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Elicio Pontes / DF (Romantismo)

Da coletânea Declame para Drummond 2012 
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil 

Escrever poemas derramados 
falando sempre de amor 
era algo que eu não me permitia. 
Pedi socorro, então, a quem devia. 
Busquei Vinícius de Moraes: 
– meu deus, como ele sabia! 
Como dizia loucuras de amor 
com seu jeito vinícius. 
O grandioso poetinha 
era lírico, romântico, despejado 
e vergonha disso, não tinha. 
Carlos, esse Drummond, então 
não falava apenas de uma pedra 
e do caminho ocupado pela pedra 
nem sofria somente com os josés 
e seus impasses desesperados 
sem saber aonde ir, agora. 
(…) Deixai-me verter lágrimas 
sofrer e gozar as paixões 
eleger e cantar minha musa, 
a mulher inesperada 
que então se fez poesia. 

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Arquivado em Distrito Federal, homenagem, poema.

Zenilton de Jesus Gayoso Miranda (Poesias Avulsas)

LÍRIOS

Doem os teus lírios solitários
Em casa
Na mesa escura
Nos jarros entretecidos
Onde sufocam o colorido
E o aroma é incerto
As gotas sombrias, todas,
Voltam-se perplexas
A refletir o ar parado
De vereda invernal
De bosque úmido
Nos olhos de antes
Fuga e cristais

Mas não somente os lírios e as varandas
O ar
A mesa e a casa plena de ócio
Mais o duplo aquém, estático,
Suspenso,
Na plácida impressão
Do ausente alarido dos lírios
Das vozes dos lírios
Que denunciam saudades geminais.

VAZIO

O vazio
que não o só
É construto de partes
Irreconciliáveis voltas
No vasto escuro exposto
Da que tensa
Em mim debela:
A parte que me cabe
Do vazio renitente
De outros vazios pares

AVES FORA …

Ave estreita
Furtiva figura
Em um dia cego
Nesse ante vôo razoado
Alinho, calado
De pé ante pé descalço,
E com uma réstia fria
Pelo teu bico calvo
Inconteste te laço.

Sob castas de moscas vítreas
Em festivo alvoroço
Dou-te um véu sisudo
E espumas largas
Ao teu pescoço
Para repousares salva desse tremendo escorço
Das vagas e ventos funéreos
Donde despencas vertida em tédio.

Ave implume
Moléstia do dia
Veste teu manto
Desce teu séqüito
Trina no corte
Dessa faca pífia
Serena na noite em que vagando faltas
Emplastro votivo
Aves fora vasta.

CHUVA GRANULAR

Na granularidade da chuva
Vejo dardos hirsutos
Arremeterem farpas
Sobre meus músculos expostos.
À parte de mim
Adentram cartilagens flácidas
Que empedernidas crescem
Enquanto atônito durmo.

Ferem essas agulhas comensais
As delicadas pústulas
Os passos e as sombras
Do caminho destro que sigo.
Bravias, abstraídas de nexos e subcutâneos medos
Avançam convexas
Sobre minha carne puramente nervos.

Absorto,
A parte de mim,
Esse corpo nu, corpo retrorso,
Não é mais estípulas ou véus,
Vive minimamente,
Mas absorve, laivos de gotas.

TEUS OLHOS

“Pois morro da vida que vivo
E vivo da vida que morro”.
Edgar Morin

Sempre haverá beleza
Enquanto puder tocar
A face mais simples da vida
E não duvidar
Que mais suave que a brisa
Tua face sempre há de estar
No tempo
Desperta e risonha
Na íris desses olhos vazados
Qual flor que às estações ignora.

Enquanto houver primaveras
Sempre viverão
Floras de amores cingidas
E flores no amor impressas
Que teus olhos colherão,
E mais que em sonhos
Verdades
Aos meus apascentarão.

Mais dias, mais dores, mais vastos
Eu sei, repousarão
Nos braços dos teus socorros
Os calos dos dias que levo
Pois quanto mais vivo
Mais calo
“Pois morro da vida que vivo
E vivo da vida que morro”.

Em dias de brisas caladas
E brumas no tempo caídas
Meus pés caminharão
A via da imagem impressa
No verbo solidão.

Estou fatigado, mas corro
Com os pés descalços
plantados nesse vasto
Deserto de cardos
Que jorra,
Em amenidades assíncronas,
Um coração em cortes.

Fonte:
Antonio Miranda

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Arquivado em Distrito Federal, Poesias Avulsas

Zenilton de Jesus Gayoso Miranda (1975)

Poeta nascido no Maranhão, em 1975, residente em Brasília.

Graduado em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (1999), mestrado em Ciências da Informação (2001) e especialização em Inteligência Organizacional e Competitiva (2006), pela mesma instituição. Atualmente Analista de Nível Superior da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Unidade Cerrados.

Na área ambiental atua em Botânica (Taxonomia de Bromeliaceae e Orchidaceae), especialização pela Escola de Paisagismo de Brasília, e Desenvolvimento Sustentável e Direito Ambiental, Organização e Gestão da Informação Ambiental, com ênfase em Biodiversidade e Plantas Ornamentais.

É ilustrador científico de espécies do cerrado e também de obras artísticas.

Fonte:
Antonio Miranda

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Arquivado em Biografia, Distrito Federal

Pedro Gontijo (Poesias Avulsas)

QUISERA EU ESTAR AO TEU LADO, DONA DE PALAVRAS

Quisera eu estar ao teu lado, dona de palavras
brincando com elas como se fizesse prosa
como se fizesse garoa
sobremesa de goiabada, vôo de pipa
passeio de metrô.

Dona? antes mestra
e serva das que não se deixam domar
só apreciar, poéticas
como é próprio de todas as palavras.

Palavras? antes musas
a suave mística de estar sem ser
fingir sem que seja preciso
errar sem ter ao menos necessidade
senão a de errar.

Errar? antes amar
que não é senão errar sem medo
servir sem senhorio
andar pela cidade (ou pelas minas, planaltos)
apenas pelo prazer de andar.

E nisso és mestra, poetisa
das palavras, das minas e das gentes
da liberdade, ainda que tardia
do que vês, do que pensas, do que sentes
da prosa fina, poesia arredia
e da vontade sem receio de aprender.

Brinca comigo, simples servo
das palavras, musas, erros, amores
todos pomposos, impávidos senhores
do meu escrever e prosear
com goiabada com queijo, garoa fina
passeio de metrô, vôo de pipa.

OXI, DIRÁ, CONTAR MUTRETAS

Oxi, dirá, contar mutretas
só de olhar do parapeito
da rodoviária.

Lá elas passam
feito formiga
de formigueiro pisado.

Andam de lado
sem disfarçar
a sem-vergonhice

E impressionado
contará as peias
pesteando o ar.

Calma, velho
não é só de arrombo
que se faz o dia.

AINDA QUE QUEIRA PERDER-ME

Ainda que queira perder-me
Faça com a clareza dum beijo
que não mente, atrasa ou faz-de-conta
e só compraz a que apronta a alma

Perca-me baixinho, melhor, em silêncio
De beijo calado
Não faça lampejo, não dê volta e meia
Tome o ensejo firme e perene
obstinada

A nada permita que não me faça perder
Decidida, fatalmente perca-me
Invariável, eternamente perca-me
Faça-me perder, num repente, sem que eu perceba
e me arrependa.

EU, RETIRO DOS QUE AMO

Eu, retiro dos que amo
De íntimo ansioso por acolher
Alma abrigo de almas.

Espero, se já não esperasse
A porta a bater, o suspiro a sussurrar
Os olhos, sinceros, a deitarem-se aos meus

Não movo contudo
e não busco e não penso
A mente distante, o coração alhures
e os olhos agora sem terem onde pousar

Eu, recanto de minha alma
pastor relapso e leviano.

SOLTEI O AMOR PARA CORRER LIVRE E ELE LARGOU-ME

Soltei o amor para correr livre e ele largou-me
Entretido com as sementes emplumadas que suspendiam no ar
Esqueceu-se de meus dedos entrelaçados, minha barba meio deixada
Da minha música de ninar
Dormir era a última coisa que se passava na cabeça do amor.

O amor rolava na grama, e molhava os tornozelos no regato
E subia na árvore, e comia jabuticaba
Feliz da vida
As pedras ele quicava no lago, com os caroços dava cusparadas
E mais cantava e mais ria sozinho

E eu, eu vi as plumas no céu qual estrelas
Constelação dançante, sem lua
E lembrei-me do amor

E cansei-me sem valer a pena
E compus melodias só aos meus ouvidos
E molhei os tornozelos na água.

PENSANDO BEM, SOZINHO

Pensando bem, sozinho
era tenramente livre
como se estivesse de braços abertos
sem fechar os olhos.

Liberdade tenra e pesada
como uma chuva a cair esquisito
lastro descompassado com cheiro de terra.

Dos braços soltava-se
como se solta dos livros ao fechá-los
da prosa ao contá-la
dos amigos ao abraçá-los
solto, sorvido em besteiras
feliz de tudo.

Via, e olhava, e via outra vez
a carranca da cidade
com os olhos de dentro
Porque não podia fechá-los
porque não conseguia fechá-los
de tanto que havia de ser visto.
Pensava bem, e mal se via
por todo lado, numa vontade imensa
de correr, docemente livre
abrindo arregaçadamente
os olhos do mundo.

–––––––––––––-

Pedro Gontijo Menezes nasceu em Brasília, em 1982. Desde pequeno é apaixonado pela história e geografia, e também pela música. As duas paixões, juntas em sua poesia, ainda o acompanham: formou-se em Relações Internacionais na Universidade de Brasília, em 2005, e toca clarineta.

Conquistou o 1º lugar no Concurso Laís Aderne de Literatura, gênero poesia, em novembro de 2007, com a obra “O pastor leviano”.

Fonte:
Antonio Miranda

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RD Oliveira Lima Taufick (Lançamento do Livro “Saca-rolhas”)

Esta é a estreia oficial do escritor no cenário literário nacional. RD Oliveira Lima Taufick é autor de Saca-rolhas, obra que foi disputada por algumas editoras do eixo Rio-São Paulo. Em conjunto com seu agente, Taufick decidiu pela Caki Books, pois – mesmo sendo uma nova editora – as sócias têm influência e larga experiência no mercado editorial.

De autoria do EPPGG Roberto Taufick, a obra reúne dez contos e crônicas que parecem relatar os diversos momentos vividos na vida de um mesmo personagem. Os textos abordam fatos cotidianos, situações cômicas e outros tipos de emoções. Alguns dos temas abordados são a atividade de flanelinhas nas ruas da cidade, a regionalidade e os dramas masculinos vividos na casa dos 30 anos. O prefácio da obra é de Ivan Angelo, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti.
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Roberto Domingos Oliveira Lima Taufick é Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco/USP (2001), com ênfase em Direito da Empresa (USP/2001) e extensão em Direito da Concorrência (UnB/2006), cursando pós-graduação em Defesa da Concorrência pela EDESP (FGV/SP).

Atualmente é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (ENAP, 2006) e Assessor no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE/MJ).

Em 2007, tornou-se o 1º International Fellow da Federal Trade Commission (Washington, DC) sob o Safe Web Act de 2006.

Assina, ainda, obras literárias sob o pseudônimo R.D. Oliveira Lima Taufick.

Membro honorário da Academia de Letras da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco/USP.

Livros
Saca-Rolhas – repristinações apoplécticas. Rio de Janeiro: Caki Books, 2010.
Com ALMEIDA, Ruy Hallack Duarte de . 7 Selos. Brasília: Dupligráfica, 2008. v. 1.
Trouxeste a Chave?. Goiânia: produção independente, 1997. v. único.

Fontes:
Curriculo Lattes
Andrey do Amaral
http://www.anesp.org.br/?q=node/3473

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Arquivado em Biografia, Distrito Federal, Estante de Livros, Lançamento