Arquivo da categoria: A Poetisa no Papel

Clevane Pessoa (Musicando)

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29 de janeiro de 2013 · 20:57

Beatriz Bastos (O vestido dela era amarelo…)

 O vestido dela era amarelo feito cor de jabuticaba
 feito Manuel Bandeira e sua voz anasalada
ao ler Pasárgada
 e mesmo que fosse bonita, mesmo sendo bonita,
 a leitura em voz alta, o som do poeta, era ainda
 mais bonito quando só palavra impressa preta
 pequena num livro velho folheado guardado
 amarelo esquecido
    a voz do poeta são as letras

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Mara Mellini (Palavra por Palavra)

Gosto de me revelar pelas palavras… de depositar nelas os meus pensamentos mais profundos, mais humanos. Sou tudo o que está contido no que escrevo, ao meu modo, meu estilo. E aqui, no meu espaço, reino soberana… Tenho liberdade para dizer o que penso, sem amarras, sem algemas. Porque não há nada pior, para um escritor, do que viver sob a sombra da censura… Especialmente, quando se usa da palavra para atingir bons fins. Para tocar alguém, resgatar o bem.
     
    A minha palavra não visa outra coisa, senão unir, somar, dedilhar sonhos, semear esperança. Nas minhas reticências, procuro lançar ao vento novos pensamentos, ideais, buscando sopros de valores e de conforto para quem lê ou escuta. Assim, sou inteira. Sou verdadeira. Não preciso de disfarces, minha palavra tem a força da coragem e a leveza da serenidade. Não preciso fazer mea-culpa pelo que digo, tampouco temer o fato de que não fui compreendida… É que eu não procuro intervir, procuro somar. Positivamente. Quem me conhece, sabe.

     Então chega de emprestar minhas palavras a quem faz delas um meio de contramão; a quem malfere uma boa intenção, subvertendo as minhas vírgulas e pontos finais, buscando neles o que não foi dito. A palavra, sim, tem poder. Mas o que tenho em mira é somente o que eu disse no início e o que se apresenta em todo o meu universo real e virtual: o BEM. O que faço com tanto gosto é inspirado em um mundo mais humano. E, permitam-se dizer, mais justo. Longe de ser perfeita, pelo contrário… tendo consciência das minhas ações.

     Minha palavra não mora em gaiola, nem sobrevive de favores. Tem existência própria, respira ar puro. Voa… Às vezes, chora… é melancolia. Em outras, ri… e se mostra larga. Chega em versos, sai em prosa. Mas o mais importante de tudo isso: Procura apaziguar, não desunir; é livre e me pertence. E tenho dito.

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Olga Agulhon (O Dito e o Não Dito)

As palavras são cruéis e desobedientes;
não são humildes servas.
Fazem-nos cócegas
e depois que saem da boca
não tornam a ela,
por mais que imploremos:
mas também não vão embora;
ficam ressoando no ar
e nos perseguem para sempre.
Por isso, busco o silêncio;
só ele nos deixa em paz.
As palavras…
prefiro prendê-las no papel.
Se viro a página
ou fecho o livro,
as silencio.
Vingo-me.
Torno-me rei.
Fonte:
AGULHON, Olga. O Tempo. Maringá: Midiograf, 2003.

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Efigênia Coutinho (Queixumes)

Versos apaixonados ao som duma lira
O amor, com doçura leva meu canto;
Pelos olhos azuis, que te desejam tanto
Derretendo o coração, soluça e suspira.

Audaz sonhadora, essa que aspira
Dos teus mimos, o sonho, a ventura,…
Infundi-me em extremos de ternura,
Sentimentos que ao tempo perdura.

Dizes para não amar! Eu clamo e amo,
Bradando lamentos, lágrimas derramo…
Onde deixaste os sonhos do amor?…

Contudo, em mim, o amor perdura
Ao celeste céu, por benignos lumes,
Amando, com ardor, teus queixumes. 

Fonte:
A Poetisa

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Arquivado em A Poetisa no Papel, Poesias, Soneto.

Silviah Carvalho (Seu Amor é Tudo)

Antes que seja aprisionada pelo seu sorriso, 
E sinta que a vida não fará mais sentido sem você 
Antes que tenha certeza que você é tudo que preciso 
Antes que eu perca a razão e no amor volte a crer 

Antes que sua solidão misture com minha carência 
E suas mãos toquem novamente as minhas 
Antes que eu seja vencida por minha impaciência 
E passe a crer que perto de você eu não esteja sozinha 

Eu voarei rumo aos pinheiros, perto da tristeza 
Onde as noites são frias, os dias são longos 
Eu estarei a meditar na sua simplicidade e pureza 

Na paz que emana de você, na sua doçura e nobreza 
Eu irei pensar no silêncio da minha incompreensão 
Não diga nada, talvez eu não resista à dor de um sincero não 

Eu cheguei no tempo que é para ti a alto-reconstrução 
Em que preferes a solidão latente no seu meigo olhar 
Eu irei antes que, seja dominada pelo desejo de ficar 

E quando este papel envelhecer, 
Saiba que esta poetisa que hoje te escreve apesar 
De nada ser, desejou ter tudo, e este tudo é você. 

Fonte:

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Flávia Muniz (O Espelho e a Perua)

Ilustração de Ionit
A confusão começou 
 Certa vez, no galinheiro, 
 Quando as aves encontraram 
 Um espelho no terreiro. 
 Uma galinha vaidosa 
 Logo quis contar vantagem: 
 – Com licença, galináceas, 
 Vim conferir minha imagem! 
 A pata, torcendo o bico, 
 Comentou com a vizinha: 
 – Não vale arrancar as penas 
 Pra parecer mais magrinha! 
 E qual não foi a surpresa 
 Das aves estabanadas: 
 No reflexo do espelho 
 Só tinha coisas erradas! 
 Quem era alta e bela 
 Viu-se feiosa e baixinha. 
 Quem era gorda e forte 
 Ficou magrela e fraquinha. 
 – Credo! – grasnou o marreco. 
 – Cruzes! – o pinto piou. 
 – Incrível! – cantou o galo. 
 E o papagaio berrou. 
 A galinha carijó 
 Foi quem depressa falou: 
 – Este espelho tem feitiço… 
 Foi a bruxa que o mandou! 
 – Mentira! – disse a perua, 
 Balançando as pulseiras. 
 – Li esse conto de fadas, 
 Vocês só dizem besteiras! 
 Estufou-se, bem danada, 
 Mostrando o papo vermelho. 
 E com pose de malvada 
 Fez a pergunta ao espelho: 
 – Espelho, espelho meu! 
 Responda se há no mundo 
 Outra ave mais bonita, 
 Mais charmosa e elegante, 
 Mais esperta e fascinante, 
 Mais incrível e imponente, 
 Mais formosa do que eu? 
 Diga logo, espelho meu!! 
 Os bichos, impressionados, 
 Ouviram com atenção 
 A resposta do espelho 
 A tamanha pretensão: 
 – Se você quer a verdade, 
 Vou dizê-la, nua e crua. 
 E mostrar a realidade 
 Para uma simples perua. 
 Você disse que é esperta, 
 Imponente e charmosa. 
 Mas parece antipática, 
 Falando assim, toda prosa. 
 Desfila o ano inteiro 
 Como se fosse a tal. 
 Mas foge do cozinheiro 
 Quando chega o Natal!

Fonte:
Revista Nova Escola

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