Mário A. J. Zamataro (Carrinheiro – Ingenuidade)

Parque Tanguá (Curitiba)

CARRINHEIRO

Lá fora a chuva fina turva a luz
e molha o palco aberto onde se faz 
da hora a velha sina que conduz 
quem olha a rua incerta e o chão voraz. 

Um vulto esconde o rosto em breu capuz 
enquanto a chuva insiste em ser tenaz… 
Avulta em mim desgosto que traduz 
em pranto a chuva triste e pertinaz. 

Estia enfim e o vulto se levanta 
e leva o seu carrinho em contramão 
na via onde um insulto o desencanta 

e faz brotar nos olhos a explosão 
que torna a raiva insana e a dor maior 
na lágrima, na chuva e no suor.

INGENUIDADE 

 Quero ter a minha voz
 pra dizer abertamente
 que uma farsa aperta os nós
 e disfarça impunemente!

 E direi como é feroz,
 como faz tranquilamente
 o papel doce de algoz
 e se crê ser inocente.

 Usa a lei como sofisma,
 tem acordo com a ilusão
 pra fazer cavilação.

 Quer impor sempre o seu prisma
 e não vê nisso maldade,
 deve ser ingenuidade!

Fontes:

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Arquivado em Curitiba, Sonetos

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