José Feldman (Universo de Versos n. 21)

Uma Trova do Paraná

OLGA AGULHON – Maringá
Aquele “sim” que ele disse,
na igreja, diante do altar,
não suportou a velhice,
que enrugou o nosso olhar.

Uma Trova Lírica/Filosófica de Ribeirão Preto/SP

NILTON MANOEL
Cavalgando sem rodeios
por galáxias estreladas,
o poeta em seus anseios
tece trovas requintadas.

Uma Trova Humorística de Belo Horizonte/MG
 
ARLINDO TADEU HAGEN
– Casamento é mesmo o fim!
diz ela, no seu enfado.
– Quem suspirava por mim
agora ronca ao meu lado!

Uma Trova do Feldman

JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR
Tanta gente só, num canto,
perdida no desamor
a resguardar tanto encanto
no coração sofredor!

Uma Trova Hispânica de Huaral/Perú
 
PAÚL TORRES
Como el sol de cada aurora,
reluciente en mis praderas,
irradiando luz que dora
son tus ojos dos esferas.

Uma Quadra Popular Portuguesa

Sei que pareço um ladrão…
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.

Trovadores que deixaram Saudades

MARITA FRANÇA – Curitiba/PR
1915 – 2009

A poesia, inspiração,
fulge na alegria e dor…
São toques do coração,
que nos empolgam no amor.

Um Haicai de Niterói/RJ
 

LYAD DE ALMEIDA
1922 – 2000

Favela. A lua
faz das latas dos barracos
finas pratarias.

O Universo de Leminski

PAULO LEMINSKI
Curitiba (1944 – 1989)

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela.
E toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

Uma Poesia do Rio de Janeiro/RJ

AMAURY NICOLINI
Como um Filme

Quer assistir a um filme
cheio de emoção,
como há muito não se vê ?
É só olhar
dentro do meu coração
e aplaudir a interpretação
magistral e singular
de toda essa saudade de você.

Uma Setilha de Natal/RN
 
PROF. GARCIA

Há gestos que nunca faço,
porque não posso fazê-los.
Mas abraçar os amigos
mesmo à distância, sem vê-los,
isto me dá o direito
de guardá-los no meu peito
pra nunca mais esquecê-los.

Uma Trova Ecológica

 
Uma Poesia de Benguela/Angola

ALDA LARA
1930 – 1962

As Belas Meninas Pardas

As belas meninas pardas
são belas como as demais.
Iguais por serem meninas,
pardas por serem iguais.

Olham com olhos no chão.
Falam com falas macias.
Não são alegres nem tristes.
São apenas como são
todos dos dias.

E as belas meninas pardas,
estudam muito, muitos anos.
Só estudam muito. Mais nada.
Que o resto, trás desenganos

Sabem muito escolarmente.
Sabem pouco humanamente.

Nos passeios de domingo,
andam sempre bem trabajadas.
Direitinhas. Aprumdas.
Não conhecem o sabor que tem uma gargalhada
(Parece mal rir na rua!…)

E nunca viram a lua,
debruçada sobre o rio,
às duas da madrugada.

Sabem muito escolarmente.
Sabem pouco humanamente.

E desejam, sobretudo, um casamento decente…

O mais, são histórias perdidas…
Pois que importam outras vidas?…
outras raças?… , outros mundo?…
que importam outras meninas,
felizes, ou desgraçadas?!…

As belas meninas pardas,
dão boas mães de família,
e merecem ser estimadas…

Um Gabinete de São José do Egito/PE
 

OTACÍLIO BATISTA
1923 – 2003

Gabinete é um gênero que foi muito apreciado pelo imortal cego Aderaldo, porém de pouco uso atualmente. É cantado em versos de sete sílabas, sem número de linhas determinado, e com estribilhos nas linhas: sete, oito, nove, dez e nas duas últimas. (http://www.bahai.org.br/cordel/generos.html). Otacílio Batista exemplifica:

     O povo deseja ouvir
     Um Gabinete bonito;
     Poeta, só acredito
     Se você não me mentir.
     Trate de se prevenir
     Para poder cantar bem
     Eu comprei um cartão
     Para viajar no trem:
     Sem cartão ninguém vai,
     Sem cartão ninguém vem!
     Vai e vem, vem e vai,
     Vem e vai, vai e vem.
     Quem não tem o que eu tenho,
     Morre danado e não tem!
     Quem estiver com inveja,
     Se esforce e faça também …
     Cavalo bom é ginete;
     Quem não canta Gabinete,
     Não é cantor pra ninguém!

Um Soneto de Uberlândia/MG

RAQUEL ORDONES
O oito


Duas bolinhas e grudadinhas
Configuram lentes se desejar
E se põe rabo e as orelhinhas
Tem-se o gatinho; falta o miar!

Duas bolinhas, igual dimensão
Mesmas medidas, e similares.
Simbolizam a justiça; a retidão
Esquematiza-se nelas, olhares!

Duas bolinhas formam o oito
Pequeno nome, mata a fome
Duas bolinhas é um biscoito!

Duas bolinhas, borne bonito
É sem limites abrem sem fim
O oito deitadinho é o infinito.

Uma Poesia de Longe
 

LAWRENCE FERLINGHETTI – Yonkers, New York, EUA
15

Correndo risco constante
de absurdo e morte
toda vez que atua em cima
das cabeças da audiência
o poeta sobe pela rima
como um acrobata
para a corda elevada que ele inventa
e equilibrado nos olhares acesos
sobre um mar de rostos
abre em seus passos uma via
para o outro lado do dia
fazendo além de entrechats
truques variados com os pés
e gestos teatrais da pesada
tudo sem jamais tomar uma
coisa qualquer
pelo que ela possa não ser
Pois ele é o super-realista
que tem de forçosamente notar
a verdade tensa
antes de ensaiar um passo ou postura
no seu avanço pressuposto
para o poleiro ainda mais alto
onde com gravidade a Beleza
espera para dar
seu salto mortal

E ele um pequeno
homem chapliniano
que poderá ou não pegar
aquela forma eterna e bela
projetada no ar
vazio da existência

 trad. Leonardo Fróes
 
Uma Sextilha de Nova Friburgo/RJ

ELISABETH SOUZA CRUZ

A vida, podemos crer,
é um eterno aprendizado
na busca da evolução…
Nosso destino é traçado
e tendo o amor por farol,
o caminho é iluminado!

Uma Trova Popular
 
Esta noite dormi fora,
na porta do meu amor;
deu vento na roseira
me cobriu todo de flor.

Uma Poesia em Música

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE (versos) e ANACLETO DE MEDEIROS (melodia)
Três estrelinhas (O que tu és)
(polca, 1906)

Catulo dedicou esta letra ao escritor Freire de Brito.

Se um riso vem
Teus lábios colorir de alvo rubor
As almas a teus pés
Vêm prosternar-se com ardor
A luz transluz nos céus
Nos céus dos olhos teus
Saudosos como o luar
No mar a cintilar

Tua alma cheira mais
Que um alvo jasmineiro todo em flor
Onde tu passas fica um aroma a soluçar
Tu és de Deus a obra-prima
Não tens par!
És uma rima singular

Tu és a pérola ideal
Que o mar gerou
Tu és a flor mais aromal
Que Deus sonhou
A mais plangente e meiga lira sons não tira
Como as notas desse teu falar

Teus seios têm o sacro
E doce aroma de um missal
Teus lábios têm a eterna
Sensação da extrema-unção
Tu fazes sem pensar os astros palpitar
Tu fazes sem querer as almas padecer

Tuas tranças cheiram mais
Que as rosas trescalantes de um rosal ;
Que a madrugada vem de orvalho perolar
És uma flor da fonte à margem
De cristal
És um poema divinal!

És a mais sonora estrofe do Senhor
És a irradiação mais branca do luar
És a luz solar
Um hino sideral!
Nos olhos tens os raios
De uma estrela vesperal

Nos lábios tens a graça
Inebriante de hidromel
Da imagem do perdão
Tu és a cópia mais fiel
Tu és um coração de orvalho lá do céu
Que um anjo a chorar verteu
(Cifrantiga)

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