Arquivo da categoria: Antologia Poética

IV Seletiva para a IV Coletânea Século XXI – 2013 (Prazo: 5 de Março de 2013)

Homenagem (Aceita e Autorizada pela Autora) –
Olga Savary (Belém, 21 de maio de 1933)

É poeta, como gosta de ser chamada, contista, romancista, crítica, tradutora e ensaísta.

Inscrições de 1º de FEVEREIRO a 5 de MARÇO de 2013

(Preferencialmente pela INTERNET ou pelos Correios)

A PoeArt Editora de Volta Redonda RJ, institui a IV Coletânea Século XXI (depois do sucesso da I, II, III e das Antologias Poéticas de Diversos Autores, Vozes de Aço da I A XIII e do livro Cardápio Poético, primeira e segunda edição), para premiar autores de ambos os sexos, maiores de dezoito anos, amadores ou profissionais, somente residentes no país, na categoria: Poesia, em língua portuguesa, tendo como objetivo principal à descoberta de novos autores e o intercâmbio cultural entre os participantes.

SEM TAXA DE INSCRIÇÃO: (ATÉ 3 POESIAS)

Ao efetuar a sua inscrição, o autor estará concordando com as regras do Concurso, e, se selecionado, autorizando a publicação dos trabalhos na IV Coletânea Século XXI – 2013. Em caso de cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral, será responsabilizado judicialmente.

Tema e Apresentação:

– O tema é livre OU HOMENAGEM À AUTORA.

– Cada autor poderá inscrever de uma a 3 poesias (versos livres ou poema com forma fixa), cada uma em uma página, inéditas ou não, máximo de até 30 versos cada, fonte Times New Roman, corpo 12, digitadas somente em um dos lados da folha, onde deverá constar o título de cada poesia. Não é necessário pseudônimo.

– Uma via de cada trabalho, no mesmo envelope, mais um CD (se for enviar pelos correios) com as poesias gravadas e uma foto de perfil recente em alta resolução (que será usada no livro).

– Em anexo um envelope menor, lacrado, sem qualquer identificação do lado de fora, contendo:

– Nome completo, nº do RG, nome do concurso, títulos dos trabalhos, endereço completo, dados biográficos

(no máximo dez linhas), telefone e e-mail.

– As obras que chegarem sem esses dados não serão consideradas inscritas.

– Todos os trabalhos enviados (selecionados ou não) serão incinerados, após a divulgação do resultado.

Forma de Inscrição:
As obras deverão ser enviadas (preferencialmente pela INTERNET para: poearteditora@gmail.com)

ou pelos correios para:
PoeArt Editora: Caixa Postal: 83967 – Cep: 27255-970 – Volta Redonda – RJ.

Premiação:

Os cinco melhores poemas serão publicados sem qualquer ônus na IV Coletânea Século XXI – 2013 –, cada um dos cinco autores premiados receberá 3 exemplares da obra pelos direitos autorais, diploma e a sua foto colorida no livro.

OBS: A partir do 6º trabalho selecionado, os autores serão convidados a participar do livro pelo sistema de cooperativismo, pois serão escolhidos no máximo cem trabalhos de até cinqüenta autores.

Jean Carlos Gomes / Organizador e Editor / Contatos: 24 – 9993-0615 | 33457352 (depois das 18h)

E-mail: poearteditora@gmail.com.br/ poearteditora.blogspot.com

Organização e Realização: PoeArt Editora de Volta Redonda – RJ

Apoiadores: Reprográfica Barrense, Colégio Garra Vestibular, Lex Print – Suprimentos de Informática, Teatro GACEMSS 67 Anos de Cultura, GREBAL – Grêmio Barramansense de Letras, Academias: Barramansenses de Letras e História, Art Nouveau, Val Lourenço – Cabelo e Corpo, Jornais: O Universo, Volta Cultural, Jornal do Interior, MaioIrdade, A Voz da Cidade e Diário do Vale, Clube Foto Filatélico e Numismático de VR – Ponto de Cultura, Zênite Publicidade, Usina Gráfica – Design e Propaganda, Câmara Municipal de VR e Deputado Federal Zoinho.


Fonte:
Clevane Pessoa

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Mil Poemas para Gonçalves Dias (Participe!!!)

Dilercy Adler, psicóloga e poeta, está organizando, com o Instituto Histórico e Geográfico de São Luiz , Maranhão, onde mora a antologia Mil Poemas a Gonçalves Dias.Leia no meu post imediatamente anterior.
A participação é sem ônus para os poetas.
Tendo participado da antologia a Neruda, de Alfred Asís, ela agora, está nesse trabalho brasileiro-e convida a todos que escrevem Poesia a essa inclusão.Como aplaudimos, Alfed Asís, já faz escola, com seu exemplo.
Segundo a poetamiga Dilercy, ainda não foi alcançado o número de mil autores.Então, corram com seus poemas ao grande poeta que, fora do País, lembrava “Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá/as aves que aqui gorjeiam/não gorjeiam como lá”
A antologia terá lançamento em 2013.
Clevane Pessoa
hana.haruko2@gmail.com
“Lembro a todos a importância da participação na Antologia em homenagem a Gonçalves Dias, ainda não completamos a meta dos 1000 poemas. Gostaria de contar com a participação dos queridos confrades e confreiras e fazer saber a todos que a nossa querida confreira Ilda Costa Brasil prestou uma inestimável contribuição à nossa homenagem a gonçalves Dias mediando os seus alunos na construção de poesias desse seu trablho reultou quantitativo razoável de jovens participantes!!! 
Saudações Gonçalvinas,
Dilercy Adler”
(dilercy@hotmail.com)

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Eleonora Cajahyba /BA (Antologia Poética)

ODE À POESIA

 Cantei o poeta e os mais altos louvores
 Do criador de mundos ignorados,
 Que flutua em hipóteses de amores,
 Dos mais distantes mares vislumbrados.

 Não cantei da Poesia seus fulgores
 De rainha dos nobres cadenciados
 Versos de gama e gema multicores,
 Dos gregos aos romanos, decantados…

 Peço perdão, com a mente genuflexa,
 Pelo tempo perdido e indiferente
 A tão augusta musa sem rival.

 Safo quedou-se pasma, mas perplexa
 Ante tua grandeza resplandescente…
 Dos séculos serás Deusa imortal!

ESTELIONATO LITERÁRIO

 De tudo existe neste velho mundo,
 Até quem faça crônica qualquer
 Sem ter um pensamento ou idéia sequer:
 Furta o mérito alheio – o mais fecundo.

 Estelionato, crime assaz oriundo
 De todo mau caráter, faz mister
 O Escrutor denunciá-lo, e assim, requer
 A Lei contra esse engodo vil e imundo.

 Mas pula esse insensato carreirista
 No talento do mais bondoso artista,
 Posando de notável escritor…

 Assim, tem grande fama de letrista,
 Até que um dia o cínico golpista 
 É descoberto… e o santo cai do andor.

BALADA DO ONTEM E DO HOJE

 Eu já cantei o amor e o afável vento,
 A tristeza, a saudade e a comoção;
 A dor, a fria morte e o sentimento
 Desfolhei rosas rubras da paixão…

 Joguei-as lá no caos do esquecimento
 E colhi-as no enlevo da oração;
 Mas chega tão pungente o desalento
 E dói na alma e tritura o coração.

 Se acaba do passado tal tristeza
 Brilha o sol e sorri a natureza
 Chovem dourados pingos pelo chão.

 Eis a dança de dois, após a luta
 Do hoje sobre o ontem; tudo assim exulta
 A inigualável paz do coração!

A PORTA

Ao poeta Clóvis Lima

 A porta é aberta no fruir da vida.
 Porém, fechando ao mundo, vem a paz.
 E, à solitude do meu leito, traz
 Com a noite, um doce abrigo, após a lida.

 Porto seguro, firme e assim sentida
 É refúgio, se a calma satisfaz;
 Às vezes, a alma chora… chora… mas
 Chorando, é quando grita a dor sofrida.

 Na clausura, é cerrada a liberdade;
 Se abre aos amantes, gozo e amenidade,
 Se a porta bate à cara, ò dor cruel!

 Ao rico empobrecido, só saudade…
 Pois fecha a porta ao pobre com maldade.
 Nada se iguala à porta, a do amigo fiel.

O TOLO

“Les sots, depuis Adan, sont en majorité.”
Delavigne

 O tolo sempre quer glória e poder
 Sem atentar no absurdo que ele sonha;
 E, por mais alto que o desejo ponha,
 Mais cresce o seu desejo de querer.

 Não vê nada sombrio… só quer ver
 A vida pela face mais risonha,
 E nem pensa que existe o desprazer,
 Que isto ser-lhe-ia a máxima vergonha.

 Esta não é uma visão sofista,
 Ao contrário, revela uma realista
 Quer, deste jeito, louva a grande sorte…

 Mas, ai do tolo! Em sua pobre vida,
 Não receia da morte a despedida
 Porque ignora, sequer, que exista a morte.

O DESERTO E A LOUCURA

 A Carvalho Filho

 Antes a poética loucura
 do que a sanidade dos medíocres.
 No seu deserto há lua cheia,
 na sua loucura há preamar.

 O seu deserto é povoado de idéias,
 de imagens belas e profundas.
 A sua loucura é a lucidez dos puros
 que vêem paisagens infinitas.

 É o conflito dos extremos
 na busca da unidade.
 É o ser finito buscando
 a infinita coerência do existir.

ENGANO E VAIDADE

A Treu

Ambos erramos. Eu, quando o deixei,
Mas sentindo a constância da saudade.
Tu, quando fiquei só e, por vaidade,
Não me perdoaste, e, livre, retomei.

Tentei debalde; nunca mais amei…
Tomei-me pária, errante, na orfandade,
Buscando uma suposta afinidade.
Ó leda fantasia que sonhei!…

Vivendo assim, cansados de sofrer:
Distantes – penso em ti e tu, em mim.
Como é triste o refúgio sem nos ver…
Este é o látego amargo de perder
O verdadeiro amor, esse festim
De dois, unidos para florescer.

TUDO E NADA

Já cantei Tudo o que senti e vislumbrei:
Mulher, homem, céu, terra, fogo e o vasto mar;
E os sentimentos – dor, saudade do luar,
O amor, a nostalgia e o mundo que sonhei.

A esperança, a bondade e as rosas que plantei
No meu jardim querido, onde fico a cismar…
Penso que esqueço e sei que estou a recordar…
E o pensamento vai e volta, se o busquei.

A vida é o sonho do nosso bem ou do mal;
Essa felicidade eterna é uma ilusão
Que acalenta o inocente em pleno vendaval.

Maior dádiva é amar a vida doce e sã.
O Tudo e o Nada em nossa mente estão!
O Hoje é o Ontem, lembrado e o Porvir do amanhã.

A CASA DA COLINA

Reflete o Rio Preto a casa da colina,
Branquinha com varanda em redor e o jardim
Com rosa perfumada e orquídeas e jasmim,
Lembrando a minha infância airosa de menina.

A baixo, corre a negra água, tal serpentina,
Fecundando o sopé do morro até o fim…
Do alto, avista-se o céu, alua e tudo assim;
E à tarde o adeus do sol à estrela vespertina.
Do meu jardim de inverno, olho sempre a paisagem
Que me fez recordar os meus amados Pais
Que a contemplavam como a esplêndida miragem.

Eles partiram… Mas ela nada mudou…
Ronda-a freqüente o triste eco dos nossos ais:
Esta saudade eterna – e o vento não levou…

A MATURIDADE

É a fase da razão e do senso maduro.
Planeja-se o amanhã e o bem que delibera
Com tal filosofia… eis o fIm da quimera,
E da esperança que só vislumbra o futuro.

O sentido se aguça e o passo é mais seguro;
Surge o equilíbrio e a paz suave que acelera
Esta maturidade amena que se espera…
Sobrevém à paixão, frio amor de Epicuro.

Mas a Mulher aos trinta, esplende a formosura
E a madureza bela, elegante e outonal,
Exibindo ainda a flor da graça e da candura.
Hosana à plenitude hígida e exuberante,
Que se mantém alegre, ardente e jovial!
É a dádiva divina -o prêmio triunfante.

Fontes:

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Marly de Oliveira (Antologia Poética)

CERCO DA PRIMAVERA

5.

Molhava os cabelos negros
nas águas da noite, quando
cheio de sombra acendeste
uns olhos cor de limão,
iluminando o silêncio
com o simples tocar de mão.

Um rumor de vinho claro,
de bocas e mãos unidas
e um cheiro de mel e flor,
rasparam, ai, como espada,
meu corpo cheio de noite
e o teu, perdido de amor.

Por certo que não queria,
mas tinha a cintura e jeito
ao teu abraço achegados,
e na sombra relumbrava
a água verde dos teus olhos
nos meus cabelos molhados.

Tremores de vento e lua
encabritavam-me o sangue,
e penas de sal e fogo
talavam o silêncio escuro,
ferindo nossas cadeiras
e amarfanhando o chão duro.

Em frio e fogo de amor
apenas luz se alongaram
curvados talhes desnudos.
E nas sombras o silêncio
agitava como franjas
seus longos braços agudos.

RETRATO

Deixei em vagos espelhos
a face múltipla e vária,
mas a que ninguém conhece
essa é a face necessária.

Escuto quando me falam,
de alma longe e rosto liso,
e os lábios vão sustentando
indiferente sorriso.

A força heróica do sonho
me empurra a distantes mares,
e estou sempre navegando
por caminhos singulares.

Inquiri o mundo, as nuvens
o que existe e não existe,
mas, por detrás das mudanças,
permaneço a mesma, e triste.

               De Cerco da Primavera (1958)

EXPLICAÇÃO DE NARCISO

1.
A carne é boa, é preciso louvá-la.
A carne é boa, não é triste ou fraca.
O que a atinge é a fraqueza que há num homem,
a tristeza, maior que um homem, mata-a.
A carne nada tem, salvo o seu sono,
barro tranqüilo de harmoniosa forma,
corpo que distraídos animamos,
fonte real de toda a nossa glória.
A carne é o instrumento do princípio,
é por ela que eu vivo, que vivemos,
e se revela o amor como é preciso;
o que está fora se une ao que está dentro,
alma e corpo no corpo confundidos,
e a sensação completa de estar vendo.

18.

Num tempo alheio ao tempo, a sós comigo
mais uma vez diante de mim, me escuto:
o meu rebanho ficou longe, longe,
e sou pastor apenas do meu luto.
Mana de mim como um silêncio o amor,
e uma angústia, uma estrela em que me escudo
extremamente para não morrer,
de meus próprios recursos inseguro.
Que saudade de mim me vem agora
quando revejo a fonte com seu brilho
onde meu rosto urgia um tempo-outrora!
Permanência do amor ou desafio
ao tempo, no âmago de mim se vota
um sol eterno e cada vez mais frio.

               De Explicação de Narciso (1960)

A SUAVE PANTERA

1.
Como qualquer animal,
olha as grades flutuantes.
Eis que as grades são fixas:
Ela, sim, é andante.
Sob a pele, contida
— em silêncio e lisura —
a força do seu mal,
e a doçura, a doçura,
que escorre pelas pernas
e as pernas habitua
a esse modo de andar,
de ser sua, ser sua,
no perfeito equilíbrio
de sua vida aberta:
una e atenta a si mesma,
suavíssima pantera.

11.

Como no fundo da ostra a pérola
ela se deita veludosa,
mas anda com patas rebeldes
seu coração com uma glória.
Tem um ritmo de silêncio
a força com que ele desprega
as patas a cada momento,
numa espécie de ânsia secreta.
Violento é o sono do seu corpo,
mas sem aspereza nenhuma,
igual à queda de uma coifa
brusca e silente na verdura,
sem direção, igual à paina
mas uma paina concentrada,
mas uma paina vigorosa,
seu sono cego, cheio de asas.

               De A Suave Pantera (1962)

O SANGUE NA VEIA
25.

Escrevo; logo, sinto, logo, vivo,
e tiro-lhe ao viver a indisciplina
que o espraiaria, que o dispersaria,
e dou-lhe a minha forma comedida,
a que tem o tamanho de um amor
que eu guardo, que não gasto, não disperso;
amor que se concentra em dura pérola,
não pétala, não isto que é um excesso,
pois que pode voar; o que me fica
de tudo o que acontece e não se altera,
de tudo o que acontece e me escraviza,
e do que escravizando me liberta.
Escrevo; logo, sou quem se domina,
e quem avança numa descoberta.

               De O Sangue na Veia (1967)

XVI

                              À Mônica (aos três anos)

Um súbito silêncio enfreia a mágica
aventura de estar entre os objetos
que apenas reconhece. Ela adormece
a meus pés como um gato, um bicho quieto,
com doçura felina, suave e intensa,
recolhida em si mesma contra o frio
da noite. Ela me é, me dorme no seu sono,
desdobrada de mim, além de mim,
que a recebi sem entender, atenta
ao milagre de vida de que fui
receptáculo apenas, serva mansa,
e em tudo obediente à natureza.
Dorme a meus pés, e meu amor reinventa-se
vendo-a tão calma assim, tão sem defesa.

               De Contato (1975)

Clarice

XVIII.

Revejo seu rosto nos vários retratos:
cada um capta algo, nenhum a totalidade
do que ela foi, do que é ainda,
a cada instante outra/renovada.
Eu sei que ela tocou no escuro o Proibido
e conheceu a Paixão
com todas as suas quedas.
Quem esteve a seu lado sabe
o que é fulguração de abismo
e piscar de estrela na treva.

               De Aliança (1979)

Alguns poemas

11. 

Um dia vou ser apenas uma biografia.
Nem isso, talvez, uma inscrição
numa pedra qualquer,
no pó que o vento leva,
na memória inconstante dos que amei
de forma certa.

29. Ser poeta não é ambição minha,
diz Pessoa,
é a minha maneira de estar sozinho.
É também a maneira de esquivar-me
à ação, eu acrescento,
subjugada por forças poderosas,
enquanto o pensamento
cava fundo
no abismo.

30. A função do poema: conhecer,
A função do teorema: desafio
que leva à abstração, à conjetura.
A função da esperança: convencer
que o poema, o teorema, a ciência, a invenção,
o semáforo, a história, a explosão
de Hiroshima; Picasso e sua glória;
o decalque, a estrutura, a rachadura,
a ruptura, a eternidade, a desmemoria;
a ignorância, a pobreza, a riqueza,
a insuficiência, a morte têm sentido.

INSCRIÇÃO

Eu. E diante da vida,
com meu azul intacto,
Um esbatido de pássaros.
Alto no vento. Grato.

A sensação de ser
só, uno, um, completo.
No redondo das horas,
pleno, lúcido, cego.

O que de mim salvando
se vai a cada instante,
nesse morrer diário
e sucessivo: um canto.

TRÊS POEMAS DE OUTUBRO

1. 

Lume, teu rosto,
agudo e novo
como um descobrimento,
E tuas mãos silêncio,
como noturno fruto
pendido sobre mim.
Eu em ti,
com meus arroubos de ave,
mas sem querer partir.

2. 

Quando às vezes te assalto
com meu querer noturno,
ébrio de mãos e beijos,
não é alguém que busca
o limiar de um lábio
ou vinho, para a mesa.
Alguém de copo em mão,
no umbral da tua porta,
o infinito suposto
quer, para além do umbral
e para além da porta.

3. 

No céu inteiro penso,
amplo de vôos límpidos
e bicos musicais,
torso desnudo e azul
como o de um pombo triste,
nuvens como asas doces,
de um corpo altivo e elástico.
No espaço em que naufrago,
onde as horas não querem
portais ou tetos, penso,
quando te chamo pássaro.

MORTE

E lutarás comigo,
fresca ainda de vento,
presa às luzes do dia
pelos cabelos últimos.
Quebrantarás meus olhos,
sei.
Apagarás as mãos
para a ternura,
para o amor,
também sei.
E alçarás a distância
entre mim e quem amo,
imperdoável.
E me terás por fim.
Mas se entrega, dura.
Mais que difícil,
fria.

ELEGIA
 

Teu rosto é o íntimo da hora
mais solitária e perdida,
que surge como o afastar-se
de ramos, brando, na noite.
Não choro tua partida.

Não choro tua viagem
imprevista e sem aviso.
Mas o ter chegado tarde
para o fechar-se da flor
noturna do teu sorriso.

O não saber que paisagens
enchem teus olhos de agora,
e este intervalo na vida,
esta tua larga, triste,
definitiva demora.

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Fábio Rocha (Antologia Poética)

LOBOS

Escrever
Meu corpo se enche de emoções dementes,
como uma taça sob torneiras intermitentes.
Se não fosse a poesia,
para onde ela transbordaria?

FÉRIAS

A Fábio, Eduardo, Suzana e José Ronaldo Neto

Lá vai o turista
subindo a ladeira.
E corre o pivete
atrás da carteira…
Lá vem o turista
descendo a ladeira.

JARDIM

A Marta, Mário, Ilka e Salvador

Do velho terraço cheio de limo,
pedaço cinzento de sua infância,
via as sombras da grande amendoeira.
O balanço enferrujado,
as grandes e barulhentas folhas caídas…
Parecia algo intocado, sagrado.
Um copo de água estagnado
era visitado
por miúdos pardais sedentos.
As amêndoas serviam de giz
para escrever nas paredes
que era um menino feliz.

BRILHO

A Alessandra

Sempre haverá
estrelas no céu.
As nuvens passam,
as tempestades se acalmam…
Sempre haverá
estrelas no céu.
Pingue a última gota
de esperança do coração…
Sempre haverá
estrelas no céu.
E nelas verei teu sorriso.

CHUVA ATUAL

Vendo a chuva que cai agora,
lembro daquela
que choveu outrora.
Escorrendo pelas folhas, naquele dia…
Hoje chove a melancolia.
Há o frio, Há poças,
há o cheiro da chuva na terra,
há tristeza em cada gota.
Algo nas nuvens se move.
Quem chora quando chove?
O pior é que a cada dia,
aquilo que já choveu,
de novo jamais chover poderia.

O VIGIA

O vigia
vigia.
Raios de luz esguia
iluminam a rua vazia.
O vigia
vigia.
Uma brisa suave e fria
traz cheiro de terra molhada e assobia.
O vigia
vigia.
Em sua mente toca uma canção da utopia
que há muito não se ouvia.
Mas é triste a canção.
E só traz mais solidão
e melancolia.

DEFINIÇÃO

A Daishoo

A vida é
como a lágrima que cai.
De tristeza ou alegria,
cai com poesia.
Algumas caem rebeldes, brigando.
Outras se deixam levar.
Caem tristes, felizes, esperançosas,
melancólicas, rebeldes, carentes ou desgostosas.
Mas todas que dos olhos saem,
sem exceção, caem.
E feliz da gota
que chega ao mar,
após cair longamente,
a procurar.
E a comunhão eterna, total e imutável
encontrar.
(Não conte a ninguém não,
mas algumas gotas que se juntam tem essa sensação,
mesmo antes do fim da queda.)

SOLIDÃO

Não estou só.
Há ácaros em minha pele,
insetos escondidos em meu quarto,
células estranhas em meu sangue,
vírus em animação suspensa no ar
e sua forte presença
em meu coração.

Fonte:
ROCHA, Fábio. A Magia da Poesia. Rio de Janeiro: Papel Virtual Editora, 2000.
Editoração Eletrônica: Ana Petrik Magalhães

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Carlos Lúcio Gontijo (Antologia Poética 2)


PRIVACIDADE

Aonde vou levo minha casa

Minha intimidade está no outro

Perco privacidade se me escondo

Ela existe enquanto me revelo

Por autoestima velo o próximo

Como se cuidasse de mim mesmo

A amizade é joia de anjo

Arranjo divino para nossa sobrevivência

ORAÇÃO DOS CASAIS

Meu bem, sei que Deus protege os casais

Semeia trigais de ternura na pele

Para que o amor sele as marcas da procura

Então, na hora em que a gente for dormir

Façamos jus aos cuidados do Senhor

Por favor, acenda-me quando apagar a luz!

PSICANÁLISE

Na bandeja fria, a mente de Sartre

O olho do Freud que me espia

Eu salgo no vinagre

Degustando o milagre de me descobrir

Perdido numa rua escura de Paris

Bastilha nua que me liberta

Em ilha virtual demarcada a giz!

SOL ETERNO

Há mais alegria na procura que no encontro

A poesia da vida está na surpresa das esquinas

Em liberdade as diferenças se fazem divinas

Não se toma água limpa em fonte suja

Quem não garimpa dentro de si mesmo

Enferruja com seu toque tudo que amanhece

Não se conhece nem se doa ao próximo

É como canoa que temesse a festa da correnteza

A Natureza acontece na candura da simbiose

Ao horizonte do amor basta a luz da ternura

O sabor da fruta não depende da semente

Vem do calor da mão calejada do plantador

Pôr-do-sol que não se põe no peito da gente!

EVAPORAÇÃO

Arreio o cavalo baio da saudade

E saio por aí feito raio

Carregando balaio de lembranças

Tropeço em desejos

Em beijos caio

Apesar da procura de outros afagos

Tateio e trago a fumaça de sua presença

Que evapora do corpo em que vagueio…

TEMPO DE ARAGEM

Enquanto dorme a Gerais guardada em sinos

E os portugais desejam além de quintos

Sobre os dias de paisagem destruída

O sol não ilumina, nem vida irradia

Apenas combina jogo de luzes

E levemente consola

Não viola a escuridão

É fogueira em solidão sem claridade

(Daí vem-me a vontade vadia)

De introduzir monarquia em meu país

Pois sentir-me-ia mais feliz

Na pátria que não é minha

Se ao menos identificasse reis e rainhas

Ou tivesse a certeza de príncipes e princesas

Estampados no vazio das mesas

De uma gente que ordeira caminha

Levada por pés de rios de vento

E mil dedos de esperança brejeira

Transformando medos em terços de inteira coragem

Feito Natureza que agredida em seu berço

Faz da montanha o seu templo de aragem

E com sua fé arranha os céus!

PELAS RUAS DE MARIANA

Assim como os molhos de estrelas

Distante de nossos olhos a verdade dos fatos

O país no mapa do querer das visões

Da pedra-sabão nascem os brilhos

Filhos de anjos quebrando grilhões

Registrando na arte o sentimento humano

Pano de fundo em que se lavra a história

Heróis nas asas da memória das paredes

As nações são como as casas

É preciso juntar cada coisa em seu lugar

Dia do raiar da luta, guerrilhas, altares

Nesses mares a história é festa cigana

Manifesta-se nas ruas de Mariana-Mãe de Minas

Através de todas as sinas e cores

Odores da história, nossa eternidade material



COPO DE CAMPARI

Sinto Falta dos amigos distantes

Que na luta da vida se perderam

Ou antes se acharam em alguma morte

Feito mãe prepara leito de filho

Com o brilho da esperança nos olhos

Arrumo a casa, preparo a sala

Receberia com gala qualquer pessoa

Mas não soa a campainha

O silêncio me ensurdece

Derrete o gelo no copo de “campari”

Em mim o apelo de prece

Tanto zelo pra terminar assim

Sem alguém que me ampare

Ciente de que a carne é mero revestimento

Breve encantamento do espírito em solidão.

———————-

————

Fontes:

– Poesias enviadas pelo autor

– Algumas poesias escolhidas do livro de Gontijo, O Ser Poetizado. 1.ed. Belo Horizonte, 2002.

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Arquivado em Antologia Poética, Minas Gerais

Esio Antonio Pezzato (Antologia Poética)


COLCHA DE RETALHO

A minha velha colcha de retalho,

Feita por minha Mãe, na minha infância,

(Tempo este já perdido na distância…)

Hoje, ainda, me serve de agasalho…

Altas noites friorentas, e eu, em ânsia,

Busco-a e me cubro – feito um espantalho –

E a ela coberto lembro-me o trabalho

Que teve minha Mãe em longa estância…

Muito mais que meu corpo, ela me aquece

O coração, que bate como prece

E mais parece guizo de um chocalho…

Não quero, não, uma coberta nova,

Do amor de minha Mãe – é eterna prova,

A minha velha colcha de retalho!

22.09.2001

EXORTAÇÃO

Canta, Poeta, os versos que fabricas

Como as águas correntes, junto ás bicas

Que correm cristalinas, pelo mato;

Canta em versos perfeitos e sonoros

A inspiração que brota de teus poros

Tirando da beleza todo o extrato!

Canta, Poeta, o amor justo e perfeito,

A sinfonia que exacerba o peito

Em alvorada multicolorida;

Canta a Graça, a Ternura, a áurea Esperança,

Canta o Amor, canta a Paz, canta a Bonança,

Canta toda a Beleza que há na vida!

Canta, Poeta, às luzes da alvorada,

O que te deixa de alma apaixonada

Num sorriso fremente, num sorriso

Que contém dentre as armas – mais poderes,

O que traz sonhos a milhões de seres

Que almejam alcançar o paraíso!

Canta, Poeta, em versos benfazejos,

Os soluços de amor dos sertanejos

Dedilhando, na tarde, uma viola;

Canta toadas com a simplicidade

De quem sabe encontrar felicidade

E de quem, entre afagos, se consola!

Canta, Poeta, em qualquer tempo, canta!

Pois tuas rimas servem-nos de manta

Tuas estrofes são nossos escudos;

Enquanto em versos soltas tua Lira,

Em nossos corações acende a pira

E a tua voz – permanecemos mudos!

14.10.1998

SEXTILHAS SOBRE O CORVO

Cada vez mais de Poe, o negro corvo,

Na minha vida anda causando estorvo

A guturar seus versos sepulcrais…

É que seu negro, atro e nefasto grito,

– Eco de sombra a ungir todo o Infinito! –

Em minh’alma crocita:– nunca mais!

Este grito de morte me atordoa,

No mais fundo de mim, lúgubre soa,

Como o verso da morte que me vem

E arrepiam-me peles e cabelos,

Iguais horripilantes pesadelos

Que caminho, na noite, sem ninguém.

A noite fere em luz pingos de estrelas,

Eu – solitariamente andando pelas

Noites de horror que estão dentro de mim,

Avisto em meio aos trôpegos destroços,

Um punhado de brancos, podres ossos,

Das vidas todas que tiveram fim.

Alem, perdida num moirão da estrada,

Eis a ave negra e funeral, pousada

Alertando meus rumos a seguir:

Armadilhas estão em cada canto,

– Fico parado, pálido de espanto,

Talvez pelo final de meu porvir!

Perscruto o olhar de lince… Calmamente

A passos lerdos vou pisando em frente

E o corvo fica a me seguir no olhar.

Está dentro de mim um denso medo!

Mas vou a desvendar este segredo

Embora sinta enorme falta de ar.

Os passos alardeiam-me a presença,

E o corvo negramente, em sua crença,

Repete-me seus ecos guturais.

É noite. Vou perdido no caminho,

E ao desespero deste andar sozinho

É o corvo crocitando:– nunca mais! –

15.11.1997

PESCADOR

(para meu filho Esio, pescador convicto)

O pescador passa as horas

Sentando á beira do rio

O sol corre o espaço aberto

E o pescador distraído

Sentando á beira do rio

Não vê o tempo passar

Tranqüilo calmo em seu mundo

As horas lerdas se arrastam

E dentro de seu silêncio

No lento arrastar das horas

O pescador pensativo

Brinca ao silêncio do tempo

Na água lerda da corrente

Navega a sua ilusão

A brisa mansa e serena

Cheia de sonhos repisa

Momentos e horas passadas

Em cardumes de esperanças

Escamas brilham em lua

Com os braços do pescador

O denso suor escorre

Pelos caminhos vincados

Das faces contemplativas

Tentando a luta vencer

O samburá prende sonhos

Dourados jaús pintados

Mas a vida provisória

Da cadeia de bambu

Prolonga a hora da morte

Para o instante da partida

Silêncio pede silêncio

Quando retesam-se as linhas

Formando um longo trapézio

Entre as mãos os pés e a água

O reflexo mais parece

Um triângulo escaleno

Equilibra-se na angústia

Do percebido e não visto

A luta submersa trava-se

Com a vontade infinita

De vencer a vida aquática

Com anzóis de aço e de fisgas

Luta – fieira de silêncio

Para a vitória do nada

Mas o pescador bem sabe

Que além da aquática luta

Há o caminho para a casa

E á vida – maior disputa

14.10.1998

BALADA INSPIRADA

Há na minh’alma a inspiração

De oferecer a ti, amada,

Aos sons do amor, uma canção,

Para mostrar que – apaixonada,

Ela anda em plena madrugada

A repetir este refrão:

– Sem ti, querida, não sou nada,

E a vida é apenas ilusão!

Por isso, em plena comoção,

Dentro da noite enluarada,

Vou aos teus pés – com devoção,

Oferecer-te esta balada.

És minha Musa, és minha Fada,

Hino de vida e de razão.

– Sem ti, querida, não sou nada,

E a vida é apenas ilusão!

Ardo de amor como o verão

Que deixa a vida incendiada.

E vivo sempre na estação

Que a vida faz iluminada.

Contemplo em luzes a alvorada

Que traz-me o sol com explosão.

– Sem ti, querida, não sou nada

E a vida é apenas ilusão.



OFERTA

És minha fruta açucarada!

Provo-te o sumo em emoção!

– Sem ti, querida, não sou nada,

E a vida é apenas ilusão!

14.08.2002

CONSIDERAÇÕES

Minha poesia já não traz o encanto

Da passada e esmaecida mocidade.

Hoje é tangida em cordas da saudade

E é sem sonoridade este meu canto.

Poucos anos separam o passado

Deste presente insípido e tristonho.

O porvir não me traz ridente sonho

E fica em pesadelo transformado.

A primavera vai perdendo as flores

E o verão antecipa a cor do outono.

As folhas vão rolando no abandono

E o inverno se transmuda em frias cores.

A exclamação do corpo belo e altivo,

Numa interrogação atroz se tange.

A costa arqueada lembra um frio alfanje,

Das intempéries fica-se cativo.

Tudo é veloz de mais… a loura aurora

Alcança o sol a pino e traz a arde…

O fogo do desejo já não arde

E o que era doce e lindo… vai-se embora…

O entardecer de dúvidas se fere,

O olhar se torna baço e se enevoa…

E a silenciosa sombra sempre soa

Num ritual de triste miserere…

13.11.2000

DESESPERANÇA

Pelas sombras, nas trevas, solitário,

Coração perambula no caminho,

Na tortura de sempre estar sozinho

Lembra Alguém que seguiu atroz calvário.

Como é triste, Senhor, o itinerário

De quem, na vida, já não tem carinho.

Ave que foi expulsa de seu ninho

Já não tem mais encantos de canário…

Mudo e tristonho vou, sem esperanças,

Carregando farrapos de mil sonhos

Pelos ermos perdidos das lembranças…

O outrora céu azul da mocidade

Hoje contém relâmpagos medonhos

E anuncia terrível tempestade…

23.10.2000

CANTO NOTURNO

(1982)

Em pleno dia o Pássaro da Noite

Cortou, felino, a tua trajetória:

E calou tua voz

E levou teu sorriso

Também tua esperança

Longe de todos nós.

– Teus sonhos de criança

Anseios de mulher,

Projetos do futuro

Lembranças do passado;

– Está tudo acabado.

A morte veio e entrou na tua vida

Deixando em todos nós, uma saudade:

Saudade dos teus cantos

E da agressividade

Junto às canções de brasa

Que soubeste cantar:

Ódio, raiva, delírio,

Amor, fogo, paixão,

Desespero inflamado

No ato da louvação

Ao cantar o passado.

Anjos cheirando a cocaína e álcool

Desmoronaram o teu corpo físico,

E a dor da morte paira

No tédio da saudade,

No palco do Teatro,

No pranto de um amigo,

Que agora, a recordas,

Lembra do paraíso

Na voz do teu sorriso

Que era maior que o mar.

Basta de soluções e mil hipóteses

Para sair da Noite a tua morte.

Melhor será lembrar-te

No palco cintilante,

Porque tudo na vida

Brilha a falsa brilhante,

E a transversal do Tempo

Não tem curva ou retorno,

E a história tão-somente

Seguindo a longa estrada,

Jamais e esquecerá.

Basta de conjecturas, pois as tramas,

Ficarão, para sempre, no segredo:

Fatos – serão passados,

Fotos – serão guardadas;

E os cantos, na magia

De tua voz perfeita,

Agradarão ouvidos

Num poema feliz

E todos, ao ouvi-los,

Relembrarão saudosos:

– Esta voz é da Elis!

25.01.1982

Fonte:

Esio Antonio Pezzato. Colcha de Retalhos. 2002.

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