Vocabulário de termos e expressões regionais e populares do Centro Oeste (Mato Grosso e Goiás) C, D e E

CABANO — Bovino de chifres inclinados para baixo.

CABRITO — Homem de côr parda; mulato.

CACHAÇO — Porco reprodutor; varão.

CADIQUINHO — Um pouquinho; um bocadinho.

CAITITU — Porco do mato, menor que o queixada e que eriça o pêlo quando enraivecido.

CALABOUÇO — Poço de monjolo, onde cai a água que se escoa do cocho.

CALHAU — Pedregulho grande.

CAMARADA — Assalariado: jornaleiro de serviço rural; guia de viagem; auxiliar de tropa.

CAMBÃO — Tirante que vai da canga ao cabeçalho da mesa do carro de bois; leva de madeira. Diz-se que a mulher pulou o cambão: praticou adultério.

CANDANGO — Trabalhador deslocado. Em Brasília a expressão é extensível a todos os assalariados. Antigamente os africanos designavam assim os portugueses.

CANDIEIRO — Aquele que guia os bois do carro; vai sempre com uma vara às costas, mas não chucha. O carreiro é o que segue a boiada do carro, ao lado e chuça.

CANELA-DE-EMA — Planta de tronco pilroso, característica dos altos chapadões. O caule sustenta o fogo aceso e é muito útil nas estivas de estradas. Predomina nas cercanias de Brasília. Com o caule, faz-se uma brocha para caiação de casa.

CANGA — Peça de madeira que vai aos pescoços dos bois. É pela canga que se faz a tração do carro.

CANGUÇU — A maior onça brasileira. Pintada.

CANZIL — Fueiro que enfia na canga, dois para cada boi, ao pescoço. Dança de macho com macho.

CAPA (pop.) — Cápsula medicamentosa.

CAPANGUEIRO — Comprador de diamante nos garimpos.

CARCUNDA, CACUNDA — Costas, dorso do corpo humano.

CARGA-DE-FUMO — Dois rolos de fumo que se conduz um de cada lado do animal. O fumo enrolado mede 32 metros de comprimento. Meia carga: um rolo com 16 metros.

CARMO DA BAGAGEM — Cidade mineira famosa pelas pedras de grande valor, encontradas nos seus garimpos. O seu nome atual é Estrela do Sul. Foi lá que encontraram o diamante Getúlio Vargas.

CATA — Abertura no solo para pronta do garimpar.

CATANA — Parte do jacaré que fica entre rabo e o corpo; é a melhor porção para se comer.

CATINGUEIRO — Capim melado, capim gordura; veado da catinga (mato baixo e seco).

CATIRA — Cateretê; dança de roceiros.

CHAMPRÃO (corrupt.) — Prancha, pranchão.

CHIFRAINA — Depreciativo, reles banda de música da roça.

CINCHA — Correia ‘com que se afirma a cangalha e a carga ao corpo do animal.

CINCHAR — Apertar a chincha.

CHUPE — Abelha agressiva, que constrói grandes colmeias em troncos de árvores altas, etc.

CIGARRO DE CORDA — Cigarro de palha de milho e fumo de rolo.

CIPÓ — Faca fina e comprida.

COCA — Galinha-de-angola.

COIVARA — Amontoado de paus e galhadas, no roçado, não queimados.

COIVARAR — Juntar galhos e madeiras não queimadas, na roça, para nova queima.

COMETA — Mascate ou viajante, carregando consigo amostras ou mesmo mercadorias. Os cometas eram famosos. Levavam uma boa tropa, inclusive a madrinha, que puxava a tropa e era sempre ou uma besta muito boa ou uma . eguinha branca, muito bonitinha. Trazia os cincerros e mais enfeites guardados e tirava-os perto do comércio. A madrinha era enfeitada, cheia de sedas, reluzentes cincerros, penacho na cabeça e muita pompa. O cometa enchia o balcão do comerciante de tudo quanto era amostra. O comerciante antigo do interior não comprava por conversa. Queria ver e palpar o artigo para mandar vir tantos metros disto, tantas enxadas, tantas foices e machados, tantos pares de sapatos, enfim, de tudo.

CORNIMBOQUE — Binga de isqueiro, feito de ponta de chifre.

CORÓ — Verme; larva que se desenvolve em madeira podre.

CORRUMAÇA — Carga de doenças venéreas. “O libertino apanhou uma corrumaca…”

CORRUTELA — Aldeiamento provisório de garimpeiros.

COXINILHO — Tecido peludo de lã ou algodão que se coloca sobre o arreio do animal ou na boléia dos carros.

CUERA (é) — Ruim, ordinário

CURUMI — Menino índio.

D

DE GRITO — Expressão usada pelos sertanejos para indicar distância perto. Eles usam espichar o beiço inferior e dizer: “é ali mesmo; é bem ali…” (vai andar pra ver).

DERRADEIRO — Último. Expressão muito usada. “Chegou por derradeiro…”

DESENFURNAR — Pôr para fora; desentocar; tirar da furna (os cachorros desenfurnaram a onça).

DESGUARITAR — Desgarrar; arribar; fugir.

DESMASELO (pop.) — Alfinete de pressão.

DILATAR — Demorar.

DIVINO PAI ETERNO — Interjeição em Goiás. É o “meu Deus” dos goianos.

DOCE — Açúcar.

E

EITO — Tarefa de serviço rural: eito de capina, de roçado etc.

EMBURRADO — Calhau enorme: bloco de pedra que contém minério.

EMPACHAR — Constipar; ter endurecimento do ventre…

EMPACHO — Prisão de ventre; dureza de intestinos; comida parada no estômago…

EMPATAR — Atrapalhar; estorvar… “Não desejo empatar os seus negócios…”

EMPREITEIRO — Palavra de cangaço que significa aquele que pega um “serviço” ou um “trabalho” para fazer.
Dizem que certa vez um fazendeiro se indispôs com um seu vizinho que lhe havia soltado o gado na roça. Este, no auge da raiva, procurou um “empreiteiro” para matar o tal vizinho. Ofereceu–lhe quatro contos de réis mais uma mula muito boa e ainda uma carabina não menos boa. Este assassino profissional residia na cidade. Ficou assentado o “serviço” para o dia tal. Na noite, véspera do crime, o fazendeiro fêz um exame de consciência e não pôde. dormir. Arrependeu-se do negócio, pois ele não era disso. Madrugou na casa do “empreiteiro”. A mulher disse que ele estava na igreja. O fazendeiro alegrou-se com aquilo e dirigiu-se para lá. Entrou. O homem lá estava ajoelhado. O fazendeiro acercou-se cauteloso: — Ainda bem que o encontrei. Vim lhe dizer que pode ficar com os quatro contos, com a besta e a carabina, conquanto que não conte a ninguém, mas o “serviço” não quero mais não. Que fica para outra ocasião. Matar um homem por tão pouco não convém, não assenta em mim. — Tarde demais, meu coronel: um “trabalhador” como eu, “faz o “serviço” é bem cedo: já estou aqui de velho, rezando pela alma do finado…

ENCAFUAR — Esconder; guardar.

ENCOIVARAR — O mesmo que coivarar.

ENTOJADO — Pretensioso, enfatuado.

ENTOJAR-SE — Enf atuar-se; tornar-se soberbo; ter mania de superioridade.

ERADO — Adulto; “Boi erado”.

ESCANCHELADO — Relaxado; Desmontado.

ESCARAFUNCHAR — Procurar com reboliço, remexer objetos; não deixar lugar algum sem busca.

ESCORVAR — Pôr um tico de pólvora no ouvido da arma.

ESPINHELO — Espinel: uma corda que atravessa o rio com várias pindas. Há espinel com mais de duzentos anzóis.

ESTAFERMO: Bobo; Sujeito maltrapilho.

ESTALEIRO — Latada; estaleiro para chuchus, parreira; etc.

ESTIVA — Secagem de um atoleiro por meio de paus, bagaços e saibro.

ESTIVAR — Secar uma passagem pantanosa.

ESTORVO — Impedimento. Estorvar; impedir; atrapalhar.

ESTRADA REAL — Estrada principal.

ESTRUDIA (corrup) — no outro dia.

ESTUGAR — Mandar para a frente (animais).

ESTUMAR — Atiçar. “Estumar o cão”.

ESTUQUE (pop.) Forro de casa (em geral).

ESTÚRDIO — Extravagante; esquisito; tonto.

ESTURRAR — Urro da onça pintada, canguçu. A pintada não só esturra como dá grandes estalos com as orelhas, parecendo a quebra de um pequeno galho seco; depois dá outro; no terceiro, já está em cima da presa.

ÊTA! — Exclamação que indica admiração; muito comum em Goiás.

Fonte:
Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Seleção de Regina Lacerda. . Ed. Literat. 1962

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