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Helena Kolody (Queixa)

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19 de fevereiro de 2013 · 19:54

Mário A. J. Zamataro (Carrinheiro – Ingenuidade)

Parque Tanguá (Curitiba)

CARRINHEIRO

Lá fora a chuva fina turva a luz
e molha o palco aberto onde se faz 
da hora a velha sina que conduz 
quem olha a rua incerta e o chão voraz. 

Um vulto esconde o rosto em breu capuz 
enquanto a chuva insiste em ser tenaz… 
Avulta em mim desgosto que traduz 
em pranto a chuva triste e pertinaz. 

Estia enfim e o vulto se levanta 
e leva o seu carrinho em contramão 
na via onde um insulto o desencanta 

e faz brotar nos olhos a explosão 
que torna a raiva insana e a dor maior 
na lágrima, na chuva e no suor.

INGENUIDADE 

 Quero ter a minha voz
 pra dizer abertamente
 que uma farsa aperta os nós
 e disfarça impunemente!

 E direi como é feroz,
 como faz tranquilamente
 o papel doce de algoz
 e se crê ser inocente.

 Usa a lei como sofisma,
 tem acordo com a ilusão
 pra fazer cavilação.

 Quer impor sempre o seu prisma
 e não vê nisso maldade,
 deve ser ingenuidade!

Fontes:

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José Marins (Haicais, Nada Mais)


a cássia florida –
 o que foi mesmo que vim
 fazer no jardim? 

a letra bonita
 no cartão de Natal lembra
 a amizade antiga 

alto Pilarzinho –
 agita as folhas dos cedros
 esse vento verde
 céu de primavera – 
 as fendas para o azul
 no branco das nuvens
 dessa cerração
 só me lembro do apitar
 do trem indo longe
 Dia da Professora –
 aquele quadro de giz
 com letra bonita
 dois piás na fila
 tão brancos como o sorvete 
 sabor de baunilha
 domingo sem sol
 uma árvore de Natal
 ainda na caixa

escurece a tarde –
 entre raios e clarões
 os sons da trovoada

feliz Ano Novo –
 sem pressa divido o mate
 com este silêncio

fim de um ano fértil –
 grato à generosidade 
 dos caros amigos

início do ano –
 os bons votos com arco-íris
 no final da tarde

já no entardecer
 a andorinha de verão
 com a chuva fina

mas que noite curta –
 o sonho do fim do mundo
 ficou no começo

não estou sozinho –
 a lua cheia de outono
 me deu uma sombra
o anoitecer trouxe
 o canto dos sabiás
 que se vai com ele
 o casal arranja
 os enfeites de Natal
 histórias da infância

o gato desperta –
 a pequena lagartixa 
 no teto passeia
oh, noite nublada –
 da alvura de suas flores 
 a luz do alfeneiro

 o rio poluído –
 os frangos d´água seguem
 nas margens da vida
 o sol da manhã
 os ipês-roxos do bairro
 voltam a florir
 os olhos se voltam
 para o meio da folhagem
 antúrio vermelho
 passa o sol ao norte 
 a extremosa florescida
 só do lado leste
 pretume da nova –
 das árvores de alecrins
 o voo dos morcegos
requer atenção –
 os pêssegos verdolengos
 nas mãos da velhinha
 ruídos dos carros –
 esforço-me para ouvir
 a voz do canário
 sábado de tarde –
 na sombra das jucaínas 
 pétalas laranjas

sob o sol das três
 o sorriso do carteiro
 de chapéu azul

Fonte:
Haicais obtidos no facebook de Marins

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Jose Marins (Haicais entre A Lâmpada e as Estrelas)

José Marins é de Curitiba/PR
árvores do outono –
dão cores ao vento sul
folhas de mil tons
o branco flutua
na lonjura do horizontes –
campo de algodão
por que tanto pia?
o gaviãozinho no azul
na manhã de outono
céu de lua cheia –
ondas se quebram na praia
espalhando brilho
maio que se vai –
a mulher reclama do
breve veranico
sem nenhuma folha
os galhos da magnólia
floridos de roxo
o rigor do inverno
o pigarro que peguei
é feito o do pai
a noite mais longa –
o gato dorme no colo
alheio à leitura
o Dia dos Pais –
nas duas pontas da linha
as vozes fraquejam
o olhar do menino –
um pouquinho de amarelo
na flor de ipê-rosa
o velho tropeiro –
o pé de ipê na campina
marelou de frô
ouve-se de longe
o velho trator vermelho
começa a aração
Praça da Bandeira
só a grama rebrotada
lembra o verde pátrio
gramado do parque –
entre o bando de chopins
canário-da-terra
corre a menininha
atrás do joão-de-barro –
asas e pernas
noite sem estrelas –
ao morcego o néctar das
flores amarelas
chegaram os gozos
das férias de verão –
um mate gelado
sob o guarda-sol
a velhinha diz ao velho –
que moço sarado
céu de Curitiba –
o branco da garça passa
no meio da tarde.
o fim do verão
o riacho do meu bairro
chegará ao mar?
Fonte:
José Marins (organizador). A Lâmpada e as Estrelas: coletânea de haicais. Curitiba: Araucária Cultural, 2012.

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José Marins (Emergência Dentária)

Voltei ao dentista no mesmo dia. Avisei a secretária que iria no final da tarde. Só tenho horário para daqui 20 dias – insistiu.

Trata-se de uma emergência – pedi.

De pé na sala de espera, só retirava a mão da boca para repetir: isso não podia ter acontecido. Espanto e curiosidade nos olhares. Quando saiu o último cliente, pulei para dentro do consultório.

– O que houve? – perguntou o dentista.

– Perdi meu assovio!

– Podemos procurar, aviso à faxineira. Como era?

Sentei na cadeira.

– Perdi-o com a restauração!

– Como assim?

– Não consigo assoviar depois disso. Era de estimação…

Ele riu, eu fiz cara de sério.

– Como vou me comunicar com o meu canário? Eram uns dez tipos de afinações.

O dentista girou a primeira lixa, a segunda, a broquinha de alta rotação. Eu tentava assoviar a cada tentativa, nada. Dispensou a secretária com voz irritada sob a máscara. Pedi calma, a coisa podia piorar.

Mexeu, remexeu e os dentes (esses da frente que gente normal usa pra sorrir) não voltavam ao padrão anterior. Vieram silvos mixos, nada de agudos silvestres.

Finalmente ele disse: Por que não me avisou? É tudo o que posso fazer. Só recuperei um ou outro trinado de aborrecer tico-tico.

Perdeu o cliente.

Uma dentada num churrasco levou as resinas.

Achei um doutor em dentística com boas indicações.

– O senhor restaura assovios? – perguntei ao senhor de óculos foscos

Fonte:

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Trova 231 – Mário A. J. Zamataro (Curitiba/PR)

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6 de outubro de 2012 · 22:59

Isabel Furini (Poema infantil: Poesia e Poema)

 (Leitura recomendável: a partir de 8 anos).

 Na porta do prédio,
 o poeta falava com Maria:
 – Poemas são ondas
 no oceano da poesia,
 mas há alguns dias
 eu não tenho inspiração.

 Nesse mesmo momento,
 uma gatinha sapeca
 que brincava no parapeito
 da janela
 deixou cair seu brinquedo…
 A boneca aterrissou na cabeça do poeta.
 Plaf!

 E de repente, uma luz:
 – Você quer me conhecer?
 Eu sou a Poesia.

 O poeta olhou o céu e começou a poetar:

 A poesia é deserto, céu, ar, luz, mar…
 Poemas são como areia,
 poemas são como o vento,
 poemas são como as ondas
 que agitam o belo mar.

 O poeta abriu os olhos
 e exclamou:
 – Os poemas são como pássaros,
 livres pássaros e pássaros prisioneiros,
 pássaros voando no céu,
 aprisionados nas letras,
 aprisionados nos livros,
 quase canções do mar.

 Rindo, a Maria falou:
 – Agradeça a esse gatinha,
 você estava na ruína.
 Dê a ela um brinquedo novo,
 mostre a sua gratidão,
 pois voltou a sua inspiração.

Fonte:

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José Marins e Sérgio Pichorim (Fieira de Haicais)


Fieira de Haicais, de José Marins & Sérgio Pichorim, haicais encadeados, é uma adaptação lúdico-poética do renga (poema ligado em estrofes), sem nenhuma pretensão. “Fieira” é ´fio´, e um dos significados é “encadeamento”. Essa “fieira” segue a idéia do renga (sem o dístico após o terceto, mas sim outro haicai), faz ligação com o anterior, traz o kigo quando possível e retrata as estações). Em Curitiba, as estações são definidas, ou não. Nossas vivências se dão nessa geografia. JM


Pares: sp (Sérgio Pichorim)
Impares: jm (José Marins)

551
final de colheita –
com seus trapos ao vento
o velho espantalho
jm-21-5-12

552
fiquei espantado!
toda a vida na roça
e não o conheço.
sp-22-5-12

553
plantação de milho –
nem os tiros de espingarda
espantam as aves 
jm-22-5-12

554
crianças brincando
de esconde-esconde na roça.
quanto pico-pico!
sp-23-5-12

555
brincam as meninas 
porongos maduros viram
 bonecas e filhas
jm-23-5-12

556
massa de biscuit.
entre as frutas coloridas
também um caqui.
sp-27-5-12

557
aula na tevê
nas unhas da mulher
as frutas de outono
jm-28-5-12

558
eu hoje aprendi
a preparar o jiló.
Afro também sou.
sp-28-5-12

559
a nova receita
segue a tradição colona –
pudim de pinhão
jm-27-5-12

560
do modo antigo
ainda é bem melhor.
pinhão sapecado.
sp-29-5-12

561
o outono se vai –
na velha cuia a erva mate
cabocla da grossa
jm-29-5-12

562
descanço à sombra
no veranico de maio.
tererê gelado.
sp-30-5-12

563
que tarde cinzenta
um café com cardamomo
para me animar
jm-30-5-12

564
a pouca luz de
um longo dia chuvoso.
notas ao piano.
sp-5-6-12

565
o gato também
quer dormir até mais tarde
ê, chuva de inverno
jm-5-6-12

566
ah, chuva sem fim.
o aroma do quentão
vem lá da cozinha.
sp-6-6-12

567
que manhã de inverno
o leite bem quente com
chá mate tostado
jm-6-6-12

568
um pequeno brinde
na fatia do bolo.
viva Santo Antônio!
sp-13-6-12

569
a moça sorri –
a imagem de Santo Antônio
de ponta cabeça
jm-13.6.12

570
na festa junina,
um cachorro-quente pro
cachorro-de-rua.
sp-16.6.12

571
chuvinha de inverno
o gato ronrona no colo
que já foi do filho
jm-18-6-12

572
solstício de inverno.
a noite no guardamento
ainda mais longa.
sp-21-6-12

573
um dia de inverno –
tempo de tranquilidade,
diz o mestre Goga
jm-25-6-12

574
noite de são João.
o silêncio é quebrado
pelo foguetório.
sp-24-6-12

575
ah, meu velho bairro
cadê as festas juninas
dos tempos de outrora?
jm-24-6-12

576
festa de são Pedro.
a fogueira é uma
lâmpada vermelha!
sp-29-6-12

577
dia de São Pedro
as sementes de erva-doce
no naco de bolo
jm-29-6-12

578
uma manhã fria.
o chá de gengibre com
casca de laranja.
sp-9-7-12

579
que vento gelado
só o gato de companhia
nessa manhã
jm-9-7-12

580
férias de julho.
a casa mais triste com
a família ausente.
sp-11-7-12

581
cinzenta manhã
por pouco fui acordar
o filho ausente
jm-11-7-12

582
em frente a TV
com tocas e cobertor.
programa da tarde.
sp-27-7-12

583
manhãzinha fria
a garoa não molha o gato
no ninho de lã
jm-27-7-12

584
o vento gelado
me encontrou distraído.
batida de porta.
sp-4-8-12

585
o idoso contempla
o vermelho da suinã –
o ônibus se vai
jm-13-8-12

586
última geada?
não… é a pitangueira
toda florida.
sp-14-8-12

587
ao sopro do vento
espalha-se pela grama
o branco da paina
jm-16-8-12

588
secura de agosto.
o banho dos passarinhos
na água do cachorro.
sp-17-8-12

589
ipês-roxos floridos –
ao cão que puxa o velho
não importa as flores
jm-17-8-12

590
as cores da praça
se escondem com a noite.
pia a coruja.
sp-28-8-12

591
Praça da Bandeira
o vermelho da suinã
agora no chão
jm-28-8-12

592
o mês de agosto
com duas luas cheias.
qual será a cor?
sp-31-8-12

593
lá vem a lua azul –
segunda lua de agosto
de alvura cheia
jm-30-8-12

594
verde e amarelo
são as cores do ipê.
lembrança da Pátria.
sp-4-9-12

595
o sol já no oeste –
de luz amarela acesas
as flores do ipê
jm-5-9-12

596
Parreiral florido
na minguante de setembro.
Não posso podar.
sp-9-9-12

597
cresce a bougainville
do vizinho que morreu –
quem irá podá-la?
jm-11-9-12

598
brincos-de-princesa
 pendentes até o chão.
 brinca a menina.
sp-18-9-12

 599
risos entre folhas –
a mulher que colhe amoras
volta a ser criança
jm-15-9-12

600
na amoreira
 namoram os passarinhos.
 amor e amoras.
sp-19-9-12

Fonte:
http://fieiradehaicais.blogspot.com.br/

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Isabel Furini (Amanhecer)

Nos interstícios da manhã
o Sol descansa entre pequenas nuvens. 
Céu azul e vento poético 
derramam versos sobre as madressilvas do jardim. 

Imprevisível, 
a poesia percorre as pétalas das palavras. 
A beleza das orquídeas desata fantasias 
e partimos em viagens oníricas, 
entre poemas que cavalgam com ímpeto feroz. 

No campo de batalha 
os poemas lutam contra o materialismo globalizado. 
Erguem-se 
(eternos) 
sobre a indiferença e o esquecimento. 

Fonte:
A Autora

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Haikai da Primavera I – José Marins (Curitiba/PR)

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21 de setembro de 2012 · 23:20

Centro Paranaense Feminino de Cultura (CPFC), o Shopping Palladium e a Livrarias Curitiba Abrem Espaço para Autores Paranaenses

Destacar e valorizar a literatura local e regional. Com esses objetivos, o Centro Paranaense Feminino de Cultura (CPFC), o Shopping Palladium e a Livrarias Curitiba fizeram uma parceria inédita e vão inaugurar o Espaço de Autores Paranaenses, dentro da livraria do Palladium. A abertura foi em 13 de setembro, às 19h, com entrada franca.

Inúmeras obras, dos mais variados gêneros e estilos, foram selecionadas e estarão expostas para fomentar o conhecimento e a visibilidade dos escritores estaduais, bem como para que o público em geral tenha novas e boas opções literárias.

“Temos que investir na divulgação de nossos autores, dar boa visibilidade a seus trabalhos e apreciar suas obras, que são de excelente qualidade. E para isso, fomos buscar o melhor livreiro da cidade, alguém que realmente valoriza os escritores há quase 50 anos”, destaca Chloris Casagrande Justen, presidente do CPFC.

Reconhecimento

Outra boa notícia é a questão comercial envolvida nessa parceria. “Somos a pioneira e a única livraria da capital que oferece 70% do preço de capa ao autor independente. Poucas empresas do ramo aceitam essas obras, porque priorizam somente o lucro financeiro. Nós realmente investimos em conhecimento e fomentamos novas oportunidades há meio século, daí o reconhecimento da sociedade”, conta Leoni Cristina Pedri, diretora de varejo do Grupo Livrarias Curitiba.

O novo ambiente do Shopping Palladium terá comunicação visual diferenciada, com o propósito de chamar a atenção dos frequentadores usuais da megastore. “Temos certeza que o leitor irá prestigiar essa ação e reconhecer ainda mais a importância do estabelecimento que viabiliza as grandes atrações culturais na cidade”, fala Lylian Vargas, coordenadora de eventos especiais do Shopping Palladium.

Entre os livros selecionados para o espaço, destaque para títulos de autores como Adélia Maria Woellner, Ale Age, Beatriz Helena Furlanetto, Domício Pedro, Luiz Antonio Kavalli, Mônica Drummond, Túlio Vargas, Shyrlei Queiroz, Solivan Brugnara e muitos outros.

As demais instituições interessadas em expôr suas obras no Espaço de Autores Paranaenses devem falar com o Centro Paranaense Feminino de Cultura, pelos telefones 41-3232-8123 e 9983-1136.

Livrarias Curitiba Megastore do Shopping Palladium
av. Pres. Kennedy, 4121, loja 2047, piso L2, Portão, tel. 41-3330-6749

Fonte:
Panan@shop

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Dalton Trevisan (Penélope)

Naquela rua mora um casal de velhos. A mulher espera o marido na varanda, tricoteia em sua cadeira de balanço. Quando ele chega ao portão, ela está de pé, agulhas cruzadas na cestinha. Ele atravessa o pequeno jardim e, no limiar da porta, beija-a de olho fechado.

Sempre juntos, a lidar no quintal, ele entre as couves, ela no canteiro de malvas. Pela janela da cozinha, os vizinhos podem ver que o marido enxuga a louça. No sábado, saem a passeio, ela, gorda, de olhos azuis e ele, magro, de preto. No verão, a mulher usa um vestido branco, fora de moda; ele ainda de preto. Mistério a sua vida; sabe-se vagamente, anos atrás, um desastre, os filhos mortos. Desertando casa, túmulo, bicho, os velhos mudam-se para Curitiba.

Só os dois, sem cachorro, gato, passarinhos. Por vezes, na ausência do marido, ela traz um osso ao cão vagabundo que cheira o portão. Engorda uma galinha, logo se enternece, incapaz de mata-la. O homem desmancha o galinheiro e, no lugar, ergue-se caco feroz. Arranca a única roseira no canto do jardim. Nem a uma rosa concede o seu resto de amor.

Além do sábado, não saem de casa, o velho fumando cachimbo, a velha trançando agulhas. Até o dia em que, abrindo a porta, de volta do passeio, acham a seus pés uma carta. Ninguém lhes escreve, parente ou amigo no mundo. O envelope azul, sem endereço. A mulher propõe queimá-lo, já sofridos demais. Pessoa alguma lhes pode fazer mal, ele responde.

Não queima a carta, esquecida na mesa. Sentam-se sob o abajur da sala, ela com o tricô, ele com o jornal. A dona baixa a cabeça, morde uma agulha, com a outra conta  os pontos e, olhar perdido, reconta a linha. O homem, jornal dobrado no joelho, lê duas vezes cada frase. O cachimbo apaga, não o acende, ouvindo o seco bater das agulhas. Abre enfim a carta. Duas palavras, em letra recortada de jornal. Nada mais, data ou assinatura. Estende o papel à mulher que, depois de ler, olha-o. Ela se põe de pé, a carta na ponta dos dedos.

— Que vai fazer?

— Queimar.

Não, ele acode. Enfia o bilhete no envelope, guarda no bolso. Ergue a toalhinha caída no chão e prossegue a leitura do jornal.

A dona recolhe a cestinha, o fio e as agulhas.

— Não ligue, minha velha. Uma carta jogada em todas as portas.

O canto das sereias chega ao coração dos velhos? Esquece o papel no bolso, outra semana passa. No sábado, antes de abrir a porta, sabe da carta à espera. A mulher pisa-a, fingindo que não vê. Ele a apanha e mete no bolso.

Ombros curvados, contando a mesma linha, ela pergunta:

— Não vai ler?

Por cima do jornal admira a cabeça querida, sem cabelo branco, os olhos que, apesar dos anos, azuis como no primeiro dia.

— Já sei o que diz.

— Por que não queima?

É um jogo, e exibe a carta: nenhum endereço. Abre-a, duas palavras recortadas. Sopra o envelope, sacode-o sobre o tapete, mais nada. Coleciona-a com a outra e, ao dobrar o jornal, a amiga desmancha um ponto errado na toalhinha.

Acorda no meio da noite, salta da cama, vai olhar à janela. Afasta a cortina, ali na sombra um vulto de homem. Mão crispada, até o outro ir-se embora.

Sábado seguinte, durante o passeio, lhe ocorre: só ele recebe a carta? Pode ser engano, não tem direção. Ao menos citasse nome, data, um lugar. Range a porta, lá está: azul. No bolso com as outras, abre o jornal. Voltando as folhas, surpreende o rosto debruçado sobre as agulhas. Toalhinha difícil, trabalhada havia meses. Recorda a legenda de Penélope, que desfaz a noite, à luz do archote, as linhas acabadas no dia e assim ganha tempo de seus pretendentes. Cala-se no meio da história: ao marido ausente enganou Penélope? Para quem trançava a mortalha? Continuou a lida nas agulhas após o regresso de Ulisses?

No banheiro fecha a porta, rompe o envelope. Duas palavras… Imagina um plano? Guarda a carta e dentro dela um fio de cabelo. Pendura o paletó no cabide, o papel visível no bolso. A mulher deixa na soleira a garrafa de leite, ele vai-se deitar. Pela manhã examina o envelope: parece intacto, no mesmo lugar. Esquadrinha-o em busca do cabelo branco — não achou.

Desde a rua vigia os passos da mulher dentro de casa. Ela vai encontra-lo no portão —  no olho o reflexo da gravata do outro. Ah, erguer-lhe o cabelo da nuca, se não tem sinais de dente… Na ausência dela, abre o guarda-roupa enterra a cabeça nos vestidos. Atrás da cortina espiona os tipos que cruzam a calçada. Conhece o leiteiro e o padeiro, moços, de sorrisos falsos.

Reconstitui os gestos da amiga: pós nos móveis, a terra nos vasos de violetas úmida ou seca… Pela toalhinha marca o tempo. Sabe quantas linhas a mulher tricoteia e quando, errando o ponto, deve desmanchá-lo, antes mesmo de contar na ponta da agulha.

Sem prova contra ela, nunca revelou o fim de Penélope. Enquanto lê, observa o rosto na sombra do abajur. Ao ouvir passos, esgueirando-se na ponta dos pés, espreita à janela: a cortina machucada pela mão raivosa.

Afinal compra um revólver.

— Oh, meu Deus… Para quê? — espanta-se a companheira.

Ele refere o número de ladrões na cidade. Exige conta de antigos presentes. Não fará toalhinhas para o amante vender? No serão, o jornal aberto no joelho, vigia a mulher — o rosto, o vestido — atrás da marca do outro: ela erra o ponto, tem de desmanchar a linha.

Aguarda-o na varanda. Se não a conhecesse, ele passa diante da casa. Na volta, sente os cheiros no ar, corre o dedo sobre os móveis, apalpa a terra das violetas — sabe onde está a mulher.

De madrugada acorda, o travesseiro ainda quente da outra cabeça. Sob a porta, uma luz na sala. Faz o seu tricô, sempre a toalhinha. É Penélope a desfazer na noite o trabalho de mais um dia?

Erguendo os olhos, a mulher dá com o revólver. Batem as agulhas, sem fio. Jamais soube por que a poupou. Assim que se deitam, ele cai em sono profundo.

Havia um primo no passado… Jura em vão, a amiga: o primo aos onze anos morto de tifo. No serão ele retira as cartas do bolso — são muitas, uma de cada sábado — e lê, entre dentes, uma por uma.

Por que não em casa no sábado, atrás da cortina, dar de cara com o maldito? Não, sente falta do bilhete. A correspondência entre o primo e ele, o corno manso; um jogo, onde no fim o vencedor. Um dia tudo o outro revelará, forçoso não interrompê-la.

No portão dá o braço à companheira, não se falam durante o passeio, sem parar diante das vitrinas. De regresso, apanha o envelope e, antes de abri-lo, anda com ele pela casa. Em seguida esconde um cabelo na dobra, deixa-o na mesa.

Acha sempre o cabelo, nunca mais a mulher decifrou as duas palavras. Ou — ele se pergunta, com nova ruga na testa — descobriu a arte de ler sem desmanchar a teia? Uma tarde abre a porta e aspira o ar. Desliza o dedo sobre os móveis: pó. Tateia a terra dos vasos: seca.

Direto ao quarto de janelas fechadas e acende a luz. A velha ali na cama, revólver na mão, vestido brando ensangüentado. Deixa-a de olho aberto.

Piedade não sente, foi justo. A polícia o manda em paz, longe de casa à hora do suicídio. Quando sai o enterro, comentam os vizinhos a sua dor profunda, não chora. Segurando a alça do caixão, ajuda a baixá-lo na sepultura; antes de o coveiro acabar de cobri-lo, vai-se embora.

Entra na sala, vê a toalhinha na mesa — a toalhinha de tricô. Penélope havia concluído a obra, era a própria mortalha que tecia — o marido em casa.

Acende o abajur de franja verde. Sobre a poltrona, as agulhas cruzadas na cestinha. É sábado, sim. Pessoa alguma lhe pode fazer mal. A mulher pagou pelo crime. Ou — de repente o alarido no peito — acaso inocente? A carta jogada sob outras portas… Por engano na sua.

Um meio de saber, envelhecerá tranqüilo. A ele destinadas, não virão, com a mulher morta, nunca mais. Aquela foi a última — o outro havia tremido ao encontrar porta e janela abertas. Teria visto o carro funerário no portão. Acompanhado, ninguém sabe, o enterro. Um dos que o acotovelaram ao ser descido o caixão — uma pocinha d’água no fundo da cova.

Sai de casa, como todo sábado. O braço dobrado, hábito de dá-lo à amiga em tantos anos. Diante da vitrina com vestidos, alguns brancos, o peso da mão dela. Sorri desdenhoso da sua vaidade, ainda morta…

Os dois degraus da varanda — “Fui justo”, repete, “fui justo” —, com mão firme gira a chave. Abre a porta, pisa na carta e, sentando-se na poltrona, lê o jornal em voz alta para não ouvir os gritos do silêncio.
Fonte:
Dalton Trevisan. Vozes do Retrato. SP: Editora Agir, 1998.

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Arquivado em Curitiba, O Escritor com a Palavra

Dalton Trevisan (O Escritor em Xeque, por Alexandre Gaioto)

Texto: Dois Encontros com Dalton Trevisan, autor de Cemitério dos Elefantes, publicada no Jornal do Brasil (20/02/2010)

Ele repudia o culto à celebridade. Apressa o passo de suas caminhadas matinais quando é perseguido por fotógrafos. Xinga os repórteres que, sedentos, se aproximam em busca de uma entrevista. E jamais, de forma alguma, comparece aos eventos nos quais é homenageado. Hoje aos 84 anos, o escritor Dalton Trevisan escolheu viver nas sombras, no silêncio que somente o anonimato pode propiciar.

O sonho de qualquer jornalista? Uma entrevista exclusiva. Quando isso vai acontecer? Nunca. Então, para arrancar algumas palavras do Vampiro de Curitiba – apelido devido ao seu livro homônimo, lançado em 1965 – traço a estratégia: encarar os 428 quilômetros que separam minha cidade, Maringá (PR), de Curitiba, omitir ser estudante de jornalismo e torcer para o contista sair de casa. Se chover, o plano vai por água abaixo: como armar a tocaia em frente à casa do enigmático Trevisan?

Às 8h entro, pontualmente, no táxi que me levará ao bairro Alto da Glória – um nome digno para acomodar o maior contista brasileiro vivo. No curto caminho que separa a casa de Dalton da rodoviária, pergunto ao taxista se é verdade que o famoso escritor reside por ali.

– Dizem que mora sim, mas ninguém nunca o viu – responde o curitibano, seco, sem tirar os olhos do volante.

Chamando à porta de casa

Uma leve garoa atinge os transeuntes que atravessam a movimentada esquina onde reside o escritor. Para quem escreve sobre violência, assassinatos, drogas, prostituição, pedofilia e fetiches sexuais, Dalton Trevisan escolheu um lar ideal: grande e antigo, totalmente cinza, cercado por árvores que funcionam como barreiras aos curiosos que se penduram no muro, a fim de tentar espiar o tão misterioso autor. Estranhices à parte, não há barulho algum dentro da casa. Uma única luz acesa, no corredor, indica que ela não está abandonada.

Com um olhar mais atento sobre o puxadinho de trás, é possível observar que as janelas estão, desde cedo, escancaradas. Em julho do ano passado, quando passava, descompromissadamente, perto da residência do escritor, resolvi mudar meu roteiro e chamar ao portão. Sem campainha, tive de bater palmas e gritar seu nome. Para minha surpresa, o Vampiro abriu uma fresta da porta, deixando o rosto parcialmente escondido, protegido de algum flash que eu, rapidamente, poderia disparar. Mostrei três livros para que ele viesse ao meu encontro: “Deixe na livraria do Chain!”, gritou, antes de bater a porta na cara do petulante.

Agora a situação é diferente. Permaneço em silêncio, atento a cada movimento. Sorte minha: não chove. Precisamente às 10h50, Dalton Trevisan abre a porta de sua casa. Debaixo do braço, ele carrega alguns livros. Com passos rápidos, o ágil senhor de 84 anos caminha em direção à Livraria do Chain, local em que troca mensagens com sua editora e autografa os livros deixados por seus leitores.

Cinco minutos é o tempo que o Vampiro permanece na livraria, observando os lançamentos e deixando as edições que trazia de sua casa. Ele sai, agora, sempre taciturno; caminha geralmente olhando para baixo, e nunca se distrai com as belas curitibanas que passam ao seu lado ou cruzam sua frente.

É assim que observa os detalhes de Curitiba, cidade mitificada em suas obras: quieto, sem gestos bruscos, imperceptível. Passa pelo Teatro Guaíra e dá uma volta e meia na praça em frente à Universidade Federal, num cenário em que namorados, mendigos, hippies, empresários e turistas convivem em harmonia.

Quando passa por alguma banca de revista, para por cerca de dois ou três minutos, contemplando as notícias dos exemplares à mostra. Misturado aos curitibanos, o Vampiro escuta camuflado as novelas nada exemplares da vida urbana, como um anônimo ladrão de histórias. E volta a caminhar. Cruza semáforos, em meio a um trânsito caótico, driblando barracas de camelôs, passando por botecos, padarias, pontos de ônibus, deficientes físicos, filas de aposentados e indivíduos suspeitos.

Estou preparado para ficar cara a cara com o Vampiro. O local da abordagem? Uma esquina bem no Centro da cidade. No meu primeiro encontro, em janeiro de 2009, identifiquei-me como aspirante a escritor e revelei estudar letras (omiti estudar também jornalismo). Se ele sente qualquer intenção jornalística, foge como se lhe exibissem uma cruz. Trevisan, há um ano, na esquina de sua residência, me convidou a ir até à livraria, pois compraria alguns livros para mim. Antes, porém, perguntei como ele gostaria de ser lembrado daqui a 40 anos. A resposta, que arrancou uma boa gargalhada minha, foi surpreendente:

– Daqui a 40 anos, ninguém se lembrará de mim.

Eu o contestei imediatamente. Não adiantou nada:

– Essa sua opinião é uma opinião isolada.

No rápido trajeto, o contista revelou uma listinha com seus livros prediletos e fez críticas concisas às obras.

O poeta alemão Rainer Maria Rilke, com Cartas a um jovem poeta, foi o primeiro a ser citado:

Nas cartas dedicadas ao jovem poeta, ali está tudo o que você pode aprender sobre inspiração, escrita e linguagem – afirma Trevisan.

A metamorfose, do também alemão Franz Kafka, foi considerada como “uma história incrível” e

A morte de Ivan Ilitch, do russo Liev Tolstói, “a melhor novela já feita”, na opinião do contista.Dentro da livraria, Trevisan elogiou outro contista:

Leia tudo o que puder do russo Anton Tchecov. Aliás, existem boas coletâneas de suas obras.

No campo da poesia, o Vampiro indicou o pernambucano Manuel Bandeira, um dos seus prediletos:

O estilo e a linguagem dele são maravilhosos. As crônicas também são boas. Leia Crônicas da província do Brasil e Os reis vagabundos.

E para o Vampiro, quem é o maior contista brasileiro?

– Machado de Assis. Além dos contos, leia Quincas Borba, Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.

Depois de Machado, indagou-me se eu gostava de Rubem Braga. A última obra citada , classificada como “maravilhosa”, foi Madame Bovary, de Gustave Flaubert.

Em meio a tantos clássicos, o Vampiro seria capaz de reescrever as histórias melhor do que os próprios autores? A resposta é negativa:

– Ninguém pode reescrever A metamorfose melhor do que Kafka. Ninguém vai reescrever A morte de Ivan Ilitch melhor do que Tolstói.

Naquela manhã, ganhei dois presentes de Dalton Trevisan: duas edições pockets das obras citadas de Tolstói e Rilke. Outros livros, solicitados pelo contista, estavam fora do catálogo. Na frente do Vampiro, a atendente se comprometeu a conseguir os livros para eu buscá-los no dia seguinte. Ao encerrar o encontro, o contista estendeu a mão e abriu um sorriso. Semanas depois, entrei em contato com a livraria, passei meu endereço em Maringá e recebi, em minha casa, outras quatro edições de bolso enviadas pelo contista: Kafka, Tchecov, Machado e Dalton.

Jamais imaginaria que eu teria a chance de encontrá-lo novamente. Ele deve ter se irritado. A reportagem relatando nosso encontro foi publicada em um jornal do Paraná. Depois da publicação, enviei um outro livro para ele autografar, alguns contos de minha autoria e uma carta agradecendo pelas edições enviadas e também por sua produção literária. Todo o material foi reenviado para mim. No livro, nenhum autógrafo. Da mesma forma que foi, voltou. Era a primeira vez, em três décadas, que o contista concedia alguma declaração à imprensa.

Agora, quase um ano depois do primeiro encontro, eu me aproximo com três livros para serem assinados. Estamos em uma movimentada esquina. O sinal fecha.

– Dalton? – eu pergunto. Ele vira e me olha desconfiado. Peço um autógrafo nos três livros que retiro de dentro de uma sacola plástica.

Ao se deparar com uma rara primeira edição de Cemitério de elefantes, publicada em 1964, o contista reclama:

– Mas esta edição eu renego! Já reescrevi diversas vezes!

A curiosa cena protagonizada pelo autor, fanático por recompor suas obras em novas edições, extirpando uma ou outra conjunção, sempre reduzindo o tamanho dos contos, arranca uma risada minha. Peço que ele autografe mesmo assim. Dalton olha para trás, onde há uma pequena padaria, e indica o balcão:

– Vamos ali, para firmar os livros.

Na dedicatória, ele pede meu sobrenome, mas me recuso a dizer.

– Basta só Alexandre? – indaga o mestre da concisão e, diante da minha afirmativa, diz sorrindo:

– Então tá, só Alexandre.

Com o tempo, Trevisan padronizou seus autógrafos: “Ao (nome), cordialmente, D. Trevisan”. Agora, se há uma intimidade, o Vampiro muda: “Ao (nome), com um abraço do D. Trevisan”. E ele só rabisca a dedicatória em um dos livros. Nos seguintes, deixa apenas a assinatura. Na década de 60, quando iniciou sua trajetória literária, era diferente. Ele sempre era afetuoso na dedicatória e não assinava seu sobrenome, apenas Dalton.

Antes de encerrar o encontro, o contista indaga:

– Como você me achou aqui no Centro?

É claro que não digo que estou perseguindo-o há cerca de meia hora. Sem desviar o olhar, relembro um trecho de uma entrevista concedida nos anos 60, em que o próprio Trevisan contestava a fama de recluso. Cara a cara com o Vampiro, parafraseio sua declaração: “É possível encontrar Dalton Trevisan em cada esquina de Curitiba”. Ponto para mim. Arranco outro sorriso do autor, que observa:

– E você confirmou isso mesmo!.

Na padaria, ele estende a mão, compassadamente, e sorri:

– É sempre bom encontrar um leitor .

O escritor retoma a caminhada sem olhar para trás. Dalton Trevisan nunca olha para trás. Volto a segui-lo. Ele entra em um restaurante vegetariano. Sozinho. É muita ironia: um vampiro que se abstém de carne. Na volta para casa, meia hora depois, ele escolhe o mesmo trajeto e circula pelas mesmas praças, até enfrentar a íngreme rua que o leva à sua residência. Deixo o Alto da Glória com os livros assinados e algumas imagens do recluso contista. Curiosamente, não são as palavras do nosso encontro que ecoam na minha cabeça. Mas, sim, um excerto de sua nova obra, Violetas e pavões: “O senhor esconde o rosto desta cidade, mas não de mim”.

Fonte:
http://materiasdealexandregaioto.blogspot.com.br/2010/02/dois-encontros-com-dalton-trevisan.html

Imagem = montagem com fotos obtidas na internet, por JFeldman

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Isabel Furini (Os Portões)

Nessa tarde de domingo, quando sua irmã Cacilda  espalhou as flores sobre o túmulo, rezou uma rápida prece e disse tchau Maria, vou para casa de mamãe, ela nem se preocupou. Calmamente pegou um gladíolo louçano  que sobressaía entre as flores  e colocou-o no vaso de cerâmica azul. Depois foi a vez de arrumar os cravos brancos.

Quando terminou de arrumar as flores, o Sol já estava caindo e faltava pouco para que o guarda-noturno fechasse os portões. Deveria ter saído com Cacilda em vez de dizer tchau e continuar arrumando as flores. Por que eu não fiz isso? Perguntava-se. Receosa, acelerou o passo. O cemitério ficou deserto e ela lá, sozinha.  Tentou correr. Não conseguiu. Suas pernas não obedeciam a seu comando. Essas cruzes. Oh! não!..  Errei o caminho.

Estava na parte detrás do cemitério, só via um muro pintado de branco.  Voltou sobre seus passos, túmulos enfileirados e mais túmulos… Estou perdida.  Calma, Maria, calma, você conhece este cemitério, já veio aqui várias vezes. Calma, calma, murmurava.

Avançou entre os mausoléus. Ah! Já estava perto de um portão! Seu passo não era tão rápido quanto ela queria e suas pernas tremiam, mas estava indo para frente enquanto as sombras avançavam. Com desespero, viu  os portões fechados.  Onde estará o guarda- noturno?
As sombras se espalharam sobre os túmulos dando ao cemitério um aspecto fantasmagórico. Devia ter saído com sua irmã. Cacilda sempre fazia visitas rápidas apenas para colocar as flores de qualquer maneira, e rezar uma Ave Maria.

As sombras se estenderam e ela aí, caminhando sem cessar. Tentando sair. E o vigia? Olhou suas roupas novas. Nem lembrava quando as havia comprado.   Pena que não tinha o celular com ela. Ela havia esquecido o celular em casa!… Seguramente na mesa de jantar ou talvez no criado mudo.

Aquele mausoléu de mármore branco. Ela já havia passado por ele em outras oportunidades.  Que sorte! O guarda estará lá. Ele abrirá o portão. Apressou o passo e lá estava o portão…

Suspirou aliviada. Sob a lua cheia  viu o portão, mas ninguém por perto. E o guarda? Avançou até o portão e olhou para os lados.  E, determinada, começou a escalar o portão, primeiro colocou um pé na barra inferior da grade e ergueu os braços para segurar na parte superior. Conseguiu elevar-se um pouco. Esforçou-se mais, ergueu os braços novamente e segurou  uma das barras horizontais. Já estou perto do topo. Mais um esforço e… tocou a barra superior do portão, um pé no ar e o outro pé escorregou antes de poder segurar com as mãos e caiu de costas. Sentou-se rapidamente no chão, não estava machucada,  mas devia iniciar de novo a subida.

De repente, sons de passos. Um jovem de cabelo loiro transitava pela rua, vinha do bairro em direção ao ponto de ônibus.  Para chamar a atenção do rapaz sacudiu o portão e gritou com todas suas forças. Viu o rapaz parar em frente do portão, com os olhos arregalados por um segundo, e sair correndo apavorado.

–  Volte!… Ajude-me a sair daqui.

– O que foi moça? – perguntou alguém atrás dela.

Graças a Deus, o guarda do cemitério a escutara. Voltou-se. O que viu a deixou confusa. Havia inúmeras pessoas atrás dela, homens, mulheres, velhos, jovens, adultos, crianças. Todos olhando o portão. Alguns com tristeza, outros com desespero e outros ainda, com raiva.
Um velho aproximou-se dela.

– Você deve ser nova aqui e não conhece as regras. Só podemos olhar para fora, mas não podemos sair. Não podemos sair. Só os vivos podem, só os vivos.

Fonte:
Recanto das Letras
http://www.recantodasletras.com.br/contosdesuspense/2232347

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Isabel Furini (O Caçador e o Anjo)

Era uma vez um jovem Anjo que duvidava da existência dos homens.

Ele via uma forma de carne, ossos, sangue, pele, cabelos, uma forma material. Essa forma se movia, alimentava-se e descansava, mas ainda assim o Anjo duvidava de que fosse um homem.

O Anjo sabia que os homens são espírito e matéria, e que ele tinha uma missão: cuidar de um deles. Porém, questionava se a forma rude que via era mesmo de um ser humano.

O homem, chamado Estevão, só acreditava no mundo material e ria quando alguém lhe dizia que existiam anjos. Um dia ele foi caçar numa floresta e, correndo sobre o mato úmido atrás de um veado, bateu contra o tronco de uma árvore morta que estava caída no chão. A arma escorregou de suas mãos e um forte estrondo, como o rugido de um leão, agitou a floresta. Rapidamente os pássaros revoaram e animais pequenos voltaram a suas tocas. Ao cair no chão a espingarda disparara e o caçador, com tão pouca sorte, foi ferido.

Estevão,  lá deitado, vendo o sangue escorrendo de seu peito, olhou para o céu a fim de pedir socorro e, num raio de sol que penetrava pela copa das árvores, divisou a imagem de um anjo com suas aas brancas. O Anjo, por sua vez, ao ver o homem clamando por Deus, percebeu seu espírito. Ambos se olharam com curiosidade e, em seguida, passaram a se examinar mutuamente

– Você é um Anjo? Então os anjos existem! – disse o homem, admirado.

– Você é um homem? Então os homens existem! – exclamou o Anjo.

Ambos deram-se as mãos. Estevão, no entanto, havia perdido muito sangue e desmaiou. Foi acordar num quarto simples, da casa de um lenhador que por acaso passara por onde ele se encontrava na floresta e, ao vê-lo ferido, decidiu a ajudá-lo.

Desde esse dia o caçador se fez amigo do Anjo, e o Anjo se fez amigo do homem. O humano sentiu-se tão feliz com seu companheiro celeste que deixou de matar outras criaturas. Agora, sua maior diversão era observar os seres da natureza:  ondinas e gnomos, silfos e salamandras. Mostrou também seu mundo a seu amigo: casas e fábricas, lojas e clubes, cinemas, teatros e shoppings. Mas o ser celeste preferia as florestas, as montanhas e os mares, o ruído dos ventos, das ondas e dos pássaros.

O homem e o Anjo sempre permaneciam juntos, e os sensitivos que por acaso os viam, detinham-se perplexos a observá-los: ambos caminhavam juntos, tão serenamente que ninguém sabia se o homem era guiado pelo Anjo ou se o Anjo era guiado pelo homem.

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/contos/1325081

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José Marins (Lançamento da Coletânea de Haicais “A Lâmpada e as Estrelas”) 31 de agosto, em Curitiba

CONVITE
Lançamento da Coletânea de Haicais

A LÂMPADA E AS ESTRELAS

A LÂMPADA E AS ESTRELAS é uma coletânea de haicais organizada por José Marins, cujos  autores fazem uma homenagem ao Centenário De Nascimento da poeta Helena Kolody, criadora de haicais inesquecíveis. O livro reúne 200 poemas inéditos, classificados nas quatro estações, e escritos por dez poetas haicaístas paranaenses que contemplam a natureza e a  nossa geografia humana.

 O organizador convidou para esse projeto poetas que já  alcançaram qualidade haicaística  significativa, que prezam as características tradicionais do poema de  origem japonesa,  compondo com liberdade de estilo. Dessa rica experiência de cada um  resultou uma poética  de fina tecitura, que enriquecerá o acervo dos leitores do gênero e  poderá iniciar outros  tantos.

Apresentado à coletânea, o escritor Rodrigo Araujo, Mestre pela UFPR,  afirmou: Ao  escrever, você constrói um mundo e muda a visão que os leitores têm do  mundo empírico (a  boa literatura deve fazer isso!). No caso específico do haicai, ao recortar a gota de orvalho, o haicaísta está dando existência a essa cena, pois o leitor dificilmente a perceberia (e assim a cena não existiria para ele). Dessa forma, além de ler, registrar e recortar, o haicai ainda constrói um universo próprio. Creio que essa seja a dignidade da literatura, e não pode ser perdida.

LOCAL: MUSEU GUIDO VIARO – Rua XV de Novemrbo, 1348 – Curitiba/PR
(em frente à Reitoria).

DATA: dia 31 de agosto de 2012, sexta-feira, às 19 horas.

OS AUTORES:

A. A. de Assis
Alvaro Posselt
José Marins
Marilda Confortin
Rosalva Freitas Brüsch
Rosângela Jacinto
Sandra Benato,
Sérgio Francisco Pichorim,
Suzana Lyra Strapasson e
Vanice Ferreira

Fontes:
Álvaro Posselt
Ass. da Juv. Ucraíno-Brasileira

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Celito Medeiros (Seguindo o Intruso)

Caminho vagarosamente sem fazer barulho, para não ser visto pelo intruso que se distancia à minha frente. Passo por entre uns galhos espinhosos, já pisando em plena lama.

É um pequeno alagadiço que tenho que transpor e seguro em um cipó, para não cair ao escorregar naquelas bordas lisas do solo molhado. Mas tem uma coisa que já está me intrigando… por que sigo em frente tão curioso e para ver o quê?

Esquisito, mas parece que algo novamente me convida a seguir em frente, transpor obstáculos e não desistir. Talvez seja um apelo à minha simples curiosidade, uma vez que é atrativo sempre sair e desvendar o que possa parecer difícil e misterioso. Não posso dizer que não tenho meus medos, pois afinal, de medo todos possuem um pouco. Mas isso é coisa que eu não sinto no momento e sim, uma vontade danada de descobrir o que está se passando.

Já começo a suar um pouco, pois temos coberto mais de um quilômetro de caminhada tensa, e continuo sempre com aquela sensação de estar  sendo convidado a seguir em frente. Desço mais uma ribanceira, começando a alcançar um patamar de topografia plana com muitas árvores de cerejeira e peroba, intercaladas por muita taboca.

Quem eu sigo, parece caminhar com muita destreza e nunca se distanciar. Sim, claro, ele deve estar sabendo que eu o estou seguindo. Ele deve estar realmente querendo que eu o siga! Tal pensamento me deixa confuso.

Que droga, estarei sendo levado para alguma armadilha? Por quem? E para quê?

Não pude responder a essas perguntas, nem ficar por muito tempo me questionando, pois começo a ver uma espécie de clarão à minha frente e, minha pulsação aumenta terrivelmente ao tentar imaginar do que se trata.

Naquele mesmo instante sinto que alguém procura me comunicar que não devo ter preocupações e que me aproxime!

Ora, isso já parece estar extrapolando os limites!

Quem estaria querendo que eu me aproximasse e por quê? – Não me dou tempo a respostas e sigo em frente confiante, é isso – confiante – é como estou me sentindo. Já sei, este cara seja quem for, está utilizando de telepatia!…

Seria extraordinário, em plena selva amazônica, alguém usando de comunicação telepática!

Seria a mesma pessoa a qual eu seguia? Então, por isso toda minha coragem e o fato de tê-lo seguido sem muito questionar? – Hei! Realmente eu já devia ter percebido que não se tratava de um indígena, afinal eu só estava pensando tratar-se  de um indígena e isto fez com que não imaginasse  tratar-se de alguém mais.

As luzes em frente estão mais nítidas, mas estranhamente não parecem ser de uma fogueira. Começo a  perceber que é de mais de um ponto que parte tal claridade.  Não! Não pode ser!… Aquilo é um foguete!?

Pelas barbas de mil profetas, aquilo é uma nave!!?

É claro, estou sonhando. Aperto os dentes na mão esquerda e sinto uma dorzinha, opa!, não estou sonhando, é pura realidade.

Estou ainda molhado, me aproximo mais e mais… quando avisto pessoas! Seriam alienígenas? A clareira na mata não é grande – como essa coisa pousou?

Não, felizmente não, apenas orientais. Vestem uma espécie de quimono. Mas o que estes orientais estariam fazendo aqui? Ou não seriam orientais?!…

Bem, já se podem perceber os olhinhos puxados, pelo menos me parece que sim. O que parece claro é que de fato são orientais de olhos puxados! Estatura mediana. Magros. Irradiando simpatia. Nada leva a crer tratar-se de  inimigos. Ou seriam inimigos disfarçados em docilidades e revestidos com peles de cordeiro? Nem mesmo havia obtido respostas, contemplo aquele objeto estranho, mas que com certeza tem características de uma nave. Mais ou menos uns seis metros de altura por uns vinte e cinco de comprimento. A envergadura das asas cobre além do corpo de uns oito metros, mais uns três de cada lado. Escura, ou será por causa da noite que chega à madrugada?

Não, realmente é escura, talvez um grafite ou sei lá o quê! Bico bem afinado, asas curtas para tal tamanho, bem pontiagudas, espere… parece ter um par de asas ainda menores no dorso que se alongam afinando até a cauda, terminando por elevar-se um pouco. É isso, as asas começam no bico e terminam na cauda, sendo que o centro da nave é o ponto mais alongado, formando uma espécie de estrela esmagada. Debaixo da interseção das asas está descida uma escada com corrimão.

Não percebo de imediato janela alguma além da que se situa na parte frontal. E é muito bonito o acabamento delas. Estranho eu não estar observando luzes coloridas piscarem, pois isto é o que eu imaginaria ver numa nave extraterrestre. Possui apenas algumas inscrições, mas parecem até familiares, pelo menos num escudo ou coisa assim, logo atrás do que seria provavelmente a cabine de comando. Em alto relevo, não distingo bem o desenho, mas vejo claramente a letra e o número: S 12.

Não tenho mais tempo para observações minuciosas, pois estão à minha frente quatro seres de aparência oriental, sendo  um deles uma mulher, pelos cabelos bem longos e pretos.       

Fico muito confuso, pois parecem bem humanos como se fossem nativos deste planeta, e a princípio nada percebo de diferente nestes seres, parecendo familiares.

Estariam estes Japas ou Chinas fazendo alguma experiência em nossas florestas? Mas, e este tipo de nave desconhecida, no meio da mata sem campo de pouso?

Sou tirado desses pensamentos com um deles que se adianta e me telecomunica dizendo:

– Tudo será devidamente esclarecido se você me der a honra de poder ser feito, ao devido tempo!

Reparo então, que o sujeito da esquerda está com seu quimono ou túnica um pouco suja e molhada, do que rapidamente posso concluir ser o furtivo visitante da noite que eu havia seguido até aqui.                    

Então procuro simplesmente… dar a entender a eles em pensamento, que estou um pouco desorientado com tudo isto. No entanto permanecerei na retaguarda, para não ser iludido ou ludibriado por quem quer que seja.

– Hei, funcionou!!!

Ele responde telecomunicando que está certo, e que compreendem como eu possa estar me sentindo. Diz também, que somente o que eu queira comunicar é que será compreendido por eles, que fui muito esperto em perceber logo que havia telecomunicação, bem antes de vê-los quando eu estava seguindo o furtivo da noite.

Da mesma maneira ele só comunicará o que for necessário ou perguntado.

Pergunto que garantias eu tenho de não ser apenas “usado” por eles, e imediatamente recebo como resposta:

– Apenas a sua intuição e capacidade de perceber.

Neste momento, a acompanhante feminina faz um gesto que entendo como sendo para eu entrar na nave. Estremeço…, engulo em seco e logo comunico que não estou com tanta pressa e prefiro trocar algumas idéias primeiro.

Vou logo perguntando o que fazem aqui e o que querem de mim. Novamente é meu primeiro interlocutor que comunica:

– Estamos em missão nesta área do planeta, estando perfeitamente “autorizados” a seguir com um projeto predeterminado e aprovado pela Patrulha Galáctica.

Diz também que seguiram a mim e meus companheiros nos últimos dias pela tela do radar de sua espaçonave. Não sei se estão respondendo de maneira a esclarecer ou a confundir ainda mais.

O que estou presenciando é real, preciso logo ter uma boa compreensão e tomada de decisão, para não complicar o encontro ou fazer algo de que me arrependa mais tarde.  Continuo suando e já estou com a boca seca. Pudera!

 Fonte:
Celito Medeiros. De Olho na Terra. Ed. All Print, 2005.

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Cristovão Tezza (Telefones)

 O telefone mais antigo da minha vida eram duas pequenas latas ligadas por um barbante comprido. Do sótão da minha casa, arremessei uma delas sobre os fios da rua, que o vizinho recolheu e lançou sobre a fiação do poste da outra calçada, e depois à janela do segundo andar, para onde correu em seguida. O aparelho não funcionou: o barbante fazia uma barriga preguiçosa sobre a rua, apoiado nos fios elétricos. Alguém gritou:
 – É preciso esticar!

 Foi o que fiz do meu lado, primeiro andando para trás até bater com força a cabeça numa viga – nem doeu – depois puxando o barbante pelo furo da lata para dar um nó mais curto. Afinal o fio tensionou-se inseguro no ar da rua – estranhamente, ele pesava – e falei alguma coisa no bocal do meu telefone, não muito alto, ou a experiência não faria sentido. Em seguida, trocamos posições: com a lata enterrando a orelha ouvi a voz do amigo, nítida, excitada, feliz, longínqua como do outro lado do Atlântico:
 – Tá funcionando!

 A experiência encerrou-se abrupta com o meu pai me arrancando dali pelo pescoço, a chineladas, e ele mesmo se encarregou de destruir as instalações da nossa linha exclusiva. Não lembro o que ele disse: algo como eletrocução, raios, corpos carbonizados, chuva, trovões, desespero, morte e fim. Era o ano de 1958. Meu pai morreu um ano depois, não de telefone, que nunca tivemos, mas por bater a cabeça na calçada num acidente de lambreta, o veículo da época.

 Um segundo telefone só apareceu na minha vida alguns anos depois, nos meus treze anos, agora na Curitiba de 1965. Um telefone à revelia. Aconteceu assim: aprendi datilografia, sozinho, nas minhas tardes livres, seguindo as instruções de um volume ensebado que acompanhava a pequena máquina portátil que a família herdou e ninguém podia tocar. Minha mãe ia trabalhar e eu abria aquela maravilha, colocava papel e repetia a lição, metódico: asdfg, asdfg, asdfg. Lembro da melhor frase, quando eu já compunha frases sem olhar para o teclado, os dez dedos rápidos e exatos: Kant nasceu em Koenisberg, Kant nasceu em Koenisberg, Kant nasceu em Koenisberg.

 Três domingos mais tarde, resolvi fazer uma demonstração para a família, em meio a um encontro de parentes: para espanto de todos e irritação da minha mãe, coloquei a peça na mesa da sala, carreguei uma folha de papel – Quem é que te deu ordem de mexer nessa máquina?! Vá já guardar isso! – cobri os olhos com uma faixa de pano e comecei a escrever, cego, algumas frases avulsas, uma por linha: Hoje é domingo, pede cachimbo, dois mais dois igual a quatro, verdes mares bravios da minha terra natal, amanhã tem aula de canto orfeonico. Diante do silêncio da família acotovelada às minhas costas, conferindo incrédula a exatidão do datilógrafo (Orfeônico tem acento, reclamou o irmão mais velho), tirei a máscara dos olhos e, adolescente posudo, perguntei essa pergunta difícil:
 – O que vocês querem que eu escreva?

 Na verdade, ninguém quer que você escreva nada; trabalhar é melhor. No outro dia, minha mãe me levou ao centro da cidade, o endereço marcado num papel. Subimos quatro lances de escadas e entramos num escritório sombrio de advocacia, paredes de um feio verde escuro e as portas imensas, de mogno. Diante do homem, ela me pintou de ouro: Bate máquina como gente grande. O senhor não quer fazer um teste com o menino? O velho relutou diante daquela criança magra, mas eram tão extraordinárias as minhas qualidades, segundo minha mãe, que valeria a pena um período experimental, meio expediente, meio salário.

 Fui levado para a outra sala, onde deparei com o telefone, esse verdadeiro, o primeiro que eu via tão de perto. Negro, imponente, de chumbo maciço, com aquela roda esburacada no centro vazando para um círculo de números, e mais os dois orelhões também negros do fone, tudo ligado por um fio grosso de pano entrelaçado – tão impressionante que eu mal prestei atenção na Olivetti, também maciça, com um carro que não cabia na máquina de tão comprido. Bem, a máquina de escrever era só uma questão de força física – bem mais pesada que a portátil do meu pai, e minha datilografia perdeu velocidade – mas o telefone me punha medo: falar com os outros. Afinal sozinho na sala, levantei aquele ser compacto – de desenho tão exato que tenho até hoje nítido na memória cada traço do objeto, a contraditória leveza das curvas se fechando no alto da pirâmide para sustentar o fone pesado, sob o mistério da simetria – e ouvi pela primeira vez na vida um sinal de linha. Eu deveria rir: a lata funciona mesmo!

 Passei os dois anos seguintes atendendo o telefone, pagando contas e datilografando contratos – e lendo, lendo muito que o trabalho era leve, de Crime e castigo à biografia de Lênin, de Júlio Verne a Jorge Amado, de Balzac a Erico Verissimo. E, súbito, pedi demissão. Para desespero da família e espanto do patrão, decidi me engajar numa comunidade de teatro alternativo, decididamente sem telefone: eu estava abrindo a porta generosa da utopia regressiva, a volta à natureza e ao grito primal.

 Naqueles anos 70, em que os militares fundiam num só regime o pior de dois mundos, a rigidez soviética com a liberalidade paraguaia – grandes projetos qüinqüenais atravessados por intermediários em meio a um silêncio tranqüilo, só aqui e ali uma bomba, um fuzilamento sumário, um enforcado na cela, uma guerrilha pateta -, eu compartilhava agora a vida comunitária exilado em Antonina, pequena cidade litorânea, consertando relógios (fiz um curso por correspondência) e criando teatro popular junto com uma troupe inútil de cabeludos, todos sem lenço, sem documento e sem telefone, sob a liderança de um barbudo – mestre Wilson Rio Apa – que, rousseauniano instintivo, olhava com desconfiança até o advento da luz elétrica.

 De 68 a 74 não me lembro de ter telefonado a ninguém. A vida era táctil, vizinha, na extensão dos olhos, do tamanho do passo – vivi plenamente a soberba da limitação e do isolamento, mas o simulacro dessa utopia particular também foi desabando. No ano de 1975, quando perambulei pela Europa fazendo bicos, reencontrei um único telefone, um instante surrealista: na estação de trem de Genebra, uma jovem sueca pendurada a um telefone público me chamou com sinais agitados. Em inglês, perguntou se eu falava francês; menti imediatamente, oui, oui! – e ela me estendeu o fone e um papel com uma fileira de números: que eu repetisse aquilo em francês. A voz do outro lado, por certo de homem, insistia angustiada: Le numerô? Le numerô? E eu, feliz por ser gentil com uma sueca, recitei as lições da professora Beatriz do Colégio Estadual, caprichando na pronúncia: neuf, neuf, deux, zero, huit, trois, trois, six, quatre…

 Thank you! – ela sorriu, e arrancando o papel da minha mão correu para um táxi. Nunca entendi exatamente o que fiz, que número era aquele, quem era a voz do outro lado, o que aconteceu, mas mantenho a certeza, também inexplicável, de que a mulher era sueca. Exceto dessa vez, nos quatrocentos dias de Europa jamais telefonei. Mas escrevi cartas: foram 153, em espaço um, na pequena olivettinha, que eu levava por onde ia, como um executivo falido.

 Em 1988, já casado, com dois filhos, e os primeiros livros enfim começando a chegar às livrarias, senti necessidade de comprar um telefone. Foi uma operação complexa e demorada, que envolveu um contrato cheio de carimbos e assinaturas e advertências ameaçadoras, até a transferência de um maço de dinheiro vivo para a mão de um comprador atento e tenso sob a supervisão de um intermediário – tudo isso no balcão da empresa, para maior garantia – e eis que agora eu tinha um aparelho leve, de plástico, descartável, nem de longe aquela escultura clássica de ébano sobre a mesa da minha infância.

 Dois anos mais tarde, cada vez mais corrompido pela civilização, investi num aparelho de fax, que hoje repousa quase inútil aqui ao meu lado, depois de ter trabalhado bastante. Desde então as coisas foram inapelavelmente degringolando: de um computador XT sem disco rígido (que aposentou minha olivettinha), onde aprendi fascinado o esoterismo do DOS, passei a um 386 e dele, numa corrida agoniada, a um Pentium, e finalmente a esse portátil onde escrevo a crônica – e eis que o telefone reencontra a máquina de escrever, agora em conexão contínua com a internet em alta velocidade, enquanto a linha continua livre para falar. Velocidade não tão alta assim: às vezes um atraso de sete segundos, uma página travada no éter, para dele despenhar-se aqui, me dá um vazio incerto na alma. É verdade que há cada vez menos pessoas a quem telefonar, e também menos destinatários das cartas que, mais curtas, voltei a escrever, mas pelo menos parece que as pessoas voltaram a escrever, reaprendendo as letras. É visível nesse teletexto volátil a noção de brinquedo, a nostalgia das latas e dos barbantes, a intuição milionária de Bill Gates de, no rosto de sua janela, lembrar do “meu computador”, “meus arquivos”, “meu álbum de fotografias”, “meu patinete”, “minha coleção de caixa de fósforos” – nivelando para todos a utopia de um mundo adulto estacionado na idade mental dos treze anos. Mas isso é problema nosso – o fato é que o brinquedo (quase sempre) funciona.

 Última derrota, também no sentido marítimo, comprei um celular que, envergonhado, escondo na gaveta, para, quem sabe, uma emergência. Às vezes jogo nele serpente, memória e lógica, só para testar a bateria.

Fonte:
21 contos pelo telefone. Editora DBA – Doréa Books and Art Ltda. São Paulo, 2001. Disponível em http://www.cristovaotezza.com.br/textos/contos/p_telefones.htm

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Cristovão Tezza (1952)

Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1952. Em junho de 1959, morreu seu pai; dois anos depois, a família se mudou para Curitiba, Paraná.

Em 1968 passou a integrar o Centro Capela de Artes Populares (CECAP), dirigido por W. Rio Apa, com quem trabalhará até 1977. Ainda em 1968, também participa da primeira peça de Denise Stoklos, e no ano seguinte de duas montagens do grupo XPTO, dirigido por Ari Pára-Raio, sempre em Curitiba.

Em 1970 concluiu o ensino médio no Colégio Estadual do Paraná. No ano seguinte, entrou para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (RJ), desligando-se em agosto do mesmo ano. Em dezembro de 1974, foi a Portugal estudar Letras na Universidade de Coimbra, matriculado pelo Convênio Luso-Brasileiro, mas como a universidade estava fechada pela Revolução dos Cravos, passou um ano perambulando pela Europa.

Em janeiro de 1977, casou-se. Em 1984, mudando-se para Florianópolis, Santa Catarina, trabalhou como professor de Língua Portuguesa da UFSC. Voltou a Curitiba em 1986, dando aulas na UFPR até 2009, quando se demitiu para dedicar-se exclusivamente à literatura.

Em 1988 publicou Trapo (Brasiliense), livro que tornou seu nome conhecido nacionalmente. Nos dez anos seguintes, publicou os romances Aventuras provisórias (Prêmio Petrobrás de Literatura), Juliano pavollini, A suavidade do vento, O fantasma da infância e Uma noite em Curitiba. Em 1998, seu romance Breve espaço entre cor e sombra (Rocco) foi contemplado com o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional (melhor romance do ano); e O fotógrafo (Rocco), publicado em 2004, recebeu no ano seguinte o Prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor romance do ano e o Prêmio Bravo! de melhor obra.

Sua tese de doutorado (USP), Entre a prosa e a poesia – Bakhtin e o formalismo russo, foi publicada em 2002 (Rocco). Também na área acadêmica, Cristovão Tezza escreveu dois livros didáticos em parceria com o lingüista Carlos Alberto Faraco (Prática de Texto e Oficina de Texto, editora Vozes), e há vários anos publica eventualmente resenhas e textos críticos em revistas e jornais. Durante um ano, assinou uma coluna quinzenal no “rodapé literário” da Folha de S. Paulo. Atualmente, é cronista semanal do jornal curitibano Gazeta do Povo.

Em 2006, assinou contrato com a Editora Record, que começou a relançar sua obra. Em julho de 2007 foi publicado seu novo romance O filho eterno, e foram reeditados, com novo projeto gráfico, seus romances Trapo, Aventuras provisórias e O fantasma da infância.

Em dezembro de 2007, o romance O filho eterno recebeu o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de melhor obra de ficção do ano. Em 2008, recebeu os prêmios Jabuti de melhor romance, Bravo! de melhor obra, Portugal-Telecom de Literatura em Língua Portuguesa (1° lugar) e Prêmio São Paulo de Literatura, melhor livro do ano. Em 2009, recebeu o prêmio Zaffari & Bourbon, da Jornada Literária de Passo Fundo, como o melhor livro dos últimos dois anos.

Em dezembro de 2009, O filho eterno foi considerado pelo jornal O Globo uma das dez melhores obras de ficção da década, no Brasil.

Em março de 2010, a tradução francesa de O filho eterno (Le fils du Printemps, Ed. Métailiè) recebeu o prêmio Charles Brisset, concedido pela Associação Francesa de Psiquiatria .

O romance foi lançado na Itália pela editora Sperling & Kupfer (tradução de Maria Baiocchi), em Portugal, pela editora Gradiva, na França, pela editora Métailiè (tradução de Sébastien Roy) , na Holanda, pela editora Contact/Uitgeverij (tradução de Arie Pos), na Espanha, em catalão (Club Editor, tradução de Josep Domenèch Ponsatí), e na Austrália e Nova Zelândia, pela editora Scribe (tradução de Alison Entrekin).

Em outubro de 2010, a Editora Record lançou seu mais recente trabalho, o romance Um erro emocional.

Em setembro de 2011, saiu seu livro de contos Beatriz.

Em abril de 2012, O filho eterno entrou na lista dos 10 finalistas do Prêmio Internacional IMPAC-Dublin de Literatura.

No final de 2012, será lançada uma coletânea de suas crônicas, também pela Record, com apresentação e organização de Christian Schwartz.

Em julho de 2012, lançamento pela editora Record de “O espírito da prosa”, um ensaio não acadêmico sobre o romance, com toques autobiográficos.

Obras

    2010 – Um erro emocional
    2007 – O filho eterno
    2004 – O Fotógrafo – Prêmio Academia Brasileira de Letras 2005
    1998 – Breve Espaço entre a Cor e a Sombra – Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
    1995 – Uma Noite em Curitiba
    1994 – O Fantasma da Infância
    1991 – A Suavidade do Vento
    1989 – Juliano Pavollini
    1989 – Aventuras Provisórias
    1988 – Trapo
    1982 – Ensaio da Paixão
    1981 – O Terrorista Lírico
    1980 – A Cidade Inventada (contos)
    1979 – Gran Circo das Américas

Fonte:
Wikipedia
Site do Escritor – http://www.cristovaotezza.com.br/p_biografia.htm

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UBT/Seção Curitiba (Convite para Eventos de 16 a 19 de Agosto)

DIA 18 DE AGOSTO DE 2012:
Reunião Mensal.

A União Brasileira de Trovadores – Seção de Curitiba, convida todos os Trovadores, Poetas e Amigos simpatizantes da Trova, para a reunião mensal da UBT – Curitiba, dia 18 de agosto de 2012, das 14h30m às 17h, no Centro de Letras do Paraná, Rua Fernando Moreira, nº 370, quase esquina com o SESC da esquina.

* Tema para o concurso interno do mês de agosto:

– PRANTO (Lírica/Filosófica) (O resultado será divulgado na reunião interna do mês de SETEMBRO).

* DENTRO DA PROGRAMAÇÃO:

– Entrega de homenagens aos trovadores Apollo Taborda França e Angelo Batista.

– Revoadas de trovas (Reunião dedicada a Trovas referentes aos temas de agosto, tais como: Pai, Soldado, Advogado, Exercito brasileiro, Folclore, Estudante, Selo Nacional, Nutricionista, etc.).

– Divulgação do Resultado dos concursos interno temas: Mulher e Cristal.

– Apresentações Musicais:

– Sorteio de Brindes

– Lanche

* Participe durante a reunião das revoadas, declamando trovas sobre os temas do mês de maio e também com temas de sua preferência.

SUA PRESENÇA RENOVA A TARDE DA TROVA!
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DIA 16 DE AGOSTO DE 2012:

Palestra comemorativa dos 10 anos da Oficina Permanente da Poesia.

A Academia Paranaense da Poesia convida para Palestra a ser proferida por Fabrício Carpinejar em comemoração aos 10 anos da Oficina Permanente da Poesia. O poeta Gaúcho virá a Curitiba a convite da Biblioteca Pública do Paraná. O Evento acontecerá no dia 16 de agosto de 2012 (quinta feira), no Auditório Paul Garfunkel, das 18h às 20h na BPP 2º andar. É aberto ao público em geral e tem entrada franca. Durante o evento também haverá um painel com fotos dos principais momentos da Oficina nestes 10 anos de existência.
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DIA 19 DE AGOSTO DE 2012:

Tertúlia e almoço em comemoração ao Centenário do Centro de Letras do Paraná.

09h00min: Saída em carros alegóricos, ocupantes vestidos a caráter, da sede do Cenáculo, até a Av. Luiz Xavier (Boca Maldita), em seguida para o Parque Barigui, estacionamento nas proximidades do Salão de Atos da Prefeitura no parque.

10h30min: Tertúlia Literária no Parque Barigui.

12h30min: Tertúlia no interior do apontado Salão de Atos. Almoço por adesão, ao valor de R$38,00 (trinta e oito reais), com água mineral e refrigerante.

Obs.: ingressos à venda na secretaria do Centro de Letras do Paraná, ou, entrar em contato com Vania Ennes.

Não deixe para a ultima hora, adquira já o seu ingresso!!!

Abraços,
Andréa Motta
Presidente da UBT-Curitiba

Fonte:
Andréa Motta

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Adélia Maria Woellner (A Escritora em Xeque)

Adélia é poeta e escritora, membro da Academia Paranaense de Letras, autora dos livros: Férias no sítio, A água que mudou de nome, A menina que morava no arco-íris (história foi adaptada, por Gil Gabriel, para o teatro de bonecos), e Festa na Cozinha.

Adélia, quando nasceu o seu desejo de ser escritora?
– Para falar francamente, nunca desejei ser escritora. Aconteceu, porque escrever, para mim, sempre foi uma necessidade. Um prazer. O primeiro livro de poemas foi publicado por sugestão de um amigo, em 1963. Depois aconteceram outros, mas só consegui aceitar a condição de escritora há poucos anos.

Por que escreve para o público infantil?
– Eis outro presente que recebi da vida. Quando escrevi o livro “Para Onde Vão as Andorinhas…”, relatando a vida de meus antepassados, ao descrever o sítio de meu avô materno, onde passava alguns dias mágicos, encantadores, o texto surgiu em forma de poema.
Um amigo, lendo-o, me sugeriu: “este poema daria um livro infantil”. Pois é… E assim nasceu o “Férias no Sítio”, que foi ilustrado pelo meu sobrinho-neto Rafael Furtado Casagrande, com apenas 8 anos de idade. Foi uma delícia!
Acho que, aberta a porta, os outros livros aproveitaram a “fresta” e vieram atrás… Você já os citou. Além deles, também nasceram “A menina do vestido de fitas”, para colorir, e uma coleção em coautoria com a Heliana Grudzien, em doze volumes: “Valores Humanos”, para a Editora Expressão. Este ano será publicado “A vida do papagaio de cara roxa”, em projeto aprovado pelo Ministério da Cultura (Lei Rouanet). Espero, também, conseguir captar recursos para outro projeto, para edição da Coleção Tagarela, com cinco pequenas histórias: “A Casa de Cristal”, “O Reino das Águas Azuis”, “A Menina do Pastoreio”, “A Natureza das Coisas… é assim porque é assim…” e “No Céu e no Mar”.

Como surgiu a ideia de escrever um livro infantil sobre alimentos?
– A ideia não foi minha. Eliane Aleixo foi quem me sugeriu. Aos poucos, o tema foi “germinando” e, de repente, aconteceu a história de Dona Margarida. As minhas próprias dificuldades em apreciar alimentos naturais me inspiraram. E hoje, mais do que no meu tempo, os alimentos industrializados conquistam, seduzem as crianças que, pouco a pouco, perdem a atração por alimentos importantes e indispensáveis à saúde. Esta a motivação.

Como estão reagindo as crianças ao ver o livro “Festa na Cozinha”?
– As crianças estão se divertindo… e eu, também. Quando escrevo que cenoura tem topete e que cada fatia, cada rodela, parece um olho, elas reconhecem essas características e a curiosidade é consequência. Depois de ler o livro, tenho certeza de que as crianças passam a enxergar os alimentos de outra forma. Sentem-se mais atraídas por verduras, legumes, frutas… Professores e pais estão aproveitando os pequenos poemas de cada página para despertar essa atração.

Você também é palestrante. Quais são os quesitos para você aceitar ministrar palestras em escolas?
– Não faço restrições, nem exigências. Quando sou solicitada, e tendo disponibilidade de tempo, vou falar com as crianças, com a maior satisfação. O brilho nos olhos delas, o sorriso, as gargalhadas, a empolgação, tudo isso me anima e me incentiva a continuar.

Como podem fazer os professores interessados em suas palestras para entrar em contato com você?
– O contato comigo pode ser feito pelo telefone 9975-7108 ou pelo e-mail: adeliamaria@hotmail.com

Isabel Furini é escritora, poeta e palestrante autora de O livro do Escritor.

Fonte:
http://livrodoescritor.blogspot.com/

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Mário Zamataro (Haicais)

Faz frio, muito frio,
nesta noite, na cidade…
Água quente e mate.

 O que a noite oculta
 em  poemas e mistérios.
 O verso da lua.

 Lume a escuridão:
 lua cheia, em perigeu…
 Uiva uma ilusão!

Chove devagar
e divaga o pensamento
em torno do alento…

 Dia cinza, assim,
 à noite tem lençol frio
 e um calor em mim!

 Vento sul… esfria.
 O dia acorda mais tarde
 e nem é domingo!

 Na minha janela,
um fim de tarde anoitece
com gritos de sol.

 Para ser poesia,
é preciso algum deserto
e o ser… todo dia…

 Vento e movimento:
nada está parado agora…
Uma folha dança.

 Cheiro de chuva
entre nuvens carregadas.
Essência do vento!

 Chuva passageira
 escorre no meio-fio…
 Barco de papel.

 Chove em minha rua.
Passarinho toma banho,
lá no fio de luz.

 A gota de chuva
 encontra a janela, para…
 e distorce a vista.

 Um rastro fugaz
 denuncia o vaga-lume:
 Segredos da noite.

 Procuro um “haimi”…
 Adentro na mata densa,
 pia um bem-te-vi…

 Hoje o tempo é bom.
 O vento é livre do tempo?
 Formigas trabalham…

 Dia anunciado
 em canto de sabiá
 já nasce encantado.

 Gato atocaiado,
 olhos firmes, logo à frente:
 pássaro em perigo!

 Escrevi na terra
 o mesmo que li nas nuvens…
 O vento espalhou!

 Quando a primavera?
 Os ipês já não têm flores!
 Beija-flor à espera…

Noutro dia havia
enfeites na minha rua:
um fio de andorinhas!

Uma terra estranha
Palavras que não se entende
Chuva conhecida

Galo e madrugada:
um grito de bicho aflito,
chamando a alvorada.

Fraco sol de inverno 
quebra o gelo da estação.
Cachorro na grama.

Chuva, cai gelada:
cada gota é um arrepio!
Pinga, pinga, pinga…

O chá no tatame…
Alguns versos murmurados…
Um silêncio: shi…

Sopra um vento frio,
casaco que tem buraco
conserva o arrepio.

 Brilha o sol na lua.
 Brilha a lua a noite inteira.
 Brilha o chão de orvalho.

Não há sol à noite
enquanto a canção não diz.
Lalari lalá…

Sei que a volta é certa,
mas, quando migra a andorinha,
a saudade aperta!

Os que vêm e vão
Todo o mundo pra encontrar
Gente amiga e não

Sem saber se ia,
escrevi este poeminha:
descobri que vinha!

Nuvens no horizonte…
Tanta coisa há por aí…
E depois do monte?

Barulho de chuva
em janela mal fechada
assusta e fascina!

Silêncio da noite
que ensurdece a luz da lua:
tarde emancipada!

Zune a carretilha
e uma linha risca o céu,
logo o peixe brilha!

Deitada na areia,
cor do sol na pele aflita,
dormita a sereia.

Incansável mar
que faz carícias na areia:
tem sede de amar.

O mar agitado
no fundo quer ser amado:
vaivém ondulado.

Verão no horizonte:
férias pra matar o tempo
que se vingará.

Verão no horizonte:
férias pra matar o tempo
que nos matará.

Chuva de arrastão
vem forte e faz tanta morte!
Será danação?

Chuva de verão:
ameniza o sol que foi:
sol de solidão.

Um novo ano aqui,
uma esperança acolá.
Vida revivida!

Fogo no estopim,
lampejos de tradição;
madrugada em mim.

Chove de manhã,
 soa um canto de sabiá,
 gritos de cã-cã.

Fonte:

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Isabel Furini (Lançamento do Livro “,,, E OUTROS SILÊNCIOS”, em 8 de julho)

Será lançado no domingo 08 de julho, 11 horas, no auditório do Solar do Rosário o livro de poemas: “,,, E OUTROS SILÊNCIOS”.
clique sobre a imagem para melhor visualização
Joel Samways Neto, escritor e dramaturgo, faz a apresentação da obra e fala: 
“(…) Como é possível, com tão poucos sinais gráficos, a língua escrita traduzir a língua falada? Ainda não se criou uma escola de psicologia que pudesse analisar, classificar, sintetizar, todas as nuances da personalidade humana. A história das suas teorias é um processo nunca acabado. No entanto, a língua escrita, com poucos sinais gráficos de pontuação, consegue registrar a alma da língua falada, permitindo ao leitor a reconstrução da significação presente no texto lido. E dentre os sinais gráficos de pontuação, a vírgula é dos mais estilísticos.

Porque tem a ver com a respiração, portanto com o controle da narrativa; porque tem a ver com a pausa, o silêncio, portanto com o ritmo da narrativa; porque tem a ver com a ironia, a insinuação, com a ordem inversa, com a elipse, amparando apostos, preparando vocativos…  Só mesmo reticências para enumerar os conteúdos da vírgula.

Isabel Furini buscou as vírgulas para poetizar a memória revisitada, a lembrança celebrada, o passado imperativo. Por vezes explicando, mas com vírgulas, não com dois pontos; doutras vezes, insinuando a transubstanciação da experiência vivida em acervo da alma. Ora confundindo, ora distinguindo, o imaginário e os sonhos, Isabel lavra o terreno fértil da história e faz brotar significados.

Isabel parece falar de si, de sua trajetória, de sua vida. 

De sua vida, vírgula. De todas as vidas. 

Ora, vírgulas.”
Fonte:
Convite enviado pela autora

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Mário Zamataro (A Mania das Palavras)

Ilustração por Carlos Araújo 
(veja nota abaixo)
As palavras têm a mania de querer ultrapassar os dicionários. Não se trata de mania de grandeza, mas, sim, de sentido. Mania de não aceitar uma definição qualquer que as prenda a determinado sentido. O que é natural.

 Cada ser vivo experimenta sensações próprias em suas experiências vividas. Alguns vão além, inventam sensações e imaginam experiências. E dão a este tipo de combinação um poder ainda maior para a significação dos eventos da vida. As significações se encadeiam e se transferem de um ser vivo a outro, o que forma um conjunto infinito…

 As palavras nascem assim, das sensações experimentadas e inventadas. E vão se juntar a outras, interminavelmente, neste mesmo conjunto infinito da vida.

 No subconjunto da poesia, as significações são potencializadas. Ou seja, as palavras ganham potência. Talvez seja este o melhor contexto para a demonstração e compreensão desta mania “incurável” que as palavras têm. É onde a combinação de palavras e significações forma uma trama inesgotável de sensações e de possibilidades de sensações; sugere a invenção de experiências; engendra imagens de matizes antes impossíveis; amplia as dimensões do mundo!

 Viva a mania das palavras!
———–
Nota:
Essa ilustração – ouvindo e procurando palavras num dicionário – foi criada para um livro didático (Língua Espanhola) da Editora Ática. Até o cachorro participa…

Fontes:

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Trova 221 – Mario A. J. Zamataro (Curitiba/PR)

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21 de junho de 2012 · 00:18

XVII Jogos Florais de Curitiba (Âmbito Regional Estudantil: Trovas Vencedoras)

As fotos das premiadas estão colocadas em posições aleatórias, não significando pertencerem a trovadora imediatamente abaixo ou acima. Contudo quem souber o nome das vencedoras das fotos, por favor envie para meu e-mail para nomea-las.
Ensino Médio


Tema: Escolha

Colégio Professor Alcyone Velloso

1º Lugar: 
Dayanna Vanessa Augusto – 3° A.

Pra se fazer uma escolha…
É preciso inteligência,
que o bom saber você colha,
tendo sempre paciência!

2º Lugar: 
Iasmin Garcia de Almeida – 3° A.

Não me importa sua escolha,
só preciso de você!
Que muito amor você colha,
em tudo que você crê!

3º Lugar: 
Carina de Fátima Gularte – 3° A. 

Não me importa sua escolha,
só mantenha o foco e a fé…
Não lamente o que recolha…
O importante é estar em pé!

MENÇÃO HONROSA: 
(ordem alfabética)

Carina de Fátima Gularte – 3° A

Sempre temos uma escolha,
para fazer nesta vida…
escreva-a numa folha,
pra que ela seja acolhida! 

Fernanda Simões – 3° A

Na vida tenho uma escolha,
que sempre voa no ar.
Segue livre como bolha,
estoura antes de pousar.

John Everton Soezeck -3º A

Escolha, meu pai me disse,
o que vai ser no futuro,
a vida não desperdice,
será feliz! Lhe asseguro!

Âmbito regional Estudantil – Ensino Fundamental. 


Tema: Escola

– ESCOLA MUNICIPAL ALBERT SCHWEITZER

1° Lugar: 
Eduarda Natasha de C.A. de Lima – 6ª F

Vim de casa para a escola
eu vim com muita esperança
pra estudar e jogar bola
pois ainda sou criança.

2° Lugar: 
Ellena Mendes de Lima – 6ª F

Na escola vou pra estudar
mais pessoas conhecer
eu nem posso imaginar
sem a escola pra viver

3° Lugar: 
Ana Paula de Jesus da Silva – 6ª F

Escola tem disciplina
é lugar para aprender
pro garoto e pra menina
um lugar para crescer

3° Lugar: 
Isabela Larissa V. Gomes – 6ª F

Escola para estudar
lição pra gente aprender
mas pra aprender a pensar
precisa aprender viver

MENÇÃO HONROSA 
(ordem alfabética)

Manoella da Silva da Cruz – 6ª G

Nossa escola está em alta
E aprendemos a estudar
quando a professora falta
já vem outra em seu lugar

Nicole Martins dos Santos – 6ª G

Na minha escola aprendemos
bastante sobre gramática
também nos desenvolvemos
aprendendo matemática

ESCOLA MUNICIPAL PAPA JOÃO XXIII

1° Lugar: 
Ana Paula de Moraes – 7ª D

Escola templo sagrado, 
onde se aprende o saber.
O professor é estimado.
e o aluno aprende a viver!

2° Lugar: 
Ana Paula de Moraes – 7ª D

Muitas coisas aprendi…
Quando na escola eu entrei!
Aos valores me rendi…
Bom cidadão me tornei!

3° Lugar: 
Gabriely Dalla Vecchia – 7ª E

É com a escola que temos,
um futuro promissor.
Muitas coisas criaremos…
aprendendo com louvor!

MENÇÃO HONROSA 
(ordem alfabética) 

Bruna Santos Soares – 6ª E

A escola dá educação.
formando bons cidadãos!
Alguns perdem a razão…
“Metem os pés pelas mãos”!

Izabelly Nadine dos Santos – 7ª D

Menina vai para escola,
procura sua sala e entra…
fica num canto e se isola,
em silêncio se concentra!

Lucas Vasco Garcia – 8ª D

A escola faz sua parte,
pra formar um cidadão.
O aluno compõe com arte…
Teve bela educação!

Fonte:
UBT Curitiba

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XVII Jogos Florais de Curitiba (Âmbito Internacional – Países de Língua Hispânica: Trovas Vencedoras)

Tema: Justicia

1. Lugar
Maria Cristina Fervier (Argentina)

Señora de ojos vendados,
no le robes la esperanza
a los pobres derrotados.
La justicia es su templanza.

2. Lugar
Rafael Ramos Nápoles (Venezuela)

No es justicia la justicia
si en práctica no se pone
y es azote de impudicia
quien de justicia dispone.

3. Lugar
Cristina Oliveira Chávez (USA)

Cuando protesta la tierra,
hay cataclismas fatales;
su justicia sólo encierra
¡Despertar a los mortales!

3. Lugar
Martha Alicia Qui Aguirre (México)

El deshonesto se envicia
de abusar del enjuiciado;
goza de actuar sin justicia,
sin temor de ser juzgado.

MENCIÓN HONROSA
(orden alfabética)

Cristina Oliveira Chávez (USA)

La justicia verdadera
es bandera de la paz;
es cual sol de primavera
¡Sin sombras, sin antifaz!

Martha Alicia Qui Aguirre (México)

Nunca busques la justicia
si tu no la has practicado;
prueba mejor la delicia
de corregir tu pecado.

Martha Senovia Velásquez Vélez (Colômbia)

La justicia es patrimonio
de toda la humanidad;
es el mejor testimonio
de amor, paz y libertad.

Miguel Angel Almada (Argentina)

Pide a Dios por su justicia,
porque es verdad y es amor;
es el gran juez que propicia
¡la justicia sin error!

Ricardo Ducoing (México)

Por más que pulas el cobre
de oro no será la arenga,
que justicia hacen al pobre
según la plata que tenga.

Teresa de Jesús Rodriguez Lara (España)

Te quiero porque te quiero,
sin que medie condición…
y por justicia yo espero
que me des tu corazón.

MENCIÓN ESPECIAL
(orden alfabética)

Alícia Borgogno (Argentina)

Justicia, sólo justicia
pide a gritos la nación,
cuando corre la noticia
de tortura o violación.

Angela Desirée Palacios Bravo (Venezuela)

¡Y que reine la justicia
en absoluta equidad!
Que se extinga la codicia
imperando la bondad…

Carmen Patiño Fernández (España)

Dicen que si la justicia
obrara como debiera,
la mitad de la codicia
del mundo se extinguiera.

Catalina Margarida Mangione (Argentina)

Triste me hallo en este día
que, por la justicia ausente,
se premia a la tirania,
y se castiga al decente.

Freddy Ramos Carmona (México)

Justicia anhelantes claman
hambrientos de libertad;
los prisioneros la llaman
¡ señora de la verdade!

Nerina Thomas (Argentina)

El hombre avaro se muestra
bajo la piel de una oveja
por su ambición tan siniestra
la justicia muerta deja.

Urbano Vilchis Miranda (USA)

Tiembla el rico y tiembla el pobre
tiembla el mal y la avaricia…
No puede plata ni cobre
suplantar a la justicia.

Fonte:
Livreto dos XVII Jogos Florais de Curitiba. 
Presidente: Andréa Motta

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XVII Jogos Florais de Curitiba de 2012 (Nacional/Internacional e Estadual: Resultado Final)

——

Abaixo as trovas vencedoras dos Jogos Florais de Curitiba, que tive a honra de ser um dos convidados para as premiações, numa festa na capital paranaense como sempre, com primor.
Por hora, as trovas, com mais tempo comentarei a solenidade de premiações.
ÂMBITO NACIONAL/INTERNACIONAL
(língua portuguesa, exceto Paraná)
Tema: Justiça (Lírica/filosófica)
1° Lugar:
Mara Melinni de Araújo Garcia (Caicó-RN)
Que a lei, com todo o seu porte,
seja um escudo do bem. ..
E que a justiça do forte
seja a do fraco também!
2° Lugar:
José Ouverney (Pindamonhangaba-SP)
Aprimorar o meu ser
é tarefa que me assusta:
nem sempre a mão do dever,
cumprindo o dever … é justa! …
3° Lugar:
Alba Christina Campos Netto (São Paulo-SP)
Se a mão do mundo elimina
justiça, amor e confiança,
vou buscar a mão divina
no outro prato da balança.
4 ° Lugar:
Sérgio Ferreira da Silva (Santo André-SP)
Justiça somente existe,
no combate ao erro e ao crime,
se a mão que julga resiste
com firmeza à mão que oprime.
4º Lugar:
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba-SP)
A lei é bem exercida,
se a justiça não fraqueja:
pena tem que ser cumprida,
por mais comprida que seja.
5º Lugar:
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora-MG)
Que a proteção sempre venha,
com justiça e sem barganha,
da Lei Maria da Penha.:
para a Maria que apanha.
MENÇÃO HONROSA
(ordem alfabética)
Carolina Ramos (Santos -SP)
Dessa mãe, que tem nos braços
o filho, drogado, morto,
o coração, aos pedaços,
quer justiça … não conforto!
Darly O. Barros (São Paulo -SP)
Por justiça é que eu me empenho:
– Num mundo onde a fome é imensa,
dar um pouco do que tenho,
para alguém … faz diferença …
José Ouverney (Pindamonhangaba-SP)
Justiça é o poder augusto
de aceitar e compreender
que o que eu tenho como justo
pode ser justo… ou não ser …
José Tavares de Lima (Juiz de Fora-MG)
Se você tiver, um dia,
que julgar alheios atos,
não cometa a covardia
da “justiça” de Pilatos! …
Manoel Cavalcante de Souza Castro (Pau dos Ferros-RN)
O barco é movido a remos …
E hoje, pai, longe de ti,
eu só sei dizer: vencemos;
é injusto eu dizer: venci.
Marina Bruna (São Paulo-SP)
Tu voltaste arrependida
e, ao negar-te o meu perdão,
senti a justiça da vida
condenar-me à solidão …
Messias da Rocha (Juiz de Fora-MG)
Meu coração puro insiste
nas razões da ingênua crença
de que a justiça ainda existe
e que o crime não compensa.
Wanderley Rodrigues Moreira (Santos-SP)
Justiça … Pude sentir
desde criança seu valor,
vendo mamãe dividir,
pelos filhos, pão … amor!
MENÇÃO ESPECIAL
(ordem alfabética)
Ederson Cardoso de Lima (Niterói-RJ)
Ó meus senhores togados,
julgai qual Jesus ensina:
Também vós sereis julgados,
pela justiça divina!
Elen de Novais Felix (Niterói-RJ)
Na rua, o guri sem nome
que, da miséria, é refém,
sempre encontra o medo e a fome
mas a justiça não vem.
Izo Goldman (São Paulo-SP)
Justiça de escuridão,
sem uma réstia de luz:
deu liberdade a um ladrão
e a um santo deu uma cruz.
José Tavares de Lima (Juiz de Fora-MG)
(duas trovas)
Lembre-se ao julgar alguém,
que a paz social não viça,
onde o dinheiro detém
maior poder que a justiça …
Siga, em suas atitudes,
a justiça, a todo o custo,
porque no rol das virtudes
também consta a de ser justo!
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba-SP)
Em meu viver não hesito,
uso as mãos em qualquer liça:
unidas para o infinito
pedem a Deus por justiça,
Renata Paccola (São Paulo-SP)
A imagem que me conduz
vai num sonho se formando:
sob uma auréola de luz,
justiça e paz se abraçando!
Therezinha Dieguez Brisolla (São Paulo-SP)
O idealismo se turva
se o povo de uma Nação
vê que a justiça se curva
entre o poder e a ambição!

ÂMBITO NACIONAL/INTERNACIONAL

(LÍNGUA PORTUGUESA, EXCETO PARANÁ)
Tema: Tapa (Humor)
1° Lugar:
Wanda de Paula Mourthé (Belo Horizonte-MG)
Chega bêbado … sequer
distingue um rosto … e malogra:
dá alguns tapas na mulher
e muitos beijos na sogra!
2° Lugar:
Pedro Mello (São Paulo-SP)
Na cama apanha o infeliz
se o “dever” não desempenha …
– Sempre que “falha” maldiz
a Lei Maria da “Lenha” …
3° Lugar:
Elen de Novais Felix (Niterói-RJ)
Depois que a sua sogrinha
deu-lhe uns tapas, o granjeiro,
descobriu que é uma galinha
quem canta no seu terreiro.
4 ° Lugar:
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora-MG)
Nhoque, foi esta a razão
da causa morte do Roque:
deu um tapa no leão
e o leão fez nele … nhoque!
5º Lugar:
Djalda Winter Santos (Rio de Janeiro-RJ)
Houve muita confusão
quando o morto, no velório,
dando um tapa no caixão,
reclamou do falatório …
MENÇÃO HONROSA
(ordem alfabética)
Campos Sales (São Paulo-SP)
Não gostou de ser cobrado,
no velório o Zé pitou,
foi tapa pra todo lado,
até o defunto apanhou.
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora-MG)
Com ardil muito esquisito,
seu intento não malogra:
manda um tapa no mosquito
para derrubar a sogra.
José Lucas de Barros (Natal-RN)
Marido que à noite escapa
com mulheres e aguardente,
o remédio é chá de tapa,
sem açúcar, forte e quente!
Roberto Tchepelentyky (São Paulo-SP)
Teve engasgo, fez fricote …
Minha sogra é uma frescura!
Dei-lhe um tapa no cangote,
que arranquei-lhe a dentadura!
Thereza Costa Val (Belo Horizonte-MG)
Foi tapa pra todo lado
e confusão, na lombada!
É que um ceguinho assanhado
pôs a mão em perna errada …
MENÇÃO ESPECIAL
(ordem alfabética)
Edmar Japiassu Maia (Nova Friburgo -RJ)
A bateria onde toco
fez um desfile complexo:
foi tanto tapa no bloco,
que perdi meu tapa-sexo!
Eliana Ruiz jimenez (Balneário Camborlú-SC)
Cai de tapa a Januária
no traste do maridão,
ao saber que a funcionária
ficou “gorda” de um serão.
Flávio Roberto Stefani (Porto Alegre-RS)
Satisfazendo desejos,
o casal cortou etapas,
pois entre tapas e beijos
eles ficavam nos tapas …
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba-SP)
Levou só tapas da vida;
e, em seu velório (coitado!),
na homenagem merecida
alguém disse: Adeus, tapado”.
Messias da Rocha (Juiz de Fora-MG)
Padre Bento bebe tanto
Bebe dez copos num tapa,
Não joga nada pro santo
E diz que é ordem do Papa!

ÂMBITO ESTADUAL (Somente o Paraná)

Tema: Tesouro (Lírica/Filosófica)
1o. Lugar:
Antônio Augusto de Assis (Maringá)
Dentre os bens que o filho esperança
receber por transmissão,
tesouro nenhum supera
o exemplo que os pais lhe dão.
2o. Lugar:
Roza de Oliveira (Curitiba)
Além de ser um tesouro
– é a dúvida – instrumento
que abre com asas de ouro
o leque do pensamento!
3o. Lugar:
Dari Pereira (Maringá)
Quem faz o bem com prazer,
mesmo que seja um incréu,
reserva, sem perceber,
um bom tesouro no céu…
4o. Lugar:
Vanda Fagundes Queiroz (Curitiba)
Enquanto há bens passageiros
exibidos no aparato,
há tesouros verdadeiros
ocultos no anonimato.
5o. Lugar:
Antônio Augusto de Assis (Maringá-PR)
O que se tem logo passa,
o que se é permanece.
Tesouro, portanto, é a graça
do bom nome que se tece.
MENÇÃO HONROSA
(Ordem Alfabética)
Antônio Augusto de Assis (Maringá)
Dispenso posses e louros
– riquezas sem validade.
Tenho o maior dos tesouros:
meu círculo de amizade!
Maria da Conceição Fagundes (Curitiba)
Trovador a lapidar
o seu “achado” tesouro
faz o “sonho” se tornar
um legado duradouro!
Nei Garcez (Curitiba)
Todos nascem com tesouro
sem noção desta jazida,
pois, valor maior que o ouro
é a saúde e a própria vida.
Roza de Oliveira (Curitiba)
Não há tesouro no mundo
que sobreponha à cultura.
Vive em abismo profundo
quem não se entrega à leitura.
Vanda Fagundes Queiroz (Curitiba)
Para um garoto, os quintais
eram reinos de magia,
guardando tesouros reais
nos mapas de fantasia…
MENÇÕES ESPECIAIS
(ordem alfabética)
Istela Marina Gotelipe Lima (Bandeirantes)
A inspiração que aparece
e me impele a escrever…
É um tesouro que abastece
e enriquece o meu viver!
Luiza Nelma Fillus (Irati)
O sorriso de uma criança
enche de paz nosso mundo.
É prenúncio de esperança
tesouro de amor profundo.
Maria Aparecida Pires (Curitiba)
Caminhei por longes terras…
No meu tesouro investi.
– Travei lutas, perdi guerras
meu tesouro estava aqui!
Maria Helena Oliveira Costa (Ponta Grossa)
De nenhum tesouro sei
que tenha maior valor
que o instante que dita a lei
do nosso enredo de amor!
Nei Garcez (Curitiba)
Do teu reino, duradouro,
como Salomão diria,
Ó, meu Deus, como tesouro,
dai-me só sabedoria!
ÂMBITO ESTADUAL (Paraná)
Tema : Tesoura (Humor)
1o. Lugar:
Vanda Fagundes Queiroz (Curitiba)
– Corte o texto!… Longo assim,
A idéia até se desdoura.
– Pois não, mestre, corto sim,
vou procurar a tesoura…
2o. Lugar:
Antônio Augusto de Assis (Maringá)
Se a vida alheia ela malha,
e é ferina e tagarela,
há um remédio que não falha:
Tesoura na língua dela!
3o. Lugar:
Antônio Augusto de Assis (Maringá)
Com a tesoura na mão,
diz a bela ao “ex”, sem medo:
– Se me cortas a pensão,
sem dó te corto o “brinquedo”…
4o. Lugar:
Maria Aparecida Pires (Curitiba)
Tesoura de sorte e azar
corta tudo pela frente,
só não consegue cortar
a língua de muita gente!
5o. Lugar:
Walneide Fagundes S. Guedes (Curitiba)
A tesoura vai cortando
e, enquanto o tecido míngua,
a lojista, fofocando,
por descuido corta a língua.
MENÇÃO HONROSA
(Ordem Alfabética)
Antônio Augusto de Assis (Maringá)
Nos salões – perdão dizê-lo,
a fofocagem campeia:
– Bem mais que cortar o cabelo,
“tesoura-se” a vida alheia…
Maria Aparecida Pires (Curitiba)
A tesoura? Camarada,
disse o médico impaciente.
Ela estava bem guardada
na barriga do doente!
Maria da Conceição Fagundes (Curitiba)
Tesoura a vida do alheio
e age de modo imparcial
e ela afirma, sem receio:
– É “terapia social”!!!
Vanda Fagundes Queiroz (Curitiba)
No ditado, a turma estoura
de rir, quando, erguendo a mão,
Pergunta o aluno: – “tesoura”
é com “tezinho” ou “tezão”?
Vanda Fagundes Queiroz (Curitiba)
Poda as plantas, na lavoura,
mas planeja, o tempo inteiro:
– vou crescer, vender tesoura…
Eu hei de ser tesoureiro!
MENÇÃO ESPECIAL
(ordem alfabética)
Istela Marina Gotelipe Lima (Bandeirantes)
Uma “tesoura” afamada,
e não sabe nem cortar,
mas a vida da cunhada
ela vive a tesourar…
Nei Garcez (Curitiba)
Ao tirar mancha da veste,
a receita de uma loura,
é fazer primeiro o teste
recortando-a com tesoura.
Nei Garcez (Curitiba)
Discutindo o amor traído,
atraído ao “pega-pega”,
pelo grito do marido
A tesoura estava cega!
Roza de Oliveira (Curitiba)
Não cresceu… Ficou baixinha,
tem, da tesoura o viés
porque a língua, coitadinha,
corre mais do que os seus pés!…
Yara Mara de Castro Araújo (Curitiba)
A língua da sogra tem
perigo descomunal.
Pega a tesoura, meu bem,
vamos dar cabo do mal.
––-
amanhã: Âmbito Regional Estudantil e Âmbito Internacional: Países de Língua Hispânica
Fonte:
Livreto dos XVII Jogos Florais de Curitiba 2012. Presidente: Andréa Motta.
Digitalização do Âmbito Nacional/Internacional por Eliana Ruiz Jimenez
Digitalização do Âmbito Estadual por José Feldman

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XVII Jogos Florais de Curitiba (Classificação Final)


ÂMBITO NACIONAL/INTERNACIONAL – (Língua Portuguesa, exceto Paraná). –

TEMA: JUSTIÇA: (L/F) 
Por ordem de classificação.

1º Lugar: Mara Melinni de Araújo Garcia (Caicó – RN)
2º Lugar: José Ouverney (Pindamonhangaba-SP)
3º Lugar: Alba Christina Campos Netto (São Paulo – SP)
4º Lugar: Sergio Ferreira da Silva (Santo André – SP)
4° Lugar: Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba – SP)
5º Lugar: Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora – MG)

Menções Honrosas: 
Por ordem de alfabética

Carolina Ramos (Santos – SP)
Darly O. Barros (São Paulo – SP)
José Ouverney (Pindamonhangaba – SP)
José Tavares de Lima (Juiz de Fora – MG)
Manoel Cavalcante de Souza Castro (Pau dos Ferros – RN)
Marina Bruna (São Paulo)
Messias da Rocha (Juiz de Fora – MG)
Wanderley Rodrigues Moreira (Santos – SP)

Menções Especiais: 
Por ordem de alfabética

Ederson Cardoso de Lima (Niterói- RJ)
Elen de Novais Felix (Niterói – RJ)
Izo Goldman (São Paulo – SP)
José Tavares de Lima (Juiz de Fora – MG) – (duas trovas)
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba – SP)
Renata Paccola (São Paulo- SP)
Therezinha Dieguez Brisolla (São Paulo – SP)

Comissão Julgadora do Concurso:
Antonio Augusto de Assis
Janske Schlenker
Luíza Nelma Fillus
Olga Agulhon
Vanda Fagundes Queiroz
Coordenação Geral: Andréa Motta.

TEMA: TAPA (Humor): 

Por ordem de classificação

1º Lugar: Wanda de Paula Mourtthé – (Belo Horizonte/MG)
2º Lugar: Pedro Mello (São Paulo/ SP)
3º Lugar: Elen de Novais Felix (Niterói/RJ)
4º Lugar: Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora/MG)
5º Lugar: Djalda Winter Santos (Rio de Janeiro/RJ)

Menções Honrosas:

Campos Sales (São Paulo/SP)
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora/MG)
José Lucas de Barros (Natal/ RN)
Roberto Tchepelentyky (São Paulo/SP)
Thereza Costa Val (Belo Horizonte/MG)

Menções Especiais:

Edmar Japiassú Maia (Nova Friburgo/RJ)
Eliana Ruiz Jimenez (Balneário Camboriú /SC).
Flávio Roberto Stefani (Porto Alegre /RS)
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba/SP)
Messias da Rocha (Juiz de Fora/MG)

Comissão Julgadora do Concurso:

Nei Garcez
Roza de Oliveira
Wandira Fagundes Queiroz
Coordenação Geral: Andréa Motta.

AMBITO ESTADUAL
TEMA: TESOURO: (L/F) – 
Por ordem de classificação.

1º Lugar: Antônio Augusto de Assis
2º Lugar: Roza de Oliveira
3º Lugar: Dari Pereira
4º Lugar: Vanda Fagundes Queiroz
5º Lugar: Antônio Augusto de Assis

Menção Honrosa: 
Por ordem alfabética

Antonio Augusto de Assis
Maria da Conceição Fagundes
Nei Garcez
Roza de Oliveira
Vanda Fagundes Queiroz

Menção Especial: 

Por ordem alfabética

Istela Marina Gotelipe Lima
Luiza Nelma Fillus
Maria Aparecida Pires
Maria Helena Oliveira Costa
Nei Garcez

TEMA: TESOURA (Humor): 
Por ordem de classificação

1º Lugar: Vanda Fagundes Queiroz
2º Lugar: Antônio Augusto de Assis
3º Lugar: Antônio Augusto de Assis
4º Lugar: Maria Aparecida Pires
5º Lugar: Walneide Fagundes S. Guedes

Menções Honrosas: 
Por ordem alfabética

Antônio Augusto de Assis
Maria Aparecida Pires
Maria da Conceição Fagundes
Vanda Fagundes Queiroz (duas trovas)

Menções Especiais:

Istela Marina Gotelipe Lima
Nei Garcez (duas trovas)
Roza de Oliveira
Yara Mara de Castro Araújo.

Comissão Julgadora do Concurso:
José Lucas de Barros – Natal-RN
Thalma Tavares – São Simão-SP
Wanda de Paula Mourthé – Belo Horizonte-MG
Coordenação Geral: Professor Garcia.

XVII Juegos Florales –Curitiba -PR-Brasil-2012


Tema: “Justicia”
 

1° Lugar: Maria Cristina Fervier (Argentina)
2° Lugar: Rafael Ramos Nápoles (Venezuela)
3° Lugar:Cristina Oliveira Chávez (USA)
3° Lugar: Martha Alicia Qui Aguirre (México)

MENCIÓN HONROSA:
(Por orden alfabética)

Cristina Oliveira Chávez (USA)
Martha Alicia Qui Aguirre (México)
Martha Senovia V. Vélez (Colombia)
Miguel Ángel Almada (Argentina)
Ricardo Ducoing ( México)
Teresa de Jesús R. Lara (España Islas Canarias)

MENCIÓN ESPECIAL:
(Por orden alfabética)

Alicia Borgogno (Argentina)
Ángela Desirée Palacios (Venezuela)
Carmen Patiño Fernández (España)
Catalina Margarita Mangione (Argentina)
Freddy Ramos Carmona (México)
Nerina Thomas (Argentina)
Urbano Vilchis Miranda (USA)

Comisión Julgadora:
A. A. de Assis 
Eliana Ruiz Jimenez 
Francisco Garcia
Lisete Johnson 
Coordinadora:
Gislaine Canales

AMBITO REGIONAL/ESTUDANTIL –
ENSINO FUNDAMENTAL

TEMA: ESCOLA: (L/F)

– ESCOLA MUNICIPAL ALBERT SCHWEITZER

1° Lugar: Eduarda Natasha de C.A. de Lima – 6ª F
2° Lugar: Ellena Mendes de Lima – 6ª F
3° Lugar: Ana Paula de Jesus da Silva – 6ª F
3° Lugar: Isabela Larissa V. Gomes – 6ª F

Menção Honrosa 
(ordem alfabética)

Manoella da Silva da Cruz – 6ª G
Nicole Martins dos Santos – 6ª G

ESCOLA PAPA JOÃO XXIII

1° Lugar: Ana Paula de Moraes – 7ª D
2° Lugar: Ana Paula de Moraes – 7ª D
3° Lugar: Gabriely Dalla Vecchia – 7ª E

Menção Honrosa 
(ordem alfabética)

– Bruna Santos Soares – 6ª E
– Izabelly Nadine dos Santos – 7ª D
– Lucas Vasco Garcia – 8ª D

AMBITO REGIONAL/ESTUDANTIL

ENSINO MÉDIO
TEMA: ESCOLHA: (L/F)

COLÉGIO PROF. ALCYONE DE CASTRO VELLOZO

– Por ordem de classificação.

1º Lugar: Dayanna Vanessa Augusto – 3° A.
2º Lugar: Iasmin Garcia de Almeida – 3° A.
3º Lugar: Carina de Fátima Gularte – 3° A.

Menção Honrosa:
Por ordem alfabética

Carina de Fátima Gularte – 3° A
Fernanda Simões – 3° A.
John Everton Soezeck -3º A

Comissão Julgadora:
Maria da Conceição Fagundes
Sônia Maria Ditzel Martelo
Vanda Alves

Coordenação Geral: Andréa Motta.

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Silviah Carvalho (Seu Amor é Tudo)

Antes que seja aprisionada pelo seu sorriso, 
E sinta que a vida não fará mais sentido sem você 
Antes que tenha certeza que você é tudo que preciso 
Antes que eu perca a razão e no amor volte a crer 

Antes que sua solidão misture com minha carência 
E suas mãos toquem novamente as minhas 
Antes que eu seja vencida por minha impaciência 
E passe a crer que perto de você eu não esteja sozinha 

Eu voarei rumo aos pinheiros, perto da tristeza 
Onde as noites são frias, os dias são longos 
Eu estarei a meditar na sua simplicidade e pureza 

Na paz que emana de você, na sua doçura e nobreza 
Eu irei pensar no silêncio da minha incompreensão 
Não diga nada, talvez eu não resista à dor de um sincero não 

Eu cheguei no tempo que é para ti a alto-reconstrução 
Em que preferes a solidão latente no seu meigo olhar 
Eu irei antes que, seja dominada pelo desejo de ficar 

E quando este papel envelhecer, 
Saiba que esta poetisa que hoje te escreve apesar 
De nada ser, desejou ter tudo, e este tudo é você. 

Fonte:

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XVII Jogos Florais de Curitiba (Programação)

de 15 a 17 de junho de 2012.
PROGRAMAÇÃO:
Dia 14.06. 2012 (sexta-feira)
  • 18h00min: OFICINA DE TROVAS: Tema – O Humor na Trova – Ministrante: Antonio Augusto de Assis (Maringá). – Biblioteca Pública do Paraná – Sala de Reuniões 3º andar.
Dia 15.06. 2012 (sexta-feira)
  • 20h00min: Solenidade de Abertura do XVII Jogos Florais de Curitiba – Câmara Municipal de Curitiba
  • 22h00min: Recepção – Restaurante Cacau (Rua Padre Anchieta, 2224).
Dia 16.06. 2012: (Sábado)
  • 09h00min: Passeio Turístico (Visita ao Jardim Botânico – Visita ao Mirante do Alto da XV – Museu Oscar Niemeyer)
  • 12h00min: Almoço – Hotel Del Rey (R. Des. Ermelino Leão, 18 – Centro) –
  • 13h00min: Lançamento do Livro “Matizes e Motivos”, de Vanda Fagundes Queiróz.
  • 14h00min: Revoada de Trovas.
  • 20h00min: Solenidade de Premiação. Espaço Cultural Capela Santa Maria (Conselheiro Laurindo, 273, Centro).
Dia 17.06.2012: (Domingo)
  • 09h00min: Oração Ecumênica em Trovas – Hotel Nacional Inn
12h30min:Almoço de encerramento – Hotel Nacional Inn
Andréa Motta
UBT-Curitiba

Fonte:
Colaboração de A. A. de Assis

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Cezar Tridapalli (Leitura na Escola, Leitura na Vida)


No dia 23 de julho, o jornal Gazeta do Povo publicou em seu caderno “G Ideias” uma longa matéria intitulada “A literatura engessada”, assinada por Luís Henrique Pellanda. Na reportagem, foram entrevistadas várias pessoas, entre as quais este que vos escreve. A entrevista foi longa, mas como a matéria, claro, precisava ouvir mais gente, apenas uma pequena parte do que eu disse foi publicada. Por isso, como é meu dia de escrever no blog (sim, temos uma escala rígida e que funciona!), achei legal publicar aqui neste espaço um trecho maior dessa entrevista, na qual falei do projeto Sujeitos Leitores e de outros assuntos, todos relacionados à leitura. (Cezar Tridapalli)

G Ideias: Por que parece ser tão difícil, para a maioria dos professores ou do pessoal que trabalha com educação, interessar os alunos pela literatura? Como você vê esse problema (se é que considera isso um problema)? Para você, a escola tem ou não tem cumprido essa função (se é que é uma função da escola)?

Ah, a escola tem que ter esse papel, sim. É uma das principais agentes de difusão da leitura.

Eu acho que a gente é muito idealista. Isso não é um problema, claro que não, mas às vezes idealizamos até o nosso passado [tipo “Oh, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais”, (risos)], como se fôssemos super leitores com 11, 13, 15, 17 anos. Não éramos (pelo menos a maioria de nós). Mas esse idealismo é bom porque faz a gente querer que todos sejam super leitores, mesmo sabendo que é uma batalha quixotesca. É essa luta, entre aspas, “perdida”, que faz com que consigamos transformar alguns alunos em ótimos leitores. Jamais conseguiremos com todos. Sempre conseguiremos com vários.

A heterogeneidade é outro fator que torna esse desafio algo imponderável: tem gente que já chega super bem e a gente só tem que ter cuidado para não estragar o sujeito (é um mantra que eu fico repetindo: “não posso estragar esse cara, não posso estragar essa guria”); outros passam a ser ótimos leitores na medida em que as aulas ou atividades ligadas à leitura acontecem. Há outros ainda que somente anos mais tarde é que você vai descobrir que se tornaram excelentes leitores (…). Dia desses, um ex-aluno me encontrou no Facebook e escreveu longamente pedindo desculpas por ter sido um aluno tão relapso, mas que hoje ele reconhecia o verdadeiro poder da leitura, essas coisas todas. Quer dizer: o cara era provavelmente daqueles alunos que ficavam voando, que nos fazem pensar que nada vale a pena por maior que seja a alma. De repente, a ficha cai. (…)

Para evitar a embromação toda aí de cima, poderíamos resumir assim: os ritmos são diversos, a heterogeneidade é grande. Tem gente que já chega super bem, tem gente que a gente vê se transformar ainda durante o processo das aulas, tem gente que a gente só vai descobrir bem depois, tem gente que a gente não vai descobrir nunca, e pode ser que tenha se transformado, pode ser que não (claro, tem gente que vai passar pela vida sem jamais se tornar leitora).

Precisamos também parar de colocar culpa nos novos meios digitais etc. Mais gente lê hoje do que lia antes, mesmo que na internet, com aquelas informações em flash. Uma dificuldade está em mostrar para o aluno que a leitura do literário não pode ser substituída pela leitura da informação diária rápida. Elas podem ser complementares. Grosso modo, a leitura do literário te dá profundidade, enquanto a da internet, do jornal, da revista te dá leitura de superfície. Conjugar essas modalidades pode trazer amplitude e profundidade ao leitor. A concentração para ler uma obra de 300 páginas traz benefícios que nenhuma parafernália multitarefas será capaz de dar. O foco e a reserva de “solidão solidária” que um livro proporciona serão importantes sempre.

A escola só conseguirá ser mais protagonista na formação do aluno leitor se o professor for, de fato, um leitor também. Pode parecer absurda de tão óbvia uma afirmação como essa, mas a gente ouve muito em curso de Jornalismo que os estudantes mal leem jornal. Na classe de professores não é muito diferente.

Quando eu dava aulas para o curso de Letras no Ensino Superior, os alunos – veja bem, alunos de Letras – resistiam à leitura, alguns até sob o argumento de que estavam fazendo Letras com habilitação em Inglês e que, portanto, dariam aula de inglês e não precisariam ficar lendo tanto. O professor que lê sabe do que está falando, e isso faz com que a gente se depare com outra situação: só sabe das vantagens de ser leitor aquele que é leitor. Então, como convencer um não leitor a ler se ele não experienciar isso? Sem essa vivência, nossa fala vira apenas blábláblá. Aí quem não lê e quer dizer que lê só sabe falar um monte de clichês meio bobos. Vem aquele papo de que ler é uma “sensação mágica”, “uma viagem”, “te dá uma coisa” (risos) etc. Como figura de linguagem, vá lá, mas repetir esses chavões e não conseguir mostrar o porquê da tal magia? Tem um trabalho intelectual aí que traz um prazer consistente. Você investe contra (ou com, ou em) um texto e sai dele com a certeza de que não é mais o mesmo porque você desbravou a linguagem e ela reverberou, ela provocou atritos com tua visão de mundo e, desse atrito, o leitor se modifica.
Como disse esses dias em outra entrevista, nós temos um mundo de certezas e incertezas dentro da gente. O livro também traz isso dentro dele e, desse atrito entre mundos, saímos diferentes, modificados de alguma forma justamente por causa de um jogo de estranhamentos e identificações. E muitas vezes nossas certezas desmoronam. Esse processo de investigação de linguagens é papel da escola. Mas não quero aqui dar uma de cabeçoide e me esquecer do prazer. É claro que o prazer está presente, mas não podemos aliciar o aluno dizendo a ele que ler é legal e que é mágico e que é puro prazer, como se fosse o mesmo prazer oco que a gente sente quando assiste a um filme banal.
Eu muitas vezes assisto a filmes banais. Dou umas risadas, fico apreensivo em alguns momentos, tiro sarro de algumas cenas e depois que o filme acaba saio praticamente igual, desligo a TV e nunca mais vou me lembrar daquele filme. Então aí nós temos um prazer bobinho, que não nos exigiu esforço. Não tenho nada contra esse prazer, mas a leitura é diferente, exige esforço, seja o esforço da solidão em um mundo que parece condenar os momentos solitários, seja o esforço de enfrentamento da linguagem. Mas e na hora de comparar a qualidade do prazer? Quem lê sabe o resultado dessa comparação.

E note que não estou querendo dar lição de moral, como se eu fosse um ser acima de tudo e ditasse as verdades do mundo. Tenho minhas grandes dificuldades: preguiça de começar, dificuldade de concentrar em um único foco (…). Então, falo isso por experiência própria e não como alguém que se acha e acha que é fácil fazer tudo isso que estou falando.

Toda essa enrolação de novo para dizer: a escola precisa ensinar o aluno a trabalhar, a se esforçar. Isso pode – e deve – começar com historinhas simples (não simplistas), mas o aluno precisa chegar lá nos 17 anos com uma bagagem capaz de fazer com que distinga prazeres conquistados de prazeres recebidos sem qualquer esforço. Que valor teria o diamante se ele desse em árvores (risos)? bem, não sei se a comparação é boa.

Outra coisa eu posso te dizer: falar aqui nessa entrevista o que deve ser feito é bem mais fácil do que chegar lá e fazer.

G Ideias: O vestibular e o Enem atrapalham muito o ensino de literatura na escola?

Se eu estivesse na comissão que elege os livros do vestibular da UFPR, por exemplo, talvez eu tivesse outra opinião, fosse convencido da lista que eles escolhem (sei que o pessoal lá é bom e sério), mas, aqui de fora, não me entra na cabeça por que tanto livro do século XIX para trás. Ou então bem do início do século XX. Tirando o Bosco Brasil, todos já estão mortos há mais de 30 anos (pensando na lista 2012). Entendo a necessidade de valorizar nossa história, de dialogar com a tradição, de conhecer alguns cânones da nossa literatura, mas não dava pra colocar uns 3 nomes representando os séculos XVII, XVIII e XIX, mais uns 3 modernistas, mais uns 3 contemporâneos “de verdade” e, sei lá, entre eles 1 paranaense? Aqui, de fora, não consigo entender. Acho que isso atrapalha. Ajuda a alimentar o imaginário de que literatura é um negócio velho, escrito por velhos que já se foram, que serviu para pensar um tempo que já passou e que hoje não tem nada que preste, nada que tenha algo a dizer para a sensibilidade contemporânea.

Além disso, muitos alunos já sabem que para fazer o teste não é preciso ler os livros. Uma aula com características da obra e da época mais um resumo completinho dão conta do recado e o aluno pode fazer a prova sem vivenciar a linguagem dela. Eu dizer que Dom Casmurro é a história de um cara que amava uma mulher, casou-se com ela depois de um pouco de dificuldade e foi tomado de ciúme ao desconfiar que o filho nascido não era dele está muito longe do que a obra é, com seus requintes de linguagem. E boa parte dos alunos faz isso: conhece a historinha. Contada assim, parece até história de novela das sete.

(…)

Outro problema é a profusão de listas. Se o aluno for fazer vestibular em 3 ou 4 instituições diferentes, ele pode acabar com uma lista de 30 livros para ler. Sabe quando ele vai fazer isso? Nunca. Talvez um em cem alunos faça isso.

Por outro lado, acho que a iniciativa de trocar o conteúdo de literatura, saindo da classificação das escolas literárias e indo para a leitura de obras específicas é um grande avanço. Só que a lista poderia ser mais arejada. Trabalham-se os gêneros (romance, conto, teatro, poesia) e isso é bem legal. Funciona com o aluno esforçado, que foi convencido pelo professor de que a leitura daquelas obras é de uma importância que vai além da prova. Eu costumava brincar fazendo a conta de que vinte páginas lidas por dia seriam suficientes para que dez obras pudessem ser lidas e, inclusive, relidas. Pegava as edições das obras, somava as páginas e dividia pelo número de dias que faltavam para o vestibular. E dava tempo até com certa folga. Minha incompreensão, enfim e sendo repetitivo, é com a escolha de autores. Tem que fazer a tradição dialogar com a contemporaneidade.

(…)
G Ideias: Depois de Harry Potter e da série Crepúsculo, os alunos mais jovens têm lido o quê? E os jovens que leram esses livros? Tornaram-se leitores?

Essa é uma boa pergunta. E quando digo que é uma boa pergunta é porque eu não tenho uma boa resposta. Gosto muito de perguntar isso para as pessoas da área, mas não de responder (risos).

Não sei se vale o raciocínio: ouvir sertanejo “universitário” vai te fazer mais tarde ouvir Mozart? Se valer a comparação, então podemos dizer: não há nada que mostre que o leitor de Harry Potter lerá obras mais elaboradas mais tarde. Ele pode cair numa fórmula e ficar prisioneiro dela, achando tudo que for diferente algo difícil e chato. Essa é uma maneira de ver a questão, e é a opinião também do Harold Bloom, que não é de se jogar fora.

Por outro lado, a própria prática da leitura – qualquer que seja – te obriga a um exercício mental e de imaginação que é infinitamente melhor do que ficar olhando para o teto. Então, entre não ler nada e ler coisas simples, com possibilidade – ainda que sem nenhuma garantia – de dar uns saltos de qualidade, fico com a segunda opção. Vamos deixar os adolescentes lerem todo o Harry Potter, toda a série Crepúsculo. Se, no entanto, estiverem lendo similares a isso quando tiverem 35, 40 anos… aí… sei lá.

Fonte:
Colaboração de Cezar Tridapalli. Disponível em http://midiaeducacao.com.br/?p=8320

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Cezar Tridapalli (1974)

Nílton Cezar Tridapalli, nome oficial, mas, porém, conhecido na literatura por apenas Cezar Tridapalli, que adotou como uma espécie de pseudônimo, o que é bastante frequente na literatura.

Cezar nasceu em Curitiba, em 1974. Lecionou Teoria da Literatura na PUCPR e atualmente exerce suas funções no Colégio Medianeira como um dos responsáveis por pensar a educação em suas múltiplas linguagens, das mais tradicionais às chamadas novas mídias no Colégio Jesuíta, um dos mais tradicionais de Curitiba.

Recebeu o título de mestre pela Universidade Federal do Paraná, no ano de 2004, com a dissertação De luzes e de sombras: jogos barrocos em contos fantásticos.

Além de romancista, é um tradutor de obras teóricas sobre literatura, principalmente de obras da língua italiana para o português, como, por exemplo, o Fantástico, de Remo Ceserani,o qual explora uma região particular da literatura e da arte moderna: aquela imaginação perturbadora e fantástica. Seguindo as manifestações dessa modalidade, o autor faz emergir sua capacidade muito especial de colocar em xeque nossa forma de ver o mundo e, com isso, revelar momentos de perturbação, de alienação e de dilaceração da consciência.

Fonte:
Blog do Jayme Bueno

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Academia de Letras do Brasil (Falecimento do Escritor Paranaense Valter Martins de Toledo)


A Academia de Letras do Brasil (ALB), através de seu Presidente Nacional, Prof. Dr. Mário Carabajal e ALB para o Estado do Paraná, na pessoa do Presidente Pró-tempore, escritor Imortal, Dr. José Feldman, somam-se aos familiares, amigos e leitores do Confrade, escritor Imortal VALTER MARTINS DE TOLEDO, ocupante da Cadeira n. 4 da Academia de Letras do Brasil/Paraná, Patrono: Ildefonso Pereira Correia, Barão do Serro Azul. Seu falecimento ocorreu às 6 horas da manhã do dia de hoje, 29 de abril de 2012, em Curitiba. O velório realiza-se no Tribunal de Justiça do Paraná, Av. Cândido de Abreu, ao lado da Assembléia Legislativa do Paraná, a partir das 18 horas

Valter Martins de Toledo
Formado em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), autor do projeto “Exercício da Cidadania”.

Era Magistrado aposentado do Tribunal de Justiça do Paraná. Conciliador voluntário do Núcleo de Conciliação do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

Membro:
Academia de Cultura de Curitiba,
Academia de Cultura do Paraná, com sede em Londrina
Centro de Letras do Paraná,
Academia de Artes,
Academia Sul Brasileira de Letras,
fundador e presidente da Academia Paranaense de Letras Maçônicas, no período de 1996 a 2006.
Academia de Letras do Brasil pelo Paraná
entre outros.

Condecorações:
Membro Honorário da Força Aérea Brasileira
Medalha do “Mérito Santos Dumont” da FAB.

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XVII Jogos Florais de Curitiba (Resultado Final)

– ÂMBITO NACIONAL/INTERNACIONAL – (Língua Portuguesa, exceto Paraná) –

TEMA: JUSTIÇA: (L/F)

Vencedores
– Por ordem de classificação.

1º Lugar: Maria Melinni de Araújo Garcia (Caicó – RN)
2º Lugar: José Ouverney (Pindamonhangaba-SP)
3º Lugar: Alba Christina Campos Netto (São Paulo – SP)
4º Lugar: Sergio Ferreira da Silva (Santo André – SP)
4° Lugar: Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba – SP)
5º Lugar: Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora – MG)

Obs:– Nos vencedores, houve um empate no 4o. lugar

Menções Honrosas: Por ordem de alfabética

Carolina Ramos (Santos – SP)
Darly O. Barros (São Paulo – SP)
José Ouverney (Pindamonhangaba – SP)
José Tavares de Lima (Juiz de Fora – MG)
Manoel Cavalcante de Souza Castro (Pau dos Ferros – RN)
Marina Bruna (São Paulo)
Messias da Rocha (Juiz de Fora – MG)
Wanderley Rodrigues Moreira (Santos – SP)
Menções Especiais: Por ordem de alfabética
Ederson Cardoso de Lima (Niterói- RJ)
Elen de Novais Felix (Niterói – RJ)
Izo Goldman (São Paulo – SP)
José Tavares de Lima (Juiz de Fora – MG) – (duas trovas)
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba – SP)
Renata Paccola (São Paulo- SP)
Therezinha Dieguez Brisolla (São Paulo – SP)

Comissão Julgadora do Concurso:
Antonio Augusto de Assis
Janske Schlenker
Luíza Nelma Fillus
Olga Agulhon
Vanda Fagundes Queiroz
Coordenação Geral: Andréa Motta.

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TEMA: TAPA (Humor):

Vencedores
– Por ordem de classificação.

1º Lugar: Wanda de Paula Mourtthé – (Belo Horizonte/MG)
2º Lugar: Pedro Mello (São Paulo/ SP)
3º Lugar: Elen de Novais Felix (Niterói/RJ)
4º Lugar: Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora/MG)
5º Lugar: Djalda Winter Santos (Rio de Janeiro/RJ)

Menções Honrosas:

Campos Sales (São Paulo/SP)
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho (Juiz de Fora/MG)
José Lucas de Barros (Natal/ RN)
Roberto Tchepelentyky (São Paulo/SP)
Thereza Costa Val (Belo Horizonte/MG)

Menções Especiais:

Edmar Japiassú Maia (Nova Friburgo/RJ)
Eliana Ruiz Jimenez (Balneário Camboriú /SC).
Flávio Roberto Stefani (Porto Alegre /RS)
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba/SP)
Messias da Rocha (Juiz de Fora/MG)

Comissão Julgadora do Concurso:
Nei Garcez
Roza de Oliveira
Wandira Fagundes Queiroz

Coordenação Geral: Andréa Motta.
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AMBITO ESTADUAL

TEMA: TESOURO: (L/F)

Vencedores
– Por ordem de classificação.

1º Lugar: Antônio Augusto de Assis
2º Lugar: Roza de Oliveira
3º Lugar: Dari Pereira
4º Lugar: Vanda Fagundes Queiroz
5º Lugar: Antônio Augusto de Assis

Menção Honrosa: Por ordem alfabética

Antonio Augusto de Assis
Maria da Conceição Fagundes
Nei Garcez
Roza de Oliveira
Vanda Fagundes Queiroz

Menção Especial: Por ordem alfabética
Istela Marina Gotelipe Lima
Luiza Nelma Fillus
Maria Aparecida Pires
Maria Helena Oliveira Costa
Nei Garcez

TEMA: TESOURA (Humor):

Vencedores
– Por ordem de classificação.

1º Lugar: Vanda Fagundes Queiroz
2º Lugar: Antônio Augusto de Assis
3º Lugar: Antônio Augusto de Assis
4º Lugar: Maria Aparecida Pires
5º Lugar: Walneide Fagundes S. Guedes

Menções Honrosas: Por ordem alfabética

Antônio Augusto de Assis
Maria Aparecida Pires
Maria da Conceição Fagundes
Vanda Fagundes Queiroz (duas trovas)

Menções Especiais:

Istela Marina Gotelipe Lima
Nei Garcez (duas trovas)
Roza de Oliveira
Yara Mara de Castro Araújo.

Comissão Julgadora do Concurso:
José Lucas de Barros – Natal-RN
Thalma Tavares – São Simão-SP
Wanda de Paula Mourthé – Belo Horizonte-MG
Coordenação Geral: Professor Garcia.

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XVII Juegos Florales –Curitiba -PR-Brasil-2012
LÍNGUA ESPANHOLA

Tema: “Justicia”

Vencedores
– Por ordem de classificação.

1° Lugar: Maria Cristina Fervier (Argentina)
2° Lugar: Rafael Ramos Nápoles (Venezuela)
3° Lugar Cristina Oliveira Chávez (USA)
3° Lugar Martha Alicia Qui Aguirre (México)

Mención Honrosa: (Por orden alfabética)

Cristina Oliveira Chávez (USA)
Martha Alicia Qui Aguirre (México)
Martha Senovia V. Vélez (Colombia)
Miguel Ángel Almada (Argentina)
Ricardo Ducoing ( México)
Teresa de Jesús R. Lara (España Islas Canarias)

Mención Especial: (Por orden alfabética)

Alicia Borgogno (Argentina)
Ángela Desirée Palacios (Venezuela)
Carmen Patiño Fernández (España)
Catalina Margarita Mangione (Argentina)
Freddy Ramos Carmona (México)
Nerina Thomas (Argentina)
Urbano Vilchis Miranda (USA)

Comisión Julgadora:
A. A. de Assis
Eliana Ruiz Jimenez
Francisco Garcia
Lisete Johnson

Coordinadora:
Gislaine Canales

Curitiba, 25 de abril de 2012.
Abraços fraternos,

Andréa Motta
Presidente da UBT-Curitiba

Fonte:
Resultado enviado por A. A. de Assis

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Mário A. J. Zamataro/PR (Livro de Trovas)

A força de uma palavra
semeia uma flor em mim;
palavra, essa pá que lavra
poemas no meu jardim!

A linha esticada e tensa,
na conta era um peixe enorme,
mentira não se dispensa
e a história fica conforme.

Constato em tanto malfeito
neste estado de cobiça:
sobra Estado de Direito,
falta Estado de Justiça!

De amarga não basta a vida,
também quero o chimarrão
(e amigos com quem divida
o que vai no coração).

Eu, ontem, falei de mim,
mas hoje eu tentei falar
das coisas que vão, no fim,
fazer o que foi voltar.

Meu sono fugiu de mim…
Passeio os olhos no breu
da noite que não tem fim…
Procuro-me, sim, sou eu!

No buraco da memória,
cabe muita coisa dentro:
tantas cenas, tanta história…
e eu em quase todas entro!

O dinheiro classifica
nossa escala social,
põe no centro a gente rica,
diz que pobre é marginal…

O Frajola abana o rabo
quando quer ganhar um pão
e rebola assim de lado
dando mais animação!

O tempo medido em anos
não revela o relevante.
Melhor se contado em planos…
Fica mais interessante!

Outro momento e mais um:
a sequência estabelece
se haverá ganho ou nenhum…
Esse é o tempo que acontece…

Para escrever os sentidos,
companheiros da ilusão,
não servem versos contidos:
tem que abrir o coração!

Passei por alguém na rua
que pregava a todo mundo
que a verdade é sempre nua,
e o contrário, mais fecundo!

Quando o passado me invade,
afugento os desenganos,
revivo a doce saudade…
Velhos olhos, novos planos!

Quanto custa? – Perguntei.
E você me disse: um conto!
Não quis desconto e paguei.
Hoje sou dono do ponto!

Quem tem os olhos noturnos,
as sombras todas conhece;
perscruta mundos soturnos,
mesmo em dias de quermesse.

Se a tarde encontra o poente
e a vida vai devagar,
toda maré tem corrente
e a noite é clara ao luar…

(A um falso)
Se curvei, à sua ordem;
se perdi minha coragem;
se me pus entre os que mordem,
faço jus a uma homenagem?

Sem os dons dos jardineiros,
às floreiras me dedico,
e planto versos inteiros
com perfumes que fabrico!

Seu comentário eu aceito,
mas a “responsa” é só sua,
sendo correto e bem feito,
ponha o seu bloco na rua!

Tanto faz se é cedo ou tarde,
se desdenha ou se procura;
silencia, faz alarde,
e maltrata com ternura!

Tenho uma coisa a dizer
a você que não me entende:
ninguém tem nada a vender,
porém, todo mundo vende!

Toda coisa tem limite:
parafuso e até deboche!
Havendo graça que incite,
aperte, mas não arroche.

Toda mudança importante
acontece, paulatina,
ponto a ponto, a cada instante,
cada passo e cada esquina…

Uma gripe um tanto forte
me deixou dias de cama,
mas já tive melhor sorte,
já livrei-me do pijama!

Onde falta massa crítica
é lugar que tem bobagem
Onde tem muita política
é lugar de sacanagem

Ao meu tio Antonio Valentim Rufatto (2 trovas)

Sei que sou só um aprendiz.
Pra saber cada vez mais,
sigo ouvindo quem me diz,
se esse gosta do que faz.

Fonte:
Trovas obtidas no site do autor em http://www.umavirgula.com.br/ 
Navegue em seu site e veja outras trovas, haicais, poemas, etc.

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Lucia Constantino/PR (Poemas Escolhidos)


CHEGADA

Este dia que te chega
mais veloz que ontem,
quando havia um prato à mesa
e o teu nome.

Ah, escolha entre as rosas
a única que te cabe na alma,
a única que é canto e salmo
para que não tenhas mais medo
de caminhar.

De noite as estrelas te falam
do cantar dos galos
à chegada
dessa presença na alma,
quando até os deuses
vão acordar.

TENHO SAUDADES

Tenho saudades do meu amor que te amava
vestido de silêncios e conflitos tão sinceros.
Um amor que era sol – um amor tão belo
que até aos anjos a sonhar ele ensinava.

Tenho saudades do amor que eu sentia,
momentos manuscritos dentro do coração.
Tinha linhagem aquele sonho que eu vivia.
Era uma luz passando a limpo a escuridão.

E onde estás? Não te encontro mais
e nesses meus sonhos, o que buscais
ó anjos? – a esperança já vencida?

Não entendo mais essa linguagem.
Sei que a dor muda toda paisagem
do livro interior, onde se escreve a vida.

QUANDO AINDA ERA DIA…

(a minha mãe Hilda, in memoriam)

Quando ainda era dia
e as nuvens passeavam no céu,
eu ouvia tua palavra,
por mais cansada que estivesses.
Estavas ali com teu coração,
então minha angústia se calava
porque a tua palavra era prece.

Quando ainda era dia
mas a chuva desmanchava meus sonhos
sempre estavas ali
carregando em teu colo não os teus,
mas os meus abandonos.

Quando ainda era dia
e meu olhar parava nas distâncias
fitando o nada do horizonte
inocentemente me perguntavas
– O que estás vendo tão longe?

Depois a noite desceu
sobre os nossos jardins,
sobre os teus canteiros,
as tuas hortaliças.
O galo não mais cantou.
Os espinhos sorriram pra mim.
A alegria me perdeu de vista.

Aninhou-se no mais alto da árvore
um pássaro chorando na tarde.
E os anjos te envolveram no ocaso
de tua própria luz
como Verônica envolveu em seu braços
o lenço que roçou o rosto de Jesus.

IRÁS LONGE

Sete céus apascentam teus pés,
como as cores do arco-íris.
Irás longe carregando o manto de tua alma
para os querubins descalços
que contigo fizeram essa aliança de luz.
Na senda que percorres
tuas palavras hoje soam como fábulas.
Mas sob a chuva das quimeras humanas,
destilarás tua seiva para nutrir
as raízes dos desencontrados,
quando as noites transformam em pó
toda palavra que não foi pronunciada
dentro de nós.

TEU OLHAR

Talvez a estrela mais bonita
não seja essa que tu vês.
É a que brilha dentro dos teus olhos
em cada anoitecer.

Esse teu olhar faz as horas
caírem pelo ocaso desmaiadas.
O luar pensa que a aurora
já está pelos teus olhos humilhada.

Talvez um pirilampo já te tome
por outro pirilampo, seu amado.
Até o amor muda de nome
quando há dois céus, lado a lado.

... ME ENCONTRAR EM TI

Tenho de Ti me esquecido
ao longo do caminho.
Às vezes tranco todas as portas
e nem ao menos espio pelas janelas
para ver se estás ao portão.
Quando dormem as estrelas
e a chuva cai dentro de minha alma,
anseio pelo ninho que criaste um dia
para me receber.

Sei que Teu verso reconhece o meu
ainda tão inútil no Teu templo da Palavra.
Mas o acolhes mesmo assim,
porque sabes que a relva também poder ser boa
para Tua incognoscível seara.

E quero tanto me encontrar em Ti…
Mas,à noite, quando pauso o coração
para ouvir minha alma
tenho a impressão de nela Te ouvir
…soluçar.

Fonte:
http://www.luciaconstantino.prosaeverso.net

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Paraná em Trovas Collection – 38 – Ceciliano Ennes Neto (Curitiba)

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8 de janeiro de 2012 · 01:43

Paraná em Trovas Collection – 37 – Marita França (Curitiba)

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6 de janeiro de 2012 · 00:54

Isabel Furini (A Disputa)


Apoiou as unhas longas e grossas sobre as grades e arranhou-as violentamente. Um chirriado agudo reverberou no lugar. A fila enorme que acompanhava as curvas das nuvens, tremeu. Alimentou-se das emoções de medo e incerteza. O arroto com odor de enxofre e a estrondosa gargalhada aumentaram o temor das almas. Depois observou esse homem magro que caminhava lentamente. Olhava-o com a voracidade de um vampiro. Uma mente brilhante, murmurou.

São Pedro, o bondoso, organizava a fila. Algumas almas estavam ansiosas e moviam suas formas feitas de matéria etérica, formas luminosas e muito semelhantes aos corpos físicos, mas sem o peso e as limitações dos verdadeiros corpos. Outras, acostumadas a esperar em filas de mercados e bancos, permaneciam quietas e resignadas. As mais impetuosas agitavam no ar as mãos quase transparentes, elas queriam entrar.

Na recepção, antes do segundo portal, o chamado Portal Definitivo, Deus, rodeado pelos seus anjos de belas asas brancas, ia julgando as almas com infinita sabedoria. Algumas podiam entrar no céu, outras caíam vítimas de suas más ações.

No momento em que esse homem idoso, calmo, aproximou-se, o próprio guardião dos portões, São Pedro disse:

– Peço perdão para ele, Senhor, ele foi um escritor brilhante.

O diabo, que permanecia em silêncio, no lado esquerdo do portão, encostado nas grades, reclamou:

– Ele é meu, Altíssimo. Brilhantes foram muitos militares e arrasaram cidades. Brilhantes foram muitos reis e massacraram o povo. Até alguns papas como Bórgia…

– Esse escritor defendeu os oprimidos! Merece seu perdão, Senhor.

– Ele é meu! Há tempos que não recebo alguém com uma mente, digamos, tão criativa, tão suculenta… Falou o diabo arrumando sua capa vermelha.

– Ele foi um bom homem.

– Não é essa a questão, Pedro – gritou enfurecido o diabo e bateu o tridente na ponta de um asteróide – A questão é que ele foi ateu, negou sua existência, Senhor.

– O lugar dele é no Céu!

– Não, Pedro. O lugar dele é no inferno.

– Céu!

– Inferno! Ateus vão ao inferno!

– Não seja preconceituoso, Satã – disse Deus. E Pedro, ao ouvir a voz de Deus, ajoelhou-se em sinal de humildade.

– Você sabe, anjo do mal, que eu amo todos os meus filhos e não tenho preconceitos contra ateus. Alguns me adoram só com os lábios, por isso eu não julgo os homens segundo suas palavras. Eu meço corações. Se julgasse os homens segundo suas palavras, o céu estaria cheio de retóricos e de políticos…

– Aproxime-se, filho.

O escritor se aproximou lentamente. Estaria sonhando?

Pedro pegou uma faca feita de luz violeta e abriu o peito do escritor. Mas ele não sentiu dor. Pedro retirou o coração e colocou-o em uma balança. Se o prato da balança desce, a alma do morto cai no abismo da culpa e da desolação. Pedro fechou os olhos e escutou um Ahhh!!! Era o diabo.

O peso do coração apontava: bondade, compaixão e fraternidade. E Pedro, triunfante, abriu os Portões para essa nobre alma. O escritor estava entrando no Céu quando Satã gritou:

– Antes de entrar, por favor, autografe este exemplar de seu último livro. Quero mostrar aos outros anjos caídos que quase, quase consegui sua alma.

Fonte:
Isabel Furini (organizadora). Passageiros do Espelho: antologia de contos. Curitiba: Íthala, 2011.

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Resultados dos Concursos Internos da UBT Curitiba Maio e Junho


Maio de 2011

– Tema: Fortaleza (L/F)

Vencedor –

Desde criança a Poesia

é a minha grande riqueza:

minha fonte de alegria,

minha eterna Fortaleza!

Roza de Oliveira

Menção Honrosa –

Teu charme, encanto e beleza,

dão aos poetas um tema,

ó encantada Fortaleza,

linda Terra de Iracema!

Maurício N. Friedrich

Menção Especial –

Crer, amar, doar, sofrer,

verbos de sabedoria.

Só com esses vamos ter

fortaleza todo dia.

Paulo Walbach Prestes

Menção Especial –

Embora não seja forte

e nem possua destreza

em Deus é que busco o norte

e também a fortaleza.

Paulo Roberto M. Gomes

Junho de 2011

Tema: Semblante (L/F)

Vencedor –

Por mais que eu sofra, querida,

com meus sonhos, sigo adiante:

– A iluminar minha vida

levo a luz do teu semblante.

Luiz Hélio Friedrich

Menção Honrosa –

Tuas palavras bonitas

eu recordo nesse instante:

promessas que estão escritas

nas linhas do teu semblante.

Janske Schlenker

Menção Especial

Na penumbra, o teu semblante,

doce e meigo, dá a ilusão,

de ativar, num só instante,

nosso fogo da paixão!

Maurício N. Friedrich

Junho de 2011

Tema: Deboche (H)



Vencedor –

Passa a vida debochando

acha que não vai ter troco -.

Estava rindo: Foi quando

nem viu de onde veio o soco!

Janske Schlenker

Menção Honrosa –

Toda coisa tem limite:

parafuso e até deboche!

Havendo graça que incite,

aperte, mas não arroche.

Mário A.J.Zamataro

Menção Especial –

Debochado, o “seu” capeta

diz no inferno a seu freguês:

Vais soltar uma gorjeta

ou vais ao fogo, de vez?

Maurício N. Friedrich

Fonte:

Informe Os Trovadores – Ano 20. Nº 67 – Setembro/2011

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Arquivado em Curitiba, Trovas

UBT Curitiba (Notícias de Julho)

18 de julho.
Irmãos trovadores!

Dia 18 de julho comemoramos o Dia do trovador –

Envie-nos sua Trova sobre este tema, para publicação!

Até dia 10 de julho
para:
andrea_motta@terra.com.br

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Solenidade de Premiação em Maringá

Aconteceu em Maringá de 24 a 26 de junho próspero passado as festividades de premiação do V Concurso “Cidade de Maringá”, o evento promovido pela Academia de Letras de Maringá, reuniu prosadores, poetas e trovadores de diversas regiões do País. Os anfitriões proporcionaram aos presentes momentos de plena magia, de elevação de sentimentos poéticos e de proveitosa convivência.

Festa Literária de Maringá

de 24 a 26 de junho de 2011

Visualizar álbum das Festividades em Maringá

Outras imagens no Blog Simultaneidades
http://simultaneidades.blogspot.com
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OFICINA DE TROVAS

OFICINA PERMANENTE DE POESIA –
Projeto: ACADEMIA PARANAENSE DA POESIA em conjunto com a UBT-Curitiba –
BIBLIOTECA PÚBLICA DO PARANÁ:
terceira 5ª feira, das 18 às 19 h:
Oficina de Trovas.

21/07 – A TROVA NO PARANÁ (IV) – Rose Mari Assumpção

Biblioteca Pública do Paraná
18 horas.
R.Cândido Lopes 133 – 3º andar – Sl. de reuniões –

CONCURSO INTERNO – AGOSTO

Tema para o concurso interno do mês de Agosto:

– Loucura

* Participe com uma trova inédita por categoria, entregando-a até o término da reunião ( dia 20 de agosto de 2011), pelo sistema de envelope 8 cm X 11 cm (sem identificação externa).

Prazo: Dia 20 de agosto de 2011

Rua Fernando Moreira, 370.Centro – Curitiba- Paraná.

Fonte: Andrea Motta

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Arquivado em Curitiba, Notícias Em Tempo, Paraná, UBT

Lucia Constantino (Nossa Senhora dos Sonhos)

Maria,
Há quanto tempo olho as nuvens,
esperando ver-Te numa estrela despertada
em pleno dia.

Há quanto tempo
deixei de contar ao sol os meus sonhos
porque a chuva sempre me surpreende
a caminho do Teu olhar.

Há noites, Maria,
em que penso ouvir Tua voz
na harpa que o vento toca nas ramagens
e meus ouvidos assemelham-se à terra
aguardando a semente que gerará a primavera.

Maria, Maria….
um a um os anjos me dizem de Ti
quando mal distingo as luzes do dia
entre as brumas dos meus olhos.
Vejo-os brincarem ao nascer de cada dia,
vejo-os rolarem pela grama e latirem para mim
seu bom dia de amor.

Eles me dizem de Ti
em cada pétala que o vento leva,
em cada pássaro que me sorri
do beiral do mundo, me dizendo
estou aqui esperando a chuva passar
para cumprir a vida.

Maria,
Mãe de todas as cores
do arco-íris por onde caminham os sonhos,
da Tua luz sobre a noite mais brilhante,
doa-me o sentir cada novo dia
como aquela Tua Noite de Paz.

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Arquivado em A Poetisa no Papel, Curitiba, Poesias

Bienal do Livro do Paraná (1 a 10 outubro 2010)

Um programa cultural e divertido, a Bienal do Livro Paraná apresenta atrações para todos os públicos. Um evento repleto de novidades, que promove o encontro dos visitantes com autores, escritores, poetas, jornalistas e pensadores.

Durante os dez dias de Bienal, os visitantes poderão participar de sessões literárias, debates e bate-papos informais com seus autores preferidos para discutir os mais variados assuntos. E as crianças também têm seu espaço: teatro infantil e contadores de história apresentaram a elas o fantástico mundo do livro, mostrando o quanto a leitura é divertida e prazerosa.

Informações Gerais:

Data
1 a 10 de outubro de 2010

Horário
Dias de semana: das 9h às 22h
Fins de semana: das 10h às 22h

Local do Evento
Estação Convention Center
Avenida Sete de Setembro, 2.775 – Curitiba – Paraná

Ingressos:
Entrada inteira – R$ 8,00
Meia-entrada – R$ 4,00

– Os estudantes devem apresentar documento de identificação estudantil com data de validade. Caso no documento apresentado não conste data de validade, deverá ser apresentado outro que comprove a matrícula ou a freqüência no ano letivo em curso acompanhado de carteira de identidade.
– Todo professor, bibliotecário e profissional do livro têm acesso gratuito à Bienal.
– Os idosos devem apresentar carteira de identidade.

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PROGRAMAÇÃO

CAFÉ LITERÁRIO

01/10/2010 19:30
A construção do leitor: o poder de sedução da leitura
Moacyr Scliar e Ronaldo Correia de Brito.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

02/10/2010 14:00
Pequenos leitores, grandes leitores
Cléo Busatto e Rodrigo Lacerda.
Mediador: Cristiano Freitas

02/10/2010 16:00
Literatura digital, e-books e o leitor do futuro: há uma revolução em curso?
Sérgio Rodrigues e Adriana Lisboa. Mediador:
Christian Schwartz

02/10/2010 19:00
Por que ler os clássicos?
Ignácio de Loyola Brandão e José Roberto Torero. Mediador: Flávio Stein

03/10/2010 14:00
Quando a vida vira ficção
Ana Miranda e Márcio Souza
Mediador: Christian Schwartz

03/10/2010 16:00
A permanência da crônica: caminhos e perspectivas
Arnaldo Bloch e Xico Sá.
Mediador: Luiz Andrioli

03/10/2010 19:30
Poesia, quem é você?
Fabrício Carpinejar e Alberto Martins.
Mediador: Luiz Rebinski Junior

04/10/2010 19:30
Bate-bola: futebol e literatura
Flávio Carneiro e Sidney Garambone.
Mediador: Bob Faria

05/10/2010 19:30
A voz do escritor: como alcançar um estilo narrativo
José Castello e Cristovão Tezza.
Mediador: Christian Schwartz

06/10/2010 19:30
Literatura, cinema, TV e quadrinhos: como se dá este diálogo?
Marçal Aquino e Laerte.
Mediador: Mariana Sanchez

07/10/2010 19:00
Literatura pop de entretenimento: que gênero é este?
Felipe Pena e André Vianco.
Mediador: Carlos Machado
.
07/10/2010 20:30

Uma noite de histórias (Promoção RPC TV)
Sandro Dalpícolo e Jorge Narozniak.
Mediador: Herivelto Oliveira
.
08/10/2010 19:30
Literatura é um ato de resistência?
Elvira Vigna e Luiz Ruffato.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

09/10/2010 14:00
Os desafios da nova prosa brasileira.
Carlos de Brito e Mello e Manoela Sawitzki.
Mediador: Omar Godoy

09/10/2010 16:00
Biografia: em busca de uma grande história.
Ruy Castro e Guilherme Fiuza.
Mediador: Paulo Krauss

09/10/2010 19:00
A sedução do romance: onde está sua força?
Heloisa Seixas e João Paulo Cuenca.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

10/10/2010 14:00
O espaço da literatura e do leitor na imprensa
Daniel Piza e João Gabriel de Lima.
Mediador: Paulo Camargo

CIRCO DAS LETRAS

A Bienal do Livro apresenta uma programação repleta de atividades para os pequenos visitantes, com muitas histórias e diversas brincadeiras lúdicas. Contos daqui e de acolá. Deste tempo e de outro bem distante.

Os visitantes mirins vão fazer uma viagem pela literatura com contação de histórias, música e teatro de bonecos.

01/10/2010 15:00
02/10/2010 11:00 ; 14:00
03/10/2010 11:00
04/10/2010 16:00
05/10/2010 16:00
06/10/2010 14:00
07/10/2010 11:00
08/10/2010 14:00
09/10/2010 11:00 ; 14:00
10/10/2010 14:00
Entrelinhas melódicas
Edith de Camargo

01/10/2010 16:00
02/10/2010 15:00 ; 19:00
03/10/2010 14:00 ; 16:00
04/10/2010 14:00 ; 15:00
05/10/2010 14:00
06/10/2010 11:00
07/10/2010 10:00 ; 15:00
08/10/2010 11:00 ; 15:00
09/10/2010 15:00 ; 18:00
10/10/2010 16:00
Onde Nascem as Histórias
Cia Mínima de Teatro

01/10/2010 18:00
02/10/2010 12:30 ; 02/10/2010 18:00
03/10/2010 12:30 ; 15:00
03/10/2010 18:00
04/10/2010 10:00 ; 11:00
05/10/2010 11:00
06/10/2010 16:00
07/10/2010 14:00
07/10/2010 16:00
08/10/2010 16:00
09/10/2010 12:30
10/10/2010 12:30
Formosos Monstros
Cléo Busatto

02/10/2010 16:00
05/10/2010 10:00 ; 15:00
06/10/2010 10:00
08/10/2010 10:00
09/10/2010 16:00 ; 19:00
10/10/2010 11:00 ; 15:00
Passarinho me Contou
Cia Triângulo de Teatro de Bonecos e Atores

FÓRUM DE DEBATES

O objetivo do Fórum de Debates é contribuir para que os professores participantes tenham acesso ao saber de profissionais qualificados, com os quais nem sempre têm oportunidade de estar em contato, como escritores, ilustradores, cineastas e pesquisadores de educação, os quais, em linguagem clara, lhes fornecerão subsídios, para que possam enriquecer seus conhecimentos e aplicá-los no dia-a-dia profissional.

Participam do fórum as escritoras Heloisa Prieto e Cléo Busatto, a ilustradora Márcia Széliga, o cineasta Paulo Munhoz e os professores doutores Alice Áurea Penteado (UEM) e João Luis Ceccantini (UNESP).

A curadoria e a mediação são da escritora e pesquisadora Ieda de Oliveira.

FÓRUM DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
AUDITÓRIO WILSON MARTINS
TEMA: O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens?
Curadoria e mediação: Ieda de Oliveira

05/10/2010 14:00
O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens? Com a palavra o escritor.
Heloisa Prieto e Cléo Busatto.
Mediador: Ieda de Oliveira

05/10/2010 16:00
O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens? Com a palavra o ilustrador e o cineasta
Márcia Széliga e Paulo Munhoz.
Mediador: Ieda de Oliveira

06/10/2010 16:00
O que é qualidade na produção artística para crianças e jovens? Com a palavra o educador.
Alice Áurea Penteado Martha e João Luis Ceccantini.
Mediador: Ieda de Oliveira

EVENTOS NOBRES

Encontros onde o público participa de bate-papos com escritores de destaque no cenário cultural.

Dois Eventos Nobres fazem parte da programação da Bienal. O primeiro deles será o Encontro com Rubem Alves, autor de inúmeros livros, colaborador de jornais e revistas. Entre suas obras estão crônicas, livros infantis, filosofia da religião e filosofia da ciência e da educação. Na Bienal ele fala sobre Doze lições para a educação dos sentidos.

O segundo Evento Nobre marca a sessão de encerramento do Café Literário e recorda o trabalho de um dos mais importantes intelectuais brasileiros, o crítico Wilson Martins. Nos últimos 60 anos, Martins dedicou-se à literatura brasileira e seus textos, com intuito de tecer um amplo painel da produção editorial, resultaram na obra História da Inteligência Brasileira, reeditada para a Bienal. Para compor essa mesa, foram convidados dois grandes amigos de Martins: os escritores Miguel Sanches Neto e Affonso Romano de Sant’Anna.

07/10/2010 19:00
ENCONTRO COM RUBEM ALVES: Doze lições para a educação dos sentidos.
Rubem Alves.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

10/10/2010 19:00
Wilson Martins: mestre da crítica
Affonso Romano de Sant’Anna e Miguel Sanches Neto.
Mediador: Luís Henrique Pellanda

TERRITORIO JOVEM

Voltado especialmente ao público adolescente. Nele, escritores e personalidades de diferentes áreas conversam sobre fenômenos relacionados ao cotidiano dessa faixa etária como: comportamento, educação, beleza, entre outros temas. Na discussão, assuntos como Bullyng, O Mundo da Menina e o sucesso recente de vários best-sellers internacionais, como O senhor dos anéis, Harry Potter e Crepúsculo, que provocaram a proliferação de um tipo de literatura pop, de entretenimento, cultuada especialmente por adolescentes

02/10/2010 13:00
Bullying
Ana Beatriz Barbosa Silva.
Mediador: Omar Godoy

09/10/2010 13:00
Entre Vampiros e Sagas: o livro é uma aventura.
Eduardo Spohr e Orlando Paes Filho.
Mediador: Cristiano Freitas

10/10/2010 13:00
O mundo da menina
Malvine Zalcberg.
Mediador: Omar Godoy

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Arquivado em Bienal do Livro, Curitiba, Paraná

Marita França (1915 – 2009)

Maria Aparecida Taborda França, nasceu a 1 de julho de 1915, em Curitiba, filha do poeta paranaense Heitor Stockler de França e Brasília Taborda Ribas de França. Faleceu em 27 de julho de 2009.

Estudou em Curitiba, obtendo o Bacharelado em Direito pela Universidade Federal do Paraná.

Musicista e poetisa, ao formar-se trabalhou no escritório do jurista Dr. Pamphilo Assumpção durante três anos. Ingressou em 1 de julho de 1948 no quadro da Assistência Judiciária do SESI do Paraná, onde aposentou-se depois de 47 anos de dedicação.

Recebeu diversas homenagens na área jurídica e cultural.

Foi membro do Centro de Letras do Paraná, Academia de Letras José de Alencar, Pen Clubes do Brasil e do Paraná, Sala do Poeta de Curitiba, Academia Feminina de Letras do Paraná, Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (PR), Elos Clube, Centro Paranaense de Cultura.

Tem músicas publicadas e discos gravados.
Compôs: Nossa Senhora da Luz de Curitiba, Virgem de Fátima, Viva Santo Antonio, Olhos verdes, Vem amor, Nas asas da Ilusão, etc.

Foi colaboradora assídua das revistas da Academia Feminina de Letras do Paraná e do Centro Paranaense Feminino de Cultura.

Fontes:
– Vasco José Taborda e Orlando Woczikosky (organizadores). Antologia de Trovadores do Paraná. Curitiba: O Formigueiro, 1984.
– Antologia dos Acadêmicos: edição comemorativa dos 60 anos. Academia de Letras José de Alencar. São Paulo: Scortecci, 2001.
– Pompília Lopes dos Santos. Sesquicentenário da Poesia Paranaense, Antologia. 1985

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Trova 161 – Apollo Taborda França (Curitiba/PR)

Fonte:
Trova sobre imagem obtida em http://riscando7.blogspot.com/2010/01/lazer.html

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Arquivado em Curitiba, Paraná em Trovas

Trova 160 – Vania Maria Souza Ennes (Curitiba/PR)

Montagem da trova sobre diversas imagens obtidas na internet, sem autoria.

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Arquivado em Curitiba, Paraná em Trovas

Trova 156 – Apollo Taborda França (Curitiba/PR)

Fonte:
Montagem realizada sobre imagem do site Saci Perere.

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Nei Garcez (Curitiba Turístico em Trovas)

Conheça nossa cidade,
seus shoppings, parques e praças,
e em Santa Felicidade,
bons vinhos, frangos e massas.

Venha fazer um passeio
na Curitiba sorriso.
Seus parques, sempre em recreio,
são formas de paraíso.

Curitiba te convida,
entre o sol, e sem respingos,
conhecer a mais comprida
feira livre dos domingos.

Se você é enclausurado
por ouvir muitos rumores,
deixe a tristeza de lado…
Venha pra Rua das Flores.

Quando a vontade é viajar,
acompanhado, ou sozinho,
nunca fique a divagar…
Curitiba é um bom caminho.

Se você quer conhecer
o mais lindo paraíso,
Curitiba é um renascer
só por causa do sorriso.

Fonte:
Colaboração do Autor

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Trova 125 – Vanda Fagundes Queiros (Curitiba/PR)

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13 de março de 2010 · 19:08