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O Mundo Curioso da Literatura

Alcides Maya (1878-1944) foi o primeiro gaúcho a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1914.

Em 1963, com quarenta anos, Celso Luft casou-se com Lya Fett, com vinte e um anos, e que viria a tornar-se a escritora Lya Luft. Eles se conheceram durante uma prova de vestibular e, posteriormente, ela foi sua aluna. Celso, então conhecido como Irmão Arnulfo, abandonou a batina para casar. Eles tiveram três filhos: Suzana (1965), André (1966) e Eduardo (1969). Celso faleceu em 1995.

O escritor porto-alegrense Flávio Moreira da Costa (1942-) foi um dos escritores brasileiros mais premiados na década de 90. Ele foi também indicado pela Unesco para viver como escritor-residente no CAMAC, comunidade artística internacional em Marnay-sur-Seine, a 110km de Paris, onde escreveu o romance O país dos ponteiros desencontrados, lançado pela Editora Agir em novembro de 2004.

A gaúcha Luciana de Abreu (1847-1880) foi a primeira mulher, no Brasil, a ser aceita em uma sociedade literária (o Partenon literário, criado em 1868).

O fato de não ter ocupado uma vaga na Academia Brasileira de Letras só fez o poeta Mário Quintana ( 1906-1994) aguçar seu conhecido humor e sarcasmo. Perdida a terceira indicação para aquele sodalício, compôs o conhecido “Poeminha do Contra”, onde mostra que acreditava que enquanto os imortais da Academia serão esquecidos, seus versos são simplesmente livres…
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Em 17 de fevereiro de 1927, o combativo e popular jornalista e escritor Crispim Mira foi assassinado na redação do jornal que trabalhava, em Florianópolis. Ele não tolerava os abusos do poder público e fazia questão de denunciar em seus jornais as irregularidades vigentes. Pouco antes de morrer escreveu artigos em que questionava, por exemplo, a lentidão com que a Comissão de Melhoramentos dos Portos, vinculada ao Ministério da Viação, tratava do aumento do calado do porto de Florianópolis – que, por ser limitado, obrigava as embarcações a atracarem na ilha de Ratones, na Baía Norte. Quem atirou em Crispim Mira foi Aécio Lopes, 26 anos, filho de Tito Lopes – diretor da Companhia de Melhoramentos dos Portos da Capital e duramente criticado nos editorias de Folha Nova, onde Mira trabalhava. Aécio e seus comparsas foram absolvidos, no entanto. (O poder $empre falou muito alto).

A catarinense Edla Van Steen (1936-) é uma das únicas autoras do sul do país a ter 4 livros publicados (e muito elogiados) nos Estados Unidos. São eles: A bag of stories, 1991 (EUA) Scent of love, 1991 (EUA) Village of the ghost bells, 1991 (EUA) Early mourning, 1991 (EUA).

Em 1885, o catarinense Luiz Defino (1834 – 1910), em concurso nacional da revista A Semana, foi eleito o maior poeta do Brasil.

Harry Laus (1922-1992) publicou seu primeiro livro depois dos 50 anos de idade, após aposentar-se na carreira militar. O escritor e crítico de arte catarinense é hoje mais conhecido na França que no Brasil.

Guido Wilmar Sassi (1922-2003) não terminou o curso ginasial, mas aos doze anos de idade, já costumava ler tudo quanto lhe caía à mãos, inclusive Cervantes no original espanhol, histórias de fadas e ficção científica (Júlio Verne), romances policiais (Edgar Wallace e Conan Doyle), os contos de Hoffmann, Machado de Assis e Monteiro Lobato, peças de teatro e dicionários. (algo raro para um menino de hoje de 12 – ou até bem mais – anos de idade).

Dalton Trevisan, além de não dar entrevistas e não aceitar ser fotografado (a menos que seja por um descuido, como nesta foto), não recebe visitas nem aceita nenhuma espécie de fama. Já recebeu o apelido de “Vampiro de Curitiba”, por viver enclausurado em casa.

O escritor paranaense José Colombo de Souza (1920-?), como se informa em nota por ocasião do lançamento do livro Fuga, foi demitido de uma academia de letras por converter-se à poesia moderna. Sobre Fuga, afirmava-se que era obra hesitante como toda a poesia moderna.

O poeta Emiliano Perneta (1866-1921) foi quem divulgou As Flores do Mal, do francês Baudelaire aos poetas curitibanos, fazendo da capital do Paraná, um dos centros de formação de poetas simbolistas. Em vida, os curitibanos lhe prestaram uma homenagem, dando-lhe o título de “Príncipe dos Poetas Paranaenses”. A poética de Emiliano Pernet tem versos bem trabalhados à parnasiana e tematiza a metalinguagem, o satanismo, o elogio à natureza e o misticismo cristão.

Falando em poesia, com suas poesias curtas, sucintas e sábias, Paulo Leminski (1944-1989) anda sendo chamado o precursor (inteligente) do Twitter (inteligente). Por sinal, ele foi homenageado recentemente no Jornal da Globo, na ótima coluna de Nelson Motta.

Outra curiosidade interessante sobre Leminski, é que ele se casou ainda menor de idade, aos 17 anos, com Neiva Maria de Sousa. O casamento durou apenas 6 anos, e eles não tiveram filhos. No mesmo ano em que se separou, começou a namorar Alice Ruiz, poetisa com quem viveu vinte anos e incentivou a escrever. Os dois, inclusive, moraram um ano com a ex-esposa de Leminski e o namorado dela. Tiveram três filhos: Miguel Ângelo, Áurea e Estrela. Separaram-se em 1987.

Emílio de Meneses (1866 – 1918), jornalista e poeta curitibano ao ser convidado para a Academia Brasileira de Letras compôs um discurso de posse, em que revelava nada compreender de Salvador de Medonça, nem na expressão da atuação política e diplomática, nem na superioridade de sua realização intelectual de poeta, ficcionista e crítico. A Mesa não permitiu a leitura do discurso e o sujeitou a algumas emendas. Emílio protelou o quanto pôde aceitar essas emendas, e quando faleceu, quatro anos depois de ter sido eleito, ainda não havia tomado posse de sua cadeira.

O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.

O escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim que ninguém o tirasse do lugar.
Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena, como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.

Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.

Machado de Assis, nosso grande escritor, ultrapassou tanto as barreiras sociais bem como físicas. Machado teve uma infância sofrida pela pobreza e ainda era miope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado foi acometido por uma de suas piores crises intestinais, com complicações para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a esposa, Carolina.

Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa, mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso.
Aluísio de Azevedo tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto escrevia.

José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato Sul-Americano, em 1953.

Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros. Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou. Tinha a mania de picotar papel e tecidos. “Se não fizer isso, saio matando gente pela rua”. Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto. “Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado. Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha.”

Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o “furo”: Fernando Pessoa tinha lido seu horóspoco pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.

Érico Veríssimo era quase tão taciturno quanto o filho Luís Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação final.

Clarice Lispector era solitária e tinha crises de insônia. Ligava para os amigos e dizia coisas pertubadoras. Imprevisível, era comum ser convidada para jantar e ir embora antes de a comida ser servida.

Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico Fontoura. “Para ele, era licor”, diverte-se Joyce, a neta do escritor. Também tinha mania de consertar tudo. “Mas para arrumar uma coisa, sempre quebrava outra.”

Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: “O senhor gosta de Camões?” Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história para impressionar os amigos.

Fernando Sabino foi escoteiro dos nove aos treze anos. Nadador do Minas Tênis Clube, ganhou o título de campeão mineiro em 1939, no estilo costas.

Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. “Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue”, conta Agnes, a filha mais nova.

Mário de Andrade provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava em vão. O escritor era homossexual.

Vinicius de Moraes, casado com Lila Bosco, no início dos anos 50, morava num minúsculo apartamento em Copacabana. Não tinha geladeira. Para aguentar o calor, chupava uma bala de hortelã e, em seguida, bebia um copo de água para ter sensação refrescante na boca.

José Lins do Rego foi o primeiro a quebrar as regras na Academia Brasileira de Letras, em 1955. Em vez de elogiar o antecessor, como de costume, disse que Ataulfo de Paiva não poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.

Castro Alves morreu com apenas 24 anos, nasceu em 1847 vindo a falecer em 1871.

J.K Roling (Escritora de Harry Potter) começou a escrever seu primeiro livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, em guardanapos em um bar que frequentava, e ao terminar o livro ficou com uma terrível dúvida: escolher se comprar leite para sua filha ou mandava seu livro pra editora, hoje ela é milionaria !

Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. “Por quê?”, perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: “O motivo é simples: nós somos amantes.” Ficou todo mundo de boca aberta. O clima ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal disse: “Muito prazer, encantado.” Era piada. Os dois nem se conheciam até então.

Fontes:
http://www.escritoresdosul.com.br/
Academia Brasileira de Letras.
http://moyseswesley.blogspot.com

Imagem = montagem sobre desenho do blog de Moyses Wesley.
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