
18h 
Crack e o labirinto das drogas.
Sala Oeste – Santander Cultural
18h30 
Amor por minuto.
Uma abordagem diferente sobre relacionamentos contemporâneos, com Flavio Silveira, Otávio Augusto Wink Nunes e Cínthya Verri.
Sala Leste – Santander Cultural
19h 
 Presença de Valter Hugo Mãe na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre
Participam da mesa Jane Tutikian e Pedro Gonzaga.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS
 Espiritualidade e qualidade de vida.
Os conhecimentos das leis de Deus transformam o homem em um ser completo, com uma melhor qualidade de vida, com Alírio de Cerqueira e Gabriel Salum.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais
Teatro Sancho Pança – Armazém B do Cais do Porto
Oficina: o desafio de publicar.
O processo de publicação de um texto. Módulo 1/3, com Cassio Pantaleoni.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala A2B2 – Casa de Cultura Mario Quintana
Sessão de Cinema no Cine Santander Cultural – 27 out a 11 nov.
Menos que Nada, de Carlos Gerbase.
OBS: Exibição única, com entrada franca – ingressos na bilheteria,  por ordem de chegada.
Cine Santander Cultural
3º Seminário Reinações na Feira do Livro de Porto Alegre.
Mesa – redonda: A presença da magia em Lygia Bojunga: falando sobre bolsas e outras coisas, com Liza Petiz e Rodrigo Barcellos. Mediação de Caio Riter.
Inscrições: visitacaoescolar@camaradolivro.com.br
Casa do Pensamento 
20h 
Flávio Tavares
1961 – O golpe derrotado e memórias do esquecimento – L&PM Editores.
Praça de autógrafos
Fonte: 

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Eliana Jimenez (A Trova-Legenda)

artigo pela autora
A ideia da publicação de uma imagem no blog para instigar a imaginação dos trovadores surgiu por acaso.
Fiz uma trova alusiva à foto de uma passarinha abrigando seus filhotes sob as asas e percebi que a trova não tinha existência própria, que precisava da imagem para ser compreendida.
Em seguida, comecei a procurar trovas para imagens, mas nem sempre se encaixavam perfeitamente, além de consistir em um grande trabalho de pesquisa.
Surgiu então a ideia de fazer o contrário: publicar a imagem e convidar os trovadores para enviarem uma trova que funcionasse como legenda.
Na edição de estréia, em 21 de outubro de 2011, tive o apoio de grandes mestres e divulgadores do movimento trovadoresco, como A. A. de Assis, Ademar Macedo, José Feldman, José Ouverney e Prof. Garcia. Logo em seguida, importantes nomes da trova aderiram ao blog, como Carolina Ramos, Darly O. Barros, José Fabiano, entre outros. Esse suporte dos trovadores consagrados foi sempre crescente e fundamental para que a ideia se propagasse.
Após esse primeiro ano de existência da Trova-legenda, o blog consolidou-se, tendo até obtido reconhecimento da UBT de São Paulo. Conta com uma média de 45 trovas por edição. A cada 10 dias uma nova imagem é publicada, sempre tentando desafiar a imaginação e a habilidade dos trovadores.
Como não é concurso, todas as trovas que atendam aos requisitos de métrica e rima são publicadas e com isso, o blog está cumprindo uma importante missão, que é cativar e trazer novos admiradores para o movimento trovadoresco.
A trova tem esse poder, como dizia Luiz Otávio, de nos tomar por inteiro e abrir o coração para abrigar tantos irmãos queridos e iluminados, de romper fronteiras, e ainda preencher nossos momentos com a chama da inspiração.
O endereço do blog é:
http://poesiaemtrovas.blogspot.com.br e estão todos convidados a participar.
———————-
José Feldman escreve:

São ativistas como Jimenez que mantém acesa a chama da cultura brasileira. Pessoas como ela, com garra, com novas idéias, com dedicação que endossam este exército de literatos, tremulando a nossa bandeira.
Parabéns pelo seu trabalho, que  seja uma árvore carregada de frutos.

E aproveitando o espaço, prezado trovador, você já enviou sua trova para a nova trova-legenda? Vence em mais uns dias. Desta vez, não vou colocar a figura. Entre no blog da Jimenez. Vamos participar com mais afinco, não vejo o nome de muitos outros trovadores que poderiam estar participando. Lembrando, o endereço é http://poesiaemtrovas.blogspot.com.br. Nos encontramos por lá.
Fonte:
Boletim Nacional n. 531 – outubro/2012 – União Brasileira de Trovadores – UBT/Nacional

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 708)


Uma Trova de Ademar  
Não acredito em trapaça, 
o livre arbítrio eu imponho; 
não há destino que faça 
eu desistir do meu sonho. 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  
Lançada a sorte! Em verdade,
eu parti… Mares medonhos!…
E, no Porto da Saudade,
fui ancorar com meus sonhos…
–Giselda Medeiros/CE– 

Uma Trova Potiguar  
Quando um jardim perde as flores, 
a mão de Deus recupera, 
pintando as mais lindas cores 
nas flores da primavera! 
–Prof. Garcia/RN– 

Uma Trova Premiada  
2010   –   ATRN – Natal/RN 
Tema   –   INSPIRAÇÃO   –   1º Lugar 
Inspiração, não me deixes 
neste mundo imerso em dor! 
– Sem ti, sou rio… sem peixes… 
Sou coração… sem amor…! 
–Marisa Vieira Olivaes/RS – 

..E Suas Trovas Ficaram  
Somos dois gritos calados 
dois momentos desiguais, 
dois seres desencontrados 
mas que se buscam demais. 
–Marisol/RJ– 

U m a P o e s i a  
O meu jeito de ser não me subleva 
quero ser como Deus mandou que eu fosse, 
quando eu vim foi a vida quem me trouxe 
quando eu for é a morte quem me leva, 
pra que eu reclamar de Adão e Eva 
se a serpente lhes fez quebrar a jura, 
pra que eu exibir a dentadura 
se não tem nenhum osso que ela roa; 
pra que tanta riqueza se a pessoa 
nada leva daqui pra sepultura. 
–Fernando Emídio/PE– 

Soneto do Dia  

DONA FLOR.
–Vicente de Carvalho/RJ– 
Ela é tão meiga! Em seu olhar medroso 
vago como os crepúsculos do estio, 
treme a ternura, como sobre um rio 
treme a sombra de um bosque silencioso.
Quando, nas alvoradas da alegria, 
a sua boca úmida floresce, 
naquele rosto angelical parece 
que é primavera, e que amanhece o dia. 
Um rosto de anjo, límpido, radiante… 
Mas, ai! sob esse angélico semblante 
mora e se esconde uma alma de mulher 
que a rir-se esfolha os sonhos de que vivo 
– Como atirando ao vento fugitivo 
as folhas sem valor de um malmequer…

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58a. Feira do Livro de Porto Alegre (Programação: 27 de outubro, sábado)

09h 
Seminário Internacional 
O papel da biblioteca e da leitura no desenvolvimento da sociedade.
Programa Prazer em Ler:rede de atores mobilizando a leitura literária no Brasil,com Paulo Castro. 
Sala dos Jacarandás-Memorial do RS
Literatura e Arte, Pedagogia Waldorf.
Vitrina da Leitura 
Teatro de Mesa.
Ateliê da Imagem 
A Arte Levada a Sério.
Território das Escolas 
Campanha de prevenção ao Diabetes.
Pórtico central do Cais do Porto
9h30 
Seminário Internacional 
O papel da biblioteca e da leitura no desenvolvimento da sociedade.
Abertura do Seminário Biblioteca Viva RS e do IV seminário redes de Leitura :O papel do estado na construção das políticas integradas de leitura. As bibliotecas públicas,escolares e comunitárias.Elisa Machado,Vera Saboya,Jéferson Assumção,Rogério Pereira e Maria Zenita de Monteiro.Mediação de Márcia Cavalcante.
Sala dos Jacarandás-Memorial do RS
11h 
Contação de Histórias.
A Bola e o Goleiro, contação de histórias com a equipe do QG
QG dos Pitocos
13h30 
Hunsrik, unser taytx – Patrimônio Cultural do RS.
Língua Germânica ainda em uso por mais de dois milhões de falantes no Brasil, com Solange Hamester Johann.
Sala Oeste – Santander Cultural
Compartilhamento de boas práticas de promoção da leitura – bibliotecas comunitárias, públicas e escolares.
Sala 1-Escola de Leitores (POA),Biblioteca Pública de Sertão Santana,Biblioteca Pública de bagé,Literasampa(São Paulo),Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul,crianças e jovens do Rio Grande escrevendo história e baixada literária(RJ).Mediação de Marcelo Azevedo.
Sala 2-Adote um Escritor(POA),Biblioteca Pública de Caxias do Sul,Valelendo (SP) e sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Rio de janeiro.Mediação de Laís Chaffe.
Sala 3 – Mar de Leitores (Paraty), Biblioteca Pública do Paraná, Redes de Leitura (Porto Alegre) e Prefeitura Municipal de Canoas (RS). Mediação de Neide Almeida.
Sala 4 – Ler com Arte (Curitiba), Biblioteca Pública de Venâncio Aires, Biblioteca Monteiro Lobato (São Paulo), Conexão Leitura (RJ) e Autor Presente (RS). Mediação de Loiva Serafini.
Faculdades Monteiro Lobato (Rua dos Andradas, 1180)
14h 
Cosette Castro (org.)
Conteúdos em multiplataformas: extensões das narrativas digitais – Armazém Digital 
Memorial – Térreo
Álvaro Benevenuto Jr., Cézar Steffen (org.)
Tecnologia, pra quê? (vol.II) – Armazém Digital
Memorial – Térreo
Carol Casali (org.)
Produção do acontecimento jornalístico: perspectivas teóricas e analíticas – Armazém Digital
Memorial – Térreo
Carlos Sanchotene (org.)
Comunicação e mídias digitais – perspectivas teóricas e empíricas – Armazém Digital
Memorial – Térreo
Como nascem os livros.
O amor e o conhecimento sobre o caminho que dá vida aos livros, com Jane Tutikian e Jerônimo Carlos Santos Braga.
Sala Leste – Santander Cultural
Moda e Literatura – A imagem do dândi: beleza, exotismo e perversidade
Museu Júlio de Castilhos – Rua Duque de Caxias, 1205
14h30 
A loucura dos normais: inteligência quântica aplicada ao aperfeiçoamento mental humano.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS
Primeira sessão – curtas e documentários.
Tenda de Pasárgada
15h 
Marion Cruz e Monika Papescu
Deck dos Autógrafos – Pórtico Central do Cais do Porto
Walmor Luiz Filla (org.)
Um novo caminho é possível – Suliani/ Letra&Vida
Praça de Autógrafos
Luiz Carlos Gosmann
A saga de um imigrante italiano em busca da terra nostra: a saga da família Rota/Rotta – Suliani / Letra&Vida
Praça de Autógrafos
Izabel Eri Camargo
Caminhos do mapa literário – Suliani / Letra&Vida
Praça de Autógrafos
Crimes, impérios, névoa translúcida e um porco entre os peixes: a respeito da atual literatura alemã.
Sala Oeste – Santander Cultural
Avenida Cores por Todo Lugar.
Teatro Infantil com Ato Espelhado Companhia Teatral.
Teatro Sancho Pança – Armazém B do Cais do Porto 
15h30 
Mesa do patrono
Jane Tutikian, patrona da 57ª Feira do Livro, apresenta o novo patrono, Luiz Coronel.
Sala Leste – Santander Cultural
Acessibilidade e inclusão social.
Sala de Vídeo
Sessão de autógrafos.
Sessão de autógrafos com Associação Cristã de Moços, de Porto Alegre.
Território das Escolas 
16h 
Jorge Menezes
A loucura dos normais: inteligência quântica aplicada ao aperfeiçoamento mental humano – Hapha Editora
Praça de autógrafos
Oficina o processo criativo: da narrativa breve ao romance de fôlego.
Como desenvolver a ideia do primeiro parágrafo ao ponto final. Módulo 1/2, com Marcel Citro.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala A2B2 – Casa de Cultura Mario Quintana
 III Seminário Nacional de Crítica e Literatura – Grandes mestres e seus leitores
Homenagem a Jorge Amado, com Josélia Bastos de Aguiar, Carlos Augusto Magalhães e mediação de Eliana Pritsch.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS
 O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.
De Jorge Amado, a história de amor de um gato mau por uma adorável andorinha, com Alexandre Malta e Nathaliê Oliveira.
Tenda de Pasárgada
16h30 
A vivência dos sonhos.
A vivência dos sonhos. Um ensaio em prosa poética e sua ligação com a experiência dos sonhos, com Maria Carpi, Luiz Olyntho, Iván Izquierdo e Fabrício Carpinejar.
Sala Oeste – Santander Cultural 
17h 
Anderson Vicente
Às voltas com a caveira – SVB Edição e Arte
Praça de Autógrafos
Sérgio Vieira Brand
Por que não eu? – SVB Edição e Arte
Praça de Autógrafos
Silvio Melo
Bucaneira – Alcance
Praça de Autógrafos
Tributo a Moacyr Scliar.
Homenagem ao escritor através de depoimentos, comentários sobre a gênese da obra, leitura de manuscritos e elementos do seu imaginário, com Zilá Bernd, Luiz Antonio de Assis Brasil, Ana Maria Lisboa de Mello e Marie Hélène Paret Passos.
Sala Leste – Santander Cultural
Louça Cinderela.
Teatro de bonecos, com Cia Gente Falante
Teatro Sancho Pança – Armazém B do Cais do Porto 
Contação de histórias para o público infantil.
Sala de Vídeo
A Arte Levada a Sério.
Território das Escolas 
17h30 
 Capitães da Areia – homenagem aos cem anos de Jorge Amado.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS 
Oficina Nem tudo é conto.
A estrutura do conto, suas leituras e seus contistas. Módulo 1/2, com  Altair Martins.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala de Literatura – Casa de Cultura Mario Quintana
18h 
Caio Riter
Fio da palavra – Sintrajufe/RS
Memorial – Térreo
Camisa brasileira.
Bate-papo sobre o livro de arte fotográfica, com Gilberto Perin e José Francisco Alves.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais.
Sala Oeste – Santander Cultural
Ciclo Fahrenheit 451: Caio Riter homenageia Jorge Amado.
Inspirado em Fahrenheit 451, do mestre da ficção científica Ray Bradbury, o ciclo lembra a história em que, num futuro totalitário, os livros seriam proibidos e queimados. Graças a uma comunidade de homens-livros, publicações são decoradas e retransmitidas. A cada dia, um convidado especial passa a ser um livro, dividindo-o com o público.
Tenda de Pasárgada
18h30 
Solidão continental e outros textos
Leitura de trechos da obra de João Gilberto Noll pelo autor.
Sala Leste – Santander Cultural
Contação de histórias para o público infantil.
QG dos Pitocos
A Arte Levada a Sério.
Território das Escolas 
19h 
 Bate-papo com J.J. Benitez, autor da saga Cavalo de Troia.
O escritor conversa com o público sobre sua vida e obra. Com mediação de Regina Kohlrausch e Luiz Gonzaga.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS
Sessão de Cinema no Cine Santander Cultural – 27 out a 11 nov.
Cine Santander Cultural
 3º Seminário Reinações na Feira do Livro de Porto Alegre.
Conferência de abertura – A construção de um universo mágico: a obra de Lygia Bojunga, com Ninfa Parreiras e mediação de Elaine Maritza.
Inscrições: visitacaoescolar@camaradolivro.com.br
Casa do Pensamento 
20h 
As mulheres que amavam Gainsbourg.
Sarau em homenagem ao cantor e compositor francês Serge Gainsbourg. Com Eliana Guedes Müssnich, Boni Rangel, Danniel Coelho, Fernanda Moreno, Fabíola Ribeiro Barreto, Cristiano Godinho, Martha Brito Arsego e Cínthya Verri.
Tenda de Pasárgada
Fonte: 

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Ialmar Pio Schneider (Efemérides Poética) Outubro – até dia 25


SONETO A HUMBERTO DE CAMPOS 
– In Memoriam  
Nascimento do escritor em 25.10.1886 
Ao ler suas Memórias comoventes, 
e as crônicas, sonetos, cujos temas 
demonstram como ele enfrentou problemas, 
e o fez em páginas inteligentes,… 
fico a pensar também quantos poemas 
nascem das almas boas, penitentes, 
nos momentos aflitos em que os crentes 
se debruçam perante seus dilemas… 
Mas, o Senhor que reina nas Alturas, 
o Pai Supremo de todas criaturas, 
olha por nós, Seus filhos prediletos,… 
pra que sejamos ternamente irmãos 
e os nossos sonhos nunca sejam vãos 
num mundo justo e fraternal de afetos…
SONETO ALEXANDRINO A AMADEU AMARAL
– In Memoriam 
Falecimento do poeta em 24.10.1929 
“Rios”, “Sonhos de Amor”, e “A um Adolescente”, 
são sonetos de escol que leio comovido, 
porque me fazem bem neste dia envolvente 
pela nublada luz do céu escurecido… 
E fico a meditar, trazendo para a mente, 
os poemas “A Estátua e a Rosa”, em sublime sentido; 
“Prece da Tarde”, quando exsurge a voz do crente 
como um sopro de amor no caminho escolhido… 
Estou perante o mestre Amadeu Amaral, 
cujos versos serão sempre muito admirados, 
como régio cultor da nobre poesia… 
Além do mais, ficou sendo vate Imortal, 
pois eleito ele foi por membros consagrados 
de nossa Brasileira Excelsa Academia !
SONETO A THÉOPHILE GAUTIER 
Falecimento do poeta em 23.10.1872 
– In Memoriam 
Poeta que saudou a Primavera, 
ao chegar com seu primeiro sorriso, 
por toda a parte a floração impera 
como se próxima do paraíso… 
No jardim, no pomar, também diviso 
as mais lindas flores e o crescer da hera… 
Quanta imaginação fora preciso 
para desenvolver esta quimera ! 
No vergel, as pequenas margaridas; 
no bosque, violetas e malmequeres; 
tudo aparece viçoso a florir… 
Enfim, para alegrar as nossas vidas, 
e tornar mais bonitas as mulheres, 
proclamo: “Primavera, podes vir!”
SONETO LIVRE A OSWALD DE ANDRADE 
Falecimento do escritor em 22.10.1954 
– In Memoriam 
Homenagear um poeta modernista 
como o foi Oswald de Andrade, como seria? 
se escrevo versos rimados de artista 
nos modelos antigos da poesia?! 
Mas minha verve faz com que eu insista 
a prestar, já nem sem se é honraria, 
este preito em palavras de anarquista, 
num soneto livre de métrica, neste dia ! 
Entretanto, não prescindo da rima, 
por ser ela que sempre me anima 
quando qualquer poema componho… 
Desculpe-me por este sacrilégio 
de abandonar as normas do colégio 
parnasiano ! Foi apenas um sonho…
SONETO A ARTHUR AZEVEDO 
– In Memoriam 
Falecimento em 22.10.1908
Foi dramaturgo, poeta e contista, 
com “Arrufos”, um soneto forte, 
após desentender-se com a consorte, 
fez uns ares de quem do amor desista… 
Toma o chapéu e sai, sem que suporte, 
fingir que não mais ama e se contrista, 
mas algo o faz voltar e então persista 
a manter a paixão até a morte… 
Assim são os amores verdadeiros, 
ao menos na aparência dos amantes, 
que às vezes têm questiúnculas por nada… 
E quando voltam ficam companheiros 
para viverem todos os instantes, 
seguindo adiante pela mesma estrada…
SONETO A ALPHONSE DE LAMARTINE 
Nascimento do poeta em 21.10.1790 
– In Memoriam
Recordo-me do seu poema “Outono”, 
que o Irmão Érico, enfaticamente, 
lia alto, na aula, com tamanho entono, 
que despertava a comoção na gente… 
Saudava a natureza, tristemente, 
como se a visse ficar no abandono 
pela queda das folhas, de repente, 
ao reclinar pra o derradeiro sono! 
Nesse cálice em que bebia a vida, 
talvez, houvesse uma gota de mel, 
após ter sorvido néctar e fel… 
Na multidão uma alma desconhecida, 
quem sabe, o compreendesse com bondade 
e lhe desse, afinal, felicidade !…
SONETO A ARTHUR RIMBAUD 
Nascimento do poeta em 20.10.1854 
– In Memoriam 
Jovem poeta que parou bem cedo 
de fazer versos plenos de emoção… 
Soneto de “Vogais” em cujo enredo 
cada uma tem a significação. 
Sua obra não foi simples arremedo 
de alguém que pensa apenas na ilusão; 
não se sabe do enigma nem do medo 
de a poesia dar continuação… 
O certo é que depois, quando indagado 
se era parente de Rimbaud, dizia: 
“Eu nunca ouvi falar !” E assim calado 
continuou pelo resta da vida, só, 
com sua nova e vã filosofia 
em que se sabe que seremos pó !
SONETO  AO DIA DO POETA
20.10
O poeta é aquele que vê mais longe: 
pode saber de tudo ou quase nada… 
Tanto é um pecador quanto é um monge, 
vive numa caverna ou segue a estrada 
dos sonhos. Às vezes parece um conde 
a procurar sua alma gêmea, a maga 
que num castelo medieval se esconde, 
cuja lembrança a solidão lhe afaga. 
Também não deixa de sofrer por isso 
e nunca se conforta no prazer 
de sempre se afastar do rebuliço: 
assim é que pretende compreender 
o destino que leva no feitiço 
questionável do ser ou do não ser !
SONETO A VINÍCIUS DE MORAES 
Nascimento do poeta em 19.10.1913
– In Memoriam
Quando nasceu Vinícius de Moraes 
trouxe consigo a chama da poesia, 
pra celebrar as musas, dia a dia, 
até o fim com versos geniais… 
Poeta da Paixão e da magia 
de conquistar mulheres especiais, 
compondo seus sonetos sensuais, 
viveu intensamente na boemia. 
Nesta data do seu aniversário 
há que lembrar-se: “Eu sei que vou te amar…” 
E assim nesse romântico cenário 
ouvir “Soneto da Fidelidade”, 
na voz do poetinha a declamar 
com tanto romantismo e intensidade !
SONETO A CASIMIRO DE ABREU 
– In Memoriam 
Falecimento do poeta em 18.10.1860 
Mas, onde se esconderam “Meus Oito Anos”, 
que os procuro debalde na distância? 
Casimiro de Abreu, teus desenganos, 
trazem saudades de minha infância… 
No entanto, sempre na mesma constância, 
bate meu coração com seus arcanos; 
e o que outrora tinha significância, 
hoje, são meus pobres cantos profanos. 
Pois, “oh! que saudades que tenho”, agora, 
daquele tempo bom que foi embora, 
e que, bem sei, não volta nunca mais? 
Sigo meu caminho sempre confiante, 
que cada etapa que me surge adiante, 
só vem complementar meus ideais…
SONETO A MANUEL BANDEIRA
Falecimento do poeta em 13.10.1968
– In Memoriam
MEU CARNAVAL 78 
Ilusão desta vida imaterial, 
não adianta pensar nem presumir, 
o negócio é deitar para dormir 
ou ler Manuel Bandeira tão jovial… 
Mas que anseio, que lástima, afinal, 
se tudo é passageiro ?! quero ouvir 
Sonatas ao Luar e me sumir 
à procura de um bálsamo ao meu mal. 
E não será aqui, nem mais distante… 
Lança-perfume d éter não existe ! 
O que fazer? Confete e serpentina?! 
Desvairado, sem álcool e perante 
mulheres tão bonitas e eu tão triste: 
pobre Pierrô buscando a Colombina !
SONETO CAÓTICO A MÁRIO DE ANDRADE
Nascimento do poeta em 9.10.1893
– In Memoriam
Mário de Andrade cria o Desvairismo, 
foge da rima e métrica também… 
Houvera de existir, no entanto, alguém 
que a outra escola desse outro batismo ! 
Hoje apresento-lhes o Caotismo 
e de antemão não sei se lhes convém; 
voltando a antigas fórmulas, porém, 
a conservar ainda o Telurismo… 
Procuro na desordem o entendimento 
e misturando todos, bons e maus, 
faço versos, até com sentimento, 
que singram mares, vagarosas naus… 
Seguem o rumo que lhes dita o vento 
na vastidão das águas para o caos…!
SONETO A CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE  
Nascimento do poeta EM 8.10.1863 -– 
– In Memoriam 
Faz-me lembrar o tempo de menino, 
no lar paterno, lá na velha aldeia, 
com minha mãe, irmãos e irmãs, na ceia, 
de noitezinha, ao bimbalhar do sino… 
Depois, eu contemplava a lua cheia 
e perguntava aos céus: qual meu destino, 
neste mundo que roda e cambaleia, 
com momentos de luz e desatino?!… 
E ouvia a minha voz na voz do vento, 
dizendo que eu tivesse paciência, 
estudasse, aprendesse e na paixão 
de adquirir maior conhecimento, 
ingressasse no reino da sapiência… 
Que lindo era o Luar do meu Sertão !…
SONETO A EDGAR ALLAN POE 
Falecimento do escritor em 7.10.1849
– In Memoriam 
À meia-noite o visitou alguém, 
enquanto refletia nessa hora, 
lendo doutrinas em manuais de quem 
pudesse distraí-lo, sem demora… 
Curiosidade neste mundo têm 
todos os seres em que a dor vigora, 
e ao vate parecia que do Além 
surgia a voz saudosa de Lenora. 
Pensou, então, que fosse algum amigo, 
que tinha vindo lhe pedir abrigo 
p´ra mitigar as dores infernais… 
Abre a janela a olhar, e num tumulto 
enxerga esvoaçar sinistro vulto; 
era o Corvo que disse: “Nunca mais!”
Fontes:
O Autor
Imagem = montagem por J. Feldman

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Eliana Jimenez (Trova-Legenda: Dunas em Natal)

O camelo trouxe um dia
os reis magos a Natal.
Se fosse agora, os traria
um buggy superlegal…
A. A. de Assis – Maringá/PR
Quem nunca surfou nas dunas,
nem de buggy se  serviu,
na vida ele tem  lacunas:
olhou, olhou…e não viu!
Adamo Pasquarelli – São José dos Campos/SP
Quem sentiu essa emoção
não sentirá outra igual,
motivos, tem de “montão”
para voltar a Natal…
Ademar Macedo – Natal/RN
Numa visão romântica
vendo o azul do céu brilhar,
senti uma emoção autêntica
com a  presença do mar.
Agostinho Rodrigues – Campos/RJ
Que lugar cheio de encanto
parecendo o Paraíso!
Ir viver nesse recanto,
é tudo quanto preciso!
Alberto Paco – Maringá/PR
Praia e mar…O abraço estreito,
juras de amor e, depois,
o carro serviu de leito
para um sonho escrito a dois.
Antonio Juraci Siqueira – Belém/PA
Passeios à beira mar,
nas horas plenas de luz
só fazem me reforçar
no caminho de Jesus.
Antonio Cabral Filho – Jacarepaguá/RJ
As praias de Fortaleza
encantam os olhos meus.
Em cada duna a beleza
vem dos desenhos de Deus.
Ari Santos de Campos – Itajaí/SC
Corações em disparada,
he-he que emoção legal:
num buggy, com minha amada,
nas areias de Natal…
Bruno P. Torres – Niterói/RJ
O mar, raivoso, se alteia,
como todos, quer a altura,
mas, é nos braços da areia
que encontra a paz que procura,
Carolina Ramos – Santos/SP
O trio: céu, dunas, mar
leva nossa alma, a sorver
a paz envolta nesse ar,
embalando nosso ser …
Cristina Cacossi – Bragança Pta./SP
Vida boa!… O mar, o céu,
o carro, um som bem legal
e os dois em lua de mel
numa praia de Natal!…
Dáguima Verônica – Santa Juliana/MG
Duna, fruto do talento
de um artista singular,
bela escultura que o vento
faz com a areia do mar…
Darly O. Barros – São Paulo/SP
O céu azul sobre o mar,
também  azul, nesse dia,
quis, ao turista, encantar,
e, à  praia, feliz, sorria!
Delcy Canalles/ RS
Um grande sonho me veste:
um dia… ir descansar,
numa praia do Nordeste
e um guia me acompanhar!…
Dilva Moraes – Nova Friburgo/RJ
Qual nuvens leves flutuando
sobre um mar calmo, em monção,
meus sonhos vão se esgarçando,
em desafio à ilusão.
Dorothy Jansson Moretti – Sorocaba/SP
Por detrás da bela duna
há um palco para a amizade.
– Que Natal sempre reúna
a trova e a hospitalidade!
Eliana Jimenez – Balneário Camboriú/SC
O “bugre” vencendo a duna,
um prato de sururu,
um bom passeio de escuna…
tudo isso é Genipabu!
Francisco José Pessoa – Fortaleza/CE
Areias que nos esperam,
mar azul, querido e quente;
amizades que fizeram
da gente, muito mais gente!
Gislaine Canales – Balneário Camboriú/SC
Do litoral ao agreste,
só de carro sem capota;
vistas lindas no Nordeste,
mas bom mesmo era a patota!
Glória Tabet Marson – S. J. dos Campos/ SP
Oh! vento que vela enfunas.
Oh! buggy aberto ao terral,
cinzelando as alvas dunas
ornam praias de Natal.
Haroldo Lyra – Fortaleza/CE
O céu de nuvens ornado,
as ondas vêm e se vão;
na areia, um carro isolado:
o mar…dois jovens…paixão…
Jessé Nascimento – Angra dos Reis/RJ
O céu beija no horizonte
o mar e as dunas formosas…
Poeta vislumbra a ponte
que leva aos versos e às prosas!
João Batista Xavier Oliveira – Bauru/SP
E como se eu enterrasse,
em jogo, a bola na cesta,
digo, mineiro sem classe:
– Êta, mas que marzão besta…
José Fabiano – Belo Horizonte/MG
Um carrinho abandonado,
em plena praia deserta?
Ninguém parado a seu lado…
Desperta, José, desperta!
José Feldman – Maringá/PR
Enquanto a emoção se alteia
sobre as dunas, a rolar,
a vida brinca na areia
ouvindo a canção do mar.
José Lucas de Barros – Natal/RN
A imensidão que campeia,
além das dunas se espalha;
na face dos grãos de areia
espelha a Luz que não falha.
José Marins – Curitiba/PR
Cuando el mar besa la arena
el cielo se ruboriza
guiña un ojo a la sirena
y hasta el sol se escandaliza.
Libia Beatriz Carciofetti – Argentina
Perdão… As  ondas pediam
afago às areias do mar,
que, em volúpia, se despiam
com o incessante beijar!
Lisete Johnson – Porto Alegre/RS
Numa praia sossegada,
onde nada acontecia,
vermelho carro, em freada,
leva ao local alegria…
Lora Saliba – São José dos Campos/SP
Nós dois, no jipe, a rodar
pelas dunas cor-de-rosa
debruçadas sobre o mar.
Sensação maravilhosa!
Marina Valente – Bragança Paulista/SP
Um turista visitou,
no nordeste, as dunas belas;
coragem não lhe faltou
ao descer veloz por elas.
Mifori –  São José dos Campos/SP
Paisagem, rara beleza!
O azul do céu beija o mar;
vento e areia com certeza,
as dunas vão se formar.
Nadir Giovanelli – São José dos Campos /SP
Cada tela que Deus pinta
através da natureza,
Ele mesmo faz a tinta
e nos mostra uma surpresa!
Nei Garcez – Curitiba/PR
Dunas, mar, que nostalgia…
lembranças da mocidade,
quando, em férias, eu fugia
do “marulhar” da cidade!
Nemésio Prata – Fortaleza/CE
Quanto mais velho, mais bobo,
na mente surgem loucuras,
chego na idade do lobo
logo penso em aventuras
Secel Barcos – Cambridge/Canadá
A cidade de Natal
entre todas é a mais bela,
parece cartão postal
da mais sublime aquarela!…
Sônia Ditzel Martelo – Ponta Grossa/PR
Céu azul, água, areal
e vegetação jundu
compõem o visual
da praia Genipabu.
Tarcísio José Fernandes Lopes – Brasília/DF
No refúgio do meu sonho,
em dias de maré cheia,
sigo driblando risonho,
medos… nas dunas de areia.
Vanda Alves da Silva – Curitiba/PR
Freio o carro, junto ao mar,
e o cenário é um esplendor,
que só faz acelerar
nossos impulsos de amor.
Vanda Fagundes Queiroz – Curitiba/PR
Lábios doces e dourados
que a sul o sol faz tostar,
regalam beijos salgados
com vento vindo do mar.
Victor Batista – Barreiro/Portugal
Não há tecnologia
com o poder de superar
um festival de alegria
da terra, do céu, do mar!…
Wagner Marques Lopes – Pedro Leopoldo/MG
Deus em sua maravilha
foi capaz de harmonizar
a quietude de uma ilha
com a turbulência do mar.
Wandira Fagundes Queiroz – Curitiba/PR
Fonte:

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Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte VI – Heloísa Crespo (Sapiência)

Aprendi a vida inteira,
desde o momento em que fui
concebida no planeta.
Aprendi com os meus pais,
meus avós, meus professores.
Aprendi com os meus alunos,
meus amigos, meus vizinhos.
Aprendi e aprendo sempre
com os meus filhos,
com o mundo
em qualquer ocasião,
a toda hora,
o tempo todo,
sem cessar…
Aprendi a vida inteira.
E continuo aprendendo.
Sou um eterno aprendiz
porque sei que o meu saber
é tão pouco, quase nada.
Sei muito perante a quem?
Nada, em relação a quê?
Sou múltiplo… e sou único.
Sou sábio… e não sei tudo.
Fonte: 
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo 
Campos dos Goytacazes/RJ.

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R. Borges / RS (Um Barco na Meia Estação)

O poeta é de Erexim/RS
=========
Coletânea Declame para Drummond 2012 
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil 

observo calado e despretensioso. 
tudo na paisagem está correto, penso, menos o barco. 
expliquem-me a moral das nuvens e a euforia dos ventos 
e ainda assim continuarei sem entender a impressão da cena. 
silenciosos. comparsas na leveza dos vapores e do espanto. 
e tudo, isso tudo, por vagarmos sem consciência cartográfica. 
ele feito madeira e pregos, eu, cálcio e dúvidas. 
duas testemunhas da lógica vulgar das planícies. 
águas barrentas, o avermelhado da tarde que se vai… 
o sol partido no espelho perturbador do lago… 
sem perguntas, sem hipóteses. Sem um “haverá outro porto…”
 – ou alguém na multidão… 
ficarei sem entender o errado nele, e ele, 
sem entender o errado em mim. Iguais. 
surpreendidos na estranha trama da alteridade. 
o barco navegando sozinho, o marujo viajando nas margens… 
Se ao menos tu tivesses lido meu poema… 
os faróis vestiriam a cor dos plátanos na meia estação. 

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 707)

Uma Trova de Ademar  
A lua, de vez em quando 
fica um pouco sem brilhar, 
para ficar “espiando” 
dois pombinhos namorar! 
–Ademar Macedo/RN– 
Uma Trova Nacional  
Urge a esperança de um dia 
ver a criança cantar, 
hino de democracia, 
declinando o verbo amar. 
–Agostinho Rodrigues/RJ– 
Uma Trova Potiguar  
Passeando pela praça, 
admirando o jardim, 
nem notei que ela sem graça 
passou sem olhar pra mim. 
–José Alencar/RN– 
Uma Trova Premiada  
2005   –   ATRN – Natal/RN 
Tema   –   INSPIRAÇÃO   –   1º Lugar 
Inspiração, não me deixes 
neste mundo imerso em dor! 
– Sem ti, sou rio… sem peixes… 
Sou coração.. sem amor…! 
–Marisa Vieira Olivaes/RS– 
…E Suas Trovas Ficaram  
Foi por falta de carinho 
que errei e perdi meus passos, 
mas bendigo o “mau caminho” 
que me levou aos teus braços… 
–Nádia Huguenin/RJ– 
U m a P o e s i a  
Eu queria voltar pro meu sertão
pra enfrentar outra vez a seca brava
pra de novo comer preá com fava
por a sela e montar meu alazão,
colocar minhas botas, meu gibão
campear e viver com liberdade,
desfrutar da maior felicidade
que na rua eu pelejo e não desfruto; 
se eu nasci lá no mato e sou matuto
nunca irei ser feliz numa cidade!
–Carlos Aires/PE– 

Soneto do Dia  

O PROFESSOR. 
–António Barroso/PRT– 
É sacerdócio, não é profissão, 
É um dar-se, a si próprio, por amor, 
Com prazer de ensinar, o professor 
Sempre se entrega de alma e coração. 
A sua vontade e a sua ambição 
É ultrapassar todos os escolhos 
E, aos alunos, fazer abrir os olhos 
P’ra vida, para o sonho e p’ra razão. 
O professor só pensa que é mais nobre 
Ensinar tanto o rico como o pobre 
Com a força da fé, por si, sentida. 
Sem nunca se cansar ou esmorecer, 
Seu destino será, até morrer, 
Sempre a preparar homens para a vida.

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Ricardo Azevedo (O Papagaio Congelado)

Ilustração: Heitor Yida

Um dia, um sujeito ganhou de presente um papagaio. 

 O bicho era uma praga. Não demorou muito, logo se espalhou pela casa. 
 Atendia telefone. 
 Gritava e falava sozinho nas horas mais inesperadas. 
 Dava palpite nas conversas dos outros. 
 Discutia futebol. 
 Fumava charuto. 
 Pedia café, tomava, cuspia, arregalava os olhos, esparramava semente de girassol e cocô por todo lado, gargalhava e ainda gritava para o dono de casa: “Ô seu doutor, vê se não torra faz favor!” 
 Uma noite, a família recebeu uma visita para jantar. 
 O papagaio não gostou da cara do visitante e berrou: “Vai embora, ratazana!” e começou a falar cada palavrão cabeludo que dava medo. 
 Depois que a visita foi embora, o dono da casa foi até o poleiro. Estava furioso: 
 — Seu mal-educado, sem-vergonha de uma figa! Estou cheio! Agora você vai ver o que é bom pra tosse. 
 Agarrou o papagaio pelo cangote e atirou dentro da geladeira: 
 — Vai passar a noite aí de castigo! 
 Depois, fechou a porta e foi dormir. 
 No dia seguinte, saiu atrasado para o trabalho e esqueceu o coitado preso dentro da geladeira. 
 Só foi lembrar do bicho à noite, quando voltou para casa. 
 Foi correndo abrir a geladeira. 
 O papagaio saiu trêmulo e cabisbaixo, com cara arrependida, cheio de pó gelado na cabeça. 
 Ficou de joelhos. 
 Botou as duas asas na cabeça. 
 Rezou. 
 Disse pelo amor de Deus. 
 Reconheceu que estava errado. 
 Pediu perdão. 
 Disse que nunca mais ia fazer aquilo. 
 Jurou que nunca mais ia fazer coisa errada, que nunca mais ia atender telefone e interromper conversa, nem xingar nenhuma visita. 
 Jurou que nunca mais ia dizer palavrão nem “vai embora, ratazana”. 
 Depois, examinando o homem com os olhos arregalados, espiou dentro da geladeira e perguntou: 
 — Queria saber só uma coisa: o que é que aquele franguinho pelado, deitado ali no prato, fez?
Fonte:

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Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte V – Trovas

Professor, ó professor!
Único: artista seleto!
Desobnubilador
dos saberes és completo!
Cristina Cacossi
Vejo os mestres, no passado,
e me enche a alma de dor
ver hoje, tão humilhado,
o antes… Senhor Professor!
Dorothy Jansson Moretti

Ser professor me engrandece
É minha doce missão;
E se o aluno reconhece,
Dá-me paz ao coração.
Eduardo Domingos Bitencourt


Triste destino bizarro
de um país na contramão:
alunos chegam de carro;
professor, de lotação.
Eliana Jimenez
O pó que emana do giz
e o salário sem valor,
tornam bem mais infeliz
a vida do professor!
Francisco José Pessoa
Quando há talento divino,
compromisso e bem- querer,
o professor faz do ensino
a razão do seu viver.
Glória Tabet Marson
Ser professor, que alegria:
plantar em todas lições
amor e sabedoria
no fundo dos corações…
Milton Souza
Ninguém pode se esquecer:
Professor tem seu valor;
boa conduta a manter,
ser de fato educador!
Nadir Giovanelli 
Ai que saudade me dá
do primeiro professor,
que ensinou-me o “b-a-bá”,
e me fez compositor!
Nei Garcez
Todo dia é da Criança
e também do Professor:
ela, aprende com confiança,
e ele, ensina com amor. 
Nei Garcez
Ao repensar minha história,
encontrei com emoção,
por trás de cada vitória,
um mestre no coração!
Renato Alves
Salve, salve o Professor
que na Vida se dedica
com ternura e muito amor,
sua lição sempre fica !…
Sônia Ditzel Martelo
Professora viga mestra,
que sustenta a educação,
regendo afinada orquestra
do saber e da instrução…
Vanda Alves da Silva
Desenvolvendo a pesquisa
para o ensino do saber
o professor realiza
evolução no aprender.
Vânia Ennes
Lembro-me de um professor,
em que jogava confete.
Eu lhe tinha tanto amor!
Doutor Milton Grandinete…
Zé de Uberaba
Fonte: 
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo 
Campos dos Goytacazes/RJ.

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José de Alencar (Ao correr da pena) 29 de outubro: O Passeio Público

(Crônicas publicadas no “Correio Mercantil”, de 3 de setembro de 1854 a 8 de julho de 1855, e no “Diário do Rio”, de 7 de outubro de 1855 a 25 de novembro do mesmo ano, ambos os jornais do Rio de Janeiro).
Quando estiverdes de bom humor e numa excelente disposição de espírito, aproveitai uma dessas belas tardes de verão como tem feito nos últimos dias, e ide passar algumas horas no Passeio Público, onde ao menos gozareis a sombra das árvores e um ar puro e fresco, e estareis livres da poeira e do incômodo rodar dos ônibus e das carroças.
Talvez que, contemplando aquelas velhas e toscas alamedas com suas grades  quebradas e suas árvores mirradas e carcomidas, e vendo o descuido e a negligência que reina em tudo isto, vos acudam ao espírito as mesmas reflexões que me assaltaram a mim e a um amigo meu, que há cerca de um ano teve a  habilidade de transformar em uma semana uma tarde no Passeio público.
Talvez pensareis como nós que o estrangeiro que procurar nestes lugares, banhados pela viração da tarde, um refrigério à calma abrasadora do clima deve ficar fazendo bem alta idéia, não só do passeio como do público desta corte.
A nossa sociedade é ali dignamente representada por dois tipos curiosos e dignos de uma fisiologia no gênero de Balzac. O primeiro é o estudante de latim, que, ao sair da escola, ainda com os Comentários debaixo do braço e o caderno de significados no bolso, atira-se intrepidamente qual novo César à conquista do ninho dos pobres passarinhos. O segundo é o velho do século passado que, em companhia do indefectível compadre, recorda as tradições dos tempos coloniais, e conta anedotas sobre a Rua das Belas Noites e sobre o excelente governo do sr. Vice-Rei D. Luís de Vasconcelos.
Assim, pois, não há razão de queixa. O passado e o futuro, a geração que finda e a mocidade esperançosa que desaponta, fazem honra ao nosso Passeio, o qual fecha-se às oito horas muito razoavelmente, para dar tempo ao passado de ir cear, e ao futuro de ir cuidar nos seus significados.
Quanto ao presente, não passeia, é verdade; porém, em compensação, vai ao Cassino, ao Teatro Lírico, toma sorvetes, e tem mil outros divertimentos agradáveis, como o de encher os olhos de poeira, fazer um exercício higiênico de costelas dentro de um carro nas ruas do Catete, e sobretudo o prazer incomparável de dançar, isto é, de andar no meio da sala, como um lápis vestido de casaca, a fazer oito nas contradanças, e a girar na valsa como um pião, ou como um corrupio.
Com tão belos passatempos, que se importa o presente com esse desleixo imperdoável e esse completo abandono de um bem nacional, que sobrecarrega de despesas os cofres do Estado, sem prestar nenhuma das grandes vantagens de que poderiam gozar os habitantes desta corte?
Quando por acaso se lembra de semelhante coisa, é unicamente para servir-lhe de pretexto a um estribilho de todos os tempos e de todos os países, para queixar-se da administração e lançar sobre ela toda a culpa. Ora, eu não pretendo defender o governo, não só porque, tendo tanta coisa a fazer, há de por  força achar-se sempre em falta, como porque ele está para a opinião pública na mesma posição que o menino de escola para o mestre, e que o soldado para o sargento, isto é, tendo a presunção legal contra si.
Contudo parece-me que o estado vergonhoso do nosso Passeio Público não é unicamente devido à falta de zelo da parte do governo, mas também aos nossos usos e costumes, e especialmente a uns certos hábitos caseiros e preguiçosos, que têm a força de fechar-nos em casa dia e noite.
Nós que macaqueamos dos franceses tudo quanto eles t~em de mau, de ridículo e de grotesco, nós que gastamos todo o nosso dinheiro brasileiro para transformar-nos em bonecos e bonecas parisienses, ainda não nos lembramos de imitar uma das melhores coisas que eles têm, uma coisa que eles inventaram, que lhes é peculiar e que não existe em nenhum outro país a menos que não seja uma pálida imitação: a flânerie.
Sabeis o que é a flânerie? É o passeio ao ar livre, feito lenta e vagarosamente, conversando ou cismando, contemplando a beleza natural ou a beleza da arte; variando a cada momento de aspectos e de impressões. O companheiro inseparável do homem quando flana é o charuto; o da senhora é o seu buquê de flores.
O que há de mais encantador e de mais apreciável na flânerie é que ela não produz unicamente o movimento material, mas também o exercício moral. Tudo no homem passeia: o corpo e a alma, os olhos e a imaginação. Tudo se agita; porém é uma agitação doce e calma, que excita o espírito e a fantasia, e provoca deliciosas emoções.
A cidade do Rio de Janeiro, com seu belo céu de  azul e sua natureza tão rica, com a beleza de seus panoramas e de seus graciosos arrabaldes, oferece muitos desses pontos de reunião, onde todas as tardes, quando quebrasse a força do sol, a boa sociedade poderia ir passar alguns instantes numa reunião agradável, num círculo de amigos e conhecidos, sem etiquetas e cerimônias, com toda a liberdade do passeio, e ao mesmo tempo com todo o encanto de uma grande reunião.
Não falando já do Passeio Público, que me parece injustamente votado ao abandono, temos na Praia de Botafogo um magnífico boulevard como talvez não haja um em Paris, pelo que toca à natureza. Quanto à beleza da perspectiva, o adro da pequena igrejinha da Glória é para mim um dos mais lindos passeios do Rio de Janeiro. O lanço d’olhos é soberbo: vê-se toda a cidade à vol d’oiseau, embora não tenha asas para voar a  algum cantinho onde nos leva sem querer o pensamento.
Mas entre nós ninguém dá apreço a isto. Contanto que se vá ao baile do tom, à ópera nova, que se pilhem duas ou três constipações por mês e uma tísica por ano, a boa sociedade se diverte; e do alto de seu cupê aristocrático lança um olhar de soberano desprezo para esses passeios pedestres, que os charlatães dizem ser uma condição da vida e de bem-estar, mas que enfim não têm a agradável emoção dos trancos, e não dão a um homem a figura de um boneco de engonço a fazer caretas e a deslocar os ombros entre as almofadas de uma carruagem.
A boa sociedade não precisa passear;  tem à sua disposição muitos divertimentos, e não deve por conseguinte invejar esse mesquinho passatempo do caixeiro e do estudante. O passeio é a distração do pobre, que não tem saraus e reuniões.
Entretanto, se por acaso encontrardes o diabo Coxo de Lesage, pedi-lhe que vos acompanhe em alguma nova excursão aérea, e que vos destampe os telhados das casas da cidade; e, se for noite em que a Charton esteja doente e o Cassino fechado, vereis que a atmosfera de tédio e monotonia encontrareis nessas habitações, cujos moradores não passeiam nunca, porque se divertem de uma maneira extraordinária.
Felizmente creio que vamos ter breve uma salutar modificação nesta maneira de pensar. As obras para a iluminação a gás do Passeio Público e alguns outros reparos e melhoramentos necessários já começaram e brevemente estarão concluídos.
Autorizando-se então o administrador a admitir o exercício de todas essas pequenas indústrias que se encontram nos passeios de Paris para comodidade dos freqüentadores, e havendo uma banda de música que toque a intervalos, talvez apareça a uma banda de música que toque a intervalos, talvez apareça a concorrência, e o Passeio comece a ser um passatempo agradável.
Já houve a idéia de entregar-se a administração a uma companhia, que, sem nenhuma subvenção do governo, se obrigaria a estabelecer os aformoseamentos necessários, obtendo como indenização um direito muito módico sobre a entrada, e a autorização de dar dois ou três bailes populares durante o ano.
Não achamos inexeqüível semelhante idéia; e, se não há nela algum inconveniente que ignoramos, é natural que o Sr. Ministro do Império já refletido nos meios de leva-la a efeito.
Entretanto o Sr. Ministro que se acautele, e pense maduramente nesses melhoramentos que está promovendo. São úteis, são vantajosos; nós sofremos com a sua falta, e esperamos ansiosamente a sua realização. Mas, se há nisto uma incompetência de jurisdição, nessa caso, perca-se tudo, contanto que salve-se o princípio: Quod Dei Deo, quod Cesaris Cesare.. 
A semana passada já o Sr. Pedreira deu motivo a graves censuras com o seu regulamento do asseio público. E eu que caí em dizer algumas palavras a favor! Não tinha ainda estudado a questão, e por isso julgava que, não dispondo a Câmara Municipal dos recursos necessários para tratar do asseio da cidade, o Sr. Ministro do Império fizera-lhe um favor isentando-a desta obrigação onerosa e impossível, e a nós um benefício, substituindo a realidade do fato à letra morta das posturas.
Engano completo! Segundo novos princípios modernamente descobertos em um jornal velho, a Câmara Municipal não tem obrigação de zelar a limpeza da cidade, tem sim um direito; e por conseguinte dispensa-la de cumprir aquela obrigação é esbulha-la desse seu direito. Embora tenhamos as ruas cheias de lama e as praias imundas, embora a cidade às dez horas ou meia-noite esteja envolta numa atmosfera de miasmas pútridos, embora vejamos nossos irmãos, nossas famílias e nós mesmos vítimas de moléstias provenientes destes focos de infecção! Que importa! La garde meurt, mais ne se rend pas. Morramos, mas respeite-se o elemento municipal; salve-se a sagrada inviolabilidade das posturas!
Filipe III foi legalmente assassinado, em virtude do rigor das etiquetas da corte espanhola. Não é muito, pois, que nós, os habitantes desta cidade, sejamos legalmente pesteados, em virtude das prerrogativas de um novo regime municipal.
A pouco tempo eu diria que isto era mais do que um contra-senso,  porém hoje, não; reconheço que o Ministro do Império não deve tocar no elemento municipal, embora o elemento municipal esteja na pasta do Ministro do Império, que aprova as posturas e conhece dos recursos de suas decisões.
Respeite-se, portanto, a independência da edilidade, e continuemos a admirar os belos frutos de tão importante instituição, como sejam a reedificação das casas térreas da Rua do Ouvidor, a conservação das biqueiras, o melhoramento das calçadas das Ruas da Ajuda e da Lapa, e a irregularidade da construção das casas, que se regula pela vontade do proprietário e pelo preceito poético de Horácio – Omnis variatio delectat.
Ora, na verdade um elemento municipal, que tem feito tantos serviços, que além de tudo tem poetizado esta bela corte com a aplicação dos preceitos de Horácio, não pode de maneira alguma ser privado do legítimo direito que lhe deu a lei de servir de valet de chambre da cidade.
Pelo mesmo princípio, sendo o pai obrigado a alimentar o filho, sendo cada um obrigado a alimentar-se a si mesmo, qualquer esmola feita pela caridade, qualquer instituição humanitária, como recolhimento de órfãos e de expostos, não pode ser admitido, porque constitui uma ofensa ao direito do terceiro.
E agora que temos chegado às últimas e absurdas conseqüências de um princípio arbitrário, desculpem-nos aqueles a quem contestamos o tom a que trouxemos discussão. Neste mundo, onde não faltam motivos de tristeza, é preciso rir ainda à custa das coisas as mais sérias.
A não ser isto, provaríamos que o Sr. Ministro do Império, tomando as medidas extraordinárias que reclama a situação, respeitou e considerou o elemento municipal, e deixou-lhe plena liberdade de obrar dentro dos limites de sua competência. Se me contestarem semelhante fato, então não terei remédio senão vestir o folhetim de casaca preta e gravata branca, e voltar à discussão com a lei numa mão e a lógica na outra.
Aposto, porém, que a esta hora já o meu respeitável leitor está torcendo a cabeça em forma de ponto de interrogação, para perguntar-me se pretendo escrever uma revista hebdomadária sem dar-lhe nem ao menos uma ou duas notícias curiosas.
Que quer que lhe faça? O paquete de Liverpool chegou domingo, mas a única notícia que nos trouxe foi a do desembarque na Criméia. Ora, parece-me que não é preciso ter o dom  profético para adivinhar os lances de semelhante expedição, que deve ser o segundo tomo da tomada de Bommarsund, já tão bem descrita, todos sabem por quem.
Há três ou quatro vapores soubemos que se preparava a expedição da Criméia; depois disto, as notícias vieram, e continuaram a vir pouco mais ou menos desta maneira. – As forças aliadas embarcaram. – estão em caminho. Devem chegar em tal tempo. – Chegaram. – Desembarcaram. – Reuniu-se o conselho general para resolver o ataque. – O ataque foi definitivamente decidido. – Começou o assalto. – Interrompeu-se o combate para que os pintores ingleses tirem a vista da cidade no meio do assalto. – Continuou o combate. – Fez-se uma brecha. – Nova interrupção para tirar-se a vista da brecha.
Isto, a dois paquetes por mês, dá-nos uma provisão de notícias que pode chegar até para meados do ano que vem. Provavelmente durante este tempo mudar-se-ão os generais, e os pintores da Europa terão objeto para uma nova galeria de retratos, os escritores tema para novas brochuras, e os jornalistas matéria vasta para publicações e artigos de fundo. E todo este movimento literário e artístico promovido por um bárbaro russo, o qual com a ponta do dedo abalou a Europa e tem todo o mundo suspenso! 
É um fenômeno este tão admirável como o que se nota no Teatro Lírico nas noites em que canta a Casaloni. A sua voz extensa e volumosa, e os enormes ramos de flores enchem o salão de tal maneira, que não cabe senão um pequeno número de espectadores; o resto, não achando espaço e não podendo resistir à  força de tal voz, é obrigado a retirar-se. Entretanto os desafetos da cantora dizem que ela não tem entusiastas e adoradores! Tudo porque ainda não compreenderam aquele fenômeno artístico e musical!
Fonte:
José de Alencar. Ao Correr da Pena. SP: Martins Fontes, 2004.

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58a. Feira do Livro de Porto Alegre (Programação da Inauguração: 26 de outubro)

Evento organizado pela Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) chega a sua 58ª edição 
A Feira do Livro de Porto Alegre, evento que já recebeu a Medalha da Ordem do Mérito Cultural da República, começa amanhã, 26/10, e segue até o dia 11/11. 
A feira é organizada pela Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) e chega esse ano a sua 58ª edição. Durante 17 dias do evento, a Praça da Alfândega abrigará as bancas de editoras, distribuidores e livrarias. 
Já o Cais do Porto, outro ponto importante do centro histórico da capital gaúcha, comportará expositores e a programação da Área Infantil e Juvenil. 
Em prédios no entorno da Praça, serão sediadas mesas-redondas, oficinas e apresentações artísticas da programação adulta, totalizando mais de 300 atividades. 
As sessões de autógrafos são um dos pontos altos da Feira. Nesta edição, serão mais de 700, em um total que ultrapassa os 1,6 mil autores. 
A expectativa de público – 1,7 milhão de pessoas – supera até mesmo a população de Porto Alegre.
Horários da Feira
Área Infantil e Juvenil: 9h30 às 20h
Áreas Geral e Internacional: 12h30 às 21h
Informações
(51) 3225 5096 
 (51) 3286 4517
informacoes@camaradolivro.com.br
SEXTA, 26 DE OUTUBRO
MESAS REDONDAS E DEBATES
Abertura do Seminário Internacional O papel da biblioteca e da leitura no desenvolvimento da sociedade.
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS (09h) 
Seminário Internacional O papel da biblioteca e da leitura no desenvolvimento da sociedade
Sala dos Jacarandás – Memorial do RS (09h30) (10h) (11h15) (14h) (16h30) 
Abertura Oficial da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre
Teatro Sancho Pança – Armazém B do Cais do Porto (19h) 
Reunião das Editoras Universitárias.
Sala Leste – Santander Cultural (14h) 
AUTOGRAFOS
Cecília Bajour
Memorial – Sala dos Jacarandás (18h30) 
Sexta, 26 de outubro
Silvia Castrillón
Memorial – Sala dos Jacarandás (18h30)
Fontes:
Câmara Brasileira do Livro

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Jose Marins (Haicais entre A Lâmpada e as Estrelas)

José Marins é de Curitiba/PR
árvores do outono –
dão cores ao vento sul
folhas de mil tons
o branco flutua
na lonjura do horizontes –
campo de algodão
por que tanto pia?
o gaviãozinho no azul
na manhã de outono
céu de lua cheia –
ondas se quebram na praia
espalhando brilho
maio que se vai –
a mulher reclama do
breve veranico
sem nenhuma folha
os galhos da magnólia
floridos de roxo
o rigor do inverno
o pigarro que peguei
é feito o do pai
a noite mais longa –
o gato dorme no colo
alheio à leitura
o Dia dos Pais –
nas duas pontas da linha
as vozes fraquejam
o olhar do menino –
um pouquinho de amarelo
na flor de ipê-rosa
o velho tropeiro –
o pé de ipê na campina
marelou de frô
ouve-se de longe
o velho trator vermelho
começa a aração
Praça da Bandeira
só a grama rebrotada
lembra o verde pátrio
gramado do parque –
entre o bando de chopins
canário-da-terra
corre a menininha
atrás do joão-de-barro –
asas e pernas
noite sem estrelas –
ao morcego o néctar das
flores amarelas
chegaram os gozos
das férias de verão –
um mate gelado
sob o guarda-sol
a velhinha diz ao velho –
que moço sarado
céu de Curitiba –
o branco da garça passa
no meio da tarde.
o fim do verão
o riacho do meu bairro
chegará ao mar?
Fonte:
José Marins (organizador). A Lâmpada e as Estrelas: coletânea de haicais. Curitiba: Araucária Cultural, 2012.

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Luis Fernando Veríssimo (Pexada)

Ilustração: Santiago
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de “Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.
 — Aí, Gaúcho!
 — Fala, Gaúcho!
 Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
 — Mas o Gaúcho fala “tu”! — disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
 — E fala certo — disse a professora. — Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. Os dois estão certos. Os dois são português.
 O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
 Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.
 — O pai atravessou a sinaleira e pechou.
 — O que?
 — O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
 A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.
 — O que foi que ele disse, tia? — quis saber o gordo Jorge.
 — Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
 — E o que é isso?
 — Gaúcho… Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
 — Nós vinha…
 — Nós vínhamos.
 — Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.
 A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.
 “Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. “Auto” era automóvel, carro. Mas “pechar” o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que “pechar” vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.
 — Aí, Pechada!
 — Fala, Pechada!
Fonte:
Revista Nova Escola. Ensino Fundamental -1

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Cybele Meyer (O Sucesso da Mala)

Ilustração Ana dos Anjos
 Respiro ofegante. Trago nas mãos uma pequena mala e uma agenda tinindo de nova. É meu primeiro dia de aula. Venho substituir uma professora que teve que se ausentar “por motivo de força maior”. Entro timidamente na sala dos professores e sou encarada por todos. Uma das colegas, tentando me deixar mais à vontade, pergunta:
 – É você que veio substituir a Edith?
 – Sim – respondo num fio de voz.
 – Fala forte, querida, caso contrário vai ser tragada pelos alunos – e morre de rir.
 – Ela nem imagina o que a espera, não é mesmo? – e a equipe toda se diverte com a minha cara.
 Convidada a me sentar, aceito para não parecer antipática. Eles continuam a conversar como se eu não estivesse ali. Até que, finalmente, toca o sinal. É hora de começar a aula. Pego meu material e percebo que me olham curiosos para saber o que tenho dentro da mala. Antes que me perguntem, acelero o passo e sigo para a sala de aula. Entro e vejo um montão de olhinhos curiosos a me analisar que, em seguida, se voltam para a maleta. Eu a coloco em cima da mesa e a abro sem deixar que vejam o que há lá dentro.
 – O que tem aí, professora?
 – Em breve vocês saberão.
 No fim do dia, fecho a mala, junto minhas coisas e saio. No dia seguinte, me comporto da mesma maneira, e no outro e no noutro… As aulas correm bem e sinto que conquistei a classe, que participa com muito interesse. Os professores já não me encaram. A mala, porém, continua sendo alvo de olhares curiosos.
 Chego à escola no meu último dia de aula. A titular da turma voltará na semana seguinte. Na sala dos professores ouço a pergunta guardada há tantos dias:
 – Afinal, o que você guarda de tão mágico dentro dessa mala que conseguiu modificar a sala em tão pouco tempo?
 – Podem olhar – respondo, abrindo o fecho.
 – Mas não tem nada aí! – comentam.
 – O essencial é invisível aos olhos. Aqui guardo o meu melhor.
 Todos ficam me olhando. Parecem estar pensando no que eu disse. Pego meu material, me despeço e saio.
Fonte:

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Edi Longo/SP (Salada Poética )

Edi é de São Paulo/SP
—-
Da coletânea Declame para Drummond 2012
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil
Clarice disse:
“só conheço duas formas de descobrir se o mundo é redondo:
estudando ou sendo feliz”.
Chico cochichou:
“devagar é que não se vai longe”
Vinícius vaticinou:
“sei não, sei não, a vida tem sempre razão”
Drummond dramou:
“há uma pedra no caminho”
Pessoa apessoou:
“o poeta é um fingidor”
E, eu, num “insight” bendito
peguei tudo o que foi dito
escrito bonito
fiz uma salada poética
sem qualquer rima ou métrica:
…vesti-me de aprendiz
…crédula como um monge
…peguei a vida na mão
…da pedra fiz um carinho
…fingindo ser fingidor…
bem, foi o Pessoa quem falou!
E a minha mente acreditou.
Será que poeta sou? 

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Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte IV – Berenice Guedes (Ideal de Normalista)

Quando entrei no Magistério
Pensava mudar o Mundo!
Ensinar era Mistério
Dos maiores, mais profundos!
Quarenta anos depois
Vejo meus sonhos perdidos…
Mas tentei com mil ou dois
E alguns não foram vencidos:
Houve uns que conseguiram
Conhecimento alcançar.
Superaram-me! E seguiram
E hoje podem me ensinar!
Entretanto muitos outros
Ficaram pelo caminho
Com conhecimentos rotos
Embora roupa de arminho!
Penso então, eu, muitas vezes
Se fiz tudo o que podia?!…
– Entre vitórias, revezes,
Esforcei-me todo o dia! –
Professora Normalista
Eu amei o que fazia!
Alegra-se minha vista
Quando me vêem e: “Bom dia!”
Uma coisa tenho certa
Mil amigos! Eu os fiz!…
Abri-lhes a porta certa
E, por eles… Sou feliz!.
Fonte:
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ.

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Folclore Inglês (As Três Respostas)

Antiga balada inglesa adaptada por Tatiana Belinky
da série Folclore em Sala de Aula
Na Inglaterra daquele tempo, vivia na corte do rei João um importante prelado, o abade de Canterbury, tão vaidoso que um dia chegou a se vangloriar de ser mais rico e de ter um palácio mais belo do que o próprio soberano. Quando essa notícia chegou aos ouvidos do monarca, este ficou muito irritado e mandou convocar o prelado à sua presença.
O abade apressou-se a comparecer perante o rei, sem desconfiar da surpresa que o aguardava. O rei João foi ríspido, dizendo que a gabolice do abade constituía crime de lesa-majestade, punido com a pena de morte e o confisco dos bens do réu. O abade tremeu de medo, jurando ser inocente e implorando o perdão real. E tanto suplicou que o rei João, fingindo compadecer-se dele, disse que o perdoaria, se ele respondesse às três perguntas que lhe faria em seguida.
— A primeira pergunta é a seguinte: assim como me vês, sentado no meu trono de ouro, com a minha coroa na cabeça e o cetro na mão, dize-me quanto eu valho em dinheiro. A segunda pergunta é: quanto tempo eu levaria a cavalo para fazer a volta ao mundo? E a terceira é: o que eu estou pensando aqui e agora?
Assustado, o abade de Canterbury pediu ao rei João que lhe concedesse três dias para pensar nas respostas. O rei, fazendo-se de generoso e certo de que o prelado jamais responderia às suas perguntas, concedeu-lhe esse prazo.
O abade saiu apressado, consultou doutores, sábios e feiticeiros, mas ninguém soube responder àquelas perguntas. Ao entardecer do terceiro dia, de volta ao seu palácio, cruzou com o pastor do seu rebanho de ovelhas. Reparando no aspecto abatido do amo, o pastor lhe perguntou qual a razão de tamanha tristeza. O abade, num desabafo, contou-lhe sua infeliz e perigosa situação. E muito se surpreendeu ao ouvir do pastor uma estranha proposta.
— Acho que sei a solução para o seu caso. Repare que nós dois temos a mesma altura e o mesmo porte. Se confiar em mim, eu me apresentarei amanhã em seu lugar perante o rei, disfarçado em traje de monge. Se Deus quiser, acharei as respostas às três perguntas.
Como não tinha nada a perder, o abade concordou com o plano. No dia seguinte, o pastor, encoberto pelo capuz do hábito do monge, apresentou-se ao rei João à espera das três perguntas, que o monarca lhe fez em seguida, sem reconhecê-lo.
— Então, abade atrevido, responde-me sem hesitar: assim como me vês, sentado no meu trono de ouro, com a minha coroa na cabeça e o cetro na mão, quanto eu valho em dinheiro?
— A resposta, disse o pastor disfarçado, é a seguinte. Nosso Salvador foi vendido por 30 moedas. Portanto, o vosso valor é 29 moedas, pois acho que Vossa Majestade concordará que vale uma moeda menos do que Nosso Senhor.
— Não pensei que eu valesse tão pouco, sorriu o rei. Mas dize-me agora em quanto tempo posso cavalgar em volta do mundo.
— Vossa Majestade, respondeu o falso abade, deve levantar-se ao nascer do dia e seguir cavalgando atrás do Sol até a manhã seguinte, quando o astro nascer outra vez. Assim, sem erro, terá dado a volta ao mundo em 24 horas.
— Nunca pensei, riu o rei, que a volta ao mundo pudesse ser feita tão depressa. Mas agora me diga, abade, o que estou pensando neste exato momento?
— Vossa Majestade, respondeu o esperto pastor, pensa que está falando com o abade de Canterbury. Mas a verdade é que não passo de um pobre pastor de ovelhas.
E, afastando do rosto o capuz de monge, concluiu:
— Estou aqui para pedir perdão para mim e para o meu amo, o abade.
Dessa vez, o rei João riu às gargalhadas e disse:
— Por teres alegrado o meu dia, eu te perdôo pelo atrevimento e mando te dar uma bolsa de dinheiro como recompensa. Vai em paz e dize ao teu patrão que te agradeça porque, graças a ti, eu o perdôo também. Mas ele que se guarde de novas gabolices!
Para trabalhar com o imaginário dos alunos, lance mão dos personagens e cenários medievais que povoam o conto. Se quiser ir mais além, use o texto como apoio nas aulas de Português e Geografia. Foi o que fez Vera Bastazin, professora de Literatura do Departamento de Arte da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É dela o plano interdisciplinar que você verá a seguir, pensado para turmas de terceira a sexta série.
BEM-VINDOS À FANTASIA

“Na Inglaterra daquele tempo, vivia na corte do poderoso rei João um importante prelado, o abade de Canterbury…” A primeira frase do conto introduz rapidamente o aluno no mundo dos castelos e reis. Leia o período em voz alta e, em seguida, inicie um saudável e interessante exercício de inquisição, formulando perguntas que devem ser respondidas oralmente. Como será o interior e o exterior de um palácio? O que faziam os monarcas naquele tempo? Como se vestiam os reis e as rainhas? O que era a corte real? Existem monarcas ainda hoje? Qual seu papel atual? Só leia o restante do conto depois de ter instigado a imaginação da garotada. O texto também é rico em palavras estranhas à linguagem corrente, como “prelado”, “gabolice”, “confisco”. Ótima oportunidade para, na aula de Português, treinar com a turma o uso do dicionário. Depois de devidamente esclarecidas, essas palavras se aliam a outras para uma nova atividade. A partir dos substantivos “rei”, “abade” e “pastor”, sugira que façam um agrupamento de termos que se relacionem diretamente com os personagens da história. Como no quadro abaixo.
REI = majestade – trono – cetro – palácio – coroa
ABADE = prelado – monge – assustado – vaidoso – perdão
PASTOR = rebanho – capuz – esperto – pobre – disfarce
UMA VOLTA AO MUNDO

Nas aulas de Geografia, use a segunda pergunta feita pelo rei (“Quanto tempo eu levaria a cavalo para dar a volta ao mundo?”) para trabalhar questões relativas ao sistema solar. Comece pela Terra, explorando sua forma e seu tamanho. Para dar uma volta completa no nosso planeta pela linha do Equador, uma pessoa a cavalo teria que percorrer cerca de 12 mil quilômetros. Pelos pólos, a distância diminuiria 20 quilômetros, já que eles são achatados. A resposta do pastor só faz sentido num tempo em que se imaginava que o Sol dava a volta na Terra, e não o contrário. Bastava seguir o astro-rei do nascente ao poente para completar o percurso. Era a teoria geocêntrica, que você também pode opor à heliocêntrica, com o Sol no centro do Universo.
Fonte:
Revista Nova Escola

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Edinar Corradini / RJ (Meu Poeta)

Edinar é de Teresópolis/RJ
—-
Da coletânea Declame para Drummond 2012
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil
Me debruço sobre teus poemas, sinto-me viva.
E mansamente minha alma Cresce
Cada verso teu acorda meus sonhos
Por sentir teu cantante em meus ouvidos
Passear pelos versos num florir de das palavras
Em minha mente aquela essência
Como um perfume de uma flor que o vento trás
Vejo teus versos conversar comigo 

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 706)


Uma Trova de Ademar  


Mesmo que a paixão desabe
disto eu não sentirei medo,
o mundo inteiro já sabe
que eu sempre amei em segredo!
–Ademar Macedo/RN–
Uma Trova Nacional  
Este Amor que nos cativa
e que nossa alma acalenta,
é, por vezes, chaga viva
que muito dói, mas contenta.
–Clarisse Sanches/PRT–
Uma Trova Potiguar  
Lindo horizonte desponta
nos meus sonhos de menino,
mas só Deus sabe dar conta
da saga do meu destino.
–Zé de Sousa/RN–
Uma Trova Premiada  
2007   –   Ribeirão Preto/SP
Tema   –   LIVRO   –   1º Lugar.
Seria a paz mais presente
e o porvir menos incerto
se na mão do adolescente
sempre houvesse um livro aberto!
–Rita Mourão/SP–
…E Suas Trovas Ficaram  

Amor… Amor que eu conheço

pode ser uma obsessão,
mas persiste a qualquer preço,
nunca sai do coração.

–Lívio Barreto/CE–

U m a P o e s i a  

Alternâncias de alegria

e de tristeza é a meta,
de um coração remendado

por sonhos que o tempo veta.

e o riso com pouco encanto,
esconde as veias de pranto
no coração de um poeta.

–Lima Júnior/PE–

Soneto do Dia  

ORAÇÃO DE POETA.
–Miguel Russowsky/SC–

– Que me darás, Senhor, pela jornada

de dores, privações e misereres?
– Eu te darei a noite salpicada
de estrelas e silêncio. Que mais queres?

– E para a solidão da madrugada?
– Já fiz o mundo cheio de mulheres.
procura e encontrarás a tua amada.
Faz os mais lindos versos que puderes.

– Mas como irei, Senhor, reconhecê-la?
– Há no céu, entre todas, uma estrela
que apenas tu verás. Que mais perguntas?

– E este frio e esta angústia que ora sinto?
– quando ela penetrar em teu recinto
a primavera e a paz hão de vir juntas.

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Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte III – Trovas: Antonio Cabral e A. A. de Assis

Amor tem três dimensões:
É pai, mãe e professor.
Mas pai, mãe são ligações,
Professor, só puro amor.
Antonio Cabral


Meu amigo professor,
moldaste o meu coração.
Contigo aprendi que Amor
é sempre a maior lição!
A. A. de Assis
Fonte:
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ.

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José de Alencar (Ao correr da pena) 22 de Outubro: Um Sermão de Monte Alverne

(Crônicas publicadas no “Correio Mercantil”, de 3 de setembro de 1854 a 8 de julho de 1855, e no “Diário do Rio”, de 7 de outubro de 1855 a 25 de novembro do mesmo ano, ambos os jornais do Rio de Janeiro).

O tempo serenou; as nuvens abriram-se, e deixam ver a espaços uma pequena nesga de céu azul, por onde passa algum raio de sol desmaiado, que, ainda como que entorpecido com o frio e com a umidade da chuva, vem espreguiçar-se indolentemente sobre as alvas pedras das calçadas.
Aproveitemos a estiada da manhã, e vamos, como os outros, acompanhando a devota romaria, assistir à festividade de São Pedro de Alcântara, que se celebra na Capela Imperial!
A igreja ressumbra a severa e impotente majestade dos templos católicos. Em face dessas grandes sombras que se projetam pelas naves, da luz fraca e vacilante dos círios lutando com a claridade do sai que penetra pelas altas abóbadas, do silêncio e das pompas solenes de uma religião verdadeira, sente-se o espírito tomado de um grave recolhimento.
Perdido no esvão de uma nave escura, ignorado de todos e dos meus próprios amigos, que talvez condenavam sem remissão um indiferentismo imperdoável, assisti com o espírito do verdadeiro cristão a esta festa religiosa, que apresentava o que quer seja fora do comum.
Sob o aspecto contido e reservado daquele numeroso concurso, elevando-se gradualmente do mais humilde crente até às últimas sumidades da hierarquia social, transpareciam os assomos de uma  curiosidade sôfrega e de uma ansiedade mal reprimida. Qual seria a causa poderosa que perturbava assim a gravidade da oração? Que pensamento podia assim distrair o espírito dos cismas e dos enlevos da religião?
Não era de certo um pensamento profano, nem uma causa estranha que animava aquele sentimento. Ao contrário: neste templo que a religião enchia com todo o vigor de suas imagens e toda a poesia de seus mitos, neste recinto em que as luzes, o silêncio e as sombras, as galas e a música representavam todas as expressões do sentimento, só faltava a palavra, mas a palavra do Evangelho, a palavra de uma inspiração sublime e divina, a palavra que cai do céu sobre o coração como um eco da voz de Deus, e que refrange aos lábios para poder ser compreendida pela linguagem dos homens.
Era isto o que todos esperavam. Os olhos se voltavam para o púlpito onde havia pregado Sampaio, S. Carlos e Januário; e pareciam evocar dos seus túmulos aquelas sombras ilustres para virem contemplar um dia de sua vida, uma reminiscência de suas passadas glórias.
Deixai que emudeçam as orações, que se calem os sons da música religiosa, e que os últimos ecos dos cânticos sagrados se vão perder pelo fundo dos erguidos corredores ou pelas frestas arrendadas das tribunas.
Cessaram de todo as orações. Recresce a expectação e a ansiedade; mas cada um se retrai na mudez da concentração. Os gestos se reprimem, contêm-se as respirações anelantes. O silêncio vai descendo frouxa e lentamente do alto das abóbadas ao longo das paredes, e sepulta de repente o vasto âmbito do templo.
Chegou o momento. Todos os olhos estão fixos, todos os espíritos atentos.
No vão escuro da estreita arcada do púlpito assomou um vulto. É um velho cego, quebrado pelos anos, vergado pela idade. Nessa bela cabeça quase calva e encanecida pousa-lhe o espírito da religião sob a tríplice auréola da inteligência, da velhice e da desgraça.
O rosto pálido e emagrecido cobre-se desse vago, dessa oscilação do homem que caminha nas trevas. Entre as mangas do burel de seu hábito de franciscano cruzam-se os braços nus e descarnados.
Ajoelhou. Curvou a cabeça sobre a borda do púlpito, e, revolvendo as cinzas de um longo passado, murmurou uma oração, um mistério entre ele e Deus.
Que há em tudo isto que desse causa à tamanha expectação? Não se encontra a cada momento um velho, a quem o claustro seqüestrou do mundo, a quem a cegueira privou da luz dos olhos? Não há aí tanta inteligência que um voto encerra numa célula, e que a desgraça sepulta nas trevas?
É verdade. Mas deixai que termine aquela rápida oração; esperai um momento… um segundo… ei-lo!
O velho ergueu a cabeça; alçou o porte; a sua fisionomia animou-se. O braço descarnado abriu um gesto incisivo; os lábios, quebrantando o silêncio de vinte anos, lançaram aquela palavra sonora, que encheu o recinto, e que foi acordar os ecos adormecidos de outros tempos.
Fr. Francisco de Monte Alverne pregava! Já não era um velho cego, que a desgraça e a religião mandava respeitar. Era o orador brilhante, o pregador sagrado, que impunha a admiração com a sua eloqüência viva e animada, cheia de grandes pensamentos e de imagens soberbas.
Desde este momento o que foi aquele rasgo de eloqüência, não é possível exprimi-lo, nem sei dize-lo. A entonação grave de sua voz, a expressão nobre do gesto enérgico a copiar a sua frase eloqüente, arrebatava; e levado pela força e veemência daquela palavra vigorosa, o espírito, transpondo a distância e o tempo, julgava-se nos desertos de Said e da Tebaida, entre os rochedos alcantilados e as vastas sáfaras de areia, presenciando todas as austeridades da solidão.
De repente, em dois terços, com uma palavra, com um gesto, muda-se o quadro; e como que a alma se perde naquelas vastas e sombrias abóbadas do Mosteiro de São Justo, para ver com assombro Pedro de Alcântara em face de Carlos V, o santo em face da grandeza decaída.
Aqueles que em outros tempos ouviram Monte Alverne, e que podem comprar as duas épocas de sua vida cortada por uma longa reclusão, confessam que todas as suas reminiscências dos tempos passados, apesar do prestígio da memória, cederam a esse triunfo da eloqüência.
Entre as quatro paredes de uma célula estreita, privado da luz, é natural que o pensamento se tenha acrisolado; e que a inteligência, cedendo por muito tempo a uma força poderosa de concentração, se preparasse para essas expansões brilhantes.
O digno professor de eloqüência do Colégio de Pedro II; desejando dar aos seus discípulos uma lição de prática de oratória, assistiu com eles, e acompanhado do respeitável diretor daquele estabelecimento, ao belo discurso de Monte Alverne.
Não me animo a dizer mais sobre um assunto magnífico, porém esgotado por uma dessas penas que com dois traços esboçam um quadro, como a palavra de Monte Alverne com um gesto e uma frase.
Contudo, se este descuido de escritor carece de desculpas, parece-me que tenho uma muito valiosa na importância do fato que preocupou os espíritos durante os últimos dias da semana, e deu tema a todas as conversações.
Parece, porém, que a chuva só quis dar tempo a que a cidade do Rio de Janeiro pudesse ouvir o ilustre pregador, sem que o rumor das goteiras perturbasse o silêncio da igreja.
À tarde o tempo anuviou-se, e a água caía a jorros. Entretanto isto não impediu que a alta sociedade e todas as notabilidades políticas e comerciais, em trajes funerários, concorressem ao enterro de uma senhora virtuosa, estimada por quantos a  tratavam, conhecida pelos pobres e pelas casas pias.
A Sra. Baronesa do Rio Bonito contava muitas afeições, não só pelas suas virtudes, como pela estimação geral de que gozam seus filhos. O grande concurso de carros que acompanharam o seu préstito fúnebre em uma tarde desabrida é o mais solene testemunho desse fato.
Entre as pessoas que carregaram o seu caixão notaram-se o Sr. Presidente do Conselho, o Sr. Ministro do Império e alguns Diretores do Banco do Brasil. É o apanágio da virtude, e o único consolo da morte. Ante os despojos exânimes de uma alma bem  formada se inclinam sem humilhar-se todas as grandezas da terra.
Esses dois fatos, causa de sentimentos opostos, enchem quase toda a semana. Desde pela manhã até a noite a chuva caía com poucas intermitências, e parecia ter destinado aqueles dias para as solenidades e os pensamentos religiosos.
Apesar da esterilidade e sensaboria que produz sempre esse tempo numa cidade de costumes como os nossos, apesar dos dissabores dos namorados privados dos devaneios da tarde, e dos ataques de nervos das moças delicadas, os homens previdentes não deixavam de estimar essas descargas de eletricidade, e essas pancadas d’água, que depuram e refrescam a atmosfera.
Na opinião (quanto a mim estou em dúvida), essas caretas que o tempo fazia aos prognosticadores de moléstias imaginárias, valiam mil vezes mais do que todas as discussões de todas as academias médicas do mundo.
Quanto mais, se soubessem que o Sr. Ministro do Império durante esses dias se preocupava seriamente das medidas necessárias ao asseio da cidade, mostrando assim todo zelo em proteger esta bela capital dos ataques do diabo azul. Sirvo-me deste nome, porque estou decidido a não falar mais em cólera, enquanto não resolverem definitivamente se é homem, se é mulher ou hermafrodita.
Para este fim o Sr. Pedreira consultou o presidente da câmara municipal, e incumbiu ao Sr. Desembargador chefe de polícia a inspeção do serviço, cujo regulamento será publicado oportunamente.
Com as providências que se tomaram, e especialmente com a medida da divisão dos distritos e da combinação da ação policial com o elemento municipal, a fim de remover quaisquer obstáculos, creio que podemos esperar resultados úteis e eficazes.
Fonte:
José de Alencar. Ao Correr da Pena. SP: Martins Fontes, 2004.

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Elicio Pontes / DF (Romantismo)

Da coletânea Declame para Drummond 2012 
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil 

Escrever poemas derramados 
falando sempre de amor 
era algo que eu não me permitia. 
Pedi socorro, então, a quem devia. 
Busquei Vinícius de Moraes: 
– meu deus, como ele sabia! 
Como dizia loucuras de amor 
com seu jeito vinícius. 
O grandioso poetinha 
era lírico, romântico, despejado 
e vergonha disso, não tinha. 
Carlos, esse Drummond, então 
não falava apenas de uma pedra 
e do caminho ocupado pela pedra 
nem sofria somente com os josés 
e seus impasses desesperados 
sem saber aonde ir, agora. 
(…) Deixai-me verter lágrimas 
sofrer e gozar as paixões 
eleger e cantar minha musa, 
a mulher inesperada 
que então se fez poesia. 

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Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte II – António Barroso (Tiago) – O Professor

É sacerdócio, não é profissão,
É um dar-se, a si próprio, por amor,
Com prazer de ensinar, o professor
Sempre se entrega de alma e coração.
A sua vontade e a sua ambição
É ultrapassar todos os escolhos
E, aos alunos, fazer abrir os olhos
P’ra vida, para o sonho e p’ra razão.
O professor só pensa que é mais nobre
Ensinar tanto o rico como o pobre
Com a força da fé, por si, sentida.
Sem nunca se cansar ou esmorecer,
Seu destino será, até morrer,
Sempre a preparar homens para a vida.
Fonte:
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ

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Folclore Mexicano (Ti, o Pica-pau Avisador)

Conto inspirado numa lenda do povo Tzeltal, de Chiapas, no México, adaptado por Ana Maria Machado
Antigamente, quando o senhor Santo Ildefonso andava por aqui fazendo os trabalhos de Deus na Terra, ficava temeroso de que acontecesse alguma coisa aos filhos quando estivesse longe. Por isso, encarregou o pica-pau Ti de ficar tomando conta deles e avisá-los dos perigos. 
O passarinho passou a fazer isso muito bem. Por qualquer coisa, voava para junto dos meninos, pousava no ombro de um deles e cantava:
— Ti-ti-ti-ti…
Eles já sabiam. O passarinho não estava só dizendo seu nome. Estava era avisando de algum risco. Então, tomavam cuidado e se defendiam. Por isso, nunca tinham problemas.
Santo Ildefonso ficou muito satisfeito. Para recompensar o passarinho Ti, fez que ele tivesse uma plumagem bonita. E também o ajudou para que nunca lhe faltasse comida. Ensinou-o a bater com o bico na casca das árvores, cavando buraquinhos para poder pegar as lagartas e outros insetos que se escondessem lá dentro. 
Então, o passarinho passava os dias nas árvores apanhando comida para os filhotes:
— Toque-toque-toque…
Mas, quando era preciso avisar os filhos de Santo Ildefonso, já se sabe. O pássaro Ti ia lá, pousava no ombro de um deles e cantava:
— Ti-ti-ti-ti…
E eles se preveniam contra os problemas.
O pica-pau fazia seu trabalho tão bem que o santo resolveu ser generoso e dividir os avisos de perigo com todo mundo. Disse ao passarinho:
— Ti, você agora fica encarregado de voar por perto das estradas e veredas, avisando aos caminhantes quando houver algum perigo. Assim, eles podem se cuidar.
O pássaro Ti passou a fazer isso, sempre muito bem. Pousava no ombro de quem passava e cantava:
— Ti-ti-ti-ti…
Era só o caminhante tomar cuidado e não acontecia nada de mau.
Mas os filhos do senhor Santo Ildefonso não gostaram nada da novidade. Não queriam dividir com ninguém os avisos do pica-pau. Por isso, um dia, quando Ti chegou, os meninos cuspiram nele.
O passarinho voou até a casa onde estava Santo Ildefonso e contou:
— Senhor santo, veja só o que seus filhos me fizeram. Maltrataram-me e cuspiram em mim. E cuspe de gente deixa passarinho manchado. Olhe só como minhas penas ficaram todas salpicadas de saliva.
Santo Ildefonso olhou e disse:
— Não posso fazer nada para consertar sua plumagem. Mas vou castigar meus filhos. De hoje em diante, eles não vão mais se livrar de nenhum perigo e vão ter muitos problemas. E você pode cuidar só da sua vida e de seus filhotes. Nunca mais precisa avisar ninguém de nada.
Por isso, até hoje, o pica-pau Ti tem as penas bonitas, mas sarapintadas. E sabe muito bem procurar comida debaixo da casca das árvores.
Por isso, também, as pessoas correm riscos e têm problemas. Mas, às vezes, o passarinho se lembra de seus tempos de avisador e canta, embora nunca mais tenha pousado no ombro de ninguém. E até hoje, pelas estradas de Chiapas, o caminhante atento e devoto toma cuidado quando ouve o pica-pau Ti no meio de uma viagem, pois sabe que pode ter contratempos pelo caminho.
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Como utilizar o texto em sala de aula

Rico em recursos visuais e linguísticos, o conto que você acabou de ler pode ser um ótimo instrumento didático. Quem dá a dica é Alice Vieira, professora de pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), que se baseou no texto para conceber duas versões de plano de aula. A primeira se dirige às séries do primeiro grau menor, e a segunda, às turmas de sétima e oitava. Acompanhe as sugestões.

Para primeira a quarta série

Difícil, nessa fase, é prendera atenção das crianças. Para evitar dispersões, peça que desenhem a história enquanto você faz a leitura do texto em voz alta. Com um detalhe: os alunos não podem tirar o lápis do papel. Divertida, a atividade estimula a concentração e a percepção da narrativa e possibilita melhor fluência de idéias. Experimente, depois, comparar os desenhos. Haverá, com certeza, diferenças e semelhanças interessantes entre as releituras. Nas aulas de Educação Artística, ensine a turma a fazer origamis (dobraduras de papel) inspirados em elementos do conto: pássaro, árvores, índios, meninos. Outra opção é dividir a história em oito partes e a classe em oito grupos. Cada grupo deve desenhar um dos trechos em cartolinas. Monte um mural com as “obras-primas” e a história ganhará lindas ilustrações.

Para sétima e oitava série

Aqui, a professora Alice Vieira sugere uma pesquisa sobre o povo tzeltal, de onde emergiu a lenda do pica-pau avisador. Os tzeltals vivem até hoje em Chiapas, Estado mais pobre do México, e sua população é composta por vários povos indígenas. Revoltados com a miséria da vida rural, eles se organizaram contra o governo mexicano e fundaram, em 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Os zapatistas são guerrilheiros que só aparecem em público usando máscaras negras de lã e cujo líder, o subcomandante Marcos, se transformou na mais famosa lenda da região. O tema rende boas discussões nas aulas de História, Geografia e Ética.

Nas aulas de Português, a proposta é trabalhar diferentes leituras do texto. Que tal fazê-lo num estilo de narração de jogo de futebol, em ritmo de câmera lenta ou como se fosse um noticiário jornalístico?
Se os alunos se empolgarem com essa última categoria, peça que simulem entrevistas com os personagens da história: o pica-pau Ti, os caminhantes, Santo Ildefonso (600-667, espanhol) e seus filhos ciumentos. Para arrematar a atividade, e aproveitando a mensagem que a lenda oferece, organize um debate sobre o egoísmo. Depois, solicite aos alunos um texto individual com o seguinte tema: “Como podemos combater o egoísmo no mundo?”

Fonte:
Revista Nova Escola

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Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte I – Trovas de Alicia Borgogno e Amilton Maciel Monteiro

Un profesor es pìlar,
pleno de gran maestría…
es mérito valorar
su enorme sabiduría.
Alicia Borgogno
A vida já me ensinou,
tal qual um bom professor,
que, quase tudo que eu sou,
aos outros devo o favor!
Amilton Maciel Monteiro
Fonte:
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ. 

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 705)


Uma Trova de Ademar  
As rosas tem seus floridos 
que a “natura” se apodera, 
dando beijos coloridos 
no rosto da primavera! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  
Fiquei sozinha, esquecida, 
e o fato se deu porque 
também me esqueci, na lida 
de pensar tanto em você. 
–Jeanette De Cnop/PR– 

Uma Trova Potiguar  
Altruísta, de verdade, 
do benfazer! É sequaz, 
age, com serenidade, 
sem ostentar, o que faz… 
–Pedro Grilo/RN– 

Uma Trova Premiada  
2012   –   Caxias do Sul/RS 
Tema   –   COR   –   2º Lugar 
Num arco-íris de cores, 
fui descendo de mansinho 
sem, sequer, pisar nas flores, 
que plantaste em meu caminho. 
–Lisete Johnson/RS– 

…E Suas Trovas Ficaram  
Evolando-se da infância, 
a juventude é fumaça, 
tão fugaz, como fragrância 
de um bom perfume que passa!… 
–Lavínio Gomes de Almeida/RJ– 

U m a P o e s i a  
A distância é qual adubo 
que faz nascer a saudade. 
Saudade faz a ilusão 
parecer realidade, 
faz passado ser presente, 
faz o coração da gente 
ter alguém só na vontade!!! 
–Luiz Dutra/RN– 

Soneto do Dia  

AMIGO. 
–Amilton Maciel/SP– 
Amigo igual você, que é joia rara, 
eu quero conservar até morrer… 
Tivesse o nosso mundo uma seara 
de gente de seu jeito, que prazer! 
Você, sempre é cordial e nunca para 
de demonstrar apreço e bem-querer 
a todos que o conhecem cara a cara, 
ou até mesmo através só do escrever! 
Eu peço a Deus que assim sempre o conserve 
com tanta educação e tanta verve, 
para tornar a Terra mais feliz! 
E sei que o Pai do Céu me atenderá, 
porque seu Evangelho é que me diz 
que, quem com fé pedir, alcançará! 

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Trova 233 – Izo Goldman (São Paulo/SP)

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22 de outubro de 2012 · 22:50

Sória Celestino / SP (Imortal)

Da coletânea “Declame para Drummond 2012“

O que dizer, que sem ti,
Faltam-me as palavras e o verso,
Que o sol há muito perdi,
Em treva e inverno imerso.

A frágil rosa que teu corpo adubou,
Só demonstra aquilo que tu és,
Cinzas e saudades do que passou,
Da explosão da vida o revés.

A mim resta apenas a dor,
O vazio que nada completa,
Por ter sido apartado do amor,
Pela morte que todo sonho deleta.

Se a ti cabe a eternidade,
A mim, efêmeros momentos,
Diante da veracidade,
Em meio há tantos tormentos.

De que apenas somos pó,
E a ele voltaremos,
Imortal mesmo só,
O amor que devotemos.

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José de Alencar (Ao Correr da Pena) 15 de Outubro : Os destinos de uma data

(Crônicas publicadas no “Correio Mercantil”, de 3 de setembro de 1854 a 8 de julho de 1855, e no “Diário do Rio”, de 7 de outubro de 1855 a 25 de novembro do mesmo ano, ambos os jornais do Rio de Janeiro).
Encontram-se às vezes na história da humanidade certas coincidências tão notáveis, que parecem revelar uma lei fatal e misteriosa, um elo invisível que através dos anos e dos séculos prende entre si os grandes acontecimentos.
O tempo, dizia Píndaro, é o oceano imenso sobre o qual navega a humanidade. Quem sabe se, como o marinheiro lançado sobre a amplidão dos mares, batido pelos ventos e pelas tempestades, o gênero humano não percorre os caminhos já trilhados, e não atravessa as idades revendo na sua torna-viagem as mesmas plagas, os mesmos climas?
O espírito se confunde desde que intenta perscrutar tão altos arcanos, e se perde numa série de pensamentos elevados, como os que me assaltaram quando me pus a refletir sobre os destinos do dia 12 de outubro, que marca época nos anais do mundo, da América e do Brasil.
Quando se desdobra esta página do calendário, e se volve os olhos para o passado, vê-se surgir entre as sombras das gerações que morreram dois grandes vultos de heróis, que separados por mais de três séculos, parecem estender-se a mão por sobre o espaço, como para consolidar a sua obra.
No mesmo dia um descobriu um novo mundo, o outro fundou um grande império. Um chamava-se Colombo, o outro era Pedro I. Dois nomes que por si só valem uma história.
Entretanto a América e o Brasil deixaram-nos escritos apenas nos livros, como uma simples recordação; e, tomando um nome de empréstimo, nem ao menos copiaram no mármore ou no bronze aquela página de tantas glórias.
O viajante do velho mundo, que contemplou as pirâmides do Egito, as ruínas do Partenon, as abóbadas do Coliseu, os obeliscos e os arcos de triunfo, monumentos de um século, de um povo, ou de um rei somente, não encontra nas plagas americanas nem sequer o nome desse semideus que criou um mundo!
Apenas a espaços, uma palavra perdida, uma exprobração amarga, e mesmo alguns esforços infrutíferos para levar a efeito a idéia de um monumento a Colombo e de uma estátua a D. Pedro.
Tudo isto, porém, passa no turbilhão das idéias que servem de pasto a uma agitação momentânea, e nada resiste a esse esquecimento fatal e prematuro. Dir-se-ia que o presente, temendo ser ofuscado por tão grandes feitos do passado, como que receia transmiti-los às gerações futuras.
Mas o eco das idades, esse brilho que ilumina os séculos, e a que o mundo chama a glória, não há forças que o abafem. Através do tempo ouve-se ainda e sempre esse sublime diálogo que formam, como diz L’Hermenier, as relações do gênio com a humanidade.
Assim, aqueles dois grandes vultos, que parecem perdidos nas sombras do passado, se refletirão com todo o seu brilho na posteridade, principalmente quando o primeiro tem para desenha-lo a pena de um homem como Lamartine, e o outro a história de uma nação como o Brasil.
Talvez que então, quando a marcha dos tempos tiver desvendado altos mistérios do destino, a humanidade possa compreender esse elo invisível que prende dois acontecimentos tão remotos, essa relação inexplicável entre dois homens, essa coincidência providencial de duas revoluções que em épocas diferentes se realizaram no mesmo dia.
Quem sabe se o fato que veio depois de três séculos não era o complemento e o remate do primeiro? Quem sabe se D. Pedro I não foi o continuador de  Colombo? Quem sabe se a fundação do Império do Brasil não devia ser uma condição essencial nos futuros destinos da América?
Estes pensamentos nos levariam muito longe, muito além do presente, e nos fariam esquecer que nestas páginas somos o homem do passado, o simples cronista dos acontecimentos de uma semana. Deixemos, portanto, as altas elocubrações, e voltemos aos fatos da atualidade. 
Falávamos de gênio, de talento, de glórias passadas e destinos futuros. O presente não é menos fértil em qualquer destas coisas, sobretudo em talento.
O talento! Divinae particulam aurae! Não há nada como o talento. Riquezas, honras, nascimento, nobreza, nada disso vale uma pequena dose daquela inspiração divina. Só ela tem o privilégio da divindade, o dom de criar e inventar.
Se duvidam do que estou dizendo, tomem qualquer jornal da semana, e corram-lhe os olhos, que terão a prova desta minha asserção.
O cólera-morbo andava muito sossegado lá pela Europa e nem sequer ainda se tinha lembrado de escrever o Brasil no seu itinerário ou jornal de viagem, quando um homem de  talento necessariamente, teve a feliz idéia de afirmar que a moléstia já estava em caminho e não tardaria a chegar.
Imediatamente fez-se uma revolução, e tivemos uma verdadeira epidemia de cólera-morbo in nomine. Não se falava em outra coisa; não se escrevia sobre outro assunto. Os médicos dissertavam largamente, os profanos gracejavam ou discutiam, a Câmara Municipal trabalhava, e a Academia de Medicina fazia sessões públicas.
Ouvi queixar-se muita gente que de todas essas luminosas discussões nada se concluía; creio porém, que estão mal informados . Se fossem ao escritório de qualquer das folhas diárias desta corte, haviam de ver entrar para a caixa a conseqüência lógica e verdadeira de toda esta argumentação – a paga das correspondências e publicações a pedido.
A epidemia foi tal, que até foram bulir com a pobre gramática, que estava bem sossegada, e chamaram-na a campo para decidir se o cólera-morbo era masculino ou feminino.
Não me devo meter em semelhante questão; mas, a falar a verdade, prescindindo da gramática, creio que aqueles que dão ao cólera o gênero feminino têm alguma razão, por isso que os maiores flagelos deste mundo, a guerra, a morte, a fome, a peste, a miséria, a doença, etc., são representadas por mulheres.
E o que torna-se mais notável ainda é que os gregos, gente sempre tida em conta de sábia, quando inventaram os seus deuses, fizeram homens Apolo e Cupido, e para mulheres escolheram as Parcas, as Fúrias e as Harpias. 
Se as minhas amáveis leitoras não gostaram desta razão, que acho muito natural, chamem a contas os pintores e os poetas, que são os autores de tudo isto. Quanto a mim, não tenho culpa nenhuma das extravagâncias dos outros, e até estou pronto a admitir a opinião do meu colega  A. Karr, que explica aquele fato pela razão de que as senhoras são extremos em tudo, tanto que as mais belas coisas deste mundo são também significadas por mulheres, assim como a beleza, a glória, a justiça, a caridade, a virtude e muitas outras que, como estas, não se encontram comumente pelo mundo, mas que existem no dicionário.
Ora, à vista da razão que apresentei, parecia que não devia haver mais dúvida sobre o gênero do cólera; porém o argumento do –h-, que ainda não tinha lembrado aos gramáticos antigos e modernos, veio mudar a face da questão. Homem, que é o símbolo do gênero masculino, começa por –h-; logo, desde que o cólera for escrito com  -h- é masculino. A isto não há que responder; e por  conseguinte, à vista de um tal argumento, persisto na minha antiga opinião.
Apesar de todas estas discussões interessantes com que se procura entreter o ânimo público, à noite os dilettanti não deixam de se encaminhar para o Teatro Lírico, embora tenham muitas vezes o desgosto de esbarrarem com o nariz na porta fechada, como sucedeu segunda-feira.
Disseram que a Charton estava um pouco incomodada, o que bem traduzindo quer dizer que não tinha nada absolutamente.
Ora, admitindo mesmo o caso do incômodo, desejava sinceramente que os espíritos dados às altas e importantes questões de utilidade pública, como sejam as do gênero do cólera, do contágio da moléstia, da sua antiguidade, etc., me elucidassem, por meio de uma discussão esclarecida, um ponto muito duvidoso para mim: e é se as primas-donas têm o direito de adoecerem em dia de representação, e deixarem-nos desapontados sem sabermos o que fazer da noite.
Na minha opinião entendo que uma prima-dona, quando muito, tem unicamente o direito de adoecer na véspera, a tempo de se publicar o anúncio da transferência do espetáculo; e, quando quiser adoecer no mesmo dia, então deve adivinhar de véspera que na noite seguinte estará incomodada, a fim de se prevenir o público, e evitar-lhe uma desagradável surpresa.
Felizmente o incômodo da Charton foi passageiro, e as soirées Líricas continuaram sem mais transferências até sexta-feira, em que nos deram a Semiramide, em benefício da Casaloni. A noite foi ruidosa: aplausos, rumor, flores, versos, brilhantes, houve de tudo, até mesmo uma pateada solene. Foi por conseguinte uma festa completa.
Para fazer diversão à música italiana, ofereceram-nos, sábado da semana passada, no Teatro de São Pedro, um outro benefício de música alemã clássica, no qual os entendedores tiveram ocasião de apreciar coros magníficos a três e quatro vozes, e de gozar belas recordações dos antigos maestros, hoje tão esquecidos por causa das melodias de Rossini e Donizetti e das sublimes e originais inspirações de Verdi e Meyerbeer.

Fonte:
José de Alencar. Ao Correr da Pena. SP: Martins Fontes, 2004.

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Lilia Diniz / DF (Do que Cabe no Poema)

da coletânea Declame para Drummond 2012
As cutias da praça da república 
não cabem nesse poema. 
Acostumadas à presença 
do bicho homem 
transitam livremente 
entre seus olhos sem o cuidado dos roedores 
como se fossem os gatos 
que ali vivem. 
Os gatos da praça da república 
também não cabem nesse poema 
eles não fazem das cutias 
presas à sua fome felina 
não exercem sua predileção natural por roedores 
As árvores da praça da república 
Ah! As árvores da praça da república 
estas sim, cabem no poema 
Cercadas de cimento vivem sua vocação de árvores 
brotam raízes aéreas 
que descem até o chão 
rompem a dureza asfáltica 
penetram a terra cuidadosamente 
silenciosamente e esta, a terra 
abre suas entranhas se deixando possuir 
Até que o homem 
(que aliás, não cabe nesse poema) 
interrompa o coito sereno 
dessas amantes lésbicas 
que poetizam a vida urbana 

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Declame para Drummond 2012

O Declame para Drummond 2012 é um intercâmbio de poesia autoral em homenagem ao poeta que completaria 110 anos no dia 31 de outubro deste ano. O coletivo, formado por 110 poetas de todo o Brasil, distribuirá milhares de poemas em suas cidades para que sejam encontrados “no meio do caminho” de algum ilustre desconhecido. E quem quiser participar na distribuição de poemas, é só clicar no link abaixo e imprimir os textos devidamente identificados com o nome do projeto e ilustrados com uma caricatura do poeta Carlos Drummond de Andrade feita pelo mestre Chico Caruso, que carinhosamente abraçou o projeto. O Declame para Drummond é uma iniciativa da poeta e produtora cultural independente Marina Mara – que vem realizando projetos de popularização da poesia pelo Brasil – em parceria com poetas de várias regiões do país e também de Portugal.
Além de mostrar que a poesia – e nossos poetas – estão bem vivos, o projeto também chama a atenção para a necessidade de consumir poesia em nossa sociedade atual. O Declame para Drummond, apesar de homenagear o grande poeta imortal, tem como maior objetivo disseminar os poemas autorais de nossos poetas vivos, muitas vezes esquecidos pela nossa sociedade e pelo mercado literário. Além de atual e democrática, a poesia também é uma forma acessível de lapidação humana.
A edição de 2010 realizou um sarau aberto com a participação de poetas do Rio de Janeiro, da família de Drummond, além do público que declamou próximo à sua estátua na praia de Copacabana – RJ. Nessa edição, uma estrutura com mil poemas enviados de todo o Brasil foi instalada no local – era só escolher e declamar.

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BH– Cultura (Programação de Literatura 23 a 31 de Outubro)

Terças e quintas, às 9h 
Centro Cultural Jardim Guanabara
Literatura, Teatro de Bonecos e Brincadeiras. 
Público: acima de 14 anos. 
Dia 23, às 9h30
Centro Cultural Vila Santa Rita
Hora do Conto e da Leitura Especial com Diego D´ávila.
Dia 23, às 10h
Centro Cultural Venda Nova
Leitura para Crianças com Hilda Palhares, Robson Souza e Regina Vaz.
Dia 23, às 10h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
Como Sonham os Bichos com Simone Teodoro. 
Livro O Sonho do Ursinho Rosa, de Roberto Aliaga e Helga Bansch.
Dia 23, às 14h
Centro Cultural Urucuia
Seleção de Poemas. 
Leitura, seleção e decoração de poemas infantis.
Dia 23, às 14h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
A Bola Rola Nestas Letras com Ícaro Bravo. 
Leitura de textos literários sobre o futebol. 
Público: acima de 10 anos.
Dia 23, às 14h30
Centro Cultural Vila Santa Rita
Hora do Conto e da Leitura Especial com Diego D´ávila.
Dia 25, às 9h30
Centro Cultural Vila Santa Rita
Encontro com o Autor. 
Escritora: Branca Maria de Paula sobre o livro Claro e Escuro.
Dia 25, às 12h30
Centro de Cultura Belo Horizonte
Livro do Mês. Apresentação de Shazam, de Álvaro de Moya. Dia 19, às 17h
Gotas Literárias. Leitura de poemas, contos e crônicas.
  
Dia 25, às 14h30
Centro Cultural Zilah Spósito
Roda de Leitura com Rodrigo Teixeira. Público: acima de 8 anos.
Dia 25, às 19h
Centro Cultural Vila Santa Rita
Sarau Lítero-musical com Ronildo Arimatéia, Diego D´ávila e Paulo H. Rocha.
Dia 26, às 14h
Centro Cultural Vila Fátima
Jogo da Palavra com Éricka Martin. 
Público: acima de 8 anos.
Dia 26, às 19h
Centro Cultural Zilah Spósito
Sarau Luardente. Participação do grupo Rosas do São Bernardo.
Dia 27, às 9h30
Palestra
Centro Cultural Venda Nova
Especiarias: Um Toque Especial na Culinária com Sayury Rodrigues Maireles.
Dia 27, às 10h
Centro Cultural Padre Eustáquio
Sementes de Poesia com Regina Mello. 
Recital de poesias.
  
Dia 29, às 14h
Biblioteca Regional Santa Rita de Cássia
Graciliano para Crianças com Érica Lima. 
Livro Alexandre e Outros Heróis, de Graciliano Ramos.
Dia 30, às 9h30
Centro Cultural Venda Nova
Lê uma História pra Mim? com Éricka Martin. 
Público: infantil.
Dia 30, às 10h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
Como Sonham os Bichos com Simone Teodoro. 
Livro O Sonho do Ursinho Rosa, de Roberto Aliaga e Helga Bansch.
Dia 30, às 14h
Centro Cultural São Bernardo
Graciliano para Crianças com Erica Lima. 
Livro Alexandre e Outros Héróis. 
  
Dia 30, às 14h
Centro Cultural Urucuia
Roda de Histórias com Rodrigo Teixeira.
Dia 30, às 14h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
A Bola Rola Nestas Letras com Ícaro Bravo. 
Leitura de textos literários sobre o futebol. 
Público: acima de 10 anos.
Dia 30, às 14h30
Centro Cultural Zilah Spósito
Lê uma História pra Mim? com Éricka Martin. 
Público: acima de 4 anos.
Dia 31, às 19h
Centro Cultural Zilah Spósito
Fantasmas das Cidades com Edward Ramos. 
Histórias sobre lendas urbanas. 
Público: infantil.
  
Fonte:
BH-Cultura  

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 704)

Uma Trova de Ademar 
Eu, que nunca pude tê-las… 
Que é um sonho do menestrel; 
sonhei enchendo de estrelas, 
meu barquinho de papel! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  
Desde o berço à sepultura 
caminharei sem temor, 
conduzindo esta ventura: 
ter nascido Trovador. 
–Gilson Maia/RJ– 

Uma Trova Potiguar 
No meu baú de lembranças 
onde a rotina enterrei, 
restaram minhas andanças 
e os prantos que derramei… 
–Rejane Costa/CE– 

Uma Trova Premiada 
2011 – ATRN-Natal/RN 
Tema:  VERTENTE – 14º Lugar 
É tanta angústia, insistente, 
pesar intenso e profundo,
que eu me sinto uma vertente
de toda a mágoa do mundo.
–João Costa/RJ–

 …E Suas Trovas Ficaram 
De tudo a perdoaria,
(coisas de quem muito amou)
– só não perdoo a saudade
que ela, maldosa, deixou…
–Aparício Fernandes/RN– 

U m a P o e s i a 
Um vento passa alisando
as costas da capoeira,
quase sem fazer poeira
passa só suavizando,
o sol lento, se ocultando
lambendo as costas da serra,
um bezerro afoito berra
por ser da mãe apartado;
parece um quadro pintado
das tardes de minha terra. 
–Brás Ivan/PE– 

 Soneto do Dia

DESPEJADAS.
–Haroldo Lyra/CE–
Trocou su’alma santa e o mais sutil
traço de vida calma e intemerata,
pelo vesgo contágio da ribalta 
que lhe acena com brilho mercantil.
Na luxúria, no beijo que arrebata
das entranhas da carne o gozo vil,
paga o preço que a fama discutiu
nas premissas que o vero não retrata. 
E colhe entre os abraços repentinos,
os laivos dos amores clandestinos,
em cavilosas juras gotejadas,
que tão cedo lhe explodem em desenganos,
martírio desses tratos levianos:
o alto custo das ninfas despejadas.

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Oliver Sacks (Memórias de uma infância química)

(Da série Contos para trabalhar em sala de aula )
Muitas das minhas lembranças da infância têm relação com metais: eles parecem ter exercido poder sobre mim desde o início. Destacavam-se em meio à heterogeneidade do mundo por seu brilho e cintilação, pelos tons prateados, pela uniformidade e peso. Eram frios ao toque, retiniam quando golpeados.
Eu adorava o amarelo do ouro, seu peso. Minha mãe tirava a aliança do dedo e me deixava pegá-la um pouco, comentando que aquele material se mantinha sempre puro e nunca perdia o brilho. “Está sentindo como é pesado?”, ela acrescentava. “Mais pesado até do que o chumbo”. Eu sabia o que era chumbo, pois já segurara os canos pesados e maleáveis que o encanador uma vez esquecera lá em casa. O ouro também era maleável, minha mãe explicou, por isso, em geral, o combinavam com outro material para torná-lo mais duro.
O mesmo acontecia com o bronze. Bronze! – a palavra em si já me soava como um clarim, pois uma batalha era o choque valente de bronze contra bronze, espadas de bronze em escudos de bronze, o grande escudo de Aquiles. O cobre também podia ser combinado com zinco para produzir latão, acrescentou minha mãe. Todos nós – minha mãe, meus irmãos e eu – tínhamos nosso menorá de bronze para o Hanucá. (O de meu pai era de prata.)
Eu conhecia o cobre – a reluzente cor rósea do grande caldeirão em nossa cozinha era cobre; o caldeirão era tirado do armário só uma vez por ano, quando os marmelos e as maçãs ácidas amadureciam no pomar e minha mãe fazia geléias com eles.
Eu conhecia o zinco – o pequeno chafariz fosco e levemente azulado onde os pássaros se banhavam no jardim era feito de zinco; e o estanho – a pesada folha-deflandres em que eram embalados os sanduíches para piquenique. Minha mãe me mostrou que, quando se dobrava estanho ou zinco, eles emitiam um “grito” espacial”. “Isso é devido à deformação da estrutura cristalina”, ela explicou, esquecendo que eu tinha 5 anos e por isso não a compreendia – mas ainda assim suas palavras me fascinavam, faziam-me querer saber mais.
Havia um enorme rolo compressor de ferro fundido no jardim – pesava mais de 200 quilos, meu pai contou. Nós, crianças, mal conseguíamos movê-lo, mas meu pai era fortíssimo e conseguia erguê-lo do chão. O rolo estava sempre um pouco enferrujado, e isso me afligia – a ferrugem descascava, deixando pequenas cavidades e escamas -, porque eu temia que o rolo inteiro algum dia se esfarelasse pela corrosão, se reduzisse a uma massa de pó e flocos avermelhados. Eu tinha necessidade de ver os metais como estáveis, como é o ouro – capazes de resistir aos danos e estragos do tempo.
Fonte:
Trecho do livro Tio Tungstênio – Memórias de uma Infância Química, de Oliver Sacks (Ed. Companhia das Letras, 2002)

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Concurso "Estrada Real – Imagens e Poesia" (Prazo: 19 de Novembro)

Organização:
SESI/DRMG (Serviço Social da Indústria de Minas Gerais)
Instituto Estrada Real

Contato e Dúvidas:
Regulamento:
CONCURSO CAMINHOS DA ESTRADA REAL – IMAGENS E POESIA
Categorias: Fotografia, Vídeo e Poesia
1. APRESENTAÇÃO
1.1 O SESI/DRMG (Serviço Social da Indústria de Minas Gerais), em parceria com o Instituto Estrada Real, por meio da Lei de Incentivo a Cultura, apresenta a 1ª Edição do Concurso “Estrada Real – Imagens e Poesia”, que será regido pelo presente Edital e pelos regulamentos específicos de cada categoria. 
2. OBJETIVO
2.1 O Concurso “Estrada Real – Imagens e Poesia” tem o objetivo de valorizar e difundir a produção artística contemporânea nos âmbitos da fotografia, vídeo e poesia, promovendo e divulgando o destino turístico da Estrada Real, reconhecido no Brasil e no exterior. 
3. CATEGORIAS
Os regulamentos específicos estão neste site:
3.1 FOTOGRAFIA
Fotografar, uma experiência pessoal de se conservar um momento em uma imagem. Fotografias são expressões de momentos que ficam guardados em nosso imaginário. Qual bela imagem você possui da Estrada Real?
Imagens digitais, a cores ou em preto em branco, captadas nos mais diversos equipamentos, podendo inclusive, serem feitas por telefones celulares e tablets.
As obras devem ter como foco os caminhos da Estrada Real e sua diversidade em sua área de abrangência, sendo aceitas até 03 (três) fotografias de cada participante. As fotografias serão avaliadas individualmente conforme regulamento específico. 
3.2 VÍDEO
Existem momentos em que o registro através de uma imagem, é pouco. Momentos que podem ser registrados em ação, quadro a quadro, passeios e aventuras pela Estrada Real através de vídeos.
Com duração máxima de 5 minutos em qualquer formato ou resolução, independente do suporte utilizado na captação das imagens, podendo, inclusive, serem feitas por telefones celulares.
As obras devem ter como foco os percursos da Estrada Real e sua diversidade, de forma objetiva ou subjetiva, nas suas infinitas manifestações, tais como documentário, ficção, animação, videoarte, entre outros.
Não há limitação para número de vídeos inscritos por participante conforme regulamento específico. 
3.3 POESIA
Os poemas devem ter como tema os percursos da Estrada Real e sua diversidade, nas suas diversas manifestações, de forma objetiva ou subjetiva. Por meio de versos, mostre a cultura, as pessoas e os alentos que o inspiram ao vivenciar Estrada Real. 
Não há limitação para número de poemas inscritos. Os poemas serão avaliados individualmente, conforme regulamento. Serão aceitos poemas caracterizados como poema sonoro, visual e vídeopoema. Entretanto, terão de ser respeitados os limites de peso e resolução e configurações cabíveis para inscrição no site do IER conforme regulamento específico. 
4. INSCRIÇÃO
4.1 As inscrições para a seleção do Concurso “Estrada Real – Imagens e Poesia” são gratuitas e podem ser efetuadas no período de 03 de setembro a 19 de novembro de 2012, até as 23h59, somente pela internet, no site http://www.concursoestradareal.com.br 
4.2 Para cada categoria existe um regulamento específico disponível no site. Ao finalizar a inscrição, o concorrente aceita automaticamente os termos descritos neste edital e nos regulamentos específicos: Fotografia, Vídeo, Poesia. 
4.3 O mesmo participante poderá se inscrever em quantas categorias desejar. 
5. PARTICIPAÇÃO
5.1 O concurso é aberto a pessoas físicas, amadores ou profissionais, para todas as idades (os menores devidamente assistidos por seu(s) representante(s) legal(is), brasileiros ou estrangeiros com comprovada residência no Brasil. Serão aceitas inscrições de coletivos artísticos, entretanto, a inscrição deverá ser feita por pessoa física, que será responsável legalmente por sua inscrição e participação no concurso, observando-se o procedimento legal para a inscrição e participação de menores. 
6. PROCESSO DE SELEÇÃO
6.1 As obras serão avaliadas por uma comissão julgadora específica para cada categoria. 
6.2 Cada comissão julgadora será formada por profissionais com comprovada atuação no setor, além de um Técnico do Instituto Estrada Real. 
6.3 Cada comissão julgadora irá escolher a obra vencedora em sua categoria. 
6.4 Cada comissão julgadora irá selecionar as obras que irão para votação popular através do site http://www.concursoestradareal.com.br. Ver regulamento de cada categoria. 
6.5 As decisões da comissão julgadora são soberanas, definitivas e irrevogáveis, não cabendo qualquer impugnação ou recurso. 
6.6 As obras escolhidas pela comissão julgadora serão publicados no site http://www.concursoestradareal.com.br para votação popular. 
7. PREMIAÇÃO
7.1 O primeiro lugar de cada categoria escolhido pela comissão julgadora receberá como prêmio um computador Imac, da marca Apple, com tela de 27 polegadas, 2,7GHz, Quad-Core Intel Core i5, resolução de 2560 por 1440, disco rígido de 1 TB e 8 GBRam, no valor aproximado de R$6.700,00 ( seis mil e setecentos reais). Link: http://www.apple.com/br/imac/
7.2 O primeiro lugar de cada categoria escolhido por votação popular receberá como prêmio um Ipad, da marca Apple, com tela Retina de 16GB, com Wi-fi + 3G, no valor aproximado de R$ 1.800,00 (hum mil oitocentos reais). Link: http://www.apple.com/br/ipad
7.3 Caso o primeiro lugar escolhido pela comissão julgadora seja o mesmo da votação popular, este receberá apenas o prêmio da comissão julgadora e o prêmio da votação popular será dado automaticamente ao segundo colocado mais votado. 
8. DIVULGAÇÃO E LICENCIAMENTO
8.1 Serão realizadas exposições multimídia em destinos da Estrada Real com as obras mais significativas do concurso em cada categoria, escolhidas pela comissão julgadora. 
8.2 Será publicado um livro promocional, sem fins comerciais, incluindo um DVD, com uma seleção das obras mais significativas do concurso em cada categoria, escolhidas pela comissão julgadora. 
8.3 Para fins de licenciamento das obras participantes da exposição e do livro, os autores selecionados receberão um Kit Promocional da Estrada Real além de (1) um exemplar do livro. 
9. CRONOGRAMA DO CONCURSO
1) 03/09/2012 – Publicação do concurso
2) 19/11/2012 – Encerramento das inscrições online
3) 20/11/2012 a 25/11/2012 – Seleção de finalistas feita pela comissão julgadora
4) 26/11/2012 a 14/01/2013 – Votação online
5) 15/01/2013 – Divulgação dos vencedores através do site 
10. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
10.1 Entende-se por Estrada Real os quatro caminhos abertos oficialmente pela Coroa Portuguesa. Estes caminhos ligam as antigas regiões das minas e das pedras preciosas, no interior do estado de Minas Gerais, ao litoral do Rio de Janeiro, passando ainda por São Paulo. Hoje, a Estrada Real passa por 199 municípios – 169 em Minas Gerais, 22 em São Paulo e 8 no Rio de Janeiro – e tem 1,6 mil quilômetros de extensão e mais de 80 mil quilômetros quadrados de área de influência. Saiba mais no site http://www.concursoestradareal.com.br
10.2 Todos os participantes do concurso asseguram, desde já, que são os detentores dos direitos autorais morais e patrimoniais, conexos e de imagem e som, pertinentes à sua respectiva obra. 
10.3 Não será permitida a participação de funcionários do INSTITUTO ESTRADA REAL – IER. 
10.4 Serão sumariamente excluídos os participantes que cometerem qualquer tipo de fraude comprovada, ficando, ainda, sujeitos à responsabilização penal e civil, respondendo pelo menor que cometer qualquer seu representante legal perante o concurso. 
10.5 O não cumprimento de quaisquer das regras deste edital poderá causar, a critério da Organização, a desqualificação das obras inscritas, e, consequentemente, do respectivo participante. 
10.6 O ato de inscrição no concurso e a apresentação das obras implicam na plena aceitação e concordância, pelo participante, de todas as disposições deste edital e dos regulamentos específicos. 
10.7 A comissão julgadora é soberana, compete a ela avaliar e resolver sobre os casos omissos neste edital e regulamentos, não cabendo recurso. 
10.8 Os participantes vencedores deste concurso se comprometem de forma irretratável, a ceder os direitos de utilização sobre sua obra vencedora, bem como autorizam a utilização de sua imagem, pelo IER, desde que sem nenhum caráter comercial por parte deste instituto, para divulgação em todos os meios de publicidade que o mesmo achar conveniente, para promoção deste concurso.
Tanto a cessão, quanto a autorização deverão ser objeto de instrumento próprio celebrado entre os autores cedentes e o Instituto Estrada Real, após a divulgação do resultado final do Concurso Estrada Real – Imagens e Poesia.
10.9 O autor, ao inscrever sua obra, para participar deste concurso, assume pessoalmente ou devidamente representado, de forma exclusiva, toda e qualquer responsabilidade, civil e ou criminal, relacionada com pessoas, animais e objetos retratados em sua obra, decorrentes da concepção, criação ou divulgação da obra inscrita, excluindo de tais responsabilidades o SISTEMA FIEMG e a comissão julgadora. 
10.10 No caso de coletivos artísticos, a pessoa física, responsável pela inscrição, caso tenha sua obra premiada, poderá solicitar que o crédito seja dado ao coletivo. 
10.11 O Instituto Estrada Real não necessariamente publicará todas as fotos recebidas. 
10.12 Este concurso é exclusivamente cultural, sem qualquer modalidade de sorte ou pagamento pelos participantes, nem vinculação destes ou dos vendedores à aquisição ou uso de qualquer bem, direito ou serviço, promovido pelos organizadores, de acordo com a Lei nº5768/71 e decreto nº 70.951/72, artigo 30. 
10.13 Os organizadores do concurso não se responsabilizam por quaisquer custos incorridos pelos participantes para inscrição, confecção e envio dos trabalhos, divulgação dos vencedores, comparecimento ao evento de premiação, viagens, transporte, hospedagem, alimentação ou quaisquer outros custos relacionados ao concurso. 
10.14 Em caso de reprodução de obras que não sejam de domínio público; OBRIGATORIAMENTE, deve-se obter, antecipadamente, autorização do autor da obra e seus sucessores. 
10.15 Os casos omissos deste regulamento serão decididos por uma comissão composta por pessoas indicadas pelo Instituto Estrada Real, promotor do evento. 
10.16 De acordo com o regulamento os nomes dos participantes, juntamente com as obras cadastradas, serão citados a livre escolha dos organizadores no site do Instituto Estrada Real bem como sites ou matérias relacionadas ao concurso. 
10.17 A divulgação do resultado do concurso, com a lista dos participantes e obras vencedoras, será divulgada apenas no site do concurso na internet. http://www.concursoestradareal.com.br
10.18 Quaisquer dúvidas sobre o edital e os regulamentos específicos devem ser encaminhadas ao email: contato@concursoestradareal.com.br. Este email será desativado após o encerramento do concurso.
Fonte:
Http://concursos-literarios.blogspot.com  

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XIII Concurso Literário ACLe (Resultado)

A Academia Criciúmense de Letras (ACLe) divulgou a lista com os vencedores do 13º Concurso Literário. O concurso tem como objetivo estimular a produção literária no sul de Santa Catarina. O tema para as obras, nos gêneros conto, crônica e poesia, foi relacionado as etnias presentes na formação do povo catarinense.

Os três primeiros colocados em cada categoria receberão Medalhas de Mérito. As duas posições seguintes receberão Menções Honrosas, a critério da Comissão Julgadora. Todos os classificados receberão Diploma de “Honra ao Mérito” e um exemplar da Revista Acadêmica nº 13. Os trabalhos premiados serão editados pela ACLe e publicadosa na Revista Acadêmica nº 14.

CATEGORIA: INFANTIL 

GÊNERO: POEMA 

1º Beatriz Giassi Zanatta – 9 anos – Colégio São Bento- “Santa Imigração”
2º Caetano Peruchi de Pellegrin – 11 anos – Colégio São Bento –“ Os Imigrantes”
3º Mariana Perin Dutra – 11 anos – Colégio São Bento – “Festa das Etnias”

MENÇÃO HONROSA 
Maria Laura Pires Antunes – 12 anos – Colégio Rogacionista – “Santa Catarina, um lugar para todos”
Bruna Melo Bianchini – 11 anos – Colégio São Bento – “Belo Estado”
Maria Heloise Alexandre Ribeiro – 11 anos – Colégio São Bento – “Cor de Ébano”
André Pereira Alves – 9 anos- Sesi Escola – “ As etnias”.

GÊNERO: CONTO 
1º Luísa Volpato Blasczkiewicz – 12 anos- Colégio Madre Teresa Michel – “Um novo recomeço”
2º João Pedro de Souza Paegle – 10 anos – Colégio Madre Teresa Michel – “Una bella polenta”
3º Ariany Dalmolin Pizzetti – 11 anos – Colégio Madre Teresa Michel –
‘Descobridores vindos da Itália”

MENÇÃO HONROSA: 
Ramsés Martins Kejelin – 10 anos – Colégio Madre Teresa Michel- “Sonhos”

GÊNERO: CRÔNICA 

1º Liana Boff Cé – 9 anos Colégio São Bento – “ Uma mistura que deu certo”
2º Júlia Boaventura Felisberto – 10 anos – Colégio São Bento- “ A mistura das origens”
3º Sofia Gorini Pereira- 11 anos – Colégio São Bento- “ Viver bem com as diferenças”

MENÇÃO HONROSA: 

Maria Eduarda Xavier de Costa- 12 anos – Colégio Madre Teresa Michel – “A história de Santa Catarina”
Ana Carolina Colombo Milanese – 9 anos – Colégio São Bento ( Nova Veneza) “ Tradições Italianas”

CATEGORIA JUVENIL 

GÊNERO: POEMA 

1ºValéria Vieira Assink – 17 anos- Colégio Madre Teresa Michel – “Catarina”
2ºBeatriz Kestering Tramontin- 19 anos- SATC “ Estado Mosaico”
3º Marcos André Vieira Meller – 14 anos – Colégio Madre Teresa Michel “ Etnias de Santa Catarina”

MENÇÃO HONROSA: 
Paulo Henrique Pessoa Ghislandi – 14 anos Colégio Rogacionista Pio XII “ Cada bravo cidadão”
Carolina Citadin Milaneze – 17 anos – Colégio Madre teresa Michel – “ Santa contribuição”

GÊNERO: CRÔNICA 

1º Natália Zaniboni Bialecki – 17 anos – Colégio Madre Teresa Michel – “ Diversidade Cultural”
2º Marco Aurélio Camargo Fagundes – 19 anos- SATC- “ Crônica argumentativa”
3º Matheus Innocente Savaris – 16 anos Colégio Madre Teresa Michel “ A mistura que deu certo”

MENÇÃO HONROSA: 
Caio Canarin Mroninski – 14 anos- Colégio Roganionista Pio XII “Ao meu redor”
João Fernando Meller- 14 anos- Colégio Rogacionista Pio XII – “ Santa e bela Catarina”

GÊNERO: CONTO 

1º Luiz Augusto Nagel Hülse – 15 anos – Colégio Madre Teresa Michel – “Loja dos sonhos”
2º Sarah dos Santos Miguel – 16 anos- Colégio Madre Teresa Michel – “Direto do Oriente Médio”
3º Tamy da Silva Dassoler – 15 anos – Colégio Madre Tereza Michel “ Amore Vero”

MENÇÃO HONROSA: 
Matheus Marquardt – 17 anos – Colégio Madre Teresa Michel “ Zero guerra mindial”
Rafael Ibraim Braz Rovaris – 14 anos – Colégio Rogacionista Pio XII – “O começo”

CATEGORIA ADULTO 

GÊNERO: POEMA 

1º Gustavo Perez Lemos – 33 anos – Criciúma – “Tambores no sambaqui”
2º Glauco Paludo Gazoni – 26 anos – Chapecó “Soneto a Catarina”
2º Roger Gustavo Manenti Laureano 20 anos – UFSC- “ Regressando ao futuro do não ser”
3º Janine Salvaro – 27 anos -Tubarão – “ A cor não é nada. A cor muda tudo”

MENÇÃO HONROSA: 

André Cavaler da Luz – 29 anos Forquilhinha – “ Santa Catarina: sua cor, seu sabor e sua gente.
Roger Gustavo Manenti Laureano – 20 anos UFSC – “ Identidade”
Leonela Otília Sauter Soares – 20 anos- UFRGS- “ Santa”
Marinês Pinsson Panozzo- 46 anos – Chapecó “Intrépida Gente”

CATEGORIA: CONTO 

1º Leonela Otília Sauter Soares- 20 anos- UFRGS – “ Da colonização de Santa Catarina”
2º Guilherme Longo Triches – 32 anos Florianópolis – “Bullying”
3º Roger Gustavo Manenti Laureano – 20 anos- UFSC “ As galinhas de Dona Maria”

CATEGORIA: CRÔNICA 

1º Roger Gustavo Manenti Laureano – 20 anos – UFSC- “ Origem Negra”
2º Roger Gustavo Manenti Laureano – 20 anos – UFSC- “Sangue Impuro”
3º Tássia Búrigo e Silva – 30 anos- “Tutto brava gente”

MENÇÃO HONROSA: 

Leonela Otília Sauter Soares – 20 anos UFRGS – “ Kant e o Capim”
Janine Salvaro- 27 anos – Tubarão- “ Gente colorida”

CATEGORIA MATURIDADE 

GÊNERO: POEMA 

1º Sueli Tereza Mazzuco Mazurana – Orleans – “Deus não tem cor”
2º Sueli Tereza Mazzuco Mazurana – Orleans- “ Deus não tem cor II”
3º Loudes Geni Canella Crippa – Criciúma- “ Riscatto Immigratório”

MENÇÃO HONROSA:

Loudes Geni Canella Crippa – Criciúma- “ Etnias reabrem a história”

GÊNERO: CONTO 

1º Sueli Tereza Mazzuco Mazurana – Orleans – “ O homem e o Fio”

GÊNERO: CRÔNICA 

1º Maria Margarete Olimpio Ugioni – Nova Veneza- “ Puramente italiana”
2º Marly Geraldes Bastos Pinto- Cocal do Sul – “ Caleidoscópio”
3º Sueli Tereza Mazzuco Mazurana – Orleans – “ A Brabuleta”

MENÇÃO HONROSA: 
Dalva de Aguiar Silvestre – Criciúma- “ Oma…Avó..”

Fonte: 
Http://concursos-literarios.blogspot.com  

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Concurso Literário de Cajamar (Resultado)

CATEGORIA CONTO: 
Raphael Gonçalves Villela, 
“O suicídio do Homo Burocratus” 
Jesse José da Costa 
“O Rimeiro” 
João Pinto Xavier 
“Papai Noel” 
CATEGORIA CRÔNICA: 
Jesse José da Costa 
“Dai a César o que é Dele” 
Maria Cristina Martin Durante 
“Desafios da Vida” 
Lucio Mauro Bueno da Silva 
Cultura de Massa 
CATEGORIA POEMA: 
Raphael Gonçalves Villela
“O Terrível Medo de Amar” 
Maria Nilce Gomes Russo 
“Amazonas no Mundo de Hileia” 
Mauro Rosa Silva 
“Meu Lar” 
Fonte: 
Http://concursos-literarios.blogspot.com  

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1º Concurso Guavira de Literatura (Resultado)

Aos 08 (oito) dias do mês de outubro de 2012 (dois mil e doze), às oito horas, na sala de reuniões do Conselho de Cultura da Fundação de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul, reuniram-se os membros da Comissão Especial de Licitação Julgadora designada por ato do Sr. Secretário de Estado de Governo, publicado no Diário Oficial do Estado de 05 (cinco) de julho de 2012: Samuel Xavier Medeiros, Lucilene Machado, Danglei de Castro Pereira, Vera Tylde de Castro Pinto, Sandra Hahn, Ângela Cristina Catônio e Flavio Adriano Nantes; Presidiu a reunião, o escritor Samuel Xavier Medeiros esclarecendo que o motivo principal da reunião seria o exame final dos conceitos e notas aferidas ao livros dos autores habilitados na primeira fase do edital do 1º Concurso Guavira de Literatura, Edital nº 001/2012 publicado no Diário Oficial do Estado de 21 de março de 2012 e divulgar o resultado da avaliação. Relatou-se, que foram 82 livros inscritos, e desses foram habilitados 62 livros pela Comissão Especial de Análise Documental. Entre os livros habilitados nessa fase, foram encaminhados a Comissão Especial de Licitação Julgadora, 23 livros romances, 5 livros de crônicas, 19 livros poesia e 22 de contos. Transcorrido o prazo estabelecido no cronograma, todos os membros da Comissão de Especial de Licitação Julgadora entregaram as notas e os pareceres dos livros lidos, chegando-se à classificação, abaixo discriminada, conforme item 1- do objeto do presente edital:
CATEGORIA ROMANCE
1º – Ausência em Monólogos 
Marcelle Aires Franceschini 
52,55 
2º – Ordem e Progresso 
Plínio de Paula Simões Filho 
52,13 
CATEGORIA CONTO:
1º – Delicadamente Feio 
Ricardo de Oliveira Silveira 
59,35 
2º – Tijolo e Vidro e outras histórias 
Adelice da Silveira Barros 
55,80 
CATEGORIA POESIA
1º – Poemas não usam soco inglês 
Marcus Vinicius Teixeira Quiroga Pereira 
53,55 
2º – Poemas Famintos 
Valmor Roberto Bordin 
52,63 
CATEGORIA CRÔNICA
1º – Inquilinos do Além 
Adriano Machado Facioli 
49,60 
2º – Anormais são os outros 
Maria Lucia Sauerbronn de Souza 
49,43
Fonte:

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29º Concurso de Poesia Nhô Bento (Finalistas)

Neste sábado 20, a Secretaria de Cultura e Turismo de São Sebastião realiza um grande evento no Centro Cultural “Batuíra”, localizado no bairro de São Francisco, região central da cidade. 
O acontecimento será para a apresentação das 20 poesias finalistas do 29º Concurso de Poesia Nhô Bento. A grande festa de premiação é aberta ao público e tem entrada franca. 
Cada participante deverá apresentar a sua poesia, ou eleger um representante para que leia ao público presente. O evento está previsto para às 20h, no auditório Adélia Barsotti. Serão cinco jurados para escolher as cinco melhores poesias e o melhor intérprete da noite. 
Classificados: 
André Telucazu Kondo (José Cruz) – Outono 
André Telucazu Kondo (José Cruz) – A face do contador de estórias 
Aparecida de Oliveira (Serena Heart) – Importância 
Aparecida de Oliveira (Serena Heart) – Doce Vida 
Ciléia de Carvalho (Lua Nova) – Poeta 
Danielle da Silva Bandeira (Anjinha da Natureza) – As Nuvens 
Francisca Gonzáles (Fênix) – São Sebastião 
Gersoni Maria Cerqueira (Ventania) – Abrir as Porteiras do Mar 
Gersoni Maria Cerqueira (Ventania) – Apontamentos Caiçaras de Agosto 
Inês Ferreira da Silva (Saíra) – O Olho do Girassol 
Jussara G. da Silva (Ju) – Eu perguntei para Deus 
Reinaldo Joaquim de Santana (Nhô Mano) – O Menino de Ontem 
Marcela Ramos Lopes (Violeta) – A Lua 
Mauro José Ramos (José Drummond) – Vida sem Amor 
Maria Emília Barros (Mimi Lunne) – Fases 
Patty Saydel Matsulasli (Ismalia Lya) – Olhos e Segredos 
Patty Saydel Matsulasli (Ismalia Lya) – Simples livre e Demente 
Rodolfo Avramidis Correia (Versili, Emmanuel) – Um Vulto, um vão 
Thaís Matos Pinheiro (Zuraca, Emiliana) – Não Sou 
Thaís Matos Pinheiro (Zuraca, Emiliana) – Pra onde vais, Maria?
Fonte:
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

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3º Concurso de Microcontos de Jundiaí (Resultado Final)

A honestidade exemplar – José Augusto Coppi 
A melancolia que não me deixa nunca – Avelino Aparecido Alves 
A noite é uma criança – Reginaldo Costa Albuquerque 
A última viagem – Neide Maria Gotardo Nallin 
Amizade de pano – Maria Helena Boa Hattor 
As aventuras de Paulo – Odila Biagliolli Cruz 
As pérolas do Rio Tietê – Valdeci Mantovam 
Assalto emocional – Priscila Rodrigues Fernandes 
Assina na cruz – Francisco José Carbonari 
Barbárie – Rodrigo Domit 
Caixa de Música – Rodrigo Domit 
Casa comigo? – Laís Cera de Souza 
Confidências a Ruth – Avelino Aparecido Alves 
Conto (da irmã) do vigário – Maria Celina Tafarelo Atuati 
Conto ou não conto – Sylvia Angelini 
Coquinho o cãozinho – Iracema Camargo Neves Büll 
Corpo-a-corpo – Heldon Vital de Melo 
Descobertas de um menino – José Augusto Coppi 
Dez minutos – Levi Alves Patez 
Dia dos namorados – Laís Cera Souza 
Do pó ao pó – Neide Maria Gotardo Nallin 
Doce canção – Wanderson Ciambroni 
Enumerando o amor – Joel Garcia da Costa 
Férias no campo – Flávio Ferreira Menten 
Ficha limpa – Edweine Loureiro da Silva 
Finalmente, sábia decisão! – Marlene Liveraro Bodelaci 
Gás – Reginaldo Costa Albuquerque 
Interdição – Roque Aloísio Weschenfelder 
Invasão enluarada – Jocely Rodrigues Nadal 
Maldição – Tatiana Alves Soares Caldas 
Moleque Dedé – Levi Alves Patez 
No batente – Geraldo Trombin 
O ar dos monges – Sidney de Souza Breguêdo 
O caderno de Flávio Nulle – Mariana Cera Souza 
O ferroviário – Edweine Loureiro da Silva 
O homem perfeito – Mariana Cera Souza 
O plano de Salomão – José Augusto Coppi 
O pracinha – Luiz Gondim de Araújo Lins 
O que fazer no jantar? – Edileuza Bezerra de Lima Longo 
O único bem – Maria Aparecida S. Coquemala 
O vendedor de pipocas – José Martins 
Olimpíada em casa – Robson Milan 
Para sempre – Laís Cera Souza 
Perdidos – João Pedro L. V. C. Delprá 
Prá mió, é – Denílson Donizete Dulianel 
Quando a vida se esquece de aguém – Edileuza Bezerra de Lima Longo 
Só ebriedade – Arthur Aprígio Faria Júnior 
Sureal – Vera Alves de Oliveira 
Traição – João Pedro L. V. C. Delprá 
Vilarejo misterioso – Jocely Rodrigues Nadal 
O lançamento do livro está previsto para 05 de novembro no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí. 
Fonte:
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

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16° Concurso Literário Mansueto Bernardi (Resultado Final)

CATEGORIA INFANTIL
1° Lugar
Tiago Romanini Menin – Veranópolis-RS
A Doçura Dourada
2° Lugar
Victor Alessio Tomiello – Veranópolis-RS
O Roubo do Troféu do Concurso Mansueto Bernardi
3° Lugar
Isadora Peresin – Veranópolis-RS
O Mistério de Laurem
MENÇÃO HONROSA
Luize Gaggiola Nardi e Glauco Ricardo Fornari – Nova Prata-RS
Rapunzinho
Isabelle Sassi Caio – Bento Gonçalves-RS
Sapo Blá Blá Blá
CATEGORIA JUVENIL
1° Lugar
Isadora Rodrigues Boff – Veranópolis-RS
Idade Média
2° Lugar
Carolina Benazzato – São Paulo-SP
Metalinguagem
3° Lugar
Camily Roncato – Veranópolis-RS
Arma Invisível
MENÇÃO HONROSA
Douglas Lopes Dias – Veranópolis-RS
Vestido Vermelho
Giulia Isadora Cenci- Veranópolis-RS
A Lista
CATEGORIA ADULTA
1° Lugar e Menção Honrosa
Maria das Dores Oliveira – Ipatinga-MG
Intransponível
2° Lugar
Gilmar Caio – Bento Gonçalves-RS
O Dia da Canastra
3° Lugar
Maria Luiza Falcão – Belo Horizonte-MG
Troia
MENÇÃO HONROSA
Maria das Dores Oliveira – Ipatinga-MG
O Seresteiro Vespertino
CATEGORIA MATURIDADE
1° Lugar
Sueli Laurino – São Paulo-SP
O Veneno da Mangueira
2° Lugar
Edileuza Bezerra de Lima Longo – São Paulo-SP
O Que Fazer No Jantar
3° Lugar
Maria Aparecida S. Coquemala – Itararé-SP
Nas Sombras da Noite
MENÇÃO HONROSA

Anna Vera Boff – Veranópolis-RS
Ideias
Fonte:

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Prêmio Literário Teixeira e Sousa 2012 (Vencedores)

A Secretaria de Cultura de Cabo Frio e a Comissão Organizadora do Prêmio Literário Teixeira e Sousa estão divulgando os trabalhos classificados na edição do Prêmio deste ano. No total, foram 132 trabalhos inscritos, a maioria para a categoria Conto, de nível nacional. Foram recebidos trabalhos de vários estados e cidades do Brasil, além da Região dos Lagos. 
A solenidade de premiação será realizada no dia 1° de dezembro, data de aniversário da morte do autor Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa, no Charitas. No anuário deste ano serão publicados os trabalhos vencedores de 2011 e 2012. 
Vencedores: 

CONTO 
1º LUGAR 
Obra : MUDO PRA CABO FRIO 
Pseud.: Conselheiro 
Nome: Rui Trancoso de Abreu 
Cidade: Limeira. SP 
2º LUGAR 
Obra: DIA DE COLHEITA 
Pseud.: M. de Machado 
Nome: Ângelo Pessoa 
Cidade: Cordeiro. RJ 
3° LUGAR 
Obra: CANINA CARNIFICINA 
Pseud.: Mugique 
Nome: Luciano Viegas da Silveira 
Cidade: Recife. PE 
4° LUGAR 
Obra: GÊMEOS 
Pseud.: Midas Magoguear 
Nome: Carlos Henrique Magoga 
Cidade: Santo André. SP 
5º LUGAR 
Obra: UM PIANO E UMA XICARA DE CHÁ 
Pseud.: Kosha 
Nome: Gustavo Fontes Rodrigues 
Cidade: São Paulo. SP 
CRÔNICA 
1º LUGAR 
Obra: MULHER PERCEBIDA 
Pseud.: Eudemim Vivêncio 
Nome: Rafael Alvarenga Gomes 
Cidade: Cabo Frio.RJ 
2º LUGAR 
Obra: OFF PROPOSITAL OU PERDIDO VIRTUAL 
Pseud.: Rita Rodrioli 
Nome: Rita de Cássia Rodrigues Oliveira 
Cidade: São Pedro da Aldeia. RJ 
3° LUGAR 
Obra: CAFÉ NO BULE 
Pseud.: Ruthsal 
Nome: Valdice Ruth de Sousa 
Cidade: São Pedro da Aldeia. RJ 
4° LUGAR 
Obra: O DESESPERO TEM LIVRE ARBÍTRIO 
Pseud.: Bárbara Kitsch 
Nome: Cristiana Silva de Carvalho 
Cidade: São Pedro da Aldeia.RJ 
5º LUGAR 
Obra: ESCURO 
Pseud.: Heitor Navarro 
Nome: Carlos José Tavares Gomes 
Cidade: Cabo Frio.RJ 
POESIA 
1º LUGAR 
Obra: RÉQUIEM PARA UMA DAMA DE BRANCO 
Pseud.: Gecahy 
Nome: Marcos José Macedo Sampaio 
Cidade: Cabo Frio. RJ 
2º LUGAR 
Obra: CARTA 
Pseud.: Américo Vespúcio 
Nome: Flávio Machado 
Cidade: Cabo Frio.RJ 
3° LUGAR 
Obra: POESIA E ESPERANÇA 
Pseud.: J.G. Bellegard 
Nome: Jair Emile Guerra Labelle 
Cidade: Cabo Frio. RJ 
4° LUGAR 
Obra: SECRETAMENTE 
Pseud.: Beija-Flor 
Nome: Célia Maria Rabelo Vidal 
Cidade: Cabo Frio.RJ 
5º LUGAR 
Obra: TEU OLHAR 
Pseud.: Caluca 
Nome: Cleber Willam Antunes de Menezes 
Cidade: Cabo Frio.RJ 
Comissão Avaliadora: 
CATEGORIA POESIA 
Comissão composta pelos professores CARLOS ALBERTO SEPULVEDA, ERALDO MOREIRA MAIA e ELIANE RIBEIRO. Foram selecionados e classificados os cinco melhores trabalhos no gênero poesia. Todos de Cabo Frio. 
CATEGORIA CONTO 
Comissão composta pelas professoras IONE MOURA MOREIRA, MARTHA SIRIMARCO e FERNANDA PEREIRA BARBOSA. Foram selecionados e classificados os cinco melhores trabalhos no gênero conto. Os vencedores são: 03 de São Paulo, 01 de Cordeiro/RJ, e 01 de Recife/PE. 
CATEGORIA CRÔNICA 
Comissão composta pela Jornalista SYLVIA RIBEIRO, pelo cineasta MILTON ALENCAR e pela professora TEREZA RAMALHO. Foram selecionados e classificados os cinco melhores trabalhos no gênero crônica. Os vencedores são: 02 de Cabo Frio/RJ e 03 de São Pedro da Aldeia/RJ.
Fonte:
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

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