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Dicas Multiplub para Escritores (Vai submeter seu original à editora? Revise antes!)

É complicado dizer se um livro é bom ou ruim. É sempre mais fácil dizer que não é bom e pronto. Sobretudo quando os “escritores” não sabem escrever.

E não estamos falando aqui de norma culta e nem demais frescuras semânticas aliteraralizadas de pseudo-coloquialismos. Estamos falando da Língua Portuguesa corrente, ou melhor: Língua Brasileira tal qual nós falamos e lemos no dia a dia e temos acesso nos jornais, nos anúncios (salvo a “excessão” das propagandas com os erros intencionais). Estamos falando do básico do básico: o bom senso.

Os escritores tem grandes ideias. São geniais. Alguns são bons até em copiar. Copiam Harry Potter, Senhor dos Anéis, Trilogia Eclipse, Game of  Thrones, copiam até Jorge Amado, Machado, Graciliano, e isso não só nas ideias, nas passagens, nos traços, nas palavras e nos termos: copiam nos defeitos.

Tudo bem, nada se cria, tudo se copia – sendo a melhor obra aquela que copiou melhor sem dar bandeira de ter sido copiada. Shakespeare e Goethe foram grandes copiões, sobretudo do povo, do folclore e tem até hoje o título de gênios autores de obras primas.

Mas todos os grandes nomes que citamos acima tem uma coisa muito importante em comum: eles sabiam escrever. Antes de qualquer coisa: eles entendiam que a palavra é uma faca de vários gumes.

E daí veio a internet. Veio o Word, e depois o Google Tradutor. Daí todos os que sabem apertar algumas teclas no teclado acham que sabem escrever (ou pior: não acham nada, pouco importa saber ou não). Basta ir lá no botãozinho e clicar para corrigir o texto.

Seria bom se tudo fosse levado à excelência com um simples botão. Este débil texto aqui, cheio de erros e equívocos, sairia bem melhor. Mas isso não rola no mundo real, fora das telas dos computadores.

Acontece muito de um editor receber um livro bem, de braços abertos, e nem chegar a ler a segunda página. Logo na primeira linha os erros agridem seus olhos de tal forma que torna-se um sacrifício continuar a ler. Ele até tenta, mas a cada novo erro passado com os olhos a palavra certa buzina em sua mente, e ele vai prestando mais atenção nos erros do que na obra, assim como um professor faz ao avaliar o trabalho de um aluno.

Portanto, amigo(a) escritor(a): aprenda a escrever. Aprenda a usar a Língua Portuguesa. Não precisa ser expert. Não precisa escrever de acordo com a ABNT (isso nem existe) , apenas: escreva de um modo a ser entendido.

E COMO FAZER ISSO?

Contrate um revisor ou um leitor! Ele fará uma leitura crítica sobre a sua obra, passando a lê-la assim como um editor faria, só que fornecendo um feedback expressivo do que está bom ou ruim de acordo com o que você pretende. Não estamos aconselhando: “já que você não escreve bem, contrate alguém que faça isso”. Não, estamos aconselhando você a aprender a escrever suas ideias geniais e depois ir consultar um profissional, até para poder entender o que ele for te diagnosticar e te indicar a fazer com a sua obra.

 Um revisor você pode contratar aqui e um leitor aqui por um preço camarada que não passa de R$ 200,00.

COMO APRENDER A ESCREVER?

Não pague uma fortuna em cursos e aulas particulares. Vá até o sebo mais próximo e compre livros de 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries. Simples assim. Leia cada livro, faça cada um dos exercícios. Com menos de R$ 30,00 e em até 6 meses você saberá escrever bem e descobrirá coisas muito legais e importantes como: concordância, vozes passiva e ativa, predicado, sujeito, e outras até mais complexas, como os advérbios.

Isso é o básico, como dissemos, e você até pode dar risada e achar que já sabe e até que nem precisa saber disso, mas acredite: você precisa. Um escritor que não sabe como escrever é como alguém que tem a direção para onde ir mas que não sabe o caminho.

Fonte:
http://publicarumlivro.com/artigos/vai-submeter-seu-original-a-editora-revise-antes/

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Curiosidades Multiplub sobre Livros (Publicar livro com uma editora vale a pena?)

Publicar um livro hoje em dia pode ser algo fácil por conta da grande quantidade de ferramentas disponíveis na internet, além de softwares e demais acessórios e meios, só que o mais importante de se publicar é a pós – publicação, e é isso que as editoras ainda podem oferecer aos autores, pois a parte do serviço que garante a compra do livro não é efetiva se feita somente por uma pessoa, com seus canais pessoais básicos, e sim merece um amparo mais institucional.

Além do mais: temos tantas ferramentas, mas todas elas são “fabricadas para serem fáceis de usar” e acabam, com isso, sendo básicas demais, não oferecendo uma funcionalidade tão profissional quanto os bons e velhos: PageMaker, InDesign, Corel Draw e o bom olho do editor, coisas que só uma editora pode oferecer – pois se a prática leva à perfeição: um editor que já editou 100 livros pode fazer melhor do que um escritor que “editou” um ou dois exemplares.
 

A Editora não morreu

Temos tantos sites de self-publishing hoje em dia, mas vejamos que a quantidade de exemplares vendidos nestes sites é incrivelmente desproporcional à chuva de obras que neles são cadastradas diariamente – isso porque as pessoas querem conteúdos direcionados, querem bons livros, e não qualquer livro, e em uma editora: só boas obras entram e só bons livros saem, pois se não: a editora fecha.

Mesmo que bons livros estejam também como self-publishing, o número de pessoas que lê a obra antes dela ser publicada é bem menor (na maioria das vezes: só autor mesmo), e com isso retira-se o processo de lapidação que toda obra merece.
Nasceu uma nova editora

A MultiPlub alia a tecnologia e os meios atuais de publicação com o bom e velho conceito de editora: filtrar, lapidar e publicar bons livros, de todos os gêneros e autores. Só que nem tudo é igual: a editora está aberta somente a autores nacionais, inéditos ou não, e se recusa a “traduzir” autores de fora por acreditar que nossa cultura está mesmo aqui, entre tantos autores aguardando sua obra e oportunidade de publicar.

Portas abertas

Escreveu um bom livro e deseja publicá-lo? Conheça a MultiPlub! (http://multiplub.com.br/)

Fonte:
http://publicarumlivro.com/artigos/como-e-a-publicacao-de-um-livro/
Imagem = http://multiplub.com.br

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A. A. de Assis (Bela alma a do poeta, ou o “Hiato” na Trova)

Quantos sons você conta aí?… Suponhamos que sete: Be-la-al-maa-do-po-e-ta. Mas por certo haverá quem conte seis, ou mesmo cinco, dependendo do ouvido de cada um.

Dá-se isso por obra do bendito hiato, o inimigo número um da métrica. Parece que para a maioria dos poetas brasileiros o verso fica mais agradável quando se respeitam os hiatos, porém outros acham mais natural fundir as vogais. E como é que se resolve isso? Sabe-se lá…

O maior drama é nos concursos. Você não sabe se conta poe-ta ou po-e-ta. O jeito é torcer para que os julgadores acatem o sotaque de cada autor.

Em regra, não se derruba nenhuma trova em razão desse problema; entretanto, mesmo assim, o concorrente fica de pé atrás, pelo medo de quebrar o cujo…

A tendência,  como foi dito, é pronunciar po-e-ta, vi-a-gem, a-in-da, a-al-ma, a-ho-ra, o-ho-mem, o-ou-ro, po-ei-ra, su-a, to-a-da etc. Mas… e se você não concordar? Tudo bem. Você continuará escrevendo seus versos do modo que mais lhe agrade, e ponto.

Afinal de contas, quem manda no texto é o autor. Alguns, porém, por via das dúvidas, procuram de toda forma evitar hiatos… Pelo menos assim podem livrar a trova do risco de perder pontos por não soar bem no ouvido do julgador. São ossos que o poeta encontra em seu delicioso ofício…

Em algumas regiões, palavras como  fri-o, ri-o são pronunciadas friu, riu (numa única sílaba). O Decálogo de Metrificação adotado pela UBT estabelece, entretanto, que, em tais casos, em benefício da uniformidade, não será aceita a ditongação: rio será sempre ri-o.
1. Recordemos: hiato é o encontro de duas vogais pronunciadas em dois impulsos distintos, ficando portanto em sílabas separadas.

     2. Nos hiatos em que a vogal átona vem antes da tônica, se esta é distintamente mais forte que aquela, a separação  é obrigatória (a-é-reo, a/es-mo, ba-ú, sa-í-da); se a tônica é pouco mais forte que a átona, a separação é facultativa (na-al-ma ou nal-ma, po-e-ta ou poe-ta, su-a-ve ou sua-ve). Mas atenção: nos casos de separação facultativa, é importante observar a coerência, isto é, nunca usar critérios diferentes na mesma trova.

3. Nos hiatos em que a vogal átona vem depois da tônica, a separação é obrigatória (bo-a, des-vi-o, ri-o, ru-a, tu-a).

4. Em algumas regiões do Brasil, palavras como  fri-o, ri-o são pronunciadas friu, riu (numa única sílaba).

5. Tudo isso precisa ficar bem claro, especialmente quando se trata de concursos, a fim de que o concorrente tenha certeza de que nenhum julgador “despremiará” sua trova por incompatibilidade de sotaque.

Fonte:
Revista Virtual “Trovia” – Ano 8 – n. 88 – Outubro 2006

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Curiosidades Multiplub sobre Livros (Como é a publicação de um livro?)

Publicar um livro é um processo complexo e feito por etapas.

Para nós da MultiPlub é importante ter o autor como um parceiro durante todas as etapas do processo, que basicamente são:

1 – Registros

Onde a obra é registrada com seu ISBN e passa a ter uma numeração de identificação que servirá para tudo e todos (leitores, livreiros, bibliotecários, etc) após a publicação.

2 – Revisão
 

Onde a obra é lida por toda a equipe que trabalhará nela e depois segue ao revisor, o qual fará os apontamentos e devidas correções no texto de acordo com as normas mais comuns da Língua Portuguesa.

3 – Diagramação

Onde a obra seguirá a um profissional que, guiado pelo Editor, comporá um esquema de apresentação do texto nas páginas internas, formatando das fontes ás margens, parágrafos e títulos, obtendo uma forma final para o livro.

4 – Arte da Capa

Onde, após ter sido lida pelo capista, a obra ganha uma capa com base também nos apontamentos e dicas do autor e do Editor.

5 – Correções e Alterações

Tendo a obra revisada, diagramada e com capa, os serviços seguem ao autor, que discutirá com o Editor sobre as modificações finais a serem feitas e refeitas.

6 – Impressão

Tendo as artes (diagramação, capa e revisão) todas aprovadas pelo autor, a ora segue para fechamento de formato e vai à impressão, onde ganhará sua forma final.

7 – Entrega

Com os exemplares impressos o autor opta por receber todos ou somente uma parte dos livros em casa e tem concluída a parte inicial da publicação, isto é: a materialização da obra.

8 – Lançamento

De acordo com a vontade do autor é trabalhado o lançamento da obra, com a definição do local ou espaço (geralmente em uma livraria) do evento, seu andamento e apresentação.

9 – Planejamento Comercial

Os exemplares restantes do lançamento é feito um plano para vender todos os livros disponíveis, listando-se os meios (livrarias e distribuidores) onde seria mais viável e inteligente disponibilizar a obra e a seguir é criado um plano de divulgação e propaganda que atinja as pessoas que tem acesso aos locais onde os livros foram disponibilizados. Além disso a venda da obra segue à venda pela internet, em formato impresso e em e-book, caso o autor assim deseje.

10 – Execução do Planejamento

Com a aprovação do autor todos os planos de distribuição e divulgação são colocados em prática, e então a venda passa a ser acompanhada diariamente entre editor e autor, para um acerto de contas das obras vendidas em cada período de acerto (3 ou 6 meses).

Publicação na Multiplub

Este é o processo de publicação praticado pela MultiPlub e que vale muito a pena conhecer. Seja um autor da MultiPlub, solicite um orçamento: http://multiplub.com.br/orcamento/

Qualquer dúvida que você tiver sobre estes processos e tudo mais é só perguntar que nós te responderemos com o maior prazer.

Fonte:
http://publicarumlivro.com/artigos/como-e-a-publicacao-de-um-livro/
Publicação em ago 18, 2013

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Marcelo Spalding (Figuras de Linguagem e A Escrita Criativa)

Publiquei um texto com 3 dicas para a escrita criativa. A repercussão foi grande, maior do que a média, e surgiram alguns pedidos para novos textos nesse sentido. Resolvi, então, disponibilizar o material de uma das aulas da minha Oficina de Escrita Criativa Online, sobre figuras de linguagem, algo fundamental para quem quer escrever um texto com literariedade (o que não se aplica apenas para escritores, pois de um texto jornalístico, publicitário ou acadêmico também se requer alguma literariedade).

Figuras de linguagem, como se sabe, são estratégias/recursos que o escritor pode aplicar no texto para conseguir um efeito determinado na interpretação do leitor. São formas de expressão mais localizadas em comparação às funções da linguagem, que são características globais do texto. Reconhecer figuras de linguagem, ainda que sem saber os seus nomes técnicos, ajuda a compreender a linguagem literária e o que torna um texto mais criativo.

A grosso modo, podemos dividir essas figuras em quatro grandes grupos, as de construção, de som, de palavra e de pensamento. A lista das figuras é inesgotável, mas compartilhamos alguns dos mais importantes com nosso leitor.

Figuras de construção:

Paralelismo sintático: encadeamento de funções sintáticas idênticas ou encadeamento de orações de valores sintáticos iguais. Exemplo: Funcionários cogitam nova greve e isolamento do governador. Observe que a construção “Funcionários cogitam nova greve e isolar o governador” está errada devido à falta de paralelismo.

Elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto.

Exemplo: “Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia) 

Zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes. Exemplo: “Ele prefere cinema; eu, teatro.” (omissão de prefiro).

Anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. 

Exemplo: “Amor é um fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem doer”. Este poema de Luís de Camões tem quase 500 anos e até hoje é considerado um dos melhores poemas de amor da história da literatura de língua portuguesa. Confira uma releitura feita por Renato Russo na famosa música Monte Castelo.

Monte Castelo
Renato Russo

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
 E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor.
 Que conhece o que é verdade.
 O amor é bom, não quer o mal.
 Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver.
 É ferida que dói e não se sente.
 É um contentamento descontente.
 É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
 E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer.
 É solitário andar por entre a gente.
 É um não contentar-se de contente.
 É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade.
 É servir a quem vence, o vencedor;
 É um ter com quem nos mata a lealdade.
 Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem.
 Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor.
 Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
 E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.

Polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período. 

Exemplo: “E sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o sarcasmo e sob a gosma e sob o vômito (…)”

Inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase. 

Exemplo: “De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco.”

Silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o que está implícito. A silepse pode ser: de gênero: Vossa Excelência está preocupado; de número: Os Lusíadas glorificou nossa literatura; de pessoa: O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.

Anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sintática e depois se opta por outra. 

Exemplo: A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa. 

Pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem. Exemplo: “E rir meu riso e derramar meu pranto.” . Confira abaixo um divertido vídeo sobre o pleonasmo, aqui visto como um vício de linguagem, mas lembrando que ele pode ser um recurso usado intencionalmente.


Figuras de som:

Aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.

Exemplo: “Esperando, parada, pregada na pedra do porto.” 

Assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos.

Exemplo:
 “Sou um mulato nato no sentido lato
 mulato democrático do litoral.” 

Paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos. 

Exemplo: “Eu que passo, penso e peço.” 

 Esta música de Chico Buarque consegue ter as três figuras de som na mesma letra, confira:

Atrás da Porta
Chico Buarque

Quando olhaste bem nos olhos meus
 E o teu olhar era de adeus
 Juro que não acreditei, eu te estranhei
 Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
 E me arrastei e te arranhei
 E me agarrei nos teus cabelos
 No teu peito, teu pijama
 Nos teus pés ao pé da cama
 Sem carinho, sem coberta
 No tapete atrás da porta
 Reclamei baixinho
 Dei pra maldizer o nosso lar
 Pra sujar teu nome, te humilhar
 E me vingar a qualquer preço
 Te adorando pelo avesso
 Pra mostrar que ainda sou tua

Figuras de palavra:

Metáfora: empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido. 

Exemplo: “Meu pensamento é um rio subterrâneo.” 

Metonímia: como a metáfora, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os termos. 

Exemplo: Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa)

Catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por empréstimo. 

Exemplo: O pé da mesa estava quebrado.

Antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique:

 Exemplo: …os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles) 

Sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. 

Exemplo: A luz crua da madrugada invadia meu quarto. 

Figuras de pensamento:

Antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido. 

Exemplo: “Os jardins têm vida e morte.” 

Ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico. 

Exemplo: “A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.” 

Eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável. 

Exemplo: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou)

Hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática. 

Exemplo: Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede). A música “Exagerado”, do Cazuza, é quase um hino da hipérbole.

Exagerado
Cazuza

Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade

Paixão cruel, desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas mancadas

Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado

Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar

Por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais

Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado

Que por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais

Prosopopéia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de seres animados. 

Exemplo: O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

Gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax). 

Exemplo: “Um coração chagado de desejos / Latejando, batendo, restrugindo.”

Apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma coisa personificada). 

Exemplo: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus!”

Fonte:

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Marcelo Spalding (3 Dicas para a Escrita Criativa)

Depois de anos ministrando oficinas de criação literária presenciais, iniciei neste ano uma Oficina de Escrita Criativa Online, que já conta com mais de 50 participantes. Como o conteúdo é extenso, é comum pedidos para criar lista de dicas (vício da geração dos cursinhos, creio eu), e aí sempre lembro dos conselhos do grande escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.

 Assis, romancista gaúcho reconhecido nacionalmente, professor da primeira Oficina de Criação Literária regular do Brasil (com quase 30 anos de existência ininterrupta) e hoje Secretário de Cultura do RS, costumava dar 3 dicas muito importantes para quem quer escrever (criativamente, ficcionalmente ou mesmo profissionalmente): deixe o texto dormir, leia o texto em voz alta e tenha um primeiro leitor. Comecemos pela importância de deixar o texto “dormir”, que nada mais é do que afastar-se do texto.

1. Deixe o texto dormir

 Nosso ímpeto inicial, assim que terminamos um texto, é achar que ele está excelente e deve ser publicado ou está horrível e deve ser apagado. Não faça nem uma coisa, nem outra. 

 Normalmente, há um envolvimento emocional quando escrevemos (especialmente ficção), então é fundamental que possamos nos afastar por um instante de nosso texto, vê-lo com mais frieza, a fim de julgarmos sua qualidade e perceber seus defeitos. Claro que num texto ficcional esse distanciamento pode durar uma noite ou uma semana, pois não há tanta urgência (normalmente). Já num texto profissional (como  uma reportagem de jornal, um anúncio ou um contrato), o texto por vezes tem que ser entregue no mesmo dia. Aí, ao terminar o texto, o autor deve pelo menos dar uma volta, tomar um café, tomar um ar, relaxar um pouco antes de voltar para reler o texto e, aí sim, imprimi-lo ou enviá-lo. 

 Apagar, jamais! Sempre se pode aproveitar algo de um escrito nosso, nem que seja uma frase, uma metáfora. E como hoje é muito fácil salvar versões em nosso computador ou pen-drive, não deletem nada, nunca. Só sejam suficientemente organizados para armazenarem essas anotações todas.

2. Leia o texto em voz alta

 A segunda dica do mestre, ler o texto em voz alta, é de grande valia por diversos motivos: primeiro, lendo o texto em voz alta percebemos cacofonias, rimas indesejadas, trava-línguas, etc. Mas o mais importante talvez seja que apenas na leitura em voz alta é que notamos erros na estrutura frasal, períodos muito longos, muito curtos, sem sujeito, sem verbo principal, etc.

 Ocorre que nossa leitura silenciosa não é “completa”. Somos tão habituados a ler que não lemos letra por letra, nosso olho (ou nosso cérebro) vai pulando as letras e juntando as palavras através de combinações previsíveis quando se lê apenas com o cérebro. Quando devemos verbalizar o texto lido, porém, somos obrigados a ler cada sílaba, cada trecho, e isso exige mais do texto e do leitor (não é a toa que atores, jornalistas, apresentadores ou bons oradores leem seus textos diversas vezes antes de apresentá-lo em público).

 Tal dinâmica se torna ainda mais importante quando se trata do próprio texto, pois a leitura em voz alta também é uma forma de afastamento. É comum ouvirmos relatos de escritores ou acadêmicos acostumados com a produção textual de que tal erro passou desapercebido mesmo depois de tantas releituras. E, realmente, o autor de um texto aos poucos acostuma-se tanto com ele que não consegue mais enxergar a troca ou a ausência de uma letra.

3. Tenha um primeiro leitor

 Muitos escritores costumam dizer que não se termina um texto, se desiste dele. Ocorre que o texto, pela infinidade de escolhas que exige do autor, deixa seu criador inseguro e incerto sobre o real valor de sua criação. Mesmo depois de deixar o texto dormir, ler em voz alta, trabalhar e retrabalhar nele. 

 Por isso, antes de publicar o texto, o que se sugere é que se tenha um primeiro leitor. Pode ser um colega de oficina (os mais indicados), um outro escritor que troque correspondências com você, um professor que esteja disposto a esse tipo de leitura, por vezes um amigo ou colega de trabalho que seja leitor experiente.

 Pai e mãe não vale. Filho, esposa, namorada também não. Ocorre que, primeiro, as pessoas têm muito medo de magoar um escritor. Ninguém gosta de ser criticado, e menos ainda quem colocou parte de sua vida, de seus sentimentos, num texto. Depois, esse primeiro leitor não pode ser absolutamente leigo, é importante que tenha certo senso crítico para que possa dar uma contribuição a você.

 Hoje, há uma corrente de pessoas que defende a contratação desse primeiro leitor, em especial quando trata-se de um livro com ambições de ser publicado. Eu, particularmente, não acho que essa primeira leitura precise ser paga, contratada, e sim enviada para alguém que troque textos com você. Aí, se for o caso de publicação, o “décimo” leitor, antes de o texto ir para a editora, pode ser, sim, um profissional experiente que dará dicas precisas e reveladoras.

 Ocorre que você não deve esperar desse primeiro leitor um simples “amei” ou “odiei”. Ele deve ser capaz de respondar a sua segunda pergunta: “e por quê?”. Mais importante do que a impressão subjetiva de seu primeiro leitor são os comentários dele.

 Claro que você não pode mudar o texto apenas pela opinião desse leitor. Será um olhar de fora, que deve ser considerado, mas não acatado sem o rigor de quem assinará o texto. Muitas vezes pode se enviar o texto para mais de um leitor, em especial quando o texto será publicado. Não por acaso, vale dizer, grandes escritores têm esses primeiros leitores. E por vezes colocam seus nomes na dedicatória ou nos agradecimentos.

 Enfim, o que se depreende dessas breves dicas é que, se por muito tempo se acreditou que as musas inpiradoras eram as responsáveis por toda a boa literatura que a humanidade produziu, hoje vivemos a era da transpiração. 
 Evidentemente que a inspiração, ou chame lá você do que quiser, é fundamental para o impulso inicial, para as palavras saírem de dentro do autor e pularem para o papel em determinada direção, aflorando determinados sentimentos e representando determinadas realidades. Um texto sem inspiração, em geral, é um texto frio. Mas escrever, acima de tudo, um ofício; é trabalho e retrabalho; é paciência e método. 

Porto Alegre, 12/10/2012

Fonte:
Digestivo Cultural

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Goga Masuda (Os Dez Mandamentos do Haicai)


I – O Haicai é poema conciso, formado de 17 sílabas, ou melhor, sons, distribuídas em três versos (5-7-5), sem rima nem título e com o termo-de-estação do ano (kigô).

II – O kigô é a palavra que representa uma das quatro estações, primavera, verão, outono e inverno; p. ex., IPÊ (flor de primavera), CALOR (fenômeno ambiental de verão), LIBÉLULA (inseto de outono) e FESTA JUNINA (evento de inverno).

III – Cada estação do ano tem o próprio caráter, do ponto de vista da sensibilidade do poeta; p. ex., Primavera (alegria), Verão (vivacidade), Outono (melancolia) e inverno (tranqüilidade).

IV – O haicai é poema que expressa fielmente a sensibilidade do autor. Por isso,

respeitar a simplicidade;

evitar o “enfeite” de “termos poéticos”;

captar um instante em seu núcleo de eternidade, ou melhor, um momento de transitoriedade;

evitar o raciocínio.

V – A métrica ideal do haicai é a seguinte: 5 sílabas no primeiro verso, 7 no segundo e 5 no terceiro; mas não há exigência rigorosa, obedecida a regra de não ultrapassar 17 sílabas ao todo, e também não muito menos que isso. E a contagem das sílabas termina sempre na sílaba tônica da última palavra de cada verso.

VI – O haicai é poemeto popular; por isso usa-se palavras quotidianas e de fácil compreensão.

VII – O dono do haicai é o próprio autor; por isso, deve-se evitar imitação de qualquer forma, procurando sempre a verdade do espírito haicaísta, que exige consciência e realidade.

VIII – O haicaísta atento capta a instantaneidade, qual apertar o botão da câmera.

IX – O haicai é considerado como uma espécie de diálogo entre autor e apreciador; por isso, não se deve explicar tudo por tudo. A emoção ou a sensação sentida pelo autor deve apenas sugerida, a fim de permitir ao leitor o re-acontecer dessa emoção, para que ele possa concluir, à sua maneira, o poema assim apresentado. Em outras palavras, o haicai não deve ser um poema discursivo e acabado.

X – O haicai é um produto de imaginação emanada da sensibilidade do haicaísta; por isso, deve-se evitar expressões de causalidade, sentimentalismo vazio ou pieguice.

Fonte:
http://www.kakinet.com/caqui/dezmand.shtml

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