Eliana Ruiz Jimenez (Caderno de Trovas)

Abra a porta, deixe a luz
resgatar seu coração.
Vá sem medo, faça jus
a viver nova paixão.

A caridade amplifica
o sentimento cristão,
que tão bem se multiplica
quando é feita a divisão.

Aceita a missão, labora,
que o bom exemplo propala:
não basta erguer uma tora,
é preciso carregá-la.

Acorda cedo o labor
da mãe que põe o café
na mesa do puro amor
e enlaça a família em fé.

Agir certo não tem custo,
sendo a igualdade premissa;
dar sempre ao justo o que é justo:
é assim que se faz justiça!

A prudência é uma balança
que equilibra a nossa vida
ao dosar, com temperança,
a tentação desmedida.

A saudade mais sentida
vem do tempo de estudante:
a melhor fase da vida,
que passa num breve instante.

Bem no alto, aqui estou;
neste ápice, a conquista.
Mas de nada adiantou:
tu não estavas à vista…

Bem-viver não se aposenta,
mostra o mar essa verdade:
casal na faixa dos “enta”
surfa a vida e dribla a idade.

Cada qual com seu quinhão
de tristeza ou de alegria;
bem viver é aceitação
da jornada, a cada dia.

Cai de tapa a Januária
no traste do maridão,
ao saber que a funcionária
ficou “gorda” de um serão.

Caminhar é minha sina,
em campo ou desfiladeiro,
nesta busca peregrina
por um amor verdadeiro.

Chave de casa perdida
por defeito da memória:
– Terceira idade assumida,
já não há escapatória.

Chega ao fim nossa jornada
em cruel bifurcação.
Vou seguir em outra estrada,
deixo aqui meu coração.

Cheiro de terra molhada
é convite à nostalgia
de minha infância encantada
onde morava a alegria.

Como é que pode, hoje em dia,
um homem achar prazer
na farra da covardia
que é ver um boi padecer…

Criança muito levada,
que corre, chuta e sacode…
Que disciplina, que nada:
– Casa da vó tudo pode!

Da janela do avião
aos receios dei um fim;
Deus está na imensidão
e também dentro de mim.

De nossa firme aliança
depende a preservação
do mundo, que é nossa herança,
à próxima geração.

Desfazendo a natureza,
vai o homem construtor
desconstruindo a certeza
de um futuro promissor.

Deu-me as asas o Senhor,
e, ao voar no infinito,
vou buscar meu grande amor,
o meu sonho mais bonito!

Dios es justo y es la salida
para cualquier situación.
El amor es la medida,
si hay fe en tu corazón.

Em pintura impressionista
a primavera desponta:
flores a perder de vista,
cores de perder-se a conta.

Enfrentando a tempestade,
vou remando na ilusão
de encontrar a claridade
que desnude a escuridão.

Enquanto se der endosso
à ganância insaciável,
futuro é fundo de poço
que não tem água potável.

Enveredando o caminho
das trilhas à beira-mar,
o meu pensamento alinho
para a luz eu encontrar.

É hora, Brasil… se agigante,
os céus clamam por um basta.
Só vote em quem o bem plante,
não no que o erário devasta!

É preciso uma aliança
entre o querer e o poder,
pois é só com temperança
que se alcança o bem-viver.

Esqueça o capitalismo
na rua ou televisão.
Natal não é consumismo
é festa de devoção.

Esse mundo feminino
de segredos permeado
é um gracejo do destino
pelos homens odiado.

Esta vida me sequestra
numa espera de ilusão…
– Só o amor tem chave-mestra
para abrir meu coração.

Estrondo, coisa danada,
será trem ou avião?
– Barulho na madrugada
é o ronco do maridão…

Fecha-se o tempo passado,
meia-noite, eu me depuro;
nasce o dia, iluminado,
abre-se o tempo futuro.

Felicidade almejada,
no meu futuro eu diviso:
– Em teus olhos, a alvorada;
no teu corpo, o paraíso.

Fingindo que foi tropeço,
garantiu o seu futuro…
O figurão paga o preço:
pensão para o nascituro!

Hesitei, o trem passou,
e, ao correr pelo seu trilho,
só a poeira me restou
e a lembrança do seu brilho.

Imagens de infindas cores
emocionam o turista:
– Povos, culturas, sabores
passando o mundo em revista.

Já não temos mais fraqueza:
– Fome zero… companheiro.
Olha só pra robusteza
que arredonda o brasileiro!

Jaz latente enternecido
nas vertentes do meu ser
um amor adormecido
esperando efervescer.

Justiça é a busca do bem,
da harmonia em sociedade;
é o respeito que se tem
ao próximo, em igualdade.

Lá no tempo da esperança
o futuro é tão risonho;
não se dá conta a criança
que a vida não é um sonho.

Lua cheia, céu em festa
é um momento inspirador,
nós na rede, uma seresta,
embalando o nosso amor.

Minha alma bailarina
foge em noites de luar…
Sob a luz da lamparina
com a sombra vai dançar.

Não é o homem proprietário
nem senhor da criação;
é somente um usuário
que fez usucapião.

Não mais se comove o homem
com os sons da natureza.
Seus maus instintos consomem
o rio, a mata, a beleza…

Não zombe de minoria
ao fazer trovas de humor;
como sogra é maioria,
use e abuse, sem pudor!

Na vida não busque atalhos;
desvios são ilusão,
nada mais do que atos falhos
que atrapalham a missão.

Nesta vida o encantador,
com maior significado,
dá-se ao cativar o amor
e ao render-se, cativado.

Noite quente, lua cheia,
é receita milenar:
– Paixão louca que incendeia
os casais sob o luar.

No baile dos trovadores
Angelina faz o clima:
provoca tantos calores
que até desconserta a rima.

Nos percalços dessa vida
já deixei muita pegada
como marca dolorida
dos reveses da jornada.

Nossa vida é aventura
de amor incondicional
com sabor de uva madura
à sombra do parreiral.

Nos trilhos vou sem temor
e com fé me determino;
sou trem nos campos em flor
em busca do meu destino.

Nos vales ou nos outeiros
levando a luz da instrução,
escolas são candeeiros
que aplacam a escuridão.

Numa empresa não há ócio
com um bom empreendedor,
mas o lucro do negócio
quem o mostra é o contador.

Numa profusão de cores
vem o outono, sedutor,
inspirar os sonhadores
num convite para o amor.

O amor inspira a vontade
de viver com alegria.
Não importa a tempestade,
cante e dance todo dia.

O futuro do planeta
não é segredo a ninguém;
preserve e se comprometa
que a vida assim se mantém.

O mar de um azul profundo
e as montanhas esverdeadas
são belezas deste mundo,
precisam ser preservadas.

O pedestal de granito,
que me tolhe o movimento,
eu reesculpo no grito
e um novo destino invento.

Os mistérios da conquista,
como olhares, sedução,
são enigmas cuja pista
bem esconde o coração.

Paraíso, Liberdade,
Morumbi, Consolação:
– se for amor de verdade,
tanto faz a direção.

Patrimônio bem cuidado
não é só na aplicação;
tem mais valor partilhado
fazendo o bem ao irmão.

Peço ao mar que não me esconda
em tamanha vastidão:
– Traga logo em sua onda
quem me cure a solidão.

Pensamento irresolvido
remoendo a mesma história:
– um amor não esquecido
reticente na memória.

Perpetuados lado a lado,
em acervo permanente:
são retratos do passado
que decoram meu presente.

Pescador mais esportivo
deixa seu peixe escapar,
melhor solto que cativo,
para assim o preservar.

Pescadores não se enganam
na sua avaliação:
– Redes vazias emanam
do descaso e poluição.

Poetas são pescadores
de palavras e emoção:
fisgam assim seus amores
com os versos da paixão.

Por ser eterno esse amor,
não amedronta a partida;
sendo Deus o condutor,
não existe despedida.

Por uns trocados banais
a extinção tem seu parceiro
na captura de animais
para fins de cativeiro.

Presença no firmamento
em noite clara, estrelada:
– É o amor de Deus que, atento,
nos guarda na madrugada.

Qual um mistério ancestral,
o luar, na vastidão,
ao luzir, tão passional,
ludibria-me a razão.

Quando, ao vestir-se, derrapa
e a falsa amiga a critica,
a resposta é um belo tapa…
mas com luva de pelica.

Quando chega a primavera
as emoções são pueris
e a natureza prospera
no tempo de ser feliz!

Quantas bênçãos recebidas
quando se caminha aos pares:
um ideal, duas vidas,
dois corações similares.

Quem tem amor entardece
em suave balançar,
contemplando o sol que tece
mais um poente no mar.

Rede que volta vazia
traz tristeza ao pescador
que apesar da nostalgia
leva adiante o seu labor.

São forças da natureza,
não se pode fazer nada:
– fogo, vulcão, correnteza…
e a mulher apaixonada!

São Paulo, gigante altiva
em constante agitação
é, em tudo, superlativa
mas cabe em meu coração.

Saudade é uma dor pousada
nos ombros da solidão:
felicidade passada,
vedada a repetição.

Segredos engarrafados
boiando ao sabor do vento…
Corações despedaçados
para os quais não houve alento!

Sentimento irresponsável
perturbando o coração:
– é o amor, força implacável
fez perder minha a razão.

Seu olhar insinuante,
que tanto brilha me atesta:
– Uma fagulha é o bastante
para incendiar a floresta.

Sigo o rumo, vou em frente,
mas não vai adiantar…
Ser feliz está na mente,
decisão ao acordar.

Sol e mar… calor, beleza…
vêm mostrar à humanidade
que o homem e a natureza
têm a mesma identidade.

Só o amor tem o condão
de avivar, resplandecer,
transformando a escuridão
em radioso amanhecer.

Sorria pra natureza,
respeite e sempre preserve,
só assim teremos certeza
que o mundo assim se conserve.

Sorte, aleatório caminho
que cada destino traça:
para alguns, tão farto vinho;
a outros, vazia taça.

Sua luz, como um farol,
me guiou na tempestade:
fez surgir um lindo sol,
que selou nossa amizade.

Tanta pompa na montagem
faz o enlace reluzir;
mas no bolo o enfeite é a imagem
da vida que está por vir.

Todos têm um professor
na memória bem guardado,
que ensinava com amor,
mesmo mal remunerado.

Traz o arco-íris à lembrança
que, ao criar tanta beleza,
Deus nos fez, em confiança,
tutores da natureza.

Triste destino bizarro
de um país na contramão:
alunos chegam de carro;
professor, de lotação.

Trovadores, em verdade,
são irmãos na inspiração,
na partilha da amizade,
no carinho e na emoção.

Um amor que se alardeia
não passa de sonho vão:
é só castelo de areia
escorrendo pela mão.

Uma vida sem amor
é qual comida sem sal:
em ambas falta sabor,
por ausente o principal.

Um barquinho num painel
em cenário tão bonito…
– São meus sonhos de papel
navegando no infinito.

Um casal apaixonado
faz da vida um carrossel
de emoções, desgovernado,
rodopiando rumo ao céu.

Um segredo bem guardado
para assim permanecer
não deve ser partilhado
para nunca se perder.

Urge o tempo, faz-se escasso,
e, ao sofrer na despedida,
o nosso amor, sem espaço,
mostra a vida não vivida.

Valorando o sem valor,
conjugando o verbo ter,
esqueceu-se quanto amor
num ranchinho pode haver.

Vejo no espaço infinito
e em cada constelação
nosso amor nos céus inscrito
como obra da criação.

Vivo sempre a divagar,
no silêncio em que me abrigo:
– Ah que bom poder voltar,
a estar outra vez contigo!

Voa, passarinho, voa,
que gaiola é só maldade.
Livre, lá nos céus entoa
o cantar da liberdade.

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