Arquivo da categoria: conto infantil

Stella Carr (Segredo de Cientista)

Lino vinha todo dia espiar pra ver se crescia de novo o rabo do bicho que ele tinha prendido na porta, sem querer. 
Então descobriu: lagartixa bota ovo! Encontrou no racho do muro, onde o animalzinho fora se esconder fugindo dele, os ovos moles e esbranquiçados. Pegou, curioso, um pouco enojado. 
Depois esmagou um a um contra a parede pra ver o que tinha dentro.
Daí começou a reparar nos bichos pequenos. Desenterrava minhocas. Prendia moscas no copo e ficava olhando.
– Não põe porcaria no copo onde se bebe – a mãe bronqueava.
Então descobriu as formigas. Com um pau, cutucava o formigueiro.
Um dia entrou em casa gritando, os insetinhos subindo pelas pernas. A avó botou um ungüento (remédio de gente velha, que ela guardava em potes na gaveta da mesa de cabeceira). Então Lino aprendeu a abrir o formigueiro com cuidado, sem pisar em cima. Tirava os ovos brancos de dentro, olhava, examinava.
– É curiosidade científica dele! – o pai dizia. E deu-lhe uma lente.
Contava pra todo mundo que o filho ia ser cientista.
A mãe, barriga imensa, vivia carregando o tricô pela casa. Ela e a avó estavam sempre ocupadas, entretidas com as receitas de mais uma roupinha. Agora, com a lente, Lino passava os dias observando lagartas e caracóis; aprisionava grilos e borboletas, abria casulos.
Mas foi depois que descobriu os ovos de aranha que o jeito do menino mudou.
Dos ovos da aranha tinham saído vivas dezenas de minúsculas aranhinhas, que se espalharam correndo por todo lado. Então ele quebrou todos os ovos da geladeira, pra ver se tinha bicho vivo dentro. Dessa vez levou bronca, que isso já era demais. Tinha virado mania. Ficou triste, emburrado, não falou mais com a mãe, nem com a avó. E olhava pra mãe desconfiado…
“Onde será que ela guarda?” – pensava. E toca a procurar. Mexia em tudo, abria os armários, olhava debaixo das roupas, nas gavetas.
– Não mexe aí, menino. São meus guardados. Que mania! – a avó reclamava.
Nas coisas da avó, não estavam. Olhou no cesto de lãs, na caixa de agulhas… Quem sabe estavam nos potes de remédio? Se ao menos ele soubesse como eles eram…
Começou a curiosidade pelos livros nas estantes. Olhava as figuras, tinha livros com mapas, índios, um montão de números. Pior: tinha livros sem figuras.
Subiu numa cadeira para alcançar mais em cima. Um dia Lino achou o que queria: a figura mostrava um feto pequenino, todo encolhidinho dentro da barriga de uma mulher, como as formiguinhas dos ovos brancos. Só que era avermelhado.
“Então são assim os ovos da mãe? E se eu encontrasse e quebrasse todos?” Voltou a procurar adoidado.
Foi quando a mãe disse que ia para a maternidade.
– Só por uns dias, pra buscar seu irmãozinho.
E a vovó foi junto.
“Então os ovos… Aquele barrigão… Foi por isso que não achei em casa!”
Lino estava triste, confuso. Sentia falta da mamãe e da vovó, e tinha uma coisa ruim dentro dele, que apertava.
À noite o pai chegou e quis saber por que ele tinha chorado. (“Como é que o pai sabia?”)
– Menino de quatro anos não chora assim à toa. Ainda mais quando vai ser cientista! – o pai falou: – Ainda mais agora, que vem um irmãozinho pra brincar com ele.
Então Lino achou que devia contar pro pai. Só ele podia ajudar! Lembrou dos ovos de aranha, com todas aquelas aranhinhas saindo de dentro, de uma só vez. E contou pro pai. Falou tudo.
Naquela noite, Lino e o pai tiveram uma longa conversa, de “homem para homem”. 
Fontes:
Revista Nova Escola

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António Torrado (A Parede com Ouvidos)

Ilustração: Cristina Malaquias
(Da Seleção de Contos Infantis)
Era uma vez uma parede que tinha ouvidos.
Nada de estranhar. Ele há gente que se pela por contar segredos, próprios ou alheios, sem ligar ao aviso dos mais prudentes: “Cuidado que as paredes têm ouvidos”. Alguma vez acabaria por ser verdade.
Esta tinha ouvidos e até olhos, calculem. Só lhe faltava a boca e, já agora, o nariz.
Espessa e toda fechada, sem portas nem janelas, acumulava o que via e ouvia no cerrado dela mesma, no mais dentro das pedras e do cimento de que era feita.
– É uma parede fixe – diziam as pessoas, espalmando as mãos na parede que, já se vê, não dava de si.
Até que um dia, houve uma festa na aldeia, festa a valer, com foguetório, música na praça, artistas vindos de fora e bailarico até altas horas.
Um dos altifalantes da instalação sonora foi aplicado à parede que tinha ouvidos.
A meio da musicata, ouviu-se uma voz dizer em segredo, mas de modo que todos ouvissem:
– A Tia Hermínia só toma banho na Páscoa.
O pessoal riu-se. Aquilo seria brincadeira de garotos… Logo a seguir, outra revelação:
– O Armindo e a Arminda andam a namorar às escondidas.
Embora a maioria da aldeia já soubesse, alguns estranharam o despropósito da notícia, a interromper a música.
– O Porfírio faz de pobretana, mas tem quilos de notas a forrar o colchão.
Aqui a surpresa foi maior, sobretudo para o Porfírio, mendigo de mão estendida à porta da igreja.
Mas donde viriam as falas? Da cabine de som não era. Do cantor, que no palco esbracejava a sua irritação, também não era.
– A Dona Camila já não paga aos criados há três meses, mas não quer que se saiba.
Aquilo já soava a escândalo. Foi a própria Dona Camila que apontou para o altifalante, pendurado na parede, a tal que tinha ouvidos:
– A voz vem dali.
Pois vinha. Arrancaram os fios ao altifalante e a voz calou-se. Acabaram-se as novidades, as inconfidências.
E, à cautela, quando voltou a haver festa na terra, nenhum altifalante coube à parede que sabia demais.

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António Torrado (A Gota com Sede)

Ilustração: Cristina Malaquias
(Da Seleção de Contos Infantis)
Era uma vez uma gota cheia de sede. Não faz sentido, mas acreditem que assim era.
Esta gota de água queria matar a sede a alguém que tivesse muita sede. Desejo grande, desejo único que a arredondava mais e mais, e a enchia de fé como um coração palpitante. Mas não havia meio. 
Cavalgando uma nuvem, correu o deserto, à cata de um viajante sequioso. Não encontrou nenhum.
Depois, percorreu, por cima dos mares, as ondas revoltas dos oceanos. Talvez um náufrago de boca salgada precisasse dela e da sua ajuda doce. Assim que o visse, ela caía lá do alto e poisava nos lábios do náufrago como uma última bênção. Mas não encontrou nenhum.
Queria ser útil. Não conseguia.
Até que a nuvem em que vinha, de carregada que estava, não podendo mais, se desfez em chuva. Ela precipitou-se para a terra, no meio das outras.
– Vou lavar as pedras da calçada – dizia uma.
– Vou mergulhar até à raiz de uma planta e dar-lhe vida – dizia outra.
– Vou acrescentar água a um rio quase seco. Vou ajudar uma azenha a trabalhar. Vou alimentar uma barragem. Vou empurrar um barco encalhado.
Isto diziam várias gotas, todas generosas, enquanto caíam.
Se cada uma cumpriu ou não o seu destino, não sabemos, porque nesta história só nos ocupamos da gota com sede de matar a sede.
Caiu na copa de uma árvore e foi escorrendo de ramo em ramo, pling, pling, pling, como uma lágrima feliz.
Até que chegou a uma folha, mesmo por cima de um ninho. Caio? Não caio? Deixou-se ficar, a ver no que dava. 
A casca de um ovo estalou e um passarinho rompeu, aflito, lá de dentro, de bico aberto, num grito mudo.
– Caio – decidiu a gota.
Soltou-se da folha para a garganta aberta do passarinho, que a engoliu e, logo em seguida, piou, agradecido.
Foi o passarinho, tempos depois, que me contou esta história.

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António Torrado (A Ferradura)

Ilustração: Cristina Malaquias
(da Seleção de Contos Infantis)
Era uma vez uma velha ferradura.
Um senhor encontrou-a, levantou-a do chão e meteu-a no bolso do sobretudo.
– É para dar sorte – disse o senhor de si para si, muito convencido do que dizia.
Quando chegou a casa e a mulher foi pendurar o sobretudo no cabide é que foram elas.
– Tens o sobretudo tão pesado, homem – intrigou-se ela.
O senhor explicou o porquê:
– É para dar sorte.
– Se dá sorte, não sei – repontou a ela. – O que sei é que o peso da ferradura rompeu o bolso do sobretudo. Tirá-la de dentro do forro vai ser o cabo dos trabalhos.
O senhor, pacientemente, recuperou a ferradura do sobretudo, que foi para coser, e pendurou-a num prego atrás da porta.
– É para dar sorte.
No dia seguinte, ia ele a entrar em casa com a mulher, e a porta não se abriu. Porque seria, porque não seria…
Tiveram de entrar em casa, a muito custo, por uma janela.
A ferradura tinha caído e entalara-se em cunha na porta, impedindo-a de abrir-se.
– Estou a ver que a ferradura só dá trabalhos – comentou a mulher.
O senhor não ligou e foi meter a ferradura numa gaveta:
– É para dar sorte.
Passado tempo, a mulher veio mostrar-lhe umas camisas todas manchadas:
– Puseste a maldita da ferradura na gaveta, encheu-se de ferrugem e deu cabo destas camisas. As melhores que tinhas…
Então o senhor aborreceu-se. Estava desiludido com a ferradura que só o metera em trabalhos.
– Vou desfazer-me do raio da ferradura. Para dar sorte… – e atirou-a pela janela.
Por pouca sorte, a ferradura foi bater no capot de um automóvel que ia a passar. Pior seria se tivesse acertado em alguma cabeça. Mesmo assim amolgou o automóvel. Veio o automobilista pedir explicações:
– Quem é a besta que anda a atirar os sapatos para o meio da rua?
O senhor, que achara a ferradura, teve de pedir muitas desculpas e pagar uma indemnização, para que o caso ficasse por ali. E para que a história acabasse aqui.

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António Torrado (A Menina e o Burro)

Ilustração: Cristina Malaquias

Da Seleção Pavilhão de Contos Infantis

Era uma vez uma menina que conhecia o campo, mas de longe. Vira-o, uma vez, de passagem, da janela de um automóvel. Vira-o, mais vezes, de corrida, nos ecrãs da televisão. E vira-o, outras vezes, disfarçado de paisagem, nas folhas das revistas e nas tampas das caixas de chocolate. Esta menina, afinal, não conhecia o campo a sério.
Por isso, da primeira vez que foi ao campo, da primeira vez que pisou o chão rugoso do campo e respirou o ar vivo do campo e os cheiros todos do campo, a menina ficou, há que confessar, a menina ficou um tanto atordoada. 
Tropeçou numa pedra, comichou-lhe o nariz e picou-se nas urtigas. Mas, apesar destes contratempos, a menina, verdade se diga, não desgostou da experiência.
É que havia muita coisa para ver. Havia folhas que estalavam, quando ela as pisava. Havia carreiros de formigas, flores sem nome, canaviais bulindo, árvores ramalhando e, não muito além do caminho por onde a menina seguia, um burrito de orelhas espantadas. Tinha o pêlo cinzento e não era de peluche.
A menina, que já ouvira histórias de príncipes encantados por fadas más, pensou: “E se é um príncipe transformado em burro?”
Podia ser. Tinha os olhos pestanudos e olhava para a menina cheio de curiosidade.
“Eu dou-lhe um beijinho, desfaz-se o encanto e ele transforma-se em príncipe”, pensou a menina. “Até pode ser que, mais tarde, queira casar-se comigo.”
A menina, que já se via princesa, aproximou-se do burro, para concretizar o que tinha pensado. Mas o burro é que não estava pelos ajustes. Quando viu a menina mais perto, fugiu a galope.
A menina correu atrás dele:
– Não te faço mal. É só um beijinho – prometia ela.
Mas o burro não queria saber. Era um burro novo, sem nenhuma prática social, e aquela criaturinha enervava-o.
Naturalmente, não era um príncipe encantado. Devia ser só um burro.
Também nos parece que sim.

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António Torrado (Os Entusiasmos do Evaristo)

Ilustração: Cristina Malaquias

(Da Seleção de Contos Infantis)
O meu amigo Evaristo é um entusiasta. No outro dia, íamos nós a passar por perto de uma feira dessas de altifalantes, tirinhos e carrosséis de cavalinhos – é mais uma corrida! é mais uma viagem! – quando ele me travou por um braço e perguntou, de olhos a brilhar de entusiasmo:
– Já te contei do meu projecto do carrossel gigante?
Desse não me lembrava. O Evaristo tem sempre tantos projectos no ar…
– Estou na fase dos cálculos e dos desenhos, mas não tarda que passe à prática. Vai ser um carrossel fantástico.
– Imagino – disse-lhe eu, só para dizer qualquer coisa.
– Tu conheces aqueles carrosséis maiores, que dão uma volta em oito? – perguntou-me o Evaristo.
Respondi-lhe que tinha uma ideia. Faz tantos anos que não ando de carrossel…
– Pois o meu carrossel vai ser qualquer do género. Oito vezes oito…
– Sessenta e quatro – respondi-lhe, como se estivesse na escola.
– Mais, muito mais! Oito vezes oito, vezes oito, vezes oito…
– Tantas contas de cabeça não consigo acompanhar – queixei-me eu.
– Quero eu dizer que vai ser um carrossel imenso, coisa nunca vista – disse o Evaristo. – Mas primeiro tenho de comprar um sobretudo.
Um sobretudo? Que relação teria o sobretudo com o carrossel gigante? O meu amigo Evaristo imagina a uma tal velocidade, que me deixa sempre pelo caminho.
– Um sobretudo forrado e um gorro de pele – acrescentou ele. – Para ir ao Pólo Norte. Ou ao Pólo Sul. Tanto faz.
Fiquei abismado. Aquele carrossel estava a dar-lhe a volta à cabeça.
– Percebeste onde quero chegar? Ao eixo da Terra. Fixo o meu carrossel ao eixo da Terra, à roda do qual gira o nosso planeta, e nem preciso de imprimir-lhe velocidade. A Terra roda, o carrossel mantém-se parado, mas esta é que é a parte mais importante da minha invenção: os passageiros do meu carrossel têm a ilusão de que são eles que estão a andar. Percebeste?
Eu estava a perceber. Lindamente.
– É, além do mais, uma ideia muito económica, porque se poupa na electricidade, que faz andar os restantes carrosséis. O meu carrossel, preso ao eixo da Terra, suspenso lá em cima, vê a Terra rodar por baixo. O que é que achas?
Eu achava bem. O projecto tinha lógica. E parecia simples…
– Ponho as pessoas a dar a volta ao mundo de carrossel. Vai ser maravilhoso.
Eu não duvidava. E do que valeria a pena duvidar de uma ideia do Evaristo?
Voltei a encontrá-lo, ontem. Claro que lhe perguntei logo pelo carrossel, se já estava mais avançado o projecto, se já tinha comprado o sobretudo…
– Troquei a ideia do carrossel por outra melhor – disse– -me o Evaristo, muito entusiasmado. – É uma roda gigante.
– Como aquela, com barquinhas penduradas, que há na Feira Popular? – quis eu saber.
– Essa é uma miniatura comparada com a minha roda, que estou a calcular, aqui entre nós… – e o Evaristo puxou– -me pelo braço e falou-me ao ouvido, com ar de história secreta.
Tomei muita atenção ao segredo dele:
– Estou a calcular que consiga tocar a Lua com a minha roda gigante. Estás a ver: embarca-se na Terra e, meia volta depois, está-se na Lua. Sem despesa de foguetões nem nada. Uma limpeza!
Outra ideia feliz. Mas, sem querer parecer desmancha–-prazeres, indaguei:
– E, desta vez, onde colocas tu o eixo da roda? Em que ponto do espaço, que fique a meio caminho entre a Terra e a Lua?
– Falta só resolver esse pormenor, para avançar – tranquilizou-me o Evaristo. – Mas, no resto, acho que já adiantei muito.
E lá seguiu, muito entusiasmado com o seu projecto.

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António Torrado (O Gato e a Raposa)

Ilustração: Cristina Malaquias

(Da Seleção de Contos Infantis)

O gato e a raposa não privavam, em trato de amizade, mas de uma vez que o acaso os juntou deram em considerar que não eram tão desparecidos um com o outro, como se julgavam.
Ambos tinham cauda, embora a da raposa mais felpuda e mais calhada para gola de samarra, o que não era de bom tom lembrar à raposa… Ambos tinham o passo de bailarina em pontas. Ambos tinham olhos de farolim, para descortinar os recantos da noite. Ambos tinham artes de caça e vasto receituário de matreirices. Ambos sabiam, com vaidade, que valiam mais do que pesavam. Ambos tinham aos cães a mesma raiva.
Foi, aliás, a propósito de cães que a raposa e o gato, um dia, em que passeavam a par pelo campo, tiveram a seguinte conversa:
– Se uma matilha de cães nos perseguisse, o que é que tu farias? – perguntou a raposa ao gato.
– Nem me fales nesses monstros, que fico com o pêlo em pé – disse o gato. – Uma matilha? Bastava-me um cão só, para lhe fugir.
– Pois sim, mas como te escapavas? – insistiu a raposa.
– Escapava-me. Fugia. Safava-me. Debandava. Raspava-me. Sumia. Onde houvesse uma árvore para eu trepar era por ela acima que eu desaparecia da vista do cão – explicou o gato, todo arrepiado.
– Vejo que és um pouco simplório e covarde – comentou a raposa. – Pois eu tenho mil manhas e recursos para os afastar de mim. Um catálogo de estratégias, podes crer. A dificuldade está na escolha, quando chega a ocasião. 
Logo por azar, surgiu a ocasião. Dois cães de caça correram sobre o gato e a raposa. Sentindo-os perto, o gato saltou para uma árvore e pôs-se a salvo.
Mas já eles corriam sobre a raposa.
Então o gato viu a raposa, que há pouco se gabava de dispor de tantos e tão variados expedientes contra a fúria dos cães, fugir a bom fugir, como qualquer coelho assustadiço. E, lá mais adiante, ser filada pelo rabo…
Não tardaria muito que enfeitasse uma gola de samarra.
Do seu providencial poleiro, o gato matutava que mais vale saber do que apregoar que se sabe.

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