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Folclore Brasileiro (Por quê é Triste o Jaburu)

mito indígena de animais encantados do Mato Grosso
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Nessa hora dúbia que ainda é dia e ainda não é noite, uma imensa tristeza se apodera dessa ave esquisita. E o jaburu, num dormitar profundo, nem sequer agita o longo pescoço, parecendo então um empalhado espécime de museu.

Nas grandes noites de cheia, move as asas poderosas e caminha de um lado para outro, lento e meditativo, como a montar guarda, naquela lagoa que é, desde há muito tempo, o seu pouso, a sua morada.

Vive sempre só e quando acontece aparecer um intruso, abre-lhe guerra e luta ferozmente.

Na hora crepuscular o seu voo nos faz lembrar velhas imagens de contos de fadas.

Quem viajar pelos sertões de Mato Grosso, mormente pela zona sul, há de encontrar à margem dos rios ou à beira das lagoas, uma ave cinzento-escura, pernas grossas, triste e esquisita, que tem, constantemente, a cabeça voltada para a terra…

É o jaburu.. .

Todas as tardes, ali escorado ele está numa perna só, tristonho, cabisbaixo.

Sobre a tristeza mística dessa ave há a seguinte versão: Mandi, indiozinho guerreiro, quebrando os preceitos sagrados da sua religião, deixou-se um dia apaixonar perdidamente por Ituna a mais formosa mulher da tribo de Morembi.

O pai queria fazê-lo Cacique, mas para isso era preciso, conforme dizia o pajé, que o filho não se casasse enquanto não passassem cinco luas, depois de ter recebido do pai o tacape de guerreiro e o diadema de morubixaba. Mas Mandi, que já havia consultado as águas da Lagoa Sagrada, sabia perfeitamente que a primeira lua muito longe estava ainda.

Por isso não podia esperar. Antes perder a soberania de Cacique do que ficar sem o amor daquela que Tupã mandara do céu, para alegria de seu coração na terra.

E Mandi não esperou, nem tão pouco ouviu as súplicas angustiosas do pai velhinho e doente…

Carin revoltou-se e, num momento de ódio, rogou uma praga terrível contra o filho.

Todas as tardes inevitavelmente, Mandi ia encontrar-se com Ituna à beira da Lagoa Sagrada e ali ficava, horas a fio, a contemplar a majestade de Febo, que se ocultava, aos poucos, na curva ensanguentada do horizonte.

Mas nunca estavam sós.

Uma ave de plumagem cinzento-escura, pescoço encolhido, descansando sobre uma das pernas, vinha fazer-lhes companhia.

E os dois divertiam a jogar migalhas de fruta adocicada ou miolo saboroso de quipiá para aquela ave mansa e esquisita apanhar com o seu bico grosso e forte. E em pouco tempo eram três que todas as tardes vinham admirar à beira da lagoa, a sublimidade da luta do dia contra as trevas.. .

Ficara tão manso o jaburu que vinha tirar-lhes da palma da mão a fruta adocicada ou o miolo saboroso.

Uma tarde, porém, umas nuvens densas e pesadas conglobaram-se para os lados do poente, com prenúncio de borrasca iminente.

Na tribo dos Araés ia uma balbúrdia medonha.

Carin, o valente e destemido guerreiro cacique, estava agonizante. As sombras daquela noite sem alvorada começavam a cair, lentamente sobre sua cabeça.

De quando em quando, pavoroso e medonho, um relâmpago rasgava o céu. O pajé, mãos cruzadas, cabeça caída sobre o peito rezava baixinho. Mulheres e crianças imitavam-no.

Quando percebeu que era chegada a hora, Carin chamou Mandi e entregou-lhe o tacape de guerreiro e o diadema de morubixaba.

Lá fora coroando o novo tuxana, um grupo de aráes dançava ao som de música fúnebre…

Mandi beijou a fronte bronzeada do pai e retirou-se. Na frente da palafita, mãos em conchas, sem dar atenção aos que saudavam, olhou em baixo e viu, por entre o clarão de um relâmpago, o vulto de Ituna que o esperava.

Não pode conter-se. Atirou para um lado os troféus sagrados que há pouco o pai lhe dera e desceu a encosta em desabalada carreira. Lá estava Ituna a formosa virgem que Tupã mandara do céu para a alegria do seu coração na terra.

Mandi contornou-lhe o corpinho delgado com seus braços longos e vigorossos e ia forçá-la para satisfação do seu incontido e lúbrico desejo, quando um raio, rasgando as trevas, veio cair-lhe em plena cabeça, fulminando-o juntamente com a índia virgem. No outro dia, já muito tarde, o pajé encontrou-os caídos sobre a relva úmida, os corpos estreitamente unidos, num abraço impressionante — o abraço da morte.

Lá estava também, meio idiotizado, o cismarento jaburu. Nessa mesma tarde um grupo de aráes abria duas tibis nas terras de Pendejã, o heróico tuxana, pai de Carin, que ali tombara um dia em defesa da tribo varado pelas balas dos guerreiros brancos. Uma delas para receber o corpo do bravo cacique: a outra, aberta ao lado da Lagoa Sagrada para sepultar os dois jovens que tombaram fulminados, ante os olhos irados de Tupã, na hora da consumação do pecado…

O jaburu, tristonho e imóvel, tudo presenciara sem nada compreender.

E quando a última pá de terra caiu sobre a tibi dos dois pecadores, ele voou e partiu.

Mas todas as tardes voltava.

Vinha esperar como de costume que alguém lhe atirasse a fruta adocicada ou o miolo saboroso.

Mas em vão. Nunca mais os viu voltar, alegres como dantes!

Daí por diante, o jaburu tornou-se mais triste ainda; as penas foram caindo aos pouco e a cabeça vergou sob o peso tremendo da dor… Mas ele não desanimava. Todas as tardes, ali estava descansando sobre uma das pernas em cima daquele amontoado de terra, os olhos cravados no chão, na esperança de ver surgir, debaixo dos seus pés, aquelas duas almas amigas.

Fonte:
Regina Lacerda (seleção). Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso.

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Folclore Brasileiro (Lenda do Negro D’água)

O negro d’água faz parte da vida de todos os pescadores do Centro Oeste. Crendo ou não crendo, todos eles já experimentaram um sustozinho, certa vez que um boto apareceu com a sua cabeça de porco a soprar bem pertinho de onde estava a sua vara de anzol. Em certa pescaria no curso baixo do rio Vermelho, uma vez, acompanhou-nos um “chauffer” chamado João, de sobressalência, para ajudar-nos a remendar câmara de ar no caminho, ou consertar as avarias dos pontilhões. Sempre ia por conta de serviços prováveis, sem pagar a contribuição para a cobertura das despesas. Era, pois, um companheiro para tudo.

Uma noite, quando já estávamos em boas redes, contando anedotas uns para os outros, e esperando chegar os últimos companheiros que subiram e desceram o rio, para dormirmos sossegados, escutamos um ruído do lado do rio, como se animal espantado tivesse corrido para nosso lado, derrubando mato. Era o João. Chegou sem poder falar, e horrorizado com o que vira naquele poço escuro que fica na curva do rio. Todos nos levantamos para socorrê-lo.

Que foi isso rapaz, perguntamos a um só tempo. Foi o negro d’água que brotou mesmo em baixo do meu pesqueiro, fazendo um rebojo e um barulhão, antes de erguer a metade do corpo fora d’água. E dizendo isto olhava para todos os lados, assombrado.

Você viu negro d’água coisa nenhuma, o que você viu foi um boto, que nós também vimos hoje à tarde, na curva do poço da piratinga. Os bolos do Araguaia sobem até aqui e gostam de se mostrar para os pescadores. E para provar que era isso mesmo, o nosso comparsa se meteu pelo caminho do poço indicado. Meia hora depois voltou confirmando que era boto mesmo, e se quiséssemos ver iríamos todos apreciar as evoluções que eles fazem quando vêem o homem.

Alguém “pediu a palavra” para contar um caso que havia acontecido há tempos, e dava o seu testemunho de homem de fé, qualidade que ninguém lhe negava. Todos aproximaram-se para ouvir a narrativa. Tratava-se do Tenente Pacheco, um excelente companheiro de pescaria e de caçada, profundo conhecedor daquela região e também do Estado todo.

— Uma noite, começou o oficial, estávamos pescando no rio Tapirapés, tributário do Araguaia, muito piscoso e com excelente caça; por essa razão preferido para as excursões dos que vão à Ilha, quando se formou, em baixo do nosso pesqueiro, um enorme rebôjo. Logo a seguir algo emergiu espadanando água, e fazendo um estranho barulho. Julguei que se tratasse de enorme sucuri, e pus de jeito minha espingarda de caça. Há, naquela região, muitas lagoas que são viveiros de sucuris. São elas que formam a cabeceira do rio. Não atirei no rumo; nunca fiz isso. Meti a lanterna elétrica em cima do rebôjo e avistei uma cara horrorosa, meio macaco, meio homem, cabelos lisos e bem pretos, cobrindo todo o rosto.

Os dentes eram alvos e pontiagudos, rindo para mim com ar de mofa. Os olhos, refulgindo pelo efeito da luz do farolete, eram duas tochas acesas. Nunca mais vi coisa igual. O índio Carajá que estava comigo já havia corrido espavorido. Gritou em português que não atirasse nele que ganharia maldição para o resto da minha vida.

Quando o bicho mergulhou, aproveitamos para dar o fora, e o índio pediu que fossemos embora, a seguir, porque não haveria mais um único peixe para nós. Este, é o sapo grande, que governa o rio e aparece para quem fala mal do Araguaia. Não fizemos objeção e até hoje nos recordamos daqueles olhos que pareciam farol de automóvel aumentados pela luz da lanterna.

Cada um, então, contou um caso de negro d’água e João nunca mais quis saber de participar de nossas pescarias, apesar de convidado com insistência, porque no pior servia para ajudar a empurrar o fordinho e remendar câmaras de ar.

Fontes:
Regina Lacerda (seleção). Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso.
Imagem = http://www.sohistoria.com.br

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Academia Pedralva de Letras e Artes (1947)

A Academia Pedralva Letras e Artes foi fundada em 20 de fevereiro de 1947 por Pedro Batista Manhães, Almir Soares e pelo professor Walter Siqueira na cidade de Campos dos Goytacazes, situada no norte do estado do Rio de Janeiro.

Foi numa oficina de bicicletas, de Hermann Lessa, na antiga Rua Barão de Cotegipe, atual Governador Theotônio Ferreira de Araújo, onde funciona hoje a firma Neves e Irmãos, que nasceu a idéia da fundação da Academia Pedralva, formada pelas iniciais de seus três fundadores, poetas Pedro Baptista Manhães, Almir Maciel Soares e Walter Siqueira, todos, na época, jovens, inspirados e entusiastas pela poesia.

Mais tarde, já fundada, a Pedralva começou a se reunir efetivamente na residência do poeta-fundador Pedro Manhães, na Rua Conselheiro José Fernandes (ex-Rua dos Bondes), em frente à Primeira Igreja Batista de Campos, com a presença de dezenas de poetas, trovadores e cronistas da terra. Eram reuniões inteligentes, agradáveis, bem-humoradas, durante as quais eram servidos café e refresco amigos. Pedro foi sempre um gentleman.

A academia cresceu e por motivos vários, passou a realizar as suas reuniões no escritório do advogado e intelectual Walter Silva, pedralvense, no antigo Edifício Bartholomeu Lysandro (também conhecido por edifício d’A Brasileira). Mas não ficou por muito tempo. Crescendo e se projetando cada vez mais, a Pedralva foi abrigada pela Associação de Imprensa Campista (AIC), entidade pronta a atender às iniciativas comunitárias, em particular às culturais. Retornando, mais tarde, a se reunir na oficina de bicicletas, em outro endereço.

Na sede da AIC, a Pedralva, que contava também com jornalistas pedralvenses, realizou importantes e memoráveis reuniões e solenidades, com a participação de intelectuais campistas e visitantes e a presença constante de convidados e populares.

Com o passar do tempo, por exigências estruturais, a entidade passou a se chamar Academia Pedralva – Letras e Artes, editando livros e boletins, realizando palestras e conferências, programação de intercâmbio literário e a saudosa criação dos Salões Campistas de Trovas, de dois em dois anos.

Os salões de trovas marcaram época, desde a sua instituição em 1959. Até o último, em 1993, foram abordados os mais variados temas, contando invariavelmente com a participação de trovadores locais, nacionais e internacionais. Nesses períodos de realizações trovadorescas, a Pedralva trouxe a Campos, para palestras, manhãs, tardes e noites de autógrafos, lançamentos de livros e outras iniciativas, renomados nomes da cultura, como J. G. de Araújo Jorge, Hélio Teixeira, João Felício dos Santos, Vitor Visconti, Lourdes Povoa Bley, Aparício Fernandes, Zalkind Piatigorsky, Alice de Oliveira, Jacy Pacheco, Pedro Paulo Gavazzoni, Nabor Fernandes, Raul de Oliveira Rodrigues, Navega Cretton, Alípio Mendes, Aurélio Buarque de Hollanda, Herberto Sales, entre muitos e muitos outros. Os salões deixaram de ser realizados por questões financeiras.

A Academia Pedralva possui 40 cadeiras. Há 62 anos ininterruptos difunde a cultura campista pelo Brasil. Foi fundada em 20 de fevereiro de 1947, com sede no Palácio da Cultura (Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima), graças ao ex-prefeito Raul David Linhares Corrêa e mantida pelos prefeitos posteriores.

Foram presidentes, segundo arquivo, os pedralvenses Walter Siqueira (o poeta), Pedro Manhães, Walter Silva, Latour Neves Silva Arueira, Ebenézer Soares Ferreira, Herbson da Rocha Freitas, José Ferreira da Silva, Adamastor Barros da Cunha, Waldir Pinto de Carvalho, José Florentino Salles e Heloísa Helena Crespo Henriques.

A APLA tem hoje a administrá-la o cronista José Gurgel dos Santos, empossado em 2008. Nomes como os de José Viana Gonçalves, Aldiney de Souza Sá, Carlos Augusto Souto de Alencar, Geraldo Ferreira da Silva, Manoel Junqueira e Elias Rocha Gonçalves compõem a atual diretoria pedralvense.

Eis, em síntese, uma micro-história da Academia Pedralva Letras e Artes, que toda Campos dos Goytacazes conhece e admira pelos seus trabalhos culturais. Por fim, como muito bem disse, certa vez, o poeta Walter Siqueira, “o sonho de Almir Soares não se desfez com a sua morte: materializou-se na Academia que ele desejou ver triunfar e recebeu o cognome feliz de “Casa de Almir Soares””.

Acadêmicos

Cadeira no. 01

    Patrono Alberto Ferreira
    1º. Ocupante José Florentino Salles

Cadeira no. 02

    Patrono Alberto José Sampaio
    1º. Ocupante Andral Nunes Tavares
    2º. Ocupante Waldir Pinto de Carvalho
    3º. Ocupante Thelmo Lopes Albernaz

Cadeira no. 03

    Patrono Alberto Frederico de Morais Lamego
    1º. Ocupante José Moreira Machado
    2º. Ocupante José Gurgel dos Santos

Cadeira no. 04

    Patrono Alcides Carlos Maciel
    1º. Ocupante Joel Maciel Soares
    2º. Ocupante Jaélzia Denise Barreto Crespo Rangel

Cadeira no. 05

    Patrono Anthero Ferraz Manhães
    1º. Ocupante Murilo Abreu Henrique
    2º. Ocupante José Marques
    3º. Ocupante Sueli Maria Vasconcelos de Azevedo Petrucci

Cadeira no. 06

    Patrono Antônio Arêas Júnior
    1º. Ocupante Rosa Maria Soares
    2º. Ocupante Pedro Paulo Caputti
    3º. Ocupante Carlos Augusto Souto de Alencar

Cadeira no. 07

    Patrono Dalton Guimarães
    1º. Ocupante Hernon Viana
    2º. Ocupante Mário de Barros Wagner
    3º. Ocupante Fernando Siqueira
    4º. Ocupante Aldiney de Souza Sá

Cadeira no. 08

    Patrono Horácio Souza
    1º. Ocupante Ubirajara Cruz
    2º. Ocupante José Ferreira da Silva
    3º. Ocupante Jayro Rodrigues Faria

Cadeira no. 09

    Patrono Everardo Tinoco
    1º. Ocupante Lucas Vieira Neto
    2º. Ocupante José Ramos Bernardes Pinheiro
    3º. Ocupante Ruy Alves
    4º. Ocupante Carlos Luiz Azevedo Allemand
    5º. Ocupante Sônia Vasconcelos Tavares

Cadeira no. 10

    Patrono Joaquim Laranjeira
    1º. Ocupante Vero Baptista de Azevedo
    2º. Ocupante Jonas Lopes de Carvalho
    3º. Ocupante Anete Rodrigues Carneiro
    4º. Ocupante Amy Barbosa Costa

Cadeira no. 11

    Patrono Latelbe Barroso
    1º. Ocupante Walter Silva
    2º. Ocupante Eloy Barreto 3º. Ocupante Nísia Campos

Cadeira no. 12

    Patrono Mário Barroso
    1º. Ocupante Décio Aquino
    2º. Ocupante Genaro Teixeira Vasconcelos
    3º. Ocupante Jahel Ramalho Pereira
    4º. Ocupante Neiva de Souza Fernandes

Cadeira no. 13

    Patrono Narcisa Amália de Campos
    1º. Ocupante Gercy Pinheiro de Souza
    2º. Ocupante Luísa Lins Costa “Lysa” Castro

Cadeira no. 14

    Patrono Mário Fontoura
    1º. Ocupante Pedro Batista Manhães
    2º. Ocupante Marília Bulhões dos Santos Carneiro

Cadeira no. 15

    Patrono Oswaldo Tinoco
    1º. Ocupante Pedro Marins Rangel
    2º. Ocupante Joel Ferreira Mello

Cadeira no. 16

    Patrono Péricles Maciel
    1º. Ocupante Herval da Silva Coutinho
    2º. Ocupante Amaro Prata Tavares
    3º. Ocupante Ignácio Gonçalves de Azevedo

Cadeira no. 17

    Patrono Rufino Carneiro
    1º. Ocupante Pedro Dias de Carvalho
    2º. Ocupante Alceir Maia Mendonça

Cadeira no. 18

    Patrono Silvio Fontoura
    1º. Ocupante Prof. Walter Siqueira
    2º. Ocupante Luiz Omar Amerio Monteiro

Cadeira no. 19

    Patrono Thecilia Cruz
    1º. Ocupante Vilmar Ferreira Rangel

Cadeira no. 20

    Patrono Tomé da Costa Guimarães
    1º. Ocupante Pedro Gomes Nogueira
    2º. Ocupante Carlos Rodolfo Ferreira da Rocha
    3º. Ocupante Vitória Rangel França

Cadeira no. 21

    Patrono Phocion Serpa
    1º. Ocupante Ebenézer Soares Ferreira

Cadeira no. 22

    Patrono Aloísio Faria
    1º. Ocupante Floriana Eloy Ribeiro
    2º. Ocupante Jairo de Souza Pontes
    3º. Ocupante Paulo Muylaert Tinoco
    4º. Ocupante Gil Wagner Quintanilha

Cadeira no. 23

    Patrono Gastão Machado
    1º. Ocupante Latour Neves Silva Arueira
    2º. Ocupante Celso Cordeiro Filho

Cadeira no. 24

    Patrono Claudinier Martins
    1º. Ocupante Orávio de Campos Soares

Cadeira no. 25

    Patrono Silvio Cardoso Tavares
    1º. Ocupante Plinio Bacelar da Silva
    2º. Ocupante Oldemar Pimentel Tavares
    3º. Ocupante Helio Bulhões Mayerhofer

Cadeira no. 26

    Patrono Ulysses Martins
    1º. Ocupante Coriolano Henriques da Silva
    2º. Ocupante Dr. Walter Siqueira

Cadeira no. 27

    Patrono Joaquim de Melo
    1º. Ocupante Afrânio Maciel
    2º. Ocupante Manoel Junqueira Vieira

Cadeira no. 28

    Patrono Campos Sobrinho
    1º. Ocupante Gastão de Barros Wagner
    2º. Ocupante Sérgio Soares Fernandes
    3º. Ocupante Vera Lúcia Gonçalves Manhães Moço

Cadeira no. 29

    Patrono João Antunes de Freitas
    1º. Ocupante Herbson da Rocha Freitas

Cadeira no. 30

    Patrono Belo da Gama Bilot
    1º. Ocupante Denancy de Melo Anomal
    2º. Ocupante Geraldo Ferreira da Silva

Cadeira no. 31

    Patrono Abelardo N. Vasconcelos
    1º. Ocupante Antonio Miguel
    2º. Ocupante Roberto Pinheiro Acruche

Cadeira no. 32

    Patrono Antonio Sarlo
    1º. Ocupante Constantino Gonçalves
    2º. Ocupante José Carlos Fontes
    3º. Ocupante José Viana Gonçalves

Cadeira no. 33

    Patrono Átila Moreira
    1º. Ocupante Octacílio Cruz Peixoto
    2º. Ocupante Manoel Leandro Filho
    3º. Ocupante Eduardo Augusto de Souza
    4º. Ocupante Elias Rocha Gonçalves

Cadeira no. 34

    Patrono João Barreto da Silva
    1º. Ocupante Elmar Rodrigues Martins
    2º. Ocupante Walnize Carvalho de Lemos

Cadeira no. 35

    Patrono João Batista Tavares da Hora
    1º. Ocupante Edson de Souza Neto
    2º. Ocupante Ana Lúcia Rodrigues Gomes

Cadeira no. 36

    Patrono Júlio Nogueira
    1º. Ocupante Nilo Terra Arêas
    2º. Ocupante Antonio Morgado Pinto
    3º. Ocupante Hyran Tinoco Botelho
    4º. Ocupante Aylton Damas dos Santos
    5º. Ocupante Heloísa Helena Crespo Henriques

Cadeira no. 37

    Patrono Laert Chaves
    1º. Ocupante Antônio Roberto Fernandes

Cadeira no. 38

    Patrono Manoel Ferreira de Souza
    1º. Ocupante Paulo Muylaert Tinoco
    2º. Ocupante Manoel José de Assis
    3º. Ocupante Haroldo Werneck
    4º. Ocupante Agostinho da Conceição Rodrigues Filho

Cadeira no. 39

    Patrono Thiers Cardoso
    1º. Ocupante Artur Gomes Abreu
    2º. Ocupante Wellington Paes

Cadeira no. 40

    Patrono Thiers Martins Moreira
    1º. Ocupante Jerônimo Ribeiro
    2º. Ocupante Adamastor Barros da Cunha

Fonte:
Wikipedia

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Ditados Populares do Brasil (Letra D)

DÁ com a mão direita, que a esquerda não saiba.
DÁ o dito por não dito.
DAR a César o que é de César..
DAR A MÃO à palmatória.
DAR A VOLTA por cima.
DAR COM LUVA de pelica.
DAR NÓ em pingo de água.
DAR O GOLPE do baú.
DAR TRATOS à bola.
DAR UM BOI pra não entrar na briga, e uma boiada para não sair.
DE CAVALO dado, não se olham os dentes.
DE DENTE no coradouro.
DE GRÃO em grão a galinha enche o papo.
DE HORA em hora, Deus melhora.
DE NOITE todos os gatos são pardos.
DE ONDE se tira e não bota, um dia fica com nada.
DE PENSAR, morreu um burro.
DEITAR nos louros da vitória.
DEIXE como estar para ver como é que fica.
DEPOIS da tempestade, vem a bonança.
DEPOIS de mim virá quem bem me fará.
DESGRAÇA pouca é tiquinho.
DESMANCHAR o nó.
DEUS criou, o vento espalhou e o diabo ajuntou.
DEUS dá a canga conforme o pescoço.
DEUS dá o frio conforme a roupa.
DEUS escreve certo por linhas tortas.
DEUS proteja este carro.
DIRIGIDO por mim e guiado por Deus.
DEUS é a luz do meu caminho.
DAQUI até onde Deus quiser.
DEUS proteja este carro.
DESCULPE a poeira.
DE LONGE também se ama.
DENTRE elas prefiro todas.
DE MULHER de burguês ninguém queira ser freguês.
DEPOIS da batalha, aparecem os valentes.
DESANIMAR, nunca. O desengano deve ser o começo de outra esperança.
DETESTADO pelos homens, querido pelas mulheres.
DEUS guia e eu dirijo.
DEUS lhe dê o dobro do que voce me deseja.
DEVAGAR chego depressa.
DEVAGAR se vai ao longe.
DINHEIRO de trouxa é farra de sabido.
DINHEIRO e mulher bonita é que governam o mundo.
DINHEIRO não traz felicidade, mas ajuda a sofrer em Paris.
DIRIGIDO por mim e guiado por Deus.
DIVÓRCIO é o sacramento do adultério.
DUAS coisas que gosto: cerveja gelada e mulher quente.
DURMA no volante e acorde no céu.
DEUS querendo, água fria é remédio.
DEVAGAR com o andor que o santo é de barro.
DEVAGAR se vai ao longe.
DEVO, não nego, pagar, não posso.
DIA de muito, véspera de pouco.
DINHEIRO, na mão, escorrega que nem sabão.
DIZE-ME com quem andas, e te direi quem és.
DIZER o que sente, fazer o que não sente.
DO BOLSO que enfia a mão, o pobre só tira dedos.
DO PASSADO, não remexer na ferida.
DOIS narigudos não se beijam.
DORMIR na estação e perder o trem.
DOS MALES o menor.
DURMA com um barulho desse, e acorde da boa cara.
DURO com duro não faz bom muro.
DURO, como boca de sino.

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Jornais e Revistas do Brasil (Città di Caxias – periodico semanal)

Período disponível: 1913 a 1922 
Local: Caxias do Sul, RS 
Fundado em Caxias do Sul (RS) em 1º de janeiro de 1913, Città di Caxias se definia como “periodico settimanale d’interesse coloniale”, ou seja, um semanário voltado para os interesses da colônia italiana, em especial aquela formada no Sul do Brasil. Foi dirigido inicialmente por Ernesto Scorza, embora o proprietário tenha sido sempre Emilio Fonini. Circulando tanto em italiano quanto em português, era impresso em tipografia própria, primeiro a vapor e depois elétrica, em tamanho standard.
Desde que foi lançado, o jornal teve boa aceitação de público e grande adesão de anunciantes. Inicialmente com quatro páginas por edição, em pouco tempo aumentou o número para seis. Um ano depois de sua fundação, quando engrossou sua cobertura internacional por causa da Primeira Guerra Mundial, Città di Caxias já circulava com oito ou dez páginas. Em geral, eram publicados artigos, reportagens, crônicas, editais municipais, telegramas internacionais, informes a pedidos, discursos de autoridades italianas, além de muitos anúncios.
Crítico e opinativo, sempre enaltecendo o labor e os valores morais da colônia italiana, o semanário abordou assuntos diversos, em geral de interesse local – sobretudo em seus primeiros tempos. Tiveram destaque em suas páginas questões relativas ao sistema de trabalho em cooperativas, aplaudindo-se o empreendedor cooperativista local Giuseppe de Stefano Paternò, e o deficiente transporte férreo regional, na série “La compagnia della morte”, que criticava provavelmente a belga Compagnie Auxiliare, a qual desde 1905 administrava a ferrovia que ligava Porto Alegre a Caxias. Por ocasião de grandes acontecimentos na Europa ou, sobretudo, na Itália, o foco se voltava para o velho continente. Durante a Primeira Guerra Mundial, por exemplo, Città di Caxias acompanhou detidamente o conflito, porém sob ponto de vista italiano. Isto o levou a divulgar propaganda de guerra, como a suposta notícia de que marinheiros da frota alemã teriam oferecido um berço tingido de sangue francês a uma princesa da família imperial germânica (edição de 30 de agosto de 1916). 
O jornal tratava de economia e comércio, agricultura (sobretudo viticultura), enologia, indústria, impostos, serviços, variedades em colônias dos arredores de Caxias (Nova Milão, Nova Pádua, Nova Vicenza etc.), cotidiano administrativo oficial e forense, infraestrutura, política brasileira, saúde e atendimento médico, educação e instrução pública, eventos e festividades, questões ligadas à infraestrutura e peculiaridades urbanas de Caxias, futebol, cultura e entretenimento, atualidades científicas, personalidades ilustres regionais, casos de polícia, lições morais e comportamento, acontecimentos políticos e variedades internacionais, religião, turismo, entre outros assuntos.
Simpático à intendência municipal do major José Penna de Moraes, o periódico chegou a lançar em 1915 um suplemento de cerca de 40 páginas “dedicato all’Esimo Presidente dello Stato Del Rio Grande do Sul”, Antônio Augusto Borges de Medeiros, autoridade sempre louvada pelo jornal. Ali, entre registros fotográficos de Caxias e informações gerais sobre os municípios de Bento Gonçalves, Alfredo Chaves e Antônio Prado, aplaudia-se ainda a figura de Pinheiro Machado e diversas iniciativas comerciais locais. 
A partir da edição nº 137, de 20 de outubro de 1915, o jornal passou a ter Silvio Dal Zotto como gerente. No nº 165, de 18 de maio de 1916, ainda com Ernesto Scorza como diretor-geral, o cargo passou a Mario Rey Gil. Pouco tempo depois, novas mudanças: com o falecimento de Scorza, em 14 de julho de 1916, Giuseppe Buzzoni e Luigi Bancalari assumiram a direção da folha. Rey Gil também não figurava mais ali, tendo a gerência ficado diretamente com o proprietário Emilio Fonini. No nº 185, de 16 de novembro do mesmo ano, Ercole Donadio acabou substituindo a dupla Buzzoni-Bancalari. Mesmo mantendo-se em seu cargo, Donadio desapareceria do expediente do jornal em outubro de 1917, momento em que nenhum nome aparecia como responsável pela direção.
Città di Caxias terminou 1917 fazendo campanha para a reeleição de Borges de Medeiros à presidência do Rio Grande do Sul. Nesse momento, seu expediente vinha apenas com Ernesto Scorza como fundador e com o endereço da redação: o nº 28 da rua Sinimbú. 
Iniciando 1918, o periódico deixava de lado questões mais ligadas ao cotidiano colonial e à economia agrícola locais, dando maior atenção à realidade italiana e à política brasileira e europeia. O número de páginas reduzira-se para quatro e a quantidade de anúncios não era a mesma, embora ainda tomassem boa parte das edições.
Ercole Donadio mudou-se para Porto Alegre, deixando a direção do semanário a José Joaquim de Vargas. Com a morte deste último em outubro do mesmo ano (ver edição do dia 19), o jornal passou a ser dirigido por Adolpho Peña, que cerca de um mês depois deixou o cargo para Benício Dantas. Na ocasião, M. Marchetinni tornou-se o redator principal.
Em 1919, Benício Dantas substituiu Marchetinni no cargo de redator-chefe por Ulysses Castagna, até então responsável principalmente pela coluna de viticultura e enologia do jornal (mesmo com a promoção, a coluna continua sendo publicada, com mais destaque). No ano seguinte, a direção passou a Arthur de Lavra Pinto.
Segundo as informações disponíveis, Città di Caxias circulou apenas até 30 de setembro de 1922, quando foi publicada edição nº 464. Em seus últimos momentos, a folha publicava mais textos em português do que em italiano. 
Foram também colaboradores do jornal Giuseppe de Stefano Paternò, Octavia Paternò, V. Bornancini, Guido d’Andrea, Antonio Casagrande, Mario Mariani, Silvio Becchia, Jacintho Godoy, Samorim Gustavo de Andrade, entre outros.
Fontes
 1. Acervo: edições do nº 1, ano 1, de 1º de janeiro de 1913, ao nº 464, ano 10, de 30 de setembro de 1922. Disponível em http://hemerotecadigital.bn.br/artigos/città-di-caxias

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Jornais e Revistas do Brasil (Cinearte)

Período disponível: 1926 a 1932 
Local: Rio de Janeiro, RJ 
Em busca da modernidade, uma das palavras de ordem que marcaram as grandes cidades ocidentais no início do século XX, o Rio de Janeiro também foi palco, na mesma época, de profundas mudanças em sua paisagem urbana. Capitaneadas pelo prefeito Francisco Pereira Passos, com apoio decisivo do presidente da República, Rodrigues Alves, as reformas modernizadoras tinham por objetivo transformar a então capital federal numa cidade que pudesse rivalizar, pelo menos em matéria de bom gosto arquitetônico e estética urbana, com as melhores urbes européias. 
Foi parte significativa dessa modernização a verdadeira revolução no mundo audiovisual operada pelo “cinematógrafo”, ou melhor, “cinemathographo”, logo chamado de cinema. Em 1905, inaugurava-se a Avenida Central (hoje Rio Branco) e logo depois o Teatro Municipal. a Biblioteca Nacional e o novo prédio do Museu Nacional de Belas Artes, e também os primeiros cinematógrafos cariocas. Anos depois, a Cinelândia, como ficou conhecida posteriormente a Praça Floriano, se converteria num complexo de lazer tendo o cinema e os bares como principais atrações. Foi nesse último contexto histórico que surgiu, em 1926, Cinearte, uma das mais importantes revistas sobre o tema que circularam no país.
Referência obrigatória para quem deseja conhecer a história do cinema, Cinearte apareceu no momento em que a mídia assumia importante papel na formação cultural da sociedade. O interesse pelo cinema havia crescido, e a imprensa não poderia ficar indiferente ao fenômeno. A seção de cinema da revista Para Todos fazia tanto sucesso entre os leitores que surgiu a idéia de transformá-la numa publicação independente… Nascia assim Cinearte.
Criada por Mário Behring e Adhemar Gonzaga, a nova revista oferecia aos leitores informes sobre produções hollywoodianas, mas também dava destaque às incipientes produções nacionais da época e ao mercado cinematográfico, em seções que tratavam de temas variados. Entre essas seções, uma em especial, a crítica de cinema, que logo se tornaria indispensável nos grandes periódicos do país. 
Cinearte era feita por intelectuais, cineastas, advogados, literatos, educadores, críticos de arte e até advogados. Publicação quinzenal desde 1933, tornou-se depois bimensal e, em sua última fase, mensal. A tiragem chegou à notável marca de 250 mil exemplares por edição. 
Impressa em papel jornal, era inspirada na revista americana Photoplay. Seus padrões de papel e formato pouco mudaram até a última edição, que foi o número 561, de julho de 1942. Media 31cm x 23cm. As cores das imagens variavam entre o azul, verde, marrom, vermelho. Algumas edições tinham páginas em papel especial,contendo apenas anúncios publicitários. A Biblioteca Nacional possui em seu acervo 569 edições referentes aos anos 1926 a 1942, todas digitalizadas e disponíveis neste site.
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Jornais e Revistas do Brasil (Breviário: revista de arte)

Período disponível: 1900 a 1900 
Local: Curitiba, PR 
Fundado e dirigido por Romário Martins e Alfredo Coelho, Breviario foi um periódico mensal de arte e cultura, com ênfase em literatura simbolista. Lançado em Curitiba (PR) em agosto de 1900, com o subtítulo “Revista de arte”, tinha Aluízio França como gerente e redação no nº 13 da rua Borges de Macedo. Era impresso pela Typographia Impressora Paranaense, em formato pequeno.
Julgando-se apenas pelos seus números 1 e 2, respectivamente de agosto e setembro de 1900, cada edição de Breviario girava em torno da obra de duas importantes figuras do Simbolismo paranaense, com versos, prosa, excertos de obras, ensaios, homenagens e perfis dos literatos, entre outras coisas. Na primeira edição, publicaram-se Emiliano Pernetta e Emílio de Menezes; na segunda, Nestor de Castro e Sebastião Paraná.
Além de textos de Romário Martins, Adolfo Coelho e dos quatro intelectuais homenageados nas duas edições iniciais, Breviario publicou ainda “Emancipação da mulher”, de Marianna Coelho; “D. João d’Amor” e “Do paiz dos Lyrios”, de Domingos Nascimento; “Prece” e “Turris Eburnea”, de Silveira Netto; “Supliciado” e “Fallando”, de Euclides Bandeira; “Livro de Job”, de Júlio Pernetta; e “Deslumbramento” e “Magnos olhos”, de Ricardo de Lemos.
Apesar de não ser propriamente uma revista aguerrida, na penúltima página do segundo número, Breviario felicitava o lançamento de dois periódicos combativos: Epistola, de Júlio Pernetta, e Tartufos, de Ismael Martins, ambos voltados para a questão anticlerical.
Na edição de lançamento, Breviario informava que só aceitava textos de seus próprios colaboradores, convidados especialmente, e que cada edição traria “finas photogravuras”. Informava também que “não tem numero determinado de paginas, que não serão, entretanto, inferiores a 20” (a primeira edição vinha com 25 páginas e a segunda, 18). Exemplares avulsos podiam ser comprados a 1$000 e assinaturas semestrais podiam ser feitas a 5$000.
É provável que esta publicação tenha tido somente essas duas edições. O periódico fundiu-se logo depois, em novembro de 1900, com a revista cultural Pallium, para o nascimento de outro periódico de arte, Turris Eburnea. A nova publicação era responsabilidade da chamada “Ordem da Turris Eburnea”, formada por intelectuais engajados na libertação do espírito do século XIX no homem.
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Jornais e Revistas do Brasil (A Vida Fluminense: folha joco-séria-illustrada)

Período disponível: 1868 a 1874 
Local: Rio de Janeiro, RJ 
Continuação de: 
O Arlequim
Continuado por: 
O Figaro : folha illustrada
A revista ilustrada A Vida Fluminense foi lançada, na corte, no dia 4 de janeiro de 1868, em continuidade a O Arlequim, que, por sua vez, sucedera ao Bazar Volante (1863), criado pelo desenhista francês Joseph Mil. Editada por Augusto de Castro e Antônio de Almeida, este último padrasto do grande Ângelo Agostini, que também participaria da sociedade tão logo chegou de São Paulo, onde teve problemas com a justiça por criticar asperamente o clero e a aristocracia escravista, nos irreverentes O Diabo Coxo e Cabrião.
 A publicação, que durou sete anos (período relativamente longo para a época), buscaria um tom mais brando, como informava a apresentação ou editorial do primeiro número: “Para agradar a todos os paladares (…) será uma folha joco-séria, publicará retratos, biografias, caricaturas, figurinos de modas, músicas, romances nacionais e estrangeiros, artigos humorísticos, crônicas, revistas, etc.”. Sua linha editorial iria girar em torno da vida social da corte, de críticas políticas amenas ou de assuntos palpitantes como a Guerra do Paraguai. Transitava da política aos fatos cotidianos, com destaque, porém, para as ilustrações e narrativas bem-humoradas.
 Charges e outras formas de desenhos já circulavam em alguns periódicos do país desde, pelo menos, 1837, quando Manuel de Araújo Porto-Alegre publicou no Jornal do Commercio a primeira charge de que se tem conhecimento. Com Ângelo Agostini, A Vida Fluminense inovaria ao lançar “As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, “história em capítulos”, como a chamou o autor, que é considerada o primeiro quadrinhos brasileiro. Com narrativa e desenhos em sequência, não apresentava, no entanto, as falas dos personagens em balões, nem traços gráficos indicando movimento. Por sua importância o dia 30 de janeiro de 1869 – dia em que “As aventuras de Nhô Quim” (o primeiro personagem brasileiro de quadrinho) foram lançadas – tornou-se o Dia Nacional do Quadrinho.
 Além de Agostini, trabalharam na Vida Fluminense Cândido Aragonês de Faria e o também italiano Luigi Borgomainério, dois outros grandes artistas da época. No mesmo período circularam também importantes periódicos como o Ba-ta-clan, dirigido por Charles Berry e ilustrado por J. Mill e M. Michon, O Mosquito, de Cândido de Faria, e A Comédia Social, do pintor Pedro Américo. A Vida Fluminense foi editada em formato diferente dos seus similares, tanto no que se refere ao tamanho – 33 x 25 cm –, como no número de páginas, doze em vez das recorrentes oito páginas. Já no ano seguinte, porém, esse número não se sustentou e a publicação voltou às oito páginas usuais.
 Em 1875, último ano em que circulou, a revista fez significativa reformulação, passando, segundo Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, em História da fotorreportagem no Brasil: a fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900, “a apresentar uma nova logomarca – uma xilogravura de Salvioni, artista italiano de Turim – além de uma impressão chapada de fundo e uma série de cercaduras com motivos fitomorfos em algumas de suas páginas.” Prezando sua qualidade, incomodada com os concorrentes e sem falsa modéstia, a própria revista (leia-se Agostini) advertia: “Graças ao lápis de seus caricaturista, esta folha readquire o lugar que lhe compete, e honra a imprensa hebdomadária da capital. Como sempre, fugirá de ser pasquim de torpezas, e não viverá de cópias, tomadas com singular desembaraço às publicações estrangeiras, conforme praticam alguns jornais [leia-se, em especial, a rival Semana Illustrada, dos irmãos Henrique e Karl Fleiuss e de Karl Linde) desta corte.” (A Revista Fluminense, 2 jan. 1875, p.2)
 Embora haja lacunas na coleção, o acervo da Biblioteca Nacional abrange volumes referentes aos oito anos incompletos de circulação de A Vida Fluminense.
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Jornais e Revistas do Brasil (A Noite)

Período disponível: 1911 a 1964 
Local: Rio de Janeiro, RJ 
O vespertino A Noite foi fundado em 18 de julho de 1911 por Irineu Marinho, no Rio de Janeiro (RJ), logo depois que este jornalista deixou a Gazeta de Notícias, onde era secretário-geral. Acompanhado de treze antigos funcionários, Irineu Marinho instalou o novo periódico no sobrado de nº 14 do Largo da Carioca, com impressão feita na rua do Carmo.
Considerado um dos primeiros jornais populares do Rio de Janeiro – fora lançado a preços baixos, com circulação diária e grandes tiragens – o jornal teve várias donos e fases, a mais importante das quais nas décadas de 1920 e 1930. Foi em A Noite que Lima Barreto publicou, de março a julho de 1915, em folhetos, o romance satírico Numa e a Ninfa. O jornal também emprestou seu nome ao moderno edifício de 24 andares, construído em 1928 na Praça Mauá, no Rio de Janeiro. No “prédio d’ A Noite” também funcionou a Rádio Nacional.
A Noite trazia principalmente assuntos políticos, assuntos locais e forte noticiário policial. Costumava dar o resultado do jogo do bicho na primeira página, o que cessou a partir do momento que a direção do jornal decidiu iniciar campanha contra jogos e cassinos clandestinos. Já no seu primeiro ano de vida, o diário promoveu o voo do piloto francês Edmund Planchut em 22 de outubro de 1911, realizado no Rio de Janeiro (na sua redação, aliás, foi inaugurado o Aero Clube do Brasil).
No início, o primeiro jornal de Irineu Marinho adotou a causa civilista da candidatura de Rui Barbosa nas eleições presidenciais de 1910. Com a derrota dos civilistas, A Noite ficou na oposição ao governo de Hermes da Fonseca. Crítico e severo, o diário combatia o autoritarismo do presidente e a chamada política de “salvações” (intervenções militares em alguns estados com fins de moralizar costumes políticos oligárquicos, mas que, no fim, levaram à simples substituição de oligarquias no poder). Tal postura ocasionou a suspensão da circulação do jornal e a prisão temporária de seus diretores. 
Nas eleições presidenciais de 1918, A Noite voltou a apoiar a candidatura Rui Barbosa, desta vez derrotado por Epitácio Pessoa. Mantendo-se na oposição, o jornal viveu bons momentos na década de 1920. Um deles foi a cobertura favorável às revoltas tenentistas de 1922 e 1924, o que lhe valeu a dura repressão dos governos de Epitácio Pessoa e Artur Bernardes e a prisão de Irineu Marinho. 
A direção passou a Antônio Leal Costa e a Herbert Moses, vice-presidente da empresa, a Sociedade Anônima A Noite. Também preso Leal da Costa, em 1825, assume o seu lugar Vasco Lima, antigo sócio de Marinho. Libertado nesse mesmo ano e com problemas de saúde, Marinho deixa o país, não sem antes caucionar a maioria de suas ações na sociedade anônima em favor de Geraldo Rocha. Este, em uma reunião com os acionistas do jornal, rompe os vínculos que ainda prendiam A Noite ao controle de Marinho e constitui uma nova diretoria, formada por Eustachio Alves (presidente), Vasco Lima (gerente) e Castellar de Carvalho (secretário). .
Nessa nova fase, o jornal deixou a oposição, passando a apoiar o governo de Washington Luís, e iniciou a construção de sua nova sede, o moderno prédio de 23 andares na praça Mauá. Com a mudança para lá em 1929 e a compra de novas impressoras (linotipos), também se modernizou o aspecto gráfico do jornal. Em setembro de 1930, lançava a revista semanal Noite Illustrada, impressa em rotogravura. 
Nas eleições presidenciais de 1930, depois de ensaiar possível neutralidade, o jornal, ainda sob o comando de Geraldo Rocha, aderiu à candidatura governista de Júlio Prestes. As denúncias de fraude na vitória de Júlio Prestes não abalaram o alinhamento do jornal, que chegou a publicar entrevistas e pronunciamentos de líderes moderados da Aliança Liberal contra a solução armada. Um exemplo é o texto “Pela ordem”, de Antônio Augusto Borges de Medeiros, que conclamava a aceitação dos resultados eleitorais.
Com a vitória do movimento liderado por Getúlio Vargas, os revolucionários empastelaram o jornal e prenderam Rocha. A sede foi depredada e incendiada, e o jornal deixou de ser editado por alguns dias. Ao voltar a circular, em 4 de novembro, a empresa se defrontaria com o desgaste político resultante do apoio às oligarquias derrotadas e, principalmente, com as dívidas originárias da construção do prédio da praça Mauá e da compra de novas máquinas. Sem ter como saldar os compromissos financeiros com o grupo do empresário norte-americano Percival Farquhar, proprietário da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, Geraldo Rocha, já livre, assinou uma confissão de dívida, que o levou a perder todos os seus bens e a totalidade das suas ações do jornal. Curiosamente, no entanto, desde a eclosão da Revolução, a São Paulo-Rio Grande esteve ocupada por tropas revolucionárias, o que acabaria determinando o futuro do periódico.
Nessa terceira fase, agora como propriedade de grupo estrangeiro representado no Brasil por Guilherme Guinle, o jornal passou a direção de Manoel Cardoso de Carvalho Netto e adotou linha política mais amena, livre de ataques pessoais. Adotou também uma disposição gráfica mais arrojada, com destaque para fotos e manchetes. Também foi mantido o suplmento Noite Illustrada. 
No processo de reerguimento da sociedade editora de A Noite, Vasco Lima, que continuou na empresa, criou duas revistas – Carioca e Vamos Ler – ambas dirigidas por Raimundo Magalhães Júnior. Dedicada sobretudo ao cinema, rádio e teatro, e com farta ilustração, Carioca foi sucesso absoluto, rendendo tiragens de mais de 150 mil exemplares. Em 1936, o grupo, cuja ferrovia ainda era controlada indiretamente pelo governo federal, inaugurou uma emissora de radio, a Rádio Nacional. No dia 8 de março de 1940, o Decreto-Lei nº 2.073 legalizou o controle do governo sobre a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, passando à União todas as empresas a ela filiadas a esta, entre as quais o jornal A Noite e a Rádio Nacional, que assim passaram a pertencer às denominadas Empresas Incorporadas ao Patrimônio Nacional. Iniciava-se a quarta fase do vespertino.
A partir de 13 de março de 1940, o jornal foi dirigido por José Eduardo de Macedo Soares, tendo Cipriano Lage como redator-chefe. A administração ficou a cargo do coronel Luís Carlos da Costa Neto, superintendente das Empresas Incorporadas ao Patrimônio Nacional, que não aparecia no expediente. Apesar do respaldo do governo, o jornal entrou em grave crise ocasionada por problemas administrativos, baixa receita, empreguismo e perda de leitores, cada vez menos atraídos por um órgão sob controle oficial 
Com o fim do Estado Novo e a eleição de Eurico Dutra, e depois de uma curta experiência de arrendamento do jornal, em 1946, pelos funcionários, A Noite adentrou a década de 1950 sem solucionar seus problemas administrativos. Em 27 de dezembro de 1957 interrompeu sua circulação, para ressurgir, por iniciativa de seus funcionários, dois anos depois. E, ao que parece, por alguma razão jurídica, em apenas uma edição. Boa parte dessa edição, muito pobre, era tomada pela transcrição de uma ata da sociedade anônima. Organizados em sociedade anônima capitaneada por Manoel Cardoso de Carvalho Netto, os funcionárioa haviam adquirido seu título em hasta pública. Seria a quinta fase do periódico. 
O jornal foi relançado em 26 de dezembro de 1959 em edição de apenas quatro páginas. Era então propriedade da Empresa Jornalística Castellar (o nome homenageava um antigo funcionário já falecido) e se apresentava como “equidistante de governo e oposição – compromissos apenas com a comunidade social, para resguardar a justiça de seus julgamentos”. O redator-chefe era Lincoln Massena, e a administração do jornal continuava, provisoriamente, no prédio da praça Mauá, enquanto as oficinas ficavam no nº 114 da rua do Riachuelo. O ressurgimento, novamente, durou apenas uma edição. A Noite só voltaria a circular quase um ano depois, em 20 de dezembro de 1960. O novo diretor era Celso Kelly e a redação agora funcionava na sobreloja do nº 2 da rua Francisco Serrador, na Cinelândia.
Em 16 de maio de 1963, o vespertino passou a ser dirigido por Eurico de Oliveira e tinha sucursais em Brasília, em São Paulo e Niterói. O novo diretor, que já já havia trabalhado em outros jornais, como o Correio da Noite, A Pátria, Jornal do Brasil e O Imparcial, tendo sido ainda colaborador na fundação da revista Pela Pátria e fundador do Diário Trabalhista em 1946, desde 1950 havia ingressado na política, elegendo-se, por diversas vezes, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ou pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Em 1962, foi eleito suplente de deputado federal pela Aliança Socialista Nacionalista, formada pelo PTB e pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em abril de 1964, com as cassações feitas pelo governo militar, assumiria uma cadeira de deputado federal. 
A Noite circulou provavelmente até 31 de agosto de 1964, data da última edição existente no acervo da Biblioteca Nacional. Uma das razões de seu fim, além da fragilidade financeira da empresa, pode ter sido o início do mandato de Oliveira. O deputado viria a se destacar pela tentativa de implementação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigasse acordos ilícitos entre a TV Globo, fundada em abril de 1965, e o grupo de mídia americano Time-Life.
Fonte:

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Jornais e Revistas no Brasil (A Nação)

Período disponível: 1872 a 1876 
Local: Rio de Janeiro, RJ 
Continuação de: 
Jornal da Tarde
Houve vários jornais no Rio de Janeiro com o título A Nação. O primeiro deles, a julgar pelas informações contidas na História da imprensa, de Nélson Werneck Sodré, foi fundado por Antônio Ferreira Viana e Andrade Figueira e tinha tendências republicanas.
 Este A Nação, que começou a circular em 3 de julho de 1872, veio a substituir um certo Jornal da Tarde, que havia sido fundado dois anos antes por Angelo Thomaz do Amaral e Eduardo Augusto de Oliveira. O proprietário era João Juvêncio Ferreira de Aguiar, que inicialmente apresentou sua publicação como um “jornal politico, commercial e litterario”, logo depois, em 29 de novembro de 1872, como “folha politica, commercial e litteraria”, a partir de 3 de julho de1873, como “jornal politico e commercial” e, a partir de 15 de novembro de 1875, como “jornal politico, commercial e litterario”.
 Circulava diariamente, exceto aos domingos. Foi lançado com quatro páginas divididas em seções de temas e títulos variados, como “A Nação”, “Folhetim da Nação”, “Gazetilha”, “Exterior”, “Rio de janeiro”, “Publicações a Pedidos” (cobrava-se do interessado em publicar algo 120 réis a linha), “Declarações”, “Commercio”, “Avisos Marítimos” e “Anúncios” (80 réis a linha). Outras seções foram criadas com o passar do tempo, como, por exemplo, a “Echo dos Jornaes” (a partir do número 176, de 1873), que apresentava um resumo das notícias publicadas em outros periódicos.
 A assinatura de A Nação podia ser anual (12$000 para a Corte, 16$000 para outras províncias), semestral (6$000 e 8$000, respectivamente) ou trimestral (3$000 e 4$000). O exemplar avulso custava 40 réis. O segundo número traz o aviso de que o jornal não seria vendido pelas ruas, mas em agências localizadas em diversos pontos da cidade.
 Impresso em formato standard na Typografia Americana, situada na rua do Ouvidor nº 19, tinha como redatores, entre outros, o político João Juvêncio de Aguiar, o escritor Cirilo Eloi Pessoa de Barros, o ministro José Maria da Silva Paranhos, visconde do Rio Branco, e o político abolicionista Francisco Leopoldino de Gusmão Lobo.
 A Biblioteca Nacional dispõe de 153 edições de A Nação referentes a 1872, 277 de 1873, 286 de 1874, 282 de 1875 e 77 edições de 1876 – todas disponíveis na Hemeroteca Digital Brasileira.
Fonte:

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Jornais e Revistas do Brasil (A Manha / RJ)

Período disponível: 1926 a 1955 
Local: Rio de Janeiro, RJ 
Publicação de humor político, A Manha foi criada e dirigida por Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, posteriormente auto-intitulado Barão de Itararé. O próprio nome do periódico parodiava um dos grandes jornais da época, A Manhã (de cujo título subtraiu-se o til), no qual Torelly, sob o pseudônimo Apporelly, antes de criar o seu jornal, publicava uma coluna humorística intitulada “A Manhã tem mais”. A Manha procurava imitar A Manhã também no seu aspecto visual.
Torelly foi na sua especialidade, o humor, importante personagem das redações cariocas, sendo considerado um precursor da moderna imprensa satírica brasileira. A Manha começou a circular no dia 13 de maio de 1926 com o subtítulo “Órgão de ataques… de riso”. Propunha-se abertamente a “morder o calcanhar das autoridades”, especialmente a classe política. Com estilo irreverente e inovador, A Manha revelou-se em pouco tempo um sucesso de vendas, colocando-se à frente das publicações concorrentes, como O Malho, Careta e Fon-Fon. 
Homem de idéias socialistas, ligado ao Partido Comunista Brasileiro – o que lhe valeria três prisões durante governo Vargas –, Torelly gostava de atacar com suas piadas os valores estabelecidos, enquanto se solidarizava com os setores marginalizados da sociedade. A própria figura fictícia do Barão de Itararé era uma crítica bem-humorada ao conservadorismo das elites e aos valores aristocráticos. 
Criado como semanário de circulação nacional, mas caindo depois em periodicidade irregular, A Manha era quase totalmente escrita pelo próprio Torelly, que na primeira fase do jornal ainda se assinava Apporelly. No entanto escondiam-se, sob vários pseudônimos, colaboradores importantes como Manuel Bandeira, Henrique Pongetti e José Madeira de Freitas (o caricaturista e escritor que se assinava Mendes Fradique). O jornal contava também com charges de Nássara, Pedro de Lara, Martiniano, Mollas e Hilde.
O diagramador e desenhista paraguaio Andrés Guevara foi, pela constância e qualidade do seu trabalho, o mais importante colaborador do periódico, atuando nele do início ao fim, já na década de 1950. Dividia o seu tempo entre Brasil e Argentina, onde tinha sua principal residência. Guevara não só influenciou muitos cartunistas brasileiros como introduziu modernos conceitos de diagramação e paginação em nossa imprensa, tendo sido responsável, inclusive, pelo projeto gráfico do jornal Última Hora, lançado em 1951, que introduziu a técnica da diagramação na imprensa brasileira. Muito devido a seu trabalho, A Manha foi o primeiro jornal humorístico a fazer uso de fotomontagens para ridicularizar as autoridades. 
A Manha tinha formato tabloide (fator que viria a influenciar a chamada imprensa alternativa dos anos 1960/70) e apresentava várias seções: economia, política, cotidiano, noticiário policial, página de literatura e esportes etc. Trazia também previsões de fim de ano e um suplemento de supostos correspondentes estrangeiros, com artigos redigidos à maneira pela qual imigrantes portugueses, alemães e italianos falavam coloquialmente o português, com suas respectivas pronúncias e erros de ortografia. A política, vista sempre pela ótica do humor, era o assunto predominante do jornal, que mantinha também uma seção destinada a denúncias dos leitores. 
Em 1929, durante a campanha política promovida pela Aliança Liberal, com Getúlio Vargas candidato à Presidência e João Pessoa a vice, A Manha circulou por quatro meses como encarte semanal do jornal Diário da Noite, órgão dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, em apoio ao movimento. Na primeira semana, dobrou de tiragem, vendendo 15 mil exemplares, até chegar à marca de 125 mil exemplares, vendidos na data da publicação do programa da AL. 
Após a Revolução de 1930, que levou Getúlio ao poder, A Manha se dizia um órgão independente, “que não se vende, apenas se troca por quinhentos réis”. Foi nesse período que Torelly contemplou-se com um título de nobreza, barão de Itararé, em alusão à cidade de São Paulo, de nome Itararé, onde se esperava um cruento e decisivo confronto entre as forças governistas fiéis ao presidente Washington Luís e os revolucionários liderados por Getúlio. A “Batalha de Iraré”, da qual ele emergiu como “barão”, jamais aconteceu, no entanto. Essa sutil provocação seria apenas o começo de uma conflituosa relação do dono de A Manha com a ditadura de Vargas. 
Em setembro de 1932, Torelly foi preso por causa de seus constantes ataques ao regime. Em 1933, seu jornal já aderia fervorosamente à campanha antifascista, ironizando o movimento integralista brasileiro, de extrema-direita, comandado por Plínio Salgado e inspirado no ideário de Hitler e Mussolini. O slogan integralista “Deus, Pátria e Família” foi substituído nas páginas de A Manha por “Adeus, Pátria e Família”. Neste período, Torelly sofreu violento atentado perpetrado por militares integralistas da Marinha por causa de uma série de reportagens sobre o marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata, publicada no Jornal do Povo, editado em paralelo a seu jornal humorístico. Mas em A Manha até as tragédias se transformavam em anedota. Consta que depois do incidente Torelly teria afixado uma tabuleta na porta de sua sala com os dizeres: “Entre sem bater”. 
Em 1934, mesmo ano em que se inicia o regime nazista na Alemanha, Torelly já denunciava em A Manha a “carnificina dos campos de concentração, onde se encontram presos os adversários do regime (…) e milhares de judeus que curtem o crime de não terem nascidos arianos puros”. As posições políticas levam Torelly para a prisão pela segunda vez, em dezembro de 1935, quando seu periódico saiu temporariamente de circulação. Dessa vez o Barão de Itararé era apontado como militante e um dos fundadores da Aliança Nacional Libertadora. A ANL fora desarticulada pelo governo Vargas após o fracasso dos levantes armados de 1935, liderados pelo PCB (Intentona Comunista). Algumas reuniões da ANL ocorriam, de fato, na própria sede de A Manha, com a presença de Francisco Mangabeira, Carlos Lacerda, Roberto Sisson, Manuel Venâncio Campos da Paz, Benjamim Soares Cabello e outros. 
A Manha só foi reaberta após a soltura de Torelly, em 21 de dezembro de 1936, passando a circular sob censura exercida pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Nesta fase, o periódico concentrava seus ataques às ditaduras de Hitler, Mussolini, Franco e Salazar, evitando choques frontais com a direita brasileira. Mesmo assim, o jornal só conseguiu funcionar por cerca de um ano a mais, sucumbindo finalmente sob as pressões da ditadura do Estado Novo. Torelly se refugiou então no Diário de Notícias, na condição de colaborador, mas acabou sendo preso novamente. Em novembro de 1937, dividiu uma cela, no presídio da Frei Caneca, com Graciliano Ramos, fato citado no livro Memórias do cárcere, do escritor alagoano. 
Quase uma década depois, em abril de 1945, A Manha ressurge, alcançando um sucesso até maior do que antes. Neste momento, em clima de instabilidade política pelo qual passava o governo Vargas, o jornal prenunciava a articulação de um golpe contra o presidente em manchete que se tornaria mais uma das célebres criações de Torelly: “Além dos aviões de carreira há qualquer coisa no ar”. Nesta nova fase, contando com a colaboração de escritores como José Lins do Rego, Álvaro Lins, Rubem Braga, Raimundo Magalhães Jr., Raul Lima, Pompeu de Sousa e Sérgio Milliet, entre outros, o jornal passou a ter Arnon de Melo como responsável pelo seu departamento comercial. Incentivou-se, nesse período, o uso da imagem do Barão de Itararé como garoto-propaganda, mas a sociedade mantida entre Torelly e Arnon de Melo acabou desfeita pouco tempo depois, quando este passou a apoiar a candidatura de Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional (UDN), nas eleições presidenciais. 
Devido a problemas financeiros, A Manha deixou de circular em 1948. Torelly havia sido eleito vereador do antigo Distrito Federal, pelo PCB, no ano anterior, sendo cassado em 1948, assim como outros parlamentares da legenda. Um ano depois, associado a Andrés Guevara, o Barão de Itararé edita em São Paulo (SP) o Almanaque d’A Manha, também chamado Almanhaque. Impulsionada pelo repentino sucesso da publicação, A Manha volta a circular em 1950, agora em São Paulo, para desaparecer em setembro de 1952. Em 1955 Torelly lança as duas edições derradeiras do seu Almanhaque. A Manha teve ainda curta sobrevida em 1960, ao reaparecer como encarte de uma página no jornal Última Hora. Em 1989, o Almanhaque teve reedições fac-similares, editadas pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e pela Editora Studioma.
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Jornais e Revistas no Brasil (A Época)

Período disponível: 1912 a 1919 
Local: Rio de Janeiro, RJ 
Denunciando os hábitos “puramente provincianos” da imprensa brasileira, o matutino A Época apresentou-se, no editorial do primeiro número, como jornal crítico e de oposição ao governo do marechal Hermes da Fonseca e ao Partido Republicano Conservador (PRC), do qual o presidente da República era um dos principais nomes. Lançado no Rio de Janeiro em 31 de julho de 1912, o periódico pertencia à Sociedade Anônima A Época, e tinha como diretores, no período inicial, Vicente de Toledo de Ouro Preto, Vicente Ferreira da Costa Piragibe e J. B. Câmara Canto. Circulava diariamente, em formato standard e oito páginas, com redação e administração situadas no nº 151 da avenida Rio Branco. 
Ainda no editorial da edição de lançamento, A Época discorria sobre os vícios e desqualificações de jornalistas e da imprensa brasileira em geral, a qual tachava de “ridícula” por valorizar noticiários policiais, notas sobre órgãos públicos e a bajulação a figuras da alta sociedade. Cabe ressaltar, no entanto, que o matutino não rompeu necessariamente com alguns desses vícios. Outro editorial da mesma edição inicial, assinado pelos três diretores da folha, “sinceramente catholicos”, qualificava o periódico como apartidário e defensor de “um Exercito e uma Marinha efficientes, isto é disciplinados”.
Apesar de apresentar refinados artigos e ensaios de cultura e moda galante,assinados por gente como Sílvio Romero, Coelho Neto e Augusto dos Anjos, A Época também tinha também uma linha popular, voltada para questões sociais e trabalhistas. Abordando lutas e manifestações gerais do operariado, a “Columna Operaria” noticiava greves, reivindicações proletárias, novidades sobre clubes e associações sindicais, incluindo mesmo atividades dançantes, esportivas e carnavalescas. O diário ainda tratava de assuntos ligados ao cotidiano e às condições de vida da população suburbana carioca na seção “Nos Suburbios!”. Em novembro de 1912, noticiou e discutiu amplamente o projeto de construção de vilas operárias pelo governo.
Curiosamente, muito pela preferência política de Vicente de Ouro Preto, o diário se mostrava por vezes simpático ao monarquismo. A possível contradição entre o monarquismo de Ouro Preto e a atenção às causas operárias fica exposta, por exemplo, no nº 706. Após destacar a figura de Ouro Preto, que acabara de falecer, o jornal publicava, em outra página, o texto “Algumas palavras sobre o movimento revolucionario contemporaneo” (p.3), do jovem anarquista Astrojildo Pereira, que mais tarde se tornaria líder comunista e prestigiado crítico literário de orientação marxista.
Em seus primeiros momentos, A Época publicava a coluna “Política Exterior”, assinada por “G. Ruch”; a seção de humor político intitulada “Fora do Sério”, assinada por “Ridente”; entrevistas e textos opinativos sobre política nacional; notícias sobre Portugal, na seção “Cousas Portuguezas”, de Alberto Estanislau; folhetins de autores diversos; notas sobre movimentações militares, sobretudo na seção “Forças Armadas”, assinada por Vedeta; notícias gerais de utilidade pública no Rio de Janeiro e em outras cidades, como transportes, obras públicas, legislação e assuntos jurídicos etc.; o cotidiano carioca; a coluna “Echos Sociaes”; artigos sobre saúde; notícias e variedades relativas ao Congresso Nacional; notas sobre política e administração pública na seção “Periódicas”, assinada por “Xosciuszko”; notícias enviadas por telegramas do estrangeiro e de várias cidades brasileiras; cotidiano policial; a coluna “Commercio, Lavoura e Industria”, com cotações de produtos e variedades sobre economia e mercado; a “Chronica Esotérica”, assinada pelo barão Ergonte, depois substituída pela seção de ocultismo e estudos espíritas “Os mysterios do Além…”, então dirigida pelo médium Fernando Lacerda; anúncios de peças de teatro e crônica teatral, em “Coisas do Theatro” ou em especiais dominicais; artigos e ensaios sobre mestres da literatura; uma seção esportiva; a “Secção Livre”; sonetos, contos e crônicas de autores variados, sendo alguns traduzidos; despachos de órgãos públicos; viagens e curiosidades sobre diversas cidades e paisagens; ciências; moda; resultados do Jogo do Bicho; anúncios publicitários, entre outras coisas, incluindo fotografias. 
De início, as assinaturas semestrais e anuais custavam, respectivamente, 18$000 e 30$000. As edições dominicais eram mais robustas, com cerca de 12 páginas e matérias especiais de capa, em geral ilustradas. Os temas de destaque dos três primeiros domingos do periódico foram, no dia 4 de agosto de 1912, “O repatriamente dos restos mortaes de Suas Magestades D. Pedro 2º e D. Thereza e a revogação do banimento da Familia Imperial”.
As convicções políticas de A Época, como era de se esperar, renderam ao jornal inúmeras polêmicas e embates. Em novembro de 1913, por exemplo, o jornal desfechou uma onda feroz de ataques ao PRC e a seus políticos. Em meio a isso, noticiou, na edição do dia 25, o falecimento de seu diretor Vicente de Ouro Preto (dois dias depois, o jornal se mostraria solidário à revista Careta diante dos ataques do filho de Hermes da Fonseca, por exageros humorísticos contra seu pai). Em 1914, já sob o governo de Wenceslau Brás, A Época aplaudia a atuação de Rui Barbosa como senador.
Após desdicar atenção inicial ao conflito armado na Europa, o jornal voltaria a lançar ataques ao governo, evocando ainda a anistia aos envolvidos na Revolta da Chibata – ver, na edição nº 856, de 28 de dezembro de 1914, a matéria “A amnistia aos revoltosos de 1910”. Ainda em 1914, conforme aparece a partir da edição de 3 de outubro, a redação, a administração e as oficinas do jornal se mudaram da avenida Rio Branco para o nº 139 da rua do Rosário.
Por volta de outubro de 1916, deu destaque à Guerra do Contestado e à questão fronteiriça envolvendo os estados do Paraná e de Santa Catarina. Rui Barbosa continuava uma figura benquista nas páginas do jornal, assim como o chanceler Lauro Muller, mas críticas gerais ao governo federal cessaram. A edição de nº 1.588, de 15 de novembro daquele ano, trazia uma mudança de opinião do diário em relação a Wenceslau Brás; avaliando positivamente os dois anos de seu governo. No entanto, mesmo parecendo favorável ao governo federal, A Época sofrerá com a censura. Na edição de nº 1.998, de 31 de dezembro de 1917, ao relatar a prisão de Dormund Martins, diretor de A Lanterna, a entrevista com o mesmo teve dois trechos cortados. 
Até o nº 2.114, ano 7, de 27 de abril de 1918, a publicação foi dirigida por Vicente Piragibe. Na edição do dia seguinte, o diário subtraiu seu nome do cabeçalho e passou a ser identificado como “Propriedade de P. D’Almeida Godinho”. Na edição de nº 2.130, de 13 de maio de 1918, reforma editorial e gráfica modernizou-o consideravelmente. Logo na primeira página publicou editorial que destaca o novo padrão gráfico e os novos colaboradores. A partir deste momento, o alto da capa de cada edição passou a sair com a frase “Tudo pelo Brazil”. Nessa nova fase, o jornal aparentava neutralidade política, pelo menos até o fim do governo de Wenceslau Braz. No governo de Delfim Moreira, que assumira a presidência com a convalescença de Rodrigues Alves, a publicação voltou a mostrar esporádicas reportagens e textos críticos ao governo. 
A partir da edição nº 2.591, de 21 de agosto de 1919, passou a estampar em cabeçalho o nome do novo dono e diretor: Jeronymo Teixeira de Alencar Lima, fundador do jornal baiano A Tarde. Iniciando sua terceira fase, passou a publicar a série de artigos “O governo e os problemas nacionaes”, intitulada posteriormente apenas “Grandes problemas nacionaes”. Internamente, as edições do jornal passavam a se organizar em páginas intituladas “Congresso e Governo”, “Correio dos Estados” (onde saía a clássica coluna sobre o subúrbio carioca), “Vida Internacional”, “Justiça – Religião – Sciencia”, “Educação e Trabalho” (onde eram publicados a “Columna Operaria” e a “Resenha Commercial”), “Notas Desportivas e Sociaes” e “Letras, Artes e Diversões”.
 A última edição do jornal foi, até onde se pôde apurar, de número nº 2.690, ano 8, de 28 de novembro de 1919. Além dos nomes já citados (sendo vários pseudônimos), ao longo de sua edição A Época teve o trabalho ou colaboração de nomes como Affonso Celso, Múcio Teixeira, Maurício de Medeiros, Hermes Fontes, Maria da Cunha, Angelina Vidal, Juvenal Sampaio, Teophilo Guimarães, Augusto dos Anjos, José Félix, Fialho D’Almeida, Campos de Medeiros, Alberto de Carvalho, Eduardo e Benjamin Magalhães (aparentemente os responsáveis pela coluna “Nos Subúrbios”, por volta de 1917), Orestes Barbosa, Afonso Lopes D’Almeida, entre outros, assim como os caricaturistas e ilustradores Fritz, Kalixto e Edmir, de grande destaque na imprensa humorística da época.
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Jornais e Revistas do Brasil (Revista A Bomba)

A Bomba
Período disponível: 1913 a 1913 
Local: Curitiba, PR 
Pesquisa no acervo:
  
A Bomba: Revista ilustrada, humoristica e literaria foi uma publicação trimestral de Curitiba, a capital paranaense. De periodicidade trimestral – saía nos dias 10, 20 e 30 de cada mês –, tratava de temas variados, entre os quais a política, sobretudo local, e o esporte. Sua tônica, porém, era a crítica de costumes, tema que, na virada para o século XX – marcada por grandes mudanças, como a implantação da República e a intensificação da modernização urbana – predominava em grande parte da imprensa brasileira. 
O humor, a ironia, a piada eram a principal marca da publicação, como anunciava a apresentação do primeiro número: “Declaramos positivamente que ‘A Bomba’ é inteiramente independente em suas feições religiosas politicas. É por esta razão que todos os dias filamos café no palacio Rio Branco, o chá no tugurio do Caio, o almoço em casa do Bispo, e o jantar no honrado lar do pastor protestante da Egreja Evangelica Persbyteriana Independente. (…) (A Bomba, nº 3, 1 jul. 1913) 
Mario Rezende, um dos colunistas do jornal, ironizava o burguês: 
“(…) E assim metido no seu egoismo, nesse egoismo muito natural em gente rica, passa horas e horas de olhos esbugalhados para a tela e para o palco. E que tortura horrivel, si se lhe depara uma repetição de fitas. Immediatamente vem rosnar aos emprezarios, que está sendo victima de uma extorsão, que aquella fita, ellle já a vira na vespera ou na antevespera. E os emprezarios lhe não deixam tambem de distribuir um punhado de getilezas temperadas com doçura simuladamente maliciosa de um sorriso fino e ironico.
 E assim vai o burguez passando a vida, gordurento e lerdo, com muita saudade e com muitas patacas, sempre a fingir que é moço e que é feliz. (A Bomba, 10 set.1913, Ano I, nº 10)
A revista se interessou por retratar o novo papel da mulher no início de século XIX. Como, por exemplo, no seguinte quadrinho de humor sobre mães solteiras: “- Está fazendo uma touca… é para seu filho? – Não, Cazuza, eu não sou casada. – Isso não quer dizer nada…” (A Bomba – 10 de Dezembro de 1913 – Ano I, n.º 19)
Algumas das colunas permanente do jornal eram: “Portico”, “Notas Sportivas”, “Coisas da Política (mas coisas… serias)”, “O Batates”, “Paraná Intellectual”, “Notas elegantes”, entre outras.
Marcelo Bittencourt era o proprietário, Rodrigo Junior e Clemente Ritz os redatores e Félix cuidava das artes. A redação funcionava na rua Marechal Deodoro, nº 36. A assinatura anual custava 14$000, semestral 8$000, avulso $400 e o numero atrasado $500.
A Bomba, até onde foi possível comprovar, desapareceu no mesmo ano em que foi criada, 1913.
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Os Jornais no Brasil (Diário “A Manhã” – Local: Salvador, BA)

Diário publicado na Bahia em formato standard, A Manha começou a circular no dia 7 de Abril de 1920. Era, como informava o subtítulo, “Propriedade da Sociedade Anonyma Diario de Noticias”, pertencente a A. Marques dos Reis e Altamirando Requião, ambos também diretores das duas publicações. 
As intenções do jornal, como revela o editorial de apresentação, eram as melhores: 
“Não precisamos publicar o programa, pelo qual traçaremos a nossa diretriz. O publico bahiano bem conhece os que dirigem esse jornal e sabe, de sobejo, pelos exemplos dados em outra trincheira á nós tão querida e para quem sempre teremos os maiores desvelos, que aqui se comentará sempre pelo que concorrer pelo levantamento da nossa Bahia, por processos que honrem ao jornalismo e dignifiquem a imprensa.” (Ano I, nº 1, 7 de Abril de 1920)
O jornal se declarava “nacionalista” e de oposição ao governo federal do presidente Epitácio Pessoa. Como se lê respectivamente na edição de números 3 e 156, dos dia 9 de abril e 16 de outubro de 1920: 
“Sujeitos batalhadores audazes em prol de tudo que for pelo Brazil, pela sua grandeza, pelo seu progresso, para honra de seu renome. Que nada nos entibie na campanha, em que nos devemos empenhar de alma e de coração, cumprindo o mais nobre e elevado dos deveres – o do amor á Patria. (…) Na Bahia, mais do que em outro qualquer logar a campanha nacionalista deve-se incentivar e propagar de maneira extraordinaria, porque só assim por meio da propagação dos nobres, verdadeiros e são ideaes nacionalistas conseguirá ella voltar ao que foi, á sua grandeza passada, aos tempos gloriosos de que só existem no momento resquicios.” 
 “Cada brazileiro de coração e de honra, deve formar na campanha benemerita de combate ao governo Epitacio Pessoa”. 
O periódico se alinhava com o conterrâneo Rui Barbosa, que havia perdido a última eleição para Epitácio. Um de seus diretores, Antonio Marques dos Reis, havia concorrido a uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Entre redatores e colaboradores estavam (possivelmente alguns nomes fossem pseudônimos) Altamirando Requião e A. Marques dos Reis, D. Mario de Souza, Assis Curvello, Nuno de Andrade, Nuno Pinheiro, Andrade Martins, João Arruda, Eduardo Vianna, Oliveira Lima etc. 
Algumas das colunas publicadas: “No meio esportivo” (depois passa a se chamar “Esportes”), “No mundo theatral” (depois “Palcos”), “Vida Social”, “Ultima Hora”, “Serviço Telegraphico”, “Informações Commerciaes”.
Em 30 de Janeiro de 1921, na edição de número 241, o jornal anunciava a suspensão da circulação por tempo indeterminado: 
“Motivos de ordem imperiosa, que prendem á escassez de papel, nos centros productores de todo o mundo, fazendo com que os nossos fornecedores reduzissem á metade as remessas de bobinas que lhes haviamos encommendado, para o anno corrente, obrigam-nos muito a contragosto nosso, a suspender, por tempo indeterminado, a publicação d’A Manhã, do dia 1º de Fevereiro em deante.”
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Conhecendo o Brasil (Cruz Alta/RS)

Monumento em homenagem aos mortos 
da 2a. Guerra Mundial de Cruz Alta. Quartel da EASA.
A história de Cruz Alta remonta ao final do século XVII, quando uma grande cruz de madeira foi erguida a mando do padre jesuíta Anton Sepp Von Rechegg, em 1698, logo após a fundação de São João Batista nos Sete Povos Missioneiros. Mais tarde, com a celebração do Tratado de Santo Ildefonso em 1777, a linha divisória (Campos Neutrais) que separava as terras da Espanha das de Portugal, cortava o território rio-grandense pelos divisores de água exatamente por esse local onde existia a grande cruz e uma pequena Capela do Menino Jesus. A partir de então, este imenso “corredor”, recebeu um grande fluxo de pessoas das mais variadas atividades, como comerciantes, desertores do exército, contrabandistas, imigrantes, etc. A cruz alta tornou-se ponto de invernada e um grande pouso para milhares de tropeiros oriundos das fronteiras com Argentina e Uruguai, que se dirigiam até a Feira de Sorocaba para comercialização dos animais muares (mulas).

O local consolidou-se ainda no final do século XVIII como pouso dos tropeiros, e muitos passaram a residir nas proximidades, até que, no início do século XIX, depois de uma tentativa sem sucesso, mudaram-se então mais para o norte, estabelecendo-se onde hoje está a cidade de Cruz Alta, cuja fundação se deu no dia 18 de agosto de 1821 em resposta a uma petição feita pelos moradores. A água das vertentes do Arroio Panelinha, que abastecia os viajantes, deu origem à “Lenda da Panelinha”, que prega o retorno a Cruz Alta daqueles que em suas águas saciarem a sede.

Cruz Alta foi criada por uma Resolução Imperial em 11 de março de 1833, pelo Presidente da Província da época, Manuel Antônio Galvão. Tornou-se então um das maiores e importante Localidade do Estado do Rio Grande do Sul, quando foi desmembrado de Rio Pardo (um dos quatro municípios iniciais do Estado).

De Cruz Alta, outrora com um imenso território, originaram-se 242 municípios, que se subdividiram ainda mais ao longo dos séculos XIX, XX e XXI. Alguns municípios filhos de Cruz Alta são: Passo Fundo (1857), Santa Maria (1857), Santo Ângelo (1873), Palmeira das Missões (1874), Vila Rica (hoje Júlio de Castilhos, 1891), Ijuí (1912), Panambi (1954), Ibirubá (1954), Fortaleza dos Valos (1982), Boa Vista do Cadeado (1996), Boa Vista do Incra (1996), entre outros.

Importantes personalidades gaúchas nasceram em Cruz Alta, como o escritor Erico Veríssimo, o político Júlio de Castilhos, o senador José Gomes Pinheiro Machado, os generais Salvador Pinheiro Machado e Firmino de Paula, o médico Heitor Annes Dias, o poeta Heitor Saldanha, o jornalista Justino Martins, e o artista plástico Saint Clair Cemin.

Cruz Alta foi elemento importante em alguns dos principais acontecimentos que o estado vivenciou, como, por exemplo, na Revolução Farroupilha, quando o município recém criado foi alvo de incursões militares e especulações políticas em sua Câmara de Vereadores, além de receber o Alto Comando Farrapo em janeiro de 1841 com a presença de Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi, Anita Garibaldi e David Canabarro. Já na Guerra do Paraguai, Cruz Alta forneceu vários voluntários da pátria, que lutaram sob o comando do Coronel Jango Vidal e do Brigadeiro José Gomes Portinho (depois agraciado com o título de Barão da Cruz Alta) nas Companhias de Voluntários nºs 19 e 40 e da 4ª Divisão de Cavalaria.

Em 12 de abril de 1879, a Lei nº 1075, elevou a categoria de Cruz Alta de vila para cidade.

Em maio de 1879, a cidade passou a contar com serviços de telégrafo.

A partir de 1870, os movimentos ocorridos na cidade em favor da abolição da escravidão culminaram, em 30 de agosto de 1884, na extinção do escravismo dentro de suas fronteiras.

Durante a Revolução de 1893, o município foi apelidado de “Ninho dos Pica-paus”, sendo um dos mais importantes palcos dos acontecimentos, e também o lugar onde a prática da degola neste período foi mais intensa. Cruz Alta foi atacada em 26 de agosto de 1894 pelas tropas maragatas sob o comando de Aparício Saraiva, irmão de Gumercindo Saraiva (morto dias antes em Carovi, perto de Santiago), com aproximadamente 1.500 homens. A cidade foi atacada por oito horas sem tréguas.

Em 2 de agosto de 1895 foi fundada a Loja Maçônica Harmonia Cruz-Altense, com 18 membros influentes na sociedade.

Já na Revolução de 1923, hordas de tropas circulavam incessantemente por seu território, depois dos alinhavados permeados de conchavos registrados nas dezenas de correspondências trocadas entre Borges de Medeiros e Firmino de Paula e Silva para maquinar os destinos da Revolução.

Museus

    Arquivo Histórico

Museu que abriga documentos históricos, em especial Atas da Câmara desde o ano de 1845. O local possui ainda acervo histórico de objetos, como lanças, fotos estátuas, quadros relativos à História de Cruz Alta. Localiza-se no antigo prédio da Viação Férrea.

    Casa de Cultura Justino Martins

Inaugurada em 19 de setembro de 1987, é o local sede da Secretaria Municipal de Cultura, abriga auditório com capacidade para 610 pessoas e espaços para exposições de arte e oficinas gratuitas de dança e teatro e música.

    Casa Museu Érico Veríssimo

A Casa Museu Érico Veríssimo funciona na residência construída em 1883 onde nasceu o escritor cruz-altense. A obra do escritor é divulgada e difundida através do seu museu fundado em 1969. No local estão expostos inúmeros objetos pessoais e o acervo original completo de suas obras. Possui um pequeno auditório para 50 pessoas onde o visitante pode assistir um documentário sobre a vida e a obra de Érico Veríssimo. Nas terças-feiras acontece o projeto Acústico no Museu, com música ao vivo apresentando artistas locais nos mais variados gêneros musicais. A Fundação Erico Veríssimo, criada em 1986 funciona no local.

Monumentos

Marco alusivo à fundação do município.
    Marco Inicial

A cruz de concreto pintada de branco hoje existente é alusiva a que ficava no mesmo local, onde em 1698 os jesuítas ergueram uma alta cruz de madeira, como marco territorial das missões espanholas na região. Localiza-se a 15 quilômetros ao sul de Cruz Alta, no lugar conhecido por vários nomes entre eles, Encruzilhada da Cruz Alta, Benjamin Nott ou ainda “Cruz Alta Velha”.

    Memorial Lenda da Panelinha

Localizado entre a esquina das ruas General Felipe Portinho e General Andrade Neves, no centro da cidade. Um belo recanto com vertente d’água e esculturas em bronze do artista plástico cruz-altense Jorge Schroeder, retratam a mais conhecida das lendas da localidade. Uma índia oferecendo água para um tropeiro é o fator simbólico de “quem bebe a água da Fonte da Panelinha, retornará sempre para Cruz Alta”. Conta a história que havia um arroio que se chamava Panelinha, cujas águas serviam para matar a sede dos tropeiros que levavam mercadorias do interior do Rio Grande do Sul para Sorocaba, São Paulo. As índias da região davam de beber a esses tropeiros e eles sempre retornavam. A partir disso foi se solidificando a crença de que “quem bebe da água da Panelinha sempre volta”. Com o passar do tempo ergueram-se casas a beira da Panelinha, e lentamente esse povoado virou cidade.

    Monumento de Nossa Senhora de Fátima

Popularmente conhecida como a “Santinha”, o Monumento de Nossa Senhora de Fátima está erguido em um pedestal de 31 metros de altura. Foi inaugurado em outubro de 1952 sobre área doada por Henrique Scarpellini. Todo ano no segundo domingo do mês de outubro, milhares de devotos de toda região vão até o monumento participar da Romaria, além de pedir e pagar Graças.

Monumento à Cuia de Chimarrrão.

Um grande monumento simbolizando uma cuia estilizada, assinala um dos mais representativos objetos culturais do gaúcho. Localiza-se na Rótula Leste, nas confluências das avenidas Saturnino de Brito e Plácido de Castro.

PRÉDIOS HISTÓRICOS

    Estação Ferroviária

A linha unindo Marcelino Ramos e Santa Maria foi idealizada em 1889 juntamente com todo o trecho entre Itararé, SP, e Santa Maria, pelo engenheiro Teixeira Soares, visando a ligação ferroviária do Rio de Janeiro e São Paulo com o sul do País e também a colonização de boa parte do percurso, locais ainda virgens. A parte correspondente ao estado do Rio Grande do Sul acabou sendo construída separadamente do restante do trecho (que seria chamado de linha Itararé-Uruguai) e entregue em 1894 à Cie. Sud Ouest Brésilien, e em 1907 cedida à Cie. Auxiliaire au Brésil. Em 1920, passou para o Governo, formando-se a Viação Férrea do Rio Grande do Sul, que em 1969, teve as operações absorvidas pela RFFSA. Com parte do trecho desativada em meados dos anos 1990, em 1996 a América Latina Logística (ALL) recebeu a concessão da linha, bem como de todas as outras ainda existentes no Estado. Trens de passageiros circularam até os anos 1980 pela linha.

A estação de Cruz Alta foi inaugurada pela Sud Ouest em 1894. Em 2004, era considerada pela ALL uma das mais importantes. Ali funciona a estação de transbordo para produtos agrícolas, combustível, cimento e fertilizantes, saindo trens diariamente para o porto de Rio Grande.

Onde hoje está instalada a Secretaria Municipal de Turismo e o Arquivo histórico do Município. No local está também o Monumento ao Ferroviário e a Maria Fumaça.
Prédio da Prefeitura de Cruz Alta.

    Palácio da Intendência

O Palácio da Intendência, onde funciona a Prefeitura de Cruz Alta, foi construído em 1914 pelo arquiteto alemão Theo Wiederspahn, o mesmo que idealizou o prédio do Margs e o dos Correios em Porto Alegre.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruz_Alta_%28Rio_Grande_do_Sul%29

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Canoas (Rio Grande do Sul)

Etimologia

Durante a construção da estrada de ferro que ligava Porto Alegre a São Leopoldo, inaugurada em 1874, uma timbaúva (Enterolobium contortisiliquum) foi aproveitada na antiga fazenda de Gravataí para construir embarcações. O lugar passou a ser chamado de Capão das Canoas, e deu origem ao nome do povoado. Ela também é a árvore símbolo do município

História de Canoas

A área onde hoje se localiza o município de Canoas era habitada pelos índios Tapes, quando em 1725 chegaram à região os tropeiros lagunistas e com eles o povoador e conquistador Francisco Pinto Bandeira. Em 1733 ele ocupou as terras e criou a Fazenda Gravataí, que foi herdada por Rafael Pinto Bandeira e mais tarde por Josefa Eufália de Azevedo (A Brigadeira). Posteriormente essas terras foram repartidas e vendidas.

Em 1871 a construção da estrada de ferro que ligaria São Leopoldo a Porto Alegre tem início. O primeiro trecho da ferrovia foi inaugurado em 1874 e na atual área de Canoas foi construída uma estação. O povoamento da região tem início em torno desta estação férrea, que ficava no centro da Fazenda Gravataí.

Os homens da guarda da estação utilizaram uma grande árvore na construção de uma canoa para o serviço da sede, situada às margens do rio dos Sinos. Outras canoas foram feitas com árvores do mato que havia no local que, por esse motivo, ficou conhecido como Capão das Canoas, o que originou o nome da estação, do povoado e, posteriormente, do município.
Estação férrea de Canoas em 1874.

O major Vicente Ferrer da Silva Freire, proprietário da Fazenda Gravataí na ocasião, aproveitou a viação férrea para transformar suas terras em um lote de chácaras de veraneio, que ele pôs à venda. Ponto de referência obrigatório, o local passou a ser designado como Capão das Canoas. Logo, as grandes fazendas foram perdendo espaço para as pequenas propriedades, chácaras e granjas.

Em 1908, Canoas foi elevada a Capela Curada. No mesmo ano vieram os irmãos Lassalistas e criaram uma escola agrícola, de ensino primário e de ensino secundário no centro da cidade. Em 1937, foi criada o 3º Regimento de Aviação Militar (RAV), hoje o 5º Comando Aéreo Regional (V Comar), isto foi decisivo para que ocorresse a emancipação do município. Victor Hugo Ludwig levou ao general Flores da Cunha, interventor federal no estado, as razões da emancipação.

A emancipação de Canoas ocorreria somente em 27 de junho de 1939. No dia 20 de março de 1992, a cidade perdeu seu 2º Distrito que, emancipado, se tornou o município de Nova Santa Rita.

A partir dos anos 1970, a economia e a população cresceram muito rapidamente. Pouco tempo depois a cidade já era grande, e hoje é a segunda maior economia do estado.

GEOGRAFIA

A geografia de Canoas é bem diversificada. A paisagem dominante é a da zona urbana, mas em alguns pontos isolados do município podem-se encontrar florestas, grandes bosques e um cenário parecido com os semidesertos.

O solo é pobre devido ao alto desgastamento e ao alto nível de poluição, por isso apenas plantas nativas sobrevivem, sendo que as demais plantas precisam de um tipo especial de terra. Canoas é banhada por dois rios, o rio dos Sinos e o rio Gravataí, além de estar na zona do Delta do Jacuí. O município também é banhado por diversos arroios e lagos, alguns poluídos e outros intactos. Na agricultura é dado o incentivo à produção de hortifrutigranjeiros, mas também são produzidos leite, lã, ovos e mel no município.

CULTURA

A cultura vem se desenvolvendo a pouco tempo na cidade. As atividades culturais ocorrem principalmente no sábado e no domingo. Cada bairro, com exceção da Ilha das Garças, tem seu próprio monumento ou uma praça simbólica, às vezes feitas até por moradores locais. O movimento cultural mais popular do município é a festa de Nossa Senhora do Caravaggio quando se reúnem milhares de fiéis nas ruas para comemorar o dia da santa.

Outros acontecimentos do município também atraem muitos visitantes, como o Carnaval, o Encontro dos corais, a Feira do Livro, o Festival de Ginástica e Dança

A Fundação Cultural de Canoas foi criada para preservar e promover a cultura no município e resgatar a cultura do povo canoense. Com a criação da Trensurb, a perda da identidade histórica do município era iminente por isso no dia foi 20 de novembro de 1984 ela foi criada. O prédio foi cedido em conseqüência de um contrato entre a Prefeitura Municipal e o Trensurb. A partir desta data começaram as atividades nas áreas de Literatura, Artes Plásticas, Teatro e Cinema, Folclore, Música e Dança. Na nova Lei Orgânica, a prefeitura cedeu verbas para que um capítulo importante do município não fosse perdido. Mas em 15 de abril de 2009 foi extinta dando lugar a Associação Cultural de Canoas-ASCCAN que tem por finalidade preservar e promover a fruição cultural através do apoio de associados, comunidade e parcerias com o público e privado. Hoje a ASCCAN realiza cursos de pintura e desenho, aulas de violão, guitarra, cavaquinho, danças entre outras atividades. O município promove Concurso de Literatura, que têm como objetivo premiar autores do município de outras regiões do Brasil e dos países que falam a língua portuguesa. O concurso abrange temas como conto, crônicas e poesias. Também ocorre a Feira do Livro.

Canoas também dispõe de algumas bibliotecas para pesquisas, sendo três as mais importantes: Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva (localizada em novo endereço desde maio de 2009, Rua Ipiranga, 105), Biblioteca Martinho Lutero (Ulbra) e a Biblioteca da Unilasalle. Existem no município nove CTGs, que incentivam a prática das tradições do Rio Grande do Sul no município. Os principais centros de tradições são o CTG Brasão do Rio Grande, a GPF Aldebarã, o CTG Mata Nativa, a DTG Morada de Guapos, a DTG Periquitos Amadores do Chasque, a GAG Piazitos do Sul, o CCT Rancho Crioulo, o CTG Raízes da Tradição e o CTG Sentinela do Rio Grande.

O teatro ainda vem se desenvolvendo lentamente, apesar de Canoas abrigar a AGTB (Associação Gaúcha de Teatro de Bonecos). A Fundação Cultural promove a Amostra de Cine-Vídeo de Canoas, com o objetivo de estimular o talento e a criatividade de profissionais e amadores que produzem cinema e vídeo no município. Dos filmes da última edição da amostra podem-se citar a Casa do Poeta de Canoas, de Maria Riggo; Os Donos da Ladeira, de Cláudio Piedras; Summertime, de Cláudio Piedras; Não Tem Preço, de Marcos Vinícius Cardoso Ribeiro; Siglas do Golpe, de Antônio Jesus Pfeil e Perturbação, de Cláudia Ávila.

O município oferece vários museus, que abrangem diversas áreas e assuntos, para pesquisa e visualização. Na semana nacional do museu o evento atrai um grande número de pessoas ao Museu Municipal do município e a atração mais procurada é a História do município. O público também se interessa pelo município desde sua urbanização até os dias atuais. Eis alguns museus presentes no município: Museu do Automóvel da ULBRA, Museu da Tecnologia da ULBRA, Museu de Ciências Naturais (Unilasalle), Museu e Arquivo Histórico La Salle, Museu Dr. Sezefredo Azambuja Vieira (Museu Histórico de Canoas)

O projeto Canta Brasil, no Mathias Velho, promove a dança e a música para jovens do bairro e sem nenhum custo. O projeto cultural já está sendo reconhecido na região.

O Carnaval de Canoas é um evento bastante conhecido na região e a partir de 2008 será um evento oficial e com o apoio da prefeitura.[22] O carnaval sempre atrai um grande número de pessoas do município. Canoas município possui ainda um sambódromo, localizado no Parque Esportivo Eduardo Gomes, onde as escolas do município se reúnem para o desfile. São onze as escolas de samba que participam do desfile no município: Acadêmicos da Grande Rio Branco, Acadêmicos de Niterói, Estado Maior da Rio Branco, Guardiões do Bom Sucesso, Imperatriz da Grande Niterói, Império da Mathias, Nenê da Harmonia, Nossas Raízes, Os Tártaros, Rosa Dourada e a Unidos do Guajuviras.

Canoas possui um número razoável de áreas de lazer para oferecer a seus habitantes. O município possui grandes parques e muitas praças (cerca de 113), mas nos bairros mais pobres ainda existe uma necessidade muito grande de locais que proporcionem lazer a sua população. O feriado municipal de Canoas é em Janeiro e é comemorada a Nossa Senhora dos Navegantes.

Entre os principais centros de lazer do município, estão os seguintes: Parque Municipal Getúlio Vargas (Capão do Corvo), Parque Esportivo Eduardo Gomes (Parcão), Canoas Country Club (somente para associados), Centro Olímpico Municipal e outros diversos. No interior do Parque Getúlio Vargas se localiza o Jardim Zoológico Municipal de Canoas (Minizôo).

Hino de Canoas

Em 24 de junho de 1965, a Lei Municipal 986 oficializou o hino composto por Wilson Dantur e Pedro Reinaldo Klein como o Hino do Município de Canoas.

Brava gente, canoense
Sob o sol tu surgirás
Pela grandeza do teu esforço
Só vitórias nos darás.

Teu escudo é a ordem
Tua força a união
O teu lema é o progresso
Pela grandeza da nação.

(Estribilho)
Canoas minha terra
Município de valor
Coração que dentro encerra
Tanta bravura tanto amor.

O teu povo, altaneiro
Vem cumprindo a sua missão
No caminho de luta e glória
Vem honrando a tradição.

São Luís, padroeiro
Deste povo varonil
Abençoai e protegei
Este pedaço do Brasil.

Fontes:
Wikipedia
Prefeitura de Canoas

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Um Passeio pelo Rio Grande do Norte (Cidade de Caicó)

Castelo de Engady – Caicó/RN
Caicó é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte. Principal cidade da região do Seridó, localiza-se na região centro-sul do estado distando cerca 256 km da capital estadual, Natal.

Nascido na confluência dos rios Seridó e Barra Nova, ocupa uma área de 1.228,574 km² a uma altitude média de 151 metros. Sua população em 2010, segundo o IBGE, era de 62.727 habitantes, o que a coloca como a sétima cidade mais populosa do estado, sendo a segunda mais populosa do interior do Rio Grande do Norte.

História

Contam-se várias lendas sobre a origem da cidade, porém todas citam um vaqueiro português que, à procura de água para o seu gado durante uma seca, se deparou com um touro bravio de feições míticas. Aflito diante de tal situação, o vaqueiro fez uma promessa a Sant’Ana: se conseguisse escapar do touro e encontrar água, construiria uma capela em sua homenagem. Então, nesse momento, o touro dasapareceu e logo o vaqueiro encontrou um poço, o qual, segundo relatos, nunca secou. Diante disso, contou o episódio aos amigos, que iniciaram a construção da capela, marco inicial do povoamento de Caicó.

Por volta da metade do século XVII, com o fim das invasões neerlandesas, iniciou-se o processo de interiorização da capitania do Rio Grande. Nessa época, a Coroa Portuguesa começou a conceder porções de terras a particulares, chamadas de sesmarias e destinadas à pecuária, uma vez que tal atividade não era permitida nas terras do litoral; ou então destinadas exclusivamente ao plantio de cana-de-açúcar. Essa ideia também agradou à Igreja Católica, pois serviria para a propagação do “povo de Deus na terra”.

A atitude da Coroa Portuguesa foi interpretada pelos indígenas como uma usurpação. Então, deu-se início a uma sangrenta guerra dos índios tapuias tarairius contra a presença luso-brasileira. Esses conflitos ficaram conhecidos como guerra dos Bárbaros.

Com o objetivo de proporcionar maior segurança aos luso-brasileiros, foi construída a casa-forte do Cuó a mando do Coronel Antônio de Albuquerque Câmara, que, posteriormente, receberia reforços de Domingos Jorge Velho, bandeirante conhecido por haver destruído o quilombo dos Palmares.

1748 – Criado o distrito com a denominação de Vila do Príncipe.
1788 – Elevado à categoria de vila, denominando-se Vila Nova do Príncipe.
1868 – Elevado à condição de cidade e sede, com denominação de Cidade do Príncipe.
1890 – Passa a se denominar Seridó. Ainda no mesmo ano, o município passa a ser denominado Caicó.
1911 – Apenas o distrito-sede passa a se chamar de Caicó.

Etimologia

Existem várias versões sobre a origem do nome do município de Caicó.

No dicionário da língua tupi-guarani, Lemos Barbosa diz que a palavra Caicó deriva da língua Cariri e que significa “mato ralo”. Acredita-se que a região fosse habitada pelos índios caiacós, da família dos cariris e que os mesmos denominaram a região de Cai-icó, que significaria “macaco esfolado” por causa dos serrotes pelos quais a vegetação era desmatada.

Segundo o pesquisador Olavo de Medeiros Filho, o topônimo vinha de uma ave agourenta, comedora de cobras e que havia em abundância no curso d’água que passava próximo a casa-forte do cuó, chamado rio Acauã. Os topônimos “acauã” e “cuó” seriam sinônimos, sendo a primeira forma em tupi e a segunda em tarairiu e ambas as formas designavam o pássaro que dava nome ao rio e à região. Considerando a partícula “quei” como sendo “rio”, rio Acauã seria o mesmo que “Queicuó”, posteriormente Caicó.

Porém a versão mais aceitável é defendida por Câmara Cascudo, que refere sua gênese a partir dos termos “Acauã” e “Cuó”, que servem à designação de acidentes geográficos (rio e serra, respectivamente). “Acauã” pertence à língua Tupi e “Cuó”, ao dialeto dos tapuias e tarairius. Tais tribos ainda identificavam o rio pelo termo “quei”, o que sugere que Caicó seja uma corruptela de “Queicuó”, o mesmo que rio do Cuó. Tal teoria desmistifica a lenda que relata a existência de uma tribo chamada caiacós (citada anteriormente), pois não há registro histórico que comprove a existência dessa tribo na região.

Turismo Cultural

No turismo cultural, destaca-se a Irmandade dos Negros do Rosário, criada em 1771, onde pode ser vistas seus rituais que utilizam lanças e danças tribais ao som de tambores seculares. Ainda pode-se visitar o Museu do Seridó, onde pode se conhecer a história do povo seridoense, seu modo de vida e seus ciclos econômicos, além de exposição de artistas locais.

Outro destaque é o artesanato local, onde Caicó é conhecida como “Terra do bordado”, pela excelência de seus trabalhos manuais, herança da colonização portuguesa. A culinária é outro atrativo da cidade, que se destaca nacionalmente pela qualidade de sua carne-de-sol, queijo de manteiga e de coalho, manteiga-de-garrafa, assim como seus doces tipícos: filhós, chouriço e biscoitos caseiros. Além da nova vedete: a produção de cachaças.

Turismo de Eventos

Dentre o turismo de eventos destaca-se o carnaval, que já figura entre os maiores do nordeste. Onde o principal atrativo é o “bloco Ala Ursa” ou “bloco do Magão”, que arrasta multidões pelas ruas da cidade ao som de frevo e marchinhas, acompanhada de bonecos gigantes, burrinhas e papangus. A sexta-feira destaca-se pela saída do bloco das Virgens, onde os homens vão trajados com roupas femininas e as mulheres vão vestidas de homem. À noite, o carnaval acontece no complexo turístico Ilha de Santana, onde os blocos formados pelos jovens, geralmente com nomes irreverentes celebram o carnaval ao som de músicas atuais de axé e forró-elétrico. Um detalhe que deixa o carnaval caicoense único é a confecção de caixotes, onde os blocos conservam as bebidas que serão consumidas durante a festa. Na Ilha de Santana forma-se um corredor onde os blocos “rivalizam” a atenção para seu caixote, onde há até a existência de caixotes motorizados.

Turismo Religioso

Caicó é um destino potencial de turismo religioso, a Festa de Sant’Ana realiza na última semana de julho, já é o maior evento socio-religioso do Rio Grande do Norte. A festa é uma mistura de sagrado e profano que atrai turistas de todos os cantos do RN. A Festa de Sant’Ana é se tornou Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN, sendo a primeira manifestação cultural a sofrer tombamento no estado e a quarta manifestação a se enquadrar como patrimônio imaterial no Brasil

Cultura

Museu do Seridó

O Museu do Seridó é uma instituição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sendo uma unidade de preservação, conservação e divulgação da memória e da história seridoense. Sediado no antigo prédio do Senado da Câmara e cadeia pública da Vila do Príncipe, concluída em 1812.

O acervo existente foi contextualizado a partir de um tema central- Seridó, terra nossa de cada dia, dividido em cinco núcleos expositivos: Seridó, terra e homem pré-cabralino; Sociedade, produção e trabalho; Devoção e arte no Seridó; Ofício e arte do Seridó; e Indústria alimentícia de subsistência. O museu ainda conta com exposições provisórias de artistas locais.

Centro Cultural Dep. Adjuto Dias

O Centro Cultural foi inaugurado em 2002,possui 447 poltronas, 2 camarotes, uma sala de projeção de cinema, 4 camarins, 5 salas para oficinas, estacionamento para 300 carros, além de ar condicionado central. Ele está localizado no bairro Paraíba e ocupa uma área de 1770 m². Destina-se a apresentação de expressões artísticas, como teatro, música, dança e artes plásticas.

Casa da Cultura

Localizada no sobrado do Padre Brito Guerra, prédio histórico da cidade, o local é dos mais atuantes quanto a presença de manifestações culturais. Contando atualmente com duas exposições permanentes: Brinquedos Populares e Galeria dos Imortais Caicoenses.

Referências Culturais

A cidade é citada na série de composições “Bachianas Brasileiras” de Heitor Villa-Lobos, mais precisamente no terceiro movimento da “Bachianas Brasileiras nº04”, na forma de Cantiga, recolhida do folclore brasileiro por Teca Calazans, a mesma já foi gravada por Milton Nascimento, Alceu Valença, Pena Branca e Xavantinho, Elba Ramalho e Ney Matogrosso. Caicó ainda foi tema da canção intitulada “A Prosa Impúrpura do Caicó” também conhecida como “Caicó Arcaico”, composta por Chico César, onde faz um trocadilho com o título do filme de Woody Allen: “A Rosa Púrpura do Cairo”, na canção ele descreve as contradições, realidade e fantasia, existentes na cidade. A cidade também é citada na canção “Forrobodó” de Luiz Fidélis, conhecida pela interpretação da banda de forró Mastruz com Leite

Gentilico: Caicoense.
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Sobre a Imagem
O Castelo de Engady é uma edificação localizada nos arredores da cidade de Caicó. Construída pelo Monsenhor Antenor Salvino de Araújo, para ser um local de recolhimento, estudos, meditação e oração. Devido a sua arquitetura rústica em constraste com a aridez do local onde foi edificada, mostra-se como um local misterioso e místico, despertando o interesse de pessoas de vários lugares

Sua construção demorou 11 meses ininterruptos, no período de 04 de junho de 1973 a maio de 1974. Vários detalhes de sua arquitetura faz referências à Bíblia, como o fato de possuir sete torres, em honra ao número sagrado da Bíblia; e a presença de uma grande estrela de Davi, em ferro, cravada acima da porta principal, em homenagem a história do rei Davi.

Construído em arquitetura próxima ao estilo mouro-medieval, em uma área de 51 mil metros quadrados; o castelo foi construído sobre um lajeiro, ou rochedo, tendo sua estrutura composta de pátios, terraços, peitoris, balcões, guaritas, torres, pontes, escadas, batentes, poços, tanques, fortificações, ameias, salas, dormitórios, capela, dependências de serviços domésticos, vigias, muralhas e portões. Sua decoração é composta por quadros de representação clássica com emblemas, estandartes, espadas, lanças, carrancas, correntões, peças bíblicas e religiosas, objetos de boiadeiros e vestígios da vida bucólica. O mobiliário foi adquirido nas fazendas, propriedades e sítios da região. As peças chegaram ali por meio de compra, troca ou oferta. Seu acervo é composto de velhas arcas, velhos armários, baús, bancos, oratórios, pilões, rústicas camas, cadeiras, tripeças e largadas peças de engenho, de casas de farinha e de vapores de algodão.

O castelo já sediou o Mosteiro das Clarissas e o Corpo de Bombeiros de Caicó temporariamente. Atualmente o mesmo foi vendido ao governo do estado, onde é gerenciado pela Fundação José Augusto, que pretende transformá-lo em casa de cultura ou uma espécie de museu.

Fontes:
Caicó – Wikipedia.
Castelo de Engady – Wikipedia

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Edjane Linhares (A Cultura Assobradada, em Caicó/RN)

Imagem: Gilton Filho
O sobrado Padre Brito Guerra é um símbolo de resistência da cultura em Caicó (RN). Construído em 1811 e um marco da arquitetura na região, serviu de morada ao seu idealizador, o padre Brito Guerra, que fundou na sua casa a famosa Escola de Latim.

Em 1994, o sobrado foi adquirido pelo governo do Estado e em 2003, transformado na segunda Casa de Cultura do Estado.

Através da Associação Comunitária Cultural Amigos da Casa de Cultura, os artistas emprestam os seus talentos e realizam várias oficinas de arte. Entre elas, as oficinas de canto e coral (um deles é da 3ª idade), literatura de cordel, artes plásticas, pintura e tecido, desenho, teatro de rua, brincadeiras populares e contação de histórias (voltada para crianças). É um trabalho belíssimo, onde o brilho nos olhos e sorrisos é a principal verba.

A mostra de trabalhos da Casa da Cultura é realizada no final do ano. A interação de várias oficinas apresentadas ao mesmo tempo é uma das imagens mais fortes e belas que já presenciei. Crianças, jovens e adultos falando a mesma língua, em uma comunicação lúdica. Inesquecível.

A Casa serve de espaço para reuniões com membros de associações (trovadores e surdos-mudos), ensaios de teatro, galeria (uma permanente é a dos imortais caicoenses), biblioteca, acervo de brinquedos populares e um pequeno museu de apetrechos sertanejos. É também parceira de projetos do SESC Seridó.

Em julho, na festa de Sant’Ana, são realizados recitais, teatro e concertos musicais em um barzinho aberto exclusivo para estes eventos. Nesta época, também acontecem lançamentos de livros e exposições de arte.

A Casa da Cultura tem apenas dois funcionários pagos pela Fundação José Augusto. Para funcionar, conta com a ajuda da Associação Comunitária Cultural, patrocinadores que contribuem nos eventos e um pequeno investimento da Fundação.

Uma cidade que não tem cinema, livraria e teatro (este interditado por falta de manutenção), o sobrado Padre Brito Guerra é bem mais do que um patrimônio histórico que carece de preservação. É a experiência viva de que a cultura ainda pulsa, apesar de tudo.

Fonte:
Substantivo Plural.
Imagem = Caicó

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O Caminho de Peabiru

A pintura representa Sumé (Pai Tumé ou
São Tomé) descerrando mata adentro o
Caminho de Peabiru.

São milenárias a Rota do Estanho (Ilhas Britânicas – Cassitérides, talvez as atuais Scilly – do primeiro milênio de nossa era; a Rota da Seda, que tornou esse produto conhecido pelos gregos no III século antes de Cristo, indo ao Pamir, até a Torre de Pedra, onde se realizavam os mercados fornecidos pelos negociantes chineses; a Rota do Lapis-Lazuli, do terceiro milênio; a Rota da Prata, pela qual os Tírios iam procurar na Espanha a prata e outros metais com os “navios de Tarsis”, de que fala a Bíblia, e tantas outras.

As civilizações se fizeram pelas rotas. Por elas se aculturaram povos, se enriqueceram nações, se conquistaram mundos. Nem todas as rotas, porém, permanecem vivas. Algumas, sim, permanecem, pelo menos na memória de suas gentes. Outras, resgatadas, continuam guiando seus povos a caminho de novos sonhos, novas riquezas, adaptadas aos novos tempos.

O Caminho de Peabiru era uma “estrada” milenar, transcontinental que ligava o oceano Atlântico ao Pacífico, atravessando a América do Sul, unindo quatro países. No Brasil, passava por Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e depois seguia para Paraguai, Bolívia e Peru, cortando mata, rios, cataratas, pântanos e cordilheiras.

O caminho, no Brasil, começava em São Vicente ou Cananéia, no litoral paulista, cruzava o Estado do Paraná de Leste a Oeste, penetrava no chaco paraguaio, atravessava a Bolívia, ultrapassava a Cordilheira dos Andes e alcançava, finalmente, o sul do Peru e a costa do Pacífico. Este era o chamado tronco principal, mas havia vários ramais. Um deles cruzava o rio Paranapanema, na divisa entre São Paulo e Paraná, onde segundo a historiadora Rosana Bond, baixava o sul quase em linha reta, passando pelas atuais cidades paranaenses de Peabiru e Campo Mourão. Outro ramal dava no litoral de Santa Catarina e outro, ainda, provavelmente, no Rio Grande do Sul; ao todo tinha aproximadamente 3 mil km de extensão, possuía oito palmos de largura (cerca de 1,40 metros) e aproximadamente 0,40 centímetros de profundidade. Para evitar o efeito erosivo da chuva, a trilha era forrada com vários tipos de grama, que também impediam que a via fosse tomada por ervas daninhas. O professor Moysés Bertoni, pesquisador da cultura dos índios guaranis, afirma que a grama foi plantada apenas em alguns trechos, mas as sementes que grudavam nos pés e nas pernas dos viajantes acabaram estendendo o revestimento aos demais trechos.

Segundo o professor Moysés Bertoni, o Peabiru é algo fantástico por seu tamanho, sua função e suas características, diz; ainda que até hoje a civilização moderna não conseguiu construir nenhuma rodovia ou ferrovia ligando os dois oceanos de ponta a ponta.

A verdadeira história do Peabiru, segundo estudiosos ainda é um mistério, uma das teorias mais aceitas é que o caminho é a menor e melhor rota entre os oceanos Atlântico e Pacífico, tendo um importante papel no intercâmbio cultural e na troca de produtos entres as nações indígenas. Dizem ainda que foi aberto pelos guaranis em busca constante de uma mitológica “Terra sem Mal”, aconselhados pelos seus deuses – base da religião guarani. Esse território mágico seria a morada dos ancestrais, descrito como o lugar onde as roças cresciam sem serem plantadas e onde a morte era desconhecida. Segundo o professor Samuel Guimarães da Costa, o Paraná seria esse “Nirvana” indígena e o Peabiru uma espécie de caminho santo que percorria o paraíso perdido, (para os índios, o Paraná se chamava Guairá, que em tupi-guarani quer dizer “terra da eterna juventude)”.

Existem mais duas hipóteses para a criação do Peabiru: a de São Tomé e/ou Pay Sumé, apóstolo de Cristo, e a da civilização Inca.

Uma das mais importantes heranças indígenas encontradas pelos colonizadores ao chegar ao Brasil foi, sem dúvida, o Peabirú, uma estrada de mais de 2.500 quilômetros – e com inúmeras rotas secundárias – que ligava o alto dos Andes até o litoral sul brasileiro.

O Peabirú era uma valeta de 1,40 metro de largura e 40 centímetros de profundidade, forrado por uma gramínea que impedia erosões. Os primeiros relatos sobre o caminho datam de 1516 e são envoltos em mistérios e lendas.

Entre eles, a de que o Peabirú fazia parte da Estrada do Sol, construída durante o Império Inca. O seu formato mais largo em relação às outras trilhas existentes em território brasileiro na época reforça a tese dos defensores dessa teoria.

Já os jesuítas acreditavam que ele havia sido construído por São Tomé. Especulações à parte, o fato é que o caminho, ladeado por muitas aldeias de índios guaranis, foi amplamente usado por diversos conquistadores, em diferentes períodos da colonização.

O trecho inicial do Peabirú, chamado de trilha dos tupiniquins, era o único meio conhecido na época de cruzar a Serra do Mar. Passou a ser muito utilizado também pelos jesuítas, principalmente por José de Anchieta, quando estes colocaram em prática o trabalho de catequização dos índios. Por isso, a trilha foi rebatizada como “Caminho do Padre José”.

Importância Histórica

Segundo a escritora Rosana Bond, autora do livro “O Caminho de Peabiru” o caminho possui grande importância histórica, pois entre outras coisas serviu para as andanças e até grandes migrações de povos indígenas e, mais tarde, para a descoberta de riquezas, criação de missões religiosas, comércio, fundação de povoados e cidades.

Segundo as crônicas coloniais, os relatos do Padre Montoya e os historiadores Sérgio Buarque de Hollanda, Jaime Cortesão e Eduardo Bueno, o Peabiru é o principal caminho para a penetração da região sul do Brasil e do Paraguai.

Pelo Peabiru transitaram além dos indígenas, São Tomé e/ou Pay Sumé, Incas, ou seja, os possíveis criadores da trilha, também outros desbravadores ainda que considerado somente o período pós-Cabralino: soldados sacerdotes, aventureiros, os artifícies de nossa América, pessoas que construíram a história da região sul do Brasil.

Aleixo Garcia um português que utilizou o Peabiru, foi o primeiro europeu a fazer contato com os Incas, e a penetrar o interior do Brasil e do Paraguai em busca de um acesso às riquezas desse povo, no ano de 1524, a partir do litoral de Santa Catarina e, rumando para oeste, seguindo o caminho traçado pelos índios, chegou à região de Assunção, no Paraguai. Depois de diversas peripécias e confrontos com inúmeras tribos uma pequena parte de sua expedição retornou com peças de ouro e prata tomadas dos Incas.

Segundo o historiador Eduardo Bueno, depois da jornada de Aleixo Garcia, o Peabiru se tornou um caminho bastante conhecido e muito percorrido. Por ele seguiria, em 1531, a malfadada expedição de Pero Lobo, um dos capitães de Martim Afonso de Sousa.

Também pelo Peabiru passaram Alvar Nuñes Cabeza de Vaca em 1541 e Ulrich Schmidel em 1553, jesuítas como Pedro Lozano e Ruiz de Montoya também o percorreram em suas missões de catequese aos guaranis. Um século mais tarde, seria também pela via do Peabiru que Raposo Tavares e outros bandeirantes paulistas seguiriam para realizar seus devastadores ataques às missões do Guairá, no atual estado do Paraná.

Segundo Jaime Cortesão, foi pelo Peabiru que a civilização européia adentrou a oeste e subiu aos Andes. E para expressar a velocidade da penetração, basta assinalar que o gado, introduzido em 1502 em Cananéia, aparecia já em 1513 na Corte Incaica. Esta rapidez na disseminação de um elemento cultural prova quanto eram rápidas e ativas as comunicações através do continente.

Ainda no século XVI, o Peabiru foi o caminho usado para a fundação de Assunção, no Paraguai, para a criação de três ou quatro cidades espanholas no atual Estado do Paraná, para a implantação de 15 reduções jesuítas e até para a descoberta da maior mina de prata do mundo em Potosi, Bolívia.

Cortesão relata que, se julgamos tal caminho merecedor de tantas referências, é porque não somente foi o mais importante da face atlântica da América Latina, mas também o maior varadouro cultural e civilizador .

Depois de 1630, quando os bandeirantes entraram no Paraná e destruíram as cidades espanholas e as missões dos jesuítas, o Peabiru foi praticamente abandonado. O caminho ainda conseguiu retomar vida no século XIX, quando serviu, mais uma vez, para entrada de uma nova leva de homens brancos, os colonizadores pioneiros do interior do Paraná.

É notória a importância que o Caminho de Peabiru possui seja pelo traçado que cortava o continente, seja pelas personagens que por ele transitavam, pois é através dele que a verdadeira história e cultura de nossos antepassados são transmitidas nos dias de hoje, apesar da colonização européia que, utilizando do Peabiru adentrou na nossa região a fim de explorar o povo e a grandiosa riqueza natural aqui encontrada. O Peabiru é um caminho de importância inquestionável e deve ser resgatado para que as raízes do nosso povo sejam mantidas vivas entre o maior número de cidadãos e não apenas na memória de poucos estudiosos.

Fontes:
http://www.caminhodepeabiru.com.br/
http://zuboski.blogspot.com/

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A Formação da Língua Portuguesa no Brasil

A língua é um organismo vivo que se modifica ao longo do tempo. Palavras novas surgem para expressar conceitos igualmente novos; outras deixam de ser utilizadas, sendo substituídas.

Na época das grandes navegações, Portugal conquistou inúmeras colônias e o idioma português foi influenciado pelas línguas faladas nesses lugares, incorporando termos diferentes como “jangada”, de origem malaia, e “chá”, de origem chinesa. O período renascentista também provocou uma série de modificações na língua, que recebeu termos eruditos, especialmente aqueles relacionados à arte.

Os colonizadores portugueses, principalmente os padres jesuítas, difundiram o idioma no Brasil. No entanto, diversas palavras indígenas foram incorporadas ao português e, posteriormente, expressões utilizadas pelos escravos africanos e imigrantes também foram adotadas. Assim, o idioma português foi se juntando à família lingüística tupi-guarani, em especial o Tupinambá, um dos dialetos Tupi. Os índios, subjugados ou aculturados, ensinaram o dialeto aos europeus que, mais tarde, passaram a se comunicar nessa “língua geral”, o Tupinambá. Em 1694, a língua geral reinava na então colônia portuguesa, com características de língua literária, pois os missionários traduziam peças sacras, orações e hinos, na catequese.

Com a chegada do idioma iorubá (Nigéria) e do quimbundo (Angola), por meio dos escravos trazidos da África, e com novos colonizadores, a Corte Portuguesa quis garantir uma maior presença política. Uma das primeiras medidas que adotou, então, foi obrigar o ensino da Língua Portuguesa aos índios.

Desde o século XVI, época da formação do Português moderno, o português falado em Portugal manteve-se mais impermeável às contribuições lingüísticas externas. Já o Brasil, em decorrência do processo de formação de sua nacionalidade, esteve mais aberto às contribuições lingüísticas de outros povos.

Ainda hoje o português é constantemente influenciado por outras línguas. É comum surgirem novos termos para denominar as novas tecnologias do mundo moderno, além de palavras técnicas em inglês e em outros idiomas que se aplicam às descobertas da medicina e da ciência. Assim, o contato com línguas estrangeiras faz com que se incorporem ao idioma outros vocábulos, em sua forma original ou aportuguesados.

Atualmente, existem muitas diferenças entre o português que falamos no Brasil e o que se fala em Portugal. Tais diferenças não se limitam apenas à pronúncia das palavras, facilmente notabilizada na linguagem oral. Existem também diferenças de vocabulário (só para citar um exemplo, no Brasil dizemos “trem”, em Portugal se diz “comboio”) e de construção gramatical (enquanto no Brasil se utiliza uma construção como “estou estudando”, em Portugal prefere-se a forma “estou a estudar”).

Fonte:
So Portugues
http://www.soportugues.com.br/secoes/portuguesFormacao.php

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Fundação Biblioteca Nacional

A Biblioteca do Mosteiro de São Bento, fundada em 1581, em Salvador, Bahia, é a biblioteca mais antiga do Brasil. A Biblioteca Nacional, contudo, é a primeira oficial e pública. Foi trazida de Lisboa para o Brasil pela Corte portuguesa, a pedido de D. João, em 1808, e instalada em uma das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, contendo sessenta mil peças (livros, manuscritos, mapas, medalhas e estampas). A época, chamava-se Real Biblioteca.

Em 1810, foi transferida para sua sede atual, no Rio de Janeiro, e recebeu o nome de Biblioteca, hoje, Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Tornou-se propriedade do Estado em 1825.

Atualmente, a FBN é considerada a 8ª. Biblioteca do mundo. Guarda a mais rica coleção bibliográfica da América Latina e conta com mais de nove milhões de itens catalogados, realizando, com êxito, a sua missão de captar e preservar o acervo da memória nacional, disposto em: obras gerais, referência, iconografia, música, periódicos, obras raras, manuscritos e cartografia.

Os chamados Tesouros da Biblioteca Nacional constituem um acervo em formato digital, do qual fazem parte a Carta de abertura dos portos, a Bíblia da Mogúncia, o Livro das horas e a primeira gramática em língua portuguesa, entre outras peças (iconografia, manuscritos, música e obras raras).

A FBN presta importantes serviços aos usuários, não só atendendo in bloco, como também on-line ou por via telefônica e portal. Visite o Site Oficial da FBN. Há, também, o serviço do Escritório de Direitos Autorais (EDA), que funciona desde 1898 (e-mail: eda@bn.br).

Além do laboratório da restauração e conservação, a FBN possui o maior laboratório de digitalização da América Latina, para que o leitor tenha acesso à biblioteca virtual.

Atendimento a Distância

A Divisão de Informação Documental (DINF) oferece aos usuários que residem fora do município do Rio de Janeiro e do Grande Rio serviços de informação, tais como:

– pesquisa e compilação de registros bibliográficos no acervo da BN;
– reprodução do acervo;
– obtenção de cópias de textos de periódicos, através do Programa COMUT;

Presta também, por correio eletrônico ou telefone, atendimento local para demandas de pronta-resposta
( informações sobre o acervo, informações bibliográficas, etc.)

Para solicitar este serviço preencha o Formulário de Solicitação de Pesquisa em
http://www.bn.br/portal/index.jsp?nu_pagina=78

Base de Bibliografias Especiais

A DINF organizou, a partir de solicitações de usuários, uma base de dados, não exaustiva, que reflete as pesquisas realizadas. São referências compiladas nos catálogos da Biblioteca Nacional, que, em sua maioria, podem ser complementadas com o acesso aos Catálogos on line.

Essa base, embora não esteja totalmente revisada, está disponível para consulta. http://catalogos.bn.br/ .

Fundação Biblioteca Nacional
Divisão de Informação Documental
Av. Rio Branco 219, 2o. andar – Rio de Janeiro, RJ – 20040-008
tel: (0xx21) 2220-1330
tel/fax: (0xx21) 2220-1326
e-mail:
dinf@bn.br

Fontes:
Biblioteca Nacional
Quiosque Azul

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Gilberto Fernando Tenor (História de Sorocaba)

O povoado de Sorocaba foi fundado em agosto de 1654 pelo capitão Baltazar Fernandes, que veio para esta terra com a intenção de fundar uma cidade. Baltazar queria seguir os passos de sua família, cuja especialidade era iniciar novas povoações e fundar cidades. Seu pai foi o fundador de Santana do Parnaíba e seu irmão mais velho fundou Itu. As terras que Baltazar escolheu para fundar Sorocaba eram de sua propriedade e foram doadas a ele pelo rei de Portugal.

Quando chegou em Sorocaba já existiam na região outras duas vilas: a de Nossa Senhora do Monte Serrat de Araçoiaba e a de São Felipe do Itavuvu. Diferentemente do povoado de Sorocaba, os dois povoados que deram origem as estas vilas foram fundados por homens interessados na exploração dos minérios da região, como o ouro, a prata e o ferro. Este foi o principal motivo pelo qual estes dois povoados não prosperaram, pois a intenção inicial não era fundar um povoado e sim explorar as riquezas da terra.

O primeiro registro histórico de Sorocaba que se tem notícia foi justamente sobre a busca de riquezas nestes povoados. O registro data de 1599, e diz que o então governador-geral do Brasil, dom Francisco de Souza, acreditando na existência de ouro, esteve na região e levantou o pelourinho – símbolo do poder real – na nova Vila de Nossa Senhora de Mont Serrat. Como o ouro não foi encontrado, o governador retomou à Corte. Doze anos mais tarde, o mesmo dom Francisco de Souza mudou o nome da vila para Itavuvu.

Elevação a Vila

Baltazar Fernandes estimulou o povoamento e desenvolvimento da pequena aldeia e, em 1661, requereu a elevação de Sorocaba à categoria de Vila, sendo atendido. Com essa mudança administrativa, o pelourinho foi transferido de Itavuvu para a Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba e o governo nomeou os primeiros integrantes do Poder Público Municipal: os juízes Baltazar Fernandes e André de Zunéga; os vereadores Cláudio Furquim e Pascoal Leite Pais; o procurador Domingos Garcia; e o escrivão Francisco Sanches.

Como o Capitão Baltazar Fernandes, os primeiros moradores da Vila de Sorocaba eram bandeirantes, que buscavam ouro, prendiam indígenas e ampliavam as fronteiras do País.
A cidade cresceu durante os séculos XVII e XVIII e a primeira tropa de muares passou por suas ruas no ano de 1733. O condutor era o Coronel gaúcho Cristóvão Pereira de Abreu, um dos fundadores do Rio Grande do Sul. Pereira de Abreu estava fazendo História e inaugurando o ciclo do Tropeirismo.

Com o tempo, Sorocaba tornou-se um marco obrigatório para os tropeiros, o desaguadouro das mais diversas culturas regionais, e o eixo econômico entre o Norte, Nordeste e Sul. A cidade, com o afluxo de tropeiros, ganhou uma Feira de Muares, onde brasileiros de todos os estados reuniam-se para vender e comprar animais.

A Feira de Muares aglutinou novos moradores e permitiu o florescimento do comércio e da indústria caseira. Facas, facões, redes, doces, peças de ouro para montarias, selas, arreios, estribos e cabos de chicotes, feitos por ourives sorocabanos, ficaram conhecidos em todo o País.

O sueco Frederico Luiz Guilherme de Varnhagem, em 1818, conseguiu fazer funcionar a Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema. O pioneirismo de Sorocaba em toda a América Latina no setor metalúrgico é inconteste. A fábrica de Ipanema produziu grande quantidade de ferro, principalmente material bélico, durante a Guerra do Paraguai.

Em 1852, graças à acumulação de capital proporcionada pelas Feiras de Muares, surgiram as primeiras fábricas de algodão e de seda. A experiência industrial não foi longe, mas Sorocaba tornou-se pioneira no plantio do algodão herbáceo – para substituir o arbóreo – para exportação a Inglaterra.

As primeiras sementes de algodão foram plantadas de 1856. Os resultados foram tão bons que, em 1870, Luís Matheus Maylasky, o maior comprador de algodão da região, levantou a idéia da construção de uma estrada de ferro para facilitar a exportação do produto. Assim, cinco anos depois, era inaugurada a Estrada de Ferro Sorocabana.

Política

Na área política Sorocaba também foi destaque. A Revolução Liberal nasceu aqui em 1842. O Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar foi aclamado presidente da Província de São Paulo para lutar contra o cerceamento das liberdades imposto pelo Poder Central. A Revolução foi vencida, mas Sorocaba foi elevada à categoria de cidade, juntamente com Curitiba, ainda pertencente a São Paulo, e Campinas. A Comarca viria em 1871.

As iniciativas industriais voltaram nos anos 80 do século XIX. Em 1882, foi inaugurada a Fábrica de Tecidos Nossa Senhora da Ponte e, em 1890, as Fábricas de Santa Rosália e Votorantim. Aos poucos, Sorocaba tornou-se um pólo industrial de referência internacional. Por isso, ficou conhecida como a Manchester Paulista

Fontes:
http://www.sorocaba.com.br
Imagem = http://i340.photobucket.com

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Gabinete de Leitura Sorocabano

1886 – Rua de São Bento e Largo da Matriz (Atual Praça Coronel
Fernando Prestes, centro da cidade) com o Gabinete de Leitura Sorocabano,
ainda hoje no mesmo local. No fundo o Mosteiro de São Bento.
Foto de Júlio W. Durski
O Gabinete de Leitura Sorocabano foi fundado em 13 de janeiro de 1867 com o objetivo de oferecer entretenimento e incentivar a sociabilidade num ambiente que unisse membros de origem alemã aos brasileiros.

A história começou na verdade em 1866, sob a liderança de Maylasky, Jeremias Wenderick e Francisco Berendt, através da reunião realizada na residência do Sr Wenderick, quando se obteve associados em número necessário para que houvesse a fundação da entidade.

Em 3 de Novembro de 1866, houve reunião na casa do Sr. Jeremias Wenderick composta de alemães nesta cidade , com a finalidade de obter associados para fundar o Gabinete de Leitura Sorocabano, tendo obtido 31 Associados e depois de discursar, o Sr. Luis Matheus Maylasky, procede a eleição do diretório com o seguinte resultado: Presidente- Luis Matheus Maylasky, Tesoureiro: Sr. Jeremias Wenderick e Escrivão Francisco Berendt e foi nomeado uma comissão de Contas para organizar o Estatuto qual foi aprovado por todos. Nos primórdios daquele ano, o Gabinete de Leitura funcionou em uma modesta casa da rua da Ponte, que se tornou ponto obrigatório das pessoas mais conceituadas da época que ali se congregavam em franca camaradagem, a fim de ler os jornais e tecer considerações em torno dos assuntos do dia

Em 13 de Janeiro de 1867 a associação tornou-se realidade e o Gabinete de Leitura funcionou em uma modesta casa da rua da Ponte, que se tornou ponto obrigatório das pessoas mais conceituadas da época que ali se congregavam em franca camaradagem, a fim de ler os jornais e tecer considerações em torno dos assuntos do dia.

Em 1875 com a inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana, começou para Sorocaba uma nova era de progresso, fadada a grandes sucessos, quando o campo da arte industrial começou a prosperar, o comércio desenvolveu-se consideravelmente e, em decorrência, tornou-se importante a cultura do algodão. Homens ilustres, e atraídos pela amenidade do clima sorocabano e pela atividade que reinava em todas as artes e ofícios na cidade, nela vieram instalar a sua tenda de trabalho profícuo. O Gabinete de Leitura Sorocabano sentiu-se influenciado por essa prosperidade vertiginosa. Em conseqüência disto às palestras que eram realizadas, tornaram-se cada vez mais animadas e o seu quadro de associados foi aumentou surpreendentemente.

Ao cabo de alguns anos, mercê de generosidade de novos associados, observou a diretoria que a pequena coleção de livros doada pelos fundadores tinha crescido tanto que o acanhado prédio já não podia comportá-lo, na sua atual instalação.

Devido este fato, a sede social foi transferida primeiramente para um sobrado na Rua Direita (hoje Dr Braguinha), mais tarde para um sobrado na Rua da Penha, onde, abaixo, situava-se a farmácia Vasconcellos e posteriormente transferiu-se para uma casa no largo da Matriz (hoje Pça.Cel. Fernando Prestes). É bom lembrar o fato de que todas essas mudanças foram exigidas pelo desenvolvimento crescente da entidade.Até que finalmente em 1883 era adquirido prédio na esquina da praça Cel. Fernando Prestes.

Em 1883 era adquirido prédio na esquina da praça Cel. Fernando Prestes. Além de importante em si mesmo, o Gabinete de Leitura dotava para a cidade uma Biblioteca atualíssima, para entretenimento dos associados que na época facilitava o acesso de seus associados à leitura de jornais e revistas de diferentes pontos do Brasil e do mundo, num momento que isso era o requinte extraordinário. O Gabinete cria espaço em que vão florescer, nos anos seguintes, diferentes grupos, clubes e associações voltados para o debate de atualidades culturais e cientifica abrindo o pensamento local, aos ventos que sopravam em outros quadrantes.

Nos dias de hoje o Gabinete de Leitura Sorocabano não é mais a modesta sociedade de 1867, e sim uma instituição que ocupa lugar de destaque no cenário progressista do estado e da Nação. O Imperador D.Pedro II em tempos idos honrou o Gabinete de Leitura em diversas visitas, demonstrando vivo interesse pelo seu então desenvolvimento, inclusive, dando-lhe pessoalmente proteção particular.

Muitos nomes, direta e indiretamente, esforçaram-se por colocar a referida sociedade na posição em que atualmente ela se encontra, todavia, faz se mister que citemos o nome do Dr. Olivério Pilar, um dos baluartes do sucesso alcançado pelo Gabinete de Leitura e sob cuja direção se realizaram os primeiros principais melhoramentos.

Fato que é bom ser lembrado é que em 1959 era inaugurado o novo prédio do Edifício Gabinete de Leitura Sorocabano, majestoso edifício em sua nova fase, com mobiliário eficazmente adequado às suas finalidades, no seu interior ressaltando o luxuoso salão de conferência, amplo e confortáveis salas para leitura.

Sonhos dos que amam a veneranda instituição de Maylasky, quando teve a presença de altas autoridades civis, militares e eclesiásticas, revivendo assim o gabinete de leitura os seus grandes dias do passado. Tal acontecimento prenuncia igualmente outras vitórias da tradicional instituição que Sorocaba admira, tendo como presidente na época da inauguração o saudoso. Dr. Jose Pereira Cardoso.

Acervo do Gabinete de Leitura Sorocabano, a saber:

1- O Gabinete tem em aproximadamente mais de 20.000 livros diversos sendo que os mais antigos datam do século XVIII, edições alemães, francesas, portuguesas de 1789 – 1797-1798.
2-Há também uma Bíblia escrita em grego, datada 1865, doada pelo professor Julio Ribeiro em 1872.
3-Além das assinaturas de jornais como Jornal Folha de São Paulo – Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Agora – Diário de Sorocaba, Cruzeiro do Sul e Bom Dia, a entidade tem encadernado os seguintes jornais: Diário de Sorocaba de 1880 a 1893, depois de 1914 até o atual – Cruzeiro do Sul de 12 de Junho de 1903 (nº 1) até o atual.
4- Existem os seguintes jornais antigos: Folha Popular de 1957 a Dez 1972 – Cruzeiro do Sul sobre a 2ª guerra mundial e outros sobre a revolução de 1932 – Correio de Sorocaba 1924 – Gazeta Jurídica 1872 a 1873 – Gazetas dos Tribunais de 1849 a 1853 – Verdade e Luz São Paulo de 1900 – A Ilustração de 1869 a 1913. O Brasil na Independência 1822 – O Tebyreçá de 1842 – A Província de São Paulo 1875 – Correio Paulista de 1880 – 1885 -1886.
5- O Acervo possui seis Relatórios da Cia. Estrada de Ferro Sorocabana com datas de 1872 – 1875 – 1876 – 1879 – 1882. Jornal O Defensor 1852 – O Monitor 1856 – O Paulista Oficial 1836.
6- Possui os livros de recorte de Jornais e fotos que pertenceram a Afonso de campos Vergueiro de 1917/1918.
7- Possui também o Livro de Visitantes do gabinete de 20/01/1874 a 13/12/1884 com a assinatura de D. Pedro II de 20/08/1875 mais a comitiva Imperial em 25/01/1878- Visconde de Bom Retiro – Barão de Maceió, Conde de Guaçú, outras personalidades , um livro encadernado com anotações da Guarda Nacional de Cavalaria de 1820 a 1826 – um álbum com 133 cartas plastificadas que datam de 1801 a 1872.

Teve entre seus ilustres leitores e visitantes, alguns nomes como: Dom PedroII, José Bonifácio, Santos Dumont, Monteiro Lobato, Campos Sales, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Morais, entre outros

O Gabinete de Leitura Sorocabano encontra-se na:
Praça Coronel Fernando Prestes nº 27- Centro – Sorocaba/SP
Fone : (15) 3232-0768

Fontes:
http://sorocult.com/

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O Estado da Bahia

A história da Bahia é um domínio de estudos de história que se estende desde a chegada dos portugueses, em Porto Seguro, em 1500, até os dias atuais.

Local de chegada dos primeiros portugueses ao Brasil no ano de 1500, a região do que viria a ser o estado da Bahia começou a ser povoada na primeira metade do século XVI. Através da exploração do território, se descobriu a existência do pau-brasil, essa matéria-prima passou a ser largamente explorada, atraindo desde comerciantes portugueses a contrabandistas europeus, em especial, os franceses. Várias outras explorações ocorreram, a partir daí, chegando lentamente portugueses com interesses nas novas terras.

Gradualmente, o território baiano atual foi colonizado, povoado e conquistado por expedições denominadas de Entradas, as quais partiam de Salvador, Ilhéus e Porto Seguro em direção ao interior do estado. As entradas eram feitas do mesmo jeito das bandeiras de São Paulo, mas não tiveram tanto reconhecimento e valorização como as bandeiras.

Partindo do litoral em direção ao norte/nordeste brasileiro, subindo os rios São Francisco, das Contas, Paraguaçu, Grande e Verde, desbravaram o interior da Bahia e os territórios do Piauí, Minas Gerais e Maranhão. Chegaram ao sul/sudeste brasileiro também, descendo os rios Pardo, Jequitinhonha, Mucuri e Doce.

Durante os séculos XVI e XVII, apesar dessas explorações do território terem ocorrido apenas com o intuito de povoar e reconhcer as terras descobertas, foram de grande importância para o reconhecimento inicial da geografia, da hidrografia, da fauna, das flora e dos minerais da Bahia, além de ter ajudado bastante na demarcação do território baiano, estacelecendo os limites com seus estado vizinhos.

No território correspondente ao atual da Bahia, foram formadas cinco capitanias hereditárias entre 1534 e 1566, consevadas até a segunda metade do século XVIII. As quais foram a da Bahia, doada a Francisco Pereira Coutinho em 5 de abril de 1534; de Porto Seguro doada a Pero do Campo Coutinho em 27 de maio de 1534; de Ilhéus doada a Jorge de Figueiredo Corrêa em 26 de julho de 1534; das Ilhas de Itaparica e Tamarandiva doada a D. Antonio de Athayde em 15 de março de 1598; do Paraguaçu ou do Recôncavo da Bahia doada a Álvaro da Costa em 29 de março de 1966.

Com a morte do donatário, Francisco Pereira Coutinho, cuja descendência veio a receber da Coroa Portuguesa quer o morgadio do juro real da Redízima da Bahía (séc. XVI), quer os títulos de Visconde da Bahía, de juro e herdade (1796), e de Conde da Bahía (1833), a Capitania da Bahia foi vendida pela viúva à Coroa Portuguesa, para fins da instalação da sede do governo-geral, com a fundação da cidade do Salvador (1549).

A Capitania de Porto Seguro depois de passar por vários herdeiros, sendo o último donatário, o Marquês de Gouveia, a capitania foi tomada pela Coroa e foi unida à da Bahia, formando uma só.

Capitania de Ilhéus após um período próspero, entrou em longa disputa judiciária. Incorporada, junto com a Capitania de Porto Seguro, à Capitania da Bahia entre 1754 e 1761, a Capitania de Ilhéus deu origem ao moderno estado da Bahia.

Capitania das Ilhas de Itaparica e Tamarandiva em 6 de abril de 1763 foi unida à Capitania da Bahia.

Capitania do Paraguaçu ou do Recôncavo da Bahia foi comprada pela Coroa portuguesa e também unida à capitania da Bahia.

Província da Bahia em 1709, na época do auge da província de São Paulo.O território original da província da Bahia compreendia a margem direita do rio São Francisco (a esquerda pertencia a Pernambuco). Estava, basicamente, dividido entre dois grandes feudos: a Casa da Ponte e a Casa da Torre, dos senhores Guedes de Brito e Garcia d’Ávila, respectivamente – promotores da ocupação de seu território e muito importantes em sua defesa.

Ingleses e holandeses atacaram a Bahia no século XVII. Durante o Governo de D. Diogo de Mendonça Furtado, Salvador foi invadida pelos holandeses que vencendo a resistência dos cidadãos que deixaram a cidade, dominaram Salvador de 1624 a 1625. Mas em 1º de maio de 1625, depois de vários conflitos, os halandeses estando cercados e isolados, com a ajuda de morgados como a Casa da Torre e dos espanhóis, a cidade foi retomada pelos portugueses.

Por sua posição estratégica, à entrada da baía de Todos os Santos, e por ali se refugiarem barcos inimigos e contrabandistas, o Governador Diogo Luís de Oliveira determinou em 1631 a construção de um forte em Morro de São Paulo, ampliado em 1730, transformando-se em uma das maiores fortificações da costa, com 678 m de cortina. Os holandeses, antes de atacarem Salvador, em 1624, estiveram em Morro de São Paulo e utilizaram o seu canal como tocaia para atacar navios lusos, entre os quais um barco jesuíta que vinha de São Vicente, conduzindo 15 religiosos da Companhia e outros de outras Ordens. Um ano mais tarde, ali se refugiou a numerosa armada de Boudewijn Hendriczzood que, ao ter conhecimento da retomada de Salvador pelos espanhóis e portugueses, rumou para o Norte.

Os holandeses fizeram outras tentativas para retomar Salvador, mas todas sem sucesso, principalmente, após a construção do Forte de São Marcelo em ponto estratégico da Baía de Todos os Santos não há registros de invasões de estrangeiros. Com isso, a Bahia se tornou uma referência em resistência na Colônia, em especial, aos holandeses que dominaram com sucesso Recife.

Enquanto estiveram em Recife, os holandeses não deixaram de rondar a costa baiana, atacando Caravelas (1636), Camamu e Ilhéus (1637), mas todas as tentaivas sem sucesso. Os ataques provocaram a construção em Camamu, em 1649, do forte de Nossa Senhora das Graças, com quatro baluartes, reedificado entre 1694/1702 e, possivelmente, a construção do forte de São Sebastião em Ilhéus, pois documento de 1724 já o assinala sobre um monte.

É vísivel a riqueza do periodo. A economia do litoral foi extrativista. A princípio, pau-brasil, valorizado na Europa como pau de tinta e disputado por comerciantes portugueses, contrabandistas e piratas. Depois, incluíram-se na pauta de exportação e contrabando madeiras para a construção naval e civil, cortadas entre Ilhéus e Valença. Em 1722, os jesuítas do Colégio da Bahia instalaram uma serraria hidráulica em Camamu à qual se somavam mais duas de terceiros, no final do século. No imposto extorquido para a reconstrução de Lisboa, após o terremoto, a vila pagaria sua contribuição com madeira e farinha de mandioca. Desde a coroação de Dom José I, em 1750, e a nomeação do conde de Oeiras, futuro Marquês de Pombal como primeiro-ministro, havia-se inaugurado uma política mais atuante com relação ao Brasil e, em particular, à Bahia.

Pela Carta Régia datada de 1755, decidiu-se transformar em vilas as missões jesuíticas, com a intenção de afastar os índios da influência dos padres. São criadas as vilas de Prado (1755), antiga Aldeia de Jucururu; Alcobaça (1755), com território desmembrado de Caravelas; Nova Santarém (1758), antiga aldeia de São Miguel e Santo André de Serinhaém, atual cidade de Ituberá; Barcelos (1758), ex-aldeia de Nossa Senhora das Candeias, emancipada de Camamu; Troncoso (1759), ex-aldeia de S. João Batista dos Índios; Vale Verde (1759), antiga Aldeia do Espírito Santo; Maraú (1761), ex-Aldeia de S. Sebastião de Maraú.

Por solicitação de Dom Marcos de Noronha, Conde dos Arcos, e através de Provisão do Conselho Ultramarino de 4 de março de 1761, D. José I ordenou ao ouvidor da Comarca da Bahia, Desembargador Luís Freire Veras, que tomasse posse da Capitania dos Ilhéus para a Coroa. Igual providência foi adotada com relação à Capitania de Porto Seguro, transformando-se as duas em comarcas. Estas medidas estavam relacionadas com a preocupação do Governo Geral em controlar o contrabando no litoral sul e proteger as populações da região de Cairu e Camamu, centros de abastecimento da capital, contra os freqüentes ataques dos Guerens, que voltaram a atacar, no período entre 1749 e 1755. Foram elevadas a vila a Aldeia de Belmonte (1765); a missão de N. S. da Escada, com o nome de Nova Olivença (1768), em Ilhéus; o povoado de Campinhos (1720), com a denominação de Vila Viçosa (1768) e a Aldeia do Mucuri, com o nome de São José de Porto Alegre (1769), atual cidade de Mucuri. Três destes municípios foram supressos nas três primeiras décadas do século atual: Vila Verde, Trancoso e Barcelos. Com a mudança da capital do país para o Rio de Janeiro, o Governo da Bahia ordenou em 1777 ao Ouvidor de Porto Seguro criar paradas de correio, vilas e povoações entre Salvador e Espírito Santo, mas pouca coisa se fez. No fim do século XVIII, a Povoação de Amparo, à margem do rio Una, foi levada a vila com o nome de Valença (1799), sendo seu território desmembrado de Cairu.

De nada valeu o protesto de Silva Lisboa, juiz conservador das matas, em 1779, contra a devastação da Mata Atlântica. Ainda no início do século XIX o inglês Thomas Lindley seria preso em Porto Seguro por contrabando de pau-brasil, cujo comércio foi monopólio do Estado até 1859.

Na Baía de Tinharé, cessados os ataques indígenas, os colonos refugiados na Ilha de Boipeba voltaram ao continente. Em 1811, Boipeba chegou a tal ruína que perdeu sua condição de vila para o povoado de Jequié, em terra firme, que recebeu o nome de Vila Nova de Boipeba, hoje Nilo Peçanha. Por sua vez, a Vila de Nova Boipeba perdia, em 1847, o foro de vila para Taperoá, uma povoação surgida em torno a uma capela jesuítica que, em 1637, pertencia à Freguesia de Cairu. Nova Boipeba foi restaurada, em 1873, com território desmembrado de Taperoá. Todos os demais municípios do litoral sul foram criados no século XX.

As cores da bandeira do movimento (azul, branca e vermelha) são até hoje as cores da Bahia.Ver artigo principal: Conjuração Baiana

O ano de 1798 testemunhou a Conjuração Baiana, que propunha a formação da República Bahiense – movimento pouco difundido, mas com repressão superior àquela da Inconfidência Mineira: seus líderes eram negros instruídos (os alfaiates João de Deus, Manuel Faustino dos Santos Lira e os soldados Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens) associados a uma elite liberal (Cipriano Barata, Moniz Barreto, Aguilar Pantoja, membros da Casa da Torre e outros aristocratas), mas só os populares foram executados, mais precisamente no Largo da Piedade a 8 de novembro de 1799.

Mesmo após a declaração de independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas, até à rendição destes, ocorrida no dia 2 de julho de 1823. Por essa razão a data é comemorada pelos baianos como o Dia da Independência da Bahia.

Com a independência do Brasil, os baianos exigiram maior autonomia e destaque. Como a resposta foi negativa, organizaram levantes armados que foram sufocados pelo governo central.

Com a República ocorreram outros incidentes políticos importantes, como a Guerra de Canudos e o bombardeio de Salvador, em 1912.

A Bahia contribuiu ativamente para a história brasileira, e muitos expoentes baianos constituem nomes de proa na política, cultura e ciência do país.

Bandeira

Nenhuma lei existe criando ou disciplinando a Bandeira do Estado. Foi criada pelo médico baiano, Dr. Diocleciano Ramos que, numa reunião do Partido Republicano, propôs este símbolo como representativo da agremiação política, em 25 de maio de 1889.

Com forte inspiração na bandeira dos Estados Unidos, mesclada com um triângulo evocativo ao símbolo maçônico já adotados nas conjurações mineira e baiana – muito embora as cores azul, vermelho e branco já tivessem figurado como símbolos das revoltas de 1798, conhecida como Revolta dos Alfaiates

O uso, entretanto, consagrado pelo povo, veio a ser obrigatório por decreto do Governador Juracy Magalhães, em 11 de junho de 1960 (Decreto nº 17628).

Brasão de Armas

Constitui-se o Brasão de Armas do Estado da Bahia dos seguintes elementos:

– Timbre com uma estrela, que simboliza o Estado.
– Escudo com uma embarcação com a vela içada, onde um marinheiro acena com um lenço branco e, ao fundo, vê-se o Monte Pascoal, local do primeiro registo visual de terra pela esquadra de Cabral.
– Insígnia com dois tenentes sobre listel com o lema:
Per ardua surgo – que significa, numa tradução literal: “Pela dificuldade venço” ou, no sentido real: vencer apesar das dificuldades.
– Tenentes: à esquerda, um homem semi-nu, com uma marreta, uma bigorna e uma roda, representando a indústria local; à direita, uma mulher com chapéu frígio (símbolo da República), carregando a Bandeira da Bahia que jaz atrás do triângulo maçônico.
– Encimando o Brasão, o nome do Estado e, abaixo deste, o nome do “Brasil”.

Hino

“Dois de Julho”
Letra: Ladislau dos Santos Titara / Música: José dos Santos Barreto

Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro
Nunca mais o despotismo
Referá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações
Salve, oh! Rei das campinas
De Cabrito e Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será
Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender,
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer.

Cultura da Bahia

A cultura da Bahia é uma das mais ricas e diversificadas, sendo o estado considerado um dos mais ricos centros culturais do país, conservando não apenas um rico acervo de obras religiosas, arquitetônicas, mas é berço das mais típicas manifestações culturais populares, quer na culinária, na música, e em praticamente todas as artes.

Possuem, os baianos, um provérbio, a um tempo jocoso e sério, retrato dessa índole do seu povo: “O baiano não nasce, estréia”.

Dentre as principais manifestações culturais a Bahia tem seus expoentes, suas características próprias, resultado da rica miscigenação entre o índio nativo, o português colononizador e o negro, feito escravo e ali feito doutor.

Cultura erudita

Na Bahia nasceu o primeiro historiador do Brasil, Frei Vicente do Salvador. Ainda como Colônia, os versos de Gregório de Matos repercutiam qual dardos, dono de rimas tão ferinas que lhe renderam a imortalidade com o epíteto de “Boca do Inferno”.

Lugar da primeira Faculdade de Medicina do país, foi berço de nomes que se destacaram no cenário nacional, tais como Afrânio Peixoto, Antônio Rodrigues Lima, Juliano Moreira, etc.

Do Direito brotaram nomes como Ruy Barbosa, Teixeira de Freitas, Antônio Luiz Machado Neto e, caindo para a literatura, Castro Alves.

Música

Já era a Bahia, em particular Salvador, sua capital, a maior cidade das Américas durante vários séculos, um dos principais centros comerciais do Novo Mundo. Das raízes negras brotou o samba de roda, seu filho samba, o lundu e outros tantos ritmos, movidos por atabaques, berimbaus, marimbas – espalhando-se pelo resto do Brasil, e ganhando o mundo.

Xisto Bahia, levando os ritmos e mesmo poetas (como Plínio de Lima), descobre o novo meio e grava o primeiro disco brasileiro. E experimenta o sucesso internacional com Dorival Caymmi.

Do rock ao tropicalismo, de Raul Seixas a Caetano Veloso, infinitos nomes desfilam mundo afora, como João Gilberto, Gilberto Gil, Carlinhos Brown…

Carnaval

Foi no Carnaval que o baiano encontrou-se com o mundo: Em 1950 Dodô e Osmar inventam o Trio Elétrico, e atrás dele “só não vai quem já morreu”.

Um novo cenário foi descortinado, revelando artistas e grupos musicais: Ivete Sangalo, Moraes Moreira, Luiz Caldas, Chiclete com Banana, É o Tchan!, etc.

O negro reconquista sua identidade, e ganha força nos Filhos de Gandhi, o Olodum une música ao trabalho social.

Culinária

Do Candomblé ou do tabuleiro da Baiana brotam o acarajé, o abará, o vatapá e tantos pratos temperados pelo azeite de dendê, festejando aos santos, como o caruru ou festejando a vida, como a moqueca, a Bahia tem sempre um quindim a despertar o paladar.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org

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Palavras e Expressões mais Usuais do Latim e de outras linguas) Letra D

da capo
italiano – Do princípio. Mús Indica a repetição desde o início da peça.

dare nemo potest quod non habet, neque plus quam habet
latim – Ninguém pode dar o que não possui, nem mais do que possui.

data venia
Latim – Dada a vênia. Expressão delicada e respeitosa com que se pede ao interlocutor permissão para discordar de seu ponto de vista. Usada em linguagem forense e em citações indiretas.

dat veniam corvis, vexat censura columbas
Latim – Perdoa os corvos e mortifica pela censura as pombas. Sátira II de Juvenal que condena a injustiça.

de auditu
Latim – Por ouvir dizer. Saber por ouvir; de oitiva.

debelatum est
Latim – Terminou a guerra.

debemur morti nos nostraque
Latim – Estamos destinados à morte, nós e nossos bens. Reflexão de Horácio na Arte Poética, sobre a transitoriedade da vida presente.

decipimur specie recti
Latim – Enganamo-nos pela aparência do bem. Horácio referia-se aos poetas mas isso acontece com todos.

de coq-à-l’âne
Francês – Do galo ao burro. Discurso sem nexo; passagem de um assunto a outro muito diferente; disparate.

decorum est pro patria mori
Latim – É honroso morrer pela pátria.

de cujus
Latim – Direito – De quem. Primeiras palavras da locução de cujus sucessione agitur (de cuja sucessão se trata) Refere-se à pessoa falecida, cuja sucessão se acha aberta.

de facto
Latim – Direito – De fato. Diz-se das circunstâncias ou provas materiais que têm existência objetiva ou real. Opõe-se a de jure.

de fond en comble
Francês – De baixo para cima; inteiramente.

de gustibus et coloribus non est disputandum
Latim – Não se deve discutir sobre gostos e cores. Cada qual tem suas preferências. (Provérbio medieval).

de jure
Latim – Direito – De direito. Opõe-se a de facto.

de jure constituendo
Latim – Direito – Do direito de constituir. Diz-se de matérias ou situações jurídicas não previstas nas leis, mas que poderão ou deverão, no futuro, tornar-se normas do direito objetivo.

de jure et de facto
Latim – Direito – De direito e de fato.

de lana caprina
Latim – Sobre a lã de cabra. Assim chama Horácio as discussões ociosas.

del-credere
Italiano – Direito – 1 Cláusula pela qual, no contrato de comissão, o comissário, sujeitando-se a todos os riscos, se obriga a pagar integralmente ao comitente as mercadorias que este lhe consigna para serem vendidas. 2 Prêmio ou comissão paga ao comissário, por essa garantia.

deleatur
Latim – Apague-se, inutilize-se. Nome que tem (ou tinha) o sinal de correção nas provas tipográficas, pelo qual se mandava tirar letras ou palavras. Tem a forma de um delta (d em grego) minúsculo.

de lege ferenda
Latim – Direito – Da lei a ser criada. V de jure constituendo.

delenda Carthago
Latim – Cartago deve ser destruída. Palavras de Catão, o Antigo, com que terminava seus discursos. Cita-se esta locução a propósito de uma idéia fixa, perseguida com tenacidade.

delivery order
Inglês – Direito – Ordem de entrega. Título à ordem, que faculta ao capitão do navio a entrega ao seu portador, de uma parte ou o total das mercadorias embarcadas, e constantes de determinado conhecimento, do qual é considerado fração.

de minimis non curat praetor
Latim – O pretor não cuida de coisas pequenas. Cita-se para significar que pessoas de certa categoria não podem preocupar-se com pequenos detalhes.

dente lupus, cornu taurus petit
Latim – O lobo ataca com os dentes e o touro com os chifres. Cada qual se defende com as armas de que dispõe.

dente superbo
Latim – Com dente soberbo. Horácio descreve nesta expressão o desdém com que o rato da cidade roía os alimentos do rato do campo.

dentibus albis
Latim – Com dentes brancos. Norma apresentada por Horácio aos críticos, que podem criticar, mas amavelmente, sem ofender ao criticado.

Deo favente
Latim – Com o favor de Deus: Unir-se-ão em matrimônio, Deo favente, a senhorinha…

Deo gratias
Latim – Demos graças a Deus. Expressão empregada na missa, após a epístola e ao final da própria missa. É também empregada quando se quer expressar o contentamento por haver terminado um trabalho cansativo ou fastidioso.

Deo ignoto
Latim – Ao Deus desconhecido. Legenda encontrada por São Paulo num altar de Atenas e de que se serviu para falar de Cristo aos atenienses (Atos, XVII, 23 e seguintes).

Deo juvante
Latim – Se Deus ajudar; se Deus quiser.

de omni re scibili et quibusdam aliis
Latim – De tudo o que se pode saber e mais alguma coisa. A primeira parte desta locução é atribuída a Pico della Mirandola que pretendia discutir qualquer assunto com qualquer pessoa. A segunda foi ironicamente acrescentada por Voltaire. Aplica-se àqueles que se jactam de sábios, quando na realidade nada sabem.

de ore tuo te judico
Latim – Julgo-te pela tua boca. Pelas tuas palavras sei quem tu és.

Deo volente
Latim – Se Deus quiser: Aprenderei hebraico e sânscrito, Deo volente.

de pane lucrando
Latim – Para ganhar o pão. Diz-se de obras literárias feitas rapidamente, com fins lucrativos.

de plano
Latim – Calculadamente; premeditadamente.

de profundis
Latim – Das profundezas. Palavras iniciais da versão latina do Salmo 130, recitado nas cerimônias fúnebres e no ofício dos mortos.

descente de lit
Francês – Descida do leito. Tapete estreito que se coloca ao lado da cama.

Desiderandum
Latim – Que se deve desejar. Pl: desideranda.

Desideratum
Latim – O que se deseja. Pl: desiderata.

desinit in piscem
Latim – Termina em peixe. Alusão de Horácio às obras de arte sem unidade, que ele compara a um belo busto de mulher terminado em cauda de peixe. (Arte Poética, 4).

desipere in loco
Latim – Enlouquece-te de vez em quando. Conselho de Horácio a Virgílio (Ode IV, 12, 28) para que misture um pouco de loucura à prudência que caracteriza suas obras.

dessu de porte
Francês – Acima da porta. Diz-se da decoração pintada ou esculpida sobre a porta.

de stercore Ennii
Latim – Do esterco de Ênio. Expressão de Virgílio a fim de justificar-se de ter aproveitado os melhores versos da obra de Ênio (239-169 a.C.).

de te fabula narratur
Latim – A fábula fala de ti. Horácio, depois de descrever a hediondez do avarento (Sátiras 1, 1-69), dirige-se ao interlocutor imaginário. Emprega-se para chamar à realidade uma pessoa indiferente a alusões sarcásticas.

deus ex machina
Latim – Um deus por meio de uma máquina. Expediente da tragédia grega (e romana) para solucionar casos complicados, o qual fazia de súbito aparecer um deus para explicar como se devia proceder naquele embaraço. Emprega-se a locução para designar um fim forçado: Quando o autor não sabe resolver a situação que criou, interpõe um deus ex machina.

Deus nobis haec otia fecit
Latim – Deus nos concedeu esse descanso. Palavras com que Virgílio nas Éclogas agradece a Augusto. São quase sempre empregadas satiricamente.

Deus super omnia
Latim – Deus acima de tudo. Mostra o poder da Divina Providência nos acontecimentos humanos.

de verbo ad verbum
Latim – Palavra por palavra. Literalmente. Aplica-se às transcrições de escrituras e outros documentos.

de viris illustribus
Latim – Sobre os cidadãos ilustres. Título da história da fundação de Roma, escrita por Suetônio e adotada no estudo do latim no primeiro ciclo.

de visu
Latim – Direito – De vista. Diz-se da pessoa que presenciou o fato, chamada, por isso, testemunha de visu.

de visu et auditu
Latim – Direito – De vista e ouvido. Testemunha ao mesmo tempo ocular e auricular.

diem perdidi
Latim – Perdi o dia. Palavra de Tito, segundo Suetônio, quando não praticava alguma boa ação durante o dia.

Dies
Latim – O dia. Usado em linguagem jurídica.

dies irae
Latim – Dia da ira. Primeiras palavras da célebre seqüência medieval que descreve os horrores do juízo universal. É recitada nas encomendações e em algumas missas de réquiem. Expressão usual entre estudantes para designar os dias de exames.

dies fastus
Latim – Antig rom – 1 Dia no qual a lei religiosa permitia atividades seculares ou dia auspicioso para tais atividades. 2 Qualquer um dos quarenta dias de cada ano nos quais os pretores da República Romana podiam exercer seus poderes gerais jurídicos. Pl: dies fasti.

dies nefastus
Latim – Antig rom – 1 Dia no qual eram proibidas atividades seculares. 2 Dia no qual os tribunais eram fechados e era ilegal (para os pretores, por ex.), despachar assuntos públicos judiciais. Pl: dies nefasti.

Dieu et mon droit
Francês – Deus e meu direito. Divisa da família real inglesa.

difficiles nugae
Latim – Bagatelas difíceis. Alusão de Marcial em seus epigramas às pessoas que aplicam a inteligência em coisas insignificantes.

dignus est intrare
Latim – É digno de entrar. Expressão burlesca da peça “Doente Imaginário”, de Molière. Emprega-se na admissão de alguém em uma corporação ou sociedade, sempre em sentido jocoso.
di meliora
Latim – Que os deuses (nos dêem) coisas melhores. Expressão de Virgílio nas Geórgicas, ao terminar uma descrição de epidemia de peste.

dimidium facti, qui bene coepit, habet
Latim – Andou meio caminho, quem começou bem.

dir l’orazione della bertuccia
Italiano – Fazer oração de macaco. Pronunciar palavras ininteligíveis.

dis aliter visum
Latim – Aos deuses aprouve de outra maneira. Reflexão resignada de Virgílio, referindo-se à ruína de Tróia.

disciplina, pauperibus divitiae, divitibus ornamentum, senibus oblectamentum
Latim – O ensino é riqueza para os pobres, adorno para os ricos e distração para os velhos.

disjecti membra poetae
Latim – Os membros dispersos do poeta. Refere-se Horácio à dificuldade em transformar versos em boa prosa.

dis-moi ce que tu manges, je te dirai qui tu es
Francês – Conta-me o que comes, dir-te-ei quem és. Pretende o gastrônomo Brillat-Savarin que o caráter e inteligência de uma pessoa se revelam na escolha que ela faz dos alimentos.

displicuit nasus tuus
Latim – Teu nariz desagradou. Juvenal explica com este dístico certas perseguições sem motivo justificável.

Distinguo
Latim – Distingo, palavra usada na filosofia escolástica, nos argumentos.

divide et impera
Latim – Divide e impera, divisa política dos romanos. Variantes: divide ut imperes e divide ut regnes, divide para que possas reinar.

docendo discimus
Latim – Aprendemos ensinando.

docendo discitur
Latim – Aprende-se ensinando.

doctor in utroque
Latim – Doutor em um e outro (direito). Empregada para designar a pessoa laureada em Direito Civil e Direito Canônico.

doctus cum libro
Latim – Sábio com livro. Diz-se dos que ostentam ciência livresca por serem incapazes de raciocinar.

dolce far niente
Italiano – Doce ociosidade.

Dominus dedit, Dominus abstulit, sit nomen Domini benedictum
Latim – O Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor. Palavras de Jó, quando atingido pela perda de todos os seus bens. São citadas para lembrar, nos infortúnios, a resignação cristã.

Dominus mihi adjutor
Latim – O Senhor é meu auxílio. Palavras do versículo 7 do Salmo 118, que servem de divisa à Dinamarca.

Dominus tecum
Latim – O Senhor esteja contigo. Saudação dirigida antigamente a quem espirrava, hoje substituída por saúde ou por Deus te ajude, empregadas principalmente no Interior.

Dominus vobiscum
Latim – O Senhor esteja convosco. Saudação litúrgica, freqüentemente usada na missa, no ofício divino e no ritual católico romano.

donec eris felix, multos numerabis amicos
Latim – Enquanto fores feliz, terás muitos amigos. Verso de Ovídio em que o poeta lamenta a perda dos amigos quando caiu na desgraça de Augusto (Tristes, 1, 1-39).

do ut des
Latim – Direito – Dou para que tu dês. Norma de contrato oneroso bilateral.

do ut facias
Latim – Direito – Dou para que faças. Norma admitida em contrato bilateral, em que uma das partes oferece dinheiro pela prestação de serviços da outra.

dubitando ad veritatem pervenimus
Latim – Duvidando chegamos à verdade. Frase de Cícero que inspirou a Descartes a doutrina sobre a dúvida.

dulce et decorum est pro patria mori
Latim – É belo e nobre morrer pela pátria. Verso de Horácio em que aconselha os jovens a imitar os antepassados.

dulces moriens reminiscitur Argos
Latim – Morrendo relembra a doce Argos. Virgílio refere-se a Ântor que acompanhou Enéias à Itália, onde morreu.

dulcia linquimus arva
Latim – Deixamos os campos queridos. Melibeu, personagem de Virgílio, lamenta a vida no exílio (Écloga, 1, 3).

dura lex sed lex
Latim – A lei é dura, mas é a lei. Apesar de exigir sacrifícios, a lei deve ser cumprida.

Fonte:
http://www.portrasdasletras.com.br

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Palavras e Expressões mais Usuais do Latim e de outras linguas) Letra C


cadunt altis de montibus umbrae
latim – As sombras caem dos altos dos montes; anoitece.

caetera desiderantur
latim – Faltam outras coisas. Deseja-se o restante.

calomniez, il en reste toujours quelque chose
fr – Caluniai, (da calúnia) fica sempre alguma coisa. Palavras que Beaumarchais em O Barbeiro de Sevilha coloca nos lábios de Basílio, personagem hipócrita.

camelotts du roi
fr – Camelôs do rei. Apelido dado aos agressivos e extremados partidários da realeza, em França.

camelus cupiens cornua aures perdidit
latim – O camelo desejando ter chifres perdeu as orelhas. Aplica-se ao ambicioso frustrado.

capitis diminutio
latim – Direito – Diminuição de capacidade. Empregada para designar a perda da autoridade.

cara deum soboles, magnum Jovis incrementum
latim – Geração querida dos deuses, nobre descendente de Júpiter. Anúncio que faz Virgílio (Écloga IV, 49) do nascimento de criança ilustre, hoje aplicado pelos bajuladores aos que nasceram em berço de ouro.

carpe diem
latim – Aproveita o dia. (Aviso para que não desperdicemos o tempo). Horácio dirigia este conselho aos epicuristas e gozadores.

carpent tua poma nepotes
latim – Os teus descendentes colherão os teus frutos. Não pensar unicamente em si e no presente pois o nosso trabalho aproveitará às gerações futuras (Virgílio, Écloga IX, 50).

castigat ridendo mores
latim – Corrige os costumes sorrindo. Princípio em que se fundamenta a comédia, criado por Jean de Santeuil.

casus belli
latim – Motivo de guerra. Incidente que pode levar duas ou mais nações a um conflito.

causa debendi
latim – Direito – Causa da dívida. Base de um compromisso ou obrigação.

causa mortis
latim – Direito – A causa da morte. 1 Diz-se da causa determinante da morte de alguém. 2 Imposto pago sobre a importância líquida da herança ou legado.

causa obligationis
latim – Direito – Causa da obrigação. Fundamento jurídico de uma obrigação.

causa petendi
latim – Direito – A causa de pedir. Fato que serve para fundamentar uma ação.

causa possessionis
latim -Direito – Causa da posse. Fundamento jurídico da posse.

causa traditionis
latim -Direito – Causa da entrega. Razão da tradição das coisas entre os interessados.

causa turpis
latim -Direito – Causa torpe. Causa obrigacional ilícita ou desonesta.

caveant consules ne quid respublica detrimenti capiat
latim – Que os cônsules se acautelem a fim de que a república não sofra nenhum dano. Palavras de advertência com que o Senado Romano investia os cônsules de poderes ditatoriais, durante as crises políticas.

cave canem
latim – Cuidado com o cão. Era costume, outrora, pintar um cão junto à porta da casa com os dizeres cave canem, a fim de que ninguém ousasse entrar temerariamente.

cave illius semper qui tibi imposuit semel
latim – Acautela-te para sempre daquele que te enganou uma vez. Quem faz um cesto faz um cento.

cave ne cadas
latim – Cuidado, não caias. Advertência que fazia um escravo ao triunfador romano, para que ele não se deixasse possuir de orgulho excessivo.

cedant arma togae
latim – Cedam as armas à toga. Cícero recomenda que as forças armadas se sujeitem às autoridades civis.

celebret
latim – Certificado de bispo católico romano, ou superior religioso, testemunhando que o portador é sacerdote, e pedindo que lhe seja permitido dizer missa em outras dioceses além da sua.

Ce que femme veut Dieu le veut
francês – O que a mulher deseja Deus o quer. Provérbio pelo qual se exprime a influência irresistível da mulher.

C’est un droit qu’ à la porte on achète en entrant
francês – É um direito que se compra ao entrar pela porta. Boileau defende (Arte Poética, III, 150) o direito de o espectador manifestar seu desagrado no teatro.

chassez le naturel, il revient au galop
francês – Expulsai a natureza, ela volta a galope. Inúteis os esforços que violentam demasiadamente a índole do indivíduo (Destouches).

cherchez la femme
francês – Procurai a mulher. Frase com que os criminalistas procuram demonstrar a presença da mulher nos crimes misteriosos.

cheto fuor, commodo dentro
italiano – Quieto por fora, agitado por dentro. Provérbio aplicado ao relógio e às pessoas muito reservadas e impassíveis.

chi dura vince
italiano – Quem persiste vence. Elogio da pertinácia na conquista de um ideal.

chi va piano va sano
italiano – Quem anda devagar vai sem perigo.

chi va sano va lontano
italiano – Quem vai com segurança vai longe.

citra petita
latim – Direito -Aquém do pedido. Diz-se do julgamento incompleto, que não resolve todas as questões da lide.

civis sum romanus
latim – Sou cidadão romano. Aplica-se àqueles que se envaidecem da própria origem.

claudite jam rivos, pueri; sat prata biberunt
latim – Fechai agora os riachos, meninos; os prados beberam bastante. Basta, chega, acabemos com isto.

coeli enarrant gloriam Dei
latim – Os céus narram a glória de Deus. Locução do Salmo XIX, 1, em que o salmista descreve a grandeza de Deus pela magnificência de suas obras.

coelo tonantem credidimus Jovem
latim – Acreditamos em Júpiter quando ele troveja no céu. Frase de Horácio (Odes, III, 5, 1). Só nos lembramos de Deus quando nos sentimos ameaçados.

coemptio
latim – Sociol Forma de casamento praticada na antiga Roma, dispensando-se assistência sacerdotal e consistindo numa venda simbólica da noiva ao noivo.

cogito, ergo sum
latim – Penso, logo existo. Princípio desenvolvido por Renato Descartes (1596-1650) quando abandonou os princípios tradicionais da filosofia do magister dixit, ou escolástica, para fundar o sistema conhecido como cartesianismo.

comme il faut
frances – Como convém; como deve ser.

compelle intrare
latim – Obriga-os a entrar. Expressão de Cristo (São Lucas, XIV, 23) referindo-se aos convidados para o festim. Aplica-se à insistência de alguém em procurar fazer outrem aceitar algo cujo valor desconhece.

compos sui
latim – Senhor de si; sem se perturbar.

compurgatio
latim -Direito e Sociologia – Instituição jurídica de defesa, observada em sociedades mais simples, em que o réu procura obter absolvição, arrolando certo número de testemunhas, que juram pela sua inocência.

concedo
latim – Concedo, estou de acordo. Palavra usada em Lógica: Ele é ladrão, concedo, mas hábil político.

conditio juris
latim -Direito – Condição de direito. Condição, circunstância ou formalidade indispensável para a validade de um ato jurídico.

conditio sine qua non
latim – Condição sem a qual não. Expressão empregada pelos teólogos para indicar circunstâncias absolutamente indispensáveis à validade ou existência de um sacramento, p. ex., a vontade expressa dos noivos para a validade do matrimônio.

conscientia fraudis
latim -Direito – Consciência da fraude.

conscientia sceleris
latim -Direito – Consciência do crime.

consensus omnium
latim – Assentimento de todos; opinião generalizada.

consuetudo consuetudine vincitur
latim – Um costume é vencido por outro costume. Princípio de Tomás de Kempis segundo o qual os maus hábitos podem ser eficazmente combatidos por outros que lhes sejam contrários.

consuetudo est altera natura
latim – O hábito é uma segunda natureza. Aforismo de Aristóteles.

consummatum est
latim – Tudo está consumado. Últimas palavras de Jesus ao morrer na cruz (João, XIX, 30).

contraria contrariis curantur
latim – Os contrários curam. Princípio da medicina alopata, oposto ao da homeopatia: similia similibus curantur.

conventio est lex
latim – Ajuste é lei, o que foi tratado deve ser cumprido: Cumprirei a cláusula, pois conventio est lex.

coram populo
latim – Diante do povo. Em público (Horácio, Arte Poética, 185).

corpus alienum
latim -Direito – Coisa estranha que não é objeto da lide.

corpus christi
latim – Corpo de Cristo. 1 A hóstia consagrada. 2 Festa litúrgica móvel, celebrada na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade. 3 A solenidade desta festa, também chamada Corpo de Deus.

corpus delicti
latim -Direito – Corpo de delito. 1 Objeto, instrumento ou sinal que prove a existência do delito. 2 Ato judicial feito pelas autoridades a fim de provar a existência de um crime e descobrir os responsáveis por ele.

corpus juris canonici
latim – Código do Direito Canônico. Conjunto de leis eclesiásticas codificadas por São Pio X e promulgadas pelo Papa Bento XV em 1917. O Concílio Vaticano II encarregou uma comissão de reformá-lo.

corpus juris civilis
latim -Direito – Corpo do Direito Civil. Denominação dada por Dionísio Godofredo ao conjunto das obras do Direito Romano formado pelas Institutas, Pandectas, Novellas e Código, organizado por ordem do imperador Justiniano.

coup de foudre
francês – Raio. Desgraça inesperada; amor à primeira vista.

coup de théatre
francês – Golpe teatral. Mudança repentina de situação, como no teatro.

credant posteri!
latim – Creiam os pósteros! Locução interjetiva empregada para afirmar um fato muito extraordinário.

credo Deum esse
latim – Creio que Deus existe.

credo quia absurdum
latim – Creio por ser absurdo. Expressão de Santo Agostinho para determinar o objeto material da fé constituído pelas verdades reveladas, que a razão humana não compreende.

cuilibet in arte sua perito est credendum
latim – Deve-se dar crédito a quem é perito em sua arte. Ouvir os especialistas na matéria.

cui prodest?
latim – Direito – A quem aproveita? Os criminalistas colocam entre os prováveis criminosos as pessoas a quem o delito podia beneficiar.

cuique suum
latim – A cada um o que é seu. Aforismo do Direito Romano e da justiça distributiva em que se baseia a propriedade privada.

cuivis dolori remedium est patientia
latim – A paciência é remédio para cada dor. Sofre-se menos quando se aceita a dor com resignação.

cujus regio, ejus religio
latim – 1 De tal região, (segue) a sua religião. Exprime a tendência do homem de aceitar a religião predominante em seu país. 2 A quem governa o país compete impor a religião. Princípio consagrado pela Paz de Augsburgo (1555).

cum bona gratia dimittere aliquem
latim – Despedir alguém com bons modos. Ser educado até para com os importunos.

cum brutis non est luctandum
latim – Não se deve lutar com os brutos. Não disputar com ignorantes e insolentes.

cum grano salis
latim – Com um grão de sal. Isto é brincadeira; não é verdade.

cum laude
latim – Com louvor. Graduação de aprovação, em algumas universidades equivalente a bom.

cum quibus
latim – Com os quais. Dinheiro: não ter cum quibus; não ter dinheiro.

cum re presente deliberare
latim – Deliberar com a coisa presente. De acordo com as circunstâncias.

cuncta supercilio moventis
latim – Movendo todas as coisas com o supercílio. Expressão de Horácio (Odes, III, 1) referindo-se a Júpiter que move o Universo com um franzir de sobrancelhas.

currente calamo
latim – Ao correr da pena. Escrever currente calamo: escrever com rapidez, sem se preocupar com o estilo.

curriculum vitae
latim – Percurso da vida. Conjunto de dados que abrangem o estado civil, instrução, preparo profissional e cargos anteriormente ocupados, por quem se candidata a emprego.

Fonte:
http://www.portrasdasletras.com.br

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Arquivado em Curiosidades de Nosso Brasil

Alvaro Mariel Posselt (O Haikai no Paraná)

[pesquisa de José Marins]

No Brasil, o haikai começou a ser difundido na primeira e na segunda décadas do século XX, a partir da imigração japonesa e de Afrânio Peixoto. No Paraná, segundo MARINS (2004), no ensaio ‘Helena Kolody, pioneira do haicai’, (2004), os primeiros intercâmbios aparecem no final da década de 30, através do contato entre Fanny Luíza Dupré e Helena Kolody (1912-2004), por meio de correspondências, indicações de leitura e até de uma possível visita de Fanny à Helena, conforme o registro de Dupré no haikai de Pétalas ao Vento, na página 89 (MARINS, 2004):

Pinheirais augustos.
Curitiba. Paraná…
Vestidos de verde.

Há ainda, na página 45, um haikai dedicado à Helena (MARINS, 2004):

Vastos pinheirais!
É clara noite de lua…
Mais abaixo, o mar!

Dupré, que era ligada ao seleto grupo dos iniciadores de haikai no Brasil, especialmente a Jorge Fonseca Júnior, também era amiga e orientadora de Helena e, por estes vínculos, transmitiu informações e esclarecimentos à amiga paranaense sobre o poema japonês. Não demorou muito para que Helena Kolody começasse a compor seus próprios haikais.

Com o lançamento de seu primeiro livro Paisagem Interior, em 1941, contendo três haikais, Helena passa a ser a pioneira do haikai no Paraná, assim como a primeira mulher a publicar haikais em livro no Brasil, fato que só acontecerá à Fanny em 1949.

Em 1945, Helena Kolody publica seu segundo livro, Música Submersa (MARINS, 2004). Entre os poemas, encontra-se o famoso haikai Pereira em flor (KAMITA, 2000):

De grinalda branca,
toda vestida de luar,
a pereira sonha .

Durante muito tempo, a relação entre Helena e o haikai ficou um pouco distante. Estreitou-se novamente quando conheceu Paulo Leminski (1944-1989), em meados da década de 60, como vizinhos do Edifício São Bernardo. O poeta curitibano elogiou os seus haikais e isso trouxe a ela um novo ânimo: “Só voltei ao haikai quando o Paulo Leminski descobriu-me como a primeira pessoa a fazer haikai no Paraná” (MARINS, 2004).

A partir de então, ambos vão trocar informações sobre o haikai. Leminski vai mais longe ainda, chegando até a aprender japonês para mergulhar no espírito da língua e na cultura oriental. Da troca de elogios entre eles, Helena diz que Leminski é “o verdadeiro haicaísta”, “seus haikais foram tão autênticos”, e Paulo retribui, “Padroeira da poesia”, “Santa Helena Kolody”. A respeito de livro Sempre Palavra, Leminski disse, “inclui uns quarenta pequenos poemas. Mas tem luz bastante para iluminar esta cidade por todo um ano“, “Nossa padroeira é a poeta mais moderna de Curitiba” e “Tem certas manhãs azuis em Curitiba, mas tão azuis, tão azuis, que eu tenho certeza: Helena Kolody acordou cedo e olha por todos nós” (MARINS, 2004). É deste livro o haikai Gestação (MARINS, 2004):

Do longo sono secreto
na entranha escura da terra,
o carbono acorda diamante.

Helena se tornou um mito, dentre antologias, trilogias, poesias completas e escolhidas, tem mais de vinte livros publicados. Sua obra foi objeto de estudo em várias teses de mestrado. Recebeu da Comunidade Nipo-Brasileira de Curitiba a Outorga de nome haicaísta Reika. Foi homenageada pela Feira do Poeta de Curitiba e recebeu o título de Cidadã Honorária de Curitiba e de Doutora Honoris Causa, pela Universidade Federal do Paraná. Tornou-se patronesse das cadeiras do Centro Paranaense Feminino de Cultura e foi eleita para a Academia Paranaense de Letras. Entre tantas outras homenagens, participou de um filme dirigido pelo cineasta Sylvio Back, A Babel de luz, em homenagem aos 80 anos da poetiza, que ganhou o prêmio de melhor curta e melhor montagem no 25º. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (MARINS, 2004).
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Conforme a pesquisa ainda inédita “A História do Haicai no Paraná”, realizada por José Marins (MARINS, 2007), existem, no Paraná, mais de cento e quarenta autores de haikais e cinco tendências ou vertentes. Para ele, é difícil aceitar algumas produções como poemas do tipo haikai, pois acha que há um grande equívoco sobre o conceito de haikai para alguns autores. Nem todo terceto é um haikai. Alguns escritores escrevem apenas tercetos que denominam de haikai, permanecendo o equívoco literário.

Há várias características para que um terceto se torne um haikai, o que chamamos neste trabalho de haikai clássico no Brasil. Por causa da conversão cultural, da interpretação e da tradução, o haiku perde um pouco de suas propriedades, mas a sua essência é mantida no haikai, e como já dissemos, a língua portuguesa foi contemplada graças a Goga.

As vertentes constatadas por MARINS (2007) são as seguintes:

1) Japonesa: ocorre dentro da colônia nipônica, onde a produção do haikai é feita em língua japonesa.

Seus principais representantes são os seguidores de Nenpuko Sato, principalmente no norte do Paraná.

2) Kolodyana: as características desta vertente consagrada por Helena Kolody são:
• Usam títulos;
• Às vezes usam rimas;
• Às vezes usam a métrica;
• Personificam os seres da natureza;
• Muitos de seus haikais são em uma frase só (em uma parte);
• Usam uma linguagem muito poética.

Os poetas que se destacam são Helena Kolody, Delores Pires, Diva Ferreira Gomes e João Manuel Simões.

3) Guilhermina:
• Usam rimas no primeiro verso com o terceiro e no segundo verso, rimam a segunda sílaba com a sétima;
• Usam títulos.

Duas poetizas se destacam nessa linha: Leonilda Hilgenberg Justus e Shirley Queiroz.

4) Haikai livre:
• Não usam a métrica;
• Às vezes usam a rima;
• Quase não usam o kigo;
• Usam a ironia e o senso de humor;
• Deve haver o haimi (o sabor, cheiro, toque ou imagem de um haikai);
• Deve haver o ponto e contraponto, o permanente e o provisório unidos no mesmo poema.

Dessa vertente, os nomes principais são: Paulo Leminski, Alice Ruiz, Domingos Pelegrini, José Marins e Eduardo Hoffman.

5) Haikai clássico.

Nessa forma, os poetas que mais se destacam são: Delores Pires, José Marins, Sérgio Francisco Pichorim e Neide Rocha Portugal.

Fontes:
POSSELT, Alvaro Mariel. O Haikai em Sala de Aula. TCC. Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná. junho de 2007. In
http://www.autores.com.br/
Fotomontagem: José Feldman

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Cidade de Sorocaba – 354 anos

Em Homenagem aos 354 anos de Sorocaba (SP), contamos a sua história.

Fundação 15 de agosto de 1654

Sorocaba é um município brasileiro do estado de São Paulo. Localiza-se a 23º30’06” de latitude sul e 47º27’29” de longitude oeste, a uma altitude de 601 metros. Possui uma área de 456,0 km², sendo 249,2 km² de área urbana e 206,8 km² de área rural. Sua população estimada em 2007 é de 559.157 habitantes.

É o terceiro município mais populoso do interior paulista e o quarto mercado consumidor do estado fora da região metropolitana da capital, com um potencial de consumo per capita anual estimado em 2,4 mil dólares para a população urbana e 917 dólares para a rural (7,2 mil pessoas), e a vigésima nona cidade brasileira com maior potencial de consumo.

História

Sorocaba pré-histórica

As bases físicas sobre as quais se encontra o município começaram a ganhar forma há milhões de anos, com a definição geológica da bacia do rio Sorocaba, na chamada depressão periférica. Nela desponta como destaque o morro do Araçoiaba, pólo magnético regional, cercado pelas milenares trilhas indígenas do Peabiru, o caminho transul-americano, que ligava os oceanos Atlântico e Pacífico. Ao longo dele, os primeiros habitantes da região, os indígenas ainda na fase do nomadismo, construíram suas aldeias.

Às margens do rio Sorocaba habitavam os tupiniquins, do grupo tupi. Documentos residuais são encontrados acidentalmente, de tempos em tempos, sob a forma de urnas funerárias e objetos de pedra lascada e polida. Os incas e os índios brasileiros praticavam o comércio entre si, realizando-se as trocas entre grupos das mais diferentes regiões.

Durante escavações efetuadas para a instalação do sistema de esgoto em fevereiro de 2006 encontraram-se pedaços de cerâmica rústica a cerca de dez quilômetros do centro da cidade, no bairro Brigadeiro Tobias.

A Árvore Grande

Na época do desbravamento do Brasil, existia na região apenas uma encruzilhada destacada por uma frondosa paineira, que ainda hoje encontra-se no bairro batizado como Árvore Grande. Encontravam-se ali: índios, sertanistas, tropeiros e bandeirantes em viagem para descanso e comercialização.

O pelourinho

Os Bandeirantes passavam por esta região quando iam para Minas Gerais e Mato Grosso a procura de ouro, prata e ferro. Em 1589 o português Afonso Sardinha esteve no morro de Araçoiaba, à procura do ouro mas não encontrou, encontrando minério de ferro. No local, neste ano, Afonso Sardinha construiu a primeira casa da região, que deu origem à fundação da Vila de Nossa Senhora da Ponte de Monte Serrate, mudando-se para a Vila de São Filipe no Itavuvu em 1611.

Por ordem do então governador-geral do Brasil (período entre 1591 e 1602), Dom Francisco de Sousa, foi inaugurado o pelourinho (símbolo do poder real) na Vila de Nossa Senhora da Ponte de Monte Serrate no morro de Araçoiaba em 1599.

Terra rasgada

Após o retorno de D Francisco à corte, o capitão Baltasar Fernandes instalou-se na região em 1654 com a família e escravaria vindos de Santana de Parnaíba nas terras que recebeu do rei de Portugal. Fundou então, a 15 de agosto de 1654, um povoado com o nome de Sorocaba.

Sorocaba vem do tupi “soroc” (rasgar) e “aba”, morfema nominalizador. Assim, Sorocaba significa “rasgão” ou “terra rasgada”. A palavra tupi entra também em Vossoroca, bairro de Votorantim.

Para incentivar o povoamento, Baltasar Fernandes doou terras aos beneditinos de Parnaíba para que estes construíssem um convento e uma escola, para funcionarem como um centro gerador de cultura.

O povoado foi elevado a município no dia 3 de março de 1661, passando a chamar-se Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba e na ocasião, foi instalada a primeira Câmara Municipal.

Até então, a principal fonte de renda era o comércio de índios como escravos. A partir do século XVII, foi gradativamente substituída pelo comércio de mulas.

O ciclo do tropeirismo e a feira de muares

O coronel Cristóvão Pereira de Abreu, um dos fundadores do estado do Rio Grande do Sul, conduziu pelas ruas do povoado a primeira tropa de muares no ano de 1733, inaugurando o ciclo do tropeirismo.

Sorocaba tornou-se um marco obrigatório para os tropeiros devido a sua posição estratégica, eixo econômico entre as regiões Norte, Nordeste e Sul. Com o fluxo de tropeiros, o povoado ganhou uma feira onde os brasileiros de todos os Estados reuniam-se para comercializar animais, a Feira de Muares.

Este fluxo intenso de pessoas e riquezas promoveu o desenvolvimento do comércio e das indústrias caseiras, baseadas na confecção de facas, facões, redes de pesca, doces e objetos de couro para a montaria.

Sorocaba pertenceu à comarca de Itu desde 1811 até a criação da comarca de Sorocaba em 30 de março de 1871.

A diocese foi criada em 1924 e suas atividades começaram em 1925.

A Estrada de Ferro Sorocabana

Com a inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) em 1875, indústrias têxteis de origem inglesa instalaram-se na cidade, tornando-a conhecida como a Manchester Paulista. Posteriormente, com a decadência a atividade têxtil na cidade, foi necessária a instalação de outros tipos de indústrias. A partir da década de 1970 o parque industrial foi diversificado.

A industrialização

O declínio da indústria têxtil fez com que a cidade buscasse novos caminhos e, a partir da década de 1970, diversificou o seu parque industrial, hoje com mais de 1.450 empresas, entre elas algumas principais do país. O parque industrial de Sorocaba possui excelente infraestrutura de estradas, transportes públicos, rede de energia elétrica, telecomunicações, disposição de lixo, água potável, com mais de 25 milhões de metros quadrados para cerca de 1500 indústrias. As principais atividades econômicas são: indústrias de máquinas, siderurgia e metalurgia pesada, autopeças, indústrias têxteis, equipamentos agrícolas, químicas, petroquímicas farmacêuticas, papel e celulose, produção de cimento, energia eólica, eletrônica, ferramentas, telecomunicações entre outras e se tornou uma cidade maravilhosa, ostentando uma situação econômica muito boa.
Dentre as maiores cidades do Brasil (em população), Sorocaba está em 29º lugar.
Já dentre as maiores cidades de São Paulo (em população), Sorocaba está em oitavo lugar, perdendo apenas para São Paulo (10.886.518), Guarulhos (1.236.192), Campinas (1.039.297), São Bernardo do Campo (781.390), Osasco (701.012), Santo André (667.891), São José dos Campos (615.948).

Bandeira de Sorocaba

Bandeira de Sorocaba, em forma retangular, é dividida por uma diagonal no seu canto superior esquerdo ao canto inferior direito, sendo o campo superior em amarelo-ouro, significa riqueza, a força e a fé inquebrantável dos sorocabanos de todos os tempos, bem como a pureza e a constância que temos no trabalho construtivo, em todos os setores da atividade humana.

O campo inferior, em vermelho, simboliza o valor e a intrepidez das muitas bandeiras sorocabanas que daqui se foram, com ânimo valoroso e espírito decidido, em procura de glórias, alargando os horizontes da Pátria, plantando cidades, semeando o progresso. As duas faces da Bandeira devem ser exatamente iguais, sendo vedado fazer uma face como avesso da outra.

O Brasão da Cidade, ao centro, simboliza todos os aspectos e feitos históricos de Sorocaba nele invocados, como a coroa mural, onde uma flor de lírio sobre a porta principal relembra que Sorocaba foi fundada sob a invocação de Nossa Senhora da Ponte; a panóplia bandeirante, constituída por gibão de armas, um arcabuz e um machado, relembra o papel notável dos grandes bandeirantes sorocabanos, como Paschoal Moreira Cabral, Fernão Dias Falcão, os irmãos Paes de Barros, Miguel Sutil e outros; os cavalos heráldicos relembram as feiras de muares que foram notáveis; a montanha recorda o Araçoiaba, de papel importante na história da mineração brasileira; o listão, onde está a divisa “PRO UNA LIBERA PATRIA PUGNAVI” (Pugnei pela Pátria Una e Livre), é alusão ao preponderante papel de Sorocaba com as feiras de muares, na manutenção da unidade nacional e a revolução liberal de 1842; a roda dentada localizada sobre o listão, recorda a importância da grande indústria sorocabana.
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Brasão de Sorocaba
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Na parte superior do escudo bi-partido, a panóplia composta do gibão de armas, do arcabuz e do machado pintados ao natural sobre fundo de vermelho (ou goles), relembram os grandes bandeirantes sorocabanos Paschoal Moreira Cabral, Fernão Dias Falcão, os irmãos Paes de Barros e tantos mais.

A parte inferior relembra a primitiva mineração do ferro, a primeira que se realizou no Brasil, nos arredores de Sorocaba, no morro do Araçoiaba – uma montanha negra (ou sable) sobre fundo de ouro. Os suportes do escudo, os dois unicórnios que são os cavalos heráldicos, recordam as feiras de muares (1733 – 1897) que tão notável papel representaram para a conservação da unidade nacional no sul do Brasil.

O pequeno escudo com a flor de lírio sobre a porta principal da coroa mural, lembra que a cidade tem por orago Nossa Senhora da Ponte. A divisa “Pro Una Libera Patria Pugnavi” ou “Pugnei pela Pátria Una e Livre” recorda o papel de Sorocaba pelas feiras de muares e ainda a parte que tomou nos acontecimentos da independência, como a criação do Batalhão de Sorocabanos, e outros fatos relativos ao pendor de Sorocaba pela implantação da liberdade no Brasil. A roda dentada estampada no listão, lembra a notável preeminência obtida em nossos dias pela indústria sorocabana.

HINO DE SOROCABA

O canto como forma de exteriorização de sentimentos, sempre levou os poetas a exalar, em seus versos, os valores e a grandeza de sua terra. Confirmando a importância de um Hino Oficial de Sorocaba, o saudoso Prefeito Dr. Armando Pannunzio, autor do Decreto que o instituiu, assim expressou: “Dotar o Município de um Hino Oficial é tão importante como conferir-lhe um brasão de armas ou de uma bandeira”.

Até então, 03 de agosto de 1975, Sorocaba não possuía um Hino Oficial, apesar de algumas tentativas nesse sentido.

A partir daí, até hoje, transcorreu toda a História do Hino.

Exatamente naquele dia, 03/08/1975, após convite formulado pelo então Prefeito Dr. Armando Pannunzio, o ilustre Prof. Benedito Cleto apresentou uma “sugestão de letra”, a qual foi recebida com gratidão e aplausos. O Prof. Benedito Cleto, por sua vez, solicitou à Profa. Ruth Camargo Fernandes que compusesse a música para sua poesia, o que foi feito. Com apenas doze dias de letra e música compostos, o Hino foi cantado pela primeira vez no dia 15 de agosto de 1975, defronte ao busto de Baltasar Fernandes, pelas crianças do Insitituto Matheus Maylasky, onde lecionava a autora da música, que o regeu. O mesmo ocorreu pela segunda vez, em 15 de agosto de 1976, naquele local.

Ao contrário do que se possa pensar, o “Hino de Sorocaba”, antes de oficializado foi cantado inúmeras vezes, sob regência da Profa. Ruth Camargo Fernandes, no “I.E.M.M.”, com seu Coral Infantil, Normalistas da Escola Municipal de 1º e 2º graus “Dr. Getúlio Vargas”, Escola Industrial “Dr. Fernando Prestes” e várias escolas estaduais, não só sob sua reg6encia como também de muitas outras, destacando-se a Maestrina Martha Faustini Egg e Professoras Rosemary de Melo M. Pereira e Benedita Figueiredo, as duas últimas de saudosa memória, prestando inesquecível colaboração como forma de divulgação do mesmo.

Enquanto as apresentações do Hino eram feitas até 1976, aguardava-se pela sua oficialização, que foi objeto do Decreto nº. 2.823, de 31 de dezembro de 1976, pelo então Prefeito Dr. Armando Pannunzio.

A partir de 1978, passou a ser cantado também pelo Coral “Prof. Norberto Amaral Bastos”, organizado naquele ano pela Profa. Ruth Camargo Fernandes, Este Coral sempre levou o Hino à comemorações especiais e festivas da cidade; Corporações Musicais do 7º B.C. e Carlos Gomes, executaram o Hino. O maestro Américo Mincarelli, da Polícia Militar do Estado de São Paulo é o autor do arranjo para Banda e Maestro José Carlos Siqueira autor do arranjo para Orquestra.

Em 1990 era fundado o Coral Telesp de Sorocaba e sua Regente fundadora, Ruth Camargo Fernades, também cantou até outubro de 1997, o Hino Oficial de Sorocaba. A partir dessa data e até o presente momento, esse mesmo Coral, com os mesmos elementos, acrescidos de outros e com a mesma Regente, agora sob a denominação de Coral “Art Vocal”, continua entoando em várias ocasiões e momentos importantes o Hino Oficial de Sorocaba.

Sempre com o apoio de todos os Prefeitos, da Câmara Municipal, de Entidades Culturais, o Hino continua a ser cantado e tocado, principalmente pela Banda do 7º Batalhão da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Letra do Hino de Sorocaba
Letra: Benedito Cleto
Música: Ruth Camargo Fernandes

I
Saudamos-te, querida Sorocaba,
Com muito júbilo e acendrado amor;
desde a selva selvagem, o índio e a taba,
teus feitos cantaremos teu valor.
Às fraldas norte da Paranapiacaba,
tu te elevas Rainha d’esplendor,
e ao pé do morro d’Ouro, o Araçoiaba,
és pioneira paulista do interior.

Ó’ Sorocaba, cantamos triunfantes,
bravos, heróis, cantamos teus pioneiros;
Cidade, és filha e mãe de bandeirantes,
com muito orgulho, a “Terra dos Tropeiros”.
Tu és, ó Sorocaba, uma das molas
deste grande São Paulo glorioso,
cidade do Trabalho e das Escolas,
dos Liberais de brio belicoso.
Com teus arranha-céus, ao alto evolas
todo o ideal de um povo laborioso,
e o potencial fabril que hoje controlas
é o signo de um Brasil mais poderoso.
II

Tu, Sorocaba, marchas, “pari-passu”
com tuas irmãs, ao lado das primeiras,
Marchas tu com São Paulo no compasso,
Já desde os áureos tempos das bandeiras.
Foste terra de peões, campeões do laço;
Com suas tropas, com suas famosas feiras;
hoje és comércio, indústria, torres de aço,
Tudo é teu sangue, nas veias brasileiras.

Ó’ Sorocaba, cantamos triunfantes,
bravos heróis, cantamos teus pioneiros;
Cidade, és filha e mãe de bendeirantes,
com muito orgulho, a “Terra dos Tropeiros”.
Pela alvorada, a orquestra dos apitos,
O operário marcha ao seu mister fabril
e os homens da palavra e dos escritos,
da ciências, em teu progresso atuantes mil;
às escolas a colher frutos benditos,
a juventude marcha varonil,
O Saber e Labor marcham contritos,
em prece a Deus, pela Pátria – Brasil.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/
http://br.geocities.com/josemariomattos/sorocaba04.htm
http://www.vivacidade.com.br/ (imagens)
http://www.panoramio.com/ (imagem)

Fotomontagem dos 354 anos de Sorocaba: José Feldman

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Curiosidades de Nossos Escritores

Aluísio de Azevedo
Aluísio de Azevedo tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto escrevia.

Carlos Drummond de Andrade
Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros. Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou. Tinha a mania de picotar papel e tecidos. “Se não fizer isso, saio matando gente pela rua”. Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto. “Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado. Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha.”

Cecília Meireles
Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o “furo”: Fernando Pessoa tinha lido seu horóspoco pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.

Euclides da Cunha
Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo, SP. A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.

Gilberto Freyre
Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena, como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.

Graciliano Ramos
Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica.

Guimarães Rosa
Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. “Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue”, conta Agnes, a filha mais nova.

Jorge Amado
Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. “Por quê?”, perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: “O motivo é simples: nós somos amantes.” Ficou todo mundo de boca aberta. O clima ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal disse: “Muito prazer, encantado.” Era piada. Os dois nem se conheciam até então.

José Lins do Rego
José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato Sul-Americano, em 1953.

Machado de Assis
Machado de Assis era miope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia Memórias Póstumas de Brás Cubas, foi acometido por uma de suas piores crises intestinais, com complicações para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a esposa, Carolina.

Manuel Bandeira
Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: “O senhor gosta de Camões?” Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história para impressionar os amigos.

Nélida Pinõn
a Academia Brasileira de Letras foi a primeira academia no mundo a eleger uma mulher para a presidência, a escritora Nélida Pinõn, que assumiu o cargo em 1995.

Olavo Bilac
O nome Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, quando dividido em sílabas poéticas se torna um perfeito verso Alexandrino, este que é composto por doze sílabas.

Em geral, o verso mais longo, em estrofes isométricas. Presente em poesias extremamente trabalhadas gramática e foneticamente, como as parnasianas.

O_la_vo Brás Mar_tins dos Gui_ma_rães Bi_lac

Pedro Nava
O escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim que ninguém o tirasse do lugar.

Rachel de Queiroz
A Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897, só admitiu a primeira mulher em seus quadros 70 anos depois. A pioneira foi a escritora cearense Rachel de Queiroz.

Fonte:
http://www.amigosdolivro.com.br

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Concurso de Trovas de Maranguape / CE 2008

UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES
SEÇÃO DE MARANGUAPE – CEARÁ
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ÂMBITO MUNICIPAL

TEMA: “Amizade” (Trova lírica ou filosófica)

VENCEDORES (1º ao 3º lugares):
1º. João Osvaldo Soares – Maranguape/CE
2º. João Osvaldo Soares – Maranguape/CE
3º. José Aureilson Cordeiro de Abreu – Maranguape/CE

MENÇÕES HONROSAS (4º ao 6º lugares):
4º. Daniele Costa de Holanda – Maranguape/CE
5º. Haroldo César Beserra Paula – Maranguape/CE
6º. Maria Ruth Bastos de Abreu Brandão – Maranguape/CE

MENÇÕES ESPECIAIS (7º ao 9º lugares):
7º. Raimundo Rodrigues de Araújo – Maranguape/CE
8º. Daniele Costa de Holanda – Maranguape/CE
9º. Antônio Francisco de Andrade – Maranguape/CE

DESTAQUES (10º ao 12º lugares):
10º. José Aureilson Cordeiro de Abreu – Maranguape/CE
11º. Lúcia de Fátima Mapurunga Batista – Maranguape/CE
12º. Luiz Carlos de Abreu Brandão – Maranguape/CE

TEMA: “Risada” (Trova Humorística)

VENCEDORES (1º ao 3º lugares):
1º. João Osvaldo Soares – Maranguape/CE
2º. Olga Rosália Silva Pedrosa – Maranguape/CE
3º. Maria Leda Pereira da Silva – Maranguape/CE

MENÇÕES HONROSAS (4º ao 6º lugares):
4º. Maria Glice Sales Alcântara- ACLA-Maranguape/CE
5º. Maria Ruth Bastos de Abreu Brandão – Maranguape/CE
6º. Olga Rosália Silva Pedrosa – UBT-Maranguape/CE

MENÇÕES ESPECIAIS (7º ao 9º lugares):
7º. Luiz Carlos de Abreu Brandão – UBT-Maranguape/CE
8º. Lúcia de Fátima Mapurunga Batista – UBT-Maranguape/CE
9º. Raimundo Rodrigues de Araújo – UBT-Maranguape/CE

DESTAQUES (10º ao 12º lugares):
10º. Raimundo Rodrigues de Araújo – UBT-Maranguape/CE
11º. Daniele Costa de Holanda – UBT-Maranguape/CE
12º. José Aureilson Cordeiro de Abreu – UBT-Maranguape/CE
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ÂMBITO ESTADUAL

TEMA: “Saudade” (Trova lírica ou filosófica)

VENCEDORES (1º ao 3º lugares):
1º. Lugar: Deusdedit Rocha – Fortaleza/CE
2º. Francisco José Pessoa de Andrade Reis – Fortaleza/CE
3º. Francisco José Pessoa de Andrade Reis – Fortaleza/CE

MENÇÕES HONROSAS (4º ao 6º lugares):
4º. Ana Maria do Nascimento – Aracoiaba/CE
5º. Maria Glice Sales Alcântara – ACLA-Maranguape/CE
6º. Deusdedit Rocha – Fortaleza/CE

MENÇÕES ESPECIAIS (7º ao 9º lugares):
7º. Haroldo Lyra – Fortaleza/CE
8º. Hortêncio Pessoa – Fortaleza/CE
9º. João Osvaldo Soares (Vaval) – UBT-Maranguape/CE

DESTAQUES (10º ao 12º lugares):
10º. Ramos Pontes – UBT-Maranguape/CE
11º. Francinete Azevedo – Fortaleza/CE
12º. João Osvaldo Soares (Vaval) – UBT-Maranguape/CE

TEMA: “Palhaço” (Trova Humorística)

VENCEDORES (1º ao 3º lugares):
1º. Francisco José Pessoa de Andrade Reis – Fortaleza/CE
2º. Hortêncio Sales Pessoa – Fortaleza/CE
3º. Raimundo Rodrigues de Araújo – UBT-Maranguape/CE

MENÇÕES HONROSAS (4º ao 6º lugares):
4º. Maria Glice Sales Alcântara – ACLA- Maranguape/CE
5º. Francisco José Pessoa de Andrade Reis – Fortaleza/CE
6º. Hortêncio Sales Pessoa – Fortaleza/CE

MENÇÕES ESPECIAIS (7º ao 9º lugares):
7º. Daniele Costa de Holanda – UBT-Maranguape/CE
8º. Deusdedit Rocha – Fortaleza/CE
9º. Maria Ruth Bastos de Abreu Brandão – UBT-Maranguape/CE

DESTAQUES (10º ao 12º lugares):
10º. Raimundo Rodrigues de Araújo – UBT-Maranguape/CE
11º. Ramos Pontes – UBT-Maranguape/CE
12º. Luiz Carlos de Abreu Brandão – UBT-Maranguape/CE
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ÂMBITO NACIONAL/INTERNACIONAL

TEMA: “Paz” (Trova Lírica/filosófica)

VENCEDORES (1º ao 3º lugares):
1º. Wanda de Paula Mourthé – Belo Horizonte/MG
2º. Zeni de Barros Lana – Belo Horizonte/MG
3º. Amael Tavares da Silva – Juiz de Fora/MG

MENÇÕES HONROSAS (4º ao 6º lugares):
4º. Analice Feitoza de Lima – São Paulo/SP
5º. Therezinha Diegue Brisolla – São Paulo/SP
6º. Campos Sales – São Paulo/SP

MENÇÕES ESPECIAIS (7º ao 9º lugares):
7º. Antônio Augusto de Assis – Maringá/PR
8º. Domitilla Borges Beltrame – São Paulo/SP
9º. Milton Nunes Loureiro – Niterói/RJ

DESTAQUES (10º ao 12º lugares):
10º. Thereza Myrtes Mazza Masiero – São José dos Campos/SP
11º. Jaime Pina Silveira – São Paulo/SP
12º. Pedro Viana Filho – Volta Redonda/RJ

TEMA: “Boca” (Trova Humorística)

VENCEDORES (1º ao 3º lugares):
1º. Doralice Gomes da Rosa – Porto Alegre/RS
2º. Elen de Novais Felix – Niterói/RJ
3º. Izo Goldman – São Paulo/SP

MENÇÕES HONROSAS (4º ao 6º lugares):
4º. Renato Alves – Rio de Janeiro/RJ
5º. Jaime Pina Silveira – São Paulo/SP
6º. João Paulo Ouverney – Pindamonhangaba/SP

MENÇÕES ESPECIAIS (7º ao 9º lugares):
7º. Antônio Colavite Filho – Santo André/SP
8º. Newton Vieira – Curvelo/MG
9º. Analice Feitoza de Lima – São Paulo/SP

DESTAQUES (10º ao 12º lugares):
10º. Arlindo Tadeu Hagen – Belo Horizonte / MG
11º. José Ouverney – Pindamonhangaba/SP
12º. Ademar Macedo – Natal/RN
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Maranguape

Originalmente terra dos potiguaras, Maranguape viu o branco chegar em 1649 e dominar sua verdejante terra durante cinco anos, quando foi expulso do Brasil. Para a Coroa Portuguesa, aquele pedaço de Brasil não devia parecer interessante o suficiente para ser imediatamente ocupado, pois somente nos primeiros anos do século XVIII iniciou as concessões de sesmarias.

O processo definitivo de povoamento das terras de Maranguape somente ocorreu no despertar do século XIX, com a chegada do português Joaquim Lopes de Abreu. Com Abreu nasceu o núcleo original da atual cidade de Maranguape, um arruado à margem esquerda do riacho Pirapora, ao lado de uma capelinha a Nossa Senhora da Penha, erguida pelo colonizador lusitano. O aglomerado recebeu o nome de Alto da Vila, hoje denominado Outra Banda, para em 1760 ser rebatizado como Maranguape.

Na serra, o português espalhou o café com resultados excelentes, tanto que a produção do fruto no Ceará, meio século depois, era quase toda originária da serra e ainda era exportada. Frutas se agregaram à cultura do café, a localidade cresceu e foi elevada à condição de distrito do Município de Fortaleza. Em ruínas, a capela foi substituída por outra, erguida no lado oposto, à direita do Riacho Pirapora, consolidando-se ali o núcleo central de Maranguape, elevado à categoria de Vila em 17 de novembro de 1851.

Em 1869 Maranguape ganhou o status de Cidade, emancipando-se. Município da Região Metropolitana de Fortaleza, Maranguape tem 646,60 km2, o que corresponde a 0.46% do território cearense, distante 20 Km de Fortaleza. A rodovia de acesso é a CE 065 e os limites ao Norte, Caucaia e Maracanaú; ao Sul, Caridade e Palmácia; a Leste, Maracanaú, Guaiúba e Pacatuba e a Oeste com Pentecoste.

Maranguape está situada no Nordeste do Estado do Ceará, no sopé da serra de Maranguape, a 30 km distante de Fortaleza.

Área: 654,8 km²
Latitude: 3°53’27
Longitude: 38º41’08”
População: 98.429 habitantes
Distritos
Maranguape, Amanari, Tanques, Cachoeira, Ladeira Grande, Lagoa do Juvenal, Papara, Manoel Guedes, Penedo, Itapebussu, Sapupara, Jubaia, Antônio Marques, Vertentes do Lajedo, Umarizeiras, Lages e São João do Amanari.
Clima: Tropical Quente Úmido
Período chuvoso: Janeiro a Maio
Atividades econômicas: Na serra, portugueses espalharam o café com resultados excelentes, tanto que a produção do fruto no Ceará, era quase toda originária da serra e ainda era exportada. Frutas se agregaram à cultura do café, a localidade cresceu e foi elevada à condição de distrito do Município de Fortaleza.
Serras: Maranguape , Lajedo, Aratanha, e Pelada.

Pontos Turísticos: Pico da Rajada, Pico da Pedra Branca, Cume do Lajedo, Mirantes nas serras, nascentes de água cristalina, cachoeiras, rios e riachos.

Manifestações culturais
Maranguape tem uma grande tradição nas expressões artísticas e culturais. Berço de artesãos e bordadeiras. O Richilieu é sua maior representação.Ceramistas, escultores e artistas plásticos fazem o melhor da arte. Entre os eventos podemos citar os festejos juninos com apresentações de quadrilhas, quermesses, barracas com comidas típicas e as tradicionais festas de padroeiros, que ocorre nos 17 distritos durante o ano. Há de se destacar a Vaquejada de Itabebussu, uma das mais tradicionais do Ceará, conhecida mundialmente, que ocorre no Parque Novilha de Prata, localizado no distrito de Itapebussu, a 40 Km da sede do Município.

Fontes:
– Colaboração de A. A. de Assis
http://www.brasilcidadao.org.br/
– Prefeitura Municipal de Maranguape.
http://www.maranguape.ce.gov.br/

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Expressões Populares – De onde sai isso?

A CARNE É FRACA:
Trecho retirado da bíblia – “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt. 26:41).

VOTO DE MINERVA:
Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

CASA DA MÃE JOANA:
Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a minoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase “casa da mãe Joana” ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.

VÁ SE QUEIXAR AO BISPO:
Durante o Brasil Colônia, a fertilidade de uma mulher era atributo fundamental para o casamento, afinal, a ordem era povoar as novas terras conquistadas. A Igreja permitia que, antes do casamento, os noivos mantivessem relações sexuais, única maneira de o rapaz descobrir se a moça era fértil. E adivinha o que acontecia na maioria das vezes? O noivo fugia depois da relação para não ter que se casar. A mocinha, desolada, ia se queixar ao bispo, que mandava homens para capturar o tal espertinho.

CONTO DO VIGÁRIO:
Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro. O negócio era o seguinte: colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burro. Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.

FICAR A VER NAVIOS:
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.

NÃO ENTENDO PATAVINAS:
Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.

DOURAR A PÍLULA:
Antigamente as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar o aspecto do remedinho amargo. A expressão dourar a pílula, significa melhorar a aparência de algo.

CHEGAR DE MÃOS ABANANDO:
Há muito tempo, aqui no Brasil, era comum exigir que os imigrantes que chegassem para trabalhar nas terras trouxessem suas próprias ferramentas.
Caso viessem de mãos vazias, era sinal de que não estavam dispostos ao trabalho. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada.

SEM EIRA NEM BEIRA:
Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Não ter eira nem beira significa que a pessoa é pobre, está sem grana.

ABRAÇO DE TAMANDUÁ:
Para capturar sua presa, o tamanduá se deita de barriga para cima e abraça seu inimigo. O desafeto é então esmagado pela força. Abraço de tamanduá é sinônimo de deslealdade, traição.

O CANTO DO CISNE:
Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. A expressão canto do cisne representa as últimas realizações de alguém.

ESTÔMAGO DE AVESTRUZ:
Define aquele que come de tudo. O estômago da avestruz é dotado de um suco gástrico capaz de dissolver até metais.

LÁGRIMAS DE CROCODILO:
É uma expressão usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.

MEMÓRIA DE ELEFANTE:
O elefante lembra de tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atrações do circo. Diz-se que as pessoas que se recordam de tudo tem memória de elefante.

OLHOS DE LINCE:
Ter olhos de lince significa enxergar longe, uma vez que esses bichos têm a visão apuradíssima. Os antigos acreditavam que o lince podia ver através das paredes.

FEITO NAS COXAS:
As primeiras telhas dos telhados nas casas aqui no Brasil eram feitas de Argila, que eram moldadas nas coxas dos escravos que vieram da África. Como os escravos variavam de tamanho e porte físico, as telhas ficavam todas desiguais devido aos diferentes tipos de coxas. Daí a expressão: fazendo nas coxas, ou seja, de qualquer jeito.

MARIA VAI COM AS OUTRAS
A expressão teve origem em Portugal. Dona Maria I, mãe de D. João VI (avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro. Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. Passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via sua rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar; “Lá vai D. Maria com as outras”.

BAFO DE ONÇA:
A onça é animal carnívoro e se lambuza na hora de comer a caça, por isso fede muito e sua presença é detectada à distância na mata.

SAIR À FRANCESA
Na França, no século 18, quem, pretendendo abandonar uma sala repleta de gente, fosse despedir-se dos convivas cometia um ato importuno, ao incomodar pessoas embrenhadas em conversas, passatempos, jogos ou amores agradáveis. Daí que se “saísse à francesa”, isto é, sem cerimônia, sem aviso prévio, sem dar conhecimento a ninguém. O costume generalizou-se por toda à parte, até que, mais tarde, veio a adquirir um sentido oposto, ou seja, de descortesia e falta de educação “.

DOR-DE-COTOVELO:
– Essa tristeza toda só pode ser dor-de-cotovelo.
A expressão “dor-de-cotovelo”, usada para se referir a alguém que sofreu uma decepção amorosa, causando tristeza ou ciúmes, tem sua origem na figura de uma pessoa sentada em um bar, com os cotovelos em cima do balcão enquanto toma uma bebida e lamenta a má sorte no amor.De tanto o apaixonado ficar com os cotovelos apoiados no balcão, eles iriam doer. A partir daí que surgiu a expressão “dor-de-cotovelo”.

ENTRAR COM O PÉ DIREITO:
– Quero entrar no ano novo com pé direito!
A tradição de dar sorte ao entrar em algum lugar com o pé direito é de origem romana. Nas grandes celebrações romanas, os donos das festas acreditavam que entrando com o esse pé, evitariam agouros na ocasião da festa. A palavra “esquerda” significa do latim, sinistro, daí já fica óbvia a crença do lado obscuro dos inocentes pés esquerdos. A partir daí, a tradição se espalho pelo mundo inteiro.

FAZER VAQUINHA:
– Vamos fazer uma vaquinha pro churrasco!
A expressão “fazer vaquinha” surgiu na década de 20 e tem sua relação de origem com o jogo do bicho e o futebol. Nas décadas de 20 e 30, já que a maioria dos jogadores de futebol não tinha salário, a torcida do time se reunia e arrecadava entre si, um prêmio para ser dado aos jogadores. Esses prêmios eram relacionados popularmente com o jogo do bicho. Assim, quando iam arrecadar cinco mil réis, chamavam a bolada de “cachorro”, pois o número cinco representava o cachorro no jogo do bicho. Como o prêmio máximo do jogo do bicho era vinte e cinco mil réis, e isso representava a vaca, surgiu o termo popular “fazer uma vaquinha”, ou seja, tentar reunir o máximo de dinheiro possível para um fim específico.

JURAR DE PÉS JUNTOS:
– Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu.
A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, as quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO:
– Nossa, que cara mais barbeiro!
No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
– Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!
No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia por o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

À BEÇA:
– O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.

DAR COM OS BURROS N’ÁGUA:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino.
Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” para designar algo muito bem guardado

OK:
A expressão inglesa “OK” (okay), que é mundialmente conhecida para significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa “0 Killed” (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo “OK”.

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados.
Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas “para inglês ver”. Daí surgiu o termo.

RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa.”

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

ANDA À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.

DA PÁ VIRADA:
Mas a origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada para baixo, voltada para o solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita.

NHENHENHÉM:
Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen“.

VAI TOMAR BANHO:
Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem “tomar banho”.

ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM:
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: “Vocês que são pardos, que se entendam”. O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: Nós somos brancos, cá nos entendemos.

A DAR COM O PAU:
O substantivo “pau” figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, para isso, deixavam de comer. Então, criou-se o “pau de comer” que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sapa e angu para o estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio (43 a.C.-18 d.C), autor de célebres livros como A arte de amar e Metamorfoses, que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: “A água mole cava a pedra dura”. É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio portugueses e brasileiros.

Fonte:
André Luciano Batista. Disponível em
http://www.portrasdasletras.com.br

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Palavras Idiomáticas Utilizadas no Ceará

ABESTADO Bobo. Após ouvir uma história incrível mas verdadeira, por exemplo, você comenta: “Tô abestado!”.
ABIROBADO: atroiado, estabanado
ABIUDA: Intrometida
ABUFELAR: se atracar com alguém
ACABANADO: Adj. Quem tem as orelhas descidas, caídas.
ACATRUZAR: v. Perseguir com insistência, chatear, importunar.
ACOLOIADO:juntos,coesos,unidos em algo…
ACUNHAR: correr, fugir
AFOLOSADO: arrebentado, arregaçado
AGORA TOROU DENTRO: significa “a coisa tá feia”
ALFENIM: doce feito de mel de engenho
ALGAROBA: farsa, mentira (é de algaroba)
ALTIAR: levantar
ALUÁ: suco feito da casca do abacaxi deixada em imersa em água por alguns dias
ALUIR: despertar para alguma coisa, se alertar
AMOFINAR: ficar magro, triste e moribundo
AMOLEGAR: apertar com as mãos
AMUNDIÇADO: deseducado, pessoa que não tem boas maneiras
APERREADO Nervoso, apressado
APERREIO: sufoco
APIAR: prender as pernas de um bode, boi ou jumento com corda para limitar sua movimentação
APOCADO: calado
APURRINHADO Irritado
ARACA: confusão
ARENGAR: pertubar
ARIADO: perdido, sem saber em que lugar está
ARIAR: polir a panela até ela ficar com brilho
ARIGÓ: bobo, mané
ARMADOR: peça parecida com um gancho fixada na parede para sustentar rede de dormir
ARREADOR: tipo de chicote para fazer o boi andar também usado para dar um corretivo em crianças travessas
ARREGAÇADO: virado pelo avesso, afolosado
ARRIÉGUA: Expressão de espanto, indignação ou descrença.
ARROXAR O NÓ: apressar-se, fazer mais depressa
ASSUNGAR: correr em disparada
ATINHAR: encher o saco, torrar o juízo, azucrinar
ATROIADO: doido, tronxo
AVEXADO Apressado
AVIA AÍ: ande logo
AVIA! Se apressa. “Avia, menino, vai tomar café!”
BABATANDO: lesando, patinando, sem sair do lugar
BABUJO OU BABUJE: relva que nasce no solo sertanejo logo após as primeiras chuvas do inverno.
BACURIM: leitão, porco pequeno
BAIXA-DA-ÉGUA: lugar longe
BALSEIRO: monte de capim misturado com lenha, etc.
BANDIDO: alma sebosa
BARBATÃO: diz-se do boi criado solto, garrote selvagem
BASCÚI: um monte de lixo, cacarécos
BATER CATOLÉ: falhar
BATORÉ: mulher baixa,feia e homem deformado e baixo
BEBOMÓVEL: carrinho de mão
BERDUÉGUA: tipo de gramínea que nasce quando chove
BERUÁ: tolo, arigó
BICORADA: dar uma bicorada: beber um gole de cachaça
BIGU: carona na traseira de veículos como trem e caminhão
BILA: o mesmo que bola de gude
BIMBÓCO: lugar longínguo, afastado. (Ex.: Naquele bimbóco de serra)
BIRITEIRO: cachaceiro,alcolatra.
BIRÓSCA: lugar depreciado, pobre
BONECO: botar boneco é fazer bagunça, ribuliço, chafurdo
BORÓ: cigarro de palha
BOTAR BONECO: Criar dificuldades, reclamar
BRÓCA: queimada para limpeza da terra
BRÔCO: pessoa ignorante, rude
BRUGUELO: filhote de passarinho ainda no ninho
BUFA DE PADRE: cogumelo
BURREGO: cordeiro recém-nascido
CABÔCO Homem. Em Mundaú há um estabelecimento chamado “Pousada do Cabôco Sonhadó”
CAIBÁ: o mesmo que caibro (de madeira)
CAIXA D’ÁGUA: s.m. Bêbado, viciado no álcool, alcoólatra, bebarrão.
CALANGADA:Porrada, murro
CALIBRADO: bêbado, zoado
CANGALHA: artefato usado nas mulas para carregar bagagem e outras cousas
CANGAPÉ: golpe de capoeira
CANGATI: tipo de peixe pequeno e feinho, mulher feinha
CAPIONGO: cabisbaixo, triste
CAPOEIRA: tipo de relevo em ladeira ou o lado de uma elevação geográfica (monte)
CARÃO: repreensão, ralhar
CARRAPICHO: tipo de espinhos existente em mata baixa
CASAMENTO DA RAPOSA Fenômeno meteorológico bastante comum no Ceará, no qual chove e faz sol ao mesmo tempo
CASSACO: tipo de roedor (muitos chamam de gambá do sertão)
CATABIM: solavanco ocasionado por um buraco na estrada
CATITA: rato, camundongo
CATOTA: meleca, catareca tirada do nariz
CATRAERO Cafona, brega
CAXINGAR: mancar, com dificuldade para andar
CELULAR = garrafa plástica de cachaça 480 ml/ meiota
CEZÃO: enxaqueca, depressão, estado febril
CHAPISCAR: fazer o pré-reboco da parede com argamassa de cimento e cascalho
CHIBANCA: ferramenta de uso agrícola parecida com a enxada
CHIBATADO: diz-se de quem anda chutado, ou seja trafega em alta velocidade
CHOKITO: defunto
CHUTADO: lotado (em altíssima velocidade)
CIBITO: Tipo de pássaro encontrado no Sertão, cibito baleado (pessoa muito magra, raquítica)
COIVARA: Tipo de tecnica de queimada que consiste em juntar as plantas cortadas do resultado de uma limpa em montes e tocar fogo. (Esse metodo é menos agressivo e menos perigoso que o tradicional)
COLOIO: ajuntamento de pessoas
COMÉDIA: pode ser qualquer programacao divertida
CORISCO: raio
COTOVIA Prostituta.
COXIA Meio Fio.
COXINHA: Pessoa falsa, hipócrita. (Hoje nacionalmente conhecido graças ao Programa “Nas Garras da Patrulha”, de produção local, mas exibido em toda parte, via parabólica…)
CROQUE: cascudo
CUIA (OU COITÉ): recipiente feito dividindo uma cabaça em duas bandas, usado para carregar água, tomar banho etc; BANHO DE CUIA: o mesmo que chapéu (no futebol); CUIA DOS INFERNOS: lugar ermo que nem Deus sabe onde fica
CUMARU DE CHEIRO: casca de árvore usada para espantar insetos
CURRULEPO: pesqueiro, tapa na cabeça/pescoço
CURUBA: infecção na pele
CURURÚ: sapo
CUVIÔCO: morada pequena e apertada, casa de pombo, buraco
DAR A PELOURA: dar escândalo, passar mal, descontrolar-se
DAR PITACO Emitir opinião
DAR UM GRAU OU UMA GUARIBADA: ajeitar, arrumar
DE VERA: de verdade, valendo
DESABAR: Ir, dar o fora (Ex.: Desaba daqui mulher!!!)
DESARNAR: desenvolver, progredir
DESFAZER: diz quando uma pessoa começa a humilhar ou desprezar a outra
DESINCHAVIDO: sem graça
DESTOCAR: limpar um terreno com chibanca ou enxada
DEZONERAR: apodrecer
EMBIOCAR (OU IMBIOCAR): entrar lá pra dentro
EMPALHAR Atrapalhar
EMPEREIRAR: parar o crescimento
ENGEMBRADO: entortado ou amassado
ENGAZOPAR: v. enganar, tapear, embair, ludibriar, mistificar, engabelar.
ENGILHADO: diz-se do tecido que está todo cheio de dobras, ou pele ressecada
ENTOJADA: mau humorada
ENTRAMELADO (OU INTRAMELADO): diz-se de um dente que cresce em cima de outro
ENTREVADO: enferrujado
ENXUÍ: tipo de colméia
ESCACAVINHAR: remexer, cavar remexendo
ESCAMBICHADO: o mesmo que estrupiado
ESCANGOTADO: no limite do medidor (de velocidade, etc)
ESCARRAR: falar mau de alguem
ESPINHO DE CIGANO: tipo de erva daninha comum no sertão
ESPOJAR: diz-se quando o animal (cachorro, jumento, etc) deita ou cisca no chão
ESQUIPAR: fugir, esquivar-se
ESTRIBADO: com muita grana
ESTURRO: grito do leão
EXTRUIR: desperdiçar, jogar comida fora,
FARNIZIM: perturbação no juízo
FILHÓIS: tipo de pão feito com farinha de mandioca, também chamado de péta
FRESCAR: Tratar com deboxe, brincar, tratar com humor.
FUBICA: peba, fraco
FULERAGE: Ordinário, pode ser também pessoa muito irreverente, brincalhão, depende do sentido da frase.
FUNARÉ (OU FUNARÉU): confusão dos diabos, grande agitação
GAITADA: gargalhada
GALALAU: pessoa alta, vara de tirar coco
GARAJAL: proteção feita com grades para proteção de árvores em praças, jardins, etc.
GASGUITO: pessoa que tem a voz muito desafinada
GAZO: albino
GIA: rã
GIRADOR Rotatória. Ao pedir instruções à Policia Rodoviária com certeza vai ouvir algo assim:”Siga tantos quilômetros e no girador vire à direita”.
GUREJAR: diz-se do animal que está sentido o cheiro da comida e fica com água na boca
IMBIOCA: entra
IMPALHÁ: atrasar (as vezes ‘impaiá’)
IMPINJAR: provocar, tirar a pagode, implicar com alguém
IMPINJEM: marcas vermelhas no corpo
INCANDIAR: ofuscar, iluminar
INFERNO DA PEDRA: lugar mais longe que você possa imaginar
INHACA: cheiro de cigarro ou outro fedor que impregna o ambiente
INTRANÇAR: ficar transitando no meio das pessoas
ISPILICUTE Adjetivo para qualificar crianças bonitinhas. Palavra derivada da expressão “Is pretty cute”, utilizada pelos soldados norte americanos que durante alguns anos instalaram-se no Ceará.
JABOBÊU: coisa enorme, absurdamente grande ou pesada
JUREMA: planta típica do semi-árido que proporciona boa lenha
LASCA-PEITO: cigarro de fumo brabo
LOMBRA: drogado
LUNDÚN: de mau humor
LUXENTO: adj. Exigente para comidas.
MAÇADA: demora
MAH:É praticamente um ponto final.Quase sempre é citado no final das frases.É uma forma mais curta de Macho.
MALINO: buliçoso
MANCHÃO:remendo interno em pneus.
MARIOLA: tipo de doce de banana.
MARMOTAS: espalhafato
MARRÃ: ovelha
MEROL = bebida alcoólica
MIOLO DE POTE = conversa fiada/ papo de bêbado
MÔCO: surdo
MÓCÓ: tipo de roedor (hamster), pessoa boba
MÓI: inicialmente era molho (coletivo de chaves) depois virou coletivo de qualquer coisa: mói de coentro, mói de cebola, mói de mulher
MOJADA: grávida
MONDRONGO: caroço
MÔXO: diz-se do boi que tem os chifes atrofiados
MUCIÇO (A): macio(a), carne muciça (carne macia)
MUGUNZÁ, MUCUNZÁ OU MACUNZÁ: comida típica da região feita com feijão, milho e carne de porco.
MURRAÇA: fedor de cachorro molhado ou pessoa imunda
MUZENGA: coisa imprestável(Ex.: Ô muzenga!!!)
NARGADINHA: dose (de leite, café, cachaça, etc)
Ô CORRA LINDA, MAH: = oh coisa linda, macho.
OITÃO: parte anterior da casa, alpendre
PAI D’ÉGUA: legal demais
PANTIM: movimento brusco ou suspeito
PAPÔCO: estouro, explosão
PAPUDIM = pinguço (com barriga inchada característica)
PARAPEITO: parede baixa
PASTORAR Tomar conta do carro.
PÉA: pelanca da carne
PEBA: Objeto de péssima qualidade.
PÉBA: tipo de tatu (tatu-péba), coisa que não presta ou é de má qualidade
PEITICA: ave do nordeste, pode ser desejar o mal, fazer macumba
PELEJA: o mesmo que lida, trabalho,
PIAU: tipo de peixe
PIOLA: ponta de cigarro
PIRROTOTINHA: pequena
PISA: surra, pêia, sova, corretivo
PITACO: palpite, conselho, opinião
POTÓ: inseto muito comum que solta um odor desagrádavel
PUIM: resíduo do beneficiamento do arroz ou do milho
QUENGO: cabeca
QUEIMA RAPARIGAL Vai com tudo
RADIÊ: cinta de amarração de ferro e argamassa
REBOLAR NO MATO: Atirar alguma coisa fora, se desfazer de algo.
REVESTRÉZ: de ponta cabeça, de virada
RIPUNAR: rejeitar (comida)
RUBACÃO: baião de dois
RUMA: monte (de gente, de bicho, etc)
SAPECAR: jogar longe, arremessar, ou queimar na brasa
SUGESTA: medo repentino
TÁ DE LUNDUM Está chateado, de mau humor
TABA DO QUEIXO : região compreendida entre o maxilar inferior e o pé da orelha
TALAGADA : dose de cachaça
TAMPA DE CRUSH : é um cara filé, de quem todos gostam
TARECO : bolacha
TEM É ZÉ: é dificil
TERETÊITÊI: conversa vai, conversa vem, bláblábla´
TERTULHA : festa
TETÉU : pessoa que fica acordada durante a noite (em ref. à ave de mesmo nome)
TIBUNGAR: mergulhar, pular dentro d’água
TIRINETE : rojão doido, ritmo forte
TITELA: costelas da galinha (mas pode ser de gente)
TIÚ: também conhecido por téjo é um tipo de lagarto
TORÉCO: boi pequeno
TORREÃO: nuvem de chuva do tipo cúmulus
TRANCILIM: brincadeira de rua em que se usam elásticos esticados pelas pernas das meninas
TRISCAR: tocar de leve
TRONXO: torto
UNHA-DE-GATO:tipo de vegetação rasteira nativa do nordeste do brasil.
VAQUETA: tipo de fita feita de couro de boi para ser usado entre o pneu e o aro da bicicleta para não furar com espinho
VIXE: ave maria, eita ZÉ RUELA:Panaca,tolo
ZURUÓ : bêbado demais

Fontes:
http://www.futepoca.com.br/2008/02/o-bom-da-bebida-o-boneco.html
http://forum.paodemugen.com.br/
http://www.ceara.com/dicionario.htm
http://www.vadiando.com (imagem)

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Paraná (Expressões Regionais)

A
Aceiro: terreno limpo para evitar a propagação do fogo
Alimentadores: ônibus provenientes dos bairros e que alimentam os terminais (Curitiba)
Alôco: expressão que indica que o indivíduo está ficando louco por deixar que façam aquilo com ele.
Alugado: pessoa metida . Ex:que alugado! Aquele piá só se acha!
Amarra, trava: cica das frutas que ainda estão verdes. Ex.: Este caqui está amarrando!
Antipó: asfaltamento primário
Arregado: algo bom, que está levando vantagem
Arrodear: ficar próximo, ir chegando (como quem quer algo).
Arruinarse: ficar doente, piorar (o estado de saúde).
As meia: repartir pela metade( geralmente as despesas)
B
Baguá: pessoa, animal ou coisa de tamanho avantajado.
Báia: casa. Ex: vou para a báia do fulano
Bala zequinha: bala muito comum que existia somente em Curitiba. Ex: Cara muito comum
Banana caturra: banana nanica
Banquinha: banca de jornal
Barreado: carne desfiada cozida em panela de barro, comida típica do Paraná
Barroca: Beira acidentada de estrada, barranco.
Batata salsa: mandioquinha
Béra: cerveja
Bi-articulado: ônibus bi-articulado
Biquinho: tampa da válvula de pneus
Bobódromo: Av. Batel (Curitiba); local onde curitibocas se encontram. Também utilizado nas cidades do interior, nas avenidas ou ruas que há encontro das pessoas, circulando a pé ou em carros, geralmente à noite.
Bodoque: estilingue
Bonde: ônibus
Broa: pão, pão de trigo preto (centeio, sarraceno, etc)
Bucuva: pancada na cabeça com mão fechada; croque
Burrichó: Asno, jumento. (tratamento geralmente dado a filhote).
Busun: derivado do inglês “bus”, é como o curitibano adora se referir aos ônibus da cidade
C
Cabeça: sinônimo de pessoa, é tipo assim: quantas cabeça vão também? quantas pessoas vão também?
Caçador: esporte infantil também conhecido como “bola-queimada”
Cachorro: “fazer um cachorro” significa fazer uma troca!
Caipora: sujeito ridículo, sempre tem desculpa pra tudo
Calcinha: tipo de elástico para cabelo
Campear: Procurar, caçar, seguir.
Canaleta: pista exclusiva para ônibus expresso
Cancha: Quadra esportiva; campo de futebol de areia ou suíço.
Capão: Aglomerado de árvores em um local do campo (capão de mato).
Capilé: groselha
Carpim: meia masculina
Carreiro: Caminho aberto no mato, trilha. (usa-se também carrero).
Cartucho: saco de papel
Casa de material: casa de alvenaria
Catarina: catarinense
Catina: chinelo de borracha
Cheguei no mico ou no pau da viola: Quase sem combustível.
Chimia (eyeschmier): 1. qualquer doce em pasta para passar no chineque ; 2. (original) prato alemão que é ovo mexido com sal e bacon pra comer com pão no café da tarde ou da manhã
Chineque: pão doce
Chiquinha: elástico para cabelo
Chuncho: improvisação mal feita
Churriu: dor de barriga, diarréia.
Coxa: Coritiba (clube de futebol)
Cozido: embriagado
Cueca virada: roscas doces fritas e passadas em açúcar e canela
Cuequinha de veludo: sujeito que tem muito dinheiro (elite)
Curitiboca: 1. um tipo de pessoa, existente em qualquer lugar, que tem mania de reclamar ou por defeito em tudo que vê. 2. mistura de Curitibano com boboca
D
Data: terreno.
De cara!: relativamente inconformado Ex.: Ele ficou de cara com o preço!
De fianco: o mesmo que “de viés”, ” de lado”, “de revesgueio”, “de soslaio”, “de través”, atravessado, “de retanfian” (corruptela de “flanco”).
De varde: a toa, sem fazer nada, na maciota, aliás na maciota é outra expressão típica da terrinha; (corruptela de debalde; vaguear).
Deitar o cabelo: Ir embora depressa – geralmente de carro. (o mesmo que esticar o cabelo e alisar o cabelo).
Desacorçoado: desanimado, sem ímpeto.
Descolar: pedir algo ou alguma coisa entre amigos. Ex.: me descola um cigarro?
DeusZuLivre!: Deus Me Livre!
De ynhapa: De quebra, a mais, de “lambuja”. (variações: inhapa – nhapa).
Digue: fale
Disgranhento: sujeito mal, desgraçado
Do tempo do êpa!: das antigas
Do tipo: expressao que indica que é “bom”, “do meu gosto”, ou pode ser usado para indicar o sentido pejorativo. Ex.: “este café está do tipo!(muito bom!)…”; “esta mulherzinha é bem do tipo! (vulgar)…”
Dois palitos: lugar perto, pertinho, da onde quer chegar
Dois toque: coisa bem rápida, que não demora nada para ser feita
Dolangüe: cantada, chavéco, mentira
Dolé: Sorvete, picolé.
E
Encasquetado: Pessoa que está desconfiada com alguma coisa
Enlear: 1. embrulhar. Ex., enlear um presente 2. embrulhar Ex enganar alguém.
Enlevado: Absorto, interessado. (diz-se também da pessoa distraída, alheia).
Entojada: Pessoa (geralmente criança), muito dengosa, cheia de vontades.
Entrar de perú: entrar de bico , sem pagar
Espeto corrido: rodízio de carnes em churrascarias
Estação tubo: local de embarque/desembarque de expressos e ligeirinhos
Estarlete: fiscal de controle de estacionamento urbano.
Expresso: ônibus expresso, o qual circula em canaletas especiais
F
Faisqueiro: O mesmo que isqueiro.
Ferpa, ferpinha, estrepe: pedaço bem pequeno de madeira que penetra nas mãos de quem a manuseia sem cuidado
Festerê: festa, show, aglomerado onde varias pessoas se divertem
Foco: lâmpada
G
Gaiota: carrinho ou carrocinha usada por catadores de papel; pequena caçamba, com ou sem tampa, rebocada por veículo.
Gaita de pino: Sanfona.
Galeto: Muito rápido
Galinha de porão: curitibano que não toma sol e fica branquelo. Quando vai à praia está mais branco que galinha de porão
Gambiarra, enjambração: coisa mal feita, improvisada, “nas coxas”, artifício técnico duvidoso.
Gasosa: refrigerante local (abacaxi, framboesa, limão, gengibirra, etc)
Gengibirra: gasosa de gengibre
Goiaba: ônibus interbairros, verde por fora, cheio de bicho por dentro.
Goró: beber algo alcoólico
Graciosa: Estrada da Graciosa (local turístico)
Guapeca: Cachorro pequeno, vira-latas.
Guaribar: Melhorar, limpar, ajeitar.
Guri / guria: menino, piá / menina.
I
Inhengo: tonto, bobo
Interbairros: ônibus que circula entre os bairros (Curitiba)
J
Jacú: pessoa mal vestida, matuto, sem tarimba social, sem classe, caipira.
Jaguara: pessoa ruim, trapaceira, de má fé, mal intencionada.
Jogo de tique: você joga com uma moeda, ou uma arruela. joga contra um poste ou parede. vai fazendo pontos quem joga mais perto da peça do adversário
Jojoca: soluço
Jururu: quieto
L
Lambrequim: enfeite presente no beiral das casas de madeira
Latão: ônibus de qualquer tipo do transporte público
Levar um pacote: cair de moto
Ligeirinho: ônibus de circulação rápida que para somente em estações tubo
Liquinho: Botijão de gás (3 kg) com um queimador no bico, usado em acampamentos
Lomba: Aclive (em estrada ou campo).
Lombada: quebra molas
Loque: pessoa bobona, que é facilmente enganada.
M
Ma’zói!: Corruptela da expressão “mas olhe…” Coisa ou assunto excelente, muito bom. (corruptela de mil de bom).
Magrão: pessoa, individuo, geralmente quando o mesmo não está presente.
Mais firme que palanque no banhado: coisa ou pessoa com pouca resistência, sem forças. Também se diz de quem bebeu além da conta.
Malaco: garoto de rua ou mendigo; pessoa de má índole, trapaceiro (o mesmo que jaguara).
Meio-fio: guia da calçada
Mimosa, mexirica, bergamota: fruta cítrica conhecida como tangerina
Momó: pessoa devagar, meio tonga
Morcegar: Não trabalhar, ficar à toa.
N
Na faixa, no vascão: tudo o que é sem custo; gratuito
Nabas: porcaria
Naipe: aparência, tipo, modos, jeito. Ex.: olha o naipe daquele cara!
Não tem precisão: Idem. não tem importância, fique tranquilo…
Nega-maluca: bolo de chocolate com cobertura
Nhanha: polaco desconjuntado, uma pessoa caipira
Nhanho: pessoa chata, sem classe (o mesmo que jacú).
Nhápa: lambuja – Ex.: Você compra 12 bananas e ganha duas de nhápa
O
Ospra: o mesmo que “pô”. Expressão de origem polaca
P
Palanque: Mourão de cerca, estaca, poste de sustentação
Palha: qualquer coisa que seja ridícula, demodê, discordante com o gosto da maioria
Pandorga: Pipa, papagaio, quadrado
Pão com vina: cachorro quente
Pão d’água, bundinha: pão arredondado com uma divisão no meio (50g)
Papel lustro: papel espelho
Parada: qualquer coisa que não está presente no momento. Ex.: “Conseguiu aquela parada, tá ligado?”
Passeio: Calçada.
Patente: vaso sanitário
Patrola: veículo usado para remoção de detritos. Ex. trator
Patrolar: Nivelar, passar motoniveladora. (corruptela da marca do equipamento – patroll ).
Peça: cômodo de uma residência ou apartamento
Peladão: praça 19 de Dezembro (Curitiba), onde tem duas estátuas de nu artístico
Pelego: Cobertura grossa e felpuda, geralmente de pele de cabra, posta sob a sela em animal.
Pelota: Bola pequena; saliência, caroço.
Penal: estojo para lápis, canetas, etc
Periquita: Outro apelido para as estarletes que fiscalizam o estacionamento.
Pescoço: pessoa chata
Piá: Criança do sexo masculino, guri, garoto.
Pialo: enganar alguém
Piazada: grupo de garotos ou meninos
Picareta: vendedor de carros usados
Pila: dinheiro
Pingado: café com leite, mais leite que café, servido em lanchonetes em copos de vidro
Pirirí: dor de barriga – diarréia
Pirogi: ravioli polonês,só em Curitiba ,pastel cozido de requeijão com molho de manteiga e bacon
Podar: Ultrapassar (um veículo).
Poióca: alguma coisa, coisa propriamente dita.
Potreiro: Terreno, geralmente anexo à casa, onde se criam animais.
Prá mais de metro: Coisa ou assunto muito longo, demorado, comprido.
Psor: Professor
Q
Quati: moleza, preguiça
Quiçaça: Mato fechado.
R
Rabicó: elástico de cabelo
Radiola: Aparelho de som com rádio e toca-discos, vitrola.
Raia: Pipa (tipo de papagaio de papel levado ao ar com linha).
Ranho: Secreção nasal, catarro.
Rápida: avenida para carros com fluxo veloz
Reba: sem qualidade, porcaria
Refri: simplificação de refrigerante
Repuxo: fonte com chafariz
Revistaria: banca de revistas
Rodado: Conjunto de pneu e aro de veículo.
S
Sanduba: sanduiche qualquer
Sanfonado: Expresso mono-articulado, anterior ao Ligeirão
Sanga: riacho
Sapecada: pinhão na brasa
Sarau: baile para jovens
Serelepe: esquilo
Setra: estilingue, bodoque, atiradeira.
Sinaleiro: Semáforo.
Socorro: estepe, pneu reserva.
Sortido: Refeição popular, prato feito.
Submarino: chopp com steinhaeger servido no bar do alemão
T
Tempo brusco: clima nublado, fechado e escuro.
Tigre, tigrada: gente brega
Tigüera: Mato ralo, descampado.
Tomar a fresca: Apanhar a brisa da tarde; refrescar-se à sombra.
Tombeira: caminhão basculante
Tongo: pessoa boba, sem traquejo social, matuto, sem iniciativa.
Traia: pessoa de má índole
Traíra: pessoa que não cumpre o que diz
Trincheira: viaduto, só que uma rua está no seu nível normal e outra passa por baixo dela.
Trujão: intrometido
Trumbufú: Pessoa feia, mal ajeitada, desgrenhada. (variação: tribufú).
Tubo: ponto de ônibus para expressos e ligeirinhos
Tunda: surra, pancada,sova. Ex.: “Levou uma tunda de laço!”
U
Um abraço pro gaiteiro: Coisa ou assunto sem solução; despedida.
V
Vai vem: mão dupla
Varde: sem serviço, sem ter o que fazer: Ex. Ela está de varde!!!
Véio: camarada, amigo do peito. Ex. E aí véio!
Vermelhão: bi-articulado
Via rápida: avenidas de acesso “rápido” (Curitiba)
Vina: Salsicha. (deriva do termo alemão “vinewürst”).
X
Xixo: espeto de carne ou de frango com legumes

Fontes:
http://www.curitibavirtual.com.br/CURITIBANES.htm
http://www.educadventista.org.br/escolas/pr/curitiba
http://forum.wordreference.com/archive/index.php/t-127859.html
http://www.terrabrasileira.net (Gralha Azul)

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Folclore do Brasil (A Grande Mãe Brasileira)

O Brasil é o país que concentra o maior número de pessoas a cultuarem uma das manifestações da Grande Mãe, como Iemanjá, a deusa ancestral das águas, Senhora do Mar. Só perde para a Índia, onde inúmeras deusas são cultuadas até hoje.

Anualmente, às vésperas do Ano Novo e no dia dois de fevereiro, milhões de pessoas levam suas oferendas e orações para as praias brasileiras, ou saem em procissões marítimas ou fluviais, similares às antigas cerimônias egípcias e romanas – Navigium Isidi – dedicadas a Isis, Deusa Mãe protetora dos viajantes e das embarcações.

Apesar da devoção brasileira a Iemanjá, seu culto não é nativo – ele foi trazido ao Brasil no século XIII pelos escravos da nação ioruba. Yemojá ou YèYé Omo Ejá, a “Mãe cujos filhos são peixes” era o orixá dos Egbá, a nação ioruba estabelecida outrora perto do rio Yemojá, no antigo reino de Benin. Devido a guerras os Egbá migraram, e se instalaram às margens do rio Ogun, de onde o culto a Iemanjá foi trazido pelos escravos para o Brasil, Cuba e Haiti.

Nestes países, Iemanjá passou a ser venerada como a “Rainha do Mar”, orixá das águas salgadas, apesar de sua origem ter sido “o rio que corre para o mar”, sua saudação sendo Odo-Yiá, que significa “Mãe do Rio”.

Analisando os nomes Ya / man / Ya e Ye / Omo / Ejá conforme a “Lei de Pemba” – a grafia sagrada dos orixás -, postulada pela Umbanda Esotérica, encontram-se os mesmos vocábulos sagrados, que significam “Mãe das águas, Mãe dos filhos da água (peixes) e Mãe Natureza”.

Iemanjá é considerada pela Umbanda Esotérica como uma das sete Vibrações Originais, o princípio gerador receptivo, a matriz dos poderes da água, a representação do eterno e Sagrado Feminino. Portanto, Iemanjá personifica os atributos lunares e aquáticos da Grande Mãe, como padroeira da fecundidade e da gestação, inspiradora dos sonhos e das visões, protetora e nutridora, mãe primeva que sustenta, acalenta e mitiga o sofrimento dos seus filhos de fé.

No entanto, por mais que Iemanjá seja reconhecida e venerada no Brasil, ela não representa a Mãe Ancestral nativa, que tenha sido cultuada pelas tribos indígenas antes da colonização e da chegada dos escravos.

Infelizmente, muito pouco se sabe a respeito das divindades e dos mitos tupi-guarani. A cristianização forçada e a proibição pelos jesuítas de qualquer manifestação pagã, destruiu ou deturpou os vestígios de Tuyabaé-cuáa, a antiga tradição indígena, a sabedoria dos velhos payés.

Segundo o escritor umbandista W.W. da Matta e Silva e seus discípulos Rivas Neto e Itaoman, a raça vermelha original tinha alcançado, em uma determinada época distante, um altíssimo patamar evolutivo, expresso em um elaborado sistema religioso e filosófico, preservado na língua-raiz chamada Abanheengá , da qual surgiu Nheengatu, a “lingua boa”, origem dos vocábulos sagrados dos dialetos indígenas,

Com o passar do tempo a raça vermelha entrou em decadência, e após várias cisões, seus remanescentes se dispersaram em diversas direções. Deles se originaram os tupi-nambá e os tupi-guarani, que se estabeleceram em vários locais na América do Sul.

As concepções do tronco tupi eram monoteístas, postulando a existência de uma divindade suprema, um divino poder criador (às vezes chamado de Tupã) que se manifestava através de Guaracy (o Sol) e Yacy (a Lua), que, juntos, geraram Rudá (o amor), e por extensão, a humanidade. O culto a Guaracy era reservado aos homens, que usavam os tembetá, amuletos labiais em forma de T, enquanto as mulheres veneravam Yacy e Muyrakitã, uma deusa das águas, e usavam os amuletos em forma de batráquios e felinos, pendurados no pescoço ou nas orelhas.

Guaracy era a manifestação visível e física do poder criador representado pelo Sol. Apesar deste astro ser considerado o princípio masculino na visão dualista atual, a análise dos vocábulos nheengatu do seu nome revela sentido diferente. Guará significa “vivente”, e cy é “mãe”, o que formaria a “Mãe dos seres viventes”, a força vital que anima todas as criaturas da natureza, a luz que cria a vida animal e vegetal. Também em outras tradições e culturas (japonesa, nórdica, eslava, báltica, australiana e nativa americana), o Sol era considerado uma Deusa, o que nos faz deduzir que para os tupi a vida e a luz solar provinham de uma Mãe (CY) que só mais tarde foi transformada em Pai.

Yacy era a própria Mãe Natureza, seu nome sendo composto de Ya (senhora) e Cy (mãe), a senhora Mãe, fonte de tudo, manifestada nos atributos da Lua, da água, da natureza , das mulheres e das fêmeas.

Cy ou Ci representa, portanto, a origem de todas as criaturas, animadas ou não, pois tudo o que existe foi gerado por uma mãe que cuida da sua preservação, do nascimento até a morte. Sem Cy (mãe), não há nem perdura a vida, pois ela é a Mãe Natureza, o principio gerador e nutridor da vida.

Na língua tupi existem vários nomes que especificam as qualidades maternas – Yacy = a Mãe Lua, Amanacy = a Mãe da chuva, Aracy = a Mãe do dia, a origem dos pássaros, Iracy = a Mãe do mel, Yara = a Mãe da água, Yacyara = a Mãe do luar, Yaucacy = a Mãe do céu, Acima Ci = a Mãe dos peixes, Ceiuci = a Mãe das estrelas, Amanayara = a senhora da chuva, Itaycy = Mãe do rio da pedra, e tantas outras Mães – do frio e do calor, do fogo e do ouro, do mato, do mangue e da praia, das canções e do silêncio.

As tribos indígenas conheciam e honravam todas as mães e acreditavam que elas geravam seus filhos sozinhas, sem a necessidade do elemento masculino, atribuindo-lhes a virgindade, o que também em outras culturas simbolizava sua independência e auto-suficiência. Em alguns mitos e lendas as virgens eram fecundadas por energias numinosas em forma de animais (serpente, pássaros, boto), forças da natureza (chuva, vento, raios), seres ancestrais ou divindades.

A explicação da omissão, na mitologia indígena, do elemento masculino na criação, era o desconhecimento do papel do homem na geração da criança, além do profundo respeito e reverência pelo sangue menstrual, que, ao cessar “milagrosamente” se transformava em um filho. Somente pela interferência dos colonizadores europeus e pela maciça catequese jesuíta que, na criação do homem, o Pai assumiu um papel preponderante, o Filho tornou-se o segundo na hierarquia, salvador da humanidade, como Jurupary, e à Mãe coube apenas a condição de virgem (como Chiucy).

Porém, apesar do zelo dos missionários para erradicar os vestígios dos cultos nativos da cultura indígena e dos escravos, muitas das suas tradições sobrevivem nas lendas, nos costumes folclóricos, nas práticas da pajelança e encantaria que estão ressurgindo, cada vez mais atuantes, saindo do seu ostracismo secular.

Um outro arquétipo da Mãe Ancestral é descrito no mito amazônico da Boiúna, a Cobra Grande, dona das águas dos rios e dos mistérios da noite. Apresentada como um monstro terrível que vive escondido nas águas escuras do fundo do rio e ataca as embarcações e pescadores, a Boiúna ou Cobra Maria é, na verdade, a Face Escura da Deusa, a Mãe Terrível, a Ceifadora, que tanto gera a vida no lodo como traz a morte, no eterno ciclo da criação, destruição, decomposição e transformação.

Outro aspecto da Mãe Escura é Caamanha, a “Mãe do Mato”, que protege as florestas e os animais silvestres, e pune, portanto, os desmatamentos, as queimadas, e as violências contra a Natureza. Pouco conhecida ela foi transformada em dois personagens lendários: Curupira e Caapora. Descritos como seres fantasmagóricos, peludos, com os pés voltados para trás, às vezes com um aspecto feminino, são os guardiões das florestas, que levavam os caçadores e invasores do seu habitat a se perderem nas matas, punindo-os com chicotadas, pesadelos ou até mesmo a morte.

Nas lendas guarani relata-se a aparição da “Mãe do Ouro”, que surge como uma bola de fogo ou manifesta-se nos trovões, raios e ventos, mostrando a direção da mudança do tempo. Na sua representação antropomórfica ela torna-se uma linda mulher que reside em uma gruta no rio, rodeada pelos peixes e de onde se estende nos ares como raios luminosos, ou então surge na forma de uma serpente de fogo, punindo os destruidores das pradarias. Na sua versão original ela era considerada a guardiã das minas de ouro, que seduzia os homens com seu brilho luminoso, afastando-os das jazidas. Seu mito confunde-se com o do Boitatá, uma serpente de contornos fluídicos, plasmada em luz com dois imensos olhos, guardando tesouros escondidos, reminiscência dos aspectos punitivos da Mãe Natureza, defendendo e protegendo suas riquezas. A deturpação cristã do mito punitivo pode ser vista na figura da “Mula sem Cabeça”, metamorfose da concubina de padre, que assombra os viajantes nas noites de sexta-feira (dia dedicado, nas culturas pagãs, às deusas do amor, como Astarte, Afrodite, Vênus, Freyia) e do Teiniágua, lagarto encantado que se transforma em uma linda moça para seduzir os homens, desviando-os dos seus objetivos.

Quanto ao significado esotérico de Muyrakitã, devemos decompor seu nome em vocábulos, para compreender sua simbologia feminina: Mura = mar, água, Yara – senhora, deusa, Kitã = flor. Podemos então interpretá-lo como “A deusa que floriu das águas” ou “A Senhora que nasceu do mar”. Esta divindade aquática, considerada a filha de Yacy era reverenciada pelas mulheres que usavam uns amuletos mágicos chamados ita-obymbaé, confeccionados com argila verde, colhida nas noites de Lua Cheia no fundo do lago sagrado Yacy-Uaruá (“Espelho da Lua”), morada de Muyrakitã. Estes preciosos amuletos só podiam ser preparados pelas ikanyabas ou cunhãtay, moças virgens escolhidas desde a infância como sacerdotisas do culto de Muyrakitã, vetado, portanto, aos homens. Nas noites de Lua Cheia as cunhãtay devidamente preparadas esperavam que Yacy espalhasse sua luz sobre a superfície do lago e então mergulhavam à procura da argila verde. A preparação das virgens incluía jejum, cânticos e sons especiais (para invocar os poderes magnéticos da Lua), além da mastigação de folhas de jurema, uma árvore sagrada que contém um tipo de narcótico que facilitava as visões. Enquanto as cunhãs mergulhavam, as outras mulheres ficavam nas margens do lago entoando cânticos rítmicos ao som dos maracás (chocalhos).
Depois de “recebida” a argila das mãos da própria Muyrakitã, ela era modelada em discos com formato de animais, deixando um pequeno orifício no centro. Então todas as mulheres realizavam encantamentos mágicos, invocando as bênçãos de Muyrakitã e Yacy sobre os amuletos, até que Guaracy, o Sol, nascia, solidificando a argila com seus raios.

Estes amuletos, que ficaram conhecidos com o nome de muiraquitã, tinham cor verde, azul, ou cor de azeitona, e eram usados como pendentes no pescoço ou na orelha esquerda das mulheres. Acreditava-se que eles conferiam proteção material e espiritual, e que podiam ser utilizados para prever o futuro, em certas noites de Lua Cheia, depois de submersos na água do mesmo lago e colocados na testa das cunhãs, invocando-se as bênçãos de Yacy e Muyrakitã.

No nível esotérico, profano, o muiraquitã é conhecido como um talismã zoomorfo, geralmente em forma de sapo, peixe, serpente, tartaruga ou felinos, talhado em pedra (nefrita, esteatita, jadeíta ou quartzito), bem polido, ao qual se atribuíam poderes mágicos e curativos. Foram encontrados vários deles na área do baixo Amazonas, entre as bacias dos rios Trombetas e Tapajós, e foram chamados de “pedras verdes das Amazonas”.
Poderia ser uma confirmação do mito das Amazonas ou Ycamiabas, as “mulheres sem homens”, como foram chamadas pelo padre Carvajal, da expedição de Francisco de Orellana, em 1542. Os relatos míticos as descrevem como mulheres altas, belas, fortes e destemidas, longos cabelos negros, trançados, tez clara, que andavam despidas e utilizavam com maestria o arco e flecha para guerrear e caçar. Diz a lenda que elas escolhiam anualmente homens para serem futuros pais de seus filhos, e os presenteavam com muiraquitãs. Outras fontes afirmam que elas usavam ornamentos de pedras verdes esculpidos em forma de animais que serviam como objetos de troca com os visitantes e as tribos vizinhas.

Os missionários atribuíam aos índios tapajós a origem dos muiraquitãs, mas eles eram apenas seus portadores, e não os fabricantes, exibindo-os como símbolos de poder ou riqueza, ou ainda usados como compensação na realização de ritos fúnebres, nas cerimônias de casamento ou para selar alianças e acordos de paz entre as tribos.

Ocultos em mitos, lendas e crenças, existem ainda muitos resquícios das antigas tradições e cultos indígenas. Descartando as sobreposições e distorções cristãs e literárias, poderemos resgatar a riqueza original das diversas e variadas apresentações da Criadora ancestral brasileira, Mãe da Natureza e de tudo o que existe, que existiu e existirá. Cabe aos estudiosos e pesquisadores atuais desvendar os tesouros históricos do passado indígena brasileiro, com isenção de ânimo e sem distorções, em uma sincera dedicação e lealdade à verdade original, para oferecer às nossas mentes as provas daquilo que os nossos corações femininos sempre souberam:

“que a Terra é a nossa Mãe, que nos tempos antigos os seres humanos veneravam e oravam para uma Criadora, que abria os portais da vida e da morte, cujos templos eram a própria Natureza, que somos todos irmãos por sermos seus filhos, interligados por fazermos parte da teia cósmica e telúrica da Sua Criação”.

Fontes:
Mirella Faur, in http://www.xamanismo.com/lendas.asp?c=34
http://www.nforo.com/ (figura)

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Boi Caprichoso

O boi-bumbá, brincadeira que no século 19 já havia chegado à Amazônia, incorporou, em Parintins, elementos da cultura regional. O índio está sempre presente. A brincadeira original absorveu influências e elementos característicos de diversas outras culturas, em especial as culturas cabocla e indígena.

Desde o início do século passado até hoje, os bois-bumbás parintinenses estão em constante processo de transformação. O Boi Bumbá Caprichoso passou a inserir influências e elementos característicos de diversas outras culturas, em especial as culturas cabocla e indígena.

O auto do boi-bumbá original essencialmente narra a história de um casal de trabalhadores que mata o boi mais querido pelo fazendeiro e sua filha, a sinhazinha. Os fazendeiros pedem ajuda aos índios, e o boi é ressuscitado graças a um pajé.

No boi-bumbá de Parintins, o elemento indígena começou a crescer na década de 60, com a introdução das tribos indígenas, das lendas e dos rituais. Outros personagens passaram a fazer parte da narrativa, entre eles a Rainha do Folclore, a Porta-Estandarte e a Cunhã-Poranga, sendo esta última uma evolução das “misses” surgidas no início da década de 80.

Outras culturas também deram sua contribuição aos bumbás de Parintins. Exemplo disso foi a escola de artes plásticas fundada pelos religiosos italianos a Parintins, que está na raiz da sofisticação estética do espetáculo.

No aspecto musical, as brincadeiras inicialmente eram baseadas apenas no surdo e nas palminhas. Com o tempo, o ritmo foi se sofisticando e novos instrumentos foram introduzidos, entre eles a caixinha e o roncar. No início dos anos 80, foram introduzidos também o charango e o violão, e nos anos 90, foi a vez do teclado se tornar parte da trilha sonora da festa, mais uma colaboração do Boi Bumbá Caprichoso para os sons da floresta.

Surgidos nos primeiros anos do século 20, Caprichoso e o contrário (como denominamos o outro boi, o Garantido) começaram a se destacar entre seus pares nos anos 40. À medida que os bois-bumbás cresciam, crescia também a rivalidade entre eles. Nas décadas de 50 e 60, a oposição dos dois grupos folclóricos se manifestou em confrontos violentos e terríveis entre seus torcedores nas ruas da cidade. As brigas começaram a diminuir após a criação do Festival Folclórico de Parintins, mas a rivalidade entre os fãs dos dois bumbás permaneceu e se cristalizou na geografia e na própria paisagem da cidade. Há casas de famílias, bares, ruas e até bairros inteiros que são redutos de um ou outro boi. Boa parte das ruas do Centro da cidade, em especial a Loris Cordovil, mais o Bar Chapão, são considerados redutos do Caprichoso em Parintins

O Boi-Bumbá Caprichoso tem sua história atrelada a uma família. A professora e folclorista parintinense Odinéia Andrade afirma que o bumbá foi fundado em 1913 pelos irmãos Raimundo Cid, Pedro Cid e Félix Cid. Os três teriam migrado do município de Crato, no Ceará, passando pelos estados do Maranhão e Pará, até chegarem à ilha, onde fizeram uma promessa a São João Batista para obterem prosperidade na novo município. Isso foi motivado pelas influências recebidas pelos Cid durante a trajetória até a ilha, quando puderam conhecer vários folguedos juninos por onde passaram. Duas manifestações folclóricas chamaram a atenção: o Bumba-Meu-Boi, maranhense, e a Marujada paraense. Andrade (2006) acredita que o Boi Caprichoso assimilou elementos desses dois folguedos, uma vez que o bumbá adotou como cores oficiais o azul e o branco, usadas nos trajes dos marujos, e denominou seu grupo de batuqueiros, responsáveis pelo ritmo na apresentação do boi de Marujada.

Valentin (1999) traz em sua obra um relato do compositor parintinense Raimundinho Dutra, que conta uma história diferente sobre a criação do boi. Ele diz ter ouvido dos pais que o nascimento do boi azul teria acontecido no mês de março de 1925. Segundo Dutra (2006), o boi teria nascido num sábado à noite, por volta das vinte horas, na casa de João Roque, onde se reuniram, à luz de lamparinas, o comerciante Emídio Vieira, seu Vitário e Dona Fé, os irmãos Cid, Meireles e Nina, João Ribeiro, seus pais, entre outras pessoas que tinham como objetivo criar um novo boi no município. Durante a reunião, o coronel João Meireles, que era fã de um certo Boi Caprichoso existente em Manaus, sugeriu ao grupo denominar o novilho de Caprichoso. A sugestão teria sido imediatamente aceita, ficando acertado que o amo seria Félix Cid, repentista famoso na época por sua voz poderosa.

A versão adotada como oficial pela agremiação afirma que o Bumbá nasceu de um briga interna no Boi Garantido, criado por Emídio Vieira. Em razão de um desentendimento, o fundador deixa o boi e em seu lugar assume os irmãos Cid, que teriam feito uma promessa de colocar um boi na rua caso obtivessem sucesso em Parintins. Os novos dirigentes da brincadeira construíram uma nova carcaça para o boi e trocaram seu nome para Caprichoso. Todos esses fatos teriam acontecido em 20 de outubro de 1913, data oficial de fundação do bumbá.

Fontes:

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Boi Garantido

A história do Garantido começou em 24 de junho de 1913, quando o filho de pescador Lindolfo Monteverde resolveu por em prática uma das histórias que ouvia de seu avô, ex-escravo de origem maranhense que veio para a ilha de Parintins em busca de um espaço para a sua família viver e produzir.
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Dentre as inúmeras histórias, Lindolfo ouviu a história de um boi que dançava visitando famílias e alegrando as pessoas. Havia muitas lendas em torno deste boi contado pelo avô. A que mais chamava a atenção do neto era sobre o roubo da língua do boi e os versos cantados durante o ritual do boi que envolvia Pai Francisco, Mãe Catirina, o Amo do Boi, o Pajé e outras figuras. Antes de concretizar a idéia para lembrar as histórias do avô, foram realizados vários ensaios, até chegar o momento da primeira apresentação que começou como uma simples brincadeira junina. Contam os mais antigos que a apresentação foi antecedida de uma ladainha e depois houve distribuição de Aluá, bolo de macaxeira, tacacá e, no final, muito forró.

Mais tarde, ao servir o exército, Lindolfo Monteverde adoeceu e a gravidade de sua doença o levou a fazer promessa a São João Batista, prometendo que, se ficasse bom e enquanto tivesse vida, seu bumbá jamais deixaria de sair nas ruas. Foi então que o Garantido passou a ser chamado de “Boi da Promessa”.

A partir de então, todos os anos os torcedores do Boi se reúnem na noite de 24 de junho para rezar a ladainha e festejar São João Batista e em seguida saem pelas ruas da cidade, dançando em frente às casas que tiverem fogueiras acesas. Segundo os mais antigos, esta saída do Garantido pelas ruas da cidade era normal durante a época das festas juninas.

Contam que Lindolfo Monteverde era um cantador e repentista que causava admiração em quem o ouvia cantar, por causa do timbre de voz que dominava os terreiros e era ouvido à distância sem utilizar nenhum tipo de aparelho sonoro mecânico. Lindolfo também incomodava os torcedores do boi contrário com sua firmeza de voz e a inteligência dos desafios que criava. Até hoje, é considerado o melhor compositor de toadas que o boi-bumbá de Parintins registrou.

Desde a sua criação, o Garantido se apresenta com um coração na testa, e suas cores, vermelha e branca, foram adotadas pela torcida. A cor do coração na testa do boi costumava ser preta até meados dos anos 60 quando Dona Maria Ângela Faria, até hoje conhecida como madrinha do Boi, deu a idéia de este ser pintado de vermelho. Idéia que foi executada pelo artista Jair Mendes.

O nome Garantido surgiu do próprio criador, Lindolfo Monteverde, que em suas toadas sempre lembrava aos bois contrários que seu bumbá sempre saía inteiro dos confrontos de ruas que, na época, eram rotineiros. Dizia Lindolfo que nas “brigas” com os contrários a cabeça de seu boi nunca quebrava ou ficava avariada, “isso era garantido”.

Em sua história, lhe foram atribuídos vários slogans carinhosos, como: “Boi da Promessa”, “Boi do Coração”, “Brinquedo de São João”, “Boi do Povão” , “Boi Goiaba” , “Boi ola” e outros. O mais popular é “Brinquedo de São João”, de autoria de Lindolfo Monteverde para homenagear o santo a quem se apegou para curar a doença que o ameaçava quando servia o exército. Os dirigentes preservam até os dias atuais este slogan como forma de reconhecimento a Lindolfo, o poeta maior da Nação Vermelha e Branca.

O Garantido surgiu na antiga estrada Terra Santa, hoje Av. Lindolfo Monteverde, na tradicional Baixa do São José. Atualmente, um complexo arquitetônico da antiga Fabriljuta, localizado no Km 1 da Rodovia Odovaldo Novo, adquirido pela agremiação, abriga toda a estrutura de galpões, a diretoria e demais coordenadorias que fazem parte da administração do boi que, hoje, é a brincadeira mais séria dos habitantes de Parintins, a Ilha do Boi-bumbá.

Fontes:
http://www.sitecurupira.com.br/ze/caprichoso.htm
http://pt.wikipedia.org/

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Expressões gaudérias (Domínio Público)

• Afiado como navalha de barbeiro caprichoso.
• Agarrado como carrapato em culhão de touro.
• Apertado como rato em guampa.
• Assanhada como solteirona em festa de casamento.
• Atirado como interesse de viúva.
• Aumentar como barriga de prenha.
• Bater mais que brigadiano na mulher.
• Brilhar como ouro de libra.
• Bueno como namoro no começo.
• Buliçoso que nem mico de viúva.
• Cair bem como chuva em roça de milho.
• Calmo que nem água de poço.
• Cara amarrada como pacote de despacho.
• Causar alvoroço que nem mata-mosquito em convento.
• Chiar como uma locomotiva no cio.
• Cobiçada como anca de viúva nova e bonita.
• Comer mais que remorso.
• Como tosa de porco: muito grito e pouca lã.
• Contente como cusco de cozinheira.
• Contrariado como gato a cabresto.
• Dá mais que pereba em moleque.
• De boca aberta que nem burro que comeu urtiga.
• Devagar como enterro de a pé.
• Dormir atirado que nem lagarto.
• Dormir que nem sapo morto estirado nos arreios.
• Encardido como peleia de caudilho.
• Encordoado como teta de porca.
• Enfeitado como bidê de china.
• Engraçado como gorda botando as calça.
• Esfarrapado que nem poncho de gaudério.
• Espalhar-se como pó de mangueira em pé de vento.
• Esparramado como dedo de pé que nunca entrou em bota.
• Esperto que nem gringo de venda.
• Extraviado que nem chinelo de bêbado.
• Faceiro como mosca em rolha de xarope.
• Feia como mulher de cego.
• Feliz que nem lambari de sanga.
• Firme que nem prego em polenta.
• Furioso como gato embretado em cano de bota.
• Gordo e lustroso como gato de bolicheiro.
• Gosmento como cuspida de bêbado.
• Grosso como rolha pra poço.
• Grudado como bosta em tamanco.
• Judiado como filhote de passarinho em mão de piá.
• Louco como galinha agarrada pelo rabo.
• Mais à vontade que bugio em mato de boa fruta.
• Mais alto que cavalo de oficial.
• Mais amontoado que uva em cacho.
• Mais angustiado que barata de ponta-cabeça.
• Mais apertado que nó de soga em dia de chuva.
• Mais apressado que cavalo de carteiro.
• Mais arisca do que china que não quer dar.
• Mais assustado que véia em canoa.
• Mais atirado pra trás que pica-pau em tronqueira.
• Mais atirado que alpargata em cancha de bocha.
• Mais atrasado que bola de porco.
• Mais baixo que vôo de marreca choca.
• Mais bonita que laranja de amostra.
• Mais branco que perna de freira.
• Mais caro que argentina nova na zona.
• Mais ciumenta que mulher de tenente.
• Mais complicado que receita de creme Assis Brasil.
• Mais comprido que esperança de pobre.
• Mais comprido que suspiro em velório.
• Mais conhecido que a reza do padre-nosso.
• Mais conhecido que parteira de campanha.
• Mais curto que coice de porco.
• Mais delgado que cachaço emprestado.
• Mais demorado que enterro de rico.
• Mais desconfiado que cego que tem amante.
• Mais difícil que nadar de poncho.
• Mais duro que pau de preso.
• Mais eficiente que japonês na roça.
• Mais encolhido que tripa grossa na brasa.
• Mais enfeitado que burro de cigano em festa.
• Mais engraxado que telefone de açougueiro.
• Mais enrolado que lingüiça de venda.
• Mais entravado que carteira em bolso de sovina.
• Mais escandaloso que relincho de burro chorro.
• Mais faceiro que gordo de camiseta.
• Mais faceiro que guri de bombacha nova
• Mais fácil que fazer falar um rádio.
• Mais fechado que baú de solteirona.
• Mais fedorento que arroto de corvo.
• Mais feio que indigestão de torresmo.
• Mais fino que assobio de papudo.
• Mais firme que catarro em parede.
• Mais forte que peido de burro atolado.
• Mais gostoso que beijo de prima.
• Mais grosso que cintura de sapo.
• Mais importante que o irmão da rapariga do cabo.
• Mais inútil que buzina em avião.
• Mais ligado que rádio de preso.
• Mais ligeiro que tainha de açude.
• Mais linda que camisola de noiva.
• Mais magro que guri com solitária.
• Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro.
• Mais metido que piolho em costura.
• Mais nervoso que anão em comício.
• Mais nojento que mocotó de ontem.
• Mais perdido que surdo em bingo.
• Mais perfumado que mão de barbeiro.
• Mais pesado que pastel de batata.
• Mais prestimosa que mãe de noiva.
• Mais triste que último dia de rodeio.
• Mais usado que pronome oblíquo em conversa de professor.
• Mais vaidoso que guri em chineiro.
• Pelado que nem sovaco de perneta.
• Pior que a filha casar com nordestino.
• Que nem carro de funebreiro: só leva.
• Que nem serra elétrica, não pode ver pau de pé.
• Quem revela a fonte é água mineral.
• Sofrer como joelho de freira na Semana Santa.
• Solito como galinha em gaiola de engorde.
• Tranqüilo e sereno que nem baile de moreno.
• Virar-se mais que minhoca na cinza.
• Vivo como cavalo de contrabandista.

Fonte:
http://www.releituras.com

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Sete Quedas

O Salto de Sete Quedas (também chamado Guaíra) era a maior cachoeira do rio Paraná, que desapareceu com a construção do lago da Usina hidrelétrica de Itaipu. No entanto aparece resquícios dela quando o nível de água da usina está baixo.

Em 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do Canal de Desvio de Itaipu começava a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná ou Saltos del Guairá.

Recordistas mundiais em volume d’água, as Sete Quedas eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou a ter 60 mil habitantes, rivalizando em importância com Foz do Iguaçu.

Atualmente, a população da antiga cidade real espanhola é inferior a 30 mil.

Curiosamente, à exceção de Guaíra, a data não foi recordada na imprensa do Brasil ou do Paraguai.

As Sete Quedas aparecem na historia da regiao como Saltos do Canendiyu, foi o primeiro nome adotado por soldados castelhanos quando estes pela primeira vez avistaram as quedas. O nome foi dado em homenagem ao Cacique Canendiyu, lider dos Guaranis, que habitavam a margem direita do rio Paraná,`acima das cataratas. Saltos del Guayrá foi o segundo nome, adotado por Domingos Martinez Irala, Governador de Assunção, em homenagem ao Cacique Guayrá, por sua ajuda na expulsão dos intrusos Tupis. O nome Sete Quedas apareceu pela primeira vez no Tratado de Limites assinado em 1872 entre o Brasil, representado pelo Barão de Cotegipe, e o Paraguai, representado por Carlos Loisaga. Não se sabe a razão do nome “Sete Quedas”, havendo diversas versões. Umas delas diz que Sete foi usado por ser algarismo mistico, que demonstra grandeza. Segundo outra versão, quando os navegantes se aproximam das quedas avistam sete colunas de vapor, que delas emergem. Há ainda uma outra interpretação, em que se acredita que as águas se precipitam em sete degraus. A versão mais correta, porém, é que o nome é derivado do fato de as quedas serem formadas por sete conjuntos de saltos, cachoeiras e corredeiras.

Fontes:
http://www.psg.com/~walter/guaira.html
http://pt.wikipedia.org

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Folclore Brasileiro (Sertão do Boi Santo)

Vindo de Juazeiro, apareceu pelos sertões o beato Zebedeu. Preto, alto, muito esperto, conduzia um boi, tendo atrás penitentes, retirantes, mulheres e crianças.

O boi era zebu e estava enfeitado de fitas e flores.

Excitado e majestoso, igual a um Moisés caboclo, conduzindo seu povo, o beato preto avançava pelas caatingas, tangendo com sua vara santa o boi santo, já de fama afamado.

Ao subir encostas, Zebedeu fazia parar seu bando, deitando falação ao povo:

-Foi num tempo de seca barba; o verdor dos pastos havia desaparecido e eu fui dar a esse boi uma ração roubada dos pastos de meu padrinho Padre Cícero. Roubei o capim porque via que o meu boi sofria, mascando a língua com fome. Corri para furtar um capim mais mimoso, daqueles que só os veados comem, na manga particular do meu padrinho, a única, que nesse tempo tinha capim verde. De noite peguei um feixe e quando na manhã seguinte fui oferecer a ração ao boi, ele a recusou, batendo os cascos e balançando a cabeça. Parecia dizer que não comia capim roubado, ainda mais sendo dos pastos do seu dono. Desde então eu nas virtudes milagreiras desse boi acreditei…

Entusiasmado, continuava:

-Houve outra e desta feita, o meu boi santo mostrou que era mesmo de natureza casta e abençoada. Botei ele no pasto pra cobrir a vaca Mordaça, de raça, que era pra se tirar um bom cruzamento. Pois o boi, solto no pasto, recusou no cheiro e no curral, a cobertura dessa vaca. Desde aí acreditei nele, acreditando que meu boi santo, chamado Mansinho, como então o batizei, não nascera pra safadeza de pasto. Era um boi de manjedoura santa, mugindo a comer flores, ouvindo os lamentos dos meus penitentes.

Apressa-se logo, explicando:

– Não que esse boi seja castrado; ele é inteiro, conforme os irmãos podem olhar pra seus bagos caídos, todos enfeitados de rosas vermelhas, escolhidas pelas minhas beatas, dentre as quais se destaca a Maria Urubu, sempre abraçada com um urubu-rei, de cabeça vermelha. Ela ajuda no preparo do altar sagrado, mudando flores, a enfeitar os bagos do animal com rosas vermelhas.

Mais adiante o bando, por entre serras, descobriu uma chapada, onde baixou. Inspirado, o beato Zebedeu botou profecia:

-Aqui será minha morada. Riacho do Sangue será meu nome. Aqui correrá muito sangue, de inocente e pecador, tudo nas misturas. Quando vires o sol escuro, amole a faca para comer do couro do boi do futuro.

No alto, falando por entre tochas acesas que seus penitentes acendiam, já que a noite baixava pelas quebradas, Zebedeu, iluminado, atroava:

Intentos grandes haverão, porém, na era de 1922, antes e depois, verás coisas mil no mês mais vizinho de abril. Quando vires o sol escuro, amola a faca pra comeres do couro do boi do futuro. Que o Século Vinte verá rebanhos de vinte mil, sob o comando do meu padim Padre Cícero, que me mandou na frente pra pregar o verbo Divino. Aqui ficarei, trazendo meu povo-camelo pro Egito, pras as Babilônias das necessidades. Tudo há de acontecer, arder e depois florescer, porque Deus quer e eu sei por ser assim que está escrito.”

Assim a fama desse beato negro, Chamado Zebedeu com seu boi santo Mansinho espalhou-se pelos sertões de quatro Estados. Vieram mil romeiros, conduzindo cabras, jumentos, criações de pequena monta. Todos atrás dos milagres propagados. Colocaram o boi numa manjedoura, passando a adorá-lo como a um santo. O excremento do boi era vendido e dos seus chifres eram tirados lascas para se fazer chá. Do excremento do boi o povo dizia:

– É remédio divino, remédio que cura ligeiro.

Da sua urina, porções eram guardadas em garrafas, relíquia de valor, pela qual as mulheres brigavam, pedindo as garrafadas pelo “Santo Amor”.

Improvisaram-se cantorias e, de longe, vieram famosos violeiros, que em versos famosos, cantaram o beato e o boi, sua aparição e seu encantamento no sertão.

EXALTAÇÃO DO BOI

Do Boi só não se aproveita o “berro” e embora tenha sido de vital importância, no período colonial, a criação de gado era considerada uma atividade secundária.

Mas, para os que viviam no sertão, a vida era muito difícil. Abundância mesmo só de carne e leite, fornecida pelo rebanho. O vaqueiro dessa época viveu a “Era do Boi”, pois dele tudo era feito. Era de couro tudo o que os cercava: a porta das cabanas, leitos, cordas, cantil, alforje, mochila, bainhas de faca e até as roupas com que enfrentavam a caatinga.

Portanto, nada mais justo de considerar o boi um animal sagrado. O Pseudo-Dionísio Aeropagita resumiu bem o simbolismo místico do boi:

A figura do boi marca a força e o poder, o poder de rasgar sulcos intelectuais para receber as chuvas fecundas do céu, ao passo que os chifres simbolizam a força conservadora e invencível“.

Os chifres tem sentido de eminência ou elevação, e evoca a inviolabilidade, o origem divina e espiritual, oposta ao poder temporal. O chifre é ainda, sinal de comunicação com forças naturais ou superiores; se os artistas da Idade Média representavam os heróis ou os personagens bíblicos com chifres, não era para indicar alguma natureza diabólica, mas para mostrar sua comunicação direta com as forças divinas.

O boi no Brasil foi a alma engenhos e o folclore brasileiro é enriquecido com sua presença. São muitas as festas de exaltação ao boi: Bumba-meu-boi, Boi-Bumbá, etc. O bumba-meu-boi é um auto popular que gira em torno da morte e da ressurreição do boi. Junta-se ao bumba-meu-boi o batuque e outras brincadeiras.

Mas o boi brasileiro tem muitos sotaques, estilos e variedades. Tem o boi de zabumba, de matraca, de orquestra, de barrica, da ilha, de Pindaré, de Baixada. Todos Maravilhosos!

Aqui o boi freqüenta o natal, o carnaval e outros festejos com o seu animado cotejo, suas orquestras e toadas, reafirmando a força da cultura e da arte popular.

Fonte:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/

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Folclore (Mula Sem Cabeça)

O mito da mula-sem-cabeça passa pelo conceito de pecado para criar uma espécie de “lobisomem” feminino.

Dizem que ela se transforma da quinta para a sexta-feira de Lua cheia. Ela seria a amante do padre… castigada pelo pecado com o encantamento cruel. Um animal desvairado, de galope selvagem e relincho altíssimo, que solta fogo pelas ventas.

Mas que ventas, se a mula não tem cabeça? Mistérios do mito brasileiro. Segundo a lenda, o encanto só acaba se alguém lhe tirar o freio…Aí ela reaparecerá em sua forma humana, arrependida e nua. Outra maneira de evitar o encantamento é de que o amante a amaldiçoe sete vezes antes de celebrar a missa. Alguns folcloristas, como Gustavo Barroso, supõem que o mito tenha nascido no século 12, a partir do fato de que as mulas serviam, na época, ao transporte privativo dos padres. O cavalo era reservado às batalhas e aos guerreiros.

Fonte:
Sitio do Caipira. Folclore. Disponível em
http://eptv.globo.com/

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398 Anos da Cidade de Itú (SP)

Nota: Parabéns pelo seu aniversário dia 2 de fevereiro, que a sua grandeza permaneça sempre como um exemplo para os que ainda virão.

Em comemoração a seu aniversário, sua história.

Historia de Itu
Os primeiros habitantes do planalto paulista viveram durante muitos anos em função do sertão, buscando indígenas para escravizar, procurando metais e pedras preciosas. Aqueles que permaneciam em suas roças plantavam milho, mandioca e praticavam outras atividades próprias para a sua subsistência..

Desde o início do século XVII muitos deles começaram a procurar terras mais férteis para suas roças. Os membros da família Fernandes, por exemplo, instalaram-se em lugares onde, posteriormente, surgiram as Vilas de Santana do Parnaíba, Sorocaba e Itu. Domingos Fernandes, aventureiro descendente pelo lado materno de João Ramalho e Tibiriçá, estabeleceu-se em área não muito distante de um antiquíssimo lago glacial, que, há milhares de anos, transformara-se em uma pedreira de varvito (rocha sedimentar). Em suas pedras ainda podem ser observados sinais das ondas deixadas pelas águas do antigo lago, pedras essas utilizadas no revestimento do piso das calçadas da cidade.

A pequena capela construída por Domingos Fernandes, sob invocação de Nossa Senhora da Candelária, deu origem a povoação de Itu, que durante muito tempo foi local de parada e de partida de bandeirantes e monçoeiros em busca de sertão. Em Itu foram organizadas muitas monções, expedições fluviais que partiam do Porto de Araritaguaba (hoje Porto Feliz), às margens do rio Tietê, com destino às minas de ouro de Cuiabá.

Passou a integrar a agricultura de exportação quando iniciou o cultivo de cana-de-açúcar, desenvolvido em São Paulo durante o governo do Morgado de Mateus (Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão). Nas terras ituanas, consideradas de boa qualidade para essa cultura, surgiram grandes fazendas exploradas com mão-de-obra escrava. A população aumentou, inúmeros engenhos foram construídos, quer movidos a água, quer por tração animal.

Essa agricultura voltada para exportação, com o plantio de produtos tropicais enviados para o exterior, teve ainda maior progresso com a produção de café na segunda metade do século XIX. A cultura da cana estabeleceu as bases para o posterior desenvolvimento da cafeicultura.

No cinturão de fazendas que foram sendo abertas ao redor de Itu, construíram-se casas, engenhos e os demais aparelhamentos próprios da cultura canavieira. As moradas que ainda restam desse período são do assim chamado “estilo bandeirista”, casas de taipa-de-pilão com planta simples e simétrica, construídas de acordo com sistema que vigorava em terras paulistas desde o tempo das bandeiras.

Dessas fazendas, podem ser lembradas: a do Rosário, construída na segunda metade do século XVIII. Com antigo e bem conservado engenho; a Chácara São João; a da Conceição e a do Japão, ainda com as suas capelas: a Paraíso, com uma bem conservada senzala; e a Pirahy, com restos de um provável alambique. Muitas mais tarde, tornaram-se fazendas de café e nelas foram construídas terreiros e outros aparelhamentos próprios da cafeicultura.

Fazendas como a Vassoural, Pirapitingui, Floresta, Serra e Nova América, mantém remanescentes do período áureo do café na região , época em que a Europa e as modas européias exerciam grande influência na vida paulista.

Além da cultura da cana e do café, o algodão também teve sua importância. Em Itu, no ano de 1869, ergueu-se a primeira fábrica de tecidos a vapor da Província de São Paulo, com maquinaria importada dos Estados Unidos e da Inglaterra: a Fábrica de Tecidos São Luís. Construída numa época em que todo trabalho era exercido por escravos, contava com mão-de-obra livre, principalmente de mulheres e crianças.

Os últimos decênios do século XIX o café representava grande riqueza e os escravos vindos de diversas regiões construíram a mão-de-obra, mais tarde substituída por elevado número de colonos italianos. Em nosso século, a economia de Itu tornou-se bastante diversificada, abrangendo muitos produtos agrícolas, a agropecuária e a indústria. Por tudo isso, teve apreciável crescimento urbano e populacional.

A vida cultural ituana manifesta-se por suas casas e igrejas, por monumentos e escolas, por seus trabalhadores, por pessoas que se destacaram ou que, de algum modo, para formação do seu patrimônio cultural.

Como aconteceu em outras regiões brasileiras, o catolicismo teve papel predominante no desenvolvimento cultural do município: igrejas, conventos, ordens religiosas e irmandades eram o centro da vida intelectual. As construções são, em grande parte, monumentos religiosos, do período anterior a introdução da cultura canavieira, temos a Igreja de Santa Rita, edificada entre 1726/1728 por um grupo de portugueses, e a Igreja do Carmo, encomendada pelos irmãos da Ordem Terceira em 1728. No convento, ao lado da Igreja do Carmo, morou o célebre Frei Jesuino do Monte Carmelo, Tendo ingressado na Ordem depois de viúvo, já conhecido artista, pintou a Igreja de sua Ordem, dando expansão a sua alegria e liberdade, segundo palavras de Mário de Andrade, que lhe dedicou um livro.

A primeira Matriz da Vila de Itu, dedicada por Domingos Fernandes a Nossa Senhora da Candelária, ocupava o lugar onde, mais tarde, ergueu-se a Igreja do Bom Jesus. A atual Matriz, na Praça Padre Miguel, foi inaugurada em 1780, mas posteriormente sofreu inúmeras reformas. Alí encontram-se pinturas de José do Patrocínio Manso, de Jesuino do Monte Carmelo e, na sacristia, as do celebrado pintor ituano Almeida Júnior. O frontão e as imagens de São Pedro e São Paulo, vindas de Paris, são muito mais recentes.

Um circuito intelectual de grande importância no panorama paulista era o conhecido como “dos padres do Patrocínio” que reunia políticos como Feijó, Jesuinos e tantos outros. Devoto de Nossa Senhora do Patrocínio, Frei Jesuino construiu uma Igreja dessa invocação, iniciada em 1810/1812 e concluída por Padre Simão Stock.

Com a finalidade de abrigar um grupo de religiosas vindas da França em 1859, para dedicar-se a educação de meninas (Irmãs de São José), foi fundado o Colégio do Patrocínio, ao lado da Igreja do mesmo nome.

Pouco tempo depois, vieram os jesuítas, que criaram o Colégio São Luís, importante centro educacional.

Localizada na zona rural, a Capela do Senhor do Horto (chamada de Padre Bento) foi edificada 1804/1808, ao lado do Hospital dos Lázaros. Hoje, a capela está envolvida pela cidade.

Com o desenvolvimento econômico, os mais abastados construíram grandes casas em meados do século XIX, algumas térreas, outras assobradadas, representativa da maneira de viver da classe dominante da época. Muitas delas foram derrubadas. Preservadas, encontramos, entre outras, a que abriga o Museu Republicano , antiga moradia de Carlos Vasconcelos de Almeida Prado, de família de cafeicultores, líder republicano, Ali reuniu-se a Convenção de Itu, em 1873, significativa tomada de posição para a implantação da República.

Das casas modestas ou imponentes do século passado e que constituem testemunhos de uma época, temos o prédio do antigo Grupo Escolar Cesário Mota (hoje Casa da Cultura), o prédio da Light, com sua singular fachada de azulejos portugueses, além de outras.

Neste século, os italianos que se estabeleceram no local construíram casas de tijolos, com fachada de decoração neoclássica. Representativa da maneira de viver do trabalhador é a Vila Operária, construída pela Fábrica de Tecidos São Pedro na década de 1920.

Esta cidade histórica, com seus panoramas, característicos e típicos, como o do Becão e outros, com suas Igrejas e monumentos, com suas paisagens naturais e com seu sítio geológico, com suas ruas e casas, com seus costumes, sua maneira de ser, deve ser preservada. A perda desses bens significa empobrecimento para a Cidade, para o Estado e para o País.

A FORMAÇÃO DA CIDADE DE ITU

O marco da fundação da cidade de Itu foi a construção, em 1610, de uma capela devotada a Nossa Senhora da Candelária, no lugar em que hoje fica a Igreja do Bom Jesus. Esta capela foi construída pôr Domingos Fernandes e seu genro, Cristovão Diniz. Eles receberam da Coroa Portuguesa, em 1604, a posse das terras da região de Itu.

O povoado se formou ao lado desta capela que, de 1653 a 1657, foi Igreja Matriz; neste ano, Itu deixou de ser Freguesia de Santana do Parnaíba, passando à condição de Vila, e iniciou-se a construção de um novo templo.

Durante quase 100 anos (de 1657 a 1750) a Vila de Itu não passou de um pequeno núcleo, com menos de 100 casas, concentradas no pátio da antiga Matriz e numa única rua que ia do pátio até a capelinha do primeiro povoado. Uma boa parte das casas, as do pátio, sobretudo, pertenciam a fazendeiros. Quando aumentou a escravatura e a produção das fazendas, seus donos ajudaram a erguer dois conventos na Vila – o de São Francisco (1692) e o do Carmo (1718).

Os comerciantes ergueram, em 1726, uma capela, num lugar ainda descampado – a de Santa Rita.

Em 1760, já existiam cerca de 105 casas e mais uma rua, chamada da Palma (atual dos Andradas). Nessa época, Itu se firma como entreposto de comércio na rota entre o sul do país e as regiões mineradoras de Mato Grosso e Goiás. A maioria das casas da Vila eram pequenas e habitadas por gente que pouco ou nada possuía.

Alguns anos depois, em 1776, com o crescimento das lavouras do açúcar e do algodão, a Vila cresceu, contando com 180 casas, tendo ainda as mesmas ruas de antes. Quem dá vida à localidade são os artesãos (sapateiros, ferreiros, latoeiros, carpinteiros, tecelões, costureiras e fiandeiras); eles ocupam 119 casas. Os comerciantes interessados na venda de tecidos, colchas e cobertores para outras regiões, promovem o cultivo do algodão, e a produção caseira de tecidos.

A partir de 1777, a Vila de Itu vai crescer em função dos negócios de exportação de açúcar para a Europa. O número de engenhos de cana e de escravos, agora vindos da África e não do sertão, se multiplicam. De 1785 a 1792, são abertas as ruas que descem paralelas, pelas encostas do espigão. Nessas ruas e seus prolongamentos pelo lado da Igreja do Patrocínio é que se forma, até 1865, a cidade que hoje constitui o “Centro Histórico”. A fase de maior crescimento da cidade foi entre 1836 e 1854, quando atingiu o número de 800 casas.

Nesta época, Itu era a Vila mais rica de toda a Província, tendo (desde o início do século) importante participação na vida política e econômica. Em 1857, a Vila foi elevada à condição de cidade.

Em 1860, ocorreu uma grande crise no mercado internacional do açúcar. O plantio da cana entra em decadência, causando, com o tempo, um conflito entre os políticos e os fazendeiros ituanos contra o governo Imperial. Cresce em Itu o movimento republicano que resulta, em 1873, na realização da Primeira Convenção Republicana do país. O açúcar vai sendo gradativamente substituído pelo café.

Com o aumento da produção cafeeira, os fazendeiros buscam, na Europa, a vinda de imigrantes para substituir a mão de obra escrava. O tráfico havia sido proibido em 1850 e, a escravatura, abolida em 1888. Com a ajuda do governo republicano, proclamado em 1889, vieram para Itu milhares de imigrantes, a maioria italianos. A cidade possui, nesta época, cerca de 1000 casas. O café foi a base da economia do município até 1935, ano da maior produção, decaindo depois, pela concorrência de outras áreas de plantio e pelo esgotamento de suas terras.

De 1935 a 1950, Itu quase não cresce além da área ocupada. A partir de 1950, novas indústrias vêm se instalar na cidade, principalmente as de cerâmicas. Ocorre grande migração rural em busca de trabalhos nas fábricas. A cidade começa novamente a crescer com a abertura de diversos loteamentos na periferia. Itu já não tem a mesma importância de antigamente, sendo influenciada pela Capital do Estado, já então uma metrópole. O velho centro, a maior e mais importante herança cultural dos tempos da colônia, passa a ser transformado. Os objetos antigos, imagens das igrejas e pertences particulares, começam a ser comercializados, sobrando hoje pouca coisa na cidade.

Após 1970, com a construção da rodovia Castelo Branco, novas indústrias instalam-se em Itu, principalmente às margens de suas estradas de acesso.

Dialetos e Linguagens de Itu

Embora sejam só quatro os Estados integrantes da região sudeste, há uma diversidade de expressões e linguagens entre seus habitantes, em decorrência das formações históricas e culturais de cada um deles. Por isso mesmo, pode se estudar cada um separadamente, sendo importante lembrar que Amadeu Amaral chegou a publicar um importante livro sobre o que ele chamou de “Dialeto Caipira”, típico de grande parte de São Paulo e Minas Gerais. Também Téo Azevedo identificou um outro dialeto, típico do norte de Minas Gerais, mas estendendo ao Sul da Bahia, e que ele chamou de linguagem catrumana.

O centro cosmopolita de povos de muitas etnias vivendo em seu espaço, São Paulo, tornou-se um centro difusor de expressões, muitas delas, curiosamente vindas do interior do Estado e outras partes do País.

Matungo é cavalo velho; ser judas é ser traidor, breganhar é fazer uma troca; grana e bufunfa significam dinheiro; enquanto assuntar significa perguntar, interrogar, repassar é revisar, remontar; sustância é força, energia, coragem; trucada é um desafio; trabucar é trabalhar, existindo mesmo um provérbioque diz: ” Quem não trabuca, não manduca”. Ou seja: ” Quem não trabalha, não come”; menina sapeca é menina levada mas também pode ser carne mal passada; supimpa é ótimo, exelente, mas homem sacudido é homem forte; Por sua vez ficar na rabeira é ficar para trás; e ser pidonho é estar sempre pedindo as coisas.

Culinária Tipica de São Paulo e Interior

Os Paulistas também frugais no inicio de sua história, foram adotando influências e assimilando pratos de várias partes do mundo, embora mantivessem alguns bem típicos. Assim é possivel hoje, encontrar ao lado de legítimas pizzas ítalo-paulista, pratos como o virado, o arroz com suã, um sanduiche bem paulista que é o bauru, além de uma gama de subprodutos do milho, da pamonha ao licor.

Fonte:
http://www.achetudoeregiao.com/SP/Itu/historia.htm

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Palavras e Expressões Regionais do Pernambuco

Ababacado, Abestado – Bobo, tolo, idiota.
Abiscoitado – Bobo, ingênuo.
Abisuntado – Enganado, lesado.
Abufanar – Provocar; irritar; perturbar.
Acertar na veia – Fazer a coisa com exatidão; dar o tiro certo.
Acochado – Destemido, valente.
Acunhar – Perseguir, chegar junto.
Afolozado – Folgado.
Alcoviteira – Pessoa que faz intermediação ou apóia namoro proibido.
Aloprado – Ousado.
Alpercata – Sandália de couro cru.
Aluado – Meio louco.
Amarrar-o-bode – Ficar de mau humor.
Amojada – Prenhe, grávida.
Amolegado – Coisa remexida, mole; pessoa frouxa.
Amundiçado – Desprovido de bons modos; mal-educado.
Ancho – Feliz, contente; metido.
Aperriado – Aflito, irritado.
Apoquentado – De cabeça quente; irritado.
Aprochegar – Aproximar-se; se enturmar.
Arenga – Briga.
Ariado – Sem rumo, desorientado.
Aruá – Bobo, idiota.
Arregar – Pegar carona sem ser convidado; usufruir de algo sem pagar.
Arremedar – Imitar, geralmente os pássaros.
Arretado – De boa qualidade, excelente.
Arriado – Enamorado, apaixonado.
Arrilique – Remédio eficaz, santo remédio.
Arribar – Partir, fugir.
Arrocha-o-nó – Agir com firmeza.
Arrudiar – Dar a volta pelo lado de fora (“O moleque arrudiou o circo, procurando um buraco pra entrar”).
Arupemba – Peneira.
Avexar – Apressar .
Avia – Apressa, agiliza (“Avia logo com esse serviço, menino!”).
Babão – Puxa-saco.
Baitola – Bicha, homessexual masculino.
Baixa-da-égua – Lugar muito distante.
Balai-de-gato – 1. Situação confusa; 2. Coisa muito ruim.
Baleado – Ligeiramente embriagado.
Bambo – Por acaso, por sorte (Não sabia o endereço, acertou no bambo).
Barata-de-igreja – Beata.
Barroada – Choque, batida entre dois ou mais automóveis.
Bascui – Sujeira, entulho.
Bater-fofo – Falhar, não cumprir o prometido.
Berrante – Revólver, arma de fogo.
Bexiga – Coisa ruim; situação complicada.
Bexiguento – Patife, cretino.
Bicada – Dose de aguardente, dose de bebida alcoólica.
Bicado – Embriagado.
Bigu – Carona.
Bila – Bola de gude.
Bip – Pessoa insistente; pessoa pegajosa; pessoa que fala muito.
Biritado – Bêbado, embriagado.
Bizu – Cola de prova; fraude em vestibular.
Boca-quente – Pessoa influente, importante.
Bodeado – Chateado; embriagado.
Bode-moco – Pessoa com problema de audição.
Borrego – Filhote de cabra.
Brebote – Comida com baixo teor de nutrição.
Bregueço – Objeto sem valor, desprezível.
Brenhas – Lugar longe e de difícil acesso.
Bruaca – Mulher feia.
Bujinganga – Conjunto de objetos variados, sem ou de pouco valor; miudezas.
Bunda-nacasta – Cambalhota.
Buruçu – Confusão.
Cabra – Pessoa não identificada; pessoa má; trabalhador braçal.
Cabrita – Menina-moça, moça sapeca.
Cabroeira – Grupo de cabras, pessoas.
Cabuetar – Denunciar.
Cabuloso – Chato; desagradável (O sujeito é muito cabuloso).
Cachete – Comprimido.
Cafofa – No futebol, chute fraco, sem força.
Caixa-dos-peito – Tórax (O cabra levou um tiro bem na caixa-dos-peito).
Caixa-prego – Lugar muito distante.
Califon – Sutiã, corpete.
Calombo – hematoma, galo, caroço.
Calunga – Aquele que trabalha descarregando caminhão.
Cambota – Pessoa de joelhos separados, que caminha de pernas abertas.
Canso – Cansado; Informação velha (Ele casou com ela porque quis, mas estava canso de saber que ela não prestava).
Cão chupando manga – Muito competente no que faz.
Capiongo – Desanimado, triste, abatido.
Caritó – Estado da mulher que envelheceu e não conseguiu casar (Ela ficou no caritó).
Carraspana – Bebedeira, cachaça.
Catatau – Entulho, amontoado de objetos.
Catinga – Mau-cheiro.
Catombo – Parte elevada de alguma superfície; hematoma.
Catota – Secreção nasal, meleca.
Catrevage – Coisa velha, objetos sem valor.
Cavalo batizado – Grosseiro, estúpido.
Cavernosa – Pessoa ou coisa misteriosa.
Chamar-na-grande – Advertir seriamente.
Cheleléu – Puxa-saco, xaleira.
Chililique – Desmaio.
Chirimbamba – Mundiça, ralé.
Chirre – Sopa rala, caldo sem consistência.
Chumbado – Meio embriagado.
Chupitilha – Refresco.
Cocorote – Cascudo.
Coivara – Ajuntamento de galhos preparativo na queimada.
Comunismo – Carestia (Os preços na feira hoje estavam um comunismo).
Conxambrança – Acordo entre duas ou mais pessoas, com objetivo de ação maldosa.
Corta-jaca – Intermediário de namorados.
Corpete – Sutiã.
Cotoco – Pedaço muito pequeno de um objeto (O lápis está só no cotoco).
Couro-de-pica – Diz-se da pessoa ou situação que vai e volta freqüentemente sem nada resolver.
Cromo – Calendário.
Curriola – Grupo de pessoas da baixa classe social.
Cuvico – Pequeno cômodo.
Dar o grau – Caprichar num serviço.
Dar o prego – Enguiçar, quebrar (o carro deu o prego na subida da ladeira).
Derna – Desde.
Derrubado – Feio; decrépito.
Desenxavido – Desinibido.
Desopilar – Descontrair .
Desmilinguido – Magro; sem vigor.
Despachada – Pessoa desinibida; pessoa folgada.
Despautério – Desaforo.
Despanaviado – Desajeitado; tonto.
Desunerar – Engrolar; ficar mal cozido ou mal assado; comida fora do ponto.
Difunço – Gripe, resfriado.
Disgramado – Atrevido ou sujeito desgraçado.
Dois gatos pingados – Platéia minúscula, pouca gente.
Do tempo do ronca – Muito antigo, fora de moda, ultrapassado.
Embarrigar – Engravidar, ficar grávida.
Emburacar – Entrar sem pedir licença.
Empazinado – Estado daquele que comeu além da conta.
Empeleitada – Empreitada, trabalho com pagamento previamente ajustado.
Emprenhar – Engravidar.
Empombar – Implicar.
Empulhado – Pessoa constrangida, sem graça diante de uma situação.
Encangados – Unidos, inseparáveis.
Encasquetar – Ficar com idéia fixa em alguma coisa
Encruar – Emperrar; empacar.
Engembrado – Dolorido, esfolado (Depois da corrida, fiquei com o corpo todo engembrado).
Engrisilha – Situação confusa; coisa enrolada.
Entonce – Então.
Entupido – Pessoa com prisão de ventre.
Escafedeu – Sumiu, desapareceu.
Escurrupichado – Muito comprido, esticado.
Esparro – Arrogância.
Espinhela caída – Doença na coluna vertebral.
Espoletado – Brabo; inconseqüente.
Espragatar – Esmagar (Ele caiu e ficou espragatado no chão).
Esprivitado – Agitado, atrevido.
Estabanado – Destemperado.
Estalecido – Gripe, resfriado.
Estambocar – Quebrar partes do reboco da parede.
Estoporar – Explodir; passar da conta; gastar em excesso (Ele estoporou todo o dinheiro apurado).
Estribado – Endinheirado, rico.
Estrupício – Aquilo ou a pessoa que dá trabalho, que sobrecarrega a vida de alguém (“Aquele menino é o estrupício da minha vida!”).
Esturricar – Secar ao sol em demasia.
Farnesim – Gastura, arrepio, comichão, agitação nervosa.
Farofa – Enganação; pose (Ele muito frouxo, só tem farofa).
Farrapar – Não cumprir, falhar (Assumiu o compromisso comigo mas farrapou; o motor do meu carro está farrapando).
Febrento – Chato; mau-caráter.
Ferrado – Derrotado; em situação de apuro.
Fita – Amostração; que só tem pose.
Foi o bicho – Foi excelente.
Folote – Frouxo, folgado, afolozado.
Frege – Agitação, reboliço, festa ou função de aparência má.
Fubento – Desbotado, velho, surrado (O paletó do médico está fubento).
Fubica – Carro velho, imprestável.
Fuleiro – Usa-se para classificar objeto sem valor ou pessoa que não cumpre o prometido.
Fuleragem – Atitude desprezível.
Furdunço – Briga, bagunça, confusão.
Futricar – Bisbilhotar, remexer.
Fuxico – Mexerico, intriga, fofoca.
Gaia – Traição ao cônjuge, infidelidade conjugal.
Gaiato – Gozador.
Gaitada – Gargalhada.
Galalau – Homem de alta estatura.
Garajau – Grade feita em madeira para transportar galinhas.
Gargantilha – Homossexual masculino.
Gasguita – Mulher de voz estridente.
Gastura – Mal estar estomacal; arrepio.
Goga – Empáfia, soberba.
Góia – Resto, ponta de cigarro.
Gota-serena – Enraivecido, irado (Ficou com a gota-serena porque o time dele perdeu o jogo).
Gréia – Zombaria, gozação.
Grude – Sujeira; cola de farinha de mandioca; pessoa pegajosa.
Guelar – Apropriar-se indevidamente de algo; roubar.
Guenzo – Pessoa magra, esquelética.
Incandeado – Ofuscado.
Inguizira – Coisa ou situação complicada.
Inhaca – Mau-cheiro, fedor, catinga.
Injiado – Enrugado.
Inté – Até.
Interar – Completar.
Istruir – Desperdiçar, estragar (É pecado istruir comida).
Jabá – Propina; qualquer comida sem muito preparo, grosseira.
Jabaculê – Dinheiro; propina.
Jaburu – Mulher feia.
Jamanta – Pessoa grande e gorda.
Jararaca – Mulher que gosta de brigar, valente.
Jerico – Jumento; pessoa ignorante, burra.
Lambedor – Xarope caseiro.
Lambisgóia – Mulher magra, esquelética; mulher namoradeira.
Lacraia – Escorpião; mulher de gênio mau.
Lapada – Dose (Tomei apenas uma lapada de cachaça).
Latumia – Conversa sem controle, algazarra, confusão.
Lero – Conversa descontraída, sem compromisso.
Leseira – Bobagem, idiotice.
Leso – Bobo; Pessoa esperta que se faz de boba para levar vantagem.
Liseu – Estado de quem está sem dinheiro (Maria está num liseu que faz pena).
Loiça – Homossexual masculino.
Lombrado – Cansado.
Lumia – Clareia.
Lundu – Saudade.
Macaca – Estado de pessoa irritada, raivosa (Ele estava com a macaca).
Maçaroca – Grande quantidade de objetos desordenados (Era uma maçaroca de papel).
Madorna – Dormir (Vou tirar uma madorna).
Mafuá – Bagunça; confusão.
Malamanhado – Mal vestido.
Malassada – Omelete.
Maloqueiro – Moleque, vagabundo.
Maluvida – Pessoa sem educação, malcriada.
Mangote – Grande grupo de pessoas (Tinha um mangote de velhas na missa).
Manzanza – Lentidão; pessoa lenta.
Marinete – Carro tipo perua, utilitário.
Marmota – Pessoa desajeitada, mal-vestida.
Marretar – Roubar.
Mas é nada! – Interjeição indicando discordar, não permitir algo.
Mata-fome – Bolacha.
Matulão – Sacola de couro; bizaco.
Meganha – Soldado; recruta.
Meiota – Metade de uma garrafa de cachaça.
Melado – Embriagado .
Miolo-de-pote – Bobagem, conversa fiada.
Misto – Caminhão com metade da carroceria transformada em cabine para o transporte de passageiros: a outra metade leva as cargas.
Mocréia – Mulher feia; mulher sem classe.
Mondrongo – Engenhoca sem utilidade, coisa malfeita.
Mormaço – Ambiente sem ventilação, quente e úmido.
Mosqueiro – Restaurante malcuidado, sujo.
Mufino – Medroso, covarde.
Muiar – Molhar.
Mulesta-dos-cachorros – Ira, raiva (Ele ficou com a muleta-dos-cachorros).
Mundiça – Ralé, pessoa(s) sem educação.
Munganga – Careta, trejeito.
Munheca-de-pau – Motorista sem habilidade, mau motorista.
Muruanha – Muriçoca.
Murrinha – Coisa emperrada; pessoa com raiva.
Mussiça – Macia; carne sem osso.
Nebrina – Sereno.
Nesga ou Nesguinha – Pedaço pequeno, minúsculo.
Nó-cego – Dificuldade; pessoa ou coisa complicada.
Noda – Nódoa, mancha.
Novela – Situação de difícil solução, interminável.
Oitão – Corredor lateral entre a casa e o muro do quintal
Ôxe ou oxente – Exclamação de surpresa.
Pabulagem – Orgulho vão, empáfia; embuste, impostura.
Pacaia – Cigarro feito com palha e fumo de rolo.
Paia – Coisa sem valor; restos.
Pamonha – Diz-se da pessoa tola, sem iniciativa: comida de milho.
Pandemonho – Correria, confusão.
Pantim – Artimanha; trejeito; disfarce com objetivo de esconder algo a outrem.
Papagaio – Pipa; dívida não paga.
Pareia – Par; coisa ou pessoa sem igual (Na ruindade, aquele ali não tem pareia, não) .
Passado na casca do angico – Pessoa experiente, madura.
Pau-do-canto – Diz-se quando o aluno é aprovado com nota mínima (Eduardo passou no pau-do-canto).
Peba – Coisa sem valor, ruim.
Pedir penico – Fracassar, desistir.
Peguenta – Pessoa pegajosa, que não desgruda das outras.
Penca – Grande quantidade; cacho.
Penosa.- Galinha.
Penso – Torto, desalinhado.
Pereba – Ferimento, ferida.
Pia – Olha, veja.
Picinês – Óculos.
Pílula-bufante – Batata-doce.
Pindaíba – Estado de pobreza, liseu.
Pinguela – Passagem estreita, de madeira, sobre riacho.
Piniqueira – Empregada doméstica.
Piola – Ponta de cigarro.
Piquai – Objeto sem valor, peba.
Pirangueiro – Pessoa mão-fechada, pão-duro.
Pirobo – Bicha, homossexual masculino.
Pirraia – Criança, pessoa de comportamento infantil.
Pisante – Sapato.
Pitaco – Palpite.
Pitéu – Gata, mulher jovem e bonita.
Pitoco – Coisa ou pessoa pequena.
Pixaim – Cabelo encaracolado.
Pixotinho – Pessoa pequena, ainda criança.
Ponche – Refresco; suco de fruta.
Potoca – Conversa fiada, conversa besta.
Pra mode – De modo a.
Precisão – Necessidade.
Precondia – 1. Estado de tristeza, de abatimento (Depois que a mulher o deixou, ele ficou numa precondia danada) 2. Situação monótona (Sem festas, a cidade fica numa precondia horrorosa).
Presepe – Pessoa vestida com roupa espalhafatosa, desajeitada.
Presepada – Estripulia, confusão; atitude desonesta; atitude ridícula.
Presepeiro – Aquele que pratica presepadas.
Pru qui – Por aqui.
Quartim – Uma quarta parte da garrafa de cachaça.
Quartinha – Reservatório, de barro, para armazenar água, bem menor que pote.
Quartinho – Um quarto da garrafa de cachaça.
Quebra-queixo – Doce de ponto apurado, à base de coco e de castanha de caju, vendido nas ruas num tabuleiro que o ambulante carrega na cabeça.
Queijudo – Donzelo; abestalhado.
Queixão – Falar em tom arrogante, desafiador (Ele veio com queixão pra cima de mim).
Quenga – Prostituta; mulher de comportamento condenável.
Quengo – Cabeça.
Rabiçaca – Derrapada (Na curva, o carro deu uma rabiçaca e quase capotou).
Rançosa – Comida ou bebida amarga.
Rafaméia – Ralé; grupo de pessoas sem linhagem.
Reboculosa – Mulher de corpo avantajado e atraente.
Rebordosa – Reviravolta; prejuízo.
Rebutalho – Restos de qualquer coisa; coisa sem valor.
Refém – Referente a; a respeito de (Não sei nada refém ao crime).
Remosa – Comida gordurosa, carregada, indigesta.
Resmungar – Reclamar repetidas vezes, geralmente em voz baixa.
Revestrério – Reviravolta, mudança de situação para melhor ou pior.
Riba – A parte superior; em cima.
Rimueta – Vai-e-vem; situação que não se resolve.
Riúna – Botina, calçado.
Rodage – Estrada de barro.
Roendo – Sofrendo por desilusão amorosa (Ela vive o tempo todo roendo por ele).
Rojão – Ritmo puxado, cansativo.
Rolete – Rodela de cana-de-açúcar.
Ronceiro – Lento; preguiçoso.
Roncha – Mancha provocada por pancada.
Roscofe – Relógio de pulso de baixa qualidade.
Rudilha – Pano de apoio para carregar lata de água na cabeça.
Ruma – Grande grupo de pessoas ou grande quantidade de objetos (Tinha uma ruma de gente na procissão).
Saída – Pessoa desinibida, afoita, atrevida.
Saimento – Paquera agressiva, fogosa; oferecimento (Neuza tá com muito saimento pro lado do namorado).
Sair com dois quentes e um fervendo – Reagir energicamente; entrar na briga pra valer.
Sair de bandinha – Deixar o lugar discretamente, sem chamar atenção.
Sambado – Estado de coisa muito gasta, velha, surrada.
Samboque – Buraco aberto em superfície lisa; ferimento.
Sapecado – Assado apenas superficialmente.
Sarrar – Namorar agarrado; amasso.
Se abrir – 1. Achar graça; 2. Ceder (a mulher) às investidas amorosas do homem.
Se aprochegue – Venha pra cá; chegue mais perto.
Segurar cabra pra bode mamar – Facilitar as coisas para outra pessoa.
Sibito – Pessoa magra e de baixa estatura; pequeno pássaro.
Sobejo – Resto de comida.
Sobrada – 1. Diz-se da ocasião em que uma pessoa tentou realizar alguma coisa e não conseguiu; 2. Quando um carro tentar fazer uma curva e derrapa.
Sobroço – Mágoa.
Soneca – Cochilo.
Sonsa – Pessoa falsa; pessoa fingida.
Supimpa – De boa qualidade, excelente.
Sustança – Valor altamente nutritivo de um alimento.
Talaigada – Grande gole de cachaça.
Tampa – Coisa ou pessoa de grande valor; o melhor, o primeiro .
Tapa-no-beiço – Tomar uma dose de cachaça (Vamos dar uma tapa-no-beiço?).
Tapiar – Enganar; distrair.
Tá variando – Endoidecido.
Teitei – Confusão, algazarra.
Teréns – Pertences de uma pessoa; objetos pessoais.
Tico – Quantidade mínima, pequena porção.
Tição – Pedaço de madeira queimada; pessoa de cor negra.
Timbugar – Mergulhar na água de um rio ou açude.
Tiririca – Estado de uma pessoa enraivecida (Ele ficou tiririca com a acusação).
Tirrina – Tigela grande.
Toitiço – Nuca; juízo.
Tome tento – Tome juízo; se ligue.
Tô operado – Significa: Sinto, mas não posso te ajudar.
Trepeça – 1. Pessoa má; 2. Objeto sem valor.
Troço – Objeto pessoal; pessoa desqualificada.
Trojão – Mulher gorda.
Tronchura – 1. Situação embaraçosa; 2. Coisa mal-feita.
Truado – Embriagado.
Trunfa – Topete, cabeleira.
Trafuá – Briga, confusão.
Trapusapo – Em tempo recorde; o mesmo que vapt-vupt.
Trepeça – Pessoa ou coisa sem valor.
Tribuzana – Algazarra.
Troncho – 1. Inclinado; tortuoso 2. Indivíduo de vida desregrada.
Truado – Embriagado.
Trupicão – Tropeço; topada.
Trupizupe – Pessoa desajeitada.
Tufo – Molho (Arrancou um tufo de cabelo).
Tuia – Grande quantidade; muitas pessoas ou coisas.
Uruvai – Orvalho.
Urucubaca – Azarão.
Urupemba – Peneira; o mesmo que Arupemba.
Vai dar bode – Vai acabar em confusão.
Vara de tirar coco – Pessoa alta e magra.
Varapau – Homem alto e magro.
Vascui – Restos; resíduos.
Velhaco – Mau pagador.
Vexado – Que tem pressa, apressado.
Vuco-vuco – Casa que comercializa objetos usados.
Xanha – Coceira.
Xenhenhém – Conversa mole, desculpa mal dada.
Xeleléu – Bajulador.
Xêxo – Calote.
Xexeiro – Mau pagador, caloteiro.
Xilindró – Presídio.
Xilique – Mal estar; desmaio.
Xiringar – Lançar jato de água.
Xodó – Namoro; paquera.
Xoxo – Magro, franzino, raquítico.
Zambeta – Indivíduo que tem os dois pés tortos.
Zarói – Pessoa caolha, estrábica.
Zuadenteo – Barulhento.
Zureia – Orelha..

Fonte:
http://www.pe-az.com.br/especiais/pernambuques.htm

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Expressões e Suas Origens (G, H, I)

por Deonísio da Silva

Ganharás o pão com o suor de teu rosto
Muito utilizada por oradores e por escritores de todos os tempos, e de uso bastante freqüente em alusão ao trabalhado, de acordo com o texto do Evangelho esta frase foi pronunciada originalmente por Deus ao expulsar Adão e Eva do paraíso terrestre. Ela foi dirigida ao primeiro homem, coroando um processo sumário conduzido por Deus que culminou em três sentenças gravíssimas. As outras duas foram dirigidas ao demônio, representado pela serpente, e a Eva. A serpente foi condenada a arrastar-se eternamente sobre o ventre, e as mulheres, a passar pelos sofrimentos no partos.

Glória a Deus nas alturas
O evangelista São Lucas foi o primeiro a registrar esta frase que teria sido, não apenas dita, mas também cantada por um anjo, acompanhado de milhares de vozes de coros celestes, na noite em que nasceu Jesus, diante de pastores maravilhados e um pouco medrosos com a aparição. Eles guardavam seus rebanhos naquele noite nas redondezas da gruta que depois seria transformada em basílica formosa. A partir do século XIII, quando São Francisco de Assis (1182-1226) construiu o primeiro presépio, a frase, juntamente com a represente da Sagrada Família, dos pastores e dos animais que rodearam a manjedoura naquela noite de frio, esteve sempre presente em todos os presépios em forma de faixa.

Habeas-corpus
A origem desta famosa frase latina, citada com muita freqüência, principalmente em tempos de perseguições políticas que levam à perda das liberdades individuais, encontra-se nas primeiras palavras de uma célebre lei inglesa, o Habeas Corpus Act, sancionada em 1679 por Carlos II (1630-1685), então rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Hoje está incorporada aos sistemas jurídicos de quase todos os países. Seu significado é que tenhas teu corpo. O objetivo deste preceito é garantir ao acusado o direito de aguardar o julgamento em liberdade, sob fiança. O imperador que sancionou notabilizou-se, entre outras coisas, por assegurar a convivência entre católicos e protestantes num tempo de grandes rivalidades entre as duas religiões.

Houve muitos músicos famosos, mas apenas um Beethoven
Com esta frase, sempre repetida, Pelé explica, sem vaidade, a sua proclamada e reconhecida genialidade como maior jogador de futebol de todos os tempos. Excessiva humildade, vinda de nosso atraso socioeconômico, dera-nos, antes de 1958, o complexo de vira-latas, segundo Nelson Rodrigues. Pelé rejeitou toda modéstia, sagrando-se rei e desfrutando de sua majestade ainda hoje, sendo mais conhecido e reconhecido do que monarcas e presidentes. O glorioso camisa 10 não poderia, porém, ignorar que Beethoven e ele, na música e no futebol, sempre tiveram companhias à altura. Sem aqueles talentosos colegas, no Santos e na seleção, ele certamente não teria sido o mesmo. Sem contar que na Copa de 1962, Amarildo, Garrincha e os outros nove, e na de 1970, Gérson, Rivelino, Tostão e Jairzinho, fizeram-nos lembrar de que além de Beethoven, havia Mozart, Wagner, Vivaldi, Villa-Lobos, etc.

Houve muitos papas e um único Michelangelo
Esta frase foi pronunciada pela primeira vez pelo célebre pintor, escultor, arquiteto e poeta italiano Michelangelo Buonarotti (1475-1564), autor de algumas das principais obras-primas da arquitetura e da arte sacra em todos os tempos, entre as quais se destacam a cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma, e os famosos afrescos da capela Sistina. O artista vivia às turras com o papa Júlio II (1443-1513), que, entretanto, protegeu, além de Michelangelo, outros grandes pintores e arquitetos, como Rafael (1483-1520) e Bramante (1444 -1514), e foi numa de suas brigas com o sumo pontífice que pronunciou a frase que ficaria famosa. Ao ouvir a frase, o papa deu uma bolacha na face do artista.

Independência ou morte
Esta frase foi pronunciada por Dom Pedro I (1978-1834), no dia 7 de setembro de 1822, por volta das quatro da tarde, em São Paulo, às margens do riacho Ipiranga, ao romper os laços coloniais que nos submetiam a Portugal e proclamar a independência do Brasil. O imperador estava montado quando a pronunciou, de acordo com a iconografia que consagrou o ato mais importante do Brasil como nação, tal como fez o pintor paraibano Pedro Américo (1843-1905) no mais famoso de seus quadros históricos, Grito do Ipiranga. Nossa independência tornou notáveis muitas pessoas. O próprio pintor teve seu retrato colocado na sala dos pintores célebres, na celebérrima Galeria Degli Uffizzi, em Florença, na Itália.

Inês é morta
Personagem histórica e literária, celebrada em Os lusíadas, de Luís de Camões (1524-1580), Inês de Castro (1320-1355) teve um caso com o príncipe Dom Pedro (1320-1367), com quem teve três filhos. Por reprovar o romance, a casa real condenou a dama castelhana que vivia na corte portuguesa à morte por decapitação. Ela literalmente perdeu a cabeça por um homem. Quando já era o oitavo rei de Portugal, Dom Pedro deu-lhe o título de rainha. Mas àquela altura logicamente isso de nada adiantava: Inês já estava morta. A frase passou a significar a inutilidade de certas ações tardais. É o título de romance do mineiro Roberto Drummond.

Fonte:
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=curiosidades/docs/vempalavras1

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Expressões Potiguares (Rio Grande do Norte)

Abigobel – Leso, sem atenção.
Abilolado – Com o miolo mole, sem juízo.
Abufelado – Chateado, com raiva.
Abusado – Chato
Achinchelar – Usar o tênis como chinelo.
Acochar – Apertar.
Acolá – Ali.
Acunhar – Correr, fugir. “Acunha rapaz!”
Afolosar – Afrouxar.
Aí vareia – Depende.
Alpercata – Sandália de dedo.
Amarrado – Pão-duro, mesquinho.
Amuquecado – Quieto, desanimado.
Aparelho – Vaso sanitário.
Aperrear – Encher o saco, pertubar. “Deixe de aperreio aí!”
Apetrechada – Dotada de beleza física.
Apombalhado – Leso.
Arenga – Briga pequena.
Aresia – Conversa besta, sem fundamento.
Argueiro – Cisco no olho.
Ariado – Desnorteado.
Arremedar – Imitar.
Arretado – Algo muito bom.
Arrudiar – Dar a volta.
Arrumação – Tanto teimosia (“Menino! Deixa de arrumação!”) quanto agito.
Avexado – Com pressa.
Avia – “Venha, ande logo”.
Azougue – Ímã.
Bagana – Balas, biscoitos, chocolates, pirulitos, chicletes… Alimentos para um lanche rápido, para se comer no cinema, etc.
Baixa da égua – Lugar onde ninguém quer ir, lugar muito longe.
Baladeira – Estilingue, atiradeira.
Balaio de gato – Desorganização, confusão.
Baludo – Cheio da grana.
Banda – Pedaço de alguma coisa.
Bater a caçuleta – Morrer.
Biloca – Bola de gude.
Blimba – Estalo na orelha com o dedo.
Bôjo – Sanitário.
Bora li – Vamos ali.
Borréia – Sem qualidade.
Boyzinha – Menina novinha.
Bozó – Dados.
Breado – Sujo, melado.
Brecheiro – Sabe da vida alheia, observando às escondidas.
Brenha – Local longe de difícil acesso. “Rapaz, esse lugar é lá nas brenhas!”
Brocoió – Matuto, caipira.
Brotinho – Mocinha bonita.
Bruguelo – Bebê.
Bubu – Chupeta.
Bufa – Peido.
Bufento – Aquilo que perdeu a cor.
Buliçoso – Pessoa que mexe em tudo.
Cabido – Intrometido.
Caboré – Homem esquisito.
Cabreiro – Desconfiado.
Caga-lona – Quem anda na carroceria de uma caminhonete.
Cagado – Sortudo.
Cagado e cuspido – Muito parecido.
Cagou o cibazol – Errou, não teve sucesso.
Caixa bozó – Lugar muito longe.
Caixão e vela preta – O melhor, o máximo.
Califon – Sutiã, porta-peitos.
Cambada – Grupo de malandros.
Cambito – Perna fina.
Cangapé – Capotagem.
Cangote – Nuca, parte detrás do pescoço.
Cangueiro(a) – Aquele que não dirige bem.
Canhão – Mulher feia.
Caningar – Chatear.
Canjerê – Tumulto.
Cantiga de grilo – Algo repetitivo.
Cão chupando manga – Pessoa muito feia.
Capilé – Estalo com o dedo atrás da orelha.
Caquear-se – Gestos à procura de algo.
Caraca – Sujeira de nariz.
Carecer – Precisar.
Caritó – Moça velha que não casou.
Carregado – 1. Alimento que pode fazer mal ao organismo. 2. Comida “pesada”, que deixa a pessoa se sentindo muito cheia (alguns pratos da comida regional).
Cascaviar – Remexer, procurar.
Catinga – Mau cheiro.
Catoco – Pedaço de coisa.
Catôta – Sujeira de nariz.
Caxaprego – Lugar distante.
Cevado – Fortinho, quase gordo.
Cheio de onda – Pessoa com muita conversa, enrolação.
Cheio de toddynho – Bêbado.
Chulipa – Tapa na orelha com um dedo no sentido vertical.
Churumingar – Reclamar.
Cigarreira – Banca de revista.
Cipuada – Porrada, chibatada.
Cocorote – Cascudo.
Coisar – “Verbo” multifacetado utilizado sempre que uma palavra mais apropriada não é encontrada.
Coletivo – Ônibus.
Com a bexiga – Com raiva.
Comí que fiquei triste – Quando a pessoa comeu demais, até o limite.
Confeito – Balas, doces.
Corralinda – Coisa linda, pessoa bonita.
Corrida de ganso – O que não vale a pena.
Crica – Criança.
Cumê que ofende – Comida que pode provocar algum tipo de reação ou alergia.
Custar – Demorar. “O ônibus está custando muito”.
Danada – Pessoa inquieta, que não fica parada. “Ô menina danada!”
Dando siu – Chamando “psiu”.
Dar cabimento – Dar liberdade, intimidade.
Dar o grau – Caprichar ao fazer algo. “Eu vou dar o grau na sua casa”
Dar o prego – Enguiçar.
Dar pitaco – Dar opinião.
Dentequeiro – Dente siso.
Derradeiro – Último.
Derrubado – 1. Sem ânimo, doente; 2. Sem qualidade.
Desapartar – Separar.
Descansar – Parir, dar à luz.
Descatitar – Acelerar, correr.
Desembuchar – Confessar.
Desimbestar – Correr bastante.
Desmantelado – Maluco, muito doido.
Desmentir – Torcer o pé.
Desmilingüido – Muito magro, sem força.
Destrocar – Trocar dinheiro.
Deu um revestrés no buxo – Deu uma dor de barriga repentina.
Din-din – Sacolé, chupe-chupe, gelinho.
Dirlechado – Desorganizado, sem cuidado.
Doidim – Doidinho, pessoa simpática meio amalucada.
Dor de viado – Dor no baço.
É caixão! – É difícil, complicado.
É um porre! – Chato, péssimo.
Eita piula! – Interjeição de espanto.
Em riba – Em cima.
Embuchar – Engravidar.
Emburrado – Chateado, de cara feia.
Empanzinado – Quem comeu demais.
Encalifado – Desconfiado.
Encangado – Em cima, montado.
Encruado – Aquele que não cresceu.
Enfadado – Cansado.
Enfezado – Com raiva.
Engilhado – Enrugado.
Enguiçado – Quebrado.
Enredar – Entregar alguém. “Meu irmão me enredou para minha mãe”.
Ensacar – Pôr a blusa dentro da calça.
Entojo – Enjôo.
Enxerido – Assanhado.
Esbugalhado – De olhos bem abertos.
Escanchado – Montado em algo ou alguém.
Escangalhado – Quebrado.
Escapulir – Escapar, fugir.
Esgotar – Secar a fossa.
Esmolé – Mendigo.
Esmulecer – Desanimar, esmorecer.
Espichado – Esticado.
Espragatado – Pisado, amassado.
Estatalado – Caído e todo quebrado.
Estribado – Pessoa com muito dinheiro.
Estribuchar – Debater-se.
Estrompado – Arrombado, arregaçado.
Eu cegue – Eu aposto, eu dou minha palavra.
Farda – Uniforme escolar.
Fastiado – Sem fome.
Fazer sabão – Sexo entre lésbicas. “As duas estavam fazendo sabão lá na casa de praia”
Fechar a prova – Acertar toda a prova.
Fechicler – Zíper de calças, bolsas etc.
Fez mal – Engravidou alguém.
Filé de borboleta – Pessoa muito magra.
Folote – Folgado.
Frangote – Moleque, adolescente.
Frechado – Chato.
Friso – Grampo de cabelo.
Frivião de gente – Multidão.
Fuá – Um cantinho bagunçado.
Fubento – Sem cor, desbotado.
Fuinha – Rostinho engilhado.
Furdunço – Bagunça.
Furnido – Forte, robusto.
Gaia – Chifre.
Galalau – Rapaz alto.
Gale não – “Não faça essa sacanagem”.
Galinha à cabidela – Galinha ao molho pardo.
Gastura – Enjôo, mal-estar.
Ginga – Manjubinha, tipo de peixe.
Godela – Conseguir algo sem pagar.
Goipada – Cuspida.
Gorado – Ovo estragado.
Grade – Caixa de cerveja.
Graxa – Molho de carne.
Grosso que nem parede de igreja – Pessoa grosseira.
Ingembrado – Torto.
Jerimum – Abóbora.
Leriado – Conversa fiada.
Marmotento – Pessoa cheia de manias.
Melado – Bêbado.
Môco – Surdo, mouco.
Mói de chifre – Corno.
Mundiça – Gente pobre, “povão”. “Na praia só tinha mundiça”
Não dá um prego numa barra de sabão – Não faz nada, é um preguiçoso.
Ova de Curimatã – Prato típico feito com curimatã, que é um peixe de água doce.
Paçoca – Carne seca socada no pilão com farinha de mandioca e temperos.
Papel de enrolar prego – Pessoa grosseira.
Pastorar – Vigiar. “Pastore aí meu carro”
Pé de pau – Árvore.
Peba – De má qualidade.
Pedir penico – Desistir.
Pelejar – Tentar várias vezes.
Queima raparigal! – Grito de guerra, incentivo para as meninas agitarem.
Quenga – Prostituta.
Sibite baleado – Pessoa pequena (“sibite” é um pequeno pássaro).
Sustança – Energia dos alimentos. “Rapadura tem sustança”.
Torei a arriata da minha chinela – Quebrei minha sandália
Triscar – Tocar. “O menino triscou no bolo”
Varapau – Homem alto.
Vexado – Apressado.
Vexame – Aperreio, confusão.
Vigi! – Por pouco, quase!
Visse? – Certo? OK?
Vogar – Valer.
Xanha – Coceira na pele.
Xeleléu – Puxa-saco.
Xôxa – Sem graça, sem futuro.
Zambeta – De pernas tortas.
Zonar – Zombar, tirar um sarro, curtir com o outro.
Zuadento – Barulhento.

Fonte:

http://www.nataltrip.com/termos_regionais/Z

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Curiosidades de Nosso Brasil (Rio Grande do Norte)

O ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

O Rio Grande do Norte é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado na Região Nordeste e tem como limites a norte e a leste o Oceano Atlântico, ao sul com a Paraíba e a oeste com o Ceará. Ocupa uma área de 52.796,791 km², sendo pouco maior que a Costa Rica. Sua capital é a cidade de Natal. As cidades mais populosas são: Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, Macaíba e Caicó. O território apresenta um relevo modesto, com mais de 80% de sua área possuindo menos de 300m de altura. Mossoró, Apodi, Açu, Piranhas, Potenji, Trairi, Jundiaí, Jacu, Seridó e Curimataú são os rios principais. Veja lista de rios do Rio Grande do Norte.

Embora o maior litoral dentre os estados brasileiros seja o da Bahia, o Rio Grande do Norte é o com maior projeção para o Atlântico, já que se situa em uma região onde o litoral brasileiro faz um ângulo agudo, a chamada “esquina do Brasil”. Foi por esse motivo, que os americanos decidiram estabelecer uma base aérea no estado durante a Segunda Guerra Mundial. Tal base, de tão importante que foi para o sucesso no desembarque na Normândia, foi apelidada na época de “Trampolim da Vitória”, devido ao grande “salto” que ela proporcionou para a frente aliada.
É impossível fixar com segurança a época exata em que foram pela primeira vez avistadas as costas do Rio Grande do Norte, e bem assim quem as avistou, sendo, como é, certo que antes de Cabral outros navegantes, de cujas viagens poucos conhecemos que haviam percorrido o litoral do Brasil, principalmente em sua parte setentrional e dentre os que o fizeram, são hoje constantemente apontados Alonso de Hojeda que em fins de Junho de 1499 navegando em companhia dos célebres pilotos Juan de La Cosa e Américo Vespucio, se encontravam com a terra na latitude de cinco graus ao sul da equinocial.

Vicente Pinzon que tinha como companheiro Colombo e o Capitão Nina em Janeiro de 1500 chegaram a um cabo que lhe denominaram de Santa Maria de La Consolacíon.
Se dirigiram para noroeste, passando além da foz do rio Amazonas. Posteriormente à notificação oficial do descobrimento do Brasil ao governos da Europa e atendendo aos pedidos da carta de Pero Vaz de Caminhas, foi enviada a primeira expedição portuguesa ao território brasileiro no ano de 1501, que ficou conhecida como a expedição exploradora de 1501 comandada por Gaspar de Lemos com a ajuda de Américo Vespucio que chegou à 16 de Agosto ao Cabo de São Roque na praia dos Touros, onde fixaram um marco de posse portuguesa em pedra branca contendo os brasões de Portugal.

A esta se seguiram muitas outras expedições portuguesas e espanholas ao Brasil, em diferentes viagens de exploração para a América Central, para o rio da Prata e para as Índias. E as expedições francesas que logo após a descoberta do Brasil começaram a tomar conhecimento das terras e de seus habitantes com os quais traficavam o pau-brasil até o falecimento de Dom Manuel, em 1521. Os contrabandistas franceses aproveitaram o intuito mercantil dos índios, estabeleceram estações de permuta nos portos visando lucros imediatos e especulações rendosas, e para combater-lhos, em 1530, Portugal enviou a primeira expedição colonizadora sob o comando de Martins Afonso de Souza.
Em 1532, o rei Dom João III resolveu dividir o Brasil em 15 lotes e entregá-los a 12 donatários, e na divisão das capitanias hereditárias, coube ao honrado Feitor da Casa de Mina e da Índia João de Barros através de uma carta de doação a do Rio Grande do Norte com 100 léguas de costa que ia da baia da tradição até as proximidades do rio Jaguaribe, a qual foi aglutinada com 50 léguas doadas a Aires da Cunha e 75 léguas doadas a Fernão Álvares de Andrade que perfizeram um total de 225 léguas de terras, e que devido a sua impossibilidade de participar da empreitada de ocupação de sua capitania em virtude de suas atividades burocratas nas cortes portuguesas, João de Barros autorizou que os seus filhos João e Jerônimo partissem de Lisboa no mês de novembro de 1535 com destino a capitania de Pernambuco onde receberam eficaz auxilio de Duarte Coelho e rumaram para a capitania do Rio Grande com o propósito de fundarem uma colônia.
Entretanto ao desembarcarem no Rio Grande encontraram forte oposição dos índios potiguares unidos aos corsários franceses.
Devido aos constantes ataques sofridos e pelas grandes perdas de colonos sofridas, resolveram partir do Rio Grande com isto deram grandes oportunidades para que os corsários franceses contrabandeassem livremente o pau-brasil, e no exato momento em que os três caravelões da expedição rumavam para a capitania do Maranhão, acabaram se desgarrando e Aires da Cunha acabou encontrando subitamente a morte no naufrágio de sua embarcação, e após vagarem vários dias perdidos no mar, e que acabaram sendo socorridos por um navio espanhol que os levou à ilha de São Domingos no Caribe onde acabaram sendo retidos por muito tempo como colonos, João de Barros, só à custa de muito trabalho e de muitas despesas e que pode reaver os seus dois filhos, quase arruinado financeiramente e diante da idéia de não fundar mais vãs esperanças em vir a ser rico, e assim resignou inteiramente toda a idéia de ser senhor donatário do Brasil, e o seu insucesso teve como conseqüência o abandono da donatoria e, mais tarde, a sua reversão à coroa portuguesa, que após ter explorado o litoral e as costas, precisavam firmar de vez os seus domínios ocupando a capitania, e com a consolidação da Paraíba e o interesse que já então despertava todo o norte do litoral brasileiro sob constantes assaltos de diversos povos estranhos especialmente dos franceses, que depois de expulsos do sul se voltaram para o comércio na região, especialmente a capitania do Rio Grande através da aliança firmada com os índios potiguares.
Em 1580, Portugal passou para o domínio espanhol, devido a problemas de sucessão após a morte do Cardeal Dom Henrique, e durante o período que ficou conhecido como união das coroas foi que o Rei da Espanha Felipe II mandou fundar o forte dos Reis Magos
E ao iniciar o seu governo no Brasil, em 1591, Dom Francisco de Souza, julgou imprescindível a conquista da capitania do Rio Grande do Norte, depois de reiteradas ordens da metrópole através das cartas régias de 1596 e 1597 para evitar a presença francesa na região foi que o governador geral organizou uma expedição armada, cabendo ao Capitão-mor de Pernambuco Manuel Mascarenhas Homem com ajuda de Feliciano Coelho que organizaram uma frota composta de seis navios e cinco caravelões sob o comando do Capitão-mor Francisco de Barros Rego que tinha em sua companhia o Almirante Antônio da Costa Valente e os Capitães João Paes Barreto, Francisco Camelo, Pedro Lopes Camelo e Manuel da Costa Calheiros que se juntaram a frota organizada na capitania da Paraíba, e por terra seguiram três companhias sob o comando dos Capitães Jerônimo de Albuquerque, Jorge de Albuquerque e Antônio Leitão Mirim e uma brigada de cavalaria sob o comando de Manuel Leitão, que levaram consigo o Padre Gaspar de São João Peres, que por ser grande arquiteto e engenheiro estava encarregado de traçar a fortaleza e a povoação, frei Bernardino das Neves grande perito na língua brasílica, e muito respeitado entre os índios potiguares que enfrentaram durante a marcha uma epidemia de varíola, que contaminou e dizimou muitos integrantes da expedição que devido ao fato teve que retornar. Quando ao chegar ao porto de Búzios a bordo de caravelão, o Capitão-mor Mascarenhas junto ao Capitão Jerônimo de Albuquerque avistaram algumas embarcações francesas comerciando junto aos índios potiguares imediatamente ordenou que se fizessem a abordagem e iniciasse a luta, que se desenrolou num clima de muita violência, da qual os franceses acabaram fugindo ao serem derrotados. De imediato Mascarenhas ordenou que fizessem um reconhecimento do local e atracou a armada, desembarcou o seu pessoal para dar inicio de imediato a construção de um abrigo seguro contra os ataques dos índios potiguares. Não tardou muito dias para que os potiguares acompanhados de alguns franceses que haviam ficado das naus do porto de Búzios, atacassem a fortificação, a qual sustentou o ataque inimigo com um violento contra ataque do qual os atacantes foram obrigados a recuarem desordenadamente e após a batalha da qual resultou em um grande número de perdas para ambos os lados, surgiu no rio uma jangada com o índio Surupibeba que vinha pregar a paz, de imediato os soldados do Capitão-mor Mascarenhas o prenderam e o levaram a sua presença, e que por persuasão dos padres da companhia, o Capitão-mor Mascarenhas soltou o índio na promessa que o mesmo traria todo o gentio de paz, apesar da opinião contraria do Frei Bernardino, que conhecia bem os índios potiguares, que um dia atacaram Bento da Rocha e sua patrulha dentro de um mangue, que ao se ver emboscado de imediato mandou pedir socorro a Mascarenhas, e com o decorrer do tempo os assédios dos potiguares se tornaram freqüentes, acabando por colocar em perigo a construção do forte. Em vista do perigo, Feliciano Coelho partiu em socorro da Paraíba na companhia dos Capitães Antônio Valadares e Miguel Álvares Lobo que no caminho atacaram algumas aldeias potiguares. Com o socorro recebido da Capitania da Paraíba, Mascarenhas tratou de acabar com a construção do forte e organizou uma expedição que atacaram uma aldeia potiguar perto da construção, e ao termino da obra do forte ele foi intitulado como Forte dos Reis e o seu comando foi entregue a Mascarenhas e a Jerônimo de Albuquerque, que logo após a partida de Feliciano Coelho foi atacado pelos índios potiguares em uma batalha sangrenta, onde a valentia do índio Tavira e de seus companheiros sustentaram a posse do Forte dos Reis até a chegada dos Capitães Rui de Aveiro e Bento da Rocha e seus soldados que forçaram os potiguares a desistirem da luta, porém alguns dias depois os potiguares retornaram a cercar o forte com um número bem maior que a guarnição ali estacionada, porém o soldado Henrique Duarte que era natural de Serra da Estrela defendeu o forte até a chegada do Capitão Bento da Rocha que foi morto na luta. Diogo de Siqueira, alferes do Capitão Rui de Aveiro Falcão ao ver a bandeira de Bento da Rocha jogada ao chão, a levantou, e se pôs a florear com ela no campo da luta entre as flechas dos potiguares em uma carga contra os atacantes, que fugiram desordenadamente do campo de batalha, e que pelo seu gesto foi agraciado pelo Capitão-mor Mascarenhas com o hábito de cavaleiro. Após a batalha onde se feriram o Capitão Miguel Álvares Lobo, Diogo Miranda, e deixaram muitos mortos estava concretizada a conquista da capitania do Rio Grande e a partir deste momento ia começar a obra de colonização, quando Capitão-mor Feliciano Coelho se foi com os seus para Pernambuco.
Diz a lenda que Jerônimo de Albuquerque, chegou a Pernambuco na companhia de seu cunhado Duarte Coelho, e que no final do ano de 1547 distinguiu-se nas famosas lutas que se seguiram ao início da colonização após ter derrotado os invasores de Olinda e Iguaraçu e que em Janeiro de 1548, caiu em poder dos indígenas que o condenaram ao sacrifico de antropofagia, todavia a filha de Arco Verde (Ubirã-Ubi), chefe da horda vencedora ao se apaixonar por Jerônimo de Albuquerque, conseguiu de seu pai o perdão do cativeiro e à vingança dos seus subordinados, e desta maneira “o rei do coração da enamorada filha do morubixaba” dominou por ela os selvagens, que vivendo em paz duradoura, deram mais tarde aos portugueses um apoio decisivo na conquista de todo o norte. Jerônimo de Albuquerque ao se casar com a filha de Arco Verde que ao se batizar recebeu o nome de Maria do Espírito Santo e que teve como filhas Catarina de Albuquerque que se casou com o fidalgo florentino Felipe Cavalcanti e, Brites de Albuquerque que se casou com o também fidalgo florentino Sibaldo Lins.
Jerônimo de Albuquerque que se tornou o primeiro Capitão-mor do Rio Grande e o conquistador do Maranhão, que cursou as aulas do Colégio dos Jesuítas em Olinda, onde aprendeu toda a sua instrução literária sem jamais esquecer a sua língua primitiva Tupi, que foi a de sua infância.
Nesta época os potiguares ocupavam a região do litoral compreendido entre os rios Paraíba e Jaguaribe, senhoreando portanto as costas do Rio Grande e com eles e que se deram os primeiros atritos dos colonizadores.
Nação forte e poderosa, inimiga dos Tabajaras e grande aliada dos franceses que os estimulavam para a guerra. Submetê-los era uma necessidade; apesar de não uma tarefa muito fácil, e para isto Jerônimo de Albuquerque tentou realizá-la com o auxilio do grande feiticeiro Ilha Grande que se encontrava preso e que dispunha de grande influência entre os indígenas e por conta disto Jerônimo de Albuquerque mandou solta-lo e que fosse induzir a paz entre os potiguares, que para os quais Ilha Grande falou-lhes a linguagem da prudência, os convencendo a conveniência de cessarem as hostilidades contra os portugueses. Dom Francisco de Souza ao se sentir tranqüilo quanto aos índios em conseqüência das pazes com eles celebradas, imediatamente determinou que a paz fosse solenemente celebradas e que Jerônimo de Albuquerque fundasse uma povoação nas proximidades do Forte dos Reis que tomou em 25 de Dezembro de 1599 o nome da Cidade de Natal, e em Janeiro de 1600 o Governador Geral Dom Francisco de Souza nomeou João Rodrigues Calaço para exercer os cargos de comandante do forte e capitão-mor que eram ocupados por Jerônimo de Albuquerque por delegação de Manuel Mascarenhas, e ao ser investido em suas funções,
João Rodrigues Calaço de acordo com as ordens do Governador Geral Dom Francisco de Souza imediatamente tratou de povoar o solo e de incentivar o cultivo das terras da capitania para a consolidação da conquista com largas concessões de sesmarias que atingiram pelo lado do sul o rio Curumatáu onde a corrente colonizadora era natural e lógica devido a derrota e expulsão dos potiguares e dos franceses, e pelos pontos já explorados pelas colunas expedicionárias de Feliciano Coelho e de Manuel Mascarenhas e pelo norte não iam além de duas a três léguas do Forte dos Reis, e para o seu desenvolvimento era necessário grandes esforços de seus conquistadores, e para o interior, estendiam-se ao longo das margens dos rios, e na cidade de Natal poucos foram os colonos que requereram as sesmarias do sitio da cidade e por conta disto pouco progrediu, e durante o seu governo Calaço teve em sua capitania um português que fora degredado para o Brasil pelo bispo de Leiria, que escreveu em sua sentença “vá para o Brasil donde tornará rico e honrado”.
Entre três de Julho e oito de Agosto de 1603 Jerônimo de Albuquerque retornou ao Brasil, após ter viajado para Lisboa onde pleiteou o cargo de capitão-mor efetivo e assumiu o exercício de suas funções por um período de seis anos, prazo este que excedeu, em virtude da patente real, com isto teve o tempo necessário para tomar mais fecunda a sua ação, a qual soube aproveitar maravilhosamente pois ordenou que percorressem todo litoral para o norte até às salinas de Macau, explorou a costa sul e organizou expedições exploradoras ao interior, e desta época e que se tem conhecimento dos primeiros engenhos de açúcar na capitania, os quais foram fundados nas sesmarias que Jerônimo de Albuquerque havia concedido a seus filhos Antônio e Matias Albuquerque em dois de Maio de 1604, as quais compreendiam cinco mil braças quadradas na várzea do Cunhaú e duas léguas na localidade de Canguaretama e que posteriormente foram consideradas como exorbitantes pelo rei, que por provisão de 28 de Setembro de 1612 mandou que fossem reduzidas pela metade apesar de Alexandre de Moura Capitão-mor de Pernambuco e o ouvidor que o executaram o cumprimento legal em 1614 de terem encontrado o engenho construído e as terras cultivadas, porém anos a metrópole reconsiderou o que fora disposto na citada provisão e confirmou integralmente a concessão primitiva pelo alvará de dois de Agosto de 1628.
Jerônimo de Albuquerque que mantinha a máxima preocupação em fortalecer a aliança com os índios potiguares, de alargar a área da colonização da capitania, e devastar o sertão e de concorrer para que as armas portuguesas levassem além das fronteiras de sua capitania em busca do extremo setentrional o prestigio de seu valor, viu em um de Abril de 1602 Dom Diogo Botelho assumir o governo geral do Brasil e ser substituído de seu cargo em 1607 por Dom Diogo de Meneses e Siqueira, que durante o seu governo se deu a nova divisão da colônia em dois governos gerais, quando ficou em sua jurisdição as capitanias do norte as quais administrou de maneira hábil, enérgico e operoso, o qual foi de grande importância para Jerônimo de Albuquerque pela assistência solicita que lhe dispensou, e através de uma carta patente de 21 de Agosto de 1609 Lourenço Peixoto Cirne assumiu o governo do Rio Grande no lugar de Jerônimo de Albuquerque até o ano de 1613 quando Francisco Caldeira Castelo Branco assumiu o governo da capitania e fez algumas concessões de sesmarias no sitio da cidade para aqueles que as quisessem povoar e cultivar as terras, todavia o seu governo não foi além de Junho de 1615, devido ter sido comissionado por Dom Gaspar de Souza para seguir no comando de uma frota armada em socorro a capitania do Maranhão aonde chegou em Santa Maria de Guaxemduba para firmar a trégua com La Ravardiere e dali seguiu para tratar dos negócios do governo em Portugal. E o seu sucessor a frente da capitania Rio Grande foi Estevão Soares de Albergania que permaneceu até 1617 quando foi substituído por Ambrósio Machado, que em sua administração terminou as obras da igreja matriz da capitania que havia sido iniciada nos tempos da conquista, e que no ano de 1621 foi substituído por André Pereira Temudo que em 1623 foi sucedido por Bernardo da Mota que não chegou a governar a capitania e seu substituto foi Francisco Gomes de Melo que em 1624 achava-se em Lisboa, quando da ocupação da Bahia pelos holandeses, fato este que alarmou o governo e o povo, por ser uma ameaça a todas as colônias espanholas e portuguesas da América, e para isto foi armada uma poderosa esquadra sob o comando de Dom Fradique de Toledo para socorrer a Bahia e as demais praças que se encontravam desaparelhadas para a resistência.
Em 26 de Maio de 1625 o Almirante holandês Hendriksoon, ao chegar a Bahia com uma poderosa esquadra para reforçar os seus compatriotas que ocupavam aquela cidade, obteve a noticia de que os forças holandesas ali estacionadas haviam se rendido
E que a cidade da Bahia estava em poder das forças restauradoras do domínio português; imediatamente o almirante batavo seguiu para o norte até a baia da Tradição onde fundeou sua esquadra e organizou diversas explorações pelo litoral até atingir o Engenho Cunhaú; ao ser informado das incursões holandesas à capitania do Rio Grande Matias de Albuquerque imediatamente ordenou que providenciasse o desalojamento dos batavos, e no ano de 1630 Pedro Mendes de Gouveia substituiu Domingos da Veiga Cabral que governava interinamente a capitania do Rio Grande, onde a corrente imigratória estava definitivamente encaminhada com persistentes e intensos trabalhos de desbravamento do solo pelos colonos em seus novos habitat, e as criação prosperando por todas as partes e os engenhos Ferreiro Torto e Cunhaú produzindo açúcar a todo vapor no principal núcleo de população da capitania onde viviam em relativa harmonia com os índios potiguares onde se constituía uma freguesia com juiz, câmara, escrivão e procurador do conselho, escrivão da fazenda e almoxarife procurador dos índios e escrivão das datas e demarcações, embora imperfeito também dispusesse de um aparelho governativo do qual era chefe o capitão-mor que também era o comandante do Forte dos Reis, e durante o seu governo a sua capitania foi ocupada em 1633 pela frota holandesa comandada pelo Almirante Linchthardt.
O abandono em que permaneceu o território do Brasil, logo após o seu descobrimento, desafiou a cobiça dos aventureiros e especuladores que procuraram lucrativas vantagens nos contrabando nas costas brasileiras.
Muitas vezes danosas, mas delas resultaram alguns benefícios como o conhecimento da terra ao percorrem o extenso litoral brasileiro obtendo roteiros seguros para a navegação, por outro lado não se pode dizer do corso, que acompanhando as alternativas e vicissitudes da política européia, que apesar de estar estabelecida desde o século XVI como medida de guerra, a que recorriam as nações que se achavam em lutas no continente, onde de disputavam o domínio dos mares, a fim de ferirem o inimigo em seus interesses comerciais, ele perdeu bem depressa esse caráter para ser uma constante ameaça às colônias e fonte de sobressaltos e inquietações para os seus habitantes, devido as diversas expedições organizadas com o objetivo de invadir e assaltar as povoações dos territórios desguarnecidos onde sempre pretendiam um quinhão na partilha das terras descobertas.
E em todas estas histórias dos primeiros tempos atesta essa tendência de vários povos que entre eles se destacaram os navegadores ingleses que não chegaram a exercer jurisdição territorial efetiva; mas de suas façanhas, e que culminaram nas crueldades de Thomas Cavendish
As quais ficaram-nos tristes e dolosas recordações, com os piratas franceses, que chegaram a constituir sério perigo à consolidação do domínio português, os quais foram obrigados a lutar para expulsarem a força do sul e do norte.
Todavia o que mais perturbaram a obra da conquista foram os holandeses, em cuja expulsão se desenvolveram prodígios de valor e de coragem em combates gloriosos e inolvidáveis. Com uma população de alguns milhões de habitantes que se estendiam pela região litorânea do mar do norte em diversos principados e soberania que eram regidos por leis e costumes particulares, assim e que se constituíam os países baixos, ligados sob o cetro dos Duques de Borgonha desde o século XIV, que após a morte de Carlos o Temerário na batalha de Nancy em 1477 passou à sua filha e herdeira única a Duquesa Maria, que, para resistir aos poderosos inimigos de sua dinastia, procurou amparo da Casa d`Áustria ao se casar com Maximiliano que subiu ao trono da Alemanha em 1493 e entregou o governo dos estados que Dona Maria trouxera em dote, a seus filhos Felipe e Belo, e no decorrer dos tempos o Rei Carlos V imperou na Alemanha e nos países baixos e nas duas Sicília e na Espanha, e por ocasião de sua abdicação em 1556 coube a seu irmão Fernando a coroa da Alemanha ficando o seu filho Felipe II os demais estados sobre os que reinava, e devido a grande rivalidade da igreja, trouxe os dissentimentos políticos; e a guerra da independência neerlandesa alimentada pela diversidade de crenças religiosas acabou por dilata-la por diversos anos até que o Tratado de Vestefália veio acabar com a rivalidade definitivamente em 1648. E durante essa guerra e que os holandeses hostilizaram mais vivamente as possessões ultramarinas da Espanha e de Portugal .
No período de 1580 a 1640 Portugal que estava sob o domínio espanhol, sofreu severas agressões por parte dos holandeses que invadiram o Brasil para garantir o comércio de açúcar, o qual dominavam em grande parte na Europa
Vencidos na Bahia, os holandeses foram tentar melhor fortuna em Pernambuco, quando a Companhia das Índias Ocidentais organizou uma poderosa armada que invadiu o grande centro açucareiro da época através da esquadra comandada por Weerdenburgh, que após 21 anos de domínio, em que de proveito nada fizeram, a não ser as lembranças deixadas pelas horríveis crueldades que os holandeses marcaram a terrível dominação chefiada pelo fiscal holandês Jacó Rabi. E com a resistência iniciada por Matias de Albuquerque e o apoio recebido da esquadra espanhola comandada pelo Conde Bagnuolo que trouxe em sua companhia Duarte de Albuquerque Coelho, que vinham comboiada pela esquadra do comandante Dom Antônio Oquendo que aportaram na Bahia em 13 de Julho de 1631, e que após desembarcar os reforços para aquela capitania, levantou ancora e seguiu à caça da frota holandesa do Almirante Adriaen Jancz Pater com quem se confrontou e venceu em um dos mais importante feito da época no dia 12 de Setembro de 1631. Com o grande triunfo obtido por Oquendo, além de privar o inimigo de um de seus mais bravos e destemido almirante que sucumbira na luta, e por este motivo, acabou levando aos holandeses ao abandono da Vila de Olinda e desviarem as suas incursões para rumos diferentes.
E por conta disto, em principio de Dezembro, acabaram se dirigindo para Paraíba onde foram violentamente repelidos com grandes perdas, após violentas refregas que os fizeram embarcar apressadamente para Pernambuco
De onde partiram no dia 21 de Dezembro sob o comando do General Teodoro Weerdenburgh para apoderar-se do Rio Grande do Norte, e que ao chegarem encontraram Matias de Albuquerque Maranhão, que ao ser informado dos planos dos invasores, se colocou a frente de três companhias em defesa da capitania, e no dia 5 de Dezembro de 1633 uma poderosa frota sob o comando do Almirante Lichthardt que transportava uma força de desembarque composta de 808 homens distribuídos em oito companhias e que levava embarcado o Delegado Van Ceulen que era um dos diretores da Companhia das Índias Ocidentais e que se fez ao mar com destino ao Rio Grande do Norte para o ataque ao Forte dos Reis Magos. Pelas 7 horas da manhã do dia 8 a esquadra confrontou-se com Ponta Negras e aproando à terra, transpôs a barra de Natal junto ao forte, cujas artilharia tentou inutilmente impedir a entrada da esquadra, enquanto o Almirante Lichthard sem grande dificuldade apoderou-se de duas caravelas portuguesas e ordenou a ocupação das dunas entre os povoados e o forte por uma companhia comandada pelo Major Vries, que de imediato iniciou a marcha sem encontrar qualquer tipo de resistência até penetrar no interior do povoado de Natal, que foi tomado sem qualquer ato de defesa, e após se estabelecerem os holandeses de imediato avançaram sobre o forte dos Reis Magos quando expediram algumas expedições exploradora ao longo do rio, que fizeram contato com os índios inimigos dos portugueses com intuito de firmarem uma aliança e ajudasse a estabelecer o sitio, e nas proximidades da Ponta do Morcego após ligeiras escaramuças, acabaram obtendo importantes informações sobre as condições de segurança do Forte dos Reis Magos, através de alguns prisioneiros.
Os batavos ao se estabelecerem em terra com um grande efetivo, montaram suas baterias nas colinas e dunas próximas ao forte, e devido a sua poderosa esquadra que estava preparada para atacar no momento desejado; entretanto para demonstrar lealdade militar, eles dirigiram ao Capitão-mor Pedro Mendes de Gouveia, uma carta ponderando que estavam dispostos a se apoderarem da fortaleza, porém não queriam atacar sem antes oferecer-lhes as melhores condições, caso se resolvesse a entregá-la. E como resposta, o capitão-mor Paulo Mendes de Gouveia lembrou que o forte estava confiado a sua guarda pelo rei de Portugal e só a ele ou a alguém de sua ordem, e que o forte seria entregue e a mais ninguém, pois preferia perder mil vidas a fazei-a entrega do forte. Pouco depois rompia o fogo entre o forte e as baterias holandesas de terra, secundadas pelos canhões dos navios de guerra em uma vigorosa batalha que durou mais de três horas, que após uma breve trégua, imediatamente recomeçaram o bombardeio com o mesmo rigor e intensidade do qual acabou causando graves danos a resistência do forte após árdua batalha até ao cair da noite, quando os holandeses se aproveitaram do enfraquecimento da resistência e suspenderam o bombardeio e passaram a noite se reforçando com mais um trincheira com os armamentos desembarcados. E ao amanhecer do dia, a guarnição do Forte dos Reis ostentou sobre os muros uma bandeira branca, e logo a seguir encaminharam um soldado com uma carta sem a assinatura do Capitão-mor Paulo Mendes de Gouveia que se encontrava gravemente ferido, aos comandantes holandeses solicitando para parlamentarem a respeito de um armistício, fato este que levou a Ceulen a não querer receber a carta encaminhada pelos sitiados, porém devido as alegações apresentadas pelo portador, de que, os que haviam assinado a carta se comprometiam em entregar o Forte dos Reis Magos após realizarem o acordo.
Após algumas ponderações o comandante Ceulen de imediato concedeu aos sitiados o armistício e concedeu um salvo conduto para quem fosse designado a acertar os detalhes da rendição, e para isto os portugueses enviaram o Capitão Sebastião Pinheiro Coelho e um ajudante, que após um breve debate acertaram que seria permitido que todos os soldados saíssem com as suas armas e bagagens do forte e que fossem conduzidos rio acima para Potigi, e que deveriam deixar a pavilhão do forte ao se retirarem. Assim que foi firmada a capitulação do Forte dos Reis Magos, de imediato foi expedido uma ordem para que navios holandeses se aproximarem do Forte dos Reis Magos a fim de receberem os soldados portugueses. Logo após ter sido efetuado o embarque de todos os soldados portugueses,
O Tenente-coronel Ceulen e o Comandante Carpentier de imediato penetraram no interior do forte, onde encontraram gravemente ferido o Capitão-mor Paulo Mendes de Gouveia, que ao entregar as chaves do forte em muito se queixou de que os seus soldados haviam entregado o forte contra a sua vontade.
Ao tomar o forte, o Tenente-coronel Ceulen de imediato tratou de conquistar a capitania, e para isto no dia seguinte a capitulação ordenou que os Capitães Maulpas e Hendrick Frederick seguissem até Jenipabu que ficava ao norte das proximidades da cidade de Natal, para efetuarem um expedição exploradora e que ao retornarem trouxeram algumas cabeças de gado para o abastecimento das forças de ocupação holandesas, e devido ao êxito alcançado na missão, o Tenente-coronel Ceulen de imediato organizou uma expedição com destino ao interior sob o comando do Major Cloppenburch que levou em sua companhia o Capitão Felior e o Capitão-tenente Cornélio Van Uxsel que seguiram pelo rio até o Passo do Potigi onde desembarcaram e seguiram por terra até a uma planície onde foram violentamente atacados pelos inimigos que com o decorrer da luta se puseram em fuga. E no prosseguimento da marcha, chegaram a um pântano nas proximidades do Engenho Ferreiro Torto que pertencia a Francisco Coelho, e que se localizava na margem direita do rio Jundiaí a uma pequena distância de Macaiba, onde foram violentamente repelidos.
Os holandeses sem desistir de seus sombrios e tenebrosos planos de dominação, foram buscar ajuda junto aos índios Tapuias das ferozes tribos dos Junduís que habitavam as ribeiras dos rios Jaguaribe e Açu
E que desceram ao primeiro chamado dos holandeses nos impulsos de suas barbaria estimuladas pela perversidade de seus requintes selvagens de Calabar sobre o engenho onde o Capitão Francisco Coelho e todos que ali haviam se refugiado acabaram sendo mortos com a mais revoltante crueldade. Logo após a conquista do Engenho Ferreiro Torto, Ceulen despachou para as autoridades em Recife o navio De Spieringh que era comandado pelo Capitão Jan Jansen Noorman com as noticias dos triunfos alcançados e transferiu o seu acampamentos para a cidade de Natal e deixou no Forte dos Reis Magos para sua defesa apenas uma companhia sob o comando do Capitão Gartsmann e tomou a resolução de fazer retornar a esquadra e as forças desnecessárias para Pernambuco.
A tarefa de conquistar a Capitania do Rio Grande do Norte estava realizada, e a partir deste momento passou a pesar a intolerante e desumana tirania militar que oprimiria, mais tarde a pequena população de colonos, dizimando-a em horríveis carnificinas praticadas após despojá-la pelos saques e roubos de seus poucos bens, e para isto o Capitão Gartsmann contava com o valioso auxílio das tribos indígenas aliadas, cujas proezas ficaram assinaladas pelos surtos de inenarráveis vandalismo praticado nos dois assaltos executados ao Engenho Ferreiro Torto, e ao ataque praticado junto ao Engenho de Cunhaú, quando surpreenderam e aprisionaram o Capitão Álvaro Fragoso junto com alguns de seus homens, após perder muitos de seus soldados na sangrenta luta realizada. Estando os holandeses, senhores da cidade de Natal e de terem destruídos os principais núcleos de população que eram os Engenhos de Ferreiro Torto e de Cunhaú, os invasores batavos puderam impor sem contrastes o seu inexorável jugo, dos quais os que não quiseram submeter-se ou pagaram com a vida pela sua rebeldia ou foram procurar abrigo no Arraial do Bom Jesus onde Matias de Albuquerque ainda se mantinha firme e inabalável na defesa da terra. O abandono da Capitania do Rio Grande do Norte seguir-se-ia meses depois, a capitulação da Paraíba e os repetidos desastres dos pernambucanos os quais acabaram forçando a retirada de todos para a Capitania de Alagoas, porém ao se aproximarem de Porto Calvo o confronto se tornou inevitável contra a forte e aguerrida guarnição holandesa do Comandante Picard, que após rigorosas escaramuças e sangrentas refregas, onde foi decisivo o auxilio de Sebastião de Souto para a rendição e capitulação que foi concedida ao Comandante Picard sob a condição de seguir com a sua gente para a Capitania da Bahia de onde foram conduzidos a Holanda. E desta capitulação, Calabar foi excluído, para ser sumariamente condenado a morrer enforcado e esquartejado como traidor aleivoso à sua pátria, logo em seguida as forças de Matias de Albuquerque deixaram a cidade de Porto Calvo, e três dias depois aquela vila que Duarte de Albuquerque denominara como Bom Sucesso era novamente ocupada pelos holandeses que haviam se refugiado em Pirapueira E em outros, obstando as comunicações com Pernambuco pela costa. Neste momento, as cortes de Lisboa reconhecendo a ameaça que a ocupação estrangeira representava para a integridade do domínio luso-espanhol, enviou uma expedição comandada por Dom Luis de Rojas y Borjas que ostentava o posto de mestre de campo e que deveria substituir Matias de Albuquerque no cargo de governador e superintendente na guerra. Esse socorro desembarcou em Jaraguá na capitania de Alagoas no dia 28 de Novembro de 1635 de onde seguiu para a capitania da Bahia conduzindo o novo Governador Geral Pedro da Silva que havia sido nomeado para suceder a Diogo Luis de Oliveira.
Dom Luis de Rojas y Borjas homem ardoroso e destemido, logo ao assumir o seu posto, foi morto no combate realizado em Mata Redonda e para substituí-lo foi nomeado o Conde de Bagnuolo que impulsionou a guerra contra os holandeses com bandos dirigidos por Felipe Camarão, Henrique Dias, Francisco Rebelo, Estevão Távora, Sebastião Souto e Vidal de Negreiros em incursões através de Serinharém, Ipojuca, Muribeca, Goiana, São Lourenço, Cabo, Itamaracá e outros povoados da região entre a Paraíba e Alagoas causando grandes inquietação entre os colonos que cansados de tanto sacrifício oscilavam indecisos entre os dois partidos em luta. Por este motivo os holandeses mudaram a maneira para de suas conquistas, de modo a torná-la compatível e conciliável com os sentimentos das populações conquistadas com o objetivo de consolidar a ocupação.
Diz a história que o Brasil holandês, que se principiou no ano de 1630 com a tomada de Olinda e do Recife e que terminou em 1654 com a capitulação nos Montes Guararapes. E com a chegada do Príncipe Maurício de Nassau o qual ocupou toda a costa do Rio Grande do Norte até ao Rio Formoso com sua administração que se iniciou no ano de 1637 e terminou no ano de 1642, e que verdadeiramente se iniciou o domínio holandês, quando tudo era desolação e miséria nas zonas conquistadas.
O Conde Maurício de Nassau para solucionar os problemas teve que ser severo para coibir os abusos, hábil para acalmar os espíritos, enérgico para estabelecer a ordem no serviço militar e civil.
E o que realçou o seu governo é a sua tendência liberal, foi o feitio de seu espírito sempre voltado ao culto pela natureza o seu amor apaixonado pelos mais elevados ideais da humanidade, e no ponto de vista militar, teve, a principio os maiores sucessos; mas a tentativa frustrada da tomada da Capitania da Bahia no ano de 1638, contribuiu decisivamente para amortecê-lo e para despertar nas cortes de Madri a necessidade de ser organizada uma poderoso esquadra com forças portuguesas e espanhola em socorro da colônia, a qual chegou em 23 de Janeiro de 1639 à cidade de Recife sob o comando do Conde da Torre Dom Fernando Mascarenhas, de onde obteve informações que a esquadra holandesa do Almirante Corneliszoon Loos se encontrava nas proximidades de Olinda,
E por conta disto o Conde da Torre imediatamente seguiu para aquele rumo e se encontrou com a esquadra holandesa na Ponta de Pedra em violenta batalha
Na qual o almirante holandês perdeu a vida. Jacob Huyghens Vice-almirante holandês ao assumir o comando da esquadra se defrontou com a esquadra do Conde da Torre ao norte de Goiana, nas costas da Capitania da Paraíba na altura de Cunhaú em um combate que se seguiu até a Ponta da Pipa, e que depois destas confrontações o Conde da Torre apesar de não ter tido nenhuma vitória decisiva, acabou abandonando o inimigo e fez-se ao mar. Luís Barbalho Bezerra ao desembarcar todos os seus soldados na localidade de Touros, imediatamente empreendeu uma marcha com destino a Bahia por caminhos totalmente desconhecidos e em territórios ocupados, até que sofrer a primeira resistência em Potengi por parte das tropas batavos comandadas por Gartsmann que a frente de seus soldados apoiados pelos índios Tapuias tentou impedir a sua marcha, e que ao derrotado acabou sendo conduzido a Capitania da Bahia. Novos obstáculos redobraram em seus caminhos, porém Barbalho comandando a sua tropa com grande fibra e decisão venceu as refregas que se sucederam nas localidades de Goiana e Serinhaém vingando em trucidações tão cruéis como as praticadas pelos invasores holandeses, até atravessarem o rio São Francisco e levar o reforço eficaz sob o seu comando até a Bahia.
A cinco de Junho, Dom Jorge Mascarenhas marquês de Montalvão assumiu o cargo de Vice-rei e Capitão-general de mar e terra e restauração da Bahia, ele foi o ultimo governador nomeado para o Brasil pelo rei Felipe IV, homem de grande valor que ao reconhecer a impossibilidade de auxiliar eficazmente os colonos de Pernambuco, acabou aceitando às tréguas que Maurício de Nassau insinuava aos padres e moradores católicos para tornar a guerra mais humana, essa trégua porém, mal encobriu o estado de hostilidade latente entre as duas partes envolvidas nas negociações, em virtude da desconfiança existente os contendores. Com a noticia chegada na Bahia em 15 de Dezembro de 1641 da restauração de Portugal, Dom Jorge Mascarenhas que antes já havia entrado em entendimentos com o Conde Maurício de Nassau sobre as incursões, viu a sua situação se tornar embaraçosa, devido ao seu desconhecimento a respeito das orientações que na Europa ditaria os atos do novo governo. E devido aos seus procedimentos perante aos holandeses, Dom Jorge Mascarenhas acabou desagradando aqueles que aspiravam à expulsão dos holandeses, e que por conta disto promoveram a sua substituição por uma junta composta pelo Bispo Dom Pedro da Silva e Sampaio, do Mestre de Campo Luís Barbalho Bezerra e do Provedor-mor Lourenço de Brito Correia com base nas intrusões trazidas de Lisboa pelo jesuíta Francisco de Vilhena, a deposição do Vice-rei Dom Jorge Mascarenhas, foi no entanto um desafogo de pequena duração, devido que ao fato de que o governo português precisava contemporizar com a Holanda, cujo interesse máximo era tirar proveito da situação e não restituir possessões, que naquele momento não poderiam ser reivindicadas pelas armas, por este motivo Portugal assinou um armistício por dez anos junto ao governo holandês, como reconhecimento das conquistas efetuadas pelos holandeses, que se valendo de vários pretextos e razões capciosas, acabaram se apoderando da Capitania de Sergipe e do Maranhão, assenhorearam-se de Luanda e da Ilha de São Tomé. Com essa expansão territorial o poder do governo holandês atingiu o seu apogeu, enquanto isto, em 26 de Agosto de 1642 chegava à Bahia o primeiro governador geral escolhido após a restauração, Antônio Teles da Silva que exerceu o mandado de seu cargo até 22 de Dezembro de 1647, no qual revelou grande méritos pessoais, quando soube aproveitar com rara habilidade a incapacidade da junta holandesa composta por Pieter Bas,Van Bulestrateu e Hamel que em seis de Maio de 1644 haviam substituído Nassau a frente do governo holandês na colônia.
Em Recife, dava-se o inicio as conspirações com Fernando Vieira reunindo os elementos necessários nos arredores da cidade em ações crescentes e avassaladoras que se avolumaram e alastraram-se de modo impetuoso, até que a conspiração foi denunciada, o que obrigou a que seus chefes se ocultassem nas matas existentes nas vizinhanças de Apipucos, Várzea e São Lourenço, de onde aguardaram a chegada dos negros do terço de Henrique Dias e os índios de Camarão e proclamaram o dia 13 de Junho para o inicio da sublevação organizada militarmente por Dias Cardoso com o apoio do Governador Geral Antônio Teles da Silva que em Recife desempenhava o seu papel de iludir as embaixadas que lhes eram enviadas com respeito as clausulas do tratado de armistício. No momento em que a junta holandesa em Recife, tomou conhecimento dos distúrbios existentes, de imediato expediu algumas expedições, para a Várzea seguiu sob o comando do Major Blaer, e para Ipojuca onde o proprietário do engenho Tabatinga Amador de Araújo havia se confrontado e vencido uma companhia de holandeses com Hendrick Van Haus a frente de um forte contingente, e para Paraíba e Rio Grande do Norte ordenou que Paul de Linge seguisse com a finalidade de manter a paz, quando os insurgentes fixados nos engenhos Camaragibe, Borralho e Maciape no interior da capitania rumavam para o engenho de São João de propriedade de Arnaldo de Holanda, de onde se dirigiram para o engenho Covas onde Dias Cardoso foi obrigado a conjurar o clima de dissentimentos pessoais reinava entre os chefes, e marcharam para os Montes das Tabocas no município de Vitória onde em três de Agosto se confrontaram e derrotaram em violentas lutas as poderosas forças do exército holandês comandado por Hendrick Vans Haus pelas magníficas manobras efetuadas por André Vidal de Negreiros e Martins Soares Moreno, e em assédios regulares, assaltos e batalhas campais que se estenderam de Pernambuco ao São Francisco os holandeses amargaram uma série de desventuras. Paul de Linge.
Para conservar o governo que lhe havia sido confiado, chamou em seu auxilio um grande número de índios selvagens é mortais inimigos dos portugueses que sob o comando de Jacob iniciaram as suas ferozes tropelias, quando invadiram à povoação de Cunhaú e convocaram os moradores para uma reunião na igreja, após a missa de domingo Jacob e os seus homens invadiram a igreja e massacraram todos ali presentes, inclusive o Padre André de Soveral, venerado e querido sacerdote, poupando da matança apenas as mulheres e as crianças que imediatamente espalharam a noticia do morticínio e, na Paraíba os moradores receosos da mesma sorte pegaram em suas armas sob o comando de Lupo Curado Garro, Francisco Gomes Muniz e Jerônimo Cadena que se juntaram a Antônio Vidal de Negreiros, Francisco Leitão, Simão Soares e Cosme da Rocha e os Capitães Couto do terço de Camarão e Henrique de Mendonça do terço de Henrique Dias que tinham a tarefa de organizar os sublevados em forças regulares com os armamentos que haviam levados de Pernambuco. Com o inicio da hostilização aos holandeses, Paul de Linge recolheu-se com suas tropas na fortaleza de Cabedelo, enquanto os índios aliados retrocediam para o Rio Grande do Norte onde iniciaram os seus ataques com grandes iras sangrentas e inominável perversidade, enquanto isto os moradores de Cunhaú se dirigiram em busca de abrigo na Paraíba e em Pernambuco onde se refugiaram no engenho de João Lostau Navarro onde se entrincheiraram ao construir um arraial, o qual em muito alarmou aos chefes holandeses que viram a possibilidade de ser aquele lugar um perigoso centro de resistência, e para isto de imediato o engenho foi violentamente assaltado por Jacob Rabbi e seus índios, que após sangrenta batalha onde empregaram todos os seus ardis, acabaram vencendo os sitiantes que receberam salvo condutos após entregarem as armas.
Os invasores holandeses que nutriam grande ódio dos colonos, e que os castigavam com horríveis carnificinas pelas suas rebeldia, em três de Outubro de 1645 por intermédio de João Bullestraten membros do supremo conselho que mantinha grande interesse nas cabeças de gados que povoavam as campinas rio-grandense.
Determinou que todos os colonos que se encontravam na fortaleza do Rio Grande do Norte fossem enviados rio acima para a localidade de Uruaçú sob a proteção holandesa contra os índios potiguares e tapuia e que ao chegarem, imediatamente receberam ordem de se despir e pôr-se de joelhos, e foram entregues aos bárbaros selvagens que os trucidaram. O aniquilamento da população que começava a desenvolver-se, serviu para que os holandeses ficassem senhores daquelas paragens, e livre por algum tempo da concorrência impertinente e incomoda na capitania do Rio Grande do Norte que nesta época possuía quatro freguesias e a cidade de Natal onde a sua câmara se localizava em Potingi e que tinha como principais portos o de Rio Grande e a barra de Cunhaú e mantinha pequenas baias onde serviam de ancoradouro para navios de pequenos portes, como a baia Formosa, ponta da Pipa, ponta dos Búzios, ponta Negra e baia Marten Tysson ao norte do Rio Grande, e seus moradores se ocupavam principalmente da criação de gado que era exportado para a Paraíba, Itamaracá e Pernambuco para trabalhos nos carros, nos engenhos e para corte, possuía três colégios dos escabinos que se localizavam em Serinhaém, Iguaraçu e Rio Grande.
Os índios brasilienses como eram chamados pelos holandeses os Potiguares e os demais índios Tupis, mortais inimigos dos portugueses e os verdadeiros donos das terras da capitania que viviam sem pouso certo e em contínuas migrações, e que nesta época estavam impondo as suas condições aos holandeses duramente, pois já haviam matado os seus algozes na capitania do Ceará para subtrair-se à condição de servo a que estavam reduzidos, e para solucionar a situação reinante, os membros do supremo conselho se reuniram na aldeia de Tupicerica com a finalidade de organizarem os potiguares para não perderem os preciosos auxílios por eles prestados nas lutas de extermínio praticadas pelos holandeses contra os insurgentes as concessões dadas aos Tapuias não surtiram os efeitos desejados, pois tomados de desvairamento e de delírio, sentiam-se fortes em suas alucinantes orgias de sangue, e para combate-los chegou ao Rio Grande do Norte no mês de Outubro o Capitão Barbosa Pinto, que se acampou com sua tropa no engenho de Cunhaú de onde saiu para atacar os potiguares que se encontravam fortificados em uma elevação no meio dos alagados é que ao aceitar o combate, acabaram repelindo as investidas do Capitão Barbosa Pinto que acabou se retirando para a Paraíba onde se juntou a Camarão e seu terço para atacarem e vencerem os Tapuias no mês de Dezembro e marcharam para Cunhaú. O supremo conselho holandês, vendo ameaçadas as campinas rio-grandenses de onde tiravam o gado e a farinha para o abastecimento de Recife, imediatamente organizaram um corpo de exército e enviaram para combater os insurgentes em 27 de Janeiro de 1646 no mesmo terreno em que se desenrolou a luta, onde a vitória mais uma vez sorriu para às armas insurgentes e que os holandeses tiveram grandes perdas de seus soldados e foram obrigados a recuarem para o forte Ceulen sem serem perseguidos pelos vencedores, que seguiram para a Paraíba de onde Camarão mandou o Capitão João de Magalhães a Pernambuco com a tarefa de levar armas e algumas cabeças de gado para aquela capitania onde Vidal de Negreiros a frente de seis companhia atacou e derrotou os holandeses e que após destroçar os indígenas e implantar a paz rumou para o Rio Grande do Norte com o grosso das forças pernambucanas onde se incorporou a Camarão, que de imediato ordenou ao Sargento-mor Antônio Dias Cardoso para invadisse o engenho Cunhaú onde os holandeses se encontravam entrincheirados, e para isto foi destacado o Capitão Cosme do Rego Barros que em 16 de Dezembro efetuou o assalto ao engenho e a todo o distrito, onde o inimigo resistiu bravamente até serem vencidos, Rego Barros após a batalha lançou fogo ao engenho e arrebanhou o gado disponível e rumou para a Paraíba de onde seguiu para o Arraial do Bom Jesus nas imediações de Recife conduzindo muitos prisioneiros, escravos foragidos e muitas mulheres as quais foram libertadas do cativeiro em que eram mantidas e seguindo a este desastre, aconteceu o assassinato de Jacob Rabi o feroz conselheiro e cúmplice dos Tapuias pelo Alferes Jacques Boulan e dois soldados no cumprimento das ordens recebidas do Coronel Gartsmann, a morte de Jacob Rabi incontestavelmente contribuiu para o afrouxamento da dedicação dos indígenas aos holandeses, cuja situação piorava a cada dia por toda a parte, proporcionando que os insurretos sitiasse os distritos do sul de Recife para baixo e que atacassem as capitanias da Paraíba e do Rio Grande do Norte através de Camarão e seus capitães da terra.
Os holandeses ao se convencerem de que a resistência tornara-se impossível, invocaram ao monarca português as delicadas relações políticas de Portugal com a Holanda, as quais não permitiram uma manifestação franca em favor do levante em andamento, e que pelo contrario, impunha a obrigação de abafar qualquer movimento. Imediatamente Dom João IV expediu ordens ao Governador Geral Teles da Silva para que retirasse os mestres de campo do cenário de batalha, porém Vidal de Negreiros junto ao seu terço não se submeteu as ordens recebidas, devido aos seus restos de patriotismo que não arrefecia nunca, e pouco mais de três meses depois, Vidal de Negreiros invadiu novamente o Rio Grande do Norte, onde se confrontou com o inimigo em Cunhaú, e após se juntar com as forças do Capitão Barbosa Pinto retornou a Pernambuco, e no dia 23 de Novembro Henrique Dias partiu com o seu terço e algumas companhia de Camarão para o sitio Guaraínas no Rio Grande do Norte onde os holandeses mantinham uma casa forte, que foi defendida com grande ardor nos renhidos combates ali travados com as forças de Henrique Dias, que após sangrentas batalhas conseguiu vencer a resistência dos holandeses.
Após se apoderar da casa forte, Henrique Dias imediatamente marchou para o engenho Cunhaú onde os holandeses se mantinham fortemente alojados, e ao colocar-se em frente ao inimigo, de imediato mandou uma mensagem ao chefe batavo para que se rendesse, porque em caso contrario atacaria como havia feito em Guaraínas, onde toda a guarnição havia sido morta. O comandante holandês ficou perplexo ao receber a intimação feita por Henrique Dias, e com palavras equívocas respondeu ao enviado, pensando ganhar tempo com sagacidade; porém Henrique Dias ao perceber o ardil, de imediato enviou uma segunda intimação ainda mais determinante, e como o comandante holandês demorasse em responder, Henrique Dias ordenou que fosse colocado fogo no reduto inimigo, e no exato momento em que o fogo começava arder, veio uma mulher portuguesa que era casada com um holandês até Henrique Dias para solicitar a rendição de todos os presentes a casa forte, o que foi concedido de imediato por Henrique Dias, que ordenou a ocupação do engenho e da fortificação.
Em 18 de Março de 1648 Schkkope foi investido como suprema autoridade na colônia como indicação de Maurício de Nassau, e a partir deste momento resolveu ativar a guerra em cumprimento as ordens vindas da Holanda, por seu lado Portugal substituiu o Governador Geral Antônio Teles da Silva pelo Conde de Vilapouca, Antônio Teles de Menezes que possuía um pequeno exército sob o comando do Mestre de Campo Francisco Figueiroa que recebeu importante auxilio de Francisco Barreto de Menezes no combate realizado nos Montes Guararapes o qual cobriu de louros as armas insurgentes, imediatamente a partir deste momento as cortes de Lisboa passou a repelir qualquer proposta que não excluísse a entrega das capitanias ocupadas pelos holandeses, que devido a derrota sofrida em Olinda diante a Francisco Barreto de Meneses, e as incursões sem sucesso em Santo Amaro e ao forte de Barreta e as noticias chegadas da Europa de que Salvador Correia de Sá havia retomado Angola e que a Ilha de São Tomé havia caído em poder dos portugueses, os deixaram tomar pelo desânimo. Para os holandeses neste momento só lhe restavam o mar, e por conta disto With se aventurou em algumas incursões pelo litoral até a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil que tinha o objetivo de colaborar no cerco exercido aos holandeses para sua evacuação definitiva do Brasil.
E por conta disto Francisco Figueiroa de imediato seguiu com sua tropa para tomar os fortes da Paraíba e do Rio Grande do Norte. E em Maio de 1654, o domínio português estava restaurado em todas as capitanias, anteriormente ocupadas pelos holandeses
Que haviam chegado ao Brasil para se apoderarem de uma colônia em franco desenvolvimento, e que nada fizeram como povo colonizador, e que sob o ponto de vista dos melhoramentos materiais, o legado holandês foi quase nulo, senão pela reconstrução de fortificação ou por algumas obras de conserto ou reparo efetuadas no Forte dos Reis Magos. E na terra gloriosa onde nasceu Camarão e que os invasores holandeses reduziram ao extremo de não ter um único escabino ou um colono que a representasse na assembléia que Nassau reuniu em Recife no ano de 1640, apenas restou como lembrança, o impagável jugo holandês e as provações praticadas ao povo do Rio Grande do Norte.
Após à expulsão dos holandeses e a restauração do domínio português, parte da capitania foi doada a Manuel Jordão que morreu na ocasião de seu desembarque, em 1689 a capitania foi novamente doada a Francisco Barreto que a administrou com o titulo de condado, e que mais tarde repassou a capitania a uma de suas filhas que se casou com o Almirante Lupo Furtado de Mendonça. Tendo em vista, que os donatários não aproveitaram a beneficência real, o território da capitania acabou se revertendo à coroa, e até o final do século XVIII ela foi efetivamente governada pelos capitães-mores sendo que o Rio Grande do Norte nesta época não passava de um vasto campo de devastação e de ruínas, onde a obra, da colonização, tão promissoramente iniciada antes da invasão holandesa, ia ser continuada com o governo de Antônio Vaz Gondim no período de 1656 a 1663 que como primeiro ato se deu a concessão de um lote de terra por carta foral na ribeira do Potengi e outro em Mipibu ao Capitão Francisco Mendonça Eledesma em Julho de 1659, e ao Padre Leonardo Tavares de Melo, vigário de Nossa Senhora da Apresentação do Natal, que em Janeiro de 1660 lhe foi concedido por sesmaria a ilha de Bom Sucesso na ribeira do Cunhaú, e no mês de Abril de 1660 nomeou o Sargento reformado Francisco Rodrigues para os ofícios de tabelião e escrivão dos órfãos, e a Francisco de Oliveira Banhos como escrivão das datas e sesmarias, e em Março de 1662 nomeou Domingos Vaz Coelho como escrivão do senado da câmara e em Abril de 1662 nomeou Francisco Lopes como provedor da fazenda real, no momento em que se achavam eleitos os elementos do senado da câmara, a província tinha por guarnição duas companhias de infantaria, sendo que uma assistia a fortaleza e a outra na cidade que abrigava mais de cento e cinqüenta moradores sob a subordinação do governo de Pernambuco.
Valentim Tavares Cabral ao ser nomeado pela patente real de Fevereiro de 1663 recebeu de Dom Vasco Mascarenhas, Conde de Óbidos entre outras providências a serem tomadas, a proibição de concessão de sesmarias, todavia Valentim Tavares concedeu a João Fernandes Vieira uma sesmaria de dez léguas de cumprimento, que começava na barra do Ceará-mirim e ia até a localidade de Touros e o dia 22 de Junho de 1666 o seu concessionário outorgou uma procuração ao Padre Leonardo Tavares de Melo no dia 4 de Setembro para tomar posse das terras perante o Provedor da Fazenda Real Diogo Fragoso Souto Maior que procedeu a concessão se baseando na carta do governador geral da qual ele autorizava a doação de terras devolutas que não tivessem donos. Em 21 de Janeiro de 1670 Valentim Tavares Cabral deixou o governo quando substituído por Antônio de Barros Rego, que se preocupou na construção de um novo templo, tendo em vista que durante a ocupação da capitania a primitiva matriz de Natal havia sido arrasada, e por isto os atos religiosos nesta época estavam sendo realizados em uma casa de taipa construída pelo Padre Leonardo Tavares de Melo em 1694, e para isto os moradores se cotizaram e levaram efeito a construção com a ajuda do capitão-mor.
O movimento colonizador que estava circunscrito a uma estreita faixa do litoral de Natal para o sul em terras compreendidas entre as ribeiras do Potengi e do Cunhaú, que, com as do Ceará-mirim, era onde o povoamento se desenvolvia, justamente nas melhores terras para as lavouras
E a partir deste momento, o movimento colonizador se acelerou com a penetração dos colonos para o interior em busca de compensadores vantagens ao seus esforços, e pela necessidade de conter o gentio, após constantes sublevações. Antônio Vaz Gondim ao assumir pela segunda vez a administração da capitania em substituição a Antônio de Barros Rego em 21 de Junho de 1673 pela patente real do dia 5 de Outubro de 1671 se demonstrou muito preocupou com as obras da igreja matriz e com os reparos que eram necessários no forte dos Reis Magos e com as concessões de sesmarias para o aumento da edificação da cidade, e no dia 21 de Maio de 1677 Francisco Pereira Guimarães ao substituir Vaz Gondim a frente do governo, se apresentou muito doente, e devido ao agravamento de seu estado de saúde, em dois de Novembro de 1678 veio a falecer no exercício de seu cargo, e durante o seu curto governo, o Rio Grande do Norte recebeu pela primeira vez a visita de um bispo, Dom Estevão Brioso de Figueiredo, primeiro bispo nomeado para a diocese de Olinda, após a sua criação por Bula do Papa Inocêncio XI.
Com a falecimento de Pereira Guimarães, o senado da câmara de Natal, assumiu o governo que em três de Abril de 1679 o transmitiu a Geraldo de Suny que foi nomeado como capitão-mor interino pelo Governador Geral Roque da Costa Barreto, e que durante o governo, Francisco de Almeida Vena, donatário de uma sesmaria nas costas de Touros, e que administrava uma aldeia indígena, procurou impedir que os colonos utilizassem o sal extraídos das salinas e que pescassem livremente nos rios da região, e por conta disto o senado da câmara em 20 de Novembro de 1680 deliberou representar ao governador geral contra a proibição e pediu a revogação da concessão a ele concedida.
Geraldo de Suny exerceu as suas funções até três de Setembro de 1681 quando entrou de licença de seu cargo, devido a uma moléstia adquirida, e por isto seguiu-se a interinidade de pouca duração do senado da câmara pelos seus oficiais Antônio Gonçalves Ferreira e Francisco Ferreira Coelho até a chegada de Antônio da Silva Barbosa nomeado pelo Governador Geral Roque da Costa Barreto para exercer o seu cargo por um período de pouco mais de sete meses, que durante o qual proveu Roque Nogueira de Souza ao posto de capitão de infantaria na ribeira do Ceará-mirim e Estevão Velho de Moura na ribeira do Açu, que com seus intensos trabalhos conseguiram efetuar as pazes com os gentios naquelas paragens sertanejas, e que em 22 de Novembro após requererem ao capitão-mor da capital, obtiveram uma data de sesmarias, consoante aos limites da patente de Estevão Velho, a qual foi confirmada em Fevereiro de 1682 pelo Governador Geral do Brasil Roque da Costa Barreto. A partir de 25 de Maio de 1682 chegou Manuel Muniz para substituí-lo após ser nomeado por patente do rei, e que ao tomar posse, de imediato prestou preciosas informações ao monarca sobre as condições em que se encontrava a capitania ao constatar a falta de guarnição suficiente para o Forte dos Reis Magos onde também faltava material de guerra, e os quartéis estavam arruinados e que os colonos moravam uns distantes dos outros, disseminados pelos sertões.
Onde estavam sujeitos à rebeldia dos índios que sempre traziam vivas lembranças dos holandeses
Somando a isto, as dificuldades se agravaram quando o seu sucessor Pascoal Gonçalves de Carvalho assumiu a administração em 30 de Agosto de 1685 após ser nomeado por patente real, e que a par do desenvolvimento da indústria pastoril que era a causa ocasional do definitivo povoamento dos sertões, se deparou com o fato de que durante a ocupação holandesa Antônio Paraupaba que era parente próximo de Camarão e que vivia na aldeia de Orange situada a poucas léguas da cidade de Natal, entre as ribeiras de Potengi e Jundiaí, e que após a expulsão dos invasores holandeses, em cujas mãos tinha sido instrumento passivo, retirou-se para os sertões do Ibiapaba com mais de quatro mil dos seus, de onde periodicamente descia em companhia de hordas selvagens que habitavam aquela região para atacar os estabelecimentos portugueses e perturbar a obra de reconstrução colonial, em represaria aos massacres executados pelos portugueses contra os indígenas, trazendo com isto grandes desordens a capitania que tão bem conhecia. Nesta época aconteceu que os potiguares que tinham servido ao exército libertador, esgotaram as suas autoridades para jugular a rebelião perante aos chefes de maior evidencia entre os Janduis, Caracarás, Aréas, Pegas, Paiacus, Canindés e dos Caicós, e com isto aconteceu a sublevação geral dos índios quando os potiguares que se concentravam nas várzeas próximas ao litoral e as demais tribos que dominavam as terras banhadas pelos rios Apodi, Upanema, Serido, Espinhas e o alto e baixo Piranhas atacaram e se apoderaram e colocaram tudo em desordem com suas crueldades empregadas nas ribeiras do Ceará-mirim, Apodi e do sertão do Açu.
Estando o forte dos Reis Magos sem guarnição disponível e não dispondo de recursos necessários para acudir aos pontos atacados, o senado da câmara de Natal se viu obrigado a solicitar ao Capitão-general de Pernambuco João da Cunha Souto Maior que enviasse com brevidade os socorros necessários a capitania, diante a rebelião dos índios que já haviam matado muitos moradores, destruído plantações e incendiado muitas casas, e com o passar dos dias, o mesmo pedido foi expedido a capitania da Paraíba, e no exato momento em que o Governador Geral Matias da Cunha tomou conhecimento dos fatos no dia 6 de Setembro, imediatamente determinou que o Coronel Antônio de Albuquerque Câmara reunisse todo o pessoal disponível das ordenanças e seguisse sem demora para se juntar as forças de Pernambuco e da Paraíba para combater as tribos sublevadas nas regiões de Arraial de Baixo até as praias de Manuel do Prado Leão, onde o Capitão de Infantaria Manuel Rodrigues Santiago se encontrava para garantir a situação de seus moradores. Diante o estado em que se encontrava a capitania, e devido a demora da chegada dos socorros solicitado, o senado da câmara de Natal resolveu enviar à Bahia um de seus oficiais.
Para isto Manuel Duarte de Azevedo viajou para se entender diretamente com o governador geral, que de imediato mandou seguir duas companhias dos terços de Camarão e de Henrique Dias e o maior número possível das forças da Paraíba.
As quais ficariam subordinadas ao Capitão-mor do Rio Grande do Norte, que em 18 de Janeiro de 1688 para conter o abandono da capitania por parte dos colonos baixou um edital, para que fossem denunciados todos aqueles traidores da causa que se ausentasse da jurisdição da capitania, que teriam como castigo, as suas terras confiscadas para cobrir as despesas da guerra, e alguns dias depois lançou um bando declarando que seriam perdoados de seus crimes todos aqueles que acudissem ao combate contra os índios, no exato momento em que o governador geral mandou seguir para o Rio Grande do Norte o Capitão-mor Manuel de Abreu Soares junto com alguns infantes da Praça de Olinda, e que o Capitão-mor da Paraíba enviasse o Capitão-mor dos índios com seus homens e alguns negros africanos, e deslocou o Governador das Armas Paulista Domingos Jorge Velho que se encontrava nas margens do Rio São Francisco com destino aos palmares, enquanto o capitão general de Pernambuco providenciou que Jorge Luís Soares se deslocasse da Paraíba com seus índios e negros africanos diretamente para Açu, onde estava estabelecida a base de operações.
Antônio de Albuquerque Câmara que desde o começo da luta combatia os índios revoltados, subiu até as cabeceiras do rio Piranhas, onde se juntaria ao Sargento-mor Manuel Silvério que se encontrava em uma casa forte em Cuó, onde foi violentamente atacado, cujo combate lhe deixou muito dos seus feridos e outros mortos, e que por este motivo não pode se deslocar em auxilio a Antônio de Albuquerque Câmara. O governador geral ao ser informado do que sucedera, de imediato publicou um bando convidando e perdoados de seus crimes, todos os fugitivos, degredados e criminosos, tanto da capitania do Rio Grande do Norte como de outras capitanias, para se incorporarem às forças do Coronel Antônio de Albuquerque no acampamento de Açu, e por conta disto em principio do ano de 1688 mais de seiscentos homens seguiram para o sertão para se juntar as forças regulares na luta contra os índios revoltosos.
Domingos Jorge Velho, governador das armas paulistas que marchara ao Rio Grande do Norte, travou violento combate durante quatro dias nas margens da lagoa do Apodi contra os índios rebelados que ofereceram vigorosa resistência até debandarem para o sertão após a prisão de seu chefe o Rei Canindé, ao deixar a direção da guerra com o Mestre de Campo Matias Cardoso de Almeida, rumou para combater Zumbi nos palmares.
No momento em que Agostinho César de Andrade, valente e brioso militar era retirado do comando da fortaleza das cincos pontes, no Recife para substituir Pascoal Gonçalves no governo da capitania do Rio Grande do Norte, que entre sustos e apreensões, levou as forças expedicionárias em numerosas e aguerridas perseguições sem trégua aos índios revoltados que opunham forte resistência, e por conta disto o senado da câmara em dois de Julho de 1688 enviou a Lisboa o Capitão Gonçalo da Costa Faleiro como procurador da capitania com um memorial relatando a real situação em que se encontrava a capitania devido aos ataques efetuados pelos índios. Incontestáveis foram os esforços desprendidos pelo Capitão-mor Agostinho César para vencer de todo a revolta; mas é também fato que o não conseguiu vencer, porém em virtude do agravamento da situação em 22 de Agosto de 1692, Sebastião Pimenta assumiu o governo da capitania, e seis dias após o senado da câmara dirigiu-se ao rei de Portugal um pedido de enviou de recursos para que fossem fundados quatros arraias nas localidades de Jaguaribe, Açu, Acauã e Curimatáu que seriam mantido e sustentados pelas gentes de Arco Verde e Camarão para povoamento do sertão em defesa da capitania, e durante o seu curto governo e a administração interina do senado da câmara, que se lhe seguiu, a situação permaneceu inalterável, levando com isto, que o governador geral determinasse em seis de Julho de 1694 a volta de Agostinho César de Andrade a capitania do Rio Grande do Norte no posto de capitão-mor, que em cumprimento as recomendações recebidas da metrópole colocou em pratica duas providências de indiscutível alcance, que foram as doações das terras fronteiras às regiões ocupadas pelos índios a pessoas que as pudessem povoar e cultivar as terras e que fundasse seis aldeias com guarnições militar em Açu, Piranhas e Jaguaribe, e para às medidas a serem adotadas pelo Capitão-mor Agostinho César de Andrade o senado da câmara ponderou contrariamente pela sua execução, pelo fato de que as terras da capitania já estavam doadas e por isto julgaram inoportuno o afastamento dos moradores da cidade para os arraias a serem fundado, pelo fato do enfraquecimento da defesa da cidade, porém Agostinho César resolveu que as terras a serem doadas seriam as mesmas já concedidas por sesmarias anterior, desde que ainda estivessem desabitadas e devolutas, e ponderou pela necessidade de obter à paz com os índios sem utilizar as batalhas sangrentas que vinham sendo realizadas continuamente de modo cruel, e para sua realização teria que vencer as fortes resistência das opiniões dominantes entre os colonos, das pessoas de relativas culturas as quais queriam que os índios fossem aniquilados por completo.
Dentro deste clima hostil, fracassaram os melhores propósitos de Agostinho César de Andrade que, em obediência a ordens superiores ou por orientação própria, desejou sinceramente restabelecer a paz na capitania, porém esta glória estava reservada ao seu sucessor, Bernardo Vieira de Melo, administrador hábil e capaz, que para alcançá-la, julgou imprescindível a sua ida até a localidade de Açu, onde no dia 24 de Abril de 1696 fundou um aldeamento que recebeu o nome de Nossa Senhora dos Prazeres, o qual assegurou com prudência e tato a consolidação permanente da obra de concórdia a qual assegurou o convívio pacifico entre colonos e indígenas, por isto o governo de Bernardo Vieira de Melo se tornou um sucesso completo com grande espírito de justiça e paz, e quando do termino de seu governo que tanto ilustrara, o senado da câmara ao interpretar os sentimentos do povo, solicitou ao governo de Lisboa que reconduzissem de volta ao posto o Capitão-mor Bernardo Vieira de Melo. E por intermédio da carta régia do dia 18 de Novembro de 1697 o rei de Portugal observando os feitos exercidos pelo Capitão-mor com muito zelo e disposição ao reduzir todo o gentio a uma universal paz em todo o sertão da capitania do Rio Grande do Norte onde a população vivia em sossego e desejosa pela sua continuação no exercício de seu trabalho por outros três anos, atendeu ao pedido a ele formulado pelo senado da câmara. Os atos praticados por Vieira de Melo, durante o seu segundo governo não desmentiram os do primeiro, pois a partir deste momento e que se acentuaram os grandes surtos da colonização, que atingiria no século seguinte o seu máximo de intensidade em conseqüência da exploração agrícola nas zonas próximas ao litoral, do encontro das duas correntes que, em entradas e bandeiras se tinham encaminhado para o interior da capitania e, o progressivo desenvolvimento da indústria pastoral que formalizou a sua cultura e o seu nível moral.
No inicio do século, o Rio Grande do Norte constituía uma capitania subalterna, e pela carta régia de 11 de Janeiro de 1701 deixou de ter subordinação direta do governo da Bahia, para ficar sujeita ao governo de Pernambuco. O capitão-mor era a autoridade suprema, muito embora os regimentos restringissem as suas atribuições à algumas tarefas, onde não tinha limites à sua liberdade de ação e dispunha de poderes civil e militar incontrastáveis onde a sua vontade era a única lei, para fazer executar as suas ordens, o capitão-mor contava com a guarnição da fortaleza, com o terço que assistia no Açu e com os regimentos de ordenanças que formavam a segunda linha, e no decurso do século, também teve o concurso dos capitães-mores das vilas e freguesias que foram criadas pela carta régia de 20 de Janeiro de 1699.
No Rio Grande do Norte existiam cinco capitanias menores localizadas nos distritos do sul e do norte da capital, a do Açu, a do Caicó e a da Portalegre, onde os capitães-mores de milícia exerciam o poder de policia com todos os seus arbítrios e violência, e auxiliados pelos capitães de mato, que andavam por todas as partes atrás de vadios e escravos.
Juridicamente, a capitania hereditária no dia 18 de Março de 1818 foi elevada a condição de comarca e pertencia à ouvidoria da Paraíba, criada por provisão régia de 12 de Dezembro de 1687 e que teve o Doutor Diogo Rangel Castelo Branco como seu primeiro ouvidor, nesta época na capitania do Rio Grande do Norte, havia os juizes ordinários, os almotacés e os juizes de vintema. Por decreto régio eram criado os cargos de juiz de fora, os quais eram nomeados pelo rei, dentre os bacharéis em direito e seus ordenados eram pagos pelos cofres reais e traziam por insígnias uma vara branca e exerciam jurisdições civil e criminal, e dentre eles e que o rei nomeava por um prazo de três anos, os ouvidores que tinham o seus ordenados pagos pela fazenda real, os ouvidores eram os corregedores de suas comarcas, onde davam audiências regularmente, em dia e lugar determinados, também tinham incumbências meramente administrativa, cuidavam das eleições das câmaras, e a administração municipal estava entregue às câmaras que publicavam posturas sobre tudo que interessasse ao bem comum, e normalmente eram compostas por homens ignorantes e rudes que muitas das vezes eram obrigadas a envolver-se nas lutas contra capitães-mores autoritários e de ouvidores gananciosos, e dentro do ponto de vista fiscal o provedor da fazenda era o posto mais elevado na hierarquia administrativa que era subordinada a capitania de Pernambuco onde se recolhia o dinheiro arrecadado dos impostos cobrados dos contratos de arrematação.
Antônio de Carvalho e Almeida ao substituir Bernardo Vieira de Melo na administração da capitania do Rio Grande do Norte em 1701 procurou manter a paz com os índios e acalmou a agitação reinante, que fora provocada pela subordinação da capitania a Pernambuco, e incrementou a criação e incentivou o movimento colonizador para o sertão até o final de seu governo no ano de 1705 quando foi substituído por Sebastião Nunes Colares que governou de Dezembro de 1705 até 30 de Novembro de 1708, com uma administração muito apagada, e que no ato de sua posse, aconteceu um fato inusitado: e que o senado da câmara, não foi comunicado a respeito de sua nomeação para o cargo de capitão-mor, por este motivo a mesma hesitou em dar lhe posse do posto e, só o fez em atenção a Carvalho de Almeida que desejava se retirar. André Nogueira da Costa que havia prestado bons serviços em Angola, Bahia e Pernambuco e havia se distinguido como capitão do rio São Francisco tomou posse por um período de três anos em 30 de Novembro de 1708, governou com uma administração sem nenhum realce para a capitania até ser substituído por Salvador Álvares da Silva em 30 de Novembro de 1711, e que ao assumir o governo encontrou uma séria revolta dos índios que avançaram com toda ira contra o arraial de Açu, e que para contelos foi necessário o auxilio dos índios Paiacus, os quais serviram de guias às bandeiras para descobrirem os inimigos nas serras onde se acolhiam. Domingos Amado ao ser empossado em 20 de Março de 1714 atendendo as reclamações por parte do senado da câmara, solicitou ao capital general de Pernambuco que fizesse retornar o terço dos paulista que haviam partido de Açu, para combater os índios que haviam retornado aos ataques ao arraial, e no mês de Julho de 1715 executou as ordens contida na carta régia que suspendia o bando que o Governador de Pernambuco Felix José Machado, mandara lançar para que todos os Tapuias de sete anos de idade para cima, lhe fossem remetidos para serem vendidos no Rio de Janeiro. No dia 23 de Janeiro de 1718 Luís Ferreira Freire, que era um soldado sem cultura, violento e voluntarioso que servira por muitos anos nas províncias do Minho, Beira, Trás-os-Montes e Alentejo, tomou posse como capitão-mor da capitania do Rio Grande do Norte.
E que durante o seu governo se deu a última rebelião geral dos índios em uma violenta batalha, em que os Tapuias invadiram o arraial de Ferreira Torto, matando e destruindo tudo.
Para se apoderarem da pólvora ali existente para levar a destruição e o pânico em toda a capitania, o que não conseguiram graças a pronta defesa da valorosa infantaria, que desta vez puniu rigorosamente os indígenas insubmissos, ao matarem muitos deles, e fazendo com que, os que escaparam à morte ou à escravidão se internassem nos altos sertões da Paraíba e do Ceará, de onde raramente vinham inquietar os moradores do Rio Grande do Norte com suas investidas que não mais ofereciam os perigos de outrora; com isto foi feito a extinção do terço dos paulistas. Ferreira Freire que era um homem de maus costumes, andou praticando alguns atos inadequado para o seu cargo, quando raptou uma moça e a fez de sua amásia, e tomou à força a escrava do Vereador Manuel de Melo Albuquerque e por conta destes fatos, o vereador recorreu à justiça, onde obteve um mandado para a entrega de sua escrava, do qual Freire tanto intimidou os oficiais de justiça que nenhum se quis prestar à execução do mandado, então o vereador recorreu ao Governador de Pernambuco Rolim de Moura, e por conta disto o capitão-mor mandou que Manuel de Melo fosse preso, no entanto o senado da câmara entendendo que a prisão arbitraria do vereador ofendia os seus privilégios, e por conta enviaram um comunicado ao governador de Pernambuco, que de imediato enviou uma ordem para que o capitão-mor soltasse o vereador. E após alguns dias em uma determinada noite o Capitão-mor Luís Ferreira Freire acompanhado de alguns soldados sob o comando do Capitão Francisco Ribeiro Garcia arrombaram a casa de Manuel de Melo e soltaram um de seus escravos e levaram a escrava que servia à casa,
Na noite de 22 de Fevereiro de 1722 o capitão-mor acabou sendo morto com diversos tiros, com isto o senado da câmara ficou a frente do governo da capitania e de imediato procedeu a abertura de uma devassa para descobrir o assassino do capitão-mor, da qual os resultados se tornaram infrutíferos, pois não se descobriu o autor dos disparos.
No dia 8 de Março de 1722, José Pereira da Fonseca foi empossado no exato momento em que a capitania ainda se encontrava sob a tensão do assassinato de seu antecessor, e para isto, ele determinou a abertura de duas devassas, sendo uma pelo juiz ordinário e outra pelo ouvidor geral, e que após muito trabalho não chegaram a nenhum resultado positivo sobre os nomes dos verdadeiros criminosos, o que gerou certa desconfiança entre o governador e a câmara do senado, mesmo depois que os vereadores foram substituído, e no decorrer de seu governo a frente da capitania, Pereira da Fonseca teve que conviver com um clima de insegurança, pois a todo instante havia um assassinato sem qualquer motivo, e nesta situação reinante a partir de 1723 a capitania começou a ser flagelada por uma devastadora seca, e como seu sucessor foi nomeado Domingos de Morais Navarro em 18 de janeiro de 1728.
Poucos dias depois de sua posse, o senado da câmara pediu ao governo de Lisboa que mandasse erigir um hospício na capital da capitania, para que os religiosos da Companhia de Jesus ou da Ordem de São Francisco pudessem residir e ensinarem gramática aos filhos dos moradores e para que fossem ordenado novos sacerdotes, dos quais padeciam de grandes faltas na capitania.
Por conta da manifesta má vontade do governador de Pernambuco em relação à capitania do Rio Grande do Norte, ele prestou as mais variadas informações desfavoráveis para construção do hospício, que acabou não sendo fundado, e ao tomar posse em 19 de Março de 1731 João de Barros Braga criou a primeira cadeira de gramática latina cuja falta fora reconhecida pelo bispo diocesano quando da visita pastoral na capitania em 1728, destacadamente fora o auxilio mais eficaz que os jesuítas encontraram para suas obras e o melhor defensor que os povoadores tiveram na capitania onde muitas das vezes supriu com mantimentos aos índios aldeados, porém quando mandou justiçar com a morte um índio Tapuia que havia assassinado o seu senhor e cometido outras mortes, João de Barros Braga incorreu no real desagrado, e não obstante os seus longos e preciosos serviços o rei mandou tirar uma devassa para o capitão-mor e ao ser sentenciado na relação do estado, que passou mandado de prisão contra ele através do ouvidor da Paraíba, que ficou impossibilitado de cumprir a ordem, devido a interferência do governador de Pernambuco que se negou a cumprir sob o pretexto de que o capitão-mor João de Barros Braga estaria sob suas mercê, e para isto escreveu ao rei para que esquecesse da punição imposta ao capitão-mor do Rio Grande do Norte, e advertiu a João de Barros Braga para que não voltasse a sentenciar outros delinqüentes.
João de Teive Barreto de gênio ativo e trabalhador que as vezes o levava a praticar incursões descabidas em esferas de atribuições que não eram de sua atribuição, entrou no exercício de seu cargo em 22 de Outubro de 1734 muito preocupado com a administração da capitania, que entre elas estava a conveniência de ser feita em Natal a arrematação dos dízimos, a dispensa da autorização do governador de Pernambuco para que fossem assentadas praças de soldados nas companhias existente na capitania, a falta de armas e munição e material de guerra, pela necessidade de construir um fortim em um ponto aberto, e a rigorosa observância do contrato para a construção de uma cadeia e da casa da câmara e outras mais. E Francisco Xavier de Miranda Henriques que o substituiu, serviu como capitão-mor de Dezembro de 1739 a Maio de 1751 com exemplar honestidade a frente da capitania, Henriques não tinha posses, era paupérrimo, e por conta disto, em certo dia foi-lhe preciso para matar a fome, pedir cem mil réis de empréstimos ao cofre dos órfãos, e se não fora a intervenção de seu secretário Caetano José Correia, o seu nome figuraria entre os daqueles que mendigavam ao governo, e em outra feita Miranda Henriques sustentou uma luta com o provedor, o quando ele contrariou ao apoiar os moradores da ribeira do Apodi que impediram a execução dos contratos celebrados com o arrematador Lourenço Correia de Lira que pedira garantia ao provedor que o atendeu e mandou notificar aos principais opositores, e como não conseguiu nada junto aos opositores, o arrematante viu-se na contingência de foragir-se. E por conta disto o provedor abriu uma devassa para o caso, onde foram pronunciada mais de vinte pessoas, e que entre os quais o Juiz Ordinário Matias Simões Coelho, que irritado por tal diligência de imediato recorreu ao capitão-mor, que atendendo ao pedido a ele formulado mandou abriu uma devassa do ocorrido, e para tal nomeou o juiz ordinário já comprometido na devassa feita pelo provedor, para semelhantes fins, e que por sua vez lhe solicitou as providências necessárias para que os contratos fossem executados. e que após ter sustentado a luta com o provedor ele foi repreendido e suspenso de suas funções durante quatro meses pelo governador de Pernambuco, devido as ordens recebida do governo de Lisboa. Após a suspensão Miranda Henriques continuou a governar por mais sete anos, e contra a longa duração de sua administração o senado da câmara em 23 de Abril de 1751 após ter conhecimento da nomeação de seu sucessor Pedro de Albuquerque e Melo, dirigiu-se ao rei reclamando que os governadores após três anos exercendo os seus cargos, acabavam criando grandes desconforto ao povo, porque se afeiçoavam a algumas pessoas e por razão destas, acabavam cometendo algumas injustiças, e quando da posse de Pedro Albuquerque e Melo em 30 de Maio de 1751, data a criação dos cargos de Juiz Ordinário e escrivão do Açu e Apodi e fez executar a mudança dos oficiais nos regimentos de milícia existente nas ribeiras do Açu, Apodi e na do Seridó, e de acordo com a descrição do Ouvidor Domingos Monteiro da Rocha em 27 de Julho de 1757 quase no final da administração de Pedro de Albuquerque e Melo a capitania do Rio Grande do Norte continha cento e dez léguas de cumprimento, pegando do Rio dos Marcos até a picada do Moxoró, e vinte e cinco léguas de largura que pegava da cidade de Natal até às cabeceiras do rio Apodi, e que em toda a capitania achavam-se as freguesias de Nossa Senhora da Apresentação onde se encontrava a cidade de Natal e que ao seu final tinha um lugar chamado de Ribeira que possuía um rio de água salgada de nome rio Grande e tinha sua barra onde se localizava a fortaleza da invocação dos santos reis magos, esta freguesia possuía algumas povoações com bastante moradores e se encontravam a de Ceará-mirim na parte norte da capitania que tinha o rio Ceará-mirim que nascia na serra de Cabugi, e rio Maxaranguape e o Punáu, outra povoação na parte norte era a de São Gonçalo que tinha o rio Potengi e para o sul tinha a povoação de Papari e a ribeira do Mipibu que tinha a capela de Nossa Senhora do Ó, e os rios Cururu e o Pirangi, a outra freguesia era a de Nossa Senhora dos Prazeres que possuía uma igreja matriz com bastante moradores na povoação de Goianinha e possuía o rio Cunhaú, a outra freguesia era a de São João na ribeira de Açu com igreja matriz e bem povoada e com quatro rios que eram os Água Mare, Tubarão, Manuel Gonçalves e o Açu, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição estava localizada na ribeira do Apodi no lugar chamado Pau de Ferros com um igreja e muitos moradores e tinha o rio Apodi e a freguesia de Sant’ana estava localizada no lugar chamado de Caicó na ribeira do Seridó com duas povoações localizadas na matriz da freguesia e outra em Acari com uma capela e o rio Seridó.
Em quatro de Dezembro de 1757 ao tomar posse , João Coutinho de Bragança demonstrou que não escolhia meios para auferir avultados proveitos do cargo, pois em uma viagem que fez ao interior da capitania, a fim de passar revista aos regimentos do sertão, ele exigiu que cada componente lhe pagasse determinada quantia de acordo com o seu posto, sob pena de lhes não serem reconhecidos os postos em que tinham sido anteriormente providos, e acabou indo além, quando criou mediante propina dos indicados, novos postos em lugares onde não podia haver. Joaquim Felix de Lima governou de 14 de Junho de 1760 até 28 de Setembro de 1774, quando faleceu no exercício do cargo, e durante o seu governo, a Ordem dos Jesuítas já havia sido abolida em Portugal e nos seus domínios desde três de Setembro de 1759, e por conta disto, o Marquês de Pombal para por em pratica as medidas e providências necessárias a execução do ato, designou que viesse ao Rio Grande do Norte o Desembargador Bernardo Coelho da Gama Casco, para publicar o alvará e as leis que estabeleciam a liberdade das pessoas, o comércio dos índios, bem como o seu governo civil e a elevação a categoria de vila das aldeias indígenas e que fizesse cessar o governo temporal dos jesuítas nas aldeias de Extremoz e Arês, antigas missões de Guajiru e Guaraínas, que eram as únicas que se encontravam sob a direção dos jesuítas. Em nove de Dezembro de 1761 foi criada a vila do Regente e para ali foram transferido os índios da missão do Apodi, em 22 de Fevereiro de 1762 a vila de São José que era a antiga missão de Mipibu a que tinha sido incorporada aos Pegas, antigos habitantes da serra de Cipilhapa que foi arrematada em toda a sua extensão em 19 de Novembro de 1761 por João do Vale Bezerra, e logo depois na aldeia de Gramacio, foi fundada a vila Flor em homenagem ao Governador de Pernambuco Dom Antônio de Menezes, Conde de Vila Flor. Com a criação das novas vilas, desapareceram todas as missões, e os indígenas passaram a ser governados pelos diretores, que sucederam aos padres jesuítas e que exploraram, escravizaram e martirizaram aos índios que em grande parte voltaram à vida errante dos primeiros tempo, onde eram perseguidos e esmagados. E em três de Fevereiro de 1766, foi criada a freguesia das Várzeas do Apodi com sede na antiga missão, e com o falecimento do Capitão-mor Joaquim Felix de Lima a capitania foi governada na conformidade do alvará com força de lei de 12 de Dezembro de 1770 pelo Ouvidor José Batista Freire e os vereadores mais velhos durante o longo período desde a data da morte do capitão-mor até 12 de Agosto de 1791, quando assumiu interinamente o governo da capitania o novo Capitão-mor Caetano da Silva Sanches, que em sete de Fevereiro de 1798 teve ratificado a sua posse no governo da capitania do Rio Grande do Norte. E nesse dilatado período 1774 a 1800, de mais de um quarto de século a capitania do Rio Grande do Norte experimentou duas grandes secas nos períodos de 1777 a 1778 e o de 1791 a 1793 que foram extremamente desastroso para os moradores da ribeira de Apodi, onde existiam nesta época as freguesias de Apoli, Portalegre e Pau de Ferros, onde a lavoura era constituída pelo plantio da mandioca e possuíam um extraordinário desenvolvimento da indústria pastoril que alimentavam a lucrativa indústria das carnes secas estabelecidas em Mossoró e Açu. Convém entretanto salientar, que da extinção dessas indústrias em 1778, quando o Capitão-general de Pernambuco, passou a permitir o preparo das carnes secas do Aracati para o norte, que com isto, resultou em consideráveis prejuízos, que não foram exclusivamente da ordem econômica, pois também agravou a questão de limites entre as capitanias do Ceará e do Rio Grande do Norte.
O século XVIII foi o século do povoamento completo da capitania, que no seu início era formada por um só município e uma freguesia e que no ano de 1800 já contava com os municípios de Natal, São José de Mipibu, Arês, Vila Flor, Extremoz, Vila do Regente e as recém criadas Vila do Príncipe e a Vila da Princesa.
Que compreendiam outras tantas freguesias de que eram sedes e mais as freguesias do Apodi, Goianinha e Pau de Ferros que ainda não gozavam dos foros de vilas. Com a população disseminada por toda parte, atingindo as serras e os pontos mais remotos alargando a criação e fazendo da capitania uma região francamente pastoril onde o caráter salino do solo, a abundância de pastos suculentos e os campos agrestes que determinaram a multiplicação do gado vacum, o gado cavalar dava-se bem no sertão, mas nunca se multiplicava tanto como o vacum, em virtude da falta de forragem apropriada, o gado muar era quase que desconhecido no começo da capitania, em virtude da carta régia de 14 de Junho de 1761 em que proibia que fosse despachado mulas ou machos, e que fossem sacrificados os que entrassem na capitania depois da publicação da lei, e devido a decorrência deste fato, e que ocorreu a não existência do gado muar, as ovelhas e cabras somente foram criadas na capitania a partir do reconhecimento da superioridade de suas peles. As guerras, epidemias e as crises climáticas periódicas, acabaram levando a um desaparecimento quase completo dos povos naturais, de modo que, no cruzamento que se operou no Rio Grande do Norte entre as três raças que entraram na formação histórica, a raça primitiva forneceu o menor contingente, especialmente na zona agrícola, onde foram assimilados em maior números os negros e os mulatos, enquanto no sertão o coeficiente dos índios e mamelucos foi superior. Na capitania os colonos que tinham a vida bem apertada, pois os mesmos não eram os donos das sesmarias, eles consumiam principalmente a carne secada ao sol, ou do gado miúdo de preferência de ovelhas, no começo nada se plantava, pois julgavam o terreno estéril, porém mais tarde introduziram a cultura do feijão, milho, cana e da mandioca, e com os inventos mecânicos que revolucionaram a indústria dos tecidos que aumentaram o consumo do algodão, é que levou o plantio do algodão para terrenos mais afastados.
Nesta época no Rio Grande do Norte ocorria um fenômeno para aquela região, que era as feiras de gado, onde na maioria das vezes o gado era permutado por objeto, e elas deram origem a alguns povoados, os quais podemos observar algumas particularidades locais, tais como: as casas eram em geral de taipa, sendo que as dos colonos eram cobertas de capim ou de folhas de palmeiras a não ser nos povoados, viviam-se em isolamentos nos sertões onde o contato dos fazendeiros eram com os vaqueiros e agregados, nos engenhos com os lavradores, os moradores e os escravos, tempo depois foi que os fazendeiros e senhores de engenhos começaram a permanecer algum tempo nas cidades e nas vilas, especialmente por ocasião das festividades religiosas como procissões solene, as novenas, as festas do orago das freguesias ou em honra dos santos preferidos pelos devotos, e nas diversões populares como o, bumba-meu-boi, os fandangos, os batuques, as corridas à argolinha, o carnaval com os seus papangus e entrudo, as danças de cordas, e a congada às quais não compreendiam festas e alegrias populares sem tiros de roqueira ou de bacamarte.
Nos sertões, a festa por excelência era a das vaquejadas, nas zonas açucareira era as boladas dos engenhos. Nas famílias, os chefes tinham uma autoridade absoluta e incontestável, onde as suas resoluções não se discutiam, conversavam pouco com os filhos, que os respeitavam e temiam, as suas mulheres eram antes de tudo escravas do dever do que carinhosas e ternas companheiras nas provações da vida, que se trajavam com a maior simplicidade.
O comércio era a aspiração dos mais ativo e inteligentes, porque dava facilidades de vida e a consideração dos proprietários abastados, nivelando classes hostis: a dos mercadores e a dos senhores territoriais, quando estabelecidos em pequenas vendas que eram verdadeiros bazares que se abasteciam com as mercadorias vindas de Pernambuco, onde os mascastes também se abasteciam. E o ensino primário era ministrado pelos missionários nas aldeias dos índios e pelos vigários e capelães aos filhos dos moradores ricos das cidades, e no momento da extinção das missões o mestre-escola veio como uma necessidade para suceder os padres no papel de educadores.
Com a morte do Capitão-mor Caetano da Silva Sanches em 15 de Março de 1800, assumiram o governo da capitania o Comandante Antônio de Barros Passos e o Vereador Luís Antônio Ferreira até o ano de 1801.
Quando chegou o novo Capitão-mor Lupo Joaquim de Almeida Henriques, homem despótico e violento que cometeu toda a espécie de arbitrariedade, que acabou levantando o clamor popular devido aos absurdos por ele praticado, e que por isto chamou a atenção da corte de Lisboa que imediatamente ordenou a sua retirada para Pernambuco.
Sucederam-lhe interinamente o comandante Joaquim José do Rego Barros e o Vereador Luís Antônio Ferreira até a chegada de José Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque no dia 23 de março de 1806 com grande interesse de guarnecer a capitania e, para isto dividiu a tropa em três divisões e subdividiu as divisões em círculos, e em 22 de Janeiro de 1812 foi substituído por Sebastião Francisco de Melo Povoas, que encontrou na capitania o gado vacum sendo a sua principal fonte de exportação, e a cultura do algodão começando a se desenvolver, e magníficos resultados com a plantação de mandioca, milho e arroz, e as salinas sendo exploradas com bom resultados, portanto nesta época havia no Rio Grande do Norte uma acentuada probabilidade de grandes surtos econômico. E a construção do quartel de Natal, data do governo de Melo Povoas que deixou o exercício do cargo de capitão-mor em 16 de Dezembro de 1816 ao ser sucedido por José Inácio Borges e que durante a sua administração rebentou em Pernambuco o movimento republicano de 1817 que teve o seu inicio em 1800, com intensas propaganda política exercidas pelas sociedades secretas de Pernambuco onde se doutrinavam os mais adiantados princípios liberais ou, como se dizia, a causa da liberdade, aonde alguns dos componentes, coerentes com as suas idéias chegaram às ultimas conseqüências ao pleitearem o estabelecimento do regime republicano, com as mais amplas franquias democráticas, onde outros queriam a independência e, com ela, uma constituição que assegurasse as garantias de ordens políticas e que delimitasse as atribuições dos poderes que fossem criados e reconhecesse os direitos dos cidadões e que refreasse as violências das autoridades constituída. André de Albuquerque que era filiado a uma daquelas sociedades secretas, logo se tornou o chefe dos que na capitania do Rio Grande do Norte ansiavam pela realização das reformas que correspondessem às aspirações do povo que estavam cansados da tirania e opressões. E ao se operar a revolução no Recife, logo se fez a republica, e André de Albuquerque a principio vacilou em aceitá-la, porém ao ser informado da real situação, de imediato promoveu o movimento em sua terra.
Com a confirmação da noticia dos sucessos alcançados em seis de Março em Recife, o Capitão-mor José Inácio Borges de imediato publicou uma proclamação a todas as câmaras e comandantes de distritos da capitania do Rio Grande do Norte, a respeitos dos acontecimentos ocorridos na vila de Santo Antônio do Recife em Pernambuco, em que resultou na imediata saída do governador daquela capitania para o Rio de Janeiro e que alguns facciosos haviam assumido e usurpado a jurisdição do governo, trazendo com isto a intranqüilidade para os seus habitantes, e por conta disto declarava que estava cortada as relações com qualquer governo ou autoridade levantada no momento em Pernambuco. José Inácio Borges hesitou em condenar o movimento, só o fazendo após se reunir com um conselho, que divergindo da opinião de André de Albuquerque deliberou por maioria de votos que ele fosse combatido e que fosse transferido para a fronteira sul da capitania para impedir que a mesma fosse invadida. André de Albuquerque imediatamente aceitou a comissão a ele imposta, pois era de seus propósitos ganhar tempo para organizar convenientemente as suas tropas e esperar a chegada de reforços que lhe tinham sido prometidos da Paraíba. No dia 16 de Março o Capitão-mor José Inácio Borges enviou uma correspondência ao para André de Albuquerque relatando a respeito do tumulto reinante na Paraíba e que ele deveria incorporar a sua tropa, com a gente da ordenança do Capitão-mor Vila Flores e Arês para defesa dos limites da capitania em Goianinha. André de Albuquerque em 18 de Março acusou o recebimento das instruções a ele enviada em sua resposta dada ao capitão-mor na qual demonstrou que já não mais se dedicava ao rei, e comunicou que as ordens enviadas já haviam sido cumpridas e que instalara o seu quartel no seu engenho em Cunhaú, onde recebeu o correio da Paraíba nas pessoas de Baltazar da Rocha e do Padre João Damasceno Xavier Carneiro que pertencia a freguesia do Uno em Pernambuco, que tinham o intuito de conseguir a adesão de André de Albuquerque a revolução e que após o encontro, abraçou francamente o partido dos republicanos. José Inácio Borges que não demonstrava nenhuma desconfiança, em 20 de Março tornou a escrever para André de Albuquerque solicitando maiores informações a respeito do número exato de homens que tinham sob a sua ordem, e devido as informações prestada em resposta pelo oficio do dia 22 de Março, o capitão-mor de imediato resolveu visitar o sul da capitania a fim de verificar pessoalmente o que ocorria e orientar-se acerca das dificuldades existentes. Na manhã do dia 24 de Março o capitão-mor se encontrou em Goianinha com André de Albuquerque onde conversaram sobre a situação reinante, e se retirou ao cair da tarde com destino ao engenho Belém, convencido pelas razões expostas por André de Albuquerque de que não daria seu apoio ao revoltosos de Pernambuco. Porém na madrugada do dia 25 José Inácio Borges foi cercado e preso por André de Albuquerque e pelo Capitão-mor das ordenanças da cidade da Paraíba João de Albuquerque Maranhão e alguns oficiais do regimento de cavalaria que se encontravam na fronteira e que na oportunidade o Padre João Damasceno Xavier Carneiro e Luís Manuel de Albuquerque Maranhão alardearam a glória dos libertadores de sua pátria, que dali mandaram chamar o comandante da companhia de linha, o provedor da fazenda real e o major de infantaria miliciano para conduzir o Capitão-mor José Inácio Borges a cidade, com ordem para assassinarem no caso de qualquer resistência, porém como não houve rebuliço, lhe foi permitido ir buscar a sua mulher para com ela ser conduzido a Pernambuco onde foi recolhido à fortaleza de cinco pontas. André de Albuquerque ao assumir definitivamente à causa da liberdade reuniu os oficiais militares e as principais pessoas do movimento e nomeou para compor o seu governo o Comandante de Linha Antônio Germano Cavalcanti de Albuquerque, o coronel Joaquim José do Rego Barros, o Capitão Antônio da Rocha Bezerra e o padre Feliciano José Dornelas que a principio se recusaram em aceitar os cargos, porém com as insinuações do Padre João Damasceno Xavier Carneiro, todos acabaram aceitando e assinaram as atas, editais e as ordens expedidas pelo governo revolucionário, que causaram a desaprovação e o ódio da opinião pública, e a indisposição da companhia de linha. E no exato momento em que a força paraibana sob o comando de José Peregrino saiu da cidade, rebentou a contra-revolução pelo povo instigado por decididos partidários da monarquia que de imediato receberam o apoio da companhia de linha que correram às armas aclamando a Dom João VI, cuja autoridade se pretendiam restabelecer no Rio Grande do Norte.
E em 24 de Abril sob a liderança do Comandante de Linha Antônio Germano, que animava a revolta e a insubordinação dos soldados, que imediatamente se colocam em marcha pela rua Grande em direção ao palácio do governo.
Ao sinal de nove badaladas no sino da matriz, um grupo dos mais resolutos dos monarquistas compostos pelo Capitão Antônio José Leite de Pinho, Capitão-mor José Alexandre Gomes de Melo, Capitão de segunda linha Francisco Felipe da Fonseca Pinto, Alexandre Felício Bandeira, João Alves de Quintal e do Alfaiate Manuel da Costa e de muitos outros que se reuniram com Antônio Germano ao galgarem de tropel as escadas do palácio e surpreenderam o indefeso André de Albuquerque sentado à mesa de trabalho. Então neste momento Antônio Germano intimou-lhe com voz de prisão, e o declara deposto no meio do alarma e dos gritos sediciosos de Viva o Senhor Dom João VI ! Morra a Liberdade !, e meio desta confusão André Albuquerque levantou-se e encaminhou-se a uma das janelas do palácio, como se quisesse por ela precipitar-se, preferindo talvez a morte desastrosa ao acabar nas mãos de seus inimigos. O Capitão Antônio João Leite prevendo a intenção de André de Albuquerque, cordialmente estendeu-lhe o braço sobre os ombros e exclamou: “Não faça isto, Senhor Coronel” no exato momento em que o Oficial Francisco Felipe da Fonseca Pinto, num golpe traiçoeiro cravou-lhe a espada em seu ventre. André de Albuquerque o mártir dos princípios liberais ao se sentir ferido e exausto de suas forças, cai ao chão ao ser sacrificado pela emancipação de sua terra, certo de que o sangue dos patriotas é a seiva mais fecunda da árvore da liberdade. Prostrado, e quase moribundo, foi-lhe imposto que desse Vivas ao Rei, fato que não conseguiram demovelo do obstinado silêncio, pois velara-lhe os lábios o sentimento da própria dignidade, e mesmo assim mortalmente ferido o desventurado André de Albuquerque é posto a ferros e conduzido por entre os insultos e apupos da gentalha para ser encarcerado na hedionda e solitária prisão da fortaleza dos Reis Magos, onde o reverendo Feliciano José Dornelas assisti aos seus últimos momentos na madrugada do dia 25 de Abril. E ao amanhecer do dia seguinte a companhia de linha que já estava em armas à testa do povo da cidade que haviam se levantado com eles, seguiram as reais bandeiras proclamando com grandes vivas a real soberania e marcharam para o sul da capitania com a finalidade de prender os parentes de André de Albuquerque que haviam se refugiado no engenho de Cunhaú fortemente armados, porém ao chegarem ao engenho não os mais encontraram, por este motivo lançaram algumas patrulhas pelo sertão em perseguição para prender aos revolucionários, com exceção de José Inácio de Albuquerque que se apresentou mais tarde, e do Padre Antônio de Albuquerque, Vigário de Goianinha que não foi alcançado; e pelo alvará de 12 de Dezembro de 1770 foi organizado um governo interino para administrar a capitania do Rio Grande do Norte, e para tal o senado da câmara escolheu o Capitão e Comandante da tropa de linha Antônio Germano Cavalcanti de Albuquerque e o Vereador André Álvares Pereira Ribeiro Cirne, que após constituírem o seu gabinete não encontraram grandes embaraços quando expediram os preciosos avisos às vilas das capitania, com exceção da vila de Portalegre aonde David Leopoldo Targini, emissário dos rebeldes naquela vila, à frente de um grupo armado prendeu os enviados do governo antes de chegarem ao seu destino, e que ao tomarem conhecimento dos acontecimentos.
De imediato marchou para a vila, onde se juntou ao Vigário João Barbosa Cordeiro e convocou a população para instalarem um governo formado pelo Vigário João Barbosa Cordeiro, o Tenente-coronel Leandro Francisco de Bessa, o Sargento-mor José Vieira de Barros, o Capitão Manuel Joaquim Palácio e do Tenente Felipe Bandeira de Moura.
Que marcharam junto à forças comandadas por Miguel César emissário dos rebeldes de Pernambuco contra as vilas onde se tivessem levantado as reais bandeiras e depois se encaminharam à capitania do Ceará, e nos primeiros dias de Maio, o governo interino da capitania do Rio Grande do Norte, ao tomar conhecimento do levante realizado por David Leopoldo na vila de Portalegre, imediatamente ordenou que marchasse da vila da Princesa um corpo de infantes para prender os membros do governo revolucionário e seus promotores, com exceção do Padre Gonçalo Borges de Andrade que fugira junto com David Leopoldo. E durante quatro anos, os réus pronunciados, permaneceram nos cárceres da Bahia, somente em 1821, logo após o estabelecimento da junta governativa, organizada em conseqüência da revolução portuguesa do ano anterior, e que após tomarem conhecimento do processo e das graves irregularidade nele contido, de imediato mandaram anular o processo e fizeram expedir os mandados de soltura dos presos. Assim desta maneira encerrou-se o episódio revolucionário de 1817 na capitania do Rio Grande do Norte, cuja figura máxima foi André de Albuquerque, que encarnou a república nos dias de triunfo e, aureolado pelo martírio que com ela sucumbiu, e dele não se registra lances de heroísmo e de intensidade dramática, mas, tão certo é que a violência não convence e que as idéias não morrem, que foi justamente em seguida ao seu esmagamento que se começaram a definir na capitania as correntes políticas que mais tarde, depois da independência, teriam perturbado por tanto tempo a vida da província.
Os processos adotados pelos portugueses na colonização e governo do Brasil nunca foram os mais próprios para ligar a metrópole e a colônia por uma larga corrente de simpatia e solidariedade, pois os capitães-mores em vez de procurarem atenuar e desvanecer habilmente as prevenções existentes desde a época da conquista, pelo contrario impunham-se mais pela violência e pelo arbítrio do que pela docilidade e brandura e as normas de moderação e justiça para a união necessária entre os dois povos, que deste modo se anulava antes as injustiças e desarrazoadas preferências dadas aos europeus, pois os brasileiros não passavam de mero instrumentos dos dominadores que se fixavam e desbravavam o solo exercendo as maiores extorsões e depauperando gananciosamente as populações rurais, criando com isto uma grande rivalidade que normalmente se degeneravam em lutas sanguinolentas.
E no momento em que Napoleão, dominou a França e avassalando toda a Europa com o fulgor de sua vitória. Acabou obrigando com que Dom João VI emigrasse para o Brasil em busca da salvação de sua coroa e de sua dinastia, fato este que mais tarde trouxe o declínio do poderio da metrópole, e que seria o ponto de partida para a emancipação política, cujas primeiras tentativas foram afogadas em sangue. Com a transferência da sede do governo para o Rio de Janeiro, o rei Dom João VI em 28 de Janeiro de 1808 ainda no caminho para o Brasil decretou interinamente e provisoriamente a abertura dos portos ao comércio das nações amigas, ao atender as exigências do governo inglês, e a este primeiro arrebol do lumiar da liberdade, outros atos de importância capital se seguiram para o Brasil, e com a ausência prolongada do rei nas cortes de Lisboa e na decorrência das revoluções que se alastravam por toda a Europa, desde o fim do século XVIII, acentuara a decadência de Portugal, onde se generalizava a aspiração por um outro regime mais compatível com a liberdade civil e política do povo, e devido ao movimento revolucionário do Porto em 24 de Agosto de 1820 onde o ideal de uma nova formula constitucional e a explosão de descontentamento do povo para um perfeito equilíbrio e a mais concreta harmonia dos direitos do soberano e de seus súbitos, acabou trazendo uma grave perturbação política para a metrópole em que acarretou o retorno de Dom João VI para Portugal e subseqüentemente a independência do Brasil com a emancipação completa da colônia com o governo de Dom Pedro I, que teve o seu inicio cheio de embaraços e dificuldades de todas as ordens.
E com a elevação das capitanias em províncias na conformidade do sistema espanhol, adotado pelo governo provincial de Portugal que desconheciam a autoridade de Dom Pedro I e por conta disto restringiram sensivelmente os poderes de que se achava investido, e como exemplo temos o fato do comandante da divisão portuguesa do Rio de Janeiro Jorge Avilez que a frente de uma guarnição militar promoveu uma manifestação armada, onde obrigou que Dom Pedro I jurasse as bases da constituição portuguesa antes de ser recebida a noticia oficial de Lisboa e que na mesma ocasião impôs ao regente a demissão do Conde dos Arcos e a eleição de uma junta que, com ele governasse o Rio de Janeiro, e para Dom Pedro I que tinha a insofrida paixão do poder, a demonstração de força imposta por Avilez tinha sido deprimente e agressiva, e para o fato Dom Pedro I não ocultou a sua mágoa e por conta disto, lançou-se abertamente nos braços dos partidos brasileiros imediatamente, pois a partir de 24 de Abril declarou todos os governos provinciais independentes do Rio de Janeiro, aprovou a desobediência à junta da Bahia, suprimiu os tribunais do Rio de Janeiro, e com o recebimento do decreto que ordenava o seu regresso a corte de Lisboa e que observasse as leis de Lisboa.
Fez transbordar em ímpeto irreprimível o descontentamento de Dom Pedro I que não hesitou e resolveu permanecer no Brasil, quando o dia do Fico de nove de Janeiro ficou simbolizado como o marco do rompimento deste com a metrópole e o inicio do movimento separatista.
Jorge Avilez em um movimento armado tentou esmagar o partido dos brasileiros quando tomou posição para tal ao ocupar o morro do Castelo, para onde Dom Pedro I a frente da resistência marchou e fez com que Avilez capitulasse e embarcasse para Lisboa em 15 de Fevereiro. E logo o fato imediatamente Dom Pedro I demitiu o seu ministério e nomeou um outro do qual José Bonifácio ocupou a pasta dos estrangeiros, e ao convocar o conselho de procuradores gerais de províncias, ordenou que nenhuma lei das cortes de Lisboa fossem obedecidas sem o seu consentimento e, proibiu o desembarque de qualquer tropa portuguesa no Brasil e no decorrer do tempo Dom Pedro I em sete de Setembro declarou a independência do Brasil, como comprovação de um fato, e a afirmação diante de outras nacionalidade, de que a obra da emancipação, há muito feita no espírito e no coração dos brasileiros estava concluída.
Após a contra-revolução de 1817, José Inácio Borges pessoalmente não tomou qualquer iniciativa de perseguição ou de vinganças, apenas se limitou a cumprir as ordens que recebia, em que muitas das vezes suavizava quanto possível a ação de sua autoridade, e devido ao seu procedimento a calma e a ordem voltou a reinar na capitania do Rio Grande do Norte, que com o fato se libertou da subordinação de Pernambuco, e juridicamente separada da Paraíba, para se constituir em uma comarca a parte pelo alvará de 18 de Março de 1818 e com o decorrer do tempo começaram a se manifestar as primeiras divergências entre os partidários da independência e os adeptos da política recolonizadora de Portugal, divergências estas que alimentadas pelos ódios das facções que produziram estéreis agitações e lamentáveis anarquia, e com a revolução iniciada no Porto e vencedora em Portugal com uma nova constituição que se ramificou com vários pontos do Brasil e que foi jurada em todas as província e, que no Rio Grande do Norte foi jurada perante a câmara municipal na presença do clero, da nobreza, do povo e do Governador José Inácio Borges que nesta época já era franco partidário da causa da independência, e se mantinha incompatibilizado com os recolonizadores que tinham no Ouvidor da Câmara José de Brito Lima o seu guia e inspirador, que pelas suas ações tendia para um congraçamento geral e uma preparação na província para uma remodelação política que no Brasil vinha sendo arrastado, como demonstrou na eleição da junta que o substituiu no governo, a qual foi composta em sua maioria pelos velhos e bons patriotas que, nos cárceres da Bahia, haviam sofrido inúmeros tormentos pelas suas co-participações no malogrado movimento de 1817, e que teve como presidente o Coronel Joaquim José do Rego Barros para o qual José Inácio Borges passou o governo da província.
E devido ao ódio e a rivalidade gerada pela luta em que havia empenhado com o ouvidor, que munido de provas esmagadoras de seus abusos e prevaricações, procurava comprometer José Inácio Borges perante as autoridades superiores do Rio de Janeiro, a junta foi empossada em três de Dezembro de 1821 e administrou por pouco mais de dois meses e que politicamente teve uma vida agitadíssima, pois em menos de um mês depois de instalada o povo reagiu contra ela por atos e fatos provocado por parte do ouvidor que obteve o apoio da força armada, por intermédio do batalhão de linha sob o comando de Antônio Germano Cavalcanti que em sete de Fevereiro de 1822 antes a ameaça de sua intervenção, obrigou ao senado da câmara a eleger um governo inteiramente dedicado aos elementos que lhe eram contrários sob o pretexto do fato de que a junta não ter sido eleita de acordo com as disposições do decreto expedido pelas cortes constituintes de 29 de Setembro de 1821 e sim de acordo com o expedido especialmente para Pernambuco, e por este motivo em quatro de Fevereiro, diversos cidadões dirigiram uma representação ao presidente da câmara, para realização de novas eleições dos membros da junta do governo, e como ela não produziu os efeitos desejados em virtude da energia como agiu o governo para o caso, os signatários imediatamente se dirigiram ao comando do batalhão de linha solicitando o seu apoio para a organização imediata de um novo governo temporário em virtude do despotismo praticado pelo governo e pela irregularidade com que fora constituída a junta. Antônio Germano Cavalcanti comandante do batalhão de linha, de imediato deu o seu assentimento ao plano subversivo dos sediciosos, e dirigiu um requerimento aos membros da câmara declarando que a tropa havia concorrido espontaneamente para a ação heróica e pacificadora, a fim de sustentar a causa constitucional e os direitos da nação, e por conta disto o senado da câmara ante a ameaça de uma intervenção violenta, tomou a resolução de cumprir o requerido, quando se dirigiu aos membros da junta, dizendo que se viu atacado pelo povo da cidade, ao requererem um governo temporário para a província na forma como determinava o decreto de 29 de Setembro de 1821, e para preservar a paz e sem força para resistir, imediatamente decretou que os eleitores escolhessem os novos membros do governo temporário, que foi constituído em sete de Fevereiro de 1822 com Francisco Xavier Garcia no cargo de presidente.
E no dia 8 de Fevereiro, o senado da câmara comunicou a todas as câmaras da províncias a instalação do governo temporário e marcou a data de 18 de Março para a eleição de um novo governo que o deveria substituir
Em resposta ao comunicado por ela enviado, a câmara da vila da Princesa se colocou contraria ao governo ora instalado, e que não reconhecia a sua legitimidade. O senado da câmara de Natal, julgando ofensiva a resposta da vila da Princesa, com a qual foram solidária as câmaras de Portalegre e Príncipe, de imediato oficializou ao governo temporário e a Dom João VI e representou contra ela, mas essa representação não teve deferimento, e por conta disto o governo temporário que sucedeu aquela junta foi obrigado a procurar a adesão das câmaras insubmissas, através de acordos e concessões, e o governo temporário que esteve à frente da administração no período de sete de Fevereiro a 18 de Março de 1822, não praticou qualquer ato que merecesse uma menção especial, pois apenas se limitou a dar providências sobre o processo que o governo havia instaurado contra o Ouvidor Mariano José de Brito Lima e o Capitão Joaquim Torquato Raposo da Câmara, que culminou com os acusados sendo soltos e reintegrados aos seus cargo que ocupavam, e de acordo com a convocação do senado da câmara de Natal, em 18 de Março se reuniram os eleitores da paróquia e elegeram a nova junta da qual o Padre Manuel Pinto de Castro figurou como presidente, e que foram empossados no mesmo dia, e como primeiro ato desta junta que objetivava o restabelecimento da harmonia, João Marques de Carvalho foi comissionado para ir as vilas do Príncipe, Princesa e Portalegre a fim de conciliar as divergências que haviam surgido quando da aclamação do governo temporário no exato momento em que por todo o país os países se congregavam em torno dos que se conservavam fiéis às cortes portuguesas e dos que abraçavam a causa da independência. Em seis de Julho a câmara de Natal reconheceu a regência de Dom Pedro I com a delegação do poder executivo do Brasil sem nenhuma restrição e do mesmo modo que Dom João VI o exercia em Portugal, e no dia 13 comunicaram aos chefes dos regimentos de milícias e os capitães-mores de ordenanças, para que perante as câmaras das vilas prestassem juramento igual ao que fora prestado em Natal, e dali em diante a ação da junta subordinou-se ao pensamento do governo de Dom Pedro I, cujas ordens começaram a ser executada fielmente, mas nem por isto cessaram as lutas políticas, e naqueles dias de indecisões e de dúvidas, onde o único poder real da província era o batalhão de linha cujo comandante Antônio Germano Cavalcanti fazia e desfazia à sua vontade, e que na ocasião das eleições para eleger o deputado para as cortes gerais do Brasil, e que Antônio Germano demonstrou ser um indivíduo hábil, que sabia manter-se jeitosamente, sem se comprometer de todo em favor de qualquer partido, pois quando lhe foi oferecido o lugar de comandante das armas, ele de imediato recusou, por haver um clima atribulado para boa ordem nas eleições, e no dia 11 de Novembro se realizou a eleição para eleger o deputado para as cortes gerais do Brasil, e perante o colégio eleitoral apareceu um requerimento do povo e outro da tropa da primeira linha para que fossem afastado João Marques Carvalho e Agostinho Leitão de Almeida da junta provisória, e que fosse convocado o senado da câmara para eleger os que deveriam sucede-los, e que pela pluralidade dos votos, foram eleitos o Padre João Francisco Fernandes Pimenta e José Correia de Araújo Furtado, e no dia 2 de Dezembro foi recebido pela câmara do senado de Natal a noticia oficial da aclamação de Dom Pedro I como Imperador do Brasil e no dia 11 o senado da câmara solenizou o acontecimento com uma missa e Te Deum que foi celebrado na matriz, enquanto isto as agitações políticas continuavam a dividir as facções nacionalistas e os racionarios e por causa disto o senado da câmara publicou um proclamação contra o governo de Dom Pedro I, pelo fato de ter recebido um oficio da secretaria de negócios do império prometendo providências para evitar toda e qualquer efusão de sangue na província, e que as mesmas não haviam sido dadas, e em conseqüência disto a junta convencida de que não viriam, estaria praticando todo tipo de violência, assim como a prisão dos Sargentos Manuel Pegado de Albuquerque e José Luís Soares e do Furriel Pedro José da Costa Barros por crimes imaginários e argüidos pelo comandante da armas com o apoio do imperador, a partir desta proclamação a posição de Antônio Germano Cavalcanti começou a decair, fato este que ele mesmo reconheceu, pois logo a seguir solicitou e obteve a sua reforma em 21 de Julho de 1823 no posto de Tenente coronel e pouco meses depois a junta era também obrigada a deixar o poder sem simpatia e sem dedicação, depois de ter ocupado sem cumprir às suas promessas no espaço de tempo entre 18 de Março de 1822 a 24 de Janeiro de 1824, quando foi substituída por Teixeira Barbosa um cidadão sem qualquer descortino administrativo e sem preparo necessário para o alto cargo que ia ocupar e que, apesar de suas boas intenções, acabou sendo nas mãos dos seus conselheiros, um instrumento de vinditas dispensáveis, em vez de ser o restaurador da concórdia, da paz, das agitações aparentemente sufocadas, que sobrevieram logo a seguir nas paixões locais sempre efervescentes e nas repercussões do que ocorria no Rio de Janeiro antes e depois da dissolução da constituinte, Teixeira Barbosa fraco e impotente para dominar a anarquia que alçava o solo do Rio Grande do Norte fazendo perigar em crises de opiniões divergentes, e por conta disto apelou para o concurso de Agostinho Leitão de Almeida, um dos membros da junta deposta em 1822, que ao assumir o exercício de seu cargo, procurou influir para que não agravasse a situação, incorrendo por isto no desagrado dos exaltados que estavam inclinados a acompanhar o movimento de reação em Pernambuco que terminou na Confederação do Equador.Tomas de Araújo Pereira, nomeado presidente da província em 25 de Novembro de 1823, receoso das desordens que lavravam pelo interior, de imediato procurou diversos pretexto para adiar a sua posse, para finalmente em cinco de Maio assumir o governo e como o seu antecessor, que era um simples soldado da segunda companhia do regimento de cavalaria miliciana, que iria lutar com insuperáveis dificuldades, apesar de gozar de uma grande popularidade na zona de Seridó, principalmente em Acari, apesar de tudo, Tomas de Araújo não era o homem indicado para governar a província, pois com sua idade avançada e de sua cegueira e as suas ligações políticas que tinha, fazendo-o partidário intransigente, o que constituía em uma qualidade que o contra indicavam a sua escolha para a função de que fora investido, e menos de três meses depois de empossado, o batalhão de linha na sua presença depões o seu comandante João Marques de Carvalho, a partir deste momento, o contágio revolucionário tornou-se contagiante com sérias perturbações da ordem com puro reflexo das convulsões revolucionarias de Pernambuco, e em oito de Setembro de 1824 Tomas de Araújo, estando sofrendo horrores das anarquias de que estava a província e ameaçado de sua autoridade e esbulhado de seus direitos por aqueles que deveriam sustentar e fazer respeitar a ordem, acabou renunciando à presidência e retornou para Acari, e no período de sua passagem pelo governo da província do Rio Grande do Norte compreendido entre cinco de Maio a nove de Setembro de 1824, em nada contribuiu para acalmar o estado de inquietações em que vivia a província, onde a força armada superpunha-se a tudo e a todos ao ditarem as leis pelas suas vontades e que as lutas de grupos pelo predomínio de pessoas continuaram a ser por muito tempo, conseqüências inevitáveis da aprendizagem que se fazia do regime constitucional, felizmente vencidos, sem que conseguissem constituir qualquer tipo de governo, com os entusiastas, teóricos e idealistas da Confederação do Equador, que viam na quebra da integridade nacional o remédio aos males das tendências separatistas.
Os notáveis acontecimentos que se desdobraram no Brasil desde a independência até ao meado do século XVIII, com exceção do período da regência que foi o ponto culminante da história política durante o império , poucos abalos produziram na província, que quase sempre se conservou alheia às intensas vibrações patrióticas, alimentadas em outros pontos do país pelas ardentes paixões que tumultuavam naquela época. A província do Rio Grande do Norte nos seus primeiros anos era uma província atrasadíssima, fora capitania subalterna até 1817, onde a identidade ou a diversidade de interesses era que ligava ou separava os homens cujas aspirações se limitavam ao predomínio e ao mando nos distritos de sua residência e poucos foram os que tiveram influência generalizada na província até à constituição definitiva dos partidos, a política se fazia em torno dos presidentes, o qual ninguém lhe recusava em apoiar, desde que suas preferências não fossem partilhadas pelos adversários e na subordinação humilhante e deprimente nunca pudera desenvolver as suas forças para uma vida de relativa autonomia sob instituições mais livre, que com a falta de resistência aos abusos do poder que burlava por completo todas as garantias constitucional.
No decênio de 1830 a 1840 as mudanças já foram mais sensíveis na capitania, devido a elevação de seus habitantes livres e escravos.
E a riqueza particular que fora reduzida devido ao efeito da seca de 1824 se refez significativamente e foram criado vários municípios e freguesia onde foram inaugurada diversas escolas e organizado alguns serviços e multiplicado os juizados de paz, politicamente também se operaram profunda modificações e com o falecimento de José Paulino de Almeida Albuquerque o Padre Francisco de Brito Guerra assumiu o seu cargo e se filiou à corrente triunfante onde se ligou estritamente ao Padre Diogo Feijó e a Evaristo da
Veiga e se colocou à frente dos moderados para repelir, por igual as tendências exclusivistas dos liberais exaltados e dos reacionários absolutista quando salvou o principio monárquico com o ato adicional identificado com a unidade da pátria. O Padre Francisco de Brito Guerra foi o representante da província mais gabaritado e amparado para intervir, e foi que, quando prestou os seus valiosos serviços de modo benéfico e eficaz durante alguns anos na política e na administração da capitania, e graça à sua iniciativa e que surgiu em Natal no ano de 1832 o primeiro jornal, O Natalense que foi impresso a princípio no Maranhão, Pernambuco e Ceará até o ano de 1837 quando deixou de ser publicado em tipografia para ser impresso em Natal, e no dia 22 de Fevereiro de 1835, de acordo com o ato adicional, os conselhos constituído por eleição e destinado a auxiliar os presidentes, foram substituídos pelas assembléias provinciais, e no Rio Grande do Norte, o Padre Francisco de Brito Guerra que era o visitador geral, nesta época a sua ascendência política tinha grande influência, por isto na primeira assembléia provincial composta, figuraram nove sacerdotes. Porém, pouco depois o seu prestigio começou a declinar pois em 16 de Dezembro de 1836 quando da realização da eleição senatorial para preenchimento da vaga aberta com a morte de Afonso de Albuquerque Maranhão, o Padre Francisco de Brito Guerra obteve apenas seis votos no colégio da capital, este fato demonstra o enfraquecimento do prestigio do Padre Francisco de Brito Cunha, perante a política praticada por Bernardo de Vasconcelos que era uma necessidade imperiosa para fortalecer o principio de autoridade e extinguir os fermentos revolucionários que punha em risco as instituições e dera origem à reação monárquica que obrigara ao Padre Diogo Feijó a renunciar nobremente as suas funções de regente, sendo Francisco de Brito Cunha amigo e correligionário do padre estadista e por isto foi afastado e levado ao ostracismo e ao isolamento na política local, ao assumir a presidência da província o Doutor Manuel Ribeiro da Silva Lisboa em 26 de Agosto de 1837 tomou como primeira medida a hostilização contra o Padre Francisco de Brito Guerra com brutais imposições ao forçar os partidários do ilustre rio grandense com os quais rompera e suspendera a publicação do jornal O Natalense, e durante o seu governo, Doutor Silva Lisboa cognominado Parrudo se tornou celebre pela sua prepotência e libidinagem,
E no dia 11 de Abril de 1838, acabou sendo assassinado na sua choupana no sitio Passagem em Natal, e segundo a tradição o assassinato não se deu por natureza política e sim de ordem pessoal, devido as ofensas recebida pelo Coronel Estevão José Barbosa de Moura as quais foram vingadas pelos seus familiares.
As idéias e tendências dos dois grandes partidos nacionais, os quais Os homens da província se congregavam em dois agrupamentos; os nortistas e sulistas ou saquaremas e luzias os quais correspondiam aos partidos conservador e liberal que começaram a desaparecer em 1853, no inicio do período de política de conciliação, o progresso material da província era quase que nulo, em conseqüência da baixa receita arrecadada na época a qual não permitia a execução de melhoramentos de grande vultos, por maior que fosse a capacidade administrativa dos presidentes, a após o grande período de seca, que durante a qual as devastações foram cruéis e que por conta disto experimentou profundas modificações econômicas, quando regiões quase que exclusivamente criadora que eram, passaram a ser também zona agrícola por excelência com o açúcar e o algodão avultando-se entre outros gêneros de sua produção agrícolas e industrial, trazendo com isto um aumento significativo em seu comércio. Nesta época as comarcas eram em número de três, que compreendiam a de Natal com o termo jurídico de capital, e as de Açu e Maioridade que eram sede de municípios e não se constituíam de termo jurídicos, os municípios em número de treze que compreendiam as de São Gonçalo, Extremoz, São José do Mipibu, Goianinha, Touros, Príncipe, Acari, Imperatriz, Portalegre, Apodi, Vila Flor, Santana do Matos, Macau e as povoações em número de seis eram as de Acrês, Papari, Pau de Ferro, Santa Cruz, Campo Grande e Mossoró, nesta época a província do Rio Grande do Norte possuía uma força policial de pouco mais de nove mil; homens composto entre a guarda nacional e um destacamento de forças de linha na capital, onde a instrução fizera algum progresso aonde o número de escola chegava a vinte e nove escolas publica com uma freqüência que regulava em cerca de oitocentos alunos, ao lado dos professores nomeados pelo governo, a instrução secundaria era ministrada no Ateneu que foi inaugurado em Dezembro de 1836 pelo Presidente Basílio Quaresma Torreão, e que constava com as cadeiras de latim, francês, geometria, história e filosofia, e a vida social aos pouco ia se modificando lentamente na capital da província, porém no interior o povo ainda não confiava nas ações das autoridades o que fazia aumentar a percentagem de crimes. No ano de 1850, quando da morte do Presidente da Província José Pereira de Araújo Neves, houve quem afirmasse que o seu falecimento, era resultado de um crime por envenenamento, porém desmentida e atestada pelas declarações de um médico da província, que a sua morte havia sido ocasionada por violento ataque de congestão cerebral, e ao assumir a administração da província João Carlos Wanderley que ocupava a vice-presidência em exercício e deputado à assembléia geral e no momento era o político de maior prestígio na província, e em conseqüência o alvo dos mais violentos ataques e agressões, ao abrir a sessão da assembléia provincial em três de Maio de 1850 contestou as insinuações a ele atribuída pela morte e João Pereira de Araújo Neves, e devido a sua intolerância partidária, em seis de Setembro de 1853 quando da divisão dos partidos no gabinete do Marquês de Paraná, criador da política de conciliação que interpôs a decadência dos partidos velhos e o aparecimento dos partidos novos que a inapreciável vantagem de romper a continuidade da cadeia de tradição, e de favorecer pela sua calma e por seu silêncio o trabalho interior de reorganização administrativa e industrial do país, João Carlos Wanderley foi vencido e nunca mais voltou a ocupar as posições que ocupava. No Rio Grande do Norte ela foi na realidade uma época de renascimento, de expansão, de recomeço, em que se renovou o antigo sistema político decrépito, em que se criou o aparelhamento moderno do governo que se dilatou extensivamente não só para a classe política mas para todas as classes sociais, e no ano de 1862 os conservadores genuínos se extremaram logo após o ministério do Visconde Itaboraí, e ao se juntarem com os moderados e os liberais deu o surgimento do partido progressista, que com isto amorteceu as lutas entre nortistas e sulista porém com a preponderância dos conservadores. E o ultimo gabinete de Zacarias de Góis teve uma duração precária e inglória, pelo fato de que Duque de Caxias à frente do exército brasileiro em operações na guerra do Paraguai impôs a sua retirada e o Imperador Dom Pedro I por um golpe de poder pessoal, convocou os conservadores e ordenou que provocasse a queda dos seus adversários que possuíam a maioria na câmara dos deputados, e para isto foi feita a nomeação do senador que deveria substituir Manuel de Assis Mascarenhas que havia falecido em 30 de Janeiro de 1867, o Imperador Dom Pedro I declarou o seu propósito de escolher Francisco de Sales Torres Homens, e por conta desta escolha Zacarias de Góis fez ver que a escolha não era acertada, pois o seu candidato que tinha a sua simpatia era Amaro Bezerra, e com a insistência do monarca, o ministro Zacarias de Góis acabou se demitindo do ministério, e na ocasião os dois grandes partidos nacionais se se reconstituíram com os governistas formando o conservador e os progressistas e um pequeno grupo de desinentes formaram partido liberal após aceitarem o programa republicano e pelo decreto de 18 de Julho a câmara foi dissolvida e Amaro Bezerra que fizera parte dela e sua nomeação para o senado servira de causa ocasional à solução da crise política, voltou à província do Rio Grande do Norte dizendo-se encarregado pelo centro liberal da corte para promover a instalação e organização do diretório do partido local, e por conta disto em 19 de Novembro de 1868, foi eleito o primeiro diretório com o Doutor Amaro Bezerra Cavalcante como presidente e para defenderem as suas idéias acabaram criando o jornal O Liberal do Norte que foi redigido por Amaro de Bezerra, Hermógenes Joaquim Barbosa Tinoco, Luís Rodrigues de Albuquerque e Jefferson Mirabean de Azevedo Soares e no ano de 1872 Moreira Brandão retirou-se para Pernambuco e o jornal passou-se a chamar-se simplesmente O Liberal, que funcionou como órgão do partido até o ano de 1883, e do lado oposto era o jornal O Conservador, fundado em 1869 e publicado até 1881 que sustentou como órgão de seu partido a orientação política dominante que tinha em Luís Gonzaga de Brito Guerra como primeiro vice-presidente da província e que havia inaugurado a situação conservadora na província, que tinha no Coronel Bonifácio Francisco Pinheiro da Câmara como seu chefe principal e que nem todos viam com bons olhos a sua preeminência e por causa disto, que na administração de Henrique Pereira de Lucena no período de 1872 a 1873 e que pôde sobrepor-se aos seus correligionários que abriram uma cisão entre eles e perturbaram a harmonia no seio do partido, porém fora do terreno da política a vida da província seguia o seu curso em perfeita calma e harmonia, afora alguns pequenos conflitos comuns durante as disputas dos pleitos eleitorais, como o que ocorreu na reação do povo, contra o novo sistema de pesos e medidas que foi adotado e que ficou conhecido como o quebra quilos, e o acontecimento mais grave que ocorreu na capitania do Rio Grande do Norte nesta época, foi as depredações ocorridas por um grupo de cangaceiros que eram chefiados por Jesuíno Brilhante.
Na província foram executados alguns melhoramentos, como a construção da estrada de ferro que ligava Natal a Nova Cruz com uma extensão de quarenta e um quilômetros que foi entregue ao tráfego em 28 de Setembro de 1881e nesta época um fato ameaçou a organização dos trabalhos no Rio Grande do Norte, que foi a grande necessidade que o exército brasileiro tinha para suprir as tropas que combatiam na guerra do Paraguai, e em virtude das medidas adotadas para preenchimento dos quadros do exército brasileiro, de imediato espalhou um pânico geral e a lavoura da província foi quase que abandonada, e para isto vieram os apelos vibrantes ao patriotismo da população para que ocorresse às bandeiras em defesa da pátria, e para secundar esse apelo Amaro Bezerra, ofereceu os seus serviços ao Presidente do Conselho Luís Barbosa da Silva e exortou ao povo norte rio grandense para se apresentar em defesa da pátria, o oferecimento de Amaro Bezerra que era deputado, não foi aceito pelo governo imperial, mas o seu exemplo estimulou a coragem e as energias cívicas do povo do Rio Grande do Norte, que em muito contribuiu para que não faltassem numerosos contingentes de norte rio grandense nas fileiras dos bravos que desafrontaram a honra brasileira ultrajada no estrangeiro.
No ano de 1878, os liberais subiram ao poder com o ministério de Sinimbu, que encontrou a província muito castigada pelas fatalidades climáticas e neste mesmo ano João Wanderley que se encontrava recolhido desde a conciliação de 1853, em sua terra natal redigindo o jornal Correio de Açu com tendência francamente liberal e que ao retornar a capital da província com sua tipografia, de imediato iniciou a publicação do jornal Correio do Natal em oposição aos seus correligionários dos quais havia se afastado e no ano de 1885 o seu jornal tornou-se órgão oficial dos conservadores até à extinção da monarquia e no dia 20 de Agosto de 1885 os conservadores assumiram o governo da província nos lugares até então ocupados pelos liberais que se apresentaram aparentemente coesos, porém que trabalhavam com profundas divergências em seus meios e que sempre eram conjuradas por José Bernardo de Melo, e quanto ao conservadores as coisas não corriam de modo diferente, pois cindiam as mais serias divergências de ordem pessoais entre os seus componentes, pois com o falecimento do Doutor Francisco Gomes da Silva e do Coronel Bonifácio Câmara, políticos de grande relevo na província com isto o centro de convergência da política se reverteram para os Deputados Doutor Tarquínio de Souza e do Padre João Manuel, que nem sempre se entendiam a contendo e que com as suas inclinações acabaram refletindo na província.
E o maior sucesso ocorrido no ultimo governo conservador foi o movimento abolicionista, feito fora e acima dos partidos, pelos ilustres cidadões norte rio grandense que se reuniram por iniciativa de Pedro Velho em um de Janeiro de 1888 no Teatro Santa Cruz localizado na cidade de Natal para tal finalidade e que na oportunidade fundaram a Libertadora Norte Rio Grandense que teve no Padre João Maria Cavalcanti de Brito como seu presidente, e era composta de duas comissões executivas que se localizaram na Cidade Alta e na Ribeira e que foram compostas por doze elementos com o objetivo de promover a extinção da escravidão na província, e para promover o movimento, foi criado o Boletim da Sociedade Libertadora Norte Rio Grandense que em seu primeiro número divulgou um manifesto dirigido a todos os municípios da província para que todos se empenhassem num compromisso solene e irrevogável para extinção da escravidão que não era somente uma aspiração e sim uma necessidade e uma exigência do espírito publico, o qual comprimia dolorosamente a alma e degredava e envergonhava o Rio Grande do Norte. O movimento foi rápido e fulminante com significativos apoio da imprensa política, através dos jornais A Liberdade de tendência liberal e dos jornais simpatizante dos conservadores que eram o Correio de Natal e a Gazeta de Natal que aplaudiram os redatores do Boletim da Sociedade Libertadora Norte Rio Grandense pelo movimento abolicionista e pela ação dos abolicionistas, e que puderam dizer com grande orgulho que ao ser promulgada.
A lei Áurea de 13 de Maio de 1888 pela Princesa Isabel, doze municípios, três cidades, nove vilas e vinte e duas povoações se encontravam livres e que pouco teve para fazer a grande lei que aboliu a escravidão no império.
O movimento abolicionista, promoveu em todo o país um grande efeito social e econômico e uma gigantesca repercussão de ordem política com a desagregação dos partidos dos conservadores e dos liberais, que no Rio Grande do Norte tinha entre os conservadores Tarquínio de Souza com um espírito ponderado, culto e que mantinha uma grande aproximação com os correligionários, e João Manuel com um temperamento impetuoso, lutador desassombrado com tendência para o liberalismo radical que combatia a realeza na câmara dos deputados no Rio de Janeiro, e por ocasião da organização do gabinete e ao programa de governo elaborado pelo Visconde de Ouro Preto em sete de Junho de 1889 que resultou na dissolução da câmara dos deputados no Rio de Janeiro, Tarquínio de Souza retirou-se para Pernambuco e João Manuel desligou-se inteiramente de seus partidários conservadores da província, onde nada se fazia sem o consentimento do liberal Amaro Bezerra que com isto cometeu gravíssimos erros em seu governo, que culminou com sua derrota no pleito realizado em 31 de Agosto.
No Rio Grande do Norte a alma do movimento republicano foi o Doutor Pedro Velho, que após concluir o seu curso de medicina no Rio de Janeiro em 1881, retornou ao Rio Grande do Norte e se dedicou à sua clinica e ao magistério e inteiramente alheio às competições dos partidos, porém em 27 de Janeiro de 1889 ao comparecer na residência de João Avelino Pereira de Vasconcelos no bairro da Ribeira, aonde se encontrava presente um grande número de correligionários que haviam aderido ao movimento para fundação do partido republicano e no exato momento em que o Doutor João de Albuquerque Maranhão que havia sido convidado para assumir a presidência da assembléia ofereceu a palavra ao Doutor Pedro Velho para expor aos presentes os fins da reunião e submeter à aprovação dos cidadões presente as bases da lei orgânica do partido, as quais foram imediatamente aceitas, e em seguida procedeu-se a eleição para constituírem uma comissão executiva provisória até que congresso do partido nomeasse um diretório anual, e uma outra que tinha por fim a constituição da diretoria do centro republicano da capital, e ao termino da reunião telegrafaram ao presidente do conselho federal no Rio de Janeiro sobre o resultado da reunião. A comissão executiva eleita em 27 de Janeiro, deliberou o Doutor Pedro Velho como presidente e em um de Julho publicou o primeiro número do Jornal Da Republica que tinha em Pedro Velho como seu redator chefe, que ofereceu um combate sem trégua à monarquia e aos seus servidores, os quais surtiram um grande efeito para o movimento dos republicanos, que com isto acabaram indicando Pedro Velho e José Leão como candidatos do partidos para à última eleição geral que se realizou na vigência do segundo reinado, sem alimentar a pretensão de conseguir o triunfo nas urnas, pois apenas queriam provar que existiam. No resultado apurado, os candidatos republicanos apenas conseguiram algumas dezenas de votos sufragados, porém atingiram o objetivo colimado, pois demonstraram que na província havia um partido que, sem pretender o poder pelo poder, e que se batia ostensivamente por um ideal superior de justiça e liberdade.
E na tarde do dia 15 de Novembro de 1889 a noticia da proclamação da republica chegou a Natal, e por conta disto Pedro Velho apressou-se em transmiti-la ao povo através do jornal Da Republica.
E no dia 17 em reunião realizada no palácio da presidência, os cidadões da província do Rio Grande do Norte de acordo com o movimento republicano do país, representado pelo governo provisório estabelecido no Rio de Janeiro, resolveram proclamar a Republica dos Estados Unidos do Brasil na província que na oportunidade se tornava Estado do Rio Grande do Norte e o Doutor Pedro Velho de Albuquerque Maranhão por aclamação foi nomeado como presidente do novo estado e chefe do poder executivo. Ao se estabelecer o regime republicano no Rio Grande do Norte os antigos partidos foram dissolvidos, e em torno de Pedro Velho se convergiram as maiores influências políticas da ex províncias, e dele só ficaram afastados os elementos que tinham acompanhado Amaro de Bezerra e se incompatibilizado com os representantes em evidência na nova situação, os quais vieram a se constituir na oposição e que se dividiram em dois grupos: sendo que o partido católico combateu o governo central, que decretara a separação da igreja e do estado através do jornal A Pátria. Pedro Velho soube manter firme a coesas as forças de que dispunha, e por conta disto se deu a vitória de sua chapa nas eleições da constituinte, e a vida política do estado se manteve sem grandes agitações até à eleição do primeiro presidente em Fevereiro de 1891 quando se dividiram os seus representantes na constituinte, com Pedro Velho e José Bernardo votando em Prudente de Morais e os outros senadores e deputados no Marechal Deodoro, e como conseqüência dos fatos, veio a mudança de orientação da política estadual com a nomeação do Doutor Francisco Amintas da Costa Barbos para o cargo de governador no lugar ocupado pelo Doutor Manuel do Nascimento Castro e Silva que em três de Março assumiu a administração com grande apoio dos deputados Antônio Garcia e Miguel de Castro, aos quais cabiam as maiores responsabilidade na nova situação reinante, e por conta disto os Senadores Amaro Cavalcante, Oliveira Galvão e o Deputado Almino Afonso abstiveram-se de intervir em assuntos de ordem local, enquanto isto Pedro Velho e José Bernardo enveredaram nobremente pelo caminho do ostracismo.
Em decorrência destes acontecimentos, a efervescência política no Rio Grande do Norte foi extraordinária, e que acabou resultando em uma profunda agitação partidária, que se generalizou por todo o estado do Rio Grande do Norte, onde a oposição em considerável maioria e confiante na vitória do congresso federal sob o governo da união criaram os mais sérios embaraços à administração local, que apesar de tudo, conseguiram através de seus poderes ditatoriais em 10 de Maio de 1891 que fossem eleitos os elementos do congresso constituinte que em 10 de Junho elegeram como presidente o Bacharel Miguel Joaquim de Almeida Castro e o Bacharel José Inácio Fernandes Barbos como vice-presidente e o Coronel Francisco Gurgel de Oliveira como segundo vice-presidente que votaram além de outras leis, a primeira constituição do Estado do Rio Grande do Norte, que foi promulgada em 21 de Julho de 1891, e em decorrência das lutas entre os poderes executivos e legislativo federal, que culminou com a dissolução do congresso nacional em três de Novembro de 1891, Pedro Velho que pertencia à oposição radical se encontrava em Pernambuco de imediato seguiu para Natal logo que se deu a revolução de 23 de Novembro,
E consequentemente após a renúncia do Marechal Deodoro e a posse Marechal Floriano Peixoto preparou e levou a efeito em 28 de Novembro o movimento de deposição do Doutor Miguel Castro ao prende-lo e o embarcar para o Ceará.
E de imediato foi aclamado pelo povo, pelo exército e pelos representantes da armada uma junta governativa composta do Coronel Francisco de Lima e Silva como presidente e dos Doutores Manuel do Nascimento Castro e Silva e Joaquim Ferreira Chaves Filho, e no dia 31 de Janeiro de 1892 foi realizada a eleição dos novos membros do congresso que no decorrer dos dias, em 20 de Janeiro de 1892 o congresso reunido e investido de poderes constituintes, promulgou a sete de Abril a nova constituição do Estado do Rio Grande do Norte e votou as diversas leis complementares. No dia 22 de Fevereiro marcou o termino do governo da junta e na oportunidade o Doutor Jerônimo Américo Raposo da Câmara assumiu a administração e o Doutor Pedro Velho foi eleito para o cargo de governador do qual exerceu com um brilho inexcedível as suas excepcionais qualidades de administrador e de chefe de partido até a sua morte pranteada como o maior e o mais benemérito dos filhos do Rio Grande do Norte
Devido à sua posição geográfica estratégica (é a costa mais próxima da Europa, pelo roteiro da África), o Rio Grande do Norte foi, por várias vezes, escolhido como local de experiências pioneiras da aviação transatlântica, ou base para abastecimento e apoio logístico a operações militares. Durante a II Guerra Mundial os norte-americanos construíram no tabuleiro do Parnamirim, uma grande base aérea, criando a “Ponte do Atlântico para a África”, de fundamental importância para a dominação do poderio nazista e a vitória dos aliados na guerra. Nesse período, a cidade de Natal adquiriu traços de metrópole cosmopolita, onde conviviam estrangeiros de várias origens. Durante o período em que as jazidas de tungstênio abasteciam os arsenais de guerra, a pobreza da região era atenuada.
Danças Folclóricas e Autos Populares: a manifestação cultural do Estado
O Folclore do Rio Grande do Norte é bastante rico em Autos e Danças Populares. Manifestações como o Côco, o bumba-meu-boi, a Embolada, os Presépios e os Fandangos são alguns dos formadores da identidade cultural do Estado.
Muito comuns por todos os municípios nos séculos XIX e XX, atualmente estas formas de expressão estão cada vez mais difíceis de encontrar, reservando-se a espetáculos folclóricos e eventos comemorativos. Muito dessa extinção deve-se ao “progresso” e ao advento das grandes cidades. A televisão e o cinema têm ocupado cada vez mais espaço na formação cultural da população, e as danças típicas perdem espaço para as mais modernas.
As danças populares podem ser classificadas em dois tipos: o mais importante é o dos Autos Populares, uma espécie de ópera, onde há uma dramatização específica para cada um dos Autos; e também as Danças Populares puras, sem qualquer dramatização envolvida, onde o que as diferencia é o ritmo envolvido.
Os maiores exemplos de Autos encontrados no Rio Grande do Norte são os Fandangos, Cheganças, e Bois. Nos dois primeiros, o Auto tem inspiração marítima e é encenado com os participantes vestidos de marinheiros, sendo que no fandango são celebradas as conquistas marítimas, e na Chegança há a encenação de uma luta entre cristãos e mouros. Já o Boi (há vários tipos de Boi: Bumba-meu-boi, Boi-de-Reis, Boi-calemba) é uma das principais e mais famosas festas folclóricas populares do Brasil, sendo o foco da dramatização a história da morte e ressurreição de um boi, o personagem principal da trama.
Já as Danças Folclóricas mais famosas no Estado são os Cocos, Bambelôs, Emboladas, Bandeirinhas e Capelinhas-de-melão. Estas duas últimas são características das Festividades Juninas. Os Cocos e Bambelôs são danças típicas de roda. A grande diferença dos Autos é que não há caracterização e todos podem participar. Hoje ainda há apresentações de artistas folclóricos em festivais e eventos culturais em Natal e em cidades do interior do Estado.
Impossível falar do Folclore no Rio Grande do Norte sem falar de Câmara Cascudo, o maior folclorista do Brasil. O escritor potiguar, nascido em 30 de Dezembro de 1898 registrou a história das Danças Populares no RN desde a primeira apresentação oficial de uma dança folclórica em Natal, em 1812. Dentre suas obras, está o famoso Dicionário do Folclore Brasileiro, a maior obra sobre os personagens do imaginário popular brasileiro.
Desde a origem do seu nome, o forró já gera controvérsia: alguns creditam o nome à um anglicismo proveniente da pronúncia do termo “for all”, que em inglês significa “para todos”, e é como eram chamados os bailes promovidos aos engenheiros ingleses e aos soldados americanos nos fins de semana, no início do século, e que tinham entrada liberada for all, principalmente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas.
Outra versão, mais verossímil, apoiada por historiadores como Câmara Cascudo, é a de que Forró é derivado do termo africano “forrobodó”, que significa “divertimento pagodeiro”, “festa”, “bagunça”. Era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascínio sobre as pessoas.
O que podemos afirmar é que este ritmo que nasceu no nordeste brasileiro, originado de influências africanas e européias, encanta pessoas de todas as idades e classes sociais, não só no Brasil, mas em todos os lugares do mundo.
No início, o Forró sofreu com o preconceito, por se tratar de um gênero de massas. Com o tempo, foi conquistando o público e saindo das periferias das cidades nordestinas e estabelecendo-se como ritmo predominante também nos bairros nobres das capitais.
São muitas as variações derivadas do forró original. A princípio, conta-se que nasceu o baião. A falta de registros impede uma cronologia mais acertada, mas acredita-se que tenha sido em meados do século XIX.
Dele surgiram os ritmos distintos entre si: o xote, o xaxado, o coco, o vanerão e as quadrilhas juninas. Hoje em dia, é fácil identificar outras variações, tais como o forró malícia (com suas letras picantes ou com duplo sentido), o lambaforró e o oxentemusic. Estas últimas surgiram com influência da Lambada, e incorporaram ao forró um pouco do ritmo e passos da dança. Também elementos como guitarra elétrica, bateria e teclados (no lugar da sanfona) fazem parte destas vertentes mais modernas.É uma festa originalmente da periferia que tomou conta de todo o Brasil e certamente possui um estilo adequado ao gosto de cada público e região do país. Nomes consagrados como Luiz Gonzaga, Genival Lacerda, Dominguinhos, Chiquinho do Acordeom, Jackson do Pandeiro, e Sivuca convivem em harmonia com os atuais Calcinha Preta, Mastruz com Leite, Frank Aguiar e Falamansa. Cada público encontra o forró que preferir, do baião e pé-de-serra ao oxentemusic.
Por causa desta influência indígena, os artesãos do Rio Grande do Norte dominam como poucos a arte de tecer redes de dormir, inclusive exportando para outros estados e até países. E ainda existem por lá pessoas que são exímias na arte de consertar punhos de rede, de bordá-las de acordo com o gosto do freguês, algo não muito comum em outros estados nordestinos, que também têm no tear uma das fontes de artesanato. A renda renascença no estilo belga é encontrada no estado, diferente de outros tipos de rendas e bordados oriundos do Nordeste. As tramas em palha, outra influência indígena, mostra-se de forma delicada.
A LENDA DO LABATUT
Como em qualquer lugar do mundo, o Rio Grande do Norte também tem suas lendas. Algumas são compartilhadas com outros estados nordestinos e outras pertencem apenas a um determinado lugar. Uma das lendas próprias é a do Labatut, um monstro que veio do fim do mundo e viveria na região do Apodi, na fronteira com o Ceará.
Teria forma humana, mas com pés redondos, mãos compridas, cabelos bem longos, corpo todo cabeludo, dentes grandes como os de um elefante e apenas um olho, situado no meio da testa, um ciclope. Este monstro comeria carne humana, especialmente a de crianças, cuja carne é mais macia. A grande curiosidade: o nome Labatut, que foi dado ao tal monstro é uma “homenagem” ao general Pedro Labatut, que morou naquela divisa com o Ceará pelos idos de 1800. Dizem que ele era hostil, cruel e muito violento. Portanto, o apelido dado ao monstro faz todo sentido.
COMIDAS TÍPICAS
O Rio Grande do Norte tem vários pratos típicos que são comuns em outros estados nordestinos, com pequenas mudanças. Porém, alguns dizem que vem de lá a melhor carne-de-sol de toda a região. Com um bom corte de carne, ela é salgada e deixada ao sol (como diz o próprio nome) para que seja curtida, compondo vários pratos típicos e sendo também parte do dia-a-dia da dieta regular de muitos nordestinos. Porém, há algumas curiosidades: o mungunzá, comida de milho reparada em quase todos os estados brasileiros (também conhecida como canjica, no Sul e Sudeste do país) não é doce, mas salgada e pode levar até ingredientes como toucinho, lingüiça e outros itens que fazem uma espécie de feijoada, onde o feijão é substituído pelo milho – mas isso existe no sertão de outros estados nordestinos também. O mais típico do estado, porém, é a sopa de jerimum (abóbora), feita com leite e com o nome de “alambica”.

A bandeira do Rio Grande do Norte foi desenhada por Luís da Câmara Cascudo, apresenta os elementos básicos que melhor representam o Rio Grande do
Norte. O coqueiro à esquerda, a carnaubeira à direita, a cana-de-açúcar e o algodão representam a flora. O mar, com a jangada, representa a pesca e a extração de sal.

O brasão de armas do Estado do Rio Grande do Norte foi desenhado por Corbiniano Villaça, constituído de um escudo de campo aberto, dividido a dois terços de altura, tendo no plano inferior o mar, onde navega uma
jangada de pescadores, que representam as indústrias do sal e da pesca. No terço superior, em campo de prata, duas flores aos lados e ao centro dois capulhos de algodoeiro. Ladeiam o escudo, em toda sua altura, um coqueiro á direita e uma carnaubeira à esquerda, tendo os troncos ligados por duas canas de açúcar, presas por um laço com as cores nacionais. Tanto os móveis do escudo, como os emblemas, em cores naturais, representam a flora principal do Estado. Cobre o escudo uma estrela branca, simbolizando o Rio Grande do Norte na União Brasileira.

Hino do Rio Grande do Norte, de autoria do poeta Norteriograndense Dr. José Augusto Meira Dantas e música de José Domingos Brandão.

Fontes:
http://www.rn.gov.br/principal/simbolos.asp
http://www.sogeografia.com.br/Conteudos/Estados/RioGrandedoNorte/
http://www.geocities.com/rgn1945/CONQUISTA.htm
http://www.geocities.com/rgn1945/DOMINIO.htm
http://www.geocities.com/rgn1945/INICIO.htm
http://www.geocities.com/rgn1945/XVIII.htm
http://www.geocities.com/rgn1945/XIX.htm
http://www.geocities.com/rgn1945/PROVINCIA.htm
http://www.geocities.com/rgn1945/REPUBLICANO.htm
http://www.mre.gov.br
http://www.facilnordeste.com.br/curiosidades_nordestinas.html

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