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Lóla Prata (O Analfabeto Limpador de Livros)


Lóla é de Bragança Paulista/SP
5. Lugar no Concurso de Poesias Carlos Cezar 2012
Versos leoninos, separados em setissílabos

A tristeza enfileirada
se expunha ao olhar miúdo
de uma pessoa frustrada
que erguia um pano felpudo.
Dos livros, o cuidador
analfabeto indivíduo
lhes dava alto valor
e abominava o resíduo.
A poeira já fizera
um colorido cinzento;
na ousadia se aglomera
na estante em esquecimento.
Esse limpador começa
retirando cada um,
bem devagar… não se apressa.
Tem um capricho incomum.
Odeia o mofo, as traças
que enfeitam as prateleiras,
persegue os de carapaças,
liquida as pragas rasteiras.

Tira os fungos com cuidado
como cirurgião doutor
cada livro é restaurado
recuperando o frescor.
Os volumes vão brilhando
com novo fulgor externo
para ficar encantando
o ambiente amoderno.
Vendo todo aquele viço
o homem se regozijou:
completado seu serviço
com a alma se emocionou.
Saudades do velho dono
admirável escritor
cujos livros no abandono
do que fora antigo amor.
Morrera assim, de repente,
sobre um compêndio qualquer
com uma cara de contente
sem nenhuma dor sequer.

Deixara então, de herança
ao caseiro dedicado,
uma estranha segurança
por ter-lhe histórias contado.
E este, mesmo sem ler
e nem era capaz disso,
pelo menos o saber
chegou por meio postiço.
Sua falta de leitura
pois isso não conseguia,
com a douta criatura
na conversa se supria.
A grande biblioteca
com livros de todo o teor
não ia levar-a-breca
enquanto houvesse vigor.
lembrava da Capitu
de quem tinha certa raiva
de parte com belzebu,
a julgava muito laiva.

Dom Quixote e Sancho Pança
dupla esquisita, engraçada,
com uma certa semelhança
com seus amigos da praça.
Versos bons de Coralina
lá dos becos de Goiás
eram de velha-menina
de alguém muito vivaz.
Jonathan, de Adélia Prado
desconfiou ser Jesus
que o deixou encafifado
a desejar ter mais luz.
Bem, a vida do africano
Agostinho, o pensador,
depois ficou puritano
mas antes, que pecador!
E a História do Brasil?
Coisa linda, sim senhor,
Pedro Cabral foi viril,
enfrentou o exterior.

E o outro Pedro, o Segundo,
um menino imperador,
muito valente, foi fundo
mas nem sempre vencedor
e aquele poema lindo
que fala café-com-pão,
esse sim, o deixou rindo
o distraiu da função.
De Júlio César, romano
que amava fazer guerra,
um perverso e desumano
a toda gente da Terra.
Dentre os contos se lembrava
de O Capote, genial,
muito antigo, calculava;
de certa forma, atual.

Cansado demais estava
agora, com a tarde finda;
de uma cama precisava
e pela noite bem-vinda
já a queria em vigília
respirando bem no fundo;
e foi lá perto da pilha
de todos os livros do mundo
que o analfabeto caiu
muito exausto de saudade
daquele alguém que partiu.
Foi vê-lo na eternidade!

Fonte:
http://caeseubt.blogspot.com.br/

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Trovadores da Seção Bragança Paulista da UBT (Amor é…) Segunda Parte

José Solha

Exausto me vi prostrado

aos pés de quem não me quis.

Só por querer ser amado,

não consegui ser feliz.

O amor se benevolente,

não é amor de verdade;

satisfaz o ser carente

de sua necessidade.

Alguém que nos compreenda,

todo homem sempre quer,

feitas pra nós de encomenda,

na figura da mulher.

Leda Montanari Leme

Amor lindo, minha sorte,

tão entranhado no ser

que mesmo depois da morte,

ele vive, sem saber.

Lóla Prata

Conservo a esperança linda

de que o amor universal

chegue como graça infinda

e transforme em bem, o mal.

A palavra que retém

na raiz, cheiro de amor,

essa tal é a que por bem,

põe feitiço em seu leitor.

Uma palavra apenas

me sussurraste ao ouvido…

era “amor”, das mais pequenas…

e eu sorri, embevecido.

O tempo eleva a idade,

e com ela vem a dor

pela ação da sociedade

que não pratica o amor.

O prazer que nos bafeja

perante um sinal de amor,

por menorzinho que seja,

é do mais alto valor.

Se eu pudesse controlar

o devaneio tirano,

nunca iria me entregar

ao amor frágil e insano.

Maria das Dôres Cestari

Numa tarde distraída,

observando uma flor,

compreendi que nesta vida:

razão de tudo é o amor.

Pense em Deus, Autor da vida,

na grandeza do universo,

na gratidão incontida

que se traduz neste verso.

Se buscas conhecimento,

reconheces teu valor.

Pensa em paz, neste momento,

crê na grandeza do Amor!

O amor, sentimento nobre,

que brota num coração

seja no rico ou no pobre,

conduz a uma boa ação.

Marina Valente

Para encantar a velhice,

ser tranquilo, sonhador,

há que, desde a meninice

plantar sementes de amor…

De nada vale o rancor

que só deixa cicatrizes;

tecendo laços de amor

seremos bem mais felizes.

Paz nasce do coração

de quem aprendeu a amar

a todos, sem distinção,

porque soube perdoar.

A flor da fraternidade

floresce no coração

de quem ama de verdade

o próximo como irmão.

Com roupagens só de amor

vistamos o coração,

sem ódio e nenhum rancor

para abrigar o irmão.

Nesta vida o tempo ensina:

quem partilhar seu amor

a paz também dissemina

exterminando o rancor.

Miguel Garcia Alves

Quando eu me casei contigo,

era pobre, sem vintém,

mas agora eu te predigo:

não caso com mais ninguém.
—-

Fonte:
Colaboração de Lola Prata com o livro “Amor é…” – Trovadores da Seção Bragança Paulista da União Brasileira de Trovadores – UBT – Novembro de 2010

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Trovadores da Seção Bragança Paulista da UBT (Amor é…) Primeira Parte

Há muito tempo morri,
morri, amor, de saudade;
no dia em que te perdi,
foi que morri de verdade.
Adalzira Bittencourt (Céu)

Quem tem alma de poeta,
em geral é um trovador,
que na vida tem por meta
semear somente o Amor!
Amilton Maciel Monteiro (S. José dos Campos)

Amar é meu lema de vida;
viver, meu lema de amor.
Quem ama jamais duvida
que será um vencedor.
Anna Servelhere (Bragança Paulista)
——————-
Antonio Miguel Cestari (Bragança Paulista)

O brilho do teu olhar
refletiu nos olhos meus.
Início do caminhar
unidos no Amor de Deus.

Pense em Deus, maior Amor
que criou o universo,
na singeleza do verso
que inspira neste louvor.

Deixe logo esse terror!
É o que todo mundo diz.
Viva em paz, em pleno amor.
Tenha uma vida feliz!
—————————–

Cida Moreira (Bragança Paulista)

Seu amor – e sou feliz!-
é o meu maior presente
pois tudo que sempre quis
é só te amar, simplesmente.

No mistério desse olhar
naveguei a minha vida
como um barco em alto-mar
sem jamais achar guarida.
—————–

Flávio Rodrigues (Bragança Paulista)

Mágoa é desgosto, amargura,
paixão, descontentamento,
desagrado, dó, tortura,
tristeza…enfim, sofrimento!

Helena Walderez Scanferla (Bragança Paulista)

Sim! Desde que a vida existe
aqui na face da Terra,
só o amor é que subsiste
na palavra que encerra.

Tantos amores na vida
eu já tive com alegria;
hoje, esta vida bandida
levou-me tudo o que eu tinha.

Henriette Effenberger (Bragança Paulista)

Na grandeza do universo,
enxergo os olhos de Deus.
Na pequenez de meu verso,
mergulham os olhos teus…

O periquito atrevido
adivinhou meu desejo:
beleza, grana e um marido
no toque do realejo.

Joarez de Oliveira Preto (Bragança Paulista)

Sentei-me ali na varanda,
esperando, pode crer,
sem saber por onde anda
meu amor, meu bem-querer.

Olho da porta de entrada,
vejo pássaros voando.
Vi o ônibus na estrada,
mas não vi você chegando.

O ramalhete de flores
que preparei pra te dar;
não esqueças, se tu fores
pretendendo retornar.

No meu castelo de sonhos,
de rosas brancas cercado,
vejo teu rosto risonho,
paz e bem no teu reinado.

Fonte:
Colaboração de Lola Prata com o livro “Amor é…” – Trovadores da Seção Bragança Paulista
da União Brasileira de Trovadores – UBT – Novembro de 2010
Imagem = http://andreiamartins.blogspot.com

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Lóla Prata (1940)

Maria de Lourdes Prata Garcia nasceu em Santos/SP, em 13 de janeiro de 1940, filha de José Egydio Prata Maria Heloísa Pimentel Prata, mora em Bragança Paulista SP desde 1974 e, na Cidade-Poesia, dedica-se à literatura.

Membro da UBT União Brasileira de Trovadores e ASES Associação de Escritores de Bragança Paulista SP Brasil, entre outras agremiações literárias do país.

É Comendadora Municipal por serviços prestados à Cultura.

120 prêmios literários, sendo 1 na Itália.

Seu site é http://www.lolaprata.com.br/

Começou a escrever com 8 anos, um bilhete para Deus rogando pela saúde de seu avô enfartado. Começou a escrever seriamente para um jornal de sua cidade a partir das crônicas de um jornalista Lourenço Diaféria num jornal estadual.

Seu 1º trabalho literário foi numa revista de âmbito religioso: “Por que sou catequista”

Chegam a mais de 700 as crônicas, contos e poemas publicados no A Voz de Bragança, Bragança Jornal Diário, Bjotinha, A Tribuna (de Santos), Jornal Interativo, Revistas e Boletins de Cultura, Rádios e TV Bragança

Livros impressos:

Editou, em parceria com Maria Edith Prata Real, dois livros de crônicas: – “VIVENDO” , 1978 e “CONTINUANDO” 1981, Menção Honrosa (= 2o. lugar) em Concurso Melhor Livro de Crônicas do Clube Brasileiro de Literatura (Anápolis-GO), em 1992, Gráfica da Universidade São Francisco;
– “ARRIMO”, Consultoria de Rimas,(em apostila), desde 1994; dicionário a partir de 20.000 rimas; convidado para a Academia Internacional de Lexicografia em 2004.
– “PROVAI E VEDE COMO O SENHOR É BOM!”, depoimentos religiosos, em 1996 , em 1997, 2o lugar em 8o. Concurso de Obras Publicadas, promovido pela Academia de Letras de São Lourenço, MG;
– “UM BUQUÊ PARA VOCÊ” poesia, 1997. Editado também em fita K7e CD, 20 poesias.
– “HIGIENE BUCAL”, 23 trovas educativas, a pedido da APCD – Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, setor de Bragança Paulista SP, abril de 1999. Material didático.
– “O IMPERADOR ESTÁ CHEGANDO!” e outros contos… 1999. Menção Especial no Concurso da Academia Municipalista Mineira de Letras, 2003.
– “ENTRELAÇOS”, trovas, editado pela UNIVAP- Universidade de Vale do Paraíba, em 2002.
– ”PRATA DA CASA”, antologia – crônicas cômicas sobre a familia Prata Garcia – 2003 – Premiado em 2008 pela Prefeitura de Manaus -AM-na modalidade Melhor Livro de Crônicas. Menção Honrosa.
– “FIO DE PRUMO”, contos – 2004 –
– “ENTRELINHAS”, trovas – 2007 –
– “ALABASTRO”, poesia – 2007, pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura
– “Santos Sonetos” (e-book).

Fontes:
Portal CEN (Cá Estamos Nós)
Editora Scortecci

Caderno de Poesia Karina Aldrighis
Lóla Prata

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