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Miguel Sanches Neto (1965)

Miguel Sanches Neto é escritor paranaense e crítico literário. Responsável pela coluna semanal do maior diário do Paraná, a Gazeta do Povo (Curitiba), tendo publicado só neste jornal mais de 350 artigos sobre literatura, fora as contribuições para outros veículos, como República, Bravo!, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde (São Paulo, Poesia Sempre, Jornal do Brasil (Rio de Janeiro)e Jornal d`pontaponta – coluna mensal (Ponta Grossa- Paraná), cidade onde reside.

Nascido numa família de agricultores pobres no interior do Paraná (Bela Vista do Paraíso, criado em Peabiru), Miguel Sanches Neto tornou-se um dos mais importantes críticos literários do país, além de ser professor universitário, com doutorado em Teoria Literária pela Unicamp. Escreve na Gazeta do Povo e na revista Carta Capital. Vindo de um Estado que já deu importantes escritores ao Brasil, como Paulo Leminski e o grande ficcionista Dalton Trevisan, Miguel Sanches Neto publicou, dentre outros, o romance autobiográfico “Chove sobre minha infância” (2000), o livro de contos “Hóspede Secreto” (2003 – Prêmio Nacional Cruz e Sousa) e o de crônicas Herdando uma biblioteca (2004), todos pela Editora Record.

Embora venha escrevendo há muitos anos, desde a adolescência, talvez o escritor Miguel Sanches Neto tenha começado a ficar conhecido nacionalmente a partir de 2000, quando lançou, pela Editora Record, o romance Chove sobre minha infância, já traduzido para o espanhol. De lá para cá, ele deixou de ser promessa para se firmar como um dos nomes mais representativos da nova literatura brasileira, o que foi confirmado, agora, com o lançamento, também pela Record, de Um amor anarquista. Neste imperdível romance, o escritor nos conta, com incrível capacidade de persuasão, a história de um grupo de imigrantes italianos, que, no final do século XIX, na pequena cidade de Palmeira, no interior do Paraná, funda a Colônia Socialista Cecília, na qual tenta destruir o sistema tradicional da família e implantar o amor livre. Assunto que até hoje, passados tantos anos, permanece causando polêmica no Paraná.

Miguel Sanches conta que sua idéia de narrar a história começou a ganhar corpo em 1994, quando estava trabalhando em um livro produzido por um descendente da colônia. “desde então, vim sonhando com a possibilidade de escrever o romance. Li muita coisa a respeito, e cheguei a traduzir, com uma amiga, os escritos de Rossi [Giovanni Rossi, um dos integrantes da Cecília] sobre a experiência no Paraná“, diz o escritor. Até começar a escrever, ele visitou várias vezes os locais onde os fatos se passaram, além de ter conversado com os descendentes dos imigrantes. Planejava, também, viajar à Itália, para visitar os lugares de onde vieram os personagens, mas quando viu que isso não seria possível, resolveu começar a empreitada com o material que tinha em mãos. “Passei dezembro de 2003, fevereiro e maço de 2004 trabalhando 12, 14 horas por dia. Com este esforço concentrado, obtive o copião, sobre o qual mergulhei, eliminando capítulos inteiros, acrescentando coisas, e até 15 dias antes da impressão do livro eu ainda estava mexendo no texto”, confessa o romancista, agora aliviado, e feliz, com a repercussão positiva que o romance vem recebendo.

Escritor eclético, que tem navegado por diversos gêneros, Miguel Sanches Neto – que nasceu em Bela Vista do Paraíso, interior do Paraná, mas foi criado na pequena Peabiru – diz ser um escritor inquieto, daí essa diversidade literária. Para ele, isso não é nenhuma coisa de outro mundo, embora no Brasil as pessoas sempre esperem que o autor se dedique apenas a um tipo de texto. “Isso é bobagem. A gente tem que escrever de acordo com os imperativos interiores. Machado de Assis fez de tudo“, diz o romancista, sem se importar que pensem que ele está querendo se parecer com o Bruxo do Cosme Velho. “Apenas estou dando um exemplo, embora ache que devemos mesmo nos comparar aos grandes“, afirma Sanches. Mas ele não resiste e confessa que, literariamente, sente-se melhor no romance, “pela possibilidade de dizer mais, e ampliar as estruturas simbólicas“. Um amor anarquista está aí para confirmar este gosto. “Vivemos dentro de subculturas do gosto. Guetos que só lêem tais autores”

Recebeu o Prêmio Nacional Luis Delfino pelo livro “Inscrições a giz” (FCC, 1991) e o Prêmio Cruz e Souza/2002 por “Hóspede secreto” (contos, Record, 2003).

Livros:

Chove sobre minha infância ( romance, editora Record, 2000);
Você sempre à minha volta (cartas, editora Letras Contemporâneas, 2003);
Abandono (haicais, edição do autor, 2003);
Venho de um país obscuro (poesia, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Biblioteca Trevisan (crítica);
Entre dois tempos ( ensaio literário, Unisinos, 1999);
Herdando uma biblioteca (memória, editora Record, 2004);
Amanda vai amamentar (infanto-juvenil, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Estatuto de um novo mundo para as crianças (infanto-juvenil, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Primeiros contos (contos, editora Arte & Letra, 2009).

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/
http://www.releituras.com.br/

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