Vocabulário de termos e expressões regionais e populares do Centro Oeste (Mato Grosso e Goiás) L, M, N, O e P

L
 
LÁ-EM-BAIXO — Centro civilizado.

LAMEIRÃO — Grande lamaçal.

LAMEIRO — Lamaçal.

LÉGUA — Seis quilômetros.

LENCAR — Negar fogo (tiro) .

LEVA — Cambão ou vigota de madeira, para transportar peso.

LINHA-LARGA — Uma puída grande, que vai até o leito do rio.

M

 
MACACOA — Doença crônica, que não obriga a guardar o leito. “Macacoas da velhice…”

MACAIA — Fumo de péssima qualidade.

MACUTENA — Leproso; morfético. A macutena: a lepra. O macuíena: o leproso.

MALHADOR — Amassado no pasto ou no mato, por animais. As antas e as capivaras também fazem malhador no barro das margens dos rios.

MAMPARRA — Perda de tempo; morosidade; moleza de ação.

MAMPARREAR — Perder tempo; agir morosamente.

MANDAÇAIA — Abelha mansa, cujo mel é muito saboroso.

MANDOROVÁ — Lagarta de fogo, larva.

MANÉ-POR-HORA — Sempre a mesma música.

MANINHO — Sáfaro, ruim, emaranhado: “terreno maninho …”

MANTENA — Grande.

MARIQUINHA — Trempe de paus em que se dependuram as panelas, em viagem, para o serviço culinário; mariquita.

MARROÁ — Touro, reprodutor de gado creolo.

MARTELO — Copo grosso para dose de bebidas, principalmente a cachaça.

MATAIME — Trempe de paus e folhas, para desviar a correnteza de um rio.

MATAR-O-BICHO — Tomar um aperitivo.

MATRINCHÃ — Peixe de carne muito apreciada, nas vertentes do rio Araguaia.

MATUNGO — Cavalo velho, sendeiro.

MEIAPATIA (corrup.) — homeopatia.

MEIA-PRAÇA — Garimpeiro a serviço de um patrão, com direito à metade do que apurar.

MELÊTE — Tamanduá-mirim.

MEMÓRIA — Anel, aliança.

MEZINHA — Remédio caseiro.

MILITANDO — Operando, trabalhando.

MINADOR — Manancial; fonte; olho d’água.

MOFINO — Raquítico; fraco; adoentado.

MOJAR, MOJANDO — Estar prenhe (o animal): “a vaca está mojando”.

MURICI — Pequeno arbusto de frutos amarelos, cheirosos e bons para temperar pinga.

MURIÇOCA — Mosquito zumbidor, noturno, sanguessuga; pernilongo.

MUTIRÃO — Reunião sertaneja para um serviço, principalmente para limpa de roça ou colheita ao qual segue uma festa. Este serviço não é remunerado.

MUTRECO (ê) — Tipo-á-toa, estúpido, desprezível.

MUXIBA — Avarento, econômico em excesso.

N

NAMBI — Animal de orelha caída.

O

OBRIGAÇÃO — Família. Como vai a obrigação? (como vai a família?)

P

PAÇOCA — Farnel de carne seca e farinha, socados em pilão.

PACUERA — Fígado.

PAMPEIRO — Alvoroço, briga com algazarra; forte altercação.

PANEMA — Macaca; azar.

PAPO AMARELO — Carabina. Há também uma espécie de jacaré com este nome.

PASSARINHADOR — Diz-se do animal que, em viagem, se assusta de repente, com ou sem motivo, pondo em perigo de queda o cavaleiro inexperiente.

PASSARINHAR — Mesquinhar; espantar; assustar. Animal que passarinha não é bom para se viajar.

PASSARINHEIRO — O mesmo que passarinhador.

PAULA SOUSA — Caroço de chumbo grande para carregar arma de fogo.

PÉ-DE-BODE — Sanfona de oito baixos.

PÉ-DE-BOI — Pessoa muito trabalhadora.

PEDRÊS — Animal chumba-dinho de branco e preto.

PELAMONIA (corrupt.) — Pneumonia.

PÊLO-DE-RATO — Animal de pouco pêlo e côr acinzentada.

PEQUI — Planta da família das cariocaráceas que dá fruto amarelo e extremamente cheiroso, contendo, além polpa carnuda. A pequi vem quase sempre geminado em forma de rins, cujo envólucro é redondo, de côr verde e do tamanho de uma laranja. O licor do pequi, de Mato Grosso, é exportado.

PERRENGAR — Viver adoentado, enfraquecido; fazer algo com preguiça.

PERRENGUE — Adoentado, convalescente, enfraquecido.

PICÁPAU — Espingarda de carregar pela boca; fulminante; chumbeira; o mesmo que laza-rina do norte, porém, mais curta.

PICUÁ — Recipiente feito da ponta do chifre onde os garimpeiros guardam diamante.

PINCHAR — Jogar fora; atirar, arremessar para longe.

PINDA — Linha com anzol dependurado de um galho, dentro do rio.

PINGUELO — Gatilho.

PINOTEOU — Deu pinote: ficou de pé (animal); saltar; empinar.

PINTADA — Onça canguçu, a maior da América Latina.

PIPOCA — Biscoito mineiro, de grande crescimento, feito de polvilho.

PIRAMBEIRA — Descida a pique para um precipício.

PITUCA — Coque de cabeleira da mulher.

PIXUÁ — Fumo bom em camadas de folhas prensadas e não enroladas e torcidas como no fumo de rolo ou de corda.

PIXUÁ — Rolête de folhas de fumo maduro, não seco nem curtido, para cigarros de palha.

POJADURA — Saída fácil e abundante do leite.

POJAR — Mamar satisfeito: “os leitões estão pojando, contentes …”

PRECÀNCHO (corrupt.) — percalços.

PRIMEIRA ÁGUA — Terreno de primeira água é terreno de legítima cultura.

Fonte:
Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Seleção de Regina Lacerda. . Ed. Literat. 1962

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