Arquivo da categoria: Belo Horizonte

Clevane Pessoa (De Anjos e de Pássaros.)

Ergo olhar deslumbramento
vejo anjos sobre cabeças humanas
dentro da catedral;
Anjos de ferro negro,
esculturas na architectura
de formas quase profanas
a romper tradição.

Não desabe ó figura
milenar, tu que estás
bem sobre mim ,
que não rezo orações prontas
e somente sei usar
o verbo molhado em pranto
ou a metáfora cheia de luar.

(…)
Que desabem
sobre as cabeças dos poetas
os passarinhos em alarido
dentro de um mercado,
a parecer kamikasi,
suicida em massa,
ao jogar-se do teto ao chão
apenas para bicar migalhas.

São nosso retrato:
livres, sem sermos canalhas,
videntes com olhos cheios de palhas
a predizer os tempos,
cada fato envolvido
no pacote dos tesouros,
crianças e sábios a um mesmo tempo,
a chamar atenção pelos vôos inusitados.

(…)

Prefiro os pássaros vagabundos
das ruas e das igrejas,
mercados e sinais.
Não são artes singulares e belas
nem enfeites de catedrais:
os anjos passarinhos
de Brasília
estão presos a cabos
e suspensos
sobre nossas cabeças
a lembrar talvez pecados ,
talento, criatividade embora.
Já os pássaros -anjos
desde o Egito antigo
têm a missão de carregar almas
entre a vida terrena
e a morada dos deuses.

Fontes:
Recanto das Letras
Imagem = http://www.zazzle.com.br 

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Belo Horizonte, Minas Gerais, Poesias

BH– Cultura (Programação de Literatura 23 a 31 de Outubro)

Terças e quintas, às 9h 
Centro Cultural Jardim Guanabara
Literatura, Teatro de Bonecos e Brincadeiras. 
Público: acima de 14 anos. 
Dia 23, às 9h30
Centro Cultural Vila Santa Rita
Hora do Conto e da Leitura Especial com Diego D´ávila.
Dia 23, às 10h
Centro Cultural Venda Nova
Leitura para Crianças com Hilda Palhares, Robson Souza e Regina Vaz.
Dia 23, às 10h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
Como Sonham os Bichos com Simone Teodoro. 
Livro O Sonho do Ursinho Rosa, de Roberto Aliaga e Helga Bansch.
Dia 23, às 14h
Centro Cultural Urucuia
Seleção de Poemas. 
Leitura, seleção e decoração de poemas infantis.
Dia 23, às 14h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
A Bola Rola Nestas Letras com Ícaro Bravo. 
Leitura de textos literários sobre o futebol. 
Público: acima de 10 anos.
Dia 23, às 14h30
Centro Cultural Vila Santa Rita
Hora do Conto e da Leitura Especial com Diego D´ávila.
Dia 25, às 9h30
Centro Cultural Vila Santa Rita
Encontro com o Autor. 
Escritora: Branca Maria de Paula sobre o livro Claro e Escuro.
Dia 25, às 12h30
Centro de Cultura Belo Horizonte
Livro do Mês. Apresentação de Shazam, de Álvaro de Moya. Dia 19, às 17h
Gotas Literárias. Leitura de poemas, contos e crônicas.
  
Dia 25, às 14h30
Centro Cultural Zilah Spósito
Roda de Leitura com Rodrigo Teixeira. Público: acima de 8 anos.
Dia 25, às 19h
Centro Cultural Vila Santa Rita
Sarau Lítero-musical com Ronildo Arimatéia, Diego D´ávila e Paulo H. Rocha.
Dia 26, às 14h
Centro Cultural Vila Fátima
Jogo da Palavra com Éricka Martin. 
Público: acima de 8 anos.
Dia 26, às 19h
Centro Cultural Zilah Spósito
Sarau Luardente. Participação do grupo Rosas do São Bernardo.
Dia 27, às 9h30
Palestra
Centro Cultural Venda Nova
Especiarias: Um Toque Especial na Culinária com Sayury Rodrigues Maireles.
Dia 27, às 10h
Centro Cultural Padre Eustáquio
Sementes de Poesia com Regina Mello. 
Recital de poesias.
  
Dia 29, às 14h
Biblioteca Regional Santa Rita de Cássia
Graciliano para Crianças com Érica Lima. 
Livro Alexandre e Outros Heróis, de Graciliano Ramos.
Dia 30, às 9h30
Centro Cultural Venda Nova
Lê uma História pra Mim? com Éricka Martin. 
Público: infantil.
Dia 30, às 10h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
Como Sonham os Bichos com Simone Teodoro. 
Livro O Sonho do Ursinho Rosa, de Roberto Aliaga e Helga Bansch.
Dia 30, às 14h
Centro Cultural São Bernardo
Graciliano para Crianças com Erica Lima. 
Livro Alexandre e Outros Héróis. 
  
Dia 30, às 14h
Centro Cultural Urucuia
Roda de Histórias com Rodrigo Teixeira.
Dia 30, às 14h30
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte
A Bola Rola Nestas Letras com Ícaro Bravo. 
Leitura de textos literários sobre o futebol. 
Público: acima de 10 anos.
Dia 30, às 14h30
Centro Cultural Zilah Spósito
Lê uma História pra Mim? com Éricka Martin. 
Público: acima de 4 anos.
Dia 31, às 19h
Centro Cultural Zilah Spósito
Fantasmas das Cidades com Edward Ramos. 
Histórias sobre lendas urbanas. 
Público: infantil.
  
Fonte:
BH-Cultura  

Deixe um comentário

Arquivado em Belo Horizonte, Programações

Clevane Pessoa (Lançamento do Livro “Centaura”)

Centaura é um livro em papel reciclado, com capa de Alessandro Pessoa (Allez Pessoa), baixista da banda Tancredos, filho da autora, Clevane Pessoa.
A editoria é de Sandra Veroneze, da editora Pragmatha -Porto Alegre/RS, que escreve uma das orelhas (“Clevane faz poesia como quem joga pétalas ao vento (…) também faz poesia como quem desembainha a espada”, acentua ).
O físico, poeta e contista Marco Aurélio Lisboa, responde pela outra (“Nordestina morando em Minas, tem a fibra do algodão de Seridó, famosa por sua excelência. Quem já conhece de perto, sabe de sua coragem para enfrentar a adversidade e de sua tenacidade na luta pelas causas mais justas“, observa Marco Aurélio).. 
O prefácio é de Dimythryus, poeta paulistano premiado no Brasil e no Exterior, que conclui: “O leitor terá a sensação de estar entrando numa cela onde o medo e a insegurança humana parecem revelar-se em poemas que se revelam numa espécie de diário. Uma vez aberta a porta, por favor, não se esqueça de fechá-la (…).
Jaak Bosmans, apresenta livro e Clevane Pessoa “ Poesia de tanta solidão, percorre alegre seus dias nos símbolos mágicos da Psique e nos reflete sua “pessoa” como Clevane, de uma sempre paz além do que possa ser contrário de qualquer guerra“(…). 
Na contracapa, o prolífero escritor Thiago de Menezes faz um levantamento histórico de suas vidas, lembrando amigas comuns, quais a pintora Sinhá D’Amora , e Odette Coppos, poeta, historiadora e ensaísta, que dirigiu museus e cujo titulo está na terra dele, Itapira, SP.
Clevane manteve correspondência com ambas no tempo em que militou na imprensa de Juiz de Fora, na Gazeta Comercial.Thiago de Menezes diz:”Gosto particularmente deste título (Centaura), porque acho fascinante a riqueza de simbolismo contida no personagem que representa o centauro imortal sábio, músico, profeta, médico e professor de mitologia grega”(…) E continua:“Clevane, poetisa centaura, representa a união de várias forças em sua escrita: a razão, o instinto, a espiritualidade, a busca da imortalidade, as dualidades humanas”(…) 
Em CENTAURA- o primeiro de uma trilogia- Clevane Pessoa transita com liberdade e saber, por vários gêneros poéticos. E sobre a Centaura, de forma lancinante, a condição de sua protagonista 
Em volta dela, uma aura verde 
mostra mil anos 
de solidão” 
LAL 
Fonte:
Clevane Pessoa

Deixe um comentário

Arquivado em Belo Horizonte, Lançamento de Livro

Norália de Mello Castro (Lançamento de “Realidade e sonhos”, neste sábado, 29 de setembro)

Com uma superfície aparentemente calma, Norália desenvolve o Caos permeado por romance e poesia. São devaneios e eloquentes discursos que jorram vivacidade e, por que não dizer, interatividade com o leitor. Muitos poderão se indagar ou se perder no caminho e não saber mais o que é ficção e o que é realidade. E de quem é esta realidade, será da escritora, ou minha? 
Isto não mais importa, à luz do luar, banhados pela sonata, há tempo, muito tempo para pensar, sentir e meditar. Afinal, é este último o intermédio deste universo externo e material para dimensões oníricas, da psique e do espírito.
No começo do romance a autora escreveu:
A Inspiração

A música entra na sala e alcança além dos limites. Fico centrada no vídeo que vai mostrando a Lua. Mais e mais me deixo envolver pela música e fotos. A Lua é mostrada em todo o seu esplendor em centenas de cantões da Terra. Um passeio por montanhas e planícies, lagos e rios, mares e desertos, todos a se integrarem para mais uma fotografia. Ao fundo, a música vem suavemente, poderosamente, num crescente de acordes e sons, e a Sonata ao Luar se faz inteira. Os olhos não se desprendem, envolvidos e cobertos pelos sons em reverência: ali está o recado da mensagem: “a lua inspira devaneios ou sonhos que é a luz do pensamento”(1), aquela luz que movimenta a mente para além dela mesma, tal a sua potência. Embebida pela lua, música e fotos, permaneço em transe por longo tempo. E, agora, passada a emoção vinda de surpresa, numa tarde de verão, coloco no papel devaneios, ou sonhos.

E assim nasceu Realidade e Sonhos

La rêverie est le clair de lune de la pensée. Jules Renard, poeta francês do século XIX.
———————
Comentários sobre o livro Realidade e sonhos
Marco Llobus, editor, disse: 
“Norália é uma escritora que apresenta nuances originais, povoando neste livro vários gêneros literários”. Gêneros estes que são interligados por uma história humana, ficcional, sobre duas irmãs, passada numa pequena cidade interiorana.
“O livro Realidade e Sonhos é como uma colcha de retalhos, mas não só com diferentes estampas e tecidos, é como se a autora tivesse trabalhado com sementes, conchas, penas, pedras e outros tesouros corriqueiros e cotidianos que tornaram este livro uma majestosa obra de arte”, escreveu Karine Souza, colaboradora da Editora Catitu.
Fonte:
A Autora

Deixe um comentário

Arquivado em Belo Horizonte, Lançamento de Livro

Alcéa Romano, Désio Cafiero, Clevane Pessoa e Norália de Mello Castro (Lançamento de Livros dia 29 de setembro)

Alcéa Romano – Mineira de Morro do Ferro / MG, morou em Oliveira e aos 17 anos mudou-se para Belo Horizonte. Trabalhou na área de comunicação, em agência de publicidade, empresas, rádio e televisão. Formada em Comunicação Visual e Gestão de Pessoas. 
Os poemas de Alcéa Romano falam de uma pureza deixada de lado. Sua poiesis resgata a inocência do desejo leal, deixando-nos surpresos a voar com seu homem de asas, anjo ou ser comum com quem nos identificamos. Alcéa Romano está no meio do “redemoinho” de Guimarães Rosa, a movimentar palavras sem medo de vibrar, de verter Vida. A poeta tinge de cor profunda os estágios o(vários) da mulher em busca – indo da criança à adulta fase por meio de aliterações e expressões prazerosas, plenas do necessário encantamento, a pincelar de ternura o existir.“ 
(Rogério Zola Santiago, Mestre em Crítica pela Indiana University, USA) 
Contato: alcearomano@gmail.com> 
Désio Cafiero – Désio Cafiero Filho, reside em Raposos, grande BH, também região das minas. É fiscal e Consultor Ambiental . Publicou textos na Estalo, a Revista e ” Garimpando Emoções… É inspirado nessa região minerária em que vivemos. Mas, trata-se do bom garimpo: ao invés de degradar o solo, a água e a vegetação; massageia a alma, o ego, o coração…” 
o poeta, apaixonado,não fica pejado de colocar a nu sentimentos atonados, conforme faz nesses belíssimos versos:”Vã ilusão, malgrado sonho/ até quando deverei perder-me nos descaminhos/sangrar os pés, sufocar anseios/resgatar pesados ônus de um passado, talvez?”….(Clevane Pessoa) 
Contato: desiocaf@yahoo.com.br 
Clevane Pessoa – Clevane Pessoa de Araújo Lopes, escritora e poeta, psicóloga e desenhista, lança seus dois mais recentes livros, Centaura (Editora Pragtmatha-RS) e Lírios sem Delírios (Editora aBrace, Montevidéu/Uruguai) . Premiada no Brasil e no Exterior, iniciou-se na Literatura nos Anos 60, em Juiz de Fora, onde militou na imprensa. Transita livremente por todos os gêneros literários. A autora possui vinte e dois e-books, participa de mais de cem antologias e coletâneas, nacionais e estrangeiras, por premiação, cooperativismo ou a convite. Também é co-autora do compêndio “Adolescência, Aspectos Clínicos e Psicossociais”, dos Drs Maria da Conceição de Oliveira e Ronald Pagnocelli (Editora ArtMed-Porto Alegre, RS ) nos capítulos de Homossexualidade e Sexualidade na Adolescência. Escreve e desenha desde a infância. A capa de Centaura traz desenho de seu filho Allez Pessoa .Vem prefaciando , posfaciando e escrevendo orelhas de vários livros, bem como sendo membro de júri em concursos literários. Resume assim sua trajetória: “Vim ao mundo dizer coisas/ /muito mais do que fazer./Mas como faço!…” No momento trabalha em dois livros: um de entrevistas e outro, romance que vem burilando há algum tempo. 
Contato: hana.haruko2@gmail.com 
Norália de Mello Castro – Mineira de Belo Horizonte, reside atualmente na cidade de Brumadinho/MG, é assistente social aposentada e sempre gostou de escrever e engavetar seus textos até publicar o primeiro Livro, “Rede de Pescador”, prêmio do Clube do Livro de 1987. Isto foi um grande estímulo para que outros livros fossem publicados como “Passos da Eternidade” e outros contos, (prêmio Gralha Azul de Curitiba em 1987); “Fios de Prata”, ou a história do Medalhão Azul, romance, menção honrosa no concurso Cidade de Belo Horizonte 1988; “Apenas Viva” (contos e crônicas/ Scortesse/REBRA (2010); participação na antologia Novos Contistas Mineiros, de 1988, antologia Show de Talentos em Prosa e Verso, (REBRA de 2010). É associada da Rede de Escritoras Brasileiras – REBRA desde 2009, e colabora com a revista VARAL DO BRASIL, de Genebra, e participou da antologia Varal Antológico 2 (2012).Prêmio da ABRAMES/RJ – 2011, 1º em conto e 2º em poesia. No prelo tem MOVIMENTOS, poesias. Em elaboração, seu quarto romance. Agora lança o romance “Realidade e Sonhos”, com algumas ilustrações em desenho a nanquim, da artista plástica Iara Abreu . 
Contato: namello@yahoo.com.b 
Fonte:
Clevane Pessoa. 

Deixe um comentário

Arquivado em Belo Horizonte, Lançamento de Livro

Olympio Coutinho / MG (Histórias de trova) Capítulo I – Doce pássaro da juventude

Comecei a fazer trovas muito cedo, inspirado em uma trova apresentada em sala de aula de Português e atribuída a Alexandre Dumas:

“São as rosas que florescem,
são os espinhos que picam,
mas são as rosas que caem,
são os espinhos que ficam”.

Era em Ubá, em 1958, e foi colocada no quadro negro pelo professor Francisco De Fillipo visando nos exercitar em análise sintática. A trova chamou minha atenção e resolvi tentar fazê-las. Não foi muito difícil: eu tinha 18 anos, andava apaixonado e estávamos na entrada dos que, mais tarde, seriam chamados “os anos dourados”: a ânsia pela liberdade e a gostosa sensação que ela proporciona estavam soltas no mundo – e também no Brasil. Comprei, sem qualquer referência, alguns livros de trovas, rabiscava algumas em um diário que mantinha (e que tenho até hoje – uma delícia para ler agora!) e elas foram saindo.

Ubá, no início dos anos 60, os anos dourados, era uma cidade pequena, quase todos se conheciam e o que um e outro faziam todos ficavam rapidamente sabendo. Aconteceu comigo, que fiquei conhecido como poeta e trovador. Escrevia trovas nos jornais locais: Folha do Povo e Cidade de Ubá, e, uma vez, recebi um encargo de um amigo de então e amigo até hoje: Honório Joaquim Carneiro. Nascera sua filha Helena e ele pediu-me uma trova em sua homenagem. Fiz:

“Vi a alegria nascendo
em meio aos meus desencantos,
foi quando, filha, nasceste:
Helena dos meus encantos”.

Em sua coluna na Folha do Povo, Honório publicou a trova com um exagerado título: “A Trova do Século”. De outra vez, ao ser cobrado por alguns conhecidos que pediam, ironicamente: “Ô, poeta, faz uma quadrinha aí!”, afastei-me, mas voltei logo e declamei:

“Deus me livre dos amigos,
eu peço aos Céus de mãos postas,
depois que vi que os “amigos”
falam de mim pelas costas”.

A primeira namorada também ganhou trovas de amor, mas cito uma humorística nascida ao me olhar no espelho, antes de um encontro, e perceber-me “banguela”, devido à perda na piscina de um pivô, por sinal fruto de negligência minha:

“Só porque perdi um dente
ela deixou-me na mão;
ficou o espaço vazio
na boca e no coração”.

(Um parênteses: por volta de 1980, a calvície fazendo de minha cabeça um “aeroporto de piolhos”, a trova ganhou nova versão:

“Só porque fiquei careca
ela deixou-me na mão;
sinto frio na cabeça
e também no coração.”

Mas, de volta a 1960, o romance foi desfeito e a dor de cotovelo levou-me a fazer trovas assim:

“Hoje em dia pouco resta
do nosso amor, que passou;
tristes restos de uma festa,
depois que a festa acabou”.

Depois, vieram as fofocas e as trovas mudaram de tom:

“Afirmas que recebeste
o que nunca lhe escrevi;
gostaria de reler
esta carta que não li!”.

Mas, as duas seguintes é que mais deram o que falar (lembrando que estávamos em 1960 e a cidade era mineira e do interior):

“Não tenhas, Maria, medo
se o nosso amor teve fim,
o nosso grande segredo
eu guardo só para mim”

e

“Eu tenho, Maria, medo,
que, em tuas horas vazias,
tu contes nosso segredo
às minhas outras Marias.”

Mais tarde, outra Maria entrou em minha vida, ensejando trovas mais líricas:

“Felicidade, Eleninha,
me deste a definição
ao pousar sua mãozinha
ternamente em minha mão”.

Em 1961, já mais amadurecido em relação ao “fazer trovas”, dediquei-lhe outra, que dizia assim:

“Eram alegres meus olhos
e tristes eram os teus;
por serem tristes teus olhos
ficaram tristes os meus”.

Mais tarde, em 1965, esta trova foi enviada para concorrer aos I Jogos Florais da Comunidade Lusíada, promovido pelo Elos Clube, em São Paulo, e, entre as três vencedoras, era o única de um brasileiro – os outros dois vencedores eram portugueses.

Continua…

Fonte:
O Autor

Deixe um comentário

Arquivado em Belo Horizonte, Minas Gerais, Trovas

Clevane Pessoa (O Anjo, a Rosa, o Beija-flor)

                       Um dia, a rosa mais olorosa do jardim, sempre cuidada por um pequeno ser de luz- amante de sua beleza inefável, mãos pacientes e cuidadosas, a afofar e regar a Terra, arrancar ervas daninhas e afastar as formigas, mesmo sujando-as ou ferindo os dedinhos leves-recebeu a visita fremente de um beija-flor. Este, tão pequeno quanto o outro, mas dono das asas que ele não possuía e um bico que podia extrair o nectar precioso, encantou a pequena rosa orvalhada…

                      O anjinho luminoso, observando toda a perfeição daquilo, o encantamento do beija-flor batendo as asas centenas de vezes a equilibrar-se no ar, a cumprir um ciclo vital, um equilíbrio necessário na Natureza, resolveu ir embora, para não sofrer mais… Para sempre. Doía-lhe muito porque outro cuidava de sua flor, agora. Mas apenas quem ama verdadeiramente é realmente capaz de renunciar… Afastou-se de vez,-e então, abriu-se nele um par de asas luminosas, por ele desconhecidas, mas presentes desde que nascera para amar- e foi então que, travestido em um colibri de arco-íris nas asinhas vibráteis, ele pôde reaproximar-se da rosa que o reconheceu, no momento exato em que ela fenecia, pois tinha a vida efêmera, arrependida de não ter conseguido reconhecer a tempo toda a dedicação de quem cuidara de si desde que abrira as pétalas pela primeira vez…Agora era muito tarde…O que precisa ser feito em amor, não deve ser adiado, nunca…É preciso ser ousado para viver plenamente o momento amoroso…E então, a flor se foi…

                     O anjinho beija-flor,porém, por representar Eros, tinha o dom da eternidade e foi assim que ele descobriu outras rosas, outras flores e seguiu através dos séculos a cultuar o AMOR…

Fonte:
Clevane Pessoa de Araújo Lopes/Brasil,no e-book “Pequenas Histórias em Atos”-Ensaio Poético da AVBL,organizado por Maria Inês Simões

Deixe um comentário

Arquivado em A Escritora com a Palavra, Belo Horizonte, Minas Gerais