Antonio Brás Constante (O filme que ainda não assistimos…)

Joana está na frente da locadora de DVD. Não lembra como chegou ali, mas sua vontade agora é de voltar para casa o mais breve possível, e ver o filme que está em suas mãos.

Chegando em casa vai direto para seu quarto, coloca o DVD no aparelho e deita-se confortavelmente em sua cama.

O filme começa com um nascimento, a mulher que deu a luz ao bebê parece-lhe estranhamente familiar. As cenas seguintes vão mostrando a vida desta criança, o primeiro banho, seus primeiros passos, as primeiras palavras. De repente, Joana se dá conta que aquela menina que aparece nas imagens é ela. Consegue finalmente identificar sua mãe, que na época estava bem mais jovem, seu pai, seus irmãos. O filme transcorre mostrando toda sua vida, suas alegrias, tristezas, brigas, vitórias e derrotas.

“Que incrível”, pensa Joana. Cada momento apresentado é uma recordação preciosa. Sua mente retorna no tempo junto com o filme, viajando até época da escola, e depois da faculdade. A excursão para Paris. Seus amores. Os amigos conquistados. Os empregos por onde passou.

Cada pedacinho de sua história é contata detalhadamente. Apresentada com tal realismo, que parece que está tudo acontecendo novamente. O filme chega então ao seu momento presente. Começa mostrando a hora em que Joana acorda, seu café, o jornal deixado sobre o sofá. O dia vai transcorrendo através da tela do televisor. Ela então se recorda do que aconteceu ao se aproximar da locadora de filmes. Já estava a poucos metros da loja quando começou a escutar o barulho das sirenes. Ouviu o ruído de uma freada de carros. O som de tiros. Gritos. Confusão. Lembra de se sentir tonta, o mundo todo girando diante de si, e então o desmaio.

Agora estava tudo muito claro, aquilo não foi um desmaio. O ambiente ao seu redor vai se modificando neste instante. O quarto desaparece. Joana está novamente em pé, parada em frente à locadora, olhando para ela mesma caída no chão. Várias pessoas em volta do corpo sem vida, algumas chamando por socorro. Ela foi atingida por uma bala perdida. Está morta. Uma luz aparece envolvendo-lhe por completo. Sua história termina aqui.

Tudo fica escuro e nesta escuridão começam a aparecer legendas, iguais às que surgem ao final de um filme. Nelas está escrito:

Estes acontecimentos, foram baseados em fatos que se tornam reais a cada momento, em todas às partes do mundo. O que aconteceu com Joana poderia ter acontecido com qualquer pessoa, comigo, com um parente seu, um conhecido, quem sabe seu pai, irmão, esposa, filhos ou até mesmo com você. A violência não faz distinção quanto ao sexo, credo, idade, ou cor da pele. Ela está a nossa volta e, para ser o ator principal, o único critério exigido é o de se estar vivo”.

Fontes:
http://www.recantodasletras.com.br/contosdesuspense/944364

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