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Betha M. Costa (Entrevistada por Selmo Vasconcellos)

Nascida em 26 de dezembro, na cidade Belém no Pará. Filha do médico José Maria de Mendonça com Rdª Yolanda Souza de Mendonça. Batizada Maria Elizabeth Souza de Mendonça, na infância ganhou o apelido de Betha, nome pelo qual se reconhece. Amante das letras escreve desde os 14 anos. Por força do casamento assina documentos oficiais como Maria Elizabeth de Mendonça Costa. Pediatra, mãe de dois rapazes. Adotou o pseudônimo Betha M. Costa e segue escrevendo poemas e prosas como hobby.

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever?

Betha M. Costa – Sou médica pediatra. Também mãe, dona de casa, contadora, conselheira sentimental, psicóloga, pedagoga… Enfim: mulher! (risos)

SELMO VASCONCELLOS – Como surgiu seu interesse literário?

Betha M. Costa – A leitura sempre me atraiu. Em criança as fábulas de Esopo, La Fontainne, contos dos irmãos Grimm, Monteiro Lobato, os gibis… Comecei a tomar gosto por escrever, além de ler os romances de José de Alencar, os poemas de Gonçalves Dias e outros autores brasileiros e estrangeiros.

SELMO VASCONCELLOS – Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

Betha M. Costa – Participo com três textos em prosa da “Antologia Luso-Poemas 2008” (Edium Editores), em Portugal. É uma compilação de diversos textos de vários autores que publicam no site Luso Poemas. Apesar de estimulada por parentes, amigos e ter “paitrocínio” (risos), não tenho nenhum livro solo. Para mim a escrita é hobby e fator de interação com outros escritores amadores em sites e blogues.

SELMO VASCONCELLOS – Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz (es) de produzir poesia?

Betha M. Costa – A poesia está em toda parte. De acordo com o momento e sensibilidade, o cotidiano dá ferramentas para quem gosta das letras fazer um poema ou uma prosa.Sou estudiosa. Preocupo-me em conhecer os estilos literários e de repente nasce um poema, conto, crônica…O que vier a imaginação!

SELMO VASCONCELLOS – Quais os escritores que você admira?

Betha M. Costa – Cecília Meireles, Clarice Lispector, Gonçalves Dias, Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), Drumonnd, Fernando Sabino, Ferreira Gullar, Gibran, Hermann Hesse e tantos outros…

SELMO VASCONCELLOS – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

Betha M. Costa – Que não tenham medo de exporem-se através da palavra. Que procurem ler bastante, ter cuidado com ortografia e gramática, por respeito a si próprios e aos seus leitores.

Agradeço ao amigo Selmo o simpático convite, o estímulo e oportunidade para que eu mostre um pouco de mim e meus textos.

Fonte:
1a. Antologia Poética Momento Lítero-Cultural

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Vássia Silveira (Pássaros Nasceram para Voar)

O mundo sempre me pareceu um grande mistério. Lembro que ainda pequena, eu devia ter uns seis ou sete anos, vi minha irmã mais velha abater um passarinho para depois, com a ajuda de alguns amigos, dissecá-lo como a um sapo de laboratório familiar. Não arrisco explicar, aos olhos daquela menina, todo o sentimento que a cena lhe trouxe. Mas desconfio que deva ter sido algo aterrador, pois desde então, e observe que já se passaram muitos anos, passei a sentir a vida como uma eterna sucessão de enganos. Eu não cabia na família, na escola, no trabalho e, de resto, nem em mim mesma.

De início, achavam que se tratava apenas de timidez. Depois, os suores nas mãos e o silêncio que podia durar uma festa inteira, passou a ser visto pelos outros como arrogância. ‘Sofia, você precisa aprender a controlar suas emoções’, diziam-me os amigos mais próximos. No meio em que convivia, tornei-me o laboratório ideal para as frustrações alheias. E de tanto ouvir conselhos e repreendas, acabei por ter a sensação de que me dissecavam como àquele passarinho morto por minha irmã.

Primeiro arrancaram-me as pernas. Disseram-me que elas não me levavam na direção correta e que, portanto, não me eram úteis. Em seguida, analisaram e descartaram, um a um, os componentes desse pobre corpo. Foi quando descobri que ao invés de músculos, eu possuía raízes que se entrelaçavam e que pareciam expressar as mais longínquas memórias. E que no lugar de sangue, meus corredores vertiam um líquido gelatinoso e branco, uma seiva de vida que encerra um susto qualquer.

A simples idéia de que tal segredo pudesse vir a ser desvendado por algum de meus perscrutadores, congelava-me a alma. Pobre de mim. Como se não bastasse ter emprestado a esse mundo pernas, bocas e gestos aceitáveis, tinha ainda que esforçar-me para trocar com o ambiente externo, sentimentos corriqueiros, enxaquecas plausíveis, preocupações banais e um choro compreensível aqui e acolá.

Foi agarrada a essa indiscutível certeza que procurei encenar, neste grande palco, um medíocre, porém razoável, papel. Fiz-me mulher e deixei que rasgassem, dentro de mim, as mais finas veias. Como um acrobata, lancei-me em mãos e teias de palavras vilipendiosas. Deixei-me sugar até a última gota e derramei intranqüilas lágrimas em lençóis que nunca envelheciam. Ao final de cada espetáculo, retornava sozinha para o camarim. E ali ficava, ora imóvel — perturbada pelas ondas que me engoliam na mansidão do nada —, ora debatendo-me nas paredes invisíveis que me serviam de prisão.

Com o tempo, desisti de procurar aceitação. Percebi que de alguma forma não merecia ser amada, nem tampouco compreendida. Agarrei-me aos galhos que cresciam silenciosamente em meu mundo, adubando, no frescor das noites insones, algumas poucas lembranças que me pudessem ser úteis. Deixei que transbordasse nas veias partidas pelos inúmeros erros que cometi, aquilo que outrora era líquido e que não sei por qual motivo específico, tornara-se uma gosma pegajosa. Na solidão e na ausência, preguei em cada parede um retrato do que poderia ter sido minha existência e lancei-me aos ventos, experimentando a liberdade do pássaro que desconhece o momento exato da morte. E é feliz por existir na inocência de que está sempre pronto para o abate.

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Vássia Silveira nasceu em Belém (PA), em 1971. É jornalista, mãe de Clara e Anaís e autora do site “Ana e suas mulheres”. Foi editora da revista “outraspalavras”, no Acre. Atualmente mora em Fortaleza e tem textos publicados nos sites Cronópios e Bestiário, entre outros. Assina também o blog “Gavetas e Janelas”. Em julho de 2007 lançou seu primeiro livro, “Braboletas e Ciúminsetos” (literatura infantil), pela Editora Letras Brasileiras, com ilustrações de Marcelo Vaz.

Fonte:
http://www.releituras.com/ne_vassia_passaros.asp

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José Benedito Leite Pinheiro Junior (Poesias: Da Janela do Meu Quarto)

APRESENTAÇÃO

A coletânea de textos que ora apresento, reúne histórias e poesias produzidas pelos estudantes do Ciclo III e IV (5ª a 8ª no regime seriado) da Escola Municipal Florestan Fernandes em oficinas de criação literárias promovida pelo Projeto Jovens Leitores1.

“Da janela do meu quarto”, primeiro trabalho editado pelo Projeto em 2005, foi uma produção individual de José Pinheiro Jr. e contou na primeira edição com a ilustração de seu amigo de classe Pedro Pacheco.

O livro passou de mão em mão despertando curiosidade e interesse na
comunidade escolar. As oficinas e as publicações semi-artesanais que se seguiram “Cantigas de Florescer” e “No Parque ver de prosa, ver de verso”, tiveram um número cada vez maior de participantes.

É justo reconhecer que o desejo das crianças e jovens de criarem seus
próprios textos foi alimentado pelos encontros com escritores paraenses, pelas rodas de conversas, rodas de leitura, visitas à bibliotecas e livrarias, contação de histórias, recitais poéticos, cantorias…

É oportuno ressaltar ainda que esta ação de estímulo a escrita aconteceu e acontece sem maiores ansiedades de formar prosadores ou poetas.

O foco da atividade está em oportunizar aos estudantes que ampliem seu repertório cultural e se exercitem com as palavras, apropriando-se de mecanismos especiais peculiares de expressão melhorando a cada nova experiência como produtores de textos.

Paulo Demétrio Pomares da Silva
Coord. do Projeto Jovens Leitores

¹ O Projeto é realizado na Escola Florestan Fernandes desde 2002 com crianças e jovens entre 10 e 15 anos. Os estudantes são estimulados a descobrir o sabor de ler e escrever através de um conjunto de ações que prevêem rodas de conversas, rodas de leituras, visitas à bibliotecas, feira de livros, livrarias, empréstimos de livros, oficinas de produção de textos, saraus, recitais poéticos, dentre outras atividades.

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DA JANELA DO MEU QUARTO
Belém, 2005

A JANELA DO MEU QUARTO

Da janela do meu quarto
Vejo um mundo diferente
Da janela do meu quarto
Vejo a verdade
De tudo o que há
De lá vejo a vida
Os pássaros
As crianças
E as razões pelas quais
Vejo um mundo tão cheio
De qualidades
E com muita fantasia.
A janela do meu quarto é mágica
Pois me ajuda a aprender a viver
De uma maneira simples e fácil.
1º, 2º, 3º, ETC… QUAL É A MELHOR?
Meus primeiros passos foram brilhantes
Pois me ensinaram a caminhar pela vida
E tiveram o mesmo efeito
De tudo o que é primeiro neste mundo
Como o primeiro beijo
Ou até o primeiro dente que se arranca.
Tudo nesta vida que se possa imaginar
Tem-se a primeira vez.
E como diria o mais sábio poeta:
A primeira vez é a melhor das melhores.
SER CRIANÇA
Lá fora, num banquinho da praça,
Ana está a admirar o céu.
-Ana, minha filha, vamos embora,
Não fique ai feito boba!!!
-Calma papai, só quero saber por que
Os peixes desse oceano tem asas.
O CÃOZINHO DO RAUL
O cãozinho do Raul morreu.
Mas para onde foi o cãozinho do Raul?
Para baixo da terra
Ou para o imenso céu azul?
A tristeza é tanta que Raul chora
Pois o cãozinho morreu de boca aberta
Como se estivesse dizendo:
“Adeus, meu amigo, até um dia”.
JARDIM FELIZ
Na varanda lá de casa
Vejo um jardim verdinho
E há também um passarinho
Que fez ali seu belo ninho
O cachorro que não bote nem a pata
Pois as formigas fazem ali
Sua grande caminhada.
O gatinho deve ter cuidado
Quando deitar nesse chão
Pois deve estar dormindo ali
O grande camaleão.
É, crianças, nada de brincar lá com faca
Pois entre as folhas deve estar
A preguiçosa dona lagarta.
HOJE TEM FESTA NO GALINHEIRO
Nasceram os pintinhos
Mais novos do pedaço
De repente ouve-se um grande canto
Lá pros lados do brejo.
Será o lobisomem? Não.
É o seu galo cantando
Pela chegada dos novos pintinhos…
JORNAL DO POETA
Extra! Extra! O leão não é mais o rei da selva
o macaco agora é quem dá as regras.
Extra! Extra! O papagaio não vai mais
fazer fofocas.
Extra! Extra! Relógios fazem greve
por salários atrasados.
Extra! Extra! esse é o jornal da imaginação
é o jornal do poeta!
PAPAGAIO TRISTE
Desde sua infância
o papagaio tem um sonho:
Quer ser cantor.
Por esse sonho largaria tudo
porém, não pode: o papagaio é mudo.
Se tiver uma solução
fale com sua imaginação
mas seja rápido
pois ele está sentindo muita dor
o papagaio mudo que sonha
em ser cantor.
BEM -TE – VI
Bem – te – vi que canta!
Bem – te – vi que chora!
Bem – te – vi que grita!
Bem – te – vi que em tudo põe o seu nome,
Diz pra mim: quem tem a beleza
mais encantadora?
(pergunta a menina)
Bem – te – vi!
Bem – te – vi!
( responde o humilde passarinho ).
O VENTO
Vem o vento leve
Vem o vento frio
Vem o vento solto
Que se esconde no barril
Vem o vento louco
Cheio de sabor
Vem o vento bonzinho
Para levar a minha dor.
BOLSA AZUL
Cedo madruga
Papai está na luta
A noite tarda, papai está em casa.
E sempre com aquela bolsa azul
( mas o que levará naquela bolsa azul? )
Serão papeis importantes
Ou quem sabe cachorro um cachorro pit-bul?
Pergunto à mamãe
Ela o protege:
“aquela bolsa nos sustenta, meu filho.
Seu pai é carpinteiro e nela só carrega
ferramentas”.
ALEGRIA DE CRIANÇA
Renata rodou o pião
pela primeira vez.
Como é grande a alegria de Renata.
Ah! Renata, queria eu ser
como você:
Feliz a cada momento
buscando conhecimento
aprendendo com a vida
e brincando com vento.
MENINO POBRE
O menino quer uma bola
Para jogar
O menino quer comida
Para se alimentar
O menino tem sonhos
Porém, realizá-los não pode,
O menino é muito pobre.
Como são grandes os sonhos do garoto!
E como ele é rico
dentro de sua própria imaginação
Pois lá tem comida, brinquedos e tudo
O que ele quiser praticar.
Então diz o garoto:
“como é bom sonhar!”
PÁSSARO NO CÉU
No alto ar
Os passarinhos gostam de brincar
Mas o tempo passa
A noite chega…
E os passarinhos logo tem de voltar.
Mamãe está preocupada.
Papai já vai chegar
Os passarinhos já estão dormindo
Para amanhã recomeçar
A vida de alegria que é brincar no ar.
QUITANDA DA MINHA RUA
Quitanda bela
Cheia de amizade
E com pouca quantia
Se compra a felicidade.
Nessa quitanda quase não há vendedor
Porque não há ódio
Muito menos rancor
Na bela quitanda do amor.
SONHO DE MENINO
Ah! menino
Por esse teu sonho
Vão imaginar
Que estás a flutuar.
Que menino sorridente tu és.
Que felicidade imensa
Tens no coração
Pois para chorar nunca tens razão.
Acho que és como
Uma flauta que toca
Musicas belas e só isso faz.
És o amor em forma de pessoa
És a prova de que os sonhos são reais.
NUNCA ME ESQUEÇA
Se fores a Salvador
Eu estarei por perto
Para aliviar qualquer dor.
Se fores a Belém
Estarei contigo também
Em qualquer lugar
A qualquer hora.
Sempre estarei contigo
Te protegendo
Como se fosse uma luz.
Sou teu salvador,
Meu nome é Jesus!
ORAÇÃO
Meu Deus,
Obrigado por mais esta oportunidade
E se permitir quero esta vida
Por toda a eternidade.
Ser poeta é bom,
É a minha maior vontade.
Meu Deus, me proteja por onde estiver
Guarde-me para sempre em seus braços
Não em lugar qualquer
Guie meus passos por onde eu andar
Pra que eu consiga viver e na vida amar.
Na vida, tenho tido muitas oportunidades
Por isso a sorte nunca me despreza
Mas quero sua benção, senhor,
Pois minha vontade mesmo
É sempre ser poeta.

Fonte:
Jandira Barreto Pereira Maués. Trilogia Contos e poesias da Escola Municipal Florestan Fernandes.

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Trova 194 – Antonio Juraci Siqueira (Belém/PA)

Montagem da Trova sobre imagens obtidas em Imagem = http://ajursp.romandie.com (delegacia) e http://www.acatolica.com/ (homem apontando o dedo)

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Folclore em Trovas 5 (Iara)

Trova sobre pintura de Emerson Fialho

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