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Vereador José Antônio Marques Almeida (Discurso em Homenagem à Carolina Ramos)

A trovadora, poetisa e contista Carolina Ramos recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Brás Cubas da Câmara Municipal de Santos, na Sala Princesa Isabel, em homenagem proposta pelo vereador José Antonio Marques Almeida, Jama.

A santista Carolina Ramos começou sua carreira nas artes literárias em 1961. Já conquistou quase 900 prêmios no Brasil e no exterior. Levou o nome de Santos para vários cantos culturais: para Portugal, quando recebeu o Prêmio de Poesia da Academia de Música e Belas-Artes de Setúbal, em 1965; ou para Barreira, também em Portugal, ao conquistar o primeiro lugar no Concurso de Contos da Casa de Cultura da Quimigal, em 1989.

Carolina Ramos foi presidente, por três gestões, do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e também da União Brasileira de Trovadores (Seão Santos), integrou as diretorias da Academia Santista de Letras; da Academia Feminina de Ciências, Letras e Artes de Santos;   do Grupo Encontro de Poetas de Santos; da Academia Anapolina de Letras, da Casa Juvenal Galeno, de Fortaleza; da Academia Petropolitana de Letras; do Ateneu Angrense de Letras; da Academia Pindamonhangabense de Letras; da Academia Paulistana de História; da Ordem Nacional dos Bandeirantes e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Livros
Carolina Ramos publicou vários livros, entre eles: Sempre (Poesias), Cantigas Feitas de Sonho (Trovas), Espanha (Poema Épico), Trovas que Cantam por Mim (Trovas), Interlúdio (Contos), Um Amigo Especial (Conto).

Confira na íntegra o discurso Vereador José Antônio Marques Almeida:

“Poesia, sempre Poesia”. “O poeta é a mãe das artes…alô poetas: poesia! poesia poesia poesia poesia!”. “Os poemas são pássaros que chegam…não se sabe de onde e pousam…no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo…como de um alçapão. Eles não têm pouso…nem porto…alimentam-se um instante em cada par de mãos…e partem”. “Em meio a um cristal de ecos. O poeta vai pela rua…Seus olhos verdes de éter…Abrem cavernas na lua.” “Possuis a graça como inspiração…Amas, divides, dás, vives contente, E a bondade que espalhas, não se sente, Tão natural é a tua compaixão”.

Para início desta nossa homenagem à uma trovadora, contista, poetisa, santista ilustre trouxemos algumas boas companhias. Torquato Neto. Mário Quintana. Vinícius de Moraes. Martins Fontes.

Como escrever para quem tem o dom da palavra? Como emocionar quem fala ao coração dos homens? Como encantar quem vive do encanto?

O seu processo literário pode ser motivado por apenas uma palavra, ou impulsionado por uma emoção, ou até mesmo pelo simples desejo de conversar consigo mesma. Nas palavras da nossa própria poetisa: “Lavar a alma, dividir com o papel uma dor, uma alegria, ou mesmo um simples sonho”. E todos somos “presenteados” com esse processo humano da nossa poetisa, que também foi professora e é artista plástica.

“Jamais chore o abandono
Da primavera que finda,
Pode haver frutos no outono
Que tu não provaste ainda”.

“Nas poesias, trovas e contos, minha própria alma é que passeia pelas linhas e entrelinhas”!, nos ensina a trovadora. E nos ensina mais: a viver, mesmo que derramando algumas lágrimas, sem abandonar os sonhos. Com um coração gigante a nossa homenageada de hoje vai além dos nossos mares.

Conquista outras terras, outros corações. Fica fácil entender porque ela mereceu tantos títulos, homenagens e prêmios no Brasil, Portugal e Angola, como o Prêmio Rui Ribeiro Couto, da União Brasileira de Escritores de São Paulo. Prêmios que conquistaram os corações de cariocas, mineiros, paranaenses, gaúchos, cearenses, pernambucanos, matogrossenses e muitos mais. São mais de 900 prêmios literários recebidos!

”A grande, a maior vitória
Que até hoje consegui,
Foi remover da memória
As batalhas que perdi”.

A vitória da escritora santista é vitória da nossa Cidade também. Ganhamos muitos presentes, compartilhamos momentos de pura emoção dessa mulher que tem a literatura como sua companheira, como uma janela sempre aberta para o passado e para o futuro. Uma literatura que lhe deu amigos, a maioria mais do que amigos, mas irmãos sinceros. Se por acaso, nesse caminho, alguma coisa não valeu à pena foi transformada, temos certeza, pelas próprias mãos da nossa escritora em belos poemas, trovas e contos.

Emoções sem conta são os dias da trovadora, contista, poeta, santista ilustre! Ela nos diz que a literatura deu-lhe ternura à vida. Ela está sendo modesta. A sua literatura nos trouxe, mais do que ternura às nossas vidas, nos trouxe amor e nos ajudou e ajuda a viver.

São tantos os títulos recebidos, ou melhor, merecidos. Foi a primeira mulher a conquistar o Título e Troféu de Magnífico Trovador no Brasil. E os prêmios não cessaram. Em 2004, Notável Trovador, em Pouso Alegre, Minas Gerais. Seus serviços prestados à Cultural foram exemplarmente premiados, com a Medalha do Sesquicentenário da Prefeitura de Santos; a Medalha dos Andradas do Instituto Histórico e Geográfico de Santos; a Medalha de Sócio Honorário da Casa “Lampião de Gás” de São Paulo. Prêmio Ribeiro Couto da Secretaria de Cultura de Santos e União Brasileira de Escritores de São Paulo. Recebeu os Diplomas da Academia Paulistana de História, da Ordem Nacional dos Bandeirantes de São Paulo, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.                                                       

”Segredos de amor…Tolice!
Ninguém consegue esconder
Aquilo que o olhar já disse
Antes de a boca dizer!”

Assim como o segredo de amor se desfaz com o olhar, o segredo de tanto amor partilhado se desfaz pelas próprias palavras da nossa trovadora, poetisa, contista e ilustre santista. Ela nos diz: “Nas poesias, trovas e contos, minha própria alma é que passeia pelas linhas e entrelinhas”.

Obrigado, Carolina Ramos por tanto amor e emoção partilhados. Obrigado, por sermos irmãos de tantos caminhos. Obrigado, pelo Sempre, Cantigas Feitas de Sonho,  Trovas que Cantam por Mim, Um Amigo Especial e tantos outros livros de poesias, trovas e contas que você nos deu ao longo de tantos anos. Obrigado, por ter feito a sua alma passear por tantas linhas e entrelinhas.

Esteja certa, nossa poetisa Carolina Ramos, os maiores ganhadores desta vida literária SOMOS NÓS!

Antes de lhe passar às mãos a  Medalha de Honra ao Mérito Brás Cubas, a comenda que esta Casa lhe outorga, como mais alto reconhecimento que esta Terra pode conceder a um filho que honra e engrandece o nome e a tradição da Cidade, permita-me, Carolina Ramos, terminar essa homenagem  citando um companheiro seu que faz uma declaração de amor à palavra… “Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam … Prosterno-me diante delas… Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as … Amo tanto as palavras … As inesperadas … As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem … Vocábulos amados … Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho … Persigo algumas palavras … São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema …

Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas … E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as… Tudo está na palavra … Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava…” Pablo Neruda.

Fonte:
http://www.camarasantos.sp.gov.br/noticia.asp?codigo=1134&COD_MENU=102

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Maria Nascimento Santos Carvalho (Discurso no Concurso Anual da UBT – Seção São Paulo – 2010)


São Paulo 18, de julho de 2010.

Srs. Membros da Mesa, Autoridades presentes, queridos Irmãos Trovadores, Amigos da Trova, minhas senhoras, meus senhores.

Hoje, é um dia muito especial em minha vida, como tantos outros, que ainda recordo com saudade, guardando no coração o agradecimento que, muitas vezes, as palavras morrem presas na garganta, ou se ditas, não conseguem expressar o nosso sentimento, a nossa emoção.

A UBT e várias outras entidades literárias já me prestaram significativas homenagens, inclusive a UBT São Paulo, quanto foram realizadas duas palestras focalizando o meu modesto trabalho poético, pelas quais renovo os meus agradecimentos aos queridos irmãos Trovadores Maria Bruna e Jayme Silveira da Pina.

Mas, como me reporto em meu novo livro, ainda no prelo, “Alem do Infinito”,

Ontem foi passado… passou… Hoje, é ao mesmo tempo, passado, presente e futuro… Amanhã, é um advérbio de tempo e apenas um expectativa de vida.

Por isso mesmo, tenho muito a agradecer pelos acontecimentos passados e viver intensamente este momento mágico que estou vivenciando, graças à generosidade dos irmãos Trovadores da UBT – São Paulo, lamento profundamente a ausência do querido irmão Trovador Izo Goldeman, almejando o seu feliz retorno ao nosso meio, com bastante saúde, salientando a falta que nos faz a sua presença amiga.

Desde criança, inventei que sabia fazer poesias e numa véspera de São João, com 9 anos, declamei o meu primeiro trabalho que recebeu muitas gargalhadas de deboche e repreensão. – Eu dizia:

Me lembro que certa feita
pertinho de uma fogueira,
desejei uma caneta
só para escrever besteira…

E eu sabia lá o que era certa feita?

No momento das risadas, pensei que havia falado um bruto palavrão, mas não desanimei e continuei produzindo, a meu modo, poesias que só a minha imaginação acreditava que era poesias.

Iniciei no movimento trovadoresco em janeiro de 1963, quando passei a frequentar o Grêmio Brasileiro de Trovadores, dirigido pelo saudoso Trovador Luiz Otávio, de quem recebi o maior incentivo.

Confesso que, apesar de passados quarenta e sete anos, ainda mantenho o mesmo entusiasmo, a mesma vontade de colaborar com a União Brasileira de Trovadores, uma das grandes razões da minha vida, pelos laços de fraternidade que me unem aos Trovadores e à UBT, desde o dia 21 de agosto de 1966, quando foi fundada, vitoriosamente.

Mesmo ficando até 1968 sem ganhar nem uma medalhinha como prêmio de consolação, para me alegrar, continuei concorrendo nos Concursos de Trovas e Jogos Florais.

Parece que eu estava seguindo o exemplo da Trova do saudoso Trovador Élton Carvalho, que diz:

Trovador “cobrão” eu sou,
pois nos concursos passados
reparem que sempre estou
entre os “des… classificados…”

Em 1969 descobri “o caminho das pedras” e felizmente, nunca mais o esqueci, nem por ele fui esquecida.

Por todos esses motivos, ilustre Presidenta Selma Patti Spinelli, esta homenagem é, sem dúvida, o maior prêmio que já recebi em minha vida, não só pelo seu valor, em si, mas pelo amor que devoto a UBT São Paulo, Seção em que fui tantas vezes premiada, pela gratidão inconteste por seus gestos de amizade e pelo respeito com que sempre me distinguiu, razão do meu eterno reconhecimento, bem como pelos seu profículo trabalho em prol da União Brasileira de Trovadores, que tanto amamos.

E eu fui falando… falando,
quase esquecendo o presente…
Mas volto lhes confessando
Tudo que a minha alma sente…

Permitam-me lhes dizer
com infinita humildade
que nem sei como conter
meu grau de felicidade…

Estou realmente encantada
por tudo que me fizerem
e levo na alma guardada
toda a atenção que me deram.

Em meio a tanta afeição
a minha emoção é tanta
que as frases de gratidão
morrem presas na garganta.

E abrindo o meu sentimento
lhes confesso, agradecida,
que este momento é o momento
mais feliz da minha vida.

A UBT, desejo a glória
e trajetória infinita,
para escrever sua história
da maneira mais bonita.

Que toda a Diretoria
que tem sempre ideia nova
como eterna estrela guia
guie os destinos da Trova…

Pela amizade, que fez
maravilhoso o meu dia,
eu partilho com vocês
todo esplendor deste dia.

Caros irmãos Trovadores
num preito de gratidão
lhes trouxe milhões de flores
no jardim do coração.

Findando esta cerimônia
que me deixou encantada,
eu quero ter muita insônia,
para sonhar acordada.

Agradecimento à querida Irmã Trovadora, Selma Patti Spinelli, Presidenta da UBT São Paulo, aos demais membros da Diretoria, aos Sócios, aos amigos de Trova de referida Seção, e todos os presentes que testemunharam a alegria que se reflete no meu semblante e cala em minha alma, finalizando dizendo:

Deus é tão amigo dos poetas que lhes deu inspiração para cantar, em versos, a grandiosidade da Natureza e dotou o “homem comum” de sensibilidade para entender a bendita linguagem do amor e da poesia…

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Deth Haak (Discurso em Trovas de Lançamento do 1o Congresso Mundial de Poetas Del Mundo – 2007)

Discurso proferido em trovas pela Coordenadora Sra. Deth Haak, Cônsul do Movimento de Poetas del Mundo no Estado do Rio Grande do Norte, no ato do lançamento oficial do 1º Congresso Mundial de Poetas del Mundo em 02.10.2007.

NATAL, UMA MAR DE POESIA E PAZ
Deth Haak

Que unidas todas as mãos
Inundem com alegrias
Poetas Del Mundo irmãos
Façam versos em demasia;

O mundo inteiro hoje vê
Na SPVA nordeste
Da Potyoca pra você
Versos de cabra da peste.

CASCUDO então me diria
Por e-mail ou telefone
Que Minerva aqui faria
Os versos em ciclone;

Bastante Camões virão
De Flor Bela, muitos clones
Poetas declamarão
Seus versos nos microfones

A SPVA deu provas
Que o verso e seus acalantos
Trará-nos nas boas novas
A Paz de todos os cantos

Em Deus Pai, tenho esperança
Que a Poesia reinará
E a Paz será a herança
Que Natal vos legará!

Será amena a lembrança
Que a saudade plantará
E então em cada criança
A Paz Mundial medrará;

Sinta qual Brisa a palavra
Plasmando o que eu sonhei
A Musa que o Vento lavra
Natal rainha sem rei!

Cidade Sol evidência
De universal harmonia
Busca da rima essência
E do verso a sinfonia;

Saudar Natal com ardor
Eis que o mar amante canta
E as Dunas primam o louvor
Na musica sacrossanta;

Poder exaltar-te em vida
Com trovas de puro amor
Enalteço-te comovida
Agradecendo ao Senhor;

Quem com versejar milita,
Basta ver-te magistral
Para despir-te bendita
Natal nubente sensual…

Poetas louvam-te em gloria
A Praeira do Othoniel
Cascudo em ti fez história
Cingindo-te com laurel!

És louvada por teus filhos
Em noitadas e manhãs
De Auta áureos estribilhos
E Luiz Carlos Guimarães;

Versos em Trovas altivas
O Cordel popular manto
Do Parnaso as sempre-vivas
Emolduradas de encanto;

Na verve de seus autores
Elevemos a nobreza
Pedro Grilo e seus valores
Da potiguar realeza.

Será em Maio o casório
Mês de Maria senhores
E haverá sol compulsório
Na Roma dos trovadores;

Que chova rima e o verso
No amparo da inspiração
Nas vírgulas do estro terço
Rezas preces e emoção;

Vinte e quatro a trinta e um
Num certame assaz afoito
Tu serás Natal o podium
Em Maio dois mil e oito;

Um mar de Paz te proponho
Minha Natal que amo tanto
Voragem de amor e sonho
Por isso em verso te canto;

Crispiniano o Presidente
Da Fundação se empolgou
E o projeto de repente
Desta poetisa aprovou;

Sou Poetisa e me orgulho
De ser par na confraria
Onde no verso procuro
A femína Academia.

Bem digo Ademar Macedo
Trovador da minha estima
Também louvo ao bardo ledo
Diógenes da Cunha Lima;

Poetas são pensadores
Nos mais variados climas
Neruda e demais autores
Os li pra cantar-lhes rimas

O Itajubá é saudade
Zila Mamede também
São dois anjos de bondade
Lá no azulado além!

Nobre guardião Luiz Árias
Dos pacifistas senhores
Almas da Paz sectárias
Recebam nossos louvores.

Digníssimo Secretario
Que do evento é timoneiro
É de escol o dignitário
De Natal pro Mundo inteiro;

Dona Vilma de Farias
Ilustre Governadora
Foi com Mar de Poesia
Simpática e acolhedora;

No dever bastante ativa
Desde o primeiro momento
Mui gentil e receptiva
Deu garantia ao evento;

Para o Brasil é a primaz
Esta escrita na lousa
Embaixadora da Paz
Delasnieve Daspet de Souza;

Prefeito Carlos Eduardo
Flutuando em cordialidade
Fará a entrega ao bardo
Da chave desta cidade;

Poetas Vivos e Afins
Firmes idealizadores
Ouçam de Cristo os clarins
O Mestre dos Sonhadores…

“A Poetisa dos Ventos”

Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte
Cônsul Poeta Del Mundo – RN
AVSPE

Fonte:
http://www.congressopoetasdelmundo.com/

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Delasnieve Daspet (Discurso Oficial do 1o Congresso Mundial de Poetas Del Mundo)

Discurso de Abertura Oficial do 1º Congresso Mundial de Poetas del Mundo, pronunciado pela Embaixadora no Brasil do Movimento Poetas del Mundo, Sra. Delasnieve Daspet, representando o Secretário Geral do Movimento Poetas del Mundo, Sr. Arias Manzo, no ato de seu lançamento em 02.10.2007, às 19hs no Palácio da Cultura/Pinacoteca em Natal, Rio Grande do Norte.

Aos poetas que participam da organização do Primeiro Congresso do nosso Movimento “Poetas del Mundo”.

Aos poetas de todo o Brasil que se uniram a este esforço e que acreditaram nesta utopia que consiste em pôr poesia nos problemas que agoniam a humanidade.

Aos Poetas del Mundo
Desde Chile, o país de Gabriela Mistral e Pablo Neruda, dois Prêmios Nobel de Literatura, quero saudar a todos os poetas que trabalham na organização do nosso primeiro congresso que se realizará na cidade de Natal, Brasil. Quero saudar-lhes através da nossa Sub-Secretária Geral e Embaixadora Delasnieve Daspet, que tem trabalhado lado a lado comigo desde o início deste magno projeto, e que tem a difícil missão de fazer deste evento histórico um êxito sem precedentes na história da humanidade. Envio esta mensagem por ocasião do lançamento deste evento, acontecimento do qual quis participar pessoalmente, mas por dificuldades que não vem ao caso explicar agora, não pude estar com vocês, porém sei que os responsáveis de Natal e do Brasil saberão representar e expressar nossos ideais e princípios.

O poeta é um ser especial; tem o dom de fazer da palavra algo belo que transcende o sentido simples quando esta está desnuda, o poeta a veste de uma maneira que a faz forte, espetacular, bela. Para os tempos que vivemos é necessário que o homem consiga entender-se através do diálogo, porém o ruído dos canhões impede que nos escutemos, então se necessita imperiosamente que a voz ultrapasse o retumbar das armas, e o poeta sabe disso. Vivemos atualmente o processo de morte de uma etapa degenerada e o nascimento de uma NOVA ERA em que o poeta tem uma lista determinante de coisas em que intervir. O poeta não pode ficar atrás, o poeta deve ir na primeira fila, se não o faz, é que não é um verdadeiro poeta, em todo caso, não é um verdadeiro poeta del mundo.

Como algo concreto neste combate pela vida, me fixei na árdua tarefa de unir os poetas de todo o mundo que abraçam os ideais de liberdade e criei O Movimento Poetas del Mundo e fixei um ambicioso objetivo: converter a palavra em uma força real capaz de influir nos destinos do mundo e no equilíbrio do planeta. Logo, quando nossa voz ressoe nos frios palácios do Poder e chegue também ao bairro que o poeta não pode deixar de visitar, devemos ser capazes de propor uma via que nos retire do estado de decadência que vive nossa sociedade.

Nesta tarefa futurista o sujeito social é o poeta, e este poeta guerreiro deve nutrir-se da realidade social, mesclar-se nela e ser capaz de abandonar o Ego. Qualquer lugar onde se desenvolva a atuação do escritor, é uma trincheira de combate, porque por todas partes há decadência. Os políticos fracassaram; nos arrastaram a situação apocalíptica em que nos encontramos, hoje é necessária uma troca profunda na estruturação da organização do mundo, em outras palavras, creio que estamos vivendo nos limites do aceitável e muito perto do início de uma revolução planetária, é aí onde o escritor pós-moderno tem uma lista determinante de coisas em que intervir.

É certo que a guerra não é algo novo que nos surpreenda, a guerra tem existido sempre; desde a noite dos tempos em que o homem tomou consciência de sua existência viemos nos combatendo uns com os outros, o problema é que hoje a ambição do homem está provida de armas capazes de fazer desaparecer a vida no planeta em poucas horas. O que estamos vendo no Oriente Médio é uma etapa de um nefasto projeto muito ambicioso do Império, que consiste em apoderar-se dos recursos naturais que possui essa região, hoje se trata do petróleo, amanhã será a água doce.

Então, os poetas devemos usar nossa melhor arma para combater o horror, a ignorância ou a inconsciência dos homens, essa arma é o poema, essa maneira curta de expressar algo grande, essa forma de dizer em breve algo que envolve um sentimento enorme ao interior mesmo das entranhas da alma. O poema é a linguagem misteriosa que brota inexplicavelmente desde a fonte que nutre a vida sentimental do ser, isso que chamamos inspiração. É uma forma de comunicação entre o eu terrestre e a voz misteriosa que sussurra no interior de cada um. O poema pode ser tão potente, que se o usamos bem, o podemos converter em uma arma poderosíssima para combater os sentimentos cinzentos destes loucos que nos governam. Para lá se encaminha meu ambicioso projeto: Criar um exército de poetas guerreiros cuja arma seja a palavra que se expande pelo mundo como uma torrente de resistência para o que mata a vida e a felicidade.

Estou consciente do perigo que implica este projeto; não faz muito, faz algo assim como dois mil anos, eram os tempos do Império romano, um homem jovem entrou em Jerusalém falando de amor e de paz, sua arma era a palavra, todos sabemos como terminou sua aventura. Não me estranharia que em algum tempo mais, nos acusem de terroristas intelectuais, e nos persigam por todas as partes, mas ainda assim vale a pena dar esta batalha pela vida e a paz.

Luis Arias Manzo
Fundador e Secretário Geral do Movimento Poetas del Mundo
Tradução: Nadir Silveira Dias, Poeta del Mundo em Porto Alegre e Cônsul Estado do Rio Grande do Sul, com o estrito cuidado de preservar o exato pensamento e a construção lingüística do autor, no idioma original.

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