José Feldman (Universo de Versos n. 19)

Uma Trova do Paraná

MANUEL MARIA – Ponta Grossa
Quem está morto, está morto,
só a lembrança é que persiste.
Não há tristeza no porto,
minha saudade que é triste.

Uma Trova Lírica/Filosófica de Vitória/ES

HUMBERTO DEL MAESTRO
Meus versos, extraio d’alma,
numa ternura de prece,
basta que os leiam com calma
que a devoção aparece.

Uma Trova Humorística do Rio de Janeiro/RJ

RENATO ALVES
Quando a feia se “embeleza”,
mas o resultado é trágico,
diz o espelho, que se preza:
– Ela pensa que sou mágico!…

Uma Trova do Feldman
 

JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR
Nos meus tempos de criança,
brincadeiras sem cansar… 
Foi-se o tempo da balança,
dos castelos feitos no ar!

Uma Trova Hispânica de Merida/Venezuela

HILDEBRANDO RODRIGUEZ
Se supera y se redime
quien siempre da su sonrisa
con el encanto sublime,
que tiene la Mona Lisa.

Uma Quadra Popular Portuguesa
 
Chamaste-me pera parda,
pera parda quero ser;
lá virá o mês de agosto,
em que me queiras comer.

Trovadores que deixaram Saudades

JOSÉ AUGUSTO RITTES – São Vicente/SP
1914-2009

Contemplo, à luz da saudade,
 a meia cama vazia…
 Outrora, nessa metade,
 meu mundo inteiro cabia.

Um Haicai de Maringá/PR

JOSÉ FELDMAN
Amor

Suspira o corvo,
Evoca rios de ternura
Musgo do amanhã

Uma Poesia de São Paulo/SP

OSWALD DE ANDRADE
1890 – 1954
Escapulário

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
de Cada Dia

Uma Décima de Fortaleza/CE

FRANCISCO JOSÉ PESSOA
Palhaço

A décima heptassilábica é uma estrofe poética que possui dez versos de sete sílabas diversamente rimados conforme a tradição e a escolha de cada poeta. Tradicionalmente, as rimas na décima heptassilábica, ou seja, na décima com redondilhas menores, podem estar na ordem ABBABCDDCD como no caso acima, mas tendem a variar também para ABAABCDDCD e outras formas. Também num sentido clássico, a décima heptassilábica tende a ter dois momentos principais em cada estrofe. (Wikipedia)

A vida se nos faz meros palhaços…
sorriso solto num choro prendido,
querer que é dado nunca agradecido
saltar ao vento sem pisar os passos.
Tragar o fumo dos prazeres baços
embebedar-se tanto pra esquecer,
sentir-se ser alguem, mesmo sem ser,
no picadeiro, o aplauso, a falsa glória,
imagem tão real quanto ilusória
pranto da morte rindo pra viver!

Uma Trova Ecológica

 
Uma Poesia de Gonhame, Quelimane/Moçambique/África

HELIODORO BAPTISTA
Como um cão

 
Como um cão curvo-me
e procuro ler nas marcas
que a noite não pôde
recolher o tempo.

Anima-me a superfície fabulária
onde o olhar do dia revolve
o que foi alvoroço vida
ou sinal ténue.

Detenho-me na pegada junto à cama
e a mão precavida incha a memo’ria
nenhuma sensação acende
o que já está perdido.

(Perdidos os meus passos? A minha voz?
é assim tão terrível o amor ao homem?
a justiça foi calcinada em que ritual?)

Pouso então devagarinho
o ouvido na parede húmida
e eis que uma sombra volta-se
num largo aceno de simpatia.

Na paz indizível sopra
a fina aragem desanoitecida
a leve impressão
de um cochichar
uma porta entreaberta
onde pulsa uma esperança.

(Ontem já foi passado e o minuto que vem já é futuro).

O Universo de Leminski
 

PAULO LEMINSKI
Curitiba (1944 – 1989)
Poetas Velhos

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.

Gemedeira

JOSÉ SOARES DO NASCIMENTO

Com a supressão de “ui! ui!”, teremos o sexto verso com duas sílabas, conforme estrofe de José Soares do Nascimento (http://www.bahai.org.br/cordel/generos.html):

Sem querer tirar nem pôr,
Você chora e eu também!
Como nos falta dinheiro,
Tira-se, aqui, de quem tem!
Choro de Cantador liso…
Ai! ai!
Não se oculta de ninguém!

Um Soneto de Curitiba / PR

HELENA KOLODY
1912 – 2004
Sonhar

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.

Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante Paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.

É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar constantemente o olhar ao céu profundo.

Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.

Uma Poesia de Longe

GEORG TRAKL – Salzburgo/Áustria
1887 – 1914
Canções do Rosário

À Irmã

Para onde vais será outono e tarde,
Veado azul que sob árvores soa,
Solitário lago na tarde.

Baixo o vôo dos pássaros soa,
Sobre teus olhos a melancolia dos arcos,
Teu leve sorriso soa.

Das tuas pálpebras Deus fez arcos.
Estrelas procuram à noite, filha de sexta-feira santa,
Na tua fronte, os arcos.
(tradução: Cláudia Cavalcante)

Uma Trova Popular

Eu amante e tu amante,
qual de nós será mais firme?
Eu como o sol a buscar-te,
tu como a sombra a fugir-me?

Uma Poesia em Música

ANÔNIMO
Casinha Pequenina (Folclore Popular) (1906)

A modinha, o gênero mais lírico e sentimental de nosso cancioneiro, é também o mais antigo, existindo desde o século XVIII. E entre todas as modinhas surgidas nesse longo espaço de tempo, nenhuma seria tão cantada e gravada como a “Casinha Pequenina”.

Lançada em disco por Mário Pinheiro em 1906, teria dezenas de gravações figurando no repertório dos mais variados intérpretes, de Bidu Sayão e Beniamino Gigli a Cascatinha e Inhana, de Sílvio Caldas e Nara Leão aos maestros Radamés Gnattali, Lírio Panicali e Rogério Duprat.
Atribuída a autor desconhecido, a “Casinha Pequenina” teve a origem pesquisada pelo musicólogo Vicente Sales, que acredita ser seu criador o paraense Bernardino Belém de Souza. Carteiro e pianista, Bernardino tocou durante algum tempo em navios que faziam a linha Rio-Manaus, aproveitando as viagens para divulgar suas composições no sul do país. Outra autoria possível, mas não comprovada, seria a dos atores Leopoldo Fróes e Pedro Augusto. Segundo Íris Fróes, biógrafa do primeiro, Leopoldo teria recebido de Pedro a letra da “Casinha Pequenina” pronta, e composto a melodia em 1902. A verdade é que nenhum deles jamais reivindicou a paternidade da canção, apesar do sucesso. (Cifrantiga)

Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu
Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu

Tinha um coqueiro do lado
Que coitado de saudade já morreu
Tinha um coqueiro do lado
Que coitado de saudade já morreu

Tu não te lembras das juras e perjuras
Que fizeste com fervor
Tu não te lembras das juras e perjuras
Que fizeste com fervor

Do teu beijo demorado prolongado
Que selou o nosso amor
Do teu beijo demorado prolongado
Que selou o nosso amor

Tu não te lembras do olhar que a meu pesar
Dou-te o adeus da despedida
Tu não te lembras do olhar que a meu pesar
Dou-te o adeus da despedida

Eu ficava tu partias tu sorrias
E eu chorei por toda a vida
Eu ficava tu partias tu sorrias
E eu chorei por toda a vida

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Universo de Versos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s