José Feldman (Universo de Versos n. 15)


Trova do Paraná

LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE – Pinhalão
Todo filho vem dos pais,
vem o mel da flor silvestre;
não há dor sem dor nos ais
nem discípulo sem mestre.

Trova Lírica/Filosófica

SANTIAGO VASQUES FILHO – Fortaleza/CE
Ante meus olhos tristonhos,
chorando minhas idades,
abro a cortina dos sonhos
num festival de saudades!

Trova Humorística

JOSÉ MACHADO BORGES – Belo Horizonte/MG
Do peixe, como eu dizia,
sem pretensão de iludi-los,
somente a fotografia
pesava mais de oito quilos!

Trova do Feldman

JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR
Como a Gralha Azul que voa
Cultivando o Paraná.
A trova, a terra povoa,
Espalhando o seu maná.

Trova Hispânica

ELENA GUEDE ALONSO – Puerto Rico
¡Cuando en mis pies te dibujo,
merengue dominicano,
te conviertes en embrujo
de mi sentir antillano!

Trova de Portugal

MARIA ALIETE CAVACO PENHA – Faro
Esta vida é um jardim
onde ninguém é capaz,
depois de chegar ao fim
poder voltar para trás…

Trovadores que deixaram Saudades

VERA VARGAS – Curitiba/PR
1922 – 2000

Até nas faces molhadas
da chuva, a injustiça trama:
do rico lava as calçadas,
ao pobre dá frio e lama…

Haicai

CARLOS SEABRA – São Paulo/SP
ave calada —
ninho em silêncio
na madrugada

Poesia
 

PAULO LEMINSKI – Curitiba/PR
Pareça e Desapareça

Parece que foi ontem.
Tudo parecia alguma coisa.
O dia parecia noite.
E o vinho parecia rosas.
Até parecia mentira,
tudo parecia alguma coisa.
O tempo parecia pouco,
e a gente se parecia muito.
A dor, sobretudo,
parecia prazer.
Parecer era tudo
que as coisas sabiam fazer.
O próximo, eu mesmo.
Tão fácil ser semelhante,
quando eu tinha um espelho
pra me servir de exemplo.
Mas vice versa e vide a vida.
Nada se parece com nada.
A fita não coincide
Com a tragédia encenada.
Parece que foi ontem.
O resto, as próprias coisas contem.

Setilha Sobre o Mar

NEZITE ALENCAR – Campos Sales/CE

São verdes mares bravios
os mares que eu vou cantar,
são mares da minha terra,
que é a mesma de Alencar,
onde banhou-se Iracema,
que é a virgem do poema,
encanto do meu lugar.

Trova Ecológica
 

Moirão Voltado
 

Gênero relativamente novo, com estrofe de treze versos de sete sílabas, em que os preliantes vão se alternando até a oitava linha, para, em seguida, unirem suas vozes, como em coro, neste estribilho:

     Isso é que é Mourão voltado,
     Isso é que é voltar Mourão!

Em seguida, repetem a oitava linha com o estribilho acima. (http://www.bahai.org.br/cordel/generos.html) Para melhor compreensão, imaginemos os cantadores A e B:

     A. Tudo, neste mundo, volta.
     B. Com você, combino eu!
     A. Volta o rico e o plebeu;
     B. Volta quem prende e quem solta …
     A. Volta a paz e a revolta;
     B. Volta o sim e volta o não!
     A. Volta até Napoleão
     B. Que há tempo está sepultado…
     A/B Isso é que é Mourão voltado,
     Isso  é que é voltar Mourão!
     Que há tempo está sepultado…
     Isso é que é Mourão voltado,
     Isso é que é voltar Mourão!

Soneto

RUBENIO MARCELO – Campo Grande/MS
A Cruz de Um Adeus

 
Já é madrugada. Eu estou pela rua…
Na trilha dourada dos olhos da lua.
No meu desvario, na minha tristeza,
Ainda aprecio os dons da Natureza.

E assim, sem destino, tal qual vaga-lume,
Aos entes sagrados faço meus queixumes.
Ao longe, o clarão dos astros em prumo…
E o meu coração errante, sem rumo.

A brisa vadia soprando com jeito…
E uma agonia tomando meu peito.
Estrelas cadentes brincando no céu…

E eu, decadente, pervagando ao léu.
Cometas pulsando pertinho de Deus…
E eu carregando a tal cruz de um adeus!

Poesia de Longe

SEBASTIÃO ALBA – Braga/Portugal
1940 – 2000
Ninguém, Meu Amor

Ninguém, meu amor
 ninguém como nós conhece o sol
 Podem utilizá-lo nos espelhos
 apagar com ele
 os barcos de papel dos nossos lagos
 podem obrigá-lo a parar
 à entrada das casas mais baixas
 podem ainda fazer
 com que a noite gravite
 hoje do mesmo lado
 Mas ninguém meu amor
 ninguém como nós conhece o sol
 Até que o sol degole
 o horizonte em que um a um
 nos deitam
 vendando-nos os olhos.

Galope a Beira-Mar

José Limeira (Poeta do Absurdo) – Teixeira/PB
1886 – 1954

Alcunhado de poeta do absurdo pelas suas construções poéticas verborrágicas e pelos neologismos mais esdrúxulos como pilogamia, filanlumia e filosomia, este paraibano de Teixeira cultivou um surrealismo assertanejado e altamente psicodélico. (http://culturanordestina.blogspot.com.br)

Conheço, demais, o rio Paraíba,
     Que nasce sozinho, lá dentro da praia!
     Parece um cambito de pau de “cangaia”,
     As suas enchentes têm mel de tubiba;
     Na frente, recebe o rio Furiba,
     E passa correndo pra Madagascar;
     Alaga Recife, demora em Dacar,
     No tempo de inverno é seco demais:
     Foi quando “Oliveiro” enfrentou Ferrabrás,
     Que luta pai-d’égua na beira do mar!

Trova Popular

A árvore do amor se planta
no centro do coração;
só a pode derrubar
o golpe da ingratidão.

Poesia em Música

CASTRO ALVES – BA (letra) e SALVADOR FÁBREGAS – RJ (música)
O Gondoleiro do Amor (valsa-canção, 1866)

A paixão concreta e ardente pela atriz portuguesa Eugênia Câmara influenciou o poeta Castro Alves em sua visão poética do amor. Essa visão pode ser classificada não só como sentimental, mas também como sensual, entendida como uma poesia que apela aos sentidos (sensorial). É desse período o poema O Gondoleiro do Amor, em que a descrição da amada é carregada de uma sensualidade sem precedentes no Romantismo brasileiro.

Inspirado por Eugênia, Castro Alves escreveu seus mais belos poemas de esperança, euforia, desespero e saudade, como É Tarde. Pela primeira vez, a poesia é motivada pela paixão e pelo envolvimento amoroso, e a dor não se traduz em lamentos e queixas. Seu sentimentalismo amoroso é maduro, adulto e se realiza em sua plenitude carnal e emocional. (Site Cifrantiga)

Teus olhos são negros, negros, como as noites sem luar…
São ardentes, são profundos, como o negrume do mar…
Sobre o barco dos amores, da vida boiando à flor,
doiram teus olhos a fronte do Gondoleiro do amor…

Tua voz é a cavatina dos palácios do Sorrento.
Quando a praia beija a vaga, quando a vaga beija o vento.
E como em noites de Itália, ama um canto o pescador
Bebe a harmonia em teus cantos o Gondoleiro do Amor.

Teu amor na treva é um astro, no silêncio, uma canção
É brisa nas calmarias, é abrigo no tufão
Por isso eu te amo, querida, quer no prazer, quer na dor.
Rosa! Canto! Sombra! Estrela! Do Gondoleiro do Amor.

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