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Folclore dos Estados Unidos (Lenda Indígena Abenaki: História da Criação e A Importância de Sonhar)

Grande Espírito, em um tempo não conhecido por nós olhou aproximadamente e não viu nada. Sem cores, sem beleza. Tempo ficou em silêncio na trevas. Não havia nenhum som. Nada poderia ser visto ou sentido. O Grande Espírito decidiu preencher esse espaço com luz e vida.

De seu grande poder, ele comandou as faíscas da criação. Ele ordenou Tolba, o grande da tartaruga para vir das águas e tornar-se a terra. O Grande Espírito moldou as montanhas e os vales nas costas de tartaruga. Ele colocou as nuvens brancas no céu azul. Ele ficou muito feliz e disse: “Tudo está pronto agora. encherei este lugar com o movimento feliz da vida. “Ele pensou e pensou sobre que tipo de criaturas que ele faria.

Onde é que eles vivem? O que eles fariam? Qual seria o seu propósito ser? Ele queria um plano perfeito. Ele pensou tanto que ficou tão  cansado e adormeceu.

Seu sono foi cheio de sonhos de sua criação. Ele viu estranhas coisas em seu sonho. Ele viu animais rastejando sobre quatro patas, alguns em duas. Algumas criaturas voando com asas, alguns nadavam com barbatanas. Lá  haviam plantas de todas as cores, cobrindo o chão por toda parte. Insetos zumbiam ao redor, os cachorros latiam, os pássaros cantavam, e os seres humanos chamados uns aos outros. Tudo parecia fora do lugar. O Grande Espírito pensou que ele estava tendo um sonho ruim. E pensou que nada poderia ser este imperfeito.

Quando o Grande Espírito despertou, viu um castor mordiscando um ramo. E percebeu o mundo de seu sonho tornou-se sua criação. Tudo ele sonhou havia se tornado realidade. Quando ele viu o castor fazer a sua casa, e uma represa para fornecer uma lagoa para a sua família  nadar, então ele sabia que cada coisa tem o seu lugar, e fim no tempo.

Tem sido dito entre o nosso povo de geração em geração. Não devemos questionar nossos sonhos. Eles são a nossa criação.

Fonte:
Toca da Morgana

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Folclore dos Estados Unidos (Lenda Abenaki: Estória do Tambor)

Diz-se que, quando Tunkashila (o Avô Universo), estava a dar um lugar a todos os espíritos que habitam e tomam parte da habitabilidade da Mãe Terra, se escutou um som, uma forte explosão à distância.

Tunkashila escutou o som a aproximar-se cada vez mais até estar mesmo à sua frente.

-Quem és tu?- perguntou o Criador

-Eu sou o Espírito do Tambor- foi a resposta- e venho pedir-te que me permitas
participar nestas coisas maravilhosa que estás a criar.

– E como queres tu participar?

-Gostava de acompanhar o canto das gentes, quando se cante desde o coração eu próprio vou cantar como se fosse o bater do grande coração da Mãe Terra. Desta maneira toda a criação cantará em harmonia!

Tunkashila atendeu ao pedido e a partir de então o tambor tem acompanhado as vozes que cantam desde o coração. Para todos os primeiros povos do mundo (indígenas), o tambor constitui o centro das canções e é o catalisador para o espírito destas se elevar até ao Criador de modo a que as orações cheguem aonde estão destinadas a ir. O som do tambor traz integridade, respeito, entusiasmo, solenidade, força, coragem e cumprimento das próprias canções. Trata-se do bater do grande coração da Mãe Terra concedendo aprovação a todos os que nela habitam. A águia abraça esta medicina e conduz a sua mensagem ao Criador e aí se transforma a vida das gentes.

Para os índios, (Pajés e Xamãs), o tambor é o ‘cavalo ou canoa’ que os transporta para outras dimensões da realidade. Sua vibração é extremamente forte, capaz de propiciar a cura e a ampliação da consciência por ressonância vibratória. Quando o tambor é tocado, sua vibração é sentida dentro do corpo, criando um efeito purificante. Através das ondas sonoras, entramos em ressonância e ativamos a memória ancestral do homem como espécie e indivíduo.

Instrumento de cura e manifestação.

As vibrações do tambor mudam as ondas cerebrais de beta para ALFA, as ondas cerebrais alfa são as ondas do estado de meditação, as ondas que abrem o portal da genialidade, o lado direito do cérebro, o lado direito do cérebro é a nossa parte feminina, é a energia criativa individual e ao mesmo tempo a energia criativa de ‘Tudo que Existe”, o eu quântico onde não há mais a noção do ego linear que diz (Como a energia criativa pode ser minha e do Universo inteiro ao mesmo tempo?) essa noção diz respeito apenas as leis dessa dimensão linear, egóica, ao transcender essa dimensão Tu é Individual e TUDO QUE EXISTE ao mesmo tempo, sentir o que É ISSO é meditação, é a iluminação, é dizer “É ISSO” é dizer ao Universo “EU SOU” e assim perceber a irmandade de todas as coisas, portando, as vibrações do tambor são um instrumento quântico de cura interior, de autoconhecimento, de magia, a real magia..

Fonte:
Grupo Xamanismo

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Folclore dos Estados Unidos (Lenda Ojibwa: Como o Morcego Veio a Ser o Que É)

Nota:
Os ojibwas foram um povo indígena da América do Norte, igualmente divididos entre os Estados Unidos e o Canadá. Habitavam a região a oeste e em volta do lago Superior.
–––––––––––––––––-
Há muito tempo atrás, enquanto o sol se levantava pela manhã, ele chegou perto demais da Terra e ficou preso nos galhos mais altos de uma grande árvore.

Quanto mais o Sol tentava escapar mais ele ficava preso. Então, chegou a noite.

Logo, logo, todos as aves e animais notaram. Alguns acordaram, então voltaram a dormir pensando que tinham se enganado e não era hora de levantar.

Outros animais, que amavam a noite, como a pantera e a coruja, estavam realmente contentes porque permanecia escuro, assim ele podiam continuar a caçar.

Mas após um certo período, tanto tempo havia se passado que as aves e animais souberam que havia algo errado.

Ele se reuniram em Conselho na escuridão.

“O Sol se perdeu,” disse a águia.

“Devemos procurar por ele” disse o urso.

Assim, todos os pássaros e animais foram procurar pelo Sol.

Eles olharam em cavernas e nas profundezas da floresta e no topo das montanhas e nos pântanos.

Mas, o Sol não estava lá. Nenhum dos pássaros ou animais pôde encontrá-lo.

Então, um dos animais, um pequeno esquilo marrom teve uma idéia. “Talvez o Sol esteja preso em uma árvore alta,” ele disse.

Então, o pequeno esquilo marrom começou a pular de árvore em árvore, indo cada vez mais para o leste. Enfim, no topo de uma árvore muito alta, ele viu um raio de luz.

Ele escalou e viu que era o Sol. A luz do Sol estava pálida e ele parecia fraco.

“Ajude-me Pequeno Irmão!,” disse o Sol.

O pequeno esquilo marrom chegou mais perto e começou a mastigar os ramos que prendiam o Sol. Quanto mais perto ele chegava, mais quente ficava. Quanto mais galhos ele mastigava, mais brilhante o Sol se tornava.

“Eu tenho de parar agora!” disse o pequeno esquilo marrom. “Meu pelo está queimando. Ele estava ficando todo preto!”

“Ajude-me!,” implorou o Sol. “Não pare agora”

O pequeno esquilo continuou o trabalho, mas o calor do Sol estava muito quente e ele estava muito mais brilhante. “Minha cauda está se queimando!” disse o pequeno esquilo marrom. “Não posso fazer mais que isso!”

“Ajude-me!,” disse o Sol. “Logo eu vou estar livre!”

Assim, o pequeno esquilo marrom continuou a mastigar. Mas a luz do Sol estava brilhante demais agora.

“Estou ficando cego!,” disse o esquilinho. “Preciso parar!”

“Só um pouquinho mais!,” disse o Sol. “Eu estou quase livre!”

Finalmente, o pequeno esquilo marrom soltou o último dos ramos.

Logo que ele fez isso, o Sol se libertou e subiu para o céu.

A escuridão desapareceu sobre a Terra e era dia novamente. Por todo o mundo pássaros e animais ficaram felizes.

Mas, o pequeno esquilo marrom não estava feliz. Ele foi cegado pela claridade do Sol. Sua longa cauda tinha sido queimada até o fim e o que ele tinha de pêlo agora estava preto.

Sua pele tinha se esticado por causa do calor e ele estava suspenso no topo da árvore, incapaz de se mover…

Lá em cima no céu, o Sol olhou e sentiu pena do pequeno esquilo marrom. Ele tinha sofrido muito para salvá-lo.

“Pequeno Irmão,” disse o Sol. “Você me ajudou. Agora, eu vou de dar algo. Há algo que você sempre tenha desejado?”

“Eu sempre quis voar,” disse o pequeno esquilo. “Mas eu estou cego agora, e minha cauda se queimou.”

O Sol sorriu “Pequeno Irmão,” ele disse, “de agora em diante você voará melhor que as aves. Porque você veio tão perto de mim, minha luz sempre estará brilhando para você, e além disso você enxergará no escuro e ouvirá tudo ao seu redor enquanto voa.

“De agora em diante, você dormirá quando eu levantar nos céus e quando eu disser adeus para o mundo, você acordará.”

Então o pequeno animal que uma vez foi um esquilo caiu do galho, esticou suas asas de pele e começou a voar.

Ele não mais sentiu falta de sua cauda e de seu pêlo marrom e ele sabia que quando a noite chegasse novamente, seria sua hora. Ele não mais poderia olhar para o Sol, mas ele reteve a alegria do Sol dentro de seu pequeno coração.

E assim foi, há muito tempo atrás, o Sol mostrou sua gratidão para o pequeno esquilo marrom, que  não era mais um esquilo, mas o primeiro de todos os morcegos.

fonte:
http://www.firstpeople.us/FP-Html-Legends/HowTheBatCameToBe-Ojibwa.html
Texto em português http://casadecha.wordpress.com

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Folclore dos Estados Unidos (Ne Hwas, a sereia)

Há muito tempo atrás, havia um índio, com sua esposa e duas filhas. Eles viviam perto de um grande lago, ou no mar e a mãe avisou às meninas para nunca ir para a água, pois se assim o fizessem  algo que aconteceria com elas.

Elas, no entanto, enganavam a mãe repetidamente. Quando nadar é proibido torna-se ainda mais agradável. A beira do lago acabava em uma ilha. Um dia elas nadaram até lá, deixando suas roupas na praia. Os pais as perderam.

O pai tentou encontrá-las. Ele as viu nadando ao longe e chamou por elas. As meninas nadaram até a areia, mas não foram longe. Seu pai perguntou-lhes porque não podiam. Elas gritaram que tinha ficado tão pesadas que era impossível. Elas estavam muito viscosas, e tinham virado serpentes cintura para baixo. Após mergulhar algumas vezes neste lodo estranho elas se tornaram muito bonitas, com longos cabelos e olhos negros e luminosos, com faixas de prata em seu pescoço e braços.

Quando o pai foi buscar as suas roupas, elas começaram a cantar em tons mais maravilhosos:

“Deixe-as lá
Não lhes toque
Deixe-as lá! “

Ouvindo isso, sua mãe começou a chorar, mas as meninas continuaram:

“É tudo culpa nossa,
Mas não nos culpem
Isso não será nada o pior para você.
Quando você estiver na sua canoa,
Então você não precisará de remo
Vamos levá-lo junto!”

E assim foi: quando seus pais foram na canoa, as meninas a levaram para  todo lugar.

Elas as encontraram na água, e as perseguiu para tentou capturá-las, mas elas eram tão escorregadias que era impossível segurá-las, até que um, pegando a sereia pelos longos cabelos negros, conseguiu cortá-lo.

Então a menina começou a balançar a canoa e ameaçou virá-la, a menos que seu cabelo fosse devolvido. O índio que havia ludibriado a sereia a princípio recusou, mas como as sereias ou donzelas serpentes, prometeram que todos eles se afogariam a menos que isso fosse feito eles devolveram e assim sendo, foi desfeito o bloqueio que a impedia de continuar. E no dia seguinte, elas foram ouvidas onde elas tinha sido vistas pela última vez e o cabelo da sereia que havia sido cortado, estava crescendo novamente.

Fontes:
http://www.sacred-texts.com/nam/ne/al/al57.htm
http://www.firstpeople.us/FP-Html-Legends/Ne-Hwas-The-Mermaid-Passamaquoddy.html
Texto em português http://casadecha.wordpress.com

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Folclore dos Estados Unidos (Wendigo, O Espírito Canibal)

Parte da mitologia algonquina, principalmente das tribos Cree e Ojibua, o wendigo tem muitas aparências segundo as lendas, tanto pode ser um tipo de pé-grande canibal, com longos dentes e um silvo perturbador que pode ser ouvida à distância, quanto pode ser um esqueleto ambulante, com pele cinza, olhos fundos de cadáver, e que às vezes só pode ser visto de lado, porque de frente ele aparenta ser apenas uma linha fina. Outro aspecto é sua fome incontrolável, quanto mais se alimento mais tem fome… Pode comer dezenas, centenas mas sempre terá fome… Por isso o wendigo é símbolo de ganância e insaciedade. Outra característica é seu odor. Quando um wendigo está perto se sente um odor de podridão sem igual, como se carcaças estivessem ao seu redor.

No conto de Algernon Blackwood, o wendigo aparentemente toma conto do corpo do guia, e o faz desaparecer na mata. Contemporâneo de Lovercraft, ele cria um clima de imenso terror onde não se descobre se tudo é real ou alucinação coletiva… O guia começa a ouvir uma voz sibilante e cavernosa o chamando, sente um cheiro ruim e estranho e desaparece na mata. O conto descreve o que se chama “febre das matas”, quando tudo aquilo (silêncio, mata, solidão) engloba o homem de tal maneira que ele corre para a floresta de onde não mais retorna, vítima da febre.

    Outro aspecto é sua fome incontrolável, quanto mais se alimento mais tem fome… Pode comer dezenas, centenas mas sempre terá fome… Por isso o wendigo é símbolo de ganância e insaciedade. Outra característica é seu odor. Quando um wendigo está perto se sente um odor de podridão sem igual, como se carcaças estivessem ao seu redor.

Parece ser o que acontece como guia, mas depois de muito procurar, o restante do grupo, senta ao redor da fogueira e ouve um som vindo do alto das árvores… Chamado por um deles, uma coisa cai no acampamento. É o guia, mas totalmente transfigurado… Pele pendurada no corpo, olhar feroz e alucinando, olhos esbugalhados, voz vinda das profundezas….O wendigo dele se apoderou.

O mito do wendigo está relacionado à prática do canibalismo. Muitas vezes, devido a fome e frio, principalmente durante o inverno, alguém recorria ao canibalismo para sobreviver. Fazendo isso, ele seria possuído pelo espírito do wendigo e se tornaria um.

Então tanto existe o wendigo enquanto criatura, peluda ou não, como também existe a possessão do espírito demoníaco do wendigo.

Em algumas lendas desse povo, alguém também pode se tornar um wendigo se necessário para proteger seu povo ou lar de algum perigo. A pessoa se torna um gigante e depois de passado o perigo ele pode retornar à forma humana ou se embrenhar no mato para nunca mais aparecer.

    Chamado por um deles, uma coisa cai no acampamento. É o guia, mas totalmente transfigurado… Pele pendurada no corpo, olhar feroz e alucinando, olhos esbugalhados, voz vinda das profundezas….O wendigo dele se apoderou.

Em um conto lido por mim, também podem se apresentar wendigos bons e maus… Como no caso do casal que vivia com o filho e foi visitado pelo wendigo. Ele nada fez ao casal, apenas ficou se servindo da caça trazida pelo homem e foi embora dando de presente um arco e flechas mágicos…. Porém tempos depois, a mulher estava sozinha e vendo outro wendigo se aproximando, não teve medo. Este ao chegar perto se mostra hostil e ela é morta quando tenta fugir.

    (…)O próprio índio reconheceu os sintomas e admitiu que iria se tornar o monstro, pedindo que alguém o matasse antes disso… Então deixaram o irmão dele para a tarefa, ficando por perto para ajudá-lo se necessário. Ele acertou o coração do “wendigo”, mas não houve sangue(…)

Também na literatura encontramos a “psicose do wendigo”, quando mesmo com comida à disposição, a pessoa come carne humana. Um dos casos mais famosos é o de Swift Runner, um caçador de Alberta, que comeu sua mulher e cinco filhos, mesmo a uma distância relativamente curta do posto de abastecimento. Ele foi julgado e condenado em Fort Saskatchewan.

Outro caso famoso é do chefe Cree e xamã Jack Fiddler, que entre seu povo era respeitado por localizar e exorcizar wendigos, matando alguns índios no processo. Ele e seu irmão foram julgados culpados por um tribunal, mas ele até o fim insistiu que estava livrando o povo de um mal maior e que poderia se espalhar se nada fosse feito.

Porém, para essas tribos é aceitável matar um wendigo. Casos foram julgados em que índios eram réus por esse motivo. Como Machekequonabe, uma índia que matou o seu pai adotivo, que estava possuído pelo espírito do wendigo.

Em outro caso índios Cree observaram que um membro do grupo estava se tornando um wendigo. O próprio índio reconheceu os sintomas e admitiu que iria se tornar o monstro, pedindo que alguém o matasse antes disso… Então deixaram o irmão dele para a tarefa, ficando por perto para ajudá-lo se necessário. Ele acertou o coração do “wendigo”, mas não houve sangue, então os outros vieram e acertaram o moribundo com pedaços de pau e queimaram o corpo em uma estaca. Para matar o wendigo é designado sempre um parente, assim se evita que a família queira vingança contra o carrasco.

Também um índio de nome Abisahibs matou uma família inteira em Yor Factory. Ele foi posto a ferros por um comerciante de Hudson´Bay. Ele foi solto porque gerou uma comoção entre os índios do local, que temiam caçar com ele por perto, mesmo preso. Mas mesmo solto ele não deixou o local e foi preso novamente, talvez pela própria segurança. Então os índios Cree resolveram fazer sua própria justiça, tiraram ele da prisão, o mataram com um machado e queimaram o corpo para que o espírito não os assombrassem.

O wendigo é contado em lendas e documentos oficiais. Espírito da floresta ou simplesmente faminto por carne humana, ele não mais assombra como antes. Porém, nos primórdios da colonização quando a floresta ainda “chamava” pelos incautos penso como seria estar só naquela imensidão solitária ouvindo os ruídos da mata sem saber exatamente o que seriam….

Só, naquele local o homem deveria ser possuído por algum mal ancestral que o faria novamente ser o caçador bestial de outras épocas, predando até mesmo a seus semelhantes.

Esse é chamado demoníaco do wendigo, o espírito canibal.

Fontes:
http://books.google.com.br/books?id=MJTuqyabJTgC&pg=PA75&dq=wendigo&as_brr=0#v=onepage&q=wendigo&f=false
Texto em português http://casadecha.wordpress.com

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Folclore dos Estados Unidos (A Lenda do Cervo Branco)

Muitas lendas surgiram devido ao desaparecimento da colônia inglesa de Roanoke. Livros, contos, quadros, séries, filmes falam sobre o assunto.

O livro de Sallie Southall Cotten, “O Cervo Branco: O Destino de Virginia Dare” é uma tentativa de explicar o destino da colônia e de Virginia Dare, a primeira criança de descendência inglesa nascida nas Américas.

Quanto à chegada de europeus à província de Terra Nova, no Canadá, há muito já se descobriu que os vikings foram os primeiros a chegar aqui, 500 anos antes de Colombo.  Graças às pesquisas de Helge Ingstad, descobriu-se as ruínas de L’Anse aux Meadows no Canadá, e segunda os contos nórdicos, uma mulher de nome Gudrun deu à luz um filho que seria o primeiro descendente de europeus nessa terra…

Mas voltando ao livro, ele narra como Virginia cresceu na tribo de Manteo,  winona significa “primeira filha” em Sioux e ska, significa branca. Ela cresceu e se tornou uma linda mulher. Okisko um jovem chefe índio queria casar com ela, só que Chico um velho feiticeiro também queria a mesma coisa.

O velho tentou em vão convencê-la a se casar com ele. Rejeitado ele lançou um feitiço sobe ela e a transformou em um cervo branco.

Okisko estava decidido a reverter a maldição e pediu ajuda a um feiticeiro do bem chamado Wenokan. Okisko fez um flecha com uma concha de ostra e Wenokan a banhou em uma fonte mágica, transformando-a em uma pérola. Para quebrar o feitiço Okisko deveria acertar a flecha mágica no cervo branco e ela se tornaria novamente Winona-Ska.

Nesse meio tempo, o jovem Wanchese, filho daquele que foi à Inglaterra com Manteo, resolveu matar o cervo encantando para ter fama. Para matar esse animal especial seria necessário uma flecha de prata. Por coincidência o pai dele tinha ganhado uma da rainha Elizabeth I quando ele visitou a Inglaterra.

Um dia, Okisko viu o cervo branco próxima das ruínas de Fort Raleigh, na ilha de Roanoke. Mais que depressa ele apontou sua flecha de pérola para o animal. Infelizmente, Manteo também disparou sua flecha de prata no cervo.

As duas flechas acertaram o cervo ao mesmo tempo. A flecha de Okisko transformou-o em uma linda mulher novamente, só que a flecha de Manteo também acertou seu coração.  Okisko correu até ela, mas Virginia morreu em seus braços.

Desesperado ele corre até a fonte mágica e banha as duas flechas nas águas, implorando pela vida de Winona. Quando ele voltou para o local, não havia sinal nem de Virginia, nem de cervo. Mais tarde, o cervo branco reaparece olhando para ele com olhos lindos e tristes. Então ela corre para as matas.

Desde esse dia, até hoje muitas pessoas dizem que veem um cervo branco fantasmagórico próximo da área onde a Colônia Perdida fez seu primeiro assentamento.

E essa foi uma das lendas sobre Virginia Doe, talvez o mistério nunca seja explicado, nem mesmo com o projeto de análise do DNA dos índios da área, mas talvez seja mais interessante imaginar o que teria sido feito de todos…

Fonte:
http://www.learnnc.org/lp/pages/1647
Texto em português http://casadecha.wordpress.com

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Folclore dos Estados Unidos (O Legado do Povo Assiniboine)

Nos tempos antigos, eles tinham um belo costume de capturar um pássaro (1), para liberá-lo sobre a sepultura na noite do enterro, assim o pássaro carregaria o espírito do morto para o descanso celestial. E a sua ansiedade de resgatar os corpos dos guerreiros mortos em batalha, e a impossibilidade de deixar os velhos e indefesos para morrerem sozinhos no deserto, foi  o resultado de uma crença de que as almas daqueles que não receberam os ritos funerários vagariam inquietos e infelizes.

Pode-se facilmente imaginar que um povo que tanto amou o seu lar e reverenciou o túmulo de seus pais, ficaria indignado e com raiva, ao ver-se tratados desumanamente e tendo as relíquias sagradas dos mortos arrancadas e espalhadas com indiferença como se fossem pedras, ou ossos dos alces e os veados da floresta.

Foi este sentimento que muitas vezes os levou a atos de hostilidade, que aqueles que testemunharam atribuíram a eles grande crueldade e barbárie. Um exemplo ocorreu em Nova Inglaterra, onde as peles postas na sepultura da mãe de um Sachem foram roubadas e o cacique reuniu seu povo e os convocou para a vingança. Ele se inspirou em sua piedade filial, e os ditames de sua religião. Ele assim ele falou:

“Quando a última das gloriosas luzes de todo o céu ficaram debaixo deste mundo, e as aves ficaram em silêncio, eu começo meu repouso, como é de meu costume. Antes que os meus olhos se fechassem, julguei ver uma visão, em que meu espírito estava muito perturbado, e tremendo nessa visão triste o espírito gritou, “Eis, meu filho, aquele em que me alegrei, veja os seios que te amamentaram, as mãos que te mantiveram quente, e alimentaram. Podes esquecer de se vingar daqueles povos selvagens que desfiguraram o meu túmulo, desdenhando de nossa relíquias e honrados costumes? Veja agora que a sepultura de um Sachem é igual a de pessoas comuns, desfigurada por uma raça ignóbil. Tua mãe queixa-se, e implora tua ajuda contra essas pessoas gatunas, que recentemente invadiram a nossa terra. Se isso não for feito não vou descansar tranquila no meu eterno descanso.”

Essa tribo tem sido conhecida a visitar o local que havia habitado, em tempos antigos, e o lugar do enterro de seu povo, apesar de abandonado há eras, e passar horas em silenciosa meditação, e fará isso até que toda a esperança tenha morrido em seus peitos, ou a última gota de sangue seja derramada, não deixam a grama que cobre o pó de qualquer de seus parentes seja pisado por estranhos.

Sobre sua hospitalidade  a qual me referi várias vezes,  há muitas estórias para ilustrar esse traço de seu caráter. O egoísmo que continuamente vi naqueles que estavam ávidos de lucro, era algo que eles não poderiam compreender. Em muitas das suas aldeias, existia uma casa para hospedar visitantes, onde eles eram acomodados, enquanto os anciãos iam à coleta de peles para eles pudessem dormir, e comida para eles comerem, sem esperar recompensa.

Era rude para as pessoas ficar encarando os forasteiros quando eles passavam nas ruas, e  eles tinham tanta curiosidade quanto os brancos, mas eles não ficariam felizes em se intrometer entre eles e examiná-los. Eles, às vezes, escondiam-se atrás de árvores, a fim de olhar para estranhos, mas nunca se olhou abertamente para eles. Sua respeitosa atenção aos missionários era freqüentemente o resultado de suas regras de polidez, como é uma parte do código do índio, que cada pessoa deve ter uma audiência respeitosa.

Seus conselhos tem uma regra de decoro, e nenhuma pessoa é interrompida durante um discurso. Alguns índios, depois de respeitosamente ouvir um missionário, pensaram que eles deveriam relatar algumas de suas lendas. Mas o bom homem branco não pôde conter a sua indignação, e chamou-as de fábulas tolas, enquanto afirmava que o que ele tinha dito a tribo era uma verdade sagrada.

O índio, por sua vez, se ofendeu e disse: “Nós escutamos suas histórias. Porque você não ouvir as nossas? Você não sabe nada sobre as regras de civilidade!”

Em outra estória, um caçador, em suas andanças por presas, acabou em uma assentamento de brancos na Virgínia, e em virtude da inclemência do tempo, buscou refúgio na casa de uma agricultor, que ele viu na porta de casa. Foi recusada a sua entrada na casa. Estando ele com muita fome e sede, pediu um pedaço de pão e um copo de água fria. Mas a resposta a pedido foi:

“Não, você não terá nada aqui. Vá embora cachorro índio!”

Alguns meses depois, este mesmo fazendeiro se perdeu na mata, e depois de um dia cansado de andanças, chegou a uma cabana indígena, em que ele foi bem acolhido. Perguntando sobre a distância mais próxima de um assentamento, e encontrando-se longe demais para ele pensar em ir naquela noite, ele perguntou se ele poderia pernoitar. Muito cordialmente os donos da casa responderam que ele tinha liberdade para ficar, e todos eles estavam a seu serviço. Deram-lhe comida, eles fizeram uma fogueira para animar e aquecê-lo, e lhe deram pele de veado limpa para servir de cama, e prometeram conduzi-lo no dia seguinte em sua jornada. De manhã, o caçador índio e o fazendeiro partiam através da floresta. Quando chegaram à vista de uma habitação do homem branco, o caçador, antes de ir embora, voltou-se para seu companheiro, e disse: “Você não me reconhece?”

O homem branco foi tomado por horror que ele tinha ficado em poder de quem ele tinha maltratado a um tempo atrás, e esperava agora a experimentar a sua vingança. Mas, quando começava a pedir desculpas, o índio interrompeu, dizendo:

“Quando você ver pobres índios desmaiando por um copo de água fria, não lhes diga mais uma vez: “vá embora, seu cachorro índio” e voltou para suas terras.

Qual deles foi mais cristão e seguiu mais o preceito que dizia “Na medida em que vos fizestes vos ao menor destes, o fizestes para Mim? “
––––––––––––––-
Nota:
(1)
Os pássaros são ligados a jornada da alma depois da morte. Para as tribos norte-americanas, soltar um pássaro durante o enterro, significa que ele está levando a alma do morto para o seu repouso eterno.

Fontes:
http://www.mythencyclopedia.com/Be-Ca/Birds-in-Mythology.html
Texto em português disponível em http://casadecha.wordpress.com

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