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Anibal Beça (Livro de Sonetos II)


PRÓLOGO

 Cavo a cova como um cavalo os cascos cava
 se no cavá-lo invoca a fúria de ferir
 E tanto mais se cava que a alma não se lava
 e as águas já me levam léguas a fingir

 Cava costura cavo à cava enviesada
 e o talhe tinge a sombra em descaída pena
 Nessa escritura a sina foge desgarrada
 e o corte torce a mão e a garra do poema

 E dono não sou mais senão o torto artífice
 dessas linhas traçadas a dois e por um
 E assim me assino esse uno e esse outro Majnun
 que por louca paixão da noite é seu partícipe

 mesmo sem Laila veste a dor e se vislumbra
 nos lobos do deserto donos da penumbra

TOADA PARA SOLO DE OCARINA

 Fio tênue do céu em claridade
 tece esse manto gris meu agasalho
 colhido pelos muros da cidade:
 mucosa verde musgo que se espalha

 como tapete denso em chão de jade
 Meus pés de crivo cravam esse atalho
 riscando seu grafite no mar que arde
 o fogo-de-santelmo em céu talhado

 Nesse caminho caio em minha sina
 caio no mar que lava essa lavoura
 num barco ébrio que sempre desafina

 E colho o sal da noite a lua moura
 crescente luz de foice me assassina
 e me morro no haxixe com Rimbaud

SONETO PARA EUGÊNIA

 O tempo que te alonga todo dia
 é duração que colhes na paisagem,
 tão distante e tão perto em ventania,
 sitiando limites na viagem.

 Desse mar que se afasta em maresia
 o vago em teu olhar se faz aragem
 nas vagas que se vão em vaga via
 vigia de teus pés no vão das margens.

 E o fio da teia vai fugindo fosco,
 irreparável névoa pressentida
 nos livros que não leste, nesses poucos

 momentos que sobravam da medida.
 Angústia de ponteiros, sol deposto,
 no tédio das desoras foge a vida.

 Vida que bem mereces por inteiro,
 e é pouca a que te dou de companheiro.

CHUVA DE FOGO

 Meus olhos vão seguindo incendiados
 a chama da leveza nesta dança,
 que mostra velho sonho acalentado
 de ver a bailarina que me alcança

 os sentidos em febre, inebriados,
 cativos do delírio e dessa trança.
 É sonho, eu sei. E chega enevoado
 na mantilha macia da lembrança:

 o palco antigo, as luzes da ribalta,
 renascença da graça do seu corpo,
 balé de sedução, mar que me falta

 para o mergulho calmo de um amante,
 que se sabe maduro de esperar
 essa viva paixão e seu levante.

SONETO DA SENTIDA SOLIDÃO

 A falta é complemento da saudade,
 servida em larga ausência nos ponteiros,
 bandeja dos segundos que se evade,
 em pasto das desoras, sorrateira.

 Estar é seduzir sem muito alarde,
 no avaro aqui agora companheiro,
 o porto da atenção que se me guarde
 o ser presente da sanha viageira.

 Partir é sentimento de voltar,
 liberta, eu sei, no vento e seu afoite,
 navega a sina em rasa preamar;

 ela, essa ausente, é dona e meu açoite,
 no seu impulso presto em navegar,
 vai se enfunando em névoa pela noite.

OLHAR

 As grades que me prendem são teus olhos,
 aquática prisão, cela telúrica,
 liana que me enrosca e me desfolha
 no tronco tosco dessa árvore lúbrica.

 No sol de Gláucia apenas me recolho
 e, sendo assim, o sido se faz público
 num pelourinho aberto com seus folhos
 zurzindo seu chicote em gestos lúdicos.

 Perau de feras, circo de centelha
 regendo as águas tépidas de escamas
 no fogo da (a)ventura da parelha.

 Tudo em suor e sal o amor proclama:
 No mar do teu olhar a onda se espelha
 na chama que me queima e que te inflama.

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Marluce Portugaels (Eu Vou Cantar o Meu Rio)

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de muitas voltas 
 mil meandros tem o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de margens largas 
 como é bonito o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de terras caídas 
 barrancos toldam o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de aves ligeiras 
 garças voam sobre o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio cheio de estórias 
 lendas, causos contam o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de tantas lembranças 
 como é bom lembrar o meu rio 
 O meu rio Juruá

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Arquivado em Amazonas, poema.

Marluce Portugaels

Nasceu em Eirunepé, Rio Juruá, no interior do Amazonas, a centenas de quilômetros de Manaus. Aprendeu a ler e escrever subindo e descendo o Rio Amazonas, nos chamados navios gaiolas, dos quais seu pai era rádio-telegrafista. Passou parte de sua infância no Seringal Bom Jardim, de seus avós maternos, onde, nos serões para a debulhada do milho, ouvia histórias e causos contados pelos mais velhos. As lembranças dessa época talvez tenham deixado marcas em sua vida como contadora de histórias. 

 Estudou Filosofia e Letras na Universidade Federal do Amazonas, onde se tornou professora de língua e literatura inglesa. Fez Mestrado em Linguística Aplicada nos Estados Unidos, e outros cursos de pós-graduação no campo do ensino de línguas, em universidades brasileiras e europeias. É especialista em Metodologia do Ensino de Línguas Estrangeiras, e Leitura em Língua Estrangeira. Habitou em vários países, como, Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, França, Bélgica, e, atualmente, mora em São Paulo, passando longas temporadas em Manaus. 

 Aprender e ensinar línguas são algumas de suas grandes paixões, o que a levou a tornar-se fluente em inglês, francês e espanhol. Sua vida acadêmica tem sido bastante produtiva, dentro e fora da sala de aula, pois, além de dar aulas, escreve trabalhos e promove seminários sobre ensino-aprendizagem de línguas, com apresentações no Brasil e no Exterior. Também escreve textos de ficção, como poemas, trovas, crônicas, contos, já tendo recebido alguns prêmios, e publicado alguns trabalhos em antologias. Colabora com o Jornal do Comércio do Amazonas, em Manaus, escrevendo crônicas.

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Natália Lima (Poesias Avulsas)

FELICIDADE
E quando chegar amanhã
Eu vou estar do teu lado
E no depois de amanhã
Estaremos  contando histórias
de tudo o que vivemos

E por amá-lo hoje
Me honra a certeza desse amor
que  ainda ontem  desconhecia

Felicidade  é  teu amor
Por toda a eternidade
Felicidade é ser amor
Para minha felicidade

SE NÃO EXISTISSE HORA
Se não existisse hora
O tempo não acabava
Se não existisse hora
A vida não passava
Há  horas percebo o tempo
E o que ele leva consigo
O tempo acelera os segundos
E  os primeiros que passam voando
Já os últimos estão mais perto
Mas não muito longe do fim

Se não existisse hora
Também não existiria
Nem o nascer, nem o pôr
E nem o crescer da flor
Nem muitas belezas
E nem muita dor
Daquilo que parte por ora
Sem controlar o passar
O desejo do inerte impossível
Desejo de ter e ficar
Desejo do desequilíbrio

Se não existisse hora
Todo tempo seria agora
Sem pressa  e sem demora
O tempo faria  greve
E  a hora faria graça
Sem culpa ou explicações
Se não existisse hora
Estaria agora em outro lugar .…

PRECISO ESCREVER
Preciso escrever com a força daquele
que um dia conseguiu ser lido e admirado

Foi lido, admirado e cantado…

Aquele mesmo que versejava nas madrugadas

Um tal que parava no tempo e se perguntava:
-Serei lido amanhã ?

E se respondia feliz:
-Percebo que sim…

O mesmo que se questionava
quanto a riqueza de seus versos

Lia-se   e não acreditava

Mas aquela mesma força, a mesma força conseguiu ser lida
conseguiu ser admirada

Ao menos a minha própria visão leu o fundo
o profundo do meu eu
Com tanta força
Que mal espera para escrever
O que já está em mente
Antes mesmo que estes versos acabem…

PERCEPÇÃO
Você pode fazer da sua vida, o céu
Basta ter a percepção
Da simplicidade das coisas
Do valor do pouco
E de que o muito nem sempre  é tanto
De não parar no tempo
Mas ter paciência
Do significado do amor
De exercer a paz
Da importância de um sorriso
E da intensidade dos gestos
De que não somos perfeitos
Mas podemos ser o  ídolo de alguém
De que nem todo dia estaremos felizes
Mas que alguém é feliz porque existimos
Procurar algo para achar
Seja feito por você , ou por outrém
Mas que seja feito de coração
Com a pureza divina
De quem tem a percepção
De que a vida pode ser o céu

DESABAFO
Há algo que me sufoca
Que me inquieta
Não sem bem o quê
Algo que mexe com tudo
Tira-me o sossego
Tem a ver com o que sinto
Com o que quero ser
Tem a ver com o que conto
Com o quero dizer
Sem saber ao certo o quê
Vou-me esvaziando do sufoco
E preenchendo lacunas com palavras
No papel antes branco
Agora pleno de sentimento
Apenas sentimentos
Sem que eu ainda saiba qual
Sentimento que me alivia a alma
Sentimento relaxante
Desabafo talvez
Daquilo que precisava ser dito
Mesmo que sem sentido

CENAS DE AMOR
Escrevo que te amo
Com a felicidade pulsante
Que me percorre as veias

Escrevo no teu corpo
Sobre o doce amor
Que me entorpece

Escrevo versos nossos
Únicos e cúmplices
Que traçam o gosto
Da boca
Do beijo

De todas as partes
Que compõem
Nossas Lindas
Simples,
Mas Intensas,
Porém Incomparáveis,
Cenas de amor .…

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=56322

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Arquivado em Amazonas, Manaus, Poesias Avulsas

Moura Tukano (Não somos donos da teia da vida, mas um de seus fios)


O Mundo foi tecido por um Criador. Sem limites e sem fronteiras. Nossos atos têm conseqüências imediatas por sermos fios dessa teia. Ele deu-nos a cada um a porção de responsabilidade própria de conduzir o seu fio de modo a garantir a sintonia com os demais, proporcionando todo o possível para a Teia se manter sólida, aconchegante, prazerosa. Bem tecida com amor, fartura e musicalidade ela foi deixada começada no Plano Original para Mãe Terra.

Uma Teia bem tecida, com a beleza da matéria-prima que inclui as cores, os rumores, os aromas, os sabores e as notas musicais e todos os elementos proporcionados pela Mãe-Terra com as garantias do seu Fundador, depende muito da solidez e da responsabilidade própria de cada fio que fará a segurança, a proteção e a manutenção da vida num eterno movimento comemorado em cada fase da Lua. Em cada plantio, cada colheita, cada dança, cada noite de luar. Nos acasalamentos e nos nascimentos. Nas festas da despedida e na grandeza da continuidade em todas as estações do tempo e do espaço.

Quando um fio irresponsável se rompe, certamente enfraquecerá ou afetará outros sensivelmente ao redor. Cada abandono é um fio rompido. Cabe ao homem manter limpo e fortalecido este elo inato. Isto se chama dignidade, integridade. Isto também se chama: alimentar o espírito. Urge de cada um a conservação fundamental da Teia, matriz que os ancestrais passaram de geração a geração.

São fios que ligam o passado ao futuro e que estão nas mãos do presente. Eles não podem se romper. São permanentes. São guardados na área sagrada da memória e no porta-jóias do coração. São sementes escolhidas bem embaladas no cantinho sagrado aguardando o êxtase da fecundação. Fio que começa como cordão umbilical oxigenando a vida. Guardá-los, é responsabilidade de cada um. A história não pode ser interrompida tragicamente por causa do rompimento de qualquer fio. O tênue fio de uma teia possui a força do Grande Tecelão, o Grande Espírito. Cabe a nós, que viemos como sementes guardadas e amadas, a responsabilidade de produzir sementes puras para o equilíbrio, paz, alegria desta teia formada por três inesquecíveis tempos da eternidade: o passado, o presente e o futuro. Não saia da Teia. E ajude a tecê-la cada vez que um fio pueril, doente ou enfraquecido precisar de você.

Fonte:
Mundurukando. http://danielmunduruku.blogspot.com.br/

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Anibal Beça / AM (Livro de Sonetos I)

SIMPLES SONETO

Desejado soneto este que é escrito
sem as firulas graves do solene,
que leva na palavra o simples rito
da fala cotidiana. Não condene

no entanto, a falta de um estro especioso,
nem de brega rotule esse meu vezo.
Apenas sinta o som oco e poroso
do fundo mar de anêmonas, o peso

rarefeito das algas nos peraus.
Essa cantiga filtra nossos medos,
as culpas e os tabus, e dá-me o aval

para buscar o simples e em querê-lo
ornamento de estética espartana
na faxina ao supérfluo que se espana

PROFISSÃO DE FÉ

Meu verso quero enxuto mas sonoro
levando na cantiga essa alegria
colhida no compasso que decoro
com pés de vento soltos na harmonia.

Na dança das palavras me enamoro
prossigo passional na melodia
amante da metáfora em meus poros
já vou vagando em vasta arritmia .

No vôo aliterado sigo o rumo
dos mares mais remotos navegados
e em faias de catraias me consumo.

É meu rito subscrito e bem firmado
sem o temor do velho e seu resumo
num eterno retorno renovado.

PARA QUE SERVE A POESIA?

De servir-se utensílio dia a dia
utilidade prática aplicada,
o nada sobre o nada anula o nada
por desvendar mistério na magia.

O sonho em fantasia iluminada
aqui se oferta em módica quantia
por camelôs de palavras aladas
marreteiros de mansa mercancia.

De pagamento, apenas um sorriso
de nuvens, uma fatia de grama
de orvalho e o fugaz fulgor de astro arisco.

Serena sentença em sina servida,
seu valor se aquilata e se esparrama
na livre chama acesa de quem ama.

SONETO QUEBRADIÇO

Mão minha com maminha movediça
traçando vai na limpa areia branca
versos cambaios, frouxos, na liça
língua caçanje, claudicante, manca.

No pé quebrado o ritmo se atiça
para dançar com rimas pobres, franca
trança de cambalhota tão cediça,
que me corrompe o salto e que me estanca.

Queda de braço nas quebradas quebras
vou me quebrando como um bardo gauche:
pelas savanas sou mais uma zebra.

Mas consciente desse torto approuch
já me socorre a gíria de alma treta
para solar meu solo nos ouvidos moucos.

NOSSA LÍNGUA

para o poeta Antoniel Campos*

O doce som de mel que sai da boca
na língua da saudade e do crepúsculo
vem adoçando o mar de conchas ocas
em mansa voz domando tons maiúsculos.

É bela fiandeira em sua roca
tecendo a fala forte com seu músculo
na hora que é preciso sai da toca
como fera que sabe o tomo e o opúsculo.

Dizer e maldizer do mel ao fel
é fado de cantigas tão antigas
desde Camões, Bandeira a Antoniel,
este jovem poeta que se abriga

na língua portuguesa em verso e fala
nau de calado ao mar que não se cala.

* “filiu brasilis, mater portucale,
Que em outra língua a minha língua cale.”

ARS POÉTICA

Nesse afago do meu fado afogado
as águas já me sabem nadador.
A rês na travessia marejada
gado da grei de um mar revelador.

Vou e volto lambendo o sal do fardo
língua no labirinto, ardendo em cor
furtiva, enquanto messe temperada,
da tribo das palavras sou cantor.

Procuro em frio exílio tipográfico
o verbo mais sonoro em melodia
o ritmo para a cal de um pasto cáustico.

Sou boi e sou vaqueiro dia a dia
no laço entrelaçado fiz-me prático
catador de capins nas pradarias.

SONETO DE ANIVERSÁRIO

Setembro me agasalha nos seus galhos
e de amor canto no seu verde ventre:
Eis a ventura vaga em danação,
bronze canonizado nas cigarras.

O canto é breve, fino, e já anuncia
o inconfundível som do último acorde:
aquele dó de peito em nó estrídulo.
Como Bashô sonhara, é despedida

que mal se sabe, é morte anunciada,
canora liturgia sazonal.
Em setembro me mato e me renasço

em canto livre, rouco, sem ter palco,
representando de cor e salteado
o meu 13, que é fado e sortilégio.

ÚLTIMO ROUND

O vento que de verde tudo varre
não varre esta floresta onde eu habito.
Espana roxas nódoas de um espárringue
que sou eu mesmo a rir por esses ringues.

Porradas que me dou? Mero detalhe,
de quem passou a vida sem ter sido
sendo, o sabido súdito do anárquico.
Não fui, não sou, não quero ser doído.

O menestrel choroso? Este não vale,
perdeu-se pelos socos de outras divas
em noites desbotadas na paisagem.

Mas então, o que fica dessa trilha?
ora, amigo, nocautes dessa aragem
varrida nos cruzados descaminhos.

MALA COM ALÇA

É da lama essa mala que retiro
para subir a encosta (como a pedra
que Sisifo ainda empurra todo dia)
numa viagem cheia de seqüelas.

Não há como negar tantos espinhos
na travessia turva de mistérios
que vão-se descobrindo nos caminhos:
a mão negada, a fome, o vitupério,

o rito solidário que esquecemos
em troca a vaidade transitória.
Somos do barro e ao barro voltaremos.

A verdade do Homem e de sua Hora
vem com mala e alça, disto sabemos,
mais o peso do corpo e sua história.

SONETO COM ESTRAMBOTE ENVIESADO

Alfaiate de mim costuro a roupa
que cabe ao figurino que me coube.

Só meu verso protege essa amargura
desfiada de dia ao sol veloz,
para à noite tecer nova textura,
novelo de silêncio ao rés da voz.

Enxoval construído nessa usura
solitária de andaimes, num retrós
de linha vertical, que se pendura
na pênsil teia atada, fio em foz

desse rio agulha que me costura
ao rendilhado de águas tropicais,
que sabe de saudades no meu cais.

Viageiro de uma sanha que me traz
sempre de volta ao tear do meu destino
na seda depressiva me assassino.

JOROPO PARA TIMPLES E HARPA

Em duas asas prontas para o vôo
assim se foi em par a minha vida
e com rilhar de dentes me perdôo
trilhando as horas nuas na medida

Bilros tecendo rendas amarelas
bordando em vão um tempo já remoto
no sol dos girassóis da cidadela
canto um recanto que me faz devoto

A dor que existe em mim raiz que medra
no rastro mais sombrio as minhas luas
talvez não fora Sísifo ou a pedra

que encontro todo dia pelas ruas
ao revirar as heras nessa redra
trilhando na medida as horas nuas

Fonte:
http://www.sonetos.com.br/biografia.php?a=64

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Bienal do Livro da Amazônia.


Pela primeira vez Manaus vai sediar a Bienal do Livro Amazonas de 27 de abril a 7 de maio.

A 1ª edição da Bienal do Livro Amazonas acontecerá no Centro de Convenções Estúdio 5.

O evento reunirá autores de expressão nacionais e internacionais em um pavilhão de 6 mil m².

A Fagga e GL exhibitions irão organizar a feira, com o apoio da Secretaria estadual de Cultura, o evento literário pretende distribuir R$ 1.000.000 em vales livros para estudantes da rede pública.

Fonte:
Câmara Brasileira do Livro

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