José Feldman (Universo de Versos n. 134)


Uma Trova de Porto Alegre/RS

LISETE JOHNSON


No brinquedo “Esconde-esconde”,
eu me escondia tão bem,
que, até hoje, não sei onde,
eu me escondi…E de quem?
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O Universo Poético de Francisco Macedo

FRANCISCO NEVES DE MACEDO
Natal/RN (1948 – 2012)


Patativa… Paixão e Vida

Nasceu Patativa… Poeta emoção!
Santana, seu chão… Assaré, sua vida!
Sorbone o estudou e curvou-se vencida…
Fenômeno e luz que brilhou no sertão!

Poeta maior, de uma vida sofrida,
compôs os seus versos com inspiração.
Nasceu e cumpriu sacrossanta missão,
vive em Assaré… Após “Triste Partida”!

Os versos que fez e que são imortais,
seu povo e Assaré… Não esquecem jamais:
São seus sentimentos de amor/fantasia!…

Meu mestre maior, viverá entre nós.
Em mim permanece com trêmula voz
a sua sublime e divina poesia!…
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Um Haicai, de São Paulo/SP

FABRÍCIO SOARES PERICORO


Friozinho da manhã
Sob as azaleias floridas
Dorme o cãozinho.
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Uma Trova sobre Ecologia, de Caicó/RN

FRANCISCO F. DA MOTA


Ficamos estarrecidos
vendo pra todos os lados
nossos rios poluídos,
nossos campos devastados.
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O Universo Poético de Perneta

Emiliano David Perneta
Curitiba (1866 – 1921)

Dor

Ao Andrade Muricy

Noite. O céu, como um peixe, o turbilhão desova
De estrelas e fulgir. Desponta a lua nova.

Um silêncio espectral, um silêncio profundo
Dentro de uma mortalha imensa envolve o mundo

Humilde, no meu canto, ao pé dessa janela,
Pensava, oh! Solidão, como tu eras bela,

Quando do seio nu, do aveludado seio
Da noite, que baixou, a Dor sombria veio.

Toda de preto. Traz uma mantilha rica;
E por onde ela passa, o ar se purifica.

De invisível caçoila o incenso trescala,
E o fumo sobe, ondeia, invade toda a sala.

Ao vê-la aparecer, tudo se transfigura,
Como que resplandece a própria noite escura.

É a claridade em flor da lua, quando nasce,
São horas de sofrer. Que a dor me despedace.

Que se feche em redor todo o vasto horizonte,
E eu ponha a mão no rosto, e curve triste a fonte.

Que ela me leve, sem que eu saiba onde me leva,
Que me cubra de horror, e me vista de treva.

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O Universo da Glosa de Gislaine

GISLAINE CANALES
Porto Alegre/RS

Glosando EDUARDO A. O. TOLEDO
A Bênção, Mãe!

MOTE:
Durmo tranquila e feliz,
na madrugada sem lei,
quando meu filho entra e diz:
a bênção mãe, eu cheguei!

GLOSA:
Durmo tranquila e feliz,
e a noite se faz amiga
quando com terno matiz
junto a mim, meu filho abriga!

Titubeia o coração
na madrugada sem lei,
maldades, sem emoção
são praticadas, eu sei!

As preces todas que eu fiz
agradeço, de mansinho,
quando meu filho entra e diz:
Oi mãe, com todo o carinho!

Eu sinto a felicidade,
ouvindo a voz do meu rei,
que diz com tranquilidade:
– a bênção mãe, eu cheguei!
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Uma Trova Lírica Filosófica, de Balneário Camboriú/SC

ELIANA RUIZ JIMENEZ


Sorriso que é cativante,
 é sincero e iluminado.
 Precioso como brilhante
 por todos ambicionado.
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O Universo do Haicai de Seabra

CARLOS SEABRA
(São Paulo/SP)


sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda
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O Universo Poético de Suttana

RENATO SUTTANA
Barroso/MG

Empório


 “Timbre: rompante, a megalomania…”
(Camilo Pessanha)


 Fui ao vento pedir uma riqueza
de que o vento, já velho e despossuído,
não se lembrava mais, tendo-a perdido
entre as monções do engano e da beleza.

Curvado ao peso da delicadeza
que a tal ponto me havia conduzido
(sem meta que eu tivesse pretendido),
nada achei que me desse uma surpresa,

senão o labirinto, já ruinoso,
e os vidros, e os vitrais despedaçados,
e o projeto do salto, desastroso,

e a coleção dos uivos, e o cansaço,
saudade, grito, a pretensão de espaço,
asas de grifo – megalomania.
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Galáxia Haicaista da Benedita

BENEDITA AZEVEDO
Magé/RJ (1944)


Chega o Ano Novo –
Acenam do portão
os filhos e os netos.
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Uma Trova do Izo

IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP


Cara-metade, em verdade,
é uma expressão… trapaceira…
– a gente quer a metade
mas tem que engolir… inteira.
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Constelação Haicaista de Marins

JOSÉ MARINS
Curitiba/PR


mas que noite curta –
o sonho do fim do mundo
ficou no começo
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Velhas Lengalengas e Rimas do Arco-da-Velha Portuguesas

SE TU VISSES O QUE EU VI


 Há inúmeras rimas começadas com “Se tu visses o que eu vi”, pois são quadras fáceis de criar. O objetivo é sempre divertir e fazer rir, pela imagem absurda que evocam.

Se tu visses o que eu vi
À vinda de Guimarães
Um barbeiro de joelhos
A fazer a barba aos cães

***

Se tu visses o que eu vi,
Havias de te admirar.
Uma cadela com pintos,
E uma galinha a ladrar.

***

Se tu visses o que eu vi,
Havias de te admirar.
Uma cobra a tirar água,
E um cavalo a dançar.

***

Se tu visses o que eu vi,
Havias de te admirar.
Uma abelha a grunhir,
E um porco a voar.

***

Se tu visses o que eu vi,
Fugias como eu fugi,
Uma cobra a tirar água,
E outra a regar o jardim.

***

Se tu visses o que eu vi,
Este caso de assombrar,
Um macaco sem orelhas
A servir de militar.

http://luso-livros.net/
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Uma Trova da Rainha dos Trovadores

LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981


Como é um facho de luz,
fosse de madeira a trova,
eu mesma faria a cruz
que irá marcar minha cova.
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O Universo Poético de Emilio

EMÍLIO DE MENESES
(Emílio Nunes Correia de Meneses)
Curitiba/PR (1816– 1918)

O Plenipotenciário Da Facúndia

(a Oliveira Lima)

De carne mole e pele bambalhona,
Ante a própria figura se extasia.
Como oliveira — ele não dá azeitona,
Sendo lima — parece melancia.

Atravancando a porta que ambiciona,
Não deixa entrar nem entra. É uma mania!
Dão-lhe por isso a alcunha brincalhona
De paravento da diplomacia.

Não existe exemplar na atualidade
De corpo tal e de ambição tamanha,
Nem para a intriga igual habilidade.

Eis, em resumo, essa figura estranha:
Tem mil léguas quadradas de vaidade
Por milímetro cúbico de banha.
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Constelação Poetrix de Goulart

GOULART GOMES
Salvador/BA (1965)

Labirinto


como uma sala em outra sala
em outra sala, e não se finda
dentro, eu; eu, ainda
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Uma Trova Humorística, de Caçapava/SP

ÉLBEA PRISCILA DE SOUSA E SILVA


Gostosa! – diz, leviano.
– Ela é minha filha Ester…
– Perdão, é a outra, que engano!                 
– A outra é minha mulher.

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O Universo Poético de Sardenberg

ANTONIO MANOEL ABREU SARDERNBERG
São Fidélis/RJ (1947)

Busca


Traço na tábua a trilha da traça.
Tiro da tira um tanto de nada.
Fito na foto a fita que enfeita,
O filme perfeito
De um conto de fada.

Fico atento focando no trono,
O rato roendo a roupa do rei.
Vejo ao relento a força da lei,
Perco a esperança, o sonho, o sono!

Sinto na alma um quê de saudade,
Choro sozinho o sonho perdido,
Vejo o passado morto e partido.
De mim sinto pena, dó, piedade!

Lanço o laço em busca do nada.
Sinto o horizonte mais longe que tudo.
Perco o caminho, o rumo, a estrada,
Caio na poça de um poço bem fundo.

Busco na fé a força do forte.
Conto o tempo em cada segundo.
Procuro na bússola a reta, o norte,
Acho você: meu mundo, meu tudo!
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Constelação de Haicais de Haruko

HANA HARUKO
(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)
Belo Horizonte/MG


Mini-borboletas
Orquídeas papilonáceas
– Só não podem voar
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Uma Trova Hispânica, da Argentina

ALICIA BORGOGNO


Toda mi ilusión navega
en el cauce de sus ríos…
segura estoy de que llega
con su barca y con sus bríos.
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O Universo Melódico de Assumpção

MARCOS ASSUMPÇÃO
(Marcos André Caridade de Assumpção)
Niterói/RJ

A Trilha


Sei que em algum lugar,
há alguém que me espera
Nos bares que ainda não fui,
ou nas ruas desertas
Longe de mim há alguém,
que eu ainda não vi
Pode ser que talvez algum dia,
sua trilha eu vá seguir
Sei que em algum lugar,
esse amor me completa
E posso sentir pelo ar,
que esse alguém me desperta
Sei que um pedaço de mim
mora longe daqui
E a falta que ele me faz,
ninguém mais vai sentir
Tento seguir os seus passos
pelas noites vazias
Em busca de abrigo ou talvez,
me perder em seus braços
Sei que em algum lugar,
esse amor me completa
E sonho um dia encontrar,
sua trilha minha amada
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O Universo Poético de Cecília

CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ

O Mosquito Escreve


 O Mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.

O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U e faz um I.

Esse mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.

E aí, se arredonda e faz outro O,
mais bonito.

Oh!
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.

Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?

E ele está com muita fome.
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Trovadores que deixaram saudades

HERÁCLITO DE OLIVEIRA MENEZES
Rio de Janeiro/RJ


Toda criança produz,
apesar da ingenuidade,
grandes clareiras de luz
nas trevas da Humanidade.
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Universo Poético de Ialmar

IALMAR PIO SCHNEIDER
Porto Alegre/RS

Soneto


Procuro refletir num dia assim
em que a chuva prossegue sem cessar;
e encontro a solidão dentro de mim,
enquanto avisto ali bem perto o mar…

Quisera num momento navegar
os meus sonhos de amor no mar sem fim,
pra que pudesse reviver e amar
o que me falta nesta vida, enfim…

Porém, são tão inúteis estes sonhos,
quais os meus pensamentos enfadonhos,
quando não me permitem conciliar

o que desejo obter e não consigo,
embora seja um sentimento antigo,
com o que o mundo tem a me ofertar !
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Galáxia Triversa de Posselt

ALVARO POSSELT
Curitiba/PR


Nossa relação é quente
Toda noite na cama
um gato entre a gente
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Uma Trova do Rei dos Trovadores

ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ


Há nos teus olhos escuros,
o escuro da Ave-Maria.
Desconfio que teus olhos,
são os de Santa Luzia…
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O Universo Poético de Quintana

MARIO QUINTANA
Alegrete/RS (1906 – 1994)

Os degraus


Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo…
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Constelação Poética de Misciasci

ELIZABETH MISCIASCI
São Paulo/SP

Olho no olho…


Dos meus medos faço canção
embalando meus sonhos em desatino.
Desvairada num anseio turbulento
de quem se despede da razão

Envolta persisto e desisto
insegura me entrego aos desvios
do vazio que minh’ alma teme
meus dias são passados distantes
Versos sem rimas que se apagam
Folhas secas caindo a fremir
Atroz aparente disfarçada audaz
arsenal revestida conclamo concisa

Mar a ser atravessado
sem barco nem remo
Necessidade de transpor
lanço-me neste fluxo

Incerteza é direção
niilismo insistente
desordenada renego
este meu perecimento

Canção que me decompõe
harmonia espacejada sem ritmo
procriada dos meus medos
transformados mau grado e solidão.

Olho no olho
encaro meu ego sem receio
sou de mim mesma esteio
Dos meus medos, faço canção.
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Universo Trovadoresco de Cornélio

CORNÉLIO PIRES
Tietê/SP (1884 – 1958) São Paulo/SP

Despedida


Saudade, tanta saudade!…
Quem deixa as provas da vida,
È que sabe como dói
O tempo da despedida!…
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O Universo Sonetista de Alma

ALMA WELT
Novo Hamburgo/RS (1972 – 2007)

Veronica’s Veil


Plasmar-me vero ícone em poesia
Foi pra mim verdade e confissão,
Pois jamais em falsidade conseguia
Resistir ao linguajar do coração.

Não há como mentir ou falsear
Tua verdadeira face ao mundo
Se tiveres alma e palma que rimar
E chegar do coração ao poço fundo.

Pois se fores falso nem atinges
O que se denomina de poema,
O lenço que com más tinturas tinges…

Quais cabelos as raízes mostrarão
A cor de uma velhice que se tema:
As mais feias rugas de expressão…
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Uma Poesia de Osasco/SP

DOMINGOS ALBERTO R. NUVOLARI

Você longe


 Gostaria de estar longe, bem distante,
 No campo, onde a natureza vive,
 Ver tudo que posso e quero.

Olhar os campos e sentir o aroma da vida,
 Queria ficar sozinho, só com a natureza.
 Estando sozinho me sinto bem.

Queria entrar na noite, sair dela,
 Entrar no dia, sair dele,
 Viver sem preocupações,
 Mas paro e penso:

Aqui a vida também é boa, tenho de tudo,
 Vou aonde quero, não é tão saudável,
 Mas é boa …às vezes,
 Penso realmente em sair daqui.
 Mas penso outra vez:
 E você?

Ficar sem poder te olhar?
 Ficar sem te sentir?
 Ficar sem ouvir tua voz?

Você foi quem conseguiu me mudar.
 Você fez nascer em mim a poesia.
 O drama, a crítica,
 Coisa que não gostava.

Só você.
 Não tenho mais ninguém.
 Só você, você.
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O Universo de Pessoa

FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935


Se ontem à tua porta
Mais triste o vento passou —
Olha: levava um suspiro…
Bem sabes quem to mandou…
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Uma Trova do Ademar

ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/RN 1951 – 2013 Natal/RN


Nessa ausência tão sofrida
que a separação impôs;
vejo o grande mal que a vida
fez na vida de nós dois.
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O Universo de Félix

AFONSO FELIX DE SOUSA
Jaraguá/GO (1925– 2002) Rio de Janeiro

Sonetos Elementares

VI

A Haroldo de Brito

Quantos momentos passei como este, não sabendo
se os homens estão alegres mesmo, ou se carregam
sobre os ombros o peso de todas as noites.
Embora haja vozes que dizem menos que o silêncio,

eu sou um só na rua. E se encontrasse
Deus de repente, sua presença me aniquilaria,
ou me tornaria leve como um cego perdido
que súbito deparasse nas trevas o seu guia.

Mas não lhe pediria que perdoasse os homens,
essas criaturas frágeis e sujeitas
à condição de serem levadas sem que saibam.

Ao encontrar os homens sinto-me fraco
para abraçá-los, mas dispo-me do que de mim existe em mim
e me torno como eles – pobre, orgulhoso, impenetrável.
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O Universo Trovadoresco  de Auta

Auta de Souza
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN

 –
Obsessão de quem ama,
ninguém consegue entendê-la:
parece vaso de lama
encarcerando uma estrela.
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Uma Trova do Príncipe dos Trovadores

LUIZ OTÁVIO
(Gilson de Castro)
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP


Luta sempre e desde cedo,
sem nunca desanimar,
pois o mais duro rochedo
cede à constância do mar…
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O Universo Poético de Vinicius

VINICIUS DE MORAES
(Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes)
Rio de Janeiro (1913 – 1980)

Desde sempre


Na minha frente, no cinema escuro e silencioso
Eu vejo as imagens musicalmente rítmicas
Narrando a beleza suave de um drama de amor.
Atrás de mim, no cinema escuro e silencioso
Ouço vozes surdas, viciadas
Vivendo a miséria de uma comédia de carne.
Cada beijo longo e casto do drama
Corresponde a cada beijo ruidoso e sensual da comédia
Minha alma recolhe a carícia de um
E a minha carne a brutalidade do outro.
Eu me angustio.
Desespera-me não me perder da comédia ridícula e falsa
Para me integrar definitivamente no drama.
Sinto a minha carne curiosa prendendo-me às palavras implorantes
Que ambos se trocam na agitação do sexo.
Tento fugir para a imagem pura e melodiosa
Mas ouço terrivelmente tudo
Sem poder tapar os ouvidos.
Num impulso fujo, vou para longe do casal impudico
Para somente poder ver a imagem.
Mas é tarde. Olho o drama sem mais penetrar-lhe a beleza
Minha imaginação cria o fim da comédia que é sempre o mesmo fim
E me penetra a alma uma tristeza infinita
Como se para mim tudo tivesse morrido.
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O Universo de J. G.

J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ

Esta Música


 Esta música que estou ouvindo
não é música,
é você.

Você está inteira nesta música,
ela guardou você com a fidelidade de um perfume
que me envolve todo,
e que de repente acende olhos em minhas lembranças.

Eu não ouço esta música. Eu vejo você.
Nela nos encontramos, e dançamos, e enlouquecemos,
como naquela noite que nunca há de amanhecer
em minha memória.

Esta música foi música. Hoje, é apenas você,
Sou eu, é aquela vida
de repente colhida
e ultrapassada,
resto de vida numa angústia
atroz,
que há de ficar tocando e bailando fantasmas
dentro de nós…
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Universo Trovadoresco de Joubert

JOUBERT DE ARAUJO E SILVA
Cachoeiro do Itapemirim/ES (1915 – 1993) Rio de Janeiro/RJ


Os currais estão vazios…
o verde fugiu do chão…
e a seca, bebendo os rios,
vai devorando o sertão.
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O Universo das Setilhas do Zé Lucas

ZÉ LUCAS
(José Lucas de Barros)

Natal/RN (1934)

Se chover poesia no sertão,
vou fazer meu chapéu de uma peneira,
pois não quero perder um pingo só
da fartura que desce na biqueira
e, pra o grande calor de minha febre,
eu arranco o telheiro do casebre;
quero é banho de verso a noite inteira!
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O Universo Poético de Mallemont

MARIA EFIGÊNIA MALLEMONT
Petrópolis/RJ

Encantamento


Canta meu coração,
que de oprimido e sujeito
a tão duras provações,
está querendo saltar peito.
Canta meu coração,
que um dia talvez suceda
encontres o teu amor
na curva de uma vereda.
E se persistires no teu canto,
na via que vais seguindo,
pode ser que algum encanto
dê corpo a um sonho lindo.

– II –

Os dias que estás vivendo,
assim triste, esmorecida,
podes transformá-los, querendo,
em euforia merecida.
Teus versos são ambrósia,
bom alimento da alma,
que nos enchem de alegria,
e tornam a vida calma.
Teus poemas são delícia,
melhores que vinho do Porto;
são uma doce carícia,
plenos de amor e conforto.
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O Universo de Beça

Anibal Beça
(Anibal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto)
Manaus/AM (1946 – 2009)

Profissão de Fé


Meu verso quero enxuto mas sonoro
levando na cantiga essa alegria
colhida no compasso que decoro
com pés de vento soltos na harmonia.

Na dança das palavras me enamoro
prossigo passional na melodia
amante da metáfora em meus poros
já vou vagando em vasta arritmia .

No vôo aliterado sigo o rumo
dos mares mais remotos navegados
e em faias de catraias me consumo.

É meu rito subscrito e bem firmado
sem o temor do velho e seu resumo
num eterno retorno renovado.
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O Universo de Drummond

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Itabira/MG (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Procura da poesia


Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação
Que se dissipou, não era poesia
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo. ==================================
UniVersos Melodicos

Bororó e Evrágio Lopes

QUE É, QUE É?

(samba-choro, 1943)

O que é? O que é?
Adivinhe meu amor
Trabalha como um relógio
Não tem corda nem motor
Marca as horas de ventura
Marca as horas de amargor
Não há dinheiro que pague
Nem se bota em penhor

Muito embora não se esconda
Não se mostra à ninguém
Não se empresta, não se vende
Dá-se quando se quer bem
Vem conosco de nascença
Morre conosco também
Todo mundo tem no peito
Só você é que não tem
(o que é? o que é?)
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Uma Cantiga Infantil de Roda

ANDA À RODA


É uma roda de crianças e uma no meio. A menina do centro canta:

Anda à roda }
Porque quero }
Porque quero }
Me casar } bis

A roda responde:
Escolhei nesta roda
A quem mais vos agradar
A quem mais vos agradar

A criança do meio:
Não me serve, não me agrada,
Só a ti, a ti hei de querer,
Só a ti hei de querer.

A escolhida passa a ser a do centro na vez seguinte. E assim
por diante.

Fonte:
Veríssimo de Melo. Rondas Infantis Brasileiras. 2003.
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O Universo das Poetisas Paranaenses

ANDREA MOTTA
(Curitiba)

Natureza Íntima


Sou pedra plantada.
Quando pedra, sou dura,
implacável com as palavras.

Sou água a correr.
Quando água, sou como um riacho sereno
a deslizar em silêncio.

Sou vulcão em constante erupção.
Quando vulcão, sou imaginação.
Trago na pele, no rosto e,
na alma a cor da paixão.

Sou cigana livre de preconceitos.
Sou nômade, vivo as margens dos rios
minh’ alma tem asas brancas e vermelhas,
p’ros vôos desta vida incerta.

Tenho os olhos tristes e a voz embargada,
em simultâneo a alegria d’uma criança.
No peito trago contudo, a inabalável certeza
de amar-te eternamente.
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O Universo Poético de Du Bois

PEDRO DU BOIS
Itapema/SC (1947)

Conversas


Não a conversa dos vizinhos
pelas janelas
abertas
nos assuntos
de todos os dias
a conversa ampliada
em gestos e sorrisos
na mímica
  e música
não a descoberta da vontade
em palavras imaginadas
nos mistérios
e desvendadas
em conversas
de vizinhos
no que acontece
diariamente.
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O Universo Acróstico de Motta

SILVIA MOTTA
(Silvia de Lourdes Araujo Motta)
Belo Horizonte/MG (1951)

Precisamos Ser Verdadeiros

Homenagem Acróstica nº 4946

P-Para ser feliz é muito trabalhoso,
R-Revela-nos o escritor Mia Couto!
E-Em 1966, ouviu no Rádio de Lusaka,
C-Comunicação do Presidente Kaunda,
I-Importante  agradecimento à população:
S-Sobre a construção da 1ª Universidade,
A-A partir da ajuda de todos os cidadãos…
M-Mas, 40 anos depois, a fome continua…
O-O povo nada  mudou em sua história!
S-Será a culpa do povo ou dos governos?
 –
S-Sempre a mesma pergunta:O que falta?
E-É preciso tomar ATITUDES ATIVAS,
R-Retirar todos os preconceitos do passado.
 –
V-Vítimas não queremos ser! Avalia:
E-Em Moçambique, o maior fator de atraso
R-Revela, não se localiza na economia;
D-Deve-se à incapacidade de fazer gerar
A-A forma de pensar ousada, inovadora,
D-Dentro de idéias produtivas avançadas.
E-Em Palestra feita:[Oração da Sapiência]
I-Indicou sete ATITUDES, os sapatos sujos…
R-Responsabilidade, ousadia, igualdade,
O-O espírito consciente das possibilidades,
S-Sem preconceito, ser verdadeiros, na realidade.
=============================
O Universo Poético de Ordones

RAQUEL ORDONES
Uberlândia/MG

Estou a procura


De sorriso com mais verdade
Do carinho com toda certeza
Da nobreza vestindo coração.

E da verdade mais sorridente
Da certeza do doce acarinhar
Do coração com alma nobre.

Caço o beijo com todo gosto
A tez que encrespa ao toque
E do corpo que pede calado.

Do sabor dos lábios beijados
Do contato que a pele abala
Do silêncio dos corpos depois.
====================
Universo Poético de Machado

MACHADO DE ASSIS
(Joaquim Maria Machado de Assis)
-Rio de Janeiro (1839 – 1908)

O Sofá


OH! COMO É suave os olhos
Sentir de gozo cerrar,
Sobre um sofá reclinado
Lindos sonhos a sonhar,
Sentindo de uns lábios d’anjo
Um medroso murmurar!

Um sofá! Mais belo símbolo
Da preguiça outro não há…
Ai, que belas entrevistas
Não se dão sobre um sofá,
E que de beijos ardentes
Muita boca aí não dá!

Um sofá! Estas violetas
Murchas, secas como estão
E entre beijos vaporosos
Da terra fazer um céu!
Um sofá! Mais belo símbolo
Da preguiça outro não há…
Sobre o seu sofá mimoso,
Cheirosas, vivas então,
Achei um dia perdidas,
Perdidas: por que razão!

Talvez ardente entrevista
Toda paixão, toda amor
Fizesse ali esquecê-las
Quem não sabe? sem vigor
Estas flores só recordam
Um passado encantador!

Um sofá! Ameno sítio
Para cingir duas frontes
De amor num místico véu,
Ai, que belas entrevistas
Não se dão sobre um sofá,
E que de beijos ardentes
Muita boca aí não dá!
================================
O Universo de Versos de Simone

SIMONE BORBA PINHEIRO
Dom Pedrito/RS

Carta de Um Homem Arrependido


Quando você me deixou,
meu mundo caiu na desolação e arrependimento.
Me senti muito triste, muito só,
e sequer dormir, eu conseguia,
remoendo a culpa atroz, de você ter ido embora.

Sei que não dei à você,
a importância que você merecia,
não dei atenção, nem amor.
Vivi esse tempo todo, de forma egoísta,
pensando somente em mim.
Sei que você foi embora por que,
tinha seus motivos, que não eram poucos
mas, mesmo assim, fico imaginando,
o dia, a hora, o momento
em que você, com seu sorriso largo,
vai entrar por essa porta,
trazendo num abraço, o seu perdão.

Estou aqui, debruçado no parapeito desta janela,
assistindo ao longe, no céu,
as celebrações juninas.
Queria que você chegasse agora, assim, de surpresa,
dentro de um desses maravilhosos balões,
que passeiam no céu de junho.
Não sou santo meu amor,
sou apenas um homem arrependido
que implora pelo seu perdão pois,
sem você, não sei viver!
Volta pra mim, vai?!?.…
============================
Galáxia Poética de Nicolini

AMAURY NICOLINI
Rio de Janeiro/RJ (1941)

Era Bom…


Era tão bom aquele tempo, já distante,
em que íamos sempre de mãos dadas
caminhando, e olhando para adiante,
sem ver o que deixávamos na estrada.

Era tão bom esquecer o que passava,
fosse um pequeno ou grande dissabor,
porque a vida, em troca, já anunciava
que amanhã tudo teria mais valor.

Era bom esquecer que o tempo passa
e transforma esses sonhos em fumaça
que apaga as imagens e o seu som.

Porque o tempo não pára, e desse jeito,
só acabou nos restando aqui no peito
a saudade de lembrar como era bom.
============================
Galáxia de Indrisos, de Iturat

ISIDRO ITURAT
Villanueva e La Geltrú/Espanha (1973)

Rumos


Cada rendição, cada covardia, cada traição contra si,
cada medo à pública opinião, cada ato de tibieza
de espírito, cada pacto contra a voz da consciência

mais nos predestina a essa quase morte que é pior do que morrer.

Cada ação que parte do sangue íntegro, do repúdio ao que é vil
(é questão de hábito), cada rir deveras, cada chorar, deveras,
torna mais fácil a força e o saber que engendram mais a força

e sentir, a cada despertar, que vale a pena estar aqui. ===================================
Universo Poético de Camões

LUIS VAZ DE CAMÕES
Portugal (1524 – 1580)

IV


Depois que quis Amor que eu só passasse
Quanto mal já por muitos repartiu,
Entregou-me à Fortuna, porque viu
Que não tinha mais mal que em mim mostrasse.

Ela, porque do Amor se avantajasse
Na pena a que ele só me reduziu,
O que para ninguém se consentiu,
Para mim consentiu que se inventasse.

Eis-me aqui vou com vário som gritando,
Copioso exemplário para a gente
Que destes dois tiranos é sujeita;

Desvarios em versos concertando.
Triste quem seu descanso tanto estreita,
Que deste tão pequeno está contente!
=======================
Galáxia Poética de Bandeira

MANUEL BANDEIRA
(Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho)
Recife/PE (1886 – 1968) Rio de Janeiro/RJ

Consoada


Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
==============================
Universo Poético de Shakespeare

WILLIAM SHAKESPEARE
Stratford-upon-Avon, Reino Unido (1564 – 1616)

Soneto 6


Assim, não deixemos a mão rota do inverno desfigurar
De ti o teu verão antes que sejas destilada;
Adoça teus sumos; orna um lugar
Que tenha o valor da beleza antes de sucumbires.

Este uso não é a proibida usura
Que alegra os que pagam os devidos juros –
Para que cries, para ti mesma, um novo ser,
Ou sejas dez vezes mais feliz do que és.

Serias dez vezes mais alegre,
Se em dez de ti dez vezes te transmudasses;
Então, o que poderia fazer a Morte se partisses,

Passando a viver na posteridade?
Não sejas turrona, pois és por demais bela
Para que a Morte vença e os vermes te consumam.
==============================
O Universo Poético de Vinheiro

PAULO VINHEIRO

(Paulo Vieira Pinheiro)
Monteiro Lobato/SP

Desandanças


Tudo quanto sei são das trevas
Aquelas que renuncio sem certeza
Tudo por onde ando são breus
Quanto toco carece de luz e
Sofre de tanto esperar em vão
Sofro também, pois nada sei
Neste misto de sim e não
Nisto que aceitamos como vida
Não há, sinto, algo valioso
Seria temerário dizer que há além?
Troco passos em calçadas e afins
Me perco das sobras e de mim
=================================
Galáxia Poética de Jacob

José A. Jacob
(José Antonio de Souza Jacob)
Juiz de Fora/MG

Almas Sem Flores


Tenho tido a tristeza do meu lado,
E os olhos cheios de visões de outrora,
Com fantasmas que chegam do passado
E entram por minha porta em qualquer hora.

Eles trazem um vento desolado,
E assim, tal qual o inverno que demora,
Esses duendes, que custam ir embora,
Zombam de mim: e eu fico mais calado…

Uns vestem-se de reis, outros esmolam,
E outros, tanto se esmurram que se esfolam
Que, ao andarem, o mal rasteja atrás.

Eu tenho a casa cheia com as dores
Dessas almas, que nunca deram flores,
Eu tenho apenas isso… e nada mais.
========================
A Constelação Poética de Maial

LILIAN MAIAL
Rio de Janeiro/RJ

Idas Vindas


Sempre busco esse instante que passou,
Mas me atraso, em segundos, uma era.
E se volto, eu me perco de onde estou,
Bem não fico onde o tempo me tolera.

O caminho que escolho já chegou,
E eu não chego onde o grito reverbera.
No meu eco, a palavra silenciou,
No silêncio, ouço a voz que dilacera.

Se o meu tempo abre em mim funda cratera,
Esse abismo, em que o peito se lançou,
Sou um louco astronauta em longa espera.

Tenho a tola certeza do que sou,
Sei do tempo que me aprisiona fera,
Entre a ida e entre a volta, eu nunca vou.
=====================
O Universo Poético de Carvalho

VICENTE DE CARVALHO
(Vicente Augusto de Carvalho)
Santos/SP 1866 – 1924

Esperança


Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
==========================
Poesia Além Fronteiras

ROBERT FROST
(Robert Lee Frost)
São Francisco/EUA 1874 – 1963 Boston/EUA

A Família da Rosa


 A rosa é uma rosa
E sempre foi rosa.
Mas hoje se usa
Crer que a pêra é rosa
E a maçã vistosa
E a ameixa, uma rosa.
Pergunta a amorosa
Que mais será rosa.
Você, claro, é rosa –
Mas sempre foi rosa.

(Tradução: Renato Suttana)

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